CORRENTES DA HISTORIOGRAFIA HINDU

A “Escola de Cambridge”, liderada por Anil Seal, Gordon Johnson, Richard Gordon e David A. Washbrook, menospreza o fator ideológico. Esta corrente é criticada devido a seu viés ocidentalista e eurocêntrico.

A escola nacionalista focou no congresso, Gandhi, Nehru e outros políticos de alto escalão. Há grande ênfase no motim de 1857 enquanto guerra de libertação, e no “Saia da Índia” gandhiano de 1942 em diante, como dois grandes eventos históricos. Esta corrente recebe críticas por seu elitismo.

Os marxistas focaram em estudos de desenvolvimento econômico, posse das terras e conflitos de classe na Índia pré-colonial e na desindustrialização do período colonial. Os marxistas consideram o movimento de Gandhi, no fundo, como uma tática desviacionista da burguesia local para prejudicar as forças potencialmente revolucionárias e populares, objetivando controlar seus passos. Os marxistas são acusados de ser ideologicamente influenciados “em demasia”.

A “escola subalterna” foi fundada nos anos 80 por Ranajit Guha e Gyan Prakash. Remove o foco das elites e políticos em prol de uma “história desde a base”, abordando os camponeses e seu folclore, poesia, piadas, provérbios, canções, história oral e métodos inspirados pela antropologia. Sua época de abrangência é da era colonial pré-1947 e enfatiza tipicamente o sistema de castas, desprezando as classes, para a irritação da escola marxista.

Mais recentemente, nacionalistas hindus criaram uma versão da história para apoiar suas demandas por uma Hindutva (que poderíamos traduzir como “hinduinidade”, como “americanidade”, “brasilidade”, “europeidade”…) como esteio da sociedade indiana. Essa escola de pensamento ainda está em suas origens. Em março de 2012, Diana L. Eck, professora de Religião Comparada e Estudos Hindus em Harvard, publicou em seu livro India: A Sacred Geography [Índia: Uma Geografia Sagrada] que a idéia de Índia remonta a um período muito mais antigo que o da invasão britânica ou dos mughals. Sua tese é que a Índia atual nunca foi, antes da configuração como Estado-nação unificado, mero amontoado de regiões autônomas com escassas identificações culturais entre territórios vizinhos, muito menos pequenos países ou povos étnica ou racialmente segregados. A noção de um todo coerente, a Índia, preexiste às colonizações ao longo de vários séculos que teriam unificado os territórios do ponto de vista ocidental.

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