AS ESTRELAS DESCEM À TERRA:(*) A coluna de astrologia do Los Angeles Times. Um estudo sobre superstição secundária. – Theodor Adorno (trad. Pedro Rocha de Oliveira), Unesp, 2008.

(*) COM OS PÉS NO CHÃO seria uma tradução muito mais adequada a DOWN TO EARTH.

As estrelas descem à Terra é um texto de posição sui generis no conjunto da obra de Theodor W. Adorno: por um lado, tem uma conexão direta com o núcleo duro do pensamento do filósofo, já que aborda temas como a interpenetração entre o racional e o irracional, o processo de dominação característico do capitalismo tardio, a cultura de massas etc. Por outro lado, trata-se de uma obra cm que as ideias propriamente filosóficas de Adorno não ressaltam tão claramente como em outros de seus livros mais conhecidos como Dialética negativa, Teoria estética, Minima moralia ou mesmo Dialética do esclarecimento

o que dizer de uma pesquisa feita apenas a partir da análise das edições de aproximadamente três meses da coluna de astrologia de um jornal conservador norte-americano?”

o leitor pode se perguntar — com razão — o que teria a ver a pequena burguesia alemã dos anos 1920-1930, submetida a um implacável processo inflacionário e temerosa quanto ao seu futuro econômico e político, com a massa de leitores da coluna de astrologia de um diário conservador californiano na década de 1950. A resposta talvez possa ser encontrada em certos resultados da pesquisa realizada pela Universidade da Califórnia em Berkeley, com a participação de Adorno, a qual resultou no livro A personalidade autoritária. A pesquisa tinha como objetivo aferir o potencial de adesão a projetos políticos autoritários (no limite: totalitários) em amplos setores da população daquele país que se considerava (e ainda se considera) a maior democracia do mundo: os Estados Unidos da América. Em outras palavras, tratava-se de investigar até que ponto a nação que derrotou o regime nazista estava livre do tipo de ideologia que resultou nessa tirania. (…) essa investigação ocasionou certo escândalo nos Estados Unidos ao apontar para o fato de que em amplas camadas da população norte-americana havia indivíduos altamente pontuados na escala F, ou seja, com acentuada tendência fascista latente, e essa característica estava sempre associada ao que se considerava uma evidente fraqueza de ego.”

depois da desmoralização das ridículas personalizações e exteriorizações políticas das figuras paternas perdidas — dos Hitlers, dos Mussolinis, dos Stálins —, o sistema de dominação se despersonalizou ainda mais,¹ até o ponto em que os Big Brothers (aliás: gênero de reality show plenamente globalizado) hoje não passam de pequenos oportunistas à procura de um pé-de-meia e/ou de uma chance no show business.²”

¹ Será?

² Comparação esdrúxula

a libidinização dos aparelhos domésticos é indiretamente narcisista, à medida que ela alimenta o controle da natureza do ego: estes aparelhos proporcionam ao sujeito memórias de sentimentos primitivos de onipotência”

Enquanto as imagens querem despertar aquilo que se encontra soterrado no espectador e o que lhe é semelhante, as imagens intermitentes e fugidias do filme e da televisão se aproximam da escrita. Elas são concebidas, não consideradas. O olho é arrastado pelas tiras como pelas linhas e no suave solavanco da mudança de cena, a página se passa a si mesma.”

A natureza específica do nosso estudo não é uma psicanálise direta do oculto, do tipo iniciado pelo famoso ensaio de Freud O estranho, e desenvolvido por numerosos esforços científicos, agora reunidos pelo dr. Devereux em Psychoanalysis and the Occult. Não queremos examinar experiências ocultas ou crenças supersticiosas individuais de qualquer tipo como expressões do inconsciente. Na verdade, o oculto como tal possui apenas uma função marginal em sistemas como o da astrologia organizada. Sua esfera tem muito pouco em comum com aquela do espiritualista que vê e ouve fantasmas, ou com a telepatia. Em analogia com a diferenciação sociológica dos grupos primários e secundários, podemos definir nossa área de interesse como a da <superstição secundária>. Com isso, queremos dizer que a experiência primária do indivíduo com o oculto, qualquer que seja seu significado psicológico e as raízes de sua validade, raramente — ou talvez nunca — entra nos fenômenos sociais aos quais dedicamos nossa atenção. Ao contrário, o oculto aparece, aqui, institucionalizado, objetivado e amplamente socializado.”

O tipo de pessoa relevante para nosso estudo toma a astrologia como algo certo, da mesma forma que a psiquiatria, os concertos sinfônicos ou os partidos políticos. A astrologia é aceita porque existe, sem muita reflexão, bastando que as exigências psicológicas do indivíduo correspondam àquilo que é oferecido.” “Na coluna de jornal sobre a qual se debruçou majoritariamente a presente monografia, a mecânica do sistema astrológico nunca é divulgada.” Kleper Tantan

A ausência de uma <seriedade> fundamental, que, diga-se de passagem, de forma alguma torna tais fenômenos menos sérios no que diz respeito às suas implicações sociais, é um traço tão característico de nosso tempo quanto a difusão do ocultismo secundário per se.”

A frase mais amada por Adorno: “Como sempre é o caso em se tratando de argumentos que pretendem desacreditar qualquer interesse na modernidade específica dos fenômenos, insistindo em que não há nada novo sob o sol, esta objeção [de que a vidência, privilégio de um especialista, esteve sempre presente como logro social] é ao mesmo tempo verdadeira e falsa.”

Horóscopo me lembra telão de rodoviária, que me lembra gente sebosa e nojeira. Cheiro de fritura, camelô e gente com máscara no queixo gritando como se o último passageiro amealhado na fila do baú significasse sua panacéia das finanças.

Vai explicar Olavo de Carvalho! “Em um mundo no qual, através da literatura científica popular, e em particular da ficção científica, qualquer garoto em idade escolar sabe da existência de bilhões de galáxias, da insignificância cósmica da Terra e das leis mecânicas governando os movimentos dos sistemas estelares, a visão geocêntrica e antropocêntrica implicada pela astrologia é completamente anacrônica.”

O planeta que pediu demissão porque estava cansado de ser cornetado – ou cometado, he-he.

DIY: faça seu mapa astral, não deixe os outros lhe dizerem o que você deve fazer ou o que lhe vai acontecer, faça isso você mesmo (mas com a bênção impessoal dos planetinhas)!

O presente estudo consiste em uma análise de conteúdo. Cerca de três meses da coluna diária Previsões Astrológicas, escrita por Caroll Righter no Los Angeles Times, de novembro de 1952 até fevereiro de 1953, foram submetidos à interpretação.”

Entre as várias escolas ocultistas, a astrologia provavelmente tem o maior número de seguidores na população. A astrologia por certo não é um dos ramos extremos do ocultismo, mas constrói fachadas de pseudo-racionalidade que a tornam mais fácil de aceitar do que, por exemplo, o espiritualismo. Não há aparição de fantasmas, e as previsões são pretensamente derivadas de fatos astronômicos. Assim, a astrologia pode não evidenciar mecanismos psicóticos tão claros quanto aquelas outras tendências mais obviamente lunáticas da superstição, o que pode dificultar nosso estudo no que diz respeito à compreensão das camadas inconscientes mais profundas do neo-ocultismo.”

A coluna Previsões Astrológicas, escrita por Carroll Righter, aparece no Los Angeles Times, um jornal conservador bastante inclinado para a ala de direita do Partido Republicano. O sr. Righter [e não Lefter!] é bem conhecido no meio cinematográfico, e se supõe que ofereça aconselhamento astrológico privado para uma das mais famosas <estrelas> do cinema.”

a filosofia subjacente à astrologia está na linha do que poderia ser chamado de sobrenaturalismo naturalista. Esse aspecto <despersonalizado> e impiedoso da fonte supostamente transcendente tem forte relação com a ameaça latente assinalada pela astrologia.”

HAHAHAHAHA! “O envolvimento com a astrologia pode oferecer àqueles que se deixam levar por ela um substituto para o prazer sexual de natureza passiva.”

JÚPITER É PAN: “A comunhão com os astros é um substituto quase irreconhecível — e, por isso, tolerável — para a relação proibida com uma figura paterna onipotente.”

O material das revistas pode ser disposto segundo numerosos matizes, desde publicações bastante inofensivas, embora absolutamente primitivas, como a World Astrology, passando por publicações mais radicais, como a True Astrology e a Everyday Astrology, até publicações paranóicas, como a American Astrology.

E desnecessário dizer que tais revistas, dirigidas para um núcleo de seguidores da astrologia, e não para o público em geral, contêm material astrológico mais <técnico> e tentam impressionar os leitores tanto com um conhecimento <esotérico> quanto com uma sofisticação <científica>. Termos como <casa>, <quadrante>, <oposição> etc, ocorrem frequentemente. A astrologia não é tida como certa, mas tenta, com certa violência, defender seu status. Assim, o número da revista do qual retiramos nossos exemplos contém uma polêmica contra um cientista que criticou a astrologia como superstição, comparando-a com a leitura da sorte nas entranhas de animais ou no vôo dos pássaros. As revistas parecem particularmente sensíveis a tal comparação. As acusações do cientista são negadas pela observação um tanto tautológica de que a astrologia nunca lida com entranhas ou com pássaros.”

Os astrólogos reiteram continuamente que não são deterministas, e se encaixam no padrão da cultura de massa moderna que protesta tanto mais fanaticamente em nome dos princípios do individualismo e do livre-arbítrio, quanto mais a verdadeira liberdade de ação desaparece. A astrologia tenta se afastar de um fatalismo não-refinado e impopular, estabelecendo forças externas que operam na decisão do indivíduo, incluindo seu próprio caráter, deixando a escolha fundamental em suas mãos. Isso tem significativas implicações sociopsicológicas. A astrologia encoraja as pessoas a tomar decisões constantemente, independentemente do quão inconsequentes essas decisões possam ser.”

O semi-erudito tem uma vontade vaga de entender, e também é levado pelo desejo narcísico de se mostrar superior às pessoas simples, mas não está em uma posição tal que lhe permita empreender operações intelectuais complicadas e distanciadas. Para ele, a astrologia — da mesma forma que outras crenças irracionais, como o racismo — oferece um atalho, reduzindo o que é complexo a uma fórmula prática, e oferecendo, simultaneamente, uma agradável gratificação: o indivíduo que se sente excluído dos privilégios educacionais pode, ainda assim, pertencer a uma minoria que está <por dentro>.”

PODE SER QUE SIM, PODE SER QUE NÃO… “Como era de esperar, há frequentes sugestões sinistras de que uma nova era está por vir, sinalizando uma grande catástrofe mundial e insinuando uma guerra entre os Estados Unidos e a Rússia em 1953, sem, entretanto, comprometer-se em definitivo a esse respeito.”

O editor não se responsabiliza pela opinião dos coMunistas desta revista!!

Diversas vezes, embora sempre de forma mais ou menos vaga, a revista faz acusações contra minorias incômodas que nunca são claramente identificadas. Algumas das imagens empregadas lembram as utilizadas por agitadores fascistas e anti-semitas de perfil pseudo-religioso. Assim, faz-se referência à batalha apocalíptica do Armagedon que desempenhou um grande papel nos discursos de um sacerdote radialista que causou muita agitação nos anos 30 (Charles Edward Coughlin (1891-1979)).”

Qual é o 1 que não é 1 mas é o 9 antes do 10?

Resposta: o I. (IX – X); nona letra do alfabeto.

Como dispositivo psicológico adotado pelo indivíduo, a astrologia, em certos aspectos, lembra os sintomas do neurótico fóbico que aparentemente canaliza, focaliza e absorve sua ansiedade flutuante em termos de objetos da realidade.” “O interesse de um indivíduo pela astrologia, como o sintoma fóbico, pode absorver todos os demais objetos da angústia, tornando-se, em última instância, um interesse obsessivo do indivíduo ou grupo afligido.”

o que ele diz deve soar como se ele tivesse conhecimento concreto de que problemas incomodam cada um de seus supostos seguidores nascidos sob determinado signo e em determinada hora; ao mesmo tempo, ele tem de permanecer reservado o suficiente para não ser facilmente desacreditado.”

na maior parte das vezes, trata-se de uma psicologia do ego pré-freudiana, encoberta por aquilo que Theodor Reik chamou de <psicanalês> de assistente social.”

A cada linha que passa, mais aproxima Freud da canonização.

Assim, uma das ameaças realistas mais difundidas, o risco da demissão, aparece apenas de forma diluída, isto é, na forma de conflitos com superiores, reprimendas, e outras situações desagradáveis. O termo <demissão> não é utilizado nem uma única vez. Uma ameaça favorita, entretanto, é a dos acidentes de trânsito. Também aqui é possível visualizar como diversas facetas da abordagem estão misturadas: o perigo de acidentes de trânsito está sempre presente na congestionada região de Los Angeles.”

Adorno não conheceu o Brasil: “a opinião pública não estigmatiza como criminosas as pessoas que cometem erros de direção.”

Um documentário em que o protagonista viva seus dias de acordo com seu horóscopo o mais estritamente possível durante um mês, como em Supersize Me (o zodíaco do McDonald’s prevê que você engordará).

Um sociólogo num livro “marxista” falando uma BESTEIRA DESSAS! “Alguns revisionistas, tais como Fromm e, particularmente, Horney, trataram a questão de forma excessivamente simplificada, reduzindo traços neuróticos como o que está sendo discutido aqui — a dependência — a realidades sociais como “nossa moderna sociedade competitiva”.” Freud, o menos social dos psicanalistas, é o mais prezado por Adorno, que condena a visão anti-edipiana de que o neurótico é aquele que adoece, e a sociedade o terrorista biológico que o adoece (//a famosa frase: a sociedade prepara o crime, o criminoso o comete). Em suma, para um autodeclarado exímio analista do capitalismo tardio, é um atestado de falsário.

Seus problemas serão resolvidos ou automaticamente, ou com auxílio dos outros, particularmente daqueles amigos misteriosos cuja imagem é recorrente na coluna — contanto que se mantenha a confiança nas estrelas.”

A semi-irracionalidade da expressão <tudo vai ficar bem> deriva do fato de que a sociedade americana moderna, a despeito de todos os seus conflitos e dificuldades, tem sucesso na reprodução da vida daqueles que abraça.”

O adágio <seja você mesmo> assume um significado irônico.” Qual dos dois, o rato ou o homem?

Um exemplo desse mecanismo é o caso de um autor talentoso que queria escrever um livro que, em sua opinião, alcançaria um lugar entre os mais importantes da literatura mundial. Tudo que ele fazia era pensar sobre o livro, deixando-se levar por fantasias a respeito das repercussões sensacionais que seu livro geraria, e sempre dizendo a seus amigos que estava quase terminando. Assim, embora já tivesse <trabalhado> no livro por 7 anos, ainda não tinha escrito uma única linha. A medida que vão ficando mais velhos, indivíduos deste tipo precisam agarrar-se cada vez com mais força à ilusão de que o tempo vai tomar conta das coisas. Muitos, quando alcançam certa idade — normalmente, no início dos 40 —, ou conseguem tornar-se mais sóbrios, abandonando a ilusão e esforçando-se para utilizar os meios de que dispõem; ou então têm um colapso neurótico, porque a vida sem a ilusão consoladora do tempo como benfeitor torna-se intolerável.” Fromm, Sentimento de impotência

Por motivos obsessivos, certo paciente não conseguia escovar os dentes e, passado algum tempo, batia em si mesmo, ralhava consigo mesmo.” Fenichel, Teoria psicanalítica das neuroses

Henri Bergson apontou, em O riso, que as calcificações psicológicas que tornam um indivíduo cômico em sentido estético indicam alguma falha em sua maturidade, e estão ligadas à sua incapacidade de lidar com mudanças nas situações sociais, chegando inclusive a afirmar que, de certa forma, o conceito de <caráter> que denota um padrão de personalidade enrijecido, impassível de ser afetado pela experiência da vida, é em si mesmo cômico.”

Deve-se enfatizar que é exatamente este psicólogo [Jung], o qual alegou ter aumentado a profundidade de conceitos psicanalíticos (…) rasos, o mais (…) propenso a ser adotado por uma popularização comercial.” Com ou sem razão, só o fala porque ama anal e oralmente Freud! Os (…) são empregados para eliminar os advérbios inutilmente empregados assiduamente por Adorno.

Você vai se sentir a ponto de explodir na parte da manhã, sem qualquer motivo aparente. Os planetas estão testando seu autocontrole. Mantenha a calma.

(31 de dezembro de 1952, Câncer)”

<Seja agradável> refere-se às briguinhas típicas de mulheres ranzinzas da classe média baixa; <não se atormente>, ao hábito psicológico de <ruminar>, típico de indivíduos obsessivo-compulsivos.”

A difamação do <ego inflado> é muito frequente na literatura de psicologia popular, incluindo as obras da falecida srta. Horney.” Karen Horney, a psicanalista modinha dos 30 aos 50 que teve relações amorosas com um de seus pacientes.

Adorno devia ser um dos que mais se afligia no cotidiano: “O mundo está certo; o estranho está errado. Assim, da mesma forma que com o padrão muito semelhante do antiintelectualismo, promove-se um nivelamento geral. Em conformidade com essa ideologia, ninguém deve realmente acreditar em si mesmo e em suas qualidades intrínsecas, mas, ao contrário, necessita colocar-se à prova junto com todos os demais por meio do funcionamento em meio às condições já dadas.”

As origens históricas do conceito de intuição coincidem com os grandes sistemas extremos da filosofia racionalista do século XVII. Assim, para Spinoza, a intuição é o tipo mais alto de conhecimento, embora o termo seja usado por ele em um sentido um pouco diferente do atual. Em Leibniz, o conceito de inconsciente é introduzido por meio de reflexões matemáticas sobre o conhecimento subliminal, sob o epíteto de petites perceptions. A história da intuição é a face noturna do racionalismo ocidental.”

Sempre que o tradutor avisa que só intervém com notas quando sumamente necessário, saiba que haverá uma suma necessidade a cada página…

A ênfase incessante nesses aspectos [corte o cabelo, vá ao salão hoje…] sugere a exaltação da limpeza e da saúde ao nível de ideais, um traço bem conhecido da síndrome anal.” HAHAHA!

O sintoma psicótico de dar atenção demais ao próprio corpo, que, ironicamente, parece estar alienado de si mesmo, também é pertinente. Pessoas muito cuidadosas e tendem tanto à astrologia como aos movimentos por uma alimentação saudável, a medicina natural e panaceias similares.” R***** S****** M****** BELA GIL M******* Pedro P******

O valor sociológico da limpeza está ligado à herança cultural do puritanismo, uma fusão do ideal de pureza sexual com aquele do corpo asseado — mens sana in corpore sano. No fundo, está a repressão do sentido do olfato.”

Além do aconselhamento constante no sentido de <chegar a um acordo>, <aumentar suas posses> e <planejar>, o colunista estimula a ideia de que o leitor só pode avançar na hierarquia dos negócios se trapacear, usar suas ligações pessoais e uma espécie de diplomacia furtiva, em vez de empregar atividades estritamente ligadas ao trabalho. Isso tem implicações bastante malignas. Dentro do padrão das ilusões modernas de massa, a ideia da conspiração — que, sem dúvida, é de natureza projetiva — está sempre presente. O encorajamento de atividades <por trás dos panos> é uma maneira imperceptível de promover uma aproximação a tais tendências, que normalmente são projetadas sobre grupos que se imagina estar às margens da sociedade. Aqueles que persistentemente acusam os outros de estarem conspirando têm uma forte tendência a conspirar, e isso é aproveitado e explorado pela coluna. Em face do caráter um tanto arriscado desse conselho, a abordagem bifásica, aqui, é especialmente valiosa para a coluna. A sugestão da trapaça é compensada — anulada, no sentido psicanalítico — por apelos intercalados a agir de maneira obediente à lei, e a se manter sempre dentro do reino do permissível, um conselho condizente com a atitude externa da coluna, convencionalista e conformista.”

tudo é permitido desde que ninguém seja flagrado” Dostoievsky 2.0

A imagem do inventor morrendo de fome é bem conhecida. Sob as condições atuais, o slogan <seja moderno> tende a deteriorar-se em mera fraude.”

O avanço tecnológico real é deixado para especialistas tecnológicos que frequentemente estão distantes do esquema dos negócios, enquanto que aquele que quer entrar em uma organização de negócios de grande porte precisa, geralmente, ser <conservador> — talvez não tanto, hoje em dia, por medo da falência, mas por medo de chamar para si, como empregado, a imagem de excentricidade, de alguém que está transgredindo seu lugar na hierarquia, caso venha continuamente a empreender ou defender inovações.”

Enquanto a gigantesca oferta atual de bens exige pessoas de mentalidade moderna, preparadas para comprar qualquer novidade, a mentalidade do comprador construída dessa maneira corrói as reservas, ameaça aqueles para quem comprar torna-se uma compulsão, e é com frequência apresentada como se, potencialmente, colocasse em perigo a estrutura econômica, solapando a própria capacidade de compra. De maneira a corrigir tudo isso, sempre de forma verdadeiramente conformista, a coluna tem de promover vendas e resistência às vendas, uma tarefa ingrata que só se torna possível periodizando o aconselhamento.”

Na astrologia e no ocultismo como um todo, conforme foi indicado anteriormente, percebe-se uma forte ansiedade para se superar a desconfiança de que são alvo as práticas mágicas no âmbito de uma cultura marcada pelo empreendimento racionalizado. A ciência é a má consciência do ocultismo, e quanto mais irracional a justificativa de suas pretensões, maior a ênfase no fato de que não há charlatanismo envolvido. Se, por um lado, a coluna evita controvérsias sobre os méritos da astrologia, mas, por boas razões psicológicas, assume sua autoridade como um dado, ela segue indiretamente aquele impulso, curvando-se de forma estudada à ciência em geral.”

o termo <outro mundo>, que antes tinha um significado metafísico, é trazido para o nível da astronomia, onde ecoa com um timbre empírico. Os fantasmas e outras terríveis ameaças, os quais muitas vezes revivem entidades bizarras mais antigas, são tratados como objetos naturais e científicos que vêm do espaço, de outro sistema planetário ou, preferencialmente, de outra galáxia, ainda que o mais avançado conhecimento biológico de que dispomos — a <lei de convergência> — aponte para desenvolvimentos mais semelhantes aos da Terra, mesmo em estrelas distantes, do que os figurados nas secularizações da demonologia com que se entretém o leitor de ficção científica. A coisificação e mecanização do próprio homem são projetadas sobre a realidade na difundida literatura sobre robôs. Aliás, a ficção científica consome uma longa tradição de literatura norte-americana que lida com o irracional ao mesmo tempo que nega sua irracionalidade. Sob vários aspectos, Edgar Allan Poe é o inventor da ficção científica, bem como das histórias de detetives.” Não há nada no google sobre lei de convergência (se excetuarmos artigos sobre reforma da lei de pensão e psicologia social, haha!).

Quando se considera que o leitor está sendo magoado por alguém, ele é levado a considerar que não deve retribuir o golpe, mas sim assumir uma atitude que indique sua própria superioridade, e ceder. O padrão psiquiatricamente bem conhecido da <identificação com o agressor> parece ser uma das ideias positivas básicas a respeito dos relacionamentos humanos.”

Uma vez que a esposa é aquela que, em última análise, precisa administrar a receita doméstica, o leitor é ensinado a discutir com ela suas questões financeiras. Contudo, a esposa raramente aparece mencionada como tal, mas sempre por meio da expressão mais abstrata <a família>”

De qualquer forma, a ideia vigente é a de que a família ainda é a única <equipe> unida em torno de fortes interesses comuns, em que todos podem contar uns com os outros praticamente sem reservas e fazer planos conjuntos para enfrentar com sucesso um mundo ameaçador e potencialmente hostil.”

A esse respeito, a família muitas vezes aparece como um tipo de clã arcaico e ameaçador cujo veredito prevalece sobre o sujeito dependente.”

As recriminações da esposa, sem que ela se dê conta, são um protesto contra uma situação que é muitas vezes agravada porque o homem, que tem de <se controlar> durante as horas de trabalho e reprimir suas agressões, está inclinado a liberá-las contra aqueles que lhe são próximos, mas que têm menos poder do que ele. A sabedoria popular da coluna está muito ciente de tudo isso, bem como do fato de que em tais conflitos as mulheres são normalmente mais ingênuas do que os homens, e que apelos à <razão> deste último podem ajudar a suavizar embates inevitáveis.”

…tenha muita consideração em casa, onde as coisas vão ficar tensas se você se mostrar nervoso…

(19 de novembro de 1952, Touro)” HAHAHA!

O pior que pode acontecer é eu chutar uma quina ou quebrar um eletrodoméstico…

A inevitabilidade, cujas razões sociais foram apontadas acima, é dissolvida no elemento abstrato do tempo, como se os problemas só passassem a existir em determinadas tardes ou noites, de modo que tudo se resume ao exercício de autocontrole por parte do leitor, com a finalidade de evitar um conflito de maiores proporções. É claro que isso reflete, também, a irracionalidade dos motivos que frequentemente levam a explosões familiares, detonadas por eventos inteiramente insignificantes. Além dessa política de apaziguamento, o leitor é encorajado a <sair com sua família> ou a <divertir-se muito> com ela e os amigos, uma sugestão que figura frequentemente nos feriados, quando o leitor provavelmente faria algo do gênero, de qualquer maneira. Tal sugestão faz recordar as tentativas substitutivas de institucionalizar o prazer e a proximidade, algo na linha do Dia dos Namorados, Dia das Mães e Dia dos Pais. [ASPECTO DO CAPITALISMO VERDADEIRAMENTE REPUGNANTE] Correta ou erroneamente, sente-se que o calor e a proximidade da família estão em declínio, mas uma vez que a família é mantida por razões tanto realistas como ideológicas, o elemento emocional de calor e intimidade é alvo de um incentivo racionalizado como meio adicional de acalmar as coisas e manter o casal unido, enquanto a base real de sua joie de vivre comum parece ter desaparecido.”

A ordem dada ao subordinado por seu superior é interpretada como se pretendesse unicamente ajudar o subordinado em suas falhas e fraquezas — uma personalização infantil dos relacionamentos objetivados.”

É digno de nota, entretanto, que não existam traços de xenofobia na coluna, ao contrário do que acontece com as revistas astrológicas, em que tais traços são muito comuns. Isso pode ser explicado por sua <moderação>. Somente o dispositivo do contexto familiar sugere inclinações desse tipo.” “Há uma distinção contínua entre <velhos> e <novos> amigos, e o acento positivo é, surpreendentemente, colocado regularmente nos novos. Aqueles a quem o leitor ainda não se acostumou têm algo do estrangeiro, e às vezes são diretamente identificados com ele. No mínimo, são pessoas estimulantes que de alguma maneira prometem prazer. Em um ambiente de padronização e uniformidade ameaçadoras, a ideia do incomum é positivamente catexizada por si mesma. Mas, sobretudo, essas pessoas estão no presente. Os velhos amigos são, ao contrário, pelo menos ocasionalmente, apresentados como um peso, como pessoas que fazem todo tipo de exigências injustificadas em nome de um relacionamento que, na verdade, pertence ao passado. O leitor pode tolerá-los como <colegas> nos dias melhores, mas nunca deve levá-los muito a sério, ou levar-se a um envolvimento muito profundo com eles.”

tão bom como se nunca tivesse existido” Mefistófeles

Apesar de sua moralidade convencional, a coluna basicamente rejeita a lealdade: o que não parece útil aqui e agora deve ser abandonado. Aplicando esse método aos <velhos amigos>, a fase hostil do relacionamento com os amigos é racionalizada e canalizada de um modo adequado ao padrão geral da coluna de ajustamento aperfeiçoado. Os amigos bons são aqueles que ajudam o leitor ou, pelo menos, juntam-se a ele para buscar algum objetivo positivo; os outros são relíquias do passado, que exploram situações que já não são válidas e, assim, devem ser punidos de forma moralista e abandonados.”

O <especialista> está situado em algum lugar entre o superior (ou a sociedade como um todo) e a proximidade do amigo.”

É como se a noção de neofeudalismo que habita o fundo da mente do colunista carregasse consigo a associação dos servos que pagam tributo ao senhor”

Quando Deus dá uma tarefa, também dá a inteligência”

nos jornais alemães, os signos do zodíaco sob os quais uma pessoa nasceu são com frequência mencionados em colunas que promovem encontros entre solitários.”

Paradoxalmente, uma quantidade maior de discernimento pode resultar em uma reversão para atitudes que prevaleciam muito antes da alvorada do capitalismo moderno. Pois, ainda que as pessoas reconheçam sua dependência e manifestem, até com certa frequência, a opinião de que são meros fantoches, lhes é extremamente difícil encarar essa dependência de frente.”

Em outras palavras, a astrologia não pode simplesmente ser interpretada como uma expressão de dependência, mas precisa ser considerada uma ideologia para a dependência, uma tentativa de fortalecer e, de alguma forma, justificar condições penosas que parecem mais toleráveis quando se tornam alvo de uma atitude afirmativa.”

A intenção original do autor: “Isso é muito bem refletido pela astrologia, assim como pelos dois tipos [?] de Estados totalitários que também afirmam ter uma chave para tudo, conhecer todas as respostas e reduzir o que é complexo a inferências simples e mecânicas, afastando tudo que é estranho e desconhecido, sendo, ao mesmo tempo, incapazes de explicar qualquer coisa. O sistema assim caracterizado, o verwaltete Welt [mundo administrado], tem, por si mesmo, um aspecto ameaçador.”

A sensação de que há uma crise encoberta nunca desapareceu desde a I Guerra Mundial, e a maioria das pessoas se dá conta, ainda que de maneira pouco clara, de que a continuidade do processo social e sua capacidade de reproduzir sua própria vida, não se devem mais a processos econômicos normais, mas a fatores como o rearmamento universal que, por si mesmos, geram a destruição ao mesmo tempo que são os únicos meios de autoconservação. Essa sensação de ameaça é bastante real, e alguma de suas expressões, como as bombas A e H, estão a ponto de superar os mais desvairados medos neuróticos e fantasias destrutivas. É provável que, quanto mais as pessoas professem um otimismo oficial, mais profundamente sejam afetadas por essa sensação de calamidade — a ideia, correta ou errônea, de que o estado de coisas atual de alguma forma leva à explosão total, e que o indivíduo pode fazer muito pouco a respeito disso.”

Lições de assepsia adverbial.

A <onda do futuro> parece consumir os próprios medos produzidos pelas condições do presente. A astrologia cuida dessa sensação, traduzindo-a em uma forma pseudo-racional, de modo a enfocar as angústias sem objeto (free-floating anxieties) a um simbolismo bem-definido, mas também proporcionando um conforto vago e difuso, com o que dá àquilo que não tem sentido a aparência de um sentido oculto e grandioso, simultaneamente reafirmando que este não pode ser buscado nem no domínio do que é humano nem tampouco pode ser propriamente compreendido por nós.”

O culto de Deus foi substituído pelo culto dos fatos, da mesma forma que as entidades fatais da astrologia, as estrelas, são, em si mesmas, vistas como fatos, coisas governadas por leis mecânicas.”

O postulado de Auguste Comte de que o positivismo deveria ser um tipo de religião é realizado de forma irônica: a ciência é hipostasiada como uma verdade última e absoluta. (…) só os empiristas filosóficos [jornalistas, podemos resumir] parecem mais suscetíveis à superstição secundária [acreditar em coisas como astrologia] do que os pensadores especulativos [os ‘metafísicos’ ou pensadores relativistas]: o empirismo extremo, que ensina uma obediência absoluta da mente àquilo que é dado, aos <fatos> [os fatos sociais são coisas seria o adágio – fracassado – da própria sociologia], não dispõe de um princípio — tal como a ideia da razão — que lhe permitiria distinguir o possível do impossível. Assim, o desenvolvimento do esclarecimento vai além de si mesmo e produz uma mentalidade que, muitas vezes, não é capaz de resistir às tentações mitológicas.” Você acredita nos deuses gregos, ex-ateu adolescente?

No lugar de um processo intelectual complicado, extenuante e difícil, que poderia superar a sensação de insipidez pela compreensão do que é que torna o mundo tão insípido,¹ busca-se um atalho desesperado que oferece um entendimento espúrio e uma fuga para um reino supostamente superior. A astrologia lembra, nessa dimensão, mais do que em qualquer outra, outros tipos de meios de comunicação de massa tais como os filmes: sua mensagem aparece como algo metafisicamente significativo, como meio de recuperar a espontaneidade da vida, enquanto, na verdade, ela só faz repetir as mesmas condições coisificadas que parecem ser renunciadas por um apelo ao <absoluto>. A comparação da astrologia com o misticismo religioso, duvidosa em mais de um aspecto, é particularmente inválida à medida que o mistério celebrado pela astrologia é vazio — os movimentos das estrelas, que supostamente explicam tudo, não explicam nada, e mesmo se a hipótese total fosse verdadeira, ainda haveria de se explicar por que e como as estrelas determinam a vida humana, uma explicação que nem mesmo foi tentada pela astrologia.”

¹ Conquanto impossível, mas sonhar é grátis.

É, afinal, a própria falta de relação, a irracionalidade das relações entre a astronomia e a psicologia, para as quais não existe um denominador comum, uma <base lógica> que dá à astrologia a aparência de justificação em sua pretensão de ser, ela mesma, um conhecimento misterioso e irracional. A opacidade da astrologia não é nada além da opacidade que prevalece entre diversos campos científicos que não podem ser significativamente reunidos. Assim, pode-se dizer que a própria irracionalidade brota do princípio de racionalização que evoluiu em nome da maior eficiência, a divisão do trabalho. Aqueles que Spengler chamava de homens das cavernas modernos residem, por assim dizer, na cavidade formada entre as ciências organizadas, as quais não são capazes de cobrir a universalidade da existência”

Foi apontado anteriormente que a astrologia, da mesma forma que o racismo e outras seitas intelectuais, pressupõe um estado de semi-erudição. Ao avaliar a astrologia como um sintoma do declínio da erudição, entretanto, há que se resguardar da postura superficial do pessimismo cultural oficial.” O neo-racismo é astrológico (cada vez mais espúrio). Ironia, não? Cavalo pangaré.

Os sujeitos que lêem jornais: “De um lado, existe uma riqueza de material e de conhecimentos, mas a relação é muito mais formal e classificatória do que passível de proporcionar uma abertura de fatos supostamente inflexíveis por meio da interpretação e da compreensão.” O atalho de Michele.

Falando em termos gerais, a ideologia astrológica assemelha-se, em todas as suas principais características, à mentalidade daqueles que obtiveram <alta pontuação> na pesquisa empreendida por The Authoritarian Personality [livro de Horkheimer].”

Creio que ainda não havia pensado na correlação entre crendice astrológica e fascismo. Posso imaginar, agora, uma versão alternativa do meu tio reaça Nilson, um hippie “mae Diná” cheio de manias, falando “bicho”, fumando seu beque e levando uma vida good vibes, voz arrastada, se aproximando apenas dos parentes que emanam “energia positiva” (a sua é sempre positiva, vale lembrar). Negativos são os outros.

A bandeirinha canarinho não suporta outra década de exposição dessa maneira. Terão de voltar com a bola de cristal, nem que ela seja LCD…

ALOISIUS: “Assim como aqueles que podem ler os sinais das estrelas acreditam que estão por dentro de informações preciosas, os seguidores dos partidos totalitários acreditam que suas panaceias especiais são universalmente válidas, o que funciona como justificativa para impô-las como regra geral. A ideia paradoxal do Estado com um partido só — enquanto a ideia de <partido>, derivada de <parte>, em si mesma indica uma pluralidade — é a consumação de uma tendência que se encontra em estado dormente na atitude inacessível e obstinada do adepto da astrologia que defende tenazmente sua crença sem nunca entrar em uma discussão real, usando hipóteses auxiliares para defender-se mesmo quando suas posições são evidentemente errôneas e com quem, em última instância, não se pode falar: uma pessoa que nunca pode ser alcançada, e vive em um tipo de ilha narcísica [Northwest Island].”

Deve-se tomar muito cuidado para não simplificar demasiadamente o relacionamento entre astrologia e psicose.” Falou o imbecil que tipifica tudo como “catexia anal”. Por falar nessa carniça:

o liberalismo do século XIX, com sua ideia do pequeno empreendedor independente que acumula riqueza economizando, provavelmente induziu mais formações de caráter do tipo anal do que, digamos, o século XVIII, no qual o ideal do ego era mais determinado pela imagem caracterológica feudal que, em termos freudianos, é chamada de <genital>”

Não sou eu que forço uma caricatura, ela já está toda desenhada no livro!

Hitler era certamente psicologicamente anormal, mas foi exatamente essa sua anormalidade que criou o fascínio que permitiu seu sucesso junto às massas alemãs. Pode-se dizer que é precisamente o elemento da loucura que paralisa e atrai seguidores para os movimentos de massa de todos os tipos; e o corolário dessa estrutura é que as pessoas nunca acreditam inteiramente no que fingem acreditar e, assim, excedem suas próprias crenças, e estão logo inclinadas a traduzi-las em ação violenta.”

Pode-se comparar a função dessas confissões às confissões forçadas dos supostos traidores na Rússia e nos Estados-satélites atrás da Cortina de Ferro, as quais, longe de desiludir os seguidores do comunismo no mundo livre, muitas vezes parecem lançar uma espécie de feitiço que garante uma credulidade integral. A astrologia tem de ser vista como um pequeno modelo dessa estimulação muito mais ampla de disposições paranóicas.”

14 citações de Freud (+ Jung, Horney, Anna F., Erich Fromm, Reik…), só 1 de Weber. “Sociologia adorniana.”

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