Dando continuidade ao post de 17 de abril último, “SINOPSES DE (ALGUNS) LIVROS INDISPENSÁVEIS PARA A FORMAÇÃO DO HISTORIADOR – Episódio I”,¹ com 11 sinopses de importantes obras de introdução ao estudo da História, e conforme combinado àquela altura, dedicaremos outro post somente a sinopses de obras ligadas à historiografia da esquerda marxiana num segundo episódio das SINOPSES DE CLÁSSICOS DA HISTORIOGRAFIA. Antes, porém, uma ligeira tradução do início do verbete Marxist Historiography (https://en.wikipedia.org/wiki/Marxist_historiography) do wikipedia, para situar o leitor e aprendiz.
“A historiografia marxista, ou historiografia materialista histórica, é uma escola muito influente da historiografia. Os pontos-chaves da historiografia marxista incluem a centralidade do conceito de classe social, as relações sociais de produção em sociedades divididas em classes em incessante conflito entre si e o estudo das limitações econômicas na determinação de resultados históricos (materialismo histórico). Os historiadores marxistas estudam o desenvolvimento da divisão de classes, especialmente nas sociedades moderno-capitalistas.
A historiografia marxista se expandiu de uma tal forma que deu lugar a ramificações regionais e políticas as mais díspares. É diferente falar de uma historiografia marxista ocidental e de uma historiografia marxista soviética, ou indiana, ou pan-africanista ou ainda de tradição afro-americana,¹ havendo sempre a adaptação a circunstâncias geográficas e políticas dos objetos de estudo.
¹ Chama a atenção o artigo wikia não citar sequer a China!
Com as lentes da historiografia marxista estabeleceram-se histórias do proletariado e uma metodologia para a história social ou popular.[1][2][3]
A historiografia marxista é criticada por seus adversários como sendo de veio determinista,[4][5][6] supostamente apontando uma direção futura e inevitável da História, incluindo, nessa premissa, o fim do Estado e uma sociedade sem-classes. A historiografia marxista nos círculos marxistas mais fiéis ao ideário original do autor é vista, honestamente, o que nega essa crítica acerba acima, mais como ferramenta de estudo histórico que como ideologia ou ambição política (o que o marxismo, sem o prefixo historiografia, sem dúvida é). É notável que há classes oprimidas pelos que até hoje criaram a História e até hoje não foram agentes de sua própria narrativa, entre outros fatores graças à ausência da consciência de classe, liberdade no sentido estrito. A História que precede a descoberta da luta de classes não deixa de ser uma história mecanicista ou “natural”, pseudo-história, destino ou fado, em que as reais questões ainda não foram colocadas e se encontravam inconscientes. De qualquer modo, para o marxista e, em geral, para o historiador marxista, a historiografia marxista conduzirá naturalmente a movimentos de liberação mundo afora.
Nem toda historiografia marxista é socialista ou comunista no senso acima apresentado. Métodos de historiografia marxista, como análise das classes, podem estar divorciados de interesses do espectro da esquerda. Historiadores podem usar sua metodologia ainda que discordem pessoalmente dos resultados ou do projeto político como um todo. Criou-se, devido a essa complexidade e ambigüidade, a nomenclatura “marxiano” para se diferenciar de “marxista”. A historiografia marxiana usa os métodos historiográficos inaugurados por Karl Marx e Friedrich Engels para analisar a sociedade, sem aderirem conscientemente a ideais revolucionários.[7]¹
¹ Acho essa tese da dicotomia –ista –iana bem fraca! Coisa de americano…
Enfim, essa tradução nos serve mais para nos pormos desconfiados e prevenidos quanto a “discursos neutros” nos círculos conservadores da História enquanto disciplina acadêmica do que como fonte informativa, e este foi meu intuito momentâneo! Não estaremos escavando material bem-vindo ou amigável aos senhores deste planeta no próximo post…
Referências
[1] BEN FINE; ALFREDO SAAD-FILHO; MARCO BOFFO (jan/2012). The Elgar Companion to Marxist Economics. Edward Elgar Publishing. p. 212. ISBN 9781781001226.
[2] O’ROURKE, J.J. (06/12/12). The Problem of Freedom in Marxist Thought. Springer Science & Business Media. p. 5. ISBN 9789401021203.
[3] STUNKEL, Kenneth (23/05/12). Fifty Key Works of History and Historiography. Routledge. p. 247. ISBN 9781136723667.
[4] = 1
[5] = 2
[6] = 3 [Curioso! Utilizavam-se 3 adversários do marxismo para conceituá-lo na “enciclopédia livre”! Interessante…]
[7] “Encyclopædia Britannica: Historiography – Marxist historiography”
