THE 12 TABLES – com comentários de Coleman-Norton

This celebrated code, after its compilation by a commission of 10 men (decemviri), who composed in 451BC 10 sections and 2 sections in 450BC, and after its ratification by the (then) principal assembly (comitia centuriata) of the State in 449BC was engraved on 12 bronze tablets (whence the name Twelve Tables),¹ which were attached to the Rostra before the Curia in the Forum of Rome. Though this important witness of the national progress was destroyed during the Gallic occupation of Rome in 387BC, yet copies must have been extant, since Cicero (106BC-43BC) says that in his boyhood schoolboys memorized these laws ‘as a required formula’. However, now no part of the 12 Tables either in its original form or in its copies exists. The surviving fragments of the 12 Tables come from the writings of late Latin writers and fall into these 4 types:

¹ The code was known under 2 titles: Lex Duodecim Tabularum and Duodecim Tabulae.

(1) Fragments which seem to contain the original words, ‘modernized’ in spelling;

(2) Fragments which are fused with the context of the quoter, but with little distortion;

(3) Fragments which not only are fused but also much distorted, although with a preservation through paraphrase;

(4) Passages which present only an interpretation (or an opinion based on one), or a title.”

the attribution of some items to certain tablets is debatable. The probable order of the fragments, which total over 115, has been inferred from various statements and from other indications of ancient authors.”

TABLE 1. PROCEEDINGS PRELIMINARY TO TRIAL

7. If one of the parties shall not have appeared, after noon the judge shall adjudge the case in favour of him present.

8. If both parties be present, sunset shall be the time-limit of the proceedings.”

TABLE 2. TRIAL

(…)

TABLE 3. DEBT

5. Unless the debtors make a compromise, they shall be held in bonds for 60 days. During those days they shall be brought to the magistrate into the meeting-place on 3 successive market-days and the amount for which they have been judged liable shall be declared publicly. Moreover on the 3rd market-day the debtors shall suffer capital punishment or shall be delivered for sale beyond the Tiber (river).”

Numa passagem não muito bem-compreendida, fica em suspenso a possibilidade do credor poder mutilar o corpo do réu na porcentagem ou fração que lhe é devida, quando ele falha em pagar o valor e é ofertado no mercado, já que o credor (o litigante) teria direito a 1/x do ‘corpo’ do réu!

TABLE 4. PATERNAL POWER

1. O recém-nascido severamente deformado deve ser morto de imediato.

2. Se um pai repudiou o filho três vezes para que fosse vendido no mercado, o filho deverá ser declarado livre do seu pai.¹

¹ A prerrogativa do patria potestas significava que se o antigo comprador de um filho liberta seu escravo, o filho reentra nas posses do pai. Este fragmento significa que mesmo este instituto não tem mais razão de ser quando há manumissão tripla.

3. Para repudiar a esposa, o marido deverá ordenar-lhe que cuide de seus próprios negócios, confiscar-lhe todas as chaves e expulsá-la.

4. Sobre a herança legal, aquele que estava no útero é admitido, se, é claro, vier a nascer.¹

¹ Interpretação: alegados filhos, i.e., crianças nascidas no décimo mês após a morte do tido como progenitor, não têm direito à herança.”

TABLE 5. INHERITANCE AND GUARDIANSHIP

1. Mulheres devem permanecer sob tutela, mesmo após a maioridade.¹ … As virgens vestais são excepcionais, e ficam livres do controle parental.

¹ 25 anos (para mulheres). Para homens, a maioridade em casos de julgamentos por roubo ou por prejuízo causado a terceiros, por exemplo, é 16!

2. As propriedades movíveis de uma mulher que estão sub tutelagem de seu agnato¹ não podem ser auferidas por usucapião, salvo se esses bens tiverem sido cedidos pela proprietária, com consentimento do tutor.”

¹ Parentes paternos. Cognatos são parentes paternos ou maternos. A família agnática é toda aquela contemplada na lei civil. A família cognática possui regulamentações na lei dos gentios.

4. Se um indivíduo morre sem testamento e não tem descendente direto, o agnato macho mais próximo deve ser o herdeiro.

5. Sem agnato macho, os homens do clã do falecido¹ terão direito à herança.

¹ Por inferência em relação à nota anterior, trata-se de algum cognato.

(*) Tutor e guardião não devem ser confundidos: o segundo é o das crianças irresponsáveis pela idade; o primeiro é o dos lunáticos, dentre os quais incluíam-se os pródigos.”

TABLE VI. OWNERSHIP AND POSSESSION

7. O usucapião de bens movíveis é completado após um ano; o usucapião de bens inamovíveis (herança, terrenos) é completado somente após 2 anos.”

TABLE VII. REAL PROPERTY

6. Neighboring persons shall mend the roadway. If they keep it not laid with stones, one shall drive one’s beast vehicles across the land where one shall wish.”

10. The owner of a tree may gather its fruit which falls upon another’s farm.”

TABLE VIII. TORTS OR DELICTS

1. If any person had sung or had composed a song which caused slander or insult to another person . . . he should be clubbed to death.¹”

¹ “Slander and libel are not distinguished from each other in Roman Law.”

14. It is forbidden that a thief be killed by day . . . Unless he defend himself with a weapon, even though he shall use that weapon and shall resist, you shall not kill him. And even if the thief resist, you shall shout.”

18. A stolen thing is debarred from prescription (usucapio).

19. No person shall practise usury at a rate of more than 1/12¹ [0,083%] … if he do, a usurer shall be condemned for quadruple damages.”

¹ “The uncia (whence our ‘ounce’) is the unit of division of the asa and is used also as 1/12 of anything. One-twelfth the principal paid yearly as interest equals 8,33%.”

a The as originally was a bar (1ft. in length) of aes (copper), then a weight, then a coin weighing 1 pound and worth about $0.17. From time to time the as was reduced in weight and was depreciated in value, until by the provisions of the Lex Papiria in 191BC the as weighed ½ ounce and was valued at $0.008.”

24. The penalty for false testimonies is that any person who has been convicted of speaking false witness shall be precipitated from the Tarpeian Rock.¹”

¹ “A southern spur of the Capitoline Hill, which overlooks the Forum, and named after Tarpeia, a legendary traitress”

27. No person shall hold nocturnal meetings in the city.”

TABLE IX. PUBLIC LAW

3. A judge (iudex) or an arbitrator (arbiter) legally (iure) appointed, who has been convicted of receiving money for declaring a decision, shall be punished capitally (capite).”

6. It is forbidden to put to death . . . unconvicted anyone whomsoever.”

TABLE X. SACRED LAW

4. Women shall not tear their cheeks or have a lessus¹ (sorrowful outcry) on account of the funeral.”

¹ “Cicero says that some older interpreters suspected that some kind of mourning-garment was meant by lessus, but that he inclines to the interpretation that it signifies a sort of sorrowful wailing (De Legibus, II)”

6. Anointing by slaves and every kind of drinking-bout is abolished . . . There shall be no costly sprinkling, no myrrh-spiced drink, no long garlands, no incense-boxes.”

9. Gold shall not be added to a corpse. But him whose teeth shall have been fastened with gold, if a person shall bury or shall burn him with that gold, it shall be with impunity (sine fraude).”

TABLE XI. SUPPLEMENTARY LAWS

(…)

TABLE XII. SUPPLEMENTARY LAWS

(…)

UNPLACED FRAGMENTS

o direito a recorrer de qualquer sentença é outorgado.”

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MR. PERCOLATOR ENTREGA OS PONTOS SOBRE O FINAL DE TWIN PEAKS!

Hoje temos um convidado muito especial! Pela primeira vez neste blog, não sou eu que estou com a palavra, mas Philip Jeffreys, astro de Twin Peaks, ex-David Bowie, atual chaleira… Bom, é uma longa história… Mas a razão de termos alguém tão especial no nosso programa-tempo-espaço é que este homem-espírito quase-onisciente nos poderá contar, afinal, QUE PORRA FOI ESSA DA TERCEIRA TEMPORADA da série do David Lynch – ele com certeza anotou a placa, não importa o número de números e coordenadas… Obviamente, só alguém tão insano quanto ele, eu, poderia conduzir essa entrevista de tirar o fôlego, ou de repor o fôlego, no caso de quem é movido a café e teorias da conspiração…

Ps: Peço que nos desculpem quando o entrevistado faz especulações desconexas; a responsabilidade não é nossa mas de uma aparente lobotomia e estados ligeiros de afasia sofridos pelo entrevistado enquanto ente da Loja de Conveniência. Tomamos a liberdade de editar alguns trechos que nos soaram muito prolixos, e algumas outras passagens em que a estática comprometeu nossa audição (mas sempre que isso ocorreu nós refizemos a pergunta e reiteramos nossa curiosidade sobre aspectos específicos da resposta).



SEJA BEM-VINDO, SR. PERCOLATOR! DIGA ALGUMA COISA PARA TODOS OS FÃS DE TWIN PEAKS QUE ESTÃO NOS LENDO! VOCÊ REALMENTE É UM BULE DE CAFÉ?

PERCOLATOR: Meus cumprimentos a todos! Boa noite, suponho… Porque Twin Peaks fica muito melhor à noite! Sobre o outro assunto, vai dizer que você não sabia?! Nunca foi no reddit? Nunca frisou a imagem? Aquilo não é um percolador, amigo, e eu tampouco sou o objeto mas sim a bo—

ERA BRINCADEIRA. (risos) APENAS PARA ESQUENTARMOS! VOU DIRETO AO PONTO, VOCÊ PODE DESENVOLVER A SUA RESPOSTA O QUANTO QUISER, E EU JÁ AVISO QUE VOU TE INTERROMPER BASTANTE… MAS NÃO É PARA OUTRA COISA QUE ESTAMOS AQUI: O QUE SIGNIFICA O FINAL DE TWIN PEAKS – THE RETURN? OUVI DIZER QUE VOCÊ TEM A(S) CHAVE(S) DO MISTÉRIO!

PERCOLATOR: Do meu ponto de vista, que é atemporal, com certeza tenho mais evidências do que qualquer personagem da história que você pudesse trazer – e garanto que não tenho interesse por nenhuma das partes, sendo assim possível fazer um minucioso relato imparcial… Mas como o assunto é David Lynch, devo avisá-lo de que isso também não é muito pretensioso, sabe, não almejo ao estatuto da verdade… Você pode considerar como “mais uma opinião” de alguém que acompanhou os personagens muito de perto! (risos) Vamos lá, me bombardeie com as suas perguntas! O que você quer saber primeiro? Eu acho que minha resposta tem mais partes do que capítulos nesta terceira temporada…



ENTÃO, PARA COMEÇAR… O QUE É O BLACK LODGE OU SALÃO NEGRO? O QUE É A RED ROOM? ALGUNS DIZEM QUE A RED ROOM QUE VEMOS É UMA “SALA DE ESPERA” PARA O VERDADEIRO SALÃO NEGRO, SABE? AQUELA COISA DA SALA COM O SOFÁ E AS ESTÁTUAS GREGAS, E A OUTRA SALA PARA ONDE VAI COOPER APÓS UM CORREDOR?… PARECE QUE NA RED ROOM APENAS O (ANTIGO) BRAÇO E MIKE INTERAGEM COM COOPER, OU LAURA, MAS NUNCA DE FORMA AGRESSIVA, AO PASSO QUE NA PRÓXIMA SALA, I.E., NO SUPOSTO SALÃO NEGRO, COISAS MAIS HORRIPILANTES ACONTECEM…

PERCOLATOR: Primeiro, eu quero que você tire da sua cabeça essa distinção entre black lodge e red room. Isso é coisa de fã! Estes são sinônimos para o mesmo lugar… Além disso, sendo o black lodge o que podemos chamar de inferno, ou pior-que-o-inferno, o hall de entrada para tal lugar seria diferente do lugar em si? Uma vez satisfeitas as condições para entrar no salão negro, a entrada e a livre troca entre as salas dentro do salão negro não são um problema para as visitas ou seus ‘anfitriões’. Cooper não teve que cumprir nenhum pré-requisito para pular de uma sala para outra, mas quando ele tentou, uma vez, sair do black lodge para o mundo dos homens novamente, a cortina vermelha se tornou espessa, como que de aço. Vê no que me fundamento para fazer essas afirmações?



COM CERTEZA! MINHAS PRÓXIMAS DÚVIDAS ESTÃO DIRETAMENTE RELACIONADAS COM UM TÓPICO QUE VOCÊ CITOU: QUAIS SÃO EXATAMENTE AS CONDIÇÕES PARA ENTRAR NO BLACK LODGE? E QUEM PODE SAIR?

PERCOLATOR: Ou você entra morto, ou você morre ao entrar…



ESPERA! COOPER ESTÁ MORTO DESDE 1991?!

PERCOLATOR: Calma, chegaremos lá, não se precipite!… Sendo mais didático, algumas vítimas de espíritos malignos como BOB são mortas e poderão a partir daí ser encontradas no black lodge em sua forma física final, inalteradas. Este é o além dessas pessoas. Agora, reconheço que não é assim com todo mundo… O agente especial Cooper e Windom Earle foram dois humanos excepcionais que entraram no black lodge seguindo o único caminho permitido para os vivos, e por conta própria: após se informarem sobre o alinhamento de Júpiter e Saturno e da localização do portal, e de que o medo e o amor são capazes de franquear essa barreira sobre-humana, eles puderam adentrar essas imediações, sem o ônus de terem sofrido uma morte trágica. (risos) Isso não quer dizer, porém, que se pode circular nos aposentos do diabo sem pagar um alto preço por isso!



O QUE QUER DIZER COM ‘DIABO’?!? FALA DA JUDY?

PERCOLATOR: Vamos devagar, meu entrevistador afoito! Falo apenas em sentido metafórico. Veja, é como nas histórias românticas: para se sobreviver a um evento que provavelmente o mataria, você tem de oferecer algo em troca, certo? Fausto, Dorian Gray, todas essas criações literárias têm uma coisa em comum: empenharam sua alma! Eu te pergunto, e se não quiser responder, eu respondo: qual preço Windom Earle pagou pela sua ousadia?… Ele foi morto por BOB, porque ali não é um serial killer psicopata humano quem faz as regras! E qual preço pagou o agente Cooper?



BOM, TENHO QUE RECONHECER QUE NÃO SEI ONDE VOCÊ QUER CHEGAR… COOPER ENTROU NO SALÃO NEGRO… PRIMEIRO PENSÁVAMOS QUE PARA SALVAR ANNIE BLACKBURN, ISSO É O QUE PENSÁVAMOS EM 1991 – MAS SÓ EM 2016 FOMOS INFORMADOS POR GORDON COLE QUE COOPER PRETENDIA ALGO MAIS…

PERCOLATOR: Na mosca! Então você diz: ele entrou esperando estar incólume aos maus efeitos desse lugar, efeitos para os quais o Major Garland Briggs e o policial Hawk tinham tentado preparar Cooper. Isso nas nossas teorias dos anos 90. Ele só teria uma coisa a ganhar: sua dama. Era uma questão “órfica” até então!



DISCORDO DE VOCÊ NO PARALELO: NA MITOLOGIA, ORFEU DESCE AOS ÍNFEROS PARA CONVENCER HADES E PERSÉFONE A DEVOLVER-LHE EURÍDICE, QUE HAVIA MORRIDO. NESTE CASO, ELE CONTAVA SINCERAMENTE COM SALVAR ANNIE… E PELO QUE SABEMOS ANNIE, APESAR DE NÃO TER LEVADO MAIS UMA VIDA NORMAL, FOI RESGATADA POR COOPER, AFINAL DE CONTAS…

PERCOLATOR: É correto! Há uma falta de simetria, você notou bem! Annie entrou como Cooper e Windom, em que pese contra sua vontade! Ela entrou viva no alojamento… no black lodge! E pôde sair, mas pagando um alto preço…



ENTÃO LÁ VAMOS NÓS DE NOVO COM O QUE VOCÊ DIZIA A PRINCÍPIO…

PERCOLATOR: Sim! Tudo que devemos considerar é: o método e condição do ‘corpo’ na entrada! Cooper pagou um preço por entrar vivo no salão negro, e vou tentar explicar isso. Como você sabe, ele foi retido pelo seu Doppelgänger, então tecnicamente ele nem sequer ‘salvou’ Annie. Mas ficar retido no salão negro não foi o castigo de Cooper, ou nem de longe toda sua pena, e além disso ele estava previamente informado dessa circunstância… através de sua enorme sensitividade onírica… Ele foi avisado em sonho que estaria no black lodge dali a 25 anos. Voltando a Orfeu e Eurídice, o que aconteceu? Orfeu entrou vivo, saiu vivo e depois… Err, odeio spoilers, leia o mito! Leia a peça, leia em qualquer lugar, as fontes são muitas… Eurídice, como se vê, se deu mal… Na Grécia Antiga as pessoas ‘não morriam’, i.e., morrer era insignificante para elas. Eurídice continuou como pedra, pensando e falando. Você sabe o que Aquiles e Ulisses faziam no Hades? Eles só podiam ser eles mesmos: conversar sobre os feitos heroicos passados, alimentar-se de sombras, reunir-se como nos acampamentos de guerra, contar estórias… Óbvio que enquanto espectros não sentiam mais fome nem necessidades fisiológicas… Encare isso como uma extensão inútil da vida… Bom, o que há de comum entre a saga de Orfeu e a saga de Cooper, neste caso? Primeiro, vamos supor que Cooper-Annie sejam o “casal protagonista”, porque nem sequer começamos a falar de Laura Palmer… Orfeu-Eurídice: ambos tiveram fins trágicos… Cooper e Annie também! Ainda chegaremos lá… Você sabe qual a diferença entre Cooper e Laura Palmer, no que tange ao black lodge? Cooper não era um escolhido…



AGORA VOCÊ CHEGOU AO PONTO QUE INTERESSA AOS LEITORES, MEU PROLIXO INTÉRPRETE! COOPER TINHA UM SEGUNDO OBJETIVO ESSE TEMPO TODO… E DESCOBRIMOS, EM 2016, QUE NENHUM DELES, P.EX., ERA LIDAR COM BOB! NEM MESMO ACERTAR AS CONTAS COM WINDOM EARLE…

PERCOLATOR: Eu gosto do seu raciocínio rápido… Começo a fumegar como o cachimbo do Popeye! Espero que o pessoal esteja nos acompanhando sem sobressaltos… O objetivo duplo do nosso agente Cooper era desde o início, em arranjo secreto com seu chefe Gordon Cole do FBI, o Major Briggs, Daiane (sem nem mesmo o conhecimento de Gordon!) e a entidade conhecida por vocês como o Gigante ou Bombeiro, recuperar Laura Palmer e lidar com Jowday… Os dois objetivos eram indissociáveis… Ele precisaria sair do black lodge para fazê-lo, e isso levaria tempo… Eu não sei dizer como fica a percepção de uma pessoa nesse lugar, me entende?! Eu já perdi a noção do que é tempo, meu caro, não sou um bom parâmetro! Mas ousaria dizer que Cooper esqueceu Annie, e isso não se deve a nenhum defeito de caráter… Tínhamos muito mais em jogo. Laura Palmer, viva ou morta, era, aliás, outra que sabia dos planos de Cooper, além de Gordon e do Gigante, por exemplo. Laura Palmer pode ser considerada a ‘Eurídice sortuda’: ela era a escolhida, tinha prerrogativas especiais que nenhuma dessas heroínas da mitologia tinham… Agora, espero que isso não seja muito súbito para você, mas qual era a ‘cláusula tácita’ do contrato de Cooper, que achou o salão negro?



SEGUNDO VOCÊ, QUE ELE MORREU PARA CONSEGUIR UMA VANTAGEM TÁTICA NA CRUZADA CONTRA O MAL DOS MALES, JUDY!

PERCOLATOR: Nossa, você é tão abrangente assim sempre?! Não, Cooper não morreu, e você está certo e errado ao mesmo tempo, mas não entenderia isso agora. Dale Cooper e Lara Palmer são as únicas pessoas nessa história que envelhecem. Leland é visto no salão em 1991 e em 2016, e ele permanece igual… Cooper ganha a anistia das forças do salão negro, contanto que faça um sacrifício de igual monta… Algum palpite?!



VOCÊ ESTÁ SE REFERINDO À SAÍDA DE COOPER DO BLACK LODGE APÓS A ‘REUNIFICAÇÃO’ COM SEU OUTRO EU, QUANDO ELE ALTEROU O PASSADO PARA CONTROLAR O FUTURO…

PERCOLATOR: Invejável, Cila, invejável! Ou Cooper permanecia por toda a eternidade no salão negro, salvando a memória de sua passagem pelo mundo, ou sacrificava justamente todo o seu passado, e o melhor período de sua vida, que foi quando conheceu as pessoas mais especiais e encontrou seu propósito… assim que pisou em Twin Peaks! Na verdade, tratar-se-ia de GENOCÍDIO COLETIVO, literalmente apagar a história de milhares de pessoas… Seria um desejo muito egoísta, concorda?! Talvez apenas o Cooper reunido ao seu lado negro, Mr. C, pudesse reunir a coragem para tomar tal decisão… Mas você se engana se pensa que foi assim… Cooper já entrara no black lodge decidido – pelo bem maior da humanidade… O Gigante não o deixara hesitar um instante sequer! Se ele pudesse evitar que o que o levou a Twin Peaks em primeiro lugar acontecesse… Ele poderia voltar ao seu mundo, fora do salão, vivo! Claro que para fazer esse ‘servicinho’ (salvar Laura) ele contou com o papai aqui, hehehe! (Plateia faz “uuuuuhhhh!!!! Gostoso! Lindo! Tesão! Aaaah, é Percolator!” Não sabemos se a sério ou jocosamente.)



ENTÃO ELE ENGOLIU AS CONSIDERAÇÕES ÉTICAS POTENCIALMENTE NEGATIVAS DE ‘APAGAR A HISTÓRIA VIVIDA POR MILHARES DE PESSOAS’ E RESOLVEU DAR PROSSEGUIMENTO AO PLANO DE MATAR JUDY… MAS ISSO AINDA NÃO PROVA QUE ALGUÉM ‘SEMPRE PERDE’ QUANDO ENTRA NO SALÃO… TRATA-SE DE UM DILEMA ÉTICO, O DO ‘MAL MENOR’…

PERCOLATOR: Entendo onde sua astúcia quer chegar! Mas veja: nunca foi uma escolha: Cooper sempre esteve fadado a fazer o que fez… E como ele escolheu fazer o que fez, você bem sabe que ele não pararia ali… O Gigante o alertou… Ele não conseguiria trazer Laura de volta à sua casa… A essa altura, como você viu a série duas vezes, com muita atenção, você sabe que Laura Palmer, que nasceu primeiro como um ‘orbe’ em 1945… 1947?… Meu deus, minha memória começa a falhar… 1955?! Bom, a Laura Palmer que conhecemos veio a este mundo em 1971… Dale Cooper pôde evitar a sua morte física em 1989, mas Judy ‘levou a melhor’ do mesmo jeito… E Cooper, portanto, sendo livre para viver sua vida deixando tudo isso de lado, decidiu no entanto tomar o passo seguinte, a ‘segunda metade’… Eu disse ‘segunda metade’????



É CLARO QUE VOCÊ DISSE SEGUNDA METADE. E VOCÊ DISSE DUAS VEZES!

(Risadas na plateia.)

PERCOLATOR (O chale fica rosado dos lados): (Pigarreada.) Eu disse – mais cedo – que não era possível dissociar um objetivo do outro… Salvar Laura e lidar com Judy-Jowday! Cooper sabia que evitar que BOB ou simplesmente uns humanos imbecis estuprassem e matassem a garota não era o mesmo que SALVÁ-LA… E depois temos Judy. Então eu afirmo com todas as letras: desde o início Cooper partiu para uma missão suicida.



AGORA ENTENDO SEUS CIRCUNLÓQUIOS, SR. PERCOLATOR! ME DIGA UMA COISA: VOCÊ NÃO ACHA QUE LYNCH IRRITOU MUITOS FÃS ANULANDO ASSIM TODOS OS EVENTOS DAS DUAS PRIMEIRAS TEMPORADAS?!

PERCOLATOR: Bom, do ponto de vista do show business… E eu entendo de show business… (Bowie feelings) Talvez. Mas analisando friamente, Cooper era o homem talhado para esta dura missão – e quando eu disse que ele tinha um alto preço a pagar, não era por ENTRAR NO SALÃO NEGRO – mas pelo dom que ele adquiriu ao sair de lá… Que era converter tudo que REALMENTE ACONTECEU com ele e seu ‘sósia invertido’… em SONHO. De forma que o real fundamental passou a ser seu encontro com Laura Palmer na dimensão que os fãs desse show chamam de ‘red room’… Desde o início. Enquanto a memória de Cooper estiver viva, creio que seus sonhos, e com isso todo o carisma dos habitantes de Twin Peaks, estará a salvo… (Lágrimas pretas descem pelo bico do bule.) (Plateia consternada.)



PRIMEIRO VOCÊ ME PEDE CALMA, AGORA VOCÊ JÁ AVANÇA PARA CONCLUSÕES MUITO AVANÇADAS! FALE MAIS UM POUCO SOBRE ESSA ‘JORNADA INTERIOR’ DO COOPER QUE SERVE DE PRÓLOGO AO EMBATE FINAL QUE ELE TRAVA COM A ENTIDADE JUDY. VOCÊ ACHA QUE SE MATASSEM DOUGLAS JONES OU SE O BAD COOPER TIVESSE AVISTADO SARAH PALMER, TUDO IA TERMINAR DO MESMO JEITO QUE NA ‘PRÉ-CONCLUSÃO’, À DELEGACIA?

PERCOLATOR: É claro que, de um jeito ou de outro, mesmo que o total se dê graças à soma de cada uma das individualidades envolvidas, às 2:53 aquilo tudo estava destinado a acontecer… Black Cooper e Cooper se fundiriam, o plano ‘não tinha como dar errado’. Essa era a parte boba, a cereja do bolo… O cerne da missão era o que aconteceria depois… Você quer que eu fale mais alguma coisa não-esclarecida sobre os episódios 1-17 ou posso ir diretamente para o 18?



VOCÊ COLOCOU AS COISAS MUITO BEM. ESTAVA PENSANDO ESSES DIAS QUE NA VERDADE “TWIN PEAKS” NÃO TEM 3 TEMPORADAS! ANALISAVA O TÍTULO DO REBOOT… TWIN PEAKS: O RETORNO. ACHO QUE ‘TWIN PEAKS’ PROPRIAMENTE DITO SERIAM OS 17 PRIMEIROS EPISÓDIOS. ANTES EU ACHAVA QUE ‘O RETORNO’ ERA O ACLAMADO RETORNO DA SÉRIE, QUE SÓ FOI POSSÍVEL GRAÇAS AO ARDOR DOS FÃS. MAS HOJE EU PENSO DIFERENTE: OS 17 PRIMEIROS EPISÓDIOS SÃO ‘O QUE ACONTECE PARA ENROLAR O EXPECTADOR’ ATÉ QUE COOPER CONTINUE O ENREDO DE 1991…

PERCOLATOR: Genial! Genial! Não esperava menos de você… Isso foi meio… Como é o nome daquele cara, ééé, da sua música popular brasileira, um que não é muito querido, ou seja, não estou falando do Chorão… Um que morreu… Ahh… Acho que antes de você nascer… Um tal Marcelo Cavalo…

(Risadas da plateia.)



VOCÊ QUIS DIZER… RENATO RUSSO… É, EU ENTENDI A REFERÊNCIA! E ANTES QUE ME ACHEM PIRRALHO, EU TINHA O I T O ANOS QUANDO RENATO RUSSO MORREU… DEPOIS, EU TINHA 24 ANOS, TALVEZ MAIS, QUANDO O CHORÃO MORREU… E ESSE DE QUEM VOCÊ FALA NADA TINHA A VER COM ESSA MINHA IDÉIA… MARCELO CAMELO, ELE ESTÁ VIVO POR AÍ…

PERCOLATOR: Ah sim! Perdão! Eu pensava no fundo do poço… No cavalo branco, nas drogas que extraviaram os jovens, e nessa Sarah Palmer…



E PARA O PÚBLICO DESORIENTADO, EU EXPLICO ESSA BIZARRA CADEIA DE ASSOCIAÇÕES: RENATO RUSSO DECLAROU, CERTA FEITA, QUE A VIDA É AQUILO QUE PASSA ENQUANTO NOS PREOCUPAMOS COM OUTRAS COISAS…

PERCOLATOR: Ecce homo! Você, não ele! Para que Twin Peaks fosse ressuscitada enquanto série, não FILME, eu diria que David Lynch teve que recorrer a alguns expedientes… Não vou criticar essa obra-prima mas… O motivo da minha entrevista é saber o que era tudo aquilo no episódio 18, estou correto?!



NADA MAIS, NADA MENOS!

PERCOLATOR: E você ressignificou o título dentro de sua cabeça de forma apropriada… O Retorno não é o retorno de TP… Mas o retorno do viajante para casa, a Odisséia do protagonista, e nada mais… Na verdade Lynch soterrou todos os doces sonhos e tortas e rosquinhas dos anos 80 e 90 com essa marretada brutal, digo, com este golpe de Hitchcock – serra elétrica… E L E C T R I… C I T Y! Entenderam?! marretada… serra… elétrica… Garmonbozia!!! (Plateia no mais absorvente silêncio.)

E-eu quis dizer… ELECTRI-CITY… TWIN PEAKS É UMA CIDADE!!!

(Plateia ainda majoritariamente em silêncio – algumas senhoras exclamam ‘ã?’, ‘perdi alguma coisa?’, etc.)



SR. PERCOLATOR… ESQUEÇAMOS ISSO, ESQUEÇAMOS ISSO… AH, AH! NOSSO CONVIDADO É MUITO ENGRAÇADO, NÃO É GENTE?! RETOMANDO O FIO… O RETORNO ERA SÓ O DE DALE COOPER DE SEU LONGO ASILO NO BLACK LODGE, PARA COMPLETAR SUA MISSÃO DOS DOIS COELHOS NUMA CAJADADA SÓ… SE A PRIMEIRA PARTE DA ENTREVISTA SE CONCENTROU NO MITO DE ORFEU, ESSA AGORA É A VERDADEIRA SACADA LYNCHIANA DESTA DÉCADA: DALE COOPER É ULISSES RETORNANDO!

PERCOLATOR: U-lá-lá! Melhor impossível, monsieur… Mas responda-me então… quer falar mais sobre alguma coisa que não tratamos com profundidade da Twin Peaks que virou Dream Peaks ou quer falar sobre Odessa, etc., etc., do capítulo 18, a única verdadeira CONTINUAÇÃO de TP?!



UMA OPINIÃO PESSOAL: QUAL VOCÊ ACHOU O MOMENTO MAIS ENGRAÇADO E O MOMENTO MAIS TRÁGICO DE TODO O SHOW, TIRANDO O FINALE?!

PERCOLATOR: Vejo no casal Ed e Norma a maior tragédia de Twin Peaks: a perda de todos os anos dourados que poderiam ter tido facilmente. A futilidade de um final feliz que é exatamente isso: chegou apenas no final do final! Sobre os momentos mais cômicos… impossível separar um só! Apesar de todas as peripécias de Dougie Jones, eu vou ficar com 2 na cidade de Twin Peaks: Lucy e Andy aporrinhando o policial Hawk, que só queria investigar pistas valiosas sobre o desarquivado caso Cooper, na sala cheia de arquivos daqueles tempos…; e aquele homem creditado como “bêbado” que é preso com o policial corrupto e aqueles outros personagens e não pára de repetir as frases (muito douguiano por sinal!), rebatendo os xingamentos! Bem, fora de TP mas não exatamente fora dos seus personagens que crescemos apreciando, tem a sensacional conversa do Jerry Horne com o seu próprio pé!



EXCELENTE. ÓTIMAS LEMBRANÇAS! AGORA, SENHOR SEGREDOS BURILANTES… PODE FALAR DO QUE MAIS O IMPORTUNA E QUE VOCÊ PRECISA DESABAFAR PARA O PÚBLICO FIEL, MAS NÃO ESQUEÇA DE DAR TODOS OS PINGOS NOS I’S: VOCÊ TEM DE EXPLICAR SEU PAPEL NA TRAMA, E FALAR UM POUCO DO GIGANTE E DO SALÃO BRANCO TAMBÉM! E QUAL O NÍVEL DE RELACIONAMENTO OU INTERAÇÃO ENTRE ESSES DOIS ESPAÇOS…

PERCOLATOR: Claro, claro! Já que você tocou no assunto, já vamos tirar isso do caminho: atente para uma coisinha: eu sou sócio do Gigante, é!… É, eu sou o cara!… Não, não, não adianta querer me gabar, esses fãs são um saco, vão atrás das declarações de qualquer personagem, confrontam o Lynch e o Mark Frost, também… Eventualmente entregariam minha egolatria, então eu me autocorrijo: o Gigante é hierarquicamente superior a mim. É como um deus ou entidade que contrabalança a existência de Judy, e tem seu próprio espaço, o adivinhado salão branco, que até acolhe bem mais pessoas do que o salão negro, e pode devolvê-las mais rápido… Garland Briggs, Bobby Briggs, Andy Brenan… O próprio Cooper… E tem mais: o Gigante pode ir ao salão negro quando quiser, vocês viram como isso é possível ao final da segunda temporada… Teoricamente o contrário também é possível, ou Judy não tentaria melar a reentrada do Cooper bonzinho no mundo real de novo, antes da imersão de yin-yang, i.e., dele com ele mesmo para ser o que ele sempre devera ter sido – um agente mais pragmático e menos ‘rosa’, menos otimista em relação ao futuro… Bom, tudo isso para dizer que eu vivo numa espécie de ‘espaço neutro’, mas eu tinha claramente um papel de mocinho no enredo!…



E FOI VOCÊ QUE DEU AQUELE TELEFONEMA AO BAD COOP?

PERCOLATOR: Ah, aquilo do episódio 2?! Nããão, aquilo não fui eu, não… Mas olha, eu não tenho um Doppelgänger, sabia?



(CARA ABORRECIDA) EU SABIA QUE VOCÊ NÃO TINHA UM DOPPELGÄNGER. ACHO QUE ISSO NUNCA PASSOU PELA CABEÇA DE NINGUÉM, PHILIP… SE ME PERMITE SER MAIS ÍNTIMO.

(Platéia grita: ‘É… Ninguém…’ Leve burburinho depois.)

PERCOLATOR: Ah, à vontade! Nomes não são problemas, eh, eh! Gostaria até de me aprofundar mais nessa questão de nomes mais tarde, por favor, me lembre disso! Vou continuar com as explicações que remetem ao episódio 18:

Eu tenho um dom, que é a da viagem no tempo; obviamente só seres muito especiais podem ter acesso a esse meu dom, e por sua vez alterarem o passado… Com a MINHA ajuda… (Aqui alguns segundos se passam. Acho que o Percolator esperava ser calorosamente aplaudido.) (Pigarreada.) O que eu quero esclarecer é o momento da cena inaugural, daquela conversa “em código” entre Cooper e o Gigante… Ali ele estava no salão branco, mas ele não tinha autorização para sair do salão negro no primeiro episódio… Então você deve estar ciente que aquela cena aconteceu bem depois… Na verdade vou contar exatamente quando: assim que mandei Cooper para 1989…



MAS POR QUE ELE NÃO CAIU LOGO DE CARA EM 1989? POR QUE FOI PARAR NA SALA COM O GIGANTE?

PERCOLATOR: Ah, o Gigante é como Judy, entende? Ele está em todos os tempos… Isso não era problema para ele… Mas lembre-se que o nosso agente precisava de uma ajudinha, de um aconselhamento… Eu mesmo fui informado pelo Gigante em pessoa, então não era difícil para mim só mudar o ‘local’ de destino da viagem no tempo… Claro que Cooper já tinha o que era necessário para comparecer ao salão branco após eliminar, alegoricamente falando, seu eu do lado negro… Ahhh… e você deve saber por que raios o Gigante não podia ter essa conversa no black lodge… E aliás quase não puderam conversar direito no próprio white lodge… A verdade é que Judy pode penetrar nos domínios do Gigante, mas também não teria muito a ganhar com isso… Vê? Só para espionagem, isto é… Então Cooper foi avisado dos efeitos colaterais que viajar para ‘Odessa’ (é assim que vou chamar o mundo onde se passa o final da série, para ficar mais fácil de associar) acarretaria… Claro que nunca é tarde para informar que outra componente do plano ‘exterminação de Judy’ era Daiane… Mas nem Gordon Cole foi informado do real paradeiro dela, pois ela era um grande ás na manga e Cooper e o Gigante preferiram assim… O Gigante cuidou de tudo nesse ínterim, é por isso que Coop a reencontrou numa zona neutra, completamente disfarçada, no seu caminho de volta para esta realidade, no que ficou agora no cânone apenas como ‘sonho de Cooper’… Naido! Depois de cair sua “casca” na delegacia, Daiane se revelou, mas tem uma coisa diferente com ela, e isso vai nos causar confusão mais para a frente se eu não alertar todo mundo disso: Daiane não é como Laura ou Cooper, na verdade talvez seja… Talvez não… Sabe, confesso que nem eu posso entrar na cabeça do Lynch, mas, por ora, para não confundi-los, só direi: ela foi estuprada pelo maluco do Bad Coop no mínimo duas vezes, e fez aquela ‘dança afrodisíaca’ com o Good Coop esse mesmo número mínimo de vezes, como vocês devem ter interpretado por tabela vendo o episódio 18… E ela é a mais pessimista quanto ao ‘plano’… Não à toa, ela deixa tudo para o Cooper e dá no pé: aquele bilhete… Linda, Richard… Então é isso… Por que o Gigante avisou essas coisas ao Cooper precisamente nessa hora, se só precisava mesmo era falar do som da captura de Judy? Porque não interessa quando ele o fizesse, se meia hora antes, ou 25 anos antes… Estar onde Cooper e Daiane, e Laura, estavam… em Odessa… logo borraria todas as explicações… Mas também vou te dizer: existe uma ambigüidade na declaração do Gigante: ‘Você está longe…’ Podia ser porque no segundo seguinte o próprio Gigante (que é mais poderoso do que eu) enviou Cooper para os bosques de Twin Peaks, aproximando-o do alvo de sua missão em 1989… Mas podia ser por uma outra coisa. Não me deixe sair daqui sem esse esclarecimento, por favor!



MAS SR. PERCOLATOR, VOCÊ NÃO PODE IR A LUGAR NENHUM!

(Risos na plateia. De fato, ele não tem pernas!)

POR FAVOR, NÃO SE AFLIJA! CONTINUE DE ONDE TINHA PARADO!

PERCOLATOR: O tempo?



NÃO, NÃO, ACHO QUE JÁ ERA DEPOIS DISSO! VOCÊ TROUXE COOPER A 2016 ASSIM QUE ELE ‘FALHOU’ (COMO TODOS PREVIAM) NO RESGATE DE LAURA, NÃO?

PERCOLATOR: Na verdade, eu não usei mais a ‘máquina’… VOCÊ SABE QUANTO TEMPO DEMORA PARA CARREGAR AQUELA COISA QUE FAZ UM OITO DEITADO (SÍMBOLO DO INFINITO) E AÍ DEIXA O HÓSPEDE VIVO DO BLACK LODGE NUM OUTRO ANO?! CARA, AQUILO DEMORA PRA (BEEEEEEP)!!! (O bule se recompõe.) Após aquela cena tocante – em que Cooper vê seu braço suspenso no ar, abandonado – ser cortada por Lynch (como eu acho que você vai cortar meus palavrões na edição final dessa entrevista), Cooper, ou Kyle MachLachlan, como queira, de ‘mãos vazias’, caminhou de volta ao black lodge, só para ‘confirmar uma coisa’. Ele pôde apurar que Laura estava longe do black lodge agora, que Leland, sem BOB, mantinha a mesma aparência e ainda se lembrava de tudo, porque Cooper não podia retirar do salão negro quem já havia entrado, mesmo alterando o futuro e convertendo sua primeira realidade em sonho, porque, afinal, o black lodge está fora do tempo! Como eu dizia, Laura é ‘diferente’. Todo o resto aconteceu e não é reversível, isto é, da perspectiva do salão negro: Windom Earle, Annie, Maddy… O próximo passo era reencontrar Laura através das coordenadas do Gigante. E Cooper pôde confirmar mais uma coisa: Leland permanecia com a mesma cara. Ele não! Estava 25 anos mais velho, isto é, estava da mesma idade, não tinha ‘remoçado’ quando transportei ele e sua parceira no tempo. Mas para o que iam fazer, não fazia muita diferença… A par de tudo, portanto, como acabei de ‘entregar’, Daiane, que também apareceu nos bosques de Twin Peaks em 1989, se encaminhou como combinado para os sicômoros, em outras palavras para a porta do black lodge, a mesma usada por Cooper 25 anos antes (Espera, agora estou confuso: ou seria alguns dias ou semanas depois? Err…), numa excelente sincronia entre parceiros de FBI… Ainda que seja só uma secretária do Bureau… Agora era hora de seguir as instruções restantes do Gigante: 4 3 0…



ESPERA, COMO VOCÊ SABE QUE ELES SAÍRAM EM 1989? ISTO É, O GIGANTE PODERIA TÊ-LOS TRANSPORTADO DE VOLTA A 2016 MESMO SEM SEU CONHECIMENTO…

PERCOLATOR: Sim, sim, mas quem os transportou no tempo foi Judy…



VOCÊ TEM PROVAS?

PERCOLATOR: Na verdade, tenho uma: o carro do Cooper!



SÓ ISSO?

PERCOLATOR: Com certeza! Quer dizer, o carro é o fundamental… Mas se você notar que um andar não é construído num hotel de beira de estrada (hotel de posto, ainda por cima!) do dia pra noite… É, posso dizer que não havia muitos outros elementos para corroborar minha tese… Mas eu ainda sou o melhor que você tem!



POIS BEM, CONTINUE COM A CONFUSA CRONOLOGIA DOS FATOS…

PERCOLATOR: E então, além da quase-onisciência do Gigante, você quer saber por que o Cooper sabia tudo que sabia que deveria fazer e como tinha certeza factual que nem tudo tinha mudado mesmo sem poder comprová-lo pelo black lodge (pois Laura não estava mais lá)? Que ele deveria procurar uma mulher de meia idade, e não uma jovem de 17 anos em Odessa?



JÁ IMAGINO DO QUE QUEIRA FALAR…

PERCOLATOR: Isso, dos sussurros! O grande segredo da primeira temporada foi cochichado no ouvido de Cooper num sonho… Isso não impediu os autores de prolongarem o mistério de ‘Quem matou Laura Palmer?’ por mais bastantes episódios… Eis que Laura 25 anos mais velha cochichou de novo no ouvido de Cooper, mas dessa vez no verdadeiro black lodge, e cochichou uma outra coisa, cochichou sobre…



JUDY!

PERCOLATOR: Exatamente! Olha, eu não sei o que ela falou, literalmente, mas eu posso te oferecer versões que são mais ou menos exatas…

1) Você pode ir quando puder me encontrar em Odessa.

2) Você pode ir quando eu não estiver mais aqui (no black lodge).

3) Você pode ir quando puder matar dois coelhos com uma cajadada só.

4) Você pode ir quando houver se reunido com seu lado negro.

5) Você já, já pode ir, mas saiba que nós dois vamos matar Judy juntos e morrer!

6) Você pode ir, e juntos vamos matar Judy, mas Judy nos matará – é um bom trato, que acha?

7) Judy agora é minha mãe!

8) Eu posso matar Judy, lembra? Eu e você somos sacrifícios—



SENHOR PERCOLATOR…

PERCOLATOR: Pra quê a formalidade?! Ainda vai ficar usando ‘sr.’ para falar comigo?



MUITO BEM, PERCOLATOR… DESCULPE INTERROMPER SEU ROTEIRO, MAS VOCÊ NÃO ACHA QUE COM UNS 10 PALPITES DESSES UMA HORA IRIA ACERTAR EM CHEIO? QUER DIZER, NÃO É COMO JOGAR DUCK HUNT COM A PISTOLA GRUDADA NA TELA?

PERCOLATOR: (Risos) Sei o que isso parece, mas…mas não é bem assim… Eu confesso que ia dar 10 palpites, número redondo, mas agora não importa. Não é que os outros 9 tiros são desperdiçados… É tudo parte de um tiroteio maior…TODAS AS FRASES ESTÃO CORRETAS. É um mosaico. A imagem total só pode ser enxergada com a composição de todas essas frases.



AH BOM!

PERCOLATOR: Então, vou ‘chutar’ só mais um, mas este não foi, com certeza, porque demoraria mais para ser cochichado do que vemos Laura na tela com Cooper. Nem por isso é um palpite menos importante:

9) É impossível me levar para o white lodge. Eu já cumpri minha missão. Mas tudo bem, você esquecerá disso, aprecio seu caráter e esforço para reverter as coisas – isso é a vida! Eu me orgulho de você.

E confesso francamente que essa seria a única confissão de Laura que faria o destemido agente especial Cooper ficar pasmo do jeito que ficou!

Em outras palavras, a Rabbit Hunt exige muitos tiros, todos precisos, mas disparados à distância… saindo da toca do coelho!… Alice… Tremond… Chauf—



OLHA, ESSA ÚLTIMA VERSÃO DO COCHICHO DA LAURA PALMER ESTÁ MUITO MAIS PESSIMISTA QUE AS DEMAIS. PODE NOS EXPLICAR ESSA CONTRADIÇÃO?

PERCOLATOR: Só quando eu terminar minha explicação!



ENTÃO, TÁ!

PERCOLATOR: Em resumo, Cooper sabia que Laura apareceria da mesma idade (envelhecida) no ‘outro universo’, em Odessa. E que não era aquela mesma moça que resgatou da morte em 1989, mas, sem tirar nem pôr, a entidade que mostrou ‘sua verdadeira face’ a Cooper dentro do black lodge… E que, portanto, ainda havia sofrido tudo o que sofreu nas mãos de BOB. Sabe de outra coisa? Como você interpreta aquele sumiço espantoso de Laura Palmer no início da terceira temporada?



BOM, JÁ OUVI DE TUDO… ALGUNS DIZEM QUE É PARA ASSINALAR QUE “O QUE VOCÊS VÃO VER NOS PRÓXIMOS 17 EPISÓDIOS NUNCA ACONTECEU, OU – NÃO TEM IMPORTÂNCIA NENHUMA! – ATÉ LÁ, NADA DE LAURA!” – MAS EU PESSOALMENTE COMEÇO A VER QUE O PREÇO QUE COOPER TEVE DE PAGAR PELO SEU ‘DOM DE CONVERTER O REAL EM SONHO’ FOI PESADO DEMAIS ATÉ PARA ELE…

PERCOLATOR: Ah, um homem erudito, outrossim! É bom saber que mesmo que eu tivesse um piripaque neste instante, parece que você mesmo já ia poder explicar para todas essas pessoas, lendo avidamente, todas as minhas idéias!!! Você lê muito rápido nas entrelinhas… Parece até que você É meu Doppelgänger

(Risadas da plateia.)



ESSA PIADA FOI INTENCIONAL?

PERCOLATOR: Posso ser honesto?



DEVE.

PERCOLATOR: Não!

(Risadas mais estrepitosas de todos.)



ACHO QUE SEU DOPPELGÄNGER SERIA UM…

PERCOLATOR: …péssimo stand-up comedian!



ISSO.

PERCOLATOR: Vou daqui, De Cílaga… Cof, cof… Agora que você entende a tragédia da situação do Cooper, sigamos com a parte 18, e depois a gente explica pra esse pessoal ignorante o que significa a Laura ter sumido de repente também em 2016, quer dizer, no black lodge, onde não é passado mas também não é futuro…

Daiane tenta convencer Cooper a não ‘fazer isso’, ou esse é o jeito singelo dela mandar quem ela ama ‘ir se ferrar’… porque sabe que essa decisão é irreversível… E tediosa, pois já tomada inú—



VOCÊ VAI ESTRAGAR TUDO!

PERCOLATOR: Ah, é verdade! Às vezes eu nem me atento… Bom, então, Daiane sabia que Cooper ia fazer o que ele ia fazer, porque ela sabe prever o futuro…



TAMBÉM NÃO PRECISA APELAR E TRATAR TODO MUNDO COMO UM BANDO DE BURRO…

PERCOLATOR: Bem, digamos que uns são mais teimosos e outros mais resignados. Eu diria que a Daiane é BEM resignada… Mas nem por isso ela deixaria de viajar com ele para as coordenadas 430, onde conseguiriam adentrar uma ‘realidade embaralhada’, com certas características especiais, que podiam favorecer ou atrapalhar Cooper (atrapalhar: porque o Gigante não poderia mais ajudá-lo; ajudar: porque esta é a última dimensão, a dimensão-gaiola, ou, como vou explicar mais adiante, um BLACK LODGE AMPLIADO). E Daiane também não deixaria de fazer o ritual do acasalamento de novo com Cooper… Digo, ah, hum, (limpada na garganta) pela primeira vez!

Aliás, não sei se é uma boa regra ou lei de decodificação de séries difíceis com outros diretores, mas com Lynch, se algo se REPETE, principalmente numa série com DOPPELGÄNGERS… Pode confiar, meu caro! Aquilo é central na interpretação… É… Depois que soubemos que Judy é uma ENTIDADE TARADA (me refiro a Sam e Tracy), ficou fácil de saber como os dois seriam chupados para onde está Laura, porque Laura está com Judy… Ou perto o suficiente de Judy, de qualquer maneira… no mesmo país de proporções continentais! Enfim, depois que Laura e Cooper fizeram sexo… Perdão, agora sou eu a trocar nomes, será que Judy mexeu com minhas recordações?! Depois que Daiane e Cooper atraíram a força negativa com que o FBI vinha se preocupando há muito tempo, a ponto de considerar BOB um epifenômeno inofensivo… Bem, aí eles são puxados por Judy para o futuro, a forma mais econômica que ela tinha de embaralhar a memória dos visitantes indesejados da sua ‘gaiola’… Ao sair do motel, Cooper descobre um prédio diferente, com um carro diferente. Tudo indica que ele está em 2016 em Odessa… Mas, se quer saber, essa especulação é um tanto inútil… Lembre-se que tudo pode ser artifício e que, bem, no black lodge o tempo não importa!



UMA FALA E TANTO, PERCOLATOR! AGORA PROGREDIMOS BASTANTE… EU QUERIA INTERROMPER ANTES, MAS FUI VENDO ONDE SUA RESPOSTA IA DAR… AQUILO SOBRE A GAIOLA… ALGUMA BASE OU INTUIÇÃO?

PERCOLATOR: Minha base é que Bad Cooper foi parado pelo Gigante quando ele acessou as “coordenadas corretas” através de uma gaiola do white lodge… Não me entendam mal, eu não creio que Odessa seja o white lodge… Mas o Gigante está no controle da situação agora… Ele só não pode fazer tudo sozinho, precisa de elementos humanos que terminem o plano… Ele tem uma gaiola de força para conter Judy até o momento decisivo, eu não sei dizer se essa gaiola é Odessa (digo, o universo inteiro para onde Cooper e Daiane migraram) ou apenas a casa dos Palmers. Mas mais do que ver uma gaiola expulsando o Bad Coop e encaminhando-o para a delegacia no episódio 17, minha maior pista é a seguinte, Cila. Vamos brincar de embaralhar nomes!

Laura Page – Carrie Palmer

merge fusão

Isso foi meu ‘demonstrativo’: que este universo é uma espécie de síntese dos que já conhecemos. Mas o principal para sua pergunta seria:

Carrie Page

E, se quer saber, parry também indica que o melhor ataque é a defesa… Mullins não venceria Judy no auge, acredite em mim! Primeiro você confina seu inimigo às cordas, ou a um espaço-tempo de que sabe que ele não vai sair, e então você faz algo indireto que o derrota…



AH, ENTENDO! CONTINUE, ESTOU BASTANTE INTERESSADO…

PERCOLATOR: Depois de Cooper acordar no hotel, já não tem muito o que falar. Podemos dar fast-forward até a cena derradeira…

Laura, i.e., Carrie, pressente a ligação daquele funesto lugar com todo o seu passado problemático, mas ainda não encontra o que dizer, como reagir… Inadvertidamente, Cooper solta a frase, ‘Em que ano estamos?’ – que era o gatilho para a reação em cadeia que o Gigante queria…

What year is it? Você quer que eu responda?



POR FAVOR.

PERCOLATOR: No one!



AH, QUE GRANDE PEDAÇO DE INFORMAÇÃO, PERCOLATOR!

PERCOLATOR: Você quer mais uma tão importante quanto esta?



MANDA VER! (ESPERO QUE EU NÃO ME ARREPENDA DESSA VEZ…)

PERCOLATOR: A moça drogada estava em SP: (11) 9…



PERCOLATOR: A propósito, eu preferia que fosse “Roger & Linda” a Richard e Linda!



E POR QUÊ?

PERCOLATOR: Lembra do meu supermétodo? Ro-da; lin-ger. Duas coisas que parecem acontecer aqui em Twin Peaks: O Retorno!



PERCOLATOR: Mas olha, Richard também ficou legal: Lin(LYN)ch….are



SAIA DO MEU PROGRAMA AGORA!!!

PERCOLATOR (ignorando): Also… Linda não te parece uma inversão silábica de Dale?!



…SENHOR… EVIDENTEMENTE O SENHOR DESENVOLVEU UMA MONOMANIA POR JOGOS LINGÜÍSTICOS!!

PERCOLATOR: Ah, vai, admita! Essas provas são mais consistentes do que as que você vê por aí na internet… tomada 3, tomada 15? Dicas de episódios?! Cooper sequer desperta no episódio 15! A chave do Great Northern era 315! Enfim, melhor ser lingüista do que numerologista!



QUE SEJA! CONFESSO QUE A COISA DO “MERGE” ME SOOU BEM ENGENHOSA…

PERCOLATOR: E então, quer que eu termine? Laura se recorda da contradição que está no ar e seu grito de angústia “agride” a eletricidade de Odessa (o mundo em que estão), sobretudo parece causar um curto-circuito na casa onde está Judy… Mas algo dá errado… Judy parece operar uma espécie de reset de seguro antes que a missão suicida estivesse cumprida… Isso vai explicar muitas pontas soltas da entrevista: Cooper volta, senão ao seu encontro com o Gigante, à própria entrada do black lodge ou o que vocês chamam de red room, sem lembrar de nada! Isso sim é pior do que a morte, não acha? Talvez Coop seja um fantasma condenado à imortalidade, e o que é pior, cíclica e ignorante, até o fim dos tempos!

Talvez Judy seja invencível… Só que nem o Gigante sabe disso. Ele acha que após um número infindável de tentativas, Coop poderá obter o êxito, pois cada vez que Odessa é conjurada as coisas se desenrolam de um jeito minimamente diferente… “Você está longe…”… Coop, ainda mais ignorante, posto que não é, de origem, uma entidade atemporal, sempre tem fé no seu próprio taco, e sempre fracassa. O Gigante, que percebe o ciclo do tempo, fora das dimensões, ainda se mantém otimista, após cada fracasso de Coop. Eis a alegoria de Sísifo em nova forma. É preciso continuar tentando. Para o Gigante, indiretamente. Para Coop, diretamente, como o herói da história. O que aconteceria se Judy pudesse ser vencida? A realidade em que ela se aloja se autodestruiria, exatamente como acontece todas as vezes em que Coop falha em sua missão. A diferença seria que Judy jamais voltaria a habitar qualquer outra realidade!



PERCOLATOR—

PERCOLATOR: No fim, supervalorizamos a dicotomia sucesso x fracasso: quando a vida é um jogo de perde-perde, na verdade se torna indistinto perder ou ganhar; perder perde a conotação ruim. Tanto faz lutar até o fim com bravura ou saber a hora exata de jogar a toalha: ambas são formas nobres de existência, reações humanas, as únicas conhecidas e possíveis. A realidade é perfeita em si mesma. Não esqueçamos que não só enquanto processo isso é válido, mas que também enquanto fim nada acontece de diferente, e isso não precisa nos envergonhar: afinal, tudo terminará da mesma maneira. Longe de ser um conformismo, no sentido pejorativo, é apenas a velha filosofia presente em cada dia do homem: memento mori.



MAS SE NÃO É A DILMA!

PERCOLATOR: Bom, me deixei levar pelo discurso!



QUE BOM QUE VOLTOU A SI… VOCÊ ACREDITA MESMO NISSO? NOSSA, NÃO PENSEI QUE CHEGARÍAMOS A TANTO, E NOSSA ENTREVISTA ACABARIA COMIGO TENDO CALAFRIOS!

PERCOLATOR: Bom… Se eu acredito nessa coisa de ciclo eterno em que se enredou o pobre Cooper (e mais alguém)?!?

ERA BRINCADEIRA! É assim que eu QUERIA que terminasse, porque odeio happy endings! Mas creia-me, Paulra Cage com aquele grito de banshee realmente estourou tudo e destruiu Jowday!



EU JÁ NEM DOU CRÉDITO A SUAS PLOT TWISTS, MEU CARO.

PERCOLATOR: Embora, (tom sombrio na voz) a teoria de que Cooper vem tentando há muito tempo (E pode ser que essa que assistimos seja a última vez, aquela em que conseguiu, finalmente – por que não? Uma mescla das duas meta-teorias?!) se justifica porque é a única que explica a segunda Daiane Evans na porta do motel, e seu receio descabido de que Cooper atravesse para Odessa (que inclusive se parece muito com a palavra Odissey…).



NÃO VAMOS COMEÇAR DE NOVO, NÃO É???

PERCOLATOR: Com o quê?



VOCÊ SABE!

PERCOLATOR: Eu te perguntei isso?



VAMOS, VAMOS, PERCOLATOR! OS FÃS DE TWIN PEAKS TÊM UM LONGO DIA PELA FRENTE, E NOSSA ENTREVISTA TAMBÉM TEM LIMITE DE TEMPO! MAS, PARA BANCAR O ADVOGADO DO DIABO DA SUA ‘HIPÓTESE EXTREMA’, E SE A DAIANE SÓ TEVE UMA ALUCINAÇÃO E VIU UM TULPA SAIR DE TRÁS DA PILASTRA DO POSTO, DEVIDO AO ESTRESSE EM QUE SE ENCONTRAVA?

PERCOLATOR: Ora, é possível!… Você disse que estamos com os minutos contados, quanto tempo ainda temos?



MENOS DO QUE COOPER TEVE NAQUELA SALA NA DELEGACIA PARA SE DESPEDIR DE SEUS AMIGOS! EU GOSTARIA DE TE AGRADECER PELA DISPONIBILIDADE, POR SAIR UM POUCO DE SUA ZONA NEUTRA E NOS ELUCIDAR NESTES MISTÉRIOS! EU JÁ NÃO SEI MAIS NO QUE ACREDITAR: NO SUCESSO OU NO FRACASSO DO AGENTE COOPER. VOCÊ PLANTOU UMA MINHOCA NA MINHA CABEÇA! SEE YOU LATER, PERCOLATOR!

PERCOLATOR: Eu que agradeço imensamente a concessão deste nobre tempo-espaço! (Risos da plateia) Quando sair, não apague a luz: eu não vou a lugar nenhum!



SAGRADA FAMÍLIA

Republicado

Não estamos satisfeitos com aquilo que nós temos

a não ser quando o perdemos

e depois o reavemos

De certo modo,

é um querer viajar

até o ponto do saturar

para em seguida tecer o voltar

Eterna saudade

do que precisa ser superado

Enquanto eu quero viver

o cristão só pensa em morrer

para descobrir o que vem depois

A sina está feita

quando se descobre

que o rabo da cobra

era a cabeça!

Infância

Mil ressurreições

A deposição

do ressentimento

de qualquer cristão

Vingança

qualquer anti-semita delineia

mas a minha

não é contra o espelho

nem avessa a minhas veias

Onde corre sangue

e não a metafísica hobbesiana

do judeu exangue

Deus Mamon, deus-dinheiro

O umbigo mais profundo

O sofista mais infecundo

O carnaval da elite

é pagão

Faz ajoelhar até

o chão

Típico valor

de pedra

Esse de se curvar diante de

uma reza

Eu voo

Porque seus pontos cegos

são mais cegos que os meus

O JORRO D’ÁGUA

De 28-03-2009

Do bebedouro ou do tonel

Por que essa explosão?

No meio da noite

A mulher distante se avizinha

O dinheiro se reaninha

O ouvido amigo se dilata

Para ouvir a queixa

de um lamuriado

Quer que batam,

mas se sente injustiçado

Lei da compensação?

Porque a aflição e o afeto

são como o vírus que

cristaliza

no ar

e de repente

com um sopro

vibra

CONFERÊNCIAS INTRODUTÓRIAS SOBRE PSICANÁLISE & NOVAS CONFERÊNCIAS INTRODUTÓRIAS SOBRE PSICANÁLISE

-Vorlesungen zur Einführung in die Psychoanalyse-

P. 2548 das Obras Completas em Português (no volume XV)

Em verde: trechos execráveis.

Esta obra teve uma circulação maior do que qualquer outra obra de Freud, com exceção, talvez, de The Psychopathology of Everyday Life. Também se distingue pela quantidade de erros de impressão nela existentes. Como ficou assinalado acima, quarenta foram corrigidos na segunda edição; porém havia ainda muitos mais, e pode ser observado um número considerável de pequenas variações no texto das diversas edições. A presente tradução inglesa segue o texto dos Gesammelte Werke, que é, de fato, idêntico ao texto dos Gesammelte Schriften; e somente foram registradas as discordâncias mais importantes das primeiras versões.”

As conferências publicadas neste livro foram proferidas por Freud em dois períodos de inverno sucessivos, durante a Primeira Guerra Mundial: 1915-16 e 1916-17.”

Em seu prefácio às New Introductory Lectures, há pouco citado, Freud nos refere que a primeira metade da série atual, a série inicial, ‘foi improvisada e escrita logo depois’, e que ‘esboços da segunda metade foram feitos durante as férias do verão intermediário, em Salzburg, e passados para o papel, palavra por palavra, no inverno seguinte’ [mentiroso]. Acrescenta que, naquela época, ‘ainda possuía o dom de uma memória fotográfica’, pois, por mais cuidadosamente que suas conferências pudessem ter sido preparadas, na realidade, invariavelmente, as proferia de improviso, e geralmente sem anotações. Existe concordância geral no tocante à sua técnica de dar conferências: que ele nunca era retórico [nada mais diferente do que estão prestes a ler…] e que seu tom era sempre o de uma conversação tranqüila e mesmo íntima. Contudo, não se deve supor, por isso, que houvesse algo de desleixo ou desordem nessas conferências. Elas quase sempre tinham uma forma definida – início, meio e fim – e podiam, freqüentemente, dar ao ouvinte a impressão de possuírem uma unidade estética.”

Freud se socorreu evidentemente das conferências como método de expor suas opiniões, mas apenas sob uma condição particular: ele devia estar em vívido contato com seu auditório real ou suposto. Os leitores do presente volume descobrirão como é constante Freud manter esse contato – quão regularmente ele coloca objeções na boca de seus ouvintes, e quão freqüentemente existem debates imaginários entre ele e seus ouvintes. [pois isso é que é ser ultra-retórico, e extremamente enfadonho!] Na verdade, ele estendia esse método de formular suas exposições a alguns de seus trabalhos que absolutamente não são conferências: a totalidade de The Question of Lay Analysis (1926e) e a maior parte d’O Futuro de uma Ilusão (1927c) tomaram a forma de diálogos entre o autor e um ouvinte que faz críticas.” E ‘o futuro de uma ilusão’ é talvez o livro mais chato de F. que eu já lera depois deste aqui…

As Conferências Introdutórias podem ser verdadeiramente consideradas como um inventário das conceituações de Freud e da posição da psicanálise na época da Primeira Guerra Mundial. As dissidências de Adler e Jung já eram história passada, o conceito de narcisismo já tinha alguns anos de vida, [isso não impede o recalque de F. de sempre citá-los pejorativamente durante as conferências] o caso clínico do ‘Wolf Man’, que marcou época, tinha sido escrito (com exceção de 2 passagens) um ano antes do começo das conferências, embora não fosse publicado senão mais tarde. E, também, a grande série de artigos ‘metapsicológicos’ sobre a teoria fundamental tinha sido ultimada alguns meses antes, ainda que apenas 3 deles tivessem sido publicados. (Mais 2 deles surgiram logo após as conferências, porém os 7 restantes desapareceram sem deixar vestígio.)”

Em nenhuma outra parte fornece tão claro resumo da formação dos sonhos como nas últimas páginas da Conferência XIV. Sobre as perversões, não há comentários mais inteligíveis do que aqueles encontrados nas Conferências XX e XXI.”

* * *

PRIMEIRA CONFERÊNCIA

Da maneira como estão as coisas, no momento, tal escolha de profissão arruinaria qualquer possibilidade de obter sucesso em uma universidade, e, se começou na vida como médico clínico, iria encontrar-se numa sociedade que não compreenderia seus esforços, que o veria com desconfiança e hostilidade e que despejaria sobre ele todos os maus espíritos que estão à espreita dentro dessa mesma sociedade.” Citando seu ex-discípulo favorito Jung?

CIGANO SEDUTOR! “Na própria psiquiatria, a demonstração de pacientes, com suas expressões faciais alteradas, com seu modo de falar e seu comportamento, propicia aos senhores numerosas observações que lhes deixam profunda impressão. Assim, um professor de curso médico desempenha em elevado grau o papel de guia e intérprete que os acompanha através de um museu, enquanto os senhores conseguem um contato direto com os objetos exibidos e se sentem convencidos da existência dos novos fatos mediante a própria percepção de cada um.”

A CAIXA PRETA DA PSEUDANÁLISE: “A conversação em que consiste o tratamento psicanalítico não admite ouvinte algum; não pode ser demonstrada. Um paciente neurastênico ou histérico pode, naturalmente, como qualquer outro, ser apresentado a estudantes em uma conferência psiquiátrica. Ele fará uma descrição de suas queixas e de seus sintomas, porém apenas isso. As informações que uma análise requer serão dadas pelo paciente somente com a condição de que ele tenha uma ligação emocional especial com seu médico; ele silenciaria tão logo observasse uma só testemunha que ele percebesse estar alheia a essa relação. Isso porque essas informações dizem respeito àquilo que é mais íntimo em sua vida mental, a tudo aquilo que, como pessoa socialmente independente, deve ocultar de outras pessoas, e, ademais, a tudo o que, como personalidade homogênea, não admite para si próprio.”

O resultado da pesquisa sem dúvida lhes traria uma confirmação, no caso de Alexandre; no entanto, provavelmente seria diferente quando se tratasse de personagens como Moisés ou Nemrod.”

CONVENIENTEMENTE, FAÇAM O QUE EU DIGO, MAS ESQUEÇAM TUDO QUE EU FIZ: “Mas os senhores têm o direito de fazer outra pergunta. Se não há verificação objetiva da psicanálise nem possibilidade de demonstrá-la, como pode absolutamente alguém aprender psicanálise e convencer-se da veracidade de suas afirmações? É verdade que a psicanálise não pode ser aprendida facilmente, e que não são muitas as pessoas que a tenham aprendido corretamente. Naturalmente, porém, existe um método¹ que se pode seguir, apesar de tudo. Aprende-se psicanálise em si mesmo, estudando-se a própria personalidade. Isso não é exatamente a mesma coisa que a chamada auto-observação, porém pode, se necessário, estar nela subentendido. Existe grande quantidade de fenômenos mentais, muito comuns e amplamente conhecidos, que, após conseguido um pouco de conhecimento da técnica,¹ podem se tornar objeto de análise na própria pessoa. Dessa forma, adquire-se o desejado sentimento de convicção da realidade dos processos descritos pela análise e da correção dos pontos de vista da mesma.¹ Não obstante, há limites definidos ao progresso por meio desse método. A pessoa progride muito mais se ela própria é analisada por um analista experiente e vivencia os efeitos da análise em seu próprio eu (self),² fazendo uso da oportunidade de assimilar de seu analista a técnica mais sutil do processo. Esse excelente método é, naturalmente, aplicável apenas a uma única pessoa³ e jamais a todo um auditório de estudantes reunidos.”

¹ Sempre palavras vazias, que nunca são fundamentadas em toda sua obra.

² O monopólio de saber do especialista – BAM!

³ Veja como toma-se o cuidado de aumentar ao máximo a quantidade e gravidade das restrições para aquisição do “grande método ou técnica infalível e bastante seleta”!

A educação que receberam previamente deu uma direção particular ao pensar dos senhores que conduz para longe da psicanálise. Foram formados para encontrar uma base anatômica para as funções do organismo e suas doenças, [fala aqui dele mesmo] a fim de explicá-las química e fisicamente e encará-las do ponto de vista biológico. Nenhuma parte do interesse dos senhores, contudo, tem sido dirigida para a vida psíquica, onde, afinal, a realização desse organismo maravilhosamente complexo atinge seu ápice. Por essa razão, as formas psicológicas de pensamento têm permanecido estranhas aos senhores. Cresceram acostumados a encará-las com suspeita, a negar-lhes a qualidade científica, a abandoná-las em poder de leigos, poetas, filósofos naturalistas e místicos.”

NÃO É PORQUE A PSICANÁLISE É UMA FRAUDE QUE A PSIQUIATRIA DINÂMICA, SUA ARQUI-INIMIGA, TAMBÉM NÃO SERIA! “É verdade que a psiquiatria, como parte da medicina, se empenha em descrever os distúrbios mentais que observa, e em agrupá-los em entidades clínicas; porém, em momentos favoráveis os próprios psiquiatras duvidam de que suas hipóteses puramente descritivas mereçam o nome de ciência. Nada se conhece da origem, do mecanismo ou das mútuas relações dos sintomas dos quais se compõem essas entidades clínicas; ou não há alterações observáveis, no órgão anatômico da mente, que correspondam a esses sintomas, ou há alterações nada esclarecedoras a respeito deles.”

EM OUTROS TERMOS, VIVA A PSICOLOGIA!, MAS NÃO NECESSARIAMENTE A MINHA PSICOLOGIA: “Essa é a lacuna que a psicanálise procura preencher. Procura dar à psiquiatria a base psicológica de que esta carece. Espera descobrir o terreno comum em cuja base se torne compreensível a conseqüência do distúrbio físico e mental.”

A primeira dessas assertivas impopulares feitas pela psicanálise declara que os processos mentais são, em si mesmos, inconscientes e que de toda a vida mental apenas determinados atos e partes isoladas são conscientes.”

Essa segunda tese, que a psicanálise apresenta como uma de suas descobertas, é uma afirmação no sentido de que os impulsos instintuais que apenas podem ser descritos como sexuais, tanto no sentido estrito como no sentido mais amplo do termo, desempenham na causação das doenças nervosas e mentais um papel extremamente importante e nunca, até o momento, reconhecido.”

A sociedade acredita não existir maior ameaça que se possa levantar contra sua civilização do que a possibilidade de os instintos sexuais serem liberados e retornarem às suas finalidades originais.”

Mas não se preocupem: isto que lhes ensino não detonará a vossa boa sociedade pelos ares! É como se dissesse…

SEGUNDA CONFERÊNCIA

Escolhamos como tema determinados fenômenos muito comuns e muito conhecidos, os quais, porém, têm sido muito pouco examinados e, de vez que podem ser observados em qualquer pessoa sadia, nada têm a ver com doenças. São o que se conhece como ‘parapraxias’, às quais todos estão sujeitos.”

nenhum pardal cai do telhado sem a vontade de Deus.”

Descobrimos que as parapraxias desse tipo e o esquecimento dessa espécie ocorrem em pessoas que não estão fatigadas ou distraídas ou excitadas, mas que estão, sob todos os aspectos, em seu estado normal – a menos que decidamos atribuir ex post facto às pessoas em questão, puramente por conta de suas parapraxias, uma excitação que, entretanto, elas mesmas não comportam.”

Um teimoso erro de impressão dessa espécie, segundo se conta, certa vez esgueirou-se para dentro de um jornal social-democrata. A notícia que dava de uma cerimônia incluía as palavras: ‘Entre os que estavam presentes, podia-se notar Sua Alteza o Kornprinz.’ No dia seguinte, fez-se uma tentativa de correção. O jornal pedia desculpas e dizia: ‘Devíamos, naturalmente, ter dito <o Knorprinz>.’ Em tais casos, as pessoas falam de um ‘demônio dos erros de impressão’ ou um ‘demônio da composição tipográfica’ – expressões que, pelo menos, vão além de qualquer teoria psicofisiológica dos erros de impressão.”

Tinha sido confiado a um estreante dos palcos o importante papel, em Die Jungfrau von Orleans (Schiller), do mensageiro que anuncia ao rei de ‘der Connétable schickt sein Schwert zurück [o Condestável devolve sua espada]’. Um primeiro ator divertia-se, durante os ensaios, com induzir repetidamente o nervoso jovem a dizer, em vez das palavras do texto: ‘der Komfortabel schickt sein Pferd zurück [o cocheiro devolve seu cavalo]’. Conseguiu seu intento: o desventurado principiante realmente fez sua estréia na representação com a versão corrompida, apesar de haver sido admoestado de não fazê-lo, ou, talvez, porque tenha sido admoestado.” Scharr spieler, Schauspieler

Dois escritores, Meringer e Mayer (um, filólogo, o outro, psiquiatra), de fato tentaram, em 1895, atacar o problema das parapraxias por esse ângulo. Coligiram exemplos e começaram por abordá-los de maneira puramente descritiva. Isso, naturalmente, até aqui não oferece nenhuma explicação, embora possa preparar o caminho para alguma. Distinguem os diversos tipos de distorções que o lapso impõe ao discurso pretendido, como ‘transposições’, ‘pré-sonâncias (antecipações)’, ‘pós-sonâncias (perseverações)’, ‘fusões (contaminações)’ e ‘substituições’. Eu lhes darei alguns exemplos desses principais grupos propostos pelos autores. Um exemplo de transposição seria dizer ‘a Milo de Vênus’ em vez de ‘a Vênus de Milo’ (transposição da ordem das palavras); um exemplo de pré-sonância seria: ‘es war mir auf der Schwest… auf der Brust so schwer’; e uma pós-sonância seria exemplificada pelo conhecido brinde que saiu errado: ‘Ich fordere Sie auf, auf das Wohl unseres Chefs aufzustossen’ (em vez de ‘anzustossen’). Essas três formas de lapso de língua não são propriamente comuns. Os senhores encontrarão exemplos muito mais numerosos, nos quais o lapso resulta de contração ou fusão. Assim, por exemplo, um cavalheiro dirige-se a uma senhora na rua com as seguintes palavras: ‘Se me permite, senhora, gostaria de a begleit-digen.’ A palavra composta que se juntou a ‘begleiten [acompanhar]’ evidentemente escondeu em si ‘beleidigen [insultar]’.”

A explicação em que esses autores tentaram basear sua coleção de exemplos, é especialmente inadequada. Acreditam que os sons e as sílabas de uma palavra têm uma ‘valência’ determinada, e que a inervação de um elemento de alta valência pode exercer uma influência perturbadora em outro de menor valência. Com isso, estão evidentemente se baseando nos raros casos de pré-sonância e pós-sonância; essas preferências de uns sons a outros (se é que de fato existem) podem não ter absolutamente qualquer relação com outros casos de lapsos de língua. Afinal, os lapsos de língua mais comuns ocorrem quando, em vez de dizermos uma palavra, dizemos uma outra muito semelhante; e essa semelhança é, para muitos, explicação suficiente de tais lapsos. Por exemplo, um professor declarou em sua aula inaugural: ‘Não estou geneigt [inclinado] (em vez de geeignet [qualificado]) a valorizar os serviços de meu mui estimado predecessor.’ Ou então, outro professor observava: ‘No caso dos órgãos genitais femininos, apesar de muitas Versuchungen [tentações] – me desculpem, Versuche [tentativas] ….’”

Um presidente da câmara dos deputados de nosso parlamento certa vez abriu a sessão com as palavras: ‘Senhores, observo que está presente a totalidade dos membros, e por isso declaro a sessão encerrada.’” “O presidente não esperava nada de bom da sessão e ficaria satisfeito se pudesse dar-lhe um fim imediato.” Suposição vazia.

E não seria de surpreender se tivéssemos mais a aprender sobre lapsos de língua com escritores criativos, do que com filólogos e psiquiatras.”

Lento, muito lento…

TERCEIRA CONFERÊNCIA

E talvez pudéssemos encontrar uma saída acompanhando o filósofo[-psicólogo] Wundt, quando diz que os lapsos de língua surgem se, em conseqüência de exaustão física, a tendência a associar prevalece sobre aquilo que a pessoa tenciona dizer.” Poeta cansado.

Empilha vários exemplos anônimos, provavelmente falsos (além de chulos).

Essa opinião, porém, não é sustentada apenas por nós, psicanalistas; é opinião geral, aceita por todos em sua vida diária e negada somente quando se torna teoria.”

Os senhores não terão dúvida em achar inacreditável que nós próprios podemos desempenhar um papel intencional em coisa tão freqüente como o é o doloroso acidente de perder algo.”

QUARTA CONFERÊNCIA

EXEMPLO DE RETÓRICA VAZIA: “prova da existência de determinado propósito não é argumento contra a existência de um propósito oposto; há lugar para ambos. É apenas uma questão de saber como se colocam esses contrários”

QUINTA CONFERÊNCIA

Não me levem a mal: ainda acho que a ‘onirologia’ freudiana é sua melhor parte, a ponta de iceberg ainda não submergida no nonsense escolástico atual. No entanto, continuará havendo trechos grifados em verde, devido à exposição ‘sofística’ do ‘Professor’…

VERBETE ENCICLOPÉDICO FABRICADO PARA UMA HISTÓRIA TOTALMENTE PESSOAL: “Um dia descobriu-se que os sintomas patológicos de [MEUS] determinados pacientes neuróticos têm um sentido. Nessa descoberta fundament[ei]ou-se o método psicanalítico de tratamento [meu método]. Acontecia que no decurso desse tratamento os [meus] pacientes, em vez de apresentar seus sintomas, apresentavam sonhos. Com isso, surgiu a suspeita [eu suspeitei] de que também os sonhos teriam um sentido.” Se o método fosse rigoroso, não haveria a necessidade de “terceirizar” a grande descoberta. O método não pode ser replicado a não ser pelo “Pai” da “““Ciência”””. Além disso, há autores mais pioneiros que F. na onirologia, mas eles não receberam o devido crédito (foram inclusive consultados por F. enquanto elaborava sua Interpretação dos sonhos).

Traz consigo a reprovação geral de não ser científico e desperta a suspeita de uma inclinação pessoal pelo misticismo. Imaginem um profissional da medicina dedicando-se a sonhos, quando há tantas coisas mais sérias, mesmo na neuropatologia e na psiquiatria: tumores da dimensão de maçãs comprimindo o órgão da mente, hemorragias, inflamação crônica, onde, em todos, as alterações dos tecidos podem ser demonstradas ao microscópio!”

QUANDO A HONESTIDADE É USADA COMO FERRAMENTA PRELIMINAR DA ORATÓRIA POSTERIOR: “Via de regra, não se pode fazer nenhum relato de sonhos. Se alguém faz um relato de um sonho, existe alguma garantia de que seu relato foi correto, ou, pelo contrário, não poderia ter alterado seu relato à medida que o fazia e ter sido compelido a inventar algum acréscimo para compensar a obscuridade de suas recordações? A maioria dos sonhos não pode absolutamente ser lembrada e é esquecida, salvo pequenos fragmentos. E de que modo a interpretação de material desse tipo pode servir como base de uma psicologia científica ou como método de tratar pacientes?”

há outros assuntos de pesquisa psiquiátrica que padecem da mesma característica de indefinição – em muitos casos, por exemplo, as obsessões, e estas têm, em última análise, sido abordadas por psiquiatras respeitáveis e conceituados.”

Da literatura que trata do assunto, o principal trabalho pelo menos sobreviveu: o livro de Artemidoro de Daldis, [F. mente!] que provavelmente viveu durante o período do imperador Adriano. Não sei dizer-lhes como aconteceu que, depois disso, a arte de interpretar sonhos sofreu um declínio e os sonhos caíram em descrédito.”

O abuso final da interpretação de sonhos foi atingido em nossos dias com tentativas de descobrir, a partir dos sonhos, os números destinados a serem premiados no jogo do loto.”

A única contribuição de valor aos conhecimentos sobre sonhos, que temos a agradecer às ciências exatas, refere-se ao efeito produzido no conteúdo dos sonhos pelo impacto de estímulos somáticos durante o sono. Um autor norueguês, recentemente falecido,¹ J. Mourly Vold, publicou dois alentados volumes de pesquisas experimentais sobre sonhos (edição alemã, 1910 e 1912), que se dedicam quase que exclusivamente às conseqüências das alterações na postura dos membros. Foram-nos recomendados como modelos de pesquisa exata sobre sonhos.”

¹ É se imaginar que se se encontrasse vivo não teria sido creditado pelo invejoso F.

O sonhar é, evidentemente, vida mental durante o sono – algo que tem certas semelhanças com a vida mental desperta, mas que, por outro lado, se distingue dela por grandes diferenças. Essa era, há muito tempo, a definição de Aristóteles. Talvez existam ainda conexões mais estreitas entre sonhos e sono. Podemos ser acordados por um sonho; muito freqüentemente temos um sonho quando acordamos espontaneamente ou quando somos tirados, à força, do sono. Assim, os sonhos parecem ser um estado intermediário entre o sono e a vigília.”

Esse é um problema fisiológico sobre o qual ainda existe muita controvérsia. Quanto a esse respeito não podemos chegar a qualquer conclusão; penso, porém, que devemos tentar descrever as características psicológicas do sono. O sono é um estado no qual não desejo saber de nada do mundo externo, um estado no qual retirei do mundo externo meu interesse. Ponho-me a dormir retraindo-me do mundo externo e mantendo afastados de mim seus estímulos. Também vou dormir quando estou fatigado dele.”

As crianças, ao contrário, dizem: ‘Eu não vou dormir agora; não estou cansado e quero ter mais algumas experiências.’ A finalidade biológica do sono parece ser, portanto, a recuperação, e sua característica psicológica a suspensão do interesse pelo mundo. Nossa relação com o mundo, ao qual viemos tão a contragosto, parece incluir também nossa impossibilidade de tolerá-lo ininterruptamente. Assim, de tempos em tempos nos retiramos para o estado de pré-mundo, para a existência dentro do útero. A todo custo conseguimos para nós mesmos condições muito parecidas com aquelas que então possuímos: calor, escuridão e ausência de estímulos. Alguns de nós se embrulham formando densa bola e, para dormir, assumem uma postura muito parecida com a que ocupavam no útero.” Sem forçar, muitos encontrariam aqui as posições do cismático Rank!

Não deveria existir qualquer atividade mental no sono; se este começa a ficar inquieto, é por que não conseguimos atingir o estado fetal de repouso: não fomos inteiramente capazes de evitar os remanescentes da atividade mental. Os sonhos consistiriam nesses remanescentes.”

Os processos mentais no sono têm um caráter bastante diferente daqueles que se realizam em vigília. Nos sonhos experimentamos toda sorte de coisas e acreditamos nelas, ao passo que nada experimentamos, exceto talvez o estímulo perturbador isolado. Nós o experimentamos predominantemente sob a forma de imagens visuais; sentimentos também podem estar presentes, assim como pensamentos que nisso se entrelaçam. Os outros sentidos também podem experimentar algo; porém, mesmo assim, se trata principalmente de uma questão de imagens. Parte da dificuldade de fornecer uma descrição dos sonhos se deve ao fato de termos de traduzir essas imagens em palavras.”

No que concerne às dimensões dos sonhos, alguns são muito curtos e compreendem apenas uma única imagem, ou umas poucas imagens, um único pensamento, ou mesmo uma única palavra; outros são extraordinariamente ricos em seu conteúdo, apresentam novelas inteiras e parecem durar longo tempo. Há sonhos tão claros como a experiência vigil, tão claros que, bastante tempo após havermos acordado, não percebemos que eram sonhos; e outros existem que são indescritivelmente obscuros, vagos e borrados. Na realidade, em um mesmo sonho partes muito definidas podem se alternar com outras de uma vaguidade que mal se pode discernir. Há sonhos inteiramente plenos de sentido ou, pelo menos, coerentes, humorísticos mesmo, ou fantasticamente belos; outros, ademais, são confusos, imbecis por assim dizer, absurdos, muitas vezes positivamente loucos. Há sonhos que nos deixam praticamente frios e outros em que se manifestam afetos de todos os tipos – sofrimento a ponto de fazer chorar, ansiedade a ponto de nos acordar, surpresa, encantamento, etc. Os sonhos são, de hábito, esquecidos facilmente, após o despertar, ou podem perdurar através do dia, lembrados mais e mais indistintamente até o fim do dia; outros, ainda – por exemplo, sonhos da infância – , são tão bem-preservados que, 30 anos após, permanecem na memória como se fossem experiência recente. Os sonhos, à semelhança de pessoas, podem aparecer somente em uma única ocasião para nunca mais, ou retornar na mesma aparência não-modificada ou com pequenas dessemelhanças. Em suma, esse fragmento da vida mental durante a noite tem um imenso repertório à sua disposição”

…sonho relatado por um observador inteligente, Hildebrandt (1875), todos eles reações à campainha de um despertador:

Sonhei, então, que certa manhã de primavera eu saía a passeio e vagava pelos verdes campos até chegar a uma aldeia próxima, onde vi os aldeões, em suas melhores roupas, com seus livros de cânticos debaixo do braço, reunindo-se na igreja. Evidente! Era domingo e o culto do início da manhã logo estaria começando. Decidi assistir ao culto, mas, antes, eu estava um tanto acalorado de caminhar, entrei no cemitério que circundava a igreja, para refrescar. Enquanto lia algumas das lápides dos túmulos, ouvi o sineiro subindo a torre da igreja e, lá no alto, via agora o pequeno sino da aldeia, que logo daria o sinal para o início das devoções. Por um momento eu o vi pendente ali, sem movimento, depois começou a balançar, e subitamente seu repicar começou a soar claro e penetrante – tão claro e penetrante que pôs fim ao meu sono. Porém, o que estava soando era o despertador. (…)

O sonho não reconhece o despertador – e sequer este aparece no sonho – mas substitui o ruído do despertador por outro; interpreta o estímulo que está pondo fim ao sono, contudo o interpreta de forma diferente em cada uma das vezes. Por que faz isso? Não há resposta; parece questão de capricho. Compreender o sonho significaria poder dizer por que esse determinado ruído, e não outro, foi escolhido para interpretar o estímulo proveniente do despertador.”

a interpretação de ‘corredores longos, estreitos e ventosos’, como derivados de um estímulo intestinal, parece válida e confirma a asserção de Scherner de que os sonhos procuram sobretudo representar o órgão que emite o estímulo por objetos que se lhes assemelham.”

Quando uma pessoa constrói algo em conseqüência de um estímulo, o estímulo não necessita, por isso, levar a cabo todo o trabalho. O Macbeth de Shakespeare, por exemplo, foi uma pièce d’occasion composta para celebrar a elevação ao trono do rei que foi o primeiro a unir as coroas dos 3 reinos. Essa ocasião histórica imediata, porém, abrangeria todo o conteúdo da tragédia? Explica todas as suas grandezas e os seus enigmas? Pode ser que os estímulos externos e internos, também, atingindo a pessoa em sono, sejam apenas provocadores do sonho e, por conseguinte, nada nos revelem de sua essência.”

Os devaneios são fantasias (produtos da imaginação): são fenômenos muito generalizados, observáveis mais uma vez tanto nas pessoas sadias como nas doentes, e são facilmente acessíveis ao estudo em nossa própria mente. A coisa mais notável a respeito dessas estruturas imaginárias é que lhes foi dado o nome de ‘devaneios’ [daydreams – ignoro em Alemão], de vez que nelas não há qualquer traço dos dois elementos comuns aos sonhos.” Eu particularmente nunca ‘devaneei’…

O FILME OU ‘NEGATIVO’ DO SONHO OU ‘NIGHT-DREAM’: “não experimentamos nem alucinamos, mas imaginamos, sabemos que estamos tendo uma fantasia, não vemos, mas pensamos.”

Esses devaneios surgem no período pré-púbere, freqüentemente ainda na parte final da infância; persistem até a maturidade ser alcançada e, então, ou são abandonados ou mantidos até o fim da vida. O conteúdo dessas fantasias é dominado por um motivo muito inteligível. São cenas e eventos em que as necessidades egoísticas de ambição e poder da pessoa, ou seus desejos eróticos, encontram satisfação.”

Eles se acomodam aos tempos, por assim dizer, e recebem uma ‘marca da época’ que testemunha a influência da nova situação. São a matéria-prima da produção poética, pois o escritor criativo usa seus devaneios com determinadas remodelações, disfarces e omissões, para construir as situações que introduz em seus contos, novelas ou peças. O herói dos devaneios é sempre a própria pessoa, seja diretamente, seja por uma óbvia identificação com alguma outra pessoa.”

SEXTA CONFERÊNCIA

A escola de Wundt introduziu o que conhecemos como experiências de associação, nas quais se diz à pessoa uma palavra-estímulo e a pessoa tem de responder a ela tão rapidamente quanto lhe é possível, com qualquer reação que lhe ocorra.”

A escola de Zurique, liderada por Bleuler e Jung, encontrou explicação para as reações que se sucediam na experiência de associação, fazendo as pessoas em experiência elucidarem suas reações por meio de associações subseqüentes, no caso de essas reações terem mostrado aspectos marcantes. Constatou-se então que essas reações marcantes eram determinadas de forma muito definida pelos complexos da pessoa. Assim, Bleuler e Jung estabeleceram a primeira ponte entre a psicologia experimental e a psicanálise.”

Como pode haver uma ponte entre o behaviorismo (algo tão concreto quanto contestável, justamente dada sua surda concretude) e o ‘nada’ – avant la lettre ou interessadamente? Avant la lettre no caso de Freud ter conhecido Jung e Bleuler depois deste estudo, o que não é muito crível; interessadamente para o caso de ambos terem conduzido a pesquisa já enquanto discípulos de Freud. Então, de forma simples, pode-se dizer que, não Jung nem Bleuler, mas Freud – por meio de suas ferramentas – encontrou aquilo que tanto procurava, i.e., inventou astutamente como procurar aquilo que já tinha achado (com todos os sentidos subliminares da palavra achado). Uma inversão tipicamente cartesiana? ‘Eu acho, logo tateio’ no lugar do mais ‘lógico-empírico’ eu tateio logo acho…

E LÁ VAMOS NÓS… “Certo dia verifiquei que não conseguia recordar o nome do pequeno país da Riviera cuja capital é Monte Carlo.”

SÉTIMA CONFERÊNCIA

Não consigo imaginar como alguém do público desta conferência que foi ao primeiro dia – ou ao quinto dia, quando começou a palestrar sobre os sonhos – tenha se prestado a retornar… Condensação, irmão, condensação no palavrório!

esses dias sonhei com uma fase aquática de Banjo-Kazooie.

óleos, peças e notas musicais

água cinza, piche

submerso

ancorado

sem ar

Jinjo

Ernest JinJones

um Jin

um gênio!

Leonardo

Rafael

eu e Jin, Sun,

Saiyd Jarra

Água da jarra

Jack, Sawyer, Kate,

tabu e… leiro zoo e

boo mafoo

Adalto

autuado

Ginga

Ging

Dong

Freecs

freaks

no doubt

about

a dark

cont

&

fake.

n(e)(n)t

Hunters and prey

Hamsters and pray

TWO Gods

Atom and Evil

Karamazóv

Fountain of Désirées

Le réel

reel&fish

confiscation

celebration

demise of a

nation

defec-

tível

perfume de

estrume lagoa

nadazul

resumindo meu trabalho onírico, eu acho que tudo se refere à escuridão da vida vista pelos olhos de uma criança.

o rio que corre forte e rápido é o maior inimigo de si mesmo

Se a resistência é pequena, o substituto não pode estar muito distante do material inconsciente; contudo, uma resistência maior significa que o material inconsciente está muito distorcido e que será longo o caminho que se estende desde o substituto ao material inconsciente.” Não seria o contrário?

Se tomamos nota por escrito de um sonho e então anotamos todas as idéias que emergem como resposta a ele, podemos verificar que essas idéias são muitas vezes mais longas do que o texto do sonho.” Biblioteca inútil da alma pública

OITAVA CONFERÊNCIA

Essa característica dos sonhos de ejaculação (como foi assinalado por Otto Rank) faz deles assunto especialmente favorável ao estudo da deformação onírica.”

NONA CONFERÊNCIA

Em qualquer parte onde existem lacunas no sonho manifesto, a censura é responsável por elas. Devemos ir mais adiante e considerar como manifestação da censura toda passagem em que um elemento onírico é recordado de maneira especialmente indistinta, indefinida, duvidosa, em meio a outros elementos construídos mais claramente.”

quando a resistência é grande, temos de percorrer longas cadeias de associações a partir do elemento onírico, somos conduzidos para longe deste, e, em nosso caminho, temos de vencer todas as dificuldades representadas pelas objeções críticas às idéias que ocorrem.” Reiteração.

O desejo de prazer – a ‘libido’, conforme o denominamos – escolhe sem inibição seus objetos e, de preferência, os proibidos: não somente as mulheres de outros homens, mas, acima de tudo, objetos incestuosos, objetos sagrados segundo o consenso da humanidade, mãe e irmã de um homem, pai e irmão de uma mulher.” E por que não desejos homossexuais, F.?

O simbolismo é, talvez, o mais notável capítulo da teoria dos sonhos. Em primeiro lugar, como os símbolos são versões constantes, realizam até certo ponto o ideal da antiga, tanto como da popular, interpretação dos sonhos, do qual, com nossa técnica, nos afastamos muito.”

O filósofo K.A. Scherner (1861) deve ser apontado como o descobridor do simbolismo onírico, se é que absolutamente se possam situar seus inícios nos tempos atuais.” Pelo menos teve a idoneidade de mencioná-lo.

DÉCIMA CONFERÊNCIA

Nos mitos sobre o nascimento de heróis – aos quais Otto Rank (1909) dedicou um estudo comparado, sendo o mais antigo o mito do rei Sargão, de Agade (cerca de 2800 a.C.) –, uma parte predominante é desempenhada pelo abandono na água e o resgate da água.”

O fato de fogões representarem mulheres e útero, é confirmado pela lenda grega de Periandro de Corinto e sua esposa Melissa. O tirano, segundo Heródoto, faz aparecer o espírito de sua mulher, a quem amara apaixonadamente e, contudo, assassinara por ciúmes, a fim de obter dela algumas informações. A mulher morta provou sua identidade dizendo que ele, Periandro, havia ‘metido seu pão dentro de um forno frio’, como forma de disfarçar um acontecimento que só era conhecido dos dois. Na revista Anthropophyteia, editada por F.S. Krauss, inestimável fonte de conhecimentos de antropologia sexual, ficamos sabendo que, em determinada região da Alemanha, de uma mulher que deu à luz uma criança se diz que ‘o forno dela se fez em pedaços’.”

#offtopic

o título do governante do Egito antigo, ‘Faraó’, significa simplesmente ‘Grande Saguão do Paço’. (No antigo oriente, os pátios entre os duplos portões de uma cidade eram locais de encontro públicos, assim como as praças do mercado do mundo clássico)”

a relação simbólica pode ultrapassar os limites da linguagem – o que, aliás, foi afirmado há muito tempo por um antigo pesquisador de sonhos, Schubert (1814).”

O trevo de 4 folhas tomou o lugar do de 3 folhas, que realmente se presta para ser um símbolo. O porco é um antigo símbolo da fertilidade. O cogumelo é sem dúvida um símbolo do pênis: existem cogumelos (fungos) que devem seu nome sistemático (Phallus impudicus) à sua inconfundível semelhança com o órgão masculino.”

DÉCIMA PRIMEIRA CONFERÊNCIA

Às vezes a condensação pode estar ausente; via de regra se faz presente e, muitíssimas vezes, é enorme. Jamais ocorre uma mudança em sentido inverso; ou seja, nunca encontramos um sonho manifesto com extensão ou com conteúdo maior do que o sonho latente. A condensação se realiza das seguintes maneiras: (1) determinados elementos latentes são totalmente omitidos, (2) apenas um fragmento de alguns complexos do sonho latente transparece no sonho manifesto e (3) determinados elementos latentes, que têm algo em comum, se combinam e se fundem em uma só unidade no sonho manifesto. Se preferirem, podemos reservar o termo ‘condensação’ apenas para o último desses processos. Seus resultados podem ser demonstrados com especial facilidade. Os senhores não terão dificuldade em relembrar exemplos de seus próprios sonhos, em que pessoas diferentes são condensadas em uma só. Um personagem composto, deste tipo, pode, talvez, assemelhar-se a A, mas pode, talvez, [enquanto se assemelha] a A, estar vestida como B, executar algo que lembre C, e ao mesmo tempo podemos saber que é D. Essa estrutura composta naturalmente está dando ênfase àquilo que as 4 pessoas têm em comum. É possível, naturalmente, formar tal estrutura composta de coisas ou de lugares, do mesmo modo que de pessoas, contanto que as diferentes coisas e lugares tenham em comum algo que o sonho latente acentua. O processo se assemelha à construção de um conceito novo e transitório que tem nesse elemento comum o seu núcleo. O resultado dessa superposição de elementos separados, que foram condensados conjuntamente, é, via de regra, uma imagem difusa e vaga, à semelhança daquilo que sucede quando se batem diversas fotografias sobre uma mesma chapa. A produção de estruturas compostas, como essas referidas, deve ser de grande importância para a elaboração onírica, porquanto podemos demonstrar que[,] ali onde inicialmente faltam os elementos comuns para formá-las, estes são introduzidos deliberadamente – por exemplo, através da escolha da palavra pelas quais um pensamento é expresso.” “A imaginação ‘criativa’ realmente é bastante incapaz de inventar qualquer coisa; ela pode apenas combinar entre si componentes que são estranhos.”

Embora a condensação torne os sonhos obscuros, não parece dar-nos a impressão de ela ser efeito da censura. Antes, parece ser devida a um fator automático ou econômico, mas, em todo caso, a censura lucra com ela. Aquilo que a condensação consegue realizar pode ser bastante extraordinário. Às vezes é possível, com seu auxílio, combinar duas seqüências de pensamentos latentes muito diferentes, em um único sonho manifesto, de modo que se pode chegar a algo que parece ser uma interpretação suficiente de sonho, e no entanto, procedendo assim, pode-se deixar de perceber uma possível ‘superinterpretação’.”

Quando diversos sonhos ocorrem durante a mesma noite, têm freqüentemente a mesma significação e indicam que está sendo feita uma tentativa de manejar cada vez mais eficazmente um estímulo de crescente insistência.” Não necessariamente. Depois que sonhei com a morte do pai (ou meu suicídio?), a cena mudava para duas crianças brincando de embaixadinha num quarto…

Com algumas exceções destacadas, os discursos nos sonhos são cópias e combinações de discursos que alguém ouviu ou enunciou para si próprio no dia anterior ao sonho e que foram incluídos nos pensamentos latentes, ou como material ou como instigadores dos sonhos.”

DÉCIMA SEGUNDA CONFERÊNCIA

Em primeiro lugar, devo admitir que ninguém efetua interpretação de sonhos como sua atividade principal. Como ocorre, então, que as pessoas os interpretam? Ocasionalmente, sem nenhum objetivo em vista, alguém pode se interessar por sonhos de um conhecido seu, ou alguém pode esquadrinhar seus próprios sonhos durante algum tempo a fim de preparar-se para o trabalho psicanalítico; mas, na maior parte das vezes, aquilo com que se tem de lidar são os sonhos de pacientes neuróticos que estão em tratamento psicanalítico. Esses sonhos constituem excelente material e de modo algum são inferiores aos de pessoas sadias; a técnica do tratamento, porém, requer que subordinemos a interpretação de sonhos aos objetivos terapêuticos, e temos de permitir que bom número de sonhos tenha sido examinado até havermos extraído dos mesmos alguma coisa de utilidade para o tratamento. Alguns sonhos que ocorrem durante o tratamento escapam inteiramente a uma análise completa: de vez que se originam de um grande acervo de material que ainda nos é desconhecido, é impossível entendê-los antes de o tratamento chegar ao término.”

Talvez o melhor exemplo de interpretação de um sonho seja o que foi relatado por Otto Rank (1910b), consistindo em dois sonhos inter-relacionados, tidos por uma jovem, que ocupam cerca de 2 páginas impressas: mas sua análise vai a 76 páginas [pouta merda!]. Assim, eu deveria necessitar de cerca de um semestre inteiro para conduzi-los através de um único trabalho dessa espécie. Se se tomar qualquer sonho relativamente longo e muito deformado, há que fornecer tantas explicações do mesmo, levantar tanto material que surge no curso das associações e das recordações, seguir tantas vias secundárias, que uma conferência a respeito dele seria muito confusa e insatisfatória.”

Quando se perde alguém que é de nossas relações e nos é caro, surgem sonhos de um tipo especial, durante algum tempo após, nos quais o conhecimento da morte chega às mais estranhas conciliações com a necessidade de trazer novamente à vida a pessoa morta. Em alguns desses sonhos, a pessoa que morreu está morta e ao mesmo tempo permanece viva porque não sabe que está morta; somente se soubesse, morreria completamente. Em outros, a pessoa está meio morta e meio viva, e cada um desses estados vem indicado por uma forma particular. Não devemos descrever esses sonhos como simplesmente absurdos; pois ser devolvido novamente à vida não é mais inconcebível nos sonhos do que o é, por exemplo, em contos de fadas, nos quais isso ocorre como fato muito rotineiro.”

AQUI QUEM FALA É O CASTO: “Estou certo de que os senhores ouviram, uma vez ou outra, a psicanálise afirmar que todo sonho tem uma significação sexual. Pois bem, os senhores mesmos estão em condições de formar um julgamento da incorreção dessa acusação.”

DÉCIMA TERCEIRA CONFERÊNCIA

Uma criança pequena não ama necessariamente seus irmãos e irmãs; muitas vezes, obviamente não os ama. Sem dúvida ela os odeia como rivais seus, e é fato sabido que esta atitude freqüentemente persiste por muitos anos, até ser atingida a maturidade ou mesmo até mais tarde, sem interrupção. Com efeito, muito amiúde esta atitude é substituída, ou melhor, digamos, é encoberta por outra, mais cordial. Mas, a que é hostil em geral parece ser a que surge primeiro.”

Via de regra, só existe uma pessoa que uma menina inglesa odeia mais do que a sua mãe; é a sua irmã mais velha.” Bernard Shaw

Otto Rank (1912b) demonstrou, em cuidadoso estudo, como o complexo de Édipo proporcionou aos autores dramáticos uma riqueza de temas com infindáveis modificações, atenuações e disfarces – isto é, com distorções do tipo que já conhecemos como obra de uma censura.”

Quando abandonadas a si próprias, ou sob a influência de sedução, amiúde as crianças realizam proezas consideráveis na área da atividade sexual perversa.”

DÉCIMA QUARTA CONFERÊNCIA

é muito mais difícil a elaboração onírica alterar o sentido dos afetos de um sonho do que o seu conteúdo; os afetos, às vezes, são altamente resistentes. O que então acontece é a elaboração onírica transformar o conteúdo aflitivo dos pensamentos oníricos na realização de um desejo, ao passo que o afeto desagradável persiste inalterado.”

Uma fada boa prometeu a um casal pobre assegurar-lhe a realização dos seus 3 primeiros desejos. Eles ficaram jubilosos e puseram-se a pensar em como escolher cuidadosamente seus 3 desejos. Mas um cheiro de lingüiça frita, proveniente da casa próxima, tentou a mulher a desejar algumas lingüiças. Num relâmpago, ali estavam as lingüiças; e esta foi a primeira realização de desejo. Mas o marido se enfureceu, e, em sua raiva, desejou que as lingüiças ficassem dependuradas no nariz da mulher. E foi isto o que também aconteceu; e não havia como retirá-las dessa nova posição. Esta foi a segunda realização de desejo; mas o desejo era do homem, e a sua realização foi muito desagradável para sua mulher. Os senhores sabem o restante da história. Visto que, afinal, eles eram, de fato, um – marido e mulher – o terceiro desejo não podia ser senão o de que as lingüiças se desprendessem do nariz da mulher.”

A geração da ansiedade assumiu o lugar da censura. Ao passo que de um sonho infantil podemos dizer ser ele a realização franca de um desejo permitido, e de um sonho deformado como sendo a realização disfarçada de um desejo reprimido, a única fórmula adequada a um sonho de ansiedade consiste em que este é a realização franca de um desejo reprimido.”

Sonhos de ansiedade, via de regra, são também sonhos que fazem despertar; habitualmente interrompemos nosso sono antes que o desejo reprimido, no sonho, tenha executado a realização completa, apesar da censura. Nesse caso, a função do sonho fracassou, mas sua natureza essencial não foi modificada com isto. Temos comparado os sonhos com o vigia noturno ou guardião do sono, que procura proteger nosso sono contra perturbações. O vigia noturno, também, pode chegar ao ponto de acordar a pessoa que dorme, se sente que é por demais fraco para, sozinho, afugentar a perturbação ou o perigo. Ainda assim, às vezes conseguimos continuar nosso sono, mesmo quando o sonho começa a ficar inseguro e a transformar-se em ansiedade. Dizemos a nós mesmos, em nosso sono, ‘afinal é apenas um sonho’, e continuamos dormindo.”

Há alguns pacientes neuróticos que são incapazes de dormir, e admitem que sua insônia foi, inicialmente, intencional. Não ousavam dormir porque temiam os seus sonhos – isto é, temiam os resultados do enfraquecimento da censura. Os senhores constatarão com facilidade, entretanto, que, a despeito disto, o afastamento da censura não importa em grande desorganização. O estado de sono paralisa nossa capacidade motora. Se nossas intenções más começam a perturbar, elas podem, afinal, causar nada mais do que simplesmente um sonho, que é inócuo, do ponto de vista prático.”

Pensamos, pois, que alguma coisa se acrescenta aos resíduos diurnos, algo que também fazia parte do inconsciente, um impulso pleno de desejos, poderoso, porém reprimido; e é este, somente, que torna possível a construção do sonho. A influência deste impulso pleno de desejos sobre os resíduos diurnos cria a outra parte dos pensamentos oníricos latentes – essa parte que já não necessita parecer racional e inteligível como se fosse derivada da vida desperta.”

“‘Os resíduos diurnos’, os senhores me perguntarão, ‘são realmente inconscientes no mesmo sentido que o desejo inconsciente que deve ser acrescentado a eles, a fim de torná-los capazes de produzir um sonho?’ A suposição dos senhores está correta. Este é o ponto saliente em todo este assunto. Não são inconscientes no mesmo sentido. O desejo onírico pertence a um inconsciente diferente – àquele inconsciente que já reconhecemos como tendo uma origem infantil e mecanismos peculiares. Seria muito oportuno distinguir essas duas espécies de inconscientes por meio de nomes diferentes. Preferiríamos, porém, esperar até nos familiarizarmos com a área dos fenômenos das neuroses. As pessoas consideram um tanto fantástico haver um só inconsciente. Que dirão quando confessarmos que temos de nos haver com dois?”

DÉCIMA QUINTA CONFERÊNCIA

O idioma chinês está cheio de exemplos de imprecisão que poderiam nos deixar muito alarmados. Como se sabe, compõe-se de numerosos sons silábicos que são falados isolados ou combinados aos pares. Um dos principais dialetos possui uns 400 destes sons. Como o vocabulário deste dialeto é calculado em cerca de 4 mil palavras, porém, conclui-se que cada som tem, em média, 10 significados diferentes – alguns menos, mas outros, em troca, têm mais. Existem numerosos métodos de evitar a ambigüidade, pois não se pode inferir, apenas a partir do contexto, qual dos 10 significados do som silábico a pessoa tenciona transmitir ao ouvinte. Entre esses métodos estão aqueles que consistem em combinar 2 sons em uma palavra composta e em utilizar 4 diferentes ‘tons’ na pronúncia das sílabas. Do ponto de vista de nossa comparação, é ainda mais interessante verificar que este idioma praticamente não tem gramática. É impossível dizer se uma das palavras monossilábicas é um substantivo, ou um verbo, ou um adjetivo; e não há flexões verbais, pelas quais se possa reconhecer gênero, número, desinência, tempo e modo. Assim, a linguagem consta, poderia dizer-se, apenas de matéria-prima, assim como nossa linguagem-pensamento fica reduzida, através da elaboração onírica, à sua matéria-prima, e se omite qualquer expressão de relação. No idioma chinês, a solução do sentido, em todos os casos, cabe ao entendimento de quem ouve, e nisto a pessoa se guia pelo contexto. Tomei nota de um exemplo de um provérbio chinês que, traduzido literalmente, reza assim: ‘Pouca visão, muita maravilha’. Não é difícil compreender isto. Pode significar: ‘Quanto menos alguém viu, mais tem com que se maravilhar’; ou: ‘De muita coisa se admira aquele que viu pouco.’ Naturalmente, não há maneira de diferenciar entre estas 2 versões que diferem apenas gramaticalmente. Apesar desta imprecisão, foi-nos assegurado que o idioma chinês é um veículo bastante eficiente de expressão do pensamento. Assim, a imprecisão não deve necessariamente produzir ambigüidade.”

Talvez nem todos os senhores estejam cientes de que uma situação semelhante surgiu na história da decifração das inscrições assírio-babilônicas. Houve época em que a opinião pública esteve muito inclinada a considerar visionários os decifradores da escrita cuneiforme, e a totalidade de suas pesquisas, uma ‘impostura’. Mas, em 1857, a Royal Asiatic Society fez uma experiência decisiva. Solicitou a 4 dos peritos mais altamente respeitados em escrita cuneiforme, Rawlinson, Hincks, Fox Talbot e Oppert para remeterem, em envelopes lacrados, traduções independentes de uma inscrição recentemente descoberta; e, após uma comparação entre os 4 trabalhos, pôde anunciar que a concordância entre estes peritos era suficiente para justificar o crédito que até então se havia dado e a confiança em posteriores realizações. A zombaria por parte do mundo leigo culto diminuiu gradualmente, após isto, e desde então tem aumentado enormemente a certeza na leitura dos documentos cuneiformes.”

Uma confusão muito pior parece estar subjacente à afirmação de que a idéia de morte pode ser encontrada por trás de todo sonho (Stekel, 1911, 34).” Briguem mais!

os senhores acharão bastante incompreensível uma afirmação de que todos os sonhos devem ser interpretados bissexualmente, como confluência de duas correntes, descritas como masculina e feminina (Adler, 1910).”

Um dia o valor objetivo da investigação sobre sonhos pareceu ser posto em xeque por uma observação de que os pacientes em tratamento analítico ordenam o conteúdo dos sonhos conforme as teorias prediletas de seus médicos – alguns sonhando predominantemente com impulsos instintuais sexuais, outros, com a luta pelo poder, e ainda outros, até mesmo, com renascimento (Stekel).”

Freqüentemente, é possível influenciar uma pessoa acerca do que ela vai sonhar, mas nunca aquilo que sonhará.”

DÉCIMA SEXTA CONFERÊNCIA (no ano seguinte – início das Novas conf. – poderia ter-se saído muito bem sem elas, aliás)

Nunca pude convencer-me da verdade da máxima segundo a qual a controvérsia é a mãe de todas as coisas. Penso que deriva dos sofistas gregos e, como eles, peca por supervalorizar a dialética.” Péssimo começo.

Algumas pessoas jamais tomaram conhecimento de quaisquer de minhas autocorreções, e continuam, até hoje, a criticar-me por hipóteses que, para mim, há muito cessaram de ter o mesmo significado. Outros me reprovam justamente por estas modificações, e, por causa delas, consideram-me indigno de confiança.”

todo aquele que se conduz dessa forma e deixa aberta a porta entre a sala de espera e a sala de consulta de um médico, é mal-educado e merece uma recepção inamistosa.”

“‘ele é um trapaceiro que dá mais do que tem.’ O psiquiatra não sabe como lançar mais luz sobre um caso como este. Ele deve contentar-se com um diagnóstico e um prognóstico – incertos, apesar de uma grande quantidade de experiência, e com sua evolução futura.”

Ela própria estava intensamente apaixonada por um homem jovem, pelo mesmo genro que a persuadira a procurar-me na qualidade de paciente. Ela mesma nada sabia, ou, talvez, sabia muito pouco dessa paixão; no relacionamento familiar que existia entre ambos, era fácil essa afeição apaixonada disfarçar-se como afeição inocente.” “posso recordar-lhes que a relação entre sogra e genro tem sido considerada, desde as épocas mais remotas da raça humana, como relação particularmente embaraçosa e que, entre tribos primitivas, deu origem a regulamentações e ‘evitações’ tabu muito poderosas.”

Ainda que a psicanálise se mostrasse tão ineficaz em qualquer outra forma de doença nervosa e psíquica, como se mostra ineficaz nos delírios, estaria plenamente justificada como insubstituível instrumento de investigação científica.” Um se pergunta de onde vinha tamanha autoconfiança…

DÉCIMA SÉTIMA CONFERÊNCIA

PURA FALSA MODÉSTIA: “Em todo caso, pode parecer questão de somenos importância saber quem fez a descoberta, de vez que, como sabem, toda descoberta é feita mais de uma vez, e nenhuma se faz de uma só vez. Ademais disso, nem sempre o sucesso acompanha o mérito: não foi de Colombo que a América recebeu seu nome. O grande psiquiatra Leuret opinou, antes de Breuer e Janete (sic), que mesmo nas idéias delirantes do insano se poderia encontrar um sentido, bastaria que compreendêssemos a maneira de traduzi-las. Devo admitir que, durante longo tempo, estive disposto a dar bastante crédito a Janet por elucidar os sintomas neuróticos, porque ele os considerava expressão de idées inconscientes que dominavam os pacientes. Depois disso, porém, ele se tem expressado com exagerada reserva, como se quisesse admitir que o inconsciente, para ele, não tivesse sido nada mais que uma fórmula verbal, um expediente, une façon de parler – que ele, com isso, não quis significar nada de real. Desde então, deixei de compreender os escritos de Janet”

Freud almoçava espinafre com biotômico Fontoura nessa época (para estar tão galante e soberbo das idéias).

A histeria morreu porque a psicossomática nasceu.

A neurose obsessiva manifesta-se no fato de o paciente se ocupar de pensamentos em que realmente não está interessado, de estar cônscio de impulsos dentro de si mesmo que lhe parecem muito estranhos, e de ser compelido a ações cuja realização não lhe dá satisfação alguma, mas lhe é totalmente impossível omitir. Os pensamentos (obsessões) podem ser, em si, carentes de significação, ou simplesmente assunto sem importância para o paciente; freqüentemente, são de todo absurdos e, invariavelmente, constituem o ponto de partida de intensa atividade mental que exaure o paciente e à qual ele somente se entrega muito contra sua vontade. Obriga-se, contra sua vontade, a remoer pensamentos e a especular, como se se tratasse dos seus mais importantes problemas vitais. Os impulsos, dos quais o paciente se apercebe em si próprio, também podem causar uma impressão de puerilidade e falta de sentido; via de regra, porém, têm um conteúdo da mais assustadora categoria” “não suponham que ajudarão o paciente, nem de longe, admoestando-o para que adote uma nova conduta, deixe de ocupar-se com esses pensamentos absurdos e faça algo sensato em lugar de suas extravagâncias infantis.”

O que é posto em ação, em uma neurose obsessiva, é sustentado por uma energia com a qual provavelmente não encontramos nada comparável na vida mental normal. Existe uma coisa apenas, que ele pode fazer: realizar deslocamentos, trocas, pode substituir uma idéia absurda por outra um pouco mais atenuada, em vez de um cerimonial pode realizar um outro. Pode deslocar a obsessão, mas não removê-la. A possibilidade de deslocar qualquer sintoma para algo muito distante de sua conformação original é uma das principais características desta doença.”

Além das obsessões, de conteúdo positivo e negativo, a dúvida se faz notar na área intelectual, e lentamente começa a corroer até mesmo aquilo que geralmente é tido como muito certo.” “Ao mesmo tempo, o neurótico obsessivo inicia seus empreendimentos com uma disposição de grande energia, freqüentemente é muito voluntarioso e, via de regra, tem dotes intelectuais acima da média. Geralmente atingiu um nível de desenvolvimento ético satisfatoriamente elevado; mostra-se superconsciencioso, e tem uma correção fora do comum em seu comportamento.”

É verdade que, graças à sua própria discrição e às falsificações de seus biógrafos [he, he!], pouco sabemos dos aspectos íntimos dos grandes homens que são nossos modelos; não obstante, também sucede um deles, como Émile Zola, poder ser um fanático da verdade, e, assim, ficamos conhecendo seus muitos e estranhos hábitos obsessivos, dos quais foi vítima a vida inteira.”

Nossa paciente gradualmente veio a constatar que era devido à sua qualidade de símbolos dos genitais femininos que os relógios eram retirados do meio de seus objetos de uso à noite. Os relógios – embora em outra parte tenhamos encontrado outras interpretações simbólicas para os mesmos – assumiram a significação genital devido à sua relação com processos periódicos e intervalos de tempo iguais. (…) A ansiedade de nossa paciente, porém, estava voltada em especial contra a possibilidade de ela ter o seu sono perturbado pelo tique-taque de um relógio. O tique-taque do relógio pode ser comparado com a pulsação ou latejamento do clitóris durante a excitação sexual.”

quanto ao restante, remeto-os (…) à vívida luz lançada sobre os mais obscuros sintomas daquilo que se conhece como dementia praecox, por C.G. Jung (1907), numa época em que ele era apenas psicanalista e ainda não aspirava a ser profeta”

DÉCIMA OITAVA CONFERÊNCIA

As neuroses traumáticas não são, em sua essência, a mesma coisa que as neuroses espontâneas que estamos acostumados a investigar e tratar pela análise; até agora, não conseguimos harmonizá-las com nossos pontos de vista, e espero, em algum época, poder explicar-lhes a razão desta limitação.” Espera poder “suicidar” Tausk!

Como é que ninguém se dava conta do caráter burlesco e charlatão dessas palestras? “Aqui, pois, mais uma vez devemos interromper o trajeto que iniciamos. Por agora, não conduz a nada mais, e teremos de nos instruir com outras coisas, antes de podermos encontrar sua correta continuação.” “tão logo os processos inconscientes pertinentes se tenham tornado conscientes, o sintoma deve desaparecer.” “A tese, segundo a qual os sintomas desaparecem quando se fazem conscientes seus motivos predeterminantes inconscientes, tem sido confirmada por todas as pesquisas subseqüentes, embora nos defrontemos com as mais estranhas e inesperadas complicações ao tentarmos pô-la em prática.”

Saber nem sempre é a mesma coisa que saber: existem diferentes formas de saber, que estão longe de serem psicologicamente equivalentes.” Foucault mode on.

Não estaria eu confundindo-os ao retomar, com tanta freqüência, coisas que já disse ou fazendo ressalvas às mesmas – ao iniciar seqüências de idéias e depois abandoná-las?” Sim.

DÉCIMA NONA CONFERÊNCIA

Então conseguimos perceber que a resistência se refugiou dentro da dúvida, que é própria da neurose obsessiva, e desta posição ela consegue resistir-nos. É como se o paciente dissesse: ‘Sim, está tudo muito bem, muito interessante, e terei muita satisfação em prosseguir ainda mais. Eu mudaria um bocado minha doença, se tudo isto fosse verdade. Mas não acredito, nem um pouco, que seja verdade; e, na medida em que não acredito, não faz qualquer diferença para minha doença.’

As mulheres têm um talento de mestre para explorar, na relação com o médico, uma transferência afetuosa, com nuances eróticas, destinada à resistência. Se esta ligação atinge determinado nível, desaparece todo o seu interesse pela situação imediata do tratamento e todas as obrigações que assumiram no início; seu ciúme, que nunca está ausente, e sua irritação ante a inevitável rejeição, embora expressos respeitosamente, não podem deixar de ter como efeito um dano na harmonia entre paciente e médico, e assim inativam uma das mais poderosas forças motrizes da análise.”

Inicialmente, Breuer e eu empreendíamos a psicoterapia por meio da hipnose; a primeira paciente de Breuer foi totalmente tratada sob influência hipnótica, e, no início, eu o segui neste procedimento. Admito que, naquela época, o trabalho avançava mais fácil e satisfatoriamente, e também em muito menos tempo. Os resultados eram, porém, incertos e não duradouros, e por esse razão finalmente abandonei a hipnose.”

CIÊNCIA MUITO LIMITADA (QUASE CIENCINHA): “tudo aquilo que disse aqui sobre repressão e a formação e significação dos sintomas derivou de 3 formas de neurose – histeria de angústia, histeria de conversão e neurose obsessiva, e que, numa primeira instância, só é válido para estas formas. Estes 3 distúrbios, que estamos acostumados a agrupar conjuntamente como ‘neuroses de transferência’ também circunscrevem a região em que a terapia psicanalítica pode funcionar. As demais neuroses têm sido estudadas de forma muito menos completa pela psicanálise; num grupo delas a impossibilidade de influência terapêutica foi uma das razões desse abandono.” É a histeria uma neurose?

Na neurose obsessiva, as duas partes freqüentemente estão separadas; o sintoma então se torna bifásico (divide-se em 2 estágios) e consiste em 2 ações, uma depois da outra, as quais se anulam reciprocamente.”

VIGÉSIMA CONFERÊNCIA (pedaço hediondo de literatura!)

Somente pessoas de seu próprio sexo podem excitar seus desejos sexuais; pessoas do outro sexo, e especialmente os órgãos sexuais destas pessoas absolutamente não constituem para eles objeto sexual e, em casos extremos, são objetos de repulsa. Isto implica, naturalmente, que abandonaram qualquer participação na reprodução. Tais pessoas denominamos homossexuais ou invertidas. São homens e mulheres que, freqüentemente mas não sempre, conduzindo-se irrepreensivelmente, em outros aspectos possuindo elevado desenvolvimento intelectual e ético, são vítimas apenas deste único desvio fatídico. Pela boca de seus porta-vozes científicos, eles se apresentam como variedade especial da espécie humana – um ‘terceiro sexo’ que tem o direito de se situar em pé de igualdade com os outros dois. Naturalmente, eles não são, como também gostam de afirmar, uma ‘élite’ da humanidade; entre eles, há pelo menos tantos indivíduos inferiores e inúteis como os há entre pessoas de tipo sexual diferente. Esta classe de pervertidos, de qualquer modo, se comporta em relação a seus objetos sexuais aproximadamente da mesma forma como as pessoas normais o fazem com os seus. Agora, porém, chegamos a uma longa série de pessoas anormais cuja atividade sexual diverge cada vez mais amplamente daquilo que parece desejável para uma pessoa racional. Na sua multiplicidade e estranheza, somente podem ser comparadas aos monstros grotescos, pintados por Brueghel para a tentação de Santo Antônio, ou à longa procissão de deuses e crentes desaparecidos, que Flaubert faz desfilar ante os olhos de seu piedoso penitente. Uma tal miscelânea requer algum tipo de ordenamento para que não venha a confundir nossos sentidos. Por conseguinte, nós os dividimos naqueles em que, como os homossexuais, o objeto sexual foi modificado, e em outros nos quais a finalidade sexual é que foi primariamente modificada. O primeiro grupo inclui aqueles que renunciaram à união dos dois genitais e que substituem os genitais de um dos parceiros envolvidos no ato sexual por alguma outra parte ou região do corpo; com isto, eles desprezam a falta de dispositivos orgânicos adequados, assim como todo impedimento oriundo de sentimentos de repulsa. (Por exemplo, substituem a vulva pela boca ou pelo ânus.) Outros há que, realmente, ainda mantêm os genitais como um objeto – não, porém, por causa da função destes, mas de outras funções em que o genital desempenha um papel, seja por motivos anatômicos, seja por causa de sua proximidade. Neles, constatamos que as funções excretórias, que foram postas de lado como impróprias, durante a educação das crianças, conservam a capacidade de atrair a totalidade do interesse sexual. E ainda há outros que abandonaram totalmente o genital como objeto, e tomaram alguma outra parte do corpo como o objeto que desejam – um seio de mulher, um pé, ou uma trança de cabelos. Depois há outros para os quais as partes do corpo não têm nenhuma importância, mas todos os seus desejos se satisfazem com uma peça de roupa, um sapato, uma peça de roupa íntima – são de fetichistas. Ainda mais atrás, nesse séquito, se enfileiram essas pessoas que requerem de fato o objeto total, mas fazem a este exigências muito definidas – estranhas e horríveis exigências –, até mesmo a de que esse objeto devesse tornar-se um cadáver indefeso e de que, usando de uma violência criminosa, transformem-no num objeto no qual possam encontrar prazer. Mas basta com essa espécie de horror! O segundo grupo é formado por pervertidos que transformaram em finalidade de seus desejos sexuais aquilo que normalmente constitui apenas um ato inicial ou preparatório. São pessoas cujo desejo consiste em olhar outras pessoas, ou palpá-las, ou espiá-las durante a execução de atos íntimos, ou pessoas que expõem partes do corpo que deveriam estar encobertas, na obscura expectativa de poderem ser recompensadas, em troca, por uma ação correspondente. Depois vêm os sádicos, essas pessoas enigmáticas, cujas tendências carinhosas não têm outro fim senão o de causar sofrimento e tormento a seus objetos, indo desde a humilhação até as lesões físicas graves; e, como que para contrabalançá-los, seus equivalentes opostos, os masoquistas, cujo único prazer consiste em sofrer toda espécie de tormentos e humilhações de seu objeto amado, seja simbolicamente, seja na realidade. Ainda existem outros em que diversas dessas precondições anormais estão unidas e entrelaçadas; e, por fim, devemos nos lembrar de que cada um destes grupos pode ser encontrado sob duas formas: ao lado daqueles que procuram sua satisfação sexual na realidade, estão os que se contentam simplesmente com imaginar essa satisfação, que absolutamente não necessitam de um objeto real, mas podem substituí-lo por suas fantasias.”

A menos que possamos compreender essas formas patológicas de sexualidade e correlacioná-las com a vida sexual normal, não poderemos nem mesmo entender a sexualidade normal.”

Iwan Bloch corrige a opinião de que todas essas perversões são ‘sinais de degeneração’, mostrando que tais aberrações do fim sexual, esses afrouxamentos do nexo com o objeto sexual, ocorreram desde tempos imemoriais, em todas as épocas conhecidas, entre todos os povos, os mais primitivos e os mais civilizados, e, em algumas ocasiões, foram tolerados e difusamente reconhecidos.”

A reivindicação que fazem os homossexuais ou invertidos de serem uma exceção desfaz-se imediatamente ao constatarmos que os impulsos homossexuais são encontrados invariavelmente em cada um dos neuróticos e que numerosos sintomas dão expressão a essa inversão latente.”

somos forçados a encarar a escolha de um objeto do mesmo sexo como um desvio na vida erótica, desvio cuja ocorrência é positivamente freqüente, e cada vez aprendemos mais sobre isso, atribuindo-lhe importância particularmente elevada.”

Temos até mesmo verificado que determinada doença, a paranóia, que não deve ser incluída entre as neuroses de transferência, origina-se habitualmente de uma tentativa no sentido de o doente libertar-se de impulsos homossexuais excessivamente intensos.”

mulheres neuróticas muito freqüentemente produzem sintomas assim, à feição de um homem. Ainda que isso não se deva considerar homossexualismo, relaciona-se muito de perto com as precondições destas.”

não atribuímos à consciência da pessoa os impulsos sexuais pervertidos, mas os localizados em seu inconsciente.”

Uma quantidade incrivelmente grande de atos obsessivos pode remontar à masturbação, da qual constituem repetições e modificações disfarçadas; sabe-se muito bem que a masturbação, embora sendo uma ação única e uniforme, acompanha as mais diversas formas do fantasiar sexual.”

Maneira catastrófica de informar uma verdade, que não deixaria de apresentar suas conseqüências: “Pois a investigação psicanalítica teve de ocupar-se também com a vida sexual das crianças, e isto porque as lembranças e associações emergentes durante a análise de sintomas de adultos remetiam-se regularmente aos primeiros anos da infância. O que inferimos destas análises mais tarde se confirmou, ponto por ponto, nas observações diretas de crianças. E, com isso, verificou-se que todas essas inclinações à perversão tinham suas raízes na infância, que as crianças têm uma predisposição a todas elas e põem-nas em execução numa medida correspondente à sua imaturidade – em suma, que a sexualidade pervertida não é senão uma sexualidade infantil cindida em seus impulsos separados”

Sem dúvida, a experiência deve ter ensinado aos educadores que a tarefa de docilizar a tendência sexual da nova geração só poderia ser efetuada se começassem a exercer sua influência muito cedo, se não esperassem pela tempestade da puberdade, mas interviessem logo na vida sexual das crianças, que é preparatória para a puberdade.” E vimos o quanto esses educadores estavam completamente errados!

erigiu-se o ideal de tornar a vida das crianças assexual, e, no decorrer do tempo, as coisas chegaram ao ponto de as pessoas realmente acreditarem que as crianças sejam assexuais e, subseqüente, de a ciência proclamar isto como doutrina. Para evitar que sejam contraditas suas crenças e suas intenções, a partir daí as pessoas passam por alto as atividades sexuais das crianças (que não são de se desprezar) ou se mostram contentes quando a ciência assume um ponto de vista diferente com relação a tais atividades. As crianças são as únicas a não concordar com essas convenções. Afirmam seus direitos animais com total naïveté e dão constantes provas de que ainda terão de trilhar o caminho da pureza. É por demais estranho que as pessoas que negam a existência da sexualidade nas crianças nem por isso se tornam mais brandas em seus esforços educacionais, mas perseguem as manifestações daquilo que negam que exista, com a máxima severidade – descrevendo tais manifestações como ‘traquinagens pueris’. É também do maior interesse teórico o período de vida que contradiz mais flagrantemente o preconceito de uma infância assexual – os anos de vida de uma criança até os 5 ou 6 –, ser posteriormente, na maioria das pessoas, coberto pelo véu da amnésia, o qual só é completamente desfeito pela investigação analítica, embora anteriormente tenha sido permeável à construção de alguns sonhos.”

Em exata analogia com a ‘fome’, empregamos ‘libido’ como nome da força (neste caso, a força do instinto sexual, assim como, no caso da fome, a força do instinto de nutrição) pela qual o instinto se manifesta. Outros conceitos, como os de ‘excitação’ e ‘satisfação’ sexual, não requerem explicação.”

VIGÉSIMA PRIMEIRA CONFERÊNCIA

o beijar pode facilmente tornar-se perversão completa – ou seja, se se torna tão intenso, que uma descarga genital e o orgasmo sobrevêm diretamente, coisa nada rara.”

O período de latência também pode estar ausente: não acarreta necessariamente qualquer interrupção da atividade sexual e dos interesses sexuais por toda a extensão da linha. A maior parte das experiências e dos impulsos mentais anteriores ao início do período da latência agora sucumbe à amnésia infantil”

Esse curso do desenvolvimento realiza-se com tanta rapidez, que, talvez, jamais pudéssemos conseguir, pela observação direta, apreender firmemente os seus quadros fugazes. Foi apenas com a ajuda da investigação psicanalítica das neuroses que se tornou possível descobrir as fases ainda mais precoces do desenvolvimento da libido. Para dizer a verdade, estas não são senão hipóteses; mas, se os senhores efetuarem a psicanálise na prática, verificarão que são hipóteses necessárias e úteis.”

Um dos bravos discípulos da psicanálise foi designado oficial médico no front alemão, em algum lugar da Polônia [Viktor Tausk]. Ele chamou a atenção de seus colegas pelo fato de, ocasionalmente, exercer inesperada influência sobre algum paciente. Indagado a respeito, reconheceu que estava empregando os métodos da psicanálise e declarou-se disposto a transmitir seu conhecimento a seus colegas. Depois disso, todas as noites os oficiais médicos da tropa, seus colegas e superiores, reuniam-se a fim de aprender as doutrinas secretas da análise. Tudo correu bem, durante algum tempo; quando, porém, falou ao seu auditório a respeito do complexo de Édipo, um de seus superiores levantou-se, declarou que não acreditava nisso, que constituía um ato vil, por parte do conferencista, falar-lhes a respeito de tais coisas, a homens honestos que estavam lutando por seu país e que eram pais de família; e que proibia a continuação das conferências. Este foi o final do caso. O analista viu-se transferido para outra parte do front. Parece-me mau, entretanto, se uma vitória alemã exige que a ciência se ‘organize’ dessa maneira, e a ciência alemã não reagirá bem a uma organização dessa espécie.”

A obra do dramaturgo ateniense mostra a maneira como o feito de Édipo, realizado num passado já remoto, é gradualmente trazido à luz por uma investigação engenhosamente prolongada e restituído à vida por meio de sempre novas séries de provas. Nesse aspecto, tem certa semelhança com o progresso de uma psicanálise. No decorrer do diálogo, Jocasta, a iludida mãe e esposa, declara-se contrária à continuação da investigação. Apela para o fato de que muitas pessoas sonharam com dormir com a própria mãe, mas que os sonhos devem ser menosprezados.”

SENSIBILIDADE ESTILÍSTICA E DE LINGUAGEM PROXIMAL DO ZERO: “Conquanto um homem tenha reprimido seus maus impulsos para dentro do inconsciente e prefira dizer a si mesmo, posteriormente, que não é responsável por eles, ele, não obstante, tem de reconhecer essa responsabilidade na forma de um sentimento de culpa cuja origem lhe é desconhecida.”

Senão vejamos quantos absurdos em pouco espaço físico linear: autorepressão!, maus impulsos (conceituar pra quê?!), para DENTRO do inconsciente (onde é isso, quando é isso?), o consciente moralista agora é um DEUS que governa o inconsciente! Que sentimento de culpa, meu amigo?! Você não superou o complexo de Édipo? Desconhecida como, se ele expulsou para DENTRO do ABSTRATO e INCORPÓREO inconsciente (que está DENTRO de si) tudo aquilo?

VIGÉSIMA SEGUNDA CONFERÊNCIA

repressão diz respeito às regiões psíquicas que supomos existirem ou, se abandonamos essa desajeitada hipótese de trabalho, [muito expediente em seu trabalho] à construção do aparelho mental a partir dos diferentes sistemas psíquicos.” “a repressão também pode ser enquadrada no conceito de regressão, de vez que também a repressão pode ser descrita como um retorno a um estágio anterior e mais profundo na evolução de um ato psíquico. No caso da repressão, porém, esse movimento retrocessivo não nos interessa, já que falamos também em repressão, no sentido dinâmico, quando um ato psíquico é detido no estágio inferior, inconsciente. O fato é ser a repressão um conceito topográfico-dinâmico, ao passo que a regressão é um conceito puramente descritivo.”

não podemos chamar de regressão da libido um processo puramente psíquico, nem podemos dizer onde deveríamos localizá-lo no aparelho mental.” Talvez você devesse jogar fora a noção de repressão, portanto, porque a única coisa que valha em psicologia é o conhecimento descritivo.

Devemos estar preparados para constatar que nossos pontos de vista estarão sujeitos ainda a outras ampliações a reavaliações, quando pudermos levar em consideração não apenas a histeria e a neurose obsessiva, como também as outas neuroses, as neuroses narcísicas.”

histéricos são boqueteiros

neuróticos são sodomitas

quem chupa gosta de isqueiros

quem caga pra tudo

quem dizes que imita?

Uma regressão da libido, sem repressão, jamais produziria uma neurose, mas levaria a uma perversão.”

conhecemos pessoas capazes de suportar uma privação dessa espécie, sem serem lesadas: não são felizes, sofrem devido aos seus anseios, porém não adoecem.”

REICH E O NÚMERO: “Há um limite à quantidade de libido não-satisfeita que os seres humanos, em média, podem suportar.”

A esse ponto, aproveito a oportunidade para alertá-los contra a possibilidade de tomarem partido em uma disputa muito desnecessária. Em assuntos científicos, as pessoas mantêm muito essa tendência de selecionar uma parte da verdade, colocando-se a favor dessa parte somente. Foi justamente dessa forma que diversas correntes de opinião já se cindiram do movimento psicanalítico, algumas delas reconhecendo os instintos egoísticos e negando os sexuais, e outras atribuindo importância à influência das incumbências reais da vida e desprezando o passado do indivíduo – e outras mais.” Sujeito magoado!

A psicanálise das neuroses de transferência não nos dá um acesso fácil a um exame detalhado dos instintos do eu [leia-se interdições morais – nada de instintual aqui!]; quando muito, chegamos a conhecê-los, em certa medida, através das resistências que se opõem à análise.”

sua educação intelectual reduziu seu interesse pelo papel feminino que estava destinada a desempenhar. Devido à sua moral mais elevada e ao desenvolvimento intelectual de seu eu, ela entrou em conflito com as exigências de sua sexualidade.”

VIGÉSIMA TERCEIRA CONFERÊNCIA

PERCEBA COMO FUNCIONA A FALSIFICAÇÃO: “a experiência analítica de fato nos leva a supor que experiências puramente casuais, na infância, são capazes de deixar atrás de si fixações da libido.” Experiências baseadas em teorias, jamais verificáveis; suposições sobre o que já eram, antes de tudo, meras hipóteses, dogmatizadas, e assim por diante…

CERTO PITAGORISMO-KARDECISMO-JUNGUISMO! “As disposições da constituição também são indubitavelmente [!] efeitos secundários de experiências vividas pelos ancestrais no passado (…) Sem essa aquisição, não haveria hereditariedade.”

a importância das experiências infantis não deve ser totalmente negligenciada, como as pessoas preferem, em comparação com as experiências dos ancestrais da pessoa e com sua própria maturidade; pelo contrário, as experiências infantis exigem uma consideração especial.” Bem contraditório: o Édipo sai do berço e volta às cavernas e aos totens quando é conveniente e vice-versa…

TUDO É ‘EXTREMAMENTE DUVIDOSO’ NO FREUDISMO: “continua sendo extremamente duvidoso saber até onde a profilaxia na infância possa ser executada com vantagens, e se uma modificação de atitudes para com a situação imediata não poderia oferecer um melhor ângulo de abordagem à prevenção das neuroses.” Talvez Anna Freud tenha enxergado aqui a brecha de sua Ego Psychology para baixinhos… O papel da prevenção pedagógica!

Descobrimos, há algum tempo, que os neuróticos estão ancorados em algum ponto do seu passado” Por revelação divina! Bom, ainda é melhor que o kleinismo…

Isto somente compreenderemos em conexão com algo novo que ainda teremos de aprender das pesquisas analíticas da formação dos sintomas.”

CHARLATANISMO, MAS COM MUITO INSIGHT! “Conforme os senhores verão, essa descoberta está fadada, mais que qualquer outra, a desacreditar tanto a análise, que chegou a tal resultado, como os pacientes, em cujas declarações se fundamentam a análise e todo o nosso entendimento das neuroses. Existe, contudo, mais alguma coisa singularmente desconcertante em tudo isso. Se as experiências infantis trazidas à luz pela análise fossem invariavelmente reais, deveríamos sentir estarmos pisando em chão firme; se fossem regularmente falsificadas e mostrassem não passar de invenções de fantasias do paciente, seríamos obrigados a abandonar esse terreno movediço e procurar salvação noutra parte. Mas, aqui, não se trata nem de uma nem de outra coisa: pode-se mostrar que se está diante de uma situação em que as experiências da infância construídas ou recordadas na análise são, às vezes, indiscutivelmente falsas e, às vezes, por igual, certamente corretas, e na maior parte dos casos são situações compostas de verdade e de falsificação.”

VIGÉSIMA QUARTA CONFERÊNCIA

A estrutura teórica da psicanálise, que criamos, é, com efeito, uma superestrutura, que um dia terá de se erguer sobre seus fundamentos essenciais. Acerca disso, porém, nada sabemos ainda. O que caracteriza a psicanálise como ciência não é o material de que trata, mas sim a técnica com a qual trabalha.”

Os problemas das neuroses ‘atuais’, cujos sintomas provavelmente são gerados por uma lesão tóxica direta, não oferecem à psicanálise qualquer ponto de ataque. Ela pouco pode fazer para esclarecê-los e deve deixar a tarefa para a pesquisa biológico-médica.”

Posso informar-lhes, pois, que distinguimos 3 formas puras de neuroses ‘atuais’: neurastenia, neurose de angústia e hipocondria.” Esta última foi inventada depois de seu último período real de investigação teórica (até, no máximo, 1900).

VIGÉSIMA QUINTA CONFERÊNCIA

Hoje em dia, entretanto, devo observar que não conheço nada que possa ter menos interesse para mim, ao tratar-se da compreensão psicológica da ansiedade, do que o conhecimento dos trajetos dos nervos, por cuja extensão passam suas excitações.” Joguem fora meus Projetos.

ROBBING RANK: “Acreditamos ser no ato do nascimento que ocorre a combinação de sensações desprazíveis, impulsos de descarga e sensações corporais, a qual se tornou o protótipo dos efeitos de um perigo mortal, e que desde então tem sido repetida por nós como rigor mortal, e que desde então tem sido repetida por nós [cacofonia] como o estado de ansiedade.”

O substantivo ‘Angst’, ‘Enge’, acentua a característica de limitação da respiração que então se achava presente em conseqüência da situação real, e é, agora, quase invariavelmente recriada no afeto.”

Talvez lhes interesse saber como pôde alguém formar essa idéia de que o ato do nascimento é a origem e o protótipo do afeto de ansiedade. Nisto a especulação teve muito escassa participação; antes, o que fiz foi tomá-la emprestada da naïve mente popular.”

Semelhante tendência a uma expectativa do mal pode ser encontrada na forma de traço de caráter em muitas pessoas de quem não se pode, de outro modo, dizer serem doentes; diz-se que são superansiosas ou pessimistas.”

VIGÉSIMA SEXTA CONFERÊNCIA

devemos, porém, ater-nos aos fatos biológicos subjacentes aos instintos. No momento atual, sabemos muito pouco a respeito deles, e, ainda que soubéssemos mais, isto teria pouca importância para nosso trabalho analítico.” Hein?

É, também, óbvio que obteremos muito pouco proveito se, seguindo o exemplo de Jung, insistirmos na unidade original de todos os instintos e dermos o nome de ‘libido’ à energia que se manifesta em todos eles.” A pior conferência do recalcado.

VIGÉSIMA SÉTIMA CONFERÊNCIA

(…)

VIGÉSIMA OITAVA CONFERÊNCIA

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HEGEL, MARX E NIETZSCHE: ARISTÓTELES, PLATÃO E SÓCRATES DE CABEÇA PARA BAIXO

Texto originalmente publicado em 26 de março de 2009

Na Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, o Marx jovem lança os postulados da sua futura filosofia iconoclasta trans-moderna. A partir da página 108 (edição de A Questão Judaica que contém o excerto no apêndice) a covardia alemã e o estado de subserviência da cultura teutônica tornam-se palpáveis.

Quais são os principais sinais de que uma cultura começa a evaporar (entra em decadência)? Um inequívoco é a transformação do que foi trágico em Comédia. O Estado alemão do século XIX, comandado por kaisers que tentam ser ingleses, é a sátira do Antigo Regime. Segundo Karl Marx, tendemos a nos despedir de um processo histórico de modo alegre, rememorando suas facetas risíveis. O mesmo se sucede hoje, na Pós-Modernidade: todas as Artes e todas as Ciências são auto-comediantes. Chegou-se ao ponto de as comédias de comédias proliferarem: Guerra nas Estrelas, uma paráfrase cósmica dos combates épico-medievais (George Lucas bebe da fonte de Tolkien), é a série campeã de referências divertidas nos filmes e seriados americanos. No âmbito político, ver Chávez, o Carlitos do Socialismo, o último adeus da alternativa falha ao Capitalismo clássico.

Voltando à Alemanha, inscrevia-se o país em uma situação tão peculiar que se poderia defini-la no entreposto entre o esgotamento do mundo idealista e o não-saber-o-que-fazer. Isso implicava refutar qualquer filosofia e, tacitamente, aceitar o destino fatal, o cumprimento da mesma filosofia (de qualquer modo, a maneira mais ágil de transvalorar, se não fosse a única)! Se tudo por enquanto (anos 1840) fôra teoria (imaginação), amanhã o que faríamos não seria prática, mas tão-somente reflexo do que viemos a ser… Até que o movimento iniciado gere um colapso extraordinário e outro projeto renasça das cinzas – Holocausto? Por colapso sem proporções, certamente quer-se dizer o fracasso e a humilhação alemães, o débito pelo progressivismo tedesco no século em que a Inglaterra não queria guerrear.

A Alemanha havia cumprido sua função intelectual antes do mundo – Hegel é quem disso se apercebe, sendo simultaneamente aquele que arremata esta compreensão, assim como um protagonista de García Márquez fadado a desaparecer lendo um texto sobre si –, mas parou em 1900. Os dois filósofos de mais renome que sucederam Hegel são os pássaros do devir do mundo moderno.

Hegel percebeu que quando o homem se dava conta de que estava preso numa cadeia de fatos já projetados, aí nascia a História. Marx apenas reforçou esse juízo com sua pseudo-inversão. Talvez Nietzsche não tenha reforçado muito mais, porém foi categórico. O que é do futuro do projeto realmente autônomo é de lá e é apenas uma meta do observador daqui, QUE AINDA NÃO SUPEROU A SI MESMO. Marx se engana no derradeiro pingo de seu trabalho, quando, consciente de que o homem que ainda não se superou jamais teria respostas definitivas para problemas como esse (simplesmente o da auto-superação da humanidade!), ainda assim afirma que a chave da transvaloração é o proletário. Nietzsche não cita diretamente nenhuma fórmula capaz de subverter o Cristianismo, o espírito iluminista e os Estados-nações. Não há fórmulas. A fórmula é decidida pela própria existência a cada segundo transcorrido – a única menção mais clara de Friedrich Nietzsche ao atingimento do Übermensch consta do princípio de Vontade de Potência e é um duplo alerta: caso as categorias do niilismo se mostrem invencíveis, justo no momento em que o homem teria mais força e capacidade para ultrapassá-las, tendo chegado tão longe, isto significaria que ou os modos de produção não estão maduros o suficiente ou ainda não se encontrou o modo adequado. Talvez essa seja a linha mais enigmática do legado deste último filósofo, o Sócrates depois de Cristo. Provavelmente as duas coisas vêm juntas, e ainda que não se possa pressenti-las no horizonte o pensador do martelo, morto em 1900, nos envia preces otimistas (especialmente a nós): não importa o dia em que cheguem, os novos valores um dia vão chegar…

NOTA CONCLUDENTE: Por incapacidade total de que me entendam adotarei silêncio rotundo e constante sobre as coisas da vida em conversas. Lembre-se sempre: é melhor para a alma forte ser centrípeta que centrífuga, e aliás é o único pathos que ela conhece para si. Respirar o ar do crepúsculo e sê-lo, ser mais imperioso que qualquer jovem, que quaisquer pés sobre o asfalto. Auto-satisfação comigo mesmo e com minha majestade. A onda do mar navega milhas e milhas antes de arrebentar. Escolherei o pedregal.

O DIABO VESTE O QUE IVAN QUER

– …e, assim, a humanidade acabou com o século XIX.

– Como podes dizê-lo? E tudo de importante que nos define hoje – Freud, para começar?!

– …Freud, tu dizes?!!? Hahahaha!! Fica-te a saber: grandessíssimo pamonha este aí. E mais: não te digo que a humanidade parou num ano determinado. Nada se sabe a respeito disso. E, depois, não foi em 99 como naquele lixo do Matrix. E não tens como simplesmente saíres e fazeres a checagem! Não há nada lá fora, ó romântico Mulder! Só posso-te dizer que foi muito mais cedo no século. Não há mais homens. Nada que seja novo sob o sol, no sentido de que tudo não passa de idéia compósita dos últimos pensadores. Toma teu Dostoiévsky, por exemplo. Que sabe porventura André Breton? Niño bobo, palerma. Crês que haveria algo depois da revolução burguesa? Toda a história desde o remate da filosofia continental é mera inflexão dos escritores. Ergue-se um império dos trabalhadores no Oriente do mundo civilizado – é uma conclusão lógica a forma como derruiu, qualquer autor poderia narrar essa história. Junta então 20 deles trabalhando ou em colaboração ou individualmente e tens diante dos olhos todos os mais ínfimos detalhes, com a maior verossimilhança… Bombas de destruição em massa: haveria que esperar o quê do homem se se pusesse teoricamente a adivinhar sobre elementos químicos mais avançados da tabela periódica que os já conhecidos pelos químicos do XIX? Satélites e a conquista da lua, a esterilidade dos outros planetas… Tudo isso cheira a folhetim apressado de Júlio Verne! Porque já a terra é um deserto cansado… Videogames, realidade aumentada e a continuidade da importância dos clássicos… Tudo isso é da pena dos mais qualificados antes do fim do humano. Mas o pior é que a história é como um romance que nunca termina… E exasperar-se-ia a mente dos maiores gênios se se pusesse a imaginar – e depois?… – e depois?… O socialismo e o fascismo reciclados voltam a se enfrentar, ó!!! Mas não há nada inédito nisto, e como poderia?! É exercício imaginativo, nada disso foi vivido realmente. Vê tu! E ninguém lança as tais bombas nunca! Ecologia! Pré-história… Nunca houve, então como o homem ilustrado poderia contá-la em enredo pós-apocalíptico? Essas ficções são sempre bem ruins… Começa-se a pensar que teria sido melhor que a terra fosse plana, mas o problema dos desertos se repetiria, notaste?!… E o que é o oceano senão o espelho do espaço sideral, desse nada? Não, não, amigo, tira da tua cabeça essas manias…

A MEDLEY OF MEANINGS: Insights from an instance of gameplay in League of Legends – Max Watson, 2015. In: Journal of Comparative Research in Anthropology and Sociology

Huizinga’s writings influenced the work of other prominent mid-to-late-century theorists of games and play (Elias and Dunning 2008; Morgan and Meier 1995; Suits 2005; Suits 1995), as well as more recent specialists on digital¹ games (Dyer-Witheford & de Peuter 2009; Juul 2003; Juul 2002). It is on meaningful play in digital games that this article focuses. Though Huizinga obviously did not have the chance to comment on digital games themselves, I, like those listed above, think that his work can be relevant to understanding this newest form of games in interesting ways.”

¹ “I prefer the prefix ‘digital’ to more clearly define these games in media terms from their analogue counterpart, but for all practical purposes I mean the same thing as the more colloquial ‘video games’ or ‘computer games’.”

There have been a growing number of games produced in recent years which are particularly well designed to foster insightful gameplay, digital games which engage with and raise awareness for important real-world issues by being played. Titles like Among the Sleep and Papo & Yo deal in an emotive way with the weighty issues of domestic abuse from alcoholic parents (Caballero 2012; Ugland and Jordet 2014). In Among the Sleep, players see through the eyes of a two year old boy as he flees from a dark monster who turns out to be his mother when she drinks; in Papo & Yo the protagonist flees his abusive father into an imaginary, magical favela where he solves puzzles with the help of a monster. In This War of Mine players control a ragged group of civilians clinging to life in a war-torn city, needing to manage scarce resources and make difficult ethical decisions, like whether to steal food from the needy to feed one’s own starving group (11 bit studios 2014). The game is inspired by the Yugoslav wars and is a departure from the far more commonly seen perspective of the soldier in war games. In Don’t Look Back players are exposed to the emotions of loss and grieving, playing through a game inspired by the Greek tale of Orpheus and Eurydice (Cavanagh 2009).”

In Elude players navigate between 3 emotional landscapes, normal, happy, and depressed, striving for the ever ephemeral happiness and being habitually dragged into all-consuming depression. The gameplay offers players an emotive window into what living with depression can be like. As the developers note, ‘It is specifically intended to be used in a clinical context as part of a psycho-education package to enhance friends’ and relatives’ understanding of people suffering from depression about what their loved ones are going through’ (Rusch, Ing & Eberhardt 2010). Depression Quest follows a bleak choose-your-own-adventure style of gameplay, as the player navigates the life of a mid-twenties person with depression (Quinn, Lindsey & Schankler 2013). And the conglomeration of games For the Records deals with an array of mental health issues, from eating disorders to depression (Rusch & Rana 2014).”

It is worth noting, however, that while heavily issue-driven games like those discussed above are growing in prominence, they are still in the minority, and are generally produced by smaller-scale, indie developers — though bigger budget titles exist as well: for example the third-person shooter Spec Ops: The Line prominently engages with post-traumatic stress disorder (Yager 2012). And while at best this explicitly meaningful approach to game design harnesses the power of play that Huizinga discusses and uses it to help players to specific real world insights, at times in striving to make these games meaningful, developers create gameplay that may not be as ‘fun’ as is found in commercially-successful, mainstream games. This is something of which their developers are often acutely aware and even accept based on propriety.”

Others argue that even such mainstream games are meaningful, albeit worryingly so. In this interpretation, while the content and gameplay of most mainstream games may be trivial or meaningless to observers, its effects certainly are not. (…) Others put forth normative arguments about how digital games can warp players’ minds, obfuscating their view of the real world and causing them to withdraw from it.”

China has banned soccer games that list Taiwan as a country (Krotoski 2004), Germany has prohibited games which depict Nazi symbols (Rawlinson 2014), Iran banned Battlefield 3 for depicting an invasion of Iran (Stuart 2011), and Venezuela issued a moratorium on violent games altogether (McWhertor 2010). Meanwhile, the effects on minors of violence and nudity in digital games has been debated at the U.S. Supreme Court (Supreme Court of the United States 2011).”

For a counterpoint which sees gameplay in general in a far more positive light, see (McGonigal 2011)”

The strongest recent articulation of digital games’ potential to inculcate worrisome real-world viewpoints came with the Gamergate controversy. The controversy was complex (…) for a good chronological summary see Stuart 2014 — but one undeniably salient part of it was a strong thrust of misogyny amongst some proponents of the Gamergate movement. Interestingly, considering the topic of this article, another key component was many Gamergaters claiming to be defending ‘ethics’ for their stance on purported unethical collusion between games journalists and developers. These [Gamergaters’ ‘ethics’] were often disguised as a rejection of what they labelled ‘social justice warriors’ purported incursions into the world of digital games, which brought with them an overemphasis on socially themed gameplay like that found in the abovementioned insightful games. Indeed, Zoey Quinn, the main creator of Depression Quest, was a central target of the Gamergate attacks. Many drew links with these views and the negative, often objectifying depictions of women in mainstream games (Sarkeesian 2013), and pointed to the new influx of women playing games caused by the emergence of casual, mobile-based games as a demographic shift that challenged the status quo (Ernst 2014). For some scholars, the vitriol exhibited by some members of the Gamergate movement marked a challenge to the distinct identity of the ‘gamer’ (Chess and Shaw 2015). Dan Golding summed up this sentiment well in a piece titled ‘The End of Gamers’ in which he wrote ‘From now on, there are no more gamers — only players’ (Golding 2014).”

E eu que achava que era o contrário: gamers sendo a degenerescência do tipo antigo, não-reacionário e aberto a inovações, mais ou menos perceptível como uma comunidade de interesses, de fato (o player engajado – não em questões sociais, mas no playing – das revistas de videogame dos anos 80 e 90 no Brasil). Com o advento das questões sociais de facto, hoje esta ‘comunidade’ cingiu-se em duas: a dos responsáveis e a dos gamers esquizofrênicos. Não raro os esquizofrênicos são da nova geração e os gamers responsáveis (players) são justamente players antigos que não enxergavam games como ato político mas agora amadureceram para acolher essa nova função da mídia – games não são apenas games. Social players vs. mysanthropic players. Estes últimos curiosamente alinhados com visões sociais conservadoras, já que afinal é preciso ter uma ideologia de vida ainda que se seja refratário a tudo além do gaming per se – esses garotos e homens barbados (nalguns casos) escolheram os valores do neoliberalismo e do fascismo, avatares arcaicos, em franca e paradoxal oposição ao fetiche tecnológico de que também compartilham. São gamers passivos, quase apenas espectadores. Acríticos noveleiros.

Observação incidental: Incrível como o artigo do Wikipédia sobre o GAMERGATE é absolutamente tendencioso, disfarçado de “cobertura do ponto de vista dos dois lados da contenda”, revertendo acusações de misoginia de grupo a grupo, quando é muito claro que os contrários à tag são os verdadeiros misóginos e troublemakers.

Golding and others have depicted gamers as an exclusive, predominantly male group weaned on mainstream games that are low on insight and high on violence and misogyny.”

As for the professionals…it is clear that they are not players but workers. When they play, it is at some other game.” (Caillois 1961, 6)

I have seen people, running the gamut from diehard to casual, refer to themselves in one sentence as gamers, and in the next as players, to what they are doing as gaming, and then describing it as playing. There is even the frequently used and problematic, for those who seek to decouple games and play, word gameplay.” Você está confundindo análise filológica com semântica.

In this article’s second half, to which I will presently turn, I take this notion of a medley of meanings from its current highly theoretical and perhaps still somewhat opaque enunciation and ground and articulate it through an ethnographic recounting of an instance of gameplay in the mainstream, ostensibly meaning-light game League of Legends.” Amigo, é o melhor que você faz. a discussão teórica estava um porre (salvei os leitores do meu blog dos momentos sacais).

* * *

Allow me to start with Morgan. It would be easy and I think fair to classify Morgan as an anti-social player of the type recounted by other anthropologists (Kou & Nardi 2013, 2014); akin to the antagonist in conflicts found in the foundational texts of New Games Journalism between players who sought propriety and respect and those who thrived on slurs and hurt feelings (Dibbell 1993; Gillen 2004; Shanahan 2004). Or, for those who prefer the more classical categorizations recounted near the beginning of this article, Morgan was very much being a spoilsport in Huizinga’s sense.”

Should we challenge Morgan’s racist remarks, not knowing whether it would stop them or encourage more? Hold fast in the pre-agreed positions or acquiesce to Morgan’s insistence on taking the jungle? Encourage team-play or treat Morgan as a lost cause? And equally importantly, how would each decision play out? Thus in a sense, to use Sicart’s terminology, Morgan posed a wicked problem for the other players. This was a problem that struck to the very heart of each particular player’s subjective gameplay experience, and, with Donath [1999, sobre trolling] in mind, I would venture to say that the posing these uncomfortable questions, witnessing the reactions to them, and then responding in turn was more integral to Morgan’s own subjective play experience in LoL than the technical gameplay itself.”

Robin reacted in a similar way to how most experienced LoL players reacted to players like Morgan. Robin was more than willing to make it known that Morgan’s actions were unwelcome, continuing to verbally challenge Morgan throughout the game. Nonetheless, Robin did bend and played the top lane, rather than allowing Morgan’s actions to drag the whole team to a defeat from an undefended flank. I propose that Robin’s approach to playing is quite similar to what Huizinga had in mind with the ideal player: Robin plays the game for fun, and reacts in a strong and negative way to spoilsports like Morgan.

Terry explicitly stated a desire to be a professional gamer, but it was the cool patience of Terry’s reactions to Morgan’s insults and incorrigibility that truly reflected somebody striving to imbue their gameplay with a strong degree of professionalism. This is not to say that adopting such a disposition made Terry somehow less of a player than the rest of us. Terry was obviously neither the snarling, exclusive, and victory-obsessed “gamer” brought forth by Gamergate, nor Caillois’ working professional devoid of the play spirit mentioned in the previous section. Rather, a part of Terry’s professional attitude to play was being able to weather with a cool head the wicked problems put forth by fellow players, in order to make the decisions which would maximize our team’s chances of winning the match, something Morgan’s actions drew out rather than suppressed.

It is harder to speculate about the largely silent Alex. One might take Alex’s initial claims to being a novice at face value: that in learning a new game Alex was focusing mostly on the technical rather than social aspects of gameplay. However, skilled moves like Alex beating Morgan to a kill seem to imply a greater deal of experience than was being admitted. It could be that Alex’s self-referral as a novice was simply a way of tempering the team’s expectations. If Alex was that experienced and cunning, then perhaps staying largely quiet and outside of team’s arguments was part of a broader strategy to rob players like Morgan of the validation and satisfaction that angry responses to impropriety can bring, a sentiment grasped in the gaming maxim ‘don’t feed the trolls’. Or the answer could be far simpler: Alex might just be a quiet person.

Finally, I brought my own particular disposition to gameplay into the medley. I was in part reacting in my normal way as a player to Morgan’s actions, which I viewed negatively. Conversely, I was also holding my tongue more than I might otherwise, remembering my role as a researcher and attempting to observe as thoroughly as I participated. And all the while, I was trying not to let the team down by performing poorly in the technical side of gameplay.”

UMA (DUAS) ODE(S) AO AMOR IMPOSSÍVEL

Crítica de 2 de março de 2009

Quão brilhante é a neo-clássica adaptação de Romeu e Julieta de Shakespeare para o cinema! Talvez esteja fora de moda, não só o próprio amor, mas a forma textual em que ele é comunicado. Na era da falta de imaginação, imagens e sons devolvem ao jovem o doce – e ao cabo amargo – sabor da ilusão. Talvez o diretor Luhman tivesse em conta a situação do professor de literatura ao iniciar as gravações. Afinal, com a exceção do rosto de DiCaprio, cilada que captura as menininhas – sem volta: todas as aventuras são sem-volta –, esta é a única maneira de solidificar o que é líquido e esparso. O vívido contraste entre a erudição e o colorido de boate é o mesmo de entre as carroças e os possantes carros, das páginas (sem vida? O leitor está inerte!) com as câmeras, da batina sóbria e da camisa florida do padre (dos padres. E o que se tira disso? Há algo familiar demais entre os opostos que se atraem para ser ignorado!

A contradição que não se pode resolver, entre dois inimigos de sangue, é o mesmo dilema que sente a carne. Posto que é tão real, não pode ser loucura ou confusão. Ou será que serão? Tudo isso é, e muito mais; a nova força semovente abraça todas as alteridades num invólucro só. O que é de hoje e o que já se tornou estranho, fóssil de uma enterrada era… sempre estiveram no recôndito de cada alma. Nenhuma experiência é previsível, não há ato que possa ser repetido – logrado duas vezes.

THE TRANSSEXUAL EMPIRE: The making of the she-male (sic) – Janice Raymond, 1994.

This book has been long in process. It began as a conference paper delivered at the New England Regional American Academy of Religion Meeting in 1972. Much of it had another life as my doctoral dissertation, which was finished at Boston College in 1977. Finally, it metamorphosed into a book.”

Shortly after the book was published in 1979, Johns Hopkins, which was the first US medical institution to perform transsexual surgery, phased out the procedure and dismantled its Gender Identity Committee. Although some of my friends credited The Transsexual Empire as an important influence on the termination of the surgery, I think the closing of Johns Hopkins’s doors had much more to do with several other factors, some announced and some not publicized.”

In his work on children and sexuality, Money and co-editor Gertrude Williams went so far as to state that a man who commits incest is a sexual deviant, which is <like being a religious deviant in a one-religion society>.”

Transexualism remains, as in 1979, largely a male phenomenon. Female-to-constructed-male transsexuals are relatively rare. For example, of the transsexual surgeries currently performed at the University of Minnesota’s Program in Human Sexuality, the second US institution to perform the surgery, 85% are male to female.”

I still maintain that men, being freer to experiment than women, seek out and submit to the surgery more often.” Oh, but then, as a consequence, they lose their free-will, see the paradox?

Iron John’ [?] embraces the standard of men’s new-found ability to cry as a primary marker of male liberation.” HAHAHAHA!

As opposed to men who seek opposite sex hormones and surgery, most women’s ‘gender dissatisfaction’ has been in not being feminine enough, or in not fulfilling their female role, e.g., motherhood. Thus medical science has tended to direct women into conforming to male dominant images and roles of femininity.”

ESTRANHA AUTOFAGIA… “Simone de Beauvoir gave us the insight that woman has been fabricated by man as ‘the other’, the relative being—relative to himself as the norm. So it should not be surprising that men, who have literally and figuratively, constructed women for centuries, are now ‘perfecting’ the man-made women out of their own flesh.”

Since transsexualism effectively has become a medical problem, the medical model prevails as the legitimate and dominant form of therapy, requiring psychiatric evaluation, hormonal and surgical intervention, and often a host of countless secondary cosmetic surgeries, all meant to adjust the artifactually evolving female body to the accepted feminine stereotypes.”

Defining and treating transsexualism as a medical [challenge] prevents the person experiencing so-called gender dissatisfaction from seeing it in a gender-challenging or feminist framework.”

Many want to know why the issue of transsexualism is of concern in the schema of pressing issues of feminism. As I saw it then and see it now, transsexualism goes to the question of what gender is, how to challenge it, and what reinforces gender stereotyping in a role-defined society. These questions have been raised subsequently in the context of more recent debates defined by the current argot of ‘transgender’.”

If it all boils down to some innate, essential quality, any attempt to change this state of affairs would be futile. In fact Raymond states that as sex reassignment surgery cannot change chromosomal sex, the transsexual does not really change sex at all.” Woodhouse

When I wrote this [the title of her book, thoughtlessly!], many reviewers took it to mean that a vast male conspiracy was afoot to eradicate ‘native-born’ women—the ultimate male plot to possess women totally. That was never what I meant, nor was it what I intended to convey.”

In giving us the concept of ‘the banality of evil’, Hannah Arendt reminded us that wrong-doing and destruction are not always radically intentional or the result of planned conspiracies, but they may be terribly ordinary.”

The title of my book was satirized in ‘The Empire Strikes Back; a Post-transsexual Manifesto’, an article written by Sandy Stone. Stone, a male-to-constructed female transsexual, was hired in the 1970s as a sound engineer by Olivia Records, the all-women recording company. This set off a controversy in feminist circles that I alluded to and commented on in The Transsexual Empire. Since then, it seems that Stone has gotten himself a thorough post-modernist education, and he now theorizes that, after all is said and done, the transsexual is really text, or perhaps a full-blown genre.”

A transsexual who passes is obeying the Derridean imperative . . . to begin to write oneself into the discourses by which one has been written.” S.S.

Raymond contemplated transsexualism with all the frustration and disgust of a missionary watching prime converts backslide into paganism and witchcraft.” Shapiro

men, and some women, who undergo transsexual surgery are terribly alienated from their bodies, so alienated that they think little of mutilating them.”

The term, transgender,¹ covers preoperative and postoperative transsexuals, transvestites, drag queens, cross dressers, gays and lesbians, bisexuals, and straights who exhibit any kind of dress and/or behavior interpreted as ‘transgressing’ gender roles.”

¹ “While I realize that much of the traditional literature distinguishes among drag queens, cross dressers, and transvestism, and that there are some significant differences among these groups, what they all have in common is that they wear women’s clothes. Further, they wear the kind of hyperfeminine women’s clothes that many women would never wear.”

When Boy George accepted a Grammy award for Best New Artist in 1985, he thanked his US audience for recognizing not only his music but ‘a good drag queen’. Perhaps the more flamboyant US version of Boy George is African-American RuPaul, whose musical act has become a highly successful marketable commodity.”

When most women put on pants, a necktie, combat boots, or a business-looking blazer, they are not trying to pass as men.” How do you know?

But transgenderist defiance equals a kind of androgynous humanism, an individualist assertion of androgynous blending, rather than a political defiance of both roles.” E o que você propõe enquanto esperamos a hora da meia-noite e um, i.e., o fim do pós-modernismo? “Política”? Mas esse é o problema: política no sentido clássico não existe mais, odiando-se Derrida ou não… O que acontece agora é uma etapa intermediária de uma lenta inversão.

And so androgynous humanism replaces feminist politics.” You got it. You can fight against it, not accept it, but this is fundamental reality (not a construto)…

Stone Butch Blues is basically a transgender odyssey of a woman growing up in the gay bars and working-class factories of the 1950s and 1960s. Coming of age as a young ‘butch’ [sapatão] in Buffalo, Feinberg movingly describes the working-class reality of this historical butch world with a sharp consciousness of its political aspects—a more powerful testimony to class politics than any Marxist analysis—” Nossa, e cadê o Nobel dessa autora?!

A key turning point is when Jess, the butch protagonist in the novel, undergoes hormone treatment and breast surgery. Living and working as a butch has become too painful and fraught with harassment and violence, but so has the realization that Jess feels herself to be other than a woman—a ‘he-she’, feeling neither like a woman or man but ‘different’.”

Maleness and femaleness are governed by certain chromosomes, and the subsequent history of being a chromosomal male or female. Masculinity and femininity are social and surgical constructs.” Sequer há diferenciação no Português.

The term transsexualism¹ was first used by Harry Benjamin in a lecture at a meeting of the New York Academy of Medicine in 1953.”

¹ “Harry Benjamin first became interested in sex conversion (which he later named transsexualism) when sex researcher Alfred Kinsey referred him to a case that he, Kinsey, could not understand. Kinsey was preparing a second volume on sexual behavior and discovered in the taking of his case histories a young boy whose great ambition was to become a girl. Benjamin subsequently began seeing other cases of a similar nature, began referring candidates abroad for surgery before the operation could be performed legally in the United States, and published the first systematic and professional account of transsexualism in a volume entitled The Transsexual Phenomenon (New York: Julian Press, 1966).”

But I have chosen to consistently employ the term transsexualism, because it is one of the main contentions of this work that transsexualism operates as an ideology which the suffix -ism is meant to denote.”

À GÊNESE DOS GENERA (PRATICAMENTE): “6. Psychological Sex. Much of the literature uses this terminology to designate attitudes, traits, characteristics, and behavior that are said to accompany biological maleness or femaleness. I would prefer the term psychosocial sex to indicate the all-important factor that such attitudes, traits, characteristics, and behavior are socially influenced. Robert Stoller uses the term gender to distinguish this kind of sex from biological sex.”

gender identity is the private experience of gender role, and gender role is the public expression of gender identity.”

The word gender has certain problems for the feminist critic. It gives the impression that there is a fixed set of psychosocial conditions that determines gender identity and role.”

Moreover, the change in genital sex does not make reproduction possible. Maybe with the development of various forms of reproductive technology, this will be feasible in the future, but as yet, a change in genital sex is not accompanied by reproductive capacity.”

In 1975, for example, the Second International Conference on Transsexualism was renamed the Second International Conference of Gender Dysphoria.”

Until, of course, the surgery was popularized, post-Christine Jorgensen, the specific need of surgery was not evident, although some people may have felt that they wanted to change sex.” wiki: “Christine Jorgensen (30 de maio de 1926 – 3 de maio de 1989) foi uma mulher trans americana e a primeira pessoa a ser abertamente conhecida nos Estados Unidos por ter passado pela cirurgia de re-designação sexual.”

ROOT OF ALL EVIL: “These disciplines attribute the conditions of a sexist society to amorphous ‘roles’ and ‘forces’ that are unspecified. Nobody is blamed and everyone is blamed. Such words delete the agents of these ‘roles’ and ‘forces’—that is, the society and institutions men have created.”

Writers on moral issues frequently do little or no in-the field research. They understand their discipline as a ‘library science’, or they limit their empirical research to institutions that ‘treat’ the problem, rather than also including those persons and individuals who are most immediately affected. (Daniel Callahan, for example, did a comprehensive medical, legal, and ethical analysis of abortion, yet nowhere in his study does he indicate that he spoke extensively with women who were in the process of choosing or had chosen abortions.)¹ It has been my experience that talking with transsexuals themselves, as well as with individuals involved in the study and treatment of transsexualism, especially in their occupational milieu, made a vast difference in what I came to know about transsexualism.” Não creio que entrevistas com envolvidos possam mudar opiniões das pessoas engajadas num estudo. O fato de ter entrevistado transexuais pode apenas ter reforçado suas crenças anti-transexualidade, o que não significa que elas estejam erradas, mas que o estudo etnológico não é ‘o todo’ da questão.

¹ Quem liga para o que homens falam sobre aborto de qualquer maneira??

All this helped form my belief that the issue of transsexualism is basically one of social ontology—that is, an issue of what society allows and encourages its constituency to be.”

it is perhaps imperative that I explain further just what I mean by ontology.” Por favor!

I have therefore chosen to talk about transsexualism as most deeply a question of be-ing,¹ which cannot be separated from the social context that generated the problem to begin with.”

¹ “Because the ontological tradition generated such a static notion of being, modern ethicists have talked about its impossibility for providing a basis for ethics. They have often pointed to the need for a post-metaphysical way. Yet the split between being and becoming is not a necessary one, as Mary Daly has pointed out, and has always seemed rather artificial and imposed as compared to the experience of being and its philosophical intuition in individual lives. Thus Daly speaks about being as be-ing. Be-ing is the initial power of everything, not as static structure, but as the direction of a process.”

There are many questions that people often ask about transsexualism. When was the first transsexual operation performed? Where was it done? How did transsexualism first gain public recognition? What is the cost of the surgery? How, medically speaking, is a person transsexed? What are the legal ramifications of sex conversion surgery? Is it possible to change birth certificates, drivers’ licenses, and the like? Has transsexualism been a phenomenon throughout history?

Transsexual operations have been surgically possible since the early 1930s. The hormonal and surgical techniques, however, were not refined and made public until the early 1950s. Since then, thousands of transsexual operations have been performed both here and abroad. Largely due to the support of individuals such as Harry Benjamin, M.D., and institutions such as the Erickson Educational Foundation and Johns Hopkins, transsexual treatment and surgery has become a legitimate medical area of research and activity. The medical specialties that it calls forth, or more correctly that call it forth, are varied and complex, beginning with hormone therapy and often ending in numerous operative procedures. Just as complicated are the legal intricacies of changing sex on birth certificates, licenses, and other certificates of personhood required to live one’s life. Other legal issues also affect the institutions performing the surgery.” “Historical antecedents are found in certain mythological accounts, initiation rites, and certain modes of eunuchism and castration but, strictly speaking, transsexualism has no historical precedents.” Tirésias, O Adão dos Trans

Christine is a powerful name!

Although Christian Hamburger has been credited with bringing together many of the surgical specialties for the treatment of the transsexual, he was not the first physician to perform transsexual surgery. This title belongs to a German, F.Z. Abraham, who, in 1931, reported the first case of sex-conversion surgery. In the years between 1931-52 sporadic and piecemeal reports of transsexual operations came forth, primarily from Germany and Switzerland. Hamburger, however, seems to have been the first to make use of hormonal castration and to follow up on his patients.”

Casablanca, Istanbul, and countries such as Denmark, Germany, and Switzerland, were the most frequent locations to which transsexuals travelled, provided they could pay the cost and were willing to risk little or no medical follow-up. Today, however, the situation, at least in the United States, is quite different.”

Although reports conflict as to how many transsexual operations have actually been performed in this country and how many persons seek the surgery, figures published in Newsweek magazine on November 22, 1976, indicated that there are about 3,000 transsexuals in the U.S. who have undergone surgery and 10,000 more who view themselves as members of the opposite sex.” “In the spring of 1973, the Erickson Foundation Newsletter reported that only 10% of those individuals who go through evaluation for surgery eventually achieve it.”

In other areas, for example New York City, courts have ruled that transsexual operations are to be included in medical assistance provided by the city and state for persons on welfare. In New Jersey, Medicaid payments have been authorized in some cases. Since federal funds that had been allocated for abortions have recently been withdrawn, feminists are struck by the inequity of this situation. To paraphrase Jimmy Carter, life has been ‘fair’ to transsexuals.”

It is reasonable to speculate that the extreme difficulty I had in finding male transsexuals, plus the scant mention of them in the literature, may be indicative of the fact that there are fewer of them than are claimed.”

male transsexualism may well be a graphic expression of the destruction that sex-role molding has wrought on men. Thus it could be perceived as one of the few outlets for men in a rigidly gender-defined society to opt out of their culturally prescribed roles. Women, on the other hand, since the recent rise of feminism, have been able to confront sex-role oppression on a sociopolitical, as well as personal, level. Thus women have realized that both masculine and feminine identities and roles are traps.” Ambíguo face ao desenvolvimento ulterior da transexualidade. Talvez as mulheres tenham emburrecido (claro, pois a humanidade como um todo emburreceu) nos últimos 40 anos?

Karen Homey reversed Freud’s theory of penis envy calling it womb envy.” E o garoto aprende o que é um útero aos 3 anos de idade? Quando se pensa que é IMPOSSÍVEL piorar Freud…

The same socialization that enables men to objectify women in rape, pornography, and ‘drag’ enables them to objectify their own bodies. In the case of the male transsexual, the penis is seen as a ‘thing’ to be gotten rid of. Female body parts, specifically the female genitalia, are ‘things’ to be acquired.”

Transsexualism is thus the ultimate, and we might even say the logical, conclusion of male possession of women in a patriarchal society. Literally, men here possess women.” Olhe pelo lado bom: o começo do fim do patriarcado…

Objectification is largely accomplished by a process of fragmentation. The fetish is the fragmented part taken away from the whole, or better, the fetish is seen to contain the whole.” Klein, a fetichista da psicanálise.

The four steps are penectomy, castration, plastic reconstruction, and formation of an artificial vagina (vaginoplasty). Some transsexuals have only the first and second steps performed, and indeed, some writers recommend this approach.”

The vagina is constructed by creating a cavity between the prostate and the rectum. An artificial vagina is formed from a skin graft from the thigh and lined with penile and/or scrotal skin. Thus orgasmic sensation is possible. The shape of the artificial vagina is maintained by a mold that is worn continuously for several weeks following surgery. Once healing has occurred, manual dilation or penile insertion 2 or 3 times weekly is necessary to prevent narrowing, which can result through the contraction of scar tissue.” For me this is news!

One of the ill effects of long-term androgen therapy has been attacks of acne. Some observers also report a libido increase that they regard as undesirable and troublesome, but whether or not this is caused by biological or social-psychological influences is debatable. One of the more serious consequences of androgen is that all its effects are not always reversible. If a woman decides to stop hormone treatment, her voice may retain its low pitch and her facial hair may remain.”

The female transsexual patient, perhaps considerably more than the male, feels quite strongly that something is wrong internally. The menses are regarded as loathsome and often are described as being exceedingly painful.”

The removal of ovaries was used to tame deviant women during the 19th and early 20th century rash of sexual surgery. This mode of female castration has now been superseded by hysterectomy. If one regards the male trans as a potential deviant, as a potential lesbian and woman-identified woman, the comparison between these castrated women and male transsexuals is significant.” “A remoção dos ovários foi usada para domesticar mulheres desviantes durante a erupção das primeiras cirurgias sexuais no fim do séc. XIX e começo do séc. XX. No entanto, esse método de castração feminina já foi há muito tempo superado pela histerectomia [extração do útero]. Se se olha o transexual macho como desviante ‘em potencial’, enquanto possível lésbica ou mulher que se identifica com mulheres, a comparação entre essas mulheres castradas de outrora e o transexual homem de hoje torna-se significativa.”

The vagina remains. Phallus construction, when undertaken, begins in conjunction with a hysterectomy. It is technically possible to construct a penis surgically by rotating a tube flap of skin from the left lower quadrant of the abdomen and closing the vaginal orifice. A urinary conduit can be led through such a phallus, so that the constructed penis may be used for urination. However, because of complications, many surgeons have decided against constructing the phallus so it can be used to urinate. Instead, the female urethra is maintained in its existing position beneath the constructed penis. But the new penis lacks sensitivity, and can become erect only through the insertion of certain stiffening material that remains in the penis all the time, or can be put in and out through an opening in its skin.” “Some transsexuals recognize that the phallus will serve little, if any, role in sexual activity, since the technique of creating an erect penis has not been developed. Some female transsexuals, however, do undergo the number of hospitalizations required for phallus construction. They are convinced that the rodlike stiffener, inserted into the skin of the constructed member, can put pressure on the original clitoris (which still remains) during intercourse, making an orgasm possible.”

For the male transsexual, ‘toilet trauma’, as Zelda Suplee calls it, is a particular fear. Public lavatory facilities for men often require the kind of exposure that women do not meet, and this alone increases the female transsexual’s anxiety about phallus construction.”

A case in Argentina ruled that a transsexual’s consent to sex conversion surgery was unnatural, and therefore invalid, and the surgeon became liable in tort for assault”

As Robert Sherwin has stated, there is no law that expressly forbids males to wear female clothing, per se. There are laws that forbid males from doing so for the purposes of defrauding when, for example, one tries to gain illegal entry or attempts to acquire money by such impersonation.”

The causes of transsexualism have been debated for years. Perhaps the earliest commentator was Herodotus. He explained the origin of what he referred to as ‘the Scythian illness’ by resorting to divine causation. Venus, enraged with the plundering of her temple at Ascelos, changed the Scythian males and their posterity into women as her divine punishment for their misdeeds.”

I will demonstrate that while biological and psychological investigations seek different causes, they both utilize the same theoretical model—i.e., both seek causes within the individual and/or interpersonal matrix.” “For example, psychological theories measure a transsexual’s adjustment or nonadjustment to the cultural identity and role of masculinity or femininity.”

There are many reasons I have chosen to do an extensive analysis of Money’s work. First of all, his theories on sex differences have gained wide acceptance, both in academic and lay circles. They have also been widely cited by feminist scholars. No other researcher in this area has developed any comparable body of research. Thus most discussions of sex differences refer to Money’s work as a kind of bible. Second, no one has done a comprehensive analysis and critique of Money’s work, especially as it relates to issues surrounding transsexualism. For example, Money’s much-publicized theory that core gender identity is fixed by the age of 18 months forms one critical basis for the justification of transsexual surgery, and therefore deserves special attention. Finally, inherent in Money’s proclaimed scientific statements about sex differences are many normative and philosophical statements about the natures of women and men. Under the guise of science, he makes normative and prescriptive statements about who women and men are and who they ought to be.”

Compared to earlier theorists, Money appears to be a very astute and careful researcher of gender identity. For example, the earlier, more reductionistic theorists linked anatomy directly to destiny. Straightforward links between hormonal factors and supposed behavioural results were simplistically set forth. In Money, however, the connection between the two is indirect.”

O CHOMSKY DOS ESTUDOS DE GÊNERO: “The interaction of biological and social factors is explained by using the concept of a program and by comparing that program to the development of native language. There are certain parts of the program that exert a determining influence, particularly in the prenatal period, and leave a permanent imprint. These are hormonal influences that act on the brain to set up supposed neural pathways to receive postnatal, social, gender identity signals.”

Is science, in John Money, reducible to hidden pseudo-metaphysical statements about the nature and behavior of men and women?”

Their causal explanation of tomboyism is grounded in fetal hormonal activity:

The most likely hypothesis to explain the various features of tomboyism in fetally masculinized genetic females is that their tomboyism is a sequel to a masculinizing effect on the fetal brain. This masculinization may apply specifically to pathways, most probably in the limbic system or paleocortex, that mediate dominance assertion (possibly in association with assertion of exploratory and territorial rights) and, therefore, manifests itself in competitive energy expenditure.”

For the little it is worth as commentary on Adam’s Rib, it is the female sex that is primal. The early embryo is female until the 5th or 6th week of fetal life. A testicular inductor substance must be generated at this point to suppress the growth of ovaries. No ovarian inductor is required for female differentiation because all mammalian embryos of either genetic sex have the innate capacity for femaleness. Eve and not Adam appears to have been the primeval human that God had in mind.”

Thus initial embryonic female differentiation is so powerful that even without the presence of female hormones, female internal and external sex structure will result whether in an XX or XY genotype. Furthermore, as Eileen van Tassell has pointed out, the male needs the X chromosome in order to survive. There is no YO chromosomal anomaly. The female, however, does not need a second X, and XO females have been born and survived.”

The genital anatomic fact is that, embryologically speaking, the penis is a masculinized clitoris; the neurophysiological fact is that the male brain is an androgenized female brain.” Robert Stoller

To advocate a flexibility within the range of stereotypes, yet not do away with the stereotypes completely, is similar to giving a woman whose feet have been bound and mutilated crutches or a chair to be carried in, yet not the ability to completely and freely move about.”

Would Money assert that if ‘society’ has driven racist attitudes into the ‘core’ of one’s identity, it has no right to expect that one should drive them out?”

This is an incredible piece of sexist advice, advocating some of the worst aspects of sexual stereotypes. Why should a 5-year-old girl be encouraged to rehearse ‘flirtatious coquetry’ with her father while her mother stands on the sidelines permitting such behavior within suitable ‘limits of rivalry’?”

I believe that the first cause, that which sets other causes of transsexualism in motion (such as family stereotypes and interactions), is a patriarchal society, which generates norms of masculinity and femininity.”

Stoller attributes male transsexualism to a classic mother-child relationship that occurs within the context of a disturbed marriage.”

As Kando summarizes, ‘transsexuals are reactionary, moving back toward the core-culture rather than away from it. They are the Uncle Toms of the sexual revolution. With these individuals, the dialectic of social change comes full circle and the position of greatest deviance becomes that of greatest conformity’

Why women tend to be less tolerant of the transsexual phenomenon is an interesting question. It is my belief that this is because more women than men perceive the destructiveness that is inherent in sex-conversion procedures.”

Henry Guze’s insight may be of some interest here. He notes that the female transsexual in some ways puts masculinity on a pedestal. In doing so, he responds as if he were unworthy of this esteemed role. Since he feels he does not really fit the cultured concept of a male, a concept he fears but also loves and admires, he must be a female. I would add to this that he must be a female in order to participate in what is basically a male, heterosexual culture, and that sex-conversion surgery is his only entrance into this world that he basically loves and admires but doesn’t totally fit into as a man. This also explains his repugnance against homosexuality, which would prohibit his fitting into the ‘straight’ world.”

The recent debate and divisiveness that the transsexual lesbian-feminist has produced within feminist circles has convinced me that, while lesbian-feminists may be a small percentage of transsexuals, the issue needs an in-depth discussion among feminists. (…) Because the oral and written debate concerning the transsexual lesbian-feminist seems to be increasing out of proportion to their actual numbers, I think that feminists ought to consider seriously the amount of energy and space we wish to give to this discussion. However, if any space should be devoted to this issue, it is in a book that purports to be a feminist analysis of transsexualism.”

Transsexual lesbian-feminists show yet another face of patriarchy. As the female transsexual exhibits the attempt to possess women in a bodily sense while acting out the images into which men have molded women, the female who claims to be a lesbian-feminist attempts to possess women at a deeper level, this time under the guise of challenging rather than conforming to the role and behavior of stereotyped femininity.”

All men and male-defined realities are not blatantly macho or masculinist. Many indeed are gentle, nurturing, feeling, and sensitive, which, of course, have been the more positive qualities that are associated with stereotypical femininity. In the same way that the so-called androgynous man assumes for himself the role of femininity, the transsexual lesbian-feminist assumes for herself the role and behavior of feminist. (…) they lure women into believing that they are truly one of us—this time not only one in behavior but one in spirit and conviction.”

It is not accidental that most female transsexuals who claim to be feminists also claim to be lesbian-feminists.” “Lesbian-feminists have spent a great deal of energy in attempting to communicate that the self-definition of lesbian, informed by feminism, is much more than just a sexual choice. It is a total perspective on life in a patriarchal society representing a primal commitment to women on all levels of existence and challenging the bulwark of a sexist society—that is, heterosexism. Thus it is not a mere sexual alternative to men, which is characterized simply by sexually relating to women instead of men, but a way of being in the world that challenges the male possession of women at perhaps its most intimate and sensitive level. In assuming the identity of lesbian-feminist, then, doesn’t the transsexual renounce patriarchal definitions of selfhood and choose to fight sexism on a most fundamental level?”

If, as I have noted earlier, femininity and masculinity are different sides of the same coin, thus making it quite understandable how one could flip from one to the other, then it is important to understand that the transsexual lesbian-feminist, while not exhibiting a feminine identity and role, still exhibits its obverse side—stereotypical masculinity.”

One of the definitions of male, as related in Webster’s, is ‘designed for fitting into a corresponding hollow part.’ This, of course, means much more than the literal signification of heterosexual intercourse. It can be taken to mean that men have been very adept at penetrating all of women’s ‘hollow’ spaces, at filling up the gaps, and of sliding into the interstices.”

I feel raped when Olivia passes off Sandy, a transsexual, as a real woman. After all his male privilege, is he going to cash in on lesbian feminist culture too?”

The question of deception must also be raised in the context of how transsexuals who claim to be lesbian-feminists obtained surgery in the first place. Since all transsexuals have to ‘pass’ as feminine in order to qualify for surgery, so-called lesbian-feminist transsexuals either had to lie to the therapists and doctors, or they had a conversion experience after surgery.”

Deception reaches a tragic point for all concerned if transsexuals become lesbian-feminists because they regret what they have done and cannot back off from the effects of irreversible surgery (castration). Thus they revert to masculinity (but not male body) by becoming the man within the woman, and more, within the women’s community, getting back their maleness in a most insidious way by seducing the spirits and the sexuality of women who do not relate to men.”

Transsexuals merely cut off the most obvious means of invading women so that they seem non-invasive.”

There is a long tradition of eunuchs who were used by rulers, heads of state, and magistrates as keepers of women. Eunuchs were supervisors of the harem in Islam and wardens of women’s apartments in many royal households. In fact, the word eunuch, from the Greek eunouchos, literally means ‘keeper of the bed’. Eunuchs were men that other more powerful men used to keep their women in place. By fulfilling this role, eunuchs also succeeded in winning the confidence of the ruler and securing important and influential positions.”

In Mesopotamia, many eunuchs became royal officers and managers of palaces, and ‘others emerge on the pages of history as important and often virile figures’. Some were famous warriors and statesmen, as well as scholars. One finds eunuchs associated with temples dedicated to the goddesses from at least 2000 B.C. until well into the Roman period. In fact the earliest mention of eunuchs is in connection with the Minoan civilization of Crete, which was a transitional period from an earlier gynocentric society. It thus appears that eunuchs, to some extent, always attached themselves to women’s spaces and, most frequently, were used to supervise women’s freedom of movement and to harness women’s self-centeredness and self-government. It is stated that entree into every political circle was possible for eunuchs even if barred to other men.”

Will the acceptance of transsexual lesbian-feminists who have lost only their outward appendages of physical masculinity lead to the containment and control of lesbian-feminists? Will every lesbian-feminist space become a harem?”

Eve was born of Adam; Dionysus and Athena were born of Zeus; and Jesus was generated by God the Father in his godly birth. (Mary was a mere receptacle used to conform Jesus to earthly birth standards.)”

Men, of course, invented the feminine, and in this sense it could be said that all women who conform to this invention are transsexuals, fashioned according to man’s image. Lesbian-feminists exist apart from man’s inventiveness, and the political and personal ideals of lesbian-feminism have constituted a complete rebellion against the man-made invention of woman, and a context in which women begin to create ourselves in our own image.”

In the most popular version of the myth, Semele, the mother of Dionysus while pregnant with him, is struck by Zeus with a thunderbolt and is thus consumed. Hermes saves the 6-month fetal Dionysus, sews him up in Zeus’s thigh, and after 3 more months, Zeus ‘births’ him. Thus Zeus exterminates the woman and bears his own son, and we have single-parent fatherhood (read motherhood). Moreover, Jane Harrison has pointed out that <the word Dionysus means not ‘son of Zeus’ but rather Zeus-Young Man, i.e., Zeus in his young form>. Thus Dionysus is his own father (read mother) and births himself into existence.

Whether we are talking about being born of the father, or the self (son), which in the myth are one and the same person (as in the Christian trinity), we are still talking about male mothering. At this level of analysis, it might seem that what men really envy is women’s biological ability to procreate.”

Most often, lesbian existence is simply not acknowledged, as evidenced in the laws against homosexuality, which legislate against male homosexuals, but not lesbians. It has been simply assumed that all women relate to men, and that women need men to survive. Furthermore, the mere labeling of a woman as ‘lesbian’ has been enough to keep lesbian living harnessed or, at best, in the closet.”

While the super-masculine Apollo overtly oppresses with his contrived boundaries, the feminine Dionysus blurs the senses, seduces, confuses his victims—drugging them into complicity, offering them his ‘heart’ as a love potion that poisons.”

such liberalism is repressive, and that it can only favor and fortify the possession of women by men.”

We have seen 3 reasons why lesbian-feminists are seduced into accepting transsexuals: liberalism, gratitude, and naiveté. There is yet another reason—one that can be perhaps best described as the last remnants of male identification.” “one way of avoiding that feared label [man-hater], and of allowing one’s self to accept men, is to accept those men who have given up the supposed ultimate possession of manhood in a patriarchal society by self-castration.”

How many women students writing on such a feeble feminist topic as ‘Should Women Be Truck Drivers, Engineers, Steam Shovel Operators?’ have had their male professor scribble in the margins: But what are the real differences between men and women? Transsexuals, and transsexual lesbian-feminists, drag us back to answering such old questions by asking them in a new way. And thus feminists debate and divide because we keep focusing on patriarchal questions of who is a woman” “We know that we are women who are born with female chromosomes and anatomy, and that whether or not we were socialized to be so-called normal women, patriarchy has treated and will treat us like women. Transsexuals have not had this same history.”

Although popular literature on transsexualism implies that Nature has made mistakes with transsexuals, it is really society that has made the mistake by producing conditions that create the transsexual body/mind split.”

Should non-transsexual men who wish to fight sexism take on the identity of women and/or lesbian-feminists while keeping their male anatomy intact? Why should castrated men take on these identities and self-definitions and be applauded for doing so? To what extent would concerned blacks accept whites who had undergone medicalized changes in skin color and, in the process, claimed that they had not only a black body but a black soul?”

Transsexuals would be more honest if they dealt with their specific form of gender agony that inclines them to want a transsexual operation. This gender agony proceeds from the chromosomal fact of being born XY and wishing that one were born XX, and from the particular life history that produced such distress. The place to deal with that problem, however, is not the women’s community. The place to confront and solve it is among transsexuals themselves.”

One transsexual openly expressed that he felt female transsexuals surpassed genetic women.”

Genetic women are becoming quite obsolete, which is obvious, and the future belongs to transsexual women. We know this, and perhaps some of you suspect it. All you have left is your ‘ability’ to bear children, and in a world which will groan to feed 6 billion by the year 2000, that’s a negative asset”

Transsexual lesbian-feminists challenge women’s preserves of autonomous existence. Their existence within the women’s community basically attests to the ethic that women should not live without men—or without the ‘reconstructed man’. How feminists assess and meet this challenge will affect the future of our genuine movement, self-definition, and power of being.”

Recently, male photographers have entered the book market by portraying pseudolesbians in all sorts of positions, clothing, and contexts that could only be fantasized by a male mind. In short, the manner in which women are depicted in these photographs mimics the poses of men pawing women. Men produce ‘lesbian’ love the way they want it to be and according to their own canons of what they think it should be.”

The Transsexual Empire is ultimately a medical empire, based on a patriarchal medical model. This medical model has provided a ‘sacred canopy’ of legitimations for transsexual treatment and surgery.” “From time to time there are ‘in-house’ debates about certain elements of the model, but on the whole, it functions at an established and consistent level of orthodoxy. (I use the term medical model to mean an ideology that stresses: freedom from physical or mental pain or disease; the location of physical or mental problems within the individual or interpersonal context; an approach to human conflicts from a diagnostic and disease perspective to be solved by specialized technical and professional experts.)”

Since the 19th century, especially, problems of alienation have been individualized. With the advent of Freudian psychoanalysis, which was later incorporated into medical psychiatry, ‘health’ values began to take the place of ethical values of choice, freedom, and understanding.”

The medical model has gradually yet consistently treated problems of social alienation in the therapy of closed rooms, and more recently in the small group counselling sessions of family clinics and community mental health centers. Ernest Becker has contended that initially, ‘the psychoanalytic cure began its work by focusing on the individual; now, it is broadening out to the study and therapy of the family’.”

Many persons express the urgency of their desire to be transsexed in terms of ‘normalizing’ their self-perceived masculine or feminine psyche in a male or female body. The abhorrence of homosexuality, expressed by many transsexuals, and their unwillingness to be identified as such, indicate their desire to ‘normalize’ their sexual relationships as heterosexual by acquiring the appropriate genitalia. (…) Thus the transsexual is generally no advocate of social criticism and change.”

Health values are all of a piece again with our philosophy of adjustment, spurious individualism, and unashamed and thoughtless self-seeking.”

All of us are in some way constricted by sex-role socialization. One way of viewing transsexuals is that they are uniquely constricted by the rigidified definitions of masculinity and femininity.”

Until the problems that psychiatry has claimed for itself are broadened into a general criticism of patriarchal society, transsexualism will not be understood as a medical manipulation of social and individual action and meanings. Meanwhile, the medical model and its empire continue to domesticate the revolutionary potential of transsexuals. The potential stance of the transsexual as outsider to the conventional roles of masculinity and femininity is short-circuited. (…) Thus be-ing is reduced to well-being (therapy).”

Thomas Szasz has noted that the conquest of human existence by the mental-health professions started with the identification and classification of so-called mental illnesses, and has culminated in our day with the claim that ‘all of life is a psychiatric problem for behavioural science to solve’.” “Indeed, Szasz contends that the ‘mandate’ of the contemporary psychiatrist is precisely ‘to obscure’, and moreover ‘to deny’ the ethical dilemmas of life, and to transform these into medical and technical problems susceptible to their solutions.”

De-ethicization, of course, is defended in the name of scientific knowledge and neutrality. However, neutrality is a myth and the politics of diagnosis and therapy remain. So too do the philosophical-ethical dimensions of the psychological craft. Under the guise of science, psychological explanations often include value judgments. For example, when John Money and Patricia Tucker assert: ‘Once a sex distinction has worked or been pressured into the nuclear core of your gender schema, to dislodge it is to threaten you as an individual with destruction’, they are using popularized pseudoscientific language where the ‘oughts’ have been deleted, yet where they permeate the sentence. Thus the reader translates: ‘Once a sex distinction has worked or been pressured into the nuclear core of your gender schema, one should not dislodge it, else the individual is threatened with destruction.’ One might also ask here, destruction by whom? by what? Once more, the agent is deleted.”

Fetishization, for example, is one explanation why law-enforcement officials in our society are so obsessed with issues of traffic violations, marijuana, and the like, but cannot cope with the much more serious problems of rape and murder.”

Interestingly, these photographs seldom show the whole person. With a zoom lens effect, they center upon the breasts or phallus. Thus the photographs themselves illustrate the fetishizing of transsexualism. The medical-surgical solution begins to assert control in the narrow area of the chemical and surgical specialties. Attention becomes focused upon constructing the vagina, for example, in as aesthetic a way as possible.”

In the 19th century, clitoridectomy for girls and women, and to a lesser extent, circumcision for boys were accepted methods of treatment for masturbation and other so-called sexual disorders. In the 1930s, Egas Moniz, a Portuguese physician, received the Nobel Prize for his ‘ground-breaking work’ on lobotomies. Moniz operated on state mental hospital inmates, using lobotomy for everything from depression to aggression. The new terminology for brain surgery of this nature today is psychosurgery, which its proponents have attempted to disassociate from the cruder procedures of Moniz and others by pointing to its more ‘refined’ surgical techniques. But call it lobotomy or psychosurgery, surgeons continue to intrude upon human brains on the basis of tenuous localization theories that supposedly pinpoint the area of the brain where the ‘undesirable’ behavior can be found and excised.”

Reinforcement is a key-word for behaviorists. One of the central claims of B.F. Skinner is that the immediacy of reinforcement is what shapes successive behavior in all ‘learning animals’. Skinner differs from classical conditioning theorists (e.g., Pavlov) in saying that behaviour is shaped by what follows it rather than by what precedes it. In the past, most psychologists of this persuasion had assumed that new attitudes were necessary to develop new behavior. Skinner turned this around and said that new attitudes follow or accompany changed behavior.” “Thus transsexual counseling and clinics sire very good examples of Skinner’s ‘operant conditioning’ philosophy: the controller, using a series of carefully planned schedules of positive and/or negative reinforcements (shortening or lengthening the ‘passing’ time) brings about desired responses (stereotypical behavior) from the transsexual. However, the most significant point in Skinner’s philosophy is that the controller will exert hardly any control, because the controlled will control themselves voluntarily. Coercion, in the traditional sense, will not have to be employed.”

To use another example: Many oppressed people use heroin to make life tolerable in intolerable conditions. Heroin usage is a highly effective yet dangerous treatment for dissatisfaction and despair. Recently, for example, black leaders have drawn attention to heroin as a pacifier of black people. As Jesse Jackson has phrased it: ‘We have come from the southern rope to the northern dope.’ In a strict sense, one cannot say that the drug is forced upon its users. Indeed they seek it eagerly. But in the long run, the willing use of the drug strengthens the position of the oppressors and the oppressed. The contentment and euphoria produced by the drug diffuses the militancy, or potential militancy, of the user. Thus heroin is a tool of behavior control and modification.”

It may be that the general population resists the idea of seeing emotional coercion in the same terms as physical coercion because it threatens basic beliefs about man’s autonomy, because one likes to think of himself as a logical individual under the control of intellect rather than emotion.”

Presently, the controllers are the gender identity clinics and the transsexual experts who staff them. It is not far-fetched to conceive of a ‘gender identity business’, as such institutions proliferate, functioning as centers of social control. We now have violence control centers, such as Vacaville, which, in the words of its main organizer, has been designed to focus on the ‘pathologically violent individual’ and is aimed at ‘altering undesirable behavior’.”

Furthermore, we can safely predict, on the basis of past and present CIA and FBI activities, that if gender identity facilities became government controlled, some gender modification activities would be reported while others would be repressed from public view; only those offering a therapeutic rationale would be revealed. Moreover, such controllers and centers for control (such as Johns Hopkins and UCLA) would continue to have a very specific philosophy about what women and men should be, how they should act, and what functions they should perform in society. In fact, gender identity clinic research and treatment has already been funded by grants from the National Institute of Mental Health and other government-affiliated funding sources. All this is happening, and will continue to happen, of course, in the name of science and therapy, and with the denial that any social engineering is taking place. Here we have institutional sexism at its most functional capacity.

A dystopian perspective, some will say, but such perspectives have a way of highlighting present and future reality by daring to predict what most persons do not, or choose not to, perceive.”

Individuals undergo psychosurgery giving ‘informed consent’; parents, on advice of school administrators and physicians, sign ‘informed consent’ papers to have Ritalin administered to their children in public-school centers; women ‘consentingly’ undergo unnecessary hysterectomies for prophylactic reasons such as the vague ‘threat’ of uterine cancer (imagine a prophylactic penectomy!)”

If behaviorist philosophers such as B.F. Skinner are right, and behaviorist technicians such as José Delgado remains active, then future social controllers can replace control-through-torture with control-through-pleasure. What is becoming possible with Delgado’s electronic brain stimulation (ESB) is also becoming possible with transsexual surgery.”

Electrodes were implanted in her right temporal lobe and upon stimulation of a contact located in the superior part about 30mm below the surface, the patient reported a pleasant tingling sensation in the left side of her body ‘from my face down to the bottom of my legs.’ She started giggling and making funny comments, stating that she enjoyed the sensation ‘very much’. Repetition of these stimulations made the patient more communicative and flirtatious, and she ended by openly expressing her desire to marry the therapist. . . . The second patient expressed her fondness for the therapist (who was new to her), kissed his hands, and talked about her immense gratitude for what was being done for her.” Delgado

transsexuals are volunteering for surgery that they hope will relieve their sex role ‘dis-ease’ of gender dissatisfaction and dysphoria. But there is no evidence to prove that transsexual surgery ‘cures’ what is basically a problem of transcendence.”

Imagine what would happen if a male child pill became freely available throughout the world through the World Health Organization. Even in developed countries there is surprising prejudice among ordinary people in favour of having male children; among most African, Asian, Central and South American peoples, this prejudice amounts to almost an obsession. Countless millions of people would leap at the opportunity to breed male: no compulsion or even propaganda would be needed to encourage its use, only evidence of success by example. . . . I hope, incidentally, that it is obvious why I specified a ‘man child’ pill; one selecting for females would not work.” John Postgate

Women’s right to work, even to travel alone freely, would probably be forgotten transiently.

Polyandry might well become accepted in some societies; some might treat their women as queen ants, others as rewards for the most outstanding (or most determined) males. . . . Whether the world would come to resemble a giant boy’s public school or a huge male prison is difficult to predict.”

Transsexual surgery is professedly done to promote the individual transsexual’s right of synchronizing body and mind. Yet what society ‘gains’ is a role conformist person who reinforces sex roles.”

Medical civilization teaches that suffering is unnecessary, because pain can be technically eliminated. . . . The subject is better understood when the social situation in which pain occurs is included in the explanation of pain.” Ivan Illich, filho, com certeza, de pais letrados e de bom gosto!

What has been scarcely noted in many commentaries on transsexualism is the immense amount of physical pain that the surgery entails. Generally, this fact is totally minimized. Most postoperative transsexuals interviewed seldom commented on the amount of physical pain connected with their surgery. Are we to suppose no pain is involved? Anyone who has the slightest degree of medical knowledge knows that penectomies, mastectomies, hysterectomies, vaginoplasties, mammoplasties, and the like cannot be painless for those who undergo them. There is also the pain of anxiety about possible consequences of surgery such as cancer or faulty healing. It seems that the silence regarding physical pain, on the part of the transsexual, can be explained only by an attitude of masochism, where one of the key elements of the transsexual order is indeed the denial not only of self but of physical pain to the point ‘where it may actually be subjectively pleasurable’, or at least subjectively negligible. At least one medical team has recognized this, although in muted and partial form.”

The sadomasochist is someone who has trouble believing in the validity and sanctity of people’s insides—their spirit, personality, or self. These insides could be his own or others’; if they are his own he tends to be masochistic, if they are others’ he tends to be called a sadist” Becker

Transvestism, for them, is too superficial and does not provide the bite or the painful experience of true conversion.” Yea, go on through some ordeal, then you have truly lived!

Learning from the Nazi Experience. Much of the literature on medical experimentation has focused on the various captive populations of prisoners and mental patients, but the most notorious example of unethical medical experimentation on a captive population is the Nazi concentration camps. The example of the Nazi camps has often been cited in ethical arguments that attempt to sensationalize and disparage opposing views. Furthermore, ethicists especially have used these experiments to throw sand in people’s eyes about such issues as abortion and euthanasia, and to create ethical arguments based on a kind of domino theory. In mentioning the Nazi experiments, it is not my purpose to directly compare transsexual surgery to what went on in the camps but rather to demonstrate that much of what did go on there can be of value in surveying the ethics of transsexualism.”

A ‘FITA’ DO CAPÍTULO NEGRO: “In fact, one of the first comprehensive codes of medical ethics, specifically dealing with the ethics of experimentation, emerged from the Nuremberg trials in the wake of the famous ‘Doctors Trial’ or, as it is sometimes called, the ‘Trial of the Twenty-Three’. The Nazi medical experiments read like a series of horror stories. The experiments were quite varied. High-altitude tests were done on prisoners to observe the point at which they stopped breathing. Inmates of the camps were subjected to freezing experiments to observe the changes that take place in a person during this kind of slow death, and also to determine the point of no return. Experiments in bone-grafting and injections with lethal viruses were commonplace. The much-publicized sterilization experiments were carried out on a massive scale at several camps, primarily by radiation and surgical means, for the purpose of seeing how many sterilizations could be performed in the least amount of time and most ‘economically’ (thus anaesthesia was not used). However, the point of all this background is not merely to recite a list of atrocities, but to highlight several points that apply to the situation of transsexualism.”

The activities of the Nazi physicians . . . were, unfortunately, not the aberrations of a holy healing profession imposed upon it by the terrors of a totalitarian regime, but, on the contrary, were the characteristic, albeit exaggerated, expressions of the medical profession’s traditional functions as instruments of social control.” Szasz

ABOMINÁVEL MUNDO VELHO

Today especially, it is no longer the alliance of church and state that should be feared, that is, theocracy, but rather the alliance between medicine and the state, that is, pharmacracy.¹”

¹ “Inasmuch as we have words to describe medicine as a healing art, but have none to describe it as a method of social control or political rule, we must first give it a name. I propose that we call it pharmacracy, from the Greek roots pharmakon, for ‘medicine’ or ‘drug’ and kratein, for ‘to rule’ or ‘to control’. . . . As theocracy is rule by God or priests, and democracy is rule by the people or the majority, so pharmacracy is rule by medicine or physicians.” Szasz, Ceremonial Chemistry

What we are witnessing in the transsexual context is a science at the service of a patriarchal ideology of sex-role conformity in the same way that breeding for blond hair and blue eyes became a so-called science at the service of Nordic racial conformity.”

One must remember that many of the Nazi physicians whose experiments were the most brutal refused to recognize in the end that they had done wrong. Dr. Karl Brandt, for example, during his trial at Nuremberg, offered his living body for medical experiments like those he had conducted. Before Brandt met his death at the side of the gallows, he made a final speech, which included these words: ‘It is no shame to stand on this scaffold. I served my Fatherland as others before me.’

it is significant that the first physician on record to perform sex-conversion surgery was a German by the name of F.Z. Abraham, who reported the first case in 1931. Furthermore, Benjamin relates that the Institute of Sexual Science in Berlin did much work on transvestism (and probably transsexualism before it was named such) under the leadership of Dr. Magnus Hirschfeld. Benjamin states that it had a ‘famous and rich museum, clinic, and lecture hall’. In 1933, he says, it was destroyed by the Nazis because, ‘The Institute’s confidential files were said to have contained too many data on prominent Nazis, former patients of Hirschfeld, to allow the constant threat of discovery to persist’. Benjamin visited Hirschfeld and his Institute many times during the 1920s.”

I met another boy whom the scientists of Auschwitz, after several operations, had successfully turned into a woman. He was then 13 years old. After the war, a complicated operation was performed on him in a West German clinic. The doctors restored the man’s physical masculinity, but they couldn’t give back his emotional equilibrium.”

By this comparison, I do not mean to exploit the very real difference between a conditioned ‘voluntary’ medical procedure performed on adult transsexuals and the deliberate sadism performed on unwilling bodies and minds in the camps. However, it is important to understand that some transsexual research and technology may well have been initiated and developed in the camps and that, in the past, as well as now, surgery was not performed for the present professed goal of therapy, but to accumulate medical knowledge.”

There is a crucial distinction between integration and integrity. Briefly, integration means putting together a combination of parts in order to achieve completeness or wholeness. In contrast, the word integrity means an original wholeness from which no part can be taken away. It is my contention that, in a deep philosophical sense, transsexual therapy and treatment have encouraged integration solutions rather than helping individuals to realize an integrity of be-ing. In its emphasis on integration, much of the recent psychological, medical, and medical-ethical literature on transsexualism, and the solutions they propose, resemble theories of androgyny. In many ways, contemporary transsexual treatment is a modem version of medieval, androgynous alchemy where stereotypical femininity is integrated with a male genotype to produce a transsexually constructed woman. As alchemy treated the qualitative as quantitative in its attempts to isolate vital forces of the universe within its laboratories of matter, transsexual treatment does the same by reducing the quest for the vital forces of selfhood to the artifacts of hormones and surgical appendages. Transsexualism is comparable to the theme of androgyny that represents biological hermaphroditism, because ultimately the transsexual becomes a surgically constructed androgyne, and thus a synthetic hybrid. Furthermore, the transsexual also becomes a sex-stereotyped hermaphrodite, often unwittingly displaying his former masculine gestures, behavior, and style while attempting to conform to his new feminine role.”

The first drafts of this chapter were entitled An Ethic of Androgyny. But as I examined the androgynous tradition and its uses in recent literature, problems of etymology, history, and philosophy arose that were not evident at first glance. These necessitated the choice of a different ethical vision, which I have called integrity.”

Until those contemplating transsexual surgery come to realize that such a step does nothing to promote this integrity on both a personal and social level, they will continue to settle for many of the false and partial modes of androgynous integration.”

For an extensive and specific delineation of the androgynous tradition in theology and philosophy, from its prepatriarchal origins, through Plato, the Midrashim, the Gnostics, and others, up through nineteenth-century French philosophy and social theory, see: Janice G. Raymond, ‘Transsexualism: An Etiological and Ethical Analysis’ (Unpublished Ph.D. dissertation, Boston College, 1977).”

Maleness and femaleness were perceived as divisions resulting from the Fall and not originally intended to be part of primordial personhood. Thus, for example, Adam in the Garden of Eden is represented as originally combining and/or transcending maleness and femaleness. Such androgynous notions are present in the rabbinic commentaries on Genesis, in the Gnostics, in the Jewish Cabala, and in John Scotus Erigena. In this same context, androgyny became a salvation or reunification theme, bringing divided personhood, maleness and femaleness, back into its original and divinely intended unity of either biological bisexuality or asexuality.”

Many writers see Jesus as the unique bearer of androgynous humanity. This conception of Jesus, implicit in some of the Gnostic literature, is developed by Erigena in his portrayal of the Resurrected Jesus, and reaches its apex in Jacob Böhme.”

Although the primal Adam is written about as androgynous or hermaphroditic, one is still left with the impression that the original human was more male than female.” “Thus the male portion of androgyny remains steady and constant, while the female is the wayward, unsteady half. In the Gnostics, moreover, the female must make herself male before a salvific androgyny can be reached.”

In Plato, androgyny is mixed with misogyny to support male homosexuality which is regarded as the superior form of love.”

In no writing on androgyny is the male exhorted to make himself female before he can become androgynous.”

Beginning with Auguste Comte and up to the Saint-Simonians, androgyny comes to symbolize human progress, universal unity, and the removal of social oppression, especially that of female and class oppression.”

The word androgyny is formed from integrating the Greek aner and gyne (with the male classically coming first).” “Nor would the term gynandry be adequate. Although the female root of the word comes first, the primary image is still one of the sexual sphinx.”

For every woman who makes herself male will enter the Kingdom of Heaven.”

Unfortunately even the brilliant Virginia Woolf had a similar notion of androgyny in A Room of One’s Own.”

Perhaps with the overcoming of women’s oppression, the woman in man will be allowed to emerge.” Betty Rozsak

One would not put master and slave language or imagery together to define a free person.”

As models for the ‘new androgyny’, James Nolan gives us ‘pansexual rock images’ of David Bowie, Janis Joplin, Mick Jagger, and Bette Midler.”

Here we have the ultimate co-optation of the Women’s Movement—an ‘adolescent stage’ that we have already passed through. Androgyny becomes the great leap forward, a synonym for an easily accessible human liberation that turns out to be sexual liberation—a state of being that men can enter as easily as women through the ‘cheap grace’ of the ‘wider’ countercultural revolution. What androgyny comes to mean here, in fact, is sexual revolution, phrased in the language of The Third Sex. Sex (fucking), not power, becomes the false foundation of liberation.”

Integrity gives us a warrant for laying claim to a wholeness that is rightfully ours to begin with and that centuries of patriarchal socialization to sex roles and stereotyping have eroded.” “The real mytho-historical memory may have been that of an original psychosocial integrity where men were not masculine, nor women feminine, and where these definitions and prescribed norms of personhood did not exist.”

Initially, Rachel Carson demonstrated that chemical pesticides were disastrous to the planet. Barry Commoner followed by showing how so-called technological ‘advances’ have debilitated our ecosystems, because everything is related to everything else. In a similar manner, evidence is beginning to prove that hormone treatment and surgery are destructive intrusions of the total ‘bio-ecosystems’ of transsexuals.”

Transsexuals often betray this socially constructed hermaphroditism.”

As Ivan Illich has pointed out, anyone who ‘becomes dependent on the management of his intimacy. . . renounces his autonomy, and his health must decline.’

Transsexual surgery turns into an antisocial activity that promotes the worst aspects of a patriarchal society by encouraging adaptation to its sex roles.”

The transsexual odyssey can be viewed as a quest for transcendence, an effort to go beyond the limits of the self (symbolized by the acquisition of a new body). But from the perspective of transcendence, transsexualism’s greatest weakness is its deflection of the ‘courage to be’, and its short-circuiting of existential risk, creativity, world-building, and social healing—all of which are elements of genuine transcendence.”

There is no doubt that selfhood presupposes embodiment and that our bodies cannot be ignored in any authentic development of selfhood. However, even many persons who have been wracked with severe physical pain or deformed by natural or imposed crippling agents have been able to transcend these conditions.”

Transsexuals move totally in the realm of the body while thinking that they are transcending the body. To use Daly’s terminology, they are ‘possessed’ by their bodies and cannot confront and transcend that possession.”

We might say that the body is part of the creative ground of existence, but we are not bound by that structure in the full creative sense.”

In a thousand subtle ways, the reassignee has the bitter experience that he is not—and never will be—a real girl but is, at best, a convincing simulated female. Such an adjustment cannot compensate for the tragedy of having lost all chance to be male and of having, in the final analysis, no way to be really female.”

To encourage would-be transsexuals to hand over their bodies to the transsexual empire hardly seems to be an adequate or genuinely sensitive response to the questions that transsexualism raises. Those who advocate medicalized transsexualism as the answer to a desperate emergency situation of profound sex-role agony only serve, in my opinion, to prolong the emergency. They seem sensitive only to Band-Aid solutions that ultimately help to make more medicalized victims and to enhance the power of the medical empire.”

Any woman who has experienced the agony of sex-role oppression in a patriarchal society is hardly insensitive to the suffering that transsexuals experience.”

Isn’t it possible for persons who desire sex-conversion surgery, and who have also experienced sex-role oppression and dissatisfaction with their bodies, to band together around their own unique form of gender agony—especially those who claim to have a deep commitment to feminism? Many will say that this is too much to ask of transsexuals. Yet it is no more than women have asked of ourselves—those who have taken feminism seriously and have tried to live unfettered by gender in a gender-defined society.

This book will, no doubt, be dismissed by many transsexuals and transsexual advocates as intolerant. Tolerance, however, can easily become repressive, as Marcuse has pointed out. It is often a variation on the ‘poverty of liberalism’, functioning as sympathy for the oppressed.”

those who take a critical position will be subjected to accusations of dogmatism and intolerance, when in fact those who are unwilling to take a stand are exercising the dogmatism of openness at any cost. This time, the cost of openness is the solidification of the medical empire and the multiplying of medical victims. Those who advocate tolerance of medicalized transsexualism are expressing a false sympathy which, in both the immediate and ultimate context, can only facilitate and fortify the possession of women by men.”

When tolerance serves mainly to protect the fabric by which a sexist society is held together, then it neutralizes values. It is important to help break the concreteness of oppression by showing its theoretical inconsistencies and by stretching minds to think about solutions that only appear to be sensitive and sympathetic.”

Marcuse, in his essay Repressive Tolerance, has written:

The political locus of tolerance has changed: while it is more or less quietly and constitutionally withdrawn from the opposition, it is made compulsory behavior with respect to established policies. Tolerance is turned from an active into a passive state, from practice to non-practice. . . . It is the people who tolerate the government, which, in turn, tolerates opposition within the framework determined by the constituted authorities.”

Many feminists are opposed to transsexualism. Yet that opposition, having moved outside the limits of tolerance set up by the medical authorities, will often be decried as intolerant. What is happening here is a fundamental reversal.”

Does a moral mandate, however, necessitate that transsexualism be legally mandated out of existence? What is the relationship between law and morality, in the realm of transsexualism? While there are many who feel that morality must be built into law, I believe that the elimination of transsexualism is not best achieved by legislation prohibiting transsexual treatment and surgery but rather by legislation that limits it—and by other legislation that lessens the support given to sex-role stereotyping, which generated the problem to begin with.”

Cultural iatrogenesis . . . consists in the paralysis of healthy responses to suffering, impairment, and death. It occurs when people accept health management designed on the engineering model, when they conspire in an attempt to produce, as if it were a commodity, something called ‘better health’. This inevitably results in the managed maintenance of life on high levels of sub-lethal illness.” Illich

In the early stages of the current feminist movement, consciousness-raising groups were very common. These groups were composed of women who talked together about their problems and directions as women in a patriarchal society. Gradually, these groups came to the insight that ‘the personal is political’, thus providing the first reconciliation between what had always been labeled the ‘personal’ and the ‘political’ dimensions of life. Women, who had felt for years that the dissatisfaction they had experienced as women was a personal problem, came to realize in concert with other women that these problems were not peculiar to them as individuals but were common to women as a caste. (…) From these consciousness-raising groups came much of the initial political action of the women’s movement.”

aside from this one-to-one form of counseling, the model of consciousness-raising emphasizes the group process itself.”

We have seen enough of those transsexuals and professionals in the media who are in favor of transsexual surgery as the solution to so-called gender dissatisfaction and dysphoria. We need to hear more from those men and women who, at one time, thought they might be transsexuals but decided differently—persons who successfully overcame their gender identity crises without resorting to the medical-technical solution. We need to hear more also from professionals such as endocrinologist Charles Ihlenfeld who, after helping one hundred or more persons to ‘change their sex’, left the field. Ihlenfeld decided that ‘we are trying to treat superficially something that is much deeper’. And finally we need to hear more from persons, such as feminists and homosexual men, who have experienced sex-role oppression but ultimately did not become transsexuals.”

NOTES

Somer Brodribb, Nothing Matters: A Feminist Critique of Postmodernism

Mary Daly, Gyn/Ecology: The Metaethics of Radical Feminism

The case of Rosalyn Franklin is a primary example of a woman who made an initial and major contribution to the discovery of the structure of DNA, yet was not part of the group that received the Nobel Prize for this discovery. See Anne Sayre, Rosalyn Franklin and the DNA (New York: W. W. Norton, 1975). An even more famous example of the male scientific erasure of a woman’s discovery is the case of Helen Taussig who discovered the method for saving the lives of ‘blue babies’. Alfred Blalock took the credit for this discovery, and it has since been named the Blalock method.”

Because Stone gave up his male identity and lives as a ‘woman’ and a ‘lesbian’, [s]he is faced with the same kinds of oppression that other women and lesbians face, along with the added ostracism that results from being a transsexual.”

Another parallel is that some royal eunuchs also wore women’s clothing, and their physical characteristics, especially as represented on Assyrian monuments, resembled those of women. Eunuch priests of goddess temples were said to wear women’s garb and perform women’s tasks. See John L. McKenzie, ‘Eunuch’, Dictionary of the Bible

See the Oxford English Dictionary listing for the word health, which traces the word from its Old English spelling originally meaning whole.”

Two patients felt angry and hopeless that they could not return to their previous masculine state. In Randell’s study, there were 4 cases in which the postoperative adjustment was worse than before the operation. ‘There the result can be designated as very poor.’ The behavior included suicide, suicidal impulse, moral depravity, and a wish to reverse the effects of operation. Two of these men succeeded in committing suicide.”

George Gilder, Sexual Suicide

J. Hoenig et al., in their article, ‘The Surgical Treatment for Transsexuals’ (Acta Psychiatra Scandinavia, 47 [May 1974]: 106-36), state that surgical treatment to increase breasts in male transsexuals should not be undertaken, especially if such treatment is followed up with estrogen therapy, since there is a risk of malignancy. They cited the study of W. Symmers, ‘Carcinoma of the Breast in Transsexual Individuals after Surgical and Hormonal Interference with the Primary and Secondary Sex Characteristics’, British Medical Journal, 2 (1968): 83. Symmers reported two cases who came to autopsy with carcinoma of the breast. He suggests that the malignance was entirely due to the hormonal imbalance created by castration plus the massive doses of estrogen received. Jan Stiefel has noted the significant factor that serious and accepted research was being done on transsexuals with breast cancer resulting from exogenous estrogen therapy, long before a comparable serious and accepted study was done on native-born women.”

Alexander Mitscherlich & Fred Mielke, Doctors of Infamy: The Story of the Nazi Medical Crimes (New York: Henri Schuman, 1949).

the question of verification of ontological judgments, the question of method, cannot be answered before the method is applied successfully or unsuccessfully—that is, before its efficacy in human lives and community is tested.”

2300 ANOS DEPOIS…

Texto de 17 de fevereiro de 2009

PLATÃO – Vê no que se tornou minha República. De fato, o projeto entrou em execução. A virtude dos filósofos foi empregada para governar o povo e tudo que se tem agora é a concupiscência desses senhores, a corrupção generalizada… Eu as produzi! Como lhes ensinei o desinteresse, e subestimei a vontade de poder humana, hoje eles ainda se afirmam desinteressados, porém eu vejo através da demagogia…

ARISTÓTELES – Que monstro produzistes! É chegada a hora, mestre e sobretudo leal amigo, de que luzes se tornem trevas e sombras matéria. Tua alegoria da Caverna é o que restou de mais preciso sobre a milenar natureza humana, e é um retrato perfeito de como os valores se invertem de era em era, de modo que o Bem se torne o Mal e o Mal se torne o Bem; e, claro, produzam-se essas figuras indefiníveis, fronteiriças. Sócrates foi o demônio antes de ser santo, e hoje é apedrejado novamente. Todas as épocas, apesar de toda alma ser livre, apresentam esses mártires, cuja liberdade se resume em atender uma necessidade universal: transvalorar o animal político! Meu inestimável professor, é tempo, já vês, de fusão de classes. Na morte de Deus já não há mais heróis, déspotas, escravos, o divino, o depauperado, um estamento infinitamente distanciado do outro, esta vocação de berço… Vês que todos esses homens treinados para a guerra, para os cálculos ou então para o comércio ou para bem servir os demais são atualmente um só? O querer sempre mais, a seleção que impusestes aos atenienses, este instinto de competitividade estranhamente alimentado pela ascese, isso gerou o corpo burocrático, isso centralizou todas as atenções no dinheiro. O nivelamento extirpou a nobreza.

PLATÃO – A arete é uma coisa que vai e que volta, nada deixa de ser… Hípias, Górgias… Vejo que o século XX será a reprise dos sofistas. É um movimento decadente, se bem que necessário, estímulo para uma ulterior ascensão. Vês como a Idéia atingiu sua exuberância máxima em Hegel? E não obstante foi com este alemão que meus ensinamentos principiaram a degenerar. Quando Glauco rebate Sócrates e diz que a Música não pode conduzir o intelecto porque é arte, sensível, ele está refutando Schopenhauer. O Homem ainda vai navegar por estas curiosas águas do tempo, meu amigo, até reencontrar Homero! Ressurreição do Olimpo!

ARISTÓTELES – Que a nova era dos poetas dure três mil anos e que até lá joguemos e dancemos, porque não será mais necessário tanto falar… O logos fica em segundo plano, coagulado.

PLATÃO – Aristóteles, apólogo de Sófocles, vamos indo que aí vem a caduca mas invencível mulher chamada Esperança…

VONTADE DE (EXERCER) PODER

Publicado originalmente dia 12 de fevereiro de 2009

A Goethe

A Weber

E aos bons estrategistas

Por que o ser humano – jamais vi um caso – se recusa a fingir de modo que consiga as coisas fácil, que ganhe um atestado de que não é responsável sobre si e de que necessita de cuidados especiais de terceiros para sobreviver? Em outras palavras, de vez em quando me vem a idéia: e se eu fingisse que fiquei retardado de repente, com vistas a escapar de trabalhar, estudar ou de ser dono de qualquer coisa no mundo da propriedade privada? A fuga perfeita da burocracia que engole todas as consciências vivas, o resguardo em uma casa de loucos com cama, comida e roupa lavada (ou só os dois primeiros). Por que não? Ou a estadia em casa numa cadeira de rodas com a cabeça para o teto, a baba escorrendo sem-fim, os pais baqueados, sem alternativa a não ser servir? Algo aí não cai bem, e não é a desconfiança de que alguém não iria engolir o teatro ou a inexistência de planos paralelos (um deles seria cometer um crime hediondo para viver o resto dos dias numa jaula custeado pelo Estado).

Mas ninguém faz isso. É por culpa do transtorno que acarreta o simples pensamento de que se é um demente, um idiota. A humilhação instantânea. Todo ser humano vive para se esforçar e fazer seu melhor, mesmo que este melhor esteja muito abaixo do desejável. Prefere-se as dificuldades do “mundo lá fora”, o mercado de trabalho, o emprego insalubre, a existência sem sentido e o cotidiano enfadonho a qualquer enclausuramento mental. Talvez bata também (como me aconteceu), quando se reflete detidamente sobre o tema, o medo de se tornar um deficiente mental de fato, como resultado do hábito da dissimulação. Quem finge que é possuidor de um outro caráter há muito tempo frente a certas pessoas sabe do que estou falando. Uma coisa é parecer ser para angariar vantagens, outra é se converter na vítima do próprio golpe do baú. O que um completo incapaz poderia fazer? Nem que pedir esmola no sinal, o ser humano exige o direito de fazer alguma coisa. Quando penso que se tudo desse errado eu poria tal plano em ação, logo emanam dois impedimentos: o que eu poderia fazer? Talvez nem assistir televisão, ou ao menos não mudar de canal, porque não saberia mais contar, ou associar botões, controles, aparelhos, cores e cliques a movimentos coordenados do meu corpo. Não comemorar os gols do meu time. Não rir do que tem graça. Nunca mais. Tal perspectiva é apavorante. Não se está ganhando nada com isso. O sujeito mais convicto desta “saída” sofreria recaídas em menos de uma semana. Meu segundo obstáculo pessoal seria: nunca mais escrever, o pior dos interditos. Eu, que venho tentando emudecer, não aceitaria essa estaca no meu coração (onde afundaria, se entrasse pela mão destra), esse silêncio ainda mais fatal. Não acredito em loucos voluntários. No fim, em termos de sanidade, não tem como nos imaginarmos mascarados.

Tudo que cada um quer é aquele arrepio, aquela tensão, aquele sentimento de mover montanhas, que só se afiguram entre os poderosos. Ou entre as formiguinhas orgulhosas e persistentes que até o último instante têm esperança e apostam as surradas fichas nos seus sonhos.

(*) Para aqueles que consideraram ser este o ensaio mais ingênuo até então, se comparado com a série anterior, pense a respeito da doutrina da Contemplação de Platão e Aristóteles: em busca da Felicidade, viver a vida conforme as disposições de um débil mental. Recusar-se a qualquer tipo de afronta aos deuses! Ironicamente, tanta vontade de paz gerou “o mundo lá fora” desprezível que conhecemos. Mas nosso papel é aceitar a responsabilidade de combatê-lo, e não se esconder atrás de preces. Quem quer danar, vai salvar… …e o verbo continua…

O SONHO-PARÁBOLA PERFEITO

Publicado originalmente em 10 de fevereiro de 2009

Proletários de todas as idades – falo de crianças e idosos, como no século XIX – e dos dois sexos, e uma voz que ecoa pela escadaria como se por um alto-falante ou por um sistema de rádio. Todos em trapos e inclinados à rebelião, exceto este austero homem da voz, devidamente engravatado. Firme, seguro. Ele representa o Capitalismo. A massa representa não o marxismo, a democracia ou o mercado de trabalho, abstrações: trata-se do homem, da condição humana. E os homens, em bloco, se bem que caóticos, descem as escadas. O ricaço – este anti-próton, antípoda da existência, que se aglutinou a nós, que se tornou desde tempos imemoriais nosso pastor – contempla, maravilhado. A escravidão em sua modalidade mais explícita me foi mostrada neste sonho-espelho. Não faz muitos dias, ou semanas, que ando tendo essas incursões filosóficas até mesmo na esfera inconsciente. É sinal de alguma coisa: essas questões se apoderaram da parte mais funda do meu espírito, da minha essência.

É como se o prédio se incendiasse e fosse posto em prática nesse exato momento um plano de evacuação, orquestrado pelo sujeito polido. Uma crise do sistema, uma desordem social, que logo será contornada, para que tudo volte a se assentar, como antes, ou mais que isso: em bases mais sólidas. As pessoas parecem saber disso, mas não há alternativa. Alguns, mais insurgentes, crêem que depois de hoje nada será como fôra, a verdadeira revolução se aproxima. A exploração sepultada? Meu sonho penetra no verídico devaneio de bilhões de homens no decorrer da História.

Algo, no entanto, paira insondável. Aliás, ao invés de estático este algo talvez seja dinâmico, fluido, movimentado, eficiente, faceiro, sábio, sério e brincalhão na medida – uma entidade que opera com conhecimento total das circunstâncias, cujos propósitos até escapam à cena, algo que consegue enxergar além, uma origem e um destino do processo em curso – o momento da correria pelas escadas é o Ocidente, o mundo moderno. Esta criatura invisível, onisciente e observadora, o que é? Deus? Não, óbvio demais… Sou eu! E afora alguns detalhes meu sonho – eu diria extraordinário vislumbre alegórico – não avança mais do que isso…

Vamos aos detalhes: o grande proprietário, a burocracia de carne, rosto bem-aparentado, sorriso elegante, bom porte, enseja organizar seus soldadinhos em batalhões de diferentes tamanhos, de acordo com faixa etária e gênero. Há, como já mencionado, um burburinho, um mexerico, uma espécie de pólvora que promete comprometer essas fundações e que, depois, venha o que vier. A taça cheia precisava derramar seu conteúdo. Antes que as filas se organizassem como pedia a voz, tudo se desvanecia e eu acordava…

Às interpretações: o que é que diferencia os planos da massa dos meus diante desse “filme”? E o que faz de mim um antagonista invencível para este homem, enquanto só os operários com suas vontadezinhas imediatistas não passam de brinquedos sob rígido controle do dono? Eu sou a perfeição, diviso até uma das aparências ocultas desse homem engravatado: não é mais esbelto e galante, mas um gordo de cabelos encrespados, uma figura feia e áspera daquelas ante as quais se deve cuspir no chão ao se lhe dirigir a palavra, ou engolir em seco, caso seja seu patrão. O semblante de um obeso que promove o escárnio, ri sozinho e mata com suas piadas: o inimigo da sociedade há dois milênios.

O que vai acontecer é que eu vou combater este centro de poder com o único contragolpe à altura: ele mesmo. Os homens que rolam escada abaixo não podem tentar queimar suas fábricas, destroçar o Capitalismo: este último sempre triunfa. Eles devem sê-lo. Devem se fundir com a figura sebosa do capitalista: milhões de homenzinhos iguais, com a testa engordurada, um sorriso doloroso, o terno passado e justo, a conta no banco tão gorda quanto a própria silhueta. Isso traz à tona um diálogo – mais para lição, nada amigável – que tive há meses com um estudante de serviço social, engajado na promoção da  “justiça social”. Agora sim, com todos se comportando de modo pragmático, lucrando e lucrando… tudo vai desmoronar! Essa é a função atual do sindicato: ser burguês. Tornar-se a burguesia (um estranho crossover, é verdade), a classe unificada, a última habitante deste planeta. Para então se auto-destruir. Nenhum Aquiles escapa à sua sina. Clones em marcha: logo o senhor Narciso se enfastiará da própria imagem.

MINHA INTEMPESTIVA III: DAS VÁRIAS METÁFORAS QUE EU ENCARNO

Publicado originalmente em 7 de fevereiro de 2009 – editado

“Eu me arrependo de tal coisa.” Essa é uma frase corriqueira em nossas vidas. Mas tão comum quanto perecível. Quando se tem maturidade suficiente para se aperceber dos jogos de ação-e-reação que nos constroem e do papel do sentimento de culpa em cima de nossos atos, enfim, quando o sujeito apreende a “irrevogabilidade do crime” e enceta a direcionar seus erros a seu favor, tem-se finalmente autoridade para proferir a frase: “Todo arrependimento tem uma data de validade”. Se nem todos têm, é melhor embarcar na ilusão de que determinada ferida irá cicatrizar – ou não se consegue viver uma vida. Atente para meu exemplo: pelo menos um ano me arrastando em sonhos para ser readmitido no Colégio Militar. Mas eu engolia o dissabor com meu orgulho de leão (e não de pavão, que é um ser belo porém fraco) e não contava a ninguém – muito menos aos pais. Eis que quando a oportunidade se insinuou, piscou, tremeluziu… eu já me havia apoderado dela. Bingo! Todo arrependimento é vencível – seja pela ação do tempo, seja pela labuta individual (obviamente, essa é uma categorização como todas as outras: falsa, pedagógica).

Eu não me arrependo de descartar amigos. Talvez eu me arrependa de não descartar mais… Tenho de reconhecer que meu lugar jamais foi fora do reino burguês. Apesar de jamais ter sido dentro. É hora de cortar os laços que ainda restam para ser cortados. Não tenho mais amigos ricos e frescos. Sou tão estranho no ninho que ainda que com um bom porte, roupas adequadas e um celular da moda, não me confundiriam com um deles. Portanto, as badaladas do relógio hoje indicam: é tempo de se desfazer de quem te olha com estranheza não por estares de fora, mas por estares intrometido. Como disse, arrepender-se é ou precipitado ou vão. Claro que se trata de figura de linguagem – todo ser humano se arrepende e ponto. Resta saber, contudo, o que se faz a respeito dessa angústia de não poder alterar o passado.

Minha vingança é atroz porque me vingo de mim mesmo. E quando reconheço o erro, resta muito pouco para os idiotinhas fazerem. Quem sabe já se conformar com o prejuízo seja a melhor saída para eles. Um ex-amigo que está indo para o saco nesta temporada chama-se *******, o adolescente de meia-idade, o Peter Pan ébrio e urbanóide que se dedica ao ofício de ser o contrário do que a cara estampa a cada finalzinho de semana, para descontar a frustração existencial. Evidentemente, a cada criancice, o ser humano faz questão de propagar sua moral antípoda: “aprenda com os mais velhos”. Precisa de um Cristo a cada sexta-feira porque a mão está cravejada de calos demais para que dê outros três passos adiante com a cruz nas costas. Talvez a madeira deste Pinóquio esteja tão podre que ele não se vê mais capaz de pressentir o mal que devém. Ele espera que um terremoto o avise, sem embargo o tremor de terra é o próprio mal do qual ele deveria ter sido alertado…

Um pobre diabo desses, quando cair em si, vai notar o bilhete premiado que lhe escapou pelas mãos graças ao vento e que, quando estava prestes a reaver, escorreu pelo bueiro. Por um acaso um bilhete se arrepende de não ter sido de algum vencedor? Se não se está com o bilhete, a vitória é só um sonho perdido. O bilhete faz o vencedor. Nem que passe a ser benquisto, para o próprio gozo de si, o destino de se colocar fora de qualquer alcance no submundo, e deixar a mesquinhez lá em cima se acumular. Se todo o ouro volta ao dono, o único dono é o fluir ininterrupto, porque nesta aventura não há retorno – e se houvesse o dono já não seria o mesmo.

É chegado o momento, em suma, de singrar por novas águas, o que implica a deserção de marujos saudosistas em excesso. Nada de velhacos com manias de meninice, nada de bufões. Daqui em diante, que o capitão prepare o convés, a proa e o casco – e, porventura, se algo der errado, o bote salva-vidas.

Há dois anos que não me apaixono. Quantas recaídas? Vou me sujar de novo? Me sentar naqueles sofás carcomidos por traças?

Aos parasitas: aqui estão as chaves, mas é bom olharem para o chão antes de entrar, porque esqueci de dizer que moro numa imensidão. Uma imensidão que para pequenos praticantes da punga não tem nada de inteligível, é só uma queda no vazio.

Eu sou perigoso. Não ofenda o solitário. Eu não tenho absolutamente nada a perder, em nenhuma transação termodinamicamente cogitável. Um espírito como o meu — possui a sabedoria de cem deuses, e o conhecimento do veneno específico de cada um que tem o azar de me surgir como pusilânime. Principalmente os outrora-outra-coisa. Eu emito sinais claros de que estou prestes a fazer uma “burrada”. Como não se precavem, os vizinhos indômitos levam um caixote: do cimo da onda – domadores do mar! – aos arrecifes. Se ter Napoleão como escada é o ideal, a meta máxima, tombar dessa escada deve ser o que deixa o cotovelo mais roxo: e se alguém nunca está tão elevado quanto quando sobre um lance de escadas, também nunca esteve em maior risco. Eu sou o homem-dos-riscos. De que me importaria o juízo alheio, se só eu me leio?

O trapézio que eu era, o palhaço que eu fui, viraram o fogo dos aros, as facas dos alvos e as luzes do palco. Sem mim vocês não são nada. Mas comigo estarão mortos ou ofuscados.

MEA CULPA

Originalmente publicado em 1º de fevereiro de 2009 – com alterações

Tive meus anos de 2005, 2006 e 2007 pautados pelo liberalismo econômico mais ortodoxo. Relacionei-me com veículos de comunicação, pessoas e defendi idéias que não queria – não quereria, é dizer, se pudesse medir as conseqüências hoje. Me defrontei com muitas instituições, programas, crenças e vidas. Gerei polêmica, gerei tumulto. Em sala de aula ou em ambientes de trabalho. É verdade que, receber, eu jamais recebi por isso um só tostão. Até em paradas de ônibus na calada da noite eu me engalfinhei com desafetos (nem que apenas imaginários). Claramente havia uma atmosfera que me infectava, um acontecimento político escandaloso, a desilusão do passado (do infrutífero século XX), um curso superior errado, o impulso por ser contrário ao vigente, personalidades de cuja paralisia eu precipitadamente me alimentava.

Poderia elencar as principais figuras vivas, e os principais projetos em que me engajei (me enredei, vi depois) neste período, plantando desesperança e querendo colher a realização da liberdade: Diogo Mainardi, e sua sedutora e espetacularizante retórica – hoje eu não sei quem é esse homem, o que ele escreve ou deixa de escrever; Ga***** ***** – que me achem, esses indivíduos, no Google, se puderem –, o “presidente inteligente popular amigão” que atualmente enxergo lá embaixo como tendo sido uma trava temporária (ele era presidente de uma ‘limitada’ de adolescentes faz-de-conta, não se formava por incompetência, apenas puxava o saco de algumas patricinhas, era somente uma daquelas crianças rejeitadas que cresceram com seu amor pelos videogames e pelo Tio Sam sem saber o preço de uma amizade); Ra***** *****, um antiquado um pouco mais genioso que a rede de amigos geeks¹ ao seu redor, que pensa em “entabular diálogo” como “impor o meu falo”; professores muito… pessimistas; blogs em que trabalhei “querendo raciocinar em conjunto”, mas em que descobri o sobrepeso da minha opinião pessoal, dentre os quais o Abrigo Polar, o Horário de Brasília, As Fantas, o Bicarbonato de Sódio. Mi******, talentosa mas desorientada, R*****, Ma*****, um maluco ou outro da internet, Peu L*****, o adulterador de textos, Ca****, a chefe invocada, M***** S****, a de humor contagiante, colegas de ex-faculdade (ou ex-colegas de faculdade), todos me passam batido. Tem ainda o demoro.com, os jornais em que estagiei como clandestino. Seria impossível lembrar de tudo de uma lapada só.

¹ Cabe aqui esclarecer por que utilizo geeks e não nerds, uma etimologia arruinada que confundiria meu leitor – enquanto ser pensante eu ser considerado na maioria dos círculos jovens como nerd, com ou sem óculos, é auto-explicativo o bastante. Meu conceito de nerd/geek é: aceitar o mundo adulto só no que ele tem de eufórico: o aumento de poder, o carro, a bebida, as mulheres, as festas, as compras, poder olhar de olhos caídos alguém na rua e rumar para casa. Mas recusar as responsabilidades. Às vezes o nerd lê quadrinhos demais e esquece que por trás de toda a tecnologia do fabrico e a aparência há o fator humano e que nem tudo é uma rodada no Outback. Como o tio Ben do Homem-Aranha já dizia… (a frase todo mundo sabe) Porém, ninguém aqui quer saber o que implica o trabalho. Quando você cresce e seus amigos não, fica essa dificuldade de definição: o que há com eles? É precisamente isso: um estranhamento inter-geracional, porque você amadureceu mais depressa.

Este artigo não pode se resumir à modalidade acusatória. Também trago uma receita para um melhor entendimento de onde se pisa: 1) caminhar muito ao ar livre, se possível debaixo de sol forte e com roupas pesadas. Ou melhor: tentar os mesmos trajetos em diferentes horas do dia. Quando se está um pouco bêbado e se passa por uma cidade suja, escura, desolada e insolúvel não se acredita mais no capitalismo. 2) de vez em quando desligue a música e a TV e coma uma refeição em silêncio!

Continuando o que ia dizer, 2008 foi o ano da virada. E este texto é só mais uma pedra.

ANÁLISE PSICOLÓGICA DO SEXO NO PORVIR

Publicado originalmente dia 23 de janeiro de 2009

As orgias gregas não são como entendemos as nossas, porque eles não negavam o corpo. O Cristianismo é um estímulo catatônico à perversão. Universitárias com poucos dotes intelectuais logo se abandonam ao fogo, feito as bruxas. Estudo do prazer – dar ou obter o presente proibido/oculto. Mas tem de ser um jogo igualmente tácito, é assim que se joga. Se a libertinagem ganha publicidade e câmeras demais, inicialmente é prostituição, mas há algo estranho aí – uma mudança, um ganho contra o pudor moral. A permissividade como excitação (com predomínio ainda do sentimento póstumo de vergonha) cede à adoção hedonista como costume – não-proibido. Culto e re-valorização do corpo, portanto da nudez. Enfraquecimento da culpabilidade. Perversão => inocência (re-helenização). Nossas orgias ainda são o culto do socialmente reprovável. Caráter de desafio. Os bacanais gregos constituem o exame duplamente nu da verdade e das possibilidades do homem frente aos deuses – ele nasceu assim, ele é isso. Celebração da vida. O sexo sob o cobertor, o fabrico da vida às escondidas, soa como algo débil, aviltante da natureza humana. Até o ponto de se ter vergonha de testemunhar a cópula entre os animais!

“Se Goethe tivesse cavado um pouco mais fundo na essência da mulher, teria descrito um segundo Werther que foi levado ao suicídio não pelo amor frustrado, mas por ter logrado o amor carnal. Mil Werthers cometem suicídio espiritual, enredados na roda dos ciúmes, para cada Werther que quebra a cabeça porque uma plebéia idiota se recusa a atender uns suspiros apaixonados.” Friedrich Nietzsche

“Eu amei; eu também sofri, mas, acima de tudo, eu posso sinceramente dizer que eu vivi!” Fiodor Dostoievsky

O MELHOR GOLE D’ÁGUA

Originalmente publicado em 22 de janeiro de 2009

Hoje eu compreendo o sentido de três mudanças na minha vida: ter sido expulso do Colégio Militar; ter rompido com a quase totalidade dos meus colegas de curso; não ter me casado. Quando Nietzsche formulou o conceito de Deus ex machina¹ ele escrevia a serviço do cristão Richard Wagner. O Deus ex machina, se fosse atualizado, seria entendido como parte do indivíduo e de sua força – o sabor da roda do acaso. Sinto que estas três linhas divisórias da minha vida foram de obtenção inconsciente. Mas é o inconsciente nossa verdadeira fatalidade.

¹ Não “formulou”, mas utilizou de forma muito característica em seu primeiro livro. – 01/01/21.

Não houvesse sido inconseqüentemente submetido a processo disciplinar na escola-quartel em que estudava aos 14 anos, provavelmente hoje eu teria profunda ligação com amizades daquele tempo. Faria parte de um círculo razoavelmente sólido na Universidade de Brasília. Gosto de pensar que sou um barco à deriva ao invés de uma ilha, então minha base fluida me permite conhecer novas águas. Hoje eu entendo a modalidade de comportamento daqueles garotos, uma vez crescidos, como não tendo sido alterada mesmo após tantos anos. Sinto uma diferença muito dilatada entre nossos pontos de vista. Eles são minha antinomia: os filhos, os profissionais e os cidadãos que eu jamais seria. Conversas tediosas, rotina hedonista (cujo sinônimo mais próximo é “pessimismo”: falta de capacidade e de claridade mental para suportar a dor e até querê-la, como nascedouro de novas vitórias), projetos ligados ao dinheiro e falta de discernimento psicológico. Sem dúvida esta última característica é a que mais me irrita: não conseguem compreender as atitudes dos outros (eu posso estar feliz com a cara mais séria!). Tal deficiência é óbvia, pois seus universos são como a viseira de um cavalo.

O mesmo problema – exatamente o mesmo – se verifica entre novos jovens. Não tão novos assim: parecem cópias dos primeiros. Ao entrar no curso de sociologia, procurei avidamente me entrosar. Conhecimento e reconhecimento instantâneos. Estava caindo na mesma cilada de quatro anos antes sem perceber. Mas novamente houve uma interferência do que eu posso chamar de “o manobreiro-eu”, sua parte mais colada à essência, sua personalidade verdadeira, que opera sua casa-das-máquinas. Contra os incuráveis hedonistas – perguntem-nos por que bebem tanto, o que querem esquecer, por que preferem a palavra “solução” a “problema”! – encontrei a solução da mímica: me tornei o superlativo do beberrão. O que aconteceu depois disso foi a quebra de um dente da frente numa escada e o dano moral. Finalmente o operador se recostou aliviado e emitiu um suspiro: seu pupilo absorveu o recado. Pude iniciar meus rompimentos no campus: uma série que ainda não acabou. Disposição havia, mas faltava o motivo: um para cada um, como seria desgastante! Mas, ao fim, bela manobra! Infelizmente, depois de baixar a poeira, percebi que algumas cabeças permaneciam fiéis. Mas eram fidelidades que doíam. Querer-se todo para si: esse é o extremo do amor! O próximo trabalho, em curso, está sendo revolver essa gente, que também me faz sentir apequenado. Já não basta a carência de rivais dignos, para injetar um pouco de graça? O que há no momento são mil sombras indiferentes e alguns adolescentes que ainda me incomodam por estarem do lado que se chama de “os amigos”: não há grupelho mais propenso a destruir o que um tem de mais valoroso do que esse. É preciso tomar muito cuidado com cada coisa que deles se ouve e com cada postura que eles sub-repticiamente nos incitam a tomar.

Meu plano inicial – e falo de outro tipo de relacionamento agora, ocorrido cronologicamente entre esses dois primeiros marcos citados – era terminar a faculdade de jornalismo já despachando num jornal e me casar. Havia pressão da namorada para que isso acontecesse, e como ela era “o bem mais precioso” eu tinha de me esforçar. Uma vida inteira ao lado de quem se ama, a segurança sexual almejada pelo homem, quem sabe daí a vôos mais altos: lindos filhos, a propalada vida do bem-estar. Era o vírus do hedonismo, do ser humano sempre apático diante do que a vida tem para oferecer, esse querer-se enclausurar num conto-de-fadas, que me atacava outra vez. Como o ferrão de uma abelha, ou a agulha de uma injeção, de quem espera a anestesia, a sonolência, a amnésia profunda. Eu havia me esquecido que o amor perverte mais do que a amizade, é a amizade que dorme consigo na cama! A amizade de papel lavrado. A amizade não é o problema. Mas ser a amizade errada, e não sabermos onde raios se encontram as certas. Parece que não há naturezas como a minha. É esse o preço a se pagar por se desejar um pouco de desafio, querer tomar um gole d’água gostoso, e não porque se diz por aí que beber água faz bem para a saúde? Que bem é esse? Viver mais enquanto se nega a viver? Minha potencial noiva se apaixonou por outro e o sonho americano foi pulverizado. Aos 20 anos, eu confesso que sei demais: muito mais do que jovens hedonistas, cuja preguiça me cansa. É preciso aprender, tolinhos, que o gole d’água só é gostoso quando se está com sede…

DESENCANTO E REENCANTO DO MUNDO

Originalmente publicado em 22 de janeiro de 2009

Lendo CartaCapital e a matéria sobre o barulho crescente de São Paulo e juntando isso com o Necrose de Edgar Morin eu cheguei a um importante insight: contrariando – ou, antes, solvendo a dúvida da – minha nota prévia (abaixo) sobre o horror nuclear, o grande fenômeno que parece demarcar o início da derrocada do Ocidente e que sucede imediatamente o ponto máximo da era fabril é mesmo a Segunda Guerra Mundial. Agosto de 1944, para ser mais exato. Neste momento os embriões congelados das criaturas e coisas trágicas começam a fermentar. Este é meu procurado “turning point” da transmutação de todos os valores. É a este momento de sangue semita-japonês que Nietzsche se referia com garbo meio século antes. Apesar de índices enganadores como o neoliberalismo pujante dos anos 80-90, isto já é decadência, pois o fôlego dos Estados representou a espoliação das massas, assim como o poderio soviético nos anos 50-60 é a demonstração de que a assim chamada cultura moderna não consegue sustentar seus ideais, embarca com fé numa nova solução, uma resposta para a crise, a qual irá tombar.

A Liberdade, dilema sempre central – cuja apoteose se deu na Revolução Francesa, durante a qual o homem estava no ponto-médio entre o servilismo feudal e a escravidão humanitário-democrática (julgando-se vitorioso sobre a primeira condição e ignorante da segunda) –, chegou ao paroxismo da sua auto-destruição com vistas a tornar-se soberana: abdiquemos de nossa liberdade individual, como autores de escolhas, e sacrifiquemos o czar, defensor de uma liberdade antiga e ultrapassada, para que as vozes sábias do Partido Comunista nos ordenem como há de ser daqui em diante, sem Deus. Esse era o teor do discurso, se pudéssemos ter ouvido francamente.

É conhecido o cenário vigente de proto-deuses que ainda concorrem para tomar o lugar da falida deidade cristã, do envelhecimento e pacificação da população, da desertificação, da mentira do crédito e da busca pela vivência alternativa, seja ainda parcialmente consumista ou radicalmente eremita, mas sempre mais “Gaia”. A aceleração que é ininterrupta ao expectador é aparência. Não existe expectador, todos estão do lado de dentro do trem-bala. Talvez por isso não percebam, mas a sensação de velocidade se intensifica não porque os trilhos sejam percorridos mais rapidamente, mas porque as edificações do último milênio vão desabando em ruínas como nunca antes. Se Guy Debord soubesse que seu retrato não passa de aparência…

Este escrito é de alguém lúcido, no olho do furacão. Minha única ressalva é: não admito a ingenuidade de que novas catástrofes não ocorrerão e que a transição será tranqüila – vide proliferação nuclear entre nações do Terceiro Mundo. Intentei apenas descrever qual momento histórico era o ápice da contradição, entre tantos episódios, passados e vindouros.

Escrevi em 7 de dezembro (com reformulações na data presente para tornar o manuscrito acessível):

Terão sido as Guerras Mundiais e a Guerra Fria – o século XX – o estopim do processo de loucura niilista por que perpassa a humanidade, ou a a-humanidade, o ocidente decadente? Teremos a tranqüilidade de dizer que doravante o anel exibe sua curva ascensional rumo à idade de ouro trágica? Ou é necessário mais um esforço, um empenho sublime, um contagiante acesso de fúria, uma alta da maré tanto mais feroz para nosso século quanto o que a onda nazista representou para o rochedo outrora tão vacilante, inconsistente? Este, o rochedo da capacidade de assombro humano – o que hoje nos assombraria, para além de duas nuvens de cogumelo? O que será isso, ó Mãe-Natureza? De uma coisa tem-se a certeza: não existe fim de mundo, ou fim da História…

“No princípio, era a ação!” Wolfgang von Goethe

“O sociólogo precisa entender o que é apurar necessidades. Eu trato do que é inevitável a longo alcance.” O Autor

“Existem pessoas centrípetas e centrífugas. Algumas empobrecem sua essência ao longo da vida, dissipam suas energias. Eu reúno o gasto sem propósito ao meu redor para realizar meus projetos” O Autor

NIETZSCHE CONTRA TODOS, APOLOGÉTICA DO HOMEM

Publicado originalmente em 13 de janeiro de 2009

Sobre a imaturidade autoral: quando publicar imediatamente uma obra ou esperar mais tempo. Nietzsche já era auto-suficiente, se assim se pode definir, quando lançou O Nascimento da Tragédia. Zaratustra sem dúvida é outro píncaro, mas são aí dois autores cuja relação de linearidade não pode ser traçada.

Jesus e Nietzsche: os últimos transmutadores, os bodes expiatórios da Europa. É citado Copérnico,¹ e poderia ter sido lembrado Galileu: aqueles que não tiveram problemas para levar adiante suas revoluções em vida, ou que desistiram em um último momento porque não tinham a força requerida. Nietzsche é um contra-exemplo: não se ajoelhou, não pediu perdão. Foi este santo que pagou com o próprio sangue para que os preconceitos da época fossem revistos. Aquele que não gerasse polêmica – um wagneriano – estaria levando a Europa para o caminho mais fácil e equivocado. Jesus podia muito bem ser substituído por Sócrates, para ficarmos na filosofia. Um homem como Sartre, que se torna pop star e colhe os bons frutos em vida…? Não se se quiser a verdade. Hoje em dia parece ser fraco o apelo de Cristo: quem morreria por ele? De igual modo, não conheço outros filósofos tão proscritos… Lutero quase representa esse pathos fatalista. Mas esses cânones modernos, de Platão em diante, tiveram existências tranqüilas, uma posição por demais asceta. Nietzsche jogou fora, por assim dizer, uma carreira de talento precoce para enobrecer o homem niilista. Professor da Universidade da Basiléia aos 23 anos, trabalhos sobre os pensadores do helenismo que eram muito lidos e divulgados com prestígio. Era apadrinhado de dois influentes mestres, Ritschl e Richard Wagner. Só um louco ou idiota – para Dostoievsky – abriria mão de sua trajetória individual para conceder aos humanos do porvir, a essa massa cristã desesperançada, a chave da cela. O meio-dia da eternidade. Sua posteridade auto-sentida pode ser atestada pelos subtítulos de suas obras. Zaratustra: um livro para todos e para ninguém. O irônico é que algumas tempestades sobrevêm sem aviso. A dinamite nietzscheana quase não tem explicação. Seu estado mental, talvez o corpo mais perfeito de todos, o mais intenso brilho da arte até o século XX, assimilou o que um mero humano com sêde de afronta e de desafio não lograria fazer. Pode-se dizer sem medo que a Prússia estava diante de um milagre. O filho de Deus voltou à Terra, pereceu, procrastinou o Juízo Final por mais 2 ou 3 mil anos e ninguém está ainda a par. Se eu achasse ainda por um segundo que vivo em vão haveria aí um grande desperdício. O engraçado é que, ao contrário de Sócrates, Friedrich jamais teve um intérprete a sua altura. Tendo escrito – muito –, talvez tenha reunido dois em um, professor e aluno. Não era seu filho espiritual esse tal de Zaratustra?

¹ My Sister and I, Introduction, por Oscar Levy

Pequeno pedido: que os Direitos Humanos, que nunca existiram, fossem declarados inutilizáveis por qualquer nação. Que seu uso como prerrogativa para o apodrecimento do homem seja proibido. A guerra, atitude que jamais deixará de ser nobre, da qual cada um de nós homens poderá tomar parte um dia, é a mais peremptória negação desse remendo brutal da oratória suja do século vinte: e assim deve ser. Que o direito – e até a obrigação – de matar o próximo seja olhado com carinho. Viver é matar todo dia.

A VENDETA E O MAL-ENTENDIDO: O CENTRO, A LENTE E O REBANHO

Originalmente publicado em 13 de janeiro de 2009

Hoje a chamada “instância central” dita o comportamento humano. Porém, não existe qualquer fonte objetiva – mediana social – quando se fala em homem. O indivíduo contemporâneo é apenas uma planta adulterada – o rascunho original está perdido. Com respeito a qualquer grandeza e dignidade na palavra “homem”, elas vêm do próprio ente, não da transferência de responsabilidades ao vazio. A proibição da vingança pessoal é o indício mais claro dessa falência moderna do homem: o Estado é o responsável por julgar, vigiar a condenação, condenação que ele próprio criou… Mas quem é o Estado? Não se trata de um homem maior e mais poderoso – trata-se da covardia dos pequenos reunida. Sentimentos agregados de vergonha jamais fariam frente a um gênio indivisível, ainda que renegado – por isso nem se pode falar em Napoleão, que já em seu tempo foi a esperança do “século”, até sucumbir à máquina burocrática.

Quando o Estado é questionado há cheiro de grandeza – ressurreição? Exceto quando esta revolta é inspirada por outro “centro neutro” ao invés das pessoas. De novo a ingerência do espaço vazio! A lente midiática atua como um segundo detrator da verdadeira assunção de responsabilidade. É um Estado sem sede ou exército – ou talvez essa assertiva seja muito ingênua. A vendeta da televisão é apenas outra cadeira elétrica. Não há aí punição com as próprias mãos. Há apenas uma sujeira anônima – no íntimo, esse anonimato é uma confissão de culpa geral, em uníssono. Uma sociedade que gostaria de ser queimada na fogueira. Quem é o carrasco?

A conversão da imprensa dos magnatas em “cada um emite a sua notícia”, paradoxalmente uma tendência em propulsão graças a um grupelho de bilionários, que começa a falir os jornais e vê a infinitude dos blogs no espectro, é uma resposta inicial de uma mãe-natureza que nunca morre, de uma história que não acaba. Digamos que daqui a duas décadas já esteja bem mais claro o “olho por olho”. Eu quero ser reconhecido por isso! Quem grita mais alto passa a ser ouvido: a atração será a magnitude do próprio eu, nada de cunhadismo – que cunhadismo? Um brasão de família que volte a arder! – ou venalidade. Já há blogueiros que não silenciam barato…

A ÉTICA PROTESTANTE E O “ESPÍRITO” DO CAPITALISMO 2.0

Originalmente publicado em 10 de dezembro de 2008

[Com múltiplas alterações]

GLOSSÁRIO INTRODUTÓRIO

ANABATISTAS

Ana – outra vez; i.e., de novo um batista (protestante). Vertente radical, atiçava camponeses a se revoltarem e pregava um retorno ao cristianismo primitivo, considerado por outras ordens cristãs como pagão. O “ana” foi acrescido pejorativamente pelos rivais, uma vez que esta seita extrema se caracteriza por permitir o batismo de – e só de – adultos. Como um adulto é geralmente um bebê que um dia fôra batizado por um padre católico, tem-se um re-batismo.

ANGLICANOS

Hibridismo entre a Igreja Católica e o protestantismo (os pastores têm autoridade sobre o rebanho, como o padre). Criticados pelos demais protestantes graças à suntuosidade cerimonial recorrente.

ARIANOS

De Arius (séc. III d.C.), que era contra o dogma da Santíssima Trindade. Jesus não era Filho de Deus, mas um homem mortal que não ressuscitou. Testa-de-ferro do antissemitismo (utilizada por outras seitas que não queriam essa mancha). Curiosamente, um judeu diria o mesmo sobre o Espírito Santo, Maria e Jesus… A diferença está somente em que cada qual pensa que é o povo eleito. Mas não percamos tempo tentando adivinhar ou interpretar o porquê de tantas sutilezas absurdas… O cristianismo não é coerente, como nenhuma religião apresenta elevada coerência interna fundamental.

BATISTAS

Bastante descentralizados em suas paróquias. Seguem o texto da Confissão de Westminster (1647). Alcunhas: “os independentes”, “congregacionalistas”.

CALVINISMO

Predeterminação do destino da alma. Calvino condena a grande maioria ao inferno de antemão.

CONFISSÃO DE AUGSBURGO

Rompimento formal com o papado.

CONFISSÃO DE WESTMINSTER

Melhor síntese da fé calvinista.

LUTERANOS

Pouco tratados em Weber. Um traço essencial que os distingue dos calvinistas: são mais ecumênicos e hierárquicos, estando mais próximos do catolicismo. Após o séc. XVI os luteranos recusaram em geral o epíteto de “reformadores” ou de “religião reformada”.

METODISTAS

Luteranos dissidentes dos luteranos ortodoxos. Americanos.

O PROBLEMA DA TEODICÉIA OU DIREITO DIVINO

A tentativa de explicar a injustiça do mundo, que emana de um Deus Bom e Todo-poderoso. Cerne da contradição lógica das religiões monoteístas. Recorre-se à retração da onipotência de Deus para que o livre-arbítrio torne-se possível, o que gera outros problemas derivados.

PIETISTAS

Surgidos do luteranismo, um século depois. Maior ênfase na interpretação da Bíblia, para a qual tendem a chegar a conclusões (não deixar versículos com significação ambígua em aberto). Ultra-moralistas.

PRESBITERIANOS

Ingleses que, diferentemente dos anglicanos, não são organizados em hierarquia.

PURITANOS

Não admitem qualquer igreja. De certo modo os calvinistas são um subconjunto dos puritanos. Outros puritanos – como os quakers – são ainda mais extremistas neste critério. Ultra-moralistas idem. Sobre a relação controversa entre puritanismo e calvinismo: “Para Weber, o puritanismo é cria do calvinismo, [embora] nem sempre [de forma] direta”. Weber, por praticidade, pode se referir ao conjunto dos protestantes, quando não com esta palavra, por “puritanos”, englobando todos os cismáticos (luteranos, calvinistas e todas as seitas aqui enumeradas).

QUAKERS

Protestantes radicais. São contra a igreja física e a instituição do batismo. Advogam que a consciência é a única ferramenta do fiel em sua dúvida quanto à salvação. Reúnem características pragmáticas que os filiam ao que há de mais capitalista e ocidental. Fortemente individualistas; presença na política ianque (origens do Partido Republicano).

RABINISMO

Judaísmo tardio.

SEPTUAGINTA

Uma seleção limitada dos livros do Antigo Testamento considerados canônicos, traduzidos por 70 sacerdotes do hebraico para o grego, em Alexandria.

* * *

Lutero é produto do misticismo panteísta alemão de circa 1300. Exalta a natureza, enxerga a obra de Deus em todos os detalhes. Beira a heresia. Aqui vê-se por que Lutero foi preterido na obra: a unio mystica é o contraponto da ascese espiritual. O homem religioso europeu pós-Reforma é um vitral em pedaços.

PARTE I – O PROBLEMA

1. CONFISSÃO RELIGIOSA E ESTRATIFICAÇÃO SOCIAL

O “Espírito” do título é o mundo desencantado, sem Deus, e por isso sem indivíduo também.

Pode-se dizer que Lutero foi o assassino de Deus, ao torná-lo transparente mediante a tradução das Escrituras ao alemão vulgar. A transcendência se tornou universal, o portão para o Paraíso muito largo. Lutero quase suprimiu a dialética do senhor e do escravo, convulsionando a Europa. Perto de Lutero, Calvino não só é menos revolucionário como aristocrático e elitista.

Os judeus são ricos porque são párias onde vão, o que fá-los voltar-se com muito privilégio para o sustento material.

Weber não dá crédito à tese dos “países mais ricos” estarem ligados ao Protestantismo. Caso contrário, a França seria mais pobre que países como a Polônia. Na Polônia a elite financeira era de reformados. Os huguenotes franceses também eram protestantes.

2. O “ESPÍRITO” DO CAPITALISMO

A Filosofia da avareza do “quaker” Benjamin Franklin: cada 50 centavos gastos num café deixariam de ser 100 libras no futuro. Comprar um café é o mesmo que atirar vultuosas notas ao mar.

O Norte americano não tinha intuitos comerciais, apenas pregadores: logo se tornou “próspero. O Sul, de finalidade mercantil, estagnou.

Jesuítas: protestantes disfarçados no campo católico.

3. O CONCEITO DE VOCAÇÃO EM LUTERO. O OBJETO DA PESQUISA

Se alguém foi chamado já circunciso, não dissimule sua falta de prepúcio. Foi alguém chamado com prepúcio? Não se faça circuncidar.”

CONFISSÃO DIARISTA: Dia 17 de outubro, na biblioteca, compreendi eu ser o centro, não sendo-o. Essa dissimulação eterna entre unidade e caos. Me veio à tona um passado que eu não pude escolher que me tornou o que eu quis. Consonância cósmica. Há metafísica e não há.

Pascal, esse Janos da religião e da ética.

PARTE II – A ÉTICA PROFISSIONAL DO PROTESTANTISMO ASCÉTICO

1. OS FUNDAMENTOS RELIGIOSOS DA ASCESE IMANENTE

o virtuose religioso pode certificar-se do seu estado de graça, quer se sentindo como receptáculo, quer como ferramenta da potência divina. No primeiro caso, sua vida religiosa tende para a cultura mística do sentimento; no segundo, para a ação ascética. Do primeiro tipo estava mais perto Lutero; o calvinismo pertencia ao segundo.”

O fim de semana é uma religião dos magos!

os adeptos de Nietzsche reivindicam para a idéia de eterno retorno uma significação ética positiva. Só que se trata aqui da responsabilidade por uma vida futura com a qual o sujeito da ação não guarda nenhuma relação de continuidade de consciência [?!], enquanto para o puritano o futuro queria dizer: tua res agitur (Problema seu!).”

Se a certitudo salutis podia aparecer antes, então ou neste momento o indivíduo se desligava da ascese; ou se tornava um ultra-calvinista, porque sua certeza de salvação fazia de si um santo em vida.

grosso modo, grau ascendente de “puritanismo” pós-Reforma:

LUTERANISTA PIETISTA (menos o alemão) METODISTA¹ CALVINISTA² (descreve idealmente a ética ascética weberiana)

¹ Os metodistas eram mais pragmáticos que os pietistas e bastante mais conscientes de sua mudança de Weltanschauung da predestinação do que os luteranos, mas além de menos ascéticos que os calvinistas só surgiram temporalmente depois como seita organizada e descritível.

² Incluindo batistas, anabatistas, quakers e menonitas.

Quase todas as seitas resultam de cismas protestantes; a grande exceção são os batistas, que formaram voluntariamente um grupo à parte. Anabatistas são radicais “ermitãos trabalhadores”.

A ascese cristã, que de início fugira do mundo para se retirar na solidão, a partir do claustro havia dominado eclesiasticamente o mundo, enquanto a ele renunciava. Ao fazer isso, no entanto, deixou de modo geral intacta a vida cotidiana no mundo com seu caráter naturalmente espontâneo. Agora (séc. XVI-XVII) ela ingressa no mercado da vida, fecha atrás de si as portas do mosteiro e se põe a impregnar com sua metódica justamente a vida mundana de todo dia, a transformá-la numa vida racional no mundo, (mas) não deste mundo nem para este mundo.”

O NOIVADO ENTRE RELIGIÃO CAROLA & CIÊNCIA: A ética pedagógico-protestante dá preferência à física, a disciplina racional que “desencanta o mundo”.

Religião ou economia, qual é a infraestrutura e qual é mero epifenômeno? Qual é o absoluto e incondicional e qual é a superestrutura? Debate superficial e seletivo. Marx e Weber eram inteligentes o bastante para não separar a justaposição indefinível destes dois aspectos humanos. A necessidade de separar em palavras era para fins didáticos ou polêmicos. Ambos são concordes, não rivais epistemológicos.

As democracias mais fracas do séc. XX vêm de tradição católica. O nazismo teria de advir do país da revolução luterana (o calvinismo incompleto, “místico”, apegado ao Pai-Führer).

Anedota: entre os quakers o ataque às imagens e rituais foi tão aberrante que gestos de etiqueta como “tirar o chapéu” se tornaram sinônimo de submissão espiritual – e portanto sinal ou sintoma ante-tempore de não-eleição, não-salvação no Fim dos Dias. Quaker = o caipira americano.

2. ASCESE E CAPITALISMO

O calvinismo evolui a uma heterodoxia (ou neo-ortodoxia fragmentada?): Baxter, o Puritano; Spener, o Pietista; Barclay, o Quacker.

Perder tempo é o pior dos pecados.” Baxter

Daí a “tempo é dinheiro” não cu$ta muito (cof, cof)…

O repouso só é tolerável nos domingos.

Tomás de Aquino não tem ainda essa percepção sobre o trabalho.

Para Baxter, os ricos devem trabalhar tanto quanto os pobres; não é questão de dispor de capital que torne o desempenho de uma vocação facultativo, mas de cumprir um dever ineludível.

Baxter evoca esboços de conceitos que seriam desenvolvidos por Adam Smith. Ex: vantagem comparativa. Os trabalhadores devem se especializar. O artesão como “vadio”. Idade de ouro da carreira profissional.

Não o trabalho em si, mas o trabalho profissional racional, é isso exatamente que Deus exige”

ENGENHARIA ESCRITURAL: Os trechos do Antigo e Novo Testamento propícios para seus sermões eram cuidadosamente pinçados; qualquer versículo cuja interpretação fosse contrária à ascese laboral era logo rechaçado. Guerra contra a magia e a transcendência.

Carlos I, Book of Sports

O primeiro estadista do “bem-estar social”.

O corpo continua sendo abjeto, porém, como é por meio dele que se restabelece a “graça para com Deus”, ele deve ser preservado pelo bem maior.

As seitas calvinistas eram originalmente inimigas do esporte, “prática francamente irracional”, incorrendo em desperdício de energia física, atividade vizinha das festas, da embriaguez e das apostas. Até mesmo banhos quentes deveriam ser evitados.

Os homens deviam usar roupas padronizadas, isto é, uniformes, para mostrar que não diferiam enquanto ovelhas do rebanho.

a ascese era a força ‘que sempre quer o bem e sempre faz o mal’”

Resultado imediato: acumulação de capital mediante estímulo ao trabalho e concomitante coerção ascética à poupança.

A história inteira das regras das ordens monásticas é em certo sentido uma luta perpetuamente renovada com o problema do efeito secularizante dos haveres” “O mesmo também vale em maior escala para a ascese imanente do puritanismo” Os mais críticos em relação a esse trabalho de Sísifo acabaram por estruturar a seita metodista.

robinsonada”: Qualquer raciocínio caricato que define o Homo oeconomicus. Robinson Crusoe promoveu uma divisão de trabalho esquizofrênica em sua ilha deserta a fim de “enriquecer” e aproveitar melhor o tempo. Curiosamente esta idéia lhe veio após ler a Bíblia.

O que fazer com os franciscanos, p.ex.? Eles tinham sua utilidade: enquanto houvesse quem pedisse esmolas, haveria o crente enriquecido que as dava, respeitando seus próprios mandamentos, aliviando a consciência. Na Inglaterra é notório o aumento da miséria (o bem que traz o mal).

Solução do dilema”: o capitalista que obtém lucro e reinveste no próprio negócio amplia a glória divina; o empregado, sem os meios, edifica sua existência ao vender sua força de trabalho.

De passagem, podemos afirmar que Freud se enganou (além de tudo o mais!) em sua simbologia fezes = dinheiro. O correto seria leite = dinheiro. Mammon, mamonismo, mamona, mamão, peito, mamilo e leite. Sanguessuga e parasita. Seiva da árvore da vida, lobo do homem. Matar para comer. Lentamente. Os mais próximos, sem tabu. Bezerro de ouro contra Moisés. A brancura que escorre junto com o sangue. Alguns são simplesmente alérgicos a ele, é de nascença. Sucção, palpitação. Vacas magras. Safra gorda. Desmame traumático. A queda. Não é possível a auto-suficiência.

Estética da mudança: os ingleses e o insípido canto coral. “o que se ouve o mais das vezes a título de ‘canto coral’ é uma gritaria insuportável para ouvidos alemães”

A Holanda em seus últimos anos de supremacia no mercado mundial: “os pregadores ingleses evocavam o exército holandês quando queriam ilustrar a confusão babélica das línguas.”

em Shakespeare, ódio e desprezo pelos puritanos não perdem a chance de se manifestar a cada passo de sua obra” “Ainda em 1777 a cidade de Birmingham denegou autorização para a abertura de um teatro sob o pretexto de que iria fomentar o ‘ócio’, sendo portanto prejudicial ao comércio.”

o Quaker era a ‘lei da utilidade marginal’ ambulante.”

Quem se diverte em esclarecer uma idéia seguindo-a até suas últimas consequências, lembre-se daquela teoria de certos milionários americanos segundo a qual não se deve deixar para os filhos os milhões adquiridos só para não privá-los do benefício moral que só a obrigação de trabalhar e lucrar por sua própria conta e risco pode dar: hoje, evidentemente, isso não passa de uma bolha de sabão ‘teórica’.”

Consumação de uma tragédia (outro sintoma): os reformados ianques tinham horror à obesidade. Hoje são obesos e ociosos.

Quis o destino que o manto do santo se convertesse numa rígida gaiola de ferro!”

O rosto corado e alegre do Iluminismo não parece menos fadado a empalidecer e embotar, e a idéia do ‘dever profissional’ ronda nossa vida como um fantasma das crenças religiosas do passado.”

Todo funcionário público é ateu – minha alma só serena e encontra sua salvação ao mergulhar nas perturbações da minha vocação de escritor.

Uma das passagens mais brilhantes e memoráveis da “sociologia” (totalmente tributária de Nietzsche e da crítica econômica que nunca coadunou com a utopia positivistóide desta ‘ciência’):

Ninguém sabe ainda quem no futuro vai viver nesta gaiola, e se ao cabo desse desenvolvimento-monstro (I) hão de surgir profetas inteiramente novos, (II) ou um vigoroso renascer de velhas idéias e antigos ideais, (III) ou se o que vai restar não será uma petrificação chinesa, arrematada com uma espécie convulsiva de auto-suficiência. Então, para os ‘últimos homens’ desse desenvolvimento cultural, bem poderiam tornar-se verdade as palavras: ‘Especialistas sem espírito, trocistas sem coração: esse Nada imagina ter chegado a um grau de humanidade nunca antes alcançado!’.”

Chega mesmo a arrepiar.

(I) Zaratustra ainda não está maduro.

(II) Ainda não.

(III) Talvez Zaratustra morra ainda em botão, ‘velhas tradições’ nunca se revigorem, e nosso destino seja a prisão de aço inoxidável e vidro blindado do “budismo chinês”, ocidentalizado. O último homem é o prisioneiro inconsciente. Voltamos a Platão. Não avançamos sequer um passo. Volta a esperança pelo número I. A contradição: só num estado de Nirvana auto-suficiência, petrificação e agitação poderiam coexistir.

Recomendação: Para mais sobre a “igreja invisível”, ler artigo de W., As seitas protestantes e o Espírito (…). Ainda é difícil encontrar esse artigo traduzido. Talvez no original ou em inglês.

THE FREUD FILES: An Inquire into the History of Psychoanalysis – BORCH-JACOBSEN & SHAMDASANI, 2012.

We wanted to study the history of the history of psychoanalysis and to understand better the basic issues of this fascinating and conflictual field – fascinating because of the conflict. We wanted, in the end, to draw consequences from historical criticism for the understanding of this strange movement. For any reckoning with the status of psychology, psychiatry and psychotherapy in today’s societies at some point requires coming to terms with Freud and his legacy.

We would like to thank all those who accompanied us in this task and above all the historians who agreed to be interviewed. Many became friends (when they were not already) and guides in the minefields of Freud studies: Ernst Falzeder, Didier Gille, Han Israëls, Mark S. Micale, Karin Obholzer, Paul Roazen, François Roustang, Élisabeth Roudinesco, Richard Skues, Anthony Stadlen, Isabelle Stengers, Frank J. Sulloway, Peter J. Swales.”

INTRODUCTION: THE PAST OF AN ILLUSION

Copernicus, Darwin, Freud: this genealogy of the de-centred man of modernity is by now so familiar to us that we no longer note its profoundly arbitrary character.” “As Bernard I. Cohen and Roy Porter have shown, the motif of the ‘revolutions’ effected by Copernicus, Galileo and Newton is a commonplace in the history of science since Fontenelle and the encyclopédistes, and Freud was certainly not the first, nor will he be the last, to recycle it to his advantage. However, he was by no means the only figure in psychology to do this, which immediately relativises his version of the evolution of the sciences. At the end of the nineteenth century, there was a veritable plethora of candidates vying for the title of the Darwin, Galileo or Newton of psychology. But how did Freud’s audience, and indeed so many others, come to believe in Freud’s entitlement, rather than that of one of his rivals?” “this ambition was one shared by many psychologists at the end of the nineteenth century, from Wundt to Brentano, from Ebbinghaus to William James.” “When the Swiss psychologist Théodore Flournoy obtained his chair in psychology, he insisted that it be placed in the faculty of sciences.” Coitado.

In placing this chair in the faculty of sciences, rather than in that of letters where all the courses of philosophy are found, the Genevan government has implicitly recognized (perhaps without knowing it) the existence of psychology as a particular science, independent of all philosophical systems, with the same claims as physics, botany, astronomy”

Flournoy – Esprits et médiums

Until then, knowledge of Man had been scattered between the stories of myth and religion, the speculations of philosophy, the maxims of morality, and the intuitions of art and literature. Psychology would replace these incomplete and partial knowledges by a true science of Man, with laws as universal as physics and methods as certain as those of chemistry.”

Freud’s teaching has been compared with the puerperal fever theory of Semmelweiss, which was initially ridiculed and then brilliantly recognised. If we certainly also revolt against this, it would still be cruel to compare Freud with Hahnemann, the founder of homeopathy. It is perhaps closer to think of Franz Joseph Gall, whose theories, despite some striking points of view and findings, fell into rejection immediately due to their uncritical exaggeration and utilisation, including good and bad components.”

Wilhelm Weygandt

Legenda is a story meant to be repeated mechanically, almost unknowingly, like the lives of the saints that were daily recited at matins in the convents of the Middle Ages. Just as the removal of these legendae from history facilitated their vast transcultural diffusion, so the legendary de-historicisation of psychoanalysis has allowed it to adapt to all sorts of contexts which on the face of it ought to have been inhospitable to it, and to constantly reinvent itself in a brand-new guise.

Each has his own version of the legend – positivist, existentialist, hermeneutic, Freudo-Marxist, narrativist, cognitivist, structuralist, deconstructivist and now even neuroscientific. These versions are as different as can be, but they have this in common: they all celebrate the exceptionalism of psychoanalysis, removed from context, history and verification.” “In this sense, it is not simply a question of reducing the Freud legend to a fixed narrative, which would simply require a point-by-point refutation, as Sulloway attempted. Rather, the legend has an open structure, capable at any moment of integrating new elements and discarding others whilst maintaining its underlying form, which remains recognisable. The elements can change, particular theories or conceptions of Freud can be abandoned or remodelled to the point where they become completely unrecognisable, but the legend survives.” “That even a philosopher of science of the caliber of Kuhn repeats the Freud–Copernicus comparison illustrates the extraordinary cultural success of the Freudian legend”

In many circles, calling into question the existence of the unconscious, the Oedipus complex or infantile sexuality could provoke the same response as to creationists or members of the Flat Earth Society.” “It was ‘blackboxed’, to use the language of sociologists of science (Merton, Latour), that is to say, it was accepted as a given that it would be simply futile to question.”

One finds the same problem and the same evolution in the history of psychoanalysis. This was started by Freud himself in 1914, in the heat of the dissensions and controversies which threatened to shipwreck the movement, and with obvious polemical intent. It was subsequently taken up by followers and fellow travellers such as Fritz Wittels, Siegfried Bernfeld, Ernest Jones [o Arcanjo Negro de Jeová-Freud], Marthe Robert, Max Schur, Ola Anderson and, closer to us, figures such as Peter Gay, Élisabeth Roudinesco and Joseph Schwartz.¹ Whatever the respective merits and the sometimes considerable erudition of their works, it is not unfair to remark that their historiography remains profoundly Freudian, and does not put into question the general schema of the narrative proposed by the founder, even when their research forces them to abandon or revise this or that element of the legend.” “Thus one had to wait for historians who were independent of psychoanalytic institutions for Freudian theory to be envisaged for the first time as a problematic construction, in need of explication, rather than an intangible a priori.”

¹ “It seems that, for Schwartz, the history of humanity before Freud was one long aphasia.”

there were a number of alternative histories of psychology and psychotherapy, such as Pierre Janet’s admirable 3-volume Psychological Medications. (…) [But] only historians not party to a particular psychological school could attempt to give non-partisan accounts of these controversies, without prejudging the results and the respective validity of the theories in question. The first who set out to correct this situation was the historian of dynamic psychiatry Henri Ellenberger.”

In the second volume of his biography, there is a famous chapter enumerating the so-called persecutions that befell certain psychoanalysts. I drew up a list of the incidents, and checked each one of them with primary sources. Among the cases on which I was able to gather dependable information, I found 80% of Jones’ facts to be either completely false or greatly exaggerated.”

To remedy this situation, Ellenberger followed several simple methodological rules which he enumerated at the beginning of his monumental work of 1970, The Discovery of the Unconscious. The History and Evolution of Dynamic Psychiatry [em breve no Seclusão]. On the one hand, never take anything as given; verify everything (even if Rorschach’s sister swears that his eyes are blue, ask for his passport). Always use original documents and, whenever possible, first-hand witnesses; read texts in their original language; identify the patients in this observation or that case history; establish the facts through mercilessly separating them from interpretations, rumours and legends; on the other hand, resist the theoreticism and spontaneous iatrocentrism of psychiatrists by replacing their theories in their multiple biographical, professional, intellectual, economic, social and political contexts, and by taking account of the role played in their elaboration by the patients themselves.”

The legend becomes the property of a closed group, of a school, a family (Nietzsche), of a corporation and a family (Pinel). A closed school (cf. the Epicurians). Continual selection of documents: destruction, guarding, diffusion. Role of publishers, editors, readers. Later, relative deformations, through the change of perspective, through the disappearance of the context, which render the works of the author unintelligible.”

Ellenberger noted that the Freudian legend, which is clearly the major target of The Discovery of the Unconscious, essentially turns around two themes: that of the solitary hero surmounting the obstacles placed across his route by malicious adversaries and that of the absolute originality of the founder – two ways of negating the friendships, the networks, influences, legacies, readings and intellectual debts – in short, everything which would link Freud to his historical epoch. Ellenberger’s book, with its 932 pages and 2,611 footnotes, is by itself a striking demonstration of the absurdity of this presentation of psychoanalysis. Ellenberger unearthed a century and a half of researches conducted by hundreds of magnetisers, hypnotisers, philosophers, novelists, psychologists and psychiatrists, without which psychoanalysis would have been unthinkable. And for good measure, he flanked his chapter on Freud by 3 others dedicated to his great rivals, Janet (placed first), Jung and Adler, so as to stress that this history of dynamic psychiatry neither commenced nor terminated with psychoanalysis, contrary to what the contemporaneous teleologically inclined histories of Gregory Zilboorg, Dieter Wyss or Ilza Veith contended.”

The current legend . . . attributes to Freud much of what belongs, notably, to Herbart, Fechner, Nietzsche, Meynert, Benedikt, and Janet, and overlooks the work of previous explorers of the unconscious, dreams, and sexual pathology. Much of what is credited to Freud was diffuse current lore, and his role was to crystallize these ideas and give them an original shape.”

It is clear from the unpublished notebooks left by him after his death that in the course of his research Ellenberger became extremely critical with regard to psychoanalysis – more so than one would suspect from his published writings.”

In his book with an Ellenbergian subtitle, Freud, Biologist of the Mind. Beyond the Psychoanalytic Legend, Sulloway showed in a very convincing manner how the principal ‘discoveries’ were actually deeply rooted in the biological hypotheses and speculations of his Darwinian era. Behind libido, infantile sexuality, polymorphous perversity, erotogenous zones, bisexuality, regression, primary repression, the murder of the primary father, originary fantasies and the death drive, he unearthed the forgotten ‘sexual theories’ of Krafft-Ebing, Albert Moll and Havelock Ellis, Haeckel’s vast biogenetic frescoes, Wilhelm Fliess and Darwin’s speculations on biorhythms, or again the theory of the transmission of acquired characteristics of Lamarck. In so doing, Sulloway intellectually rehabilitated Freud’s friend, confidant and collaborator Wilhelm Fliess, generally presented in Freud biographies as a dangerous paranoiac and crank with grandiose and extravagant theories. Not only were Fliess’ theories perfectly plausible in the context of the biogenetic speculations then in vogue, but they were favourably received by a not inconsiderable number of his contemporaries (beginning with Breuer). Thus there is no need, as some have proposed, to imagine an irrational transference on the part of Freud towards his friend to explain how he could have chosen him as a privileged interlocuter for so many years: they simply shared the same colleagues, the same ideas and the same readings.”

How is it possible, in a self analysis, not to be conditioned by all the scientific knowledge, reading and diverse evidence that you have gathered from half a dozen other disciplines? How could you prevent those relevant sources of information from steering your self analysis in a certain direction? If you begin to read in the literature that the infant is much more sexually spontaneous than you had ever thought, how could you not probe that issue in your own self analysis? So it shouldn’t come as a big surprise if you then uncover a memory of having seen your mother naked at age 2. If every book you are reading is telling you that and you then discover it in your own life, well, big news! It is obvious, not even profound.

The self analysis has been made into a causal agent of Freud’s originality in traditional Freud scholarship, but that simply is not true. It is like an uncontrolled experiment: things that are going on in self analysis get credited for all of Freud’s intellectual changes, but those things themselves are coming in from somewhere else. The self analysis is one of the great legendary stories in the history of science and although Freud himself really didn’t spawn that aspect of the myth, he did nothing to prevent it from spreading.”

On the one hand, through presenting the image of an isolated Freud, it allowed one to assert the radicality of the new science of the mind whilst clandestinely recuperating the contributions of Darwin, Haeckel, Fliess, Krafft-Ebing, the sexologists, and other figures. On the other hand, and more profoundly, it effectively protected psychoanalysis against the vicissitudes of scientific research. Once transmuted into psychological discoveries, the evolutionary hypotheses which underlay psychoanalytic theory could be maintained in spite of everything, even when they were refuted in their original fields. Deracinated, psychoanalysis became a discipline apart, cordoned off and protected from the refutation of some of its founding presuppositions.”

Following Sulloway, the Freudian legend is not an anecdotal or propagandist supplement to psychoanalytic theory (which it remains to some extent for Ellenberger). On the contrary, it is the theory itself. Questioning the Freudian legend leads to questioning the status of psychoanalysis itself. Ellenberger, with Swiss prudence, characterised psychoanalysis as a half-science (‘demi-science’). Sulloway, on the other hand, does not hesitate to describe psychoanalysis as a pseudoscience immunised against criticism by a very efficient propaganda machine and by historical disinformation.”

The appearance of works by Ellenberger and Sulloway was followed by a veritable avalanche of ‘revisionist’ works,¹ each more critical than the last of the Freudian legend. Whilst, in the main, the works of Ellenberger and Sulloway were focused on intellectual history, Paul Roazen² launched a social history of the psychoanalytic movement, through conducting oral histories, not unlike the anthropologists of science, who have attempted to study and distinguish what scientists actually do in contrast to their public statements about their work. Roazen’s interviewees presented recollections of Freud which were radically discrepant from the image of Freud prepared by his biographer-disciple, Ernest Jones. Likewise, Peter Swales³ embarked upon a vast and meticulous archival investigation, only partially published, which reconstructed Freud’s social and intellectual world in turn of the century Vienna, and presented a comprehensive account of the origins of psychoanalysis which was completely at variance with the Freudian legend.”

¹ “This term seems to have been used for the first time in Freud studies by Sulloway (1992a). It is important not to confound it with ‘revisionism’ in the Marxist sense, or even less with the ‘revisionism’ of Holocaust deniers.”

² Ainda muito timorato. Apesar do prefácio honesto, eu mesmo achei que ele era ainda um freudiano por todas as contemporizações que fez ao longo da “biografia reflexa” (o livro parece ser um compêndio de mini-biografias de seus discípulos mais diretos – sempre faltando Reich! – mas revela-se uma biografia de Freud contada por divisões em segmentos com um foco dividido entre Sigmund e um de seus ‘fiéis’/ex-fiéis).

³ A esse respeito, indico também Vienna fin de siècle de Carl Schorske (trad. de Denise Bottmann para o português), outra preciosidade que tenho a meta de incluir aqui. Este livro não é centrado na psicanálise, mas é igualmente epistemologicamente interessante!

The ‘Freud wars’ raged. Journal covers were titled ‘Is Freud dead?’. Works were published with titles such as Why Freud Was Wrong, The Freud Case. The Birth of Psychoanalysis from the Lie, Despatches from the Freud Wars or again The Black Book of Psychoanalysis, and articles on Freud in magazines regularly sparked off an avalanche of indignant letters of protestation from the adversarial camp, followed by responses.”

Roazen’s book Brother Animal is trivial and slight. Its scholarship, like that of many other works of pop history, does not hold up under any sort of close scrutiny.”

Janet Malcolm

DESAFETO DE DERRIDA DETECTADO!

If he sticks to the archive and believes that it has no exteriority which permits it to be read or stops it from being ‘anarchived’ (sic) itself, he is prey to spasmodic convulsions worthy of Grand Mal. The Grand Mal of the archive. This illness is also of a sexual nature.”

René Major, concernindo Mikkel Borch-Jacobsen

As for the new historians, they denounced Freudian dominance of the media, the press campaigns waged against dissidents, and the restriction of Freudian archives. How did it come about that so many documents deposited in public institutions such as the Library of Congress in Washington were officially inaccessible to researchers, and some documents until 2113 (or now indefinitely)? And why were these access restrictions, implacably applied when it came to independent researchers, suddenly lifted when it came to insiders of the psychoanalytic movement?

In 1994, a large international exhibition under the auspices of the Freud Archives and the Library of Congress in Washington was announced. None of the new Freud scholars figured in the organising committee. In protest, 42 of them (including the authors of this book) sent an open letter to the Library of Congress to express their wish that the exhibition reflect ‘the present state of Freud research’ and requested that someone representing their views be added to the organising committee. The request was not considered. Then, for apparently completely independent reasons, the Library of Congress announced that the exhibition would be postponed to enable the organisers to raise the necessary funds. This inflamed the controversy. The letter, which would otherwise have sunk without a trace, was taken to be responsible for the postponement. The organisers attributed the Library of Congress’ decision to the petitioners’ political and media pressure and protested, claiming that they were defending ‘freedom of expression’. The news was immediately reported in the international press: once more, Freud was the butt of censure! A counter-petition was organised in France by Élisabeth Roudinesco [velha conhecida, a tola!] and Philippe Garnier. This gathered together more than 180 signatures, some of them prestigious, to denounce the ‘blackmail to fear’, the ‘puritan manifestations’, the ‘witch hunt’ and the ‘dictatorship of several intellectuals turned into inquisitors’. The so-called inquisitors retorted by a press release, read by practically no one, in which they protested against the manipulation of the media by their adversaries. At that point, the Library of Congress announced that the organisers had found the necessary funds to mount the exhibition and that it could take place as initially intended. In the meantime, the latest Freud war had taken place. Once more, historians and critics had been misrepresented and slandered, and the media manipulated to present a heroic image of an embattled revolutionary science of psychoanalysis.

This book is about the Freud wars, old and new. It reopens the controversies which surrounded the inception of psychoanalysis and shows what we may learn from them about the fate of a once fashionable would-be science.”

It is well known that, from 1906, Freud’s theories were the subject of a fierce international controversy, in which the leading contemporary figures of psychiatry and psychology participated: Pierre Janet, Emil Kraepelin, William Stern, Eugen Bleuler, Gustav Aschaffenburg, Alfred Hoche, Morton Prince and many others. What is less known is the fact that this controversy came to a close with the defeat of psychoanalysis at the congress of the German psychiatric association, held in Breslau in 1913, where speaker after speaker rose up to denounce psychoanalysis in an unequivocal manner. The reason for this ‘induced amnesia’ is the fact that Freud and his followers acted as if the controversy ended in their favour.”

Given how hard to retrieve much of this material is, we have deliberately chosen to cite excerpts in extenso, letting the historical actors speak in their own voices and creating a polyphonic text, rather than filter through paraphrases. Taken together, they show a history which has every little in common with that which one finds in the works of Freud and his biographers, and which was taken at face value for so long.”

1. PRIVATISING SCIENCE

Psychoanalysis was reproached by Karl Jaspers for mixing up hermeneutic understanding (Verstehen) and the explanation (Erklären) of the natural sciences, by Jean-Paul Sartre for confounding repression and ‘bad faith’, by Ludwig Wittgenstein for confusing causes and reasons, by Karl Popper for avoiding all scientific falsification, by Adolf Grünbaum for proposing an epistemically inconsistent clinical validation and by Michel Foucault for producing sexuality under the cover of unmasking it.” Foucault e Popper: NUNCA CRITIQUEI!

None of this affected psychoanalysts. Even the provocations and magnificent rhetorical violence of Gilles Deleuze and Felix Guattari’s Anti-Oedipus did not lead them to lose their composure.” “The more Freud is debated, it is often said, the more it confirms his significance.”

Why then such sudden susceptibility concerning historical details, some of which on first sight appear to be quite trivial? Why is it so important for psychoanalysts to maintain the version of events given by Freud and his authorised biographers? Is it simply a question of a dispute between experts, a controversy between historians such as we often see? Not in this case, because the dispute here is not simply one between factions of historians, or of ways of interpreting the historical record. More deeply, it pits historians against a radically dehistoricised version of psychoanalysis, disguised as a ‘history of psychoanalysis’. From this perspective, similarities abound between the ‘Freud wars’ and the ‘science wars’, which rage elsewhere between historians, sociologists and anthropologists of science on the one side and scientistic ideologues on the other. In both cases, what is at stake is the historicisation, and correspondingly the relativisation, of ‘facts’, ‘discoveries’ and ‘truths’ ordinarily presented as atemporal and universal and shielded from the variations and contingencies of history (it is of little importance here whether psychoanalysis styles itself as a science or not, as it still nevertheless presents itself as a universal theory, a general ontology valid for all). These debates are not external to the science or the theory, because they bear on this demarcation itself: can one or should one separate the science or the theory from its history? To take up the famous Mertonian distinction, can one separate what is ‘internal’ from what is ‘external’? Can one, as Reichenbach would have it, trace a limit between the context of discovery (the anecdotal account of the emergence of concepts) and the context of justification (the properly scientific work of proof)?”

Even if some scientists feel attacked in their most intimate convictions by the historicisation of science practised by ‘science studies’, those who are really threatened by this are rare. On the contrary, many scientists don’t mind opening their notebooks and laboratories to historians and anthropologists when asked, and some do not hesitate to recognise how they are portrayed, even if they draw different conclusions from those of their observers. This is a sign that they feel themselves sufficiently strong to bear the test of historical and anthropological inquiry. The same is not the case for psychoanalysis, where intrusions of historians into the Freudian ‘laboratory’ are generally perceived as unacceptable transgressions which should be denounced. For a discipline concerned with the past, psychoanalysis is strangely allergic to its own history, and for good reason: for it is precisely here that it is vulnerable.”

One knows today that Churchill decided to let Coventry be bombed rather than reveal to the Germans that the British had deciphered their code. But one can still not have access to this or that correspondence with Freud which could inform us about this or that detail of his private life! It seems that there is something there that is too explosive for one to dream of divulging. This is perfectly absurd. In terms of what concerns me, I see here the sign that psychoanalysis has failed to adopt the normal regime of scientific production.”

Isabelle Stengers

At least on two instances, in 1885 and in 1907, he destroyed most of his notes, intimate diaries and personal papers, veritable holocausts in which correspondences as precious for the comprehension of the origins of psychoanalysis as those with Bernheim, Breuer, Fliess, August Forel, Havelock Ellis and Leopold Löwenfeld probably perished. The same thing happened in 1938 and again in 1939, and one knows that he would have destroyed his letters to Wilhelm Fliess were it not for the refusal of Marie Bonaparte, who had acquired this correspondence on the express condition that he could not regain possession of them”

It is not so much the autobiographical form as such which is a problem, for Freud was not the first pioneer of psychology and of psychotherapy to have adopted it – one thinks of the memoirs of Wundt, Stanley Hall, August Forel, Emil Kraepelin, Albert Moll, Havelock Ellis and later Jung. There was also, from the 1930s, a systematic collection of autobiographical accounts from the principal figures in psychology, such as Pierre Janet, William McDougall, James Mark Baldwin, J.B. Watson, William Stern, Édouard Claparède, Jean Piaget and Kurt Goldstein. One need only peruse the volumes of this monumental History of Psychology in Autobiography, initially published under the editorship of Carl Murchison, to see that a number of the autobiographies of Freud’s contemporaries were no less ‘subjective’, tendentious and lacunary than his. That of Watson in particular cedes nothing to Freud in terms of aggressive invective. However, none of Freud’s contemporaries appear to have linked their theories to their own person, and for a good reason: that would have meant putting into doubt the objectivity of the theory, in making it an expression of the theorist’s subjectivity.”

For psycho-analysis is my creation . . . I consider myself justified in maintaining that even to-day no one can know better than I do what psycho-analysis is, how it differs from other ways of investigating the life of the mind, and precisely what should be called psycho-analysis and what would better be described by some other name.”

F.

Freud, we are told, was the first in the history of humanity who analysed himself and it was thus that he could lift the repressions which prevented his predecessors and contemporaries, indeed all of humanity, from seeing the truth.” “The indissoluble linkage which Freud established between his object and his own person now becomes clear: he himself was the ‘royal road’ to the unconscious. Henceforth, there would be no other route to it.”

In the summer of 1897 . . . Freud undertook his most heroic feat – a psychoanalysis of his own unconscious . . . Yet the uniqueness of the feat remains. Once done it is done forever. For no one ever again can be the first to explore those depths . . . What indomitable courage, both intellectual and moral, must have been needed!”

Jones

Here we return to the enigma of Freud’s personality . . . His findings had to be wrested in the face of his own extreme resistances – the self-analysis being comparable, in terms of the danger involved, to Benjamin Franklin’s flying a kite in a thunderstorm in 1752, in order to investigate the laws of electricity. The next two persons who tried to repeat his experiments were both killed.”

Eissler. Bom, estou ansioso pela invenção do pára-raio do inconsciente!

The wish to play the spy upon one’s self . . . is to reverse the natural order of cognitive powers . . . The desire for self-investigation is either already a disease of the mind (hypochondria) or will lead to such a disease and ultimately to the madhouse.”

Kant

The thinker cannot divide himself into two, of whom one reasons whilst the other observes him reason. The organ observed and the organ observing being, in this case, identical, how could observation take place? This pretended psychological method is then radically null and void.” Comte

It is important to recall that throughout the nineteenth century, despite the strictures against it expressed by figures such as Kant and Auguste Comte, introspection continued to be the main method of philosophical psychology. Initially, this hardly changed with the advent of the new ‘scientific’ psychology. Franz Brentano maintained that psychology, like any other natural science, had to be based on perception and experience, straightforwardly including self-perception in this.”

The identically titled works of Alfred Maury and Joseph Delboeuf, Sleep and Dreams, are good examples of this introspective genre. At the same time, which seems strange to us today, the first ‘subjects’ of the new experimental psychology were the experimenters themselves – Fechner, Hering, Helmholtz and Ebbinghaus. Even in Wundt’s laboratory, where the experimenters also acted as subjects, the experimental procedures were essentially intended to render introspection more reliable and replicable, and in no respect to eliminate it. It was only later, with the famous debate on ‘imageless thought’, that introspection was gradually abandoned as a method in psychology, notably in favour of the third-person experimentation promoted by behaviourism, with its methodological rejection of all private mental states.”

Taken in the narrow sense of systematic therapeutic analysis, centred on the recollection of childhood memories, the self-analysis appears to have been extremely brief, and, in Freud’s own view, disappointing (a point rarely mentioned by his biographers). Actively pursued from the beginning of October 1897 (two weeks after the abandonment of the seduction theory), it was finished 6 weeks later in a lucid assessment of failure.”

As for the rest, everything is still in a state of latency. My self-analysis is at rest in favor of the dream book.”

F. a Fl., fevereiro de 1898.

Delboeuf’s analysis of the ‘dream of lizards and of the asplenium ruta muraria’ seems to have served as the model of the analysis of the ‘dream of Irma’s injection in The Interpretation of Dreams’.”

To be a psychoanalyst, one had to cure oneself, or in other words, psychoanalyse oneself. In 1909, to the question of how one became a psychoanalyst, Freud replied: ‘by studying one’s own dreams’. The following year, he noted that would-be psychoanalysts had to devote themselves to a self-analysis in order to overcome their resistances.” Onde eu pego minha grana?!

Ernest Jones and Sándor Ferenczi, for example, sent detailed accounts of their self-analyses to Freud, who responded with interpretations, suggestions and directives. These mimetic ‘self’-analyses could with much justice be regarded simply as analyses by correspondence. Furthermore, they were hardly examples of open-ended inquiry, as what was to be found was already known in advance, and scripted by psychoanalytic theory.”

There where Freud found Oedipus, others found Electra. Where he insisted on the paternal complex, others insisted on the maternal complex. Where he ‘discovered’ infantile sexuality, others discovered ‘organ inferiority’. Where he saw the workings of the ‘libido’, others saw the ‘aggressive drive’. It is not a coincidence that the epoch when Freud placed his trust in the practice of self-analysis was also that of the monumental disputes between Freud, Adler, Stekel and Jung. Insofar as the ultimate criterion for the validity of psychoanalytic interpretations was self-analysis, each could invoke his own to delegitimate the interpretations and theories of others and accuse them of projecting their own unanalysed complexes into their theories or of having succumbed to neurotic resistances. Nothing enabled one to settle the symmetric conflicts of interpretations which were tearing apart the psychoanalytic community.”

In one session that took place after Adler had seceded, Freud claimed that Adler suffered from paranoia. That was one of Freud’s favorite diagnoses; he had applied it to another important friend of his from whom he had separated. Immediately in his slavish choir, voices resounded which enthusiastically confirmed this ridiculous diagnosis.”

Stekel

It is not enough . . . that the physician himself should be an approximately normal person. It may be insisted, rather, that he should have undergone a psycho-analytic purification and have become aware of those complexes of his own which would be apt to interfere with his grasp of what the patient tells him . . . I count it as one of the many merits of the Zurich school of analysis that they have laid increased emphasis on this requirement, and have embodied it in the demand that everyone who wishes to carry out analyses on other people shall first himself undergo an analysis by someone with expert knowledge . . . But anyone who has scorned to take the precaution of being analysed himself . . . will easily fall into the temptation of projecting outwards some of the peculiarities of his own personality, which he has dimly perceived, into the field of science, as a theory having universal validity; he will bring the psycho-analytic method into discredit, and lead the inexperienced astray.”

F. Mau começo, grande conclusão!

Whilst self-experimentation was still common, it would have been unthinkable to require that a would-be practitioner of hypnosis undergo hypnosis, or a would-be surgeon undergo surgery.”

Thus the ‘psychoanalytic purification’ coincided with an institutional purging and a hermeneutical standardisation. Gone was the anarchy of uncontrolled and uncontrollable self-analyses, and the infernal cycle of diagnoses and counter-diagnoses. The recapturing of the psychoanalytic movement had begun. From now on, Freud and his lieutenants would have the final word.”

If a patient rejected an analyst’s interpretations, the latter could always claim that he knew more because he had submitted to a personal analysis. But what if it was another analyst who objected to his interpretation? What if the patient refused the asymmetry of the analytic situation and set out to analyse the analyst? Whatever way one looks at the question, nothing authorises the analyst to declare that his interpretation is necessarily superior to that of his colleague or of his patient except the institutional arrangement which underwrote his interpretation.”

However, this ‘solution’ immediately raised another difficulty: what of Freud? If every analyst derived their authority from their training analysis, from where did Freud derive his? As long as psychoanalysts trained themselves through self-analysis, Freud’s self-analysis did not pose any problems (on the contrary, it was regarded as the prototype). But now the rules of the game had changed, and the status of Freud’s self-analysis was exposed. Who could guarantee that Freud’s analysis had been complete? On the one hand, Jung’s proposition enabled the closure of the controversy with Adler and Stekel, and on the other, it opened a new one, this time between Freud and himself. For how could Freud impose his interpretations on Jung if he had, by his own terms, not been analysed?”

May I draw your attention to the fact that you open The Interpretation of Dreams with the mournful admission of your own neurosis the dream of Irma’s injection identification with the neurotic in need of treatment. Very significant. Our analysis, you may remember, came to a stop with your remark that you ‘could not submit to analysis without losing your authority.’ These words are engraved on my memory as a symbol of everything to come.”

Jung a F. nos confins de 1912…

O carequinha puxa-saco: “But what is valid for you is not valid for the rest of us. Jung has not achieved the same self-mastery as you. He got the results ready-made and accepted them lock, stock and barrel, without testing them out on himself.” Ferenczi

Ferenczi, more lucidly than Freud, saw well that to reproach Jung in the manner in which he had reproached Freud would not serve anything. Since mutual analysis would not resolve the problem of conflicts of interpretation, Ferenczi proposed to re-establish the asymmetry (i.e., the principle of authority) through affirming the exceptional character of Freud’s self-analysis. Instead of letting himself be drawn by Jung into a conflict of equals from which no one could escape unharmed, it was necessary to refuse the very terms of the debate and regain the ‘meta’ level. And what better way to do this than substituting a theory of the great man, of the singular and inimitable genius, for ordinary scientific and scholarly debate?”

Now, it is quite certain, as everyone knows, that no psychoanalyst can claim to represent, in however slight a way, an absolute knowledge. That is why, in a sense, it can be said that if there is someone to whom one can apply there can be only one such person. This one was Freud, while he was still alive. The fact that Freud, on the subject of the unconscious, was legitimately the subject that one could presume to know, sets anything that had to do with the analytic relation, when it was initiated, by his patients, with him.”

O ingênuo Lacan

In 1919, Karl Abraham published an article in which he described self-analysis as a particular form of the resistance to psychoanalysis:

One element in such a ‘self-analysis’ is a narcissistic enjoyment of oneself; another is a revolt against the father. The unrestrained occupation with his own ego and the feeling of superiority already described offers the person’s narcissism a rich store of pleasure. The necessity of being alone during the process brings it extraordinarily near to onanism and its equivalent, neurotic day-dreaming, both of which were earlier present to a marked degree in all the patients under consideration.” Reciclou as conferências introdutórias direitinho!

To Paul Schilder (who had not been analysed), Freud wrote in 1935 that those of the first psychoanalysts who had not been analysed ‘were never proud of it’. As for himself, he added, ‘one might perhaps assert the right to an exceptional position’.”

At the end of his large volume on Freud’s self-analysis, Didier Anzieu [ex-esquizofrênico?] enumerated no less than 116 psychoanalytic notions or concepts which were elaborated by Freud in the course of his self-analysis, which he dated between 1895 and 1901.” Essa é muito boa!

Freud’s self-analysis thus becomes the mythical origin of psychoanalysis, the historical event which places it outside history. Others, like Schur, did not hesitate to identify psychoanalysis with Freud’s interminable self-analysis (1895–1939).” RIP!

It followed that there couldn’t be progress in psychoanalysis which was not a post-mortem deepening of the self-analysis of the founder (1895–). Every new development in psychoanalysis had to be backdated to the inaugural event itself. The mythification and the dehistoricisation of psychoanalysis were now complete.” A Psicanálise foi pioneira: precedeu até mesmo Stalin no apagamento da História (isso se supusermos que nos 12 primeiros anos Josef Dugashvilli não havia terminado ainda de subverter o leninismo remanescente)!

Freud often described the foundation of the International Psychoanalytic Association (IPA) as a necessary recourse, given the unanimous rejection of his theories by psychiatry and university psychology. However, the history of Freud’s relations with his peers was actually much more complex. Far from psychoanalysis simply being excluded from institutions and academic exchanges, it deliberately withdrew from them, rather than attempting to create a consensus around its theories in an open manner. From this perspective, the ostracism of psychoanalysis is no less legendary than Freud’s self-analysis.”

Initially, Freud did attempt to get his theories recognised by his peers. At the turn of the century, he had already gained a certain notoriety, but his theories were far from being at the centre of discussions between German-language psychiatrists (one of the reasons being that he was viewed as a neurologist without much psychiatric experience). As a Privatdozent, he was entitled to give lectures at the University of Vienna, but his audience was so small that he sometimes had trouble getting the minimum requirement of 3 attendees. Those interested in psychoanalysis were generally either colleagues who became patients (such as Wilhelm Stekel) or patients who became colleagues (such as Emma Eckstein). Freud was clearly not faring well at promoting his theories. The situation changed somewhat in 1902. At the instigation of Stekel, he gathered together a group of doctors for weekly meetings. The other initial members were Alfred Adler, Max Kahane and Rudolf Reitler, soon followed by others. The proceedings were not harmonious.”

I could not succeed in establishing among its members the friendly relations that ought to obtain between men who are all engaged upon the same difficult work; nor was I able to stifle the disputes about priority for which there were so many opportunities under these conditions of work in common.”

F.

The structure of these discussions did not follow that of other psychological and psychiatric associations, as Fritz Wittels subsequently recalled:

Freud’s design in the promotion of these gatherings was to have his own thoughts passed through the filter of other trained intelligences. It did not matter if the intelligences were mediocre. Indeed, he had little desire that these associates should be persons of strong individuality, that they should be critical and ambitious collaborators. The realm of psychoanalysis was his idea and his will, and he welcomed anyone who accepted his views. What he wanted was to look into a kaleidoscope lined with mirrors that would multiply the images he introduced into it.

All this changed in 1904, when Eugen Bleuler, the director of the famous Burghölzli psychiatric hospital in Zurich, came into Freud’s view.”

Löwenfeld, Psychical Obsessional Phenomena

Bernheim, New Studies on Hypnosis, Suggestion and Psychotherapy

This was no accident, for Bleuler had been a pupil of August Forel, one of the great figures of European neurology and psychiatry and the promoter of a psychotherapy of Bernheimian inspiration.

Forel, another important figure in this story, was also interested in Freud’s work. In 1889, Freud started a correspondence with him, and wrote a very positive review of his book on hypnotism. Forel recommended Freud to Bernheim when he went to Nancy, and invited him to the editorial committee of the Zeitschrift für Hypnotismus, a journal which he had founded in 1892 to draw together the Bernheimian movement. He cited Freud in the second edition of his book on hypnotism among doctors who had taken up the issue of therapeutic suggestion following the work of the Nancy school. A little later, he followed the works of Breuer and Freud with interest, going as far as introducing them to his American colleagues in a lecture he gave in 1899 at the celebration of the 10th anniversary of the founding of Clark University. In 1903, he again cited favourably Freud’s method of treatment, apparently not realizing that the latter had given up cathartic hypnosis in the interim.”

It is possible that one reason why Bleuler introduced psychoanalysis into the Burghölzli was to experiment with its potential therapeutic value with psychotics. (…) The institutional set-up at the Burghölzli permitted such an experimental utilisation.”

Bleuler’s letters to Freud are on open access at the Library of Congress, but aside from a few excerpts which have been cited, Freud’s letters are not accessible.”

On 28 November 1905, Bleuler narrated to Freud how he had had diarrhoea at night from time to time, since puberty. He had long had a presentiment that this was connected to sexuality, but did not know how. The prospect for Freud was tantalising. Through Bleuler’s interest, psychoanalysis had found a crucial beachhead from which to launch itself on the German-language psychiatric world. All he had to do was to get Bleuler to assent to his interpretations (and hope for some alleviation in his bowel movements). Unfortunately, Bleuler’s intestines remained resistant to Freud’s interpretations.” HAHAHA!

In the meantime, other experiments were taking place at the Burghölzli in the field of experimental psychopathology on associations. These were inscribed in a more general tendency to utilise the methods of the new scientific psychology in psychiatry. The psychiatrist Gustav Aschaffenburg, a student of Wundt, had applied the latter’s work on verbal associations to psychopathological research. This drew the interest of the Burghölzli psychiatrists, notably Jung and Franz Riklin. It was hoped that the association experiment could provide a quick and reliable means of differential diagnosis. Despite grand promissory claims in print by Bleuler, this project was an abject failure. Experimenters failed to differentiate sexes, let alone make fine diagnostic discriminations. Jung and Riklin salvaged the operation by linking failures to respond and failed reaction times to Freud’s account of repression. The stimulus words, they claimed, could be regarded as indicators of affectively stressed complexes.

The linkage was fateful. Jung claimed that psychoanalysis was a difficult art, and that what was lacking was a basic framework. This could be provided by the association experiment, which could facilitate and shorten psychoanalysis. However, what was described as psychoanalysis strictly along Freud’s lines included hypnosis and the recollection of traumatic sexual memories, from the time of the Studies on Hysteria and the defunct seduction theory. Visibly, news of changes in Freud’s theories were slow to reach the Burghölzli. Jung, together with Forel and most contemporaries, did not realise that Freud’s method had radically changed – and for good reason, since Freud had not clearly indicated his rupture with Breuer and his abandonment of the seduction theory.” “In other words, the Burghölzli psychiatrists were replicating and providing proof for theories which Freud had already abandoned. The situation was paradoxical. Freud had finally found an echo in mainstream psychiatry, but it was for theories which he had given up. Scientific replication, which was supposedly the source of reliable consensus, had led to the uncontrollable proliferation of simulacras. Freud, as one sees in his first exchanges with Jung and Abraham, had a delicate damage limitation exercise on his hands.”

The Burghölzli became the hotbed of psychoanalysis, and foreign visitors, such as Ernest Jones, Sándor Ferenczi and Abraham Brill, streamed to it, as it was the only institution where one could learn how to practise psychoanalysis. Psychoanalysis was treated not as a separate discipline, requiring specific training or authorisation to practise, but as an auxiliary technique in medicine and psychiatry. Visitors to the Burghölzli were able to hear lectures on the subject, attend staff meetings where patients were subjected to analytical questioning, and have some sessions of analysis with figures such as Jung, Riklin and Maeder. The Burghölzli utilised an open model of instruction, similar to the one that Bernheim had established at Nancy for the teaching of hypnosis.”

It was publicly demonstrable, complete with statistics, measurements down to the millisecond and sophisticated laboratory equipment such as the pneumograph. The association experiment had thus all the paraphernalia and trappings that were being increasingly taken as the hallmarks of science in psychology. Compared with this, Freud’s sole apparatus of the couch seemed a relic of the hypnotic era. If one wanted to find out about psychoanalysis, the first destination of choice was therefore not Vienna, but Zurich.”

When a theory achieves greater visibility, it inevitably attracts discussion and contradiction. From 1906 onward, a series of debates about psychoanalysis took place in psychiatric congresses, which lasted until 1913. It is striking that, despite invitations, Freud himself did not take part. Aloof disengagement and deputised representation were to be Freud’s style. He delegated the task of defending his theories to his followers and, withdrawing behind a haughty silence, which his contemporaries viewed as a refusal of debate.”

He never risked himself in a congress and never defended his cause in public! . . . This always made him afraid! America was the first and only time! . . . He was too touchy!”

Jung, 29 August 1953

Freud lets the person whom he examines associate freely and this continues until, from time to time, he thinks that he has discovered a precise index, and then he draws his patient’s attention to this and gets him to associate further starting from this new point of departure. But most patients who go to see Freud already know in advance where he wants to go and this thought immediately evokes complexes of representations connected to the sexual life . . . But if the sexual trauma always appears with him as the final result of his psychoanalyses, there is in my view only one possible explanation: that Freud as much as his patients is a victim of an auto-suggestion. (…) Freud’s method is incorrect for most cases, dubious for many, and unnecessary for all”

Gustav Aschaffenburg

Freud’s first use of the word psychoanalysis was in a paper published in French in the Revue neurologique. His French neologism, psychoanalyse, appears to have been directly modelled on the word psychotherapy.

Curiously, Freud provided no definition, justification or extended description of the term, but simply retroactively applied it to what he had been content to describe in the previous year as a method of psychotherapy. Pierre Janet was later to complain that Freud had simply appropriated his work and that his psychoanalysis was nothing but a copycat name for his own psychological analysis (analyse psychologique).”

They invented the name complex, whereas I had used the term psychological system . . . They spoke of catharsis where I had spoken of the dissociation of fixed ideas or of moral disinfection. The names differed, but the essential ideas I had put forward . . . were accepted without modification.”

Pierre Janet

Forel and his students, on the other hand, noted that Freud’s term was a barbarism which indicated an ignorance concerning the correct formation of words from Greek roots.”

One speaks of psychoanalysis, as if the apostrophising was not as appropriate as with other compounds. Who says psychoiatry, psychoasthenia, etc.?”

Dumeng Bezzola

I write ‘psychanalysis’ like Bezzola, Frank and Bleuler, and not ‘psychoanalysis’ as Freud does, according to the rational and euphonic derivation of the word. On this subject, Bezzola remarks for good reason that one writes ‘psychiatry’ and not ‘psychoiatry’.”

Forel

Nesse sentido, o Português é uma evolução!

In addition, this psychanalysis relieved of its ‘o’ [praticada por discípulos de Forel] was a Breuerian psychanalysis. Frank and Bezzola reproached Freud for having abandoned the essential element of the cathartic method – hypnosis – without a convincing explanation. Hence, Frank recommended a type of hypnoanalysis combining interpretation and the induction of a hypnoid state. (Thus, before Lacan’s return to Freud, there had already been a return to Breuer in the history of psychoanalysis.)”

Bezzola likewise proposed a ‘modification of the Breuer–Freud procedure’, which he called ‘psychosynthesis’. He placed the patient in a relaxed position with closed eyes and, instead of Freudian associations, collected direct sensory impressions. In this regard, he found Jung’s association complexes of great heuristic value. Introductory hypnosis as well as Freud’s procedure of interpretation was unnecessary, since the self-observation of neurotic sensations could by itself bring about the experience corresponding to the hypnoid state.”

His new method of treatment through interpretation and the limitless enlargement of his concept of sexuality have provoked in the discussion such a violent opposition to everything promoted and accomplished by Freud that there is a danger that also Breuer’s method of treatment and valuable developments by Freud [an allusion to the pressure method described by Freud in the Studies on Hysteria] will become forgotten and overlooked . . . It seems to me that Freud no longer takes account in his method of interpretation, at least in a great number of cases, of the important role of the hypnoid state in their genesis, to which he himself had drawn attention.”

Bezzola

Clearly, the psychanalysis and psychosynthesis that Frank and Bezzola advocated against Aschaffenburg were rivals to Freud’s psychoanalysis. These new allies were in fact competitors.”

He who reads the Freudian ‘Fragment of a hysteria-analysis’ without prejudice will only put it down shaking his head. For my part, I must confess that it is for me wholly incomprehensible how anyone can take the train of thought produced there seriously. (…) It therefore borders on comic relief when the opposition to Freudian ideas is set in parallel with the resistance of contemporaries to Copernican views, as happened in private discussions.”

Alfred Hoche

I let it be directly experienced. With Freud the doctor works under the control of the patient, with me the patient works under the control of the doctor. With me the danger of false interpretation is excluded, because I avoid every suggestion, except those for relaxation.”

Bezzola

Frank and Bezzola’s project, to dissociate themselves from Freud and to propose a non-Freudian psychanalysis or psychosynthesis, had the complete support of Forel. From the moment when he realised how far Freud had departed from his original method, Forel became very critical of him. Just like Aschaffenburg and Hoche, he was disturbed by the arbitrariness of Freud’s interpretations, as well as by his increasing influence in Forel’s former institution, the Burghölzli. As his correspondence between 1907 and 1910 shows, he urged his disciples to take strong positions against the Freudian deviation, so as to be able to separate ‘the true wheat from the chaff’.”

This Freud cult disgusts me, just as it disgusts Bezzola. I leave open the question if the famous discovery of Freud is really his and doesn’t rather belong to Breuer, but it is certain that in Vienna, where people aren’t prudish, Freud has a very bad reputation which is not unfounded . . . It appears to me as if Bleuler is no longer the director of the Burghölzli, but Jung, and I am sorry.”

Forel

For that reason you do not need to join any Freud club, by any means. For me, Freud himself is highly unsympathetic, but I think you will achieve more in your position if you confront Frank peacefully and frankly and if you sometime fight a battle with the Freud fools, than if you make way for them.”

Forel a Bezzola

I have now a case in treatment (through hypnosis) that had been completely shattered through psychoanalysis of Freud & his school. The person became half crazy from outspoken ‘sexual’ interpretations of the most harmless things. I think there is a type of psychoanalysis that produces more complexes than it eliminates!”

Forel a Bezzola, coisa de 1 ano depois

It worries me that you haven’t written your book about your experiences. This is an urgent necessity. The whole question is completely corrupted and discredited by Freud and his clique. It is high time that the reasonable and scientific psychanalysts intervene with a serious and important work.”

Forel a Bezzola, 1 ano e meio depois da carta acima, sobre um livro que nunca viria a existir

Not content with anti-Freudian agitation in the background, Forel wrote to Breuer, whom he had known since his student days in Vienna, to ask him to indicate precisely ‘which part of psychoanalysis went back to him, what role he had in psychoanalysis’. Breuer obliged. He himself was responsible for ‘everything which directly followed from the case of Anna O.’ – the theory of hypnoid states and non-abreacted affective representations, the notion of retention hysteria and analytic therapy (Breuer first wrote ‘psychanalytic’). Freud was responsible for the notions of conversion, defence neuroses, and the accent placed on defence to the detriment of hypnoid states (hardly ‘to the benefit of his theory’, Breuer added). To both of them belonged the emphasis on ‘the prominent place assumed by sexuality’. Thus Breuer did not hesitate to claim his part in the discovery of the role of sexuality in hysteria. At the same time, just as he had done in Studies on Hysteria, he stressed the asexual character of Anna O.”

In this respect the new Freudian method has a great similarity with Dubois’ method of education . . . Bezzola’s method of psychosynthesis on the other hand is a direct, very interesting further development of the Breuer–Freud cathartic method of abreaction. The theoretical basis of Freudian psychanalytic method, which has grown entirely through practical empiricism, is still covered in a deep darkness. Through my association research I think that I have at least made a few points accessible to experimental investigation, though all theoretical difficulties have still not yet been overcome.”

Jung

In Jung’s history the basic presuppositions of his own research lay principally in Janet’s work on dissociation and automatisms, coupled with the work of Otto Binswanger, suggestion theory (i.e., Bernheim and Forel) and the generally recognised notion of hysteria as a psychogenic neurosis. In addition, Freud’s new method was linked with Dubois and placed alongside Bezzola’s. Jung was clearly attempting to recruit allies and was casting his net as widely as possible. However, this had the effect of completely diluting the specificity of psychoanalysis as Freud understood it. What is worse, Jung suggested that the deep darkness which lay over the theoretical basis of Freud’s method was being clarified through the light shed by Jung’s own association experiments. Freud could not have failed to notice the similarities with Frank and Bezzola. Freud was in danger of becoming a bystander, a footnote in the history of the psychanalytic movement.”

This is perfectly exact: one notes fixed ideas of an erotic order with some hysterics, insufficiency of the sexual sense, or more or less light perversions of the genital instincts. This is incontestable and this has been described many times with a great depth of pathological analysis. But why generalise these true observations in a completely excessive manner, why declare that all hysteria consists in this genital perturbation of several patients?”

Janet

In other words, what was good in psychoanalysis was not new, and stemmed from Janet’s own work. What was new was not good, and could safely be left to Freud.”

So a new plan of action took shape. On 30 November 1907, Jung informed Freud that a new arrival, Dr. Jones from London, together with Jung’s friends from Budapest had suggested a congress of Freudian followers. On 30 January 1908, Jung informed Karl Abraham that he was not going to invite Bezzola, and asked Abraham to find more participants, ‘provided that they are people with pro-Freudian interests. Please would you stress in each case the private nature of the project.’ The ‘First Congress for Freudian Psychology’, which took place at the end of April in Salzburg, was to be a secret admittance by invitation only event, with no criticism allowed. This private meeting, which set the tone for future psychoanalytic congresses across the world, represented a return to Freud’s weekly meetings with his disciples in Vienna. Once again, Freud could see his ideas replicated by the kaleidoscope which Wittels referred to.

However, what Bleuler would later call the politics of the closed door did not entirely solve the situation; far from it. In accordance with a pattern which would be constantly repeated, the controversies which the Freudians attempted to evade externally soon resurfaced internally. Ultimately, there was little difference between the external debates and the internal dissensions.”

whilst Abraham attempted to apply Freud’s libido theory to its elucidation, Jung presented his view that the loss of reality in dementia praecox could not be explained on the basis of the libido theory, and indeed, that the condition could not be explained purely psychogenically, and invoked an unknown toxin as a possible aetiological factor. Whilst Abraham did not mention his former superiors at the Burghölzli, aside from a few gestures of praise, Jung’s paper was basically independent of Freud’s work. Freud interpreted this doctrinal dispute between Jung and himself as a priority dispute between Abraham and Jung.”

Freud had actively encouraged Abraham to present his paper and even assured him that it would not bring him into conflict with Jung . . . Thus it seems that Freud had brought about the very conflict he then deplored. He then tried to obfuscate that fact and to put the blame on Abraham and Jung. In the aftermath of the Congress, Freud reinterpreted the conflict as a priority dispute between Abraham and Jung; a conflict over the priority of being the first to solve the riddle of schizophrenia with the help of psychoanalysis.”

Ernst Falzeder

In reframing his horizontal conflict with Jung into one between his disciples, Freud was arrogating the right to intervene in the debate vertically, from a position of uncontested authority. This strategy furnished the model which Freud would follow in subsequent internal conflicts: each time one of his collaborators attempted to have an open discussion with him as between equals, as his psychiatric colleagues had attempted to do from the exterior, he reduced him to the status of a pupil, leaving him no choice but to toe the line or quit the movement and join the growing crowd of his critics. Hence, the boundary between the interior and the exterior of the movement was extremely fluid and was constantly being redrawn as a result of expulsions. The closed door began to resemble a revolving door.”

In August 1909, Forel sent a circular letter to the main representatives of European psychotherapy, including Freud and Jung, to invite them to join the International Society of Medical Psychology and Psychotherapy, which he proposed to establish with Oskar Vogt and Ludwig Frank. Forel felt that the lack of coordination between the different orientations of psychotherapy was a critical problem. He wanted to create order in this ‘tower of Babel’ by facilitating scientific exchanges and through establishing ‘a clear international terminology, capable of being accepted in a general manner by different people’.”

scorned and neglected in general by the faculties of medicine, psychology and psychiatry have been studied above all by autodidacts who have formed special or local schools, such as at Paris, Nancy, Vienna, etc., schools which have each developed according to their special ideas, without contact with the others, without in-depth scientific discussions, without agreement on terms.

As a result of this situation, it seems to me that many things are highly necessary.

1. Obtain an international agreement to help the scientific discussions in the domain which occupies us – agreement on the facts and on the terms.

2. Unify neurological science and make it known in all its branches by the faculties of medicine.”

Forel

Freud and Jung had already left to attend the Clark Conference and to conquer America. They found Forel’s circular on their return at the beginning of October. By that time, the Society had already been founded. The formation of this society placed them in an unexpectedly awkward position. Forel proposed to draw together the diverse psychotherapies, without according a special status to psychoanalysis. Forel and Frank were taking the reins, under the banner of a true scientific psychology, and were offering Freud and Jung a back seat in the new organisation. After a long hesitation, Freud and Jung nevertheless decided to accept Forel’s invitation in mid November, so as not to leave the field to their rivals. The same month, at a professional meeting of Swiss psychiatrists, Forel and Jung made an alliance to isolate Constantin von Monakow, co-founder with Paul Dubois of a 3rd association of psychotherapists, the Society of Neurologists. In December, Forel sent Freud a dedicated copy of the 11th edition of his book Brain and Soul. More surprising yet, Freud briefly envisaged infiltrating the International Order for Ethics and Culture of Pastor Kneipp, an organisation in which Forel actively participated, before abandoning the idea on Jung’s advice.

In the meantime, the idea of an International Association of Psychoanalysis had germinated, formally grouping together adherents to Freud’s doctrine. The timing was clearly not accidental.”

I find your suggestion (tighter organization) extremely useful. The acceptance of members, however, would be just as strictly managed as it is in the Vienna Society; that would be a way of keeping out undesirable elements.”

Ferenczi a Freud

Embden warned against referring patients to asylums where psychoanalysis was practised (in

all likelihood, his main target was the Burghölzli). In the discussion, Trömner argued that the basic elements of Freud’s theory of hysteria were fine (i.e., the conversion of non-abreacted affects), but that Freud had erected monstrous theories from Breuer’s correct starting point. As for Freud’s interpretations of dreams, he notes that they were nearly identical to those which had been proposed long ago by Scherner.”

If Freud was Columbus, it followed that other psychologists and psychiatrists had to take the role of the American Indians.”

We have become so used to considering psychoanalysis as Freudian that we do not even consider that there could have been non-Freudian psychanalysts. But this is a retrospective (asymmetric) illusion, which grants victory to the IPA over rival organisations.”

Which one was to conquer the new continent of psychotherapy: psychanalysis according to Breuer, Forel and Frank, or psychoanalysis according to Freud and his followers? Without much exaggeration, one could say that before splitting into rival schools, the IPA itself was the product of a schism within the psych(o)analytic movement. Around the same time, Frank published a book titled Psychanalysis, in which he openly advocated return of psychanalysis to Breuer, critiquing the Freudian deviation. Unsurprisingly, Freud did not appreciate this.”

What is common with all the members of the sect is the high degree of veneration for the Master, which only perhaps finds its analogue in the personality cult of the circle of Bayreuth around Wagner . . . The Freudian movement is in fact a return, under a modern form, of a medicina magica, a secret doctrine which can only be practised by qualified interpreters of signs.”

Hoche

It is getting really bad with Adler. You see a resemblance to Bleuler; in me he awakens the memory of Fliess; but an octave lower. The same paranoia.”

F. a Jung (ironicamente…)

This pathologisation of dissent not only enabled the delegitimation of Adler’s theoretical innovations, it also mitigated a predictable rejoinder by Freud’s critics: ‘even your own psycho-analysts don’t agree with you!’ Indeed, if Adler remained a psychoanalyst – and one with a prominent institutional position and in a powerful position with regard to psychoanalytic literature – Freud’s defences against his critics would simply backfire. The simple rejoinder that the views of critics were nullified because they hadn’t practised psychoanalysis now posed a serious problem when someone such as Adler, one of the founding members of Freud’s Wednesday psychological society from 1902, presented views which in critical respects coincided with those of Freud’s critics.

Adler’s innovations opened the possibility of a proliferation of concurrent psychoanalyses, which was precisely what the founding of the IPA had attempted to stop. Thus simple theoretical disagreement would have been insufficient – it was necessary that Adler lose all credibility. In January and February 1911, a series of four meetings was convened in Vienna to discuss the theoretical differences between Freud and Adler.”

After these meetings, Adler and other associates resigned and formed a Society for Free Psychoanalytic Research, a pointed rejoinder to Freud’s authoritarian tactics.”

One year after the Isserlin episode, Hans Maier, who had succeeded Jung at the Burghölzli, was excluded from attending the Zurich Psychoanalytic Society. Freud had previously asked Bleuler to break off his relations with the psychiatrists Alfred Hoche and Theodore Ziehen under the rationale that they were critical of psychoanalysis. After the Maier episode, Bleuler decided that he had had enough and left the IPA.”

Rather than to strive to have many points of contact with the rest of science and other scientists, the Association isolated itself with barbed wires from the external world, which hurts both foe and friend . . . The psychoanalysts themselves have validated the malicious words of Hoche about sectarianism, which at that time was unjustified.”

Bleuler

After recalling that the roots of psychoanalysis were to be found in Liébeault’s theory of suggestion, Forel enumerated the authors who had developed the psychanalytic method: Freud, Vogt, Graeter, Frank, Bezzola, Du Montet, Loÿ, etc. One can imagine Freud’s reaction to see himself cited as one continuer amongst others of Breuer’s work.”

Eight months later, the dispute between the two psych(o)analytic factions broke out in a series of exchanges in the Neue Zürcher Zeitung, the main Zurich newspaper. This important controversy, which was first reconstructed by Ellenberger, has been passed over by Freudian historiography. It forms the first example of the numerous polemical Freud wars played out in newspapers and popular periodicals.”

From the side of the Freudian school, much too much exegesis, interpretation of dreams, and belleletristic studies of literary antiquity have been brought in, and thus the scientific method has been abandoned. In public the matter has then become dilettantish playing around.”

Forel

Stuck between Freud and his colleagues (between the inside and the outside), Jung’s position became more and more untenable. As we have seen, it was in the same year [1912] that conflict between Freud and Jung broke out into the open. This was potentially disastrous. Freud was not only on the point of losing his most precious ally, who had led the war of which Ferenczi spoke (and taken the blows in his place), but also the whole Zurich school, and with it the hope of internationalising the psychoanalytic movement and colonising psychiatry. Psychoanalysis was in danger of returning to becoming a local, Viennese affair.”

Bleuler could not have been clearer: far from being external, his critique was based on the results of his self-analysis, but also of his course of analysis by correspondence with Freud. Bleuler noted that his 1911 paper on psychanalysis had stressed the positive side; this one would represent the negative, with the advantage of further experience. Bleuler’s tactic was to identify and single out each aspect of Freud’s theories, and those of some of his followers, and to indicate what he accepted and what he rejected, in a meticulous and detailed fashion. Such an itemised view was precisely what Freud was militating against. Bleuler’s paper represented the most detailed examination of psychoanalytic concepts which had yet been undertaken.”

Being unverifiable, psychoanalytic interpretations were thus completely arbitrary. In this respect, the study of the literary products of the sect enabled a specific methodology to be identified.”

What occurs to one person today will on the next day already become a proven fact and be used as the basis for further inferences.”

Hoche

It was not surprising that hysterics were receptive to it, as this was the case with all new methods which surrounded themselves with mysteries. The believing doctor and patient were both under the suggestive effect of the same circle of ideas. Another category of patients was those in conditions where spontaneous remissions were common, such as neurasthenia and depression.”

The correspondences between Freud, Jones, Abraham and Ferenczi, only published in their entirety over the last few years, show that Freud was fully aware of this danger and sought to take evasive action. Should he dissolve the IPA and form a new organisation? Or should he resign before being ejected by Jung? None of these solutions appeared to be viable. There were not enough numbers to impose the dissolution of the IPA on the Zurich contingent. As for leaving the IPA, one could imagine the pleasure that it would give to Forel, Bleuler, Kraepelin, Hoche, Frank, Bezzola and their colleagues to see Freud leave his own organisation.”

In response to this situation, Freud decided to stake his all. Abraham, Jones, Ferenczi and Eitington were directed to publish conjoint attacks against Jung, in a carefully orchestrated campaign. Freud himself turned to writing his ‘bomb’, the ‘History of the psychoanalytic movement’. From the opening lines, it was quite clear that one was no longer dealing with even a pretence of open scientific discussion. As we have seen, Freud peremptorily declared that he alone was authorised to decide what was psychoanalysis, his creation. This argument from authority was clearly a response to the proliferation of Breuerian, Forelian, Adlerian and Jungian deviations. The vehemence with which Freud denounced Breuer, Jung, Adler and official science indicated his failure to resolve the question on the theoretical level, to persuade his colleagues of his definition of psychoanalysis. The extraordinary polemical tone of Freud’s ‘History’ reflects this defeat. Giving up all pretension at objectivity, Freud accused his adversaries of shameful motives, duplicity, incompetence, mental pathology, and in the case of Jung, racism.”

In terms of posterity, Freud’s strategy was a masterstroke. In the absence of prominent alternative accounts by Adler and Jung, Freud’s so-called ‘History’ became a founding document of the psychoanalytic movement and the basis of its official history, subsequently elaborated in numerous articles, books and biographies. Freud had managed to snatch victory out of defeat, passing in silence over embarrassing episodes (Forel, the Breslau congress), and transforming disagreements concerning psychoanalysis into irrational resistances. It is no exaggeration to say that without this tendentious rescripting of history, psychoanalysis would not have been able to propagate itself and attain the prominence which it had in the twentieth century.” “Between 1905 and 1914, Freud had sought to internationalise the psychoanalytic movement through seeking allies, initially through Bleuler and Jung. Henceforth, psychoanalysis came to be propagated from the interior, through producing more psychoanalysts in the form of patients turned into disciples. In this regard, the success which psychoanalysis came to have was due not to its capacity to convince its opponents (who remained sceptical), but to the unique form of transmission which it inaugurated.”

Separated from the university and the school of medicine (Freud formally stopped teaching in 1917), psychoanalysis became a private enterprise, recruiting clients (and hence potential followers) in an unregulated market, independent of all university or governmental authority. Psychoanalysis effectively became Freud’s firm, organised like an international company based on franchises. All sorts of subsidiaries could be formed across the world, on the condition that they faithfully reproduced the proprietary mode for forming analysts.”

It was as if Freud had patented Coca Cola. He did not really care whether Pepsi Cola or Royal Cola or Crown Cola were better. He merely wanted to make sure that only his products carried the original label.”

Thomas Szasz

As Ellenberger notes, Freud took over Adler’s conceptions of an autonomous aggressive drive, of the confluence and displacement of the drives and the internalisation of external demands.”

Everything I discovered was considered common property or was attributed to Freud. I could give countless examples of that.”

Stekel, que alega ter descoberto o instinto de morte. F. plagiava, mas plagiava muito mal

Freud later started to work on concepts that were no longer Freudian in the original sense . . . He found himself constrained to take my line, but this he could not admit to himself.”

Jung

This tacit recuperation of the theories of dissidents or of external critics became one of the most striking traits of the psychoanalytic movement, and it demonstrates that what was at stake in the formidable disputes between Freud and his adversaries was not the intrinsic value of particular ideas, but of who could lay claim to them.”

The connection between neurasthenia and masturbation, which formed an essential part of his theory of the actual neuroses, directly followed from George Beard’s Sexual Neurasthenia, and one finds it in many figures in medicine at that time, such as Krafft-Ebing, Löwenfeld, Erb, Strümpel, Peyer or Breuer.”

It is interesting to note a return, in part at least, to the old theory of the origin of hysteria in sexual disorders, especially as the tendency of late years has been to attach very much less importance to them.”

Michell Clarke, sobre Studies on Hysteria

Many hysterics had suffered severely from the prejudice of their relatives that hysteria can only arise on a sexual foundation. This widely spread prejudice we German neurologists have taken endless trouble to destroy. Now if the Freudian opinion concerning the genesis of hysteria should gain ground the poor hysterics will again be condemned as before. This retrograde step would do the greatest harm.”

Konrad Alt

As regards the sexual basis of the disease, my examination of Selma B. has been serious and thorough. She says that she sometimes masturbated as a child of about 10 or 12 years of age, and presumably thereafter. She can say nothing about duration or intensity, but since at the age of 16 or 17 she experienced a severe neurasthenic condition it may be assumed that both were considerable.”

Breuer a Fliess, 1895

Neurasthenia is certainly an illness that is sexual in root.”

Breuer

The ideas of the libido, infantile sexuality, erogenous zones and bisexuality to which Freud turned after his abandonment of his seduction theory were all part of the Darwinian heritage which he shared with his sexological colleagues, and notably with Fliess (whom Freud systematically omitted from his historical accounts).”

In short, if one resituates Freud’s theories on sexuality in their context, one sees that they were neither as revolutionary nor as scandalous as he claimed.”

To claim as Freud did in his autobiographical study that the science of his time had pronounced an ‘excommunication’ on the subject of dreams is simply false. In this respect, one may well ask why he insisted so much on the fact that he arrived at the theory of dream symbolism (which was absent from the first edition of The Interpretation of Dreams) independently of Scherner, when the latter anticipated other more important parts of his theory, such as dreams being the disguised fulfilment of sexual wishes. As Irving Massey and Stephen Kern have both noted, Freud, in his historical review of the literature on dreams, seems systematically to have avoided citing the passages in the works of his predecessors which came closest to his own theories.”

Sexual impulses that arise during sleep, and their representation in dreams, are totally indifferent to morality; the fantasy simply takes as its motif the sexual vitality that is given in the physical organism and presents it symbolically; the chastest virgin and the respectable matron, the priest who has renounced earthly things, and the philosopher, who grants to the sexual drive only the measure and purpose decreed by morality, are equally, willy-nilly, dreamers of sexual arousal.”

Scherner

WHO IS THE DREAMER?

The dream provides us with such fine aperçus of self-knowledge, such instructive allusions to our weaknesses, such clarifying revelations of half unconscious dispositions of feelings and powers, that on awaking we are entitled to be astonished at the demon who with true hawk eyes has looked into the cards. But if it is so, what rational grounds could keep us from individual questions of self inquiry, and especially with the one great main question: who is the real master in our house? The hints of dream life should certainly be heeded!”

Hildebrandt

Similarly, whether Freud had actually read Schopenhauer – and there are many reasons for thinking that this was the case – he most certainly would have been aware that the term and concept of repression played an important role in the work of his teacher Meynert, who had taken it from Herbart, and that in his initial formulations, the psychic mechanism which this designated was very close to the dissociation of Charcot, Binet and Janet. As for his claims to have avoided reading Nietzsche, William McGrath established that it would have been nearly impossible for him not to have read him when he was a young student, and a member of the Leseverein der deutschen Studenten Wiens, a pan-Germanic reading group which avidly studied the works of Schopenhauer, Wagner and Nietzsche. Thus, one wonders how Freud could have known that he would have had great pleasure from Nietzsche without having read him!”

The renowned sociologist of science Robert K. Merton counted no less than 150 priority disputes in Freud’s works, which on average comes out to over three per year – and this was before the major exchanges of correspondence had been published.”

Wernicke’s pupils, Sachs and C.S. Freund, have produced a piece of nonsense on hysteria (on

psychic paralyses), which by the way is almost a plagiarism of my ‘Considerations, etc.’ in the Archives de neurologie. Sachs’s postulation of the constancy of psychic energy is more painful.

F. a Fl., 1895, antes de se encontrar com Sachs e tê-lo como bajulador pelo resto de sua existência.

I found the substance of my insight stated quite clearly in Lipps, perhaps rather more so than I would like.”

F. a Fl.

2. THE INTERPREFACTION OF DREAMS

When Freud strongly overestimates himself and the significance of his theory, and with sharp words presents the psychiatrists from whom he has much to learn, even concerning elementary knowledge, as incapable, then one must regard him as having been spoilt by the blind admiration of his disciples.”

Aschaffenburg

According to Hitschmann’s book Freud’s Theory of Neuroses, one would believe that Freud discovered the unconscious! We need only refer to the numerous works of modern psychology, as well as to Dessoir’s more strictly defined concept of the ‘underconscious’ (Unterbewussten) . . . to show how incorrect such a view is”

Forel

I object that a man like myself who has collected his own dreams since the age of 16 and investigated the problems under discussion here since 1894 – almost as long as Freud and longer than any of his disciples – should be refused the right to discuss these questions by any Freudian!”

Vogt

It is much as if a bacteriologist had confined his studies to the investigation of a single bacillus and had neglected the great storehouse of knowledge acquired in the whole bacteriological field.”

Morton Prince

To invoke Freud’s ‘megalomania’ or ‘desire for grandeur’ (openly avowed in The Interpretation of Dreams) or his ‘paranoia’ (the myth of the hostile irrationality of his colleagues, the invocation of ‘resistances to psychoanalysis’, the pathologising of adversaries, etc.) is insufficient and comes down to utilising the same sort of reductive psychopathological interpretations which Freud liberally applied to others. What such explanations leave out of account is that Freud’s histories were primarily directed towards a particular public: from ‘The history of the psychoanalytic movement’, Freud was principally preaching to the converted and was no longer preoccupied with the objections of his peers. (…) From this perspective, the legend of the isolated and persecuted scientist is less the expression of Freud’s megalomania or mythomania, than the reflection of the institutional isolation of psychoanalysis.”

Nowhere in the whole of Freud’s writings is there a shred of proof, only assertions, assertions of having proved something before, but which was never done, and mysterious reference to inaccessible and unpublished results of psycho-analyses.”

Wohlgemuth

In other words, the ‘psychoanalogy’ (term he expressly gives to psychoanalysis) is all in the explanation, in the theory of the analyst, not in the material of the case. This indeed is quite opposed to the assumptions and quite explicable without them.”

Hollingworth

PIOR QUE A MAÇONARIA: “Moreover, from being impartial witnesses of therapeutic efficacy, the psychoanalytic method often transformed such patients into disciples, hence into active protagonists on one side of the controversy.”

Moreover, I believe that the cures effected by Freud (as to the permanence of which, in view of the insufficiency of the published materials, no decisive opinion can as yet be given) are explicable in another way. A large proportion of the good results are certainly fully explicable as the results of suggestion. The patient’s confidence in his physician, and the fact that the treatment requires much time and patience, are two such powerful factors of suggestion, that provisionally it is necessary to regard it as possible that suggestion explains the whole matter.”

Moll

SÍNTESE DO PROBLEMA QUE É SER CÉTICO DEMAIS: “By the 1890s, psychiatrists and psychologists were acutely aware of the demise of Charcot’s theories through the criticism of the Nancy school, and of the ease with which one could take one’s theories to be real through suggesting them to patients or to subjects of psychological experimentation. Despite (or rather because of) their positivism, they didn’t trust many of the clinical ‘confirmations’ which Freud invoked in support of his theories. In the 1920s, the young Karl Popper recalled this whilst elaborating his famous critique of the non-falsifiable nature of psychoanalytic theory:

Years ago I introduced the term ‘Oedipus effect’ to describe the influence of a theory or expectation or prediction upon the event which it predicts or describes: it will be remembered that the causal chain leading to Oedipus’ parricide was started by the oracle’s prediction of this event. This is a characteristic and recurrent theme of such myths, but one which seems to have failed to attract the interest of the analysts, perhaps not accidentally.”

When one has seen how suggestible hysterics are, even during their fit, how much they easily realise the phenomena which one expects or that they have seen produced in others, one cannot stop oneself from thinking that imitation, working by autosuggestion, plays a great role in the genesis of these manifestations . . . I thus believe that the grand hysteria which the Salpêtrière presents as classical, unfolding in clear and distinct phases like a chain hysteria, is cultivated hysteria.”

Bernheim

Freud’s peers, thanks to their familiarity with the work of the Nancy school, saw clearly that the replacement of direct hypnotic suggestion with the method of so-called free association by no means settled the problem of suggestion understood as creation of artefacts.” “nothing guaranteed the fact that Freud’s method of free association would be any less suggestive than other psychotherapeutic methods, or that his theories would be more objective than his master Charcot’s.”

A lengthy investigation of a patient’s mind means that one is no longer examining at the end of the investigation the object one set out to observe, but an object which has progressively altered during the course of the investigation, and altered in a way which may have been largely determined by the investigation itself. This was the circumstance which vitiated absolutely and completely the painstaking conclusions drawn by Charcot and his school of the Salpêtrière. A perusal of the literature of double personality suggests strongly the existence of a similar vitiating factor”

Hart

Psychological experimenters (as Messer and Koffka) have frequently observed that it is very difficult to secure a really free association . . . It is rather strange that the Freudians . . . should assume that the subject is really passive in the process of the analysis, and should omit to inquire what sort of tendency or control may be exerted on the movement of thought. If we ask ourselves this question, we notice that the psychoanalyst instructs his subject to be passive and uncritical, and to give expression to every thought that comes up, no matter how trivial or embarrassing it may be. The subject is warned time and time again that he must keep back nothing if he wishes the treatment to succeed. It is easy to see that such instructions tend to arouse a definite set of mind towards that which is private and embarrassing; and this easily suggests the sexual.”

R.S. Woodworth

As Aschaffenburg and Hoche argued, patients knew in advance what was expected of them. Hence it would be no surprise if patients exhibited all the manifestations of resistance or negative transference as portrayed in psychoanalytic theory.” E olha que estamos falando de 100 anos atrás…

From an epistemological perspective, Freud was a classical positivist, for whom the fundamental basis of knowledge was observation (…) Like all good positivists, such as Ernst Mach, who seems to have been his principal reference in epistemological matters, he firmly distinguished between observation and theory. In general, positivists were wary of theories, which brought with them the risk of mistaking the idea for the thing and tipping over into fruitless metaphysical speculation. Thus they attempted to delimit the sphere of theory, clearly demarcating it from observation. For the most part, they knew that science wasn’t only a matter of inductive generalisation from observations, and that one could not avoid heuristic hypotheses. But they insisted that such hypotheses be perceived as such, i.e., as nothing other than theories. In a paradoxical and yet logical manner, the accent which positivists placed on observation often led to conventionalism or ludic theories: one could speculate, imagine and play with ideas, as long as it was clear that these were only ideas which could ultimately be corrected by experience. For positivists, concepts were disposable. As Mach explained, they were ‘provisional fictions’ which were necessary as one had to begin somewhere, but one shouldn’t hesitate to dispense with them when one came up with better ones. For Freud, the ‘basic concepts’ of his metapsychology were only ‘fictions’, ‘mythical entities’, ‘speculative superstructure(s)’, ‘scientific constructions’ or ‘working hypothes(es)’ destined to be replaced if they came into conflict with observation.”

Huygens’ wave hypothesis was not a perfect fit and its justification left much to be desired, causing not a little trouble even to much later followers; but had he dropped it, much of the ground would have been unprepared for Young and Fresnel who would probably have had to confine themselves to the preliminary run-up. The hypothesis of the emission was adapted little by little to the new experiences . . . Hence experience worked continually to transform and complete our representations, enabling a better fit with our hypotheses.”

Ernst Mach

MORRER ABRAÇADO NO TRIÂNGULO… “Without metapsychological speculation and theorizing – I had almost said ‘phantasising’ – we shall not get another step forward. Unfortunately, here as elsewhere, what our Witch reveals is neither very clear nor very detailed.” F.

Psycho-analysis an Empirical Science. – Psycho-analysis is not, like philosophies, a system starting out from a few sharply defined basic concepts, seeking to grasp the whole universe with the help of these and, once it is completed, having no room for fresh discoveries or better understanding. On the contrary, it keeps close to the facts in its field of study, seeks to solve the immediate problems of observation, gropes its way forward by the help of experience, is always incomplete and always ready to correct or modify its theories. There is no incongruity (any more than in the case of physics or chemistry) if its most general concepts lack clarity and if its postulates are provisional; it leaves their more precise definition to the results of future work.”

F.

The Freudian theme of theoretical fiction, which has often been seen as an oppositional counterpoint to ‘positivism and to the substantialisation of metaphysical and metapsychological instances’, is in fact a typically positivist trait.”

Hence there is nothing to guarantee that psychoanalysis is not an a priori system, a celibate theoretical machine which produces its own evidence – a positivist’s nightmare.”

COM O TEMPO, FOI DEIXANDO DE SE CORRIGIR: “When, however, I was at last obliged to recognize that these scenes of seduction had never taken place, and that they were only phantasies which my patients had made up or which I myself had perhaps forced on them, I was for some time completely at a loss . . . When I had pulled myself together, I was able to draw the right conclusions from my discovery: namely, that the neurotic symptoms were not related directly to actual events but to wishful phantasies, and that as far as the neurosis was concerned psychical reality was of more importance than material reality. I do not believe even now that I forced the seduction-phantasies on my patients, that I ‘suggested’ them.” F. – Nem mesmo as fantasias de realização eram reais…

The ‘pragmatic argument’ will not work in this case. We have a number of other treatments, all more or less successful in treating neurotic cases, and each one purporting to be based on a different theory.”

Woodworth

Psycho-analysts defend their theory by pointing to its practical therapeutic successes. People are cured by psycho-analysis, they say; therefore psycho-analysis must be correct as a theory. This argument would be more convincing than it is, if it could be shown: first, that people have been cured by psycho-analysis after all methods had failed; and secondly, that they have really been cured by psychoanalysis and not by suggestion somewhat circuitously applied through psycho-analytic ritual.”

Aldous Huxley

“‘Suggestion’ is to the psychologist what bacteria are to the surgeon. The psychologist aims, as it were, at an aseptic treatment, whilst the psychoanalyst indulges in deliberate infection. After having waded through the psycho-analysis of little Hans, which is reeking and teeming with suggestion, to read Freud’s remarks upon it and upon its critics simply takes one’s breath away.”

Wohlgemuth

To those who suspected him of projecting theories drawn from elsewhere onto clinical material, he replied that he was much too uncultivated to be capable of doing so. To those who accused him of imposing his ideas onto patients, he retorted that he only listened to what they had told him. The Freudian legend was a very effective means of returning critiques to their sender and of inverting the order of research. Hence what was subjective suddenly became objective. What was contingent and historical became atemporal. Interpretation became ‘psychic reality’. Constructions became ‘historical truth’ which emerged from a black box to which only the analyst had the key.”

We propose to call this process of the transmutation of interpretations and constructions into positive facts interprefaction. Interprefaction forms the basic element of Freud’s scientistic rhetoric and the diverse historical legends which he wove around his so-called ‘discoveries’.”

PERRRVERRRTIIIDO: “Why did Freud feel the need to rewrite history so as to imply that his patients had spontaneously volunteered their memories? Paradoxically, the fact that they didn’t recall the events in question would have fitted in better with his subsequent theory of repression. But not to have done so would have laid himself completely open to the charge of suggestion. To concede this here would be to raise the question whether the same was not true of his later theories of neurosis, obtained through the same ‘analytic’ method? Hence it was critical for Freud to conceal the fact that it was he who had speculated, imagined these scenes of sodomy, sadism, fetishism, analingus and fellatio, and taken them to be real, under the influence of his theoretical presuppositions of the moment.

At the same time, through transforming his own hypotheses and conjectures into the ‘communications’ of his patients, Freud was able to wash his hands of this whole affair, as the onus of responsibility lay with his patients. His error had simply been one of having trusted their bona fides too much and hence having allowed himself to have been led astray by them. It also enabled him to give body and reality to his speculations, despite their erroneous character. With the seduction theory, Freud had put his scientific reputation on the line, and had failed.”

Should we then reduce the Freudian interprefaction of fantasies to a deception, to an effect of pure rhetoric? This is the perspective of a number of ‘revisionist’ scholars, such as Frank Cioffi, Han Israëls, Allen Esterson and Frederick Crews, for whom the account of the discovery of unconscious fantasies is a historical mystification which rests on nothing. From this perspective, the Freudian legend took hold because of our belief in the unconscious, which itself was a ruse of the great sophist. Hence the task of the historian should be one of unmasking the vacuity of Freud’s accounts, and with this of psychoanalysis itself. However, such a perspective, whilst unmasking Freud’s theories, still partakes of a similar positivism.”

Individuals continue to confess their fantasies, to rescript their lives in terms of Oedipal conflicts, or to recover repressed memories of infantile sexual abuse, and practitioners continue to conduct their trade in good faith. Is this simply due to human, all too human credulity (‘mundus vultus decepit’)?”

Or because psychoanalysts have maintained a still powerful authoritative position in the media, health services and human sciences? Such a perspective would be too simple, and would also fail to account for the success of other psychological theories and other psychotherapeutic systems which have also flourished.”

Psychoanalysis can no longer be dismissed as a fad; it has risen to the dignity of a fashion, and possesses all that moral authority and intellectual finality which we associate with a particular pattern of hats or whiskers . . . But in any case, a theory is only a thought, while a fashion is a fact. If certain things have really taken hold of the centres of civilization, they play quite as much a part in history whether their ultimate origin is a misapprehension or not.”

Chesterton

Individuals respond to the interpretations of their analysts and suggestive effects of cultural milieux, and many have rescripted their lives on this basis. As a result, new realities have been fashioned. In other words, there is a becoming-fact of fiction or legend becoming a fact, which escapes the simple opposition of true or false, of the given or constructed, of the real and illusory.”

Suddenly, the past was no longer the same; innocent memories of childhood were transformed into ‘screen-memories’ for more embarrassing or sinister events. Dreams could become confirmations of new realities, and symptoms could take on new significations. Patients themselves could take on the task of reinterpreting their lives through a previously unremembered traumatic event which seemed to offer the hope of explanation and liberation. Hence it is not surprising that scenes of seduction would emerge, just as Freud predicted.”

ATINGIMOS PERIGOSOS CONTORNOS BAUDRILLARDIANOS! “The patients reproduced traumatic ‘reminiscences’ between 1889 and 1895, then scenes of infantile sexual abuse between 1896 and 1897, and then they stopped, once Freud asked them instead to produce Oedipal fantasies or memories of ‘primal scenes’. Each time, a new reality was produced, with its own rules and characteristics. Had other hypotheses and theoretical demands been given, other psychological realities and therapeutic worlds may have resulted – which was exactly what took place at the turn of the century in the myriad other schools. Like many other psychotherapies and psychologies, psychoanalysis was an ontology-making practice, which recreated the world in its image.”

ONDE ESTÁ O SEU COMPLEXO? ESTARIA NO MESMO LUGAR QUE O MEU? “If a dream of mine were analysed by Freud he would doubtless unearth some sexual complex, whilst Jung, with the same dream, would discover some ‘prospective and teleological function,’ and Adler would find the ‘will to power, the masculine protest.’ This I think is sufficient proof that the result is due to the psychoanalyst and that the dream-interpretation is the via regia to the analyst’s unconscious.” Wohlgemuth

Depending upon the point of view of the analyst, the patients of each school seem to bring up precisely the kind of phenomenological data which confirm the theories and interpretations of their analysts! Thus each theory tends to be self-validating. Freudians elicit material about the Oedipus Complex and castration anxiety, Jungians about archetypes, Rankian about separation anxiety, Adlerians about masculine strivings and feelings of inferiority, Horneyites about idealized images, Sullivanians about disturbed relationships, etc.”

Judd Marmor

It is as if Descartes’ famous ‘evil genius’ really existed and self-confirmed all the theories of dynamic psychiatry.”

Ellenberger

As the participants agree to play the game and respect the rules and the contract, they make it real. At a structural level, the same holds true for psychoanalysis and other forms of psychotherapy. These consensual practices do not reflect the world, they recreate a segment of it. There is nothing wrong with that as long as protagonists do not seek to impose their world on those who never signed up for it and who don’t accept it.”

The examples which we have considered so far concern cases where both parties have taken on board the constructions and interpretations of the analyst, and have remade the world and rewritten personal history on this basis. But what of cases in which one of the parties rejects the interpretations and even refuses to join in the further game of ‘transference resistance’?”

If colleagues did not accept his theories, it was because they repressed sexuality (Breuer, and German psychiatry as a whole), because they were perverse (Stekel), neurotic (Rank), paranoiac (Fliess, Adler, Ferenczi), on the edge of psychosis (Jung) or in a psychiatric condition (Rank again).”

Breuer hadn’t mentioned his patient’s very painful neuralgia in his 1895 case history, nor the morphine addiction that had resulted from his efforts to calm her convulsions. Nevertheless, the neuralgias figured prominently among the symptoms that he and Freud, in their ‘Preliminary communication’, claimed to have been able to trace back to traumas.”

There is then a certain untrustworthiness about all these earlier cases of Freud. Thus again, the famous first case that he had with Breuer, which has been so much spoken about as an example of a brilliant therapeutic success, was in reality nothing of the kind. Freud told me that he was called in to see the woman the same night that Breuer had seen her for the last time, and that she was in a bad hysterical attack, due to the breaking off of the transference.”

Jung

To Jung, to Marie Bonaparte, to Stefan Zweig and, it seems, to many other colleagues, Freud appears to have related an even more fabulous and explosive story than that of Anna O.’s supposed ‘transferential love’ for Breuer.”

Eitingon [talvez o maior verme da burocracia da IPA] provided a critical revision of Breuer’s case history in which he emphasised its pre-psychoanalytic character, that is to say its incompleteness. Breuer had insisted on the ‘asexual’ character of Anna O.’s symptomology; Eitingon, though, retranslating Breuer’s report in the ‘language of psychoanalysis’, had no difficulty recognising the sexuality within it: Anna O., at the bedside of her ailing father, had nourished incestuous fantasies, as well as a fantasy of pregnancy which she subsequently repressed and transferred onto Breuer, who was transformed into a substitute for her dead father.”

Even Kurt Eissler, at the end of a life dedicated to defending Freud’s probity and moral rectitude against his detractors, was forced to recognise this fact, speaking in this regard of a ‘hardly believable derailment’ by his hero.” Depois de tantas entrevistas nos anos 50, qualquer um arregraria de seu cargo na fascistolândia.

Freud acted here in a way that is in contrast to his usual fidelity of character: he was ungrateful, indiscreet, and slanderous.”

K.E., bancando o ingênuo.

I am one of the rare members of Bertha Pappenheim’s close family circle who is still living and I have the duty as her executor to speak in the name of the family and to establish that the family is not capable of an inexcusable lack of piety to authorise the lifting of a medical secret which Bertha had guarded during her life. But much worse than the revelation of her name as such is the fact that Dr. Jones on p. 225 adds on his own account a completely superficial and misleading version of Bertha’s life after the conclusion of Dr. Breuer’s treatment. Instead of informing us how Bertha was finally cured and how, completely mentally reestablished, she led a new life of active social work, he gives the impression that she was never cured and that her social activity and even her piety were another phase of the development of her illness . . . Anyone who has known Bertha Pappenheim during the decades which followed will regard this attempt at interpretation on the part of a man who never knew her personally as defamation.”

Paul Homburger

3. CASE HISTORIES

In this sense, we can well say that Freud’s ‘case histories’ (Krankengeschichten) are no less mythical than the fabulous ‘history of the psychoanalytic movement’ narrated in his autobiographical writings or the history of humanity described in his phylogenetic and anthropological fictions. No matter where we look, we find the same rewriting of history, the same narrativising of arbitrary interpretations, the same transformation of hypotheses into facts.”

If the final criterion for the fiction proposed by the therapist is that the patient accept (veri-fy) it, why insist on perpetrating Freudian fictions in accordance with psychoanalytic theory as opposed to any others? Why the inevitable interpretation of the patient’s biography in terms of desire, repression, resistance or transference – and not, let’s say, in terms of class struggle, astrological constellations, the evil eye, diet or psychopharmacology?”

There is nothing inherently wrong with this (after all, the therapist has to start from somewhere), but we at least need to recognise that little has fundamentally changed since Freud’s more authoritarian and ‘suggestive’ psychoanalysis, in which the patient was indoctrinated.”

Freud was not an excellent psychoanalytic technician . . . First of all, he had practised suggestion for too long not to have retained certain reflexes. When he was persuaded of a truth, he wasted little time in awakening it in his patient’s mind; he wanted to quickly convince him, and because of this, he talked too much. Secondly, one rapidly sensed the theoretical question with which he was preoccupied, because he often developed at length new points of view that he was in the process of clarifying in his own mind. It was beneficial for the mind, but not always to the treatment.”

Raymond de Saussure, um dos analisandos de Freud!

He was much more interested in the work in general, than in me, as a person. He was interested in the translations (for the Collected Papers). He was interested in the Verlag (blotted out) and he would as soon as one came in be quite prepared to show me a German letter and discuss it with me, you see, and argue, and that sort of thing. Well, from my point of view now it is completely impossible to see it as an analysis! . . . I was also frustrated and deprived because he practically devoted the whole session to business.”

Joan Riviere

Whether the patient chooses to collaborate with the analyst or, on the contrary, resist his interpretations, the fact remains that everything originates from the theory informing these interpretations – no matter if it be the ‘ready-made’ theory inherited by Freud’s successors or else, as in the case of the founder himself, hypotheses and speculations tried out on patients. We thus have the right to wonder, as Albert Moll was already doing in 1909, if the case histories are actually at the core of the theory or if it isn’t rather the inverse.”

The Freudian legend, as we have seen, exists to bolster and give credibility to this constantly reaffirmed, positivistic thesis: the theory (the meta-psychology) comes after the observation or, at the least, it never interferes with it. (…) It is this impartial observation, the fundamental cornerstone of psychoanalysis, that case histories are supposed to represent for those not present at the analysis, just like, say, the Royal Society’s seventeenth century Philosophical Transactions or the modern reports we make of experiments today. These documents take the place of what happened in the analyst’s office; they report to the public the psychical ‘events’ brought to light during analysis – and the theory subsequently attempts, somehow or other, to make sense of these events. We immediately see the enormous role these case histories play in the official epistemology of Freudianism, inasmuch as they are equated with the analytical experience itself. They are, as Kurt Eissler proudly declared, ‘the pillars on which psychoanalysis as an empirical science rests’. To take this declaration seriously, though, is to admit that the entire metapsychological edifice rests on a handful of cases that were observed and described by Freud himself: Dora, the Rat Man, the Wolf Man, the Homosexual (we hesitate to add Little Hans to this extremely short list, because, with the exception of one session with Freud, his analysis was conducted entirely by his father).”

This situation is almost unique: in perhaps no other field has so great a body of theory been built upon such a small public record of raw data.”

Michael Sherwood

What is problematic about Freud’s observations is the fact that he was the only one who had access to them, contrary to the demands of publicity which have characterised science since the seventeenth century. As Steven Shapin has shown, this demand is an entirely integral aspect of the ‘Scientific Revolution’, not to mention the modern sciences among which psychoanalysis is supposedly situated.”

Thus, even during Freud’s time, any doctor or researcher could attend Charcot’s patient demonstrations or Bernheim’s hypnosis sessions, both to verify the authenticity of the phenomena they described, and to train in their techniques. It was after a visit to the Salpêtrière, for example, that Delboeuf became convinced of the artefactual nature of Charcot’s grande hystérie and grand hypnotisme. Likewise, it was after their return from a visit to Bernheim’s clinic in Nancy that Forel, Freud and several others began practising ‘suggestive psychotherapy’ in their clinics or private offices.”

This is especially true at the Burghölzli clinic, where psychoanalysis, as we have seen, was taught just like any other medical technique. Researchers who came there for an internship could have on-the-job training in the new techniques by witnessing analytic interviews with patients, by undergoing analysis with Jung, Riklin or Maeder, or again by collectively analysing their dreams and slips of the tongue during the meals they took together.” “Again: in 1909 the title of Jung’s lectures for the summer semester was ‘Course in Psychotherapy with Demonstrations’, making clear the open nature of the teaching being done in Zurich.”

He was my first instructor in the practice of psychoanalysis and I used to be present during his treatment of a case.”

Jones sobre Otto Gross

It will be remarked that here Freud speaks of the necessity of hiding his patients’ identities from the public, which is an entirely legitimate concern. But why expand this embargo to include those colleagues bound by professional secrecy? It’s one thing to protect a patient’s privacy from the public; it’s something else to shield their analyses from any peer evaluation or ‘case presentation’. No one, in fact, would push the principle of medical confidentiality to such an extreme, and apply it in such a rigid manner, as Freud and his successors did. Psychoanalysis is a strange, confidential science, in the sense that the direct and public presentation of the matter of fact is quite literally forbidden, tabooed and scandalised. From this point of view, Freud’s private office was indeed closer to the laboratory of the ancient alchemists, where a ‘secret art’ was practised, than to the open and transparent space of the modern laboratory.”

An examination of the list of Freud’s technical writings . . . will show that after the publication of the Studies on Hysteria in 1895, apart from two very sketchy accounts dating from 1903 and 1904, he published no general description of his technique for more than 15 years . . . The relative paucity of Freud’s writings on technique, as well as his hesitations and delays over their production, suggests that there was some feeling of reluctance on his part to publish this kind of material. And this, indeed, seems to have been the case, for a variety of reasons . . . Behind all his discussions of technique, however, Freud never ceased to insist that a proper mastery of the subject could only be acquired from clinical experience and not from books. Clinical experience with patients, no doubt, but, above all, clinical experience from the analyst’s own analysis.”

Strachey

Even today, analysts in training learn psychoanalysis not by observing a senior practitioner’s analyses, but by studying Freud’s case studies, and by making a didactic analysis with an analyst who learned the same way. As a result, climbing back up the chain we always find ourselves with Freud and his canonical case histories – endlessly copied and ‘confirmed’ by successive generations of analysands/analysts.”

Freud, Jones thus tells us, was a man of ‘absolute honesty’ and ‘flawless integrity’; a man who was ready to sacrifice friendships and theories upon the altar of Science. (Jones, with some difficulty, concedes that the murky SwobodaWeininger scandal, in which Fliess caught Freud red-handed in a lie, was the exception which proved the rule: ‘It was perhaps the only occasion in Freud’s life when he was for a moment not completely straightforward.’)”

As Lacan might have said: the Freudian field is structured by a symbolic pact with the founding Father, whose Word, which his sons constantly return to, is the sole guarantor of their practice. This is what explains, for example, why the question of knowing whether Freud cheated on his wife with his sister-in-law is so significant for psychoanalysts.¹”

¹ “See Maciejewski (2006) for the reportage of Freud’s signing into a room at Hotel Schweizerhaus in Maloja, Switzerland, in August 1898 with his sister-in-law as ‘Mr and Mrs Freud’.”

Freud’s case studies are long, complex and, above all, well written. While the ‘observations’ of a Bernheim or even a Janet limit themselves to transmitting events in a quasi-telegraphic style, Freud tells us actual stories, using all the narrative resources available to the fiction writer (some of which we will take a look at later on).”

Freud was quite extraordinarily inaccurate about details. He seems to have had a delusion that he possessed a ‘photographic memory’. Actually . . . he constantly contradicts himself over details of fact. When we did the case histories (for the Collected Papers) we sent him a long list of these – most of which he then put right in the Gesammelte Schriften and later editions.”

Strachey a Jones

It is a theory supported by itself: a celibate speculative machine producing, with its hypotheses and ‘constructions’, its own reality. Whatever he might claim, Freud never ‘observed’ the unconscious or repression anymore than he ‘discovered’ the Oedipus complex, infantile sexuality or the meaning of dreams. He only wagered that they existed, acting ‘as if ’ these conjectures were real and then asking his patients to confirm them.”

He thought that just as Kant postulated the thing in itself behind the phenomenal world, so he himself postulated the unconscious behind the conscious that is accessible to our experience, but that can never be directly experienced.” Binswanger, elogiando Freud, ao meu ver, já que pelo menos ele entendeu algo de Kant!

who ever said that Ida loved Mr K.? Only Freud. It is obvious that Freud’s interesting ‘psychological problem’ would instantly vanish if he consented to abandon his hypothesis instead of projecting it onto Ida’s unconscious – in spite of her protests.”

It is important to note the great pains taken by Freud not to specify the extent to which he has ‘supplemented’ the material provided by Ida – and for good reason: not only is the ‘primal scene’ his own supposition, but furthermore Ida ‘denied flatly’ having the slightest memory of masturbating before the age of 8, or having been in love with her father. Even if we keep her memories of the mountain excursion in mind, we are nonetheless led to the conclusion that Ida’s contribution to Freud’s case history was quite minimal. The rest is pure speculation on Freud’s part; however, he narrates all of this as if the events had actually occurred in Ida’s mind. So how, under these conditions, is the reader to know the difference?”

The examples we have cited to this point all have one thing in common: they systematically confuse the limits between the analyst’s heuristic hypotheses and the ‘psychical reality’ of the person on the couch. What was initially an idea of Freud’s is, in the end, presented as the patient’s unconscious or latent thought, in such a manner that we no longer know who thinks what. Everything, in fact, proceeds as if Freud were reading into the thoughts of others; or, more precisely, as if he were reading them for us.”

Just like Balzac or Stendhal, he knows the hidden motives behind their actions, and he even has access to thoughts and feelings that they themselves are hardly aware of, or else refuse to acknowledge. But while the omniscient narrator of classic novels takes centre stage, often intervening with conspicuous commentary or irony, Freud constantly tries to efface himself as narrator in order better to create the illusion of having immediate access to the thoughts of his ‘characters’ (which, literarily speaking, actually places him in the company of such realist novelists as Flaubert, Zola and Henry James).” “The reader, who is asked to suspend his disbelief, now has the impression of directly witnessing the patient’s inner life.”

Most of the time, Freud carefully avoids stating explicitly that he cites statements made by the patient. More prudently, he prefers to remain in the ambiguous zone of ‘free indirect style’ so dear to realist novelists, which has the precise effect of confounding quotation and narration, direct discourse and indirect discourse. Instead of writing in the mode of oratio recta: (Dora said:) ‘I remember how much Papa had exerted himself that night with mother’, or else in the mode of oratio obliqua: ‘Dora remembered that her father had exerted himself a great deal that night with her mother’, he writes, like a novelist narrating the inner thoughts of a character: ‘Then came the recollection of how much he had exerted himself with Mummy that night.’

To those, like Max Scharnberg or Allen Esterson, who would accuse him of deceitfully presenting his interpretations as if they were the actual accounts given by his patients, he could always reply that he did nothing of the sort: these critics were adopting an extremely literal and legalistic reading of what is, in fact, only literary licence. Flaubert’s trial, it has been said, would never have taken place if the authorities had had enough literary sense to understand that Madame Bovary’s immorality was that of his character Emma’s thoughts, narrated in free indirect style, and not those of the author-narrator Flaubert. Likewise and conversely, Freud would be right to argue, from a strictly grammatical point of view, that he never explicitly attributed his own thoughts to his patients.”

is it his fault if his readers take at face value what he, the conscientious scientist, was merely suggesting?”

Why did Freud engage in this retelling? And why did he so forcefully maintain that Lanzer owed the money to the imaginary young woman at the post office, rather than to Lieutenant Engel? We needn’t look very far to find the answer. In the section titled ‘The paternal complex and the solution to the rat idea’, Freud explains that the story of the anonymous Captain had revived in Lanzer’s unconscious his identification with his father.”

Já estou de saco cheio dessa história do Homem dos Ratos. Os psicanalistas podem enfiá-la dolorosamente no cu se quiserem!

Jung, clearly, was hoping that Freud would finally provide the detailed description of a completed analysis that everyone had been waiting for. Freud, who, surprisingly, seems to have been short on completed analyses (in 1908!), decided at the last moment to give a lecture on Lanzer, despite the fact that this latest analysis wasn’t ‘finished’.”

This case also provided Freud with a felicitous opportunity to present a ‘defence and illustration’ of his theory of obsessional neurosis, which Janet had criticised in his monumental work Obsessions and Psychasthenia. Thus, given the stakes, it was urgent that Freud ‘finish’ Lanzer’s analysis.”

Sergius Constantinovitch Pankejeff, who received money from the Sigmund Freud Archives, and around whom Kurt Eissler and Muriel Gardiner had established a tight sanitary cordon, seems to have been rather excited to be discovered by someone outside the International Psychoanalytic Association. Having gained his confidence, Obholzer succeeded in convincing him to agree to a series of interviews, despite pressure exerted on him by Eissler and Gardiner to deny her request.”

Not so, Pankejeff retorted. Sixty years after his first analysis with Freud, he was still suffering from obsessional ruminations and bouts of deep depression, despite the subsequent and almost constant analytic treatment he had received since then (after the war, he had been in successive analyses with Alfred von Winterstein, an unidentified female analyst (Eva Laible?) and Wilhelm Solms; to this ought to be added a stay at a psychoanalytic counselling clinic in 1955, as well as daily ‘analytically directed conversations’ with Kurt Eissler when the latter returned to Vienna during the summer).”

OBHOLZER: To get back to sexuality: Freud says somewhere that you preferred a certain position during intercourse, the one from behind…

PANKEJEFF: Well, that was no absolute, you know…

OBHOLZER: …that you enjoyed it less in other positions.

PANKEJEFF: But that also depends on the woman, how she is built. There are women where it is only possible from the front. That’s happened to me… It depends on whether the vagina is more toward the front or toward the rear.

OBHOLZER: I see. In any event, Freud writes, ‘He was walking through the village which formed part of their estate, when he saw a peasant girl kneeling by the pond and employed in washing clothes in it…’ He thought that you involuntarily fall in love when you come across something like that. And ‘even his final choice of object, which played such an important part in his life, is shown by its details (though they cannot be adduced here) to have been dependent upon the same condition…’

PANKEJEFF: That’s incorrect.

(…)

PANKEJEFF: With Therese, if you insist on details, the first coitus was that she sat on top of me.

OBHOLZER: That would be the exact opposite…”

Here again, protests from Pankejeff. Not only had his constipation never been cured, but it wasn’t even the reason he went to see Freud. It was actually Freud who had insisted that he undergo a second period of analysis, despite his desire to return to Odessa to save his fortune which was threatened by the Bolshevik Revolution.”

Pankejeff often told me that his first 4 years of analysis with Freud had helped him . . . The mistake he did was to go and see Freud again in 1919, because he agreed to resume the analysis in spite of the fact that he didn’t want to. He had paid a visit to Freud on his way to Freiburg, where his wife Theresa was staying with her dying daughter, and Freud persuaded him to come back from Freiburg to Vienna for a reanalysis. This was the ‘catastrophe’. The Wolfman always reproached Freud for this.”

Obholzer

In an academy filled with scepticism concerning the scientificity of psychology, and populated with semiotic, hermeneutic, post-structural and deconstructive literary theories, one can imagine the following retort:

So, you’ve picked apart some of the narrative strategies Freud uses in his case histories to support his positivistic rhetoric and create the illusion of an empirical science. But we’ve known for ages that Freud wasn’t a scientist, but a phenomenal man of letters, one of these writers who change the world by giving us a new language to describe it . . . Of course his case histories were novels! If not, how could he have worked out the incredible complexity of our deepest thoughts, their overdetermination, their signifying absurdity? We don’t go to the laboratory to provide an account of the ambiguity and ambivalence of desire – the desire that turns against itself or loses itself in the other – we do so with the pen of the great writer. Do we reproach Stendhal, Dostoievsky or Proust for not being scientists? Freud shouldn’t be measured against Copernicus or Darwin; rather, he should be measured against Dante, Shakespeare, and all these great narrators of the human soul. Come to speak of it, didn’t Freud receive the Goethe Prize?

This hermeneutical-narrativistic defence of Freud and psychoanalysis has become commonplace today, but it does come up against a stubborn fact: nothing irritated Freud so much as to be compared to a novelist.

A recent book by Havelock Ellis . . . includes an essay on ‘Psycho-Analysis in relation to sex.’ The aim of this essay is to show that the writings of the creator of analysis should be judged not as a piece of scientific work but as an artistic production. We cannot but regard this view as a fresh turn taken by resistance and as a repudiation of analysis, even though it is disguised in a friendly, indeed in too flattering a manner. We are inclined to meet it with a most decided contradiction.

F.”

In literature, psychoanalysis ran into a mirror: a strange and unnerving double.”

We have the right to analyze a poet’s work, but it is not right for the poet to make poetry out of our analyses.”

We must not confuse the darkness I am speaking of and that into which Freud asks his patients to descend. Freud burglarized some shabby apartments. He removed some mediocre pieces of furniture and erotic photographs. He never sanctified the abnormal as transcendence. He never paid tribute to the great disorders. He provided a confessional for the unfortunate . . . Freud’s key to dreams is incredibly naïve. Here, the simple christens itself as the complex. His sexual obsession was destined to seduce an idle society for which sex is its axis . . . Sexuality is not, we infer, without some role in it. Da Vinci and Michaelangelo proved it, but their secrets have nothing to do with Freud’s removals . . . Freud’s mistake was to have made our darkness into a storage unit that brings it into disrepute, and for having opened it when it is fathomless and can’t even be opened part way.”

Jean Cocteau

4. POLICING THE PAST

After Freud’s death on 23 September 1939, his heirs had to confront the question of how to deal with his literary remains. In keeping with his style, Freud had requested that all his papers be burnt after his death, but his widow could not bring herself to do this. What should one do with all these documents – leave them in an attic, place them in an archive or publish them? This question had already arisen when Freud’s letters to Fliess re-emerged and were purchased by Marie Bonaparte. As we have seen, she had acquired them on the express condition that they would not enter Freud’s possession and she had kept this promise, resisting Freud’s pressure to have them burnt.

Freud, when I wrote to him from Paris that Ida Fliess had sold his letters and that I acquired them from Reinhold Stahl, was very moved. He judged this act to be highly inimical on the part of Fliess’s widow. He was happy to know that at least the letters were in my hands, and not sent off to someplace in America where they would no doubt have been published immediately . . . Ida Fliess was determined that the letters not reach the hands of Freud.

Bonaparte

Whilst the letters did not fall into Freud’s hands, his family got hold of them and could decide what to do with them. As Freud had destroyed Fliess’ letters, there was no need for negotiations between two literary estates, as later happened with the Freud–Jung letters.”

It was finally decided to have Kris prepare an edition under the joint supervision of Anna Freud and Marie Bonaparte. Kris seemed well placed for this task, as a historian of art and a psychoanalyst trained by Anna Freud. Furthermore, he was married to the child analyst Marianne Rie, who had also been analysed by Anna Freud, and was the daughter of Freud’s old friend Oscar Rie and Melanie Bondy, the sister of Ida Fliess. Kris was clearly ‘one of the family’.”

Let’s just take . . . for instance the notion that life is regulated by rhythms, biorhythms and so on. Well, you can go right back to Charles Darwin’s The Descent of Man and find an elaborate discussion about why the gestation cycles of all higher vertebrates follow periods of either weeks or a month and always multiples of 7, 14 and 28 days. Darwin argued that this is simply an evolutionary consequence of our having evolved from some kind of invertebrate progenitor which lived in tidal zones, for in tidal zones the food cycles and therefore the reproductive cycles are dependent on the phases of the tides and therefore of the moon. Now, if Charles Darwin is taking this stuff seriously, why shouldn’t all of Fliess’s contemporaries?”

Sulloway

Ernst Kris was confronted with the problem of how to square the content of Freud’s letters to Fliess with the legend of the immaculate conception proposed by Freud in his public works. The simplest manner was to employ Freud’s private strategy of pathologising Fliess, and hence portraying his theories as the expression of his paranoia. How could Freud have possibly been influenced by such manifestly delirious speculations? (…) Kris even did some family research to try to get an authorised corroboration of his diagnoses from Fliess’ son Robert, who was his wife’s cousin. This did not prove to be difficult. Robert Fliess had turned against his father, notably after a ‘long conversation’ with Freud in 1929. He had been trained by Karl Abraham, and was now installed as a psychoanalyst in New York.”

It was only in 1985 when the complete letters were published that the scale of the censorship became fully apparent: of the 284 letters which Kris had at his disposal, only 168 escaped being totally eliminated, and of these only 29 were published intact. The others (including some of the accompanying manuscripts, such as ‘Manuscript C’) were shortened in differing proportions, often without indication. Nearly 2/3 of the letters were discarded. As James Strachey later confided to Max Schur with British understatement, ‘the censorship of Freud’s letters in the Anfänge was rather extreme’.”

One more: From the beginning I had the greatest pleasure in omitting the Eckstein case history. I do not believe that it will be missed by the reader and it seems to me that there is a long series of considerations against it.”

Anna

To Fliess, Freud described what transpired in his office in a raw manner. This makes the correspondence indispensable for reconstructing Freud’s practice at this time, notably during the period of the ‘seduction theory’. One can see how he threw ideas in the air and then ‘tested’ them on his patients, through insisting upon them until he had obtained the desired confirmation, and how he treated the slightest refusal as a ‘resistance’ to be conquered by all means possible.”

It was my intention to leave out everything which could give an impression of excessive intimacy, everything which the details and the extent of the nose and heart complaints draws out before the death of his father . . . Further, I have left out what gives the impression of wildness in the case histories . . . and what here and there is too intimate in connection with these abridgements . . . I also think that the abridgement must go further . . . I have no bad conscience with the abridgements which I now recommend to you. On the contrary, perhaps we will decide to be still more radical.”

Kris

Thus passages where Freud appeared to credit the possibility of a satanic sexual cult were omitted. Freud had been intrigued by the resemblance of the ‘scenes’ of perversion which he provoked in his patients and the accounts of diabolic debauchery extorted under torture by the judges in the Inquisition. Rather than being more circumspect concerning the ‘scenes’ of his patients, he ended by believing the veracity of the accounts of the poor ‘witches’, effectively taking sides with their torturers. Furthermore, he floated the hypothesis that the perverse acts which his patients had allegedly submitted to were part of a ritual practised by a secret satanic sect still active. Fliess was sceptical. As for Kris and Anna Freud, it was clear that the striking similarity between Freud’s therapy and the Inquisition would not go down well before the public.”

But why did the devil who took possession of the poor things invariably abuse them sexually and in a loathsome manner? Why are their confessions under torture so like the communications made by my patients in psychic treatment? . . . Eckstein has a scene where the diabolus sticks needles into her fingers and then places a candy on each drop of blood. As far as blood is concerned, you are completely without blame!”

F.

I am beginning to grasp an idea: it is as though in the perversions, of which hysteria is the negative, we have before us a remnant of a primeval sexual cult, which once was – perhaps still is – a religion in the Semitic East (Moloch, Astarte). Imagine, I obtained a scene about the circumcision of a girl. The cutting off of a piece of the labium minor (which is even shorter today), sucking up the blood, after which the child was given a piece of the skin to eat. This child, at age 13, once claimed that she could swallow a part of an earthworm and proceeded to do it. An operation you once performed was affected by a hemophilia that originated in this way . . . I dream, therefore, of a primeval devil religion with rites that continue to be carried on secretly, and understand the harsh therapy of the witches’ judges. Connecting links abound.”

F.

However, despite all the efforts of the censors, Freud’s letters to Fliess remained explosive. One could not conceal the fact that Freud had had an extremely intense friendship with Fliess. Furthermore, this relation appears more strange if one simultaneously depicts Fliess as a dangerous paranoiac: the further one tried to separate Freud from Fliess, the more pathological their intimacy appeared.”

It’s really a complete instance of folie à deux, with Freud in the unexpected role of hysterical partner to a paranoia.”

Strachey

The so-called Freudian ‘epistemological break’ was, quite literally, the product of the censors’ scissors.”

Anna Freud and Marie Bonaparte were strongly against any mention of a ‘neurosis’ of the founder, which risked giving weapons to the adversaries of psychoanalysis. So the official diagnosis remained one of organic cardiac symptoms.”

Even Schur had changed his opinion, as, after reading the letters, he ‘suddenly felt that he never really believed in the thrombosis of the 1890s’.” Outro médico merda e inepto!

The censor was now censored, and Kris removed references to Freud’s ‘feminine tendency’ and his various ‘neurotic’ symptoms, and only left a vague reference to his mood swings and the alternation of progress and resistance. Consequently, the reader remains in the dark as to precisely what Freud was cured of. The self-analysis, which Kris had brought to centre stage to provide a therapy for the errancy of the letters, now became a cure without an illness nor much in the way of discernable symptoms. The mystification of the origins of psychoanalysis was complete. It was only in 1966 that Max Schur discretely revealed some fragments from the unpublished parts of the correspondence (…) However, the myth of the immaculate self-analysis had already taken root and become embedded and enshrined in the literature of psychoanalysis and spread to other disciplines, including in figures as sophisticated as Derrida and Ricoeur. The censors had won. To this day, how many people bother to read the complete edition of the letters to Fliess?”

As we have seen, Freud had been profoundly allergic to any intrusion in his private life and his heirs shared this attitude, systematically refusing all cooperation with projects such as the fictional biography of Irving Stone, a Hollywood film planned by Anatole Litvak or the historical researches of Dr von Hattingberg of Baden-Baden.”

I do not see how a complete stranger like Hattingberg has the right to write a biography, how he can have the knowledge to do so. It seems to me that he had much better be left to his own devices, and perhaps he will [illegible] so little that he will drop his plan.”

Anna

However, this rigorously obstructionist attitude became untenable when unauthorised biographies and memoirs began to appear. These threatened to diminish Freud’s public image. In 1946 and 1947, two critical biographies of Freud appeared, from Emil Ludwig¹ and Helen Puner,² soon followed by other incursions into Freud’s private life. Anna Freud was outraged by these. She described Ludwig’s work as ‘labour of hate’, while that of Puner was ‘horrible’; Erik Erikson’s article on the Irma dream in The Interpretation of Dreams ‘literally turned her stomach’; Leslie Adams, a New York psychiatrist who had done researches on Freud’s youth, was a ‘full-time crank’; Joseph Wortis³ deserved being taken to court for having published his memoirs of his analysis with Freud, and so on.”

¹ “Emil Ludwig, who was known for his novelistic biographies and whose works were burned by the Nazis along with those of Freud, had been critiqued by the later in his New Introductory Lectures on Psychoanalysis, because he had the misfortune of interpreting the personality of Emperor William II with Adler’s theories. Ludwig conceived of his book on Freud as a response to Freud’s critique.”

² “Oliver Freud, Anna Freud’s brother, thought that Puner’s book wasn’t that bad and that the errors which it contained were attributable to the fact that she cited accounts by Jung, Stekel and Wittels (Oliver Freud to Ernest Jones, 4 December 1952).”

³ ‘I think Wortis perpetrated almost a crime, and since at least one letter by Freud was published in facsimile, The Sigmund Freud Copyrights, Ltd. may have a legal angle . . . it is my feeling that the President of the New York Society, or of the American Psychoanalytic Association, or of the International Psychoanalytic Association should do something . . . I think it is the duty of the psychoanalytic organizations to take a very strong stand . . .

P.S. Of course, people who understand such matters should decide here, in the United States, whether such a stand against the book may not give it additional publicity, and thus increase the harm’

(Kurt Eissler to Anna Freud, 7 February 1955, Anna Freud Collection, Manuscript Division, Library of Congress, Washington, DC).

But who should write the true life of Freud? On October 1946, Jones was contacted by Leon Shimkin, the director of Simon & Schuster, who wanted to know if he was interested in writing a biography of Freud. Jones immediately contacted Anna Freud, who was ambivalent about this prospect. Jones had recently taken sides against her in the conflict with Melanie Klein. He had never truly been part of the ‘family’ and she was not sure how much she could trust him. So she suggested that Jones collaborated with Siegfried Bernfeld, an old friend of her youth in Vienna, thinking that Bernfeld could direct the project or at least control his collaborator. Moreover, Bernfeld was particularly qualified for this task, as, following his emigration to the United States, he had begun to undertake very detailed investigations with his wife Suzanne of Freud’s youth and the intellectual context of his early work.”

Confidentially: I am concerned about Jones’ contribution. In England – back in 1937 – Jones

made some remarks on Freud’s personality and life which shocked me, not only because they were made in a hostile and careless way at the dinner table but mainly because they reveal that Jones, at that time, lacked the kind of sympathy and reverence for Freud which is essential for an objective historian. I know that he doesn’t like me a bit and I doubt therefore whether he would be able to cooperate with me. I don’t like him either but I have sufficient appreciation of his contributions to psychoanalysis to be willing to try.”

Bernfeld

Several months later, however, Jones wrote a preface for Freud’s study The Question of Lay Analysis which did not please Anna Freud. The issue was one where Jones had disagreed with Freud, and he referred to Freud’s anti-medical prejudices. On 16 May, she asked Kris to inform Shimkin that she was considering withdrawing her agreement to Jones as Freud’s biographer. In reply, Shimkin proposed entrusting Bernfeld with the role, aided by Anna Freud herself. As she did not want to participate directly in it, she proposed instead a collaboration between Bernfeld and Kris, with Jones reduced to being an informer. Finally, in September, the publisher decided to offer Jones a contract for a volume of 300,000 words. The project appears to have lain fallow for two and a half years, until Jones wrote to Bernfeld on 23 March 1950 to ask for his collaboration, in line with the original project. Jones wondered how he could integrate the work in Bernfeld’s already published articles into his biography. Bernfeld, faithful to the promise which he had made to Anna Freud, reassured him on this point and offered to place his published and unpublished researches at Jones’ disposal.”

Bernfeld, obviously basing his work on the passage in The Interpretation of Dreams, succeeded in identifying the anonymous morphinomanic whom Freud claimed to have cured. It was Ernst von Fleischl-Marxow, a colleague and a friend of Freud who had used morphine to combat the extreme pain following the amputation of a finger. Exactly as Erlenmeyer had found in his own patients, Fleischl-Marxow developed a cocaine addiction thanks to Freud’s treatment. He died 6 years later, addicted to both morphine and cocaine. Bernfeld asked Jones if the Betrothal Letters shed further light on this episode. Jones confirmed that the letters contained ‘valuable and unexpected’ information on this subject, and added that he would plead Bernfeld’s case with Anna Freud, to enable him to consult at least this part of the correspondence.”

What a company they were. Meynert drank. Fleischl was a bad morphinomanic and I am afraid that Freud took more cocaine than he should though I am not mentioning that.”

Jones

The way Freud thrust the cocaine on everybody must have made him quite a menace; even Martha had to take it to bring some bloom into her cheeks! . . . He was only interested in the magical internal effects of the drug, of which he took too much himself. Even years later he and Fliess were always cocainising each other’s nose.”

Ironically, it was Jones, whom Anna Freud had considered too frail for the task, who survived Bernfeld, and who profited from Bernfeld’s research¹ in writing the official Freud biography.”

¹ “Ilse Grubrich-Simitis, who notes that the 1st volume of Jones’ biography is largely a rewriting of Bernfeld’s articles. She noted passages which Jones copied without attribution, and Bernfeld’s 2 letters of 1952 expressing his irritation in this regard”

From her house in Hampstead (now the location of the Freud Museum), she decided in a sovereign manner who could have access to what, which documents could be published or cited, and which events of her father’s life could be mentioned or rather should be omitted. Thus Jones was able to read complete correspondences and documents which were restricted for other researchers, in part or completely, for decades, and in some cases remain so: the complete letters to Fliess (published in 1985), the Betrothal Letters, the Secret Chronicle (accessible to researchers since 2000), the correspondences with Minna Bernays, Karl Abraham, Oskar Pfister [O PASTOR], Sándor Ferenczi, C.G. Jung, Max Eitingon and Abraham Brill, as well as the journals of Marie Bonaparte. Just like Kris with the Fliess letters, Jones submitted the chapters of his biography to Anna Freud for her approval and critique. Her censure sometimes concerned trivial as well as significant points. For example, Jones was instructed not to mention Freud’s chronic constipation. This was one of the rare points on which he disobeyed. He was interdicted from mentioning that Martha’s brother, Eli Bernays, had illegitimate children (his legitimate son, the famous publicist Eli Bernays [II.], threatened a law suit). In other letters, Anna Freud demanded that Jones should remove or modify passages on Abraham, and Pfister, and complained that Ferenczi ‘comes off badly’. However, in the main, she didn’t have to censor much, as Jones had already done the bulk of this. Much smarter in this regard than Bernfeld, he knew how to anticipate her desires and to avoid contentious issues or at least present them from the most favourable angle.

Jones’ biography was a brilliant dramatisation of the Freudian legend. As we have seen with his treatment of Bernfeld’s article on cocaine, Jones was past master in the art of utilising documents and accounts to which he alone had access to flesh out and confirm Freud’s accounts whilst eliding the contradictions. When Kris abridged the letters to Fliess, he deliberately cut their anecdotal aspects, rendering them ‘more arid’ and ‘austere’ than they actually were. By contrast, Jones did not hesitate to be a raconteur, embroidering the anecdotes narrated by Freud and adding more striking details. These embellishments never contradicted the master-narrative proposed by Freud and the troika of Ernst Kris, Anna Freud and Marie Bonaparte.”

In his edition of the letters to Fliess, Kris had systematically eliminated all the passages in which Freud rather viciously maligned Breuer, despite all the professional and financial assistance that his ex-friend had given him over the years. Jones, on the other hand, didn’t hesitate to point out the ingratitude and ‘bitterness’ of Freud’s comments – something he found difficult to explain. Better yet, he scrupulously quoted all the passages in which Breuer insisted on the role of sexuality in the neuroses, thereby contradicting what Freud had written about the resistance of his collaborator. But Jones also cited the less than flattering descriptions of Breuer in Freud’s letters: that of a ‘weak’ and indecisive man whose ‘pettifogging kind of censoriousness’ prevented him from fully assenting to the revolutionary theories of his young colleague. And above all, the major ‘leak’: Jones made public the fable of Anna O.’s hysterical childbirth which Freud, as we have seen, had been spreading in private to discredit Breuer and counter his objections to the exclusively sexual aetiology of the neuroses. Jones even gave the real name of Breuer’s patient, which he had discovered in the Betrothal Letters, and he claimed that one of these letters ‘contain substantially the same story’ that Freud had told him – which was false. For good measure, he added his own embellishments, claiming that Breuer, after fleeing the hysterical childbirth ‘in a cold sweat’, had departed the next day with his wife for Venice where they conceived a daughter who, ‘born in these curious circumstances’, was fated to commit suicide 60 years later in New York (absolutely nothing in this sensational story is true).

Just as with Bernfeld, Jones regularly sent drafts of his chapters to James Strachey, who was working on the volumes of the Standard Edition (this project, begun immediately after Freud’s death, can be considered the third pillar of psychoanalysis’ official history, after The Origins of Psychoanalysis and Jones’ biography).”

Breuer’s adventure. Freud told me the same story with a good deal of dramatic business. I remember very well his saying: ‘So he took up his hat and rushed from the house.’ – But I’ve always been in some doubt of whether this was a story that Breuer told Freud or whether it was what he inferred – a ‘construction’ in fact.”

Strachey a Jones, outubro de 1951 – sujeito esperto!

Strachey, quite perceptively, puts his finger on the oddities that we have already encountered: if Freud heard the story directly from Breuer, why would he have needed to ‘reconstruct’ it? Obviously, Strachey suspected Freud of having improperly presented, under the guise of historical fact, what was merely an interpretation. Jones, who knew perfectly well that this was the case – since he was able to use the letter to Martha as a means of comparison – nevertheless decided to stay the course.”

The nasty rumour started by Freud now became the official public version. Strachey, in a note appended to his translation of the Anna O. case, aligned himself with Jones, an example of the synchronisation between the biography and the ‘standard’ edition.”

In the same way, Jones also took up the theme of Freud’s ‘splendid isolation’ and the ‘boycotting’ of his work by his colleagues, systematically blowing out of proportion the negative reviews of his works, while treating the several positive reviews that he cited as courageous ‘exceptions’: Studies on Hysteria hadn’t been well received by the medical community, The Interpretation of Dreams had been greeted with ‘a most stupid and contemptuous review’ by Burckhardt, who had halted outright its sales in Vienna, and the Three Essays on the Theory of Sexuality along with the case history of ‘Dora’ had caused their author to be ostracised from his profession.

Quite strangely, this rehashing of the puritanism which supposedly confronted the nascent psychoanalysis went hand in hand with Jones’ launching of a new myth, that of Freud’s puritanism.” “The creation of psychoanalysis had thus been literally immaculate and asexualised. As Bruno Bettelheim noted in regard to the first 2 volumes of the biography, Jones paradoxically ended up shielding Freud from all psychoanalysis.”

Speaking of Freud’s sister-in-law, who, for 42 years, was part of his household circle, Jones simply says, ‘There was no sexual attraction on either side.’ One must wonder about the ‘man Freud’, who traveled for long periods alone with this mature woman, roomed in hotels with her, but did not find her sexually attractive; one wonders even more how it was possible for this woman not to become sexually attractive to Freud.”

B.B.

Any person who had ever had the misfortune of being opposed to Freud at one point or another was systematically presented as a ‘case’, or else as having a personality deficiency”

Jones received the assistance of Lilla Veszy-Wagner – an analyst in training being analysed by Balint – who compiled and catalogued the contemporary literature of the period on psychoanalysis. It is clear, to judge from the abstracts which she had prepared for him, that he systematically discarded all the nuanced assessments of Freudian theory (Warda, Gaupp, Möbius, Binswanger, Näcke, Stern), while holding onto only the most negative formulations – which were made even more so by detaching them from any context: Spielmeyer described psychoanalysis as ‘mental masturbation’, Hoche claimed that it was ‘an evil method born of mystical tendencies’, Rieger saw a ‘simply gruesome old-wives’ psychiatry’, etc. Thus reduced to an exchange of epithets, the intense scientific controversy that had taken place around psychoanalysis was trivialised to the point of sinking into total insignificance.”

In January 1955, just as the 2nd volume was going to print, one of the lawyers for Hogarth Press, Macfarlane, sent Jones a list of around 60 ‘defamatory passages’ that he insisted be removed or modified in order to protect the publishing house against future lawsuits. Since British libel law did not protect the dead, Jones could keep these passages as they were if he succeeded in establishing that the persons concerned were deceased. Adler, Rank, Ferenczi were no longer alive, but what about Oppenheim, Ziehen, Collins, Vogt, etc.? Jones had already asked Lilla Veszy-Wagner to research Freud’s former adversaries.”

I don’t care when he died so long as I can be sure he is thoroughly dead now, since I am libeling him severely.”

J., o Arcanjo do Fraude

To Jones’ delight, most of the slandered parties turned out to be dead and buried. Those who remained were spoilsports. With regret, Jones was forced to remove a note on Gezá Roheim, which was ‘capable’, said the lawyer, ‘of an extremely uncomplimentary interpretation’. It was also necessary to tone down certain passages on Helen Puner and Adler’s biographer, Phyllis Bottome. Then there was Jung, about whom Jones had a long series of discussions with Peter Calvocoressi, one of the Hogarth Press directors.”

We now come to the much more tricky subject of Jung. Broadly speaking, there are 2 serious allegations against Jung which cannot stand: that he was anti-Semitic and that when he and Freud parted company there was not merely a parting of the ways but also an element of disloyalty or turpitude in Jung’s action”

Calvocoressi, carta

The expression: ‘Jung is crazy’ must come out. As I have already explained, the fact that this is Freud’s remark does not make it less defamatory or make us less liable to an action.”

Ele deve ter ficado calvo de preocupação com a verborréia do Arcanjo.

OS FÃS DE ANTIGAMENTE ERAM AINDA MAIS IMBECIS: “Jones, though, wasn’t ready to sacrifice these passages which he held particularly dear, and he thus negotiated tooth and nail. And if ‘Jung is cracked’ was used in place of ‘Jung is crazy’, would this be more acceptable? ‘National prejudice’, instead of ‘racial prejudice’? ‘Disagreeable look’, instead of ‘sour look’? Finally, Jones offered to accept all financial responsibility for the costs of a future lawsuit.” “In the end, Hogarth Press accepted this proposal, which allowed Jones to keep certain contentious passages. As Jones had predicted, Jung did not pursue any legal action, and thus the claims about him entered the public domain without the slightest protest.”

When Jones was writing his book on Freud, he never asked him (C.G.) anything about the early years when he and Freud were working together. As Freud and Ferenczi were dead C.G. was the only person who could have given him accurate information, and he could easily have done so. Jones was not there, and there were a number of errors in his book.”

Bennet, 1959

Jung was still alive, but this was not the case for Rank and Ferenczi, who could be easily assassinated post-mortem. Rank and Ferenczi, Jones recalled in the last volume of his biography, were both members of the famous Secret Committee created to defend psychoanalysis against doctrinal deviations (it was Ferenczi who had had the idea, even if Jones happily credited himself with its founding).”

On what basis did Jones make this impressive diagnosis? Had Rank and Ferenczi sunken into delirium? Had they been committed? Had they been hearing voices? Not at all: Ferenczi had died in 1933 of pernicious anaemia, while he was testing a new psychoanalytic technique (‘neo-catharsis’), and Rank, after his break with Freud, had become a prolific author, while also developing a form of short therapy (‘will therapy’).”

I saw Ferenczi during the last months of his life on many occasions, once or twice every week, and I never found him deluded, paranoid or homicidal. On the contrary, though he was physically incapacitated by his ataxia, mentally most of the time he was quite fresh and often discussed with me the various details of his controversy with Freud and his plan to revise some of his ideas published in his last papers . . . I saw him on the Sunday before his death and though he was very weak, his mind even then was completely clear.

Balint

As mentioned, I have received several letters from all over the world urging me to do something; the last being from Elma and Magda, Ferenczi’s step-daughters, who are, as you know, the legal owners of the Freud–Ferenczi correspondence, asking me to get either a rectification by you or to withdraw the permission to use his correspondence.”

Freud had thought so, therefore it was true. The Biography, as we see, was history as seen through the eyes of Freud, the ‘eyewitness’ of the unconscious”

This is a typically Stalinist type of re-writing history, whereby Stalinists assassinate the character of opponents by calling them spies and traitors. The Freudians do it by calling them ‘insane’.”

Erich Fromm

Publicly, Balint expressed his disagreement with Jones much more mutedly and prudently in a letter that was published in the International Journal of Psychoanalysis with a response from Jones (Balint 1958). Commenting on this exchange, Erich Fromm remarked that ‘if such a tortuous and submissive letter had been written by a personality of less stature than Balint or else to avoid serious consequences relating to life or liberty in a dictatorial system, that would be understandable. But . . . this only shows the intensity of the pressure that forbids any criticism, if not extremely mild, from a member of the organisation’ (Fromm 1970, 22).”

It is all there: the miraculous purity of the Founding Personage, the preordained diabolism of Judas (Jung), dazzling vistas of humanity redeemed with apocalyptic visions of perdition and death . . . The steadfast centre (Jones) fighting against the left deviationists (Glover), the right deviationists (Horney, Fromm), and against the unspeakable renegades whose deviations have led them on and on along the slippery path of treachery, until they ended up in the camp of the enemy (Adler, Jung). Yet somehow, nobody gets killed in all this – only character-assassinated. The psychoanalytic game seems to be a sort of unpolitical bolshevism without teeth.”

Perspicaz definição de Frank Knopfelmacher

No mention of the unbelievable erotic-analytic triangle of Ferenczi, Gizella Pálos¹ and her daughter Elma, to which Freud had played the role of family therapist. Nothing about the analysis of Anna Freud by her own father. Nothing about the suicides of Viktor Tausk and Herbert Silberer, which the analytic rumour attributed to their relationships with Freud. Nothing about the murder of Hermine von Hug-Hellmuth, the pioneer of child psychoanalysis, by her nephew-patient; and nothing either about the fact that the so-called A Young Girl’s Diary, which she had edited and Freud had glowingly prefaced, was in reality a complete fabrication.”

¹ Jones: “Balint makes life as complicated as he can. Now he has discovered a promise to Gisella Ferenczi that no one is to use the allusions to her for 50 years (as if I wanted to, or as if I didn’t know all about their problems!)”

In New York City alone, 15,000 copies were sold in the first two weeks. Everywhere, Jones’ work was acclaimed, and the glory of Sigmund Freud immediately spread throughout the world: from London to Sydney, passing through Paris and Frankfurt. The Freudian legend had finally penetrated the masses.”

What a splendid history of this great man could now be written if official psychoanalysis had not sealed the Freud archives with 2.500 of his letters for 50 years!”

Bettelheim

Thanks to the policy of retention practised by Anna Freud and the administrators of the Freud Archives, the Holy Scripture was, very literally, incontestable and irrefutable.”

I look forward to your book stopping all the impossible attempts at biography of my father which are in the air (and on paper) now.”

Anna Freud a Jones, 1952

The idea of an archive that brought together all the documents of the Freudian family seems to have taken shape in July 1950, in close connection with the abridged edition of the letters to Fliess and the preparations for the ‘true biography’.”

The idea rapidly took hold, because, in November of the same year, Kurt Eissler, in the name of Anna Freud, contacted Luther Evans, the Librarian of Congress, to inquire about the possibility of depositing the Freudian Archives at the American Library of Congress. One month later, Eissler informed Anna Freud that the articles of incorporation for the ‘Sigmund Freud Archives’, signed by Heinz Hartmann, Bertram Lewin, Ernst Kris, Herman Nunberg and himself, had been registered in the state of New York.”

We have submitted the statutes in preparation for setting up the Archives as a registered company in the state of New York, and a contract is going to be signed with the Library of Congress that will allow the Archives to deposit all the assembled documents in the Library’s vaults. The board of directors will have the right to determine who can access the documents and at what date. Consequently, any possibility of indiscretion has been ruled out”

Primeiro secretário das Vontades dos Fraudadores (família dos), sr. Eissler.

Bernfeld, disappointed that his proposition had not been accepted, warned against the dangers of not processing the documents before depositing them at the Library of Congress.”

(LEEENTAMENTE) PAGANDO TODO O DÉBITO QUE DEVE AO MUNDO

The plan you describe in your letter of 13 January naturally has my approval, since it conforms to one of the alternatives I suggested . . . I don’t like the idea of assembling letters and sending them unprocessed to the Library of Congress. I understand the advantages of this procedure. But I think that it should only be used as a last resort and it would be better not to make things easy for donors wishing to lock them up and bury them in Washington. I know enough about Freud as a letter writer to understand that many of his correspondents would prefer to keep secret some of his blunt remarks regarding them and their colleagues. It’s mostly excessive sensitivity, but at times there is, in fact, food for devastating gossip . . . If the Archives come to fruition, they are probably going to suck up all these documents and keep them sealed for an undetermined duration. And this is a point, in my opinion, that deserves serious reflection by the Directors of the Archives; they shouldn’t begin to assemble the documents before deciding on a policy that reduces this danger.”

Eissler, a young analyst trained by August Aichhorn, was simply an executor of Miss Freud’s wishes – he had sent her a copy of Bernfeld’s first letter and was awaiting her instructions.”

Following up on my indiscretion, I am sending you a copy of another letter from Bernfeld . . .” Tão caladinho na entrevista ao Reich, ninguém podia imaginar… Aliás, imaginar todos podem, desde que se trata de um psicanalista – e da alta cúpula da IPA, ainda por cima!

Broadly speaking, the board of directors will stipulate a longer duration than the donor has intended, in order to prevent any possibility of an embarrassing situation in the future.”

Porém, existe vida no século XXI, seus bastardos!

On 28 March, Eissler, somewhat ashamed, told Anna Freud that he had met Bernfeld in New York and that the latter had expressed his surprise that Anna, as she had formerly done, no longer responded to his letters and requests for information.”

The goal of the Freud Archives had never been to make the documents of Freudianism available to the public, as Luther Evans, the Librarian of Congress, undoubtedly believed when Eissler approached him. In reality, the Library of Congress and the American people had been duped. What Anna Freud and the Freudian Family sought, quite simply, was a safety deposit box where they could lock up the archives, their archives, and protect them from the curiosity of outsiders. If their choice was the Library of Congress, it was because the American government and its legendary bureaucracy presented, in this respect, extremely solid guarantees of reliability and security. Not to mention the fact that the costs of archiving and safekeeping the materials were entirely thrust upon the American taxpayers (…) Better yet, donations to the Library of Congress were tax-deductible, making for an excellent business, insofar as the ‘expert’ designated to appraise their value for the American Internal Revenue Service was none other than… Kurt Eissler.”

But it wasn’t simply the American taxpayers who were taken advantage of, but also, in many cases, the donors themselves. Even though certain donors were obviously in on the secret, many others undoubtedly believed that they were making a gift of their archives to a public entity, the Library of Congress, considering that the Library’s current ‘Freud Collection’ was initially called ‘The Sigmund Freud Archives’. As article 2 of the contract signed on 5 July 1951 between the Sigmund Freud Archives, Inc. and the Library of Congress,¹ the latter promised to ‘protect the identity of the donations by marking the name The Sigmund Freud Archives on all the publications and on the cartons containing other documents, and to administer these donations under the title The Sigmund Freud Archives. It must have been difficult, therefore, for the donors to distinguish between the ‘Sigmund Freud Archives’ of the Library of Congress and the ‘Sigmund Freud Archives, Inc.’ – all the more so since the paper in front of them proudly stated: ‘Conservator of the Archives: the Library of Congress’ (later changed to ‘Guardian and Proprietor of the Sigmund Freud Collection: the Library of Congress’).

¹ “Agreement between The Library of Congress and The Sigmund Freud Archives, Inc., 5 July 1951. We thank the Library of Congress for allowing us to consult this internal document pursuant to article 1917–3 of the Library of Congress Regulations.”

In reality, the donations were being made to the Sigmund Freud Archives, Inc., a private organisation which then became their legal owner and could thus impose any restrictions on access that it wished from the moment they were deposited at the Library of Congress (in the catalogues, we still read: ‘Donor: Sigmund Freud Archives’ or ‘Donor: Kurt Eissler’).”

To the British psychiatrist E.A. Bennet, who in 1972 asked if the Freud Archives would be interested in two letters that Freud had addressed to him, Eissler nonchalantly [sossegadamente] responded that it depended on the Library of Congress.” “These two letters, for which Bennet had not demanded any restrictions on access, were only made available to researchers in the year 2000.” Curiosamente porque a múmia aí (Eissler) morreu em 1999…

To the donors, then, the Archives passed themselves off as representatives of the Library of Congress and of the American people, in order, as Bernfeld said, to ‘suck up’ the documents and testimonials. To the Library of Congress, on the other hand, they passed themselves off as the representatives of donors and medical confidentiality, imposing restrictions on access, as well as arbitrary declassification dates, which the donors themselves had not often demanded.”

Eissler, Notes on His First Interview with Sergius Pankejeff in Vienna, 1952: He always has the idea that his Memoirs could be published and is rather disappointed, that this material will first be read by others in 200 years.” Em 2152 felizmente ninguém saberá o que foi a pseud(o)análise nem quem foi S. Fraude. Aos de nossa geração, que gostariam de ver seus descendentes devolverem o dinheiro que tiraram de vítimas inocentes sem praticar nenhuma terapia em troca, só resta assaltar esse maldito cofre!

Eissler to the Pastor Oskar Pfister, 20 December 1951: When your report is opened in 150 years, I believe that it will no longer be able to cause even the slightest indiscretion.”

Eissler, Interview with Carl Gustav Jung, 29 August 1953: I believe that the historical development of depth psychology will at one time have a great interest, and your relation to Freud, your observations of Freud whom you knew in such an important phase, in such an important epoch, will very much interest historians, if there are still historians in 200 years /laughs/.”

Eissler to Bonaparte, 1 April 1960:¹ At The Library of Congress you would only see a row of boxes which concern The Sigmund Freud Archives. The boxes are filled with sealed envelopes and, since we have an agreement with The Library of Congress that the envelopes may be opened only after many years they would not be permitted to show you anything of their contents . . . if you plan to visit The Library of Congress solely out of your desire to see The Sigmund Freud Archives, I would strongly advise against it because, as I have said before, there is nothing to see other than a row of boxes.”

¹ Ótima data realmente…

MAIS OBSCUROS QUE OS ARQUIVOS X

Yes, the Freud Archives were very much a tomb, a crypt, where, as Bernfeld said, the radioactive waste of psychoanalysis’ history could be ‘buried’. Therefore, as we see with the X (formerly Z) series of the Sigmund Freud Collection, the slow process of declassification (we are almost tempted to say: of decontamination) only began in 1995, with the correspondence between Freud and Max Eitingon [crápula burocrata-mor], and will continue for the most part until 2057, when Eissler’s inteviews with Elsa Foges, Harry Freud, Oliver Freud, Judith Bernays Heller,¹ Clarence Oberndorf, Edoardo Weiss and the mysterious ‘Interviewee B’ are due to be released. In the 1990s one letter to Freud from an unidentified correspondent was restricted till 2113 (and not 2102, as the 1985 catalogue anticipated). Now, many such items do not even have a stipulated derestriction date, and are listed simply as ‘closed’.”

¹ “Eissler interviewed her three times – twice in 1952 and once in 1953. The respective derestriction dates are 2010, 2017 and 2057.”

Just think of the secrecy associated with the documents of the Freud Archives at the Library of Congress and the oddity of their dates of release. Some documents are sealed away until 2013, others until 2032, others until 2102, 2103, etc., and you wonder how they came up with these strange dates. If you look up the birth and death dates of the persons concerned, you are almost tempted to apply Fliessian periodicities of 23 and 28 to see what these numbers mean, because it is not 100 or 150 years from anybody’s death, it’s not 150 or 200 years from anybody’s birth – it’s just some weird number that someone thought up! It is totally arbitrary, but that is how censorship has always worked.”

Sulloway

In certain cases, the restrictions on access have been imposed despite the wishes expressed by the donors. As Peter Swales has noted, Eissler’s interview with Freud’s granddaughter, Sophie Freud, will not be available until the year 2017, even though she has declared herself, on several occasions, in favour of a complete and immediate opening of the Archives. Paul Roazen, likewise, relates how Eissler refused to let the psychoanalyst Helene Deutsch take a look at her own donation when she had wished to show it to Roazen.”

During my own research on Freud and his circle, I met numerous donors who were not only completely unaware that their donation was now locked away, but who also clearly disapproved of the secrecy Eissler was determined to maintain around Freud in order to protect him from the curiosity of independent historians.”

Roazen

Eissler executed the orders of Anna Freud, and Anna Freud continued a policy of dehistoricisation and narrative decontextualisation which had been her father’s – as, for example, when he burned his correspondences or destroyed his analysis notes. The important thing was to keep everyone else’s hands off the Freudian narrative and to rid it of all the parasitic ‘noises’ liable to cloud its message, in order to immunise Freud’s testimony – which is to say psychoanalytic theory – against all doubts and questions. Without this excessive dehistoricisation, psychoanalysis would never have succeeded in establishing itself as the Holy Scripture of psychotherapy, nor Freud as the Solitary Hero of the unconscious. The Archives’ censorship, so absurd at first glance, is absolutely essential to the system it and psychoanalysis’ legendary epistemology together constitute.”

CODA

Texts available to researchers and the general public had been carefully filtered and reformatted to present the image of Freud and psychoanalysis that the Freudian establishment wanted to promote.”

Even when Freud’s works were reread and reinterpreted in heterodox ways, it was always on the basis of the sanitised and dehistoricised version propagated by Anna Freud, Ernst Kris, Ernest Jones, James Strachey and Kurt Eissler. Lacan’s famous ‘return to Freud’ was simply a return to the version of Freud that they had canonised. The same goes for all the more recent hermeneutic, structuralist, narrativist, deconstructivist, feminist and post-modern reformulations of psychoanalysis. Despite their sophistication and their refusal of Freud’s positivism, the Freud which they interpreted/deconstructed/narritivised/fictionalised was always the same legendary Freud, dressed up in the new garments of the latest intellectual fashion.”

cuts in letters weren’t indicated, inconvenient facts were omitted, skeletons were hidden in closets, critics were silenced, the names of patients were disguised, recollections were sequestered, tendentious interpretations were presented as real events, calumnies and rumours were taken as facts. The mythification of the history of psychoanalysis gave it a simplicity which rendered it suitable for mass dissemination. At the same time, the formidable obstacles which confronted historians rendered a wholesale challenge of the legend impossible.”

To the extent to which psychoanalysis was placed at the centre and the origin of the critical developments in depth psychology, dynamic psychiatry and psychotherapy, psychoanalysis became everything – and at the same time nothing.” “Ninety years later, the situation has hardly changed: ‘any kind of popular or intuitive psychology’ is precisely what passes for psychoanalysis, whether it be in university seminars, specialist journals and magazines, or on television or the radio. However, it is precisely this confusion and the manner in which Freudians successfully exploited it to promote ‘psychoanalysis’ that significantly contributed to the success of the brand. If it appears to be everywhere, it is because so much has been arbitrarily Freudianised, franchised by psychoanalysis: slips, dreams, sex, mental illness, neurosis, psychotherapy, memory, biography, history, language, pedagogy and teaching, marital relations, politics.”

But if psychoanalysis is everything and nothing at the same time, what are we ultimately speaking about? Nothing – or nearly nothing: it is precisely because it has always been vague and floating, perfectly inconsistent, that psychoanalysis could propagate as it did and embed itself in a variety of ‘ecological niches’, to use Ian Hacking’s expression, in the most diverse array of environments. Being nothing in particular, psychoanalysis has functioned like Lévi-Strauss’ famous ‘floating signifier’: it is a ‘machine’, a ‘whatsit’, a ‘thingumajig’ which can serve to designate anything, an empty theory in which one can cram whatever one likes.”

The traumatic neuroses of the First World War appeared to have conclusively demonstrated that one could suffer from hysterical symptoms for non-sexual reasons. Freud then came up with the theories of the repetition compulsion and the death drive from the ever ready unconscious. Such radical theoretical shifts have often been cited in praise of Freud’s conscientious empiricism, but this is to confound falsificationist rigour with damage limitation. No ‘fact’ was likely to refute Freud’s theories, as he could adapt them to objections made to him, according to the exigencies of the moment, in continual shadow-boxing with his critics.”

Psychoanalysis has sprung many surprises on us, performed more than one volte-face before our indignant eyes. No sooner had we got used to the psychiatric quack who vehemently demonstrated the serpent of sex coiled round the root of all our actions, no sooner had we begun to feel honestly uneasy about our lurking complexes, than lo and behold the psychoanalytic gentlemen reappeared on the stage with a theory of pure psychology. The medical faculty, which was on hot bricks over the therapeutic innovations, heaved a sigh of relief as it watched the ground warming under the feet of the professional psychologists.”

D.H. Lawrence

In reality, as we have seen, psychoanalysis was riven from its inception by contradictory interpretations as to what psychological analysis/psychoanalysis/psychanalysis/psychosynthesis/free-psychoanalysis/individual-psychology/analytical-psychology were, and to wherein they differed. This situation has not ceased. (…) Under such conditions, how can one continue to speak of ‘psychoanalysis’, as if it were a matter of a coherent doctrine, organised around a series of clearly articulated theses, principles or methods? Psychoanalysis in the singular never existed. What is there in common between Freud’s theories and those of Rank, Ferenczi, Reich, Klein, Horney, Winnicott, Bion, Bowlby, Kohut, Kernberg, Lacan, Laplanche, Zizek or Kristeva?”

Whilst conceding that the theories of psychoanalytic metapsychology were finally nothing other than ‘articles of psychoanalytic faith’, Wallerstein [ex-presidente da IPA] nevertheless claimed that the Freudian field continued to present a unity at the level of clinical theory and the givens of the consulting room. However, his definition of the psychoanalytic clinic was so expansive and vague that it could be applied to many other forms of dynamic psychotherapy.”

Little by little, the puzzle is being reconstituted, forming portraits quite different from that fashioned by the censors and hagiographers. This is not to say that there is a consensus among historians – it is simply to note that the cumulative effect of their work has been to dismantle the monomyth. Today defenders of the legend have vigorously protested this, at times resorting to the old tactics which once served so well in the first Freudian wars (the pathologisation of adversaries, ad hominem attacks, etc.), but without the same success. Readers approaching Freud simply have a wealth of documentation and critical historical studies which simply wasn’t available in the 1970s and 1980s, together with an increasing number of studies which have demonstrated that Freud’s professional rivals, adversaries and former colleagues weren’t all the fools they were painted to be.”

EPÍLOGO BAUDRILLARDIANO: “The Freudian legend is being effaced before our eyes, and with it, psychoanalysis, to make way for other cultural fashions, other modes of therapeutic interaction, continuing and renewing the ancient ritual of patient–doctor encounter. We should hurry to study Psychoanalysis whilst we can, for we will soon no longer be able to discern its features – and for good reason: because it never was.”

NOTES

France has since witnessed no less than two other ‘guerres des psys’ on the occasion of the publication of The Black Book of Psychoanalysis (Meyer 2005) [breve no Seclusão], and of Michel Onfray’s The Twilight of an Idol. The Freudian Fabrication (Onfray 2010).

on the unreliability of Jung’s ‘memories’ recorded and edited by Aniela Jaffé, see Elms (1994)

Jones mentions that Freud had noted his dreams since his youth – none of the notebooks containing these survived Freud’s periodic destruction of his papers (Jones 1953, 351–3).”

Ernst Falzeder notes that Freud, irritated by Rank’s The Trauma of Birth, insinuated that he wouldn’t have written it if he had been analysed. Rank replied: ‘I have felt curiously touched by the fact that you, of all persons, suggest that I would not have adopted this concept had I been analyzed. This might well be so. But the question is whether this is a cause for regret. I, for one, can only consider myself lucky, after all the results I have seen with analyzed analysts’ (Rank to the former secret committee members, 20 December 1924, cited by Falzeder 1998, 147).” HAHAHA

The mythologisation of the relation between Freud and Jung has quite eclipsed that between Bleuler and Freud on the one hand and Bleuler and Jung on the other, with deleterious effects. In many crucial respects, the relationship and subsequent separation between Bleuler and Freud was more consequential for the subsequent history of psychoanalysis, and its separations from psychiatry, than that between Freud and Jung; second, the relationship and subsequent separation between Bleuler and Jung was more important for Jung than his relation with Freud; third, no account of the relation between Freud and Jung is complete without grasping the complex triangulations between them and Bleuler.”

Forel was French-Swiss, and wrote in French and German. His research was many-faceted, and he was well known for playing a key role in the formulation of the concept of the neurone, for his research on ants and on the sexual question, and for his militant anti-alcoholism. On Forel, see Shamdasani (2006).”

“‘Manfred Bleuler when I interviewed him told me that he hesitates to give copies to the Archives since he fears for Freud’s reputation in view of what Freud wrote to his father about Jung’ (Kurt Eissler, manuscript notes in the margin of the translation of a letter from Freud to Bleuler of 17 November 1912, Sigmund Freud Collection, Manuscript Division, Library of Congress, Washington, DC).” Ora, se esse era o caso, ele devia justamente se apressar em enviar para o Arquivo!

For example, I read his article on the 13 cases of so-called traumatic hysteria and I asked him, tell me, Professor, are you sure that these people really told you the truth? How do you know that these traumas took place? He said to me (laughs): But these were good people! And I: Excuse me, but they are hysterics! . . . I was a psychiatrist . . . and I know what hysterics were capable of in this regard! But he denied this . . . He admitted nothing, nothing! Corrected nothing.

Jung, interview typescript of 29 August 1953 with Kurt Eissler, Sigmund Freud Collection, Manuscript Division, Library of Congress, Washington, DC, 17.”

Contrary to general opinion, the word psycho-analytical had been employed prior to Freud. In 1979, Kathleen Coburn noted that the term had been used by Coleridge in his notebooks (cited in Eng 1984, 463). Coleridge had written about the need for a psycho-analytical understanding. As Erling Eng noted, Coleridge understood this as what was ‘needed to recover the presence of Greek myth hidden with Renaissance epic verse, this for the sake of realizing a purified Christian Faith’ (ibid., 465). Whilst Coleridge’s diaries were not published till the twentieth century, the OED also notes a published use of the word in 1857 in Russell’s Magazine: ‘Poe chose . . . the psycho-analytical. His heroes are monstrous reflections of his own heart in its despair, not in its peace.’ Whether the word may have been in wider circulation has not yet been established.”

I do not recall Breuer’s exact words, but I do remember the vivid gestures and facial expressions with which he responded to my naive question of what his position was regarding Freud since the Studies. His look of downright pity and superiority, as well as the wave of his hand, a dismissal in the full sense of the word, left not the slightest doubt that in his opinion Freud had gone scientifically astray to such an extent that he could no longer be taken seriously, and hence it was better not to talk about him”

Binswanger 1957, 4.

Since the publication of the French edition of this book (Freud Inc., 2006), George Makari’s Revolution in Mind. The Creation of Psychoanalysis (2008) has appeared. This work is the most significant history of psychoanalysis to date and his analysis converges at a number of points with that developed here, particularly in this section [ch. 1] and chapters 6 and 7 of his book. Our main point of difference is with Makari’s argument that, after the first schisms, Freud did a volte-face from his prior authoritarian position, and thereafter maintained a relatively loose hold on the psychoanalytic movement [mito do velhinho cansado de tretas]. We would rather emphasize the fact that greater latitude developed regarding the range of permissible divergence on aspects of theory (in part necessitated by the damage limitation exercise vis-à-vis the work of figures such as Adler and Jung) only as long as the Freud legend and Freud’s fundamental authority remained unchallenged.”

Forel’s The Sexual Question (1905) appeared the same year as Freud’s Three Essays on the Theory of Sexuality, and received far more attention and was widely translated. Forel also published a book on Ethical and Legal Conflicts of the Sexual Life Inside and Outside of Marriage (1909). Jung reviewed it favourably, noting: ‘The author introduces his book with the following words: The following pages are for the most part an attack, based on documentary material, on the hypocrisy, the dishonesty and cruelty of our present-day morality and our almost non-existent rights in matters of sexual life. From which it is apparent that this work is another contribution to the great social task to which Forel has already rendered such signal service’ (Jung 1909, CW 18, § 921).”

on the embeddedness of Freud’s work on dream in the history of the study of dreams, see the remarkable neglected study of Raymond de Saussure (1926), and Ellenberger (1970), 303–11; Kern (1975); and Shamdasani (2003a), section 2.”

Already in 1930 H.L. Hollingworth noted: ‘The modern psychoanalytic movement, and what is often referred to as the Freudian psychology, consists chiefly in an elaboration and application of Herbart’s doctrines, and their amplification with a wealth of clinical detail’ (Hollingworth, 1930, 48).”

See also Siegfried Bernfeld to Hans Ansbacher, 26 May 1952: ‘Freud belonged to the group of physicists and physiologists around Brücke, who prepared the way for the positivism of Mach and Avenarius.¹ He certainly knew the Zeitschrift für wissenschaftliche Philosophie. In the 1890s, Mach struck him . . . In one form or another positivism was unquestionably his natural mode of thinking’ (…) Freud mentions his reading of Mach’s The Analysis of Sensations in his letter to Fliess of 12 June 1900 (Freud 1985, 417).”

¹ “The philosopher Richard Avenarius was, along with Ernst Mach, one of the originators of empirico-criticism.”

It seems that Derrida confounded the positivistic critique of metaphysics (evinced in Freud) with its Heideggerian deconstruction.”

This only makes his abandonment of the seduction theory more enigmatic. Since he obtained ‘confirmations’ from his patients and could attribute the instances where he didn’t do so to resistance, what led him to repudiate his theory? Certainly not ‘adverse evidence’, as Grünbaum contends (1985, 117), because he couldn’t have had any (see Cioffi’s refutation of Grünbaum’s argument, 1988, 240–8). Neither the seduction theory nor its abandonment corresponded to the positivist model of ‘adaptation to facts’ (Mach).”

One could say of psychotherapeutic practices what William James said of religious experience in general, which he described as self-validating states of transformation: ‘No authority emanates from them which should make it a duty for those who stand outside of them to accept their revelations uncritically’ (James 1929 [1902], 327).”

Jones to Freud, 25 April 1913: ‘Jung’s recent conduct in America makes me think more than ever that he does not react like a normal man, and that he is mentally deranged to a serious extent; he produced quite a paranoiac impression on some of the Psa psychiatrists in Ward’s Island’

To take only a few examples from the era, Bernheim’s work (1980 [1891]) included 103 observations; the second volume of Janet’s book on psychasthenia (1903) had 236.”

O INDISCRETO

Indeed, one need only look at almost any correspondence between Freud and his disciples to be struck by the continual stream of indiscretions about his patients, as well as by his polemical use of confidences learned during analysis. Freud even publicised disparaging comments by one of his patients (Pastor Oskar Pfister) concerning Jung, his previous analyst: ‘The patient gave me this information quite spontaneously and I make use of his communication without asking his consent, since I cannot allow that a psycho-analytic technique has any right to claim the protection of medical discretion’ (Freud 1914a). To Poul Bjerre, Jung wrote: ‘In a breach of medical discretion, Freud has even made hostile use of a patient’s letter – a letter which the person concerned, whom I know very well, wrote in a moment of resistance against me’ (17 July 1914, Jung 1975). For the identification of Pfister, see the letter from Abraham to Freud of 16 July 1914 in the new, unexpurgated edition of their correspondence, which shows at which point the medical secret was shared among insiders: ‘I think Pf is completely unreliable. His letter quoted in History was written in opposition to Jung; with a change of attitude he goes back to Jung, and now back to you again!’ Even a loyal supporter like Jones complained in private of several analytic ‘indiscretions’ by Freud: ‘Here are a few more examples. Not to mention the Swoboda case which is different, there was an occasion when he related to Jekels (when in his analysis) the work on Napoleon on which I had been engaged for two years. Jekels immediately published it in such a good essay that I never wrote anything on the subject. Then Freud told me the nature of Stekel’s sexual perversion, which he should not have and which I have never repeated to anyone’ (Ernest Jones to Max Schur, 6 October 1955; Jones Papers, Archives of the British Psycho-Analytical Society). We wonder what Jones’ reaction would have been had he known of the 1953 interview granted by Joan Riviere to Kurt Eissler about her analysis with Freud – carefully kept under lock and key at the Library of Congress until its recent declassification: ‘Freud wanted to get out the emotional reaction to Jones . . . He then read me a letter from Jones which made some uncomplimentary remarks about me. And he expected me to get very angry. And I was merely hurt that Freud should take the attitude of [censored word]’ (Sigmund Freud Collection, Manuscript Division, Library of Congress, Washington, DC).”

We know that Ida Bauer [caso Dora] terminated the treatment after Freud had tried once again to convince her of her love for Mr K.”

With her spasmodic cough, which, as is usual, was referred for its exciting stimulus to a tickling in her throat, she pictured to herself a scene of sexual gratification per os between the two people whose love-affair occupied her mind so incessantly. Her cough vanished a very short time after this tacitly accepted explanation – which fitted in very well with my view’ (Freud 1905c). The preceding lines established that Ida Bauer, far from having accepted Freud’s interpretation, had explicitly rejected it”

As Billig remarks, ‘it only takes 5 minutes to read aloud the longest of Freud’s reports of these 50-minute sessions. Thus, the bulk of the dialogue must be treated as being lost’ (1999, 58).”

Freud’s interpretation is in fact based on his theory of symbolic equivalence: money–excrement (Freud 1908b, 172–4; 1917b), which theory itself goes back to a series of associations elicited during the treatment of Oscar Fellner (‘Mr E’), in January 1897: ‘I read one day that the gold the devil gives his victims regularly turns into excrement; and the next day Mr E, who reports that his nurse had money deliria, suddenly told me (by way of Cagliostro – alchemist – Dukatenscheißer –one who defecates ducats–) that Louise’s money always was excrement’ (Freud 1985, 227). Here again, it’s unclear if these associations are Freud’s or Fellner’s.”

We see that Lacan’s structural interpretation takes no fewer liberties with Freud’s case history than Freud does with Lanzer’s account. In the end, we are left to wonder what exactly we are talking about.” Realmente o artigo O mito individual do neurótico é um negócio ATROZ! Confira passagens em: https://seclusao.art.blog/2020/12/23/el-mito-individual-del-neurotico-lacan/

Once again, we observe that Lacan’s narrative revisions are no less blatant than Freud’s: where exactly does Lacan find it that Lanzer’s father had been dismissed from the Army and that this was the reason for his marriage?”

According to recently declassified documents at the Library of Congress in Washington, DC, Kraepelin, with whom Pankejeff had been in treatment before going to see Freud, had diagnosed him as suffering from a manic-depressive state which was hereditary in nature (…) Pankejeff, after decades of analysis, came to the conclusion that it was Kraepelin and not Freud who correctly saw his case for what it was: ‘Ah, Kraepelin, he’s the only one who understood something about it!’ (typed interview with Kurt Eissler from 30 July 1954).”

Freud sem dúvida foi o melhor atrapalhapeuta/encosto de todos os tempos: “At the beginning of the analysis, Odessa was still under English control. This was not the only time that Freud put the analysis before Pankejeff’s personal wishes and plans: ‘But I remember, one time I wanted to go to Budapest for one or two days, but Freud didn’t let me go: There are many beautiful women in Budapest! you could fall in love with one of them while you’re there! “Freud had also forbidden Pankejeff from getting married and having children”

For an early and penetrating critique of the reductive confusion Freud implemented between hermeneutical understanding and the causal explanation proper to the natural sciences, see Jaspers (1973).”

My father maintained that he was born on the same day as Bismark (sic) – April 1, 1815. (…) So he died (…) on October 23/24, 1896; B. on July 30, 1898. B. survived him by 645 days = 23 × 28 + 1. The ‘1’ is no doubt due to my father’s error. Therefore the life difference is 23 × 28.”

F.

Strachey was the only member of the Freudian circle who disapproved of Anna Freud’s and Kris’ cuts: ‘I’ve just got hold of the Procter-Gregg translation of the Fliess letters into English in typescript. It contains a certain amount that was evidently cut out of the German edition subsequently. I confess that I’m shocked by some of the omissions (…) Unless Anna Freud proposes to burn the originals, they’re bound to come out in the end; and surely it’s better that they should while people are alive who can correct their effect’ (James Strachey to Ernest Jones, 1 October 1951, Jones Papers, Archives of the British Psycho-Analytical Society)”

In a letter to Strachey of 10/27/51, Jones noted that Freud arrived at Oedipus through accusing his father of incest: ‘And it is odd that he believes his own father seduced only his brother and some younger sisters, thus accounting for their hysteria, at a time when he was suffering from it badly himself ’ (Jones Papers).”

Immediately after the publication of his article, Schur tried to convince the Freud family to publish an unexpurgated edition of the letters and he seems to have had a favourable response from Anna Freud (Max Schur to James Strachey, 10 April 1967, Archives of the British Psycho-

Analytical Society; Max Schur to Ernst Freud, 5 June 1968, Sigmund Freud Copyrights, Wivenhoe). However, the idea got nowhere.”

ANA COBRINHA, SEU PROBLEMA ERAM AS MULHERES! “I don’t know how far her judgment can be trusted and how we can prevent her from putting the material to a wrong use, if she should want to do so . . . Does Suse Bernfeld really have the right, for example, to publish my father’s correspondence with Wagner-Jauregg?” “Anna Freud’s fears were baseless, as Suzanne Bernfeld continued to respond to Jones’ requests for information.”

In private, however, Jones didn’t fail to criticize the ‘Kris atrocities’ (Ernest Jones to James Strachey, 6 November 1951, Jones Papers, Archives of the British Psycho-Analytical Society) [Até ele tinha um coração!]. On 24 October 1951, Strachey had sent him a detailed critique of Kris’ argument, according to which the discovery of infantile sexuality was to have coincided with the self-analysis and the abandonment of the seduction theory: ‘My point is that the recognition of infantile sexuality as a normal activity – as distinct from the mere occurrence of abnormal sexual experiences – was only accepted by Freud gradually – over the years between 1897 and 1899’. [Another] response to Jones, 27 October 1951: ‘I have been too complacent about Kris’s pre-vision of the future, although it is a fascinating topic. Many of them [sic] are very nachträglich (ibid.).”

We will compare with the document entitled ‘Freud in Paris’ which Marie Bonaparte sent to Jones and in which she reported what Freud had said to her on 8 April 1928 about his 1885–6 stay in Paris: ‘Then Freud went, with his friend, into a café, and there, the friend invited 5 or 6 ~respectable~ women to their table. One, who had a suspicious efflorescence on her nose, prided herself on undressing in just seconds.’ Freud had added, it is true: ‘Everything with these ladies was limited to a few drinks’ (Jones Papers).”

“‘His wife was assuredly the only woman in Freud’s love life, and she came first before all other mortals.’ (Jones) Here, however, is what Helen Puner, who gained this information from dissidents like Jung and Stekel, had to say: ‘Early in their marriage he came to regard his wife with the same analytic detachment he regarded a neurotic symptom’ (Puner 1947, 136).”

As to Martha – here I have my doubts whether at the time I knew them she still was the ‘one and only’. As far as I could see it, he spent less and less time with her . . . there was so little left of the great love that I was quite surprised by Volume I Schur

To Ferenczi, who had developed the habit of exchanging kisses with his patients, he wrote: ‘Now I am assuredly not one of those who from prudishness or from consideration of bourgeois convention would condemn little erotic gratification of this kind’ (Freud and Ferenczi 2000, 479 [obviamente sendo falso em sua carta]).” Freud odiaria os brasileiros…

Rumours had circulated in Vienna about a liaison between Freud and Minna Bernays, which Jung later corroborated.

JUNG: This is a fact: the youngest sister made a giant transference and Freud was not insensible.

EISSLER: You mean, there was a liaison with the youngest sister?

JUNG: Oh, a liaison!? I don’t know to what extent!? But, my God, we know very well how it is, don’t we!?

The testimony of Max Graf, father of ‘Little Hans’, is just as ambiguous:

GRAF: I had the impression that there was something strange in the relationship with the sister-in-law . . . But as things weren’t very clear, I didn’t want to speak publicly about it . . .

EISSLER: Did he have sexual relations with her?

GRAF: I don’t believe so

These are the rumours that Jones surreptitiously evoked when he wrote: ‘Freud no doubt appreciated Minna Bernays’ conversation, but to say that she in any way replaced her sister in his affection is sheer nonsense’

OS PÂNDEGOS

In the unpublished version of Bennet’s notebooks, Jung told Bennet on 16 September 1959 that Jones never had any original ideas and never liked him. On 19 September, he noted that Jones was mistaken to claim that it was Freud and Ferenczi who had persuaded him to break his vow of abstinence from alcohol (required of all physicians at the Burghölzli) to drink wine in August 1909 (Jones 1955, 61), as he had already left the Burghölzli, and celebrated by going drinking (Bennet Papers, Swiss Federal Institute of Technology, Zurich). Alphonse Maeder recalled that on occasion, at a meeting of the Swiss Society of Psychiatry, ‘Bleuler made a violent storm of abuse . . . against the assistants who let themselves abandon abstinence (Jung after his trip with Freud in the USA, and myself later); and went so far as to say that if he had seen this in advance, he would not have introduced psychoanalysis into the Burghölzli’ (Maeder to Ellenberger, 1 March 1967, Centre Henri Ellenberger, Hôpital Sainte-Anne, Paris).”

Suprema ironia do destino, o tio de Freud foi condenado por ser moedeiro-falso! Nos F. Archives: “Top secret microfilm of newspaper article. – Not to be opened, except by Dr. K.R. Eissler.”

In my article on repression and memory . . . I criticised Jung for a statement which I now find in your recent article on repression. This is very sad, isn’t it?”

Jones em carta a F.

For an anthropological study of (now rapidly declining)¹ psychoanalytic institutes in the USA, see Kirschner (2000).”

¹ Adorei o adendo. Será que ainda dá tempo de reconhecer alguma coisa que tenha sobrevivido para 2021?!

JOHANN HERBART – Norbert Hilgenheger (trad. e org. José Eustáquio Romão), 2010.

Nos países de língua alemã, o pedagogo Johann Heinrich Pestalozzi teve dois grandes sucessores: Johann Friedrich Herbart e Friedrich Fröbel. Cheios de entusiasmo juvenil, os dois começaram seguindo o modelo fascinante do filantropo suíço. Cada um à sua maneira, ambos conseguiram mais tarde ir além do trabalho de Pestalozzi, abrindo à ação pedagógica novos caminhos, aliando estreitamente a teoria e a prática.

Pestalozzi entrou para a história da educação como o pai dos órfãos de Stans (Suíça) e o fundador da nova escola primária. Fröbel, além de sua filosofia pedagógica romântica, deu ao mundo o termo ‘jardim da infância’. O perfil do educador e pensador pedagógico J.F. Herbart pode, também, ser delineado a partir de um ponto central marcante, a ideia de instrução educativa.”

Entre 1794 e 1797, foi aluno do filósofo Johann Gottlieb Fichte (1762-1814) na Universidade de Iena. No entanto, o jovem Herbart rapidamente tomará distância da ‘teoria da ciência’ e da filosofia prática de seu mestre. No terreno fértil das contradições do pensamento idealista, fará germinar sua própria filosofia realista.”

As principais obras filosóficas de Herbart são: Hauptpunkte der Metaphysik (Elementos essenciais da metafísica) (1806); Allgemeine Praktische Philosophie (Filosofia prática geral) (1808); Psychologie als Wissenschaft: neugegründet auf Erfahrung, Metaphysik und Mathematik (A psicologia como ciência, novamente fundada na experiência, na metafísica e nas matemáticas) (1824-1825) e Allgemeine Metaphysik nebst den Anfängen der Philosophischen Naturlehre (Metafísica geral com os primeiros elementos de uma filosofia das ciências da natureza) (1828-1829).”

Em sua metafísica, Herbart retoma a doutrina das mônadas de Gottfried Willhelm Leibniz. Levando em consideração os problemas levantados por Immanuel Kant na Crítica da razão pura, Herbart busca em suas deduções metafísicas apreender o real pelos conceitos. A metafísica de Herbart compreende, especialmente, uma psicologia minuciosamente elaborada, que se tornou um marco na história desta disciplina. Herbart foi o primeiro a utilizar com uma lógica implacável os métodos do cálculo infinitesimal moderno para resolver problemas da pesquisa filosófica. (…) Embora a investigação psicológica empírica do século XIX não o tenha acompanhado, sua psicologia exerceu uma influência inegável na psicologia empírica de Wilhelm Wundt, por exemplo, e na psicanálise de Sigmund Freud.

A filosofia prática de Herbart se caracteriza pelo fato de os juízos morais serem interpretados como julgamentos estéticos particulares. Os juízos morais expressam aprovação ou reprovação com base nas manifestações da vontade. As ideias morais não passam de juízos estéticos com base nas manifestações elementares da vontade. Os juízos morais da vida cotidiana podem ser corrigidos em função de ideias éticas de perfeição, de liberdade interior, de boa vontade, de direito e de equidade.”

No início de 1809, foi chamado à Universidade de Königsberg para tornar–se o segundo sucessor de Immanuel Kant. Königsberg queria um filósofo de alto nível científico que fosse, também, um especialista da pedagogia.”

Herbart distingue entre educação (Erziehung, em latim educatio) e instrução (Unterricht, em latim instructio). A educação se preocupa em formar o caráter e aprimorar o ser humano. A instrução veicula uma representação do mundo, transmite conhecimentos novos, aperfeiçoa aptidões preexistentes e faz despontar capacidades úteis.”

Se tivesse sido completado, o sistema pedagógico de Herbart se comporia, assim, de duas partes ligadas (vinculadas), respectivamente, à ética e à psicologia. As duas partes podem ser desenvolvidas tanto analiticamente (partindo da experiência pedagógica) quanto sinteticamente (partindo de princípios filosóficos).”

No início, Herbart tinha tentado exercer uma influência direta sobre o desenvolvimento do caráter de seus alunos. Logo, porém, constata, ao menos em relação a Ludwig que já estava, então, com 14 anos, que não teria o sucesso esperado. Disto concluiu que deveria doravante ‘dirigir-se ao entendimento de Ludwig’. Era a única maneira de afastar o perigo de ver as disposições (de modo algum más) de Ludwig se congelarem em um ‘egoísmo sábio (sensato, cauteloso), refletido e obstinado (persistente)’. Segue-se, então, o que se pode considerar como a primeira descrição da instrução educativa. Em Ludwig, a única oportunidade que se poderia ainda jogar para formar seu caráter seria

seu entendimento enquanto capacidade passiva de apreender aquilo que lhe é apresentado lentamente (vagarosamente) após tê-lo bem preparado e a esperança de que esta fraca centelha fará um dia surgir a reflexão autônoma ativa e a aspiração de viver conforme os seus ensinamentos. (Herbart, Os Relatórios para Karl Friedrich Steiger, p. 23.)”

Herbart inculcou em seus alunos capacidades linguísticas surpreendentes, assim como um excelente conhecimento de história e de literatura clássica da Antiguidade. Deu-lhes uma bagagem matemática sólida e até, um feito extraordinário para a época em torno de 1800, uma iniciação aos métodos experimentais das ciências da natureza que estavam se constituindo. No entanto, esta instrução não era educativa apenas porque Herbart sempre subordinou os múltiplos fins do ensino estético e literário e do ensino matemático e científico à formação do caráter.”

Este encaminhamento da educação moral encontra sua justificativa na psicologia de Herbart, sobrepondo-a à mais antiga psicologia das faculdades [Kant?]. (…) A força de vontade e a constância do comportamento são vistas como fenômenos que se explicam pela estabilidade das estruturas cognitivas. Inversamente, a falta de seriedade e a incoerência do comportamento se devem ao fato de contextos de comportamento do mesmo tipo receberem interpretações diferentes.”

O interesse, como o desejo, é considerado como uma atividade mental, embora de intensidade menor. O interesse cria as primeiras ligações entre o sujeito e o objeto e determina, assim, o ‘horizonte’ do homem como campo daquilo que ele percebe ou não do mundo. Ao contrário do desejo, que pode ser aumentado pelo interesse, o interesse não dispõe ainda de seus objetos.”

Um interesse no qual nenhum aspecto particular teria se desenvolvido, permanece em um estado bruto. Um interesse em que apenas aspectos isolados são desenvolvidos permanece unilateral. O interesse múltiplo (polivalente) é aquele no qual todos os aspectos se harmonizam, formando um todo. Isso tudo não deve variar segundo os indivíduos. Ao contrário, os interesses respectivos múltiplos devem se harmonizar de tal modo que cada indivíduo seja receptivo a todas as formas de atividade que caracterizam o homem como um ser espiritual. Com essa noção de interesse múltiplo (polivalente), Herbart adere à concepção de humanismo corrente à sua época.”

Herbart menciona 6 orientações do espírito humano (do humanismo) [teste vocacional? haha]: no âmbito do conhecimento, distingue um interesse empírico, um interesse especulativo e um interesse estético; no âmbito das relações humanas (‘simpatia’), ele opõe o interesse voltado aos indivíduos aos interesses sociais e ao interesse religioso. Com sua fórmula de ‘interesse múltiplo’, Herbart traduziu a expressão consagrada em sua época ‘desenvolvimento harmonioso das forças humanas’, na linguagem de sua própria psicologia.”

apenas um interesse permanente permite ampliar constantemente e sem esforço o círculo de idéias, de explorar o mundo e estimular uma simpatia calorosa pelo destino do outro. Assim, o ‘pecado capital do ensino’ é o tédio.”

No início, o ensino tem uma missão específica de apresentar aos olhos das crianças, com base na poesia, relações humanas tão simples quanto possível. Quando havia um interesse suficiente para as línguas antigas, Herbart começava a formação estético-literária pela leitura de Homero, especialmente da Odisséia. Contudo, esta iniciação às línguas antigas servia, inicialmente, para apresentar as relações humanas e, só depois, para ensinar a língua.

A iniciação às matemáticas também era orientada para a formação do caráter, embora isso estivesse longe de ser seu fim exclusivo. Em seu tratado de 1802, A ideia de um ABC da intuição de Pestalozzi, Herbart esboçou não apenas um programa de iniciação às matemáticas ultramoderno para sua época, mas também respondeu à questão de saber em que o ‘ensino’ das matemáticas deve contribuir para a ‘educação’. Não é somente pela sua utilidade prática ou sua importância tecnológica que as matemáticas devem figurar no programa, mas, sobretudo, porque é um meio de exercer a atenção.”

A disposição à atenção não deve, contudo, ser desenvolvida em contato com os objetos da arte ou da literatura. Com efeito, se os exercícios de atenção estivessem apoiados nas relações humanas, eles destruiriam todo sentimento de simpatia pelas personagens apresentadas; pela mesma razão, a instrução religiosa não constitui um quadro (situação) conveniente aos exercícios de atenção.” De acordo. Nada há nos números que possa estragá-los. Mas focar-se excessivamente nas personalidades romanescas e heróicas e sobretudo em Deus corrompe o homem-em-miniatura.

Uma tal representação do mundo, de todas as suas partes e de todas as épocas conhecidas, visando impedir as más impressões de um meio desfavorável, poderia com razão ser tomada como o principal objeto da educação, no qual a disciplina, que desperta o desejo ao mesmo tempo em que o domina, só serviria como preparação necessária.” A disciplina nada é em e por si mesma.

Herbart não exclui a possibilidade, ou a utilidade, de um ensino não-educativo. Na sua Pedagogia geral, afirma: ‘E confesso que não posso conceber educação sem a instrução; ao contrário, não reconheço nenhuma instrução que não seja educativa’

Em um texto circunstancial de 1818 intitulado Avaliação pedagógica de classes escolares, Herbart fez, mais uma vez, uma excelente exposição sobre as características da instrução educativa que a distingue do ensino tradicional¹ tanto pela escolha de seus objetivos quanto dos seus meios. O ensino tradicional tinha por finalidade inculcar no aluno o máximo de conhecimentos e de competências (saber-fazer) úteis. Seu objetivo era o ‘treinamento’ e a ‘qualificação’ do aprendiz.” E cá estamos nós de novo na hipervalorização das escolas técnicas…

¹ Muito distante do ensino antigo, no entanto.

o homem que percorreu o mundo por terra ou por mar poderia cansar-se dela, e é justamente o desgosto pelas coisas e pelas ocupações e o aborrecimento que constituem esta depravação e esta indiferença que são o adversário, e até o inimigo mais cruel, da cultura e do interesse. (…) Qualquer um que entenda outra coisa pela palavra cultura poderá conservar seu vocabulário, mas suas ideias deverão ser banidas da pedagogia.”

O treinamento e as qualificações podem ser obtidos pelo constrangimento ou pela autodisciplina, enquanto que o desenvolvimento do interesse múltiplo não pode ser outra coisa a não ser o fruto de uma motivação interna. O interesse do aluno é o fio de Ariadne ao longo do qual a instrução educativa avança regularmente”

A Pedagogia geral de 1806 é fundada na experiência do preceptor que, mesmo após ter deixado Berna, a colocou sempre à prova em seu ensino privado. O ponto de vista de um preceptor é, todavia, diferente daquele de um mestre-escola. É possível que a instrução educativa dê excelentes resultados num quadro familiar, mas fracasse nas condições mais difíceis da vida escolar.” Não só possível, como provável e quase certo.

O único meio de refutar a objeção consiste em mostrar, pela experiência, que uma instrução educativa escolar pode também ser bem-sucedida.”

Entre minhas ocupações, o ensino da pedagogia me é particularmente caro. Mas isso exige mais do que um simples ensino; é necessário, também, que ele se torne o objeto de demonstrações e de exercícios. Além do mais, eu queria prolongar a série de experiências realizadas por quase dez anos. É por isso que considero, já há algum tempo, a possibilidade de eu mesmo dar uma hora de ensino a um pequeno grupo de meninos convenientemente escolhidos, por volta de uma hora por dia, na presença de jovens que seriam familiarizados com minha pedagogia e que poderiam, pouco a pouco, tentar, diante de mim, revezar comigo a aula e prosseguir o que eu havia começado. Dessa forma, seriam progressivamente formados mestres cujo método deveria se aperfeiçoar graças à observação mútua e à troca de experiências. Sabendo-se que um programa não é nada sem mestres, e por isto entendo mestres imbuídos do espírito deste programa e tendo adquirido o domínio do método, uma pequena escola experimental tal como eu imagino poderia ser a melhor preparação para um dispositivo futuro de maior envergadura. Conforme diz Kant, primeiro escolas experimentais, depois escolas normais.”

A proposta de Herbart encontrou acolhida favorável na Prússia de 1809: a reforma do sistema educativo era considerada parte integrante da reforma de todo o sistema político que vinha sendo empreendida. Por meio de reformas internas, esforçava-se por compensar as perdas infligidas por Napoleão à Prússia na batalha de Iena e Auerstedt em 14 de Outubro de 1806. A reforma educacional prussiana foi conduzida vigorosamente em 1809 e 1810 por Wilhelm von Humboldt.”

O ensino das matemáticas e das ciências naturais iniciava-se com exercícios de percepção. A estes se seguiam a geometria, a álgebra, a teoria dos logaritmos e, finalmente, o cálculo diferencial e integral.¹ Nesses dois ramos [poesia e matemáticas] foram enxertadas (acrescentadas) a religião, as narrativas históricas, a gramática e as ciências naturais.”

¹ Tá doido porra?! Ensinar cálculo no ciclo básico?

No geral, Herbart pensa ter provado que seu método era independente de sua pessoa e que, mesmo nas condições mais difíceis do ensino público, por assim dizer, reformado, ele poderia ser posto em prática.”

Para o ensino da literatura, a escola primária superior se distingue do liceu à medida que abandona as línguas antigas.” Não entendi nada? O que é ensino fundamental e médio nessas nomenclaturas?

Segundo Herbart, a instrução educativa que parte de uma língua antiga faz um ‘détour’ que ele recomenda vivamente para os [poucos] espíritos mais brilhantes.”

O caráter aristocrático do liceu, tal como o concebe Herbart, é inegável.” Liceu = ginásio = ensino médio?

Hoje nem mesmo o doutorado chega a ser aristocrático.

As ideias reformadoras de Herbart não ganharam aceitação na Prússia de seu tempo. A Restauração superou o ‘élan’ reformador que havia prevalecido de 1809 a 1813. [Malditos monarcas!] Havia disposição em recrutar professores para cuja formação Herbart tinha contribuído, mas eles tinham que submeter-se a programas concebidos com objetivos diferentes dos seus. Não se considerava mais, se é que alguém já o havia feito, reformar os programas escolares no espírito do programa da instrução educativa. Também o método desenvolvido por Herbart para os liceus nunca foi adotado em nível nacional.”

O Esboço de lições pedagógicas não se limita apenas a considerações isoladas e, inevitavelmente, incompletas. Ele revela a concepção global da pedagogia que Herbart havia exposto em sua introdução à Pedagogia geral, mas que não havia desenvolvido a não ser pela metade nesta sua obra de início de carreira.”

Aquele que aprende para ganhar a vida e fazer seu caminho ou para se divertir não se põe a questão de saber se ele se tornará melhor ou pior. Dessa forma, tem a intenção de aprender isto ou aquilo, seja o fim bom, mau ou indiferente, e ficará satisfeito com todo mestre que lhe inculque o saber-fazer requerido tuto, cito, iucunde.”

Além disso, o Esboço aborda problemas de método trazidos pelo ensino de algumas matérias”

Apesar disso, o Esboço não vai além do que promete seu título escolhido com precisão: renunciando à discussão aprofundada desejável, Herbart se limita a delinear problemas e possíveis soluções.” Morreu antes das “Lições pedagógicas completas”.

Teve, certamente, êxito em elaborar seu sistema filosófico e desenvolver seu método pedagógico tanto no plano teórico quanto no prático, mas suas principais obras filosóficas não tiveram a repercussão esperada. Herbart, particularmente, lamentava que sua psicologia matemática tivesse sido quase completamente ignorada pelos seus colegas filósofos.”

É tanto mais surpreendente de ver que após a morte de Herbart sua pedagogia marcou profundamente as orientações de um movimento pedagógico ao qual se deu o nome de herbartismo. Este é implantado e se desenvolve no seio das universidades de Leipzig, Iena e Viena, contribuindo de maneira decisiva na formação do crescente grupo profissional de professores. É então que surgem associações e revistas dedicadas à pedagogia de Herbart. Convém mencionar, em especial, a Associação de Pedagogia Científica criada em Leipzig em 1868 e sua revista anual. São incontáveis as publicações sobre a filosofia e a pedagogia de Herbart.”

em 1895 a Pedagogia geral surge em Paris em tradução francesa e, em 1898, em Londres e Boston a tradução inglesa.”

Pouco a pouco, a reforma pedagógica do início do século XX excluirá o herbartismo e a pedagogia de Herbart foi gradualmente ameaçada de cair no esquecimento. (…) não foi somente na Alemanha que a reforma pedagógica do sistema escolar foi elaborada em oposição ao herbartismo. Como não se conhecia mais o primeiro Herbart, poder-se-ia ver nele o campeão de uma ‘escola livresca’ onde os alunos repetem as palavras do mestre sem poder chegar a uma experiência pessoal de aprendizagem. Critica-se Herbart de ter querido formar os espíritos pela ação externa, inculcando-lhes conteúdos educativos vindos de fora (ver, por exemplo, John Dewey, em Democracia e Educação, capítulo 6). [Ah, John! Tsc…] Herbart teria ignorado a presença de funções ativas na mente humana. As objeções deste tipo, justificadas em face dos excessos do herbartismo, ameaçaram lançar no descrédito o próprio Herbart. Sua doutrina da instrução educativa tinha se tornado incompreensível. Esqueceu-se que a instrução educativa tinha a experiência do aluno como função central e o interesse do aluno, traço de sua atividade mental própria, não apenas como fim, mas como o meio mais importante da instrução educativa.” “a pedagogia de Dewey é, efetivamente, em muitos aspectos, diametralmente oposta à de Herbart.”

A partir dos anos 1950, verifica-se na Alemanha e em países vizinhos um renascimento da admiração por Herbart. [Como toda moda neste mundo, vai e volta.] Seus protagonistas tomaram distância em relação à imagem deformada passada pelos proponentes do herbartismo e de sua doutrina original e querem reencontrar o caminho do ‘Herbart vivo’ (H. Nohl). O meio de chegar a isso consistiria em renunciar à filosofia de Herbart enquanto fundamento dedutivo de sua pedagogia. Dever-se-ia, ao contrário, considerar a pedagogia como uma ciência relativamente independente da filosofia.”

TRECHOS SELECIONADOS

(*) “No Brasil nenhuma das obras de Herbart chegou a ser publicada, em que pese a importância das suas proposições acerca do fenômeno educativo no debate educacional havido na Europa, no século XIX.”

(*) “No período pós-guerra, quando o pensamento de Herbart começa a ser novamente resgatado na Europa, temos, no Brasil, a disseminação e o fortalecimento do escolanovismo entre os educadores, devido, principalmente, a ação dos ‘pioneiros’ da educação dentre os quais se destaca Lourenço Filho que teve uma atuação fundamental para que se difundisse entre nós a psicologia como base da educação.”

(*) “No Brasil os passos formais foram os poucos elementos de sua didática, mais aceitos e divulgados.”

(*) “No que toca à psicologia, a posição metafísica de Herbart radica-o na corrente do associacionismo, na qual encontramos a figura de David Hume, importante para Herbart como, por outros motivos filosóficos, o foi para Kant. A psicologia de Herbart não é, com efeito, aristotélica: a psicologia herbartiana não consiste no estudo da alma. Também não contempla, por conseguinte, o estudo das faculdades da alma, dado não existirem tais faculdades […] A psicologia é algo como uma física do mundo da psique.”

(*) “A antologia que se segue foi organizada a partir de 4 temas gerais, estabelecidos com base nas principais contribuições de Herbart para a pedagogia do seu tempo e da atualidade, presentes na obra Pedagogia geral derivada das finalidades da educação: a educação e a pedagogia, o ensino educativo, a psicologia educacional, e os educadores.”

* * *

Seleção muito ruim, com parágrafos soltos que não fazem sentido… Esses três quartos da obra que seguem são dispensáveis. Tudo de que se necessitava era de uma introdução ao pensador. Economizar-se-ia tinta, papel e paciência. E o que é pior: essa verdadeira MUTILAÇÃO CONTEXTUAL pode estragar o autor aos olhos dos incautos.

Os educadores não param de se lamentar sobre o modo como as circunstâncias os afetaram negativamente, e ainda relativamente aos empregados, aos parentes, aos companheiros, ao instinto sexual e à universidade!”

uma boa cabeça encontra o seu melhor mestre na sua autossuficiência, na sua participação e no seu gosto, para em determinada altura ser capaz de se acomodar às convenções da sociedade, conforme quiser.”

Um mestre de escola da aldeia nonagenário tem a experiência de noventa anos de vida rotineira, tem o sentido do seu longo esforço, mas será que também tem o sentido crítico dos seus resultados e do seu método?”

Os resíduos das experiências pedagógicas são os erros cometidos pelo educando na idade adulta”

No longo percurso da juventude há tantos e tão variados momentos, cada um dos quais afetando por si fortemente a alma, que mesmo o mais forte pode ser subjugado, se com o tempo se não multiplicar ou for renovado em numerosas outras manifestações.”

Daí o aviso: não educar demais – é preciso evitar o emprego desnecessário do poder, através do qual se dobra e redobra, se domina o ânimo e se perturba a alegria. Perturbam-se igualmente as futuras recordações alegres da infância e a alegre gratidão, que é a única forma autêntica de gratidão”

Rousseau queria, pelo menos, endurecer o seu educando. Ele definira para si mesmo um determinado ponto de vista, ao qual permaneceu fiel. Ele segue a natureza. Mediante a educação deverá garantir-se um desenvolvimento livre e alegre de todas as manifestações da vida vegetativa humana, desde a primeira infância ao matrimônio. A vida é o ofício que ele ensina. E, no entanto, vemos que ele aprova a máxima do nosso poeta: ‘A vida não é o bem supremo!’, pois sacrifica em pensamento toda a vida particular do educador, que se dedica a companheiro constante do jovem! (…) Mas será simplesmente viver assim tão difícil para o homem? Julgávamos que a planta humana se assemelhava à rosa: assim como a rainha das flores é a flor que menos preocupa o jardineiro, também o homem seria capaz de crescer em qualquer ambiente, de se alimentar de toda a espécie de alimentos, de aprender mais facilmente, de se servir de tudo e de tirar vantagem.”

Quem, porventura, melhor sabe como comportar-se em sociedade é o educando de Locke. Aqui o mais importante é o convencional. Depois de Locke já não será preciso escrever um livro sobre educação para os pais que destinam os seus filhos à sociedade. O que quer que acrescentasse degeneraria, provavelmente, em artificialidade. Comprai por qualquer preço um homem grave, ‘de boas maneiras, que conheça as regras de cortesia e de conveniência com todas as variações resultantes da diferença das pessoas, dos tempos e dos lugares, capaz de orientar constantemente o seu educando, na medida em que a idade deste o permita, no cumprimento destas coisas’. Aqui, é forçoso uma pessoa calar-se. Seria totalmente inútil argumentar contra a vontade de verdadeiros homens de sociedade, de querer converter igualmente os seus filhos em homens de sociedade, uma vez que esta vontade se constitui em virtude das impressões da realidade, sendo confirmada e reforçada através de novas impressões a cada novo momento. Bem podem pregadores, poetas e filósofos transpor para prosa e verso toda e qualquer consagração, leviandade ou formalidade, porque um simples olhar em redor desfaz qualquer efeito, acabando essas pessoas por parecerem atores ou sonhadores.”

Poder-se-ia pôr em dúvida, se este capítulo faz ou não efetivamente parte da pedagogia ou se não se deveria incluí-lo nas seções da filosofia prática, que na realidade tratam do governo, uma vez que é seguramente diferente de base a preocupação pela formação intelectual daquela que se limita a querer manter a ordem. E se a primeira tem o nome de educação, se precisa de artistas especiais que são os educadores, se ao fim e ao cabo qualquer arte tem de ser separada de todas as ocupações secundárias heterogêneas para que se chegue à perfeição mediante a força concentrada do gênio, não poderá desejar-se menos à boa causa em questão, bem como ao rigor dos conceitos, que se retire o governo das crianças àqueles a quem cabe penetrar com seu olhar e com sua ação no íntimo das almas.”

Um governo que se satisfaça sem educar destrói a alma, e uma educação que não se ocupe da desordem das crianças, não conheceria as próprias crianças.”

Primeiro, não se desenvolve na criança uma autêntica vontade capaz de tomar decisões, mas tão somente um ímpeto selvagem que a arrasta para aqui e para ali que é de si um princípio de desordem:, contrariando as disposições dos adultos e, inclusivamente, capaz de pôr em perigo de vária ordem a pessoa futura da própria criança. Esta impetuosidade tem de ser subjugada, senão a desordem terá de ser atribuída como culpa aos que tratam da criança. A submissão processa-se através do poder e o poder tem de ser suficientemente forte e repetir-se as vezes que forem necessárias para ter completo êxito, antes que se manifestem na criança os traços de uma vontade própria.”

O adulto e aquele que chegou à idade da razão assumem naturalmente com o tempo governarem-se a si próprios. Existem, porém, também pessoas que nunca atingem esse ponto. A estas é a sociedade que as mantém sob tutela, designando-as de loucas ou de dissipadoras. Existem também aqueles que formam em si uma vontade contrária à sociabilidade e a sociedade encontra-se com eles numa disputa inevitável, acabando finalmente por submeter-se ao que é justo em relação a elas.”

O amor não aprova hesitações, nem tampouco espera por imperativos categóricos”

No ensino há sempre qualquer coisa de terceiro, com que o professor e aluno estão simultaneamente ocupados, ao passo que em todas as outras preocupações da educação é o educando que está diretamente na mente do educador, como o ser em que tem que atuar e que, em relação a si próprio, se deve manter passivo”

POSFÁCIO SOBRE O PREFÁCIO DE FOUCAULT A UMA OBRA DE BINSWANGER – Elisabetta Basso (em francês)

In: Le rêve et l’existence, Binswanger, Ludwig. Ed. Dastur, Françoise. Paris: Vrin, 2012, pp. 87-114.

« L’affaire se complique ultérieurement si l’on considère que déjà dès le début des années 60, à l’époque de la parution de l’Histoire de la folie, c’est Foucault lui-même qui se montre très dur avec la psychopathologie ‘existentielle’. Dans Maladie mentale et psychologie, en particulier, après avoir traité de la conception binswangerienne de la maladie en tant que déroulement des « formes d’insertion dans le monde », le philosophe conclut presque d’une façon provocatrice en soutenant que c’est ‘dans l’histoire seulement que l’on peut découvrir le seul a priori concret, où la maladie mentale prend, avec l’ouverture vide de sa possibilité, ses figures nécessaires’. Et les chapitres finaux de cet ouvrage de 1962 ne concerneront alors plus les formes d’apparition de la maladie, mais ses conditions historiques.

Lors de la parution de l’Histoire de