Crítica de 2 de março de 2009
Quão brilhante é a neo-clássica adaptação de Romeu e Julieta de Shakespeare para o cinema! Talvez esteja fora de moda, não só o próprio amor, mas a forma textual em que ele é comunicado. Na era da falta de imaginação, imagens e sons devolvem ao jovem o doce – e ao cabo amargo – sabor da ilusão. Talvez o diretor Luhman tivesse em conta a situação do professor de literatura ao iniciar as gravações. Afinal, com a exceção do rosto de DiCaprio, cilada que captura as menininhas – sem volta: todas as aventuras são sem-volta –, esta é a única maneira de solidificar o que é líquido e esparso. O vívido contraste entre a erudição e o colorido de boate é o mesmo de entre as carroças e os possantes carros, das páginas (sem vida? O leitor está inerte!) com as câmeras, da batina sóbria e da camisa florida do padre (dos padres. E o que se tira disso? Há algo familiar demais entre os opostos que se atraem para ser ignorado!
A contradição que não se pode resolver, entre dois inimigos de sangue, é o mesmo dilema que sente a carne. Posto que é tão real, não pode ser loucura ou confusão. Ou será que serão? Tudo isso é, e muito mais; a nova força semovente abraça todas as alteridades num invólucro só. O que é de hoje e o que já se tornou estranho, fóssil de uma enterrada era… sempre estiveram no recôndito de cada alma. Nenhuma experiência é previsível, não há ato que possa ser repetido – logrado duas vezes.
