PATIENCE – Tertullian

“Let us, then, with regard to impatience, consider whether, as patience in God, its opposite was born and discovered in our adversary.” Se tem uma coisa que Dite é, é paciente e resignado.

 

TERTULIANDO // TURTLEANDO

 

OC é Cético?

 

A impaciência que eclode exige uma ou duas ou três represas.

Dir-se-ia que o irascível é o pai do dinheiro e da propriedade.

A impaciência que espera, ela, ó, amigos, é a esperança

Impaciente esperança!

O Cavaleiro do Infinito Desdém

Contra

O Eternista-Presentista

O inconsolável reformado

não reforma só se deixa formatar

O mendigo saciado a cada grão,

Bom homem bom!

Isso que se chama, literalmente,

Esperar o seu bocado até o Fim dos Tempos!

 

Você bota Fé na falta de crença? Você não bota fé em nada,

nem rende juros

sua conta bancária!

 

O paciente é um hipócrita

O médico é o hipocrático.

 

“For, as soon as he perceived that it was through his impatience that he had committed the first sin, having learned from his own experience what would assist in wrong-doing, he availed himself of this same impatience to lead men into sin.”

 

PECA12RO

 

A TPM existencial de Eva gerou a TPM fisiológica. Desde então o círculo se fechou. Ouroboros don’t bother! O que está sepultado, ao menos, não incomoda, certo? Deixai-o quieto.

 

O absurdo de tudo isso é que “animais também pecam”, enquanto animais… Que eles possam ser o invólucro de almas penadas pecadoras, expiações feitas de carne e sofrimento, isso os indianos já nos haviam ensinado, e Schopenhauer e Nietzsche poderiam, escusados nisso, deixar de se condoer por cães e cavalos. Mas o mais hilário é que o macaco não é mais que o macaco de Adão, se é que manjam desse manjericão! Qual a virtude em ser o inconsciente estóico? Em virtude do vício, me encontro a repetir a perdição.

 

Tudo me dá idéia, então não dá idéia!

Tudo me dá medo do esgoto

Se eu me esgoto significa

que sou Homem?!

O Cão Late Já dentro de Mim

 

Uma peça de dominó, um peão de vanguarda do jogo ocidental e da hierarquia, pode se zangar e arrevesar? O jogo é claro como as pedras que começam, minha dama!

 

“Since it had plunged Adam and Eve into death, it taught their son, also, to commit the first murder.”

 

“Who has ever attempted adultery save one who was unable to withstand his lustful desires?” Veja que eu não tenho a menor paciência para a poligamia…

 

Monomãemania

 

Não sei como você tem saco pra essas coisas!

 

“After the rain of manna as food, after the water that followed and flowed from the rock, they gave up hope in the Lord, unable to endure a three-days’ thirst.”

 

“This severe command, which the Lord did not intend should be carried out, Abraham heard with patience and, had God so willed, he would have fulfilled it.”

 

Added insult to injury: “added grace to the Law”.

 

“Heretofore, men demanded an eye for an eye and a tooth for a tooth and they returned evil for evil. As yet, patience was not found upon the earth, for as yet, you see, there was not faith. Meanwhile, impatience was enjoying the opportunities occasioned by the Law.” “the poison of the tongue was removed.”

 

Honor Thy Father (Teatro dos Sonhos): “The Law acquired more than it lost when Christ said: <Love your enemies and bless those who curse you and pray for those who persecute you, so that you may be children [teacher] of your Father in heaven.>”

 

Nada pertence a mim mesmo

nem sequer os meus pecados

 

Um dos argumentadores mais fracos de toda a Cristandade. “It is for pagans to be unable to sustain all loss; they would set worldly goods before their life perhaps.”

 

“by your meekness you will strike a more severe blow to the wrong-doer; for he will suffer at the hands of Him by whose grace you practice meekness.” Não creia que tenha sido essa a conotação de Cristo ao expressar-se sobre levar golpes indistintamente nos dois lados da face.

 

“When men reproach you, rejoice.”

 

“Grieve not  over one who has fallen asleep even as the gentiles who have no hope.” Uma religião tão funesta não tem o direito de pedir que cessem as lamentações!

 

Não é à toa que homem começa com “h” de hipocrisia, religião com “r” de recompensa e Cristo com “c” de cobiça: “Why, then, do we believe Him a judge, but not also an avenger? Of this He assures us when He says: <Revenge is mine and I will repay them,> that is: <Have patience with Me and I will reward your patience.>”

 

Eu fui feito à vossa escrita e a à vossa dessemelhança.

 

“and everything done with violence has either met with no success or has collapsed or has plunged to its own destruction.” HE-HE!

 

“If you are too mild in your self-defense, you will be acting like a madman; if your defense is excessive, you will be depressed. Why should I be concerned about revenge when I cannot regulate its extent because of my inability to endure pain? Whereas, if I yield and suffer the injury, I shall have no pain; and if I have no pain, I shall have no desire for revenge.” Excelente psicologia. A dor da ação na época de Tertuliano devia ser condizente com a nossa!

 

“Aqueles que eu amo eu castigo” Deus

 

“In the case of the prodigal son, too, it is the patience of his father that welcomes him and clothes him and feeds him and finds an excuse for him in the face of the impatience of his angry brother.”

 

“Tongues, knowledge, prophecies are made void, but there persist faith, hope, and charity”

 

“How God laughed, and how the Evil One was split asunder, when Job, with perfect calm, would wipe away the discharge oozing from his ulcer and, with a jesting remark, would call back to the cavity and sustenance of his open flesh the tiny creatures that were trying to make their way out!” “he was willing to endure the loss of his children that he might not live without something to suffer!”

 

“The eyebrows are relaxed, giving an impression of joyousness.”

 

“The mouth is closed in becoming silence. Its complexion is that of the serene and blameless. It shakes its head frequently in the direction of the Devil, and its laughter conveys a threat to him [?]. The upper part of its garment is white and close-fitting so that it is not blown about or disturbed (by the wind).”

 

“a patience not like the patience practiced by the peoples of the earth, which is false and disgraceful. (…) the Devil also taught his own a special brand of patience.” “it  is only God alone whom they cannot endure. But let their patience and the patience of their chief take care: there is fire beneath the earth awaiting this kind of patience.”

O GUARANI

DIC – fanqueiro: comerciante de tecidos

urutau: ave noturna de rapina

ananás: abacaxi

librar: suspender; equilibrar.

sofrer, o: (Brasil) ave cujo canto imita a pronúncia so-frer (anàlogamente ao bem-te-vi)

pequiá: pequi (derivado do Tupi)

viuvinha: (Portugal) jogo popular; (Portugal) dança de roda; (Portugal) peixe; (Brasil) planta (quando no singular); (Portugal) planta (quando no plural); pássaro; corda (coloquial).

viúva-alegre: camburão; (Moçambique) pássaro.

corrupio: rodopiar ou andar em círculos; atividade frenética; (Brasil) cata-vento.

chuço: lança; (Portugal) peixe; (Portugal) guarda-chuva); (Portugal) o gentio em relação ao judeu; tamanco ou bota de má qualidade.

bugre: rústico, primata; sujeito intratável. “Brinco de ouro do Bugre.”

carocha: inseto, mormente a barata; chapéu depreciativo que recebiam os condenados à fogueira na Idade Média; chapéu depreciativo (a.k.a. carapuça) para humilhar os piores alunos da classe; fogão de funileiro; (Portugal) mulher horrível; mentira (quando no plural); bruxaria (quando no plural); sexo oral no ânus ou beijo grego (apenas no Nordeste do Brasil); (Portugal) o mesmo que Fusca para nós.

endecha: poesia ou canção fúnebre

coleóptero: inseto de 4 asas, das quais 2 são especialmente duras

dédalo: labirinto; confusão; florido.

alçácar: alcácer, palácio-fortaleza

montante: enchente da maré; lado de cima da nascente; a montante – o que precede de imediato; alabarda (espada pesada que necessitava ser empunhada com as duas mãos).

anime: resina

íris: membrana ocular interna; borboleta diurna; planta.

* * *

o cupim, esse roedor eterno, que antes do dilúvio já se havia agarrado à arca de Noé, e pôde assim escapar ao cataclisma.”

uma dessas guitarras espanholas que os ciganos introduziram no Brasil quando expulsos de Portugal”

A habitação que descrevemos pertencia a D. Antônio de Mariz, fidalgo português de cota d’armas e um dos fundadores da cidade do Rio de Janeiro.” “Em 1567 acompanhou Mem de Sá ao Rio de Janeiro, e depois da vitória alcançada pelos portugueses, auxiliou o governador nos trabalhos da fundação da cidade e consolidação do domínio de Portugal nessa capitania.” “Homem de valor, experimentado na guerra, ativo, afeito a combater os índios, prestou grandes serviços nas descobertas e explorações do interior de Minas e Espírito Santo.” “A derrota de Alcácer-Quibir, e o domínio espanhol que se lhe seguiu, vieram modificar a vida de D. Antônio de Mariz. Português de antiga têmpera, fidalgo leal, entendia que estava preso ao rei de Portugal pelo juramento da nobreza, e que só a ele devia preito e menagem. Quando pois, em 1582, foi aclamado no Brasil D. Felipe II como o sucessor da monarquia portuguesa, o velho fidalgo embainhou a espada e retirou-se do serviço. Por algum tempo esperou a projetada expedição de D. Pedro da Cunha, que pretendeu transportar ao Brasil a coroa portuguesa, colocada então sobre a cabeça do seu legítimo herdeiro, D. Antônio, prior do Crato. Depois, vendo que esta expedição não se realizava, e que seu braço e sua coragem de nada valiam ao rei de Portugal, jurou que ao menos lhe guardaria fidelidade até a morte. Tomou os seus penatos, o seu brasão, as suas armas, a sua família, e foi estabelecer-se naquela sesmaria que lhe concedera Mem de Sá.”

Naquele tempo dava-se o nome de bandeira a essas caravanas de aventureiros que se entranhavam pelos sertões do Brasil, à busca de ouro, os brilhantes e esmeraldas, ou à descoberta de rios e terras ainda desconhecidas. A que nesse momento costeava a margem do Paraíba, era da mesma natureza”

nada é mais natural a quem viaja, do que o desejo de chegar.”

continuava a assobiar entredentes uma cançoneta de condottiere, de quem ele apresentava o verdadeiro tipo.”

“– Em que quereis que um homem gaste seu tempo neste sertão, senão a olhar para seus semelhantes, e ver o que eles fazem?

Com efeito é uma boa distração.”

“– Sabeis uma coisa, Sr. Loredano?

Saberei, cavalheiro, se me fizerdes a honra de dizer.”

Tinha então, sempre em sonho, um desses assomos de cólera de rainha ofendida, que fazia arquear as sobrancelhas louras, e bater sobre a relva a ponta de um pezinho de menina. Mas o escravo suplicante erguia os olhos tão magoados, tão cheios de preces mudas e de resignação, que ela sentia um quer que seja de inexprimível, e ficava triste, até que fugia e ia chorar. (…) mas conservava sempre uma sombra de melancolia, que só a pouco e pouco o seu gênio alegre conseguia desvanecer.”

“– É para veres! Tudo cansa neste mundo.

Ah! compreendo! estás enfastiada de viver aqui nestes ermos.

Já me habituei tanto a ver estas árvores, este rio, estes montes, que quero-lhes como se me tivessem visto nascer.

Então o que é que te faz triste?

Não sei; falta-me alguma coisa.”

(…)

Olha, respondeu Isabel; ali está a tua rola esperando que a chames, e o teu veadinho que te olha com os olhos doces; só falta o outro animal selvagem.

Peri! exclamou Cecília rindo-se da idéia de sua prima.

Ele mesmo! Só tens dois cativos para fazeres as tuas travessuras; e como não vês o mais feio, e o mais desengraçado, estás aborrecida.

(…)

Ora, Cecília, como queres que se trate um selvagem que tem a pele escura e o sangue vermelho? Tua mãe não diz que um índio é um animal como um cavalo ou um cão?

Estas últimas palavras foram ditas com uma ironia amarga, que a filha de Antônio de Mariz compreendeu perfeitamente.

Isabel!… exclamou ela ressentida.”

“– Sim! e isto me causou um prazer, que tu não imaginas. Se eu fosse tua irmã!…”

imediatamente a rola saltou dos galhos da acácia, e veio aninhar-se no seu seio, estremecendo de prazer ao contato da mãozinha que alisava a sua penugem macia.”

“– Não achas que voltaram muito depressa? perguntou Isabel sem reparar na perturbação de sua prima.

Muito; quem sabe se houve alguma coisa!

19 dias apenas… disse Isabel maquinalmente.”

(…)

Nos trazem, sim; porque eu encomendei um fio de pérolas para ti. Devem ir-te bem as pérolas, com tuas faces cor de jambo! Sabes que eu tenho inveja do teu moreninho, prima?

E eu daria a minha vida para ter a tua alvura, Cecília.”

Cometestes uma ação má assassinando uma mulher, uma ação indigna do nome que vos dei; isto mostra que ainda não sabeis fazer uso da espada que trazeis à cinta.”

“– Tratais esse filho sempre com excessivo rigor, Sr. D. Antônio!

E vós com extrema benevolência, D. Lauriana. Assim, como não quero que o vosso amor o perca, vejo-me obrigado a privar-vos da sua companhia.

(…)

Quem vos fala em desterro, senhora? Quereis que D. Diogo passe toda a sua vida agarrado ao vosso avental e à vossa roca?”

D. Antônio desejava saber notícias do Rio de Janeiro e de Portugal, onde se haviam perdido todas as esperanças de uma restauração, que só teve lugar 40 anos depois com a aclamação do duque de Bragança.”

Como é solene e grave no meio das nossas matas a hora misteriosa do crepúsculo, em que a natureza se ajoelha aos pés do Criador para murmurar a prece da noite!” “O urutau no fundo da mata solta as suas notas graves e sonoras, que, reboando pelas longas crastas [claustros] de verdura, vão ecoar ao longe como o toque lento e pausado do ângelus.” “Todas as pessoas reunidas na esplanada sentiam mais ou menos a impressão poderosa desta hora solene, e cediam involuntariamente a esse sentimento vago, que não é bem tristeza, mas respeito misturado de um certo temor. De repente, os sons melancólicos de um clarim prolongaram-se pelo ar quebrando o concerto da tarde; era um dos aventureiros que tocava a Ave-Maria.”

Loredano foi o único que conservou o seu sorriso desdenhoso, e seguia com o mesmo olhar torvo [terrível] os menores movimentos de Álvaro, ajoelhado perto de Cecília e embebido em contemplá-la, como se ela fosse a divindade a quem dirigia a sua prece.”

Os aventureiros e seus chefes viviam num lado da casa inteiramente separados da família; durante o dia corriam os matos e ocupavam-se com a caça ou com diversos trabalhos de cordoagem e marcenaria. Era unicamente na hora da prece que se reuniam um momento na esplanada, onde, quando o tempo estava bom, as damas vinham também fazer a sua oração da tarde.” “o domingo era consagrado ao repouso, à distração e à alegria; então dava-se às vezes um acontecimento extraordinário como um passeio, uma caçada, ou uma volta em canoa pelo rio. Já se vê pois a razão por que Álvaro tinha tantos desejos, como dizia o italiano, de chegar ao Paquequer em um sábado, e antes das seis horas; o moço sonhava com a aventura desses curtos instantes de contemplação e com a liberdade do domingo, que lhe ofereceria talvez ocasião de arriscar uma palavra.”

“– Brincava com uma onça como vós com o vosso veadinho, D. Cecília.

Meu Deus! exclamou a moça soltando um grito.”

viam-se aos cantos do alpendre, grossas talhas cheias de vinho de caju e ananás, onde os aventureiros podiam beber à larga. O vício tinha suprido os licores europeus pelas bebidas selvagens; afora uma pequena diferença de sabor, havia no fundo de todas elas o álcool que excita o espírito, e produz a embriaguez.”

“– E vós, Loredano, nada dizeis? Estais aí que não há modo de vos ouvir uma palavra!

Certo, acudiu outro, Bento Simões diz verdade; se não é a fome que vos traz mudo, algo tendes, misser italiano.

Voto a Deus, Martim Vaz, disse um terceiro, que são penares por alguma moçoila que andou reqüestando em São Sebastião.

Tirai-vos lá com os vossos penares, Rui Soeiro; achais que Loredano seja homem de se amofinar com coisa de tal jaez?

E por que não, Vasco Afonso? Todos calçamos pelo mesmo sapato, em que o aperte mais a uns do que a outros.

Não julgueis os mais por vós, dom namorado; homens há que trazem seu pensamento empregado em coisa de mor valia do que requebros e galanteios.

O italiano conservava-se taciturno, e deixava que os outros o trouxessem à baila, sem dar-se por achado: era fácil ver que ele seguia com afinco uma idéia que lhe trabalhava no espírito.”

Loredano, levantando-se, fez um gesto a Rui Soeiro e a Bento Simões; e os 3 seguiram juntos até ao meio do terreiro; o italiano murmurou-lhes ao ouvido uma simples palavra:

Amanhã!”

É que as paixões no deserto, e sobretudo no seio desta natureza grande e majestosa, são verdadeiras epopéias do coração.”

As cortinas da janela cerraram-se; Cecília tinha-se deitado. Junto da inocente menina adormecida na isenção de sua alma pura de virgem, velavam 3 sentimentos profundos, palpitavam 3 corações bem diferentes. Em Loredano, o aventureiro de baixa extração, esse sentimento era um desejo ardente, uma sede de gozo, uma febre que lhe requeimava o sangue; o instinto brutal dessa natureza vigorosa era ainda aumentado pela impossibilidade moral que a sua condição criava, pela barreira que se elevava entre eles, pobre colono, e a filha de D. Antônio de Mariz, rico fidalgo de solar e brasão. Para destruir esta barreira e igualar as posições, seria necessário um acontecimento extraordinário, um fato que alterasse completamente as leis da sociedade naquele tempo mais rigorosas que hoje; era preciso uma dessas situações em face das quais os indivíduos, qualquer que seja a sua hierarquia, nobres e párias, nivelam-se; e descem ou sobem à condição de homens. O aventureiro compreendia isto; talvez que o seu espírito italiano já tivesse sondado o alcance dessa idéia; em todo o caso o que afirmamos é que ele esperava, e esperando vigiava o seu tesouro com um zelo e uma constância a toda a prova; os 20 dias que passara no Rio de Janeiro tinham sido verdadeiro suplício. Em Álvaro, cavalheiro dedicado e cortês, o sentimento era uma afeição nobre e pura, cheia de graciosa timidez que perfuma as primeiras flores do coração, e do entusiasmo cavalheiresco que tanta poesia dava aos amores daquele tempo de crença e lealdade. Sentir-se perto de Cecília, vê-la e trocar alguma palavra a custo balbuciada; corarem ambos sem saberem por quê, e fugirem desejando encontrar-se; era toda a história desse afeto inocente, que se entregava descuidosamente ao futuro, librando-se nas asas da esperança. Nesta noite Álvaro ia dar um passo que na sua habitual timidez, ele comparava quase com um pedido formal de casamento; tinha resolvido fazer a moça aceitar, malgrado seu, o mimo que recusara, deitando-o na sua janela; esperava que encontrando-o no dia seguinte, Cecília lhe perdoaria o seu ardimento, e conservaria a sua prenda. Em Peri o sentimento era um culto, espécie de idolatria fanática, na qual não entrava um só pensamento de egoísmo; amava Cecília não para sentir um prazer ou ter uma satisfação, mas para dedicar-se inteiramente a ela, para cumprir o menor dos seus desejos, para evitar que a moça tivesse um pensamento que não fosse imediatamente uma realidade. Ao contrário dos outros ele não estava ali, nem por um ciúme inquieto, nem por uma esperança risonha; arrostava a morte unicamente para ver se Cecília estava contente, feliz e alegre; se não desejava alguma coisa que ele adivinharia no seu rosto, e iria buscar nessa mesma noite, nesse mesmo instante. Assim o amor se transformava tão completamente nessas organizações, que apresentava 3 sentimentos bem distintos; um era uma loucura, o outro uma paixão, o último uma religião. Loredano desejava; Álvaro amava; Peri adorava. O aventureiro daria a vida para gozar; o cavalheiro arrostaria a morte para merecer um olhar; o selvagem se mataria, se preciso fosse, só para fazer Cecília sorrir. Entretanto nenhum desses 3 homens podia tocar a janela da moça, sem correr um risco iminente; e isto pela posição em que se achava o quarto de Cecília.”

O que havia dentro desta redoma, de tão poderoso, de tão forte, que justificasse aquela exclamação, e o olhar brilhante que iluminava a pupila negra de Isabel? (…) Era o pó sutil do curare, o veneno terrível dos selvagens.”

“– Isto não é razão, continuou ela; porventura um animal feroz é a mesma coisa que um pássaro, e apanha-se como uma flor?

Tudo é o mesmo, desde que te causa prazer, senhora.

Mas então, exclamou a menina com um assomo de impaciência, se eu te pedisse aquela nuvem?…

(…)

Peri ia buscar.

A nuvem? perguntou a moça admirada.

Sim, a nuvem.

Cecília pensou que o índio tinha perdido a cabeça; ele continuou:

Somente como a nuvem não é da terra e o homem não pode tocá-la, Peri morria e ia pedir ao Senhor do céu a nuvem para dar a Ceci.

(…)

A sua fingida severidade não pôde mais resistir; deixou pairar nos seus lábios um sorriso divino.

Obrigada, meu bom Peri! Tu és um amigo dedicado; mas não quero que arrisques tua vida para satisfazer um capricho meu; e sim que a conserves para me defenderes como já fizeste uma vez.”

A moça e o índio nem se olharam; odiavam-se mutuamente; era uma antipatia que começara desde o momento em que se viram, e que cada dia aumentava.

Agora, Peri, Isabel e eu vamos ao banho.

Peri te acompanha, senhora?

Sim, mas com a condição de que Peri há de estar muito quieto e sossegado.

(…)

Peri, com o seu arco, companheiro inseparável e arma terrível na sua mão destra, sentava-se longe, à beira do rio, numa das pontas mais altas do rochedo ou no galho de alguma árvore, e não deixava ninguém aproximar-se num raio de 20 passos do lagar onde as moças se banhavam.

(…)

Entretanto Cecília e sua prima tinham o costume de banhar-se vestidas com um trajo feito de ligeira estamenha que ocultava inteiramente sob a cor escura as formas do corpo, deixando-lhes os movimentos livres para nadarem. Mas Peri entendia que apesar disto seria uma profanação consentir que um olhar de quem quer que fosse visse a senhora no seu trajo de banho; nem mesmo o dele que era seu escravo, e por conseguinte não podia ofendê-la, a ela que era o seu único deus.

(…)

Cecília podia ser ofendida pelo tronco que a correnteza carregava, pela fruta que caía; podia assustar-se com o contato do limo julgando ser uma cobra; e Peri não perdoaria a si mesmo a mais leve mágoa que a moça sofresse por falta de cuidado seu. Enfim ele estendia ao redor dela uma vigilância tão constante e infatigável, uma proteção tão inteligente e delicada, que a moça podia descansar, certa de que, se sofresse alguma coisa, seria porque todo o poder do homem fôra impotente para evitar. Eis pois a razão por que Cecília recomendava a Peri que estivesse quieto e sossegado; é verdade que ela sabia que essa recomendação era sempre inútil, e que o índio faria tudo para que uma abelha sequer não viesse beijar os seus lábios vermelhos confundindo-os com uma flor de pequiá.”

Descendo a escada de pedras da esplanada Cecília perguntava à sua prima:

Dize-me uma coisa, Isabel; por que é que tu não falas ao Sr. Álvaro?

Isabel estremeceu.

(…)

Confessa que não gostas dele. Tens-lhe antipatia?

A moça calou-se.

Não falas?… olha que então vou pensar outra coisa! continuou Cecília galanteando.

Isabel empalideceu; e levando a mão ao coração para comprimir as pulsações violentas, fez um esforço supremo e arrancou algumas palavras que pareciam queimar-lhe os lábios:

Bem sabes que o aborreço!…

(…)

Quanto a Isabel, temendo trair o seu segredo, tinha arrancado do seu coração cheio de amor, essa palavra de ódio, que para ela era quase uma blasfêmia. Mas antes isso do que revelar o que se passava em sua alma; esse mistério, essa ignorância que envolvia o seu amor, e o escondia a todos os olhos, tinha para ela uma voluptuosidade inexprimível. Podia assim fitar horas e horas o moço, sem que ele o percebesse, sem o incomodar talvez com a prece muda do olhar suplicante; podia rever-se em sua alma sem que um sorriso de desdém ou de zombaria a fizesse sofrer.

O sol vinha nascendo.

(…)

Era a hora em que o cacto, a flor da noite, fechava o seu cálice cheio das gotas de orvalho com que destila o seu perfume, temendo que o sol crestasse a alvura diáfana de suas pétalas.”

Mas quando o corpinho da anágua caindo, descobriu suas alvas espáduas e seu colo puro e suave, a menina quase morreu de pejo e de susto. Um passarinho, escondido entre as folhas, um gárrulo travesso e malicioso, gritava distintamente: – Bem-te-vi! Cecília riu-se do susto que tivera, e acabou o seu vestuário de banho que a cobria toda, deixando apenas nus os braços e o pezinho de menina.”

Por diferentes vezes a dama tinha procurado persuadir seu marido a expulsar o índio que ela não podia sofrer, e cuja presença bastava para causar-lhe um faniquito. Mas todos os seus esforços tinham sido baldados; o fidalgo com a sua lealdade e o cavalheirismo apreciava o caráter de Peri, e via nele embora selvagem, um homem de sentimentos nobres e de alma grande.”

É natural, minha filha, as lágrimas são um bálsamo que Deus deu à fraqueza da mulher, e que negou à força do homem.”

Toda a noite rondaram em torno da habitação, e nessa manhã vendo sair as duas moças, resolveram vingar-se com a aplicação dessa lei de talião que era o único princípio de direito e justiça que reconheciam. Tinham morto sua filha, era justo que matassem também a filha do seu inimigo; vida por vida, lágrima por lágrima, desgraça por desgraça.” “Agora é fácil conhecer a razão por que Peri perseguia a índia, resto da infeliz família. Sabia que ela ia direto ter com seus irmãos, e que à primeira palavra que proferisse, toda a tribo se levantaria como um só homem para vingar a morte do seu cacique e a perda da mais bela filha dos Aimorés. Ora, o índio conhecia a ferocidade desse povo sem pátria e sem religião, que se alimentava de carne humana e vivia como feras, no chão e pelas grutas e cavernas; estremecia com a idéia de que pudesse vir assaltar a casa de D. Antônio de Mariz.” “Aquela morte, pensava ele, não podia ter sido feita senão por uma criatura humana; qualquer outro animal usaria dos dentes ou das garras, e deixaria traços de ferimento. O cão pertencia à índia; fora ela pois quem o havia estrangulado há bem poucos momentos, porque a fratura do pescoço era de natureza a produzir a morte quase imediatamente.”

“– E nesse papel escrevestes que o pretendeis assassinar a ele e a sua mulher, e lançar fogo à casa se preciso for para a realização de vossos intentos?

Escrevi tudo!

Tivestes o arrojo de confessar que tencionais roubar sua filha e fazer dela, nobre moça, a barregã [concubina, amásia] de um aventureiro e réprobo como vós?

Sim!

E dissestes também, continuou Rui no auge da desesperação, que a outra sua filha nos pertencerá, a nós que jogaremos a sorte para decidir a qual deverá tocar?

Não me esqueci de nada, e menos desse ponto importante, respondeu o italiano com um sorriso; tudo isso está escrito em um pergaminho, nas mãos de D. Antônio de Mariz. Para sabê-lo, basta que o fidalgo rompa os pingos de cera preta com que mestre Garcia Ferreira, tabelião do Rio de Janeiro, o cerrou na minha penúltima viagem.

Loredano pronunciou estas palavras com a maior calma, contemplando os dois aventureiros pálidos e humilhados diante dele.

(…)

…Quando uma vez se pôs o pé sobre o precipício, amigos, é preciso caminhar por cima dele, para não rolar e ir ao fundo.

Aqui tendes, disse ele lentamente, o tesouro de Robério Dias; pertence-nos. Um pouco detento, e seremos mais ricos que o sultão de Bagdá, e mais poderosos que o doge de Veneza.”

“– Mais alguns dias, amigos, continuou Loredano, e seremos ricos, nobres, poderosos como um rei. Tu, Bento Simões, serás marquês de Paquequer; tu, Rui Soeiro, duque das Minas; eu… Que serei eu, disse Loredano com um sorriso que iluminou a sua fisionomia inteligente. Eu serei…

Uma palavra partiu do seio da terra, surda e cavernosa, como se uma voz sepulcral a houvesse pronunciado:

Traidores!…

Os três aventureiros ergueram-se de um só movimento, hirtos e lívidos: pareciam cadáveres surgindo da campa.”

Roteiro verídico e exato em que se trata da rota que fez Robério Dias, o pai, em o ano da graça de 1587 às paragens de Jacobina, onde descobriu com o favor de Deus as mais ricas minas de prataria que existam no mundo; com a suma de todas as indicações de marcos, balizas e linha equinocial onde demoram aquelas ditas minas; começado em 20 de janeiro, dia do mártir São Sebastião, e terminado na primeira dominga de Páscoa em que chegamos com a mercê da Providência nesta cidade do Salvador.”

Que pensava ele?… Não pensava; delirava. Diante de seus olhos, a imaginação exaltada lhe apresentava um mar argênteo, um oceano de metal fundido, alvo e resplandecente, que ia se perder no infinito. As vagas desse mar de prata, ora achamalotavam-se, ora rolavam formando frocos de espumas, que pareciam flores de diamantes, de esmeraldas e rubins cintilando à luz do sol. Às vezes também nessa face lisa e polida desenhavam-se como em um espelho palácios encantados, mulheres belas como as huris do profeta, virgens graciosas como os anjos de Nossa Senhora do Monte Carmelo. Assim decorreu meia hora, em que o silêncio era apenas interrompido pelo estertor do moribundo, pelo trovão que rugia; depois houve uma calma sinistra; o pecador expirava impenitente.”

O carmelita teve uma vertigem; lembrou-se da cena da tarde, do tremendo castigo que ele próprio havia evocado na sua hipocrisia, e se realizara tão prontamente. Mas o deslumbramento passou; estremecendo ainda e pálido de terror, o réprobo levantou o braço como desafiando a cólera do céu, e soltou uma blasfêmia horrível:

Podeis matar-me; mas se me deixardes a vida, hei de ser rico e poderoso, contra a vontade do mundo inteiro!”

O carmelita acompanhado pelo selvagem partiu: vagou pela floresta e pelo campo em todas as direções; alguma coisa procurava. Ele avistou depois de duas horas a touça de cardos junto da qual se passou a última cena que narramos; examinou-a por todos os lados e sorriu de satisfeito.” “Era um aventureiro destemido e audaz, em cuja fisionomia se reconheciam ainda os traços do carmelita Fr. Ângelo di Luca. Este aventureiro chamou-se Loredano. Deixava naquele lugar e sepultado no seio da terra um terrível segredo; isto é, um rolo de pergaminho, um burel de frade e um cadáver. Cinco meses passados, o vigário da ordem participava ao geral em Roma que o irmão Fr. Ângelo di Luca morrera como santo e mártir no zelo de sua fé apostólica.”

ouviu-se um grito vibrante e uma palavra de língua estranha: Iara! É um vocábulo guarani: significa a senhora.

Quanto ao sentimento que ditara esse proceder, D. Antônio não se admirava; conhecia o caráter dos nossos selvagens, tão injustamente caluniados pelos historiadores; sabia que fora da guerra e da vingança eram generosos, capazes de uma ação grande, e de um estímulo nobre.”

“– De que nação és?, perguntou-lhe o cavalheiro em guarani.

Goitacá, respondeu o selvagem erguendo a cabeça com altivez.

Como te chamas

Peri, filho de Ararê, primeiro de sua tribo.

Eu sou um fidalgo português, um branco inimigo de tua raça, conquistador de tua terra; mas tu salvaste minha filha; ofereço-te a minha amizade.

Peri aceita; tu já eras amigo.

Como assim? perguntou D. Antônio admirado.”

As mulheres chegaram e disseram: <Peri, primeiro de todos, tu és belo como o sol, e flexível como a cana selvagem que te deu o nome; as mulheres são tuas escravas>.”

Na casa da cruz, no meio do fogo, Peri tinha visto a senhora dos brancos; era alva como a filha da lua; era bela como a garça do rio. Tinha a cor do céu nos olhos; a cor do sol nos cabelos; estava vestida de nuvens, com um cinto de estrelas e uma pluma de luz. O fogo passou; a casa da cruz caiu. De noite Peri teve um sonho; a senhora apareceu; estava triste e falou assim: <Peri, guerreiro livre, tu és meu escravo; tu me seguirás por toda a parte, como a estrela grande acompanha o dia>.” “Viu passar o gavião. Se Peri fosse o gavião, ia ver a senhora no céu. Viu passar o vento. Se Peri fosse o vento, carregava a senhora no ar. Viu passar a sombra. Se Peri fosse a sombra, acompanhava a senhora de noite. Os passarinhos dormiram três vezes. Sua mãe veio e disse: <Peri, filho de Ararê, guerreiro branco salvou tua mãe; virgem branca também>. Peri tomou suas armas e partiu; ia ver o guerreiro branco para ser amigo; e a filha da senhora para ser escravo.”

“– …O vinho é o licor que dá a força, a coragem, a alegria. Beber por um amigo é uma maneira de dizer que o amigo é e será forte, corajoso e feliz. Eu bebo pelo filho de Ararê.

E Peri bebe por ti, porque és pai da senhora; bebe por ti, porque salvaste sua mãe; bebe por ti, porque és guerreiro.”

Em Isabel o índio fizera a mesma impressão que lhe causava sempre a presença de um homem daquela cor; lembrara-se de sua mãe infeliz, da raça de que provinha, e da causa do desdém com que era geralmente tratada.”

Homens mercenários que vendem a sua liberdade, consciência e vida por um salário, não têm dedicação verdadeira senão a um objeto, o dinheiro; seu senhor, seu chefe e seu amigo é o que mais lhe paga.”

Toda a continência de sua vida monástica, todos os desejos violentos que o hábito tinha selado como uma crosta de gelo, todo esse sangue vigoroso e forte da mocidade, passada em vigílias e abstinências, refluíram ao coração e o sufocaram um momento. Depois um êxtase de voluptuosidade imensa embebeu essa alma velha pela corrupção e pelo crime, mas virgem para o amor. O seu coração revelava-se com toda a veemência da vontade audaz, que era o móvel de sua vida. Sentiu que essa mulher era tão necessária à sua existência, como o tesouro que sonhava; ser rico para ela, possuí-la para gozar a riqueza, foi desde então o seu único pensamento, a sua única idéia dominante.”

À vista do roteiro era impossível que não sentissem a febre da riqueza, a auri sacra fames que se havia apoderado dele próprio, no momento em que vira abrir-se diante de seus olhos um mar de prata fundida em que os seus lábios podiam matar a sede ardente que o devorava.”

A nação Goitacá dominava todo o território entre o Cabo de São Tomé e o Cabo Frio; era um povo guerreiro, valente e destemido, que por diversas vezes fizera sentir aos conquistadores a força de suas armas. Tinha arrasado completamente a colônia da Paraíba fundada por Pero de Góis; e depois de um assédio de 6 meses conseguira destruir igualmente a colônia de Vitória, fundada no Espírito Santo por Vasco Fernandes Coutinho.”

Ver aquela alma selvagem, livre como as aves que planavam no ar ou como os rios que corriam na várzea; aquela natureza forte e vigorosa que fazia prodígios de força e coragem; aquela vontade indomável como a torrente que se precipita do alto da serra; prostrar-se a seus pés submissa, vencida, escrava!… Era preciso que não fosse mulher para não sentir o orgulho de dominar essa organização e brincar com a força obrigando-a a curvar-se diante do seu olhar. As mulheres têm isso de particular; reconhecendo-se fracas, a sua maior ambição é reinar pelo ímã dessa mesma fraqueza, sobre tudo o que é forte, grande e superior a elas: não amam a inteligência, a coragem, o gênio, o poder, senão para vencê-los e subjugá-los. Entretanto a mulher deixa-se bastantes vezes dominar; mas e sempre pelo homem que, não lhe excitando a admiração, não irrita a sua vaidade e não provoca por conseguinte essa luta da fraqueza contra a força. Cecília era uma menina ingênua e inocente, que nem sequer tinha consciência do seu poder, e do encanto de sua casta beleza; mas era filha de Eva, e não podia se eximir de um quase nada de vaidade.”

“– Peri é escravo da senhora.

Mas Peri é um guerreiro e um chefe.

A nação Goitacá tem cem guerreiros fortes como Peri, mil arcos ligeiros como o vôo do gavião.

Assim, decididamente queres ficar?

Sim; e como tu não queres dar a Peri a tua hospitalidade, uma árvore da floresta lhe servirá de abrigo.

Tu me ofendes, Peri! exclamou o fidalgo; a minha casa está aberta para todos, e sobretudo para ti que és amigo e salvaste minha filha.

Não, Peri não te ofende; mas sabe que tem a pele cor de terra.

E o coração de ouro.”

<Na guerra os guerreiros combatem; há sangue. Na paz as mulheres trabalham; há vinho. A estrela brilhou; é hora de partir. A brisa soprou; é tempo de andar.> A pessoa que modulava esta canção selvagem era uma índia já idosa; encostada a uma árvore da floresta ela vira por entre a folhagem a cena que passava na esplanada.”

“– Peri não voltará!

Sua mãe fez um gesto de espanto e desespero.

O fruto que cai da árvore, não torna mais a ela; a folha que se despega do ramo, murcha, seca e morre; o vento a leva. Peri é a folha; tu és a árvore, mãe. Peri não voltará ao teu seio.

(…)

…Uma mãe sem seu filho é uma terra sem água; queima e mata tudo que se chega a ela.

Estas palavras foram acompanhadas de um olhar de ameaça, em que se revelava a ferocidade do tigre que defende os seus cachorrinhos.”

CECI N’EST PAS UNE PIPE

Ceci era o nome que o índio dava à sua senhora, depois que lhe tinham ensinado que ela se chamava Cecília.”

“– Por que me chamas tu Ceci?

O índio sorriu tristemente.

Não sabe dizer Cecília?

Peri pronunciou claramente o nome da moça com todas as sílabas; isto era tanto mais admirável quanto a sua língua não conhecia quatro letras, das quais uma era o L.

Mas então, disse a menina com alguma curiosidade, se tu sabes o meu nome, por que não o dizes sempre?

Porque Ceci é o nome que Peri tem dentro da alma.

Ah! é um nome de tua língua?

Sim.

O que quer dizer?

O que Peri sente.

Mas em português?

Senhora não deve saber.

A menina bateu com a ponta do pé no chão e fez um gesto de impaciência. D. Antônio passava; Cecília foi ao seu encontro.

Meu pai, dizei-me o que significa Ceci nessa língua selvagem que falais.

Ceci?… disse o fidalgo procurando lembrar-se. Sim! É um verbo que significa doer, magoar.

A menina sentiu um remorso; reconheceu a sua ingratidão; e lembrando-se do que devia ao selvagem e da maneira por que o tratava, achou-se má, egoísta e cruel.”

Mas Álvaro sabia que só um homem podia lutar com ele, e levar-lhe vantagem em qualquer arma, e esse era Peri; porque juntava à arte a superioridade do selvagem habituado desde o berço à guerra constante que é a sua vida. Loredano tinha pois razão de hesitar em atacar de frente um inimigo desta força; mas a necessidade urgia, e o italiano era corajoso e ágil também. Endireitou para o cavalheiro, resolvido a morrer ou a salvar a sua vida e a sua fortuna.”

Não é ódio que me inspirais, é desprezo; é mais do que desprezo; é asco. O réptil que se roja pelo chão causa-me menos repugnância do que o vosso aspecto.”

Álvaro tinha recebido de D. Antônio de Mariz todos os princípios daquela antiga lealdade cavalheiresca do século XV, os quais o velho fidalgo conservava como o melhor legado de seus avós; o moço moldava todas as suas ações, todas as suas idéias, por aquele tipo de barões portugueses que haviam combatido em Aljubarrota ao lado do Mestre de Avis, o rei cavalheiro.” “Álvaro fitou no índio um olhar admirado. Onde é que este selvagem sem cultura aprendera a poesia simples, mas graciosa; onde bebera a delicadeza de sensibilidade que dificilmente se encontra num coração gasto pelo atrito da sociedade? A cena que se desenrolava a seus olhos respondeu-lhe; a natureza brasileira, tão rica e brilhante, era a imagem que produzia aquele espírito virgem, como o espelho das águas reflete o azul do céu. Quem conhece a vegetação de nossa terra desde a parasita mimosa até o cedro gigante; quem no reino animal desce do tigre e do tapir [anta], símbolos da ferocidade e da força, até o lindo beija-flor e o inseto dourado; quem olha este céu que passa do mais puro anil aos reflexos bronzeados que anunciam as grandes borrascas; quem viu, sob a verde pelúcia da relva esmaltada de flores que cobre as nossas várzeas deslizar mil répteis que levam a morte num átomo de veneno, compreende o que Álvaro sentiu. Com efeito, o que exprime essa cadeia que liga os dois extremos de tudo o que constitui a vida? Que quer dizer a força no ápice do poder aliada à fraqueza em todo o seu mimo; a beleza e a graça sucedendo aos dramas terríveis e aos monstros repulsivos; a morte horrível a par da vida brilhante? Não é isso a poesia? O homem que nasceu, embalou-se e cresceu nesse berço perfumado; no meio de cenas tão diversas, entre o eterno contraste do sorriso e da lágrima, da flor e do espinho, do mel e do veneno, não é um poeta? Poeta primitivo, canta a natureza na mesma linguagem da natureza; ignorante do que se passa nele, vai procurar nas imagens que tem diante dos olhos, a expressão do sentimento vago e confuso que lhe agita a alma. Sua palavra é a que Deus escreveu com as letras que formam o livro da criação; é a flor, o céu, a luz, a cor, o ar, o sol; sublimes coisas que a natureza fez sorrindo. A sua frase corre como o regato que serpeja, ou salta como o rio que se despenha da cascata; às vezes se eleva ao cima da montanha, outras desce e rasteja como o inseto, delicada e mimosa.”

“– Peri só ama o que a senhora ama; porque só ama a senhora neste mundo: por ela deixou sua mãe, seus irmãos e a terra onde nasceu.

Mas se Cecília não me quisesse como julgas?

Peri faria o mesmo que o dia com a noite; passaria sem te ver.

E se eu não amasse a Cecília?

Impossível!

Quem sabe? disse o moço sorrindo.

Se a senhora ficasse triste por ti!… exclamou o índio cuja pupila irradiou.

Sim? o que farias?

Peri te mataria.

(…)

Escuta, Peri é filho do sol; e renegava o sol se ele queimasse a pele alva de Ceci. Peri ama o vento; e odiava o vento se ele arrancasse um cabelo de ouro de Ceci. Peri gosta de ver o céu; e não levantava a vista, se ele fosse mais azul do que os olhos de Ceci.

(…)

…Antes que me matasses, creio que me mataria a mim mesmo se tivera a desgraça de fazer Cecília infeliz.

Tu és bom; Peri quer que a senhora te ame.

O índio contou então a Álvaro o que se tinha passado na noite antecedente; o moço empalideceu de cólera, e quis voltar em busca do italiano; desta vez não lhe perdoara.”

Aqui era uma casa de marimbondos, que ele assanhava com o chapéu, e o faziam bater em retirada honrosa, correndo a todo o estirão das pernas; ali era um desses lagartos de longa cauda que pilhado de improviso se enrolara pelas pernas do escudeiro com uma formidável chicotada. Isto sem falar das urtigas, e das unhas-de-gato, cabeçadas e quedas, que faziam o digno escudeiro arrenegar-se, e maldizer da selvajaria de semelhante terra! Ah! quem o dera nos tojos e charnecas de sua pátria!”

Quando eu digo que não é possível, é como se a nossa madre igreja… Que diabo ia rezar-lhe? Ai! que chamei sem querer a madre igreja de diabo! Forte heresia! Quem se mete a tagarelar dos santos com esta casta de pagão… Tagarelar dos santos!… Virgem Santíssima! Estou incapaz! Cala-te, boca! não me pies mais!” “por força ainda ninguém levou o filho de meu pai, que bom é que saibas, foi homem de faca e calhau.”

Cecília não compreendia essa luta do amor com os outros sentimentos do coração, luta terrível em que quase sempre a paixão vitoriosa subjuga o dever, e a razão. Na sua ingênua simplicidade acreditava que podia ligar perfeitamente a veneração que tinha por seu pai, o respeito que votava à sua mãe, o afeto que sentia por Álvaro, o amor fraternal que consagrava a seu irmão e a Isabel, e a amizade que tinha a Peri. (…) Enquanto pudesse beijar a mão de seu pai e de sua mãe, receber uma carícia de seu irmão e de sua prima, sorrir a seu cavalheiro e brincar com o seu escravo, a existência para ela seria de flores.” “era uma esperança, um desses lindos coleópteros verdes que a poesia popular chama lavandeira-de-deus. A alma nos momentos supremos de aflição suspende-se ao fio o mais tênue da esperança; Cecília sorriu-se entre as lágrimas, tomou a lavandeira entre os seus dedos rosados e acariciou-a.” “A caixinha continha um simples bracelete de pérolas; mas estas eram do mais puro esmalte e lindas como pérolas que eram; bem mostravam que tinham sido escolhidas pelos olhos de Álvaro, e destinadas ao braço de Cecília. A menina admirou-as um momento com o sentimento de faceirice que é inato na mulher, e lhe serve de sétimo sentido.”

“– Tenho uma filha natural: a estima que voto a minha mulher e o receio de fazer essa pobre menina corar de seu nascimento, obrigaram-me a dar-lhe em vida o título de sobrinha.

Isabel?… exclamou D. Diogo.”

O fidalgo abriu os braços e deu em Peri o abraço fraternal consagrado pelos estilos da antiga cavalaria, da qual já naquele tempo apenas restavam vagas tradições.”

“– Não recusais o que vos peço, disse ele afetuosamente, aceitai-me por vosso irmão.

Assim deve ser, respondeu Isabel tristemente. Cecília me chama sua irmã; vós deveis ser meu irmão. Aceito! Sereis bom para mim?

Sim, D. Isabel!

Um irmão não deve tratar sua irmã pelo seu nome, simplesmente? perguntou ela com timidez.

Álvaro hesitou.

Sim, Isabel.

A moça recebeu essa palavra como um gozo supremo; parecia-lhe que os lábios do cavalheiro, pronunciando assim familiarmente o seu nome, a acariciavam.

Obrigada! Não sabeis que bem me faz ouvir-vos chamar-me assim. É preciso ter sofrido muito para que a felicidade esteja em tão pouco.

Contai-me as vossas mágoas.

Não; deixai-as comigo; talvez depois as conte; agora só quero mostrar-vos que não sou tão culpada como pensais.

Culpada! Em quê?

Em querer-vos, disse Isabel corando.

Álvaro tornou-se frio e reservado.

Sei que vos incomodo; mas é a primeira e a última vez; ouvi-me, depois ralhareis comigo, como um irmão com sua irmã.

A voz de Isabel era tão doce, seu olhar tão suplicante, que Álvaro não pôde resistir.

Falai, minha irmã.

Sabeis o que eu sou; uma pobre órfã que perdeu sua mãe muito cedo, e não conheceu seu pai. Tenho vivido da compaixão alheia; não me queixo, mas sofro. Filha de duas raças inimigas devia amar a ambas; entretanto minha mãe desgraçada fez-me odiar a uma, o desdém com que me tratam fez-me desprezar a outra.

Pobre moça! murmurou Álvaro lembrando-se segunda vez das palavras de D. Antônio de Mariz.

Assim isolada no meio de todos, alimentando apenas o sentimento amargo que minha mãe deixara no meu coração, sentia a necessidade de amar alguma coisa. Não se pode viver somente de ódio e desprezo!…

Tendes razão, Isabel.

(…)

Isto me bastava. Quando vos tinha olhado horas e horas, sem que o percebêsseis, julgava-me feliz; recolhia-me com a minha doce imagem, e conversava com ela, ou adormecia sonhando bem lindos sonhos.

O cavalheiro sentia-se perturbado; mas não ousava interromper a Isabel.

Não sabeis que segredos tem esse amor que vive só de suas ilusões, sem que um olhar, uma palavra o alimente. A mais pequenina coisa é um prazer, uma ventura suprema. Quantas vezes não acompanhava o raio de lua que entrava pela minha janela e que vinha a pouco e pouco se aproximando de mim; julgava ver naquela doce claridade o vosso semblante, e esperava trêmula de prazer como se vos esperasse. Quando o raio se chegava, quando a sua luz acetinada caía sobre mim, sentia um gozo imenso; acreditava que me sorríeis, que vossas mãos apertavam as minhas, que vosso rosto se reclinava para mim, e vossos lábios me falavam…

Isabel pendeu a cabeça lânguida sobre o ombro de Álvaro; o cavalheiro palpitando de emoção passou o braço pela cintura da moça e apertou-a ao coração; mas de repente afastou-se com um movimento brusco.

Não vos arreceeis de mim, disse ela com melancolia, sei que não me deveis amar. Sois nobre e generoso; o vosso primeiro amor será o último. Podeis-me ouvir sem temor.

Que vos resta dizer-me ainda? perguntou Álvaro.

Resta a explicação que há pouco me pedíeis.

Ah! enfim!

Isabel contou então como apesar de toda a força de vontade com que guardava o seu segredo, se havia traído; contou a conversa de Cecília e o modo por que a menina lhe fizera aceitar o bracelete.

Agora sabeis tudo; o meu afeto vai de novo entrar no meu coração, donde nunca sairia se não fosse a fatalidade que fez com que vos aproximásseis de mim, e me dirigisse algumas palavras doces. A esperança para as almas que não a conheceram ainda, ilude tanto e fascina, que devo merecer-vos desculpa. Esquecei-me, meu irmão, antes que lembrar-vos de mim para odiar-me!

(…)

Estava convencido que Cecília não o amava, e nunca o havia amado; e esta descoberta tinha lugar no mesmo dia em que D. Antônio de Mariz lhe dava a mão de sua filha! Sob o peso da mágoa dolorosa, como é sempre a primeira mágoa do coração, o cavalheiro afastou-se distraído, com a cabeça baixa; caminhou sem direção, seguindo a linha que lhe traçavam os grupos de árvores, destacados aqui e ali sobre a campina. Estava quase a anoitecer: a sombra pálida e descorada do crepúsculo estendia-se como um manto de gaza sobre a natureza; os objetos iam perdendo a forma, a cor, e ondulavam no espaço vagos e indecisos. A primeira estrela engolfada no azul do céu luzia a furto como os olhos de uma menina que se abrem ao acordar, e cerram-se outra vez temendo a claridade do dia: um grilo escondido no toco de uma árvore começava a sua canção; era o trovador inseto saudando a aproximação da noite.”

“– Tu dás a Peri as tuas cores, senhora? disse o índio.

Não tenho, respondeu a menina; mas vou tomar umas para te dar; queres?

Peri te pede.

Quais achas mais bonitas?

A de teu rosto, e a de teus olhos.

Cecília sorriu.

Toma-as; eu tas dou.

Desde este dia, Peri enramou todas as suas setas de penas azuis e brancas; seus ornatos, além de uma faixa de plumas escarlates que fora tecida por sua mãe, eram ordinariamente das mesmas cores.”

O fidalgo era amado e respeitado por todos os aventureiros; nunca durante dez anos que o moço o acompanhava, se tinha dado na banda um só ato de insubordinação contra a pessoa do chefe; havia faltas de disciplina, rixas entre os companheiros, tentativas de deserção; mas não passava disto. O índio sabia que Álvaro duvidaria do que se passava; e por isso se obstinava em guardar parte do segredo, receando que o moço com seu cavalheirismo não tomasse o partido dos três aventureiros.”

“– Tu não amas Ceci!

Álvaro estremeceu.

Se tu a amasses, matarias teu irmão para livrá-la de um perigo.”

sacrificaria o mundo se possível fosse; contanto que pudesse, como o Noé dos índios, salvar uma palmeira onde abrigar Cecília.”

“– Olha, continuou a menina; Ceci vai te ensinar a conhecer o Senhor do Céu, e a rezar também e ler bonitas histórias. Quando souberes tudo isto, ela bordará um manto de seda para ti; terá uma espada, e uma cruz no peito. Sim?

A planta precisa de sol para crescer; a flor precisa de água para abrir; Peri precisa de liberdade para viver.

Mas tu serás livre; e nobre como meu pai.

Não!… O pássaro que voa nos ares cai, se lhe quebram as asas. o peixe que nada no rio morre, se o deitam em terra; Peri será como o pássaro e como o peixe, se tu cortas as suas asas e o tiras da vida em que nasceu.”

<Tu és mouro; eu sou cristã>:

Falou

A formosa castelã.

<Mouro, tens o meu amor;

Cristão,

Serás meu nobre senhor.>

(…)

<Antes de ver-te, senhora,

Fui rei;

Serei teu escravo agora.

Por ti deixo meu alçácar

Fiel”

Para que sorrisse era necessário que alguma inspiração infernal tivesse subido do centro da terra a essa inteligência votada ao crime.”

É coisa singular como a melancolia inspira! Seja por uma necessidade de expansão, seja porque a música e a poesia suavizem a dor, toda a criatura triste acha no canto um supremo consolo.”

“– Se Peri fosse cristão, e um homem quisesse te ofender, ele não poderia matá-lo, porque o teu Deus manda que um homem não mate outro. Peri selvagem não respeita ninguém; quem ofende sua senhora é seu inimigo, e, morre!

Cecília, pálida de emoção, olhou o índio, admirada não tanto da sublime dedicação, como do raciocínio”

Lembrava-se de suas palavras, e perguntava a si mesma como tivera a coragem de dizer aquilo, que antes nem mesmo os seus olhos se animavam a exprimir silenciosamente.” “era preciso que não fosse homem para não se sentir profundamente comovido pelo amor de uma mulher bela, e pelas palavras de fogo que corriam dos lábios de Isabel”

Matando-a, para que a mesma cova receba nossos dois corpos; não sei por quê, mas parece-me que ainda cadáver, o contato dessa mulher deve ser para mim um gozo imenso.”

Sois menos que escravos, menos que cães, menos que feras! Sois traidores infames e refeces!… Mereceis mais do que a morte; mereceis o desprezo.”

É preciso amar para compreender essa voluptuosidade do olhar que se repousa sobre o objeto amado, que não se cansa de ver aquilo que está impresso na imaginação, mas que tem sempre um novo encanto.”

O instinto selvagem supria a indústria do homem civilizado; a primeira das artes foi incontestavelmente a arte da guerra, – a arte da defesa e da vingança, os dois mais fortes estímulos do coração humano.” “tacapes, espécie de longas espadas de pau que cortavam como ferro” “Então encostou-se a uma lasca de pedra que descansava sobre uma ondulação do terreno, e preparou-se para o combate monstruoso de um só homem contra 200.” “Peri abaixou o seu montante e esperou; seu braço direito fatigado desse enorme esforço não podia mais servir-lhe e caía inerte; passou a arma para a mão esquerda. Era tempo. O velho cacique dos Aimorés se avançava para ele sopesando a sua imensa clava crivada de escamas de peixe e dentes de fera; alavanca terrível que o seu braço possante fazia jogar com a ligeireza da flecha. Os olhos de Peri brilharam; endireitando o seu talhe, fitou no selvagem esse olhar seguro e certeiro, que não o enganara nunca. O velho aproximando-se levantou a sua clava e imprimindo-lhe o movimento de rotação, ia descarregá-la sobre Peri e abatê-lo; não havia espada nem montante que pudesse resistir àquele choque. O que passou-se então foi tão rápido, que não é possível descrevê-lo; quando o braço do velho volvendo a clava ia atirá-la, o montante de Peri lampejou no ar e decepou o punho do selvagem; mão e clava foram rojar pelo chão. O velho selvagem soltou um bramido, que repercutiu ao longe pelos ecos da floresta, e levantando ao céu o seu punho decepado atirou as gotas de sangue que vertiam, sobre os Aimorés, como conjurando-os à vingança. Os guerreiros lançaram-se para vingar o seu chefe; mas um novo espetáculo se apresentava aos seus olhos. Peri, vencedor do cacique, volveu um olhar em torno dele, e vendo o estrago que tinha feito, os cadáveres dos Aimorés amontoados uns sobre os outros, fincou a ponta do montante no chão e quebrou a lâmina. Tomou depois os dois fragmentos e atirou-os ao rio. Então passou-se nele uma luta silenciosa, mas terrível para quem pudesse compreendê-la. Tinha quebrado a sua espada, porque não queria mais combater; e decidira que era tempo de suplicar a vida ao inimigo. Mas quando chegou o momento de realizar essa súplica, conheceu que exigia de si mesmo uma coisa sobre-humana, uma coisa superior às suas forças. (…) Finalmente a lembrança de Cecília foi mais forte do que a sua vontade. Ajoelhou.” “Os selvagens abaixaram as armas e não deram um passo; esse povo bárbaro tinha seus costumes e suas leis; e uma delas era esse direito exclusivo do vencedor sobre o seu prisioneiro de guerra, essa conquista do fraco pelo forte. Tinham em tanto conta a glória de trazerem um cativo do combate e sacrificá-lo no meio das festas e cerimônias que costumavam celebrar, que nenhum selvagem matava o inimigo que se rendia; fazia-o prisioneiro. Quanto a Peri, vendo o gesto do cacique e o efeito que produzia, a sua fisionomia expandiu-se; a humildade fingida, a posição suplicante que por um esforço supremo conseguira tomar, desapareceu imediatamente.”

Havia nos olhos da menina tanto fogo, tanta lubricidade no seu sorriso; as ondulações mórbidas do seu corpo traíam tantos desejos e tanta voluptuosidade, que o prisioneiro compreendeu imediatamente qual era a missão dessa enviada da morte, dessa esposa do túmulo, destinada a embelezar os últimos momentos da vida! O índio voltou o rosto com desdém; recusava as flores como tinha recusado os frutos; repelia a embriaguez do prazer como havia repelido a embriaguez do vinho. A menina enlaçou-o com os braços, murmurando palavras entrecortadas de uma língua desconhecida, da língua dos Aimorés, que Peri não entendia; era talvez uma súplica, ou um consolo com que procurava mitigar a dor do vencido.” “Contudo Peri sentia o hálito ardente da menina que lhe requeimava as faces: entreabriu os olhos, e viu-a na mesma posição, esperando uma carícia; um afago daquele a quem a sua tribo mandara que amasse, e a quem ela já amava espontaneamente. Na vida selvagem, tão próxima da natureza, onde a conveniência e os costumes não reprimem os movimentos do coração, o sentimento é uma flor que nasce como a flor do campo, e cresce em algumas horas com uma gota de orvalho e um raio de sol. Nos tempos de civilização, ao contrário, o sentimento torna-se planta exótica; que só vinga e floresce nas estufas, isto é, nos corações onde o sangue é vigoroso, e o fogo da paixão ardente e intenso. Vendo Peri no meio do combate, só contra toda a sua tribo, a índia o admirara: contemplando-o depois quando prisioneiro, o achara mais belo do que todos os guerreiros. Seu pai a destinara para esposa do inimigo que ia ser sacrificado; e portanto ela que começara por admirá-lo, acabava por desejá-lo, por amá-lo, algumas horas apenas depois que o tinha visto.”

Chegando em face do prisioneiro, a fisionomia do velho esclareceu-se com um sorriso feroz, reflexo dessa embriaguez do sangue, que dilata as narinas do jaguar prestes a saltar sobre a presa.

Sou teu matador! disse em guarani.

Peri não se admirou ouvindo a sua bela língua adulterada pelos sons roucos e guturais que saíam dos lábios do selvagem.”

Guerreiro goitacá, tu és forte e valente; tua nação é temida na guerra. A nação Aimoré é forte entre as mais fortes, valente entre as mais valentes. Tu vais morrer.”

Segundo as leis tradicionais do povo bárbaro, toda a tribo devia tomar parte no festim: as mulheres moças tocavam apenas na carne do prisioneiro; mas os guerreiros a saboreavam como um manjar delicado, adubado pelo prazer da vingança; e as velhas com a gula feroz das harpias que se cevam no sangue de suas vítimas.”

Ele os puniria a todos com a morte ou com o desprezo, essa outra morte moral; mas o castigo na sua opinião elevava a morte à altura de um exemplo; enquanto que a vingança a fazia descer ao nível do assassinato.” “Fincaram no meio do terreiro um alto poste e o cercaram com uma grande pilha de madeira e outros combustíveis; depois sobre essa pira ligaram o frade, que sofria todos os insultos e todas as injúrias sem proferir uma palavra. Uma espécie de atonia se apoderara do italiano desde o momento em que os aventureiros o haviam arrastado da sala de D. Antônio de Mariz; ele tinha a consciência do seu crime e a certeza de sua condenação. (…) O que o consolava na sua última hora era a idéia de que esse segredo que possuía, e do qual não pudera utilizar-se, ia morrer com ele, e ficaria perdido para todos; que ninguém gozaria do tesouro que lhe escapava. Por isso apenas o aventureiro tirou-lhe a cinta onde guardava o roteiro; soltou um rugido de cólera e de raiva impotente; seus olhos injetaram-se de sangue, e seus membros crispando-se feriram-se contra as cordas que os ligavam ao poste. Era horrível de ver nesse momento; se aspecto tinha a expressão brutal e feroz de um hidrófobo; seus lábios espumavam, silvando como a serpente; e seus dentes ameaçavam de longe os seus algozes como as presas do jaguar. (…) A raiva do italiano redobrou quando Martim Vaz atou a cinta ao corpo, e disse-lhe sorrindo:

Bem sabeis o provérbio: <O bocado não é para quem o faz>.”

Para quem conhecia, como D. Antônio, os costumes desses povos bárbaros, para quem sabia quanto era ativa, agitada, ruidosa esta existência nômada, o silêncio em que estava sepultada a margem do rio era um sinal certo de que os Aimorés já ali não estavam. Contudo o fidalgo, demasiadamente prudente para se fiar em aparências, recomendara aos seus homens que redobrassem de vigilância para evitar alguma surpresa.”

É que o prazer e o sofrimento não passam de um contraste; em luta perpétua e contínua, eles se acrisolam um no outro, e se deparam: não há homem verdadeiramente feliz senão aquele que já conheceu a desgraça.”

A esperança, esse anjo invisível, essa doce amiga dos que sofrem, tinha vindo pousar no seu coração, e murmurava-lhe ao ouvido palavras confusas, cantos misteriosos, que ela não compreendia, mas que a consolavam e vertiam em sua alma um bálsamo suave.”

enquanto a natureza sorria, o seu coração chorava. No meio dessa festa esplêndida do nascer do dia, a sua dor, só, isolada, não achava uma simpatia, e repelida pela criação voltava a recalcar-se em seu seio.”

Tudo estava deserto: não se viam mais no campo os vasos de barro, as peças de caça suspensas aos galhos da árvore, e as redes grosseiras”

Peri trazia nos seus ombros o corpo inanimado de Álvaro; e no rosto uma expressão de tristeza profunda.” “o amor, mesmo em face de um cadáver, tem o seu pudor e a sua castidade” “Julgou que se iludia, mas não; Álvaro estava vivo, realmente vivo, suas mãos apertavam as dela convulsamente; seus olhos, brilhando com um fogo estranho, se tinham fitado no rosto da moça; um sopro reanimou seus lábios, que exalaram uma palavra quase imperceptível:

Isabel!…

A moça soltou um grito débil de alegria, de espanto, de medo; entre as idéias confusas que se agitavam na sua cabeça desvairada, lembrou-se com horror que era ela quem matava seu amante, quem o ia sacrificar por causa de um engano fatal. Fazendo um esforço extraordinário, conseguiu erguer a cabeça e ia precipitar-se para a janela, abri-la e dar entrada ao ar livre; sabia que a sua morte era inevitável; mas salvaria Álvaro. No momento, porém, em que se levantava, sentiu as mãos do moço que a apertavam as suas, e a obrigavam a reclinar-se sobre o leito; seus olhos encontraram de novo os olhos de seu amante. Isabel não tinha mais forças para resistir e realizar o seu heróico sacrifício; deixou cair a cabeça desfalecida, e seus lábios se uniram outra vez num longo beijo, em que essas duas almas irmãs, confundindo-se numa só, voaram ao céu, e foram abrigar-se no seio do Criador.”

Os Aimorés tinham voltado, depois do combate em que os aventureiros venderam caro a sua vida; e cada vez mais sequiosos de vingança, esperavam que anoitecesse para assaltar a casa.”

“– Se tu fosses cristão, Peri!…

O índio voltou-se extremamente admirado daquelas palavras.

Por quê?… perguntou ele.

Por quê?… disse lentamente o fidalgo. Porque se tu fosses cristão, eu te confiaria a salvação de minha Cecília, e estou convencido de que a levarias ao Rio de Janeiro, à minha irmã.

O rosto do selvagem iluminou-se; seu peito arquejou de felicidade; seus lábios trêmulos mal podiam articular o turbilhão de palavras que lhe vinham do íntimo da alma.

Peri quer ser cristão! exclamou ele.

D. Antônio lançou-lhe um olhar úmido de reconhecimento.

A nossa religião permite, disse o fidalgo, que na hora extrema todo o homem possa dar o batismo. Nós estamos com o pé sobre o túmulo. Ajoelha, Peri!”

A canoa, vogando sobre as águas do rio, abria essas flores de espuma, que brilham um momento à luz das estrelas, e se desfazem como o sorriso da mulher.”

Por que interrogava ela assim os dias que tinha vivido no remanso da felicidade? Por que o seu espírito voltava ao passado, e procurava ligar todos esses fatos a que na descuidosa ingenuidade dos primeiros anos dera tão pouco apreço? Ela mesma não saberia explicar as emoções que sentia; sua alma inocente e ignorante tinha-se iluminado com uma súbita revelação; novos horizontes se abriam aos sonhos castos do seu pensamento. Volvendo ao passado admirava-se de sua existência, como os olhos se deslumbram com a claridade depois de um sono profundo; não se reconhecia na imagem do que fôra outrora, na menina isenta e travessa.” “É ao mesmo tempo o nada com o seu vácuo profundo, imenso, infinito; e o caos com a sua confusão, as suas trevas, as suas formas incriadas; a alma sente que falta-lhe a vida ou a luz em torno.” “a menina admirou-se da beleza inculta dos traços, da correção das linhas do perfil altivo, da expressão de força e inteligência que animava aquele busto selvagem moldado pela natureza. Como é que até então ela não tinha percebido naquele aspecto senão um rosto amigo? Como seus olhos tinham passado sem ver sobre essas feições talhadas com tanta alegria? (…) dantes via com os olhos do corpo, agora via com os olhos da alma.”

Peri não sofreria que uma vespa e uma mosca sequer ofendesse a cútis de sua senhora, e sugasse uma gota desse sangue precioso” “Apesar de sua fé cristã, não pôde vencer essa inocente superstição do coração: pareceu-lhe, olhando o íris, que já não estava só e que a alma de Peri a acompanhava. Qual é o seio de dezesseis anos que não abriga uma dessas ilusões encantadoras, nascidas com o fogo dos primeiros raios do amor? Qual é a menina que não consulta o oráculo de um malmequer, e não vê numa borboleta negra a sibila fatídica que lhe anuncia a perda da mais bela esperança? Como a humanidade na infância, o coração nos primeiros anos tem também a sua mitologia; mitologia mais graciosa e mais poética do que as criações da Grécia; o amor é o seu Olimpo povoado de deusas ou deuses de uma beleza celeste e imortal. Cecília amava; a gentil e inocente menina procurava iludir-se a si mesma, atribuindo o sentimento que enchia sua alma a uma afeição fraternal, e ocultando, sob o doce nome de irmão, um outro mais doce que titilava nos seus lábios, mas que seus lábios não ousavam pronunciar.”

Pensava no passado que não voltaria; no presente que devia escoar-se rapidamente; e no futuro que lhe aparecia vago, incerto e confuso.”

A MURCHA MARCHA

a flor que Peri te deu já murchou porque saiu de sua planta; e a flor estava no teu seio. Peri na taba dos brancos, ainda mesmo junto de ti, será como esta flor”

Quero que apanhes muito algodão para mim e me tragas uma pele bonita. Sim? Assim, disse a menina sorrindo, tu me deixarás acompanhar-te, os espinhos não me farão mal.” “Peri não pode viver junto de sua irmã na cidade dos brancos; sua irmã fica com ele no deserto, no meio das florestas.”

Peri havia lutado com o tigre, com os homens, com uma tribo de selvagens, com o veneno; e tinha vencido.” “De repente um rumor surdo e abafado, como de um tremor subterrâneo, propagando-se por aquela solidão, quebrou o silêncio profundo do ermo.” “Logo todo o leito do rio cobriu-se com esse delgado sendal que se desdobrava com uma velocidade espantosa, rumorejando como um manto de seda. Então no fundo da floresta troou um estampido horrível, que veio reboando pelo espaço; dir-se-ia o trovão correndo nas quebradas da serrania. Era tarde. Não havia tempo para fugir; a água tinha soltado o seu primeiro bramido, e, erguendo o colo, precipitava-se furiosa, invencível, devorando o espaço como algum monstro do deserto.” “Dir-se-ia que algum monstro enorme, dessas jibóias tremendas que vivem nas profundezas da água, mordendo a raiz de uma rocha, fazia girar a cauda imensa, apertando nas suas mil voltas a mata que se estendia pelas margens.” “As árvores estalavam, arrancadas do seio da terra ou partidas pelo tronco, prostravam-se vencidas sobre o gigante, que, carregando-as ao ombro, precipitava para o oceano.” “Em face desses transes solenes, desses grandes cataclismas da natureza, a alma humana sente-se tão pequena, aniquila-se tanto, que se esquece da existência; o receio é substituído pelo pavor, pelo respeito, pela emoção que emudece e paralisa.” “Tudo era água e céu. A inundação tinha coberto as margens do rio até onde a vista podia alcançar; as grandes massas de água, que o temporal durante uma noite inteira vertera sobre as cabeceiras dos confluentes do Paraíba, desceram das serranias, e, de torrente em torrente, haviam formado essa tromba gigantesca que se abatera sobre a várzea.” “Cecília esperava o seu último momento com a sublime resignação evangélica, que só dá a religião do Cristo; morria feliz; Peri tinha confundido as suas almas na derradeira prece que expirara dos seus lábios. Podemos morrer, meu amigo! disse ela com uma expressão sublime. Peri estremeceu; ainda nessa hora suprema seu espírito revoltava-se contra aquela idéia, e não podia conceber que a vida de sua senhora tivesse de perecer como a de um simples mortal.”

“– Que importa! Peri vencerá a água, como venceu a todos os teus inimigos.

Se fosse um inimigo, tu o vencerias, Peri. Mas é Deus… É o seu poder infinito!”

Foi longe, bem longe dos tempos de agora. As águas caíram, e começaram a cobrir toda a terra. Os homens subiram ao alto dos montes; um só ficou na várzea com sua esposa. Era Tamandaré; forte entre os fortes; sabia mais que todos. O Senhor falava-lhe de noite; e de dia ele ensinava aos filhos da tribo o que aprendia do céu. Quando todos subiram aos montes ele disse: <Ficai comigo; fazei como eu, e deixai que venha a água.> Os outros não o escutaram; e foram para o alto; e deixaram ele só na várzea com sua companheira, que não o abandonou. (…) A água veio, subiu e cresceu; o sol mergulhou e surgiu uma, duas e três vezes. A terra desapareceu; a árvore desapareceu; a montanha desapareceu. A água tocou o céu; e o Senhor mandou então que parasse. O sol olhando só viu céu e água, e entre a água e o céu, a palmeira que boiava levando Tamandaré e sua companheira. (…) Desceu com a sua companheira, e povoou a terra.”

Testament of Solomon, son of David, who was king in Jerusalem, and mastered and controlled all spirits of the air, on the earth, and under the earth. By means of them also he wrought all the transcendent works of the Temple. Telling also of the authorities they wield against men, and by what angels these demons are brought to naught.

Italics: commentator

 

“Whenever men come to be enamoured of women, I metamorphose myself into a comely female; and I take hold of the men in their sleep, and play with them. And after a while I again take to my wings, and hide me to the heavenly regions. I also appear as a lion, and I am commanded by all the demons. I am offspring of the archangel Uriel, the power of God.”

 

“The sea monsters are named Behemoth (the male) and Leviathan (the female) in 4 Ezra 6:48-52, 1 En 60:7.”

 

Beelzeboul cried aloud with a mighty voice, and shot out a great burning flame of fire; and he arose, and followed Ornias [a súcubo-leoa], and came to Solomon.”

 

“I then asked of the demon if there were females among them. And when he told me that there were, I said that I desired to see them. So Beelzeboul went off at high speed, and brought unto me Onoskelis, that had a very pretty shape, and the skin of a fair-hued woman; and she tossed her head” “fair complexion, but her legs were those of a mule.” “Oftentimes, however, do I consort with men in the semblance of a woman, and above all with those honey-colored”

 

Asmodeus also appears in Tobit 3:8, and is ultimately derived from the Avestan demon Aeshma-daeva (<demon of wrath>).” Meu ancestral remoto. “Wherefore also my star is bright in heaven, and men call it, some the Wain, and some the dragon’s child. I keep near unto this star. So ask me not many things; for thy kingdom also after a little time is to be disrupted, and thy glory is but for a season. And short will be thy tyranny over us; and then we shall again have free range over mankind, so as that they shall revere us as if we were gods, not knowing, men that they are, the names of the angels set over us.” “Destarte, minha estrela é também brilhante no céu, e os homens a chamam, alguns a Ursa Maior, e outros o bebê-dragão. Eu me conservo sob esta estrela. Então não me perguntes muitas coisas; já que teu reinado também não vai durar muito, e tua glória é apenas passageira. Curta será sua tirania sobre todos nós; depois, havemos todos de ter livre trânsito entre os mortais, a ponto de sermos reverenciados pelos homens como se fôssemos deuses, não sabendo, carne corruptível como eles são, os nomes que recebemos como anjos do Senhor outrora.”

 

“<my business is to plot against the newly wedded, so that they may not know one another. (…) I transport men into fits of madness and desire, when they have wives of their own, so that they leave them, and go off by night and day to others that belong to other men; with the result that they commit sin, and fall into murderous deeds.> And I adjured him by the name of the Lord Sabaôth, saying: <Fear God, Asmodeus, and tell me by what angel thou art frustrated.> But he said: <By Raphael, the archangel that stands before the throne of God.>” “<meu negócio é tramar contra os recém-casados, para que não mais se reconheçam. Eu transporto os homens ao transe e ao desejo, quando têm esposas, então eles as deixam, e andam por aí noite e dia atrás de outras que pertencem a outros maridos; com isso, eles cometem pecado, e sujam suas mãos a cada ação.> Então eu o abjurei em nome do Senhor Sabaôth, dizendo: <Tema a Deus, Asmodeus, e me diga por qual anjo você é combatido.>  Mas ele disse: <Por Rafael, o arcanjo que fica diante do trono de Deus.>” “Eu reverencio o peixe-gato”

 

“Eu fui, antes, anjo, no paraíso de outrora, e intitularam-me Beelzeboul. E agora eu controlo todos os que foram confinados no Tártaro. Mas até mesmo eu tenho um filho, e ele caça no Mar Vermelho. E em qualquer ocasião propícia ele volta a mim e se submete; e revela o que ele fez, e eu o sustenho.”

 

Se não há mais Reis, é óbvio que não há mais deus. A coroa está vaga. Nenhum sucessor possui os predicados. Seremos a lenda. Ainda não.

 

“<Tell me by what angel thou art frustrated.> And he answered: <By the holy and precious name of the Almighty God, called by the Hebrews by a row of numbers, of which the sum is 644, and among the Greeks it is Emmanuel>”

 

Conspiração para esconder o fóssil do grande dragão.

 

Salomão, Jesus e até Plínio atribuíam à saliva caracteres curativos especiais.

 

Na pontinha do chifre da Lua.

 

“And there came seven spirits, females, bound and woven together, fair in appearance and comely. And I Solomon, seeing them, questioned them and said: <Who are ye?> But they, with one accord, said with one voice: <We are of the 33 elements of the cosmic ruler of the darkness.> And the first said: <I am Deception.> The second said: <I am Strife.> The third: <I am Klothod, which is battle.> The fourth: <I am Jealousy.> The fifth: <I am Power.> The sixth: <I am Error.> The seventh: <I am the worst of all, and our stars are in heaven. Seven stars humble in sheen [fracas em brilho], and all together. And we are called as it were goddesses. We change our place all and together, and together we live, sometimes in Lydia, sometimes in Olympus, sometimes in a great mountain.>

 

“As Plêiades parecem ser evocadas em Jó 38:31, na versão revisada: <Pode você amarrar o bando das Plêiades, Ou afrouxar as cordas de Órion?> Elas tinham uma influência maligna. A reunião de espíritos malignos no número de 7 é comum nos folclores judeu e babilônico. Como exemplos, posso citar o Testamento de Rubens, II, e os sete espíritos maus do Novo Testamento. Possivelmente é uma referência aos Sete Planetas (<estrelas que se movem juntas>).”

 

O Sétimo Satélite do Sétimo Planeta

 

Eu estimulo intrigas

Eu excito hereges e heresias

Unissexuais.

 

Vou te matar a pedradas e pauladas

Vou te escurraçar, vou te esfolar

Até da sua alma cristã nada sobrar.

 

Vou cegá-lo com a luz do

Seu Orgulho

Tornar o delicado belicoso!

 

Cansei de me entregar

Deve ser efeito colateral

Desse marasmo em espiral.

 

Sobriedade e moderação

Comigo não têm vez

Na minha mesa só comem pândegos

No meu salão só bebem fel.

 

O que uma queda de braços

Costuma unir

Meu muro vai separar.

 

Irmão contra irmã

Tia contra sobrinho

Neto contra avó.

 

Eu incito a humanidade

a desfazer todos os laços

Contanto que a Ira

 

Lhe determine os passos.

 

Rebelião! Rebelião!

Contra os bons princípios

Julgo que torno mau o homem pio.

 

Erros crassos pararei de cometer

Hipnotizar o outro para o crime perfazer

É perfídia que cai com os burros na

 

Anágua do Prazer

 

which witch is gonna twitch my little fingers?

 

O Cavaleiro Sem-Cabeça: “I am called Envy. For I delight to devour heads, being desirous to secure for myself a head; but I do not eat enough, but am anxious to have such a head as thou hast.”

 

but I burrrrrrrrrn the sacrificial butter the starter for your butt

 

Gangrena é meu nome, Meu pescoço é minha boca.

 

“I, O King Solomon, am wholly voice, for I have inherited the voices of many men. For in the case of all men who are called dumb, I it is who smashed their heads, when they were children and had reached their eighth day.”

 

Você é tão reservado que vive na sua própria bolha do pé

 

a luz faiscante do trovão

 

before thou wast was I

what a waste!

 

“The dwelling-places are the persons of whom the spirit, good or evil, takes possession.”

 

A lenda diz que a cruz de Cristo está sobre a ossada de Adão.

 

“I blind children in women’s wombs, and twirl their ears round. And I make them deaf and mute. And I have again in my third head means of slipping in. And I smite men in the limbless part of the body, and cause them to fall down, and foam, and grind their teeth.”

 

Crista do grande dragão

ora se não vejo um perfeito cristão!

 

“The Sophia, identified by Philo and the early Fathers with the Logos, is supposed to have entered into and taken possession of Solomon as it afterwards did with Jesus.”

 

 

“[Medusa Head:] By the angel of God called Afarôt, which is interpreted Raphael, by whom I am frustrated now and for all time. His name, if any man know it, and write the same on a woman in childbirth, then I shall not be able to enter her. Of this name the number is 640.”

 

Um pouco de numerologia:

r = 100

a = 1

f = 500

e = 8

l = 30

 

I simply can’t be possessed!

 

O dragão alado à íncubo que come as mulheres bonitas pelo cu.

 

“And the second [demon] said: <I am called Barsafael, and I cause those who are subject to my hour to feel the pain of migraine. If only I hear the words, ‘Gabriel, imprison Barsafael,’ at once I retreat.>”

 

“The sixth said: <I am called Sphendonaêl. I cause tumours of the parotid gland, and inflammations of the tonsils, and tetanic recurvation. If I hear, ‘Sabrael, imprison Sphendonaêl,’ at once I retreat.>. And the Seventh said: <I am called Sphandôr, and I weaken the strength of the shoulders, and cause them to tremble; and I paralyze the nerves of the hands, and I break and bruise the bones of the neck. And I, I suck out the marrow. But if I hear the words, ‘Araêl, imprison Sphandôr,’ I at once retreat.>”

 

Um verdadeiro tratado metamedicinal!

 

“Solomon is fairer than eleven fathers”

 

“The seventeenth said: <I am called Ieropaêl. On the stomach of men I sit, and cause convulsions in the bath and in the road; and wherever I be found, or find a man, I throw him down. But if any one will say to the afflicted into their ear these names, three times over, into the right ear: ‘Iudarizê, Sabunê, Denôê,’ I at once retreat.>”

 

“The twentieth said: <I am called Marderô. I send on men incurable fever. If any one write on the leaf of a book: ‘Sphênêr, Rafael, retire, drag me not about, flay me not,’ and tie it round his neck, I at once retreat.>”

 

“The twenty-eighth said: <I am called Harpax, and I send sleeplessness on men. If one write ‘Kokphnêdismos,’ and bind it round the temples, I at once retire.>”

 

“The thirty-third said: <I am called Agchoniôn. I lie among swaddling-clothes and in the precipice. And if any one write on fig-leaves ‘Lycurgos,’ taking away one letter at a time, and write it, reversing the letters, I retire at once. ‘Lycurgos, ycurgos, kurgos, yrgos, gos, os’>.”

 

“And among them also the queen of the South, being a witch, came in great concern and bowed low before me to the earth. And having heard my wisdom, she glorified the God of Israel, and she made formal trial of all my wisdom, of all love in which I instructed her, according to the wisdom imparted to me.”

 

“We demons ascend into the firmament of heaven, and fly about among the stars. And we hear the sentences which go forth upon the souls of men, and forthwith we come, and whether by force of influence, or by fire, or by sword, or by some accident, we veil our act of destruction; and if a man does not die by some untimely disaster or by violence, then we demons transform ourselves in such a way as to appear to men and be worshipped in our human nature.”

 

SUBDUE TO THE BELL: FIGHT MEN WITH FIRE – DEMÔNIOS SÃO ESTRELAS CADENTES FAISCANTES ELETRIZANTES

 

“Tell me how ye can ascend into heaven, being demons, and amidst the stars and holy angels intermingle.” “we lose strength and fall off like leaves from trees. And men seeing us imagine that the stars are falling from heaven.” “and so we fall down like lightnings in the depth of night and suddenly. And we set cities in flames and fire the fields.” Cf. Lc. 10:18.

 

* * *

 

THE LEGEND OF ZEALOUS: THE WISDOM OF THE PRINCE

or…

GOOD VS. EVIL – Expanded Edition: 7th Strike: Solomon’s Rise & Fall

Link esqueceu Zelda e se curvou a Salomão, o Sábio Amado por Bruxas, Justiceiro do Mundo (Hyrulistan):

 

“forasmuch as the spirit is a wind, contrive something according to the wisdom given in thee by the Lord thy God, and deign to send a man able to capture it. And behold, King Solomon, I and my people and all my land will serve thee unto death. And all Arabia shall be at peace with thee, if thou wilt perform this act of righteousness for us.” The Zora’s Wasteland

 

“And there was a stone, the end stone of the corner lying there, great, chosen out, one which I desired lay in the head of the corner of the completion of the Temple. And all the workmen, and all the demons helping them came to the same place to bring up the stone and lay it on the pinnacle of the holy Temple, and were not strong enough to stir it, and lay it upon the corner allotted to it.”

 

“§119. And after 7 days, being reminded of the epistle of Adares, King of Arabia, I called my servant and said to him: <Order thy camel [Epona] and take for thyself a leather flask [empty bottle], and take also this seal [carta de amigo da família real]. And go away into Arabia to the place in which the evil spirit blows [wind or shadow or spirit temple]; and there take the flask, and the signet-ring [a ocarina] in front of the mouth of the flask, and (hold them) towards the blast of the spirit [dungeon boss’ attacks]. And when the flask is blown out, thou wilt understand that the demon is (in it). Then hastily tie up the mouth of to flask, and seal it securely with the seal-ring, and lay it carefully on the camel and bring it me hither. [emerald or stone] And if on the way it offer thee gold or silver or treasure [rupees] in return for letting it go, see that thou be not persuaded. But arrange without using oath to release it. And then if it point out to the places where are gold or silver, mark the places [map & compass / checkpoints] and seal them with this seal. And bring the demon to me. And now depart, and fare thee well.”

 

MAURÍCIO GONTIJO TEM TODA A RAZÃO (“O GÊNIO DA LÂMPADA?”)!: “Then the youth did as was bidden him [<Hey! Listen!>]. And he ordered his camel [Epona’s Song – drink milk!], and laid on it a flask, and set off into Arabia. And the men of that region would not believe that he would be able to catch the evil spirit [NPCs estúpidos]. And when it was dawn, the servant stood before the spirit’s blast, and laid the flask on the ground, and the finger-ring on the mouth of the flask. And the demon blew through the middle of the finger-ring into the mouth of the flask, and going in blew out the flask. But the man promptly stood up to it and drew tight with his hand the mouth of the flask, in the name of the Lord God of Sabaôth [or the Three Goddesses]. And the demon remained within the flask. And after that the youth remained in that land three days to make trial [Sun’s Song]. And the spirit no longer blew against that city. And all the Arabs knew that he had safely shut in the spirit [Kakariko’s Village].”

 

Game Shark Attack, Bitch!

 

“I marvelled that even along with the bottle the demon still had power and could walk about; and I commanded it to stand up. And the flask stood up, and stood on its feet all blown out [Boring Brat Ruto!]. And I questioned him, saying: <Tell me, who art thou?> And the spirit within said: <I am the demon called Ephippas [Ganon], that is in Arabia [Gerudo’s].>”

 

Força! Coragem! Salomônica! The chosen Hylian disguised in a Kokiri brat body.

 

Sheik’s Affair

 

Always the SON: “He doth frustrate me, and enfeeble me of my great strength, which has been given me by my father the devil.”

 

“Canst thou raise this stone, and lay it for the beginning of this corner which exists in the fair plan of the Temple?” [Master Sword] And he said: “Not only raise this, O king; but also, with the help of the demon who presides over the Red Sea [Volvagia], I will bring up the pillar of air, and will stand it where thou wilt in Jerusalem [Golden Gauntlets].”

 

“I, O King Solomon, am called Abezithibod. I was present when Moses went in before Pharaoh, king of Egypt, and I hardened his heart.”

 

Demônio, Emanação de Deus

Peido, Minha Emanação.

 

“I, O King Solomon, am called Abezithibod. I am a descendant of the archangel. Once as I sat in the first heaven, of which the name is Ameleouth — I then am a fierce spirit and winged, and with a single wing, plotting against every spirit under heaven. I was present when Moses went in before Pharaoh, king of Egypt, and I hardened his heart.”

 

“<How wast thou found in the Red Sea?> <In the Exodus I caused the Pharaoh to pursue after the children of Israel. And I followed with him and all the Egyptians. And we all came up upon the Red Sea. And it came to pass when the children of Israel had crossed over, the water returned and hid all the host of the Egyptians and all their might. And I remained in the sea, being kept under this pillar. But when Ephippas [The Son of Satan] came, being sent by thee, shut up in the vessel of a flask, he fetched me up to thee.” Objetivo final do jogo: Maniqueu, o Equilíbrio do Bem do Mal.

 

“This legend of the heavy cornerstone and of the spirits supporting a column in the Temple reappears in the Georgian Acts of Nouna in the fourth century. There it is a huge wooden column that is lifted by spirit-agency, when the king and workmen had failed to move it into place. The spirits support it in the air before letting it sink into its place. These Acts will shortly appear in an English translation by Miss Wardrop in the forthcoming number of the Studie Biblica, Clarendon Press, 1898.”

 

“And I was glad in spirit in my kingdom, and there was peace in my days. And I took wives of my own from every land, who were numberless. And I marched against the Jebusaeans, and there I saw Jebusaean, daughter of a man: and fell violently in love with her, and desired to take her to wife along with my other wives.”

 

EPÍLOGO: O HOMEM VENCIDO PELO POLITEÍSMO, ESCRAVO DO SOL E DA VAIDADE

 

“And when I answered that I would on no account worship strange gods, they told the maiden not to sleep with me until I complied and sacrificed to the gods. I then was moved, but crafty Eros [o ardiloso cupido] brought and laid by her for me five grasshoppers, saying: <Take these grasshoppers, and crush them together in the name of the god Moloch; and then will I sleep with you.> And this I actually did. And at once the Spirit of God departed from me, and I became weak as well as foolish in my words. And after that I was obliged by her to build a temple of idols to Baal, and to Raphan, and to Moloch, and to the other idols.”

 

* * *

 

Bonus tracks (always the same lead)

 

Romanos 11:6-7: “se é pela graça, já não o é mais pelas obras; caso fosse, a graça deixaria de ser graça. A que conclusão chegar? Israel não conseguiu a bênção pela qual tanto buscava, mas os eleitos a receberam. Os demais foram endurecidos”

 

Rom. 11:10: A soberba dos que se humilham:

 

“Os gentios: ramos enxertados” É o seu DeVer ser humilde

 

Romário 11:1000, o Segundo

 

Comentário pagão: ninguém sabe quem são os gentios de sua época. Ninguém tem espelho em casa, nem telhado de barro, nem a janela aberta o suficiente para deixar de filtrar o sol do meio-dia e a luz sufocante da tardinha cheia de moscas que zumbem.

 

Ecos de Schopenhauer: Rom. 11:17-19: “E se alguns dos ramos foram podados, e, tu, sendo oliveira brava, foste enxertado entre outros, e agora participas da mesma seiva que flui da oliveira cultivada, não te vanglories contra esses ramos. Porém, se o fizeres, recorda-te, pois, que não és tu que sustentas a raiz, mas, sim, a raiz a ti. Então, vós direis: <Os ramos foram cortados, para que eu fosse enxertado>.” Sentei na janela quando foi o último a subir, estava na parada final, mas assim Moira quis! Chantagem infinita do imanente, entretanto… Prisão nauseante Sartre-ana neo-meta-anti-ante-batista… Não se bata com o crente. Tu terás o paraíso, desde que

 

Rom. 11:26-27: E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: “Virá de Sião o redentor que desviará de Jacó a impiedade. E esta é a minha aliança com eles quando Eu remover os seus pecados.”

 

Paulo, o Maldito Silogista: “Pois, assim como vós antigamente fostes desobedientes a Deus, mas agora alcançastes misericórdia em virtude da desobediência deles, assim também estes, agora, tornaram-se desobedientes, para também alcançarem misericórdia em virtude da misericórdia a vós demonstrada. Porquanto Deus colocou todos debaixo da desobediência, a fim de usar de misericórdia para com todos.”

LA PETITE FADETTE

13/11/15 a 17/12/15

 

George Sand

 

DIC – chanvreur: canhameiro

grelot: guizo

agneau: cordeiro

 

“Dieu règne toujours; mais, à cette heure, il ne gouverne pas.”

 

“quand l’un aura un chapeau, que l’autre ait une casquette, et que surtout leurs blouses ne soient pas du même bleu.”

 

“j’ai pour eux un je ne sais quoi”

 

“il s’arrêta à écouter quelqu’un qui pleurait aussi pas loin de lui, et qui causait tout seul, comme c’est assez la coutume des femmes de campagne quand elles ont un grand chagrin.”

 

“Comme dans la campagne, on n’est jamais savant sans être quelque peu sorcier, beaucoup pensaient que la mère Fadet en savait encore plus long qu’elle ne voulait dire, et on lui attribuait de puvoir faire retrouver les choses perdues, mêmement les personnes”

 

“Le système métrique était devenu légal par le décret du 2 novembre 1801 et fut rendu obligatoire à partir du 1er janvier 1840.”

 

“Landry, qui était censé le cadet, étant né une heure après Sylvinet, paraissait à ceux qui les voyaient pour la première fois, l’aîné d’un an ou deux.”

 

“mais il marchait vite et chantait fort, comme on fait toujours quand le temps est noir, car on sait que le chant de l’homme dérange et écarte les mauvaises bêtes e les mauvaises gens.”

 

“on n’en doit avoir nulle crainte.”

 

“les orblutes qui sont petites boules noires, rouges ou bleues, lesquelles nous semblent être devant nos yeux, quand nous avons regardé avec trop d’assurance les orbes du soleil ou de la lune.”

 

“je t’ai toujours dit que tu aimais trop la danse, et que cela te ferait faire des choses sans raison.”

 

“je ne connais point la rancune, et si je me venge en paroles, c’est que je suis soulagée en disant tout de suite ce qui me vient au bout de la langue, et qu’ensuite je n’y pense plus et pardonne, ainsi que Dieu le commande.”

 

“s’il est doux d’avoir l’amour d’une belle, il est utile d’avoir l’amitié d’une laide; car les laides ont du désintéressement et rien ne leur donne dépit ni rancune.”

 

“Les femmes ont le coeur fait en cette mode, qu’un jeune gars commence à leur paraître un homme sitôt qu’elles le voient estimé et choyé par d’autres femmes.”

 

“sa honte s’était envolée sans qu’il sût comment; mais, avec la honte le plaisir qu’il avait eu à la voir, et aussi l’envie qu’il avait eue de s’en faire aimer.”

 

Mas deixe-me ir, porque meu coração não irá bater acelerado nem meus pulmões emitir suspiros sozinhos pela minha amada!

 

“Elle cherchait le trille à quatre feuilles, qui se trouve bien rarement et qui porte bonheur à ceux qui peuvent mettre la main dessus.”

 

“Nous n’avons point fait la paix; nous ne nous aimons pas assez, elle et moi, pour être en guerre.”

 

“C’est donc moi qui suis la risée du monde”

 

“c’est le dépit qui la fait parler, et le dépit c’est l’amour.”

 

“qui sait? il y en a eu de laides qui devenaient belle en prenant 17 ou 18 ans.”

 

feu de paille ton amour!

 

“et, quando même on irait étudier dans les écoles comme les artistes (*), cela ne sert de rien si on n’y est adroit de naissance.”

(*) Ici, hommes de l’art vétérinaire.

 

“le pays, qui n’est guère peuplé et qui est tout coupé de ravins et tout couvert d’arbres, est bien propice aux secrètes amours.”

 

“le bon Dieu n’abandonne que ceux qui s’abandonnent eux-mêmes, et celui qui a le courage de renfermer sa peine est plus fort contre elle que celui qui s’en plaint.”

 

“Il riait, il criait et il pleurait”

 

“Fanchon promit et ils se quitterent après s’être répété plux de 2 cents fois qu’ils s’aimaient et s’aimeraient toujours.”

 

“la faiblesse engendre la fausseté; et c’est pour cela que vous êtes égoïste et ingrat.”

 

“notre Fanchon est trop grande charmeuse, et tellement qu’elle avait charmé Sylvinet plus qu’elle ne l’aurait souhaité. Quand elle vit que le charme opérait si fort, elle eût voulu retenir ou l’amoindrir; mais elle ne le put, et notre Sylvain voyant qu’il pensait trop à la femme de son frère, est parti par grand honneur et grande vertu, en quoi la Fanchon l’a soutenu et apprové.”

 

COMMENTAIRES

 

“Moi, je sais, sans être sorcière, à quoi sont bonnes les moindres herbes que tu écrases sous tes pieds…”

 

comentários entrelaçados com os de Roland Barthes sobre o estilo (Maurice Toesca):

 

“Flaubert, lui aussi, aurait pu se fier à son don d’écriture personelle; sa correspondance le prouve; mais, vers l’âge de 40 ans, – à partir de 1861 –, il éprouva le besoin de grammaticaliser, si je peux dire, son langage: <Je m’occupe présentement à enlever les et trop fréquents et quelques fautes de français. Je couche avec la Grammaire des grammaires et le dictionnaire de l’Académie surcharge mon tapis vert>, écrivait-il aux frères Goncourt.” “G. S. échappa à ce purisme primaire qui a transformé beaucoup d’écrivains en fabricants de littérature artificielle, à commencer par Flaubert lui-même dont l’oeuvre eut plus à perdre qu’à gagner à cette reigueur sustématique. Ses maîtres, nous l’avons dit, restaient les grands découvreurs de notre langue, Rabelais et Montaigne.”

 

“J’espère que tu te portes bien, pauvre Parisien. Je voudrais pouvoir t’envoyer la compagne dans ton atelier…”

 

George Sand com efeito é um confuso nome masculino – Aurore gostava de se pseudonomear homem.

 

Concubina de Chopin! Por 9 anos…

 

“en 4 jours G. Sand écrit La Mare au Diable.”

THE HISTORY OF JOSEPH THE CARPENTER

Segundo casório: “Moreover, he begot for himself sons and daughters, four sons, namely, and two daughters. Now these are their names–Judas, Justus, James, and Simon. The names of the two daughters were Assia and Lydia. At length the wife of righteous Joseph, a woman intent on the divine glory in all her works, departed this life. But Joseph, that righteous man, my father after the flesh, and the spouse of my mother Mary, went away with his sons to his trade, practising the art of a carpenter.”

 

“Now when righteous Joseph became a widower, my mother Mary, blessed, holy, and pure, was already twelve years old.” “And after the holy virgin had spent two years in his house her age was exactly fourteen years, including the time at which he received her.”

 

Eu subverti Freud e escolhi minha própria mãe: “And I chose her of my own will, with the concurrence of my Father, and the counsel of the Holy Spirit. And I was made flesh of her, by a mystery which transcends the grasp of created reason.”

 

“But Satan went and told this to Herod the Great, the father of Archelaus. And it was this same Herod who ordered my friend and relative John to be beheaded.”

 

“Salomé also was their fellow-traveller.” Sempre um terceiro vértice do triângulo…

 

“he retired into Egypt, and remained there the space of one whole year, until the hatred of Herod passed away.” A raiva passou rápido…

 

“Now Herod died by the worst form of death, atoning for the shedding of the blood of the children whom he wickedly cut off, though there was no sin in them. And that impious tyrant Herod being dead, they returned into the land of Israel, and lived in a city of Galilée which is called Nazareth.”

 

“His life, then, in all, amounted to 111 years, his old age being prolonged to the utmost limit. [Dá pra imaginar.] Now Justus and Simeon, the elder sons of Joseph, were married, and had families of their own. Both the daughters were likewise married, and lived in their own houses. So there remained in Joseph’s house, Judas and James the Less, and my virgin mother. I moreover dwelt along with them, not otherwise than if I had been one of his sons. But I passed all my life without fault. Mary I called my mother, and Joseph father, and I obeyed them in all that they said; nor did I ever contend against them, but complied with their commands, as other men whom earth produces are wont to do; nor did I at any time arouse their anger, or give any word or answer in opposition to them. On the contrary, I cherished them with great love, like the pupil of my eye.”

 

Cagão com medo de morrer, o desistencialista: “great fear and intense sadness take hold of all bodies on the day of their death, whether it be man or woman, beast wild or tame, or whatever creeps on the ground or flies in the air.” “And do not uncover my sins, and expose me to condemnation before Thy terrible tribunal. Let not the lions rush in upon me; nor let the waves of the sea of fire overwhelm my soul–for this must every soul pass through” [???]

 

“He lived 40 years unmarried; thereafter his wife remained under his care 49 years, and then died. And a year after her death, my mother, the blessed Mary, was entrusted to him by the priests, that he should keep her until the time of her marriage. She spent 2 years in his house; and in the 3rd year of her stay with Joseph, in the 15th year of her age, she brought me forth on earth by a mystery which no creature can penetrate or understand, except myself, and my Father and the Holy Spirit”

 

“And the day on which his soul left his body was the 26th of the month Abib. For now the fine gold began to lose its splendour, and the silver to be worn down by use–I mean his understanding and his wisdom.”

 

“Woe to the day on which I was born into the world! Woe to the womb which bare me! Woe to the bowels which admitted me! Woe to the breasts which suckled me! Woe to the feet upon which I sat and rested! Woe to the hands which carried me and reared me until I grew up! For I was conceived in iniquity, and in sins did my mother desire me. Woe to my tongue and my lips, which have brought forth and spoken vanity, detraction, falsehood, ignorance, derision, idle tales, craft, and hypocrisy! Woe to mine eyes, which have looked upon scandalous things! Woe to mine ears, which have delighted in the words of slanderers! Woe to my hands, which have seized what did not of right belong to them! Woe to my belly and my bowels, which have lusted after food unlawful to be eaten! Woe to my throat, which like a fire has consumed all that it found! Woe to my feet, which have too often walked in ways displeasing to God! Woe to my body; and woe to my miserable soul, which has already turned aside from God its Maker! What shall I do when I arrive at that place where I must stand before the most righteous Judge, and when He shall call me to account for the works which I have heaped up in my youth? Woe to every man dying in his sins! Assuredly that same dreadful hour, which came upon my father Jacob, when his soul was flying forth from his body, is now, behold, near at hand for me. Oh! how wretched I am this day, and worthy of lamentation!” Morre logo, Jó-sé!

 

“I call to mind also, my Lord, that day when the boy died of the bite of the serpent. And his relations wished to deliver Thee to Herod, saying that Thou hadst killed him; but Thou didst raise him from the dead, and restore him to them.” Operando milagres, ora, que infantilidade!

 

“I put my hand upon his breast, and perceived his soul now near his throat, preparing to depart from its receptacle.”

 

“And turning my eyes towards the region of the south, I saw Death already approaching, and all Gehenna with him, closely attended by his army and his satellites; and their clothes, their faces, and their mouths poured forth flames. And when my father Joseph saw them coming straight to him, his eyes dissolved in tears, and at the same time he groaned after a strange manner. Accordingly, when I saw the vehemence of his sighs, I drove back Death and all the host of servants which accompanied him.” I’m Never Gonna Stop

 

O my mother, where is the skill which he showed in all the time that he lived in this world? Lo! it has perished, as if it had never existed. And when his children heard me speaking with my mother, the pure virgin, they knew that he had already breathed his last, and they shed tears, and lamented.”

 

“that same prayer which with my own hand I made before I was carried in the womb of the virgin Mary, my mother.”

 

“The smell or corruption of death shall not have dominion over thee, nor shall a worm ever come forth from thy body. Not a single limb of it shall be broken, nor shall any hair on thy head be changed. Nothing of thy body shall perish, O my father Joseph, but it will remain entire and uncorrupted even until the banquet of the thousand years.”

 

“if a son is born to him, he shall call his name Joseph. So there shall not take place in that house either poverty or any sudden death for ever.”

 

“O Death! who makest all knowledge to vanish away, and raisest so many tears and lamentations, surely it is God my Father Himself who hath granted thee this power. For men die for the transgression of Adam and his wife Eve, and Death spares not so much as one. Nevertheless, nothing happens to any one, or is brought upon him, without the command of my Father. There have certainly been men who have prolonged their life even to 900 years; but they died. Yea, though some of them have lived longer, they have, notwithstanding, succumbed to the same fate; nor has any one of them ever said: I have not tasted death.”

 

Texto auto-contraditório: “Never did a tooth in his mouth hurt him, nor was his eyesight rendered less sharp, nor his body bent, nor his strength impaired; but he worked at his trade of a carpenter to the very last day of his life”

 

“Now indeed we have heard the word of life: nevertheless we wonder, O our Saviour, at the fate of Enoch and Elias, inasmuch as they had not to undergo death.”

 

“if a man rejects the commandment of God, and follows the works of the devil by committing sin, his life is prolonged (…) But if any one has been zealous of good works, his life also is prolonged (…) But when you see a man whose mind is prone to anger, assuredly his days are shortened; for it is these that are taken away in the flower of their age.”

 

“And I say to you, O my brethren, that they also, Enoch and Elias, must towards the end of time return into the world and die–in the day, namely, of commotion, of terror, of perplexity, and affliction. For Antichrist will slay 4 bodies, and will pour out their blood like water” “And we said: O our Lord, our God and Saviour, who are those 4 whom Thou hast said Antichrist will cut off from the reproach they bring upon him? The Lord answered: They are Enoch, Elias, Schila, and Tabitha.”

THE GOSPEL OF THE NATIVITY OF MARY

“Cursed is every one who has not begot a male or a female in Israel”

 

“when He shuts up the womb of any one, He does so that He may miraculously open it again”

 

“was it not the case that the first mother of your nation–Sarah–was barren up to her eightieth year?”

 

“Who among the judges was either stronger than Samson, or more holy than Samuel? And yet the mothers of both were barren. If, therefore, the reasonableness of my words does not persuade thee, believe in fact that conceptions very late in life, and births in the case of women that have been barren [estéril], are usually attended with something wonderful.” “Therefore, when she [Mary] has grown up, just as she herself shall be miraculously born of a barren woman [Anna], so in an incomparable manner she, a virgin, shall bring forth the Son of the Most High, who shall be called Jesus, and who, according to the etymology of His name, shall be the Saviour of all nations.”

 

Ana, a Não-Virgem

 

“And so she reached her fourteenth year; and not only were the wicked unable to charge her with anything worthy of reproach, but all the good, who knew her life and conversation, judged her to be worthy of admiration. Then the high priest publicly announced that the virgins who were publicly settled in the temple, and had reached this time of life, should return home and get married, according to the custom of the nation and the ripeness of their years. The others readily obeyed this command; but Mary alone, the virgin of the Lord, answered that she could not do this, saying both that her parents had devoted her to the service of the Lord, and that, moreover, she herself had made to the Lord a vow of virginity, which she would never violate by any intercourse with man. And the high priest, being placed in great perplexity of mind, seeing that neither did he think that the vow should be broken contrary to the Scripture, which says, Vow and pay, nor did he dare to introduce a custom unknown to the nation, gave order that at the festival, which was at hand, all the chief persons from Jerusalem and the neighbourhood should be present, in order that from their advice he might know what was to be done in so doubtful a case.”

 

“according to the prophecy of Isaiah, a man should be sought out to whom the virgin ought to be entrusted and espoused. For it is clear that Isaiah says: A rod shall come forth from the root of Jesse, and a flower shall ascend from his root

 

“Now there was among the rest Joseph, of the house and family of David, a man of great age

 

“How can that come to pass? For while, according to my vow, I never know man, how can I bring forth without the addition of man’s seed?”

 

Jesus de Nazaré é na verdade Jesus de Belém

 

“already three months had elapsed, and it was the beginning of the fourth since she had been betrothed to him. In the meantime, it was evident from her shape that she was pregnant, nor could she conceal this from Joseph. For in consequence of his being betrothed to her, coming to her more freely and speaking to her more familiarly, he found out that she was with child. He began then to be in great doubt and perplexity, because he did not know what was best for him to do. For, being a just man, he was not willing to expose her; nor, being a pious man, to injure her fair fame by a suspicion of fornication. He came to the conclusion, therefore, privately to dissolve their contract, and to send her away secretly. And while he thought on these things, behold, an angel of the Lord appeared to him in his sleep, saying: Joseph, thou son of David, fear not”