[ARQUIVO] PSICÓLOGO OU PSIQUIATRA? A REDENÇÃO

Postado originalmente em 30 de julho de 2009

Curar a dor: a promessa do século XXI. Uma conversa semanal ou uma, duas, três caixas de um remédio tarja preta solucionarão, dissolverão, as contendas familiares? Talvez para reafirmá-las em sua própria cabeça, o que deveria estar feito desde o início. Uma atividade capitalista, e nada mais. Mesmo as pessoas que se perdem estão apenas obedecendo à própria bússola. O que há de mais elevado que a Arte? Para ensinar o doutor Freud a me analisar melhor eu simplesmente pediria que acessasse meu blog, onde todo o trabalho já está feito. Paciência se só não tive tempo ou disposição para organizar tudo, pôr um índice!¹ O que vale é esta soberba, este momento. Estar no controle, no meio de mil vendavais.

¹ [P.S. 2024] Megalomania à parte, é ao que estou dedicado nesta “segunda metade da vida”, principalmente! Segunda metade não no sentido aritmético, de quem terá apenas 42 anos de vida, mas “ocaso e maturidade da carreira de escritor”, selecionando e lapidando seu passado para publicação, enquanto continua a ventilar idéias e colocá-las no papel, com algo menos de ambição, mas visão mais extensa e aberta.

Ameaçado de desalojamento. Produto da imaginação ou vontade íntima, visceral? Sob constante perigo de blecaute. Mundo dos cegos – e dos surdos. Sinestesia, regresso à infância. Anthropological blues sem blues. Nunca ouvi falar de Narciso ter um pai… Mas não tenho um lago em casa.

A falta de amigos e a estrutura da cidade – mazelas que sugam para o bueiro. O mais confiável dos trouxas não passa de um trocista, invejoso mal-disfarçado. O que ninguém pode eliminar é que vivi e fiz o que fiz. O que fibras óticas tentam evitar – a contra-mão da conformidade! – é o que elas são obrigadas a veicular. Horas vazias pensando se bebe. O ato é mágico e relampejante. Depois, se remoer. Trair o melhor amigo, fundir-se com a pseudo-amada. Mais 5 minutos e ela teria cedido aos meus encantos. Terapia, ah sim, psicoterapia! Acho que errei duas das letras…¹

¹ [P.S. 2024] Eu não estava preparado para uma vida como paciente psicoterapêutico, como agora.

Vamos lá, desaparecedores de dilemas em pacote! Exterminadores de um futuro, para mais além de 1992. Mil continuações. Imagine-se um desbotado: descerebrado, narcoléptico, sem irmão nem pai. Um asco. Sem emoções, sem idéias, sem sangue, sem escrita, sem criação, sem razão.

Enquanto houver caneta, tinta no refil, papel branco ou marrom ao alcance das trêmulas mãos… O pão será comprado. O diabo exorcizado. E ninguém pisará no que não deve acidentalmente.

Amigos, muy amigos. Estes urubus-abelhas. Lágrimas de adoçante.

Silêncio no tribunal da inquisição esquizofrênico do desafortunado sujeito que foi criado no salão impenetrável de uma muralha oca!¹

¹ [P.S. 2024] A inspiração desse período foi o clipe The Trial do Pink Floyd, em que uma muralha que se dobra sobre si mesma é representada: é como se o indivíduo se encontrasse preso dentro de um torreão medieval, muito pior que confinado por uma muralha numa só direção.

Bolhas no pé ou no corpo-inteiro – nenhuma é eterna, nenhuma cicatriza…

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