[ARQUIVO] DITADOR NA PRAIA

Eu me tornava um ditador, de repente dono de um país e das maiores riquezas sem mais a menor obrigação para com ninguém. Estou na minha praia, sou um velhaco ou uma criança, jogo, da areia, uma bola, que afunda no mar, já de profundas águas à própria borda. E o que é isso? Eu mesmo estou no topo de uma rampa, de um declive. Uma ilha de uma montanha de areia, perfeitamente triangular, e quando se começa a deslizar já não é possível mais parar. Tibbluff: eu estou imerso no líquido, zona de insegurança. Haverá animais nessa água suja e espumosa? Quando tento me esgueirar de novo para a porção de terra, catar o começo da superfície, ou simplesmente morrer e me estirar ali, no ponto fixo, meus membros me faltam, como os soldados mercenários faltariam ao general estúpido – parece antes que sou puxado, que atravessarei, em velocidade de lancha, todo o oceano até o lado oposto, antes que possa simplesmente me salvar pelo mais simples. Mãos e pernas em aflição… Tudo isso, essa espécie de sina do milionário e revolucionário político, me assaltou belamente por alguns segundos, 10 segundos, menos segundos! E eu estava sozinho, sozinho, sozinho, não havia com quem jogar, e a bola eu perdi, queria desfrutar de tudo, ostentar os objetos, a vaidade dos charutos… Me afoguei.