“<Mas>, diz você, <meu pai serviu à sociedade ao acumular sua propriedade>. Que seja; ele já pagou a própria dívida, mas não a sua. Você deve mais, não menos, aos outros por isso, como se nascesse exatamente sem propriedade; você foi favorecido ao nascer. Não é justo que o que um homem legou à sociedade devesse isentar outro de cumprir a mesma obrigação; cada qual, sendo dono de si mesmo, pode pagar apenas por si mesmo, e nenhum pai pode transmitir a seu filho o direito de ser inútil a seus convivas; mas é isso o que ele faz, de acordo consigo, ao deixar-lhe suas riquezas, que são a prova e a recompensa do trabalho. (…) Fora da sociedade, um homem isolado, não devendo nada a quem quer que seja, tem o direito de viver como bem entende; mas, em sociedade, em que ele vive necessariamente às expensas de outros, ele lhes deve em trabalho o preço de seu sustento; não existem exceções. Trabalhar é, pois, uma obrigação indispensável ao homem social, vulgo homem. Rico ou pobre, poderoso ou fraco, todo ocioso não passa de um patife.”
