LOVE’S LABOUR’S LOST, GRAMMAR’S LABORS MUCH LOST!

LONGAVILLE

I am resolved; ‘tis but a three years’ fast:

The mind shall banquet, though the body pine:

Fat paunches have lean pates, and dainty bits

Make rich the ribs, but bankrupt quite the wits.”

DUMAIN

(…)

To love, to wealth, to pomp, I pine and die;

With all these living in philosophy.”

BIRON

(…) I have already sworn,

That is, to live and study here three years.

But there are other strict observances;

As, not to see a woman in that term,

Which I hope well is not enrolled there;

And one day in a week to touch no food

And but one meal on every day beside,

The which I hope is not enrolled there;

And then, to sleep but three hours in the night,

And not be seen to wink of all the day–

When I was wont to think no harm all night

And make a dark night too of half the day–

Which I hope well is not enrolled there:

O, these are barren tasks, too hard to keep,

Not to see ladies, study, fast, not sleep!”

São árduas tarefas: não ver mulher, estudar, jejuar, não dormir!”

What is the end of study? let me know.”

Aprender o que por outros meios não se aprende.

I will swear to study so,

To know the thing I am forbid to know:

As thus,–to study where I well may dine,

When I to feast expressly am forbid;

Or study where to meet some mistress fine,

When mistresses from common sense are hid;

Or, having sworn too hard a keeping oath,

Study to break it and not break my troth.

If study’s gain be thus and this be so,

Study knows that which yet it doth not know:

Swear me to this, and I will ne’er say no.”

Juro estudá-lo,

Aprender aquilo que estou impedido de saber no momento:

Como seja,– investigar onde jantarei,

Quando banquetes estiverem suspensos;

Ou estudar onde encontrar belas jovens,

Quando o senso comum mas esconder;

Ou, tendo me comprometido com algo tão severo,

Estudar como quebrar e não quebrar meu juramento.

Se o lucro do estudo for dessa monta,

O estudo obtém o que ele ainda não tem:

Me obrigue a jurar a isso, e jamais recusarei.”

So, ere you find where light in darkness lies,

Your light grows dark by losing of your eyes.”

Até você achar onde tem luz na escuridão,

Você já perdeu a luz dos olhos da visão.”

Quando obtiverdes as luzes, obtereis também a miopia!

Sempre na escuridão, é a nossa clara norma.

O estudo é como o sol: útil, desde que não incisivo

Todo padrinho pode batizar

Dar nome às coisas… não é nada de mais!

Esses paraninfos telúricos das luzes divinas

Que dão um nome para cada estrela fixa

Não tiram mais proveito de suas noites brancas

Do que aqueles que andam de olhos fechados por aí.”

Como está bem-paramentado,

aquele que argumenta contra a razão!

Bem procedeu, a fim de mal proceder!

Ele mata a praga, mas também mata a plantação!

Por que advir o verão

Por que há de vir o verão

Antes que os pássaros

Emendem sua canção?

Por que celebrar partos

quando eles não são fatos

mas ainda fetos?

Por que celebrar o nascimento

do que ainda pode morrer

antes de nascer?

Cada coisa em sua estação

Agora é hora da diversão!

Primeiro vem o gozo

Depois o trabalho de parto!

Muita pena se economiza

Quando muita pena se economiza!

Deixe-me ler o contrato!

Juro que mesmo que um enfado

Assinarei no ato!

MAD IN CHINA & ALEXANDRIA

Quem estuda demais em bibliotecas

Morre quando ela é incendiada

Quanto mais apreço pelos livros

Menos apreço pelos livros

although I seem so loath,

I am the last that will last keep his oath.

But is there no quick recreation granted?”

How low soever the matter, I hope in God for high words.”

COSTARD

O assunto tem a ver comigo, senhor, e com Jaquenetta.

Seus pormenores? Eu estou neles.

BIRON

De que modo?

COSTARD

Ó, senhor, da forma e da menira que seguem:

Fui visto com ele na casa-real, sentado com

ela daquela forma, e flagrado seguindo-a rumo

ao parque; o que, se juntar os cacos, é em maneira e forma,

como se segue. Então, senhor, sobre a maneira,–foi a

maneira como um homem fala com uma mulher: sobre a forma,–

de alguma forma.”

FERDINAND

[] <Acontece que>–

COSTARD

Deve acontecer: mas se ele diz que acontece, ele, pra falar a verdade, está narrando inverdades.

FERDINAND

Quieto!”

mas, agora, ao lugar onde; se trata do rumo norte-nordeste e leste, do lado ocidental do teu tão bem-ornado jaridm: lá eu vi esse cisne baixo e vil, que parece pato, essa sardinha de tua côrte,–”

A dupla mais divertida desta comédia:

DON ADRIANO DE ARMADO

I love not to be crossed.

MOTH

[Aside] He speaks the mere contrary; crosses love not him.”

You are a gentle man and a gamester, gay mister, sir.

DON ADRIANO DE ARMADO

I will hereupon confess I am in love: and as it is base for a soldier to love, so am I in love with a base wench. If drawing my sword against the humour of affection would deliver me from the reprobate thought of it, I would take Desire prisoner, and ransom him to any French courtier for a new-devised courtesy. I think scorn to sigh: methinks I should outswear Cupid. Comfort, me, boy: what great men have been in love?

MOTH

Hercules, master.

DON ADRIANO DE ARMADO

Most sweet Hercules! More authority, dear boy, name more; and, sweet my child, let them be men of good repute and carriage.

MOTH

Samson, master: he was a man of good carriage, great carriage, for he carried the town-gates on his back like a porter: and he was in love.”

DON ADRIANO DE ARMADO

Green indeed is the colour of lovers; but to have a love of that colour, methinks Samson had small reason for it. He surely affected her for her wit.”

– Canta, garoto; meu espírito pesa de amor.

– Isso é para ser visto, já que amas uma puta leviana.”

O porrete de Hércules não é páreo para a cega seta do Cupido

(…) sua desgraça é ser tratado como garoto,

mas sua glória é subjugar o homem”

Love is a familiar; Love is a devil:

there is no evil angel but Love. Yet was Samson so

tempted, and he had an excellent strength; yet was

Solomon so seduced, and he had a very good wit.”

O amor é um parente, é um ente diabólico:

não há anjo caído senão o Cupido. Sansão ficou tão

tentado, mesmo sendo um varão poderoso, hiperbólico;

e Salomão hipnotizado, apesar de ser um sábio.

Devise, wit;

write, pen; for I am for whole volumes in folio.”

Arquiteta, cabeça;

constrói, caneta; porque eu sinto que estou para compor tijolos!”

I am less proud to hear you tell my worth

Than you much willing to be counted wise

In spending your wit in the praise of mine.”

Todo orgulho é de se desejar, e assim é o seu para mim.”

Você é muito espertinha pra continuar espertinha muito tempo.”

BIRON

What time o’ day?

ROSALINE

The hour that fools should ask.”

LONGAVILLE

Pray you, sir, whose daughter?

BOYET

Her mother’s, I have heard.

LONGAVILLE

God’s blessing on your beard!”

– De quem é ela filha?

– De sua mãe, eu ouvi dizer.

– Deus te abençoe, sem querer!

BOYET

Deceive me not now, Navarre is infected.

PRINCESS

With what?

BOYET

With that which we lovers entitle affected”

I only have made a mouth of his eye,

By adding a tongue which I know will not lie.”

These are complements, these are humours; these

betray nice wenches, that would be betrayed without

these; and make them men of note–do you note

me?–that most are affected to these.”

Esses são complementos, esses são humores; esses

enganam mulherzinhas da breca, que seriam a-traídas sem

essas coisas; e fazem dos autores homens de nota—

você me nota? —os que mais são afetados por elas.

SEM SAÍDA NOS JOGOS DA CONQUISTA

Meu caro,

Você mais prejudica sua reputação,

sendo galanteador barato

de baratas donas (ou donas baratas?)

As difíceis estarão fora de seu horizonte!

A man, if I live; and this, by, in, and without, upon

the instant”

Serei homem, se viver; e isso, por, em, e sem, direto

ao instante

Você é o triplo de si mesmo multiplicado por zero.

Guiar o amor é chumbo!

Mas o chumbo que sai duma arma continua lento?

No enigma, no riddle, no l’envoy; no salve in the

mail, sir: O, sir, plantain, a plain plantain! no

l’envoy, no l’envoy; no salve, sir, but a plantain!”

Nada de alívio em sua carta, senhor, apenas

cascas de banana em que escorregar.

O pombo-correio nem sempre salva vidas.

The fox, the ape, and the humble-bee,

Were still at odds, being but three.

There’s the moral.”

HOMEM, O MELHOR ANIMAL

A raposa, o mico e a abelhinha,

Continuava ser um problema, estarem em 3.

Essa é a moral.

Era preciso ser de tudo junto um animal!

Vender bem é como comer e pescar

ADRIANO DE ARMADO

Come hither, come hither. How did this argument begin?

MOTH

By saying that a costard was broken in a shin [canela].”

Remuneração: muito melhor que uma oração!

de graças

BIRON

And I, forsooth, in love! I, that have been love’s whip; / E eu amando! Eu que fui o chicote do amo!

A very beadle to a humorous sigh; / Um funcionário dos suspiros afetados;

A critic, nay, a night-watch constable; / Um crítico, não, um vigilante constante;

A domineering pedant o’er the boy; / um tirano sobre o moleque;

Than whom no mortal so magnificent! / mais que qualquer mortal não importa o qual!

This whimpled, whining, purblind, wayward boy; / Esse moleque volúvel, choroso, lerdo, pródigo;

This senior-junior, giant-dwarf, Dan Cupid; / Esse velhaco júnior, gigante-anão, Mestre Cupido;

Regent of love-rhymes, lord of folded arms, / Regente das rimas amorosas, senhor dos braços cruzados,

The anointed sovereign of sighs and groans, / O soberano dedicado aos suspiros e gemidos,

Liege of all loiterers and malcontents, / Lorde de todos os vadios e descontentes,

Dread prince of plackets, king of codpieces, / Príncipe pavoroso do insondável, rei d’onde jorra o gozo

Sole imperator and great general / Imperador absoluto e grande general

Of trotting ‘paritors:–O my little heart:– / de fazer barafundas e bagunças:–Ah, meu coraçãozinho:–

And I to be a corporal of his field, / E eu ser uma cobaia sua agora,

And wear his colours like a tumbler’s hoop! / Vestir as cores de um bamboleador de circo!

What, I! I love! I sue! I seek a wife! / O quê, eu! Eu fazer a côrte! Eu procurar uma mulher!

A woman, that is like a German clock, / Uma mulher, sabes como é, é um relógio alemão,

Still a-repairing, ever out of frame, / Sempre necessitando reparos, sempre fora de compasso

And never going aright, being a watch, / E sempre desajustada, sendo um relógio,

But being watch’d that it may still go right! / Mas sendo observada para ver se ainda serve pr’algo!

Nay, to be perjured, which is worst of all; / Ná! Ser vítima de perjúrio, juro de pé junto, é o pior de tudo;

And, among three, to love the worst of all; / E, dentre três opções, amar a pior que há;

A wightly wanton with a velvet brow, / Criatura caprichosa com sobrancelhas de veludo,

With two pitch-balls stuck in her face for eyes; / Com duas agulhas no lugar do buraco dos olhos;

Ay, and by heaven, one that will do the deed / Ai! e, por deus, conseguirão o que querem (me flechar!)

Though Argus were her eunuch and her guard: / Como se Argo fosse seu eunuco e guarda principal:

And I to sigh for her! to watch for her! / E eu a suspirar por ela! Querendo contemplá-la!

To pray for her! Go to; it is a plague / Rezar por ela! Me deixar levar para a doença infecciosa

That Cupid will impose for my neglect / Que o Cupido me impôs dado meu descuido

Of his almighty dreadful little might. / Em reconhecer sua todo-poderosa valentiazinha

Well, I will love, write, sigh, pray, sue and groan: / Pois bem, vou amar, suspirar, rezar, cortejar e gemer

Some men must love my lady and some Joan¹. / Alguns amam mulher desta feita, outros princesas.”

¹ Nome de princesa francesa da época.

and he it was that might rightly say,

Veni, vidi, vici; which to annothanize in the

vulgar,–O base and obscure vulgar!–videlicet, He

came, saw, and overcame: he came, one; saw two;

overcame, three. Who came? the king: why did he

come? to see: why did he see? to overcome: to

whom came he? to the beggar: what saw he? the

beggar: who overcame he? the beggar. The

conclusion is victory: on whose side? the king’s.

The captive is enriched: on whose side? the

beggar’s. The catastrophe is a nuptial: on whose

side? the king’s: no, on both in one, or one in

both. I am the king; for so stands the comparison:

thou the beggar; for so witnesseth thy lowliness.

Shall I command thy love? I may: shall I enforce

thy love? I could: shall I entreat thy love? I

will. What shalt thou exchange for rags [trapos]? robes [vestidos ornados];

for tittles [migalhas]? titles; for thyself? me. Thus,

expecting thy reply, I profane my lips on thy foot,

my eyes on thy picture. and my heart on thy every

part. Thine, in the dearest design of industry,

DON ADRIANO DE ARMADO.

he hath not eat paper, as it were; he hath not drunk ink: his intellect is not replenished; he is only an animal, only sensible in the duller parts”

DULL

You two are book-men: can you tell me by your wit

What was a month old at Cain’s birth, that’s not five

weeks old as yet?

HOLOFERNES

Dictynna, goodman Dull; Dictynna, goodman Dull. [Oh, Diana!]

DULL

What is Dictynna?

SIR NATHANIEL

A title to Phoebe, to Luna, to the moon.

HOLOFERNES

The moon was a month old when Adam was no more,

And raught not to five weeks when he came to

five-score.

The allusion holds in the exchange.”

JAQUENETTA

God give you good morrow, master Parson [pastor, pessoa].

HOLOFERNES

Master Parson, quasi pers-on [uma-pessoa; um-persa, um-igual]. An if one should be

pierced, which is the one?”

Venetia, Venetia,

Chi non ti vede non ti pretia.

[Veneza, Veneza,

Quem não te conhece não te cobiça.]

Old Mantuan, old Mantuan! who understandeth thee

not, loves thee not. Ut, re, sol, la, mi, fa.

Quem não te entende não te ama, man-tu-amo! Virgiliano…

Se saber é poder, saber amar deve bastar!

Resiste ao relâmpago e trovão do deus

Curva tudo!

Ovidius Naso was the man: and why, indeed, Naso,

but for smelling out the odouriferous flowers of

fancy, the jerks of invention? Imitari is nothing:

so doth the hound his master, the ape his keeper,

the tired horse his rider.”

By heaven, I do love: and it hath taught me to rhyme

and to be melancholy; and here is part of my rhyme,

and here my melancholy. Well, she hath one o’ my

sonnets already”

Nor shines the silver moon one half so bright

Through the transparent bosom of the deep,

As doth thy face through tears of mine give light”

Did not the heavenly rhetoric of thine eye,

Gainst whom the world cannot hold argument,

Persuade my heart to this false perjury?

Vows for thee broke deserve not punishment.

A woman I forswore; but I will prove,

Thou being a goddess, I forswore not thee:

My vow was earthly, thou a heavenly love;

Thy grace being gain’d cures all disgrace in me.

Vows are but breath, and breath a vapour is:

Then thou, fair sun, which on my earth dost shine,

Exhalest this vapour-vow; in thee it is:

If broken then, it is no fault of mine:

If by me broke, what fool is not so wise

To lose an oath to win a paradise?”

A retórica de céu azul dos teus olhos

Contra a qual não se ousa argumentar

Me persuade ao perjúrio perjurável?

Promessas quebradas por ti não são puníveis.

Com mulher eu me meti; mas posso provar

Não peço mão de humana quando quero a de uma deusa!

Minha promessa era mundana, não fala do paradisíaco

Se eu tiver sua graça estarei livre da desgraça!

Promessas são alentos, alentos são vapores:

Olá, você, sol que abrilhanta minha existência,

Promete você mesmo algo de verdade, e lá vai:

Se perjuro não é tenho culpa no cartório.

Se perjuro, que tolo foi jamais tão sábio

Ser um perjuro e ir pro céu?

Eu sou um moinho… Por que rodo?… Não, porque vento!

DUMAIN

As fair as day.

BIRON

Ay, as some days; but then no sun must shine.”

Claro, claro como a luz solar!

A de algumas manhãs; por que antes que saibas pode trovejar!

A febre do sangue não será esquecida neste reino.

sais mineirais

açucar’s vegetais

je sais la réponse

nesta mina estou

a-ferrado!

Do not call it sin in me,

That I am forsworn for thee;

Thou for whom Jove would swear

Juno but an Ethiope were;

And deny himself for Jove,

Turning mortal for thy love.”

O, would the king, Biron, and Longaville,

Were lovers too! Ill, to example ill,

Would from my forehead wipe a perjured note;

For none offend where all alike do dote.”

Ah, bem que o rei, Biron e Vidalonga,

Poderiam amar também! O sujo falando do cagado,

Isso aliviaria minha cabeça pecaminosa do chumbo;

Porque ninguém ofende em fossa pública!

I heard your guilty rhymes, observed your fashion,

Saw sighs reek from you, noted well your passion:

Ay me! says one; O Jove! the other cries;

One, her hairs were gold, crystal the other’s eyes”

Andei observando, essas rimas perigosas,

Ouvi suspiros bronquíticos, vi o ribombar das veias ao coração:

Ai de mim! diz um; Ah, Zeus! o outro grita;

Um: suas madeixas eram d’ouro, cristais os olhos da outra!

Seus olhos não me deixam descansar!

Seque essas lágrimas, está com cara de bruxa que acaba de acordar!

Fazer sonetos, hein, que coisa linda, senhores românticos?

Eu não faço e eu meto—

a mão na cara dos amantes!

Do pico o Cupido

acertou verdadeiros

morteiros

lânguidos

fatais

ais! ais! ais!

quente corre

vosso sangue

preta segue

sua visão

da situação

presente!

Vendo vocês

Hércules fraqueja

Salomão pede gorjeta

Nestor faz tricô, cabisbaixo!

Timão apenas ri!

Cadê a gravidade?

Suas preocupações voaram!

Quem confia em homens inconstantes é o primeiro a ser traído!

Vocês são uns patetas!

Comigo somos trapalhões!

Heróicas tartarugas-ninja do amor!

Vamos pintar a faixa:

O CAMPEÃO VOLTOU!

Desde o começo dos tempos

quando Adão comeu maçã

a maré sobe e baixa

o jovem desrespeita os mais velhos

fazemos coisas erradas

e daí, somos carne e osso,

não é por isso que nascemos?

Que águia já se apaixonou, me diga? Ela que não serve

nem pra namoro à distância!

Minha amada é gorda como a lua cheia

Bela uma vez por mês

Me hipnotiza me faz uivar

Minha amada é velha como a velha no hospício

ou no asilo

Todos querem paparicar

Mimar de cuidados

Afinal que mimosa não é!

Minha amada é a coisa mais baixinha

Mas altos chegam sua dignidade e seu, ré, ré,

sentimento

Não preciso comprar sapatos caros

Nem brincar de Cinderelo

O problema são as acusações

de Pedofilia

Minha amada é preta, mas o sol alumia

Como todas

Do carvão você precisa, que coisa é essa de

ser racista? Estamos no século da escravidão!

Venha e me acorrente

No porão do galeão, com suas danças sensuais!

Devils soonest tempt, resembling spirits of light.

O, if in black my lady’s brows be deck’d,

It mourns that painting and usurping hair

Should ravish doters with a false aspect;

And therefore is she born to make black fair.

Her favour turns the fashion of the days,

For native blood is counted painting now;

And therefore red, that would avoid dispraise,

Paints itself black, to imitate her brow.”

Dark needs no candles now, for dark is light.”

Your mistresses dare never come in rain,

For fear their colours should be wash’d away.”

Say, can you fast? your stomachs are too young;

And abstinence engenders maladies.

And where that you have vow’d to study, lords,

In that each of you have forsworn his book,

Can you still dream and pore and thereon look?

For when would you, my lord, or you, or you,

Have found the ground of study’s excellence

Without the beauty of a woman’s face?”

Elas são o nosso chão!

Elas são nossa comida!

Elas tiram nossas noites de sono

por belas razões!

Then when ourselves we see in ladies’ eyes,

Do we not likewise see our learning there?

O, we have made a vow to study, lords,

And in that vow we have forsworn our books.

For when would you, my liege, or you, or you,

In leaden contemplation have found out

Such fiery numbers as the prompting eyes

Of beauty’s tutors have enrich’d you with?”

A lover’s eyes will gaze an eagle blind;

A lover’s ear will hear the lowest sound,

When the suspicious head of theft is stopp’d:

Love’s feeling is more soft and sensible

Than are the tender horns of cockl’d snails

Love’s tongue proves dainty Bacchus gross in taste:

For valour, is not Love a Hercules,

Still climbing trees in the Hesperides?

Subtle as Sphinx; as sweet and musical

As bright Apollo’s lute, strung with his hair:

And when Love speaks, the voice of all the gods

Makes heaven drowsy with the harmony.”

Never durst poet touch a pen to write

Until his ink were temper’d with Love’s sighs;

O, then his lines would ravish savage ears

And plant in tyrants mild humility.

From women’s eyes this doctrine I derive:

They sparkle still the right Promethean fire;

They are the books, the arts, the academes,

That show, contain and nourish all the world:

Else none at all in ought proves excellent.

Then fools you were these women to forswear”

Que não ouse o poeta pegar na pena pra escrever

Antes de ser picado pela abelha do amor

Sua pena terá o bico vermelho alucinante, flamejante

Suas linhas farão o bruto chorar;

e o tirano se humilhar!

É dos olhos das mulheres que eu saco esta doutrina:

O fogo prometéico empalidece só de vê-las passar,

É certo, tudo de divino obscurece,

Não são elas os livros, as artes, as academias prediletas

que exibem, embalam e alimentam o mundo?

Do contrário, nada valeria a pena nessa vastidão.

É, tolos vocês são, recusar mulher!

É a lei do Amor e da Caridade que prevalece, oras!

Você é um homem ou um guei?

Faz logo o que seu pai fez!

Galo magrão não bica grão!

HOLOFERNES

He draweth out the thread of his verbosity finer than the staple of his argument. I abhor such fanatical phantasimes [fantasistas, maneiristas], such insociable and point-devise [perfectionistas] companions; such rackers [atormentadores] of orthography, as to speak dout¹, fine, when he should say doubt²; det³, when he should pronounce debt4,–d, e, b, t, not d, e, t: he clepeth [nomeia] a calf5, cauf6; half7, hauf8; neighbour9 vocatur11 nebor10; neigh12 abbreviated ne13. This is abhominable14,–which he would call abbominable15: it insinuateth me of insanie16: anne intelligis, domine17? to make frantic, lunatic.”

¹ Apagar o fogo (verbo); cético (substantivo/adjetivo).

² Dúvida.

³ Separar, no Inglês arcaico; hoje, seria (um)a (das) abreviatura(s) de uma droga psicodélica, de efeito curto e intenso, a dimetiltriptamina, ainda DMT, o que enriquece ainda mais os jogos de linguagem de W.S., involuntariamente.

4 Débito, dívida.

5 Bezerro.

6 Jeito caipira de dizer cesto antigamente.

7 Metade.

8 Aqui, a etimologia me aponta apenas uma grafia diferente da mesma palavra half.

9 Vizinho

10 Aqui, me parece que Shakespeare, acompanhando a afetação e exageração dos personagens, começa a misturar significados anglos e latinos. Podemos encontrar nebot como referência a sobrinho. Parente//vizinho.

11 Vocatur é o mesmo que “é”, resumindo; conjugação do verbo chamar mas que neste contexto tem o mesmo papel do ser: chama vizinho de parente, etc.

12 Relincho.

13 “Não” em Latim.

14 Abominável.

15 Indistinguível do precedente.

16 Forma antiga para insanidade ou insânia.

17 Um trocadilho com a expressão Anno Domini (Ano do Senhor, idade da razão, era moderna, etc.) em que o que o interlocutor quer dizer é: Esse homem não bate bem, e ele nos deixa loucos também, percebe?

DON ADRIANO DE ARMADO

Men of peace, well encountered.

HOLOFERNES

Most military sir, salutation.”

MOTH

[Aside to COSTARD] They have been at a great feast of languages, and stolen the scraps.

COSTARD

O, they have lived long on the alms-basket of words. I marvel thy master hath not eaten thee for a word; for thou art not so long by the head as honorificabilitudinitatibus: thou art easier swallowed than a flap-dragon.”

MOTH

Yes, yes; he teaches boys the hornbook [abecedário]. What is a, b, spelt backward, with the horn on his head?

HOLOFERNES

Ba, pueritia [puerilidade], with a horn added.

MOTH

Ba, most silly sheep with a horn. You hear his learning.

HOLOFERNES

Quis, quis [veja, veja! (interjeição)], thou consonant?

MOTH

The third of the five vowels, if you repeat them; or the fifth, if I.

[Moth é francês, a pronúncia do “u” é quase a do “i” latino. I, o pronome, também é uma consoante, bem diversa, se pronunciada por um anglo!]

HOLOFERNES

I will repeat them,–a, e, i,–

MOTH

The sheep: the other two concludes it,–o, u.”

O, an the heavens were so pleased that thou wert but my bastard, what a joyful father wouldst thou make me”

Excrementos por exatidões! Que troca! Sem incrementos! Sem ressentimentos?

Prefiro dormitórios e colchões!

in the posteriors of this day, which the rude multitude call the afternoon.”

HOLOFERNES

Via, goodman Dull! thou hast spoken no word all this while.

DULL

Nor understood none neither, sir.”

You can’t snuff the light!

PRINCESS

But, Katharine, what was sent to you from fair Dumain?

KATHARINE

Madam, this glove.

PRINCESS

Did he not send you twain?

KATHARINE

Yes, madam, and moreover

Some thousand verses of a faithful lover,

A huge translation of hypocrisy,

Vilely compiled, profound simplicity.”

MARIA

Folly in fools bears not so strong a note

As foolery in the wise, when wit doth dote;

Since all the power thereof it doth apply

To prove, by wit, worth in simplicity.”

An angel is not evil; I should have fear’d her

had she been a devil.”

PRINCESS

And will they so? the gallants shall be task’d;

For, ladies, we shall every one be mask’d;

And not a man of them shall have the grace,

Despite of suit, to see a lady’s face.

Hold, Rosaline, this favour thou shalt wear,

And then the king will court thee for his dear;

Hold, take thou this, my sweet, and give me thine,

So shall Biron take me for Rosaline.

And change your favours too; so shall your loves

Woo contrary, deceived by these removes.”

The effect of my intent is to cross theirs:

They do it but in mocking merriment;

And mock for mock is only my intent.”

Vamos jogar o jogo deles:

que é exatamente ser nós mesmas!

Ask them how many inches is in one mile: if they have measured many, the measure then of one is easily told.”

ROSALINE

My face is but a moon, and clouded too.

FERDINAND

Blessed are clouds, to do as such clouds do!

Vouchsafe, bright moon, and these thy stars, to shine,

Those clouds removed, upon our watery eyne.”

FERDINAND

Will you not dance? How come you thus estranged?

ROSALINE

You took the moon at full, but now she’s changed.

FERDINAND

Yet still she is the moon, and I the man.

The music plays; vouchsafe some motion to it.

ROSALINE

Our ears vouchsafe it.

FERDINAND

But your legs should do it.

ROSALINE

Since you are strangers and come here by chance,

We’ll not be nice: take hands. We will not dance.

FERDINAND

Why take we hands, then?

ROSALINE

Only to part friends:

Curtsy, sweet hearts; and so the measure ends.

FERDINAND

More measure of this measure; be not nice.

ROSALINE

We can afford no more at such a price.

FERDINAND

Prize you yourselves: what buys your company?

ROSALINE

Your absence only.

FERDINAND

That can never be.

ROSALINE

Then cannot we be bought: and so, adieu;

Twice to your visor, and half once to you.

FERDINAND

If you deny to dance, let’s hold more chat.

ROSALINE

In private, then.

FERDINAND

I am best pleased with that.

They converse apart

BIRON

Dama da mão branca, uma doce palavra contigo.

PRINCESA

Mel, e leite, e açúcar; são 3.”

– Uma palavra em segredo!

– Mas que não seja doce!

– Biliosa então será!”

BOYET

The tongues of mocking wenches are as keen

As is the razor’s edge invisible,

Cutting a smaller hair than may be seen,

Above the sense of sense; so sensible

Seemeth their conference; their conceits have wings

Fleeter than arrows, bullets, wind, thought, swifter things.”

FERDINAND

Rebuke me not for that which you provoke:

The virtue of your eye must break my oath.”

BIRON

By Jove, I always took three threes for nine.

COSTARD

O Lord, sir, it were pity you should get your living

by reckoning, sir.”

That sport best pleases that doth least know how”

Judas I am,–

DUMAIN

A Judas!

HOLOFERNES

Not Iscariot, sir.

Judas I am, ycliped Maccabaeus.

DUMAIN

Judas Maccabaeus clipt is plain Judas.

BIRON

A kissing traitor. How art thou proved Judas?

HOLOFERNES

Judas I am,–

DUMAIN

The more shame for you, Judas.”

DUMAIN

He’s a god or a painter; for he makes faces.”

BIRON

Honest plain words best pierce the ear of grief;

And by these badges understand the king.

For your fair sakes have we neglected time,

Play’d foul play with our oaths: your beauty, ladies,

Hath much deform’d us, fashioning our humours

Even to the opposed end of our intents:

And what in us hath seem’d ridiculous,–

As love is full of unbefitting strains,

All wanton as a child, skipping and vain,

Form’d by the eye and therefore, like the eye,

Full of strange shapes, of habits and of forms,

Varying in subjects as the eye doth roll

To every varied object in his glance:

Which parti-coated presence of loose love

Put on by us, if, in your heavenly eyes,

Have misbecomed our oaths and gravities,

Those heavenly eyes, that look into these faults,

Suggested us to make. Therefore, ladies,

Our love being yours, the error that love makes

Is likewise yours: we to ourselves prove false,

By being once false for ever to be true

To those that make us both,–fair ladies, you:

And even that falsehood, in itself a sin,

Thus purifies itself and turns to grace.

FERDINAND

Now, at the latest minute of the hour,

Grant us your loves.

PRINCESS

A time, methinks, too short

To make a world-without-end bargain in.

No, no, my lord, your grace is perjured much,

Full of dear guiltiness; and therefore this:

If for my love, as there is no such cause,

You will do aught, this shall you do for me:

Your oath I will not trust; but go with speed

To some forlorn and naked hermitage,

Remote from all the pleasures of the world;

There stay until the 12 celestial signs

Have brought about the annual reckoning.

If this austere insociable life

Change not your offer made in heat of blood;

If frosts and fasts, hard lodging and thin weeds

Nip not the gaudy blossoms of your love,

But that it bear this trial and last love;

Then, at the expiration of the year,

Come challenge me, challenge me by these deserts,

And, by this virgin palm now kissing thine

I will be thine; and till that instant shut

My woeful self up in a mourning house,

Raining the tears of lamentation

For the remembrance of my father’s death.

If this thou do deny, let our hands part,

Neither entitled in the other’s heart.”

ROSALINE

Oft have I heard of you, my Lord Biron,

Before I saw you; and the world’s large tongue

Proclaims you for a man replete with mocks,

Full of comparisons and wounding flouts,

Which you on all estates will execute

That lie within the mercy of your wit.

To weed this wormwood from your fruitful brain,

And therewithal to win me, if you please,

Without the which I am not to be won,

You shall this twelvemonth term from day to day

Visit the speechless sick and still converse

With groaning wretches; and your task shall be,

With all the fierce endeavor of your wit

To enforce the pained impotent to smile.”

A jest’s prosperity lies in the ear of him that hears it, never in the tongue of him that makes it” O sucesso da piada nunca está na língua de quem conta, mas no ouvido de quem ouve

(song)

The cuckoo then, on every tree,

Mocks married men; for thus sings he, Cuckoo;

Cuckoo, cuckoo: O word of fear,

Unpleasing to a married ear!

When shepherds pipe on oaten straws

And merry larks are ploughmen’s clocks,

When turtles tread, and rooks, and daws,

And maidens bleach their summer smocks

The cuckoo then, on every tree,

Mocks married men; for thus sings he, Cuckoo;

Cuckoo, cuckoo: O word of fear,

Unpleasing to a married ear!”

The words of Mercury are harsh after the songs of Apollo.”

4 ESTAÇÕES

No inverno eu sou feliz;

Na primavera eu (desa)brocho.

No verão eu suo;

No outono eu sou seu.

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ESTUDOS DE TRADUÇÃO – SOBRE A VARIAÇÃO

Como Não Fazer Inimigos Diariamente & Escapar de Pessoas

título livro

A) TRADUÇÃO E SOCIOLINGUÍSTICA VARIACIONISTA: A LÍNGUA PODE TRADUZIR A SOCIEDADE? In: Tradução & Comunicação – Revista Brasileira de Tradutores (n. 20, ano 2010) – Patrícia da Cunha Lacerda

Herzog, Labov & Weinreich – Empirical foundations for a theory of language change, 1968

Labov – Sociolinguistic patterns, 1972

“baseando-se na linguística formalista, estabeleceu-se como teoria a <Ciência da Tradução>, cuja intenção era analisar a tradução sob uma perspectiva de sistematicidade.” “Com o passar do tempo, temos observado um questionamento da noção de equivalência. A partir da abordagem histórico-descritiva, a tradução estabeleceu-se como uma disciplina independente e passou a ser denominada <Estudos da Tradução> (Holmes, 1972).”

“Como funcionalismo – também reconhecido como pós-estruturalismo [?] – entendem-se todas as abordagens linguísticas que concebem a língua como um instrumento de comunicação”

literatura comparada”

B) O PROJETO DE TRADUÇÃO MINORIZANTE DE LAWRENCE VENUTI

O americano anti-anglo-saxão e desmistificador do establishment!

“A sua crítica à estratégia de <domesticação>, adotada pela maioria dos tradutores de literatura ficcional nos países anglófonos, mais especificamente Estados Unidos eInglaterra, é uma marca de seu trabalho.”

A ESTRATÉGIA DE DOMESTICAÇÃO

“A domesticação transmite a ilusão de preservação do espírito do autor original na tradução. Venuti critica a estratégia de domesticação embora reconheça que a tradução inevitavelmente realiza um trabalho de domesticação pela condição de estar escrita na língua <doméstica>. Assim sendo, o autor parece implicitamente propor uma certa gradação: um texto pode ser traduzido sem que se apague totalmente o <ar de estrangeiridade> (2002, p. 17).”

<Uma tradução fluente é aquela que utiliza um inglês atual (‘moderno’) em vez de a rcaico, que seja amplamente utilizado, em vez de especializado (‘jargão’), e que seja padrão em vez de coloquial (‘cheio de gírias’)>

“efeito de transparência”

Infelizmente o foco do texto é na tradução: LÍNGUA DE PARTIDA (QUALQUER UMA) LÍNGUA DE CHEGADA (INGLÊS), o que não nos interessa aqui e agora.

“No Brasil, ao contrário, apesar de imaginar que a tendência do público também seja a de preferir uma tradução fluente e sem opacidades, vejo uma presença muito grande de referências da cultura estrangeira, um hábito de não traduzir nomes de produtos, de personagens, de referências estrangeiras como nomes de lugares, eventos, festividades, marcas culturais de modo geral.”

A ESTRATÉGIA DE ESTRANGEIRIZAÇÃO

<A tradução deve ser vista como um tertium datum, que ‘soa estrangeiro’ para o leitor, mas tem uma aparência opaca que a impede de parecer uma janela transparente através da qual se visse o autor ou o texto original: é esta opacidade – um uso da língua que resista à leitura fácil segundo os padrões contemporâneos – que deixará visível a intervenção do tradutor, seu confronto com a natureza alienígena do texto estrangeiro.>

<traduções de outras línguas para o alemão devem soar diferente: o leitor deve ser capaz de intuir o espanhol por trás de uma tradução do espanhol, ou o grego, por trás de uma tradução do grego. Se todas as traduções forem parecidas (como ocorria nas traduções vitorianas dos clássicos(*)), a identidade do texto-fonte se perde.> Schleiemacher (aquele?)

(*) BOM TEMA MONO

ANÁLISE DO DISCURSO – Fernanda Mussalim

Dubois & Pêcheux

Triângulo Projeto AD = vértices LINGUÍSTICA + MARXISMO + LACANISMO (superfície: os febris anos 60)

P. – Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio [La verité de la Palice], 1975

(artigo) P. – Análise Automática do Discurso

Aristóteles 1.9: O Homem é [-feminino] que a mulher.

Estranha citação de Althusser à p. 3.

como a ideologia deve ser estudada em sua materialidade, a linguagem se apresenta como o lugar privilegiado em que a ideologia se materializa.”

Löwy 1988: história das ciências sociais

Ampliação” de Saussure.

Lexicologia X AD

(artigo In: ORLANDI ) Maldidier – Elementos para uma história da Análise do Discurso na França

Mais uma vez o senhor “sentido” e o problema da “fala”.

A rebelião do símbolo contra a forma – CAPÍTULO MCMXXV

Para poder trazer à tona seu material, Lacan assume que o inconsciente se estrutura como uma linguagem, como uma cadeia de significantes latente que se repete e interfere no discurso efetivo, como se houvesse sempre, sob as palavras, outras palavras, como se o discurso fosse sempre atravessado pelo discurso do Outro, do inconsciente. A tarefa do analista seria a de fazer vir à tona, através de um trabalho na palavra e pela palavra, essa cadeia de significantes, essas <outras palavras>, esse <discurso do Outro>, i.e., do inconsciente, lugar desconhecido, estranho, de onde emana o discurso do pai, da família, da lei, enfim, do Outro e em relação ao qual o sujeito se define, ganha identidade.”

o sujeito dessubstancializado não está onde é procurado, ou seja, no consciente, lugar onde reside a ilusão do <sujeito centro> como sendo aquele que sabe o que diz, aquele que sabe o que é, mas pode ser encontrado onde não está, no inconsciente (critério do lugar vazio). Assim, a identidade do sujeito lhe é garantida pelo Outro (inconsciente), ou seja, por um sistema parental simbólico que determina a posição do sujeito desde sua aparição.”

Jakobson é por vezes apontado como estruturalista pelo fato de abordar o processo comunicativo como um sistema composto de elementos – remetente, destinatário, código, mensagem, contexto, canal – que se relacionam no interior de um sistema fechado e recorrente, como um circuito comunicativo.”

sujeito – pura descontinuidade na cadeia significante” “Para L., o Outro ocupa uma posição de domínio com relação ao sujeito, é uma ordem anterior e exterior a ele”

núcleo rígido X contornos instáveis

Mangueneau – Novas tendências em Análise do Discurso

______. – Gênese dos discursos

AD francesa (histórica)

AD americana (sociológica)

AD-1

máquina discursiva: estrutura (estável) responsável pela geração de um processo discursivo [ambíguo] a partir de um conjunto de argumentos e de operadores responsáveis pela construção e transformação das proposições, concebidas como princípios semânticos, que delimitam um discurso”

ex didático: o Manifesto Comunista, o comunismo ortodoxo

o sujeito é um 0

AD-2

formação discursiva ou “a guerra dos miché(i)s”

formação foucaultiana X formação pecheutiana

explorando a mitologia do início sagrado

ex didático: o comunismo aplicável à comunidade cristã (diálogos entre máquinas, FDs, formações discursivas)

o(s) sujeito(s) fragmentado(s): o profissional esquizo: catalogável, mas indeterminado: quem fala é o Rafael-dono-do-Ozzy, Rafael-marido, Rafael-dono-do-lar, Rafael-poeta ou Rafael-burocrata-de-RH?

AD-3

interdiscurso

acabamento da “síndrome de Cazuza”

O personagem Papa [o papa que está entre João Paulo II e o papa ateu de Dostoievsky, para resumir], tal como foi constituído pelo autor da crônica, é uma boa metáfora de como se constitui o sujeito para a AD. Exemplificaremos aqui a constituição desse sujeito, considerando-o apenas a partir das perspectivas da AD-2 e da AD-3, por serem essas as perspectivas que se mostraram mais produtivas no campo da AD.”

Dizer que qualquer um é hipócrita é uma grande hipocrisia!

the dark side of my own moon

há água lá

mas está

congelada

coitada

mar do espelho sem fim: “A imagem que o sujeito, ao enunciar seu discurso, faz da imagem que seu interlocutor faz”

QUÊ?!

Isso é belo?

Isso é feio?

Isso não é belo nem feio?

Isso é?

Isso…?

Vermemind

verniz mais

V++

Wer ne nd mi

(whis-key)

rede(jà)-fini(r)

a AD está sujeita à máquina chamada liquidificador ideológico-acadêmico

[+DO MESMO?]

BAKHTIN – Marxismo e Filosofia da Linguagem

CHARAUDEAU & MAINGUENEAU – Dicionário de análise do discurso

FOUCAULT – O nascimento da clínica

JAKOBSON – Linguística e poética

LAHUD – A propósito da noção de dêixis

(artigo) PINTO – Lacan e o ideal de matema

L’ENCYCLOPÉDIE – ACCENT

ACCENT, s. m. Ce mot vient d’accentum, supin du verbe accinere qui vient de ad & cancre: les Grecs l’appellent W=RODWDIA, modulatio quoe syllabis adhibetur, venant de PRO\, préposition greque qui entre dans la composition des mots, & qui a divers usages. & WDH\, cantus, chant. On l’appelle aussi TO’NO, ton.”

Pour bien parler une langue vivante, il faudroit avoir le même accent, la même inflexion de voix qu’ont les honnêtes gens de la capitale; ainsi quand on dit, que pour bien parler françois il ne faut point avoir d’accent, on veut dire, qu’il ne faut avoir ni l’accent Italien, ni l’accent Gascon, ni l’accent Picard, ni aucun autre accent qui n’est pas celui des honnêtes gens de la capitale.”

Quoique l’on dise communément que ces signes, ou accens, sont une invention qui n’est pas trop ancienne, & quoiqu’on montre des manuscrits de mille ans, dans lesquels on ne voit aucun de ces signes, & où les mots sont écrits de suite sans être séparés les uns des autres, j’ai bien de la peine à croire que lorsqu’une langue a eu acquis un certain degré de perfection, lorsqu’elle a eu des Orateurs & des Poëtes, & que les Muses ont joüi de la tranquillité qui leur est nécessaire pour faire usage de leurs talens; j’ai, dis-je, bien de la peine à me persuader qu’alors les copistes habiles n’aient pas fait tout ce qu’il falloit pour peindre la parole avec toute l’exactitude dont ils étoient capables; qu’ils n’aient pas séparé les mots par de petits intervalles, comme nous les séparons aujourd’hui, & qu’ils ne se soient pas servis de quelques signes pour indiquer la bonne prononciation.

Voici un passage de Ciceron qui me paroît prouver bien clairement qu’il y avoit de son tems des notes ou signes dont les copistes faisoient usage. Hanc diligentiam subsequitur modus etiam & forma verborum. Versus enim veteres illi, in hâc solutâ oratione propemodum, hoc est, numeros quosdam nobis esse adhibendos putaverunt. Interspirationis enim, non defatigationis nostroe, neque Librariorum notis, sed verborum & sententiarum modò, interpunctas clausulas in orationibus esse voluerunt: idque, princeps Isocrates instituisse fertur. Cic. Orat. liv. III. n. XLIV. « Les Anciens, dit-il, ont voulu qu’il y eût dans la prose même des intervalles, des séparations du nombre & de la mesure comme dans les vers; & par ces intervalles, cette mesure, ce nombre, ils ne veulent pas parler ici de ce qui est déjà établi pour la facilité de la respiration & pour soulager la poitrine de l’Orateur, ni des notes ou signes des copistes: mais ils veulent parler de cette maniere de prononcer qui donne de l’ame & du sentiment aux mots & aux phrases, par une sorte de modulation pathétique ». Il me semble, que l’on peut conclurre de ce passage, que les signes, les notes, les accens étoient connus & pratiqués dès avant Ciceron, au moins par les copistes habiles.”

Les Grecs paroissent être les premiers qui ont introduit l’usage des accens dans l’écriture. L’Auteur de la Méthode Greque de P. R. observe que la bonne prononciation de la langue Greque étant naturelle aux Grecs, il leur étoit inutile de la marquer par des accens dans leurs écrits; qu’ainsi il y a bien de l’apparence qu’ils ne commencerent à en faire usage que lorsque les Romains, curieux de s’instruire de la langue Greque, envoyerent leurs enfans étudier à Athenes. On songea alors à fixer la prononciation, & à la faciliter aux étrangers; ce qui arriva, poursuit cet Auteur, un peu avant le tems de Ciceron.”

L’accent aigu que l’on écrivoit de droit à gauche [`], marquoit qu’il falloit élever la voix en prononçant la voyelle sur laquelle il étoit écrit.

L’accent grave [´], ainsi écrit, marquoit au contraire qu’il falloit rabaisser la voix.

L’accent circonflexe [^] est composé de l’aigu & du grave, dans la suite les copistes l’arrondirent de cette maniere, ce qui n’est en usage que dans le grec. Cet accent étoit destiné à faire entendre qu’après avoir d’abord élevé la voix, il falloit la rabaisser sur la même syllabe.

Les Latins ont fait le même usage de ces trois accens. Cette élevation & cette dépression de la voix étoient plus sensibles chez les Anciens, qu’elles ne le sont parmi nous; parce que leur prononciation étoit plus soûtenue & plus chantante. Nous avons pourtant aussi élevement & abaissement de la voix dans notre maniere de parler, & cela indépendamment des autres mots de la phrase; ensorte que les syllabes de nos mots sont élevées & baissées selon l’accent prosodique ou tonique, indépendamment de l’accent pathétique, c’est-à-dire, du ton que la passion & le sentiment font donner à toute la phrase”

Un gascon, en prononçant cadis, éleve la premiere syllabe ca, & laisse tomber dis comme si dis étoit un e muet: au contraire, à Paris, on éleve la derniere dis.”

« Si dans nos Théatres un Acteur prononce une syllabe breve ou longue autrement qu’elle ne doit être prononcée, selon l’usage, ou d’un ton grave ou aigu, tout le peuple se récrie. Cependant, le peuple n’a point étudié la regle de notre Prosodie; seulement il sent qu’il est blessé par la prononciation de l’Acteur; mais il ne pourroit pas déméler en quoi ni comment; il n’a sur ce point d’autre regle que le discernement de l’oreille; & avec ce seul secours que la nature & l’habitude lui donnent, il connoît les longues & les breves, & distingue le grave de l’aigu »

Oratória de Cícero

Le célebre Lully a eu presque toûjours une extrème attention à ajuster son chant à la bonne prononciation; par exemple, il ne fait point de tenue sur les syllabes breves, ainsi dans l’opera d’Atis,

Vous vous éveillez si matin,

l’a de matin est chanté bref tel qu’il est dans le discours ordinaire; & un Acteur qui le feroit long comme il l’est dans matin, gros chien, seroit également siflé [atual sifflé; reprovado] parmi nous, comme il l’auroit été chez les Anciens en pareil cas.”

En effet, il est certain qu’on ne prononce les mots des langues mortes que selon les inflexions de la langue vivante”

Priscien, qui vivoit dans le 6e siecle, & Isidore, qui vivoit peu de tems après, disent également que les Latins ont dix accens.”

Antigamente, ^ era ~ (para os gregos, que usavam o segundo com a mesma função).

La longue barre, pour marquer une voyelle longue \, longa linea, dit Priscien; longa virgula, dit Isidore.”

L’apostrophe dont nous nous servons encore; les Anciens la mettoient aussi au haut du mot pour marquer la suppression d’une lettre, l’ame pour la ame.”

l’esprit rude des Grecs, dont les copistes ont fait l’h pour avoir la facilité d’écrire de suite sans avoir la peine de lever la plume pour marquer l’esprit sur la lettre aspirée.”

Pour ce qui est des Hébreux, vers le 5e siecle, les Docteurs de la fameuse École de Tibériade travaillerent à la critique des Livres de l’Écriture-sainte, c’est-à-dire, à distinguer les livres apocryphes d’avec les canoniques: ensuite ils les diviserent par sections & par versets; ils en fixerent la lecture & la prononciation par des points, & par d’autres signes que les Hébraïsans appellent accens; desorte qu’ils donnent ce nom, non-seulement aux signes qui marquent l’élevation & l’abaissement de la voix, mais encore aux signes de la ponctuation.”

dans matutinus, nous ne faisons sentir la quantité que sur la pénultieme ti; & parce que cette pénultieme est longue, nous y mettons l’accent aigu, matutìnus.

Au contraire, cette pénultieme ti est breve dans serótinus; alors nous mettons l’accent aigu sur l’antepenultieme ro, soit que dans les vers cette pénultieme soit breve ou qu’elle soit longue. Cet accent aigu sert alors à nous marquer qu’il faut s’arrêter comme sur un point d’appui sur cette antépénultieme accentuée, afin d’avoir plus de facilité pour passer légerement sur la pénultieme, & la prononcer breve.

l’accent circonflexe que nous avons conservé dans l’écriture, quoique nous en ayons perdu la prononciation.

On se sert encore de l’accent circonflexe en Latin quand il y a syncope, comme virûm pour virorum; sestertiûm pour sestertiorum.”

Ces trois sons différens se trouvent dans ce seul mot, fermeté; l’e est ouvert dans la premiere syllabe fer, il est muet dans la seconde me, & il est fermé dans la troisieme . Ces trois sortes d’e se trouvent encore en d’autres mots, comme nètteté, évéque, sévère, repêché, &c.

Les Grecs avoient un caractere particulier pour l’e bref, qu’ils appelloient épsilon, E’YIL\N, c’est-à-dire e petit, & ils avoient une autre figure pour l’e long, qu’ils appelloient Eta, H=TA; ils avoient aussi un o bref, omicron, O’MIXRO\N, & un o long, omega, W’ME’LA.

pourquoi mépriser les racines, puisque sans le suc qu’elles préparent, & qu’elles distribuent, vous ne sauriez avoir ni les branches ni le feuillage” Cícero

& comme le point que les Grecs ne mettoient pas sur leur iota, qui est notre i, est devenu essentiel à l’i, il semble que l’accent devienne, à plus juste titre, une partie essentielle à l’e fermé, & à l’e ouvert, puisqu’il les caractérise.”

Lorsqu’un e muet est précedé d’un autre e, celui-ci est plus ou moins ouvert; s’il est simplement ouvert, on le marque d’un accent grave, il mène, il pèse; s’il est très-ouvert, on le marque d’un accent circonflexe, & s’il ne l’est presque point & qu’il soit seulement ouvert bref, on se contente de l’accent aigu, mon pére, une régle: quelques-uns pourtant y mettent le grave.

Il seroit à souhaiter que l’on introduisît un accent perpendiculaire qui tomberoit sur l’e mitoyen, & qui ne seroit ni grave ni aigu.

Quand l’e est fort ouvert, on se sert de l’accent circonflexe, tête, tempête, même, &c.

Ces mots, qui sont aujourd’hui ainsi accentués, furent d’abord écrits avec une s, beste; on prononçoit alors cette s comme on le fait encore dans nos Provinces méridionales, beste, teste, &c. dans la suite on retrancha l’s dans la prononciation, & on la laissa dans l’écriture; parce que les yeux y étoient accoûtumés, & au lieu de cette s, on fit la syllabe longue, & dans la suite on a marqué cette longueur par l’accent circonflexe. Cet accent ne marque donc que la longueur de la voyelle, & nullement la suppression de l’s.

On met aussi cet accent sur le vôtre, le nôtre, apôtre, bientôt, maître, afin qu’il donnât, &c. où la voyelle est longue: votre & notre, suivis d’un substantif, n’ont point d’accent.”

On met encore l’accent grave sur , adverbe; où est-il? cet vient de l’ubi des Latins, que l’on prononçoit oubi

HANNAH BAKER

LINGUÍSTICA TEXTUAL – Mariangela Rios de Oliveira

 

supuração do tratamento lingüístico

 

respeite o otomano que há dentro de você

respeite o outro mano que há dentro de você

debaixo do capuz de ganster

quando desliga o headphone azul

 

LT: O estudo do texto. (que surpresa!)

 

Para abrir muitas portas para você no mundo acadêmico, utilize CHAVÕES. Um (dois) deles: coesão e coerência.

 

COESÃO

 

  • Referência

 

exoforia, endoforia

anáfora, catáfora

 

ex: pronomes pessoais e possessivos, substantivos aglutinadores

 

PT reasons uai

13 risos por quê

 

  • Substituição

 

ex: sinônimos (sintagmas¹)

 

¹ Apropriação terminológica mais nefasta de um campo do saber!

 

Como pode ser um elo perdido se para ser ‘perdido’ primeiro tivera de ser achado?

 

  • L

(Elisão ou anáfora zero)

 

a elisão de Elisa Samúdio

 

o sujeito é dispensável

 

I I I

Always the center of the world!

 

é nois, somos eu

tanto faz, tanto feiz

 

  • Conjunção

 

ex: então, enfim

retomando o fio da meda após digressionar

 

 

  • Lexical

 

ex: (oralidade) assim assado tipo mais ou menos advérbios substantivos com sufixos que conotem exagero ou facilitem o contraste (aumentativo/diminutivo): vidinha magrinha chocadíssima chocadérrima

(escrita) termos genéricos englobantes como processo, problema ou expressões idiomáticas

 

COERÊNCIA

 

Lolita e seus sentidos

 

  • Domínio linguístico

 

hesitações, alongamentos (quatro pontos) (::)

rupturas (/)

 

clitóris clíticos

 

  • Domínio pragmático
  • Domínio extra-linguístico

conversão de artigos indefinidos em artigos definidos e pronomes possessivos

 

Santa Hipocrísia

FIORIN, A PRAGMÁTICA & O LOUCO BRASIL DOS ANOS 90

Certa ocasião, perguntaram a Sérgio Buarque de Holanda se o Chico Buarque era filho dele e ele respondeu:

– Não, o Chico não é meu filho, eu é que sou pai dele.”

A Pragmática é a ciência do uso e da prática lingüísticas.

Papa(i)s da Pragmática: John Austin & Paul Grice

Você tem fogo, Prometeu?

Você tem promessa, candidato?

ENUNCIAÇÕES

a) dêiticas: eu, tu, aqui, lá, este, agora, ontem

Um dêitico só pode ser entendido dentro da situação de comunicação e, quando aparece, num texto escrito, a situação enunciativa deve ser explicitada.”

b) performativas: juro que, peço desculpas

c) conectivas: mas, porque

d) negativas: não gosto, adoro! (pseudo-paradoxo); ruim não, péssimo! (enfático)…

e) adverbiais: sinceramente, infelizmente, francamente

INFERÊNCIAS

A frase é um fato lingüístico caracterizado por uma estrutura sintática e uma significação calculada com base na significação das palavras que a compõem, enquanto o enunciado é uma frase a que se acrescem as informações retiradas da situação em que é produzida. A mesma frase pode estar vinculada a diferentes enunciados.”

INSTRUÇÕES

Nos anos 1970, a Pragmática era considerada por muitos a <lata de lixo da Linguística>” BENZADEUS

PRAGMÁTICA VS. SEMÂNTICA OU PRAGMÁTICA & SEMÂNTICA

um enunciado será performativo quando puder transformar-se em outro enunciado que tenha um verbo performativo na primeira pessoa do singular do presente do indicativo da voz ativa. Os enunciados que não contêm um verbo performativo na pessoa, no tempo, no modo e na voz indicados serão chamados performativos implícitos”

Vai me perdoar, mas você está demitido – é para o seu bem!!!

Austin: “quando se diz algo, realizam-se 3 atos: o ato locucionário (ou locucional), o ato ilocucionário (ou ilocucional) e o ato perlocucionário (ou perlocucional).”

ato locucionário: dizer (1)

a. iloc.: realização (interna) (2)

a. perloc.: realização (efeito, impacto sobre o interlocutor/ouvinte) (3)

(1) Digo isto; (2) isto é uma advertência (dou sinais suficientes para que você perceba); (3) você entendeu (captou) a advertência, seja lá como foi que reagiu.

Lembrar da “marcação” funcionalista: o ato ilocucional está marcado (sensível na língua, ato de comunicação), o ato perlocucional não.

a t o d e s c r i a t i v o

Searle: reformulação: ato ilocucional + conteúdo proposicional

atos de fala indiretos

súcubente de seaman de naranja

suckumbent for leather

– E esse cigarro aí, cumpadi…

– É um Camel com 0.8mg de alcatrão, conhece?

teoria interacionista

Na sociedade brasileira da primeira metade do séc. XX, como se lê nos manuais de etiqueta, não se agradecia aos criados, aos garçons, etc. Hoje, agradece-se a eles por qualquer serviço que nos prestam. (…) Por outro lado, fórmulas religiosas de agradecimento, como Que Deus lhe dê em dobro ou Que Deus lhe abençoe só subsistem nas áreas menos modernas do país.”

Austin mostrou que dizer é fazer; os interacionistas, na fórmula de Orecchioni, mostram que dizer é fazer fazer. Isso significa que os atos de linguagem têm um efeito muito grande nas relações interpessoais, o que abriu um novo campo para a Linguística, o estudo da polidez lingüística.” Infelizmente já tiramos o chapéu para o próximo cabide humano que nos “força” a falar e gesticular: como sinaleiros de trânsito que alternam do vermelho para o verde.

O mero caráter da ode “c” e a e lhe a “dá”.

OLHO NO LINCEEEEE

ÉÉÉ

do camisa 10 foi foi foi

ERATÓSTENES

OLÊ OLÊ OLÁ

A LINGUAGEM AOS 60 VAI VIRÁ

Essas regras de polidez articulam-se sobre a teoria das faces, desenvolvida por Brown e Levinson, na seqüência dos trabalhos de Goffman. Face é o amor-próprio do sujeito.”

Eu pequei contra o Espírito Santo Comteano

O Campeão Absoluto Nietzsche-ano

EcceHomodoAno2.018

atualização antivirótica

Acorda.

No aeroporto de Viracopos

Todo re-virado

no Jirinoraiya

dará, faz-se

AO DEUS DAR-A-FACE

aqui se face aqui se apaga

À qui? Ao cu de praxe

É que se mete a vara

O conselheiro teclava em seu ordenador pedindo ameaças gentis.

Faça uma ordem de pizza agora!

Sua exigência foi atendida com sucesso.

Dando conselhos a esmo.

Deposite sua proibição na caixinha de recepções januárias.

não se critica um trabalho, sem fazer uma série de preliminares que mostram que ele está bom.” Aos mal-educados basta argumentar “eu não nasci inclinado para essas falas rituais”. Isso salva a falta de educação: eu sou assim, não escolhi ser assim, os padrões impostos pela sociedade ferem minha espontaneidade que me é cara, amem-me!

tenta-se evitar o excesso de atos valorizadores da face, pois o falante poderia parecer hipócrita ou bajulador, bem como a falta de minimização de atos ameaçadores da face, pois o falante poderia parecer grosseiro.”

UMA CONVERSA MUDERNA

– Ou, você tem que mudar esse seu jeito!…

– Eu tô logada, véi!

quem diz a verdade só chama a-tensão

divulga fatos

Paulo o espalhafatoso

testemunha de Jeovaia

testículo de Jeová

DATAÇÃO DE CARBONO-14 DO TEXTO ELEVADA, QUANDO NÃO SE INCORRIA EM RISCO DE SER APEDREJADO PELOS “HOMENS DE BEM” AO ILUSTRAR CONTEÚDOS IMPLÍCITOS DESTA FORMA: “Quando se sabe que o PT é um partido que denuncia sistematicamente a corrupção nos diversos escalões do governo e se diz Certos deputados do PT são corruptos, o que se está significando é que o PT é um partido como qualquer outro e, portanto, não se pode considerar ao abrigo da corrupção.” “P.ex., é uma informação banal no Brasil dizer que o PT não ocupa a Presidência da República nem ministérios.”

versão pura 10ntada e recatada

O replicante 10rd

NEOLOGISMAR É A ULTRATRANSMITIDA MISSÃO: “Grice não usa o termo implicação, porque a noção de implicatura é mais ampla do que a de implicação, já que esta só pode ser provocada por uma expressão lingüística, enquanto aquela pode ser suscitada por expressões lingüísticas e pelo contexto ou pelos conhecimentos prévios do falante.”

LOGO SE ESTARÁ SUSPEITANDO DA PRÓPRIA SOMBRA CAÇANDO SUBENTENDIDOS A CADA VÍRGULA HONESTA (O SEGUNDO GRAU DO PARENTESCO DA SENHORA DESCONFIANÇA): “Em Ele é aluno de Letras, mas sabe escrever, há uma implicatura desencadeada pela conexão entre as duas orações com a conjunção mas: os alunos de Letras não sabem escrever. É uma implicatura convencional. No enunciado A defesa da tese de Mário correu bem, não o reprovaram, há uma implicatura de que a tese não presta. É uma implicatura conversacional, pois não advém da significação de nenhuma palavra da frase, mas dos conhecimentos prévios do interlocutor. No caso, sabe-se que dificilmente uma tese é reprovada, portanto a menção ao fato de que ele não foi reprovado significa que o falante está dizendo, implicitamente, que a tese não é boa.”

MENTE POLUÍDA (VIRGENS DA ACADEMIA): “Quando se diz André vai encontrar uma mulher à noite, a implicatura é que a mulher com quem vai encontrar-se não é sua mãe, sua irmã, sua esposa, etc., mas que esse encontro é de natureza sexual.”

princípio da cooperação

penso nos esquizos que não sabem conversar (T. & M.)

máximas conversacionais multivetoriais

what about nonsense¿

Samuel boquete

uniconversascórniocórneasfecheosolhosclimatempo

O que comprova a existência da máxima da qualidade é a impossibilidade de produzir enunciados como Comprei um revólver, mas não acredito que o tenha comprado.”

Quando no conto <A negrinha>, de Monteiro Lobato, o narrador diz A excelente Dona Inácia era mestra na arte de judiar de crianças, não se pode inferir a implicatura de que ele acredite que Dona Inácia era excelente, pois a ironia obriga a entender o contrário do que foi dito.”

Quando um falante diz A mulher de João o está traindo e o interlocutor percebe que João está ouvindo a conversa e diz Onde você comprou esta camisa?, a resposta não é incoerente, mas apresenta a implicatura Mudemos de assunto.”

Gosto de dois tipos de homens: os que têm bigode e os que não têm.”

Mae West

Quando dois amigos estão discutindo se vão a um jogo de futebol ou a um restaurante e um deles diz O Morumbi é muito desconfortável, infere-se que ele está dizendo que não quer ir ao jogo.”

O discurso poético cultiva a ambivalência, o discurso eufêmico infringe a máxima da quantidade, o discurso irônico viola a máxima da qualidade.”

Não se pode ser irônico o tempo todo, ou se pode?

Pode-se ser poeta a noite toda.

Principalmente dormindo.

eu-feminado à flor da pele

Quando se toma o exemplo clássico Pedro parou de fumar, nota-se que há um conteúdo explícito, Pedro não fuma atualmente, e dois conteúdos implícitos, Pedro fumava antes e Que isso sirva de exemplo para você.”

Quando alguém diz Minha mulher gastou neste ano 100 mil reais, o verdadeiro objeto do dizer não é Sou casado (pressuposto), mas Gastou neste ano 100 mil reais (posto).”

Enquanto a Linguística que tem por objeto o sistema ou o conhecimento dirá que a célebre frase de Chomsky As verdes idéias incolores dormem furiosamente é agramatical, a Pragmática afirmará que, num contexto em que se discorre sobre as idéias dos ecologistas (verdes idéias) que perderam o apelo que tinham (incolores), mas que continuam a atuar ativamente no substrato da sociedade (dormem furiosamente), ela pode perfeitamente ser usada, pois a Pragmática explica o uso real.”

APROFUNDAMENTO

Austin – Quando dizer é fazer. Palavra e ação, 1990.

Ducrot – Princípios de semântica lingüística: dizer e não dizer, 1977. (considerada uma obra clássica da pré-Pragmática)

Grice – Lógica e conversação (capítulo, disponível em diferentes coletâneas)

Ottoni – Visão performativa da linguagem, 1998. (revisão de Austin e seu legado)

Searle – Os actos de fala: um ensaio de filosofia da linguagem, 1991.

AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM – Cezario & Martelotta

RECAPITULAÇÃO GERATIVISMO

a) Radford e a aplicação da psicologia pagietiana ao paradigma de C.: hipótese maturacional de aquisição

b) Hyams e o continuísmo

PERSPECTIVAS APARENTADAS

1. COGNITIVISMO CONSTRUTIVISTA

Cognitivismo epigenético (Piaget p.d.).

Foco: interação ambiente-organismo

(meio-termo gerativismo-interacionismo russo)

2. INTERACIONISMO SOCIAL

Vygotsky

Foco: social

fala e pensamento como entidades separadas no bebê.

fala egocêntrica” aos 2 anos.

interação com adultos & internalização

3. SOCIOCOGNITIVISTA (FUNCIONALISMO)

Síntese tripla do tratado supra

reconhecimento da “intenção”

Problema: estende a capacidade de linguagem aos símios, ou, analogamente, retira a dos primeiros hominídeos.

Só o “homem cultural” posterior é o verdadeiro ente-que-se-comunica.

O solipsismo e o fim da cultura são uma séria ameaça a este corrente, que nasceu contemporaneamente a esses “fenômenos compulsórios” (ironia, não?).

As cenas de atenção compartilhada constituem algum tipo de meio-termo – um meio-termo essencial da realidade socialmente compartilhada – entre o grande mundo perceptual e o pequeno mundo lingüístico.”