PROPOSTA DE CARACTERIZAÇÃO DOS PROCEDIMENTOS TÉCNICOS DA TRADUÇÃO – Heloísa Barbosa, 2004

Os 13 procedimentos de tradução: palavra-por-palavra, literal, transposição, modulação, equivalência, omissão x explicitação, compensação, reconstrução de períodos, melhorias, transferência (sub-categorias: estrangeirismo, transliteração, aclimatação, transferência com explicação), explicação, decalque e adaptação.

  1. PALAVRA-POR-PALAVRA

Catford (1965), Newmark (1988), Aubert (1987).

  1. LITERAL

adversário: Vázquez-Ayora (1977)

  1. TRANSPOSIÇÃO

Catford (1965), Newmark (1988), Vinay & Darbelnet (1977), Vázquez-Ayora (1977).

Mudança de classe gramatical de determinadas palavras por falta de correspondência interlinguística.

O advérbio inglês é o maior inimigo do bom português.

  1. MODULAÇÃO

Vinay e Darbelnet (op. cit.), Vázquez-Ayora (op. cit.), Newmark (1981, op. cit.)

  1. EQUIVALÊNCIA

Vinay e Darbelnet, Vázquez-Ayora, Newmark.

ex: God bless you!; piece of cake; Sincerely yours…

  1. OMISSÃO X EXPLICITAÇÃO

Vázquez-Ayora

ex: pronomes obrigatórios no Inglês e Alemão.

  1. COMPENSAÇÃO

Nida (1964), Vázquez-Ayora, Newmark.

  1. RECONSTRUÇÃO DE PERÍODOOS

Newmark

Na tradução do português para o inglês é muitas vezes necessário distribuir as orações complexas do português em períodos mais curtos em inglês. Na tradução do inglês para o português ocorre o inverso.”

  1. MELHORIAS

Newmark

  1. TRANSFERÊNCIA

Newmark

  1. Estrangeirismo ou Empréstimos (cf. Vinay e Dalbernet) ou Transcrição, Transferência, Adoção (cf. Newmark)

Cópia literal, com grifos ou aspas.

Normas de editoração: Silva (1984), Houaiss (1975).

Câmara Jr. (1977) diz: “Com o passar do tempo, sendo o vocábulo estrangeiro amplamente aceito pelos falantes, este tende a se adaptar à fonologia e à morfologia locais, tornando-se o estrangeirismo em empréstimo.” Pei (1966): “Esse processo chama-se aclimatação.” Ex. de aclimatação inglês-português: chulipa (sleeper), escrete (scratch), nocaute (knockout), piquenique (pic-nic), sinuca (snooker), time (team).” (Ferreira, s/d)

Embora o termo empregado por Vinay e Dalbernet não seja estritamente correto, pelos motivos examinados acima, já adquiriu livre curso entre tradutores, professores e teóricos da tradução.”

  1. Transliteração

Catford, Dubois (1978), Pei (op. cit.).

Ex: glasnost (transcrição do alfabeto cirílico)

Não ocorrem entre línguas do alfabeto romano.

Normas de editoração: Maillot (1975), ABNT (1961).

  1. Aclimatação ou Decalque (cf. Pei e Crystal, 1980)

Facultativo (vide “a”).

  1. Transferência com explicação

Nida, Newmark.

Devem ser feitas em notas de rodapé (ou de fim de capítulo, de fim de livro) ou diluídas no texto principal.

A explicação pode ser via equivalente cultural ou funcional (quando é oficial, p.ex. High School, que é o ensino médio). Ex: bac francês um “vestibular”.

  1. EXPLICAÇÃO

Nida

Indicada como substituta do estrangeirismo para formatos como o teatro ou a Bíblia (evita notas de rodapé, adapta a idéia sem marcadores no texto).

  1. DECALQUE (Aclimatação em Vinay e Dalbertnet)

Tal como o estrangeirismo e a aclimatação, o decalque só pode ser detectado em uma tradução existente através de uma análise diacrônica, que determine se já havia sido usado ou não, como observa Alves (1983).”

Para mim é um procedimento irrelevante, já subentendido nos demais.

  1. ADAPTAÇÃO

Vinay e Darbelnet, Vázquez-Ayora, Newmark.

Quando o contexto é ininteligível ou por algum motivo censurável ou condenável na LC ou TL.

Ex: quando um livro de sucesso com conteúdo pornográfico é traduzido para a língua de um país que proíbe e/ou censura esse tipo de conteúdo. Serão utilizadas atenuações. Um beijo na boca pode se tornar um beijo na testa ou na mão, conforme os costumes locais, etc. Outro ex.: quando personagens de um livro que não necessariamente se ambienta na China compartilham uma refeição de cachorro num restaurante. A matéria não é relevante para a obra, mas ofenderia nossa moral e senso culinário.

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