RETROCEDER-11: EPÍLOGO: VIDA NOTURNA E OUTRAS CONSIDERAÇÕES

Escrito de 14 de março de 2009 a 8 de julho de 2009, ao som de Pantera, álbum Cowboys from Hell.

1) Sair ou não sair?

Para uma vida como a minha creio ser impossível se aproximar muito dos extremos. Admitamos uma saída a cada duas semanas como uma média razoável para não embotar. Um super-homem não se contentaria com uma resolução definitiva, nem é possível que se opte entre uma existência ascética e outra cigana, como acreditei por uma noite…

2) Com quem? Para que lugares? É possível sair só?

Novamente a questão dos extremos: não existe o divertimento e o momento inesquecível a que se visa sem que se trave ao menos um diálogo. A catarse não se cumpriria, seria como um passeio pelos arredores para fumar ou meditar. Porém minha natureza é veementemente contra “panelinhas”. É uma encruzilhada dificilmente transponível. Ao mesmo tempo, mesmo o mais digno eremita não poderia se blindar em uma cidade como Brasília: aparecerão conhecidos. Mas há problema em andar sozinho e se deparar com essa gente? Parece meu mundo ideal e no entanto aparenta a conduta de um desviado social. Não fôra um desviado social e eu seria um demente! Devo encontrar um equilíbrio entre essas situações. Posso beber estando isolado num ambiente não-metal? Receio que nunca fiz esse TESTE. Compro umas cervejas, assisto ao show. Parece monótono.

Pessoas me invadem e me arrependo de me abrir, mais tarde. No entanto, de que vale, também, a porta toda fechada? Nem as imbecilidades de 2007 nem a quietude soberba de 2008. Salvo excepcionalidades, não devo ir a esses “eventos dos jovens medíocres”.

Meu terreno é o METAL, devo fincar raízes nele e isso não significa ser de tal ou qual grupelho. Freqüentar esses concertos por si só me contenta e revitaliza, além do que sempre há conhecidos ou então haverá, já a curto prazo. Oferecer cigarros é meio caminho andado…

Blackout, Blues Pub: vale a pena virar uma noite pelo metal e por essa sensação de “refresco”? Só o devir dirá se não se tornará tão-somente um filosofar ainda menos grato – tudo que é freqüente se transmuta em aborrecido (embora a melodia de Cemetery Gates me invada de tal maneira que clamo por reviver essas lembranças sem pestanejar!).

Bem, talvez eu seja forte para evitar. E então o quê? Eu não dei chances para a única pessoa que atualmente me chama: Heliane. Não são programas-metal e se trata de uma panela – que nos brinda com muitas ressacas (terríveis, eu diria…). Não devo perder contato, é meu único porto e meu orgulho se ressente. (Só o futuro pode confirmar o apagar das luzes.)

E daí se não houvesse mais porto algum? Não é o que eu mais quero?

(Aqui se reacende meu conflito primordial: quando me afasto do rebanho – não há como ser gregário sendo tão sábio – me aproximo das não-pessoas – a tecnologia –, da qual vim tão temerosa e bravamente me afastando nas últimas férias. É impossível um duplo adeus, e creio que diante do meu atual humor me aproximar demais de um é cortar tempo reservado ao que sobra. Certamente esta é a ponderação mais árdua dos meus 20 aos 24 anos. Sair e beber implica, além do mais, a manutenção do problema da saúde. Meus intestinos precisam de Apolo; mas sem Dioniso até os Jardins do Éden se afeiçoam a um ferro-velho tóxico. Parece que eu nunca estou suficientemente numa rota. Nem suficientemente administrando as duas rotas! Este drama de personalidades é severo. Um dia ainda vai provocar minha calvície. Por que não encontro Anti-Édipos com quem acoplar? De dinheiro também não disponho. Estou condenado a ser um cata-vento no vórtice de vários vendavais. Sociedade do dor-prazer. Mais do que sociedade, posto do dor-prazer. Lar privilegiado. Sinuca de bico como nunca vi noutro lugar. Ócio ou trabalho? Trabalho que eu escolho e no qual consumo minhas forças em reserva ou simplesmente um desperdício incessante e ritmado? Cheiro de morte. Não obstante, inútil “ficar cheirando”: como se o-eu-cotidiano escolhesse alguma coisa!)

Para ser forte, devo sofrer. Sofrer desse tanto. Não obstante, me sinto um tolo com deficiência de aprendizado – qualquer coisa que se assemelhe ao rato de biblioteca me é degradante.

Não posso deixar de ir – tornou-se minha pele. Além disso, como ignorar os grandes eventos? Mudo de idéia sobre a Heliane muito depressa. Ela tem algo que indica paralisia, e não movimento, regressão nos meus instintos.

Bares são amáveis, mas não há bar sem quórum. Mas nada de se lamentar! (última rodada – na primeira rodada do Paulista…) Até as festinhas de centro acadêmico são caras a minha memória; será que esse movimento de cultuar o passado interrompido não cessa? Não lembro de me dar por satisfeito em algum presente. Mesmo no primeiro amor, eu fazia sempre planos ambiciosos… Dos males o menor: prefiro ser um sujeito prestes a fazer grande negócio do que uma alma deprimida. Plano “D.”, Plano “N”… de nada?

Poderia debater indefinidamente…

À beira de um colapso, de uma deterioração irrevogável do sistema nervoso.

Cadê meu ÓPIO?! O opiato sempre estará aqui?

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