QUEM É E FOI JOSÉ DE JESUS, O JUDAS, “PAI” DO ESCRITOR RAFAEL DE ARAÚJO AGUIAR – um texto biográfico para ser relido pelos meus leitores após a minha morte

É impossível não desabafar sobre a inimizade mórbida entre mim e o meu pai que me desabilita socialmente, coisa com que tenho de lutar todos os dias da minha vida, suportando cada percalço. Desde os 13 eu o odeio. Mas para não tornar isso um longo e maçante calhamaço processual, vamos apenas supor que tínhamos uma convivência neutra – nem belicosa, nem massacrante, nem assediadora do forte em relação ao mais fraco, muito menos benéfica – até a minha idade de 28 anos, quando noivei e saí de casa (cerca de 3 anos atrás). Ainda fazendo esse recorte, tenho motivos muito justos para me considerar vítima deste sujeito. Tenho motivos de sobra para, ao decidir não manter qualquer contato com ele há já cerca de 1 ano, não ser julgado ingrato nem injusto nem parcial nem rancoroso por aqueles que vierem a conhecer minha história até aqui, que em sua quase totalidade se resume a um conflito intestino com este “homem”. À parte o fato de que eu me considero filho espiritual do Lula e que não tive nenhum pai de criação, pois que ele foi nulo na minha infância e apenas fonte de problemas a partir da pré-adolescência, problemas graves; à parte o fato de que, portanto, eu só tive um pai biológico, que consta duma certidão de nascimento que para mim nada vale, um progenitor “oficial” que me envergonha considerar como tal, ou seja, que me consideraria órfão se não fosse pela minha mãe, e à parte também todas as agruras que eu passei pelo menos dos 13 aos meus 28 anos, ainda tenho uma lista formidável de razões (6, eu diria) POR QUE de 3 anos para cá qualquer convivência – por mais monossilábica e distante – com este ente se tornou algo inviável para minha saúde:

PRIMEIRA RAZÃO
Bêbado, trêbado, durante meu próprio casamento, deu chilique e fez barraco no fim da festa, constrangendo a mim, minha mãe, minha noiva e minha sogra. Só preciso detalhar que o motivo de todo o estardalhaço foi: DINHEIRO. Nunca se retratou com ninguém, aliás como ele nunca se retratou por nada na “perfeita e íntegra vida que ele leva e levou”, segundo ele mesmo crê.

SEGUNDA RAZÃO
Quando voltei da minha lua-de-mel, ainda com as malas, direto do aeroporto de Brasília para a casa dos meus pais, motivado por umas tais queixas de um vizinho nosso (que na verdade foram feitas a ele uns 90 dias antes; e minha lua-de-mel durou apenas 10 dias, ou seja, esse assunto podia ter sido tratado em momento mais conveniente, se é que isto é um ‘assunto tratável’, continue a ler), alegando EXCESSO DE BARULHO de nós dois, o casal recém-morador do condomínio, sendo que meu pai biológico é co-proprietário do imóvel onde eu e minha ex-esposa (hoje somos divorciados, mas à época tínhamos acabado de nos casar) morávamos (e onde eu hoje ainda moro, sozinho). Meu pai biológico ameaçou a nós dois, com ar sereno e tranqüilo, com uma taça de vinho na mão, de despejo de nossa residência. Aqui cabem várias OBSERVAÇÕES sobre essa QUEIXA deste VIZINHO:

a) Como a outra co-proprietária do imóvel, minha mãe nos dera o apartamento como presente de casamento, e não estava conforme esta AMEAÇA DE PRONTO DESPEJO do meu pai biológico, essa ameaça era apenas vento, arrogância, gratuidade, o que não elimina o completo vexame da situação para todos.

b) A motivação do tal vizinho indignado eu só posso atribuir a antipatia à primeira vista e SUPER-ACUIDADE AUDITIVA, que deveria ser estudada pelos melhores médicos. Não terei jamais certeza. Mas a motivação do meu pai biológico para acatar a reclamação dele sem contraditório foi ESTRITAMENTE PECUNIÁRIA, pois o tal vizinho queixante lhe pagava aluguel e morava no apartamento mais amplo do edifício (taxa mais cara). Eu e minha então esposa morávamos sem pagar o aluguel.

c) Mesmo que eu nunca tenha pagado um mês sequer de aluguel, o que jamais fôra o combinado, pois meus pais sempre concordaram que, sendo o apartamento meu (nominalmente ou não), eu não deveria pagar aluguel morando aqui, eu custeei sozinho a reforma do apartamento, que antes era um muquifo inabitável. Essa reforma me custou – por baixo – 18 mil reais. Minha mãe e eu também pagamos, juntos, por toda a mobília e eletrodomésticos. Em razão dessas despesas, todas ao mesmo tempo, e na iminência do casamento, que foi uma festa para muitos parentes, mesmo tendo um bom salário eu tive que contrair empréstimo no Banco do Brasil. Esse consignado, montante que já foi de uns 100 mil após constantes renovações por causa dos aperreios financeiros que sofri durante o (curto) casamento, inclusive o cancelamento da minha linha de crédito temporariamente por atraso na quitação da fatura do cartão, ainda está, hoje, 3 anos depois, em 53 mil totais, que eu estou quitando em parcelas de 1.100 no meu contracheque. 1.100 é mais do que eu pagaria de aluguel neste apartamento, se não fosse o atual proprietário-herdeiro.

d) Voltando à porra do delinqüente do vizinho, ELE SIM fazia barulho PRA CARALHO, e a gente nunca fez barulho depois das 10 da noite. Mas meu pai não queria saber desse detalhe (a verdade). Para ele bastava a ilibada palavra do Ricardão traíra do terceiro andar. Ou seja, o vizinho que reclamou com ele era um bandido mentiroso e vulgar. Mas nós é que teríamos de ser despejados!

e) Era bandido e mentiroso não porque se reformou, mas porque – adiantando um pouco a história – este merda (que eu soube que por anos ali morou e atrasava muito os aluguéis), poucos meses depois desse episódio surreal na casa de meus pais, veio a se mudar de lá, por vontade própria, sem nenhum alarde. Ninguém sabe por onde anda este imbecil hoje em dia, felizmente.

f) Cansado da senilidade do meu pai, e simplesmente disposto a continuar no apartamento até que um guincho me retirasse de lá, conciliador além dos meus limites, eu até disse que concordava, por final, em sairmos, e procurar outro lugar, para vivermos de aluguel, mesmo o apartamento sendo agora MEU, sem estar errado no caso, DESDE QUE ele me ressarcisse do valor da reforma (R$18 mil), o que, vos garanto, ele com certeza recebe todo começo de mês na conta, e sobrando muito mais. Ele nem sofreria se me pagasse à vista. Ele, obstinado e estulto, como sempre, se recusou prontamente. Ou seja, não aceitava nenhuma solução. Mas como toda essa história não passava de tempo, minha preocupação não era o tom de ameacinha ébria dele. Ocorre que em decorrência desse episódio frustrante – LOGO APÓS A MINHA LUA-DE-MEL – minha então esposa teve crises de pânico (com o que ela já era diagnosticada, mas vinha bem melhor nos últimos meses).

TERCEIRA RAZÃO
No aniversário da minha mãe de 24 de setembro de 2018, o meu pai biológico puxou assunto de política, para variar sem o menor contexto com a fluidez das conversas e a realidade das coisas. A sala toda se engajou na conversa. Falaram várias barbaridades que vocês aqui vêem todo santo dia nos piores esgotos do facebook. Agüentei uns 10 minutos, absolutamente calado, talvez porque me faltava energia para levantar da cadeira ou expressar reação. Não sei, tudo aquela noite fica difuso na memória a partir desse momento. Uma explicação rápida: é notório que eu sou de esquerda, PETISTA, e minha família inteira é bolsonariano-MILICIANA. Passei mal, é óbvio, e quando consegui me ausentar da sala sem chamar atenção, deitei numa de um dos quartos e tomei 10 gotas de rivotril. É meu remédio para crises de ansiedade. Eu sou diagnosticado como ansioso e depressivo. Dez gotas não me faziam nada. Me chamaram para o parabéns, eu disse que não estava me sentindo bem. Tomei mais 10 gotas e esperei um tempo. Eu nunca tinha tomado mais de 10 gotas, quanto mais 20, mas achei que menos do que isso não alteraria meu mal-estar. Alguns minutos depois, levemente melhor, consegui forças para levantar da cama, me despedir da minha mãe na cozinha e sair das festas pelo fundo, porque não conseguiria passar mais nenhum minuto com aquelas pessoas, muito menos com AQUELA PESSOA que iniciou tudo. Fui de ônibus pra casa, da Asa Norte para o Guará; comecei a sentir muito sono e grogueza já no ônibus; nem lembrei se cheguei a apagar em algum momento, mas lembro que por mais que olhasse pela janela não reconhecia os lugares. Só sabia que estava no Guará. Pelo sim, pelo não, se já tinha passado minha parada ou não, e sem raciocinar direito, eu pedi para descer. Vi que estava um pouco longe de casa. Rua deserta, passou um senhor, felizmente, e não outro tipo de pessoa. Eu perguntei onde estava, me reorientei (ainda era difícil andar) e consegui chegar em casa após um périplo na madrugada. Minha então esposa não estava na festa porque fazia curso pré-vestibular intensivo o dia inteiro. Desde este episódio, todas as vezes que revi aqueles mesmos parentes e o meu pai biológico, tive a mesma crise de ansiedade, que eu já posso classificar como reação pânica.

QUARTA RAZÃO
Algum tempo depois, minha mãe foi hospitalizada. Mesmo com esse quadro de pânico diante dos parentes, me esforcei e fui visitá-la, 3 de 5 dias em que esteve na enfermaria. Toda hora tinha gente entrando e saindo do quarto, se revezando, dormindo por lá. Eu consegui me manter relativamente estável diante da situação (não gostava de trocar palavras com nenhum dos presentes). Mesmo nessa situação tão crítica (pelo menos para pessoas comuns e com sensibilidade, que enxergam quando outras pessoas estão incomodadas ou precisam ser pelo menos tratadas com civilidade), meu pai biológico, aproveitando-se do noticiário da Globo que começou a passar na TV ligada no quarto, este meu pai biológico, eleitor do Bolsonaro, se aproveitou do momento insólito para comentar daquela forma histriônica e desmiolada que vocês conhecem sobre a negativa do recurso da defesa do Lula no Supremo (naquele primeiro julgamento, vocês hão de lembrar). Sua intenção óbvia era fazer comentários jocosos direcionados exclusivamente a mim, o único ali que não queria saber dessas notícias.

QUINTA RAZÃO
Algum tempo depois, após meu divórcio (ao qual o meu pai biológico deu generosas parcelas de contribuição, pois não só nunca nos deu qualquer suporte afetivo como nos colocava em estresse e angústia constantemente pelos motivos mais torpes, como vocês já leram), aconteceu de meu pai e minha mãe aparecerem num domingo e me convidarem para um almoço. Naquele momento eu estava bem. Unicamente que algumas semanas antes eu abandonei um curso noturno que estava fazendo na UnB (segunda graduação), porque eu estava estafado, trabalhando jornada de 40h semanais, e começando a sentir claros indícios de depressão, que eu vi estarem conectados a minha rotina frenética e ao campus da UnB. Durante o almoço, minha mãe calada, só meu pai biológico falava, e de vez em quando eu pronunciava algumas sílabas, como quando fui indagado sobre meu curso. Eu disse que desisti. Eu desisti de graduação, sendo já diplomado. Bem, o que isso importa? O que um bom pai faria? Confortaria o filho? Não sei, não tive um bom pai. Mas não, o único assunto que ele abordava, estranhamente conexo à minha desistência de cursar uma GRADUAÇÃO, mas ao avesso, era que eu TINHA DE FAZER URGENTEMENTE MEU DOUTORADO, uma vez que sendo eu concursado de nível superior de um órgão que gratifica o título de doutor com um bônus salarial, ele fazia questão de ME ENSINAR o que eu devia procurar agora em minha vida. Como eu tomei uma atitude para me livrar de problemas, obviamente o SENHOR PROBLEMA me aconselhava sabiamente a MERGULHAR DE CABEÇA EM PROBLEMAS AINDA MAIS GRAVES, sem ser solicitado. Nunca lhe pedi conselhos. Nunca ouvi um bom conselho de sua boca. É interessante notar que meu pai, em seu tempo, foi da mesma carreira que a minha, e não tem doutorado. Ou seja, trata-se dum clássico caso de FRUSTRADO QUE SE PROJETA NO FILHO. Mas ignora o filho. Que coisa…

Quanto mais essa conversinha se prolongava, mais eu ficava absorto, sei lá, em choque, não conseguia formular nenhuma resposta cortante ou reagir de modo agressivo. Dois dias depois tive uma reação de fúria extemporânea, retardada em relação ao fato, e só então despejei minha ira. Relatei no whatsapp tudo que queria dizer a minha mãe e pedi que repassasse para que ele lesse. Além de expor sua hipocrisia (por isso ele se dava bem com aquele meu ex-vizinho escroto), eu avisei que desejava cortar contato com ele em definitivo. Não me cabia ter qualquer tipo de ligação com um cara que só sabe agravar o quadro de depressão dos outros, sendo um sujeito incapaz de escutar alguém e cujas conversas são matracadas esquizóides, monólogos, indiferentes à atenção ou à recepção do interlocutor. Ele e a parede. A parede e ele. Sempre foi assim. Sempre será. Só me perguntassem o DSM? Suspeito de monomania, obsessão paranóica, não por idéias, por assim dizer – qualquer idéia que ele defenda é a correta, no seu sistema imbatível –, mas por DINHEIRO. O único valor supremo de sua vida.

Após meu ultimato, ele ainda tentou entrar em contato comigo diversas vezes, como se NADA tivesse transcorrido entre nós, porque ele é proprietário (co-proprietário com minha mãe, vou frisar) deste prédio (com exceção do meu apartamento) e às vezes visita seus inquilinos para cobrar em dinheiro vivo (que espécie de neandertal não pode pedir de seus inquilinos que paguem VIA TRANSFERÊNCIA ELETRÔNICA, pelo amor de deus). Mas não só: ele bebe nos bares e na padaria que serve cerveja, a padaria que fica bem abaixo do meu apartamento. Eu preciso dizer que meu pai biológico é um alcoólatra? Festas de casamento com tudo liberado, vinho, cerveja… Nada disso faz bem a esse cabeça-oca.

SEXTA RAZÃO
Semana vai, semana vem, minha mãe foi re-hospitalizada por uma recaída do mesmo problema. E dessa vez eu recebi assim a notícia: numa manhã de sábado, logo após acordar, li uma mensagem dela, da minha mãe: VENHA VER SUA MÃE NA UTI, FILHO MALCRIADO [Edit – ele havia escrito MAU CRIADO (sic)]. Como se vê, não era da minha mãe, mas do idiota biológico. Respondi, com a visão turva, sensação de desfalecimento como naquele aniversário, e mãos muito tremidas, resumidamente, que malcriado era ele e que aliás ele não era meu pai. Que torceria pela recuperação da minha mãe, mas que ficaria afastado, porque se fosse ao hospital, dessa vez, acho que não agüentaria, e teria um surto ou uma crise, porque, como sempre ‘a patota do Bozo’ estaria toda lá.

Antes que ele redargüisse com sua petulância de cavalo, disse que era para minha mãe ligar assim que se recuperasse, para me dar notícia, e para eu desbloqueá-la do WPP, já que, como o celular estava de posse dele, e minha mãe presumivelmente inconsciente, eu não me dispunha a ouvir um único desaforo deste IMUNDO SUB-ANIMAL DE CARGA.

Assim foi, minha mãe ficou melhor. Nos relacionamos bem. Mas meu pai biológico, esse monstro, continua em suas andanças periódicas pela minha vizinhança. Nunca com a mão vazia.

E todas as vezes que eu tenho o azar de me deparar com ele ao chegar do trabalho, ele tenta falar comigo, com um ar afável (na frente dos outros ele é sempre afável, dissimulado, quando ainda não está completamente escravizado pela bebida), dizendo oi, me cumprimentando, perguntando como vou, o exato contrário da real natureza, aquela que ele demonstra quando me comunica que minha mãe está na UTI me XINGANDO.

Não sei se é comportamento premeditado, eu sinceramente duvido das capacidades gnosiológicas de um ‘homem’ que já cavou tão fundo a própria cova (e, como o pai do protagonista de Morte a Crédito do Céline, nunca, nunca, nunca morre). Eu lembro de ter pedido para minha mãe explicar a ele no que consiste exatamente um quadro de síndrome do pânico. Mas quem é que sabe o que esse celerado é capaz de lembrar ou não, de dissimular lembrar ou não? Basta vê-lo, mal preciso ouvi-lo, e já sinto a crise.

FINALMENTES…

Seria redundante explicar que como paciente de depressão e ansiedade (e pânico GERADO ESPECIFICAMENTE NO CONTEXTO DE CAOS POLÍTICO E EMBURRECIMENTO REPENTINO DAS PESSOAS, CURIOSAMENTE QUASE TODAS DA MINHA FAMÍLIA – eu não consegui sair de casa no 2º turno das eleições, tamanha foi minha crise e projeções de que encontraria GENTE COMO ESSA A RODO NA RUA), qualquer tipo de convivência a mais restrita com este SER está fora de questão. E meus remédios de uso continuado, devo dizer, não saem barato. Durante a crise financeira do meu casamento, abandonei sessões de psicanálise, que estavam me fazendo muito bem. Havia conseguido um preço promocional, mas a situação se tornou tão crítica em termos de grana que tive de abdicar, com os maiores pesares.

Ainda assim, nunca pedi nada a este POBRE DE DIREITA (um funcionário público, por mais que viva bem de vida, está nas mãos do Estado, não depende dele seu futuro, e por muitos anos ele teve de vender sua força de trabalho para amealhar o que conquistou – ajudado por uma obsessão louca –, sabendo-se que quem tem de trabalhar é pobre; se de esquerda ou de direita, não faz a menor diferença. Pelo menos para a definição de pauperismo marxiana; claro que isto só me enoja e ajuda a dissipar qualquer resquício de figura paterna que poderia haver por trás ou no intestino grosso desse verdadeiro facínora.

Hoje, no dia em que edito este texto (que enviei pelo twitter com muito menos coerência que você enxerga agora, e antes de dormir estou reformatando, mais calmo que estou), reencontrei esse pusilânime na padaria. Queria comprar pão. Tive o desprazer de vê-lo ao lado do caixa, com uma Heineken na mão. Ele disse OI. Eu conversei com o padeiro. Disse oi secamente, acho que só eu mesmo ouvi. O pão de fôrma estava em falta. Eu disse que voltava outra hora. Ele berrou, quando eu já tinha virado as costas: VOCÊ NÃO FALA COMIGO, NÃO?!

Resolvi recapitular tudo isso, num primeiro momento, para parar de tremer e sossegar. Digo que, se ele insistir neste comportamento sonso, capaz de acabar com meu dia, se ele se negar a reconhecer que eu não sou seu filho, nem inquilino, se não agir como se eu fosse um completo estranho para ele na eventualidade de nos cruzarmos, procurarei uma medida protetiva, para que ele se mantenha a uma distância mínima da minha pessoa, porque eu me sinto agredido e ameaçado, muito mais que fisicamente. Eu entendo isso como legítima defesa, instinto de sobrevivência, vontade irrefreável de não abandonar a sanidade nos piores momentos. E era tão simples de um homem fazê-lo – mas ele não é um homem, é uma besta!

Mas quando penso nesse caráter ARQUETÍPICO de Sr. Scrooges, no quanto ele cobiça, e no pouco de que precisa, e nos problemas que atravessei, muito devido a ele próprio, penso em pedir em litígio outra coisa, ou outras coisas: que enquanto ele viver arque com uma pensão mensal no valor de meus remédios, quiçá no valor de meus remédios, de meu tratamento analítico e também no da minha pensão alimentícia voluntária para minha ex-esposa, que tem depressão grave, também utiliza remédios caros e, quem sabe, se eu não fosse mais bem-afortunado financeiramente, ou pelo menos tivesse um pai humanitário, não fosse hoje ex-esposa. Se ele puder ser responsabilizado pela dissolução dessa união, com uma hoje amiga minha, por que não?!

Espero que em legítima defesa considerado, e um pouco para divertir-vos com meu estilo literário, confesso, aceitem a publicação desses fatos íntimos de minha vida. Peço que aqueles mais próximos a mim que estranhem qualquer ausência prolongada minha desses meios, acionem a polícia, repassem este relato NA ÍNTEGRA. Pode ser uma peça de prova. Bom, pelo simples fato de compartilhar esse negrume, esse peso existencial, esse meu azar de ser filho de algo mais insensível que um tronco congelado, já me sinto melhor, mais protegido, mais seguro. Pronto para as vicissitudes do amanhã.

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