PROVA DA INEXISTÊNCIA DE DEUS!

“Deus” é sinônimo de onipotência, o conceito humano para o uno, ilimitado e intangível, uma chave de acesso ao transcendental via linguagem: quatro letras que encerram a idéia de tudo que está por trás da existência e da possibilidade de se ter qualquer idéia. Como tal, “Deus” cresceu com o homem. É seu mito, sua raiz. A determinado ponto foi sistematizado em escrituras – o que não o desvencilha do paradigma panteísta, não obstante: panteísmo é a crença de Deus sendo tudo e todas as coisas. O universo, a natureza. Aqui está o ponto a que desejava chegar para comprovar a inexistência de Deus, se é que o leitor não preferirá legitimá-lo de uma forma diferente… (vide adiante) Serei lógico; acompanhe:

O caráter de onipotência de Deus é sua definição pura. Significa que para tal entidade inexiste o impossível. A realidade inteira é o desenrolar de sua vontade. Como tal, só pode ser ele mesmo (o que é vontade de Deus é deus, e não há o que não seja): voltamos ao Panteísmo, ainda que sejais cristãos. Se tudo é deus, eu também sou deus. Afirmar deus é negar-me a mim mesmo. Penso que sou livre para escrever que sou livre. Tenho autonomia na decisão. A simples crença na assertiva basta ao leitor a fim de negar Deus. Porém, sigamos adiante, rumo aos limites da argumentação: se se aceita que eu sou Deus para não negá-lo, eu me anulo. Eu existo – o leitor existe – e aceitar-se como Deus representando a própria impossibilidade do Ser de existir é pífio. Existo e por isso automaticamente Deus deve ser negado.

Ainda que eu fosse Deus – esse é o único método, entenda o leitor, de poder afirmá-lo (a legitimação em “forma diferente” supracitada) –, ou tudo sou eu (tudo que acontece é minha vontade – sua liberdade acabou de ser formalmente morta), ou eu sou uma PARTÍCULA de Deus. Mas um poder infinito não se divide: a principal característica divina é a unidade, é ser a arrumação coerente do todo. Não existe, portanto, essa conveniente solução intermediária. Retomando, há dois (ou três) paradigmas: 1) TUDO é Deus (e sua Vontade), sob o alto preço de não existirmos (nossas individualidades não passam de ilusão, falsas consciências de Deus regidas por uma, e só uma, verdadeira consciência); 2) NADA é Deus. Esta possibilidade permanece de pé, pois permite que existamos; 3) O indivíduo é DEUS. Incabível. Porém, interessante observar que “3)” não existe senão como subconjunto de “1)”. Deus não pode ser um subconjunto, nem mesmo possuir um subconjunto! Deus não pode existir se há no universo qualquer consciência que levante o problema. Perdemos um deus no momento em que passamos a acreditar nele.

16/08/2008

POR QUE VOCÊ NÃO LUTA?

A visão de que cada nação possui o governo que merece é ilusória e precisa ser abolida. Sequer há o que se pode chamar de nação, e não porque o Estado-nação não respeite nações, mas porque o próprio conceito de nação está seriamente em xeque. Não existe o povo, por mais que o tópico-frasal da sociologia coaja qualquer sociólogo incipiente a dizer o contrário. O que acontece em um país como o nosso é a tendência auto-implosiva do Capital: uma plutocracia que impede o movimento revolucionário, porquanto este só representa perigo sendo massivo. Uma vez que estão destruídas as condições para que ele o seja (tome como base a mídia brasileira, que impossibilita o menor pensamento transgressor), fica na mão do indivíduo consciente a decisão: dada a impossibilidade democrática de atingir minhas metas e a inviabilidade de qualquer negociação pacífica com o Estado e demais forças, baluartes da moral do Ocidente, diria um Nietzsche, eu devo lutar e arriscar a piorar ainda mais drasticamente minhas condições de existência neste mundo ou eu devo me conformar, manter minha propriedade, minha liberdade, enfim, meus direitos civis, minha relação com a família, meus estudos e meu emprego? Parece que, diante de impasse de tal ordem, sempre escolheremos a segunda opção. Mas, para ser auxiliado por um provérbio simples contudo verdadeiro, “nada é eterno”. O que se depreende disso? Aparentemente, o momento da luta pela ruptura irreversível do sistema é invariavelmente empurrado para frente e jamais concretizado. Não há como imaginarmos, de fato, que poderia haver uma “anarquização” da sociedade moderna a ponto de transformar poderios incalculáveis como o produto nacional bruto e o exército americanos em cenários tão imprevisíveis quanto as Farc no território colombiano ou as milícias mexicanas em guerra de trincheiras com o Estado. A própria constituição do rebelde como exceção é a quase refutação de qualquer esperança. Para a vida dos ainda vivos no momento deste texto, e do seu autor, o cenário é tão ou mais desanimador: escolho minha profissão estável, minha ficha criminal limpa e meu conhecimento socrático-cristão a contragosto, mesmo ciente de que são postulados inversamente proporcionais à “sociedade” como se constitui de fato (não passando de idealismos vis, disfarçáveis para alguns, mas intransponíveis para todos), por julgar que só encurtaria minha vida se lutasse contra tudo e todos, ou reduziria cabalmente meu já ridículo quinhão. Faticamente, assim funcionam as coisas. Onde está, então, a mágica que torna o inimigo invencível do homem um respeitante do ditado de que “nada seja eterno”? Nele próprio. O invencível (figura sem corpo, apenas a idéia que temos enquanto somos escravos do próprio Ideal) é a vítima derradeira de seu próprio sucesso. As contradições do Capitalismo tornam-se mais agudas à medida que seu êxito se torna mais inquestionável. Há um ponto de ruptura nas auto-vitórias do maleável Capital e da casca de todo seu conteúdo, a moral do Ocidente. As fendas já aparecem. Existe um momento em que as condições de existência do regime não podem ser mantidas nem que se o almejasse: contramedidas apenas aceleram o colapso, e por mais que tal lição seja aprendida o colapso, em si, não pode ser evitado. Não procede a crítica de Marx de que “o que um homem vê, os outros vêem, ou o vêem vendo”, apontando para o fato de que, se o homem faz sua História, então ao se corrigir o rumo da História que Marx queria levar a cabo, a história realizada é o Capitalismo (Fim da História, no qual já depositei minhas fichas). Digamos que apenas se espera pelo inevitável. Longe de uma visão de espírito (neo-hegeliana), trata-se da constatação, pelo homem que se enrolou no pólo natureza-cultura, de que ele, o homem, junto de seus produtos, é a natureza. E pulsa. Como vida, não pode se negar a vivê-la excedendo o limite “x”. Esse limite “x” é o dia da derrocada do sistema capitalista em decorrência das próprias ultra-contradições e da soma das vontades individuais da grande maioria de manter o sistema intacto (o que implodirá as últimas ilusões de chances que tais grupos poderiam possuir). Não me encarem como um profeta, mas como um bom leitor. Sigamos…: a saturação da moral do Ocidente se avizinha. O tal dilema da escolha pessoal, lutar ou se conformar, deixará de fazer sentido. Será o momento de cada um agarrar sua oportunidade. Obviamente, muitos se recusarão a agarrá-la, mas cada fracasso terá seu papel: amantes da vida precisam de seres humanos inferiores para exercerem sua dominação (paradigma natural). Não desejo ser mal-interpretado. Significa que o homem moderno não rompe integralmente com seu passado, uma vez que coexistirá (e coexiste, pois há homens modernos hoje, embora não no comando do que quer que seja) com os pseudo-modernos, criaturas que atualmente parecem ditar a História e que no entanto não compreendem ou não podem evitar o problema futuro de ter compreendido hoje que não se tratam de indivíduos modernos, mas entes mais fracos, pré-modernos, pré-históricos. A diferença fundamental é que no leme da embarcação histórica encontraremos, na coexistência reformulada do fim do Capital, os modernos. Lembre-se que, coletivamente, ao olhar ao redor, jamais fomos modernos. Se você é um moderno e guarda seu tesouro, sua vida pré-moderna será transcendida e transvalorada logo. É bem verdade que muitos nessas circunstâncias morreram sem ver a verdadeira Aufklärung sangrenta. E outros vão morrer. Mas isso fazia parte da modernidade deles. Há alguns modernos que vêm antes dos outros. Nem por isso são menos modernos. A História está sendo feita, não há Idealismo em minha convicção: é que os modernos dão suas parcelas de contribuição desde muito antes deste texto, que aliás nasceu de seus esforços; e embora isoladamente esses esforços não consigam vencer o inimigo chamado de “o invencível”, quem está tramando, neste exato minuto, em laboratório, a própria e inaudita morte são os pré-modernos, figuras que já divisam sua extinção no horizonte (nenhuma contramedida pode surtir efeito se se permanece no âmbito da visão progressista autofágica). Se há algo de desesperador na vida, é a vida, aquela mesma que cria o sentimento do desespero (e já é um privilégio usufruí-lo!), que recai no auto-perceptível fatalismo. Alguns andam lendo meu blog e me apelidando de oráculo. Porém, eu sou o oráculo do fim dos oráculos: a única e caprichosa meta-tendência quem traça são vocês. A tendência do auto-expurgo do mundo. O Ocidente é um monstro que se come a si mesmo e quanto mais come mais julga o prato delicioso sendo portanto apenas bom senso e não qualquer dom premonitório que me permite asseverar que ele nunca deixará de se comer até que suas funções vitais sejam desligadas – porque ele acredita piamente que está cada vez mais corpulento, quando seu aspecto ao observador alheio (o moderno, imerso no estômago do monstro e que pode ser ejetado na ocasião oportuna) é o do definhamento. E não há meios de um monstro que só triturou tudo com seus dentes de repente aprender a fazer outra coisa… É a natureza desse bicho que se crê anti-natural e imortal. Mas o que é a imortalidade? Tem-se de estar vivo para não estar morto, ou para pensar nesses dilemas. E a vida não pode ser anti-natural, posto que da natureza provém. Portanto, sem sentido, o monstro explode. Esse bicho acredita no Fim da História. Mas a natureza não acredita em equilíbrios…

27/07/2008

LECCIONES SOBRE LA HISTORIA DE LA FILOSOFÍA Vol. I/III – Hegel (trad. Wenceslao Roces), Fondo de Cultura Económica (1833, 1955, México)

PRESENTACIÓN

en la actualidad faltan traducciones españolas integras, directas y correctas de algunas de las obras absolutamente capitales de la historia universal de la filosofía: sea totalmente, por no haberse hecho nunca, sea prácticamente, por no ser las hechas asequibles ya en el comercio, ni siquiera en todas las bibliotecas donde debieran serlo.”

La serie se inicia con la presente traducción de las Lecciones sobre la historia de la filosofía de Hegel, a la que seguirán (…) Locke (…) y Spinoza (…)”

el Dr. Wenceslao Roces es bien conocido por el público culto en todo el mundo de habla española como especialista en la traducción de obras alemanas, habiendo merecido su labor el público elogio agradecido del propio e ilustre autor de la obra original en un caso como el de la Paideia de Werner Jaeger

José Gaos

ADVERTENCIA SOBRE LA PRESENTE EDICIÓN

por tratarse de una obra que no fue escrita por el propio Hegel, sino redactada por Michelet a partir de algunos papeles manuscritos y de los apuntes de clase de sus alumnos, fueron surgiendo, al avanzar el trabajo, diversos problemas.” “a pesar de todo esto, la forma que Michelet dio a la Historia de la filosofía de H. es, hasta ahora, la única y de ella se han servido los alemanes por más de un siglo.”

Es indiscutible la superioridad de la edición crítica de Johannes Hoffmeister sobre la de Michelet, pero por desgracia esta edición quedó incompleta, pues según la propia casa editorial presenta dificultades tan especiales que no puede precisarse en qué fecha aparecerán los otros volúmenes.”

Michelet (…) aspiraba a entregar un texto que pareciera haber sido escrito de una sola tirada por el autor; en tanto que Hoffmeister, comprendiendo que las libertades de un discípulo directo – como lo fue Michelet – no pueden justificarse en nadie más y considerando que las diferencias entre las distintas versiones (Hoffmeister dispuso de un nuevo material que le permitió obtener un texto completo de 4 cursos) son tan grandes que no permiten la unión, intenta dar todo el texto hegeliano en el orden en que fue expuesto, sin que se pierda una sola línea. [Sinceramente, já achei o texto tão repetitivo da forma como foi editado que não consigo conceber o tédio desta versão mais integral!]

Hemos de reconocer también que la mayor parte de los errores que Hoffmeister señala a la edición de Michelet son reales. (…) es posible ver claramente que hay capítulos muy poco preparados en los que pueden apreciarse grandes lagunas, p.ej., en la parte dedicada a la filosofía medieval. Si éste es o no un defecto de la exposición hegeliana o si se debe a una mala reelaboración de Michelet, es cosa difícil de decidir y más difícil aún de remediar sin contar con los originales necesarios.” “en la cita de textos kantianos encontré varios errores”

Por lo que respecta a Platón, la traducción usada como base – pues Hegel lo parafrasea también – fue la de García Bacca y en aquellos casos en que el diálogo citado no estuviera traducido por él, la versión castellana es el resultado de un cotejo entre el texto griego, la versión alemana y las españolas que hubiera disponibles.”

El lector advertirá, además, que a veces aparece en el cuerpo de una cita una explicación encerrada entre corchetes; esta explicación es, desde luego, de Hegel y le di esta forma a fin de facilitar na lectura.” Como é muito comum que eu intervenha nas aspas do Seclusão com []’s também, reservo-me ao direito de fazê-lo em português, quando for o caso; se o texto entre colchetes estiver em espanhol, o autor é Hegel, na tradução.

La Historia (…) no deja de ser una de las grandes hazañas del pensamiento alemán y, hasta ahora, la obra máxima sobre historia de la filosofía; la 1ª que hizo justicia a las filosofías precedentes al considerarlas como momentos necesarios en una y la misma evolución: la del Espíritu.”

Elsa Cecilia Frost (ed.)

PRÓLOGO DEL EDITOR A LA 1ª EDICIÓN

Hegel dio en total 9 cursos sobre esta materia en las distintas universidades en las que trabajó. La 1ª vez durante el invierno de 1805-6 en Jena; las 2 ocasiones siguientes en Heidelberg durante los semestres de invierno de 16-17 y 17-18; las 6 restantes en esta universidad (Berlín) en el verano de 1819 y en los semestres de invierno de 1820-1, 23-4, 25-6,27-8 y 29-30. Había empezado sus cursos de invierno (entre ellos el 10º de historia de la filosofía) el 10 de noviembre de 1831, habiendo dado ya 2 clases sobre historia de la filosofía con gran fluidez y amenidad, cuando fue alcanzado por la muerte.

De todos estos años sólo poseemos el cuaderno de Jena, en cuarto, escrito de su puño y letra y revisado casi totalmente por lo que se refiere al estilo; en aquella época no se atrevía aún a confiar sus lecciones a la memoria.” “Todas las adiciones hechas en los cursos posteriores están, en parte, escritas o esbozadas al margen del cuaderno de Jena o del resumen, y en parte en una serie de hojas sueltas que añadió a éstos.”

Alguns dos cadernos de alunos utilizados: Kampe, von Griesheim, Michelet (editor).

Las fuentes para la Introducción, en particular, además de los apuntes de clase, son una parte muy lograda del manuscrito de Hegel, parte en cuarto y parte en folio, escrita casi toda en Berlín, salvo una pequeña parte escrita en Heidelberg.” “Hegel reelaboraba siempre más las introducciones de sus cursos que estos mismos.”

La exposición de la filosofía oriental, tomada de los apuntes de clase, se complementa con una rica serie de colecciones y recopilaciones de obras francesas e inglesas sobre el Oriente en general. Hegel solía llevar las obras correspondientes, anotadas brevemente al margen, a su cátedra, para basar su exposición en ellas, traduciendo directamente en parte y, en parte, intercalando sus observaciones y juicios.”

SÓ LENDO PRA CRER! “Su forma escrita sólo rara vez es difícil y a menudo bella. En general, podemos decir que estas lecciones sorprenden con frecuencia por la pureza de su forma, en la que podemos ver la certeza y claridad con que se presentaba el pensamiento en el espíritu del autor”

se encuentra en el cuaderno de Jena la que yo he llamado en otro lugar la primera terminología de Hegel, comprendiendo bajo este título tanto esta terminología propiamente dicha como la transición a la de la Fenomenología, frente a la terminología más lograda de los años posteriores.” Espero que a Ciência da Lógica seja mais fácil de ler…

las conocidas anomalías y anacolutos de la forma hegeliana.”

Hegel dio siempre cinco horas semanales sobre historia de la filosofía, número de horas que aumentaba siempre al final del curso—lo que hacía también, pero en menor medida, en las otras materias—, como se desprende, entre otras cosas, de sus observaciones manuscritas al final del cuaderno.”

Hegel acostumbraba decir que a los demás se les había facilitado el estudio de Aristóteles, en tanto que para él fue muy difícil, pues había tenido que usar la ilegible edición de Basilea, sin traducción latina, y extraer así el significado profundo de Aristóteles. Sin embargo, fue precisamente él quien volvió a llamar la atención sobre esta profundidad y quien descubrió y corrigió la ignorancia y las malas interpretaciones de quienes deseaban pasar por sutiles eruditos.”

CRÍTICA DOS FILOSOFASTROS CONTEMPORÂNEOS DE HEGEL: “el absurdo intento de destacar en tal forma a Anaximandro que se le ha llegado a colocar después de Heráclito, como si su pensamiento fuese más maduro que el de éste.” “Así, cuando Hegel no considera a Heráclito entre los primeros jonios, sino que lo coloca después de los pitagóricos y los eléatas, no se encuentra en la cúspide de la erudición de nuestros días que ha decidido qué lugar le corresponde a Heráclito de acuerdo con relaciones puramente superficiales.” Porém Hegel comete o erro de superestimar, p.ex., Anaxágoras em relação ao mesmo Heráclito.

Me chamou a atenção, no índice, a completa ausência de Parmênides. Hegel o situou entre os eleatas, mas felizmente soube dar-lhe destaque.

Pero ¿acaso no es este carácter intermedio lo peculiar de todas las conferencias impresas, aun cuando sean publicadas por el propio autor?” “Solamente en manos de su autor podían haberse convertido estas Lecciones en un verdadero libro, como la Filosofía del derecho.” “¿Acaso no se formó así una gran parte de la obra del viejo Aristóteles, sin que a nadie se le haya ocurrido disputar la veracidad del contenido?” “En mi posterior escrito premiado, Examen critique de l’ouvrage d’Aristote intitulé Metaphysique, lo he demostrado suficientemente.” “¿Acaso no tenemos varias versiones suyas de la Ética? Bien pudiera ser que Nicómaco y Eudemo fueran los nombres de quienes copiaron e hicieron públicas 2 de estas versiones.”

<MAL DE EDSON>: “Entre otras causas, esta Historia de la filosofía de Hegel conservó el carácter de conferencia por la falta de tiempo del autor, que tuvo que ser mucho más breve al final del curso que al principio. Así, a partir de Aristóteles, cuya exposición, a juzgar por las anotaciones del cuaderno, entraba en la 2ª mitad del semestre (lo que no es tan desproporcionado como parece a primera vista), no se extendía ya tanto. En especial el último período, a partir de Kant, se encuentra expuesto con mucha brevedad, sobre todo en los cursos posteriores en los que una introducción muy desarrollada y la exposición de la filosofía oriental se llevaban la mayor parte del tiempo. [Suspeito! Talvez H. não se sentisse à vontade discorrendo sobre Kant!]

Esto me dio ocasión de preparar, inmediatamente después de la edición completa de estas Lecciones, una historia de los últimos sistemas filosóficos en Alemania, de Kant a Hegel, que debe añadirse a ellas.” E há algum (que valha o meu tempo)? Cf. Geschichte der letzten Systeme der Philosophie in Deutschland von Kant bis Hegel

Karl Ludwig Michelet

PRÓLOGO DEL EDITOR A LA 2ª EDICIÓN

Con frecuencia cambié algunas frases o pasajes de lugar y di otro orden a los temas, suprimí algunos períodos largos y algunas repeticiones o, cuando menos, traté de acortarlos. Y, por último, metí las notas al pie de página dentro del texto mismo—como parece más correcto—, ya fueran ulteriores reflexiones aforísticas o citas de los filósofos tratados; de este modo sólo se conservaron como notas las anotaciones imprescindibles del editor, que se refieren a la redacción, y las citas o referencias muy largas que entorpecerían la lectura del texto.”

DISCURSO INAUGURAL – Pronunciado en la Universidad de Heidelberg, el 28 de octubre de 1816

El Espíritu del Mundo, ocupado en demasía con esa realidad, no podía replegarse hacia adentro y concentrarse en sí mismo. Pero ahora que esta corriente de la realidad ha encontrado un dique, que la nación alemana ha sabido irse modelando sobre la tosca materia, que ha salvado su nacionalidad, raíz y fundamento de toda vida viva, tenemos razones para confiar en que, al lado del Estado, en que se concentraba hasta hace poco todo el interés, se levante también la Iglesia; que, al lado del reino de la tierra, hacia el que se encauzaban hasta ahora todos los pensamientos y todos los esfuerzos, vuelva a pensarse también en el reino de Dios; dicho en otros términos, que, al lado del interés político y de otros intereses vinculados a la mezquina realidad, florezca de nuevo la ciencia, el mundo racional y libre del espíritu.

La historia de la filosofía nos revelará cómo en los otros países de Europa en los que con tanto celo y prestigio se cultivan las ciencias y la formación del entendimiento, la filosofía, excepción hecha del nombre, decae y desaparece para quedar convertida tan sólo en un recuerdo, en una vaga idea, y únicamente se conserva como una peculiaridad característica de la nación alemana. La naturaleza nos ha asignado la alta misión de ser los guardianes de este fuego sagrado” “como el Espíritu del Mundo cultivó y salvaguardó en la nación judaica una conciencia superior a la de otros pueblos, para que pudiera surgir de ella, convertido en un nuevo Espíritu. § La nación alemana ha logrado llegar hoy, en general, a un grado tal de seriedad y de elevación de conciencia, que ante nosotros sólo pueden valer ya las ideas y lo que demuestre sus títulos de legitimidad ante el foro de la razón; y va acercándose más y más la hora del Estado prusiano basado en la inteligencia.” Não é assim que se conquistam 4 Copas do Mundo, amado Hegel!

Nosotros, los hombres de la generación que se ha desarrollado bajo el embate de los tiempos, podemos considerar dichosos a quienes, como a vosotros, ha tocado vivir su juventud en estos días en que podéis consagraros por entero a la ciencia y a la verdad.”

O CREPÚSCULO DO OTIMISMO: “La esencia del universo, al principio cerrada y oculta, no encierra fuerza capaz de resistir al valor de un espíritu dispuesto a conocerla: no tiene más remedio que ponerse de manifiesto ante él y desplegar ante sus ojos, para satisfacción y disfrute suyo, sus profundidades y sus riquezas.”

en efecto, de la historia de la filosofía se extrae, ante todo, una prueba muy clara de la nulidad de esta ciencia.”

Y así, según la idea que se tenga de lo que es el Estado, puede muy bien ocurrir que un lector no descubra en la historia política de un país absolutamente nada de lo que busca en ella.”

En efecto, cuando se trata de pensamientos, sobre todo de pensamientos especulativos, el comprender es algo muy distinto del captar simplemente el sentido gramatical de las palabras, asimilándolo indudablemente, pero sin pasar de la región de las representaciones.” “Por eso abundan las historias de la filosofía, compuestas de numerosos volúmenes y hasta, si se quiere, llenas de erudición y en las que, sin embargo, brilla por su ausencia el conocimiento de la materia misma sobre la que versan.”

En esta Introducción habrá de darse por supuesto, igualmente, el concepto de filosofía, o sea el del objeto sobre el que versa su historia. Pero al mismo tiempo ocurre, en su conjunto, con esta Introducción—que habrá de circunscribirse a la historia de la filosofía—lo que ocurre con la filosofía misma según acabamos de decir. Lo que en esta Introducción pueda decirse, más que algo que podamos sentar de antemano, será algo que sólo el estudio de la historia misma pueda probar y justificar.”

INTRODUCCIÓN A LA HISTORIA DE LA FILOSOFÍA

lejos de ello, aquí las creaciones son tanto mejores cuanto menos imputables son, por sus méritos o su responsabilidad, al individuo, cuanto más corresponden al pensamiento libre, al carácter general del hombre como tal hombre, cuanto más se ve tras ellas, como sujeto creador, al pensamiento mismo, que no es patrimonio exclusivo de nadie.” Pouco importa. O método socrático é universal, mas foi um homem chamado Sócrates que o pariu. Alexandre o Grande tem tanto de pessoal quanto tinha Sócrates: era um homem, um tipo de homem, uma síntese especial de vários indivíduos, historicamente marcada – e por isso atemporal.

Herder, Ideas para la filosofía de la historia de la humanidad

El espíritu universal no se está quieto; y es este espíritu universal lo que nos interesa examinar aquí. Puede ocurrir que en una nación cualquiera permanezcan estacionarios la cultura, el arte, la ciencia, el patrimonio espiritual en su conjunto; tal parece ser, por ejemplo, el caso de los chinos, quienes probablemente se hallen hoy, en todo, como hace 2 mil años.”

Por donde lo que cada generación crea en el campo de la ciencia y de la producción espiritual es una herencia acumulada por los esfuerzos de todo el mundo anterior, un santuario en el que todas las generaciones humanas han ido colgando, con alegría y gratitud, cuanto les ha sido útil en la vida, lo que han ido arrancando a las profundidades de la naturaleza y del espíritu.” Só mesmo a idéia de filogênese da psicanálise consegue ser mais tacanha do que esse evolucionismo-atavismo megalomaníaco cultural!

el curso de la historia no nos revela precisamente el devenir de cosas extrañas a nosotros, sino nuestro propio devenir, el devenir de nuestra propia ciencia.”

Es un viejo prejuicio el de que lo que distingue al hombre del animal es el pensamiento; pero nos atendremos a esto.” “la historia que tenemos ante nosotros es la historia de la búsqueda del pensamiento por el pensamiento mismo.” “Estas manifestaciones del pensamiento en las que éste se encuentra a sí mismo, son las filosofías; y la cadena de estos descubrimientos, de los que parte el pensamiento a descubrirse a sí mismo, es la obra de 3500 años.” Milenarismo 2.0.

los árboles no nos dejarán ver el bosque, las filosofías nos impedirán ver la filosofía.”

esta concepción no puede satisfacernos ni siquiera en lo que se refiere a la historia política; ya en ella reconocemos, o intuimos por lo menos, un entronque necesario entre los diversos acaecimientos, que hace que éstos ocupen un lugar especial, en relación con una meta o con un fin, adquiriendo con ello su verdadera significación.”

DA INTUIÇÃO À INSTITUIÇÃO: “Desde luego, la religión y los pensamientos contenidos en ella o que giran en torno a ella, principalmente, el que adopta la forma de mitología, se hallan ya por su materia—como por su forma los demás desenvolvimientos de las ciencias, sus pensamientos acerca del Estado, los deberes, las leyes, etc.—, tan cerca de la filosofía, que tal parece como si fuesen una prolongación más o menos vaga de la historia de la ciencia filosófica, como si la historia de la filosofía estuviese obligada a tomar en consideración todos estos pensamientos.”

A) CONCEPTO DE LA HISTORIA DE LA FILOSOFÍA

Y si partimos de la premisa de que la verdad es eterna, ¿cómo incluirla en la órbita de lo pasajero, cómo relatar su historia? Y, por el contrario, si tiene una historia y la historia consiste en exponer ante nosotros una serie de formas pasadas de conocimiento, ¿cómo encontrar en ella la verdad, es decir, algo que no es nunca pasado, pues no pasa?”

El cristianismo tiene una historia que se refiere a su difusión, a las vicisitudes por que pasaron sus creyentes, etc.; al convertir su existencia en una Iglesia, ésta es, a su vez, una existencia exterior del cristianismo, la cual, al verse enclavada en los más diversos contactos con el tiempo, presenta múltiples vicisitudes y tiene, esencialmente, su historia propia. Tampoco la doctrina cristiana, por sí misma, carece, naturalmente, de historia; pero ésta alcanza pronto y de un modo necesario su desarrollo y se plasma en la forma determinada que le corresponde. Y esta antigua profesión de fe ha regido en todo tiempo, y debe seguir rigiendo todavía hoy, sin cambio alguno, como la verdad, aunque su vigencia no fuese ya más que una apariencia sin sustancia y las palabras hubiesen quedado reducidas a una fórmula vacua pronunciada por nuestros labios. Ahora bien, el contenido ulterior de la historia de esta doctrina lleva consigo dos cosas: de una parte, las múltiples adiciones y aberraciones de aquella verdad fija; de otra, la lucha contra estas aberraciones y la purificación del fundamento perenne, eliminando de él las adiciones superpuestas y volviendo a su original simplicidad.

Una historia externa como la de la religión la tienen también las otras ciencias, incluyendo la filosofía.”

¿cómo explicarse que, siendo la filosofía la doctrina de la verdad absoluta, se circunscriba a un número tan reducido de individuos, a determinados pueblos, a ciertas épocas; del mismo modo que, con respecto al cristianismo—o sea, a la verdad bajo una forma mucho más general—, se ha planteado la dificultad de si no será una contradicción en sí que esta religión haya aparecido tan tarde en el tiempo y haya permanecido durante tantos siglos, y todavía permanezca en la actualidad, limitada a determinados pueblos? Pero este problema y otros por el estilo son ya demasiado especiales como para depender solamente de la contradicción general a que veníamos refiriéndonos; sólo cuando hayamos entrado más de lleno en la naturaleza peculiar del conocimiento filosófico, podremos referirnos más a fondo a los aspectos que guardan mayor relación con la existencia exterior”

En una ciencia como la matemática, la historia, por lo que al contenido se refiere, se limita, preferentemente, a la grata tarea de registrar una serie de ampliaciones; y la geometría elemental, por ejemplo, puede considerarse como una realidad ahistórica en la extensión que Euclides supo darle.”

quienes creen poder exteriorizar un juicio más a fondo, llaman a esta historia una galería de las necedades o, por lo menos, de los extravíos del hombre que se adentra en el pensamiento y en los conceptos puros. Este punto de vista no sólo lo expresan quienes confiesan su ignorancia en materia de filosofía (la confiesan, puesto que esta ignorancia no es, según la concepción corriente, obstáculo para emitir un juicio acerca de lo que es la filosofía; por el contrario, todo el mundo se cree autorizado a dar su juicio acerca del valor y la esencia de ella, sin saber absolutamente nada de lo que es), sino también algunos de los que escriben o han escrito acerca de la historia de la filosofía. Esta historia, convertida así en un relato de diversas opiniones, no pasa de ser, concebida de este modo, materia de ociosa curiosidad o, si se quiere, de erudición.” Ex: Diógenes Laércio.

¿Puede haber algo más inútil que conocer una serie de simples opiniones? Semejante conocimiento es de todo punto indiferente.”

una opinión es un pensamiento mío, no un pensamiento general, que es en y para sí.”

no existen opiniones filosóficas.”

Esta llamada razón, de una parte, combatía la fe religiosa en nombre y en virtud de la razón pensante, pero, al mismo tiempo, se volvió en contra de la razón misma y se convirtió en enemiga de la verdadera razón; afirma en contra de ésta los derechos de la intuición interior, del sentimiento, convirtiendo con ello lo subjetivo en pauta de lo válido e imponiendo, de este modo, la fuerza de la propia convicción, tal y como cada cual se la puede llegar a formar, en sí y a partir de sí, en su propia subjetividad. Pues bien, estas convicciones propias no son otra cosa que las opiniones, convertidas así en el supremo criterio del hombre.”

Es frecuente también ver que la teología se cultiva históricamente, atribuyendo a la ciencia teológica el interés de conocer las distintas opiniones, y uno de los primeros frutos de este conocimiento consiste en honrar y respetar todas las opiniones, considerándolas como algo de lo que no se tiene por qué dar cuentas a nadie, sino solamente a sí mismo.”

La antítesis entre la opinión y la verdad, que de un modo tan nítido se destaca ahora, se trasluce ya en las nociones de la época socrático-platónica, época de desintegración de la vida griega, en la antítesis platónica entre la opinión (doxa) y la ciencia (episteme). Es la misma contraposición con la que nos encontramos en el período de decadencia de la vida pública y política de Roma bajo Augusto y en los tiempos siguientes, en que hacen estragos el epicureísmo y la indiferencia ante la filosofía. Es el sentido en que Pilato replica a Cristo, cuando Éste le dice que ha venido al mundo para proclamar la verdad: ‘¿Qué es la verdad?’. Lo que vale tanto como decir: ‘Este concepto de la verdad es un concepto convencional acerca del cual estamos al cabo de la calle; hoy, sabemos ya más, sabemos que ya no hay para qué hablar de conocer la verdad; eso se ha quedado atrás.’” Bom insight.

En cuanto a la afirmación de que no es posible, conocer la verdad, nos encontraremos con ella en la historia misma de la filosofía, donde tendremos ocasión de examinarla con cierto cuidado. Aquí, sólo diremos que quienes, por ejemplo Tennemann, parten de esta premisa, harían mucho mejor, evidentemente, en no ocuparse para nada de filosofía, pues toda opinión afirma y pretende, aunque sea sin razón, poseer la verdad.”

En efecto, ante el espectáculo de tan múltiples opiniones, de tan numerosos y diversos sistemas filosóficos, se siente uno arrastrado por la confusión, sin encontrar un punto firme de apoyo para sustraerse a ella. Vemos cómo, en torno a las grandes materias por las que se ve solicitado el hombre y cuyo conocimiento trata de suministrar la filosofía, los más grandes espíritus yerran, puesto que han sido refutados o contradichos por otros. ‘¿Y si esto ocurre a tan insignes espíritus, cómo puedo, ego homuncio, tener la pretensión de decidir tales problemas?’

Esta conclusión, que se extrae de la gran diversidad de los sistemas filosóficos, es considerada como dañina, pero representa, al mismo tiempo, una ventaja subjetiva.” “…Todas aseguran que son las verdaderas, todas indican signos y criterios distintos por medio de los cuales se ha de reconocer la verdad; por eso, el pensamiento sobrio y sereno tiene que sentir, por fuerza, grandes escrúpulos antes de decidirse por una.

Éste es el interés mayor a que debe servir la historia de la filosofía.”

Uma premissa correta, porém impossível de ser praticada – sem severos danos – durante a era sistemática. Heidegger teria algo a dizer sobre isso…

Todos queriam ser Hegel.

Todos queriam estar depois de Hegel.

Não, todos queriam estar depois deste sujeito pós-hegeliano!

Eis o pau que não matará nenhuma cobra

Nem mostrará o instrumento homicida a ninguém!

Quem chegar por último…

Morre nauseado e solteiro.

Cicerón (De natura deorum, I, 8ss.) nos ofrece una historia, extraordinariamente superficial, de los pensamientos filosóficos acerca de Dios, inspirada precisamente en esa intención. Es cierto que la pone en labios de un epicúreo, pero sin que él mismo sepa decirnos nada mejor, lo que indica que las nociones expuestas por su personaje son las suyas propias.” Não diga! Logo Cícero, este EXCELSO filósofo?!

El epicúreo dice que no ha sido posible llegar a un concepto determinado. La prueba de que son vanos los esfuerzos de la filosofía se desarrolla en seguida a base de una concepción genérica superficial de la historia de la filosofía misma: el resultado de esta historia no es otro que la aparición de los más diversos y dispares pensamientos de las múltiples filosofías, contrapuestas las unas a las otras y que se contradicen y refutan entre sí.”

Según esto, la historia de la filosofía no sería otra cosa que un campo de batalla cubierto de cadáveres, un reino no ya solamente de individuos muertos, físicamente caducos, sino también de sistemas refutados, espiritualmente liquidados, cada uno de los cuales mata y entierra al que le precede.”

Por lo que se refiere a este tópico de la sobriedad del pensamiento, sabemos por la sobriedad de la experiencia diaria que, cuando estamos en ayunas, nos sentimos al mismo tiempo, o poco después, hambrientos. Sin embargo, ese pensamiento sobrio tiene el talento y la habilidad de no sentirse impulsado al hambre, a la apetencia, sino, por el contrario, saciado y satisfecho.”

Pero la vida física, como la vida del espíritu, no se da por satisfecha con la sobriedad, sino que es, esencialmente, impulso, acicate, siente hambre y sed de verdad, de conocimiento de la verdad, pugna por aplacarlas y no se da por satisfecha, por alimentada, con reflexiones del género de ésta a que nos estamos refiriendo.”

Es menester que comprendamos que esta variedad entre las muchas filosofías no sólo no perjudica a la filosofía misma—a la posibilidad de la filosofía—, sino que, por el contrario, es y ha sido siempre algo sencillamente necesario para la existencia de la propia ciencia filosófica, algo esencial a ella.”

SE NO VINHO ESTÁ A VERDADE, OFEREÇO MEIA TAÇA: “Las hazañas de que nos habla la historia de la filosofía no tienen nada de aventuras, del mismo modo que la historia universal no es algo puramente romántico.”

Dom Quixote tem uma história. Não existe um Dom Quixote que se olvide.

Filósofos não tem o direito de censurar seus amigos por esquecerem que ele existe! Esse é um problema muito pessoal

lo más esencial de todo es conocer que la verdad única no es solamente un pensamiento simple, vacuo, sino un pensamiento determinado de suyo.”

CUIDADO COM SEUS ARTIGOS DE FÉ DE ÉPOCA: “Más aún, podríamos, incluso, resumir lo que aquí interesa en el solo criterio de la evolución, pues si acertamos a ver claro en él, todo lo demás se desprenderá y deducirá por sí mismo.”

Seu erro consistiu em imaginar-se mais qualificado que Platão. Hierarquia entre IDÉIA-CONCEITO: “El producto del pensamiento es lo pensado en general; pero el pensamiento es todavía algo formal, el concepto es ya el pensamiento más determinado y la idea, finalmente, el pensamiento en su totalidad y determinado como el ser en y para sí. Por consiguiente, la idea es lo verdadero y solamente lo verdadero; la naturaleza de la idea consiste, esencialmente, en desenvolverse y en llegar a comprenderse solamente por obra de la evolución, en llegar a ser lo que es.” A IDÉIA NÃO EXISTE – ERA UMA METÁFORA. CONSELHO SÉRIO: Eis porque não se deve levar a filosofia tão a sério! O alemão: sujeito sem senso de humor. Destarte: Incompleto.

Reflexões inadvertidas devido ao Zeitgeist.

La ciencia de la lógica es la encargada de explicar ampliamente estos conceptos.” (Evolução, concreto & outros)

ponto nevrálgico do hegelianismo:

la posibilidad [o] (…) ser en sí” ESSENTIA

la realidad (entelequia) [o] ser para sí” IN CONCRETO

Cuando decimos, por ejemplo, que el hombre es un ser racional por naturaleza, la razón vive en él solamente en potencia, como una posibilidad, en embrión” “Pero, en cuanto que el niño sólo posee la capacidad o la posibilidad real de la razón, es lo mismo que si no tuviese razón alguna; ésta no existe aún en él, puesto que no puede hacer aún nada racional ni posee una conciencia racional. Sólo a partir del momento en que lo que el hombre es en sí deviene para él, en que, por tanto, la razón pasa a ser una razón para sí; sólo a partir de entonces puede decirse que el hombre cobra realidad en una dirección cualquiera, que es un ser realmente racional, que vive para la razón.”

Elucidação da frase da Fenomenologia “todo real é racional”:

Todo ser-para-si é ser-em-si, porém nem todo ser-em-si é ser-para-si. Toda aparência (ato) é essência (realização de potência). Mas a essência não está em todas as fases (faces) da aparência.

O real de Hegel não é real. A razão de Hegel é onipresente (o deus operando a máquina). Todo acontecer é deus, mas deus é algo mais que a soma dos aconteceres.

Fases de curto-circuito da verdade.

Tudo tem um propósito, o resto é garmonbozia.

O real é uma parte pequena do meu feudo. O contrato ideal.

INÍCIO DA TRADUÇÃO DE ALGUNS PARÁGRAFOS

Lo que es en sí necesariamente tiene que convertirse en objeto para el hombre, que cobrar conciencia en él; de este modo, deviene para el hombre.”

O que é possível (essencial) tem de se converter por necessidade em objeto para o homem, tem de cobrar consciência nele; dessa forma, devém (aparece) para o homem.”

Hegel é um teleólogo. O mundo se revela com uma epifania. A própria realidade (fenômeno) é epifenômeno. O mundo é mero sintoma do Espírito.

mediante la objetivación de este ser en sí, el hombre se convierte en ser para sí, se duplica, se conserva, no se convierte en otro.”

mediante a objetivação deste ser em si (o que é possível), o homem se converte em ser para si (real), se duplica, se conserva, não se converte em outro.”

Se desdobra, realiza o que é em essência, não é estranho ao homem mesmo atingindo algo de diferente ou pioneiro em sua vida: o filósofo tem de ser homem; nem todo homem é filósofo; todo filósofo nasce homem e devém filósofo eventualmente. Agora ele é filósofo e homem.

en el pensamiento sólo el pensamiento es objeto, la racionalidad produce lo racional y su objeto propio es la razón.”

no pensamento só o pensamento é objeto, a racionalidade produz o racional e seu objeto próprio é a razão.”

No pensamento, só o pensamento pode ser pensado, se pensar. Mesmidade. REAL.

A razão é o pensamento do Espírito. Ele se pensa através da racionalidade. POSSÍVEL.

Que el pensamiento puede degenerar también en lo irracional es una consecuencia ulterior, en la que no tenemos por qué entrar aquí.”

Que o pensamento também pode degenerar no irracional é uma conseqüência ulterior, na qual não temos por que entrar aqui.”

Ahora bien, si el hombre, que es en sí un ser racional, no parece poder ir más allá después de convertirse en un ser racional para sí, ya que el ser en sí sólo se ha conservado, la diferencia es, sin embargo, inmensa; no se desprende de aquí ningún contenido nuevo, pero esta forma del ser para sí implica una diferencia muy grande.”

Ora, se o homem, que é essencialmente um ser racional, não parece poder ir mais além após se converter em ser racional para si (efetivamente), já que ele não mudou de natureza (não se duplicou), conservando a essência, a diferença é, não obstante, imensa (do filósofo ao leigo); não se depreende daqui nenhum conteúdo novo, mas esta forma do ser para si (reflexivo) implica uma diferença enorme.”

Sobre esta diferencia descansa toda la que se aprecia en los desarrollos de la historia universal. Sólo así puede explicarse por qué, siendo todos los hombres racionales por naturaleza y estribando lo que hay de formal en esta racionalidad precisamente en el hecho de ser libres, ha existido en muchos pueblos, y en parte todavía sigue existiendo, la esclavitud, sin que los pueblos considerasen esto como algo intolerable.”

Sobre esta diferença descansa toda diferença que se aprecia nos desenvolvimentos da história universal. Só aí se pode explicar por quê, sendo todos os homens racionais por natureza e estribando o que há de formal nesta racionalidade precisamente no fato de serem livres, existiu em muitos povos, e em parte segue existindo, a escravidão, sem que os povos a considerassem intolerável.”

Hegel parte do princípio que o senhor, a casta que escraviza, é constituída originalmente de filósofos? Ou bem que o escravo submisso é mais como um animal?

A única diferença que se aprecia entre os povos da África e da Ásia, de uma parte, e de outra os gregos, os romanos e o mundo moderno, consiste em que estes sabem por que são livres, enquanto que aqueles o são sem saber que o são e, portanto, sem existir como povos livres. E isto representa uma mudança imensa quanto à condição. O conhecer e o aprender, a ciência e mesmo a ação não perseguem, em seu conjunto, nada senão extrair de si mesmo o que é interno ou em si (essencial), convertendo-o em algo objetivo (fenomênico).”

La razón de este brotar a la existencia es que el embrión no puede resistirse a dejar de ser un ser en sí, pues siente el impulso de desarrollarse, por ser la viviente contradicción de lo que solamente es en sí y no debe serlo. Pero este salir fuera de sí se traza una meta y la más alta culminación de ella, el final predeterminado, es el fruto; es decir, la producción de la semilla, el retorno al estado primero. El embrión sólo aspira a producirse a sí mismo, a desdoblar lo que vive en él, para luego retornar a sí mismo y a la unidad de que partió. Claro está que en las cosas de la naturaleza se da el caso de que el sujeto, por donde se comienza, y lo existente, lo que pone punto final—allí la simiente, aquí el fruto—son dos individuos distintos; la duplicación se traduce en el resultado aparente de desdoblarse en dos individuos, que son, sin embargo, en cuanto al contenido se refiere, uno y lo mismo.”

A razão deste brotar à existência é que o embrião não pode resistir a deixar de ser um ser em si, pois sente o impulso de desenvolver-se, por ser a contradição vivente do que somente é em si e não deve sê-lo. Mas este sair fora de si se traça uma meta e a mais alta culminação dela, o final predeterminado, é o fruto; isto é, a produção da semente, o retorno ao estado primeiro. O embrião só aspira a se produzir a si mesmo, a desdobrar o que vive nele, para logo retornar a si mesmo e à unidade de que partira. Claro está que nas coisas da natureza se dá o caso de que o sujeito, por onde se começa, e o existente, o que põe ponto final – ali a semente, aqui o fruto – são dois indivíduos distintos; a duplicação se traduz no resultado aparente de desdobrar-se em dois indivíduos, que são, sem embargo, quanto ao conteúdo, um e o mesmo.”

Otra cosa acontece en el mundo del espíritu. El espíritu es conciencia y, por tanto, libre de que en él coincidan el principio y el fin. Como el embrión en la naturaleza, también el espíritu, después de haberse hecho otro, retorna a su unidad; pero lo que es en sí deviene para el espíritu y deviene, por consiguiente, para sí mismo. En cambio, el fruto y la nueva simiente contenida en él, no devienen para el primer embrión, sino solamente para nosotros”

Outra coisa acontece no mundo do espírito. O espírito é consciência e, portanto, livre de que nele coincidam o princípio e o fim. Como o embrião na natureza, também o espírito, depois de ter-se feito outro, retorna a sua unidade; mas o que é em si devém para o espírito e devém, por conseguinte, para si mesmo. Já o fruto e a nova semente contida nele não devêm para o 1º embrião, mas somente para nós

Aquello para lo que lo otro es, es lo mismo que lo otro; sólo así puede ocurrir que el espíritu viva consigo mismo al vivir en el otro. La evolución del espíritu consiste, por tanto, en que, en él, el salir fuera y el desdoblarse sean, al mismo tiempo, un volver a sí.”

Aquilo para o que o outro é, é o mesmo que o outro; só assim pode ocorrer que o espírito viva consigo mesmo ao viver no outro. A evolução do espírito consiste, portanto, em que, nele, o sair e desdobrar-se sejam, ao mesmo tempo, um voltar a si.”

Todo lo que acaece en el cielo y en la tierra —lo que acaece eternamente—, la vida de Dios y todo lo que sucede en el tiempo, tiende solamente hacia un fin: que el espíritu se conozca a sí mismo, que se haga objeto para sí mismo, que se encuentre, devenga para sí mismo, que confluya consigo mismo; empieza siendo duplicación, enajenación, pero sólo para encontrarse a sí mismo, para poder retornar a sí.”

Tudo o que acontece no céu e na terra – o que acontece eternamente –, a vida de Deus e tudo o que sucede no tempo, tende somente a um fim: que o espírito se conheça a si mesmo, que se faça objeto para si mesmo, que se encontre, devenha para si mesmo, que conflua consigo mesmo; começa sendo duplicação, alienação, mas só para se encontrar a si mesmo, para poder retornar a si.”

Muito bonito, porém sem fundamento. Ou melhor dizendo, irreal.

en todo lo que no sea el pensamiento no conquista el espíritu esta libertad.”

em tudo que não seja pensamento, não conquista o espírito esta liberdade.”

cuando intuimos, cuando sentimos, estamos determinados, no somos libres; sólo lo somos cuando adquirimos la conciencia de estas sensaciones.”

quando intuímos, quando sentimos, estamos determinados, não somos livres; só o somos quando adquirimos a consciência destas sensações.”

Sólo en el plano del pensamiento desaparece, se evapora todo lo extraño, el espíritu, aquí, es absolutamente libre. Con lo cual queda proclamado, al mismo tiempo, el interés de la idea, de la filosofía.”

Só no plano do pensamento desaparece, se evapora todo o estranho, o espírito, aqui, é absolutamente livre. Com o quê fica proclamado, ao mesmo tempo, o interesse da idéia, da filosofia.”

¿qué evoluciona?, ¿qué es el contenido absoluto? Nos representamos la evolución como una actividad formal sin contenido. Pues bien, la acción no tiene otra determinación que la actividad y ésta determina ya la naturaleza general del contenido. El ser en sí y el ser para sí son los momentos de la actividad; en la acción se encierran, por consiguiente, estos dos momentos distintos. La acción es, así, una unidad esencial; y esta unidad de lo distinto es precisamente lo concreto. No sólo se concreta la acción; también lo es el ser en sí, el sujeto de la actividad de la que ésta arranca.”

o quê evolui?, qual é o conteúdo absoluto? Nos representamos a evolução como uma atividade formal sem conteúdo. Pois bem, a ação não tem outra determinação que a atividade e esta determina já a natureza geral do conteúdo. O ser em si e o ser para si são os momentos da atividade; na ação se encerram, por conseguinte, estes dois momentos distintos. A ação é, assim, uma unidade essencial; e esta unidade do distinto é precisamente o concreto. Não só se concreta a ação; também é concreto o ser em si, o sujeito da atividade de quem esta parte.”

La trayectoria de la evolución es también el contenido, la idea misma, la cual consiste precisamente en que tengamos lo mismo y lo otro y en que ambas cosas sean una sola, que es la tercera, en cuanto que lo uno es en lo otro consigo mismo y no fuera de sí.”

A trajetória da evolução é também o conteúdo, a idéia mesma, a qual consiste precisamente em que tenhamos o mesmo e o outro e em que ambas as coisas sejam uma só, que é a terceira, enquanto que o um é no outro consigo mesmo e não fora de si.”

Es un prejuicio corriente creer que la ciencia filosófica sólo maneja abstracciones, vacuas generalidades; que, por el contrario, la intuición, la conciencia empírica de nosotros mismos, el sentimiento de nosotros mismos y el sentimiento de la vida, es lo concreto de suyo, el reino determinado de suyo.”

O ÚLTIMO CONTRA-ATAQUE DO OBJETIVISMO: “É um preconceito corrente crer que a ciência filosófica só maneja abstrações, vácuas generalidades; (ou então,) pelo contrário, que a intuição, a consciência empírica de nós mesmos, o sentimento de nós mesmos e o sentimento da vida, são seu (terreno) concreto, seu reino determinado.”

Eis um exemplo da péssima escrita de Hegel. Havia a possibilidade de traduzir “concreto por si só”, “reino determinado por si só”, mas isso aumenta o nonsense do parágrafo e não é fundamental neste caso. Preferi manter a sintaxe mais óbvia ao leitor: remetendo o objeto ao sujeito inicial da frase. Se se quer que o pronome da terceira pessoa do singular “seu” se refira a algo, tem de ser, pelo contexto, a “ciência filosófica”. A segunda metade da frase, após o sinal de ponto-e-vírgula, consiste naturalmente na enumeração de elementos do método hume-kantiano (empirismo, ceticismo, criticismo subjetivistas), tudo aquilo a que Hegel faz dura oposição. O conhecimento mais elevado, para ele, só pode ser mediado pelo Espírito. Como Kant era o maior nome da filosofia na juventude de Hegel, era sobre ele que se deveria centrar o ataque. Expressões como “abstrações, vácuas generalidades” já resumem numa carapuça todo o objetivismo incompetente anterior a Hegel (e Kant). Quanto ao postulado da apercepção imediata de Kant, o “real adversário”, nas linhas seguintes Hegel proporá sua síntese, “sua versão” (antípoda) do a priori sintético daquele filósofo.

A luta transcendental e absoluta do século moderno! No corner esquerdo, pesando 70kg, o conceito é uma espécie de intuição X no corner direito, pesando 154,324 libras, a intuição é uma espécie de conceito! Valendo o cinturão do Continente (até o fim do século pelo menos…)!

Pero, de suyo, la idea es algo esencialmente concreto, puesto que es la unidad de distintas determinaciones. En esto es en lo que el conocimiento racional se distingue del conocimiento

puramente intelectivo; y la tarea del filosofar, a diferencia del entendimiento, consiste precisamente en demostrar que la verdad, la idea, no se cifra en vacuas generalidades, sino en un algo general que es, de suyo, lo particular, lo determinado. Cuando la verdad es abstracta, no es tal verdad. ”

REBOLANDO ENTRE <INDUÇÃO> E <MATERIALISMO>: “Por si só, a idéia é algo essencialmente concreto, posto que é a unidade de distintas determinações. Nisto é que o conhecimento racional se distingue do conhecimento puramente intelectivo; e a tarefa do filosofar, diferente do (mero) entendimento, consiste precisamente em demonstrar que a verdade, a idéia, não se (de)cifra via vácuas generalidades, mas via algo geral que é, de per se, o particular, o determinado. Quando a verdade é abstrata, não é tal verdade.”

sólo la reflexión del entendimiento es teoría abstracta, no verdadera, exacta solamente en la cabeza y, entre otras cosas, no práctica; la filosofía huye de lo abstracto como de su gran enemigo y nos hace retornar a lo concreto.”

sozinha, a reflexão do entendimento (?) é teoria abstrata, não-verdadeira, exata somente na cabeça, e, entre outras coisas, não-prática; a filosofia foge do abstrato como de seu grande inimigo e faz-nos retornar ao concreto.”

O que K. escreveu não é filosofia! O que eu escrevo o é!

Si combinamos el concepto de lo concreto con el de la evolución, obtenemos el movimiento de lo concreto. Como el ser en sí es ya concreto de suyo y nosotros no establecemos más que lo que ya existe en sí, resulta que sólo se añade la nueva forma de que aparezca ahora como algo distinto lo que ya antes estaba contenido en lo uno originario.”

Se combinamos o conceito do concreto com o da evolução, obtemos o movimento do concreto. (?) Como o ser em si é já concreto por si e nós não estabelecemos mais que o que já existe em si, resulta que só se acrescenta a nova forma, sob a qual aparece agora como algo distinto o que já antes estava contido no um originário.”

Si la idea fuese abstracta no sería otra cosa que la suprema Esencia, [suprema coisa-em-si] de la que ninguna otra cosa cabe decir; pero semejante Dios no es sino un producto del entendimiento del mundo moderno. La verdad es, por el contrario, movimiento, proceso y, dentro de él, quietud; la diferencia, allí donde existe, tiende siempre a desaparecer, produciendo así la unidad total y concreta.”

“‘La materia tiene que ser una de dos cosas: o un todo continuo o formada por puntos’, se dice; y, sin embargo, vemos cómo obedece a los dos criterios.” O inteligente expresso de forma que hoje nos soa burra: o ponto é uma convenção abstrata; porém se se dissera ‘a matéria enquanto onda (contínua) ou a matéria enquanto partícula (reduzida a elementos distinguíveis)’, como na Física do séc. XX, aí teria acertado em cheio. Visionário, portanto.

Aqui Hegel faz o Kantismo (quando diz “o entendimento”, inferior ao saber, ao verdadeiro pensar) consistir num jogo de eleição estereotipado entre sim/não, ‘isto ou aquilo’, generaliza a Crítica como uma mera retórica ou erudição binária, escrava do PRINCÍPIO DA NÃO-CONTRADIÇÃO, enquanto arroga ao seu sistema Espiritual a supremacia por comportar dentro de si o sim e o não em simultâneo (a síntese totalizante).

Este movimiento encierra, por ser concreto, una serie de evoluciones que debemos representarnos, no como una línea recta que se remonta hacia el infinito abstracto, sino como una circunferencia que tiende, como tal, a volver sobre sí misma y que tiene como periferia una multitud de circunferencias que forman, en conjunto, una gran sucesión de evoluciones que vuelven hacia sí mismas.”

Este movimento (evolucionário) encerra, por ser concreto, uma série de evoluções que devemos representar-nos, não como uma linha reta que remonta ao infinito abstrato, mas como uma circunferência que tende, como tal, a voltar sobre si mesma e que tem como periferia uma multitude de circunferências que formam, em conjunto, uma grande sucessão de evoluções que voltam sobre si mesmas.”

La extensión en cuanto evolución no es dispersión ni disgregación; es también cohesión, tanto más vigorosa e intensiva cuanto más rica y amplia sea la extensión de lo coherente.”

A extensão enquanto evolução não é dispersão nem desagregação; é também coesão, tanto mais vigorosa e intensiva quanto mais rica e ampla seja a extensão do coerente.”

Me pergunto de onde ele tirou essas coisas… Muito provavelmente de João (Apocalipse)!

Es cierto, sin embargo, que, en un aspecto, la sucesión histórica en el tiempo se distingue de la sucesión en la ordenación de los conceptos; pero no nos detendremos a examinar aquí, de cerca, qué aspecto es ése, pues ello nos desviaría demasiado de nuestro fin.” Gostaria de saber como raios você compararia alhos e bugalhos.

Quien estudia la historia de la física, de la matemática, etc., traba al mismo tiempo conocimiento con la física y la matemática mismas.”

Cuando digo que existo, de un modo inmediato, existo solamente como organismo vivo; en cuanto espíritu, sólo existo en la medida en que me conozco.”

Quando digo que existo, de um modo imediato, existo somente como organismo vivo; enquanto espírito, só existo na medida em que me conheço.”

Ahora bien, una de las modalidades de la exterioridad es el tiempo, forma que ha de ser explicada de cerca tanto en la filosofía de la naturaleza como en la del espíritu finito.”

Pois bem, uma das modalidades da exterioridade é o tempo, forma que será explicada de perto na filosofia da natureza como na do espírito finito.”

a filosofia pura aparece no pensamento como uma existência que progride no tempo.”

Podría decirse que la forma es indiferente y lo fundamental el contenido, la idea; y se cree hacer una concesión muy equitativa cuando se dice que las distintas filosofías contienen todas ellas la idea, aunque bajo diversas formas, dando a entender que estas formas son algo puramente fortuito. Sin embargo, tienen importancia, pues estas formas no son otra cosa que las diferencias originarias de la idea misma, que sólo en ellas es lo que es; son, pues, esenciales a ella y constituyen, en realidad, el contenido mismo de la idea, el cual, al desdoblarse, se convierte en forma.”

Poder-se-ia dizer que a forma é indiferente e o fundamental é o conteúdo, a idéia; e crê-se fazer uma concessão muito equitativa quando se diz que as distintas filosofias contêm todas elas a idéia, ainda que sob diversas formas, dando a entender que estas formas são algo puramente fortuito. Não obstante, têm importância, pois estas formas não são nada além das diferenças originárias da idéia mesma, que só nelas é o que é; são, pois, essenciais a ela e constituem, em realidade, o conteúdo mesmo da idéia, o qual, ao se desdobrar, se converte em forma.”

Necessariamente tem que se produzir o destino destas determinações, o qual consiste, precisamente, em que se enlacem e somem todas elas, descendendo assim ao nível de simples momentos. A modalidade em que cada momento se estabelecia como algo próprio e independente se vê, por sua vez, suspensa (no sentido físico e topográfico e no sentido legal do adjetivo); após a expansão vem a contração – a unidade de que todos aqueles momentos partiram. E este terceiro termo só pode ser, por sua vez, o começo de uma nova evolução. Poder-se-ia pensar que este processo se desenvolve ao infinito; mas não é assim; pois também ele tem uma meta absoluta, que mais tarde saberemos qual é; têm que se produzir, contudo, muitas viragens antes de que o espírito cobre sua liberdade, ao adquirir a consciência de si mesmo.” Mero messianismo travestido.

A grande premissa, a de que também no mundo seguiram as coisas um curso racional, o que dá verdadeiro interesse à história da filosofia, não é outra coisa senão a fé na Providência, unicamente que noutra forma.” Ao menos o reconhece (que não passa de um messias imanente).

Quem, nos acontecimentos que se produzem no campo do espírito, nas filosofias, só veja contingências, não leva a sério a fé num governo divino do universo e tudo que diga sobre isso não passará de simples palavreado.”

ESPÍRITO, O ENROLÃO: “não há dúvida de que para quem medite à primeira vista acerca do problema pode parecer surpreendente a duração do tempo, assim como a magnitude dos espaços de que nos fala a astronomia. Porém, no tocante à lentidão do Espírito do Mundo, há de se ter em conta que ele não necessita se apressar – ‘mil anos são para Ti tanto quanto um único dia’ –; tem tempo de sobra, precisamente porque vive à margem do tempo, porque é eterno. Os efêmeros seres que vivem da noite à manhã não dispõem de tempo bastante para realizar tantos de seus fins. Quem é que não morre antes de haver cumprido tudo aquilo a que se propunha? O Espírito do Mundo não só dispõe de tempo bastante: não é somente tempo o que se tem de investir na aquisição de um conceito; custa, ademais, muitas outras coisas. Tampouco lhe preocupa que tenha de empregar tantas e tantas gerações humanas até chegar a cobrar consciência de si mesmo, que tenha de percorrer um caminho extraordinariamente longo de nascimentos e mortes; é rico o bastante para se permitir essas jactâncias, promove sua obra de forma perdulária e dispõe de nações e indivíduos em abundância para utilizar em seus fins. Diz-se, se é uma informação exata, (!!) ainda que trivial, que a natureza chega a sua meta pelo caminho mais curto. Em compensação, o caminho do espírito é o caminho da mediação e do rodeio; o tempo, o esforço, a dilapidação, são critérios da vida finita que para nada nos interessam aqui. E não devemos nos sentir impacientes tampouco, ao ver que tais ou quais desígnios concretos não se realizam no instante mesmo, que tal ou qual coisa não é já realidade; na história universal os progressos se realizam lentamente.”

É tempo de um cochilo, pois.

O contingente deve ser abandonado às portas da filosofia.” “uma filosofia que não apresente uma forma absoluta, idêntica a seu conteúdo, tem necessariamente de passar, não pode permanecer, porque sua forma não é a verdadeira.” “toda filosofia foi necessária e segue sendo, portanto” “Os princípios se mantêm; a novíssima filosofia não é senão o resultado de todos os princípios precedentes; neste sentido, pode-se dizer que nenhuma filosofia foi jamais refutada. O que foi refutado não se tratava de princípio algum, tão-só a pretensão de que este princípio fosse a determinação última e absoluta.”

as determinações de Descartes são de tão gênero que bastam para explicar o mecanismo, mas nada mais; a exposição das outras concepções do universo, p.ex. as da natureza vegetal e animal, é, neste filósofo, insuficiente e, portanto, carente de interesse.”

o Timeu de Platão contém uma filosofia da natureza cujo desenvolvimento é muito pobre, inclusive empiricamente, pois seu princípio não é suficiente para levar a nada; e os insights porventura penetrantes, que não estão ausentes, não se devem exatamente ao princípio.” Análise atomizada.

Poderia pensar-se que o primeiro é o concreto, que a criança, p.ex., é mais concreta que o homem, quem imaginamos que é mais limitado, que não vive esta totalidade, senão uma vida mais abstrata.” “Devemos, pois, distinguir o natural concreto do concreto do pensamento, que, por sua vez, é pobre em sensibilidade.”

as primeiras filosofias são as mais pobres e mais abstratas de todas”

Já se perguntou, p.ex., se a filosofia de Tales de Mileto deve ser considerada, em rigor, teísmo ou ateísmo, se este filósofo da antiguidade afirmava a existência de um Deus pessoal ou simplesmente uma essência geral e impessoal.” Anacronismo, de fato.

Não se trata, como à primeira vista poder-se-ia pensar, de uma atitude de soberba da filosofia de nosso tempo” Não, que isso – imagina, meu caro, imagina!

na grande História da filosofia de Bruckner (parte I) cita-se uma série de 30, 40, até 100 filosofemas postos na boca de Tales e de outros e dos quais nem um só pensamento se encontrou historicamente nestes homens: teses, acompanhadas mesmo de citações e de raciocínios de igual cariz, entre os que em vão nos esforçaremos por descobrir qualquer índice genuíno. O procedimento seguido por Bruckner consiste em adornar qualquer filosofema de um pensador antigo de todas as conseqüências e premissas que, segundo as concepções da metafísica wolffiana, deveriam ser as premissas e conseqüências daquele filosofema, citando o que não passa de pura invenção com a mesma espontaneidade de como se tratasse de um fato histórico comprovado. Atribui-se a Tales o apotegma Ex nihilo fit nihil, sob a justificativa de que o pensador de Mileto diz que a água é eterna! Nada indica que Tales tenha dado tal salto.

Também o senhor professor Ritter, cuja História da filosofia jônica é resultado de um paciente estudo e que, em geral, procura não atribuir aos pensadores pensamentos estranhos, imputa a Tales mais do que talvez se possa imputar-lhe historicamente: ‘Daí devermos considerar, num todo, como dinâmica a concepção da natureza que encontramos em Tales. Este pensador concebia o universo ao modo de um animal vivo que o abarcava por completo e que nascera de um embrião, como todos os animais, e, como todos eles, igualmente, era parcialmente feito de água. A concepção fundamental do universo, em Tales, é portanto a de um todo vivo que se desenvolvera de um embrião e que, como os animais, sustenta-se por meio de uma alimentação adequada a sua natureza’” (!!)

Aristóteles não afiança esta citação, tampouco qualquer outro dentre os antigos.”

Como se poderia pensar que se poderia pensar exatamente o que Tales pensou?! Tendo uma auto-estima de mil Budas, talvez, ou nem assim!

Eu escrevo que Hegel escreveu que Aristóteles escreveu que Tales disse (escreveu, por suposto, mas este escrito não sobreviveu) que o princípio (não no sentido de começo mas de importância) de todas as coisas era a água. Ironicamente qualquer manuscrito único, por mais importante que fosse, não poderia dar notícias ao futuro se fosse umedecido.

Para começo de conversa parece que o primeiro a cunhar a palavra equivalente a princípio fora Anaximandro, posterior a Tales. A não ser que estejamos falando do sentido de começo no tempo deste termo. Porém, Tales jamais enuncia o conceito de causa; mal poderia, portanto, enunciar o de causa primeira.” Biblicamente e até darwinianamente falando, entretanto, Tales é irretocável!

Existem, ainda hoje, povos inteiros que não conhecem até agora esse conceito, pois para a ele chegar é necessário um grau muito alto de evolução.”

Um elo entre um nada e outro nada ainda menor.

hoje já não podem haver platônicos, aristotélicos, estóicos ou epicuristas; querer ressuscitar estas filosofias equivaleria a fazer regredir a uma etapa anterior ao espírito mais desenvolvido, mais imerso em si.” Não deviam. Mas não poder é um pouco de autoritarismo, você não acha?!

Deve ser quase impossível conceber a tormenta mental que explicar o período medieval devia provocar nos evolucionistas!

Marsilio Ficino era platônico; Cosme de Médicis chegou inclusive a fundar uma Academia de filosofia platônica, dotada de professores, à cabeça dos quais estava Ficino. Haviam também aristotélicos puros, como Pomponazzi; Gassendi reviveu mais tarde a filosofia epicuréia, ao filosofar como um epicurista em torno dos problemas da física; Lipsius tratava de ser um estóico, e assim por diante.”

pensava-se que era impossível que o cristianismo chegasse a desenvolver uma filosofia própria” (!!!) O mais cretino é imaginar que pudesse.

Analogamente, pessoas cultas de nossa sociedade aconselham-nos a voltar aos costumes e ao modo de pensar dos selvagens dos bosques da América do Norte; e Fichte (Las características de la edad contemporánea) recomenda a religião de Melquisedeque como a mais pura e mais simples de todas, à qual seria o ideal voltarmo-nos hoje.”

Em Platão não se encontra uma solução filosófica definitiva para os problemas referentes à natureza da liberdade, à origem do bem e do mal, à Providência.” Quem está sendo anacrônico agora?

B) RELACIÓN ENTRE LA FILOSOFÍA Y LOS DEMÁS CAMPOS

esta exposición debe eliminar de su seno todo lo que sea historia externa de la época, para recordar solamente el carácter general del pueblo y del tiempo y el estado general de cosas. En realidad, la historia de la filosofía revela ya, de suyo, este carácter y, además, en su grado supremo; guarda la más íntima relación con él, y la forma determinada de la filosofía correspondiente a una época no es más que un lado, un momento de él.”

Esta conexión, [filosofia e história] esencial, presenta 2 lados. El 1º es el propiamente histórico; el 2º, el que se refiere (…) a las relaciones entre la filosofía y la religión, etc.; [improcedente: num estudo de história da filosofia, investigar relações da filosofia com a religião do seu tempo não tem primazia, e estas relações poderiam ser apuradas residualmente no 1º lado, o puramente histórico] lo que nos ayudará, al mismo tiempo, a determinar con mayor precisión lo que la filosofía es.”

A velha teoria civilização-cultura: sempre que a primeira se funda a segunda ainda mal começou a se consolidar. Quando a última está em seu auge, a civilização já está em decadência. E é só em períodos de efervescência cultural e, portanto, ruína civilizacional, que um povo filosofa. Sócrates-Platão-Aristóteles e o mundo heleno em desagregação; São Tomás e o mundo pós-Império Romano do Ocidente sem esteio, ao mesmo tempo em que o Estado-moderno está na pré-História; Schopenhauer, Nietzsche e a desagregação da civilização ocidental, ou pelo menos da Europa como protagonista; a Escola Crítica e a falência do Socialismo Real; os franceses loucos anos 60 e avante em plena inércia pós-modernista… Curiosamente, Hegel não parece participar de um desses momentos, mas está integrado na Prússia fortalecendo-se nacionalmente. Não há cultura, há apenas filisteus (Hegel admite-o). Sempre que é necessário, nessa época, citar a cosmovisão de um grande homem, recorrem a Goethe, que foi da geração anterior.

A avant-garde do Nada. A retaguarda do império.

Los filósofos griegos manteníanse al margen de los negocios del estado y el pueblo los tildaba de ociosos, por haberse retirado de la realidad al mundo del pensamiento.” “La filosofía jonia surge al sobrevenir la decadencia de los estados jónicos en el Asia Menor.” “En Roma, la filosofía no empieza a difundirse hasta que no se hunde la auténtica vida romana, la de la República, bajo el despotismo de los emperadores”

Las ciencias naturales reciben en Inglaterra el nombre de filosofía. Y hay una Revista filosófica inglesa, dirigida por Thomson, en que se publican estudios sobre química, agricultura, abonos, economía e industria” “Los ingleses dan el nombre de ‘instrumentos filosóficos’ a los que son, en realidad, instrumentos puramente físicos, como el barómetro y el termómetro. Y llaman, asimismo, filosofía a teorías como, principalmente, la moral y las ciencias morales, derivadas de los sentimientos del corazón humano o de la experiencia; y también, finalmente, a las teorías y los principios relacionados con la economía política.” Um erro fatal que seria sentido em todo o mundo!

Esta mescolanza de filosofía y cultura general se presenta con cierta frecuencia en el período inicial de la cultura.”

Así, ya en los comienzos mismos de la filosofía griega aparecen los Siete Sabios y los filósofos jonios.”

Los monarcas, considerados como los ungidos del Señor, en el sentido de los reyes de Judea, recibían su poder de Dios y, como la autoridad emanaba de lo alto, sólo a Dios tenían que dar cuenta de sus actos.”

Federico Schlegel dio nueva vida a este apodo de la filosofía, queriendo significar con ello que su misión no consistía en tratar de problemas superiores a los del mundo, por ejemplo los de la religión; y encontró muchos que lo siguieran por este camino.”

Lo que la filosofía tiene de común con el arte y, principalmente, con la religión son los problemas absolutamente generales que constituyen su contenido”

De aquí que debamos, por encima de todo, enfocar la religión lo mismo que enfocamos la filosofía, es decir, conocerla y reconocerla como racional, puesto que es obra de la razón que se revela, su producto más alto y más conforme a razón. Son, por tanto, nociones absurdas las de quienes creen que los sacerdotes inventan las religiones para defraudar al pueblo y en provecho propio, etc.; es algo tan superficial como equivocado ver en la religión el producto de la arbitrariedad o del engaño.”

Y es también una leyenda propagada por doquier la de que Pitágoras, por ejemplo, sacó su filosofía de la India y el Egipto: es muy antigua la fama de la sabiduría de estos pueblos, en la que se considera también implícita la filosofía.”

¿cómo se distingue la filosofía de la teología, el saber de la religión, o más concretamente, de la religión en cuanto conciencia?”

la pobreza mental de los indios antiguos y modernos, que siguen adorando como seres divinos a las vacas y a los monos”

el arte se convierte en el maestro de los pueblos, como en Homero y Hesíodo, quienes, según Herodoto (II, 53), ‘crearon la teogonía de los griegos’, al convertir en imágenes y representaciones claras y firmes toda una serie de nociones y tradiciones confusas, conservadas y reunidas como fuese, en consonancia con el espíritu de su pueblo.”

Curiosamente já antecipa a principal crítica anti-hegeliana de Feuerbach: “Ahora bien, aunque en la verdadera religión se haya revelado y se revele el pensamiento infinito, el espíritu absoluto, el vaso en que se vierte es el corazón, la conciencia representativa y la inteligencia de lo finito. La religión no sólo se dirige a toda modalidad de cultura—‘el Evangelio se predica a los pobres’—, sino que, como religión, debe ir dirigida expresamente al corazón y al ánimo, penetrar en la esfera de la subjetividad y, con ello, en el campo de las representaciones finitas.”

Dá sempre a impressão, lendo Hegel falar do “entendimento” e da religião, que para ele Kant não passava de um Padre…

El carácter de la religión positiva se cifra en que sus verdades existen, sin que se sepa de dónde provienen; por lo cual su contenido es un algo dado superior a la razón y situado más allá de ella.”

lo mismo que los griegos veneraban a Ceres y a Triptolemo por haber traído a los hombres la agricultura y el matrimonio, los pueblos guardan gratitud a Moisés y Mahoma.”

Si Cristo sólo fuese, para los cristianos, un maestro al modo de Pitágoras, de Sócrates o de Cristóbal Colón, no tendríamos ante nosotros un contenido divino general, una revelación o una doctrina acerca de la naturaleza de Dios, que es, cabalmente, lo que nos interesa aquí.”

El hombre tiene que abrazar una religión; cabe, pues, preguntarse: ¿cuál es el fundamento de su fe? La religión cristiana contesta: el testimonio del espíritu acerca de este contenido. Cristo les echa en cara a los fariseos el que pidan milagros”

Esta presencia del espíritu percibido es lo que se llama fe, pero no es una fe histórica; nosotros, los luteranos—pues yo lo soy y quiero seguirlo siendo—poseemos solamente aquella fe originaria. Esta unidad no es la sustancia al modo de Spinoza, sino la sustancia cognoscente de la conciencia de sí, en su actitud finita ante lo general. Todo lo que se dice acerca de los límites del pensamiento humano es algo puramente superficial; conocer a Dios: tal es la finalidad única de la religión.”

AUTOGÊNESE DA BÍBLIA: “El espíritu se engendra a sí mismo, al atestiguarse; sólo existe en cuanto que se engendra, se atestigua y se revela o manifiesta.”

La esencia es, de suyo, un contenido esencial, no lo carente de contenido, lo indeterminado”

A essência é um conteúdo essencial, não o carente de conteúdo, o indeterminado”

Não só mataram Deus como transaram com seu cadáver.

la filosofía es justificada por la devoción y por el culto y se limita a hacer lo mismo que éstos hacen.”

La filosofía, al pensar su objeto, tiene la ventaja de que las dos fases de la conciencia religiosa, que en la religión representan momentos distintos, forman en el pensamiento filosófico una unidad.”

Por eso la filosofía empieza presentándose a nosotros vinculada y prisionera dentro del círculo del paganismo griego; más tarde, apoyándose en sí misma, se enfrenta a la religión popular y asume una actitud hostil, hasta que logra comprender su contenido y reconocerse en él.”

FILOPÊNDULO: Na época de Hegel o ateísmo estava “datado”. Dataria de novo logo depois o teísmo.

sabemos que las últimas palabras de Sócrates fueron para suplicar a sus amigos que sacrificasen un gallo a Esculapio, deseo que se avenía muy mal, por cierto, con los pensamientos sostenidos por Sócrates acerca de la esencia de Dios y, principalmente, acerca de la ética. Platón predica apasionadamente contra los poetas y sus dioses.” O Sócrates “do galo” é Platão.

Por misterios se entiende, en una interpretación superficial, lo misterioso, lo que, como tal, no puede llegar a ser conocido. Sin embargo, en los misterios eleusinos no había nada desconocido; todos los atenienses estaban iniciados en ellos; el único que no quiso estarlo fue Sócrates. Sólo se prohibía darlos a conocer a los no atenienses, y algunos de sus fieles fueron acusados de este delito. No debía hablarse de ellos, por tratarse de algo sagrado.” “En la religión cristiana se da el nombre de misterios a los dogmas, es decir, a lo que se sabe acerca de la naturaleza de Dios. No se trata tampoco de nada misterioso, todos los fieles de esta religión lo conocen, y es precisamente ello lo que los distingue de los de otras religiones; por tanto, tampoco aquí significa el misterio algo desconocido, pues todos los cristianos se hallan iniciados en él.” Misterioso é macumbeiro!

El entendimiento no capta lo especulativo, que es precisamente lo concreto”

La filosofía es opuesta, en cambio, al llamado racionalismo de la moderna teología, el cual no se quita de los labios la razón, a pesar de lo cual no es más que seco entendimiento; lo único que en él se descubre de razón es el momento del pensar por sí mismo, pero sin que esto pase de ser un pensamiento puramente abstracto. Cuando el entendimiento que no llega a captar las verdades de la religión se llama, como en el Siglo de las Luces, razón y se quiere hacer pasar por señor y dueño, se equivoca. El racionalismo es lo opuesto a la filosofía, por el contenido y por la forma, pues vacía el contenido, despuebla el cielo y lo degrada todo a relaciones finitas; y su forma es un razonar no libre, no un comprender.” Até a luz enjoa, não é, obscuro e tétrico Hegel?

las puertas de la razón son más fuertes que las puertas del infierno, no para prevalecer contra la Iglesia, sino para conciliarse con ella. La filosofía, en cuanto pensamiento comprensivo de este contenido, tiene, en lo tocante a las creencias de la religión, la ventaja de que comprende ambas cosas: está en condiciones de comprender a la religión, del mismo modo que comprende al racionalismo y al supranaturalismo, y se comprende también a sí misma.”

La mitología puede ser estudiada desde el punto de vista del arte, etc.; pero el espíritu pensante debe esforzarse en descubrir el contenido sustancial, el pensamiento, el filosofema implícitamente contenido en ella; del mismo modo que descubre la razón en el seno de la naturaleza.”

Este modo de tratar la mitología es combatido y condenado por otros, quienes sostienen que se la debe abordar solamente de un modo histórico y que es contrario al criterio histórico tratar de deslizar dentro de un mito un filosofema que los antiguos no pusieron en él, o derivarlo a la fuerza de tal mito. Y no cabe duda de que esto es, por una parte, absolutamente verdadero, y no es otro, por cierto, el punto de vista en que se sitúa Creuzer(*) y en que se situaban los alejandrinos que se ocupaban de estas cosas.

(*) [Michelet] Georg Friedrich Creuzer (1771-1858), filólogo y arqueólogo. Es conocido, principalmente, por su obra Symbolik und Mythologie der alten Völker, besonders der Griechen, en la que sostiene que la mitología de Homero y Hesíodo proviene, a través de los pelasgos, de una fuente oriental y es el resto conocido de una antigua revelación.”

Sin embargo, lo mitológico debe quedar excluido de nuestra historia de la filosofía. La razón de ello está en que la filosofía, tal como nosotros la concebimos, no versa precisamente sobre los filosofemas, es decir, sobre pensamientos que sólo de un modo implícito se contienen en una exposición, sino sobre pensamientos explícitos, expresados, y solamente en la medida en que lo son; es decir, solamente en la medida en que el contenido de la religión se revela a la conciencia bajo la forma del pensamiento”

Zoroastro presenta esto de un modo excelente: uno de los principios (Ormuz) es el de la luz, el otro (Ahrimán) el de las tinieblas, y el centro entre ambos lo ocupa Mitra, al que por ello dan los persas el nombre de mediador.” Plutarco

No actúa de mediador entre Ormuz y Ahrimán a la manera de un pacificador, dejando subsistentes ambas fuerzas; no participa del bien y del mal, como un lamentable ser híbrido, sino que se coloca resueltamente del lado de Ormuz y pelea con él contra el mal. Ahrimán es llamado, a veces, el hijo primogénito de la luz, pero sólo Ormuz permaneció en ella. Al ser creado el mundo visible, Ormuz se encargó de tender sobre la tierra, en su incomprensible reino luminoso, la firme bóveda del cielo, circundada todavía, por la parte de arriba, por la primera luz primigenia. En el centro de la tierra está la montaña Albordi, tan alta, que alcanza la luz primigenia. El reino luminoso de Ormuz campea sin que nada lo empañe sobre la firme bóveda celeste y en lo alto de la montaña Albordi; campeó también sobre la tierra hasta llegar a la tercera época de ella. Dentro de ella, Ahrimán, cuyo reino de la noche se hallaba hasta ahora escondido debajo de la tierra, extiende sus dominios al mundo de Ormuz y reina conjuntamente con él. El espacio que separa al cielo de la tierra se divide por mitades entre la luz y la noche. Como Ormuz, hasta ahora, sólo gobernaba sobre un reino de espíritus de la luz, Ahrimán gobernaba solamente sobre un reino de espíritus tenebrosos; pero ahora, al extender su reino, Ahrimán opone a la creación luminosa de la tierra una creación de la tierra tenebrosa. Se contraponen, así, desde este momento, dos mundos, un mundo puro y bueno y otro impuro y malo, y esta contraposición se extiende a través de toda la naturaleza.

En lo alto del Albordi, Ormuz crea a Mitra como mediador para la tierra; el fin de la creación del mundo físico no es otro que el de volver a su punto de partida, a la esencia, desviada de su creador, hacerla de nuevo buena y desterrar así, para siempre, el mal.” Toda a sua filosofia jaz no Zend-Avesta, ó Hegel!

lo único que, desde este punto de vista, puede interesarnos y parecernos digno de ser tenido en cuenta es el carácter general de este dualismo que lleva consigo, necesariamente, el concepto, pues éste es, justo en sí, directamente lo contrario de sí mismo, y en el otro la unidad de éste consigo mismo” “Como de los dos principios solamente el principio de la luz es, en rigor, la esencia y el principio de las tinieblas la nada, tenemos que el principio de la luz coincide, a su vez, con Mitra, llamado anteriormente el Ser Supremo.” “Estos criterios se hallan mucho más cerca del pensamiento, no son simples imágenes; sin embargo, tampoco estos mitos tienen nada que ver con la filosofía.”

Y lo mismo ocurre, sobre poco más o menos, entre los fenicios, con la cosmogonía de Sancuniaton. Estos fragmentos, con que nos encontramos en Eusebio (Praepar. Evang., I, 10), están tomados de una traducción de Sancuniaton hecha del fenicio al griego por el gramático Filón de Biblos; este Filón, que vivió en tiempo de Vespasiano, atribuye a Sancuniaton una extrema ancianidad.”

O ar engravidou o caos e engendrou uma matéria viscosa, que levava em si o germe da vida, forças naturais e as sementes dos animais. A mistura da matéria viscosa e do caos fez com que se separassem todos os elementos. As partes de fogo se elevaram e se tornaram as estrelas (o que é muito mais sábio que nossa visão até Ptolomeu de que as estrelas são pontos frios de luz). As estrelas em interação com o ar produziram as nuvens. A terra foi fecundada. Da terra e da água, formando matéria putrefata, a substância viscosa fez nascerem os animais, ainda imperfeitos e sem sentidos. Mas estes deram a luz a descendentes mais perfeitos que eles mesmos, dotados de sentidos. Foi a explosão do trovão na tormenta que deu vida aos primeiros animais, que estavam dormentes, envolvidos em suas cascas ou sementes. Para mais sobre a mitologia fenícia, cf. Sanchuniathonis Fragmenta ed. Rich. Cumberland, Londres, 1720.

Los fragmentos de Beroso, referentes a los caldeos, fueron reunidos, a base de las obras de Josefo, Sincelo y Eusebio, por Escalígero, bajo el título de Beroisi Chaldaica, como apéndice a su obra De emendatione temporum, y figuran íntegros en la ‘Biblioteca Griega’ de Fabricio (t. XIV, pp. 175-211). Beroso vivió en tiempo de Alejandro, fue, al parecer, sacerdote de Bel [Baal; Belus em latim; originalmente significava Senhor em acádio] y debió de sacar sus datos de los archivos del templo de Babilonia.”

El dios originario era Bel, la diosa Omoroca [el mar]; pero había además otros dioses. Bel cortó por el medio a Omoroca para formar con sus partes el cielo y la tierra. Después de ello, se cortó a sí mismo la cabeza, y de las gotas de su divina sangre nació el género humano. Después de crear al hombre, Bel ahuyentó a las tinieblas, separó el cielo de la tierra y dio al mundo su forma natural. Pareciéndole que ciertas regiones de la tierra no se hallaban bastante pobladas, obligó a otro dios a hacer lo mismo que él, y de la sangre de este otro dios nacieron nuevos hombres y otras especies animales. Los hombres, al principio, vivían como salvajes, sin la menor cultura, hasta que vino un monstruo [al que Beroso llama Oannes], que los enseñó y los educó en la humanidad. Este monstruo salió, para ello, del mar, con la aurora, y al ponerse el sol volvió a perderse entre las olas.” Beroso

Es cierto que a Platón se le ensalza no pocas veces por razón de sus mitos, y se dice que da pruebas, con ello, de un genio superior al de la generalidad de los filósofos. Se entiende, al decir eso, que los mitos de Platón están por encima de la manera abstracta de expresarse; y no cabe duda de que este pensador se expresa con gran belleza.” No geral, entretanto, Hegel não compreende bem Platão.

Así, por ejemplo, puede decirse que la eternidad es un círculo, una serpiente que se muerde la cola; esto no pasa de ser una imagen, y el espíritu no necesita valerse de semejantes símbolos.” Pelo contrário, idiota: é muito diferente afirmar que o universo é infinito e eterno simplesmente ou compará-lo à cobra que se digere a si mesma, a Ouroboros: significa que há um fim e uma genealogia determinados, que podem, no entanto, ser qualquer ponto do círculo, e que o caminho do círculo não deixa por isso de ser infinito. Isso traz conseqüências extremamente importantes para a consideração do conceito de causa e efeito na filosofia. Atende ao requisito fundamental de todo filosofar numa só imagem, também: o Um no múltiplo e o múltiplo no Um. Ao contrário do Espírito, a Vontade se alimenta de si mesma, ferindo-se mortalmente, condição sine qua non de sua própria perpetuidade canibal. O Espírito não tem carne, nada sofre ao se desenrolar, entrar em sínteses e voltar a si mesmo; é morto, não é a ‘vida viva’ (Hegel) – ao contrário de Ouroboros, que sente cada etapa da eterna criação/destruição na carne. Quem mata, morre, quem morre mata e participam ambos da dança e do jogo inelutável. Todo lixo é luxo e todo luxo é lixo a seu tempo.

Del mismo modo que los francmasones manejan símbolos considerados como una profunda sabiduría —profunda al modo de un pozo al que no se le ve el fondo—, el hombre se inclina fácilmente a considerar profundo lo oculto, como si por debajo de ello hubiese algo verdaderamente profundo.” Ao chato, o abismo não parece profundo.

Se habla también de la filosofía de los chinos, del foï, que consiste en expresar los pensamientos por medio de números. Sin embargo, también ellos explican sus símbolos, con lo cual ponen de manifiesto la determinación.”

en la religión india, sobre todo, estos pensamientos aparecen clara y manifiestamente expresados, pero entre los indios todo se presenta mezclado y revuelto.”

Es bien conocida la imagen del fénix, que ha llegado a nosotros desde el Oriente.”

En la religión griega, nos encontramos con la determinación conceptual de la ‘eterna necesidad’; es ésta una relación absoluta, sencillamente general.”

También en los Padres de la Iglesia y los escolásticos, y no sólo en la religión india, encontramos profundos pensamientos especulativos acerca de la naturaleza de Dios mismo. En la historia de la dogmática es de esencial interés conocer esta clase de pensamientos, pero en la historia de la filosofía no tienen cabida. Sin embargo, los escolásticos deberán ser tenidos más en cuenta que la patrística.” [¿?] “estos pensamientos [dos Padres da igreja, i.e., do Novo Testamento até antes de Agostinho] descansan sobre una premisa y no sobre el pensamiento mismo; no son, en consecuencia, verdadera filosofía, es decir, el pensamiento en sí mismo, sino que sirven a una representación de la que se parte como de algo establecido, ya sea para refutar a otras representaciones y otros filosofemas, ya sea para defender filosóficamente, en contra de ellos, la propia doctrina religiosa, de tal modo que el pensamiento no se reconoce y expresa como lo último, como la culminación absoluta del contenido, como el pensamiento que interiormente se determina a sí mismo.” “Y lo mismo ocurre con los escolásticos: tampoco en ellos se construye el pensamiento a base del pensamiento mismo, sino con vistas a las premisas de que parte, aunque aquí tenga ya más base propia que en los Padres de la Iglesia; pero sin llegar a enfrentarse nunca con la doctrina de ésta”

Sobre a FILOSOFIA POPULAR. Eu consideraria, a priori, 3 grandes figuras deste fenômeno: Diógenes Laércio (conforme mais acima), Cícero e Montaigne. Aristóteles está meio enquadrado aqui.

En las obras de un Pascal, principalmente en sus Pensées, descubrimos los más profundos atisbos. § Pero esta filosofía lleva adherido aún el defecto de que lo último a que apela (como vemos también en estos últimos tiempos) es que estos pensamientos han sido inculcados en el hombre por la naturaleza; en Cicerón abunda esto.” “Cicerón habla frecuentemente del consensus gentium; el modo moderno prescinde más o menos de esta invocación, ya que se trata de que el sujeto descanse sobre sí mismo.” “En la filosofía popular, la fuente es el corazón, son los impulsos, las dotes, es nuestro ser natural, mi sentimiento del derecho, de Dios; el contenido se presenta aquí bajo una forma que es simplemente natural.” Temos aí, pois, Feuerbach!

El verdadero punto de arranque de la filosofía debe buscarse allí donde lo absoluto no existe ya como representación y donde el pensamiento libre no piensa simplemente lo absoluto, sino que capta la idea de ello; es decir, allí donde el pensamiento capta como pensamiento el ser (que puede ser también el pensamiento mismo), conocido por él como la esencia de las cosas, como la totalidad absoluta y la esencia inmanente de todo, aunque no sea, por lo demás, más que un ser exterior.” “Este criterio general, el del pensamiento que se piensa a sí mismo, es una determinabilidad abstracta; es el comienzo de la filosofía, el cual es, a su vez, un algo histórico, la forma concreta de un pueblo, cuyo principio se cifra en lo que acabamos de decir.”

Se não fôramos capazes de dizer por nós próprios que só os gregos foram filósofos, esta afirmação seria verdadeira. Como podemos enunciá-lo, deve ser possível a nós o filosofar.

Nem todo humanismo é uma filosofia, mas toda filosofia é um humanismo.

A PEDRA CHINESA: “Por razón de esta conexión general de la libertad política con la libertad de pensamiento, la filosofía sólo aparece en la historia allí donde y en la medida en que se crean constituciones libres. Como el espíritu sólo necesita separarse de su voluntad natural y de su hundirse natural en la materia cuando pretende filosofar, no puede hacerlo todavía bajo la forma con que comienza el Espíritu del Mundo y que precede a la fase de aquella separación. Esta fase de la unidad del espíritu con la naturaleza, fase que, como inmediata que es, no es el estado verdadero y perfecto, es la esencia oriental en general; por eso la filosofía no comienza hasta llegar al mundo griego.”

en cambio, cuando un pueblo quiere lo moral, cuando se rige por leyes de derecho, su voluntad descansa ya sobre el carácter de lo general.”

Por eso sólo existe, en esos pueblos, el estado del señor y el del siervo, y dentro de esta órbita del despotismo, es el miedo la categoría gobernante en general.”

El hombre que vive bajo el miedo y el que domina por el miedo a otros hombres ocupan, ambos, la misma fase; la diferencia no es otra que la mayor energía de la voluntad, la cual puede tender a sacrificar todo lo finito a un fin especial.” “de la pasividad de la voluntad, como esclavitud, se pasa en la práctica a la energía de la voluntad, pero sin que tampoco ésta sea otra cosa que arbitrariedad. También en la religión nos encontramos con el imperio absoluto de los sentidos en forma de culto religioso y, como reacción contra esto, se da asimismo, entre los orientales, la evasión a la más vacua de las abstracciones como infinito, la sublimidad de la renuncia a todo, principalmente entre los indios, quienes por medio del tormento se remontan a la abstracción más íntima; hay hindúes que se pasan 10 años seguidos mirándose fijamente a la punta de la nariz, alimentados por los circunstantes, sin ningún otro contenido espiritual que el de la abstracción consciente, cuyo contenido es, por tanto, totalmente finito. No es éste, por tanto, el terreno en que puede brotar la libertad.” Curioso como o abaixo-de-zero de Hegel é o fim-final para Schopenhauer, a liberdade fenomênica perante uma agora-tida-como-tirânica Vontade!

Es cierto que el espíritu nace en el Oriente, pero de tal modo que el sujeto, aquí, no existe todavía como persona, sino en lo sustancial objetivo, que en parte se representa de un modo suprasensible y en parte también de un modo más bien material, como algo negativo y que tiende a desaparecer.” Porém, se o Espírito deverá retornar a si mesmo…

El sujeto oriental tiene, de este modo, la ventaja de la independencia, ya que nada hay fijo; la vaguedad que caracteriza la sustancia de los orientales hace que su carácter pueda ser igualmente indeterminado, libre e independiente. Lo que es para nosotros el derecho y la moralidad lo es también allí, en el Estado, pero de un modo sustancial, natural, patriarcal, no en forma de libertad subjetiva.” R.I.P. Filosofia alemã 1932

Antes, se exageraba la importancia de la sabiduría india, aunque sin saber qué había detrás de eso; ahora sí lo sabemos, y tenemos razones para afirmar que no es, si nos atenemos al carácter general, una sabiduría filosófica.” A força do pêndulo não perdoa ninguém: como moda, o hinduísmo vai e volta na Europa…

Dormir, vivir, ser funcionarios: no consiste en esto nuestro ser esencial, pero sí consiste en no ser esclavos; esto ha cobrado la significación de un ser natural.”

En Grecia vemos florecer la libertad real, aunque prisionera todavía, al mismo tiempo, de una determinada forma y con una clara limitación, puesto que en Grecia existían aún esclavos y los estados griegos se hallaban condicionados por la institución de la esclavitud.” No superexigente molde hegeliano, a dialética do senhor-escravo nunca tem fim.

INGENUIDADE ILIMITADA: “en el Oriente sólo es libre un individuo, el déspota; en Grecia, son libres algunos individuos; en el mundo germánico, rige la norma de que todos sean libres, es decir, de que el hombre sea libre como tal.”

En Grecia, donde rige una norma particular, son libres los atenienses y los espartanos, pero no lo son, en cambio, los mesenios ni los ilotas. Hay que ver dónde reside el fundamento de este ‘algunos’; en él se encierran ciertas modificaciones particulares de la concepción griega que debemos examinar con vistas a la historia de la filosofía.” A Europa espoliou para sempre a possibilidade das Américas, da África e da Oceania filosofarem.

C) DIVISIÓN, FUENTES Y MÉTODO DE LA HISTORIA DE LA FILOSOFÍA

En general, sólo cabe distinguir, en rigor, 2 épocas de la historia de la filosofía: la filosofía griega y la filosofía germánica, división equivalente a la que se establece entre el arte antiguo y el arte moderno. La filosofía germánica es la filosofía dentro del cristianismo, en la medida en que éste pertenece a las naciones germánicas, es decir, a los pueblos cristianos de Europa pertenecientes al mundo de la ciencia y que forman, en su conjunto, la cultura germánica, pues Italia, España, Francia, Inglaterra, etc., han recibido a través de las naciones germánicas una nueva fisonomía. El helenismo penetra también en el mundo romano, y así debe enfocarse la filosofía dentro del marco de este mundo. Los romanos no produjeron una verdadera filosofía, del mismo modo que no tuvieron nunca verdaderos poetas. No hicieron otra cosa que recibir e imitar, aunque, con frecuencia, muy ingeniosamente; su misma religión procede de la griega y lo que en ella hay de propio y peculiar no la acerca a la filosofía y al arte, sino que es, por el contrario, antifilosófico y antiartístico.”

El mundo griego desarrolló el pensamiento hasta llegar a la idea; el mundo cristiano-germánico, por el contrario, concibe el pensamiento como espíritu; idea y espíritu son, por tanto, los criterios diferenciales. Más precisamente, esta trayectoria estriba en lo siguiente. En tanto que lo general todavía indeterminado e inmediato, Dios, el ser, el pensamiento objetivo que, celosamente, no deja que nada coexista con él, es la base sustancial de toda filosofía, base que no cambia, sino que se adentra más y más profundamente en sí misma y se manifiesta y cobra conciencia a través de este desarrollo de las determinaciones, podemos señalar el carácter especial del desarrollo en el primer período de la filosofía diciendo que este desarrollo es una libre manifestación de las determinaciones, las figuraciones y las cualidades abstractas, por la sencilla razón de que, en sí, lo contiene ya todo.

La segunda fase sobre este fundamento general es la síntesis de estas determinaciones que así se desprenden en una unidad ideal, concreta, al modo de la subjetividad.” “con el nous de Anaxágoras y, más aún, con Sócrates comienza, de este modo, una totalidad subjetiva en que el pensamiento se capta a sí mismo y la actividad pensante es el fundamento.”

La tercera fase consiste en que esta totalidad primeramente abstracta, al ser realizada mediante el pensamiento activo, determinante, diferencial, se establezca a sí misma en sus criterios diferenciados, que forman parte de ella en cuanto determinaciones ideales.”

Las formas completamente generales de la contraposición son lo general y lo particular; o, en otra forma, el pensamiento como tal y la realidad exterior, la sensación, la percepción. El concepto es la identidad de lo general y lo particular” “La unidad se establece, por tanto, en ambas formas, y los momentos abstractos sólo pueden cumplirse por medio de esta unidad misma; nos encontramos, pues, con que aquí las mismas diferencias se ven elevadas a un sistema de totalidad y se enfrentan como la filosofía estoica y la epicúrea.”

Lo general absolutamente concreto es, ahora, el espíritu; lo particular absolutamente concreto, la naturaleza: en el estoicismo se desarrolla el pensamiento puro hasta llegar a la totalidad; cuando el otro aspecto se convierte en espíritu y el ser natural, la sensación, en totalidad, tenemos el epicureísmo. Toda determinación se desarrolla hasta la totalidad del pensamiento; y, según el modo de espontaneidad de estas esferas, estos principios aparecen como 2 sistemas de filosofía independientes por sí mismos que pugnan y chocan el uno con el otro.”

Lo superior es la unión de estas diferencias. Puede ocurrir esto bajo la forma de la destrucción, como en el escepticismo; pero lo superior es lo afirmativo, la idea puesta en relación con el concepto. Así, pues, si el concepto es lo general, que además se determina a sí mismo, pero sin perder su unidad en la idealidad y la transparencia de sus determinaciones que no cobran sustantividad, y lo ulterior es, por el contrario, la realidad del concepto, en el que las mismas diferencias se elevan al plano de totalidades, la cuarta fase consiste en la unificación de la idea, en la que todas estas diferencias, en cuanto totalidades, se esfuman, al mismo tiempo, en la unidad concreta del concepto.”

El mundo griego progresó hasta llegar a esta idea, desarrollando para ello un mundo intelectual ideal; fue esto lo que hizo la filosofía alejandrina, con la que la filosofía griega llega a término y realiza su destino.”

PÉSSIMA METÁFORA: “La fase ulterior consiste en que, mientras dejamos que se convierta de nuevo en superficie cada una de las líneas que cierran el triángulo, cada una de ellas se desarrolle para formar la totalidad del triángulo, la figura total de que forma parte; tal es la realización del todo en los lados, como se nos revela en el escepticismo o en el estoicismo.” “la determinación espacial perfecta, que representa una duplicación del triángulo; pero este ejemplo ya no sirve, desde el momento en que el triángulo que tomamos como base queda fuera de la pirámide.”

El remate de la filosofía griega en el neoplatonismo es el reino perfecto del pensamiento, de la bienaventuranza, un mundo de los ideales con existencia propia, pero irreal, ya que el todo sólo se halla, en absoluto, en el elemento de la generalidad.”

Es decir, los dos triángulos que se hallan en la parte de arriba y en la parte de abajo del prisma no deben ser dos como duplicados, sino que deben formar una unidad entrelazada; o, dicho de otro modo, con el cuerpo nace la diferencia entre el centro y el resto de la periferia corporal.”

La idea es, entonces, esta totalidad, y la idea consciente de sí misma algo esencialmente distinto de la sustancialidad”

A través de esta subjetividad y de esta unidad negativa, a través de esta negatividad absoluta, el ideal, ahora, no es objeto solamente para nosotros, sino para sí mismo; este principio se inicia con el mundo cristiano.”

<BÁRBARO!>: “Dios es conocido como espíritu que se duplica por sí mismo, pero que, al mismo tiempo, levanta esta diferencia, para adquirir, en ella, el ser en y para sí. La misión del mundo consiste, siempre, en reconciliarse con el espíritu, en llegar a conocerse en él, y esta misión es conferida al mundo germánico.”

HEGEL’S PREACHING: “En la religión cristiana, este principio vive más bien como sentimiento y como representación: lleva implícito el destino del hombre como llamado a gozar de la eterna bienaventuranza, como objeto de la gracia y la caridad divinas, del interés divino, es decir, como dotado de un valor infinito en cuanto hombre; y se precisa, dicho principio, en el dogma de la unidad de la naturaleza divina y humana revelado por Cristo a los hombres, según el cual la idea subjetiva y objetiva, el hombre y Dios, forman una unidad.”

Vemos por ello que las representaciones religiosas y la especulación no se hallan tan alejadas entre sí como suele pensarse; y hago referencia a estas nociones para que no nos avergoncemos de seguir dándoles, a pesar de todo, oídos, aunque estemos ya muy por encima de ellas, para que no nos avergoncemos de nuestros antepasados cristianos, que con tanto respeto las escuchaban.” Desculpe, mas eu me envergonho sim.

Esta contraposición, cuyos extremos aparecen agudizados, concebida en su más general significación es la contraposición entre el pensar y el ser, entre la individualidad y la sustancialidad, de tal modo que, dentro del sujeto mismo, su libertad se mueva nuevamente dentro del círculo de la necesidad; es la contraposición entre sujeto y objeto, entre naturaleza y espíritu, en cuanto que éste, como algo finito, se contrapone a la naturaleza.”

Es cierto que nos encontramos con ciertas fases de la filosofía griega que parecen situarse ya en el mismo punto de vista de las filosofías cristianas, como ocurre, por ejemplo, con la filosofía sofística, la neoacadémica y la escéptica, cuando proclaman la doctrina de que no es posible llegar al conocimiento de la verdad: esta doctrina parece, en efecto, coincidir con las modernas filosofías de la subjetividad en que todas las determinaciones del pensamiento tienen un carácter puramente subjetivo, sin que sea posible emitir fallo alguno sobre la objetividad.”

Los filósofos antiguos no sentían semejante nostalgia, sino, por el contrario, una perfecta satisfacción y quietud dentro de aquella certeza que les llevaba a ver un conocimiento en lo que no era más que una apariencia.”

¡PUES VIVA EL CANDOR! “El candor de la filosofía antigua, que hacía pasar lo aparente por la esfera total, alejaba en aquellos pensadores toda duda acerca del pensamiento de lo objetivo.”

la fe en sentido eclesiástico o la fe en el sentido moderno, que consiste en rechazar la razón para dar oídas a una revelación interior a que se da el nombre de certeza o intuición inmediata, de un sentimiento descubierto en uno mismo.”

Quando você desenvolve uma dialética só para poder ser autocontraditório à vontade (e se masturbar para o número 3): “La historia de la filosofía se divide, pues, en 3 períodos: el de la filosofía griega, el de la filosofía del período intermedio y el de la filosofía de la época moderna.”

Primer período. Va desde Tales de Mileto, alrededor del año 600 a.C., hasta el florecimiento de la filosofía neoplatónica mediante Plotino en el siglo III d.C., y su desarrollo y prosecución por Proclo, en el siglo V, hasta la desaparición de toda filosofía. La filosofía neoplatónica pasa luego al cristianismo, y muchas filosofías cristianas tienen por única base esta filosofía. Este período abarca unos mil años, cuyo final coincide con las grandes migraciones de los pueblos y con la desaparición del Imperio romano.

Segundo período. Es el período de la Edad Media. Pertenecen a él los escolásticos e, históricamente, hay que mencionar también dentro de él a los árabes y los judíos, si bien esta filosofía se desarrolla, principalmente, dentro de la Iglesia; se trata de un período que abarca más de mil años.

Tercer período. La filosofía de los tiempos modernos sólo se manifiesta por sí misma después de la guerra de los Treinta años, con Bacon, Jacob Böhme y Descartes; este último comienza con la distinción del cogito, ergo sum. Trátase de un período de un par de siglos; por tanto, esta filosofía es todavía algo nuevo.”

El nombre de historia tiene, en efecto, un doble sentido: expresa, de una parte, los hechos y acontecimientos mismos y, de otra parte, estos mismos hechos y acontecimientos convertidos ya en representaciones y con destino a la representación.

En cambio, en la historia de la filosofía no sirven de fuente los historiadores, sino que tenemos ante nosotros los hechos mismos, y son éstos, o sean las obras filosóficas mismas, las verdaderas fuentes; quien quiera estudiar seriamente la historia de la filosofía no tiene más remedio que ir directamente a estas fuentes.”

Con respecto a muchos filósofos es inexcusablemente necesario, ciertamente, referirse a sus obras mismas; pero hay ciertos períodos cuyas fuentes no han llegado a nosotros, como ocurre, por ejemplo, con la filosofía griega más antigua, y en los que, por consiguiente, no tenemos más remedio que recurrir a los historiadores y a otros escritores.”

La mayor parte de los escolásticos dejaron escritas obras en 16, 24 y hasta 26 volúmenes infolio; para llegar a su conocimiento, no hay más remedio que apoyarse en el trabajo que otros han realizado. Hay, además, muchas obras filosóficas rarísimas y muy difíciles de conseguir. Algunos filósofos sólo tienen, en gran parte, un interés histórico y literario y esto nos autoriza a recurrir, para estudiarlos, a las colecciones en que se han recogido sus doctrinas.”

cuando Tennemann incurre en este defecto, su obra es casi inservible. Su tergiversación de Aristóteles, por ejemplo, es tan grande, que Tennemann casi le hace decir lo contrario de lo que en realidad pensaba este filósofo, de tal modo que si queremos formarnos un concepto más o menos certero de la filosofía aristotélica no tenemos más que pensar lo contrario de lo que este autor dice de ella; [HAHAHAHA!] no obstante, Tennemann es tan sincero, tan honrado, que coloca los pasajes de Aristóteles al pie de su texto, lo que hace que, no pocas veces, se contradigan el original y la traducción. Tennemann opina que es esencial que el historiador de la filosofía no tenga una filosofía propia y se jacta, por lo que a él se refiere, de ello; pero en el fondo también él tiene su sistema, que es el de la filosofía crítica. Este historiador de la filosofía alaba a los filósofos, su estudio, su genio, pero termina, en realidad, censurando a todos los que incurren en la falta de no ser todavía filósofos kantianos, de no haber investigado aún la fuente del conocimiento; lo cual da, sobre poco más o menos, el resultado de que la verdad no es cognoscible.”

Herodoto y Tucídides, como hombres libres, dejan que el mundo objetivo marche libremente, sin añadir nada de su cosecha ni avocar ante su tribunal, para enjuiciarlos, los actos de los hombres. Y, sin embargo, también en la historia política se desliza muy pronto un fin por parte del historiador. Para Tito Livio, lo fundamental es la dominación romana, su expansión, el desarrollo de la constitución, etc.; en su Historia, vemos a Roma crecer, defenderse y ejercer su imperio.”

LA FILOSOFÍA ORIENTAL

Así como entre los griegos se habla de Urano, de Cronos—es decir, del Tiempo, pero ya individualizado—, entre los persas existe una deidad llamada Zervana Acarena, pero es el Tiempo ilimitado.” “De aquí que, en los orientales, no encontremos más que un entendimiento seco, una simple enumeración de determinaciones, una lógica al modo de la vieja lógica wolffiana.”

La gran cultura de estos pueblos se refiere a la religión, a la ciencia, a la administración pública, a la constitución del Estado, a la poesía, a la técnica de las artes, al comercio, etc. Pero, cuando comparamos las instituciones jurídicas y la organización del Estado en China con la de cualquier país europeo, vemos que esta comparación sólo puede referirse al aspecto formal, pues el contenido es muy dispar.”

Otro tanto acontece cuando se compara la poesía india con la europea; no cabe duda de que, considerada como un simple juego de la fantasía, la poesía india es extraordinariamente brillante, rica y desarrollada, como la que más; pero en la poesía importa, también, el contenido y es necesario tomarlo en serio. Pues bien, ni siquiera tomamos en serio los poemas de Homero, por eso no podría surgir en nuestros países una poesía de este tipo.”

Lo primero que hay que registrar, entre los chinos, es la doctrina de Con-fut-see [Confucio], que vivió unos 500 años antes de Cristo, doctrina que causó gran sensación en la época de Leibniz y que es, en rigor, una ética. Confucio comentó, además, las antiguas obras maestras tradicionales de los chinos, principalmente las de carácter histórico. Fue, sin embargo, su desarrollo de la doctrina moral lo que le valió su mayor fama, y es la más respetada autoridad de los chinos.” “el De officiis de Cicerón, manual de pláticas morales, contiene más cosas, y mejores, que todos los libros de Confucio.”

Una segunda circunstancia que conviene tener presente es que los chinos se ocuparon también de pensamientos abstractos, de categorías puras. Servíales de base para ello el antiguo libro llamado Yi-King [I-Ching] o Libro de los Principios; esta obra contiene la sabiduría de los chinos y su origen se atribuye a Fohi.” “Lo fundamental es que se le atribuye la invención de una tabla con ciertos signos o figuras (Ho-tu), que el autor decía haber visto sobre el lomo de un dragón, al emerger éste del río.”

Las 2 figuras fundamentales están representadas por una raya horizontal (yang) y por una línea quebrada en dos, que suman la longitud de la primera (yin): la primera simboliza lo perfecto, el padre, lo masculino, la unidad, como en los pitagóricos, la afirmación; la segunda, lo imperfecto, la madre, lo femenino, la dualidad, la negación. Estos signos son objeto de una gran veneración, como principios de las cosas.”

En una fase ulterior, se combinan estas rayas en grupos de 3, y surge así una serie de 8 figuras, a que se da el nombre de kua” “Indicaremos el significado simbólico de estos 8 kua, para que se vea cuán superficial es. El primer signo, que agrupa al gran yang y el yang, es el cielo (tien), el éter, que penetra y lo envuelve todo. El cielo es, para los chinos, lo más alto de todo, lo supremo; entre los misioneros, se discute interminablemente si se debe dar el nombre de tien, o no, al Dios cristiano. El segundo signo es el agua pura (tui), el tercero el fuego puro (li), el cuarto el trueno (tschin), el quinto el viento (siun), el sexto el agua corriente (kan), el séptimo la montaña (ken) y el octavo la tierra (kuen).”

En el Chu-king nos encontramos también con un capítulo sobre la sabiduría china en el que aparecen los 5 elementos de los que sale todo: el fuego, el agua, la madera, el metal y la tierra, revueltos en abigarrada mescolanza y que, precisamente por ello, no podemos considerar tampoco como verdaderos principios.”

Existe, además, una secta especial, taoísmo, cuyos adeptos no son mandarines ni pertenecen a la religión del Estado, ni tampoco budistas, según la religión del Lama. El fundador de esta filosofía y del sistema de vida íntimamente relacionado con ella fué Lao-Tsé (que nació a fines del siglo VII a.C.)”

Del propio Lao-Tsé decían sus adeptos que era Buda en persona, es decir, el mismo Dios que seguía viviendo en figura de hombre. Todavía poseemos su obra principal, que ha sido traducida en Viena, donde yo he tenido ocasión de leerla. He aquí uno de sus principales pasajes, citado con frecuencia: ‘Sin nombre, Tao es el principio del cielo y de la tierra; con nombre, es la madre del universo. El hombre con pasiones sólo la ve en su estado imperfecto; quien quiera conocerla, tiene que curarse de todas las pasiones.’

La lectura de este pasaje trae al recuerdo, naturalmente, a Jahweh y el nombre real africano Juba, y también el de Jovis. Este J-hi-wei o J-H-W significa también, al parecer, algo así como el abismo absoluto o la nada: lo supremo, el origen de todas las cosas es, para los chinos, la nada, el vacío, lo totalmente indeterminado, lo general abstracto, a que se da también el nombre de Tao o la razón.”

Así como antes se sentía cierta complacencia en atribuir una gran antigüedad a la sabiduría india y en tributarle una gran veneración, el conocimiento de las grandes obras astronómicas de los indios ha revelado ahora cuán poco rigor hay en las grandes cifras que en ellas se manejan. No cabe imaginar nada más confuso, nada más imperfecto que la cronología de los indios; ningún pueblo cultivado en la astronomía, en la matemática, etc., ha dado muestras de tanta incapacidad para la historia: los antiguos indios no son capaces de encontrar, en ella, el menor punto de apoyo, la menor conexión.” “Los hindúes manejan, en su cronología, series de reyes y cantidades inmensas de nombres; pero todo es muy vago.”

Sabemos que la antiquísima fama de este país había penetrado profundamente hasta los griegos; y sabemos también que éstos conocían a los gimnosofistas, hombres entregados como nadie a la devoción, consagrados a una vida contemplativa, abstraídos de la vida exterior y que, viviendo y peregrinando en hordas, renunciaban, como los cínicos, a todas las necesidades materiales.”

del mismo modo que sus libros religiosos, los Vedas, sirven también de fundamento general para su filosofía.” “Estos libros sagrados están formados por partes procedentes de las más diversas épocas; muchas de ellas datan de tiempos remotísimos; otras, en cambio, proceden de una época posterior, como ocurre, por ejemplo, con la que se refiere al rito de Vishnú. Los Vedas sirven, incluso, de base a la filosofía atea de los hindúes; también los ateos tienen sus dioses y toman muy en cuenta las doctrinas de los Vedas.”

Às premissas, mas sem pressa.

La mitología presenta el aspecto especial de la encarnación, de la individualización, de la que podría pensarse que era contraria a lo general y a la modalidad de la idea propia de la filosofía; sin embargo, esta encarnación no es tomada al pie de la letra, casi todo se considera como tal y lo que parece determinarse como individualidad desaparece en seguida entre el humo de lo general.”

Hace poco tiempo que hemos llegado a adquirir un conocimiento preciso de la filosofía india; antes, entendíamos por tal, en conjunto, las representaciones de carácter religioso, pero en estos últimos tiempos se han descubierto obras verdaderamente filosóficas. Colebrooke, [mesma fonte de Schopenhauer] sobre todo, nos ha dado a conocer los extractos de 2 obras filosóficas hindúes, que es, en realidad, lo primero que sabemos acerca de esta filosofía.” “Schlegel fue uno de los primeros alemanes que se ocuparon de la filosofía hindú; sin embargo, sus esfuerzos no fueron muy fructíferos, en este sentido, pues sus lecturas sobre la materia apenas si pasaron del índice del Ramayana.”

La parte esencialmente ortodoxa no tiene otra finalidad que la de facilitar la explicación de los Vedas o deducir del texto de estos libros fundamentales una psicología más sutil. Este sistema recibe el nombre de Mimansa, y se citan 2 escuelas adscritas a él. Difieren de él otros sistemas, 2 de los cuales, los principales, se llaman Samk’hya y Nyaya: el primero de éstos se divide, a su vez, en 2 partes, las cuales, sin embargo, sólo difieren entre sí en cuanto a la forma; el Nyaya es especialmente complicado, desarrolla principalmente las reglas del razonamiento y podría compararse a la Lógica de Aristóteles. Colebrooke nos ofrece extractos de estos 2 sistemas, y nos dice que existen muchas obras antiguas acerca de ellos y que abundan los versus memoriales en torno a estos 2 sistemas filosóficos.”

Los Vedas dicen: ‘Lo que ha de conocerse es el alma, la cual debe separarse de la naturaleza, para que no retorne’; es decir, hay que librarla de la metempsicosis y, por tanto, de la corporeidad, con lo cual no volverá a albergarse en otro cuerpo, después de la muerte.” “Indra, por ejemplo, el dios del cielo visible, se halla, según ellos, en un plano mucho más bajo que el alma cuando ha alcanzado este estado de vida contemplativa; muchos miles de Indras, se nos dice, han perecido, mientras que el alma se halla sustraída a todo cambio.”

El sistema Samk’hya se divide en 3 partes: el modo del conocer, el objeto del conocimiento y la forma determinada del conocimiento de los principios.”

Hay, en esta idea, algo de nuestro ideal, de nuestro ser en sí: del mismo modo que la flor se contiene ya en la simiente de un modo ideal, pero no de un modo activo y real; la expresión empleada para expresar esto es la de lingam, la fuerza procreadora, la capacidad de acción de lo natural, que los hindúes tienen siempre en alta estima.”

Los primeros 8 órdenes ostentan nombres que aparecen en la mitología india: Brahma, Prajapatis, Indra, etc.; son tanto dioses como semidioses, y el propio Brahma se representa aquí como una criatura. Los 5 órdenes inferiores son los animales: los cuadrúpedos forman 2 clases, las aves la 3ª, los reptiles, los peces y los insectos la 4ª; y la 5ª las plantas y la naturaleza inorgánica.”

Se mencionan 62 determinaciones entorpecedoras: 8 clases de error; otras tantas de opiniones o engaños; 10 clases de pasiones, que representan el punto extremo del engaño; 18 de odio o tenebrosidad, y otras tantas de pena. En este punto, se nos revela un método seguido más bien por vías empírico-psicológicas.” 8 + 8 + 10 + 18 + 18 = 62

DE NOVO A TARA PELO TRÊS: “Es curioso que entre dentro de la conciencia observadora de los hindúes el que lo verdadero, que es en y para sí, contiene tres determinaciones y que el concepto de la idea encierra, para ser completo, 3 momentos. Esta alta conciencia de la trinidad, con que nos encontramos también en Platón y en otros pensadores, se pierde luego en la región de la contemplación pensante y se conserva solamente en la religión, pero como un más allá; el entendimiento va a sus alcances y lo considera como un absurdo, hasta que viene Kant y allana el camino hacia su conocimiento.” “En las concepciones religiosas de los Vedas, en que estas cualidades reciben también el nombre de trimurti, se habla de ellas como de modificaciones sucesivas: ‘primeramente, todo era tinieblas, hasta que recibió la orden de transformarse, revistiendo así la modalidad del impulso, de la acción (foulness), y por último reviste, por orden de Brahma, la forma de la bondad.’

La Yoga-sastra cita, en uno de sus 4 capítulos, multitud de prácticas por medio de las cuales es posible adquirir tal poder: por ejemplo, profundas meditaciones, acompañadas de la retención del aliento y la paralización de los sentidos, a la par que se conserva inalterablemente una postura prescrita. El adepto logra, por medio de estas prácticas, el conocimiento de todo lo pasado y de todo lo futuro; adquiere el poder de descubrir los pensamientos de los otros; se siente dotado de la fuerza del elefante, de la bravura del león, de la rapidez del viento; puede volar en el aire, nadar en el agua, sumergirse en la tierra; es capaz de abarcar con la mirada, en un instante, todos los mundos y de realizar muchas otras hazañas portentosas. Pero el modo más rápido de alcanzar la beatitud por medio de la profunda contemplación consiste en aquella forma de devoción de musitar continuamente el nombre místico de Dios, Om.” Colebrooke

Mientras que en el sistema teísta se admite la existencia de Iswara, el supremo gobernante del universo, como un alma o un espíritu distinto de las demás almas, en el Samk’hya ateo Kapila niega la existencia de este Iswara, creador del mundo, y la niega con voluntad consciente (by volition), alegando que no hay ninguna prueba de la existencia de Dios; que la percepción no la revela, ni es posible llegar tampoco a esa conclusión por el razonamiento.”

los efectos son, según ellos, más bien eductos que productos”

Una consecuencia obligada de ella es la de la eternidad del mundo, pues la tesis de que de la nada no sale nada, recordada también, a este propósito, por Colebrooke, contradice a la creación del mundo partiendo de la nada, según nuestra concepción religiosa.”

La naturaleza, aunque inanimada, cumple la misión de preparar al alma para liberarse, del mismo modo que la función de la leche—sustancia carente de sensaciones— tiene por función alimentar al ternerillo.”

Por tanto, el alma, según la concepción de los hindúes, ya no tiene nada que ver con el cuerpo, y su relación con él es, por consiguiente, superflua.”

La filosofía de Gautama y Kanada forman una unidad. La filosofía de Gautama se llama Nyaya (razonante), la de Kanada Vaiseshika (particular). La primera es una especie de dialéctica, peculiarmente desarrollada; la segunda, en cambio, se ocupa de la física, es decir, de los objetos particulares o sensibles.”

Ningún campo de la ciencia o la literatura ha atraído tanto la atención de los hindúes como el Nyaya, y fruto de estos estudios es la innumerable cantidad de obras en torno a estos problemas, entre las que figuran trabajos de muy famosos eruditos.” “el lenguaje se considera como algo que le ha sido revelado al hombre.” “Gautama aduce aquí 16 puntos, entre los que se destacan como los principales la prueba, la evidencia [lo formal] y aquello que se trata de demostrar; los demás puntos son simplemente subsidiarios y accesorios, como elementos que contribuyen al conocimiento y la certeza de la verdad. El Nyaya coincide con las demás escuelas psicológicas en que promete la dicha, la excelencia final y la liberación de todo mal como recompensa por el conocimiento perfecto de los principios profesados por ella, es decir, como recompensa de la verdad, entendiendo por tal la convicción acerca de la eterna existencia del alma, como algo separable del cuerpo.”

El primer punto fundamental, o sea la evidencia de la prueba, presenta 4 modalidades: la primera es la percepción; la segunda la deducción (inference), la cual puede ser de 3 modos: del efecto a la causa, de la causa al efecto o por analogía; el tercer tipo de evidencia es la comparación; el cuarto la seguridad, que abarca tanto la tradición como la revelación. Estos diversos tipos de prueba aparecen muy desarrollados, tanto en el antiguo tratado que se le atribuye a Gautama como por innumerables comentadores.”

La pupila no es, dicen estos pensadores, el órgano de la visión, ni el oído el órgano de la audición, sino que el órgano de la vista es el rayo luminoso que parte del ojo y se proyecta sobre el objeto, y el órgano del oído el éter, que en la caja auditiva se comunica con el objeto escuchado por medio del éter intermedio. Aquel rayo luminoso es, por lo general, invisible, exactamente lo mismo que una luz es invisible bajo el sol de mediodía y, en cambio, se deja ver en otras circunstancias. El órgano del gusto es algo acuoso, como la saliva, y así sucesivamente.

Algo parecido a lo que aquí se dice de la visión es lo que dice Platón en el T¡meo; y en el estudio de Schultz que figura en la Morfología de Goethe encontramos interesantes observaciones acerca del fósforo en el ojo. [¿?] Ejemplos de hombres que han podido ver en medio de las sombras de la noche, lo que prueba que es su ojo el que ilumina el objeto, los tenemos a montones; claro está que, para que este fenómeno se dé, tienen que concurrir circunstancias especiales.” HAHAHAHA

Los elementos fundamentales de las sustancias materiales son concebidos por Kanada como átomos originarios, que se combinan luego para formar cuerpos complejos; este autor afirma la eternidad de los átomos, a propósito de lo cual aduce muchas cosas acerca de la combinación de los átomos, entre las cuales aparece también el polvillo del sol.”

La tercera categoría es la de la acción; la cuarta, la de la comunidad; la quinta, la de la diferencia; la sexta, la de la agregación (aggregation), la última que señala Kanada, pues otros autores añaden, además, como séptima cualidad, la de la negación.”

El desarrollo del razonamiento es igual al de nuestros silogismos; pero de tal modo que lo que se trata de demostrar figura a la cabeza.”

SOU HINDU: “La sustancialidad intelectual es lo contrario de la reflexión, del entendimiento, de la individualidad subjetiva de los europeos. Para nosotros, es importante el que yo quiera, sepa, crea, opine algo, basándome para ello en las razones que yo tenga para ello, con arreglo a mi propia y personal voluntad; a esto le concedemos nosotros un inmenso valor. La sustancialidad intelectual es el extremo opuesto a esto, en el que desaparece toda la subjetividad del yo: para ésta, todo lo objetivo se ha convertido en algo vano, no existe para ella verdad objetiva, deberes ni derechos objetivos; por donde la vanidad subjetiva es lo único que queda en pie.”

PRIMERA PARTE:(*)

LA FILOSOFÍA GRIEGA

(*) A organização desse livro é bizarra: estamos quase na metade do tomo (exatamente 42% do PDF) e agora é que escapamos da Introdução. Ou, na verdade, a Filosofia Oriental era o 1º capítulo, pós-introdução; mas seu caráter absolutamente subsidiário para Hegel relega os sistemas chinês-hindu a ser “menos que um capítulo”, uma espécie de pré-História ou aquecimento filosófico. O irônico é que o tamanho da exposição garante que ele “perca” uma aula de seu precioso curso fornecendo detalhes do que ele julga ser apenas abstração ou intelecção inócuas, posto que não tomam por objetivo o pensamento!

INTRODUCCIÓN A LA FILOSOFÍA GRIEGA(*)

(*) E lá vamos nós a outra introdução maciça!

El nombre de Grecia tiene para el europeo culto, sobre todo para el alemán, una resonancia familiar. Los europeos han recibido su religión, las concepciones del más allá, de lo remoto, no de Grecia, sino de más lejos, del Oriente y, concretamente, de Siria. Pero las concepciones del más acá, de lo presente, la ciencia y el arte, lo que satisface, dignifica y adorna nuestra vida espiritual, tuvo como punto de partida a Grecia, bien directamente, bien indirectamente, a través de los romanos.”

La densidad germánica necesitó pasar, para disciplinarse, por la dura escuela de la Iglesia y el derecho romanos; sólo de este modo se ablandó el carácter europeo y se capacitó para la libertad.”

Dejemos a la Iglesia y a la jurisprudencia su latín y su romanismo. Nuestra ciencia superior, libre y filosófica, como nuestro arte libre y bello, y el gusto y el amor por una y por otro, sabemos que tienen sus raíces en la vida griega y que derivan de ella su espíritu. Y si nos fuese lícito sentir alguna nostalgia, sería la de haber vivido en aquella tierra y en aquel tiempo.”

La trayectoria y el despliegue del pensamiento se manifiestan en los griegos partiendo de sus elementos protoriginarios; y, para comprender su filosofía, podemos permanecer dentro de ellos mismos, sin necesidad de buscar ninguna otra clase de motivos externos.”

Los griegos parten de una premisa histórica, por la misma razón por la que han brotado de sí mismos; y esta premisa histórica, concebida a través del pensamiento, es la de la sustancialidad oriental de la unidad natural del espíritu y la naturaleza.”

Los griegos ocupan el bello punto intermedio entre ambas posiciones extremas, que es el centro de la belleza por ser, al mismo tiempo, algo natural y algo espiritual, pero de tal modo que la espiritualidad es y sigue siendo, en él, el sujeto dominante, determinante.”

La riqueza del mundo griego consiste solamente en una muchedumbre infinita de detalles bellos, agradables y graciosos, en esta alegría de todo lo que sea existencia; lo más grande, entre los griegos, son las individualidades, estos virtuosos del arte, de la poesía, de la canción, de la ciencia, de la honestidad, de la virtud.”

“‘De tus pasiones has sacado, ¡oh hombre! la materia para tus dioses’, dice un antiguo; los orientales, en cambio, principalmente los indios, los sacaron de los elementos naturales, de las fuerzas y las formas de la naturaleza”

Por lo que se refiere al estado histórico externo de Grecia en esta época, diremos que los comienzos de la filosofía griega caen en el siglo VI antes del nacimiento de Cristo, en tiempo de Ciro, en la época del ocaso de los estados jónicos libres del Asia Menor. En el momento en que desaparece este hermoso mundo, que había logrado conquistar por sí mismo un elevado nivel de cultura, surge la filosofía. Creso y los lidios fueron los primeros que pusieron en peligro la libertad de los jonios; pero fue, más tarde, la dominación persa la que la destruyó totalmente, obligando a la mayoría de los habitantes a abandonar aquellas tierras y a fundar colonias, sobre todo en la parte occidental.

Y, al mismo tiempo que se hundían las ciudades jónicas, la otra Grecia dejaba de ser gobernada por las dinastías de los antiguos príncipes; habían desaparecido los Pelópidas y los otros linajes regios, extranjeros en su mayoría. Grecia había establecido, en parte, múltiples contactos con el exterior y, en parte, esforzábase por encontrar un vínculo social dentro de sí misma; la vida patriarcal había pasado a la historia, y en muchos estados sentíase la necesidad de constituirse libremente, con arreglo a normas e instituciones legales.” Aqui é-se forçado a perguntar: que conceito de patriarcado era esse dos alemães, para julgar que justamente quando o homem se distancia mais e mais do matriarcado e sedimenta o patriarcado ele estaria fugindo do que era patriarcal?!

Vemos aparecer muchos individuos que no gobiernan ya a sus conciudadanos por virtud de su linaje, de su nacimiento, sino que son honrados y enaltecidos por los méritos de su talento, de su imaginación, de su ciencia. Estos individuos ocupan diferentes puestos de superioridad con respecto a sus conciudadanos. Unas veces, son consejeros, aunque sus buenos consejos no siempre sean seguidos por los demás; otras veces, se ven odiados y despreciados por sus conciudadanos y obligados a retirarse de la actuación pública; otras veces, se erigen en violentos, aunque no crueles, dominadores de sus conciudadanos, y otras, finalmente, en legisladores de la libertad. § A esta categoría de hombres que acabamos de caracterizar pertenecen los llamados siete sabios, a quienes en estos últimos tiempos se tiende a excluir de la historia de la filosofía.”

Los nombres de los siete sabios varían, según los casos; generalmente, se indican los de Tales, Solón, Periandro, Cleóbulo, Quilón, Bías y Pitaco. Hermipo, en Diógenes Laercio (I, 42) señala 17, entre los cuales seleccionan otros autores 7, de diversos modos, según sus preferencias. Según el propio Diógenes Laercio (I, 42), ya un autor antiguo, Dicearco, mencionaba solamente 4 a quienes los antiguos incluían unánimemente entre los 7: Tales, Bías, Pitaco y Solón. Otros nombres que también aparecen, de vez en cuando, son los de Misón, Anacarsis, Acusilao, Epiménides, Ferécides, etc.”

eran hombres prácticos, peto no en el sentido en que esta palabra suele interpretarse entre nosotros, que tendemos a considerar la actividad práctica como una rama especial de la administración del Estado, de la industria, de la economía, etc.” “No eran estadistas al modo de las grandes personalidades griegas de que nos habla la historia, un Milcíades, un Temístocles, un Pericles, un Demóstenes, sino estadistas de una época en que se trataba de la salvación y el establecimiento, de la ordenación y la organización y hasta diríamos que de la instauración de la vida del Estado, o, por lo menos, de la instauración de situaciones regidas por la ley.”

la fama de Solón, en este respecto, sólo es compartida por la de un Moisés, un Licurgo, un Zaleuco, un Numa, etc. En los pueblos germánicos no encontramos ninguna figura que llegara a disfrutar de esta fama, como legislador de su pueblo. Y, en nuestros días, ya no puede haber legisladores; las instituciones legales y las condiciones jurídicas de vida han sido establecidas ya de antiguo, y lo poco que los legisladores y las asambleas legislativas pueden hacer es, si acaso, ampliar algún que otro detalle o promulgar normas complementarias muy poco importantes.”

Y, sin embargo, tampoco Solón ni Licurgo hicieron otra cosa que reducir a la forma de la conciencia, uno el espíritu jónico y otro el carácter dórico que tenían ante sí y que no era sino algo existente en sí, contrarrestando por medio de leyes reales los desastrosos males de la desintegración. Solón no fue, ni mucho menos, un estadista perfecto, como lo demuestra el curso mismo de su historia: una constitución como la que permitió a Pisístrato erigirse en tirano en vida del propio Solón, lo que quiere decir que era, de suyo, tan poco vigorosa y tan poco orgánica que no tenía fuerzas para oponerse a su propio derrocamiento (¿con qué poderes?), adolecía, evidentemente, de un defecto intrínseco.”

Nada ilustra mejor la conducta de los llamados tiranos que las relaciones entre Solón y Pisístrato.” “La ley, como norma general, se le antojaba al individuo, y se le sigue antojando hoy, como una violencia, sobre todo cuando no ve la ley o no la comprende; se le antojaba así al pueblo todo, primero, y luego solamente al individuo; y fue, como sigue siendo hoy, necesario empezar haciendo violencia al individuo hasta que llega a comprender, hasta que ve en la ley su propia ley y deja de ver en ella algo extraño e impuesto desde fuera. § La mayoría de los legisladores y organizadores de los Estados asumieron la obra de hacer a los pueblos, por sí mismos, esta violencia, convirtiéndose en tiranos. Y cuando no lo eran ellos mismos, tenían que encargarse de hacerlo otros individuos, realizando esa obra dentro de sus Estados, por tratarse de algo necesario, inevitable. Según las noticias de Diógenes Laercio (I, 48-50), vemos a Solón, a quien sus amigos aconsejaban que se adueñase del poder, ya que el pueblo se agrupaba en torno a él y habría visto de buen grado que se hiciese cargo de la tiranía, rechazar esta misión y evitar, además, que otro la asumiera, cuando Pisístrato empezó a serle sospechoso por ello. En efecto, cuando se dio cuenta de cuáles eran las intenciones de Pisístrato, se presentó en la asamblea del pueblo armado de escudo y lanza, lo que ya por aquel entonces era algo extraordinario (pues Tucídides, I, 6, indica que los griegos y los bárbaros se distinguían, entre otras cosas, en que los griegos, y sobre todo los atenienses, jamás tomaban las armas en tiempo de paz), y anunció al pueblo lo que Pisístrato se proponía.”

¡Hombres de Atenas! Soy más sabio que algunos y más valiente que otros. Soy más sabio que quienes no se dan cuenta del fraude de Pisístrato y más valiente que quienes, dándose cuenta de él, callan por miedo.

Al no lograr nada, abandonó Atenas.”

É sempre assim mesmo!


“Ni soy el único que entre los griegos se haya apoderado de la tiranía ni, al hacerlo, me he adueñado de algo que no me pertenezca, pues pertenezco al linaje de Codro. No he hecho, pues, más que rescatar para mí lo que los atenienses habían jurado conservar a Codro y a sus descendientes, arrebatándoselo después. Por lo demás, no cometo ninguna injusticia contra los dioses ni contra los hombres, sino que, ateniéndome a las leyes que tú, Solón, has dado a los atenienses, procuro que se mantengan dentro de las normas de una vida civil.” Pisístrato apud D. Laércio

Lo mismo hace, agrega, su hijo Hipias.”

Cada ateniense entrega el diezmo de sus ingresos, pero no para mí, sino para contribuir a las costas de los banquetes, rituales públicos, al sostenimiento de la comunidad y para el caso de una guerra. No te guardo rencor por haber descubierto mis designios, pues sé que lo hiciste movido más bien por amor al pueblo que por odio contra mí, y porque no sabías tampoco cómo había de regentar yo el gobierno; pues si lo hubieses sabido, te habrías avenido a ello y no habrías huido…”

Solón, en la respuesta que Diógenes (I, 66-67) recoge, dice que ‘no abriga ningún resentimiento personal contra Pisístrato, a quien tendría que llamar el mejor de los tiranos; pero que no cree que deba regresar (a Atenas)’.”

El gobierno de Pisístrato, sin embargo, acostumbró a los atenienses a las leyes de Solón y convirtió estas leyes en costumbres; de tal modo que este hábito, una vez impuesto, hizo superflua la tiranía y los hijos de Pisístrato fueron expulsados de la ciudad, y a partir de entonces la Constitución solónica rigió por su propia virtud, sin la ayuda de la fuerza.”

Y lo que aparece desdoblado en las figuras de Solón y Pisístrato lo vemos reunido, en Corinto, en la figura de Periandro y en Mitilene en la de Pitaco. § Lo anterior creemos que basta, por lo que se refiere a las vicisitudes externas de la vida de los Siete Sabios. Éstos son también famosos por la sabiduría de las sentencias que de ellos se han conservado, a pesar de que a nosotros nos parezcan, en parte, muy superficiales y trilladas. Ello se debe a que nuestra reflexión se halla ya familiarizada con las tesis generales, del mismo modo que en las sentencias de Salomón hay mucho que se nos antoja hoy superficial y hasta vulgar. Pero no debemos perder de vista lo que significa el haber exteriorizado por vez primera estas tesis generales bajo una forma general.”

Una de las más famosas sentencias de los Siete Sabios es la que se atribuye a Solón en su plática con Creso, que Herodoto (I, 30-33) relata, según su estilo propio, muy prolijamente y que puede resumirse así: ‘Que nadie puede considerarse feliz antes de su muerte.’Nem Deus escapa!

antes de la filosofía kantiana, la ética tenía como base, en efecto, el eudemonismo, la aspiración a la felicidad.” E depois de Kant não? Após ler a Crítica da Razão Prática é realmente o que você pensa??

El eudemonismo implica la felicidad como un estado para toda la vida y representa una totalidad de disfrute que es algo general y da una norma para los goces sueltos, que no se entrega al placer momentáneo, sino que sabe tener a raya los apetitos y no pierde nunca de vista la pauta general.” Você resumiu o correto entendimento do epicurismo!

Comparado con la filosofía india, el eudemonismo es, cabalmente, lo contrario a ésta. En ella, el destino del hombre es la liberación del alma de lo corporal, la abstracción perfecta, el alma como algo que vive exclusivamente para sí.” Cabe ainda o questionamento: no Ocidente pós-moderno, o que devemos buscar prioritariamente, sendo na prática impossível qualquer um dos dois de forma autêntica? A fuga ascética ou esse contentamento no sereno fenomênico?

En el estudio de la filosofía griega, debemos distinguir, concretamente, 3 períodos principales: el primero va de Tales de Mileto a Aristóteles; el segundo comprende la filosofía griega en el mundo romano; el tercero es el de la filosofía neoplatónica.” Na realidade, após Platão já podemos dizer que não há filosofia grega.

SECCIÓN PRIMERA:

PRIMER PERÍODO: DE TALES A ARISTÓTELES

Dentro de este primer período establecemos, a su vez, 3 subdivisiones” Chega de esqueminhas e divisões tripartites mal-feitas, irmão!

Platón gastó mucho dinero en procurarse las obras de los filósofos antiguos y, dado el estudio profundo que de ellos hizo, sus citas revisten gran importancia.”

Y aunque una sutileza que pretende ser erudita habla en contra de Aristóteles y pretende que éste no supo comprender certeramente a Platón, podemos objetar a esto que tal vez nadie le conociera mejor que él, ya que fue, personalmente, discípulo suyo y porque la profundidad de su espíritu concienzudo nos garantiza la fidelidad de su pensamiento.” Um filósofo que subestima Platão NÃO é um filósofo.

Sexto Empírico, un escéptico de la última época, tiene importancia como fuente, por sus escritos titulados Hypotyposis Pyrrhonicae y Adversus Mathematicos. Y como, en cuanto escéptico, combate en parte las filosofías dogmáticas y en parte cita a otras filosofías como testimonios en favor del escepticismo (por lo que la mayor parte de sus obras está llena de doctrinas de otros filósofos), tenemos en él la fuente más fecunda para la historia de la filosofía antigua, y a través de él han llegado a nosotros muchos valiosos fragmentos.” Isso é bem dúbio. Confiramos!

El libro de Diógenes Laercio (De vitis etc. Philosophorum, libri X, ed. Meibom, c. notis Menagii, Amsterdam, 1692) es una importante compilación; sin embargo, muchas veces cita a sus testigos sin mucha crítica. A este autor no es posible reconocerle espíritu filosófico; generalmente, se limita a manejar unas cuantas anécdotas malas y puramente externas; se le puede utilizar en lo referente a las vidas de los filósofos y, de vez en cuando, para sus filosofemas.”

Finalmente, debemos citar a Simplicio, griego de Cilicia que vivió bajo el reinado de Justiniano, a mediados del siglo VI, el más erudito y sutil de los comentadores griegos de Aristóteles, del que existen aún varias obras inéditas y al que debemos algunas cosas meritorias.”

Según Tucídides (I, 2 y 12), las colonias jonias del Asia Menor y de las islas del archipiélago procedían, en su mayor parte, de Atenas, pues los atenienses viéronse obligados a emigrar a aquellas tierras a causa de la superpoblación del Ática.” Para alguém que leva em conta só o Espírito, demonstra preocupação excessiva com o externo!

En el Asia Menor y también, en parte, en las islas del archipiélago, surgen las figuras de Tales, Anaximandro, Anaxímenes, Heráclito, Leucipo, Demócrito, Anaxágoras y Diógenes de Creta. En las tierras helenizadas de Italia aparecen las de Pitágoras, natural de Samos, pero que vivió en Italia, Jenófanes, Parménides, Zenón y Empédocles; y en Italia vivieron también algunos sofistas. Anaxágoras es el primer filósofo que se desplaza a Atenas.”

ESQUEMATISMO ABORRECEDOR: “Habremos de examinar de cerca y por separado los siguientes puntos: 1) los jonios: Tales, Anaximandro, Anaxímenes; 2) Pitágoras y los pitagóricos; 3) los eléatas: Jenófanes, Parménides, etc.; 4) Heráclito; 5) Empédocles, Leucipo y Demócrito; 6) Anaxágoras.”

De la filosofía jónica antigua sólo ha llegado a nosotros una media docena de pasajes; es éste, por tanto, un estudio fácil.” “cuanto menos se sabe de una cosa mayor erudición se puede desplegar acerca de ella.” Um tanto autocriticobiográfico, não, Hegel?!

OS PEDREIROS E O CIMENTO FRESCO: “La gente suele reírse de cosas por el estilo, y tiene la ventaja de que los filósofos no puedan pagarle en la misma moneda; pero no se dan cuenta de que los filósofos se ríen, a su vez, de quienes no pueden caer en una zanja por la sencilla razón de que están metidos siempre en ella, sin acertar a levantar los ojos para mirar hacia arriba.”

frente a los demás elementos, el agua presenta la determinabilidad de lo que carece de forma, de lo simple, mientras que la tierra es la continuidad, el aire el elemento de todo cambio y el fuego lo que cambia de suyo absolutamente. Así, pues, si la necesidad de la unidad nos obliga a reconocer un algo general en las cosas particulares, fácilmente se nos ofrece el agua, aunque tenga también el inconveniente de ser una cosa particular, como lo unitario, tanto por su neutralidad como porque tiene, al mismo tiempo, una materialidad más fuerte que el aire.” “La tesis de Tales es, pues, filosofía de la naturaleza, puesto que esta esencia general se determina como algo real y, por tanto, lo absoluto como unidad del pensamiento y del ser.”

Es necesario que lo que ha de ser un principio verdadero no presente una forma unilateral, particular, sino que la diferencia ha de tener, de suyo, un carácter general, mientras que aquellos principios no son otra cosa que formas especiales. El hecho de que lo absoluto sea algo que se determina a sí mismo es ya algo concreto; esto es la actividad y la alta conciencia de sí mismo del principio espiritual a través de la cual la forma se eleva a un plano que le permite ser la forma absoluta, la totalidad de la forma.”

Tiedemann (t. I, p. 38) cita, además, otras autoridades, y dice que fueron autores de una época posterior quienes atribuyeron a Tales esta distinción.”

La diferencia en lo tocante al concepto no tiene ningún significado físico, sino que las diferencias o el simple desdoblamiento de la forma en las 2 partes de su contraposición son precisamente las que deben considerarse como las diferencias generales del concepto. Por eso también no se debe atribuir un significado sensible a las materias, es decir, a las determinabilidades, como cuando se dice, más concretamente, que el agua diluida se convierte en aire, el aire diluido en éter ígneo y el agua condensada en limo, primero, y luego en tierra; y, por consiguiente, que el aire es la evaporación de la primera agua, el éter la evaporación del aire, la tierra y el limo la sedimentación del agua.”

Diógenes Laércio e Plutarco só servem para confundir as gerações futuras. São ilegíveis hoje!

De Anaximandro [O filósofo da Dinâmica] se cuenta que vivió en la isla de Samos, bajo el tirano Polícrates, a cuya protección se acogieron también Pitágoras y Anacreonte. Temistio (en Brucker, t. I, p. 478) refiere de él que fue el primero que recogió por escrito sus pensamientos filosóficos, pero esto mismo se cuenta de otros pensadores, por ejemplo de Ferécides, que era anterior a Anaximandro.” “se dice que compuso, además, una especie de carta geográfica, representando el perímetro de la tierra y el mar. Se le atribuyen, asimismo, otros inventos matemáticos, por ejemplo el de un reloj de sol construido por él en Lacedemonia, el de algunos instrumentos para medir el curso del sol y determinar el equinoccio y el de una esfera armilar.”

De lo uno, o sea de lo infinito, elimina Anaximandro los antagonismos que lleva dentro, lo mismo que Empédocles y Anaxágoras: por donde, aunque en esta mezcla todo se halle completo, todo es, al mismo tiempo, indeterminado”

Ese algo es infinito en cuanto a la magnitud, pero no en cuanto al número; y en esto, Anaximandro se distingue de Anaxágoras, de Empédocles y de los otros atomistas, quienes postulan la discreción absoluta de lo infinito, mientras que Anaximandro estatuye su absoluta continuidad. (Simplicio)”

Ahora bien, el progreso en cuanto a la determinación del principio como la totalidad infinita estriba en que, aquí, la esencia absoluta no es algo simple, sino una generalidad que equivale a la negación de lo finito. Al mismo tiempo, desde el punto de vista material, Anaximandro supera la concreción del elemento agua: su principio objetivo no presenta ningún carácter material y se lo puede considerar como un pensamiento; por lo demás, se comprende claramente que Anaximandro no pudo tener presente otra cosa que la materia misma, la materia en general. (Estobeo)” “la materia, determinada como algo infinito, consiste en el movimiento que establece las determinabilidades y en que desaparecen, a su vez, los desdoblamientos. En esto debe verse el verdadero ser infinito, y no en la ausencia negativa de límites. Pero esta generalidad y esta negatividad de lo finito es solamente nuestro movimiento”

Por lo que se refiere al criterio concreto de cómo lo infinito determina, en su desdoblamiento, lo antagónico, Anaximandro parece compartir con Tales la determinación de la diferencia cuantitativa de la condensación y la dilución. Los autores posteriores designan el proceso de eliminación del seno de lo infinito como una generación, y dicen que Anaximandro hace al hombre nacer de un pez, pasar del agua a la tierra (Plutarco). Este criterio de la generación se presenta también recientemente como una simple sucesión en el tiempo; es una forma con la que se cree, frecuentemente, decir cosas brillantes”

De lo infinito se separaron infinitas esferas celestes y mundos infinitos; pero estos mundos llevan su ruina dentro de sí, ya que sólo existen por medio de una continua eliminación.” Eusebio

Mientras que los antiguos colocaban a las estrellas en nuestra atmósfera y hacían que el sol brotase más bien de la tierra, nosotros, por el contrario, hacemos del sol la esencia y el lugar de nacimiento de la tierra y ponemos a las estrellas en una relación directa con nosotros, haciéndolas brillar para nosotros mismos, como los dioses de Epicuro. [¿?]”

Nos queda todavía por hablar de Anaxímenes, que apareció entre la 55ª y la 58ª Ol. (560-548 a.C.), natural también de Mileto y contemporáneo y amigo de Anaximandro.” Seria esse o começo do procedimento acadêmico <me cita que eu te cito>?

O JOGO DE PETECA DOS ANTIGOS: “Donde Anaximandro. colocaba la materia indeterminada, pone Anaxímenes, de nuevo, un elemento natural determinado, es decir, restablece lo absoluto en una forma real, que ahora, en vez del agua de Tales, es el aire.” “el aire tiene, al mismo tiempo, la ventaja de poseer una mayor ausencia de forma: tiene menos de cuerpo que el agua, pues no lo vemos, sino que nos damos cuenta solamente de sus movimientos.” Chegamos mais perto do vácuo e, com isso, do nada.

Anaxímenes señala muy bien la naturaleza de su esencia a la luz del alma, con lo que, en cierto modo, viene a poner de manifiesto el tránsito de la filosofía de la naturaleza a la filosofía de la conciencia o la aparición de la modalidad objetiva de la esencia primigenia.” “el alma es este medio general, una multitud de representaciones que desaparecen y se manifiestan sin que cesen esta unidad y esta continuidad; es tanto activa como pasiva, hace que las representaciones se dispersen de su unidad y se levanten y se hagan presentes en su infinitud, de tal manera que el significado negativo y positivo coinciden. Esta naturaleza de la esencia primigenia es proclamada más precisamente y no sólo a modo de un símil por Anaxágoras, discípulo de Anaxímenes.

Asimismo aparecen citados entre los filósofos jonios un Diógenes de Apolonia,¹ un Hípaso y un Arquelao; pero lo único que de ellos conocemos son sus nombres y su adscripción a tal o cual principio.”

¹ Primeira citação deste que é, dentre os 4 filósofos/historiadores chamadas Diógenes e que se conhecem, do mundo antigo, o mais obscuro de todos. Do quarteto, o cínico é o mais célebre (ele é citado mais abaixo).

Pero ninguno—dice Aristóteles (Metafísica, I, 8)—señala como principio la tierra, por considerarla como el más complejo de los elementos.”

Es cierto que la materia misma es inmaterial, como esta reflexión en la conciencia; pero aquéllos no saben que lo que ellos proclaman es una esencia de la conciencia.”

Esta crítica sigue siendo valedera todavía hoy, cuando lo absoluto se concibe como una sustancia rígida. Aristóteles dice que a base de la materia como tal, a base del agua como algo que no se mueve a sí mismo, no es posible llegar a comprender el cambio como tal; y reprocha, concretamente, a los filósofos antiguos el no haber investigado el principio del movimiento, que es el que inmediatamente hay que indagar. Se echa totalmente de menos, en esta concepción, el fin remoto y, en general, el criterio de la actividad”

Hesíodo dice que la tierra fue el primer elemento corpóreo, lo que indica cuán antigua y verdaderamente popular es esta concepción.” Arist.

ADENTRA EM CENA O PERSONAGEM MAIS CRÍPTICO E MISTERIOSO: “Los neopitagóricos de tiempos posteriores escribieron muchas y extensas biografías de Pitágoras, extendiéndose con gran prolijidad en lo tocante a la Liga pitagórica; pero hay que proceder con gran prudencia, no dando crédito como históricas a estas noticias, muchas veces desfiguradas. La vida de Pitágoras se presenta ante nosotros, en la historia, a través de las representaciones de los primeros siglos posteriores al nacimiento de Cristo, más o menos en el mismo estilo en que es relatada la vida del propio Jesucristo, sobre el terreno de la realidad vulgar y no en una atmósfera poética, como una mezcla de muchas fábulas maravillosas y llenas de aventuras, como una trama híbrida de representaciones orientales y occidentales.” “Su figura aparece ante nosotros adornada con todas las cualidades de la magia, como una mezcla de dotes naturales y sobrenaturales, como un revoltijo misterioso de turbias y confusas representaciones imaginativas y de sueños absurdos propios de cerebros trastornados.

Y tan tergiversada como la historia de su vida llega a nosotros su filosofía, con la que aparecen mezcladas y revueltas todas las turbias cavilaciones del confusionismo y el alegorismo cristianos. La incorporación de Platón al mundo cristiano presenta, en cambio, un carácter muy nítido y totalmente distinto.”

Así considerada, la filosofía pitagórica, vista a través de las noticias que de ella recibimos, puede ser reputada, asimismo, como un engendro oscuro e inseguro de cerebros turbios y vacuos. Pero, afortunadamente, [será?] conocemos el lado teórico-especulativo de ella, y lo conocemos a través de las obras de Aristóteles y Sexto Empírico, quienes se ocuparon mucho de esta filosofía. Y aunque los pitagóricos de una época posterior insulten a Aristóteles por la exposición que hace del pitagorismo, no cabe duda de que aquel gran pensador está muy por encima de este griterío”

Pero, en primer lugar, no ha llegado a nosotros ninguna obra de Pitágoras y, en segundo lugar, es dudoso que llegara realmente a escribir algunaÀs vezes era só uma pegadinha de estudantes, e deram o nome de Pitágoras a um burro que era o mascote oficial da seita!

Diógenes Laercio (VIII, 1-3, 45) nos dice que floreció alrededor de la 60ª Olimpíada (540 a.C.): su nacimiento se sitúa, generalmente, en la 49ª o 50ª Olimpíada (584 a.C.), aunque Larcher, en Tennemann (t. I, pp. 413-414) lo coloca bastante antes, en la 43ª Olimpíada (43, 1, es decir, en el año 608 a.C.)”

Este Zalmoxis [pai de Pitágoras, o primeiro troll] se hizo construir, al parecer, una morada subterránea, en la que se sustrajo a las miradas de sus súbditos, reapareciendo al cabo de 4 años, (Porfirio) con lo cual hizo que los getas creyeran en la inmortalidad.”

Los relatos de otros viajes al interior del Asia, a las tierras de los magos persas y de los indios, parecen tener un carácter completamente fabuloso, aunque los viajes eran considerados en aquel entonces, igual que ahora, como un medio de procurarse cultura. Y como Pitágoras viajaba con propósitos científicos, se cuenta de él que se hizo iniciar en casi todos los misterios de los griegos y los bárbaros y que fue recibido, asimismo, en la orden o la casta de los sacerdotes egipcios.” HAHAHAHAHA – O PAN-POLITEÍSTA

COM O PERDÃO DO TROCADILHO ÀS AVESSAS, MAS O ITALIANO É MUITO CRENTE! “En efecto, los milagros que cuentan de Pitágoras se asemejan mucho, en parte al menos, a los del Nuevo Testamento, con la notoria intención de mejorarlos; y hay que reconocer que, muchos de ellos, se acreditan por su mal gusto.”

Aseguran que Pitágoras produjo una impresión tan poderosa y general sobre los espíritus de los itálicos, que todas las ciudades, siguiendo sus consejos, se prestaron a corregir sus costumbres licenciosas y corrompidas, y los tiranos depusieron voluntariamente su poder o fueron desalojados de él. Y estos biógrafos incurren en errores e inexactitudes históricos tan burdos como el de convertir a Carondas y Zaleuco en discípulos de Pitágoras, a pesar de haber vivido mucho tiempo antes que éste”

Me deparei com um parágrafo em que Hegel de repente solta, quase literalmente: seguir a última moda do vestuário (“as normas externas do igual e do geral”) é (o) racional, a propósito de uma certa fama dândi de Pitágoras!

Los miembros de la orden eran sometidos a una educación especial y se establecía entre ellos una división en la que se separaban los exotéricos de los esotéricos: los segundos estaban ya iniciados en los más altos principios de la ciencia y también en las actividades políticas, ya que los planes políticos no eran ajenos a la sociedad pitagórica; los primeros tenían que pasar por un noviciado que duraba 5 años.”

HEGEL ON EDUCATION: “En general, podemos afirmar que este deber de abstenerse de charlatanerías es condición esencial de toda formación espiritual y de todo aprendizaje; es necesario empezar por saber asimilarse los pensamientos de otros, renunciando de momento a tener ideas propias. Suele decirse que la inteligencia se desarrolla por medio de preguntas, objecciones y respuestas, etc.; en realidad, no se desarrolla así, sino que se exterioriza de este modo. [A ‘má-fé’ da postura do estudante atento em Sartre!] La interioridad del hombre se adquiere y desarrolla a través de la formación; por el hecho de que el hombre se atenga silenciosamente a sí mismo, no se empobrecen sus pensamientos ni se amortigua la vivacidad de su espíritu.”

Por lo demás, no existían, entonces, ciencias de ninguna clase, ni una filosofía, ni una matemática, ni una jurisprudencia, ni ciencia alguna, sino solamente tesis y conocimientos sueltos. Las enseñanzas de la época versaban solamente sobre cómo se debían manejar las armas, sobre tales o cuales filosofemas, sobre la música, sobre el modo de cantar los poemas de Homero o Hesíodo, los cantos en versos de tres pies, etc., o en torno a otras artes; enseñanza organizada de un modo muy distinto. § Por eso, cuando se dice que Pitágoras introdujo la enseñanza de las ciencias en un pueblo científicamente inculto, pero nada romo, sino, por el contrario, extraordinariamente despierto, naturalmente culto y muy comunicativo, como eran los griegos, habría que señalar las circunstancias externas de esta enseñanza”

Esto obligaba a Pitágoras a recurrir a una forma especial, pues era la primera vez que un maestro, en Grecia, aspiraba a una totalidad, a inculcar a sus discípulos un nuevo principio mediante la educación de la inteligencia, del ánimo y de la voluntad. Por eso, esta convivencia no abarcaba solamente el lado de la enseñanza y del adiestramiento en las capacidades y aptitudes exteriores, sino también el referente a la formación moral del hombre práctico. Ahora bien, todo lo que se refiere a lo moral, mejor dicho siempre y cuando que se conciba conscientemente en este sentido, parece algo formal o se convierte efectivamente en algo formal, pues lo formal es algo general que se enfrenta al individuo. Así le parece, especialmente, a quien compara lo general con lo particular y reflexiona conscientemente acerca de uno y otro; pero esta diferencia desaparece para quien vive dentro de ello, para aquel que hace de ello una costumbre.”

En primer lugar, se nos dice que vestían todos del mismo modo, túnicas blancas de lino, como Pitágoras. Sus actos se ajustaban a un determinado reglamento o plan de distribución del tiempo, en que cada hora tenía su trabajo marcado: por la mañana temprano, inmediatamente después de levantarse, debían evocar rápidamente lo que habían hecho el día anterior, ya que esto se halla estrechamente entrelazado a las tareas del nuevo día; esta reflexión acerca de sí mismos o este examen de conciencia era también tarea vespertina: al atardecer, los alumnos debían recapacitar acerca de lo hecho durante el día y reflexionar si habían obrado mal o bien.”

al parecer, los alimentos principales de los pitagóricos eran la miel y el pan y la bebida predilecta y casi única el agua; todo parece indicar que no probaban la carne, abstinencia esta que se pone en relación con la teoría de la transmigración de las almas; y entre los alimentos vegetales establecían también algunas distinciones, absteniéndose, por ejemplo, de comer judías. [vagem] El respeto que sentían por esta planta hacíales objeto de burlas, pero sabemos que, al ser destruida la Liga pitagórica, varios miembros de ella, perseguidos, prefirieron dejarse matar antes que pisotear un plantío de judías. (Porfirio; Jámblico; Diógenes Laercio)”

Dícese que Pitágoras suscitó las envidias de los poderosos y fue acusado de tener segundas intenciones; no podía admitirse que los miembros de su sociedad no perteneciesen por entero a la ciudad de que formaban parte, sino a otra especie de ciudad creada en el seno de ella.” Poxa, por que não tentou uma PPP (parceria público-privada)?

en Egipto y en Asia, el aislamiento y la influencia de la casta sacerdotal eran lo natural, pero un país como la libre Grecia se avenía mal con este régimen oriental de castas.”

Dentro de la vida colectiva del Estado griego no pueden surgir o mantenerse individuos o grupos aparte, que profesen principios especiales y, mucho menos, misterios propios, que se diferencien de los demás por su modo exterior de vivir o por su modo de vestir, pues el Estado helénico es una asociación abierta y común, que se cifra precisamente en la comunidad de los principios y del régimen de vida”

Pero lo fundamental, para nosotros, es la filosofía pitagórica, no tanto la del propio Pitágoras como la de los pitagóricos, tal como se expresan Aristóteles y Sexto; claro está que hay que distinguir entre ambas cosas, y el cotejo de lo que pasa por ser la doctrina pitagórica revela inmediatamente una serie de diferencias y discrepancias, con las que nos encontraremos en su momento.” Me parece mais difícil determinar um Pitágoras histórico do que um Sócrates histórico… Há casos em que menor número de fontes é salutar, na contra-mão do senso comum; ainda mais quando dentre os poucos indivíduos encarregados de perfilar Sócrates temos Platão e Xenofonte; ainda que tenham distorcido ou caricaturado alguns pontos, estão longe de ser fanáticos. Platão, ao menos, tem uma agenda própria, o que permite certo nível de isenção e distanciamento em relação ao outrora mestre.

La historia nos habla de muchos continuadores de Pitágoras, como Alcmeón y Filolao, que introdujeron nuevos criterios en la doctrina de su maestro; y en muchas otras exposiciones resaltan los rasgos de lo simple, lo no desenvuelto, comparadas con otras ulteriores y más desarrolladas, en las que el pensamiento se manifiesta ya de un modo más claro y poderoso. No es necesario, sin embargo, que entremos a analizar lo que hay de histórico en estas diferencias, sino que bastará con que examinemos la filosofía pitagórica en su conjunto. Asimismo, debemos prescindir de lo que procede, manifiestamente, de los neoplatónicos y los neopitagóricos; para ello, disponemos de fuentes anteriores a este período, sobre todo las detalladas exposiciones con que nos encontramos en Aristóteles y en Sexto.” O método é o mesmo de Littré em relação a Hipócrates.

A primera vista, tiene que parecernos, por fuerza, sorprendente la audacia de semejante afirmación, por la que se echa por tierra de golpe todo lo que viene considerándose como verdadero y esencial, anulándose de pronto la esencia sensible, para convertirla, sencillamente, en la esencia del pensamiento. La esencia es expresada, aquí, como algo ajeno a los sentidos, y se proclama como sustancia y ser verdadero algo completamente heterogéneo con respecto a lo sensible, a lo que suele considerarse como esencial. Pero por esta vía, precisamente, se establece la necesidad tanto de convertir en concepto el número mismo como de representar el movimiento de su unidad con el ente, ya que el número no se nos presenta como algo que forma una unidad inmediata con el concepto.”

Este sistema de enseñanza por medio de los números, por tratarse de la primera filosofía, acabó desapareciendo por los misterios que encierra; más tarde, Platón, Espeusipo, Aristóteles y otros arrebataron sus frutos a los pitagóricos por medio de aplicaciones más fáciles.” Moderato

Los números aritméticos corresponden a determinaciones del pensamiento, ya que el número tiene por elemento y principio la unidad, y ésta es una categoría del ser para sí, de lo que es, por tanto, idéntico consigo mismo y que, por ello, excluye de su seno a todo lo demás y es indiferente ante ello.”

el concepto en su más alta exterioridad, en la modalidad de lo cuantitativo, de la diferencia indiferente; la unidad abriga, en ese sentido, tanto el principio del pensamiento como el de la materialidad o la determinación de lo sensible.” “en el número 3, por ejemplo, hay siempre tres unidades, cada una de las cuales es independiente con respecto a las otras dos; y en esto reside lo defectuoso y lo misterioso.”

Ahora bien, ¿cómo dieron en la ocurrencia de considerar los números como la esencia primigenia o como los conceptos absolutos? Nos lo indica con cierta precisión lo que Aristóteles dice acerca de esto en su Metafísica (I, 5), si bien se expresa aquí de un modo resumido, remitiéndose a lo que acerca de esto dice en otro lugar (Metaf. I, 9; v. infra, p. 196): ‘Creían ver en los números una semejanza mayor con lo que es y lo que acaece que en el fuego, el agua y la tierra, ya que la justicia constituye una cierta cualidad de los números, y lo mismo el alma, el entendimiento, otra la oportunidad, y así sucesivamente. Y como, además, veían en los números las cualidades y las proporciones de las cosas, lo armónico, y los consideraban como lo primordial en todas las cosas de la naturaleza, acabaron considerándolos como los elementos de todo y al cielo, en su conjunto, como armonía y número.’

Según Heráclito, todo lo sensible fluye, razón por la cual no puede haber una ciencia de lo sensible; de esta convicción nació la teoría de las ideas. Sócrates fue el primero que determinó lo general por medio de inducciones; antes, los pitagóricos tocaron solamente unas cuantas cosas, reduciendo sus conceptos a números: por ejemplo, el concepto de la oportunidad,¹ el del derecho, el del matrimonio, etc.” Metafísica XIII

¹ Em números? Jogo do bicho? Hahaha…

La primera determinación es la unidad en general, la segunda la dualidad o la contraposición. Es extraordinariamente importante reducir la infinita variedad de las formas y determinaciones de lo finito a sus pensamientos generales como a los principios más simples de toda determinación; no se trata, aquí, de diferencias de las cosas entre sí, sino de diferencias esenciales y generales de suyo. Los objetos empíricos se distinguen por su forma externa: este trozo de papel se distingue por ella de otro trozo de papel, los colores por sus matices, los hombres por sus diferencias de temperamento, de individualidad. Pero estas determinaciones no representan diferencias esenciales; podrán ser esenciales en cuanto a determinadas particularidades de estas cosas, pero estas particularidades absolutamente determinadas no representan una existencia esencial en y para sí; solamente lo general es lo sustancial, lo que se mantiene a sí mismo.”

Las determinaciones generales se descubren y establecen solamente a base de un procedimiento totalmente dogmático; son, por ello, determinaciones secas, desligadas de todo proceso, no dialécticas, sino inertes.”

Todos los números entran de suyo en el concepto de la unidad, pues la dualidad es una dualidad, la trinidad una trinidad y el número 10 un grupo de números. Esto movió a Pitágoras a ver en la unidad el principio de todas las cosas, viendo en cada una de ellas, por participar de este concepto, una unidad.” Sexto E.

Esta curiosa relación de la unidad totalmente abstracta con la existencia concreta de las cosas es lo que los pitagóricos expresan con el término de imitación.”

Fueron ellos quienes determinaron y precisaron, aunque de un modo inadecuado, los conceptos abstractos y simples, ofreciendo en su tabla de las categorías una mezcla de contraposiciones de la representación y del concepto, sin ninguna deducción ulterior.”

Lo especulativo se manifiesta, aquí, como especulativo; quien no conozca lo especulativo jamás podrá comprender que mediante la expresión de conceptos tan simples se proclame la esencia absoluta. Lo uno, lo múltiple, lo igual, lo desigual, el más, el menos, son momentos triviales, vacíos, secos; a quien se halle habituado a verlo todo a través de representaciones, a quien no sepa remontarse de la esencia sensible al pensamiento, no le parecerá que en sus relaciones se hallen comprendidas la esencia absoluta, la riqueza y la organización tanto del mundo de la naturaleza como del mundo del espíritu”

Este concepto simple y esencial de la realidad es la exaltación al plano del pensamiento, pero no como una evasión de lo real, sino expresando lo real mismo en su esencia.” Ó, grandes pitagóricos! Deixaram os hindus comendo poeira!… E no entanto muitos ascetas vivem de menos do que isso…

De 2 decimos que son ambos, pero no todos; para que podamos decir todos, tiene que haber 3.” Arist.

“…Si así lo haces,

Te guiará por la senda de la virtud divina. Lo juro

Por Aquel que ha infundido a nuestro espíritu el tetraktis

En cuyo seno se hallan las fuentes y las raíces de la eterna naturaleza.”

Poema de um neófito Empédocles, antes de abandonar o pitagorismo

El número divino sigue desarrollándose,

Hasta que de la santidad no consagrada del Uno

Llega al divino Cuatro, que engendra a la madre de Todo,

A la que concibe el Todo, la antigua frontera del Todo,

Infatigable e inagotable; a ésta se la llama el sagrado Diez.” Proclo

Es cierto que existen también diferencias cualitativas, por ejemplo entre los tonos del metal y las cuerdas de tripa, entre las voces humanas y los instrumentos de viento; pero la verdadera relación musical entre los diversos tonos de un mismo instrumento, sobre lo que descansa la armonía, es, indudablemente, una relación numérica.

Partiendo de aquí, los pitagóricos entran en ulteriores desarrollos de la teoría musical, en los que no hemos de seguirlos. La ley apriorística del desarrollo y la necesidad del movimiento en las relaciones numéricas es algo que permanece completamente en la sombra y en lo que sólo pueden andar a tientas los cerebros turbios: por todas partes se vislumbran los conceptos y las consonancias superficiales entre ellos, pero para esfumarse de nuevo.”

ya en tiempo de Cicerón se habían convertido en algo proverbial por su oscuridad, y es muy poco lo que en ellos podamos considerar como verdaderamente antiguo.”

Así como consideraban el número 10 como el número perfecto, como la suma y compendio de toda la naturaleza de los números, decían que eran también 10 las esferas que se movían en el cielo, y no siendo visibles más que 9, inventaban, para que fueran 10, la llamada antitierra.” Metafísica

Estas 10 esferas de que habla Aristóteles son: la Vía Láctea o las estrellas fijas, los 7 astros conocidos entonces, todos ellos, como planetas: Saturno, Júpiter, Marte, Venus, Mercurio, el sol y la luna y, por último, en noveno lugar, la tierra; la 10ª era, pues, la ‘antitierra’

Los pitagóricos colocaban en el centro el fuego y veían en la tierra una estrella que se movía circularmente en torno a aquel fuego central” De coelo, II

un gran coral armónico del universo.” Bolas do meu pau de ábaco sonoro…

Se apunta aquí la idea de un sistema del universo; para nosotros, sólo el sistema solar es racional, mientras que a las demás estrellas no se les puede reconocer dignidad alguna.”

habituados a sus sones como el herrero a su martilleo”

conocemos, a través de Keplero, las leyes, la excentricidad y cómo se relacionan entre sí las distancias y los tiempos de la rotación; pero todavía las matemáticas no han sido capaces de determinar la ley de desarrollo con arreglo a la cual se determinan estos intervalos.” “la astronomía no ha podido descubrir todavía en ello una serie consecuente, racional; lejos de ello, mira con desprecio a la exposición regular de esa serie, que es por sí misma un punto extraordinariamente importante, que no debe ser abandonado.”

CAPACHO DOS GUILHERMES: “Hoy se pretende, por el contrario, mantener la educación libre del espíritu de la época; pero el hombre no puede sustraerse a este supremo poder del Estado, sino que se halla, por mucho que trate de aislarse, sometido inconscientemente a esto general.”

un formalismo parecido, en cierto modo, a los esquemas de la electricidad, el magnetismo, el galvanismo, la condensación y la expansión, lo masculino y lo femenino, en que algunos quieren basarlo, hoy, todo: una determinabilidad puramente vacua, cuando de lo que se trata o debe tratarse es de lo real.” Por supuesto: del Estado!

ELEATAS: “Encontramos aquí el punto de arranque de la dialéctica, o sea de lo que constituye precisamente el movimiento puro del pensamiento en conceptos: y, con ello, el comienzo de la contraposición del pensamiento frente al fenómeno o al ser sensible, de lo que es en sí frente al ser para otro de este en sí: y en la esencia objetiva, la contradicción que en sí mismo entraña y que es la verdadera dialéctica.”

La determinación del ser es, para nosotros, algo conocido y trivial”

Inmóvil es lo que no es, pues en ello no se da otra cosa alguna, ni se convierte tampoco en ninguna otra cosa; sólo lo vario es móvil, pues para ello hace falta que lo uno se mueva hacia lo otro.”

Jamás nació ni nacerá varón alguno

que conozca de vista cierta lo que yo digo

sobre los dioses y sobre las cosas todas;

porque, aunque acierte a declarar las cosas

de la más perfecta manera,

él, en verdad, nada sabe de vista.

Todas las cosas ya por el contrario

Con Opinión están prendidas.”

Citação de Sexto, provavelmente corruptela de Parmênides.

Uno de los datos más importantes que de su vida conocemos es el viaje que hizo con Zenón a Atenas, donde Platón los presenta, en uno de sus diálogos, conversando con Sócrates.” E tomas tal poema como a verdade absoluta? Pois acertaste em cheio: nada mais sensato!

Conviene advertir que Platón, cuando habla concretamente de la escuela de los eléatas, no se refiere nunca a Jenófanes, sino solamente a Meliso y Parménides. Por lo demás, al asignar a Parménides el papel principal del diálogo que lleva por título su nombre, poniendo en boca de este pensador eleático la más sublime dialéctica, Platón obra movido por consideraciones que no son de este lugar.” Que lugar?

El primer fragmento largo que encontramos en Sexto (Adv. Math. VII, 111) es una introducción alegórica a su poesía sobre la naturaleza. Esta introducción tiene un tono mayestático, nos revela la manera literaria de aquel tiempo y denota, en su conjunto, un alma enérgica y violenta, que lucha con la esencia, en un formidable esfuerzo por captarla y proclamarla.”

la verdadera filosofía comienza, en rigor, con Parménides.” Pouco cito Parmênides aqui, em que pese ser O MAIS IMPORTANTE DOS PRÉ-SOCRÁTICOS, por já ter publicado no blog posts dedicados ao autor.

Zenão era supervalorado pela filosofia e historiografia da época de Hegel.

Las circunstancias de la conducta final del filósofo, que fueron las de una violenta y colérica reacción de los sentidos, aparecen relatadas de diversos modos. Se dice que, haciendo ademán de querer decir algo al oído al tirano, le mordió en la oreja, sin soltarlo, hasta que los demás le dieron muerte.” “Otros relatos dan la versión de que, al ser sometido a los más espantosos martirios después de aquella respuesta, se amputó la lengua de una dentellada y se la escupió a la cara al tirano, como para decirle que no conseguiría arrancarle una sola palabra, después de lo cual se dice que su cuerpo fue aplastado en un mortero.”

[he] escrito esto más bien contra quienes tratan de ridiculizar la tesis de Parménides, poniendo de manifiesto qué ridículos y contradicciones se desprenden contra ellos mismos de su afirmación; combato, por tanto, a aquellos que predican el ser de lo múltiple, para demostrar que, partiendo de aquí, se llega a consecuencias mucho más disparatadas que arrancando de la proposición de Parménides.”

AO MENOS H. SOUBE PENSAR O <PARADOXO>: “Cuando Aristóteles dice que Zenón negaba el movimiento porque éste encerraba una contradicción interna, no debe interpretarse esto en el sentido de que el movimiento no sea en absoluto.” “el movimiento tiene certeza sensible, tan cierto como que hay elefantes: en este sentido, no podía ocurrírsele a Zenón negar el movimiento.” “Desde este punto de vista deben interpretarse las proposiciones de Zenón, y no como objeciones contra la realidad del movimiento, aunque a primera vista parezcan eso, sino como una manera necesaria de determinar el movimiento y cómo se debe proceder para ello.”

Es sabido con qué sencillez refutaba estas pruebas de la contradicción del movimiento Diógenes de Sinope, el cínico: se levantaba sin decir una palabra y se ponía a pasearse silenciosamente de arriba abajo, refutando así semejantes argumentaciones con hechos.”

Vemos aquí ante nosotros lo infinito malo o la manifestación pura, cuya esencia simple pone de relieve la filosofía como concepto general, manifestarse en primer lugar desarrollado en su contradicción, y a su historia adquirir la conciencia de esta contradicción; el movimiento, esta misma manifestación pura, aparece como algo pensado, puesto con arreglo a su esencia, a saber: en lo que lo diferencia de la pura identidad consigo mismo y de la pura negatividad, del punto frente a la continuidad. Para nosotros, no envuelve contradicción alguna en la representación el que el aquí del espacio o el ahora del tiempo se establezcan como una continuidad y una longitud; pero su concepto es algo contradictorio consigo mismo.”

o ponto é o puro ser para si (pura aparência)”

Al decir ‘hasta el infinito’, nos representamos un más allá, fuera de nuestra representación, al que no es posible llegar. Trátase, indudablemente, de un trascender sin fin, infinito, pero presente en el concepto: un trascender de una determinabilidad contrapuesta a otra, de la continuidad a la negatividad, de la negatividad a la continuidad, pero ambas se hallan ante nosotros.”

Bayle (tomo IV, art. Zénon, nota E), dice, refiriéndose a la respuesta [refutação] de Aristóteles que es pitoyable.”

En eso consiste precisamente lo infinito: en que ninguno de sus momentos tiene realidad.”

Lo representado como tal o en cuanto imagen de la representación no es una cosa; no tiene ser alguno, ni es tampoco la nada.” “La división del espacio como ser dividido no es absoluta puntualidad, ni la continuidad pura lo indiviso e indivisible; del mismo modo, el tiempo no es la negatividad o puntualidad pura, sino que es también continuidad.”

el movimiento mismo no es otra cosa que esta unidad real en la contraposición y el desdoblamiento de ambos momentos en esta unidad.”

Se concede como indiscutible que no hay más remedio que llegar a la mitad; pero, con ello, se ha concedido todo lo que se postula, es decir, el no llegar, pues una vez dicho aquello, es como si se dijera infinidad de veces.” “en la hipótesis de la mitad va ya implícita la interrupción de la continuidad.” “La continuidad se atomiza en lo contrario de ella, en la cantidad indeterminada”

el moverse quiere decir encontrarse en este lugar y no encontrarse en él, es decir, encontrarse en los 2 lugares al mismo tiempo; es la continuidad del espacio y del tiempo, sin la cual el movimiento no sería posible.”

tanto da que, dentro del espacio absoluto, el ojo se mueva o se esté quieto.”

las antinomias de Kant no son otra cosa que lo ya expresado aquí por Zenón.”

el contenido de la conciencia sólo es un fenómeno, nada verdadero”

¿Acaso no valéis vosotros más que los gorriones?”

Abandonamos aquí la escuela eleática, que se continúa en Leucipo y, de otra parte, con los sofistas, quienes hacen extensivos a toda la realidad los conceptos de los eléatas y señalan la actitud que la conciencia adopta ante ella, mientras que aquél, como continuador tardío del concepto en su abstracción, adopta una actitud física frente a la conciencia.”

Dejando a un lado a los jonios, quienes aún no concebían lo absoluto como pensamiento, y a los pitagóricos, nos encontramos con el ser puro de los eléatas y con la dialéctica, que destruye y supera todas las relaciones finitas: para los eléatas, el pensamiento es el proceso de tales fenómenos, el mundo en sí mismo lo que se manifiesta y sólo el ser puro lo verdadero. La dialéctica de Zenón capta, pues, las determinaciones que van implícitas en el mismo contenido; pero puede ser llamada también dialéctica subjetiva en cuanto que corre a cargo del sujeto pensante y en cuanto que lo uno, sin este movimiento de la dialéctica, no es más que intensidad abstracta.”

O OCIDENTAL OBSCURO COM RETINTOS ORIENTAIS: “Heráclito, por su parte, concibe lo absoluto mismo como este proceso de la dialéctica.”

El progreso necesario realizado por Heráclito consiste en haber pasado del ser como primer pensamiento inmediato a la determinación del devenir, como el segundo”

Divisamos, por fin, tierra; no hay, en Heráclito, una sola proposición que nosotros no hayamos procurado recoger en nuestra Lógica.”

con él comienza la separación y el retraimiento del filósofo de los negocios públicos y los intereses de la patria, para entregarse por entero, en una vida de soledad, a la filosofía.”

Bien merecido les estaría a los efesios en la edad adulta ahorcarse y abandonar a los niños la ciudad, a ellos que han expulsado a Hermodoro, el varón más eficaz de los suyos, diciendo: ‘no haya entre nosotros ninguno más eficaz; si lo hay, que sea en otra parte y entre otros’ Heráclito apud Cicerón, Diógenes Laercio

Sus conciudadanos lo invitaron a participar en los negocios públicos de la ciudad, pero él se negó a hacerlo, por no aprobar su constitución, sus leyes ni su gobierno.” Diógenes

La única obra compuesta por este filósofo y que, según nos informa Diógenes (IX, 12 y 6), llevaba por título, según unos, Las musas y, según otros, Sobre la naturaleza, fue depositada por él en el templo de la Diana de Éfeso. Parece que esta obra existía aún en tiempos posteriores; los fragmentos que han llegado a nosotros aparecen reunidos en la Poësis philosophica de Stephanus (pp. 129 ss.).” “Creuzer nos había hecho concebir la esperanza de estudiar a este filósofo con mayor sentido crítico y un conocimiento más a fondo de su lenguaje, a base de una colección de textos más completa, tomada principalmente de los gramáticos; pero, habiendo encomendado este trabajo, por falta de tiempo, a un erudito joven, que fue sorprendido por la muerte, el estudio proyectado no ha llegado al público. Semejantes colecciones suelen ser demasiado prolijas; contienen una gran masa de erudición, y es más fácil, por lo general, escribirlas que leerlas.”

Pero esto de escribir oscuro deliberadamente no sería más que una necedad; es, sin embargo, simplemente la necedad del propio Cicerón, que trata de imputarla al filósofo de Éfeso.”

No hay manera de saber cuándo una palabra pertenece a la oración anterior o a la posterior.” Aristóteles, Ret. III, 5.

Sin embargo, lo que hay de oscuro en esta filosofía se debe, principalmente, a que se expresa en ella un pensamiento profundo, especulativo; el concepto, la idea, se escapan al entendimiento, no pueden ser captadas por él; en cambio, la matemática la comprende con gran facilidad.”

En Heráclito vemos ahora la consumación de la conciencia anterior, el perfeccionamiento de la idea hasta la totalidad, que es el comienzo de la filosofía, en cuanto que este comienzo proclama la esencia de la idea, el concepto de lo infinito, del ser en y para sí, como lo que es, a saber: como la unidad de lo contrapuesto. De Heráclito data la idea permanente, que es la misma en todos los filósofos hasta nuestros días”

Gran pensamiento este de pasar del ser al devenir, aun cuando, por ser la primera unidad de determinaciones opuestas, sea todavía un pensamiento abstracto. Aquí, estas determinaciones aparecen como algo inquieto y llevan consigo, por tanto, el principio de la vida, con lo cual queda superada la falta de movimiento que Aristóteles ponía de relieve en las filosofías anteriores, y el movimiento mismo se eleva a principio. Por tanto, esta filosofía no se proyecta sobre el pasado, su principio es esencial y por eso figura en nuestra Lógica al comienzo, inmediatamente después del ser y de la nada.”

El entendimiento aísla tanto al ser como al no ser como verdaderos y válidos; la razón, por el contrario, conoce al uno en el otro, ve al otro contenido en el uno. Si no tomamos la representación del ente lleno, vemos que el ser puro es el pensamiento simple, en el que se niega todo lo determinado, lo absolutamente negativo; la nada, en cambio, es lo mismo, precisamente este algo igual a sí mismo.”

O entendimento isola tanto o ser como o não-ser como (conteúdos) verdadeiros e válidos; a razão, ao contrário, conhece o um no outro, vê o outro contido no um. Se não tomamos a representação do ente cheio (pleno), vemos que o ser puro é o pensamento simples, no qual se nega todo o determinado, o absolutamente negativo; o nada, em compensação, é o mesmo, precisamente este algo igual a si mesmo.”

Estamos ante el tránsito absoluto a lo opuesto, al que Zenón no llegó, puesto que se detuvo en la tesis de que ‘de la nada no se genera nada’; en cambio, en Heráclito el momento de la negatividad es inmanente, y en torno a ello gira el concepto de toda la filosofía.”

Estamos diante do trânsito absoluto ao oposto, ao que Zenão não chegou, posto que se deteve na tese de que ‘do nada não se gera nada’; em Heráclito o momento da negatividade é imanente, e em torno dele gira o conceito de toda a filosofia.”

O contrário reside no mesmo, e assim, p.ex., o mel é doce e amargo.”

o infinito morto é uma abstração ruim, comparada com esta profundidade com que nos encontramos em Heráclito.”

EU VEJO POR TRÁS DE TUA ASTÚCIA DE MAIA, H.! “La subjetividad, por ejemplo, es lo otro con respecto a la objetividad y no con respecto a un pedazo de papel, supongamos, lo cual sería absurdo”

claro está que esto resulta siempre difícil y oscuro para el entendimiento, que tiende a considerar por sí mismo y separadamente el ser y el no ser, lo subjetivo y lo objetivo, lo real y lo ideal.” Premissa ensaboada.

además de esta forma general en que expresa su principio, sabe dar a su idea una forma más real, más natural; de aquí que, a veces, se le incluya todavía entre los pensadores de la escuela jónica de filósofos de la naturaleza.”

o tempo é o não-ser imediatamente no ser e o ser imediatamente no não-ser” “No tempo não é o passado nem o futuro, senão que o agora: e isto é precisamente para não ser como algo já passado; e este não ser permuta também em ser, enquanto futuro.”

FIERCE FIRE: “El fuego es el tiempo físico, la movilidad absoluta, la disolución absoluta de lo existente: la destrucción de lo otro, pero también de sí mismo; y así, podemos comprender por qué Heráclito, partiendo de su determinación fundamental, afirma con toda consecuencia el fuego como el concepto del proceso.” “he aquí por qué Heráclito emplea también, para designar este proceso, la palabra precisa de evaporación, aunque la expresión más exacta sería la de tránsito.”

Así, pues, en la hostilidad entre los hombres se impone uno como independiente frente a los demás, o es para sí, se realiza en general; en cambio, la armonía y la paz es el hundirse del ser para sí en la indiferenciabilidad o en la no-realidad. Todo es trinidad y, al mismo tiempo, sin embargo, unidad esencial” Na hora de tirar um 10, Hegel viaja.

Tenemos, pues, ante nosotros, en general, una metamorfosis del fuego. Pero estas expresiones orientales, figuradas, no deben tomarse, tal como Heráclito las emplea, en un sentido directo, toscamente sensorial, como si estos cambios se manifestasen a la percepción externa, sino que forman la naturaleza de estos elementos, con arreglo a la cual la tierra crea eternamente su sol y sus cometas.”

Este mundo, el mismo para todos, no lo hizo ninguno de los dioses ni de los hombres, sino que ha sido eternamente y es y será un fuego eternamente viviente, que se enciende según medidas y se apaga según medidas.” apud Clemente de Alexandria, Stromata

La extinción del alma, del fuego en el agua, la combustión que se convierte en producto aparece falsamente explicada por algunos, por ejemplo por Diógenes Laercio, Eusebio y Tennemann como una combustión del universo. Pero nos parece que es más bien una figura de la fantasía lo que Heráclito dice, según se nos cuenta, de un incendio del universo, de que el mundo habrá de convertirse en fuego al cabo de cierto tiempo (…) A la luz de los pasajes más concretos, (Estobeo) podemos afirmar que Heráclito no se refiere, en realidad, a este incendio del universo, sino más bien a esta continua combustión como el proceso del devenir de la amistad, la vida general y el proceso general del universo.”

Nos detendremos un momento en este punto, ya que con esto se expresa, de un modo general, todo concepto de la consideración especulativa de la naturaleza.” “Es falso ver en lo especulativo algo que sólo existe en el pensamiento o en el interior de nosotros, no se sabe dónde.”

SOBRE O EMPIRISMO FÍSICO-QUÍMICO: “Como ocurre siempre que se expresan los resultados de la percepción y la experiencia, cuando el hombre los proclama, hay en ellos un concepto; concepto que no es posible descartar, sino que se mantiene siempre en la conciencia, con un tinte de generalidad y de verdad. La esencia no es, precisamente, otra cosa que el concepto; pero este concepto sólo se revela como concepto absoluto a la razón formada, y no cuando, como aquí sucede, permanece prisionero dentro de una determinabilidad.” A seguir, polêmicas de experimentos de época, ininteligíveis para nós hoje: “los higrómetros, botellas llenas de aire que se hacen descender de las regiones altas por medio de un globo, no lo revelan [ao hidrogênio] como existente. Y, del mismo modo, el agua cristalizada no se les manifiesta como agua, sino ya convertida, transformada en tierra”

Es cierto que Heráclito dice que todo fluye, que nada persiste, que sólo lo uno permanece; pero esto no es sino el concepto de la unidad que solamente existe en la contraposición, no de la que se refleja en sí misma. Este uno, en su unidad con el movimiento de los individuos, es el género o el concepto simple en su infinitud como pensamiento; como tal, habrá de determinarse aún la idea, tal como volveremos a encontrarla en el nous de Anaxágoras. Lo general es la unidad simple inmediata en la contraposición, que retorna a sí misma como proceso de lo diferenciado; pero también esto se encuentra en Heráclito: esta unidad en la contraposición es lo que él llama destino o necesidad. Y el concepto de la necesidad consiste precisamente en esto: en que la determinabilidad constituye la esencia de lo que es como algo individual, pero refiriéndose cabalmente, a través de ello, a lo opuesto: la absoluta ‘relación que pasa a través del ser del todo’.”

Sólo nos resta, ahora, examinar qué relación guarda, según Heráclito, esta esencia con la conciencia. La filosofía heracliteana presenta, en su conjunto, la modalidad de una filosofía natural, en cuanto que el principio, aunque lógico, es concebido como el proceso general de la naturaleza.”

Es un modo hermoso, espontáneo, infantil, de expresar la verdad en términos verdaderos. Se presenta aquí por vez primera lo general y la unidad de la esencia de la conciencia y del objeto, y la necesidad de la objetividad.” “El verdadero ser no es este ser inmediato, sino la mediación absoluta, el ser concebido, el pensamiento.” Aqui se diluem as fronteiras do que é Heráclito e do que é superinterpretação à la Hegel.

Sexto aduce en los siguientes términos la determinación de este criterio: ‘Todo lo que nos rodea es, de suyo (a juicio de Heráclito), lógico y racional’, pero no por ello dotado de conciencia. ‘Cuando nos asimilamos por la inspiración esa esencia general, nos convertimos en seres racionales; pero sólo despiertos lo somos, pues cuando estamos dormidos eso queda sepultado en el olvido’.”

O EGRESSO DA CAVERNA DE PLATÃO: “En el hombre despierto, en cambio, el entendimiento, mirando hacia más allá por los caminos del sentimiento como por ventanas y entrelazado con lo que lo rodea, se halla sostenido por una fuerza lógica.”

muchos viven como si tuviesen su propio entendimiento; sin embargo, el entendimiento no es otra cosa que la interpretación (la conciencia), el modo de la ordenación del todo.” “El hombre suele inclinarse a creer que, cuando piensa algo, debe ser algo especial, propio; pero esto es un error.”

Podemos decir de Heráclito algo parecido a lo que se cuenta que dijo Sócrates [acerca do próprio Her.]: lo que de él se ha conservado es magnífico; en cuanto a lo que no ha llegado a nosotros, hay que suponer que nos parecería igualmente magnífico, si lo conociéramos.”

A la par con Empédocles, estudiaremos las figuras de Leucipo y Demócrito, en las que se revela la idealidad de lo sensible y, al mismo tiempo, la determinabilidad general o la transición a lo general.”

Leucipo es anterior a Demócrito, y éste no hace sino continuar y perfeccionar la obra iniciada por aquél, pero sin que sea fácil discernir históricamente su parte original dentro de ella. Las fuentes nos dicen, ciertamente, que se limitó a desarrollar los pensamientos de Leucipo, y algo se ha conservado de su obra, pero sin que nos sea posible hacer ninguna cita literal o precisa de pasajes suyos.”

Diógenes (IX, 35s.) dice que Demócrito gastó su crecida fortuna en sus viajes a Egipto y a los países del interior del Oriente; pero esto es bastante inverosímil. Su patrimonio aparece tasado en unos 100 talentos, y si suponemos que un talento ático valía de 1,000 a 1,200 táleros, es evidente que, con aquella fortuna, habría podido pasarse la vida viajando.”

Lo lleno tiene como principio el átomo: lo absoluto, lo que es en y para sí es, pues, el átomo y lo vacío; es ésta una determinación de gran importancia, sin duda, pero insuficiente. No es en los átomos, por ejemplo en los que nos representamos flotantes en el aire, donde reside, exclusivamente, el principio, sino que es igualmente necesaria la nada que entre ellos existe; tal es, pues, la primera manifestación del sistema atomístico.”

es Leucipo quien introduce la determinación del ser para sí [aparência].”

Así concebido, el principio atomístico no ha sido superado, ni puede serlo, sino que permanece para siempre; el ser para sí tiene que presentarse necesariamente en toda filosofía lógica como un momento esencial, aunque no como momento último.” Para quem ainda tinha dúvidas, essa é uma História da Filosofia Hegeliana (todos os autores que me influenciaram) e não uma história da filosofia…

Por consiguiente, si el desarrollo de la filosofía en la historia ha de corresponder al desarrollo de la lógica, necesariamente tendrá que haber en ésta pasajes que en el desarrollo histórico desaparezcan. Si, por ejemplo, quisiéramos erigir la existencia en principio, esa existencia sería lo que nosotros tenemos en la conciencia: existen cosas, estas cosas son finitas y se hallan relacionadas entre sí; pero esto no pasa de ser una categoría de nuestra conciencia sin pensamiento, de la apariencia.”

Como negación de la alteridad, que es, a su vez, negación contra mí, el ser para sí es negación de la negación y, por tanto, afirmación; y ésta es, según la llamo yo, la negatividad absoluta, en la que se contiene, sin duda, cierta mediación, pero una mediación que está ya también levantada.”

Como negação da alteridade, que é, por sua vez, negação contra mim, o ser-para-si é negação da negação e, portanto, afirmação; e esta é, segundo eu a batizo, a negatividade absoluta, a qual contém, sem dúvida, certa mediação, mas uma mediação que está já, também, suspensa.”

O princípio do um é um princípio totalmente ideal, pertence por inteiro ao mundo do pensamento, e assim seria ainda que quisera afirmar-se que os átomos existem. O átomo pode ser concebido num sentido material, mas é, apesar disso, algo não-sensível, puramente intelectual. (…) Mas os átomos de Leucipo não são as molécules, as partículas de que nos fala a física.” “O um não pode ser visto nem apreciado mediante retortas nem aparatos de medição, já que se trata de uma abstração do pensamento; o que se mostra é sempre matéria condensada. E, ainda assim, é um esforço vão o daqueles que, hoje, com a ajuda do microscópio, tratam de escrutar o interior do orgânico, a alma, e de descobri-lo por meio da vista e do tato. O princípio do um é, pois, um princípio totalmente ideal, mas não no sentido de que só exista no pensamento, na cabeça, e sim no sentido de que o pensamento é a verdadeira essência das coisas. Assim o entendia também Leucipo; destarte sua filosofia não tem absolutamente nada de empírica.”

Dentro da esfera do Estado, pode manifestar-se o ponto de vista de que a vontade individual, enquanto átomo, é o absoluto; tais são, no fundo, as novas teorias sobre o Estado, que se fazem valer também na prática.” Trecho inócuo seguido de uma crítica ao Contrato Social.

Portanto, os átomos, inclusive quando aparecem unidos no que chamamos coisas, acham-se separados entre si pelo vazio, que é, para eles, algo puramente negativo e estranho; quer dizer, sua relação não se dá neles mesmo, mas é algo distinto do que eles são. Este vazio, o negativo diante do afirmativo, é também o princípio do movimento dos átomos; estes vêem-se solicitados, digamos assim, pelo vazio, a preencherem-no e negarem-no.”

elementos puramente independentes aparecem unidos a outros igualmente independentes, sem perder sua independência, o que quer dizer que se trata de uma união simplesmente mecânica.”

E, no entanto, não nos é lícito acrescentar a isto tudo o que a imaginação dos tempos modernos acrescenta às vezes, a saber: que o universo foi, em tempos remotos, algo assim como um caos, um vazio cheio de átomos, que logo se uniram e ordenaram para dar nascimento a este mundo em que vivemos; hoje e sempre, o ser-em-si (a essência) é e segue sendo o vazio e o cheio.”

Aristóteles (e, quase, por isso Hegel) considera o finalista Anaxágoras o primeiro filósofo “profissional”, comparado ao amadorismo anterior.

La unidad retorna a sí misma, como algo general, de la contraposición; al contrario de lo que ocurre en la síntesis de Empédocles, en que lo contrapuesto todavía separado y para sí, y no el pensamiento mismo, es el ser; aquí, en cambio, el pensamiento es, como proceso puro y libre de suyo, lo general que se determina a sí mismo, sin distinguirse del pensamiento consciente.”

Aristóteles dice que Anaxágoras fue el primero que expresó la determinación de la esencia absoluta como entendimiento.” Hegel é apenas “o” Aristóteles moderno.

Con él vemos a la filosofía instalada en la verdadera Grecia, que hasta entonces no había tenido filosofía alguna, y, concretamente, en Atenas” Perfeito para o seu sistema de “razão da História”…

Durante este período fijan su residencia en Atenas los artistas más prestigiosos y los más famosos filósofos y sofistas, una pléyade de luminarias de las artes y las ciencias, como Ésquilo, Sófocles, Aristófanes, Tucídides, Diógenes de Apolonia, Protágoras, Anaxágoras y otros talentos oriundos del Asia Menor. Estaba por aquel entonces al frente del estado ateniense Pericles, quien lo elevó a su máximo esplendor. Anaxágoras, aunque vivió todavía en este período de máximo florecimiento de la vida ateniense y griega, toca ya a los años de decadencia o, por mejor decir, de tránsito a la decadencia, a la muerte de la hermosa vida de Atenas.”

Mérito de Atenas para H.: ciência e belas-artes; a filosofia.

Mérito de Esparta para H.: subsumir as individualidades na idéia de Estado.

Un pueblo en que imperaba una unidad tan recia y tan firme, en el que la voluntad del individuo había desaparecido totalmente en rigor, representaba por fuerza una cohesión insuperable; así se explica que Lacedemonia se pusiera a la cabeza de los griegos y conquistase la hegemonía de Grecia, como llegaron a alcanzarla los argivos en tiempo de Troya. Es éste, sin duda, un gran principio, sin el que no puede existir ningún verdadero Estado, pero que entre los lacedemonios no llegó a perder nunca su unilateralidad.”

En Lacedemonia, la personalidad propia y peculiar llegó a pasar a tal punto a segundo plano, que el individuo no podía vivir, bajo ningún concepto, entregado a su libre desarrollo ni a las manifestaciones de su personalidad; allí no se reconocía la individualidad ni, por tanto, se la coordinaba o armonizaba con los fines generales del Estado. Esta abolición del derecho de la subjetividad, que a su modo proclama también La República de Platón, llegaba muy lejos entre los lacedemonios.”

Así como la individualidad que se separa de lo general cae en la impotencia y perece, tampoco puede mantenerse en pie lo unilateralmente general, la costumbre de la individualidad.” Obviamente, para H., a Prússia era a síntese de Esparta-Atenas.

TOLO AQUELE QUE LIGA AVANÇO E FILOSOFIA AO PODER DO COMÉRCIO: “cada familia conservaba inalienablemente sus bienes hereditarios, y la prohibición de toda clase de dinero en sentido estricto y de cambios y negocios cerraba el paso a la posibilidad de las desigualdades de la riqueza”

Sua brutalidade é música para meus ouvidos.

En una organización racional, se dan todos los momentos de la idea; si el hígado se aislase como bilis, no funcionaría por ello ni más ni menos que antes, pero, en cambio, se aislaría como un órgano hostil a la economía vital del organismo.”

VACILANTE: “Gracias a ello, pudo alumbrar, al plasmar el genio libremente sus concepciones, las grandes obras de arte de las artes plásticas y las obras inmortales de la poesía y la historia. El principio de la subjetividad no había revestido aún, por tanto, la forma en que lo particular, como tal, queda en libertad y confiado a su propio albedrío y en que también su contenido adquiere una particularidad subjetiva y propia, por lo menos a diferencia de la base general, de la moralidad general, de la religión general y de las leyes generales.”

Pero fue Pericles quien tuvo la dicha de ser el primero dentro del Estado, en este pueblo noble, libre y culto de los atenienses; y esta circunstancia le confiere en la valoración de la individualidad un rango tan alto como pocos hombres han llegado a alcanzar. De cuanto hay de grande entre los hombres, nada más grande que el poder sobre la voluntad de los hombres que tienen una voluntad, pues la individualidad que disfruta de este poder tiene que ser necesariamente, para llegar a alcanzarlo, la más general y la más viva de todas; pocos mortales hay ya, suponiendo que haya alguno, dignos de gozar esta suerte.”

Poco después, la individualidad se desmanda, su vitalidad se deja arrastrar al extremo, pues el Estado no se halla aún organizado como tal, independientemente y de suyo.” É a vida! Ou, antes, diria: é a polis!…

en que el espíritu no vive en cuanto concepto, como en nuestros Estados.”

Más importante que esto es el dato de que, más tarde, Anaxágoras, como ocurriría, andando el tiempo, a Sócrates y a muchos otros filósofos, fue acusado de despreciar a los dioses adorados por el pueblo; es el antagonismo de la prosa del entendimiento contra la concepción poético-religiosa de la vida.”

existe también en la naturaleza, cierto es, como esencia objetiva, pero no de un modo puro y para sí, sino llevando consigo como inmediato un algo particular.”

INSTINTO X VONTADE: “Como alma, lo que se mueve a sí mismo es sólo algo inmediatamente individual, mientras que el nous, como algo simple, es lo general.”

con el nous aparece el para qué, la determinación del fin” Um para quê órfão.

El nous no es, por tanto, una esencia pensante exterior que organice el universo; concebirlo así, equivaldría a echar a perder por completo el pensamiento de Anaxágoras y privarlo de todo interés filosófico.” O nous é o daimon deus que está em nós.

una llamada esencia pensante ha dejado de ser un pensamiento, para convertirse en un sujeto.”

BASTARIA, NO LUGAR, FAZER UMA METAFÍSICA DA OBRA DE ARTE: “El fin empieza siendo, en cuanto yo lo tengo, mi propia representación, la cual es para sí y cuya realización depende de mi voluntad; cuando lo pongo en práctica, debo procurar, sí no soy muy torpe, que el objeto producido sea conforme al fin y no contenga otra cosa que no sea él.”

Descontento con que mi fin sea puramente subjetivo, mi actividad consiste en curarlo de este defecto, convirtiéndolo en un fin objetivo.”

OS SECRETOS DESÍGNIOS DO NADA: “Así, por ejemplo, en la idea de que Dios, por su sabiduría, gobierna el universo con arreglo a fines, el fin se establece para sí en una esencia representativa, sabia. Pero lo general del fin consiste en que, siendo una determinación fija para sí, que domina la existencia, el fin sea lo verdadero, el alma de una cosa. Lo bueno encuentra su contenido en el fin mismo, de tal modo que, actuando con este contenido y después de manifestarse al exterior, no brote ningún otro contenido sino el que ya existía con anterioridad.” Seu fim era procurar seu conceito de fim perfeito, a Idéia – o que não logrou H…

El ejemplo más importante de esto nos lo ofrece la vida misma. La vida es movida por impulsos, y estos impulsos son sus fines; pero, en cuanto algo vivo simplemente, no tiene la menor noción de estos fines, los cuales son, simplemente, determinaciones primarias e inmediatas, fijas. El animal labora para satisfacer estos impulsos, es decir, para cumplir el fin; se comporta ante las cosas exteriores mecánicamente, unas veces, y otras veces químicamente. Pero la relación de su actividad no es algo puramente mecánico o químico; el producto es más bien el animal mismo, el cual sólo se produce a sí mismo como fin de sí mismo en su actividad en cuanto que destruye e invierte aquellas relaciones mecánicas o químicas.” “La propia conservación es un producir constante, en el que no nace nada nuevo, sino que sólo renace, continuamente, lo viejo; es un constante retorno de la actividad a sí misma, encaminada a su propia producción.” Marx saberia retirar de tudo isso conseqüências melhores…

Los predicados señalados más arriba que Anaxágoras atribuye al nous son, por tanto, indudablemente, predicados que pueden enunciarse, pero que, por sí mismos, no pasan tampoco de ser simples predicados unilaterales.”

Las homeomerías aparecen más claramente cuando las comparamos con las ideas de Leucipo, Demócrito y otros filósofos. Esta materia o lo absoluto como esencia objetiva lo encontramos ya en Leucipo y en Demócrito, lo mismo que en Empédocles, con tal claridad que los átomos simples—en Empédocles los 4 elementos, en aquellos otros dos pensadores un número infinito de ellos— sólo se concebían como distintos en cuanto a la forma, y de su síntesis, de sus combinaciones, surgían las cosas existentes.”

Anaxágoras, por el contrario, establece como materias simples lo formado por partes iguales, por ejemplo la carne, los huesos, etc.; en cambio, las cosas como el agua y el fuego son una mezcla de estos elementos originarios.” Ar.

El principio era, para Anaxágoras, el mismo que para los eléatas: ‘Lo igual se genera solamente de lo igual; no es posible un tránsito a lo opuesto, ni es posible tampoco la unión de los contrarios.’

Por eso, todo cambio es, para Anaxágoras, solamente una separación y una unión de lo igual, pues el cambio como verdadero cambio sería, en realidad, un devenir partiendo de la nada de sí mismo.”

El primero admite un cambio de estos estados, el segundo solamente una aparición que sólo se da una vez.” Aristóteles (Empédocles X Anaxágoras)

De aquí que Anaxágoras diga, según Aristóteles (De gen. anim. I, 18): ‘La carne se convierte, mediante la nutrición, en carne’. La digestión no es, desde este punto de vista, otra cosa que la absorción de lo homogéneo y la eliminación de lo heterogéneo y, por tanto, toda nutrición y todo crecimiento no son verdadera asimilación, sino solamente incremento, desde el momento en que todas las vísceras del animal extraen sus partículas de las distintas hierbas, de los distintos cuerpos, etc. de que el animal se alimenta. La muerte es, por el contrario, la eliminación de lo igual y la mezcla con lo heterogéneo. La actividad del nous, considerada como eliminación de lo homogéneo de entre el caos y como unión de lo homogéneo, así como la disolución o desintegración de este algo homogéneo, es, ciertamente, algo simple y relacionado consigo mismo, pero también algo puramente formal y carente, por tanto, de contenido.”

La química dice: para saber lo que son real y verdaderamente la carne, la madera, la piedra, etc., es necesario descomponerlos en sus elementos simples, los cuales son los componentes últimos a que es posible reducir esos cuerpos. Además, reconoce que hay muchas cosas que sólo son relativamente simples, y así, por ejemplo, el platino está formado por 3 y hasta por 4 metales. También el agua y el aire han sido considerados durante mucho tiempo como cuerpos simples, hasta que ha venido la química a analizarlos y descomponerlos.”

El en sí [a essência] no es, para él, ciertamente, un verdadero ser sensible; las homeomerías son lo no sensible, es decir, lo que no puede verse, oírse, etc. Es la máxima exaltación de los físicos vulgares por encima del ser sensible hasta el plano de lo no sensible, como lo meramente negativo del ser para nosotros [do ser como aparência]; pero lo positivo consiste en que la propia esencia que es sea lo general. [se a essência coincidisse com a aparência]”

El vous no es, así, más que lo que une y lo que separa, lo diacosmizante.”

por muy fácilmente que las homeomerías de Anaxágoras puedan mover a confusión, no cabe duda de que debe mantenerse en pie la determinación fundamental.”

En ninguna otra parte se ha explicado con mayor detalle que el vous de Anaxágoras no pasó nunca de ser algo puramente formal que en el conocido pasaje del Fedón de Platón que tanto interés encierra en cuanto a la filosofía de Anaxágoras. En este diálogo de Platón, Sócrates indica del modo más claro y preciso qué es lo importante para ambos, en qué consiste para ellos lo absoluto y por qué el principio de Anaxágoras no podía satisfacerles.”

Platón presenta a Sócrates en su prisión, una hora antes de su muerte, y le hace hablar prolijamente acerca de sus relaciones con Anaxágoras:

Oyendo leer a alguien en un libro, que dijo ser de Anaxágoras, que la inteligencia es la regla y causa de todos los seres, quedé encantado; me pareció admirable que la inteligencia fuera la causa de todo, porque pensé que si ella había dispuesto todas las cosas las habría arreglado del mejor modo. Si alguien, pues, quiere saber la causa de alguna cosa, lo que hace que nazca y perezca, debe buscar la mejor manera de que aquélla pueda ser. (…) Y me pareció que de este principio se deducía que la única cosa que el hombre debe buscar, tanto por él como por los otros, es lo mejor y más perfecto, porque en cuanto lo haya encontrado conocerá necesariamente lo que es lo peor, ya que para lo uno y lo otro no hay más que una ciencia. Reflexionando así, sentía una alegría muy grande por haber encontrado en Anaxágoras un maestro que me explicaría, según yo deseaba, la causa de cuanto es y que, después de haberme dicho, por ejemplo, si la tierra es redonda o plana, me explicaría la causa y la necesidad de que sea como es y me diría qué es aquí lo mejor y por qué lo es. Y también si creía que está en el centro del universo, y esperaba me dijera por qué es mejor que estuviera allí. Y, después de haber recibido de él todas estas aclaraciones, estaba dispuesto a no buscar jamás otra clase de causa. Me proponía también interrogarle acerca del sol, de la luna y de las demás estrellas, a fin de conocer las razones de sus revoluciones, de sus movimientos y de todo lo que les sucede, y sobre todo, para saber por qué es lo mejor que cada uno de ellos haga lo que hace. Porque no podía imaginar que, después de haber dicho que la inteligencia había dispuesto las cosas, pudiera darme otra causa de su disposición sino ésta: que aquello era lo mejor. Y me lisonjeaba de que, después de haber asignado esta causa en general y en particular a todo, me haría conocer en qué consiste lo bueno de cada cosa en particular y lo bueno de todas ellas en común. Por mucho que me hubiesen prometido, no habría dado mis esperanzas a cambio. Cogí, pues, estos libros con el mayor interés y empecé su lectura lo más pronto que me fue posible, para saber cuanto antes lo bueno y lo malo de todas las cosas; mas no tardé en perder la ilusión de tales esperanzas, porque desde que hube adelantado un poco en la lectura, vi un hombre que en nada hacía intervenir la inteligencia, que no daba razón alguna del orden de las cosas, y que, en cambio, sustituía al intelecto por el aire, el fuego, el agua y otras cosas igualmente disparatadas.’

Ver minha tradução deste trecho em https://seclusao.art.blog/2019/01/25/fedon-ou-da-alma/.

chama-se, pois, fim ao que se produz a si mesmo e que já em seu devir é como um ente em si.”

El género se enfrenta a sí mismo como lo individual y lo general; de este modo, el género se realiza en lo vivo a través del antagonismo entre los sexos, cuya esencia es, sin embargo, el género común.”

O gênero se enfrenta a si mesmo como o individual e o geral; deste modo, o gênero se realiza no vivo através do antagonismo entre os sexos, cuja essência é, porém, o gênero comum.”

El fin de la procreación es el levantamiento de la individualidad del ser”

O fim da procriação é a suspensão da individualidade do ser”

Pues toda idea es un círculo cerrado y perfecto, pero cuya perfección es, asimismo, un tránsito a otro círculo: un torbellino cuyo centro, al que retorna, se encuentra directamente en la periferia de un círculo superior que lo devora. Así y sólo así, llegamos a la determinación de un fin último del universo, como inmanente a él.”

Pois toda idéia é um círculo fechado e perfeito, mas cuja perfeição é, ainda assim, um trânsito a outro círculo: um torvelinho cujo centro, ao que retorna, se encontra diretamente na periferia de um círculo superior que o devora. Assim, e somente assim, chegamos à determinação de um fim último do universo, como imanente a ele.”

todo mundo sabe do geral; mas não o sabe enquanto essência.”

é até aqui, e somente até aqui aonde chega a concepção comum de nossos dias. [o sensível indeterminado negativo, o absoluto carente de predicado ou absoluto relativo]”

Con este descubrimiento del pensamiento ponemos fin a la sección primera de nuestra historia, y entramos en el segundo período de ella.”

El espíritu no tiene ya por qué buscar la esencia fuera de él, sino dentro de sí mismo, pues lo que parecía algo extraño se revela ahora como pensamiento, es decir, la conciencia tiene esta esencia en sí misma.”

O espírito não tem já por que buscar a essência fora de si, senão dentro de si mesmo, pois o que parecia algo estranho se revela agora como pensamento, quer dizer, a consciência tem esta essência em si mesma.”

Esta evolución de lo general, en la que la esencia se pasa por entero al lado de la conciencia, la encontraremos en la tan denostada filosofía de los sofistas; podemos enfocar esto en el sentido de que es aquí donde se desarrolla la naturaleza negativa de lo general.”

Esta evolução do geral, em que a essência passa por inteiro para o lado da consciência, encontrá-la-emos na tão criticada (e com razão) filosofia dos sofistas; podemos enfocar isto no sentido de que é aqui onde se desenvolve a natureza negativa do geral (o sensível determinado negativo, para usar a nomenclatura da citação anterior).”

FIM DO PRIMEIRO VOLUME

DIC:

al buen tuntún: inadvertidamente

atisbo: insight, vislumbre de algo maior

cifrar: inscrever

de suyo: de per se, por si só

lienzo: tela, pintura

CHASING LOLITA: How popular culture corrupted Nabokov’s little girl all over again – Graham Vickers, 2008.

Chasing Lolita, published on the 50th anniversary of Lolita’s American publication, is an essential contemporary companion to Vladimir Nabokov’s great novel. It establishes who Lolita really was back in 1958, explores her predecessors of all stripes, and examines the multitude of movies, theatrical shows, literary spin-offs, artifacts, fashion, art, photography, and tabloid excesses that have distorted her identity and stolen her name. It considers not just the ‘Lolita effect’ but shifting attitudes toward the always volatile mix of sex, children, and popular entertainment—from Victorian times to the present. And it also looks at some real-life cases of young girls who became the innocent victims of someone else’s obsession—unhappy sisters to one of the most affecting heroines in American fiction, and one of the most widely misunderstood.”

INTRODUCTION

The original spark of inspiration for this book was a little less ambitious. It came from a moment in a BBC television documentary that was originally broadcast to coincide with the release of the 1997 film version of Lolita. Adrian Lyne’s movie (the second of 2 film adaptations) had, to the surprise of many, enjoyed the willing consultative participation of Dmitri Nabokov, the author’s dauntingly accomplished son, a famously rigorous critic of any attempts to fool around with his father’s masterpiece.”

Nabokov I foi também um “lepidopterist”: especialista em borboletas e mariposas!

Lolita and her story were just one of these dazzling inventions, completed and put away in late 1953 and at once, in its author’s mind, displaced by the next pressing project.”

Fame is of assistance only to people who make their work, not celebrity status, the point of their endeavors. ‘It is Lolita, not I, who is famous’, Nabokov once said, when pressed, but her fame brought him wealth and independence, and if the suspicion remains that he would have preferred to have been rewarded earlier and more evenly for a lifetime of remarkable literary achievement, he was philosophical about the irony.

The German poet Rainer Maria Rilke defined fame as ‘the sum total of all the misunderstandings that can gather around one name’.”

1. THE REAL LIFE OF DOLORES HAZE: Just the facts

Humbert Humbert is a middle-aged, fastidious college professor. He also likes little girls. And none more so than Lolita, who [sic] he’ll do anything to possess. Is he in love or insane, a silver-tongued¹ poet or a pervert, a tortured soul or a monster—or is he all of these!

¹ [Persuasivo, eloqüente.]

The above summary—either supplied by the publisher or staffers at the amazon.co.uk Web site on which it appears, promoting a Penguin Modern Classics edition of the novel—illustrates the difficulty of synopsizing the plot of Lolita. The book does not lend itself to literal précis. Most attempts to summarize it make it sound melodramatic or even absurd.”

The colorful memoir is prefaced with a straitlaced introduction by the fictitious John Ray Jr., who claims to be its appointed editor. The novel’s action takes place in various U.S. locations in the late 1940s and early 1950s and presents Humbert and Lolita’s story exclusively from Humbert’s point of view and in his own often florid literary language.

So far, so good. It is when we come to summarize the book’s nature and texture that this infinitely subtle, allusive, comic, and grotesque love story defeats us. A black comedy about a middle-aged man’s obsession with a young girl is the line most frequently taken by movie listings journalists whom space compels to encapsulate the plot of either of the two film versions of Lolita in around a dozen words. Such doomed exercises recall a sketch from the cult 1970s comedy TV series Monty Python’s Flying Circus where, in the setting of a televised competition, contestants are challenged to give a 15-second summary of Proust’s one-and-a-half-million word À la recherche du temps perdu.”

today, in the age of the sound bite, the elliptical impressionism of Humbert’s account leaves the heroine of Lolita even more susceptible to grotesque misinterpretations.”

The public, they reasoned, wanted cartoonish representatives of complicated things. Accordingly, in the popular imagination wild-haired Albert Einstein became the Wacky European Scientist, surly Marlon Brando the Mumbling Ambassador of Inarticulate Youth, pneumatic Marilyn Monroe the paradigmatic Hollywood Pinup, mad-eyed bald man Pablo Picasso the Famous Modern Artist, and so on. It was a kind of visual shorthand, and it was often accompanied by editorial to match. If this trend did not actually discourage serious debate about science, acting, stardom, and modern art, neither did it do much to promote it. In this breezy spirit Lolita would gradually exemplify the Sultry Teenage Temptress. It was a travesty from the start.

In the first place, Lolita was a 12-year-old child—not a teenager—when she first succumbed to the middle-aged man who subsequently narrated the saga of his infatuation with her. In the second place, she was not equipped, in any sense, to be an iconic temptress. The novel’s descriptions of her stress her physical appeal but only in relation to Humbert’s appetites.”

In short, far from being overt, Lolita’s sex appeal would have been elusive to all but a pedophile with a very specific shopping list of expectations. For Humbert, the first wave of desire for Lolita derived from her resemblance to a particular girl who obsessed him when he was 14 and whose loss, he fancies, froze his sexual ideal forever, just as a snapshot freezes its subject in time as well as space.”

It was not until a publicity poster appeared for Stanley Kubrick’s 1962 film of Lolita that we first encounter a color photograph of an entirely bogus Lolita (Sue Lyon) wearing red heart-shaped sunglasses while licking a red lollipop (love and fellatio, get it?). Lolita’s sunglasses in Kubrick’s (black-and-white) film sport regular frames and at no point does she suck that kind of lollipop, so the poster makes false promises on every level. The same synthetic image subsequently graced many international paperback editions of the novel. Yet before Lolita’s first American publication in 1958, Nabokov had insisted that there should be no little girl at all on the book’s cover because he was in the business of writing about subjective rapture, not objective sexualization.”

A grande ironia é que eu tenho um exemplar de Pnin em português com a seguinte chamada de capa: do mesmo autor de Lolita!

Tensions between fact and fiction, real names and aliases, evocation and invention, description and advocacy, confession and fantasy not only run through Lolita from start to finish but also precede and postdate the novel in a sometimes extraordinary series of foreshadowings, overlaps, and echoes.”

2. CASEBOOKS AND FANTASIES: Dolores Haze’s oft-told tale

by casting himself alongside poets like Dante and Petrarch—not to mention Edgar Allan Poe—Humbert Humbert seeks somehow to glamorize his wretched appetites by implying that his perversion is one to which artists and visionaries are particularly susceptible.

When Humbert makes a passing reference to Dante’s ‘love’ for the child Beatrice, he is being entirely misleading, implying that Dante Alighieri was an adult when he met the 8-year-old Beatrice Portinari in 1274. Since Dante was only 9 at the time (and there is no historical record of an affair between the couple at any point anyway), this is a dishonest ploy, to say the least. His Francesco Petrarch reference is even less persuasive, asserting that Petrarch fell madly in love with Laureen when she was a fair-haired child of 12. The poet was 23 when he first became enamored of the mysterious Laura in Avignon’s Église de Sainte Claire during the spring of 1327. Although evocatively immortalized in Petrarch’s verse, historically speaking Laura remains an entirely unknown quantity. It is only some scholars’ guess that she was in reality one Laura de Noves, the wife of Hugues de Sade. And even if this were true, then she was not only already married but also a mere 6 years younger than Petrarch, making her 17 at the time of their meeting in that French church.” “Humbert is, however, quite right when he says that Virginia Clemm was only 13 when she married her 27-year-old cousin, the poet and mystery writer Edgar Allan Poe, in 1836.

Poe is something of an éminence grise always present in the shadows of Lolita. Humbert appropriates his first name as a decorative addition to his own when the fancy suits him (‘Edgar H. Humbert’ is how he signs in at the Enchanted Hunters Hotel).”

Poe’s 1849 poem Annabel Lee supplies the plot and the seaside imagery, as well as the girl’s name for young Humbert’s ill-fated affair with his half-English, half-Dutch Annabel in the fateful summer of 1923.” “In Poe’s poem Annabel finally succumbs to a fatal chill right there in their ‘kingdom by the sea’. Death also overtakes Humbert’s Annabel, but not until after they have parted, and not in the Riviera sun—not until 4 months later when she dies of typhus in Corfu.”

Neither the angels in Heaven above,

Nor the demons down under the sea,

Can ever dissever my soul from the soul

Of the beautiful Annabel Lee.” E.A.P.

Leaving Humbert’s own very selective literary and historical apologists to one side, we may, to use a Humbertian turn of phrase, ‘tom-peep’ into the lives of a few more proto-Lolitas. The sexual appetites of Charles Lutwidge Dodgson, who under the name of Lewis Carroll found lasting fame as the author of Alice’s Adventures in Wonderland, remain mired in ambiguity (the book was translated into Russian, incidentally, by a young Vladimir Nabokov, a daunting task for which he allegedly received the equivalent of $5).”

A verdadeira Alice Lidell, que não era loira, como muitos pensam.

Dodgson died a bachelor in 1898, his reputation intact, perhaps because his fondness for young children was more commonplace than we might like to think and existed in an ambiguous Victorian moral climate where even honest attempts to protect children were based upon a very formal concept of sexual purity. In his book Child-Loving: The Erotic Child and Victorian Culture, James R. Kincaid went so far as to link our contemporary cultural preoccupations with pedophilia back to 19th-century ‘child protection’ reforms that took the form of compulsory schooling, age of consent laws, and the formation of anticruelty societies.”

Early in the 20th century came one of Lolita’s almost forgotten progenitors. She was not famous at first and only attracted widespread attention in recent years—and then only because of the existence of her more famous successor. Heinz von Eschwege, a German author who wrote under the pen name of Heinz von Lichberg, invented his Lolita in 1916 in a short story of that name, which, in Carolyn Kunin’s English translation, runs to a little under 350 words. The coincidences beyond the title name are surprising, even though von Lichberg’s tale is very unlike Nabokov’s and his short but convoluted narrative resembles a set of those hollow Russian dolls that keep revealing ever smaller replicas of themselves stashed within. It begins with an account of a social gathering in Germany at which a professor tells the assembled company a story drawn from his own experience (or perhaps his reveries, he freely admits). This story is characterized by dreams and supernatural trans-generational coincidences. The German professor, traveling in Spain, is introduced to an Alicante innkeeper’s daughter called Lolita, who ‘by our northern standards . . . was terribly young. . . . Her body was boyishly slim and supple and her voice was full and dark. But there was something more than her beauty that attracted me—there was a strange mystery about her that troubled me often on those moonlit nights’. The couple have a sexual encounter and a brief affair and then part, but the story is really about the narrator’s strange nocturnal fantasies that began at home in southern Germany and, in the light of his subsequent meeting with Lolita, seem to have let him glimpse mysterious

events from the history of her family, the female line of which is apparently doomed to suffer madness and death shortly after giving birth. The story is essentially a curio, but its rediscovery naturally raised the question of whether or not Nabokov—who actually lived in the same Berlin district as von Eschwege in the mid-1930s—could have read it and been influenced by it, however subliminally.”

Dmitri Nabokov claims any influence is unlikely since his father hardly read German at all at the time. Even so it is eerie to think that Dolores Haze, conceived in Mexico, might have had a spiritual ancestor with Hispanic connections, a woman famous for her reputation for tempting men and someone for whom pregnancy would mean inevitable death.

Hindsight is a fine thing, and it is sometimes possible to see patterns and connections where none exist. The question of what, if anything, Nabokov owed to von Eschwege caused a literary stir when the first Lolita was unearthed and subsequently discussed in Michael Marr’s book The Two Lolitas. Marr, however, concluded that ‘nothing of what we admire in Nabokov’s Lolita is already to be found in the tale; the former is in no way deducible from the latter’.

A more questionable although undeniably fascinating claim of inspiration came from Charlie Chaplin’s biographer Joyce Milton, who maintained in her biography Tramp: The Life of Charlie Chaplin that Chaplin’s 1924 marriage at the age of 35 to 16-year-old Lillita Grey was Nabokov’s real inspiration. The name ‘Lillita’ is certainly a temptation to rush to judgment (after one film appearance as Lillita McMurray, the young actress in question later variously appeared as Lita Grey and Lita Grey Chaplin).”

Curiosamente:

lilt (ENG) (subst. ou verbo) alto-astral, animado, eufórico.

It is hard to see any real parallels between Humbert and Chaplin, apart from their shared ‘Europeanness’ and the latter’s well-known fondness for very young girls, a tendency that, like Charles Dodgson, he seemed to always find convenient to believe was essentially innocent and nonsexual.”

Imagine this kind of thing: an old dog—but still in his prime, fiery, thirsting for happiness—gets to know a widow, and she has a daughter, still quite a little girl—you know what I mean—when nothing is formed yet, but already she has a way of walking that drives you out of your mind. A slip of a girl, very fair, pale, with blue under the eyes—and of course she doesn’t even look at the old goat. What to do? Well, not long thinking, he ups and marries the widow. Okay. They settle down the three of them. Here you can go on indefinitely—the temptation, the eternal torment, the itch, the mad hopes. And the upshot—a miscalculation. Time flies, he gets older, she blossoms out—and not a sausage. Just walks by and scorches you with a look of contempt. Eh? D’you feel here a kind of Dostoevskian tragedy?” Nabokov, Dar (The Gift)

Almost immediately after the completion of Dar, in Paris in the autumn of 1939, Nabokov wrote his Russian novella Volshebnik (The Enchanter), which uses the first part of the above narrative premise. Unpublished, the story was assumed lost after Nabokov and his family relocated to the United States in 1940 (in point of fact the author mistakenly recalled destroying it). Unexpectedly, Volshebnik resurfaced among some papers in February 1959, and its author, more often than not a man impatient with his own failings as a young artist, found himself not entirely displeased by the rediscovered piece.

I have reread Volshebnik with considerably more pleasure than I experienced when recalling it as a dead scrap during my work on Lolita, Nabokov wrote in a letter” “(It was not to appear until 1986, almost a decade after Vladimir Nabokov’s death, in a translation by his son, Dmitri.) The original Russian version was at last published in 1991, half a century after it was written. Unlike Lolita, Volshebnik is easily summarized: A middle-aged pedophile marries an ailing woman in order to be near her 12-year-old daughter. When the woman finally dies he takes the girl on a vacation, planning to establish a sexual relationship with her over time while dressing up this protracted seduction as a game of make-believe. In their hotel room, however, he is too impatient and fondles her once she goes to sleep. When she awakes and begins screaming, the man knows all is lost and runs panic-stricken from the hotel in suicidal search of ‘a torrent, a precipice, a railroad track’. A thundering, heavy vehicle obligingly supplies the deus ex machina and the story’s ending. Compared to the infinitely richer Lolita, Volshebnik seems a rather mechanical trifle and, although beautifully written and translated, does not make us care much about any of the participants in Nabokov’s miniature Dostoevskian tragedy. Only in the occasional fleeting detail does there seem to be any live connecting tissue to Lolita, as in the introduction of Volshebnik’s nameless nymphet (who incidentally shares Lolita’s pale gray eye color) in a park on roller skates. She is ‘leaning well-forward and rhythmically swinging her relaxed arms’

SAN JOSE, Calif., March 22—(AP)—A plump [rechonchuda] little girl of 13 told police today she accompanied a 52-year-old man on a 2-year tour of the country, in fear he would expose her as a shop-lifter.

The girl, Florence Sally Horner of Camden, N.J., was found here last night after she appealed to Eastern relatives ‘send the FBI for me, please?’

Her companion, Frank La Salle, an unemployed mechanic, was said by County Prosecutor Michael H. Cohen in Camden to be under indictment for her abduction.

Officers said the girl told them La Salle had forced her to submit to sexual relations.

The nice looking youngster, with light brown hair and blue-green eyes, attributed her troubles to a Club she joined in a Camden school. One of the requirements, she said, was that each member steal something from a 10-cent store.

She stole an article, she related, and La Salle happened to be watching her. She said he told her he was an FBI Agent; that ‘We have a place for girls like you.’

Sally said she went away with him, under his threat that unless she did, he would have her placed in a reform school.” Associated Press, 1950

Nabokov uses an even more devious documentary device when he has Humbert refer to and relate another true-life crime of the day, that of G. Edward Grammar, a 35-year-old New York office manager arraigned for murdering his wife and trying to make her death look like a car accident.”

A creative writer, Nabokov wrote in his own memoir, Strong Opinions, must study carefully the works of his rivals, including the Almighty.”

Automobiles, it turned out, were clearly bad news in the short, sad life of Sally Horner, because less than 2 years after her liberation from Frank LaSalle’s mobile prison, she was killed in an unrelated road accident.”

So Sally Horner’s case brought the 20th-century casebook history of real-life pedophilia up-to-date with the time frame of Lolita, even overtaking the action by a couple of years.”

The world’s news media still intermittently highlight certain such cases. A 10-year-old Japanese girl, Fusako Sano, was kidnapped and held captive by Nobuyuki Sato for 9 years, from

1990 to 2000. Teenager Tanya Kach, of Pittsburgh, Pennsylvania, was confined against her will at the home of 37-year-old Thomas Hose from 1996 to 2006.”

Natascha Kampusch, born in 1988 in Austria, grew up fatherless like Lolita even though her mother, Brigitta Sirny, did enjoy a fairly stable relationship with another man. When Natascha was 10 she was abducted while walking to school alone after an argument with her mother (shades of Charlotte Haze’s daily domestic battles with her daughter). Her abductor, Wolfgang Priklopil, imprisoned her in a small, secretly constructed room in his house for most of the 8 years of her confinement. Although she refused to discuss ‘personal or intimate details’ after she finally escaped in 2006, the tacit assumption is that Priklopil used her as a sex slave, and Kampusch did admit to a media advisor, although not in front of the TV cameras (hers was a very structured reintroduction to society), that Priklopil beat her badly from time to time. Perhaps of particular interest to those unimaginative souls who persist in seeing Lolita’s dull cooperation with Humbert’s exploitative regime as complicity pure and simple is the fact that Priklopil once took his prisoner on a skiing holiday in Vienna and would even take her shopping occasionally. The complexities of their enforced relationship are still not fully explained and may eventually yield some awkward truths, but in 2006 the case provided an eerie echo of both Sally and Lolita, neither of whom could ever have been guarded night and day, every day, but both of whom somehow lacked the spur or spirit to escape their captors until much later than they might have been expected to do. This phenomenon now has a name, courtesy of a 1973 bank siege at Norrmalmstorg, Stockholm, Sweden, in which the robbers held employees hostage from August 23 to August 28.”

Natascha Kampusch’s wild escape through suburban gardens and streets, during which she completely failed to interest anyone she met in her plight, has itself a dark Nabokovian tinge of farce”

3. A VERY 1950s SCANDAL: Hurricane Lolita

For a time, 20th-century America did have a written moral code, and although it was intended to control only the movies, it reflected much broader establishment concerns about the general threats posed by artists to society in general. It was the Motion Picture Production Code of 1930, better known as the Hays Code, named for ex-Republican politician and ex-postmaster general [president dos Correios] Will H. Hays, who was appointed the first president of the Motion Picture Producers and Distributors Association and therefore became the nominal father of the code. The Hays Code was bold enough to set down its guidelines and exclusion zones in full literal foolishness. Although it was in operation for only 30 years or so, the code neatly set out the establishment view of what was thought admissible to depict—at least on the screen—during the period leading up to and beyond the time of Lolita’s publication.”

Though regarding motion pictures primarily as entertainment without any explicit purpose of teaching or propaganda, producers know that the motion picture within its own field of entertainment may be directly responsible for spiritual or moral progress, for higher types of social life, and for much correct thinking.” Mais lendária que a mula sem-cabeça essa mitologia hollywoodiana ianque!

The sanctity of the institution of marriage and the home shall be upheld. Pictures shall not infer that low forms of sex relationship are the accepted or common thing.” Este é o mundo livre que venceria os comedores de criancinhas soviéticos!

Sex perversion or any inference to it is forbidden”

Miscegenation (sex relationships between the white and black races) is forbidden.”

Children’s sex organs are never to be exposed.”

His moral reign, however, happened at a time when image was deemed less important than it is now; one parenthetically wonders whether saturnine [sardônico] 50s TV personality Ed Sullivan would even get a job reading the local news in front of today’s cameras.”

So Hays became the unlovely and unloved poster boy of a notorious code that was often booed when a summary of its principles appeared on the movie screen prior to the feature film—hardly the sign of a regulatory body in touch with the public.

The code was right about one thing, however: books, for whatever reason, were indeed somewhat ahead of movies in the frankness stakes, even if James Joyce’s Ulysses (1922) did run into censorship trouble in the United States during its prepublication serialization in The Little Review magazine. The finished novel was duly banned from U.S. publication until the 1930s, when Random House finally engineered the importation of a French edition with the full knowledge that it would be seized by customs. It was, and the ensuing trial—United States v. One Book Called Ulysses¹—resulted in U.S. District Judge John M. Woolsey ruling that the book was not pornographic and so could not be classed as obscene.”

¹ Essa forma de batizar julgamentos em que o réu ENFRENTA O ESTADO NOMINALMENTE sempre me soou como a coisa mais babaca do sistema judicial gringo. E, voilà, o irlandês deu um direto na fuça do Tio Sam!

Scandalous writing of a less high-flown sort next tested the would-be book banners and came in the shape of Kathleen Winsor’s proto-bodice-ripper Forever Amber (1944), which immediately stimulated a popular appetite for erotic fiction. Her impressively researched book was set in Restoration England and concerned a female social climber with a pragmatic moral sense and an eye on bedding the king; it triggered several charges of pornography and calls for bans across America. The Massachusetts attorney general found in it 70 instances of sexual intercourse, 39 illegitimate pregnancies, 7 abortions, 10 descriptions of women undressing in front of men, and many ‘miscellaneous objectionable passages’, and so prosecuted.”

the Massachusetts Supreme Court eventually concluded that Winsor’s historical research was thorough and resulted in an honest portrayal of the mores of the time and place in which the book was set.”

In 1946, literary critic Edmund Wilson published his second book of fiction, Memoirs of Hecate County. Wilson was at the time a friend and supporter of Vladimir Nabokov, although eventually the two men of letters would fall out, partly over Wilson’s low opinion of Lolita. Published by Doubleday, Memoirs of Hecate County received good reviews and sold almost 60,000 copies before the Society for the Suppression of Vice [vice fuder!] brought suit against the publisher in July 1946, on the grounds of objecting to a number of frank but otherwise unexceptionable heterosexual sex scenes.”

Will H. Hays, who died in 1954, might well have entered his grave already spinning after learning that according to Kinsey and his team at their Institute of Sexual Research, sexual orientation was a far more complex issue than The Adventures of Ozzie and Harriet¹ might have Middle America believe.”

¹ “The Adventures of Ozzie and Harriet is an American television sitcom, which aired on ABC from October 3, 1952, to April 23, 1966, and starred the real-life Nelson family. After a long run on radio, the show was brought to television, where it continued its success, initially running simultaneously on radio and TV. It was the longest running live-action sitcom in television history until It’s Always Sunny in Philadelphia replaced it on May 26, 2020, when that series got renewed for a 15th season. The series starred the entertainment duo of Ozzie Nelson and his wife, singer Harriet Nelson, and their sons, David and Ricky. Don DeFore had a recurring role as the Nelsons’ neighbor ‘Thorny’.”

Whatever the validity of Kinsey’s methods and statistics—and these were certainly controversial—the very fact that such taboos were being discussed openly seemed to cause as much outrage as the findings they unearthed. Surely America did not behave like this behind closed doors—and if it did, surely no one should ever talk about it so frankly.”

With its lively litany of social injustice, murder, adultery, and abortion, Peyton Place would remain on the New York Times’ best-seller list for over a year and seemed to mark an emphatic rejection of any hopes of art encouraging ‘correct thinking’. One episode in Metalious’ novel originally had a character named Selena Cross murder her father because he had been sexually abusing her for years. The real-life inspiration was 20-year-old Jane Glenn, a New Hampshire girl who, in 1947, confessed to the same crime—and to burying the corpse beneath a sheep pen with the help of her younger brother. Metalious’ editor changed Selena Cross’ victim to stepfather, feeling that murder was acceptable but incest was a vice too far. This assumption finds an echo in Humbert’s own moral prioritizing when he notes from his prison cell that, sitting in judgment on himself, he would dismiss the murder charge and give himself at least 30 years for rape.

Before the American public would be allowed to read these words and the rest of Lolita, Nabokov’s book would have to make its way through a maze of obstacles. When it had done so, it unleashed a scandal to overshadow all of its recent predecessors. Since it involved scholarly, retiring 59-old Vladimir Nabokov (a man whose substantial body of fiction contained no obscene words and bore eloquent testimony to his total indifference toward books with social or moral messages), it was somehow fitting that this chronicler of unexpected coincidences and unintended consequences should find himself at the center of an international uproar about morality, social responsibility, and obscenity. Nabokov had placed at the heart of his greatest novel something that Joyce had not touched upon and Hays had not even dared to articulate in order to forbid: pedophilia.

The journey toward scandal was slow and complex. Lolita’s first publishing house, the Paris-based Olympia Press, had been inherited by Maurice Girodias from his father, who had published Henry Miller’s Tropic of Cancer and Tropic of Capricorn in the 1930s. Girodias junior, falling on hard times in 1953, resolved to make money by publishing, in English, every book he could acquire that had fallen foul of Anglo-American censorship. The censor’s thumbs down was his only criterion; good, bad, or indifferent, if it had been banned, Girodias wanted it. To be fair, Girodias had also published some respectable authors (including Lawrence Durrell, J.P. Donleavy, and Samuel Beckett) and at least one notable piece of erotica, L’histoire d’O by Anne Desclos (who wrote such books either anonymously or pseudonymously as Pauline Réage while enjoying rather a good reputation under another literary pseudonym, Dominique Aury). Nabokov, however, knew little of Girodias and was guided by his French agent and friends in Paris. Since Girodias had until recently owned another imprint, a prestigious art book subsidiary called Éditions du Chêne, this further seemed to enhance his reputation as a serious publisher. So when he offered to publish Lolita, Nabokov (who had already had the novel rejected by Viking, dubbed ‘pure pornography’ by Simon & Schuster, and further rejected by 3 more American publishers) jumped at the chance.”

The final 3 months of 1955 were stressful for the author, who, having just recovered from a serious bout of lumbago, was now having difficulty finding a publisher for his next novel, Pnin (or My Poor Pnin as it was titled at the time).”

In December of the same year the French Ministère de l’Intérieur banned 25 English-language Olympia titles, Lolita among them.” Mal tinham sido salvos dos nazistas e já andavam tão ingratos!!

The French press was immediately up in arms at what it saw as a betrayal of France’s traditional cultural freedom; it identified Nabokov’s book as the true cause of the blanket ban and, by January 57, had elevated the legal dispute into ‘l’affaire Lolita’.”

France’s highly regarded publishing house Gallimard arranged to publish a French-language edition, which would be very well received—a particular fan was Raymond Queneau, a longtime Gallimard employee whose own linguistically playful novel Zazie dans le métro (1959) would transpose something of Lolita’s nymphet feistiness to another little girl, this time in a Parisian setting.”

Lolita took off, selling 100,000 copies in 3 weeks. When Putnam’s took out an ad in the New York Times Book Review of August 21, there was no shortage of rave reviews to cite. Graham Greene, William Styron, and Lionel Trilling all praised it fulsomely, and even Dorothy Parker seemed to acknowledge that for once her tendency to deploy her vitriolic wit even when reviewing things she liked had no place here. ‘A fine book, a distinguished book—all right, then—a great book’, she wrote.”

“‘V. serenely indifferent’ was Véra Nabokov’s diary entry about her husband’s reaction to finally hitting the commercial jackpot after a lifetime of poorly paid literary toil.

Lolita was never prosecuted in the United States, a source of great satisfaction to Nabokov, who passionately loved his adopted homeland. Ironically, the many delays to publication had probably helped matters since the incremental efforts of many liberal-minded publishers had recently contributed to a more mature climate surrounding literary censorship.” “As soon as the Cincinnati Public Library banned it, Lolita immediately reached the top of the best-sellers list. When the Los Angeles Public Library was ‘exposed’ for circulating a copy, the only result was a boom in sales of the book in California. The Texas town of Lolita gravely debated whether it should change its name to Jackson, presumably in case it was mistaken for a little girl.” HAHAHAHAHA!!!

Again America was absorbing something controversial into its popular culture instead of subjecting it to a witch hunt. Mainstream comedians all had a Lolita gag, the unspoken basis of the joke being that Lolita was a dirty book.” Imagina o DE NÓBREGA mandando essa!

I’ve put off reading Lolita for 6 years, till she’s 18.”

Groucho Marx

All this playfulness marked the beginning of Lolita Haze’s disparagement; the advance guard of what would prove to be a legion of faux Lolitas would soon start to emerge. Perhaps the very first was the ponytailed little girl who, incredibly, on Halloween came to the Nabokovs’ door looking for treats while dressed (by her parents!) as Lolita; the famous name was spelled out on a sign she bore and—even more sinister, since it betrayed a detailed knowledge of the book—she carried a tennis racket. Nabokov was quite shocked. If only he had known what lay in store for his nymphet.” Esses pais são o que eu chamaria de the original pranksters!

Nabokov had sold the film rights of his book to James B. Harris and Stanley Kubrick, so now Lolita Haze and Humbert Humbert were about to make the fraught transition from what Hays had called ‘the cold page’ to embodiment by ‘apparently living people’. For a middle-aged actor to impersonate Humbert might be seen as no more than a risky professional challenge, but for a prepubescent girl to embody Lolita on-screen looked like a decidedly dangerous prospect. We may charitably assume that Nabokov’s otherwise absurd suggestion that a ‘dwarfess’ be hired to play Lolita was simply a comment designed to avert any charge of being implicated in the corrupting of a living, breathing child. He had no need to worry; others would take care of the corrupting. They had been doing it in Hollywood for years.”

4. LOLITA IN MOVIELAND 1: Little Victims and Little Princesses

As with Dickens’s Little Nell, Little Emily, and Little Dorrit, that emotionally loaded word ‘little’ was to feature frequently in the promotional screen name of many a child actress (Little Mary Pickford and Little Blanche Sweet, for example), as well as in the titles of their films (The Little Princess, Little Annie Rooney, The Poor Little Rich Girl, and so on). Usually helming these enterprises and guiding their young stars’ careers were 40-something men about whose sexual inclinations we are entitled to wonder.”

it was pointed out as long ago as 1920, in the movie magazine Photoplay, that the father of film D.W. Griffith seemed to have an ‘obsession with scenes in which women and girls are beaten or attacked’.” “As in the case of Alfred Hitchcock’s well-known obsessive tendency to put his ice-cool blonde heroines through the physical or emotional mill, it could be that Griffith’s fixation was nothing more than the public sublimation of dark fantasy. He is now best remembered for directing the sprawling epics Birth of a Nation (1915) and Intolerance (1916), but Griffith also has the distinction of giving the movies their first recognizable prototype nymphet. To be sure, his version was a composite model, most often portrayed by Lillian Gish¹ and later played by actresses like Carol Dempster, Colleen Moore, and Mae Marsh, but it had been Griffith’s idea to create the character in the first place. He was certainly not alone in his interests.”

¹ Algum parentesco com Annabeth Gish? De qualquer maneira, Lillian viveu 100 anos (!) e começou a carreira de atriz já maior de idade. Dedicou ¾ de sua longa vida às telas!

In his Foolish Wives (1922), Stroheim’s character fakes love in order to try to seduce his maid, an ambassador’s wife, and a simpleminded 14-year-old girl (reenter the damaged little girl stereotype).”

In Queen Kelly, Stroheim directed like a man who knew that this might be his last film, and at one point Gloria Swanson had to cable Joe Kennedy, begging him to come and stop the ‘madman’ who was blowing the budget. Needless to say, Kennedy’s financial investment in the movie did not pay off, although it did allow his 32-year-old mistress to play convent girl Kelly, a lead part for which she was clearly far too old.”

Only one actress had miraculously spanned the entire life of the phenomenon, sustaining a little girl image that began under the guidance of D.W. Griffith in 1909 and served her well for the next 20 years. She was Gladys Marie Smith from Toronto, Canada, reinvented as Little Mary Pickford for the American movies, a highly durable nymphet who, professionally at least, would have laughed at Humbert’s age boundaries of 9 and 14.” “When her legions of loyal fans were asked by a movie magazine in 1925 whom Little Mary should play next, Alice in Wonderland and Heidi were among the top choices.” “Her protracted adult depiction of a childhood that she had never personally experienced now looks rather grotesque, and her performances come over as skillful but cloying [enjoativas] and arch [velhacas, com o perdão do trocadilho]. To her credit, Pickford did not think much of them herself (‘I can’t stand that sticky stuff’), and by the start of the 30s she knew it was all over. Her fans would simply not let her grow up. When she had the temerity to bob her hair in 1929 they had been outraged.”

By the 30s Dickensian waifs [magricelas dickensianas seria a tradução mais próxima] were on their way out. Adults impersonating children were also passé, but children impersonating adults were becoming very popular indeed. In This Is the Life (1935), 9-year-old Jane Withers mimicked Marlene Dietrich’s knowing top-hat-and-tails routine from Blonde Venus with disturbing skill.”

One scene in the movie Gold Diggers of 1933 features a midget, Billy Barty, disguised as a child of indeterminate sex, lasciviously raising a translucent curtain that has previously been displaying only the shapely silhouettes of scantily clad showgirls.”

The camp charm of a movie like 42nd Street (1933) is still enjoyable today, but our indulgent smile fades when the young ‘Chubby’ Chaney passionately kisses a cardboard cutout of Greta Garbo stationed in a movie theater lobby in a 1931 Our Gang two-reeler.”

It was Shirley Temple who set the standard, whether, at 5 years old, impersonating Marlene Dietrich (incredibly redubbed ‘Morelegs Sweettrick’) in Kid in Hollywood, a 1933 Baby Burlesk short, or matching top adult dancers step for step as she became a seasoned trouper of 8 years. Temple was not a nymphet, and neither were her contemporary child stars for that matter, but her precocity still posed an unsettling question about the sexual implications of the burlesque this particular baby was putting on. It was a matter that no one dared to raise in public until 1937.

Graham Greene’s infamous review of the 1937 Shirley Temple movie Wee Willie Winkie in the urbane but obscure British magazine Night and Day cast an intentional slur on a star Hollywood promoted as the embodiment of innocent cuteness. (…) He wrote that 9-year-old Temple displayed ‘a certain adroit coquetry which appealed to middle-aged men’.”

A swift libel suit by Twentieth Century Fox was successful and subsequently bankrupted the magazine, although it did little lasting harm to Greene, who swiftly decamped to Mexico, wrote The Power and the Glory, and, nearly 20 years later, became the first literary champion of a sensational American novel featuring a middle-aged man with a fatal taste for nymphets.

Greene’s trenchant observations about Temple’s sexualization were well founded but perhaps poorly targeted. Wee Willie Winkie was, after all, only one in a flood of similar films that adhered to a familiar convention, and it was perhaps selected for Greene’s critical attention simply because it was directed by John Ford, already regarded as a serious director. On the other hand, Greene already seemed familiar with Temple in Captain January, which boasted a less exalted directorial hand.

The child-star movies of the 30s can be partially excused because they were part of a general climate in which the sexual tensions between middle-aged men and much younger women or girls were broadly accepted as moral-free dramatic conventions of the time.”

The Major and the Minor (1942) was something of a wild card for the period, revisiting the silent cinema’s adult-imitating-a-child convention but this time seen through the caustic eye of Billy Wilder. Wilder was an Austrian expatriate who in many ways shared Stroheim’s dark perspective but usually managed to channel it into very funny if sometimes cruel satire. The Major and the Minor revolves around mid-western innocent Susan Applegate (Ginger Rogers), who needs to get home to Iowa from New York but cannot afford the train fare. Disguising herself as a 12-year-old in order to travel half price, she becomes involved with a short-sighted military man (Ray Milland) who finds himself strangely drawn to her. She feels the same, and the playing out of this apparently illicit romance lets Wilder have it both ways. The movie remains a very funny, out-of-time curio.

Otherwise, by the 1940s, the child-star syndrome had itself started to give way to a new type—adolescent girls who were sweet but not provocative, resourceful but not rebellious.” “Temple was the first to discover her babyish talent might not be automatically parlayed into puberty and beyond. She never really made it past 12 and was finished by the time she was a teenager. Elizabeth Taylor, Judy Garland, and Deanna Durbin personified the older girl-child stereotype, more demure but certainly not without an appeal to middle-aged men” “Garland, meanwhile, brought a no-nonsense, clean-pinafore [vestido feminino] charm to many films spanning the 30s and 40s. She might have been the least sexy of that particular trio, but it was 14-year-old Garland upon whom MGM decided to bestow a crush for their 35-old leading man Clark Gable.” “Garland’s blossoming figure was strapped down and she was given diet pills, so starting her out on a lifetime of drug dependency that would end in despair and death at 47. Durbin tried to make the transition to adult actress without success, despite her considerable beauty, and her career did not last beyond the 1940s; she went on to enjoy a long life away from Hollywood. Only Taylor made the breakthrough to an adult career, leaving behind a veritable menagerie of costars—dogs, horses, cats—as well as those men of a certain age. She had always looked older than her years, and her beauty when young was legendary.”

With the sweeter adolescent girls taking over in the mainstream family entertainment movies, it was left to these shadowy crime movies to give house room to the occasional Lolita of the day, and those characters were usually one-offs—kid sisters or daughters whom circumstance and their own sex drive put on the horns of a moral dilemma that was usually not the main concern of the movie.”

Errol Leslie Thomson Flynn started life in Hobart, Tasmania, and was something of an adventurer before he arrived in Hollywood by way of the provincial British stage in 1935. The 1940s proved to be Errol Flynn’s golden decade, and he appeared in a series of swashbuckling period movies that included The Adventures of Robin Hood and The Adventures of Don Juan while living the life of the Hollywood playboy to the hilt. Good-looking and with a rakish good humor, he enjoyed enormous success—indeed, it would be hard to find anyone who enjoyed it more. His taste for underage girls was well known around town and eventually well known in the world’s tabloids. Two teenagers, Peggy Satterlee and Betty Hansen, accused him of statutory rape in 1942, but Flynn was eventually acquitted after a 21-day trial. Wives came and went, but Flynn’s taste for young girls would continue unchallenged until the end of the 1940s, when he was again involved in a statutory rape case, this time of a 15-year-old girl. Again he was acquitted. Flynn never sought to disguise his tastes, and one of the things that had counted against him in the 42 rape case had been Peggy Satterlee’s evidence that he called her ‘J.B.’ (‘jail bait’) and ‘S.Q.Q.’ (‘San Quentin quail’)—proof, it was submitted, that he knew she was a juvenile. That time he got off because his accusers were eventually shown to be less than inexperienced before they met Flynn, further evidence that men could expect to get away with more than women in such matters.

It seemed the movies’ preoccupation with children and light family comedies was beginning to wane at the end of the 40s. It may have been due to nothing more than overexposure, or it may have been that the sobering experience of World War II—even if that experience was only tasted by some through the movie theater newsreels—had encouraged a taste for grittier fare than recycled Victorian dimples and ringlets.”

Then again, it may have been nothing more than that the postwar baby boom starting to populate America’s homes with large numbers of real children made movies starring unreal children seem suddenly less appealing.”

Marooned in a fairytale world of studio-funded special tutors and voice coaches, and rubbing shoulders with some of the biggest stars of the day, Gloria Jean gave her all to a style of sweet adolescent musical film fantasy that was in terminal decline but the production of which still represented the only reality she had ever known. She might have gotten a reality check from the star of the one bracing film she did appear in—Never Give a Sucker an Even Break (1941), where she played the niece of morose child hater W.C. Fields—but Gloria Jean had started too late, and when the end came it came abruptly. She moved into television and then into obscurity. Soon she was earning a living as a receptionist. The sweet-voiced little movie princesses had not made it into the next decade, and Gloria Jean had been the last one to leave, and it fell to her to turn out the light.”

5. LOLITA IN MOVIELAND 2: “Pedophilia is a hard sell”

From John Huston’s The Asphalt Jungle it looked as if Monroe might progress toward a serious, if limited, acting career. Instead, about half of the 22 films she appeared in during the 50s helped to define her as the ultimate Hollywood sex goddess and one whose erotic charge was indivisible from what would become one of the decade’s chief preoccupations: childish feminine innocence wrapped up in an adult body.”

As Clive James once noted, European movie sirens like Greta Garbo and Sophia Loren might look as if they were unashamedly thinking about sex, but ‘Monroe looked as if sex was something that might easily happen to her while she was thinking about something else’.”

Ginger Rogers is terrific at metamorphosing into a kid, but a childish Monroe does not behave all that differently from the adult model that she was already refining in 1952 and that would soon become iconic.”

Monroe had the 50s version of the damaged little Victorian girl syndrome and projected it with an impersonation of mental vacuity, physical vulnerability, and a constant need for a father figure to look after her. Because hers was an image based on reality, Monroe was the one who caught the public’s imagination; in real life she was a little brighter than she pretended to be on-screen and she could throw off the perilously high heels when she got home, but the deep-seated need for a daddy was genuine and would be evidenced by the men she sought and occasionally married.”

Judy Holliday, who was to die young, reprised variants of Billie Dawn in a handful of less satisfactory films, but her signature performance as a not-so-dumb blonde still stands as a classic example of how to make a cliché live and breathe.”

A few movies tentatively tried to absorb rock ‘n’ roll, but apart from the diverting The Girl Can’t Help It (1956) they were almost without exception embarrassing demonstrations that mainstream movies and rebellious rock were worlds apart.”

The film’s notoriety (emblemized by an iconic still showing Baby Doll (Carroll Baker) wearing the short nightgown that would henceforth carry her name, sucking her thumb, and sleeping on a child’s crib with the slats down) was enough to prompt fainthearted Warner Bros. into withdrawing the film from national release during its pre-Christmas 1956 run. Half a century after the furor it caused, Baby Doll looks better than ever, an edgy mix of comedy and drama, adult sexual promise and adolescent teasing, shadows and sunlight, tragedy and farce, all presented in ravishing black-and-white cinematography.” “In an interesting footnote, when Pennsylvanian Carroll Baker made the trip to Mississippi to star in the film, she found that ‘baby doll’ was a universal form of address for young women there, a sobriquet that seemed to combine the familiar ‘baby’ with a built-in reminder of women’s essentially passive, not to say submissive, role.”

One can only wonder where the Catholic Legion of Decency and all the other right-wing moral guardians were when, in CinemaScope and with a G rating, Maurice Chevalier, a musical Humbert if ever there was one, celebrated the unripe appeal of Caron’s pubescent whore-in-training with his lasciviously delivered song Thank Heaven for Little Girls.”

The Bad Seed marks a groundbreaking Hollywood depiction of the darker side of a female child who uses her stereotypically cute looks and presumed innocence to deceive. Shirley Temple, after all, would never have played a pint-sized ax murderer.”

Made in the same year as the first movie version of Lolita, the original film version of Cape Fear, directed by J. Lee Thompson, featured Robert Mitchum as Max Cady, a vindictive ex-prisoner intent upon exacting revenge from the lawyer who helped to put him away for attacking a woman 8 and a half years before. It contained particularly graphic scenes of Cady attacking both his enemy’s wife and young daughter. (…) Thompson was a lifelong opponent of censorship and battled spiritedly with the American censor who sought to reduce the general violence and tone down Cady’s obvious intention to rape the lawyer’s teenage daughter. Thompson had originally wanted 16-year-old Hayley Mills to play the daughter (‘because she was a very sexual girl’), but ironically enough the very sexual girl was under contract to Disney. Thompson wound up with the rather more anodyne Lori Martin instead. Although far less forthright than Martin Scorsese’s 1991 version of the story (where the daughter actually appears to be aroused by stalker Cady and at one point shares an open-mouth kiss with him), Thompson’s film, aided by a superb Bernard Herrmann score, manages to suggest extreme menace where it cannot be explicit.” “At one point Cady snatches up an egg from a counter and violently crushes it in his fist, spraying yolk and white on his victim’s chest and shoulders and then smearing the mess with the palm of his hand. Not for the first time a determined director discovered that when the censor obliged oblique methods instead of obvious ones, the result could be just as disturbing.”

Everybody would be troubled by the one biggest—and certainly the longest-running—sex-with-a-minor Hollywood story to dominate the headlines since the passing of Errol Flynn. Started in 1977, it centered on film director Roman Polanski, and its reverberations still continue to be felt over 30 years later.” “In a piece of fatal bad timing, the family returned to Poland just before the Nazis invaded; his mother was to die in Auschwitz, his father barely survived another concentration camp, and the young Roman only just escaped the Jewish ghetto. With such a traumatic start to his life, the various tragedies that he was to encounter later are put into a salutary perspective. Even so, when, in 1969, his pregnant wife Sharon Tate was murdered in the most grotesque and sensational circumstances at their house in the Hollywood Hills, Polanski—who had been absent at the time—was totally devastated and entered a phase that saw him shuttling between the United States and Europe until, in 77, he met the 13-year-old Samantha Geimer.”

Perhaps the most revealing of Polanski’s Freudian movies is, however, one of the least known. Variously titled What? and (in a censored U.S. version) Diary of Forbidden Dreams, this 1972 film is nothing less than a loose erotic reworking of Alice’s Adventures in Wonderland, in which young American tourist Nancy (Sydne Rome) has some very strange adventures of her own in an Italian coastal town. A disjointed film even before the censor got at it, What? transforms Alice’s rabbit hole into a strange villa peopled with nightmarish inhabitants, one of whom is a retired pimp played by Marcello Mastroianni. A scene in which he interrogates Nancy with all the logic of the Black Queen and then shackles her wrists to her ankles and whips her with a switch is the main reason this film never received a mainstream theatrical release and is still little seen; the handling of the scene is kinky and jokey, and its presence offers further evidence that Polanski’s sexual ideal was a young girl upon whom male dominance could be played out in ritualistic sex games.” Desculpem-me os criminologistas adiantados ou psicanalistas (esses sempre adiantados e sempre equivocados), mas não creio que se possa determinar condição psiquiátrica de perversão sádica e pedofílica via criações artísticas! Estamos em 2008 (data do livro) e isso deveria estar mais claro… Não há relação de causa-efeito entre Polanski diretor e Polanski estuprador, nem “raio X” da vida privada em seus filmes. Antes, como bem antecipou Vickers, o assassinato de sua primeira esposa, sim, foi macabro como uma ficção de mau gosto, esse o paralelo mais visível entre sétima arte e vida real.

Even Polanski’s late-blooming film noir masterpiece, Chinatown (1974), turns on the childhood sexual trauma of Faye Dunaway’s character, Evelyn Mulwray.” Um dos 10 maiores filmes da História. Ainda sobre o “reflexo da vida pessoal nas criações cinematográficas”, tem aquela piada sobre um matemático que lê um romance vanguardista e pergunta ao final: “Mas o que é que isso prova?”.

Once raped by her father (John Huston), she continues to protect the identity of a mysterious young girl called Katherine until, in response to a series of face slaps from Jack Nicholson’s exasperated private eye, she finally answers alternately, ‘My sister. My daughter. My sister. My daughter . . . she’s my sister and my daughter’.” Uma das cenas mais impactantes do cinema.

The implication of the film’s somber ending is that he now wants to gain control of Katherine, his daughter/granddaughter, in order to repeat the abuse” Desculpem o spoiler, mas ainda assim não perderão nada do senso trágico ao assistirem!

Polanski’s version was that Geimer’s mother had effectively entrapped him with a view to blackmail. Fearing that the plea bargain would not be honored, Polanski left the United States before trial, never to return. He is a French citizen, and France has no extradition agreement with the United States. He remains a European director who has never since set foot in the United States or any country that has extradition agreements with the United States.” Um ano depois deste livro, Polanski foi preso na Suíça, porém foi solto em cerca de 2 semanas diante de pendência documental e irregularidades por parte da justiça americana (source: Wikipédia!).

Preteen prostitution featured in Martin Scorsese’s Taxi Driver (1976), with Jodie Foster causing a minor stir with her portrayal of 12-year-old whore Iris Steensma.”

Also in 1976, heavily disguised as a Hitchcockian thriller, came the ultimate daddy’s little girl movie, Brian de Palma’s Obsession. Paul Schrader’s tour de force script has a successful New Orleans businessman lose his wife and young daughter in a kidnapping when he refuses to pay the ransom and a police rescue attempt goes fatally wrong. Ten years later, he meets a girl in Italy who looks exactly like his dead wife. He becomes obsessed with her, they have an affair, and he makes plans to take her back to New Orleans and marry her. Eventually the whole Italian episode is revealed to be an elaborate revenge plan: the born-again wife is actually the daughter who, unknown to everyone, survived the kidnapping and is now intent on exacting revenge from her neglectful daddy. In a Freudian nightmare of a scene, the daughter/lover, played by Geneviève Bujold, is shown toggling between her two roles (high camera angle/low camera angle, little girl’s voice/woman’s voice) during the course of a single breathless walk along an airport corridor. In Schrader’s original script incest took place, but by the time the film was shot and edited, de Palma decided to fudge the issue.”

In 1978, Louis Malle directed Pretty Baby, an ambivalent soft-focus movie in which 13-year-old Brooke Shields went topless as child prostitute Violet in early 20th-century New Orleans. (…) It seems safe to assume that such a movie might not be made today. The photographer, Ernest J. Bellocq (played by Keith Carradine), evokes shades of Charles L. Dodgson and his photographic studies of little girls previously discussed.”

In the late 70s, Woody Allen was in the middle of one of his most productive periods of moviemaking. Critics sometimes argued that he kept making the same movie over and over again, a variable celebration of loves found and loves lost from the same neurotic New York perspective of an intellectual with doubts about everything, especially mothers, psychoanalysis, and Judaism. Even for the most skeptical critics however, Manhattan (1979) represented one of Allen’s most satisfying variants on the theme. With its sumptuous black-and-white photography, Allen’s love affair with New York City featured the usual character list of literati and well-heeled academics but this time introduced a new element, a 17-year-old girlfriend for Allen’s mid-40s character. This age discrepancy is a central concern of the movie, never better highlighted than in the scene where Allen, Diane Keaton, and Michael Murphy are walking down the street having a very pretentious discussion about art while the 17-year-old girlfriend, Tracy (Mariel Hemingway), tags along. ‘What do you do, Tracy?’ asks Keaton’s character suddenly, in the middle of talking about the latest profile she has been commissioned to write for an arts magazine.

I go to high school’, Tracy replies innocently.

Suppressing a smile, Keaton turns aside to Murphy and says in a barely audible undertone, ‘Somewhere Nabokov is smiling, if you know what I mean’.

No one was smiling when, 13 years later, Allen’s relationship with his girlfriend’s adopted daughter was revealed. Now the age difference was 35 years, and the good-natured, liberal Manhattan was suddenly looked at in a new light by a moralizing press and public. It remains, however, one of the few examples of an American movie—a comedy to boot—that takes an adult, bittersweet approach to such relationships.”

Adrian Lyne’s 1997 attempt to cinematize Lolita is discussed in detail later, but in the present context it is worth noting that the thoughtful adaptation written by Stephen Schiff was greeted by a reactionary response that shrieked disapproval long before the film was completed or, in some cases, even begun. It was symptomatic of a new unwillingness to address stories focusing on pedophilia that would persist into the next millennium. The news media’s increasingly emotive and sensationalist treatment of child abuse cases in the 90s had helped to create a popular mood of national outrage at not only any actual instances of pedophilia but also at any film, TV program, play, or book that dared to explore the topic. (…) The resulting film ‘censorship’ was less a case of official proscription, more an informal outcome of a mixture of moral cowardice and commercial timidity shown by movie producers and studio executives who feared that acknowledging child abuse in a movie would automatically result in catastrophic box office returns.”

A vengeful Lolita for the 21st century. In Hard Candy (Menina Má.com, 2005), Ellen Page plays Hayley Stark (a.k.a. thonggrrrl14) who has no intention of becoming the 14-year-old victim of the 32-year-old man who believes he is grooming her on the Internet.” Curiosamente, Ellen virou Elliot – teria algum fundo traumático em sua decisão? Foi Kitty Pride na trilogia X-Men agora clássica. W.: “Page publicly came out as a gay woman in February 2014 and subsequently as transgender in December 2020. In March 2021, Page became the first openly trans man to appear on the cover of Time magazine.”

The twist comes early, when Hayley encourages Jeff to take her back to his isolated bachelor pad where it is she who spikes his drink and then takes him prisoner before subjecting him to a regime of physical and psychological torture based on her conviction that he is a pedophile and a murderer.” “Canadian actress Ellen Page’s stunning metamorphosis from breathless young teen to self-assured psychopath in the space of a couple of hours surely draws a definitive line under those early movies in which youngsters were admired for successfully aping the manners and mannerisms of adults.”

“‘You used all the same phrases to talk about Goldfrapp as they use in the reviews on amazon.com’ Here is a pleasing inversion of Humbert’s aloof tendency to use arcane Eurocentric cultural references, a private lexical amusement arcade that is largely meaningless to Lolita but that identifies Humbert as a man of the world, in every sense.” Hard Candy’s inspiration apparently came from Japanese news reports of girls ambushing men seeking underage dates on the Internet. Their tactic and Hard Candy’s reductio ad absurdum of it looks, in the end, less like female empowerment and more like the sort of warfare that brings both parties down into the mud, so rendering them indistinguishable from one another.”

When Dolores Haze sentenced Humbert to death she did it not with a noose but by accident, through her complete indifference to his late-blooming love and by divulging Quilty’s identity. The melancholic scene where she waves homicidal Dad goodbye one last time from the step of her sad Coalmont home can have only one outcome. Yet Lolita was only ever carelessly, thoughtlessly unkind, whereas thonggrrrl14 (and that snarling spelling, if nothing else in Hard Candy, would surely have been enjoyed by wordsmith Nabokov) is a self-appointed vigilante with a solemn cause, exactly the kind of political character Lolita’s creator famously abhorred.”

6. ON THE ROAD: Lolita’s Moving Prison

Crucial to any understanding of Nabokov’s nymphet is one of the most exuberant parts of Nabokov’s novel: the year-long road trip. This 11,500 word-section comes at the middle of the book and marks the point of no return for Humbert. It also contains some of the novel’s most revealing details about Lolita herself, details that frequently emerge not in the course of one of Humbert’s typically solipsistic character assessments but very much in the margins of their 27,000 miles journey. [mais que a volta ao mundo!]”

On the move, Lolita will not be able to make regular friends (in whom she might confide and thus betray him), and there will be no schools, psychologists, or social workers. Instead there will just be a year in limbo, disguised as a vacation for a child who has recently lost her mother in tragic circumstances.”

It is perhaps tempting to think of this tour—in however debased a form—as being in the general spirit of the Great American Road Trip, that iconic celebration of freedom, optimism, and exploration expressed by driving across a geographically varied nation.” Com efeito, um dos maiores mitos ou lendas urbanas do conto de fadas americano.

As Lolita’s self-appointed jailer, Humbert is in his own way as much a prisoner of their odyssey as she is.”

Henry Miller’s dyspeptic tour of 40s America, The Air-Conditioned Nightmare, amounts to little more than a litany of complaints about capitalism, mass media, rapacious industry, easy credit, misinformation, and what Miller called ‘the divorce between man and nature’.”

Humbert and Lolita’s tragedies are personal ones, not symbolic ones. Nabokov loved America and was distressed by those critics who saw malice or contempt in Humbert’s ironic observations about their ‘lovely, trustful, dreamy, enormous country’. Taylor Caldwell, for instance, praised Lolita but saw it as aiming its destructive fire at the ‘puerile materialistic and sickening fun of the perpetually adolescent American people’.

If Lolita’s road trip has any spiritual cousins, they can be found neither in the political invective of Miller’s prose nor in the morose beauty of Frank’s intentionally bleak photographs but rather in the canon of film noir, where it was almost always personal tragedies that provided the impetus.”

The widescreen color landscapes that would characterize the next generation of Hollywood road-movie fugitives—Butch Cassidy and the Sundance Kid, Bonnie and Clyde, or Thelma and Louise—were something different again.”

Jack Kerouac’s novel On the Road was put together and published at approximately the same time as Nabokov’s Lolita. Both books were begun in 1950. Nabokov’s was completed by the start of 1954 while Kerouac’s would not be ready for press until 1957. Stylistically worlds apart, both novels ended up hitting the headlines in the United States at about the same time.”

Kerouac’s famous book conflated and lightly fictionalized the 1946-50 real-life road trips undertaken by the author and his inspirational buddy Neal Cassady. (By revealing coincidence, Cassady’s interest in an underage girl was one of the things that Kerouac’s circumspect Viking Press editor Malcolm Cowley chose to excise from the manuscript.) Recasting Kerouac as Sal Paradise and Cassady as Dean Moriarty, On the Road expressed in loose, spontaneous prose all the excitement and adventure inherent in breaking the taboos of the day through a series of wild automobile trips dedicated to unrestrained indulgence in sex, drugs, and experimental spirituality. Lolita, by contrast, featured not only elegantly structured prose (the kind Kerouac and Cassady considered sterile) but also a more strategically considered itinerary, one that was designed to divert and restrain a child while camouflaging the sort of taboo breaking that even On the Road’s editor balked at seeing in print.”

the motel cabins change, but the car always stays the same. Long after Lolita has left Humbert, it is in the recesses of the car that painful souvenirs will turn up unbidden: a 3-year-old bobby pin discovered in the depths of the glove compartment after he has found and lost Lolita for the last time filled Humbert with particularly acute pain.”

With no new vehicles to buy it was quite usual for 40s cars to put in uncommonly long service with one owner, gradually becoming familiar, battered, and even anthropomorphized extensions of their occupants.”

Despite Humbert’s bored lack of interest in the American popular music of the day, we learn, by inference, that Lolita favors Jo Stafford, Tony Bennett, Sammy Kaye, Peggy Lee, Guy Mitchell, and Patti Page. This mix does not sit particularly well with Humbert’s assertion that she likes ‘hot, sweet jazz’—these were, after all, mainstream pop musicians, several of whom had hits with smooth metropolitan versions of country songs. Although his loose grasp of genres is quite plausible, Humbert’s boredom with popular music is frustrating; it would somehow have been nice to learn that Lolita sings along to, say, Patti Page’s Confess, and surely even Humbert himself might have found amusing traces of Little Carmen in Peggy Lee’s cheerfully racist ditty Mañana (Is Soon Enough for Me), another jukebox favorite of 1948. We are also told that Lo likes square dancing (no hot, sweet jazz there either), although it is far from clear how Humbert’s strict isolationist regime would allow her to participate in what at the time was essentially a couples community event usually organized by local dance clubs. Perhaps she simply admires square dancing as a spectator.”

Nothing will dispel Humbert’s fear that he will be found out. Even his enduring confidence in the anonymous privacy of the motel cabin proves misplaced when one night he discovers that their sexual activities must be clearly audible in the neighboring room from which there comes, too late, a clearly audible cough. Yet despite such reminders of the danger he courts, Humbert persists with their aimless tour as the seasons change and Lolita grows slowly more indifferent and then hostile toward him.”

Nabokov similarly listened to schoolgirl conversations on buses, pouncing on what, even to a man with his prodigious linguistic skills, must sometimes have sounded like a wildly exotic patois.”

As their Great American Road Trip draws to a close, Lolita is 13 years old, 8 pounds heavier, 2 inches taller, sexually active, reluctantly accomplished at trading physical favors for treats, and well established in the habit of crying herself to sleep on a nightly basis.”

7. TAKE ONE: “How did they ever make a film of Lolita?”

The 1962 film of Lolita was to give the world its first physical incarnation of Dolores Haze. There were some 800 applicants for the job, and sifting through them took producer James B. Harris and director Stanley Kubrick so long as to threaten to delay the start of shooting. Meanwhile, Vladimir Nabokov was vacillating about becoming involved in the reimagining of his own novel for the screen. Director Kubrick and producer Harris had bought the rights to the book from Nabokov for $150,000 (plus a share of the profits) in 1958, and their first attempt to get the author to write a screenplay had come in July 1959; it amounted to nothing. Although tempted, Nabokov turned them down after a discouraging meeting in Beverly Hills during which Kubrick’s concern about censorship—a concern that was in the end to handicap the film considerably—prompted his suggestion that the screenplay might somehow imply at the end of the story that Humbert and Lolita had been secretly married all along. It was an absurd and unworthy idea, but the author’s initial rejection of the screenwriting job stemmed not just from fears of this sort of compromise but from misgivings about his own role. A novelist, not a scenarist, Nabokov was the first to admit that he had comparatively little aptitude for writing for what he called the ‘talking’ screen.

I am no dramatist’, Nabokov conceded in the introduction to his eventually published screenplay, going on to say that if he were he would be a tyrant who demanded control of every single detail of the production, from costumes to sets.”

Despite declining the initial offer, in late 1959 the chronically insomniac author had subsequently been amused to find himself idly cinematizing certain scenes from his novel in ‘a small nocturnal illumination’. When, early in 60, a renewed and improved offer with the promise of a freer hand came from Harris and Kubrick, he accepted. His fee was to be US$40,000 plus an additional US$35,000 if he received sole credit for the script.

On March 1, 1960, Nabokov met with Kubrick at Universal City to map out some scenes in ‘an amiable battle of suggestion and counter-suggestion’. Then on March 9, both men met the frontrunner for the all-important role of Lolita. She came in the shape of 17-year-old actress Tuesday Weld. Nabokov called her ‘a graceful ingénue but not my idea of Lolita’. For once the novelist with a reputation for selecting the exact word to convey his precise shade of meaning had seemingly made a bad choice. Whatever else she was, Susan Ker Weld, initially nicknamed Tu-Tu, and later Tuesday, was not ingenuous. She was born in New York in 1943 and her father died when she was 3. Although the fascinatingly named Lothrop Motley Weld had come from a wealthy Boston family, his widow and 3 children were left with very little money after his death. Susan started working as a child model at an early age and soon became the family’s sole breadwinner. At 9 she suffered (she later claimed) a nervous breakdown, at 10 she began smoking and drinking, at 11 she started to have sex, at 12 she acted on TV, and at 13 she appeared in a small part in Hitchcock’s movie The Wrong Man. She then attempted suicide after embarking on a series of disastrous affairs with a series of much older men, including 44-year-old Frank Sinatra; she was 14 at the time of that relationship. Here—or so the cynic might think—was the perfect proto-Lolita, at 17 already so sexually experienced that she might safely be considered immune to any further corruption if she impersonated Nabokov’s nymphet. It turned out Weld herself felt much the same way but came to a different conclusion. ‘I didn’t have to play Lolita’, she claimed. ‘I was Lolita.’ So she turned Kubrick down, announced a move away from teen roles altogether, and went to study at the Actors Studio. She went on to have sexual liaisons with Elvis Presley, Albert Finney, Terence Stamp, George Hamilton, Gary Lockwood, and a number of other male actors considerably older than herself. Her movie career eventually turned out to be uneven and largely disappointing, even though she did earn some credit for appearing in a number of offbeat or risky movies. Among these were George Axelrod’s bracing satire of teen culture Lord Love a Duck (1966) and Noel Black’s chillingly effective Pretty Poison (1968), a kind of contemporary variant of Bonnie and Clyde in which Anthony Perkins’s lethal sociopath proves no match for Weld’s deceptively innocent-looking all-American high schooler. Eventually her career disintegrated, and despite a 1984 appearance in Serge Leone’s Once Upon a Time in America, Tuesday Weld is most usually remembered as a feisty, gap-toothed, 1960s teen sex kitten, a living precursor of the popular Lolita stereotype. But what if she had played Lolita, one wonders? Would her own wild young life have fused with Lolita’s fictional one to inject some authentic whiff of sex and experience into the role? Or would things have turned out much the same as they eventually did in Kubrick’s film? We cannot know, but it seems a pity that this always-interesting actress was not the first to flesh out Lolita for the screen. She might have been good.”

Tuesday Weld

By September 25, 1960, the question of casting had been settled without any further consultation with Nabokov. On that date, at Kubrick’s Beverly Hills house, the director showed the author some photographs of Sue Lyon (‘a demure nymphet of 14 or so’ was Nabokov’s neutral verdict) whom, Kubrick assured him, could easily be made to look younger and grubbier for the part.” “After Kubrick cast her, Lyon issued a conventional kind of Hollywood press release with a few innocuous details about herself: she was ‘just an ordinary, typical sort of grown-up American girl’, she claimed, and playing Lolita, she felt certain, would not change her. As things turned out, it was an optimistic prediction. At 14, Sue Lyon had a pretty face and a shapely figure that combined to give her an intermittently adult look, albeit one so bland that Kubrick had felt the need to reassure Nabokov that this blonde teenager could somehow be dirtied up to resemble his tomboyish, chestnut-haired little girl. She never was, and in most scenes of the film she would look closer to 21 than 12.”

When exactly is Kubrick’s Lolita set? The 40s of the novel? Apparently not. The 50s? The early 60s? In terms of sexual behavior (and quite a lot of other things) these were very different decades, so it is extremely strange not to have the period clearly identified from the start. Kubrick’s film looks strangely adrift in both time and space. While the novel was happy to ‘fictionalize’ place-names as part of its conceit about protecting the innocent, the locales Nabokov created were all diligently observed, and in terms of geography and dates, the book is extremely precise and specific. Those scholars who have taken the trouble to deconstruct Humbert’s many schedules and itineraries have found the novel’s internal topography and calendar to be carefully planned”

In the course of the film it slowly emerges that Kubrick seems to have set the action about 10 years later than the novel—although deducing even this much requires some distracting detective work on the part of the audience.”

Lolita was shot in and around Elstree Studios a few miles north of London.” “This results in the complete absence of any authentic sense of place. In another pragmatic ploy, Kubrick cast an informal repertory of expatriate Canadian supporting actors (Cec Linder, Lois Maxwell, Jerry Stovin, Shirley Douglas, Isabelle Lucas) and so introduced accents that, while not those of old England, hardly suggested New England either. Of course, such practices were not uncommon in low-budget movies of the time, but they were more likely to be seen in modest British supporting features than a high-profile MGM production.”

The embossed legend on the cover of Humbert’s pivotal diary clearly reads ‘This Year’ instead of an actual year (1947, we are specifically told in the novel). Lolita’s begging letter to Humbert is dated with the month and day, yet it too omits the year. Again, this looks like an intentional ploy to be vague. No authentic contemporary popular music is featured at any point in the film, despite Lolita’s jukebox mania that Nabokov so lovingly addressed in the book—all that research into the names of late 40s pop singers. All we get is a rather syrupy Nelson Riddle score, a vapid song, specially written and best forgotten (There’s No You), and an insistent instrumental theme tune that rings out randomly from a radio, a band at the prom, and other places—music in a vacuum to match the ersatz locations. Inevitably, though, there are one or two period clues. Lolita plays with a hula hoop on the Ramsdale lawn (the hula hoop craze dates from 1957) and joins Charlotte and Humbert at a drive-in to watch the Hammer movie The Curse of Frankenstein, also 1957 vintage. [primeiro filme de horror a cores – mas obviamente preto e branco nos frames de Lolita…]”

The film opens with the book’s climax: Humbert’s tragicomic murder of Quilty. We do not know why this urbane English-sounding man (James Mason) has come to a stranger’s ornate and cluttered house to commit a murder, but commit it he does after a series of comic delaying tactics from his victim, played—overplayed, some would say—by Peter Sellers. Buying time, a drugged or drunk Quilty assumes the identity of Spartacus (a nod to Kubrick’s previous film) while wearing a dust sheet as a toga and orchestrates a surreal, one-sided Ping-Pong match. He goes on to approximate the twangy accent of the archetypal old Western sidekick—a Gabby Hayes or a Walter Brennan—to read aloud an accusatory poem that Humbert hands him. The poem is a parody of T.S. Eliot’s Ash Wednesday, and this arcane literary touch, lifted from the novel, surely sits uncomfortably in a mainstream movie. Quilty then puts on boxing gloves and immediately takes them off again when Humbert begins firing his pistol in an unintentional echo of the amateurish marksmanship in the Western movies that he, Charlotte, and Lolita once sat through. Quilty goes on to pretend to compose a song at the piano before making a run for it and finally gets fatally shot while cowering behind a large framed reproduction of an 18th-century portrait of a woman.” “A close-up of the bullet-riddled painting marks the end of a spirited opening sequence that nonetheless denies us any hint of the gory and surreal horror of Quilty’s death as depicted in the book. Nabokov portrays him as an assassinated tyrant, a fallen king who is ‘bleeding majestically’ in his slow retreat to the master bedroom, suddenly developing ‘a burst of royal purple’ where his ear had been. Here his death is, literally, stylized out of sight.”

Much has been omitted, some of it disastrously. We do not see or hear anything of Annabel Leigh, and we learn hardly anything at all about Humbert’s lifelong obsession with nymphets.”

Here she is at last: Lolita made flesh. What, contemporary audiences might have asked themselves, was all the fuss about? Sue Lyon simply looked like a slightly more sophisticated version of Sandra Dee, the blue-eyed blonde who, in her Gidget persona, was the epitome of naughty-but-nice late 50s teen sex appeal. Certainly Kubrick had a vested interest in making his Lolita look as old as possible on the grounds that a teenager was less likely to fall foul of the Production Code Authority than might an ostensible 12-year-old. In keeping with the general calculated vagueness of the film, however, Lolita’s age is never actually given at all on-screen.”

In response to its rhetorical tagline ‘How did they ever make a movie out of Lolita?’ the June 14, 1962, New York Times review supplied a neat and obvious answer: they didn’t. Instead, ‘they made a movie from a script in which the characters have the same names as the characters in the book, the plot bears a resemblance to the original and some of the incidents are vaguely similar’, Bosley Crowther wrote. ‘But the Lolita that Vladimir Nabokov wrote as a novel and the Lolita he wrote to be a film, directed by Stanley Kubrick, are two conspicuously different things’.”

In truth, Nabokov can hardly be said to have written the finished film’s screenplay at all, although he certainly wrote a screenplay, a version of which was eventually published in 1973.”

Knowing the difficulties Kubrick eventually experienced in faking a plausible Ramsdale in England, one can only smile at the alarm he must have felt upon being required by Nabokov’s prologue to simulate the following: the French Riviera, Paris, a voyage into New York Harbor (Humbert, ‘Dramatically Standing on a Liner’s Deck’, sees ‘The towers of New York looming in the autumnal mist’), and a nursing home, a library, and assorted exteriors for the retrospective parade of European nymphets. Kubrick’s solution was to cut the entire prologue and, after Quilty’s murder, begin the story in flashback with Humbert’s arrival at Charlotte’s house 4 years earlier.”

Nabokov, who regarded Kubrick as an artist, was initially very disappointed when he finally saw the movie that used only odd scraps of his screenplay (rumor has it that Kubrick and Calder Willingham cooked up the eventual screenplay between them, but Kubrick would never be drawn on the matter, and it was Nabokov who was nominated for an Oscar for best screenplay).”

Revisiting Lolita now, the viewer may find that Sue Lyon comes out of it rather well, delivering the best and least stagy performance, but the plaudits belatedly given to James Mason’s Humbert, Shelley Winters’s Charlotte, and Peter Sellers’s Quilty seem more generous than accurate. Winters was certainly in top form as the overbearing, sexually frustrated, culturally pretentious Charlotte, but in the end her character comes over as nothing more than a grotesque at whom it is easy to laugh but about whom it is hard to care. Mason, meanwhile, is forced to underplay Humbert with a good deal of dry comedy, as if taking part in a dark sitcom. In the end his Humbert comes over as a good-looking but ineffectual rogue who suffers from occasional bouts of bad temper as he seeks to seduce a pretty teenager while living in a decidedly tense domestic situation.” “Deprived of the novel’s inner voice and hamstrung by a timid script, the actor cannot begin to hint at take one Humbert’s haunted past, his eviscerating humor, his awful sexual obsession, his calculating cruelty.” “There is little doubt that Kubrick’s decision to give Quilty so much screen time and Sellers so little direction imbalances the film badly. A figure that should be a malign, shifting shadow keeps taking center stage and doing cabaret turns.”

He shot Killer’s Kiss himself on location in New York City in 1955, and although it obviously suffered from a very low budget and was forced to use largely unknown actors, most of whom were destined to stay that way, it does contain some fine visual material with bright, monochrome vérité footage of Times Square and dramatic waterfront skylines offsetting the mean warehouses and hotel room interiors. Kubrick explored film noir again in his next picture, the celebrated 1956 racetrack heist movie The Killing, and again seemed very much at home with it. It is a shame that he did not revisit the genre—even in a spirit of parody—for his treatment of Lolita, a novel that positively bristles with both literal and oblique references to such films”

Lyon’s brief 1950s TV apprenticeship seems to have prepared her well to give what is the film’s only truly unaffected performance.” “Ironically, it is in such automobile sequences that she seems closest to Nabokov’s Lolita—because it is those sequences that represent the film’s most conspicuous betrayal of the book after its denial of pedophilia. Incredibly, the novel’s epic road trip, that beautifully evoked yearlong, looping journey to nowhere that forms the centerpiece of the novel, is effectively omitted from the film altogether. Gone is the vast promise of the U.S. highways, the idiosyncrasies of the roadside lodgings, the elegant irony of a perpetually moving prison set in a limitless landscape, and the full rotation of the seasons through August 1947 to August 1948. It is replaced with two shorter trips, each with its own specific destination and each staged here in a series of static tableaux showing Lolita and Humbert sitting in their studio-bound car with only back-projected scenery for context. The first trip is from eastern summer camp to Idaho, where Beardsley College awaits them (the institution has been transplanted from its eastern location in the novel, presumably to enable this revised cinematic schedule); the second is from Beardsley to points south, in what Humbert believes to be a mutually agreed bid to escape to Mexico, although this trip has actually been surreptitiously proposed and stage-managed by Clare Quilty. Here, though, on Elstree’s virtual road, Sue Lyon’s Lolita is at her most plausible and sympathetic. The enclosure of the car, with both passengers in the shot, gives Lyon and Mason a chance to spark off each other at close quarters without distractions. Freed of those aging fashion accessories, Lyon even looks closer to her actual age as she sucks on a soda straw, chews gum, pulls faces, and alternates between bright acquiescence and whining protestation with a palette of expressions that ranges from diffuse prettiness to slack-mouthed vulgarity—probably a pretty good approximation of what Nabokov had in mind. But because we don’t fully grasp that Mason’s Humbert is a pedophile, we can only really see these scenes as conventional father/daughter sparring matches, not unlike those traditionally practiced on-screen by everyone from Spencer Tracy and Elizabeth Taylor to Ryan and Tatum O’Neal. This couple may be sharing motel bedrooms, but the audience might be forgiven for thinking that the most intimate thing that happens there is what was shown behind the film’s opening credits: Humbert solicitously painting Lolita’s toenails.

Stanley Kubrick’s perennial defense of the absence of sex in his Lolita was that in the early 60s censorship simply made it impossible to do justice to Nabokov’s theme. His justification, often repeated and paraphrased, was ‘because of all the pressure over the Production Code and the Catholic Legion of Decency at the time, I believe I didn’t sufficiently dramatize the erotic aspect of Humbert’s relationship with Lolita. If I could do the film over again, I would have stressed the erotic component of their relationship with the same weight Nabokov did’. Yet, as Elizabeth Power pointed out in her 1999 article ‘The Cinematic Art of Nympholepsy: Movie Star Culture as Loser Culture in Nabokov’s Lolita, ‘Other contemporary and even earlier films suggest that Kubrick’s placement of blame on censors is not particularly accurate or convincing’. It is true to say that, by the 1960s, pedophilia was very occasionally starting to be acknowledged in mainstream films. Samuel Fuller’s The Naked Kiss demonstrates the early difficulties of depicting it. A serious but wildly expressive filmmaker rarely given to understatement, Fuller has his heroine, reformed call girl Kelly (Constance Towers), discover her society fiancé molesting a little girl in his own home. The film deals with the moment of discovery so oddly that at first it is hard to understand what is going on. A little girl emerges from a corner of the living room and runs out dutifully as if to play. Only then do we see Kelly’s grim-faced fiancé also emerging from the shadows. We are left to infer what was going on from Kelly’s hysterical response, which involves clubbing and killing her intended with a heavy telephone. Awkwardly presented as the scene is, The Naked Kiss does at least try to address the hot issue head-on and, in doing so, is one of several films of the time to undermine Stanley Kubrick’s routine defense of the complete absence of sex in his Lolita by citing the censor as an immovable force. The Naked Kiss was made in 1963 and released in 1964. Two years later, Kubrick’s Lolita, actress Sue Lyon, would give a far sexier performance as a jailbait teen Charlotte Goodall to Richard Burton’s disgraced preacher in John Huston’s movie of Tennessee Williams’s The Night of the Iguana.”

Taking a broader view of Kubrick’s work, the director seemed to have a pathologically uneasy relationship with the forces of censorship, whether applied externally or, more usually, by himself. He effectively withdrew his own Fear and Desire (1953) from circulation by buying up all known prints. He blocked any rerelease of A Clockwork Orange (1971) in Britain after its initial showing there, allegedly because of fear of copycat crimes of violence; it was then not seen in Britain for 30 years and only reemerged after Kubrick’s death. Despite scant evidence of undue censorial interference with any of his work prior to Lolita, he seemed hamstrung by worry about the censor even before the screenplay was written. His line seems to have been not that the censor demanded cuts but that he himself did not venture to risk a confrontation. A difficult and complex man, Kubrick has been the subject of many studies, but the rest of his odd movie career lies outside the orbit of this book.” “In what Nabokov might have called a thoughtful Hegelian synthesis, Kubrick’s final movie, the disastrous Eyes Wide Shut, involved the elaborate replication of Manhattan streets on the lot at Elstree Studios. This time it was rather more persuasively done.”

Ten years later, Sue Lyon’s life was a mess. It emerged that even the innocuous press release she had issued on getting the part had been a lie—this normal American girl had come from a deeply troubled background. Now she claimed her mother had driven her father to suicide when she was just 10 months old. Penniless, they took in lodgers, one of whom tried to rape 8-year-old Sue at knifepoint. She first had sex at the age of 12, became a model, and at 17 entered into the first of 4 marriages. She was diagnosed as bipolar and put it all down to Lolita. Sue Lyon may have been dramatizing and transferring blame for her bad luck, bad judgment, or bad behavior, but then again she may not. In the days when she still talked about her Lolita experience at all she said, ‘I defy any pretty girl who is rocketed to world stardom at 15 in a sex-nymphet role to stay on the level path thereafter’. By the time Adrian Lyne’s film of Lolita came out in 1997, Lyon, it seems, could no longer even consider the dreaded name rationally. ‘I am appalled they should revive the film that caused my destruction as a person’, she told Reuters news agency in a by now rare public statement. Lyne’s film would be no revival, it would be a completely fresh cinema treatment of the novel, but Lyon was beyond such distinctions in her hatred of Lolita, the poisonous name of her nemesis.”

The book Zazie dans le métro, as mentioned in chapter 3, was written by Raymond Queneau, who greatly admired Nabokov’s Lolita and gave his own child heroine her looks as well as her mix of innocence and cheerful vulgarity. Visiting Paris, provincial Zazie wants nothing more than to ride the metro of the title, the city’s subway system, but it is immobilized by a strike. So she shakes off her dubious guardian, a female-impersonator uncle, and explores Paris on foot. The book makes playful use of phonetically spelled French slang, much of it vulgar, in an episodic, literary tale that Malle’s 1960 color movie recast as a fast-moving farce with silent movie gags and Road Runner references instead of the linguistic allusions. Malle cast young Catherine Demongeot as Zazie. Demongeot, it has to be said, would have made the perfect Lolita: 12 years old, chestnut hair, slangy speech, mischievous and rebellious, she is also sexually neutral in a way that means any middle-aged man shown to be attracted to her would be immediately identified by his singular craving and not excused as having a more conventional appetite for pretty young girls. Demongeot (who would jokily reprise her Zazie role in Jean-Luc Godard’s Une femme est une femme one year later) is perhaps the ideal screen Lolita who never was.”

It would be 35 years before the next movie of Lolita appeared. In that period the Lolita brand would take off in a giddying multiplicity of directions. Yet the enduring irony of Stanley Kubrick’s film was that it in no way added to the popular myth of Lolita as promiscuous seductive teen.”

A further irony: a complete absence of sex was one of the few criticisms that could not be leveled at Lolita’s next two incarnations, both of which would be on the stage. A legendary lyricist felt he could do justice to the story in a musical setting, and then one of America’s leading playwrights took it on himself to pay his own theatrical tribute to Nabokov’s heroine. Subsequently, each might have had grounds for joining with Sue Lyon in identifying Lolita as a force for evil.”

8. DRAMATIC ART: Lolita Center Stage

The novel Lolita, heavily dependent on a narrator’s internal monologue, does not seem to lend itself well to stage presentation—even less so than film presentation, which leaves open the possibility of voice-over. It does present one advantage over a film treatment, however: the cinema’s troubling demand that only a little girl can plausibly play Lolita is potentially eased.” “Without close-ups, a theatrical performance does not necessarily need a very young girl, just one who can play young; this freedom also makes the later depiction of a 17-year-old Lolita a lot easier.” “The first attempt to put Lolita onstage, however, did not take advantage of this option with regard to age. It was one misjudgment among many in what was to become a resounding commercial (if not an artistic) disaster. Helmed by talented people, this venture was doomed to fail before it began. It was Lolita, the musical.”

Lyricist Alan Jay Lerner was a Harvard-educated man, a student friend of John F. Kennedy who had progressed through Harvard’s Hasty Pudding musicals to become a writer of continuity scripts for the long-running NBC/CBS radio show Your Hit Parade.”

Nabokov had only been persuaded to give his approval to the project because, as in the case of Stanley Kubrick, he was always sympathetic to those whom he considered serious artists even when he knew little about their chosen medium. Nabokov had already demonstrated, with his elephantine screenplay for Lolita, that he had no real idea how films were written, let alone made; now his often-admitted lack of appreciation for music disqualified him from assessing anything but Lerner’s impressive track record of writing intelligent, literate musical books.”

Richard Burton turned down the role of Humbert, so British Shakespearean actor John Neville (much later of The X-Files [um dos velhos do círculo conspiratório do Smoking Man]) was cast in the key role.” “The reviews were so bad that producer Norman Twain closed immediately for a complete overhaul. Annette Ferra, the 15-year-old originally cast to play Lolita, was replaced. They would try out again in Boston, premiering at the Shubert Theatre on March 15, 1971, for an intended run of 3 weeks. The cast now included a new Lolita, 13-year-old Denise Nickerson.” “The revamped show won some qualified plaudits from the critics in Boston, mainly for Lerner’s lyrics and John Neville’s Humbert, a portrayal apparently distinguished not only by a good performance but also by a strong vocal contribution. Dorothy Loudon’s Charlotte was colorful enough to be sorely missed when she died at the end of the first act. The public, however, did not really miss her because they never came in the first place. Lolita, My Love closed after only 9 poorly attended performances and never made it to New York.” “The show lost $900,000.” “What remains of Lolita, My Love? The poor quality audio recording, probably taken from the soundboard during rehearsals, still exists.”

In the end, Lolita, My Love disappeared into the well-populated Hall of Shame of failed musicals, along with the now-legendary Carrie, a musical version of the Stephen King/Brian de Palma horror-fest that faithfully included the film version’s opening shower room scene in which Carrie is taunted for being terrified by the onset of her first period.”

Perhaps, after all, the show was as good as it could have been, but the faulty foundation upon which it was built was the assumption that the public was ready for a musical about a child molester. The presence of a 13-year-old leading lady probably made it an even more distasteful prospect for its presumed audience.”

A happy-ending footnote was that, in contrast to Sue Lyon’s experience, the Curse of Lolita did not ruin Denise Nickerson’s life; after a good run in film and TV (including a stint on The Brady Bunch), she moved to Colorado and became an accountant. In the same year Lolita, My Love flopped she also appeared in the film Willie Wonka & the Chocolate Factory and was thus fondly remembered by a whole generation not as a sexualized child in a musical but as Violet Beauregarde, the gum-snapping kid who turns into a blueberry in Roald Dahl’s famous morality tale.”

Albee’s body of work already included The Zoo Story (1959), The American Dream (1961), and Who’s Afraid of Virginia Woolf? (1962), so his reputation seemed secure, and few had demurred when he was dubbed one of the few genuinely great living American dramatists.

Albee’s Lolita made its debut at the Brooks Atkinson Theatre in New York City on March 19, 1981, almost exactly 10 years to the day after Lolita, My Love folded in Boston.”

this time Lolita was played by 25-year-old Blanche Baker, whose mother, Carroll Baker—at about the same age—had played Tennessee Williams’s Baby Doll Meighan. [ver acima]”

Donald Sutherland, the Canadian movie star who had not acted on stage for 17 years but who could offer an approximation of the British accent he mastered during his extended 60s sojourn in London, was Humbert Humbert.”

it was a total disaster.”

Retracing the texture of an ephemeral event like a theatrical performance over a quarter of a century later is not an exact science. We have the reviews (in this case universally damning), but we cannot revisit what they were reviewing. We do, however, have Albee’s published play, presently included in volume 3 of his collected works. A caveat from the author suggests that, as with most of his plays, he has, in new collections, tweaked a few things with the benefit of hindsight. (This was a liberty upon which Nabokov would have frowned; once the piece was written, that was it as far as he was concerned—it was time to burn the rough drafts and alternative versions and move on.)

Its most daring device is that of introducing a detached authorial voice, embodied by the character of A Certain Gentleman who provides an ironic, Olympian commentary on the proceedings, often bantering with exasperated Humbert (who is given to complaining about the way the action is turning out and even the quality of the writing) and generally reminding the audience that this story has a puppeteer for an author. This is a strangely dated 60s device redolent of those fleetingly modish TV plays that would reveal the camera crew to remind the audience that it was watching a TV play, or new-wave movies like Jean-Luc Godard’s Le Mépris, where the mechanics of moviemaking self-consciously intrude at every turn.”

Humbert obliquely mocks the author’s decision to give Annabel a surname that so obviously evokes Poe’s doomed heroine; he finds the device of Charlotte coming upon Humbert’s incriminating diary corny.” Divertido.

The robe falls, Lolita is naked onstage, and her popular reputation as a brazen tramp is further advanced. The plot grinds on, more or less faithful to the letter of the novel but missing its bittersweet spirit entirely; fellatio and cunnilingus are simulated; the epic road trip (now meaninglessly inflated to 500 days) is included but can only be suggested by fragmented scenes in stylized motel rooms; Clare Quilty is represented in a manner that apes Peter Sellers’s disruptive chameleonic turns in Kubrick’s movie; Lolita leaves, Humbert grieves, and the play ends as does the book with Quilty’s murder and Lolita’s death in childbirth.”

“‘No one who saw the execrable production the play received on Broadway could penetrate through to the homage I was paying to Nabokov’, wrote Albee in a 2005 introduction to the play.”

(Blanche) Baker, chosen after a long talent hunt for prepubescent sexpots, is disappointing as Lolita. She begins as a little girl with a lollipop and swiftly becomes a brat with a staff sergeant’s mouth and no trace of dreamy allure.”

Albee, it seemed, was now yesterday’s man, a remnant of the 60s completely out of place in the new, Reaganite 1980s.” Stephen Bottoms

The film based on Albee’s play was never made, although the contract held good and Albee’s camp actually collected on Adrian Lyne’s 1997 film that bore absolutely no relation to Albee’s drama. The intended opera, slated to be co-written by Leonard Bernstein, also failed to materialize after the drubbing the play received. Eventually, however, another opera did surface, this time rather unexpectedly in the Swedish language. Having seen how Alan Jay Lerner and Edward Albee fared, one might have expected Rodion Schedrin to demur, but late in 1994 the Russian composer premiered his 4-hour opera of Lolita at Stockholm’s Royal Opera. Due to another wrangle with the Nabokov estate (Schedrin had written the libretto but neglected to secure the rights), it was not possible to perform it in Russian or English, so it was translated into Swedish. There were 8 Stockholm performances spread across December 1994 and January 1995, and critics found little to admire in Schedrin’s words or music, although soprano Lisa Gustaffson’s portrayal of Lolita was praised, as was the production in general and John Conklin’s boldly stylized stage design, replete with imaginative icons, symbols and logos of 50s America.”

These extreme examples of dramatic disaster would seem to suggest that no sane person would ever again try to put Lolita on the stage. Yet it is in the nature of theater to revive and rework past failures to see if it was the times or something more intrinsic that defeated them first time around.”

In 1999, the 100th anniversary of Nabokov’s birth, the International Theatre Workshop tackled it at Lower Manhattan’s Gene Frankel Theatre. In the opinion of Zembla, an admirable Web site for Nabokov fans, Russian director Slava Stepnov’s vision of Lolita here was ‘less about sex and pedophilia than . . . about being a slave to one’s own ego’.”

A 2003 Oxford University student version also produced for Edinburgh was adapted by Aidan Elliott and had Lolita ‘clambering all over Humbert with an offensive and almost comical lack of subtlety’ according to one critic.”

Dmitri Nabokov has praised a ‘truly fine’ Milan theatrical production of Lolita by Luigi Ronconi that was based not on Albee’s play but on Stephen Schiff’s screenplay for Adrian Lyne’s 1997 film.”

9. THE SPIRIT OF FREE ENTERPRISE: Every foul poster

Lolita, although too young to be socially aspirational in that particular way, does seem to have inherited her mother’s touching trust in the heady promises of lifestyle magazines and adds an insatiable consumer’s appetite for the dreams such magazines promote. America’s golden period of consumerism might still be 2 or 3 years in the future, but even during the relative austerity of the late 1940s, the constant allure of consumer goods and services is already a potent force in Lolita’s young life. Modern kids usually want the same toys, clothes, and gadgets that their friends have, but Lolita’s constrained circumstances meant that she did not even have friends for much of her meager childhood.”

Rachel Bowlby, in her essay ‘Lolita and the Poetry of Advertising’, writes: ‘It is Lolita who is the poetic reader, indifferent to things in themselves and entranced by the words that shape them into the image of a desire that consumption then perfectly satisfies. Appearing under the sign of <novelties and souvenirs>, anything can be transmuted . . . into an object of interest, worth attention.’

It all began with that 1962 movie poster featuring a stylized Lolita sucking a scarlet lollipop and peeping over the lenses of sunglasses equipped with red heart-shaped frames. Her flirty gaze is contained, top and bottom, by the out-of-focus horizontals of a car window frame (although these were sometimes airbrushed out in the innumerable variants used for international posters and paperback book covers). Fashion photographer Bert Stern, who took the picture, seems to have toyed with the idea of making Sue Lyon into an adolescent Marilyn Monroe, an aim more obvious in another color shot from the same sessions.”

At the time, Stern was already fascinated by Monroe, of whom he would soon take some 2,500 photographs in a 3-day session shortly before she died in 1962.”

heart-shaped glasses and other items were to become a loose trademark vaguely suggestive of very young, sexually available girls. In this way a counterfeit Lolita fashion was founded upon an accessory that had nothing whatever to do with the Lolita that Nabokov had realized in such precise detail and diligently accoutred with all those faded blue jeans, plaid shirts, tartan skirts, gingham frocks, and sneakers. Worse was to come.

Nabokov was still alive when, to his amused revulsion, life-size Lolita sex dolls first became available, fully equipped with the appropriate apertures. Now, in the 21st century, the Bratz range of sexy, Barbie-with-attitude dolls for girls is rarely discussed without some passing reference to Lolita.”

Both commentators took the view that targeting very young girls was mainly a commercial decision undertaken by companies who were running out of female teenage consumers and who saw not only an immediate impressionable preteen market to exploit but also a valuable recruitment platform for tomorrow’s teenage customers.”

It has also lent itself to fashion styles and trends as far removed from 40s Ramsdale as Mars or Venus.”

British artist Graham Ovenden’s series of Lolita paintings and prints from the mid-70s caused a minor scandal when they were first exhibited, but they were defended as art rather than pornography, just as Nabokov’s book had been—although in this case perhaps with less demonstrable justification. A vague adherence to certain locales of the novel (Lolita at the Lake, for example) and Ovenden’s obvious skill as a draftsman could not change the fact that his artfully undraped Lolita owed rather more to some Pre-Raphaelite erotic stereotype (long luxuriant hair, a fey self-absorption) than to Dolores Haze. Some of Ovenden’s other works, such as those depicting Lewis Carroll’s Alice or 5 seminude contemporary girl children only identified by their first names, seemed to reinforce a legitimate suspicion that a graphic talent and the fame of others were being used to legitimize a personal obsession. Another Briton, David Hamilton, also courted controversy in the 70s with his numerous soft-focus nude photographic studies of girls in their early teens. Despite a credible early career as a 60s fashion photographer for Vogue, Elle, and other upscale glossy magazines, Hamilton always remained a suspect cultural figure in the United States and Britain, and his reputation was not helped when he directed a clutch of soft-core porn movies of which Bilitis (1977) remains the best known.”

New York City–born photographer Jock Sturges has also faced repeated charges that his work was child pornography masquerading as fine art. In 1990, his studio was raided by the FBI, who confiscated much of his work and equipment. The offending images were of children of both sexes, most of whom were characterized by their nakedness, their physical beauty, and the kind of untroubled, eyes-straight-to-the-camera gaze that in itself seemed to be challenging and confrontational to the forces of conservatism.”

Many of his images were certainly of very young girls, and in their studied informality, it could be argued that they were hardly any less contrived than Charles Dodgson’s Victorian tableaux. The difference was that these were pictures of modern young girls who were growing up in a knowing culture of sophisticated magazines, movies, and TV commercials, the beneficiaries of late 20th-century health care and nutrition posing naked on the recognizable beaches of west coast America or France. Without the distancing effect of yesterday’s technology and dated visual manners—dubious excuses to be sure—to some this looked like conceited pornography. To others it was a celebration of the female body’s beauty at its most striking. After a year, that FBI raid resulted in a grand jury throwing out the child pornography case. The public trial of a photographer, who had been born in the year of Lolita’s Great Road Trip, had given a new generation, too young to remember the public outcries about Nabokov’s novel, a minor child pornography debate of its own.

Sally Mann’s photographs incited similar divisions in the late 80s, particularly with her second published collection of pictures, At Twelve: Portraits of Young Women.” “Occasionally cropping her subjects in ways that might invite the charge of fetishizing certain body parts, At Twelve: Portraits of Young Women seemed to up the ante by going out of its way to draw attention to the blurriness of the line between childhood and adulthood, innocence and experience, pornography and art. When her next collection turned the lens on her own children, it caused a new outcry. Immediate Family (1992) contained what Art in America critic Ken Johnson called ‘luminously beautiful black-and-white images of mysteriously elfin children’, while other observers considered it further evidence of Mann’s fondness for sexualizing children, now with a suspicion of incest thrown in.”

A fair-minded reviewer might have disentangled this cultural muddle, but Blundell (who does not let the fact that she never even read all of Lolita prevent her from offering the absurd assertion that its author concluded that the molestation of girls turns them into sexy, self-sufficient women) simply co-opts Mann’s images as an excuse to air her own feelings about child abuse. Her review is worth dwelling on only because it is typical of many responses to this particular subject. When it comes to discussions of child abuse, sociological or artistic, there always seems to be people for whom the very idea is so incendiary that they cannot wait to begin with their own moral conclusion and then work backward to try to make the facts support it. They always seem content never to have read the book or seen the movie or play that is central to the debate; moral certainty, it seems, makes the gathering of supporting evidence unnecessary.”

One of Lolita’s more high-profile instances of commercial fame has come from having her name adopted by a Japanese youth fashion. Lolita Fashion in general connotes a frilly fantasy in which Japanese teen or preteen girls dress in a wildly stylized approximation of Western Victorian or Edwardian girls, often complete with lacy parasol, teddy bear, and Little Bo Peep hat or frilly headdress—Alice Liddell on LSD. More famous still is the Lolita Fashion subcategory Elegant Lolita Gothic, usually shortened to Lolita Gothic, ELG, Loligoth or GothLoli. Extrapolating conclusions from all of this is inherently problematic, since delving into Japanese popular culture at all is fraught with pitfalls for most Western commentators. It seems even the most innocent assumptions about shared societal values cannot be made when it comes to Japan. In the present context it may be plausibly argued that Japan actually sanctions, or at least broadly tolerates, a national male obsession with schoolgirls. The sexual politics of the Japanese Gothic Lolita phenomenon is therefore something of a minefield.”

In Japan that look has been traditionally based on a school uniform of the sailor fuku style (white blouse, blue collar, red tie, short blue pleated skirt), although an auxiliary range of fetishized school outfits also exists in the various forms of navy blue one-piece swimsuits, gym clothes comprising tight white top and navy blue tights, and schoolgirl variants of traditional Japanese martial art clothing. On the face of it, this would seem to be comparable to American male fantasy fetishes for schoolgirl, Girl Scout, or cheerleader outfits. Yet in Japan the Lolita Gothic fashion phenomenon—which might at first be considered nothing more than another variant of the school-age girl fantasy—is also part of modern Japanese youth’s own fondness for Visual Kei and CosPlay, role-playing that uses elaborate costumes, hairstyles, and makeup to create fantasy personae.

Attracting boys as well as girls, Visual Kei finds a distant Western echo in the British glam rock era of the 70s, a movement that spawned David Bowie, Queen, and Roxy Music. It was mainly androgynous-looking males who dominated, but the symbiosis between the music and the elaborate theatrical costumes adopted by performers and fans alike seems to prefigure Visual Kei. Certainly there has been a Japanese rock music connection in the form of bands such as Rentrer en Soi and MUCC (ムック), who adopted role-model outfits to inspire their fans to imitate and compete.

By being part of the Visual Kei movement, Lolita Fashion and Lolita Gothic have therefore come to represent a particular form of self-expression for young Japanese girls that seems poised between the traditional role-playing of Kabuki and the elaborate sartorial confection of the geisha, which—at least in the form of oiran geisha—has clear associations with prostitution. So here is a stylized hybrid movement of rebellion and self-expression based on an image that seems to derive from a Japanese male erotic stereotype and is therefore overloaded with cultural and sexual references that leave journalists groping for plausible sound-bite descriptions. French maid meets Alice in Wonderland. Shirley Temple meets Morticia Addams. Victorian frills with glam rock platform shoes. Baby Doll as a Black Sabbath groupie. No words can quite do justice to the impact of Japanese Lolita Gothic, not least because it very much depends upon whom it is having an impact. Lolita Gothic has been adopted by young Japanese women whose slight physiques tend to evoke childlike or even doll-like associations—although these associations tend to exist mainly in the minds of Westerners.”

Gothic” Rei Ayanami do anime Neon Genesis Evangelion, exemplificando bem a descrição de Vickers: vão-se os cabelos azuis originais e o fan artwork toma conta da internet.

Courtney Love, in her early days with alternative rock band Hole, was occasionally hailed as the first bona fide American Loligoth, but despite her contrived look of depraved innocence, achieved through torn baby doll dresses and makeup that looked as if it had been applied by a 9-year-old with little mirror experience, Love was no elfin Japanese girl, so the overall effect came out rather differently.

Yet Lolita Gothic has been successfully exported through other media, ever since it seeped into the iconography of Japanese manga (comic and newspaper cartoons), anime (animation), and bishōjo (a type of video game¹ based on interaction with stylized young girls depicted in the styles of manga and anime).”

¹ O autor se equivocou, pois jogos são só uma parte do conceito. Wiki: “Although bishōjo is not a genre but a character design, series which predominantly feature such characters, such as harem anime and visual novels, are sometimes informally called bishōjo series. The characters and works referred to by the term bishōjo are typically intended to appeal to a male audience. [Sailor Moon – que carrega bishoujo no título original e é formalmente considerado shoujo anime – seria focado em homens ou mulheres?!] Since one of the main draws of these series is typically the art and the attractive female characters, the term is occasionally perceived negatively, as a genre which is solely dependent on the marketability of beautiful characters rather than the actual content or plot.

The word bishōjo is sometimes confused with the similar-sounding shōjo (‘girl’) demographic, but bishōjo refers to the gender and traits of the characters it describes, whereas shōjo refers to the gender and age of an audience demographic – manga publications, and sometimes anime, described as ‘shōjo’ are aimed at young female audiences.”

All of these media trade in variants of the Lolicon (and how Nabokov, the lover of portmanteau words, would have squirmed to hear that one),¹ the Lolicon being a sexually explicit graphic depiction of a stylized prepubescent girl character. The traditional Lolicon has huge eyes, a preteen physique, skimpy clothes, and some (usually) pastel accessories of childhood (hair in beribboned bunches and bangs, popsicles, toys, and so on).”

¹ Lolita + complex

Bishōjo, the video medium, has met with most resistance to export because of the overtly sexual and sometimes pornographic nature of the player’s possible interaction with the characters. Manga and anime, usually more mainstream, have therefore been the leading channels by which this particular life of Lolita has become well known outside of Japan.

What does the Loligoth phenomenon add to the sum of misunderstandings that have accumulated around Lolita’s name? If in Japan its resonances are singularly domestic, in the West it has perhaps vaguely reinforced the idea of Lolita as a proactive coconspirator in her own exploitation. The spectacle of young girls publicly affecting costumes that contrive to blend the childlike with the enticing—and doing it, however unconsciously, in Lolita’s name—only strengthens the general suspicion that somehow Dolores Haze was asking for it. It is an unworthy but widespread suspicion and one that finds its logical conclusion in the ultimate commercialization of Lolita’s name: the Internet trade in pornography where 3 trips of the tongue down the palate—Lo-Lee-Ta—signify the sexual exploitation of underage girls who are often coerced to simulate enjoyment of their ordeal.”

The world of Internet Lolitas is in fact a rather more complex one than it may seem at first glance. As with everything else, the Internet has complicated traditional perceptions of how information is delivered and received. In the pre-computer days when Lolita was first conjured into being in Nabokov’s neat hand on a series of index cards (an analog cut-and-paste system of the author’s own devising), trafficking in pornographic material of any sort was still a comparatively risky business for both supplier and consumer, involving shady bookshops, mail-order services, and the black market. As a movie like Hard Candy demonstrates, by 2006 Internet pornography had bred sophisticated new protocols involving grooming and impersonation, bringing with them new generations of clued-up children and adults as well as a highly efficient transglobal distribution channel so complex that policing it has been reduced to a series of high-profile law enforcement gestures rather than any real control.”

By the early 70s, much of Western Europe was taking a far more liberal attitude toward pornography, the trend being led by Denmark, which, in 1969, had legalized the production of all kinds of erotic material. The earliest child pornography movies were marketed under the name ‘Lolita’ and were made by a Copenhagen-based company called Color Climax. It is estimated that a minimum of 36 10-minute films were produced under this catchall title between 1971 and 1979. Pornographic magazine spin-offs drew upon these movies for still photographs. The ‘Lolita’ films featured young girls, typically between the ages of 7-11, being sexually abused mainly, but not exclusively, by men. Meanwhile, in the United States, the commercial production and distribution of child pornography also began to flourish in a parallel climate of (comparatively) lax national law enforcement, often with linkups to European producers, sharing material and sometimes even sending images from the United States to Europe for initial publication prior to importing the resulting magazines. Amsterdam became the hub of this publishing trade, and it featured material with names that included Lollitots, Lolita Color Specials, and Randy Lolitas.”

One of the more grotesque by-products of today’s Internet distribution of child pornography is that a large proportion of it actually dates from 20 or 30 years ago, those old movies and still images now having been digitized. (…) For those abused children who are still alive, those filmed episodes from their grim childhoods are still being efficiently cataloged and sold.”

Perhaps this is a good point at which to recall that in 1949 Quilty throws out adoring Lolita because she flatly refuses to participate in his pornographic movies. ‘I said no, I’m just not going to (blow) your beastly boys, because I want only you’, Lolita tells Humbert at their last meeting, explaining why Quilty dumped her.”

Of course, had Lolita’s name remained the fairly common Spanish diminutive it had been before Nabokov bestowed fantastic fame upon it, the pornographers would simply have found another generic label to identify their images of molested and beaten kids. But perhaps it is grimly fitting that those traders in abuse should have knocked off a name so mellifluous and rich in associations, since the theft is appropriate to the practice it describes: the stealing of childhoods to realize dark adult fantasies.”

10. TABLOIDS AND FACTOIDS: The Press and Lolita

Tabloids in the United States date from the launch of the New York Daily News in 1919, a paper today locked in rivalry with the New York Post, which, under the ownership of Rupert Murdoch’s News Corporation, has taken on many of the characteristics of the famously cutthroat British tabloids.”

The Pall Mall Gazette was founded in London in February 1865 by Frederick Greenwood and George Smith and began as an interesting example of life imitating art. It was the actualization of a fictitious paper dreamed up by William Makepeace Thackeray for his 1850 novel The History of Pendennis. That novel explored Thackeray’s favorite theme of the green but ambitious youngster on the make, an idea he also used in Vanity Fair and The Luck of Barry Lyndon. The real-life Gazette’s original tone had been unashamedly elitist, fully in keeping with Thackeray’s editorial prescription (the Pall Mall Gazette would be ‘written by gentlemen for gentlemen’, Pall Mall being a London street famous for its exclusive gentlemen’s clubs). In 1880, however, the actual Gazette passed from conservative to liberal ownership, and between 1883 and 1889, under editor William Thomas Stead, it became a vigorous campaigning newspaper. The fully illustrated publication now covered human interest stories and became much more accessible, featuring banner headlines and short paragraphs. Traditionalists deplored what they saw as the degradation of news journalism, and there was particular resistance to Stead’s fondness for ‘the interview’, a journalistic innovation that, a rival complained, indiscriminately gave voice to any ‘politician, religionist, social reformer, man of science, artist, tradesman, rogue, (or) madman’ whose ramblings might offer titillation to readers.

Then in 1883 the Pall Mall Gazette published a series of articles on the subject of child prostitution, a practice that it labeled ‘the white slave trade’. Sales of the paper increased from 8,000 to 12,000. Two years later, Stead joined with Josephine Butler and Florence Booth of the Salvation Army for an exposé of child prostitution that was to represent the Gazette’s finest hour. In July 1885, Stead arranged the purchase, for a sum of around $8, of Eliza Armstrong, the 13-year-old daughter of a chimney sweep, in order to demonstrate how easy it was to procure young girls for prostitution. Stead then published an account of his investigations under the rather biblical title of ‘Maiden Tribute of Modern Babylon’ and made it a Pall Mall Gazette extra. Although his motives were clearly benign and the purchase of the girl obviously an intrinsic part of the exposé, the editor, along with accomplices, was charged and briefly imprisoned for procurement. Even so, the storm of publicity he stirred up was instrumental in forcing a change in the law that same year, and the age of consent was raised from 13 to 16. It was a remarkable demonstration of the power of the popular press. Stead had, in effect, turned a patrician publication into a tabloid that not only attracted many more readers with its human interest stories and accessible layout but also demonstrated that it was not afraid to take on the establishment.” “Ironically, today’s traders in child pornography and prostitution have little to fear from the hollow cries of moral outrage about pedophilia from the pragmatic descendants of the Pall Mall Gazette. Current tabloid editors, both British and American, know a sensational story when they smell one and have long since mastered the art of pandering to the worst instincts of a prurient readership while piously sermonizing in the margins. Few editors are willing to go to prison for practicing what they preach.”

the boundary between factual reportage and titillating documentary-style fantasy was defined by the existence of publications like Real Confessions, Real Romances, and Crime Confessions; these were fact-derived entertainment.”

the word ‘factoid’ was coined by Norman Mailer in his 1973 Marilyn Monroe biography to denote a ‘fact’ that does not actually exist before being reported in a magazine or newspaper”

Post-Lolita, the newspapers found they had a new shorthand label—and they could not have wished for a better one. ‘Lolita’ was short, distinctive, easily pronounced, and rapidly acquired a meaning that was internationally understood—or rather misunderstood.” “This Lolita was a factoid, a fabrication presented by the print media as a fact, thus acquiring a bogus new reality of its own.”

At the time of this writing, half a century since the first American publication of Lolita, the world’s current number one female tennis star, at least as far as the press is concerned, is the California-based Russian Maria Yurievna Sharapova. No doubt Nabokov would have derived some enjoyment from the spectacle of a prodigiously talented expatriate Russian girl excelling at one of his favorite sports in his beloved adopted country, but he would also have groaned at the press epithets deemed suitable for someone whose only misdemeanor was to start out as a bratty-looking teenager: the red-hot Russian… the Lolita of women’s tennis… Lolita with a racket… and so on. Did Sharapova have a precursor? Indeed she did: fellow Russian Anna Kournikova was frequently dubbed the ‘Lobbing Lolita’ in the press, but her retirement from competition—as well as her more conventional type of beauty—meant that journalists soon sought a successor and found her in the sometimes petulant young Sharapova, whose occasional teen sulkiness combined with her lithe physique made her an even better expression of the Lolita fantasy cliché.”

That nymphet’s beauty lay less on her bones

Than in her name’s proclaimed two allophones.” Anthony Burgess

When I saw that Fox’s coverage was titled ‘Where Is Elizabeth Smart?’ my thought was well, you know, who killed Laura Palmer? It’s like Twin Peaks in that you have sort of a blonde vision of innocence, of maidenhood… it plays into the JonBenét story. Jon Benét was, you know, this sort of Lolita-ish beauty pageant contestant and what makes it even more sort of archetypal is that Elizabeth Smart played the harp. You can’t get more angelic than that.” James Wolcott, Vanity Fair

Gone are the days when tame TV movies like Lethal Lolita cannot include the scandalous details; HBO and the Internet can show pretty much anything.” “Kampusch (chapter 2) is turning her experience—and the notes she made in captivity—into what will surely be a best-seller.”

Since the whole business was clearly a farrago fueled by the imaginations of children who had been browbeaten by suggestible parents, the only verity upon which everyone could agree was that child abuse was a very bad thing and demanded extreme reactions, even when nothing had happened. This, of course, is the unwelcome outcome when real life fails to conform to the easy characterizations of pulp fiction or tabloid simplification.”

Nothing much changes. Lyne, however, was relentless in his efforts to bring Nabokov’s tale of infinite desire to the screen in a way that would, after Kubrick’s patchy misfire, do it some sort of justice.”

11. TAKE TWO: Once more, with feeling

The climate of public opinion toward any debate about pedophilia was now deeply hostile, far more so than in the 70s or 80s, let alone the early 60s. This was bad enough, but it was not all. Lyne’s first (and some would say his biggest) obstacle to making a distinguished movie of one of the 20th century’s greatest and most allusive novels was his own track record.”

O DIRETOR DE <FILMES DO CANAL TCM>: “Next came Flashdance (1984), an urban fairy tale about a dancing welder from Pittsburgh (Jennifer Beals) who Has a Dream. It was a hit and was followed by a trio of even more successful but rather shallow erotic movies: Nine 1/2 Weeks (1986), Fatal Attraction (1987), and Indecent Proposal (1993). Admittedly Jacob’s Ladder (1990) was in there too, and that was a very well-handled post-Vietnam psychological tour de force that in some ways foreshadowed M. Night Shyamalan’s hit of 1999, The Sixth Sense. Otherwise Lyne’s movie career seemed to be dogged by his roots in advertising—plenty of style but little substance.”

Approaching his 50th birthday, Lyne was therefore understandably inclined to take on the formidable challenge of Lolita, a literary work of art he had long adored and that was finally optioned to him in 1990, prior to the shooting of Indecent Proposal. It was to prove a case of excruciatingly bad timing.

At this time, the protracted McMartin Pre-School affair was reaching the end of its second and final trial, and Amy Fisher would soon make her first fateful visit to Joseph Buttafuoco’s car repair shop in Long Island, ensuring that Lolita’s name would stay in the headlines for years for all the wrong reasons.”

The independent U.S. production company Carolco Pictures, Inc. expressed interest in bankrolling the project. Carolco had enjoyed great success with the Rambo movies and Terminator 2 and also produced Alan Parker’s Angel Heart and Sir Richard Attenborough’s Chaplin. Lyne now wrote a 35-page outline titled ‘Preparatory Notes on Nabokov’s Novel’.”

Pinter had made a creditable screenwriting job of everything from The Last Tycoon and The French Lieutenant’s Woman to The Quiller Memorandum and The Handmaid’s Tale, so he might perhaps do Lolita proud. Unfortunately, Pinter was always virulently anti-American in his politics as well as socially subversive in his film adaptations, at least whenever he could get away with it. One suspects he did not much care for Nabokov anyway. Was Pinter, after all, the best man to render the greatest novel of an apolitical, pro-America, non-satirical writer for the screen?”

Charm was not really what was required, and even the proposed casting of Hugh Grant as a lightweight and too-young Humbert [Hugh tinha 30 anos em 1990] (a serious suggestion at one point) was not going to salvage an icy script characterization. Harold Pinter was out.”

Schiff too was asked if he could set the film in the present day, an absurd idea that he sensibly rebuffed, arguing that Lolita’s story was inseparable from the context of its time.

Nabokov set his novel in 1947’, Schiff later wrote, ‘a singular moment in American cultural history—years before the finny, funny 50s; before the invention of the great American teenager and the distinct consumer culture that sprang up to serve it.’ A pointless 10-year time lag had helped to rob Kubrick’s film of any authentic context, and a 40-year dislocation would surely have rendered Lolita’s plot, as written by Nabokov, entirely meaningless.”

Dominique Swain was another novice. Born in Malibu, California, in 1980, the same year Adrian Lyne made his Hollywood debut with Foxes, she had little acting experience before getting the part of Lolita. She had failed an audition for Neil Jordan’s Interview with the Vampire (Kirsten Dunst eventually won the part of Claudia) and made a brief uncredited appearance in a film written by Ian McEwan and directed by Joseph Rubin, The Good Son (1993). Sporty, outgoing, artistic, and a straight-A high school student, Swain at 14 was an interesting-looking girl rather than a conventionally pretty one. She was clearly intelligent and seemingly undaunted by the audition process. In a riveting videotape of her audition for the part of Lolita, with Jeremy Irons playing Humbert, she is no showbiz show-off kid but still comes over as precociously witty and self-assured. At one point she mimics Lyne’s English accent, which, she suggests, is so much more sinister than an American one for delivering a line like ‘You murdered my mother’. If Swain’s physical development could have been arrested at the time of that audition, she would have been even better than she eventually was in the movie. But by the time they started shooting she was already looking older and more strapping and can actually be seen to be growing up during the film… albeit out of sequence due to the dislocated nature of shooting schedules. It hardly matters. After beating a reported 2,500 applicants to the part, Swain turned out to be the film’s undisputed success story. She would be a wonderful Lolita: rude, loud, childlike, touching, dreamy, goofy, cruel, sad, feisty, sexy, and funny. She would do it by channeling her own personality into the part and in this was expertly guided by Adrian Lyne, the father of two daughters. Dominique Swain actually seemed to thrive on a lack of acting experience. Not knowing how to do it right can, with careful guidance and good luck, sometimes have the benign opposite effect too—not knowing how to do it wrong. Journalist Stephen Schiff was already proof of this, having turned in the excellent script Lyne needed.”

Humbert’s eyes, no longer the distorting lenses through which everything is seen, now have to be shown on-screen, along with the rest of him. This was the fundamental, perhaps irresolvable problem of Lolita—this and finding an actor possessing both the skill and the nerve to play him. Unknown 14-year-old actresses have no established career to compromise, but middle-aged actors do. Jeremy Irons, being a well-respected if not exactly beloved actor in his homeland of Britain, first balked at the risk (and this despite Harold Pinter’s sweeping recommendation: ‘If you want an actor who isn’t afraid to look bad, get Jeremy Irons’).”

Irons’s personal challenge was immense: he had to perform in several sexually charged scenes with a 14-year-old girl who was constantly being attended on set by her mother, a tutor, and a body double. (…) No matter what the level of professionalism, an uneasy personal chemistry would ensue because it is hard for a 48-year-old man to play out violent arguments and sexual shenanigans with a high school girl.”

Melanie Griffith, a tinny-voiced actress not without her detractors, was cast as Charlotte Haze. This news was seen as another unpromising signal by many movie fans who were also admirers of the book, who were hoping for the best while fearing the worst. More positively Frank Langella, a fine and imposing actor, was cast as Quilty.”

On location in the South, Lyne said he frequently half expected some redneck sheriff to burst in at any moment to close down the proceedings before the movie was even shot. As for sexual impropriety, all due care was taken, some of it risible. When Swain sat on Irons’s lap, a cushion or board was placed between them. When it was necessary for Lolita to run a hand up Humbert’s thigh or vice versa, the body double took over. The weather, doing what weather does, delayed things. Melanie Griffith fell sick. The original cinematographer had to be replaced after shooting began. Jeremy Irons had real problems with some of the sex scenes. And the only person to sail through the experience with any degree of equanimity was Dominique Swain. Happy to be the center of attention and untroubled by the one aspect of things that troubled everybody else, she burst into tears only when Irons snapped at her for ill-advisedly telling him what to do.”

They wrapped in late 1995. They started editing in 1996. Then the real battles began.” “As bankruptcy loomed, Carolco sold Lolita to a big French corporation, Chargeurs, that had already acquired the movie production and distribution company Pathé back in 1992. Now, in 96, Chargeurs was demerging Pathé, an outfit for which, it was assumed, Lolita would be an ideal property. After the deal was done, Pathé’s optimism soon turned to concern (and Lyne’s hope to despair) when a new law, the Child Pornography Prevention Act of 1996, was enacted in the United States. Aimed at Internet pornographers who used computer graphics to simulate images of children having sex (even when no real children were involved), it threw up a potential killer obstacle to distributing the new Lolita at all in the United States. The reason was that the act proscribed any visual depiction that was ‘or appeared to be’ a child having explicit sex. This scattergun definition, although perhaps worthy in original intention, had huge potential ramifications for a wide range of mainstream media. An act that would retrospectively ban Volker Schlöndorff’s The Tin Drum (1979) outright or remove the Claire Danes/Leonardo DiCaprio bedroom scene from Romeo + Juliet (1996) looked likely to be challenged in the courts, but no one was eager to be the first challenger.”

Had we released Lolita in the ‘70s or ‘80s, Schiff said, I believe it would have easily made its way into distribution. But the culture has contracted since then. And even if it hasn’t, its gatekeepers believe it has.”

In a strange echo of what happened to Nabokov’s novel back in the 50s, Pathé effectively gave up on distributing it in the United States at all and looked to Europe. They perhaps hoped that a critical success there might kick-start its prospects on this side of the Atlantic. This seemed unlikely, despite the recent precedent of John Dahl’s The Last Seduction (1994), a cable TV movie that was shown on HBO and forgotten until it wowed European audiences in theaters, subsequently earning a U.S. theatrical release and rumors of a thwarted Academy Award nomination for star Linda Fiorentino (not permitted because the movie had premiered on TV) and becoming a neo-noir classic.

Adrian Lyne’s Lolita eventually premiered in Spain, at the 1997 San Sebastian Film Festival. It received mixed reviews and subsequently fared poorly in Spain. Italy loved it. In Germany it stirred up many public protests and was subsequently hard to see in that country. In Britain it received a certificate with no trouble whatsoever, something that stirred up tabloid outrage (Jeremy Irons was reported as saying he would leave the country if it were banned).”

In the end, the cable network Showtime bought the U.S. rights to the movie and broadcast it to any American household that subscribed to their channel in the summer of 1998. Despite limited screenings in New York, Los Angeles, and a few other cities, the movie—40 years after the novel was freely published—was to all intents and purposes banned from theatrical release in the United States, not by the censor but by the movie industry itself.”

He even adds a very Nabokovian touch that does not come from the book. When 13-year-old Humbert is preparing (alas, in vain) to possess Annabel in the long-lost world of the 1920s Riviera, he takes as a souvenir a bit of ribbon trim from the broderie anglaise of her long underpants. How many members of the movie audience recognize that ribbon when it reappears, unannounced, as a bookmark in middle-aged Humbert’s diary in Ramsdale? Perhaps as many as the number of readers who identify some of Humbert’s more arcane literary references in the novel. Everyone does not need to get the more obscure allusions, but it is nice if those references make artistic sense when they are spotted.

The film score and the featured music are particularly successful. Ennio Morricone’s score underpins the film’s shifting moods hauntingly, particularly in Humbert’s last desolate hours of freedom. Lolita’s enthusiastic if tuneless sing-along participation with contemporary novelty records on the radio—songs such as Louis Prima’s Civilization, Jack McVea’s Open the Door, Richard, and, perhaps most memorably, Tim-Tay-Shun (Jo Stafford’s redneck reworking of Temptation)—seem somehow even more fitting than the jukebox hits of mainstream crooners hinted at in the book.”

12. BLOOD SISTERS: Some responses to Lolita

Vladimir Nabokov finished writing Lolita on December 6, 1953. In France earlier that same year, Françoise Quoirez, the 18-year-old daughter of a wealthy Parisian industrialist, had just failed her examinations at the Sorbonne and subsequently spent the summer writing a novella. She decided to call it Bonjour Tristesse and herself Sagan after Princesse de Sagan in Proust’s À la recherche du temps perdu. Her book was published in 1954. Its success was considerable and international, and by 1959 it had sold 850,000 copies in France alone.”

Françoise Sagan had cast herself as Cécile, a spoiled 17-year-old whose intimate relationship with her 40-year-old Don Juan of a father seemed to have all but one of the characteristics of an incestuous affair. On an extended summer vacation with him at a villa in the Riviera, she amuses herself by playing malicious cupid as Daddy juggles two women: an empty-headed young mistress whom he believes helps him cling to his vanishing youth and a more mature woman who perhaps ought to suit him better. As her father prepares to announce that he is at last taking the sensible course, Cécile, with a recently acquired summer boyfriend of her own, petulantly manipulates everyone like chess pieces, conspiring to make the woman her father now intends to marry believe that he is deceiving her. This causes the distraught woman to drive blindly from the villa to die in the kind of portentous road accident often featured in books like this. Cécile’s harsh discovery that her game has resulted in irreversible tragedy is presented as a moral awakening and a rite of passage rolled into one. She starts out sounding like an old child, winds up sounding like a young woman; the collateral damage is one dead body.”

Sagan’s book scandalized family-loving France because of the iconoclastic attitudes behind this story of a daddy’s girl for whom sex was a game and traditional notions of love and marriage represented nothing more than routine and boredom. Tame as it may seem now, Bonjour Tristesse also rang alarm bells because it was a precocious broadside from a member of a young generation whose growing cultural clout threatened to spread far beyond the realm of pop music and fashion. The intimate father-daughter relationship added an extra sense of illicit danger, but perhaps most shockingly of all, the book was written by an obviously experienced young girl who seemed to know a great deal about sex and power.”

Bonjour Tristesse and Lolita have almost nothing in common apart from having both made their debuts in the mid-50s and sharing any sociological similarities we may choose to infer from each. Their telling difference, though, is that Sagan’s narrator relates everything from a very young woman’s point of view, while Nabokov’s Humbert is a middle-aged male who allows his leading lady no real voice of her own. The controlling effect of Humbert’s oppressive viewpoint was to feature in 40 years of feminist discussion about Lolita, in which the most commonly recurring complaint was that we simply never get to hear the girl’s point of view—she is effectively gagged by the man in charge. The wider implications of this in a male-dominated society, for those who wanted to point them out, were resonant with accusation.”

In Pera’s book (Lo’s Diary), Dolores Schlegel, née Maze, does not perish in a remote Northwest territory but lives on into adulthood and actually turns up in person at a fictionalized Olympia Press in Paris, accompanied by deaf husband Dick, during a visit to the French capital. Working at this reconstituted Olympia is John Ray Jr., the original novel’s foreword writer to whom Dolores gives her own ‘childish’ diary as a corrective to Humbert’s version of things. Humbert’s ‘real’ name is now revealed as Humbert Guibert. ‘Maybe you’d take a look at my own impressions of that time’, she says, handing over the diary to the bemused Ray. ‘They’re definitely less literary’.” “Only in 1995 does he finally edit and publish it, whereupon we learn that Lolita, in Pera’s hands, certainly does have a voice, even if it sounds suspiciously like the voice of a 42-year-old Italian woman working in the same medium—but hardly at the same level—as Vladimir Nabokov.” “Any expectation that there might emerge a Lolita sympathetically informed by a perceptive feminist awareness seems doomed to disappointment. In short, Dolores Maze comes across as being gratuitously unpleasant even before Humbert gets his hooks into her.” “The book was written in Italian and translated into English by Anna Goldstein, but even making allowances for the inherent problems of translation, this Lolita’s thoughts are rendered in a vernacular considerably less authentic-sounding than Nabokov’s laboriously researched attempts to reproduce the speech patterns of American kids of the 1940s.”

Throughout, Lo’s Diary runs similarly dreary attempts to depict Lolita as a sexual punk for the postwar years, a crude proto-feminist given to expressing opinions like ‘You have to keep a firm hand on a man, just like a horse’, and a budding sadist who tortures her pet hamster to death, heaps unremitting abuse and hatred on her ‘Shitmom’ Isabel (as Charlotte is redubbed), and decides to ensnare Humbert Guibert as ‘Daddy 2’ from the moment they first meet in the garden of 341 Grassy Street.”

To readers very familiar with Lolita there is perhaps a certain morbid fun to be had in seeing which of the book’s scenes are revisited from the viewpoint of this newly vicious and venomous Lolita, but in the end Lo’s Diary comes over as a rather sterile conceit with a lifeless narrator working to an obscure purpose. It is a shame, because all those voices calling out for Lolita’s point of view might reasonably have expected something better”

“‘Is the innocence of one girl so important next to Alice in Wonderland? Does it matter if it wasn’t quote soooo wonderful for her? A hundred years of beautifully bound editions? Can anyone honestly say they would save the child and lose the book?’ This thought, intentionally or otherwise, reverses the sentiment of a 1925 Russian poem by Vladimir Nabokov, ‘The Mother’, that explored weeping Mary’s grief after the execution of Jesus.

What if her son had stayed home with her,

And carpentered and sung? What if those tears

Cost more than redemption?”

In recent years some women authors have brought particularly chilling insights and perspectives to sadly familiar scenarios featuring girl-child victims. A.M. Homes’s The End of Alice seems at its start to be promising some sort of evenhanded correspondence or dialog between a 19-year-old woman and an imprisoned male pedophile, but things soon turn out to be disturbingly otherwise.”

One of the most unexpected Lolita spinoffs, however, was neither a borrowing nor a variant; it was not even, strictly speaking, a fiction. It was a celebration in the form of a memoir in which fictional Western women—among them Elizabeth Bennet, Catherine Sloper, Daisy Buchanan, Emma Bovary, Daisy Miller, and Dolores Haze—were introduced to real Eastern women in a weekly discussion group surreptitiously held in the capital city of the Islamic Republic of Iran, right at the end of the 20th century.

Reading Lolita in Tehran: A Memoir in Books is Azar Nafisi’s account of an undercover book discussion group she organized for a handful of female students after resigning her teaching post at Iran’s University of Allameh Tabtabai. Born in the old Iran in the days of the shah but educated in England and the United States, Nafisi had returned to teach in her native country in the late 70s, just in time for the Iranian Revolution, the rise of Ayatollah Khomeini, and, among other things most unwelcome from her point of view, a sustained erosion of personal liberties that proved especially harsh for women. Nafisi was first fired from the University of Tehran in 1981 for refusing to wear the veil and ultimately given no option but to resign from Allameh Tabtabai by the ever more rigorous restrictions placed upon what she could teach there. Allameh Tabtabai still had a reputation as the country’s most liberal university at the time, but all things are comparative and she found the university regime intolerable. So the secretive book group was in effect a gift from an international academic to 7 of her brightest female students. It took place covertly on Thursday mornings at Nafisi’s home, a sanctuary where those young women could shed not only their outdoor robes and scarves to reveal a lively selection of jeans, T-shirts, and other informal items worn beneath but also divest themselves of any restrictions forbidding what they might discuss. They used the sessions, guided by Nafisi, to discuss the unique potency of literature, as well as comparing and contrasting the travails of some of fiction’s most memorable heroines with their own lives and straitened circumstances.”

If it seems strange for such an embattled group of women to have embraced a hard-to-get book that had inflamed public opinion even in comparatively liberal America, it was not quite as it seemed.” “In the Islamic Republic of Iran, where the age of consent had been summarily lowered from 18 to 9, the sense of shock about a middle-aged man having sex with a 12-year-old girl was, shall we say, considerably less potent than in most Western countries.”

To the most rebellious of her students, a young woman she calls Yassi, Nafisi explains that ‘the desperate truth of Lolita’s story is not the rape of a 12-year-old by a dirty old man, but the confiscation of one individual’s life by another’. She goes on to argue that, although we cannot know what Lolita’s life might have been like had Humbert not hijacked it, ‘the novel, the finished work, is hopeful, beautiful even, a defense not just of beauty but of life, ordinary everyday life, all the normal pleasures that Lolita, like Yassi, was deprived of’.

Philistines are ready-made souls in plastic bags.” Nabokov

Carol gave me a copy of Lolita instead of a sermon. And that is how I came to read it, in two rainy summer afternoons, when I was 12. And when I emerged tearfully from the bedroom, she just nodded and opened her arms, for I was a sensitive kid. ‘Poor, poor Humbert!’ I cried. ‘Lolita was so mean!’ Justine Brown, exemplificando, depois de adulta, o perigo de fazer pré-púberes lerem o livro para convencê-las do perigo dos predadores pedófilos – elas não entenderão, elas se situarão ao lado de Humbert, confundirão a relação abusiva com amor romântico, o amor hollywoodiano e, doravante, ocidental, e o propósito pedagógico-moral do adulto terá escorrido pelo ralo com esta criança.

Despite the young Justine Brown’s unexpected loyalties and Pia Pera’s dubious advocacy, Lolita Haze has usually found her most sympathetic champions in women. None of them has been more quietly persuasive than Vladimir Nabokov’s extraordinary wife and collaborator Véra. The acute accent on the e, by the way, was a rare instance of her own literary invention. She added it to help with the correct pronunciation of her name when the Nabokovs first moved to America—it is Vay-rah, not Veer-a. Otherwise, Véra Nabokov, née Slonim, a highly cultured Russian Jew, a great beauty with a sophisticated taste in literature and a talent for languages, wrote hardly anything but diaries and letters, dedicating her life to the role of uber-assistant to a husband whose legendary absentmindedness and impracticality in the real world contrasted comically with his genius at creating and organizing exquisitely detailed fantasy worlds.

Véra was an aristocratic woman who made a dramatic escape from Bolshevik Russia in 1920, eventually arriving in that émigrés’ favorite city, Berlin, where she was still to be found supporting husband Vladimir and young son Dmitri as late as 1938, a date whose resonance now makes this sound like an insanely risky dalliance for a Jewish woman. She was the life partner who battled with publishers when the Nabokovs lived in poverty and the one who beat off the unwanted fans when Lolita made her husband notorious. She was the steel-willed woman who carried the licensed handgun when they toured remote territories on entomological excursions. She was the practical one who drove their Oldsmobile in a mixed spirit of exhilaration and heroic martyrdom because Vladimir could not drive at all.”

I have upwards of 200,000 miles under my belt, but each time I get behind the wheel I hand my soul over to God.” Véra Nabokov

She typed everything Vladimir wrote. She delivered his lectures at Cornell when he was too ill to do it himself. Without her, there would have been no Lolita; many who knew the couple went so far as to say that without her, there would have been no Vladimir Nabokov.”

Véra not only enabled a great literary career, she literally saved Lolita’s life when she snatched the novel’s pages from a sacrificial bonfire started by her husband in the yard of a rented house in East Seneca Street in Ithaca. There were to be several subsequent bids at immolation by an author beset with what he saw as insurmountable doubts about his masterwork, but the first and most famous attempt had a witness, one of Nabokov’s own students, a senior named Dick Keegan who had surely been handed a poisoned chalice when he was recruited as his professor’s personal driving instructor. (This exercise was an unqualified disaster; it remains one of American literature’s great ironies that the man who created that magnificent road trip right in the center of that magnificent novel was always utterly unable to master the controls of an automobile.)”

Also, Vladimir had entertained vague ambitions to write a comic article for The New Yorker about the trials and tribulations of Lolita’s publication, so it is possible that Véra’s notes might have been designed to help inform that. Yet a more personal tone emerges in this rare instance of Véra seemingly writing as herself rather than as her husband’s coconspirator and administrative alter ego.”

I wish, wrote Véra, someone would notice the tender description of the child’s helplessness, her pathetic dependence upon the monstrous HH, and her heartrending courage all along, culminating in that squalid but essentially pure and healthy marriage, and her letter, and her dog. And that terrible expression on her face when she had been cheated by HH out of some little pleasure that had been promised. They all miss the fact that ‘the horrid little brat’ Lolita is essentially very good indeed—or she would not have straightened out after being crushed so terribly, and found a decent life with poor Dick more to her liking than the other kind.”

CONCLUSION

At the time of this writing a Bollywood movie, Nishabd (2007), has just been released. It is advertised as a remake of the 1962 Lolita, [por que um remake de um filme ruim do Kubrick, e não do filme de 97 ou, enfim, outra adaptação do livro?!] and rumor has it that Indian audiences have not warmed to the film. Another smile.”

Histoire de Melody Nelson was a themed album from French singer-songwriter Serge Gainsbourg in 1971 and is generally accepted to have been inspired by Lolita. Melody is an androgynous 15-year-old red-haired girl whom Gainsbourg’s alter ego accidentally knocks off her bicycle with his Rolls-Royce. He takes her to a hotel to recover and promptly seduces her in one of its rococo bedrooms. Soon accident-prone Melody will die in a mystical plane crash over New Guinea, and, as Jean-François Brieu’s album liner notes rather colorfully put it, ‘Between these two blood lettings, she will be deflowered by the hero: a little trickle of hemoglobin, tribute paid to an initiation into pleasure’ (the translation from French is mine but the sanguinary imagery is Brieu’s). The sumptuous key track of the album, Ballade de Melody Nelson, was actually recorded before the other songs. It featured vocal interjections from Gainsbourg’s English girlfriend, Jane Birkin, who also impersonates Melody on the album sleeve—red wig, rouged cheeks, toy monkey clutched to her bare bosom, and crotch-hugging jeans. She also appeared with Gainsbourg in a 28-minute 1971 French TV special, Melody, directed by Jean- Christophe Averty. It promoted the album in what now looks like a narrative sequence of primitive music videos.”

Kitsch of the highest order, Melody the TV special manages to detract from, rather than add to, the drama of the songs.”

In 1975, Birkin would make her own cult album, Lolita Go Home, the title song being a cri de coeur from a nubile schoolgirl badmouthed by women and drooled over by men; it was co-written by Serge Gainsbourg and Philippe Labro. A year later Birkin would reincarnate a variant of Melody Nelson in Gainsbourg’s movie Je t’aime, moi n’en plus alongside Joe Dallesandro.”

“…Two: doesn’t discussing Lolita—doesn’t the very existence of the book—make pedophilia more socially acceptable?

The second question is so stupid that it does not really deserve an answer, since to confuse discussion with endorsement seems to suggest a complete absence of critical intelligence. It is also perhaps helpful to remember Alfred Hitchcock’s response when told that a serial killer had murdered for the 3rd time after seeing Psycho: ‘What movies did he see before the other two?’

Is it possible to depict circumstances and emotions that you have not personally experienced? Well, does anyone ask Hannibal Lecter’s creator Thomas Harris how many people he ate by way of injecting credibility into his blockbuster? Was Bret Easton Ellis only able to write American Psycho by means of strict empirical research? And what chance would Quentin Tarantino have of remaining at liberty if his films were assumed to be autobiographical? Need we ask? Need we answer? If you want to tell the truth, write a novel; if you want to tell a lie, write nonfiction.”

Writing a biography is a notoriously tricky and subjective business that never fails to offend someone. There can be few more diligently evenhanded biographers than Stacy Schiff, whose book Véra (Mrs. Vladimir Nabokov) stands as an elegant example of the genre, yet Ms. Schiff (no relation to Adrian Lyne’s scriptwriter, although the name does seem to be a lucky one for Nabokovian projects) has said that ‘anyone who has ever taken a cat to a vet in a carrying case, and extracted the animal in a blur of claw and hackles and muscle, knows what it is to write about Mrs. Nabokov.’

Admittedly, the artist who created the original might have cause for regret to see his creation embellished by a contingent comprising largely hawkers, impresarios, and assorted opportunists, but the phantom creatures they all conjure are still bona fide inhabitants of the world of human imagination. Every time we choose to believe in one of them instead of the original, it surely tells us something about ourselves and our times. That too I found an interesting aspect of delving into the lives of Lolita: she has been corrupted in a variety of ways, but each corruption tells us something not about her but about us.

Happily, the ‘real’ Lolita can always be perfectly restored for anyone who cares to read or reread Nabokov’s novel. That experience is its own high reward as well as the most dependable antidote to the latest brazen, short-skirted, man-eating, teen mutant dreamed up and labeled with the L-word for screen, page, or stage.”

INFÂNCIA – Graciliano Ramos

O outro visitante apareceu duas ou três vezes, cochichou demorado no copiar e sumiu-se levando algumas dezenas de mil-réis. Esse dinheiro significava o imposto dos proprietários rurais aos numerosos grupos de cangaceiros que percorriam o sertão, pouco exigentes comparados aos posteriores. Mediante algumas cédulas, uma novilha ou marra, obtinham-se dedicações, amizades proveitosas. Quando nos mudamos para a vila, 5 ou 6 bandoleiros que transitavam pelos arredores saíram do caminho, embrenharam-se na caatinga, para não assustar a mulher e as crianças.

Ausentes os hóspedes e os passageiros, caíamos no ramerrão fastidioso. Os mesmos trabalhos de pega, ferra, ordenha; ferrolhos rangendo pela madrugada e ao escurecer; vozes ásperas, exigências curtas, ordens incompreensíveis. Por toda a parte despojos de animais: ossos branquejando nas veredas, caveiras de bois espetadas em estacas, couros espichados, malas de couro, surrões de couro, roupas de couro suspensas em tornos, chocalhos com badalos de chifre, montes de látegos, relhos, arreios, cabrestos de cabelo.”

As meninas arrastavam-se no alpendre e na cozinha. O moleque José começava a revelar-se. Minha irmã natural se desenvolvia, recebendo com freqüência arranhões nos melindres. A aversão que inspirava traduzia-se em remoques e muxoxos; quando tomava feição agressiva, fazia ricochete e vinha atingir-nos. Se não existisse aquele pecado, estou certo de que minha mãe teria sido mais humana.”

Dificilmente pintaríamos um verão nordestino em que os ramos não estivessem pretos e as cacimbas vazias.”

Findaram as longas conversas no alpendre, as visitas, os risos sonoros, os negócios lentos; surgiram rostos sombrios e rumores abafados. Enorme calor, nuvens de poeira. E no calor e na poeira homens indo e vindo sem descanso, molhados de suor, aboiando monotonamente.”

A boca enxuta, os beiços gretados, os olhos turvos, queimaduras interiores. Sono, preguiça — e estirei-me num colchão ardente. As pálpebras se alongavam, coriáceas, o líquido obsessor corria nas vozes que me acalentavam, umedecia-me a pele, esvaía-se de súbito. E em redor os objetos se deformavam, trêmulos. Veio a imobilidade, veio o esquecimento. Não sei quanto durou o suplício.”

Eu era ainda muito novo para compreender que a fazenda lhe pertencia. Notava diferenças entre os indivíduos que se sentavam nas redes e os que se acocoravam no alpendre. O gibão de meu pai tinha diversos enfeites; no de Amaro havia numerosos buracos e remendos. As nossas roupas grosseiras pareciam-me luxuosas comparadas à chita de Sinhá Leopoldina, à camisa de José Baía, sura, de algodão cru. Os caboclos se estazavam, suavam, prendiam arame farpado nas estacas. Meu pai vigiava-os, exigia que se mexessem desta ou daquela forma, e nunca estava satisfeito, reprovava tudo, com insultos e desconchavos.”

Aperreava o devedor e afligia-se temendo calotes. Venerava o credor e, pontual no pagamento, economizava com avareza. Só não economizava pancadas e repreensões. Éramos repreendidos e batidos.”

Eu devia ter quatro ou cinco anos, por aí, e figurei na qualidade de réu. Certamente já me haviam feito representar esse papel, mas ninguém me dera a entender que se tratava de julgamento. Batiam-me porque podiam bater-me, e isto era natural.

Os golpes que recebi antes do caso do cinturão, puramente físicos, desapareciam quando findava a dor. Certa vez minha mãe surrou-me com uma corda nodosa que me pintou as costas de manchas sangrentas. Moído, virando a cabeça com dificuldade, eu distinguia nas costelas grandes lanhos vermelhos. Deitaram-me, enrolaram-me em panos molhados com água de sal — e houve uma discussão na família. Minha avó, que nos visitava, condenou o procedimento da filha e esta afligiu-se. Irritada, ferira-me à toa, sem querer. Não guardei ódio a minha mãe: o culpado era o nó. Se não fosse ele, a flagelação me haveria causado menor estrago. E estaria esquecida. A história do cinturão, que veio pouco depois, avivou-a.”

Onde estava o cinturão? Hoje não posso ouvir uma pessoa falar alto. O coração bate-me forte, desanima, como se fosse parar, a voz emperra, a vista escurece, uma cólera doida agita coisas adormecidas cá dentro. A horrível sensação de que me furam os tímpanos com pontas de ferro.”

Pareceu-me que a figura imponente minguava — e a minha desgraça diminuiu. Se meu pai se tivesse chegado a mim, eu o teria recebido sem o arrepio que a presença dele sempre me deu. Não se aproximou: conservou-se longe, rondando, inquieto. Depois se afastou.”

Foi esse o primeiro contato que tive com a justiça.”

Quem me deu o primeiro cálice de licor foi a morena vistosa, mas não sei quem deu o segundo. Bebi vários, bebi o resto da garrafa. Comportei-me indecentemente, perdi a vergonha, achei-me à vontade, falando muito, desvariando e exigindo licor. Uma das moças trouxe-me um copo de vinho com mel. Minha mãe enferrujou a cara, estirou o braço enérgico, mas naquele momento eu desafiava as oposições. Através de uma neblina, distinguia formas vagas e inconsistentes. Repeli a mão que avançava para mim, tomei o copo. Daí em diante, até que adormeci, o tempo desapareceu. Certos pormenores avultaram, com certeza se dissiparam casos apreciáveis. Ganhei coragem de supetão, os perigos se esvaíram. Fortaleci-me, percebi aliados nas criaturas que me rodeavam.”

A literatura popular e os cancioneiros matutos gastar-se-ão repisando camponeses brabos e vingativos, donzelas ingênuas, puras demais. Engano. Senhorinha, educada perto do curral, conhecia os mistérios da procriação e era simples. Filha de proprietário, submeteu-se à honestidade e aguardou casamento. Mas as dívidas se avolumaram, a fazenda se despovoou, tombaram as cercas, o coronel, sem correntão nem guarda-chuva, aderiu à canalha — e Senhorinha renunciou à virtude, infringiu a moral, curvou-se à lei do instinto.

Bonitona. Avizinhei-me dela com impudência camarada, esfreguei-me. Essa precisão de receber carícias de uma pessoa do outro sexo surgiu-me de golpe, estimulada pelo álcool.

Suponho que não foi a primeira vez que me embriagaram. As sertanejas do Nordeste entorpecem os filhos à noite com uma garrafa de vinho forte. Meus irmãos ingeriram isso e procederam bem: não choraram, não gritaram, não manifestaram nenhuma exigência. Acordavam quietinhos, moles, bestas, bons como uns santos. Umedeciam as cobertas, mais isto não os incomodava: dormiam no líquido. E, longe deles, D. Maria sossegava. Quando apurei o olfato e a vista, percebi que os lençóis de meus irmãos eram fétidos, horríveis. Os meus deviam ter sido assim.”

Estranha loquacidade inutilizava o silêncio obtuso que me haviam imposto. O animalzinho bisonho papagueava, e gargalhadas estrugiam na sala, abafando a quizília [zanga] de minha mãe. Essa potência baqueava. Não me ocorria que ela se restabelecesse, voltasse comigo à casa triste, me fustigasse e puxasse as orelhas. Parecia-me que as moças ruidosas e a senhora encanecida iriam, no futuro, trazer-me a garrafinha, os cálices e a bandeja, escutar-me os devaneios.”

E os sapatos me incomodavam os dedos, esfolavam os calcanhares. Onde estariam as minhas alpercatas? Na roupa estreita, movia-me com dificuldade. Em geral eu usava camisa, saltava e corria como um bichinho, trepava nas pernas de José Baía, que nascera de sete meses e fora criado sem mamar. José Baía era ótimo, talvez por não ter mamado e haver nascido de sete meses, o que devia ser uma exceção. Se José Baía aparecesse ali, explicar-me-ia o papa-lagartas. A calça, o paletó e os sapatos pressagiavam acontecimentos volumosos.”

De ordinário a gente da rua, excetuados os três meses de safra, descansava seis dias na semana. Em negócios raros buscava-se lucro exorbitante.”

Debatiam-se Canudos, a Revolta da Armada, a Abolição e a Guerra do Paraguai como acontecimentos simultâneos. A república, no fim do segundo quadriênio, ainda não parecia definitivamente proclamada. Realmente não houvera mudança na vila. Os mesmos jogos de gamão e solo transmitiam-se de geração a geração; as mesmas pilhérias provocavam as mesmas risadas. Certas frases decoravam-se, achavam meio de arranjar-se com outras de sentido contrário — e essas incompatibilidades firmavam-se nas mentes como artigos de fé.”

Deodoro é que havia procedido mal. No começo da vida era um pobrezinho, e D. Pedro o recolhera, educara, dera-lhe posição e dragonas. Em paga de lautos favores, uma rasteira no protetor bambo. Ingrato. Devia ter esperado que o velhinho desse o couro às varas.”

o sapo-boi, bicho terrível que morde como cachorro e, se pega um cristão, só o larga quando o sino toca.”

Cocheiro devia tratar de cochos, objetos que não se viam no livro. Tudo ali discordava da nossa linguagem familiar. ‘Um grupo estranho e por igual vistoso.’ Parecia cantiga.”

A existência ordinária, entregue a negócios terrestres e caseiros, durava duas, três semanas, até o correio trazer o fornecimento mensal de literatura religiosa. Surgiam as beatas estigmatizadas, D. Bosco, diálogos singelos, casos edificantes, delícias vagas do céu e torturas minuciosas do inferno.”

limitando a mancha vermelha da testa, uma veia engrossava. Diversas pessoas da família tinham a mancha curiosa. Em momentos de excitação ela se avivava, quase roxa, da sobrancelha à raiz do cabelo — e essas criaturas se enfureciam, avizinhavam-se da loucura.”

Ia acabar. Estava escrito nos desígnios da Providência, trazidos regularmente pelo correio. Na passagem do século um cometa brabo percorreria o céu e extinguiria a criação: homens, bichos, plantas. Riachos e açudes se converteriam em fumaça, as pedras se derreteriam. Antigamente a cólera de Deus exterminara a vida com água; determinava agora suprimi-la a fogo.”

Quem tinha contado ao sujeito do livro que Deus resolvera matar Padre João Inácio? Padre João Inácio era poderoso. Recusei o vaticínio, firme.”

Esteve alguns dias apreensiva, folheando a brochura, os olhos arregalados, séria. Enfim abandonou o cataclismo, embrenhou-se em novos temores. O cometa veio ao cabo de uns dois anos e comportou-se bem. Minha mãe foi observá-lo da porta da igreja, sem nenhum receio, esquecida inteiramente da predição.”

Às vezes minha mãe perdia as arestas e a dureza, animava-se, quase se embelezava. Catorze ou quinze anos mais moço que ela, habituei-me, nessas tréguas curtas e valiosas, a julgá-la criança, uma companheira de gênio variável, que era necessário tratar cautelosamente. Sucedia desprecatar-me e enfadá-la. Os catorze ou quinze anos surgiam entre nós, alargavam-se de chofre — e causavam-me desgosto.”

Minha mãe estranhou a curiosidade: impossível um menino de seis anos, em idade de entrar na escola, ignorar aquilo. Realmente eu possuía noções. O inferno era um nome feio, que não devíamos pronunciar.”

Com certeza Padre João Inácio havia perdido um olho no inferno e de lá trouxera aquele mau costume. A resposta de minha mãe desiludiu-me, embaralhou-me as idéias. E pratiquei um ato de rebeldia:

Não há nada disso.”

Minha mãe curvou-se, descalçou-se e aplicou-me várias chineladas. Não me convenci. Conservei-me dócil, tentando acomodar-me às esquisitices alheias. Mas algumas vezes fui sincero, idiotamente. E vieram-me chineladas e outros castigos oportunos.”

Luísa era intratável e vagabunda. Em tempo de seca e fome chegava-se aos antigos senhores, instalava-se na fazenda, resmungona, malcriada, a discutir alto, a fomentar a desordem. Ao cabo de semanas arrumava os picuás e entrava na pândega, ia gerar negrinhos, que desapareciam comidos pela verminose ou oferecidos, como crias de gato.”

Haviam obrigado o moleque a tratar-me por senhor, não admitiam que me reconhecesse indigno, me privasse voluntariamente daquele respeito miúdo.”

Se os fregueses andavam direito na loja, obtínhamos generosidades imprevistas; se não andavam, suportávamos rigor. Provavelmente é assim em toda a parte, mas ali essas viravoltas se expunham com muita clareza.”

Quando meu pai se tinha irado bastante, segurou o moleque, arrastou-o à cozinha. Segui-os, curioso, excitado por uma viva sede de justiça. Nenhuma simpatia ao companheiro desgraçado, que se agoniava no pelourinho, aguardando a tortura. Nem compreendia que uma intervenção moderada me seria proveitosa, originaria o reconhecimento de um indivíduo superior a mim. Conservei-me perto da lei, desejando a execução da sentença rigorosa. Não me afligiam receios, porque ninguém me acusava, ninguém me bulia a consciência.”

Jazia ali um ser humano. Logo recusava a proposição insensata. Nada de humano: tinha a aparência vaga de um rolo de fumo. Isto, rolo de fumo, semelhante aos que meu pai guardava no armazém, umedecidos em líquido viscoso, empacavirados em bananeira. Apenas aquele não estava úmido nem coberto: estava nu e torrado. Um rolo de fumo ordinário, dos que se vendem nas barracas de feira, pelando-se, esfarelando-se ao sol. Difícil atribuir-lhe nome de mulher, existência de mulher. Contudo as exclamações reiteradas, fragmentos de asserções contínuas, desbarataram a evidência, deram-me afinal a certeza de que se achavam no terreiro porções da negra morta. Forçava-me a não perceber nexo entre aquela espécie de barrote queimado e a sujeita valente que se mexera, defendendo os trens domésticos, a ausência de braços e de pernas. A energia mencionada e a inércia visível debatiam-se dentro de mim.”

Curvei-me num arremesso de coragem. Faltava-lhe o cabelo, faltava a pele — e não havendo seios nem sexo, perdiam-se os restos de animalidade. A superfície vestia-se de crostas, como a dos metais inúteis, carcomidos no abandono e na ferrugem. Em alguns pontos semelhava carne assada, e havia realmente um cheiro forte de carne assada; fora daí ressecava-se demais. Nesse torrão cascalhoso sobressaía a cabeça, o que fôra cabeça, com as órbitas vazias, duas fileiras de dentes alvejando na devastação, o buraco do nariz, a expelir matéria verde, amarelenta.”

Se não me houvesse rendido à tentação, aquela imundície não existiria, pelo menos não existiria no meu espírito.”

Deus era misericordioso: contentava-se com uma habitação miserável, situada longe da rua, e com o sacrifício de uma preta anônima. Não me convenci. A loja de Seu Quinca Epifânio e a igreja não tinham nada com o negócio. Eu não vira incêndio na igreja nem na loja de Seu Quinca Epifânio: vira uma choupana destruída, e a choupana crescia, igualava-se às construções de tijolo. Seu Quinca Epifânio e Padre João Inácio estavam vivos. Se tivessem morrido no fogaréu, não seriam mais nojentos que a negra.”

A lembrança infeliz me atormentava: necessário que os outros soubessem isto e me censurassem. Tinham sido sempre rigorosos em demasia, e agora me deixavam com aquele peso no interior. A argüição e o castigo me dariam talvez um pouco de calma: eu esqueceria, nos lamentos e na zanga, a visagem terrível. Não me puniram, quiseram transformar aquele horror num fato ordinário.”

Em noites comuns, para escapar aos habitantes da treva, eu envolvia a cabeça. Isto me resguardava: nenhum fantasma viria perseguir-me debaixo do lençol. Agora não conseguia preservar-me. O tição apagado avizinhava-se, puxava a coberta, ligava-se ao meu corpo, sujava-me com a salmoura que vertia de gretas profundas. As órbitas vazias espiavam-me, a lama do nariz borbulhava num estertor, os dentes se acavalavam e queriam morder-me. Encolhia-me, escondia o rosto no travesseiro, e a visão continuava a atenazar-me. Os arrepios que me agitavam mudaram-se em tremor violento. Não resisti ao suplício, gritei como um doido, alarmei a família. Vieram buscar-me, tentaram varrer-me o espectro da imaginação, acomodaram-me aos pés da cama do casal. Aí me abati, no círculo de luz da lamparina, ouvindo o canto dos galos, até que a madrugada me trouxe uma ligeira modorra cheia de sonhos ruins. Adormeci com a figura asquerosa, despertei com ela.” “A negra tivera sorte. Provavelmente já estava no céu, diante de Jesus, misturada aos serafins. Essa esquisita benevolência deixou-me perplexo. Calei-me, prudente”

C.I.U.: “Vestindo o uniforme, eram insolentes e agressivos, apagavam as humilhações antigas afligindo outros infelizes. Bebiam cachaça, malandravam, torvos, importantes, vagarosos, e o desmazelo — cinto frouxo, quepe de banda, topete ameaçador — dava-lhes consideração. Arredios, oblíquos, promoviam sambas e furdunços em casas de palha, onde as violências passavam despercebidas e ninguém se queixava.”

Em geral os militares inferiores arrastam a voz na primeira sílaba de serviço quando se referem às ocupações da caserna, que deste modo se distinguem das civis e ordinárias, sem vogal modificada.”

Não me havendo chegado notícia das viagens de Gulliver, penso que a minha gente liliputiana teve origem nas baratas e nas aranhas. Esse povo mirim falava baixinho, zumbindo como as abelhas. Nem palavras ásperas nem arranhões, cocorotes e puxões de orelhas.”

Ótimo professor. Acho, porém, que era um mau funcionário. O Estado não lhe pagava etapa e soldo para desviar-se dos colegas, sujos e ferozes, encher com lorotas as cabeças das crianças. Um anarquista.”

Isto me pareceu absurdo: os traços insignificantes não tinham feição perigosa de armas. Ouvi os louvores, incrédulo.” “Não me sentia propenso a adivinhar os sinais pretos do papel amarelo?” Outra vítima das listas telefônicas? Haha, com certeza ainda não havia telefones…

A liberdade que me ofereciam de repente, o direito de optar, insinuou-me vaga desconfiança. Que estaria para acontecer? Mas a pergunta risonha levou-me a adotar procedimento oposto à minha tendência. Receei mostrar-me descortês e obtuso, recair na sujeição habitual. Deixei-me persuadir, sem nenhum entusiasmo, esperando que os garranchos do papel me dessem as qualidades necessárias para livrar-me de pequenos deveres e pequenos castigos. Decidi-me.”

Admirei-me. Esquisito aparecerem, logo no princípio do caderno, sílabas pronunciadas em lugar distante, por pessoa estranha. Não haveria engano? Meu pai asseverou que as letras eram realmente batizadas daquele jeito.

No dia seguinte surgiram outras, depois outras — e iniciou-se a escravidão imposta ardilosamente. Condenaram-me à tarefa odiosa, e como não me era possível realizá-la convenientemente, as horas se dobravam, todo o tempo se consumia nela. Agora eu não tocava nos pacotes de ferragens e miudezas, não me absorvia nas estampas das peças de chita: ficava sentado num caixão, sem pensamento, a carta sobre os joelhos.” Como é possível que alguém se lembre de quando e como foi alfabetizado?!

Enfim consegui familiarizar-me com as letras quase todas. Aí me exibiram outras 25, diferentes das primeiras e com os mesmos nomes delas. Atordoamento, preguiça, desespero, vontade de acabar-me. Veio 3º alfabeto, veio 4º, e a confusão se estabeleceu, um horror de quiproquós. Quatro sinais com uma só denominação. Se me habituassem às maiúsculas, deixando as minúsculas para mais tarde, talvez não me embrutecesse. Jogaram-me simultaneamente maldades grandes e pequenas, impressas e manuscritas. Um inferno.”

Muitas infelicidades me haviam perseguido. Mas vinham de chofre, dissipavam-se. Às vezes se multiplicavam. Depois, longos períodos de repouso. Em momentos de otimismo supus que estivessem definitivamente acabadas. Agora não alcançava esse engano. As 3 manchas verticais, úmidas de lágrimas, estiravam-se junto à mão doída, as letras renitentes iriam afligir-me dia e noite, sempre. As réstias que passeavam no tijolo e subiam a parede marcavam a aproximação do suplício. Dentro de algumas horas, de alguns minutos, a cena terrível se reproduziria: berros, cólera imensa a envolver-me, aniquilar-me, destruir os últimos vestígios de consciência, e o pedaço de madeira a martelar a carne machucada.”

Mocinha, quem é o Terteão?

Mocinha estranhou a pergunta. Não havia pensado que Terteão fosse homem. Talvez fosse. “Fala pouco e bem: ter-te-ão por alguém.”

Mocinha, que quer dizer isso?

e as duas consoantes inimigas dançavam: d. t.

Foi por esse tempo que o negro velho apareceu, limpo, de colarinho, gravata, botinas, roupa de cassineta, óculos. Estranhei, pois não admitia tal decência em negros, e manifestei a surpresa em linguagem de cozinha. Meu pai achou a observação original, enxergou nela intenções inexistentes em mim, referiu-a na loja aos fregueses, aos parceiros do gamão e do solo. Ouvia-a recomposta por Seu Afro, completamente desfigurada, com palavras que não me aventuraria a pronunciar.”

SUPERFÍCIE TRIDIMENSIONAL

raso, tudo é raso

rasura

de pensamento

anulado

recomeçado

reiterado?

uma coisa é outra coisa, a mesma coisa, ao mesmo tempo três vezes!

va(r)i(e)dade

O culpado era meu pai. (…) negociante não tem os escrúpulos comuns das pessoas comuns. Tanto elogiara as mercadorias chinfrins expostas na prateleira que sem dificuldade esquecia as minhas falhas evidentes e me transformava numa espécie de fechadura garantida, com boas molas.” “desagradava-me ouvir meu pai alinhavar opiniões contraditórias.”

A notícia veio de supetão: iam meter-me na escola. Já me haviam falado nisso, em horas de zanga, mas nunca me convencera de que realizassem a ameaça. A escola, segundo informações dignas de crédito, era um lugar para onde se enviavam as crianças rebeldes.” “A escola era horrível — e eu não podia negá-la, como negara o inferno.” “Iria o professor mandar-me explicar Terteão e a chave? Enorme tristeza por não perceber nenhuma simpatia em redor.”

Lavaram-me, esfregaram-me, pentearam-me, cortaram-me as unhas sujas de terra. E, com a roupa nova de fustão branco, os sapatos roxos de marroquim, o gorro de palha, folhas de almaço numa caixa, penas, lápis, uma brochura de capa amarela, saí de casa, tão perturbado que não vi para onde me levavam. Nem tinha tido a curiosidade de informar-me: estava certo de que seria entregue ao sujeito barbado e severo, residente no largo, perto da igreja.” Sujo pode, conquanto que as visitas não olhem.

Não me seria possível espernear, berrar daquele jeito, exibir força, escoicear, utilizar os dentes, cuspir nas pessoas, espumante e selvagem. Tinham-me domado. Na civilização e na fraqueza, ia para onde me impeliam, muito dócil, muito leve, como os pedaços da carta de ABC”

As pessoas comuns exalavam odores fortes e excitantes, de fumo, suor, banha de porco, mofo, sangue. E bafos nauseabundos. Os dentes de Rosenda eram pretos de sarro de cachimbo; André Laerte usava um avental imundo; por detrás dos baús de couro, brilhantes de tachas amarelas, escondiam-se camisas ensangüentadas.”

A escola exigia palmatória, mas não consta que o modesto emblema de autoridade e saber haja trazido lágrimas a alguém. D. Maria nunca o manejou. Nem sequer recorria às ameaças. Quando se aperreava, erguia o dedinho, uma nota desafinava na voz carinhosa — e nós nos alarmávamos.” “A excelente criatura logo se fatigava da severidade, restabelecia a camaradagem, rascunhava palavras e algarismos, que reproduzíamos.”

Lavou as orelhas hoje?

Lavei o rosto, gaguejei atarantado.

Perguntei se lavou as orelhas.

Então? Se lavei o rosto, devo ter lavado as orelhas.

Lembro-me de ter ouvido alguém condenar certa hóspeda que, antes de ir para a cama, pretendia banhar-se:

Moça porca.”

Continuei a asseá-las rigoroso, e ao cabo de uma semana surgiram nelas esfoladuras e gretas que dificultaram as esfregações. A professora notou o exagero, segredou-me que deixasse as orelhas em paz. Desobedeci: havia contraído um hábito e receava outra admoestação, pior que insultos e gritos.”

De quem seria o defeito, do Barão de Macaúbas ou meu? Devia ser meu. Um homem coberto de responsabilidades com certeza escrevia direito. Não havia desordem na composição. Só eu me atrapalhava nela, os meninos comuns viam facilmente o fugitivo esconder-se na gruta, a aranha fabricar a teia. Humilhava-me — e na horrível cartonagem só percebia uma confusão de veredas espinhosas. Não valia a pena esforçar-me por andar nelas. Na verdade nem tentava qualquer esforço: o exercício me produzia enjôo.”

E se o catecismo tivesse para mim algum significado, pegar-me-ia a Deus, pedir-lhe-ia que me livrasse do Barão de Macaúbas. Nenhum proveito a libertação me daria: os outros organizadores de histórias infantis eram provavelmente como ele. Em todo o caso ambicionei afastar a mosca, a teia de aranha, o pássaro virtuoso.”

Desse objeto sinistro guardo a lembrança mortificadora de muitas páginas relativas à boa pontuação. Avizinhava-me dos 7 anos, não conseguia ler e os meus rascunhos eram pavorosos. Apesar disso emaranhei-me em regras complicadas, resmunguei expressões técnicas e encerrei-me num embrutecimento admirável.”

Sete vezes nove?

Sessenta, pouco mais ou menos. A exigência de D. Maria não se inquietava com unidades.

Foi por esse tempo que me infligiram Camões, no manuscrito. Sim senhor: Camões, em medonhos caracteres borrados — e manuscritos. Aos sete anos, no interior do Nordeste, ignorante da minha língua, fui compelido a adivinhar, em língua estranha, as filhas do Mondego, a linda Inês, as armas e os barões assinalados. Um desses barões era provavelmente o de Macaúbas, o dos passarinhos, da mosca, da teia de aranha, da pontuação. Deus me perdoe. Abominei Camões. E ao Barão de Macaúbas associei Vasco da Gama, Afonso de Albuquerque, o gigante Adamastor, barão também, decerto.”

AFASTOU-ME da escola, atrasou-me, enquanto os filhos de Seu José Galvão se internavam em grandes volumes coloridos, a doença de olhos que me perseguiu na meninice. Torturava-me semanas e semanas, eu vivia na treva, o rosto oculto num pano escuro, tropeçando nos móveis, guiando-me às apalpadelas, ao longo das paredes. As pálpebras inflamadas colavam-se. Para descerrá-las, eu ficava tempo sem fim mergulhando a cara na bacia de água, lavando-me vagarosamente, pois o contacto dos dedos era doloroso em excesso. Finda a operação extensa, o espelho da sala de visitas mostrava-me dois bugalhos sangrentos, que se molhavam depressa e queriam esconder-se.” “Voltava a abrigar-me sob o pano escuro, mas isto não atenuava o padecimento. Qualquer luz me deslumbrava, feria-me como pontas de agulhas. E as lágrimas corriam, engrossavam, solidificavam-se na pele vermelha e crestada. Necessário mexer-me à toa, em busca da bacia de água.”

Minha mãe tinha a franqueza de manifestar-me viva antipatia. Dava-me dois apelidos: bezerro-encourado e cabra-cega. Bezerro-encourado é um intruso. Quando uma cria morre, tiram-lhe o couro, vestem com ele um órfão, que, neste disfarce, é amamentado. A vaca sente o cheiro do filho, engana-se e adota o animal. Devo o apodo ao meu desarranjo, à feiúra, ao desengonço.” “Essa injúria revelou muito cedo a minha condição na família: comparado ao bicho infeliz, considerei-me um pupilo enfadonho, aceito a custo. Zanguei-me, permanecendo exteriormente calmo, depois serenei.”

Se a oftalmia desaparecesse, a expressão vexatória desapareceria também, eu regressaria ao catecismo, às histórias do Barão de Macaúbas.” “Na escuridão percebi o valor enorme das palavras. Em dias de claridade e movimento entretinha-me a observar a loja e o armazém, percorria alguns metros do largo e alguns metros da Rua da Palha, de casa para a escola, da escola para casa.”

Os passos revelavam as criaturas, quase se confundiam com elas: para bem dizer tinham forma, feições, e era-me possível saber de longe se estavam zangados ou satisfeitos.”

Mas, D. Maria, a velha professora quase analfabeta, aproximava-se da santidade. Os outros viventes possuíam virtudes e defeitos, com desvios e oscilações. Chico Brabo parecia-me dois seres incompatíveis. Em vão tentei harmonizá-los. As lembranças multiplicavam-se, exageravam-se. Arriado na cama de lona, as pálpebras coladas, via distintamente um deles. Os ouvidos excitados na cegueira fixavam-me na imaginação o segundo.”

Eu não supunha que existissem pessoas tão cabeludas.”

Os fazendeiros da região submetiam-se a alternativas: anos de abundância e anos de penúria. Às vezes a terra produzia em excesso, outras vezes não produzia nada. Dissipação, mesquinharia. E contra isso qualquer esforço era inútil.”

Nunca me havia ocorrido que as rapaduras fossem conseqüência de trabalho humano. Encaixadas, nas bodegas, não pareciam exigir tantos preparos. Aquilo era uma diversão curiosa. Bonitas, cor de ouro, empilhavam-se ainda quentes. E desejei permanecer ali, ao calor da fornalha, vendo a cana esmagar-se, o líquido borbulhar nas talhas, engrossar, solidificar-se.”

Mudei-me, fui viver na cidade. A pedra faiscante sumiu-se — e o meu quarto, rezadas as orações, apagado o candeeiro de querosene, escureceu.”

A pessoa que desapareceu da família foi Mocinha. Não sei bem se desapareceu da família, mas é certo que nos deixou. Talvez não a julgassem parenta: as relações dela conosco eram imprecisas. Antes de meu pai casar, Mocinha lhe fôra enviada por portas travessas, passara às mãos de tia Dona, viúva pobre que vivia com êle e tinha duas filhas novas. Viera o casamento, viera a mudança, tia e primas se haviam distanciado e Mocinha nos acompanhara ao sertão.

Era branca e forte, de olhos grandes, cabelos negros, tão bonita que duvidei ser do meu sangue. Parece que não queriam tomar conhecimento dela. Aferrolhavam-na em camarinha tenebrosa. Natural: sempre tivemos camarinhas úmidas, tristes, seguras, fechadas, para as mulheres. Sentava-se a um canto da mesa, rezava, comia de cabeça baixa. O constrangimento devia torturá-la, pois no quintal, na cozinha, no alpendre, ria, cantava, entendia-se com Rosenda lavadeira. Do corredor para a sala de visitas encolhia-se, reprimia expansões, anulava-se.”

À Mocinha não chegavam dissabores. Era como estranha, hóspeda permanente, embora se entretivesse em serviços leves: bordava palmas e florinhas lentas em pedaços de morim estendidos em grades, remendava camisas, endurecia saias brancas na goma anilada, alisava-as a ferro numa tábua vestida em lençol, suspensa nos encostos de duas cadeiras.”

Provavelmente a situação do negócio (gado a morrer, pano barato na prateleira) não lhe permitia engendrar filhos em muitas barrigas, fortalecer-se com o trabalho deles. Reprodutor mesquinho, sujeitava-se à moral comum — e naquela bênção engrolada ao amanhecer e ao cair da noite havia a confissão de que lhe faltava o direito de cobrir muitas mulheres, gerar descendência numerosa. Cobria e gerava, mas devagar e com método. Era um patriarca refletido e oblíquo, escriturava zeloso os seus escorregos sentimentais. Mocinha não representava utilidade. Valor estimativo, de origem pecaminosa. E meu pai tentava convencer os outros de que ela não existia.

Difícil. A intrusa se encorpava e embelezava, alargava a roupa, namorava-se ao espelho da sala. E do espelho saltou à janela, onde Miguel lhe foi segredar ternuras ao lusco-fusco.

Miguel, indivíduo importante, dos mais importantes do lugar, não podia ligar-se decentemente a uma filha das ervas. A gente dele, proprietária da casa de azulejos, motivo do meu assombro ao apear-me na vila, estrilou. E meu pai estrilou também, considerável e cheio de prosápias, orgulhando-se daquela preferência, mas rigoroso, intransigente. Fecharam-se e fiscalizaram-se as venezianas; estorvaram-se as relações com o exterior; a menina, elevada à categoria de pessoa, ouviu grilos, censuras ásperas, e as duas bênçãos diárias nunca mais lhe foram concedidas.

Pensei mais tarde nas razões que levaram meu pai a repelir um sujeito de boa raça, influente na política local. Talvez desejasse evitar falatórios, que lhe causavam medo. Talvez receasse assumir responsabilidade, ir até o fim do caminho. Nunca se comportava assim. Ordinariamente parava, ocupado com minúcias, e no jogo do solo, o seu divertimento no inverno, passava demais, enchia o pires de tentos, só se arriscava quando os trunfos lhe choviam nas mãos. Temia vantagens, desconfiava dos lucros rápidos e fáceis, que exigem capital e coragem — e após o desastre na fazenda, bichos famintos, morrinha, destruição, tornara-se precavido em excesso. Realmente era ambicioso, mas a sua ambição voava curto. Leve amor às aventuras e riscos, aventuras e riscos medianos, o induzia a vender fiado. Tomava todas as precauções, estudava o freguês pelo direito e pelo avesso, duplicava o preço da mercadoria, e se a fatura se elevava um pouco, suava numa angústia verdadeira. Findos os 90 dias do prazo, esfolava o devedor com juro de 2%a.m.. É possível que, nesse caso afetivo, ele haja, adotando os seus hábitos comerciais, procedido economicamente. Se acolhesse as boas intenções de Miguel, precisaria mandar fazer enxoval, comprar malas, realizar uma festa com anúncio em banhos, cerimônia de igreja, música, jantar para dezenas de convidados. Viriam Padre João Inácio, o Comendador Badega, Seu Félix Cursino, Teotoninho Sabiá, Filipe Benício. Teríamos discursos, teríamos dança. Esses desarranjos, além de caros, não estavam na índole de meu pai.”

Meu pai detestava a dança, formalidade necessária em bodas. Certamente se lembrava de culpas nascidas na valsa e na quadrilha — e daí o horror. Havia na existência dele, no escuro do passado, uma Deolinda, a que minha mãe se referia com inveja. Deolinda surgira escandalosamente na quadrilha e na valsa, traíra o marido — e, em conseqüência, meu pai reprovava com energia o exercício abominável. Minha mãe esqueceu a reprovação e cometeu uma falta: dançou com um primo barbado, em casa de meu avô. Arrependeu-se, achegou-me ao peito magro, pediu-me que não revelasse a ninguém o desgraçado sucesso. Comprometi-me. Quando nos desaviemos, ameacei-a. Não ligou importância às ameaças: puxou-me as orelhas. Senti a perfídia, mas fui generoso, guardei o segredo. E a paz do casal não se alterou.”

O nosso governo totalitário admitia Adélia e D. Rufo, mas não admitia Miguel. Não tentava suprimir a ficção contida nos volumes sujos. Consentia a leitura, reconhecendo a inutilidade dela fora do artigo político e dos lançamentos do borrador. Mas, deixando à menina o direito de pensar em tipos de histórias, decidiu conservá-la na virgindade. Obrigava-se a alimentá-la por largos anos, vesti-la, calçá-la. Isto representava uma despesa pingada, quase insensível.”

Fervia nela, porém, o sangue materno, a solidão afligia-a. E Miguel não queria ser figura de romance. Entenderam-se, apesar da proibição, inflamaram-se, cambiaram acenos e bilhetes. E tudo se resolveu.”

estabeleceu-se que moça fugida é moça avariada.”

Mocinha casou silenciosamente, sem música e sem dança, na missa das sete. E teve alguns anos de equilíbrio e felicidade.” “Miguel abandonou-a, ligou-se a outra, no civil. Se não me engano, ligou-se também a uma índia, na lei dos índios, para as bandas do Amazonas. Mocinha desapareceu e não deixou vestígio.”

Tinham-se sumido os grandes espaços alvacentos, de areia e cascalho, despovoados, o mato franzino, bancos de macambira, cercas de pedra, chiqueiros e currais, dias luminosos riscados pelo vôo das arribações. Veredas subiam, desciam, torciam-se, e à beira delas arrumavam-se casas, jardins, hortas. Os transeuntes não se vestiam de couro.”

Chegamos ao município de Viçosa, em Alagoas. Antes de estabelecer-se na cidade, meu pai se hospedou num engenho de fogo morto.”

Objetos e palavras inexistentes no sertão originavam incerteza, e a maneira de falar me chocava os ouvidos. As pessoas e as relações me desnorteavam: não podia saber se me comportava direito com a parentela confusa e respeitável.”

Matricularam-me na escola pública da professora Maria do Ó, mulata fosca, robusta em demasia, uma das criaturas mais vigorosas que já vi.”

surgiu uma novidade que me levou a desconfiar da instrução de Alagoas: no interior de Pernambuco havia 1899 depois dos nomes da terra e do mês; escrevíamos agora 1900, e isto me embrulhou o espírito. Faltou-me a explicação necessária. Como a doce mestra sertaneja, clara, de belos caracóis imaculados, superava a outra, escura, agreste, de músculos rijos, nos olhos raivosos estrias amarelas, considerei a nova data um erro.”

Uma vez, notando-me o desânimo diante da folha machucada, Dondom tomou a pena, traçou vários caracteres em caligrafia direita, emagrecendo-os, engordando-os convenientemente, e induziu-me a prosseguir daquela maneira. Conselho perdido: as garatujas de 1900 eram iguais às de 1899. E quando a professora foi julgar as escritas e viu o dolo, chamou-me, exigiu esclarecimento. Desejei mentir, responsabilizar-me. Impossível. Olhei desesperado a minha cúmplice. D. Maria do Ó envolveu a mão nos cabelos da menina, deixando livres o indicador e o polegar, com que me agarrou uma orelha. E, tendo-nos seguros, agitou o braço violentamente: rodopiamos como dois bonecos e aluímos sobre os bancos.”

permaneci obtuso, odiando as vírgulas e o catecismo, só abrindo os volumes sujos à hora da lição. Felizmente escapava entre dezenas de garotos rudes.”

Na sala, vendo a mulata ou cafuza brandir a palmatória, precisaria comportar-me bem, simular atenção, molhar de saliva as páginas detestáveis. Ali, no encolhimento e na insignificância, os livros fechados, embrutecia-me em leves cochilos, quase só. Desperto, bocejava, examinava o quintal estreito, que subia o morro do cemitério, argiloso e resvaladiço.”

Constrangida no espartilho, branqueada a pó-de-arroz, D. Maria do Ó fingia humanizar-se lá fora: a voz amansava, a carne se reprimia, doméstica, os bugalhos amarelentos se ocultavam sob as pálpebras roxas — e a fera metia as garras nos cabelos das crianças, adulando.

Entre as vítimas desse diabo, a mais infeliz era minha prima Adelaide. Os pais não queriam separar-se dela. E, ricos, podendo confiá-la a estabelecimento que ensinasse línguas difíceis, tinham resolvido instruí-la sem perdê-la de vista. Os colégios mais ou menos europeus ficavam longe. Iriam soltá-la por este mundo, sujeita a inconveniências? Não.”

Uma Adelaide letrada, não muito letrada, com as inovações e as letras necessárias. Uma Adelaide que se banhasse no riacho e falasse francês.”

E a infeliz, vergando sob a cólera despropositada, ia buscar a vassoura, limpar o tijolo, havia-se reduzido à condição de criada. Na labuta doméstica, sofria a birra das três velhas miúdas e cor de piche. Essas fúrias boçais vinham de classe muito baixa, tinham decerto adquirido em senzalas o veneno que destilavam. Da subserviência, antiga, passavam às ordens brutais, vingavam-se numa possível descendente de senhores remotos. Adelaide curvava o espinhaço, calejava na obediência, esmorecia nos trabalhos mais humildes.”

Não me parecia que Adelaide pudesse reabilitar-se, recuperar a alma de proprietária, dominar os cambembes esvaídos no eito. O engenho perdera a grandeza, era uma sombra de engenho, e a sinhá-moça arrastaria anos de vexame, até o fim da vida.”

As tias da professora haviam sido mucamas de luxo, sem dúvida, antes da maluqueira de uma princesa odiosa. Ingratas. Não me ocorria que alguém manejara a enxada, suara no cultivo do algodão e da cana: as plantas nasciam espontaneamente.”

Coitada de minha prima, tão boa, tão débil, suportando as enxaquecas das miseráveis. Lugar de negro era a cozinha. Por que haviam saído de lá, vindo para a sala, puxar as orelhas de Adelaide? Não me conformava.”

A imobilidade e a indiferença me atraíam. Tentei invocar as almas penadas, os diabos que se agitam nas chamas eternas. Essas criaturas me inspiravam piedade ou terror. Diante das carcaças nuas, era impossível comover-me. Loucura supor que mangassem de mim.

Longamente estive a contemplar as ruínas, ignoro como e quando me retirei. Decerto os colegas foram buscar-me. Não me recordo.

Entrei em casa mergulhado numa sombra espessa. À mesa, repeli a comida.”

Imundície. As pálpebras e o globo iam apodrecer, estavam apodrecendo. Só o esqueleto resistiria. Ossos. Aquela miséria segurava-se a mim, e não havia jeito de eliminá-la. Uma caveira me acompanharia por toda a parte, estaria comigo na cama, nas horas de brinquedo, nos desalentos, curvar-se-ia sobre páginas enfadonhas e agüentaria cocorotes. Ia encher-se de noções e de sonhos, esvaziar-se, descansar num ossuário, ao sol, à chuva, mostrar os dentes às crianças. Acabar-me-ia assim. Não interrompia o exame das órbitas, e as cavidades horríveis se alargavam e aprofundavam, semelhantes aos dois buracos que me haviam observado no cemitério.”

Os duendes e os gigantes eram só palavras, os inimigos indeterminados que vivem na treva se dispersaram. Intentei recordar-me deles, assustar-me. Debalde. Lá fora cantavam grilos, o vento zumbia nos ramos das laranjeiras e na cerca de pau-a-pique, vaga-lumes e baratas começavam a manifestar-se, os moleques cochichavam. Apenas. E cá dentro — um feixe de ossos. Apenas. A carne se eriçava, o sangue badalava na artéria. Isso tudo seria gasto pelos vermes. A imagem horrorosa se obstinava. As imagens também seriam gastas pelos vermes. Então para que me fatigar, rezar, ir à loja e à escola, receber castigos da mestra, escaldar os miolos na soma e na diminuição? Para quê, se os miolos iam derreter-se, abandonar a caixa inútil? O que mais me impressionava eram as órbitas: a pesquisa minuciosa prosseguia e achava-as desertas. Ocas e sombrias, como as outras. E o resto? Não havia resto. Ali não havia nada. Aqui não haveria nada. O velho Simeão habituara-se a dormir à luz dos fogos-fátuos, que já não eram amantes falecidos em incesto, perseguindo-se, repelindo-se, entre as sepulturas. Libertara-se de crenças, fugira ao sobrenatural. E resignava-se. Eu não podia resignar-me. As almas do outro mundo e os lobisomens adquiriam muito valor, faziam-me falta.

Estas letras me pareceriam naquele tempo confusas e pedantes. Mas o artifício da composição não exclui a substância do fato. Esforcei-me por destrinçar as coisas inomináveis existentes no meu espírito infantil, numa balbúrdia. É por terem sido inomináveis que agora se apresentam duvidosas. Afinal não me surgiam dificuldades. Haviam-me exposto várias lendas. Vencida a resistência inicial, pusera-me a confirmá-las. Negava-as de repente em globo, sem análises. Não me embaraçava em dúvidas. Tinha dito sim; entrava a dizer não: uma caveira motivava o desmoronamento.

Não pretendo insinuar, porém, que me haja encerrado no ateísmo, diferençando-me dos meninos vulgares. Nem sequer pensei em Deus. O que me inquietava eram as almas. E a minha não morreu de todo. Aquele enorme desengano passou. Os fantasmas voltaram, abrandaram-me a solidão. Sumiram-se pouco a pouco e foram substituídos por outros fantasmas.”

TIRARAM-ME da escola da mestiça, puseram-me na de um mestiço, não porque esta se avantajasse àquela, mas porque minha família se mudou para a Rua da Matriz, e D. Maria do Ó, no Juazeiro, ficava longe, graças a Deus.”

Um irmão dele, claro e simpático, certo dia me apareceu zangado no armazém de Seu Costa, sentou-se num fardo de algodão, abriu um jornal, fechou-o, encarou-me e rugiu:

Tenho o meu lugar definido na sociedade.

Não o contrariei. Admirava-lhe a caligrafia, os discursos na Loja Maçônica e a linguagem nas conversas. Desejaria falar tão facilmente, rir como ele. Mas naquela hora o homem não queria falar nem rir. Bêbedo, espumava, recordando alguma ofensa:

Tenho o meu lugar definido.

Provavelmente alguém o molestara, alguém que não recebera a resposta adequada e ali, na perturbação da embriaguez, se confundia comigo.

Sem dúvida.

O sujeito desdenhou a confirmação: bateu na coxa e martelou, reimoso, disposto a luta, babando-se:

Tenho o meu lugar definido.

Mas isso foi muito depois de eu entrar na escola do irmão. Este não tinha lugar definido na sociedade. Para bem dizer, não tinha lugar definido na espécie humana: era um tipo mesquinho, de voz fina, modos ambíguos, e passava os dias alisando o pixaim com uma escova de cabelos duros. Azeite e banha não domavam a carapinha — e o dono teimava, esfregava-a constantemente, mirando-se num espelho, namorando-se, mordendo a ponta da língua. Era feio, quase negro — e a feiúra e o pretume o afligiam. Porque tinha senso de beleza, mas procurava-a loucamente no seu corpo mofino. Friccionava-se, empoava-se, arrebicava-se, examinava-se no vidro, entortando os bugalhos estriados de vermelho.”

fantasiava em sossego um livro diferente, sem explicações confusas, sem lengalengas cheias de moral. Uma interjeição me puxava à realidade, esfriava-me o sangue; a falta se revelava, erguia-me o rosto alarmado. Nenhum castigo. O professor andava no mundo da lua, as pálpebras meio cerradas, mexendo-se devagar na cadeira, como sonâmbulo. Não se espantara, não se indignara: a exclamação traduzia algum sentimento nebuloso, estranho à leitura. Findo o susto, considerava-me isolado, continuava nas infrações sem nenhuma vergonha.”

Segurava a palmatória como se quisesse derrubar com ela o mundo. E nós, meia dúzia de alunos, tremíamos da cólera maciça, tentávamos esconder-nos uns por detrás dos outros. Daríamos os nossos cabelos, trocaríamos as nossas figuras por aquela miséria que se acabrunhava junto à mesa. Por que se aperreava tanto? Insignificâncias. Eu dizia comigo que o professor, como o irmão, poderia recitar discursos brilhantes e crescer. Tornar-se um homem.”

Os olhos ensangüentavam-se, os dentes rangiam. E consertava-nos furiosamente a pronúncia, obediente a vírgulas e pontos, forçava-nos a repetir uma frase dez vezes, punha notas baixas nas escritas, rasgando o papel, farejava as contas até que o erro surgia e se publicava com estridência arrepiada. Nesse policiamento súbito acuávamos — e as folhas virgens endureciam.

Desalentava-me no banco, os miolos a arder, zonzo. Quando se acabaria aquele horrível estrupício? Evidentemente não se acabaria: precisava habituar-me a ele, gostar da insipidez. Voltava à obrigação, reduzida por bocejos e cochilos.

Felizmente a exigência durava pouco. O sujeito melindroso enxergava no vidro uma cara atraente, alvoroçava-se, deixava-me em paz. As complicações do livro adelgaçavam, perdiam-se, enquanto o meu espírito vagaroso andava longe, pezunhando nos atoleiros que se espalhavam na cidade. Ia à estação da estrada de ferro, apreciava locomotivas, fumaça, apitos, vagões, passageiros e carregadores, trilhos, dormentes, rapaduras de carvão; detinha-se no mercado, que aos sábados se povoava de matutos ruidosos; visitava lojas, armazéns, a agência do correio; subia e descia ladeiras, passeava nos montes verdes, nas margens do rio largo e pedregoso. Assim divagando, sapequei o resto das histórias espessas, surdo aos conselhos que havia nelas. Nem me inteirava da existência dos conselhos.

Despedi-me enfim do Barão de Macaúbas, larguei a cartonagem, respirei. Mas a satisfação foi rápida: meteram-me noutra escola ruim e adquiri uma seleta clássica. [antologias didáticas]”

SEU Nuno quis transformar-me em ajudante de missa, e isto me atraiu, deixei-me sugestionar, embora ignorando que esforços a novidade exigiria de mim. De fato o catecismo não me inspirava simpatia, mas a aritmética e a seleta clássica eram piores — e imaginei, com a preferência, libertar-me delas. É possível que muitas vocações comecem desse jeito.”

Assim me edifiquei, a princípio moderadamente, depois excessivo e entusiasmado. Afeiçoei-me aos toques de sino, ao cheiro de incenso, decorei as frases do ritual, e, de casa para a loja, da loja para casa, ao passar diante da igreja, tirava o chapéu, rezava um padre-nosso e uma ave-maria.” “Adiantava-me, atrasava-me, escorregava no tapete, confundia a epístola com o evangelho, não segurava direito o missal, nos momentos mais sérios distraía-me olhando os vitrais. No manejo das galhetas [‘Cada um dos recipientes em que se guardam a água ou o vinho para a missa.’ // Também se usa para recipientes de restaurante ou de laboratórios químicos.] fui tão inábil que retrogradei. Cassaram-me funções, nem o turíbulo me deixaram, porque não consegui alongar ou encurtar as correntes, e nas minhas mãos o objeto, em vez de lançar fumaça, lançava cinza.” “E a minha fé pouco a pouco arrefeceu: a liturgia encrencada afastou da igreja um ministro.”

Findara o tempo dos eclesiásticos soltos, numerosos no século passado. Entravam no rigor. Padre João Inácio e Padre Loureiro viviam com feias e honestas parentas idosas. Em conseqüência, esmorecimento, deserções. Fazendeiros, senhores de engenho e negociantes metiam os filhos em colégios leigos, formavam-nos em academias liberais. Ou largavam-nos na bagaceira, se a rudeza era grande, prendiam-nos ao balcão.”

Um dia, no quintal, descobri uma de minhas irmãs vestida na batina, mascarada, fazendo carnaval. Indignei-me, depois encolhi os ombros, insensível à profanação. A batina envelhecia, desfiava-se nos bolsos e nas extremidades, cobria-se de nódoas. Esfarrapou-se nos brinquedos — e esquecia-a.”

Padre Pimentel era uma santa criatura e insinuou-me alguns conhecimentos, os primeiros que aceitei com prazer. Narrou-me a viagem de Abraão, a vida nas tendas, a chegada à Palestina. Usava linguagem simples, comparações que atualizavam os acontecimentos. Não hesitei, ouvindo a mudança de homens e gado, com certeza tangidos pela seca, em situar a Caldéia no interior de Pernambuco. E Canaã, terra de leite e mel, aproximava-se dos engenhos e da cana-de-açúcar. Mantive essa localização arbitrária, útil à verossimilhança do enredo, espalhei seixos, mandacarus e xiquexiques no deserto sírio, e isto não desapareceu inteiramente quando os mapas vieram.

Padre Pimentel admitia dúvidas e aclarava os pontos obscuros. Realmente não explicou direito o holocausto goro de Isaac e disfarçou, para evitar-me transtorno, o procedimento das filhas de Lot, mas os outros casos se desenrolaram fáceis e naturais. Jacob brigou com Esaú por causa de herança, coisa vulgar entre pessoas ricas, fugiu, foi protegido e enganado por um tio, tomou-lhe um rebanho e casou com duas mulheres. Uma delas tinha olhos de sapiranga [a mesma blefarite ciliar de capítulos atrás!]. A poligamia, o furto e as safadezas não me espantavam. Onze malvados se desembaraçaram de um irmão.

Até aí, tudo razoável. Em seguida enxerguei na história certo exagero. Moisés era um grande chefe, mas teria vencido os egípcios, atravessado o mar a pé enxuto, recebido alimento do céu, tirado água das pedras, visto Deus? Pedi confirmação. Havia prova de que o Judeu realizara tantos milagres? Padre Pimentel não se enfadava. Claro que tinha realizado.

Ia refugiar-me, zonzo, na companhia das moças. Conversavam demais. Discutiam, graves, um corte de vestido, parando em cada prega, analisando fitas e botões, discordavam, criticavam-se, enfim se combinavam. O que me surpreendia nelas era a ausência de pressa. Uma estava noiva, quase noiva. Adiava-se a resolução — e na sala de jantar havia sobre o assunto vivas cavaqueiras, em que todas pareciam ter igual interesse. Somavam as conveniências, as inconveniências, e isto às vezes favorecia o pretendente, outras vezes o desfavorecia. Enquanto buscavam decisão, iam preparando o enxoval. Fôra dada uma anuência tácita, mas os debates prosseguiam, com o arranjo das fronhas e dos lençóis. Mediam tudo, pesavam tudo, para não surgirem decepções.

Essas moças tinham o vezo de afirmar o contrário do que desejavam. Notei a singularidade quando principiaram a elogiar o meu paletó cor de macaco. Examinavam-no sérias, achavam o pano e os aviamentos de qualidade superior, o feitio admirável. Envaideci-me: nunca havia reparado em tais vantagens. Mas os gabos se prolongaram, trouxeram-me desconfiança. Percebi afinal que elas zombavam, e não me susceptibilizei. Longe disso: julguei curiosa aquela maneira de falar pelo avesso, diferente das grosserias a que me habituara. Em geral me diziam com franqueza que a roupa não me assentava no corpo, sobrava nos sovacos. Os defeitos eram evidentes, e eu considerava estupidez virem indicá-los. Dissimulavam-se agora num jogo de palavras que encerrava malícia e bondade. Essa mistura de sentimentos incompatíveis assombrava-me — e pela primeira vez ri de mim mesmo. A doçura picante não me reformava, é claro, mas exibia-me como eu poderia ter sido se a natureza e o alfaiate me houvessem dado os recursos indispensáveis. Satisfazia-me a idéia de que a minha figura não provocava inevitavelmente irritação ou desdém, e as novas amigas surgiram-me compreensivas e caridosas.

Guardei a lição, conservei longos anos esse paletó. Conformado, avaliei o forro, as dobras e os pospontos das minhas ações cor de macaco. Paciência, tinham de ser assim. Ainda hoje, se fingem tolerar-me um romance, observo-lhe cuidadoso as mangas, as costuras, e vejo-o como ele é realmente: chinfrim e cor de macaco.”

Aos 9 anos, eu era quase analfabeto. E achava-me inferior aos Mota Lima, nossos vizinhos, muito inferior, construído de maneira diversa. Esses garotos, felizes, para mim eram perfeitos: andavam limpos, riam alto, freqüentavam escola decente e possuíam máquinas que rodavam na calçada como trens. Eu vestia roupas ordinárias, usava tamancos, enlameava-me no quintal, engenhando bonecos de barro, falava pouco.”

O lugar de estudo era isso. Os alunos se imobilizavam nos bancos: 5 horas de suplício, uma crucificação. Certo dia vi moscas na cara de um, roendo o canto do olho, entrando no olho. E o olho sem se mexer, como se o menino estivesse morto. Não há prisão pior que uma escola primária do interior. A imobilidade e a insensibilidade me aterraram. Abandonei os cadernos e as auréolas, não deixei que as moscas me comessem. Assim, aos 9 anos ainda não sabia ler.”

Meu pai determinou que eu principiasse a leitura. Principiei. Mastigando as palavras, gaguejando, gemendo uma cantilena medonha, indiferente à pontuação, saltando linhas e repisando linhas, alcancei o fim da página, sem ouvir gritos. Parei surpreendido, virei a folha, continuei a arrastar-me na gemedeira, como um carro em estrada cheia de buracos.

Com certeza o negociante recebera alguma dívida perdida: no meio do capítulo pôs-se a conversar comigo, perguntou-me se eu estava compreendendo o que lia. Explicou-me que se tratava de uma história, um romance, exigiu atenção e resumiu a parte já lida. Um casal com filhos andava numa floresta, em noite de inverno, perseguido por lobos, cachorros selvagens. Depois de muito correr, essas criaturas chegavam à cabana de um lenhador. Era ou não era? Traduziu-me em linguagem de cozinha diversas expressões literárias. Animei-me a parolar. Sim, realmente havia alguma coisa no livro, mas era difícil conhecer tudo.

Alinhavei o resto do capítulo, diligenciando penetrar o sentido da prosa confusa, aventurando-me às vezes a inquirir. E uma luzinha quase imperceptível surgia longe, apagava-se, ressurgia, vacilante, nas trevas do meu espírito. Recolhi-me preocupado: os fugitivos, os lobos e o lenhador agitaram-me o sono. Dormi com eles, acordei com eles. As horas voaram. Alheio à escola, aos brinquedos de minhas irmãs, à tagarelice dos moleques, vivi com essas criaturas de sonho, incompletas e misteriosas.”

Na terceira noite fui buscar o livro espontaneamente, mas o velho estava sombrio e silencioso.

E no dia seguinte, quando me preparei para moer a narrativa, afastou-me com um gesto, carrancudo. Nunca experimentei decepção tão grande. Era como se tivesse descoberto uma coisa muito preciosa e de repente a maravilha se quebrasse. E o homem que a reduziu a cacos, depois de me haver ajudado a encontrá-la, não imaginou a minha desgraça. A princípio foi desespero, sensação de perda e ruína, em seguida uma longa covardia, a certeza de que as horas de encanto eram boas demais para mim e não podiam durar.”

Quando falei a Emília, porém, ignorava que houvesse pessoas tão rudes quanto Eusébio e admitia facilmente as aureólas da professora. Em conformidade com a opinião de minha mãe, considerava-me uma besta. Assim, era necessário que a priminha lesse comigo o romance e me auxiliasse na decifração dele. Emília respondeu com uma pergunta que me espantou. Por que não me arriscava a tentar a leitura sozinho?”

Emília combateu a minha convicção, falou-me dos astrônomos, indivíduos que liam no céu, percebiam tudo quanto há no céu. Não no céu onde moram Deus Nosso Senhor e a Virgem Maria. Esse ninguém tinha visto. Mas o outro, o que fica por baixo, o do Sol, da Lua e das estrelas, os astrônomos conheciam perfeitamente. Ora, se eles enxergavam coisas tão distantes, porque não conseguiria eu adivinhar a página aberta diante dos meus olhos? Não distinguia as letras? Não sabia reuni-las e formar palavras?”

E tomei coragem, fui esconder-me no quintal, com os lobos, o homem, a mulher, os pequenos, a tempestade na floresta, a cabana do lenhador. Reli as folhas já percorridas. E as partes que se esclareciam derramavam escassa luz sobre os pontos obscuros.” “Os astrônomos eram formidáveis. Eu, pobre de mim, não desvendaria os segredos do céu. Preso à terra, sensibilizar-me-ia com histórias tristes, em que há homens perseguidos, mulheres e crianças abandonadas, escuridão e animais ferozes.”

Em aritmética eu era um selvagem, pouco mais ou menos um selvagem, mas fui tolerado, e creio que devo isto a Samuel Smiles.

Essa professora atrasada possuía raro talento para narrar histórias de Trancoso. Visitava-nos, prendia-nos até meia-noite com lendas e romances, que estirava e coloria admiravelmente. Nada me ensinou, mas transmitiu-me afeição às mentiras impressas.”

Imaginei um engano: tinha por erro o que divergia da minha maneira habitual de falar. Realmente pronunciara Smiles de vários modos, mas supunha que alguns deles estivesse direito. Julguei o professor uma besta — e meu primo José concordou.

Finda, porém, essa manifestação de rebeldia, chegaram-me dúvidas, grande espanto em seguida, por fim mistura vaga de resistência e admiração àquele homem que alterava as letras. A firmeza séria me deu a suspeita de que me achava na presença de uma autoridade. E como não me seria possível discernir razões profundas, contentei-me com as aparências — e a suspeita se transformou em convicção.” “Procurei outras palavras em que o i se pronunciasse daquele jeito. Inutilmente. Apesar de tudo Smiles era Smailes, e ninguém me tirava daí.”

Talvez a necessidade de mistério e grandeza me tenha levado a acreditar nos santos e nos heróis, que se desenvolveram simultaneamente. Houve, porém, um desequilíbrio: os primeiros subiram muito, enquanto os segundos desciam; em seguida os que estavam embaixo começaram a levantar-se, alcançaram os outros e ganharam a dianteira. Essas coisas, lentas, quase insensíveis, passaram-se num espírito nebuloso. Para bem dizer, não havia tempo. Na sombra avultavam figuras luminosas. Mas entre elas ficavam espaços vazios, que novas imagens vieram preencher.

Por que brigaram no meu interior esses entes de sonho não sei. Julgo que foi por causa de uma proibição, terrível proibição, relativa à brochura de capa amarela. Alguém a deixou na loja. Folheei-a devagar, soletrando, consultando o dicionário, sentado num caixão de velas. Os livros do estabelecimento eram o razão, o diário, o caixa, outros que José Batista manejava. Entre as mercadorias, porém, existia meia dúzia de dicionários. Examinei com algum proveito esses gêneros, que não achavam comprador. Tinham as bandeiras de todos os países (aí comecei a minha geografia) e retratos de figurões (origem da pouca história que sei). Meu pai me permitiu as consultas, pois a encadernação vermelha, as bandeiras e os retratos não representavam nenhum valor: era até bom que se estragassem, poupassem ao comerciante a lembrança de um mau negócio. Mercadorias. A mim revelaram pedaços do folheto amarelo, que se chamava O Menino da Mata e o seu Cão Piloto.

Arranjava-me lentamente, procurando as definições de quase todas as palavras, como quem decifra uma língua desconhecida. O trabalho era penoso, mas a história me prendia, talvez por tratar de uma criança abandonada. Sempre tive inclinação para as crianças abandonadas. No princípio do romance longo achei garotos perdidos numa floresta, ouvindo gritos de lobos. As narrativas de D. Agnelina referiam-se a pequenos maltratados que se livravam de embaraços, às vezes venciam gigantes e bruxas.

Em casa mostrei o achado a Emília, descrevi o menino, a mata e o cachorro. Nenhum sinal de aprovação. Emília arregalou os olhos, atentou horrorizada no folheto, pegou-o com as pontas dos dedos, soltou-o, como se ele estivesse sujo, aconselhou-me a não o ler. Aquilo era pecado. Aventurei-me a discutir. Minha prima se enganava: no conto havia um menino e um cachorro excelentes. Recuou, muito pálida, receosa de se contaminar, e virou o rosto. Pecado.

Pecado por que, Emília?

Porque o livro era excomungado, escrito por um sujeito ruim, protestante, para enganar os tolos. Objetei que o menino e o cachorro procediam como cristãos. Respondeu que o perigo estava aí: quando o diabo queria tentar as pessoas, simulava boa aparência, escondia os pés de pato e dava conselhos razoáveis. Depois mostrava as unhas e o rabo, cheirava a enxofre, levava a gente para o inferno. Ignorante e novo, eu não sabia o que era certo ou errado, mas se o livro tinha procedência má, boa coisa não podia ser. Afirmei que ele não tinha má procedência; Emília espiou de longe as letras da capa, discordou, afastou-se cheia de repugnância.”

Proibiam-me rir, falar alto, brincar com os vizinhos, ter opiniões. Eu vivia numa grande cadeia. Não, vivia numa cadeia pequena, como papagaio amarrado na gaiola.”

Chorei, o folheto caído, inútil. O menino da mata e o cão Piloto morriam. E nada para substituí-los. Imenso desgosto, solidão imensa. Infeliz o menino da mata, eu infeliz, infelizes todos os meninos perseguidos, sujeitos aos cocorotes, aos bichos que ladram à noite.

Os caixeiros, ouvindo-me, resmungariam ou soltariam gargalhadas; Fernando me insultaria; minha mãe me trataria com indiferença ou aspereza. E eu ficaria só no mundo. Um pecado a apertar-me como prensa. Eu era um pouco de algodão comprimido na prensa.”

Se se dirigia a mim, largava alguma frase contundente. Às vezes, atentando na significação dela, eu não achava motivo para me ofender, mas o jeito como ele se expressava, a sobrancelha carregada, o ar de suficiência e impostura, o riso brusco, um erguer de ombros, um balançar de cabeça, tudo me produzia mal-estar. Era como se ele me quisesse cortar com lâminas de gelatina.

Cresci ouvindo as piores referências a Fernando. Se fosse tão mau como afirmavam, não existia patife igual. Era parente do chefe político, e um chefe político da roça naquele tempo mandava mais que um soba,¹ dispunha das pessoas e manipulava as autoridades, bonecos miseráveis. Vivíamos num grande cercado de engenho, e só tinha sossego quem adulava o senhor. Os jornais da capital noticiavam horrores, mas ninguém se atrevia a assinar uma denúncia. Qualquer indiscrição podia originar incêndios, bordoadas, prisões ou mortes.”

¹ “Chefe de tribo ou régulo africano.”

O velho Frade, influente num município vizinho, dizia que nunca matara um homem. Matava cabra ruim, muito cabra ruim. No meu município também se assassinavam homens, embora se preferissem os cabras ruins. Quando um proprietário governista queria molestar um adversário, mandava suprimir-lhe alguns moradores — e a pessoa ameaçada vendia-lhe a terra por menos do valor. Se não vendia logo, novos moradores iam desaparecendo, até que a transação se efetuava. Só raramente, em casos de ofensas pessoais, questões de família, se eliminavam membros da classe elevada.”

Regime forte. O chefe conversava direito, falava na Coréia, torcia pelo Japão contra a Rússia em 1905, discutia gramática às vezes.” “As surras em tipos indesejáveis e o aparecimento de caboclos mortos eram fatos vulgares, mal justificavam a indignação impressa. O Coronel se defendia aos gritos, espumava; os aderentes, medrosos, balbuciavam, tentavam descobrir os autores das infames acusações. Fervilhavam suspeitas. E dias depois era certo alguém ser agredido em público, a chicote ou cacete. Nunca vi regime tão forte.

Amigo pequeno, Fernando recebia as iras destinadas a outros e não reagia. Numa reviravolta política, expôs claramente a sua natureza de tabela de bilhar: agüentou sova. Mas naquele tempo só o patrão, dono dos corpos e das almas, tinha o poder de humilhá-lo. Ouvidos os insultos, Fernando se recompunha, tornava-se insolente, apavorava os infelizes das pontas de ruas. Especializara-se em desgraçar meninas pobres, que se rendiam por medo ou eram violentadas. Algumas vezes as próprias mães iam levá-las ao sacrifício.

Lembro-me da Ratinha, linda criatura. Em noites de festa vestia roupas vermelhas, mostrava duas rosas vermelhas nas bochechas, sorria com um sorriso vermelho, era toda uma vermelhidão triunfante — e isto a perdeu. A Rata velha tinha olhos de rato, dedos finos de rato, focinho de rato, modos de rato. O Rato irmão era um rapaz miúdo, narigudo, inquieto. A Ratinha se diferençava da família, não se distinguia das moças de consideração. Engelhou e envelheceu num beco escuro.”

E lendo no dicionário encarnado, onde existiam bandeiras de todos os países e retratos de personagens vultosas, que Nero tinha sido o maior dos monstros, duvidei. Maior que Fernando? A afirmação do livro me embaraçava. Como seria possível medir por dentro as pessoas? E senti pena de Nero, que nunca me havia feito mal. Fernando me atormentava e era péssimo.” “O sujeito se tornou para mim um símbolo — e pendurei nele todas as misérias.”

Foi aí que veio o grande sucesso. Uma das tábuas ficara no chão, crivada de pregos. Fernando levantou-se, apanhou-a, agarrou um martelo, pôs-se a entortar os bicos agudos, a rosnar. Desleixo. Se uma criança descalça pisasse naquilo? Eu não acreditava nos meus olhos nem acreditava nos meus ouvidos. Então Fernando não era mau? Pensei num milagre. Julguei ter sido injusto. Fernando, o monstro, semelhante a Nero, receava que as crianças ferissem os pés. Esqueci as torpezas cochichadas, condenei o dicionário vermelho que tinha bandeiras e retratos. Talvez Nero, o pior dos seres, envergasse os pregos que poderiam furar os pés das crianças.”

APARECEU uma dificuldade, insolúvel durante meses. Como adquirir livros? No fim da história do lenhador, dos fugitivos e dos lobos havia um pequeno catálogo. Cinco, seis tostões o volume. Tencionei comprar alguns, mas José Batista me afirmou que aquilo era preço de Lisboa, em moeda forte. E Lisboa ficava longe.”

Emília tentou auxiliar-me, contou pelos dedos os possuidores prováveis de bibliotecas, sisudos, inacessíveis: Dr. Mota Lima, Professor Rijo, Padre Loureiro. Não me arriscaria a chateá-los. Mais próximo, havia o tabelião Jerônimo Barreto. Diariamente, percorrendo a Ladeira da Matriz, demorava-me em frente do cartório dele, enfiava os olhos famintos pela janela, via numa estante, em fileiras densas, bonitas encadernações de cores vivas. À mesa larga, em mangas de camisa, o funcionário manejava instrumentos jurídicos. E um respeito cheio de inveja me detinha na calçada. Atribuí àquele rapaz moreno ciência poderosa, estranhei vê-lo, simples e calmo, juntar-se aos freqüentadores da loja, onde metia na conversa Robespierre e Marat, dois tipos que venerei antes de me chegar qualquer notícia de revolução e da França.”

Foi uma inexplicável desaparição da timidez, quase a desaparição de mim mesmo. Expressei-me claro, exibi os gadanhos limpos, assegurei que não dobraria as folhas, não as estragaria com saliva. Jerônimo abriu a estante, entregou-me sorrindo O Guarani, convidou-me a voltar, franqueou-me as coleções todas.” Honestamente, se eu recebesse justo O Guarani aos 11 anos, teria desistido da literatura!

Jerônimo Barreto me desviou para as obras de carregação. Viajei bastante, abeirei-me de condessas. Mas permaneci no desalinho, esgueirando-me pelos cantos, e o juízo severo da família se agravava. Apenas meu primo José, ouvindo-me descrever uma casa queimada, resmungou:

Falante como o diabo.”

Surgiu na cidade uma espécie de colégio e introduziram-me nele. Quando cheguei, o diretor, insinuante, macio, ditou meia dúzia de linhas a diversos novatos. Emendou e classificou os ditados; pegou o meu, horrorizou-se, escreveu na margem larga do almaço: incorrigível. Esta dura sentença não me abalou. Até que me envaideci um pouco vendo a minha escrita diferente das outras.” Todo escritor se lembra de ter tido professores de português os mais mesquinhos na escola…

Dias depois o sujeito me pediu a constituição do Brasil e uma gramática. Levei a gramática, mas embirrei com a constituição, mudei-a numa história do Brasil de perguntas e respostas. Assim, não analisei o estatuto do meu país e dei a Jovino Xavier uma impressão miserável. Recebendo as cartonagens, Jovino travou comigo um diálogo: espantou-se, franziu os beiços, machucou o bigode, cocou a cabeça, entalado. E deixou-me em paz, esteve semanas sem me dirigir palavra, certamente julgando-me imbecil, o que muito me serviu.”

Jerônimo Barreto me fazia percorrer diversos caminhos: revelara-me Joaquim Manuel de Macedo, Júlio Verne, afinal Ponson du Terrail, em folhetos devorados na escola, debaixo das laranjeiras do quintal, nas pedras do Paraíba, em cima do caixão de velas, junto ao dicionário que tinha bandeiras e figuras.” Todo diferenciado precisa de seu mecenas e patrono.

Os meus colegas se afastavam de mim, declamavam as capitais, os rios da Europa. E eu mascava os prolegômenos: 24 horas, 365 dias, raça branca, raça negra. Quando tomei pé na Europa, eles exploravam outras partes do mundo. Surdo às explicações do mestre, alheio aos remoques dos garotos, embrenhava-me na leitura do precioso fascículo, escondido entre as folhas de um atlas. Às vezes procurava na carta os lugares que o ladrão terrível percorrera. E o mapa crescia, povoava-se, riscava-se de estradas por onde rodavam caleças e diligências.

Conheci desse jeito várias cidades, vivi nelas, enquanto os pequenos em redor se esgoelavam, num barulho de feira. O rumor não me atingia. Em vão me falavam. Sacudido, sobressaltava-me, as idéias ausentes, como se me arrancassem do sono. Olhavam-me estupefatos, devagar me inteirava da realidade.

Governadores-gerais, holandeses e franceses começavam a importunar-me. Esquartejavam-se períodos, subdividiam-se e rotulavam-se as peças em medonha algazarra. Os meus novos amigos guardavam maquinalmente façanhas portuguesas, francesas e holandesas, regras de sintaxe — e brilhavam nas sabatinas. Segunda-feira estavam esquecidos, e no fim da semana precisavam repetir o exercício, decorar provisoriamente toda a matéria. À medida que avançavam, a tarefa se ia tornando mais penosa: ficavam apenas, algum tempo, as últimas lições.

Eu achava estupidez pretenderem obrigar-me a papaguear de oitiva. Desonestidade falar de semelhante maneira, fingindo sabedoria. Ainda que tivesse de cor um texto incompreensível, calava-me diante do professor — e a minha reputação era lastimosa.”

Napoleão se estrepara na campanha da Rússia, logo nas primeiras páginas do Rocambole. Num desconchavo, referi-me à catedral de Notre-Dame e ao Vesúvio familiarmente, como se os tivesse visto. Além disso, arrolei plantas e animais exóticos: carvalhos e pinheiros, vinhedos e trigais, lobos e javalis, melros e rouxinóis.

Finda a novidade, os meus conhecimentos originaram desconfiança e algum desdém: Versalhes, Notre-Dame e os rouxinóis tinham aparência de contrabando. E eram inúteis, com certeza. Mas serviam para a composição de narrativas — e fora daí não me inspiravam interesse.

A existência comum se distanciava e deformava; conhecidos e transeuntes ganhavam caracteres das personagens do folhetim. Descurei as obrigações da escola e os deveres que me impunham na loja. Algumas disciplinas, porém, me ajudavam a compreensão do romance e tolerei-as — bocejei e cochilei buscando penetrá-las.

Em poucos meses li a biblioteca de Jerônimo Barreto. Mudei hábitos e linguagem. Minha mãe notou as modificações com impaciência. E Jovino Xavier também se impacientou, porque às vezes eu revelava progresso considerável, outras vezes manifestava ignorância de selvagem. Os caixeiros do estabelecimento deixaram de afligir-me e, pelos modos, entraram a considerar-me um indivíduo esquisito.”

OFERECERAM a meu pai o emprego de juiz substituto e ele o aceitou sem nenhum escrúpulo. Nada percebia de lei, possuía conhecimentos gerais muito precários. Mas estava aparentado com senhores de engenho, votava na chapa do governo, merecia a confiança do chefe político — e achou-se capaz de julgar.

Naquele tempo, e depois, os cargos se davam a sequazes dóceis, perfeitamente cegos. Isto convinha à justiça. Necessário absolver amigos, condenar inimigos, sem o que a máquina eleitoral emperraria.

Os magistrados de anel e carta diligenciavam acomodar-se, encolher-se, faziam vista grossa a muita bandalheira. De repente acuavam, tinham melindres que o mandão local não entendia e lançava à conta de má vontade. E lá vinham rixas, viagens rápidas, afrontas, um libelo contestado a punhal ou cacete. Enfim os bacharéis se agüentavam mal. Dispensavam-lhes obséquios, salamaleques — e desviavam-nos. Subsistia o Juiz de Direito, que ordinariamente se ausentava da comarca.”

A fome, a seca, noites frias passadas ao relento, a vagabundagem, a solidão, todas as misérias acumuladas num horrível fim de existência haviam produzido aquela paz. Não era resignação. Nem parecia ter consciência dos padecimentos: as dores escorregavam nele sem deixar mossa.”

Restos de felicidade esvaíam-se nas feições tranqüilas. O aió sujo pesava-lhe no ombro; o chapéu de palha esburacado não lhe protegia a cabeça curva; o ceroulão de pano cru, a camisa aberta, de fralda exposta, eram andrajos e remendos.”

Uma sexta-feira Venta-Romba nos bateu à porta. Deve ter batido: não ouvimos as pancadas. Achou o ferrolho e entrou, surgiu de supetão na sala de jantar, os dedos bambeando no cajado. As moças assustaram-se, os meninos caíram em grande latomia. [ruído]”

À distância, esse tratamento de meu senhor a uma criatura em farrapos soa mal. Era assim que minha mãe se expressava dirigindo-se a qualquer desconhecido. Trouxera o hábito da fazenda, e isto às vezes não revelava polidez. Em tons vários, meu senhor traduzia respeito, desdém ou enfado. Agora, com estridência e aspereza, indicava zanga, e a frase significava, pouco mais ou menos:

Vá-se embora, vagabundo.”

Está preso, gaguejou, nervoso, porque nunca se exercitara naquela espécie de violência.

Espalhou a vista em roda: o barulho das crianças fora substituído por uma curiosidade perversa; as moças tremelicavam na costura; a face de minha mãe expunha indiferença imóvel; um sujeito passeava na sala de visitas, exibindo pedaços da farda vistosa. Claro que não era brincadeira, mas o velho, estonteado, não alcançava o desastre. Arredou-se da porta, encostou-se à parede, esboçou um movimento de defesa. Se não fosse banguelo, rangeria os dentes; se os músculos não estivessem lassos, endureceria as munhecas, levantaria o cajado. Impossível morder ou empinar-se; o gesto maquinal de bicho acuado esmoreceu; devagar, a significação da palavra rija furou, como pua, o espírito embotado. E emergia da trouxa de molambos uma pergunta flácida:

Por que, seu Major?”

Por quê? Como se prendia um vivente incapaz de ação? Venta-Romba movia-se de leve. Não podendo fazer mal, tinha de ser bom. Difícil conduzir aquela bondade trôpega ao cárcere, onde curtiam pena os malfeitores.

Por que, seu Major?”

Assombrara-se, recorrera à força pública e receava contradizer-se. Talvez sentisse compaixão e se reconhecesse injusto. Enraivecia, acusava-se, e despejava a cólera sobre o infeliz, causa do desarranjo. Em desespero, roncou injúrias. O polícia que pigarreava na sala se avizinhou, a blusa desabotoada, faca de ponta à cintura, as reiúnas [coturno] de vaqueta ringindo.

Vinte e quatro horas de cadeia, uma noite na esteira de pipiri, remoques dos companheiros de prisão, gente desunida. Perdia-se a sexta-feira, esfumava-se a beneficência mesquinha. Como havia de ser? Como havia de ser o pagamento da carceragem?”

Eu experimentava desgosto, repugnância, um vago remorso. Não arriscara uma palavra de misericórdia. Nada obteria com a intervenção certamente prejudicial, mas devia ter afrontado as conseqüências dela. Testemunhara uma iniqüidade e achava-me cúmplice. Covardia.

Mais tarde, quando os castigos cessaram, tornei-me em casa insolente e grosseiro — e julgo que a prisão de Venta-Romba influiu nisto. Deve ter contribuído também para a desconfiança que a autoridade me inspira.”

E alguém afirmou na loja que estava ali um sujeito profundo, colaborador de jornais, autor de livros, o diabo. As maneiras esquivas e torcidas exprimiam vida interior, desprezo ao senso comum, inspiração de poeta. Em geral os poetas tinham aparência maluca e usavam cabelos assim compridos, escondendo as orelhas.

Aproximei-me desse curioso indivíduo no colégio, onde nos apareceu lecionando geografia. Não era a especialidade dele: ajustou-se à matéria como se ajustaria a qualquer outra, apenas para aliviar o trabalho de Jovino Xavier. Pouco a pouco abandonou os mapas, as listas de mares e de rios. Insinuou-nos a fundação de um periódico.

A idéia, aceita com entusiasmo, ao cabo de uma semana esfriou, teria morrido se eu e meu primo Cícero não a resguardássemos. Aferramo-nos a ela e, vencendo embaraços e canseiras, tornamo-nos diretores do Dilúculo, [Aurora] folha impressa em Maceió, com 200 exemplares de tiragem quinzenal, trazidos pelo estafeta Buriti, que vendia revista e declamava pedaços do Moço Louro. O desgraçado título foi escolha do nosso mentor, fecundo em palavras raras.”

Estabeleceu-se a redação na agência do correio, logo convertida em asilo de doidos. À tarde reuniam-se lá os membros da Escola Dramática Pedro Silva, os da Instrutora Viçosense, sociedade que dormia o ano inteiro, acordava na posse da diretoria e, concluídos os discursos, tornava ao sono. Essa gente fazia um barulho que assustava os transeuntes, afligia os vizinhos, atraía caixeiros tímidos, emaranhados nos cipoais da concordância e da métrica. Sem apanhar direito o sentido das conversas, apoderava-me de alguns vocábulos, estudava-os no dicionário, empregava-os com energia.”

“— O naturalismo…

Perplexo, eu examinava as pessoas em redor, procurava distinguir nelas o efeito da arenga difícil. Estariam compreendendo? Às vezes me assustavam discussões embrulhadas: rapazes silenciosos animavam-se, discorriam com exagero e ódio, religiosamente. Isso me dava tontura e enjôo. Uma idéia clara me surgia: os romances agradáveis eram bugigangas. Em troca, exibiam-me insipidez e obscuridade. Ali é que estava a beleza, especialmente na prosa de Coelho Neto.

Não me importava a beleza: queria distrair-me com aventuras, duelos, viagens, questões em que os bons triunfavam e os malvados acabavam presos ou mortos. Incapaz de revelar a preferência, resignei-me e agüentei as Baladilhas, o Romanceiro, outros aparatos elogiados, que me revolveram o estômago. Cochilei em cima deles, devolvi-os receando que me forçassem a comentá-los. Para mim eram chinfrins, mas esta opinião contrariava a experiência alheia.”

O Pequeno Mendigo e várias artes minhas lançadas no Dilúculo saíram com tantos arrebiques e interpolações que do original pouco se salvou. Envergonhava-me lendo esses excessos do nosso professor: toda a gente compreenderia o embuste.

Mário Venâncio fabricava artigos e notícias, reduzia os diretores a simples testas-de-ferro. Ornou de contos sérios as páginas mesquinhas. Assim principiava um deles, admirado na Instrutora Viçosense e na Escola Pedro Silva: ‘Jerusalém, a deicida, dormia sossegadamente à luz pálida das estrelas. Sobre as colinas pairava uma tênue neblina, o hálito da grande cidade adormecida. Nos casais dos cabreiros, cães de vigília ululavam lugubremente.’ Os nossos ouvidos eram insensíveis a colisões. E a brisa do monte das Oliveiras, a torrente do Cédron, lugares bíblicos, valorizavam o trabalho.

Mas não ficávamos na torrente e na brisa. Descíamos o monte das Oliveiras, caíamos na planície nacional, visitávamos a Casa de Pensão e O Coruja. Da cópia saltávamos ao modelo, invadíamos torpezas dos Bougon-Macquart, publicadas em Lisboa.”

Esquecia Zola e Victor Hugo, desanuviava-me. Havia sido ingrato com os meus pobres heróis de capa e espada. Não me atrevia a exibi-los agora. Disfarçava-os cuidadoso e, fortalecido por eles, submetia-me de novo ao pesadume, ia buscar o artifício v. a substância, em geral muito artifício e pouca substância.”

O funcionário postal facilitou-me a correspondência com livrarias: obtive catálogos da Garnier e da Francisco Alves, escrevi cartas, recebi faturas e pacotes. Não possuindo recursos, habituei-me a furtar moedas na loja, guardá-las num frasco bojudo oculto sob fronhas e toalhas no compartimento superior da cômoda. Entre níqueis e pratas surgiram cédulas — e enchi as prateleiras da estante larga, presente de aniversário. Esses delitos não me causavam remorso. Cheguei a convencer-me de que meu pai, encolhido e avaro por natureza, os aprovava tacitamente. Desculpava-me censurando-lhe a sovinice, tentando agarrar esperanças absurdas.

Mário Venâncio me pressagiava bom futuro, via em mim sinais de Coelho Neto, de Aluísio Azevedo — e isto me ensoberbecia e alarmava. Acanhado, as orelhas ardendo, repeli o vaticínio: os meus exercícios eram composições tolas, não prestavam. Sem dúvida, afirmava o adivinho. Ainda não prestavam. Mas eu faria romances. Gastei meses para certificar-me de que o palpite não encerrava zombaria. Depois a vaidade esmoreceu, foi substituída por uma vaga aflição. Que teria o homem percebido nos meus escritos? Se me decidisse a confiar nele, amargaria a vida inteira o provável engano. Examinei-me por dentro e julguei-me vazio. Não me achava capaz de conceber um daqueles enredos ensangüentados, férteis em nobres valorosos e donzelas puras. E, desatento, andava na rua aos encontrões, meio cego, meio surdo. Nunca descreveria um candeeiro como o de metal amarelo que iluminava, com azeite e difíceis pavios, duas páginas das Cenas da Vida Amazônica. Os candeeiros me passavam despercebidos. E seriam necessários? Os debates na agência não tinham fim. Lembrava-me dos governistas e oposicionistas espalhados, rancorosos, nas esquinas da cidadezinha e nos jornais da capital. Assombrava-me o partidarismo exaltado, a minha colaboração no Dilúculo era terrivelmente eclética. Mário Venâncio continuava a animar-me, eu desviava pretensões arriscadas.

Esse amável profeta bebeu ácido fênico. Levantei-me da espreguiçadeira, onde me seguravam as novidades e os sofrimentos da artrite e de uma novela russa, fui encontrar o infeliz amigo estirado no sofá, junto à mesa coberta de papéis, brochuras, pedaços de lacre, almofadas e carimbos. Um emissário da administração, feita a sindicância, redigiu necrológio pomposo, enterrou o cadáver sob a folhagem de salgueiros, entre raízes de ciprestes, vegetais desconhecidos no lugar.

O Dilúculo também morreu logo. Distanciei-me da crítica. E não me entendi com o público, muito incerto. No colégio, na Escola Pedro Silva, na Instrutora Viçosense, toleravam-me. Em casa, sem exame, detestavam as minhas novas ocupações.”

Minha família não era rigorosamente cristã: fugia do confessionário, rezava pouco, ia à igreja com temperança, nas festas. Mas admirava as procissões, jejuava na semana santa e sabia perfeitamente que os pedreiros-livres dão sangue ao diabo, obtêm fortuna e condenam-se. O velho Pedro Rico, nosso parente afastado, procedera desse jeito e estava no inferno. Sem dúvida. Percorria a vizinhança dos lugares mal-assombrados, vagava pelos caminhos, galopando num cavalo negro, pedindo missas e gemendo:

Sou a alma do finado Pedro Rico.

Seu Ramiro percebia as dificuldades e foi cauteloso, não revelou de supetão os seus desígnios sinistros. Fez diversas viagens e, com persistência e manha, declarando-se religioso em demasia, iniciou uma propaganda tímida, fortaleceu-se, conseguiu prosélitos e inaugurou a loja Mensageiros da Fé, que teve como venerável o chefe político. Na estréia, pomposa, tipos sérios, de Maceió, declamaram longos discursos.”

Findas as lições, espaçou as visitas, sumiu-se afinal. Meu pai emprestou-lhe 100 mil réis e perdeu-o de vista. Desiludiu-se, conteve imenso rancor. Certamente os irmãos deviam auxiliar-se, mas aquela maneira de arrancar auxílio era safadeza. Calou-se, roendo a indignação. Foi por isso, creio, que repugnou os três pontinhos, as brochuras misteriosas, ou triângulos, os compassos e o Supremo Arquiteto do Universo.”

A palmatória figurava em nosso código. Nas sabatinas, questões difíceis percorriam as filas — e o aluno que as adivinhava punia os ignorantes. Os amigos da justiça batiam com vigor, dispostos a quebrar munhecas; outros, como eu, surdos ao conselho do mestre, encostavam de leve o instrumento às palmas. Isto não nos trazia vexame: foi costume até que se usaram cartões relativos às notas boas. Desde então pagamos os nossos enganos com essa moeda, chegamos a emprestá-la a colegas necessitados.”

Assistíamos a uma pena estranha, infligida sem processo. A acusação se desenvolvera em segredo. No decurso da tortura, o diretor rosnava, e pelo mover dos beiços percebíamos a injúria murmurada no recreio. Não havia defesa. Nenhuma interferência.”

Em casa, o pai martelava-o sem cessar, inventava suplícios: amordaçava-o, punha-lhe as costas das mãos sobre a mesa da sala de jantar, malhava nas palmas, quase lhe triturava as falanges; prendia-lhe os rejeitos, pendurava-o num caibro, deixava-o de cabeça para baixo, como carneiro em matadouro. Fatigando-se das inovações, recorria às sevícias habituais: murros e açoites. O irmão presenciava as cenas aterrado, expandia-se em descrições torvas. E durante semanas o pobre repuxava as mangas, abotoava-se, endireitava a gola, para encobrir equimoses, sinais vermelhos, cinzentos, negros.

Apesar de tudo, a escola era um refúgio. Canseiras, adulações à mulher e aos filhos do diretor, rendiam pelo menos alguma indiferença. E isto convinha. Se o rapaz, findas as obrigações, se aquietasse, facilmente escaparia, anônimo e incolor. Não podia esconder-se. Precisava convívio, estava sempre ensaiando camaradagens que se malogravam.”

Deixei-o no colégio, perdi-o de vista. E reencontrei-o modificado. Ao iniciar-se no crime, andaria talvez pelos 15 anos. Atirou num homem à traição, homiziou-se em casa do chefe político e foi absolvido pelo júri. Realizou depois numerosas façanhas; respeitaram-lhe a violência e a crueldade. Sapecou os preparatórios num liceu vagabundo. Na academia obteve aprovação ameaçando os examinadores. Bacharelou-se, fundou um jornal. Como o velho diretor, seu carrasco, fechara o estabelecimento e curtia privações, deu-lhe um emprego mesquinho e vingou-se. Caprichou no vestuário: desapareceram as nódoas, a formiga, o mofo. E teve muitas mulheres. Foi em casa de uma que o assassinaram. Deitou-se na espreguiçadeira, adormeceu. Um inimigo, no escuro da noite, crivou-o de punhaladas.”

Aos 11 anos experimentei grave desarranjo. Atravessando uma porta, choquei no batente, senti dor aguda. Examinei-me, supus que tinha no peito dois tumores. Nasceram-me pêlos, emagreci — e nos banhos coletivos do Paraíba envergonhei-me da nudez. Era como se o meu corpo se tivesse tornado impuro e feio de repente. Percebi nele vagas exigências, alarmei-me, pela primeira vez me comparei aos homens que se lavavam no rio.”

Nunca usara franqueza com meus parentes: não me consentiam expansões. Agora a timidez se exagerava, o caso me parecia inconfessável. E se me atrevesse a falar ao Dr. Mota, ele iria dizer que o mal não tinha cura.”

à noite ficava horas pensando maluqueiras, rolava no colchão, contava as pancadas do relógio da sala, buscava o sono debalde. Levantava-me, acendia a lâmpada de querosene, pegava um romance, estirava-me na rede, lia até cansar. O espírito fugia do livro: necessário reler páginas inteiras. Inquietação inexplicável, depois meio explicável. O diagnóstico pouco a pouco se revelava, baseado em pedaços de conversas, lembranças de leituras, frases ambíguas que de chofre se esclareciam e me davam tremuras.

Aquilo ia passar: os outros rapazes certamente não viviam em tal desassossego. MAS a ansiedade aumentava, as horas de insônia dobravam-se, e de manhã o espelho me exibia olheiras fundas, uma cara murcha e pálida.”

Não me animava a exigir mais de uma gravata: meu pai só me permitia, rigoroso, o suficiente. Isso bastava à minha representação — no colégio, no quinzenário, nas seções da Instrutora Viçosense, da Amor e Caridade, que me elegeu para segundo secretário.” Diria que no teu tempo as crianças não tinham infância!

Foi então que vi Laura, num exame. Jovino Xavier fez-lhe perguntas comuns; notando-lhe a fortaleza, puxou por ela e declarou a análise sem jaca. Ouviu os discursos, recebeu os agradecimentos da professora e elogiou em demasia a inteligência e o progresso de Laura. Concordei. Invadiu-me súbita admiração, que em breve se mudou numa espécie de culto.”

Laura não possuía o azul e o ouro convencionais, mas dividia períodos, classificava orações com firmeza, trabalho em que as meninas vulgares em geral se espichavam. Imaginei-a compondo histórias curtas, a folhear o dicionário, entregue a ocupações semelhantes às minhas — e aproximei-a; encareci-lhe depois o mérito — e afastei-a. Se ela estivesse próxima, não me seria possível concluir a veneração que se ia maquinando.”

um mês a arrastar-me no Sonho de Zola, sem nenhum desejo de chegar ao fim, interpretando a narrativa a meu jeito.”

Quando Mário Venâncio teimava em reputar-me um embrião de novelista, retraía-me duvidoso: não seria capaz de arranjar um diálogo.”

Laura não tinha corpo — e aí se originou o meu tormento. Eu suprimira as indecências. Embrulhara com ódio O Cortiço em muitas dobras de papel grosso, amarrara-o em muitas voltas de barbante forte, escondera-o por detrás dos outros volumes, na prateleira inferior da estante.”

O Cortiço (…) História razoável, com alguma safadeza para atrair leitores.”

e não queria supor, com Mário Venâncio, que a bordadeira de paramentos fosse degenerada.”

Laura surgia de novo, não a figurinha transparente: um ser membrudo e espesso, todo carne e osso. Os braços rijos seguravam-me, o peito largo caía sobre o meu, achatava-me, e era inútil qualquer esforço para desprender-me. Eu desejava acordar, fugir ao pesadelo, restituir à criança as qualidades anteriores: de algum modo me sentia responsável pela medonha substituição. Angústia, arrepios.”

Devia ser efeito do café, um excitante. Abstive-me dele e bebi chá de folhas de laranja, sem proveito.”

estranharam na Escola Pedro Silva a assiduidade, o esquisito amor ao teatro, que eu revelava dando as costas à cena, os cotovelos fincados no peitoril de um janela. Assustei-me. Iriam conhecer o meu segredo?”

Otília da Conceição, à beira da cama, esperava em silêncio. Arriei sobre a mala pequena e, em silêncio também, comecei a descalçar-me. A vista se turvou, os dedos tímidos tremeram, o cordão do sapato deu um nó cego. Esforcei-me por desatá-lo: molhava-se de suor, cada vez mais se complicava. E o meu desgosto era imenso.

Entrei em casa nauseado, engolindo soluços.”

A artrite amarrou-me à espreguiçadeira, o meu desgraçado corpo se cobriu de manchas.” “Embrenhava-me agora em novelas russas. Entrevado, submerso na lona da cadeira, tentava erguer um braço doído, mexer os dedos, volver as páginas.” Estragado muy temprano. À metade do caminho…

* * *

GRACILIANO RAMOS E O SENTIDO DO HUMANO (POSFÁCIO) – Octavio de Faria

Se Infância me parece ser o livro mais importante de Graciliano Ramos — não o melhor, que certamente é Angústia — é que só vejo um caminho seguro para a compreensão do fenômeno literário chamado Graciliano Ramos, a criação levando ao criador e o criador levando à criança, ao menino que existiu nele e nunca morreu inteiramente. Em Graciliano Ramos, o menino Graciliano é tudo. Seus heróis são o menino, sua timidez é a do menino, seu pessimismo é o do menino, sua revolta é a do menino.”

é sempre o mesmo quadro cinzento e triste, quase asfixiante, o que encontramos disseminado em toda a sua obra.” Se quem leu um, leu todos…

O VICE-CAMPEONATO MAIS ARDIDO DE TODOS OS TEMPOS

Originalmente publicado em 3 de julho de 2008. Auspiciosamente republicado hoje para comemorar uma derrota brasileira no Maracanã!

Na virada do dia 2 para o dia 3 de julho de 2008 o futebol se deparou com um dos resultados mais justos de que já se teve notícia ao cabo de uma competição de suma importância, neste caso a glória máxima das equipes sul-americanas, a única escola que realmente importa quando se fala na modalidade, paradoxal e curiosamente, criada pelos sensaborões ingleses.

O Fluminense sucumbiu diante da Liga Deportiva Universitaria de Quito. Esperou-se ansiosamente para que o mundo da bola voltasse a seu estado de coerência habitual (ainda que este seja permeado de caixinhas e mais caixinhas de surpresas!). Explica-se: a própria galgada do time das Laranjeiras à decisão da Libertadores da América foi a mais infamante injúria, um descaminho que nem cem Sobrenaturais de Almeida poderiam explicar. Não foi apenas sorte, uma cadeia de eventos fortuitos. As leis da termodinâmica precisaram ser estilhaçadas durante vários minutos das rodadas de quartas e semi-finais, o que obviamente favoreceu o time que levaria franca desvantagem nos seguintes confrontos: Os Badalados do Rio de Janeiro X São Paulo FC e Os Badalados do Rio de Janeiro X Boca Juniors. Dissequemos a quase-desgraça que se anunciava e que só deixou de se abater sobre o planeta (ou a América, o Planeta Bola) no último instante, roteiro muito semelhante, aliás, a um drama hollywoodiano, em que o final é inevitavelmente a felicidade geral. (Exclui-se da conta os condoídos da longa noite.)

O CAPITÓLIO DA JUSTIÇA

A mídia não merecia. A imprensa nacional – vendida a interesses escusos, que variam de sediar uma competição de envergadura, tal qual uma Copa do Mundo, algo totalmente descabido para nosso patamar civilizatório, à manipulação de horários de jogos e sabotagem moral de equipes estrangeiras – não merecia. A Globo, sobretudo, não merecia – e quebrou a cara (ou as lentes tão caras de suas câmeras pouco ou nada imparciais, se é que é possível divagar sobre níveis de imparcialidade… Não percamos tempo com a raça dos jornalistas!). O Fluminense – de história microscópica diante de outros Golias brasileiros – não merecia. Renato Gaúcho, o técnico mais prepotente do novo milênio, não merecia. Washington, um atacante com dificuldades visíveis de domínio de bola abençoado em uma série de lances pela eliminação temporária das leis da Física, merecia ainda menos. A Unimed e seu patrocínio desmedido – somas desproporcionais aplicadas em uma instituição duvidosa – tampouco merecia. O presidente do Fluminense, Horcades, envolto em corrupção, não o merecia. O FUTEBOL, Ó DEUS DO CÉU, LOUVADOS SEJAM PELÉ, OS DRIBLES BEM-FEITOS, A SEMPRE BEM-VINDA COMPETÊNCIA, A BOLA REDONDA… NÃO MERECIA VER UM TIME RECALCITRANTE SE SAGRAR CAMPEÃO CONTINENTAL! Se me perguntarem “entre a mídia e o Fluminense, fica com quem?”, respondo que ambos se merecem.

A única concessão a essas entidades, retirando-se, claro, o futebol, é o direito ao choro copioso. Quem diria: botafoguenses, vascaínos (estes sempre na sarjeta) e flamenguistas (acometidos de um terrível desastre no meio do torneio), além de muitas outras torcidas, se é que não todas (exasperadas com o pedantismo sem-fim do sr. Renato), são os que deitam e rolam ao mirar a desolação vizinha. O chororô já deu muito o que falar em 2008, mas ainda não tinha assumido PROPORÇÕES OCEÂNICAS como nesta madrugada! O pior é que para as vítimas ainda não foi decretado o desfecho: este poderá vir de forma sobretudo lancinante, à última rodada do Campeonato Brasileiro. A tabela dirá por mim… As promissórias da ascensão precoce do time de Magno Alves à série A no triênio 99-2000-2001, fiada pelo Diabo, vencem em dezembro.

CASUALIDADES QUE ENCERRAVAM UM “MALDOSO” PROPÓSITO FINAL

Um acidente aos 48 do segundo tempo que de repente assume, nas bocas dos fanfarrões, aspecto de “superioridade técnica e tática inquestionáveis”. Massacres, domínios plenipotentes de um time sobre o outro no transcorrer de etapas inteiras, que redundam na ausência de gols, fosse por chutes tortos, fosse por defesas não mais que estupidamente improváveis de um goleiro sem um pingo de talento. Gols nascidos absolutamente no reino do absurdo, sempre um ou dois ou três minutos em seqüência a gols legítimos, auferidos pelos oponentes, equipes verdadeiramente qualificadas (gols que o Fluminense sofria e que devolvia, em surtos de loucura e histeria indizíveis, o que em circunstâncias normais seria um suicídio tático – ataques infecundos seguidos por contra-ataques mortais). Eis aí ingredientes que, detonados pela pólvora da vontade de ser macho de um indivíduo rabugento no comando de onze panacas, fazem explodir o Maracanã: para variar, no sentido negativo. Esses latinos de “abroad” muito se comprazem em murchar nossas surreais ostentações. O Brasil nunca foi o melhor em nada. Apenas em “colocar a culpa em alguém”. Essa é uma especialidade ibérica que migrou para a “nação da cana”.

A pronunciada “sorte de campeão”, que acompanhava o Fluminense há 5 rodadas (que eu chamo de “ruptura das forças forte, fraca, eletromagnética, gravitacional e do que mais a Física um dia descobrir”), se tornou o mais trucidante azar de vice, confirmando a aura maldita do Mário Filho. Tudo conspirou, afinal, para que a soberba do Renatão grassasse a cada dia, para que o time chegasse inesperadamente aonde chegou… até tudo escapar pelos dedos num chute da marca da cal. O próprio Washington, fonte de piadinhas geográficas endereçadas aos são-paulinos (a escala antes de Tokyo onde acabaram por interromper a viagem), foi quem sepultou, ironia das ironias, o “sonho”. Alguém duvida da incapacidade de sonhos que desrespeitam a Física tornarem-se reais? Não preciso prosseguir com a humilhação. Há silêncios que ferem como adagas. Calar-me-ei até o epílogo do ano, quando duas autênticas potências do futebol se confrontarão em busca de um título do mundo: quem ganhar será um campeão válido! Por ora, o simples desenrolar da realidade já se encarregou de sobrepujar a injustiça das últimas semanas…

BLACK METAL: Evolution of the Cult – Dayal Patterson, 2013.

Uma síntese dos trechos mais importantes da obra, muito compreensiva, pois abarca metade de todo o texto. É a melhor maneira para conhecer o conteúdo do livro de Patterson para quem não tem o hábito da leitura ou tempo de sobra!

LEGENDA UTILIZADA:

Nome de banda conhecida pelo autor – negrito preto

Nome de álbum (demo, EP ou videoclip), conhecido ou não pelo autor – itálico vermelho

Nome de música – sempre em itálico

Nome de banda desconhecida pelo autor – negrito azul

Quando a banda é um nome de pessoa, e ela é citada a primeira vez no contexto biográfico e não discográfico, uso o vermelho, como nos meus outros posts – o mesmo vale para o compositor Richard Wagner, por exemplo, que tratamos como entidade histórica e não como foco deste livro.

Os grifos só são utilizados à primeira menção da música, do álbum, da pessoa ou da banda em questão, que depois são elementos normais do texto quando forem re-citados (exceto para o itálico).

Outros trechos de parágrafos destacados em itálico, negrito e vermelho, sem vínculo direto com citações de obras musicais – trechos considerados mais importantes que os demais. Em verde eu destaco, como sempre, o que acho cretino.

EVER SINCE ITS BIRTH in the early 80s—and especially after its rebirth in the early nineties—black metal has proven itself to be the most consistently thought-provoking, exhilarating, and vital of all the many offshoots of heavy metal. Truly enduring, it is a multifaceted beast, at once fiercely conservative yet fearlessly groundbreaking, undeniably visceral yet at times thoroughly cerebral. Its combination of primal, philosophical, spiritual, cultural, and artistic qualities have allowed it to transcend even its own fascinating controversies to become one of the most important forms of modern music. If you don’t already agree with that statement, there’s even more reason for you to read this book.”

By this point extreme metal already dominated my listening tastes thanks to bands such as Sepultura, Carcass, Bolt Thrower, and Entombed, but this (apparently) new genre appeared almost disturbingly radical and alien—in fact, I distinctly remember one of the most vocal of my metal contemporaries warning me not to listen to it. By the time I left school he had cut his hair and sold his metal collection, which probably says it all.”

In that sense, while this tome was officially begun in 2009, in many ways its true genesis dates back almost a decade and a half earlier. From 2004 onwards I was interviewing bands on a fairly regular basis, first for a fanzine I put together called Crypt, and later for magazines including Terrorizer and then Metal Hammer, all of which allowed me to speak to a number of the genre’s key protagonists. Even so, I’ve realized that a major part of my motivation for writing this book was to satisfy my own curiosity and get a more rounded understanding of a phenomenon that has entranced me since my early teens.”

As time passed and black metal grew beyond the confines of the underground, I noticed that more and more people were covering it in various forms of media, with varying degrees of care or accuracy. At one time it seemed to me that it was better not to have black metal discussed beyond its own perimeters, but by the end of the nineties, it was clear that horse had bolted. The problem was that many of the writers and filmmakers who covered black metal were either misinformed, or focused solely upon a few strong bands and personalities to the extent that they ultimately distorted the bigger picture.”

50 CAPÍTULOS – usar control+C, control+F para acessá-los mais abaixo:

1 Roots of Evil

2 Venom

3 Mercyful Fate

4 Bathory

5 Hellhammer

6 Celtic Frost

7 The First Wave of Black Thrash

8 Blasphemy

9 Samael

10 Rotting Christ and Greek Black Metal

11 Tormentor

12 Master’s Hammer

13 VON

14 Beherit

15 Mayhem Part I

16 Mayhem Part II

17 (Re)Birth of a Movement: Norway Part I

18 A Fist in the Face of Christianity: Norway Part II

19 Death of a Legend: Norway Part III

20 Thorns

21 Darkthrone

22 Burzum

23 Emperor

24 Gehenna

25 Gorgoroth

[OBS.: Decepcionadíssimo com a falta de um capítulo para Immortal, Nargaroth e Satyricon, embora quanto a esta última pelo menos haja alguma informação condensada, sobretudo nos capítulos que citam a Moonfog Records…]

26 Trelldom

27 The Opus Magnum: Mayhem Part III

28 The Beast Reawakens: Mayhem Part IV

29 Cradle of Filth: Black Metal Enters the Mainstream Part I

30 Dimmu Borgir: Black Metal Enters the Mainstream Part II

31 Underground Ethics

32 Les Légions Noires

33 Marduk: Sweden Part I

34 Dissection and Watain: Sweden Part II

35 Shining: Sweden Part III

36 Politics, Poland, and the Rise of NSBM

37 Graveland and Infernum: Polish Black Metal Part I

38 Behemoth: Polish Black Metal Part II

39 Enslaved: Folk and Folklore in Black Metal Part I

40 Moonfog and Ulver: Folk and Folklore in Black Metal Part II

41 The Proliferation of Black Folk Metal: Folk and Folklore in Black Metal Part III

42 A Turn for the Weird: Part I

43 A Turn for the Weird: Part II

44 Sigh

45 Dødheimsgard

46 Mysticum: Industrial Black Metal Part I

47 Aborym: Industrial Black Metal Part II

48 Blacklodge: Industrial Black Metal Part III

49 Lifelover: Post-Black Metal Part I

50 Post-Black Metal Part II

1 Roots of Evil

Did it all begin with Wagner’s Twilight of the Gods? Or with blues legend Robert Johnson selling his soul at the crossroads?”

Like Purple and Zeppelin, Sabbath was heavily rooted in blues rock—indeed, the debut album contains 2 covers of blues rock numbers—but all the same, the release was a clear move toward darker and heavier territories. Whether this album marks an absolute year zero for the birth of heavy metal is naturally debatable, but there’s little doubt that it was a milestone recording, effectively kick-starting both the heavy metal genre as a whole and arguably black metal itself.”

An often-reported story tells that a major turning point for the band came when bassist Geezer Butler witnessed a crowd lining up to watch the Boris Karloff horror flick Black Sabbath, and realized that people would happily pay money to be frightened out of their wits. However, by his own admission Butler was also studying subjects such as Satanism, black magic, and occultism.”

In fact, American psychedelic rockers Coven were actually some way ahead of Black Sabbath, releasing their impressively titled debut Witchcraft Destroys Minds and Reaps Souls in 1969 and staking their claim to many elements of the metal archetype in the process. Among these were the use of the inverted cross and the <throwing of the horns> hand gesture, seemingly the first recorded example of either within rock culture.”

Coming from a heavy blues rock background that was similar to Sabbath’s, Judas Priest would do much to refine metal during the seventies, releasing 5 studio albums during that decade, all of which saw a gradual decline in blues influence while simultaneously upping the pace and aggression. Priest were also responsible for adding the now-familiar dual guitar set-up adopted by many bands that followed, perhaps the most notable being Iron Maiden.”

A final mention must go to glam metal stars Kiss, as strange as that may seem, if only for the fact that almost every Scandinavian musician interviewed here discovered heavy metal as a direct result of the group’s highly successful merchandising campaign. The fact that so many bands have adopted an appearance similar to the demonically face-painted and blood-spitting Gene Simmons suggests at least an underlying influence, even if it’s simply a trickle-down consequence of 80s groups such as Mercyful Fate.”

2 Venom

for a time, Venom were arguably the heaviest, noisiest and most unpleasant metal band on the planet.”

Formed in Newcastle in 1979, the group rose from the ashes of a number of earlier bands, most notably the short-lived 5-piece Guillotine. It was at a 1978 Judas Priest concert that the wheels were put in motion for Venom’s creation, when Guillotine guitarist Jeffrey Dunn, waiting at the bar for a drink, found himself chatting to a member of Oberon, another local band who were struggling with line-up difficulties. Recollections differ as to whether the Oberon member in question was guitarist Anthony Bray or vocalist Clive Archer, but either way, the meeting was highly fortuitous for all concerned. Before long, both Bray and Archer had joined the Guillotine ranks and the band name had changed to Venom, following a suggestion from a roadie. Two more line-up changes saw the addition of bassist Alan Winston and, more significantly, guitarist Conrad Lant, who had been playing in a band called Dwarfstar and was working as a tape operator at the nearby Impulse Studios. The transition from this incarnation to the one that would become famous was relatively swift. The group first stripped down to 4 members when Alan Winston departed, a move that forced second guitarist Conrad onto bass, a fateful change that would see the band stumbling upon a dirty, rumbling sound that became a staple of their style and influenced many who followed.”

We didn’t have time to get another guy in and learn the songs, so I said that I’d basically just play all the root notes, and after the concert we’d get a proper bass player. But all I had to play my bass through was my guitar stack—a Marshall 4×12 plus effects pedals—and when I played the bass into the guitar stack… fucking hell, it was like, woooooorghbwwwrooooaaaaw, and that’s how the bulldozer bass was born. After the show the other guys were like, ‘Keep that, that sounds great,’ so I was like, ‘Okay, I’m now the bass player.’

Cronos, a.k.a. Lant

We grew up with the rock bands of the 70s, Cronos explains, from T. Rex to Status Quo to Led Zeppelin to Deep Purple to Judas Priest to AC/DC. But I was also a big punk fan, I loved the Sex Pistols, The Damned, The Clash, Sham 69, all that. I loved the imagery, the youth of it all. It was very much where we were mentally at that time. Living up in the northeast of England, punk was the voice for our frustration, because we were all leaving school and there was no work. But punk was over so quickly—like boom, a total flash in the pan—and the bands that I heard coming out of the back end of the 70s, the Saxons and Samsons and Def Leppards… I mean, to me rock music is the devil’s music, and it was like, ‘Wow, this is pop music, this is not rock ‘n’ roll.’ And I thought if we put the punk back into metal then we have a winning formula, ‘cos it’s about the youth, how you felt, how angry you are, and that’s something we wanted to put into the music ‘cos we weren’t hearing it anywhere else.”

Bands would come in and say, ‘Can you make my guitar like Tony Iommi?’ or ‘Can you make my vocals like Rob Halford?’ and I thought ‘What the fuck…! These are all club bands, this is karaoke,’ so Venom’s goal was always to be different, to create something new, and that’s exactly what we did. We thought if we took all the best parts of all the greatest bands we could make the ultimate band. So we took the heaviness of Motörhead, the doomy, Satanic side of Black Sabbath, the leather and studs of Judas Priest, the pyrotechnic side of Kiss and combined it all.”

Conrad became Cronos, Tony Bray became Abaddon, Jeff Dunn became Mantas, and vocalist Clive Archer—perhaps most outlandishly—adopted the stage name Jesus Christ.”

I said, ‘Wouldn’t it be good if we weren’t just called Conrad, Jeff, Clive, and Tony,’ Cronos laughs, ‘wouldn’t it be cool if we put this band together with wild fucking stage names?’ and told them that David Bowie and Elton John’s names weren’t theirs.”

My birthday’s in January, I’m a Capricorn, my star’s Saturn, and the god of Saturn is Cronos. So you see I wanted something that was mine, something relevant to me, my birthday, all that sort of crap. I thought the Father of Time would be… apt.”

With this move the band inadvertently kick-started a tradition that would become almost mandatory within black metal, that of the Black Metal Persona—though Venom were perhaps more mindful to separate this from their offstage personalities than others have been.”

As it turned out, however, the Demon demo was not only the first recording featuring Clive, but also the last. Some months after Demon was issued the band returned to the studio to record 6 more tracks, and Jeff—or Mantas as he was now known—having heard Cronos <messing around> with vocals for a new song entitled Live Like An Angel during rehearsal, suggested he might also try recording them. Very quickly it was decided that Cronos’ vocals were the most suitable for the job, and Clive departed amicably, leaving the band as a trio.”

The reason there was 2 guitars and a separate singer in the first place was that Mantas, being such a big Judas Priest fan, thought it was the best formula for the band, Cronos considers. But 3-piece worked, and we said ‘look at Motörhead, look at Rush—fuck it, we’re a 3-piece.’ And the chemistry was there immediately. The first rehearsal, me and Mantas were jumping round like grasshoppers—there was so much room on stage not having the other 2 guys. We were running round striking a pose like nobody’s business. There was no way that line-up was gonna change, there was so much freedom and it sounded so fucking heavy with one guitar and one bass.”

In 1981 the band released their first single, a double A-side comprising the songs In League With Satan and Live Like An Angel. Sales proved to be surprisingly good, and Neat—seeing that they were on to a good thing—asked the band if they had any more songs to offer. Replying in the affirmative, Cronos agreed to record all the songs written so far and soon provided Neat with a collection of roughly recorded demo tracks. To the band’s surprise, those same demo recordings were released later that year as their debut album Welcome to Hell