COMO FILOSOFAR COM (A FOICE E) O MARTELO: SUPERANDO ELON MUSKS E O BUDISMO EUROPEU

Lutero demarca o início da transformação do misticismo nazareno na autodisciplina intramundana do trabalho incessante ligado paradoxalmente à avareza e acumulação de capital, que vemos estudada em detalhe em Weber – da abnegação espiritual sincera à completa venalidade materialista do indivíduo contemporâneo. É exatamente essa faceta do protestantismo que torna esta religião tão exitosa em salvar drogados e ex-satanistas ou bandidos. A mais completa apologia do status quo. Nada mais anticristão. Até entendo por que pessoas como o Tadeu confundem o amor fati com esta definição filistéia! E agora parece que cheguei a uma compreensão aperfeiçoada do que Nietzsche queria indicar com ‘budismo europeu’ – a passagem à re-espiritualização é dura, pois implica primeiro numa aceitação-do-mundo-como-ele-é, para poder superá-lo (essencialmente é uma interiorização da luta de classes marxista e superação do capitalismo global, a forja de um mundo material em que o espiritual não está mais corrompido). O budismo europeu é quando a civilização hoje tornada mundial está cansada deste mundo e está tentada a dele desistir. O problema é que desistir deste presente passageiro (embora maior que o tempo de vida de um indivíduo) é o mesmo que atirar pela janela toda a existência. Em suma, aqui é que se situa mais explicitamente a oposição fundamental e irreconciliável entre Nietzsche e Schopenhauer. Onde verdadeiramente se continua (se deveria continuar) após a última linha do primeiro tomo de O mundo como vontade(…), não rumando ao misticismo novamente, mas indo-além-no-mundo, em oposição à vida seca e material daquela Europa do XIX. Figuras como Elon Musk, espécies de líderes ideológicos da atualidade ou representantes do Zeitgeist, ainda estão situadas no positivismo otimista do progresso ilimitado, avatar tão velho! Falta muito ainda. Ainda não é o tempo de espiritualizar-se, primeiro deve-se usar o martelo e a foice o suficiente… O budismo europeu se concretaria quando o mais próspero dos bilionários já não for capaz de sentir a menor centelha de prazer na vida! Predominância e universalização da ética de escravos. Todos na Terra já são, nesse momento por vir, encarnações de Jesus de Nazaré. Aí está a brecha para a ascensão de uma nova casta de senhores fortes, espiritualmente amante da vida e inimiga dos valores vigentes. É neste exato sentido que se deve ler o “O Cristianismo estava à beira do colapso, quando essa tragédia, o luteranismo, despontou e ressuscitou o cadáver!”, ou aforismo parecido, no Anti-Cristo. Dá até saudade da concupiscência imoral de um Bórgia – ao contrário, nos deparamos hoje com a de um Edir Macedo (urgh)! É porque de um neo-protestantismo (no fundo apenas, ainda, o bom e velho protestantismo) não nascerá outra doutrina CRISTÃ para salvar novamente o monoteísmo que este ciclo ou esta era terão um dia irremediável fim histórico…

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