AUTODESVELO, DOS 3 AOS 6

Sonhei que descrevia um sonho: eu tinha 6 anos e descrevia como no sonho possuía 3, estava com a boca ensangüentada e com os dentes quebrados, com enorme dificuldade para falar; e descobria que tinha um irmão mais velho que até então ignorava. Seja porque meus pais o ocultaram de mim, seja porque algum acidente me o fez lembrar. E o mais irônico é que eu passava a contar o sonho que tive, em detalhes, para minha mãe. E dizia que somente ao me tornar adulto é que eu me lembraria deste meu irmão, como se isso não fosse absolutamente contraditório. Minha mãe se mostrava incrédula e confusa; eu não conseguia explicar que ao mesmo tempo “vim de ser adulto”; seja porque viajei no tempo, na verdade minha alma viajou no tempo, vindo se instalar no corpo de criança, ou porque era uma espécie de profeta e já havia previsto meu destino, e fosse capaz de vivê-lo simultaneamente, sincronicamente, como o próprio presente. No sonho, eu constatava, apesar de usar uma linguagem infantil, própria das crianças dessa idade, que a fonte de todos os meus males de humor e dos meus sentimentos depressivos se ligava à existência dessa quimera, esse meu irmão imaginário. Noutro segmento do sonho eu estava na escola, de posse desse conhecimento. Todos eram jovens experimentados, ou eram adultos infantilizados… E não é isso o adolescente? De alguma forma esse meu “novo velho” irmão estava lá comigo… Eu “sabia que” não devia me comportar de maneira bagunceira mas “não podia” controlar meu corpo. E eu contornava mal e mal um desenho (na carteira? no caderno?), com bastante peso no lápis, pensando: “somos sempre iguais, somos sempre os mesmos, não importa o que fazemos, o que já fomos, como mudamos, a essência perdura, não podemos fugir desse simples fato”…

GRAÇAS DAS DUAS VIDAS

Engraçado ouvir de um cristão que minha vida de escritor é onde não corre sangue; e ainda mais irônico, e cômico, que eu replique, mentalmente, para mim mesmo: o mundo do espírito é o único verdadeiro para minha personalidade, o resto é fantasmagoria, cabide, apêndice, removível, se eu quisesse…

ESQUELETO DO MEU VERBETE NO W I K I P É D I A (quando chegar o momento) // Promessas cumpríveis de Ano-Novo

Rafael de Araújo Aguiar (25 de abril de 1988–) é um poeta, tradutor, filósofo, escritor e blogueiro brasiliense, tendo atuado previamente nas áreas de Jornalismo e Sociologia/Pedagogia. Desde 2016 assina suas obras com o pseudônimo Rafael Cila. Em seus escritos predominam, apesar de um ecletismo temático, onde se incluem a ficção e a poesia concreta, referências aforísticas e ensaísticas nas áreas da história, antropologia, estética, psicologia, política, teologia e mitologia.

Em 2016 o autor chegou mesmo a publicar em forma de livro duas de suas resenhas de jogos de videogame (Eternal Champions, abaixo, na Lista completa das obras, em denominação na língua portuguesa), um de seus hobbies prediletos. Ele mantém um blog na internet chamado Seclusão Anagógica, que atualiza assiduamente, com conteúdos relacionados a suas obras publicadas e leituras cotidianas, além de possuir perfis nos sites de fomento a escritores amadores e profissionais Recanto das Letras e Clube de Autores. É por intermédio deste último, inclusive, que comercializa suas obras autorais em formato impresso e digital.

Sobre o espaço hospedado no Yahoo! Groups denominado NewGen, onde – a despeito, por ironia, do nome do projeto – o autor disponibiliza acesso a suas resenhas de jogos predominantemente clássicos ou antigos, Rafael Aguiar já publicou mais de mil resenhas autorais ou traduzidas de diferentes jogos eletrônicos, o que o credencia como um dos mais prolíficos resenhadores brasileiros na área. O NewGen foi fundado em 2002, ainda em formato de página da web e transferido para o Yahoo! Groups em 2003. Embora o autor tenha se mantido inativo como resenhador de games entre 2008 e 2010, o projeto nunca foi oficialmente descontinuado. Em 2011, Rafael Cila voltou a trabalhar intensamente nesta atividade, panorama que se conserva até esta atualização. Detalhe curioso a considerar é que em 2002 o autor ainda cursava a antiga 8ª série do ensino fundamental, tendo cultivado sua paixão pelos videogames, aliada ao impulso e talento pela escrita, desde cedo. Seu hobby de avaliar jogos e distribuir o review entre amigos, portanto, consumiu metade de sua vida até aqui.

Lista completa das obras:

2014 – Vontade de Interpretações: Um roteiro de leitura de “Vontade de Potência” de Friedrich Nietzsche – recomendado para todos e para ninguém

2015 – Poesia Livre 2015 – Concurso Nacional Novos Poetas (co-autor)

2016 – ɛternos Campeões

2016 – Our Blood Their Semen —Literatura Antifeminista—

(com o pseudônimo Antonio do Rêgo)

2017 – Palavra É Arte: Poesia – 26ª edição (co-autor)

2017 – Um rápido guia para entender o Alcorão

2019 – O Desejo de Deleuze

2019 – As Teorias Supremas

A despedida que virou olá!

Prezado Ledor, Prezada Ledora,

(Originalmente, essa mensagem seria postada em xtudotudo6.zip.net, mas um erro na conta impossibilita qualquer nova alteração no domínio.) 

Devido ao esgotamento do espaço de armazenamento da conta do UOL Blog, estou migrando minhas postagens para outro endereço (provavelmente outro servidor, para aproveitar a possibilidade de contar com mais recursos de diagramação dos textos e também um layout que se faça mais agradável). Esse arquivo permanecerá disponível indeterminadamente.

Das vezes anteriores, tivemos de migrar entre diversas contas do UOL Blog, que foram do xtudotudo1.zip.net ao xtudotudo6.zip.net ao longo de aproximadamente 2 anos de intensas postagens. Devido ao peso considerável (em KBs e MBs) das imagens inseridas, sobretudo durante a cobertura jornalística da Copa do Mundo de 2006 e a publicação de reviews de games, ambas bastante ilustradas, o endereço sofreu profusas migrações em poucos meses, por estrita necessidade. Não obstante, desde 19 de setembro de 2006 (há exatos 10 anos e 2 meses) tínhamos nos “estabilizado” nesta URL devido à mudança de foco nas publicações (majoritariamente textos sem imagens). Esse “dia fatídico” do fim do armazenamento também do xtudotudo6, entretanto, teria de chegar, o que não significa (ufa!) o fim da produção do autor.

Marcamos época, em quantidade de tempo e em amadurecimento intelectual e temático; alguns dentre vocês me acompanham desde o início, outros são visitantes e seguidores mais recentes, outros acompanharam brevemente a iniciativa, no passado, mas prezo igualmente por todos e agradeço o apoio, módico em termos numéricos a partir de determinado período em que rumei para leituras consideradas mais “obscuras e restritas” (os posts futebolísticos e gamísticos eram bem populares e respondem por cerca de 80% das 70.000 visitas alcançadas pelo contador), mas significativo em termos qualitativos. Seja por mais ou menos tempo, quando consideramos apenas os indivíduos, esse estímulo do público, mais ou menos seleto, jamais deixou de existir.

O projeto, iniciado no meu 3º ano do ensino médio, passou por inúmeras mudanças de título e conceito. A idéia original do então “X-TudoTudo” era tentar uma inovadora abordagem multidisciplinar. Durante a fase Transcender, assumo que houve uma guinada acadêmico-epistemológica e aspectos filosófico-sociológicos ligados ao futuro da civilização capitalista adquiriram primeira plana. Num terceiro estágio, a verve polemista quase onipresente na figura do Autor Moderno se fez mais presente do que nunca. Foi a era “O Esgoto a Céu Aberto Na Sua Rua”. A quarta fase, e atual (até ontem/hoje), vislumbrou os preparativos para as publicações dos meus primeiros livros, meta muito antiga, e se intitulou “Alma aristocrata nascida em corpo de plebeu”, adágio como que remanescente da época do Transcender.

A quinta fase, que deixamos para outro espaço, já fará referência nominal ao nome pretendido para minha (provisória) magnum opus, uma coletânea gigantesca dos textos do X-Tudo1 ao 6 [e agora do Seclusão Anagógica]. Por motivos que não me cabe expor aqui, insto os interessados, em contato pessoal comigo, ou através das redes sociais e do e-mail wormsaiboty@gmail.com, a solicitar-me a nova sede virtual do projeto (que, ademais, ainda não foi cem por cento inaugurada).

Novamente, meu muito obrigado pelo tempo que passamos “juntos”, e que um novo velho ciclo se inicie-perpetue continuando e reiterando nossa “luta literária e artística” cotidiana. O mote do Blog, apesar das mudanças de eixo, sempre foi a RETROALIMENTAÇÃO e o RESSURGIMENTO DAS CINZAS, aspectos que resumem a própria condição humana!

Assinado: Rafael Aguiar, Blogmaster, wormsaiboty, A Mosca Filosófica, O Mestre Trágico do Existir, Ocidental Obscuro, cila (ou caribde)…

e todo e qualquer nome artístico utilizado durante todos estes anos que eu porventura tenha esquecido no instante desta redação!