O DIABO VESTE O QUE IVAN QUER

– …e, assim, a humanidade acabou com o século XIX.

– Como podes dizê-lo? E tudo de importante que nos define hoje – Freud, para começar?!

– …Freud, tu dizes?!!? Hahahaha!! Fica-te a saber: grandessíssimo pamonha este aí. E mais: não te digo que a humanidade parou num ano determinado. Nada se sabe a respeito disso. E, depois, não foi em 99 como naquele lixo do Matrix. E não tens como simplesmente saíres e fazeres a checagem! Não há nada lá fora, ó romântico Mulder! Só posso-te dizer que foi muito mais cedo no século. Não há mais homens. Nada que seja novo sob o sol, no sentido de que tudo não passa de idéia compósita dos últimos pensadores. Toma teu Dostoiévsky, por exemplo. Que sabe porventura André Breton? Niño bobo, palerma. Crês que haveria algo depois da revolução burguesa? Toda a história desde o remate da filosofia continental é mera inflexão dos escritores. Ergue-se um império dos trabalhadores no Oriente do mundo civilizado – é uma conclusão lógica a forma como derruiu, qualquer autor poderia narrar essa história. Junta então 20 deles trabalhando ou em colaboração ou individualmente e tens diante dos olhos todos os mais ínfimos detalhes, com a maior verossimilhança… Bombas de destruição em massa: haveria que esperar o quê do homem se se pusesse teoricamente a adivinhar sobre elementos químicos mais avançados da tabela periódica que os já conhecidos pelos químicos do XIX? Satélites e a conquista da lua, a esterilidade dos outros planetas… Tudo isso cheira a folhetim apressado de Júlio Verne! Porque já a terra é um deserto cansado… Videogames, realidade aumentada e a continuidade da importância dos clássicos… Tudo isso é da pena dos mais qualificados antes do fim do humano. Mas o pior é que a história é como um romance que nunca termina… E exasperar-se-ia a mente dos maiores gênios se se pusesse a imaginar – e depois?… – e depois?… O socialismo e o fascismo reciclados voltam a se enfrentar, ó!!! Mas não há nada inédito nisto, e como poderia?! É exercício imaginativo, nada disso foi vivido realmente. Vê tu! E ninguém lança as tais bombas nunca! Ecologia! Pré-história… Nunca houve, então como o homem ilustrado poderia contá-la em enredo pós-apocalíptico? Essas ficções são sempre bem ruins… Começa-se a pensar que teria sido melhor que a terra fosse plana, mas o problema dos desertos se repetiria, notaste?!… E o que é o oceano senão o espelho do espaço sideral, desse nada? Não, não, amigo, tira da tua cabeça essas manias…

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