ÉCRITS «INSPIRÉS»: SCHIZOGRAPHIE – Lacan, en collaboration avec Lévy-Valensi et Migault, 1931. In: Annales médico-psychologiques, t. II. Traduzido. Íntegra em https://escritosavulsos.com/1931/11/12/escritos-inspirados-esquizografia/

Gaëtan Gatian de Clérambault [1872-1934] é considerado, por muitos, o último e mais brilhante dos clássicos. Obteve, em 1905, o cargo de médico adjunto da Enfermaria Especial do Comando de Polícia, onde já era interno de Paul-Émile Garnier [1848-1905]. Com a morte de Ernest Dupré [1862-1921], que havia sido seu professor, torna-se médico-chefe da instituição. Lacan o considerava seu <único mestre em psiquiatria> (cf. C.M. Ramos Ferreira; J. Santiago [2014] Apresentação de pacientes: Clérambault, mestre de Lacan. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, vol. 17, n. 2. São Paulo, junho de 2014. Disponível em: <dx.doi.org/10.1590/1984-0381v17n2a05>). Ademais, cumpre notar que Clérambault entendeu o presente artigo como sendo uma divulgação não-autorizada das suas próprias ideias a respeito da paranoia, de modo que Lacan suprimirá o texto quando da reedição de sua tese de doutorado, onde figurarão outros de seus <Primeiros escritos sobre a paranoia>. (N. do T.)”

Jules Séglas [1856-1939] — alienista hospitalar entre os anos de 1886 e 1921 e presidente da Sociedade Médico-Psicológica (1908) — vinha minorando, desde o ano de 1914, o aspecto sensório-motor do fenômeno alucinatório; aproximava-o, assim, ainda mais do delírio e, portanto, de certa psicogên[e]se da alucinação. Anos depois, criticará sua primeira teoria da alucinação, baseada na excitação dos <centros nervosos> — teoria que, na época, já não sustentava mais a comparação com a clínica moderna da afasia. Com isso, a clínica da alucinação vai se articulando com a ideia de uma patologia da linguagem interna, e as alucinações psicomotoras acabam se equivalendo a uma exofasia (a linguagem interna se aliena do sujeito e o pensamento se articula quase que automaticamente em movimento). Séglas distingue isso da hiperendofasia, que seria o excesso da linguagem interna — que ele acredita estar mais próximo da auditivação e da perseguição. Cf. P. La Sagna, ‘Séglas et le système de l’Autre Méchant’, La cause freudienne, vol. 74, n. 1, pp. 201-221. Disponível em: <www.cairn.info/revue-la-cause-freudienne-2010-1-page-201.htm>. Cf. também: J. Séglas, ‘Hallucinations psychiques et pseudo-hallucinations verbales’, Journal de psychologie normale et pathologique, vol. 11, 1914. (N. do T.)”

Mentismo noturno: “De acordo com o alienista Philippe Chaslin [1857-1923], trata-se de um fluxo rápido e incontrolável de pensamentos e imagens que o sujeito não consegue interromper, tipicamente acompanhado de ansiedade e ocorrendo geralmente quando se está para dormir, causando insônia. (N. do T.)”

Georges Clemenceau [1841-1929] foi um médico francês que cedo se tornaria estadista, integrando a Assembleia Nacional. Atuando como jornalista, fundou o periódico La Justice e foi o responsável pela publicação do famigerado J’accuse de Émile Zola, em 13 de janeiro de 1898, no jornal L’Aurore, do qual era editor-chefe. Foi senador e primeiro-ministro, chefiando o país durante a Primeira Guerra Mundial. (N. do T.)”

Acreditei compreender que estão fazendo do meu caso uma questão parlamentar… mas é tão velado, tão difuso”

Lipotimia: “Perda de força muscular, porém sem perda de consciência, com conservação das funções respiratória e cardíaca. É acompanhada de palidez, suores frios, vertigens, zumbido nos ouvidos e a impressão de desmaio iminente. (N. do T.)”

Acrescentemos aqui algumas notas sobre o estado somático da doente. Elas são negativas, sobretudo. Cumpre reter: uma gripe em 1918 [isso é grave, doutor!!]; um cafeinismo evidente; um regime alimentar irregular; um tremor nítido e persistente nos dedos” Oops…

A LÍNGUA ESTÁ SEMPRE VOLTANDO: “Em todo caso, vale ressaltar que, no campo dos estudos da linguística diacrônica, reconhece-se a presença da forma amur na linha histórica que culmina no termo francês moderno — de modo que o neologismo da paciente poderia ser entendido, de certa maneira, também como um arcaísmo. Cf. Christian Schmitt, ‘Cultisme ou Occitanisme? Étude sur la provenance du français amour et ameur’, Romania, 1973, vol. 376, pp. 433-462. Disponível em: <www.persee.fr/doc/roma_0035-8029_1973_num_94_376_2386>. (N. do T.)”

Eu sou irmão do rato mau que te enrouca se você faz a rota da mãe do sabiá fuinha e refeito de pinho, mas, se você é sol e poeta de feitos, eu banco o Revisto, desse lugar eu vou sair. Botei a pata no teu patavina. Tempestade é uma ova, tua cova compro eu Senhor.

Marcelle Ch. no xadrez é nada cortês com os poetas sem vez, mas deixa cem vez mais esquifes que mil patifes.

Genin.(*)”

Em 10 de novembro pede-se à doente que escreva aos médicos uma carta curta em estilo normal. Ela logo o faz, em nossa presença e com sucesso. Pede-se a ela, em seguida, que escreva um post-scriptum seguindo as suas <inspirações>. Aqui está o que ela nos oferece:

Post-Scriptum inspirado.

Queria descobri-los os mais inéditos senhores na marmota do mico mas estão aterrados porque os odeio a ponto de querê-los todos salvos. Fé d’Arma e de Marna para ensafadá-los e fazê-los chorar o fardo alheio, o meu não.

Marna do diabo.”

Vale lembrar que Marne au diable [Marna do diabo] evoca La mare au diable [O charco do diabo], o título de um romance campestre da autoria de George Sand [1804-1876] e que havia sido publicado em 1846. O livro conta a história de Germain(*), um jovem viúvo que, após cair num luto profundo com o falecimento da esposa — que havia deixado o marido e três filhos —, procura se casar novamente, encorajado pelo sogro. Ao saber que havia uma viúva numa região vizinha (Catherine Guerin) que também estava procurando se casar de novo, Germain vai ao seu encontro acompanhado de Marie — uma moça cuja guarda lhe foi confiada e irá trabalhar numa fazenda perto do local onde mora a viúva — e de um dos filhos, que embarca clandestinamente na viagem. No entanto, um temporal tira o grupo do caminho, fazendo com que busquem refúgio numa floresta, onde passam a noite ao lado de um charco — episódio decisivo para o restante da história. (N. do T.)”

Frequentemente o fim da carta preenche a margem. Nenhuma outra originalidade de disposição. Não há sublinhados.

Nenhuma rasura. O ato de escrever, quando o testemunhamos, realiza-se sem interrupção, como que sem pressa.”

A doente afirma que aquilo que ela exprime lhe é imposto, não de uma forma irresistível — nem mesmo rigorosa —, mas de um modo já formulado. É, no sentido forte do termo, uma inspiração.

Essa inspiração não a perturba quando escreve uma carta em estilo normal na presença do médico. Ela advém, em contrapartida — e, ao menos episodicamente, é sempre acolhida —, quando a doente escreve sozinha. Mesmo numa cópia dessas cartas, destinada a ser guardada, ela não descarta uma modificação do texto que lhe é <inspirada>.”

Para os escritos recentemente compostos, na maioria das vezes ela oferece interpretações que aclaram o mecanismo de sua produção. Só nos damos conta disso quando nos submetemos a uma análise objetiva. Com Pfersdorff, atribuímos a toda interpretação dita <filológica> um valor apenas de sintoma.” Nota do tradutor: “Charles Pfersdorff [1875-1953], médico que havia se formado na Kaiser-Wilhelms-Universität (Estrasburgo), passou a atuar como assistente na Clínica Médica do Hospital Civil da cidade em 1899. Foi para Viena em 1901 a fim de estudar seis meses com Richard von Krafft-Ebing [1840-1902]; e no ano seguinte, para Heidelberg, onde estudou com Emil Kraepelin [1856-1926] durante um ano. Já tendo atuado como professor na Universidade de Estrasburgo antes da Guerra — que o levou à frente de batalha, mantendo-o afastado da docência —, retorna à cidade em 1917 e, em 1919, assume a cátedra de psiquiatria, da qual será titular até o ano de 1945. Suas contribuições se deram em torno de três temas principais: a demência precoce, a esquizofrenia (especialmente do ponto de vista dos aspectos linguísticos) e as crianças com deficiência intelectual.”

estado de estenia que acompanha as inspirações”

Eu faço a língua evoluir. É preciso sacudir todas essas velhas formas”

Henry Head [1861-1940] foi um neurologista inglês que realizou pesquisas pioneiras no campo dos sistemas sensoriais. Seu último grande trabalho, Aphasia and kindred disorders of speech [Afasia e outros distúrbios da fala aparentados], foi avaliado por Macdonald Critchley (The black hole and other essays [London: Pitman, 1964]) como <a melhor monografia sobre o tema da afasia na literatura neurológica”. Ao descrever a “afasia semântica> nessa obra, Head propõe um vínculo entre os aspectos linguísticos e intelectuais da fala, algo cujas implicações posteriormente receberiam crédito e ampliação de afasiologistas moderno[s]. (N. do T.)”

Numa primeira abordagem eles estão reduzidos ao mínimo. Contudo, encontram-se elisões silábicas que incidem frequentemente — ponto digno de nota — na primeira sílaba; assaz frequentemente o esquecimento de uma partícula, no mais das vezes de uma preposição: por ou de etc. Acaso se trata daqueles curtos barramentos ou inibições do curso do pensamento que fazem parte dos sutis fenômenos negativos da esquizofrenia? O fato é ainda mais difícil de afirmar por conta de a doente dar dele interpretações delirantes. Ela suprimiu esse e ou aquele de porque ele teria botado a sua iniciativa a perder. Nos escritos ela faz alusão a isso.”

A ruminação mental consiste no retorno obsedante dos mesmos pensamentos improdutivos ou das mesmas preocupações, dominados pela dúvida, sem que possam ser descartados da consciência. (N. do T.)”

as palavras pamonha, de onde derivam pamonhuda e pamonhona, que são xingamentos que designam sempre a sua principal inimiga, a Srta. G…”

Em passagens bem mais raras, o vínculo sintático é destruído e os termos formam uma sequência verbal organizada pela associação assonante de tipo maníaco (…) Em parte, a fadiga condiciona essas formas, que são mais frequentes no final das cartas.”

Os experimentos feitos por alguns escritores sobre um modo de escrita que eles chamaram de <surrealista>, e cujo método descreveram muito cientificamente, mostram o grau de notável autonomia a que podem chegar o[s] automatismos gráficos fora de toda e qualquer hipnose.”

Ao cabo de nossa análise, constatamos ser impossível isolar na consciência mórbida o fenômeno elementar, psicossensorial ou puramente psíquico, que seria o núcleo patológico ao qual a personalidade que permaneceu normal reagiria. O distúrbio mental nunca está isolado.”

Nada é, em suma, menos inspirado — no sentido do espírito — do que esse escrito sentido como inspirado. É quando o pensamento é curto e pobre que o fenômeno automático o suplementa. Ele é sentido como exterior porque suplementa um déficit do pensamento. Ele é julgado como válido porque é convocado par uma emoção estênica.”

A respeito da esquizofasia/esquizografia e seus efeitos na história da psicanálise através da teorização tardia de Jacques Lacan, bem como sua relação com a vanguarda poética e literária da época, cf. F. Hulak, ‘Schizographie, l’avant-garde d’un symptôme’, L’Évolution Psychiatrique, vol. 82, n. 2, abr.–jun. de 2017, pp. 279-290. Disponível em: <www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0014385515001140>. Cf. também: J. Chénieux-Gendron, ‘Jacques Lacan, L’Autre de André Breton’. In: É. Marty,  Lacan et la littérature. Paris: Éditions Manucius, 2005, pp. 27-48. [Em português: <Jacques Lacan, ‘O Outro’ de André Breton> (Trad. R.E. Franco), Manuscrítica, n. 29, 2015. Disponível em: <www.revistas.fflch.usp.br/manuscritica/article/view/2351>.

ANTES DE BRASÍLIA SÓ EXISTIA O RIO DE JANEIRO (E uma viagem à Paris flaubertiana)

ARQUITETURA BRASILEIRA – Lúcio Costa & al.

Serviço de Documentação – Ministério da Educação e Saúde (Os Cadernos de Cultura).

DEPOIMENTO DE UM ARQUITETO CARIOCA

No segundo quartel do século XIX, o arquiteto francês Auguste Henri Victor Grandjean de Montigny, formado na prestigiosa tradição acadêmica então em voga, conseguia finalmente, depois de longos anos de penosas atribulações e mal-disfarçada hostilidade, dar início ao ensino regular da arquitetura no próprio edifício construído por ele para sede da recém-fundada Academia de Belas-Artes.

Integrava-se assim, oficialmente, a arquitetura do nosso país no espírito moderno da época, ou seja, no movimento geral de renovação inspirado, ainda uma vez, nos ideais de deliberada contensão plástica próprios do formalismo neoclássico, em contraposição, portanto, ao dinamismo barroco do ciclo anterior, já então impossibilitado de recuperação, ultrapassadas que estavam as suas últimas manifestações, cujo <desenho irregular de gosto francês> — segundo expressão da época — motivara, pejorativamente como de praxe, o qualificativo de rococó.” Brasileiro será a raça que mais aprecia ‘botar apelidos’?

Neste segundo quartel do século XX, apenas encerrado, aportou à Guanabara um compatriota do ilustre mestre, procedente como ele da mesma École des Beaux Arts, velha matriz das instituições congêneres espalhadas pelo mundo, — mas, desta vez, simples aluno e especialmente credenciado pelo presidente do Diretório Acadêmico da referida escola — o Grand Massier — para coligir material relacionado com a nossa arquitetura moderna, a fim de organizar uma exposição no recinto daquele tradicional estabelecimento de ensino, e de assim corresponder ao excepcional interesse ali despertado pelas realizações da arquitetura brasileira contemporânea.”

Semelhante empreendimento, verdadeiramente digno dos tempos novos, no dizer do autor, e capaz de valorizar a excepcional paisagem carioca por efeito do contraste lírico da urbanização monumental, arquitetonicamente ordenada, com a liberdade telúrica e agreste da natureza tropical, foi qualificada como irreal e delirante, porque em desacordo cem as possibilidades do nosso desenvolvimento; porque o brasileiro, individualista por índole e tradição, jamais se sujeitaria a morar em apartamentos de habitação coletiva [?]; porque a nossa técnica, o nosso clima… enfim, a velha história da nossa singularidade: como se os demais países também não fossem cada qual <diferentes> a sua maneira.”

Houve procura; houve capitais; houve capacidade técnica e houve até mesmo, nalguns casos, qualidade arquitetônica. Faltou apenas a necessária visão.” Hehe.

como explicar que, de um lado, a proverbial ineficiência do nosso operariado, a falta de tirocínio técnico dos nossos engenheiros, o atraso da nossa indústria e o horror generalizado pela habitação coletiva se pudessem transformar a ponto de tornar possível, num tão curto prazo, tamanha revolução nos <usos e costumes> da população, na aptidão das oficinas e na proficiência dos profissionais; e que, por outro lado, uma fração mínima dessa massa edificada, no geral de aspecto vulgar e inexpressivo, pudesse alcançar o apuro arquitetônico necessário para sobressair em primeiro plano no mercado da reputação internacional, passando assim o arquiteto brasileiro, da noite para o dia e por consenso unânime da crítica estrangeira idônea, a encabeçar o período de renovação que vem atravessando a arquitetura contemporânea, quando ainda ontem era dos últimos a merecer consideração?”

Se, com respeito ao surto edificador e ao modo de morar, os fatos se explicam como decorrência mesma de umas tantas imposições de natureza técnica e econômico-social, outro tanto não se poderá dizer quanto à revelação do mérito excepcional daquela porção mínima do conjunto edificado, já que a febre construtora dos últimos 25 anos não se limitou, apenas, às poucas cidades do nosso país mas afetou toda a América, a África branca e o Extremo Oriente, sem que adviesse daí qualquer manifestação com iguais características de constância, maturidade e significação; e, ainda agora, a reconstrução européia não deu lugar, ao contrário do que fôra de esperar, senão a raros empreendimentos dignos de maior atenção, como, por exemplo, o caso excepcional de Marselha.”

O desenvolvimento da arquitetura brasileira ou, de modo mais preciso, os fatos relacionados com a arquitetura no Brasil nestes últimos cinqüenta anos, não se apresentam concatenados num processo lógico de sentido evolutivo; assinalam apenas uma sucessão desconexa de episódios contraditórios, justapostos ou simultâneos, mas sempre destituídos de maior significação e, como tal, não constituindo, de modo algum, estágios preparatórios para o que haveria de ocorrer.”

Dois fatores fundamentais condicionaram a natureza das transformações (…) a abolição (…) O negro era esgoto; era água corrente no quarto, quente e fria; era interruptor de luz e botão de campainha; o negro tapava goteira e subia vidraça pesada; era lavador automático, abanava que nem ventilador.”

Aliás, a criadagem negra e mestiça foi precursora da americanização dos costumes das moças de hoje: as liberdades de conduta, os <boy-friends>, os <dancings> e certos trejeitos vulgares já agora consagrados nos vários escalões da hierarquia social.”

Data de então, além da construção de casas minúsculas em lotes exíguos, os pseudo-bungalows, a brusca aparição das casas de apartamentos — o antigo espantalho da habitação coletiva — solução já então corrente alhures, mas retardada aqui em virtude precisamente daquelas facilidades decorrentes da sobrevivência tardia da escravidão.”

[?] Quando li “habitação coletiva” pela 1a vez pensei imediatamente em apartamentos que fossem divididos por várias famílias – curioso como hoje apartamento se identifica totalmente com a acepção de <individual> e <privado>!

O segundo fator, de ação ainda mais prolongada e tremenda repercussão internacional, porque origem da crise contemporânea, cujo epílogo parece cada vez mais distante —, foi a revolução industrial do século XIX.”

Estabeleceu-se, desse modo, o divórcio entre o artista e o povo: enquanto o povo artesão era parte consciente na elaboração e evolução do estilo da época, o povo proletário perdeu contato com a arte. Divórcio ainda acentuado pelo mau gosto burguês do fim do século, que se comprazia, envaidecido, no luxo barato dos móveis e alfaias da produção industrial sobrecarregada de enfeite pseudo-artístico, enquanto a arquitetura, hesitante entre o funcionalismo neo-gótico do ensino de Viollet-le-Duc e as reminiscências do formalismo neoclássico do começo do século, se entregava aos desmandos estucados dos cassinos e aos espalhafatosos empreendimentos das exposições internacionais, antes de resvalar para as estilizações, destituídas de conteúdo orgânico-estrutural, do <art-nouveau> de novecentos.”

desde o mundialmente famoso Palácio de Cristal, da exposição de Londres de 1851 (velho de um século — e ainda se invoca a <precipitação> do modernismo!), do elegante molejo das caleches [palavra importada sem alteração do francês – “Viatura de tração animal, de dois assentos de frente um para o outro e quatro rodas, aberta por diante”] e do tão delicado e engenhoso arcabouço dos guarda-chuvas — versão industrializada do modêlo oriental — até as cadeiras de madeira vergada a fogo, ou de ferro delgadíssimo, para jardim, e as estruturas belíssimas criadas pelo gênio de Eiffel.”

Conquanto a planta da casa ainda preservasse a disposição tradicional do império, com sala de receber à frente, refeitório com puxado de serviço aos fundos e duas ordens de quartos ladeando extenso corredor de ligação, cuja tiragem garantia a boa ventilação de todos os cômodos, o seu aspecto externo modificara-se radicalmente; não só devido à generalização dos porões habitáveis, de pé direito extremamente baixo em contraste com a altura do andar, e que se particularizavam pelos bonitos gradeados de malha miúda (como defesa contra os gatos), mas por causa da troca das tacaniças [“cada um dos lanços triangulares laterais do telhado, em telhados de quatro águas com planta retangular, por oposição à água-mestra”] do telhado tradicional, de quatro águas [“cada uma das vertentes de um telhado”] pela dupla empena [“parede lateral de um edifício, geralmente sem janelas ou aberturas, através da qual um edifício pode encostar a outro”] do chalet, na sua versão local algo contrafeita por pretender atribuir certo ar faceiro ao denso retângulo edificado.” !!!

os jardins, filiados ainda aos traçados românticos de Glaziou, faziam-se mais caprichosos, com caramanchões, repuxos, grutas artificiais, pontes à japonesa e fingimentos de bambu; os elaborados recortes de madeira propiciados pela nova técnica de serragem guarneciam os frágeis varandins e as empenas, cujos tímpanos se ornavam com estuques estereotipados, enquanto os vidros de côr ainda contribuíam para maior diferenciação.”

as couçoeiras [soleira, peça oca feita para girar o eixo da porta] e frisos [barras] de pinho de Riga para o madeiramento dos telhados e vigamento dos pisos e respectivo soalho, chegavam aqui mais baratos e mais bem-aparelhados que a madeira nativa; as telhas mecânicas Roux-Frères, de Marselha, eram mais leves e mais seguras; os delgados esteios e vigas procedentes dos fornos de Birmingham ou de Liège facilitavam a construção dos avarandados corridos de abobadilhas [“abóbadas de tijolo pouco côncavas”] à prova de cupim. Vidraças inteiriças Saint Gobain, papéis pintados para parede, forros de estamparia, mobílias já prontas, lustres para gás e arandelas [aparadeiras ou luminárias] vistosas, lavatórios e vasos sanitários floridos — tudo se importava, e a facilidade relativa das viagens aumentava as oportunidades do convívio europeu.”

COM O PERDÃO DO TROCADILHO DUPLO, FAZ UMA ESTILIZAÇÃO DA REVOLUÇÃO TÉCNICA (SUPERESTIMAÇÃO DA ‘ECONOMIA’ COMO MOTOR DO MUNDO): “A distinção entre transformações estilísticas de caráter evolutivo, embora por vêzes radicais, processadas de um período a outro na arte do mesmo ciclo econômico-social — e, portanto, de superfície —, e transformações como esta, de feição nìtidamente revolucionária, porquanto decorrentes de mudança fundamental na técnica da produção — ou seja, nos modos de fabricar, de construir, de viver —, é indispensável para a compreensão da verdadeira natureza e motivo das substanciais modificações por que vem passando a arquitetura e, de um modo geral, a arte contemporânea, pois, no primeiro caso, o próprio <gôsto>, já cansado de repetir soluções consagradas, toma a iniciativa e guia a intenção formal no sentido da renovação do estilo, ao passo que, no segundo, é a nova técnica e a economia decorrente dela que impõem a alteração e lhe determinam o rumo — o gôsto acompanha. Num, simples mudança de cenário; no outro, estréia de peça nova em temporada que se inaugura.” Temporada de caça ao arco-da-velha

Não foi pois, em verdade, sem propósito que o começo do século se revestiu, no Rio de Janeiro, das galas de um autêntico espetáculo. O urbanismo providencial do prefeito Passos, criador das belas avenidas Beira-Mar e Central, além de outras vias necessárias ao desafogo urbano, provocara o surto generalizado de novas construções, dando assim oportunidade à consagração do ecletismo arquitetônico, de fundo acadêmico, então dominante.

É comovente reviver, através dos artigos do benemérito Araújo Viana, a inauguração, a 7 de setembro de 1904, do eixo da Avenida, iluminada com <70 lâmpadas de arco voltaico e 1200 lâmpadas incandescentes>, além dos grandes painéis luminosos, quando o bonde presidencial a percorreu de ponta a ponta, aclamado pelo cândido entusiasmo da multidão.

Em pouco tempo brotava do chão, ao longo da extensa via guarnecida de amplas calçadas de mosaico construídas por calceteiros importados, tal como o calcário e o basalto, especialmente de Lisboa, toda uma série de edificações de vulto e aparato, para as quais tanto contribuíam conceituados empreiteiros construtores, de preferência italianos, como os Januzzi e Rebecchi, quanto engenheiros prestigiosos que dispunham do serviço de arquitetos anônimos, franceses ou americanos — os nègres, da gíria profissional — e, finalmente, arquitetos independentes a começar pelo mago [!!] Morales de los Ríos, cuja versatilidade e mestria não se embaraçavam ante as mais variadas exigências de programa, fôsse a nobre severidade do próprio edifício da Escola — então dirigida por Bernardelli e exemplarmente construída, embora hoje, internamente desfigurada —, ou o gracioso Pavilhão Mourisco de tão apurado acabamento e melancólico destino.

Enquanto tal ocorria nas áreas novas do centro da cidade, nos arrebaldes o chalet caía de moda, refugiando-se pelos longínquos subúrbios, e, nos bairros elegantes de Botafogo e Flamengo — onde, mesmo antes do fim do século, construíam-se formalizados <vilinos> de planta simétrica, poligonal ou ovalada, e aparência distinta (como, por exemplo, à rua Laranjeiras, 29) e, noutro gênero e com outra intenção, toda uma série de casas irmãs, combinando sabiamente a pedra de aparelho irregular, com as cercaduras e cornijas de tijolos aparentes, protegidas por amplos beirais de inspiração a um tempo tradicional e florentina (ruas Cosme Velho, Bambina, Álvaro Chaves) — já começava a prevalecer nova orientação.”

#CarasErudita “à Avenida Atlântica, esquina de Prado Júnior, onde morou Tristão da Cunha, agora desmantelada e inerme à espera do fim e que ainda ostenta no cunhal o timbre do arquiteto Silva Costa (…) a casa já demolida onde residiu, também no Leme, dona Lúcia Coimbra, née Monteiro” Saudosa Dona Lúcia viúva de Coimbrinha, saudoso Tristão, ah meu compadre Costinha (nepotismo, sempre bom), bons tempos aqueles!

o tão simpático atelier dos irmãos Bernardelli, afoitamente demolido” Dommage!

a sede social do Jockey Club, anteriormente ao acréscimo de 1925 que tanto a desfigurou”

Com o primeiro pós-guerra, outras tendências vieram a manifestar-se. O sonho do <art-nouveau> se desvanecera, dando lugar à <arquitetura de barro>, modelada e pintada por aquele prestidigitador exímio que foi Virzi, artista filiado ao <modernismo> espanhol e italiano de então, ambos igualmente desamparados de qualquer sentido orgânico-funcional e, portanto, destituídos de significação arquitetônica.”

Simultàneamente, ocorria também a arquitetura residencial cem por cento tedesca [X-Kroots!] de Riedlinger e seus arquitetos (construtores do típico Hotel Central), caracterizada pelo deliberado contraste do rústico pardo ou cinza — <à vassourinha> — das paredes, com o impecável revestimento claro dos grandes frontões de contorno firme; pelo nítido desenho da serralheria e pelos caixilhos brancos e venezianas verdes da esquadria de primorosa execução. O apuro germânico da composição se completava com o sólido e sombrio mobiliário de Laubistch Hirth, e era ainda realçado pela pintura esponjada à têmpera, com medalhões e enquadramentos de refinado colorido, obra dos pintores austríacos Vendt e Treidler — este, renomado aquarelista.”

Foi contra essa fei[ú]ra de cenários arquitetônicos improvisados que se pretendeu invocar o artificioso revivescimento formal do nosso próprio passado, donde resultou mais um <pseudo-estilo>, o neocolonial, fruto da interpretação errônea das sábias lições de Araújo Viana, e que teve como precursor Ricardo Severo e por patrono José Mariano Filho.

Tratava-se, no fundo, de um retardado ruskinismo, quando já não se justificava mais, na época, o desconhecimento do sentido profundo implícito na industrialização, nem o menosprezo por suas conseqüências inelutáveis. Relembrada agora, ainda mais avulta a irrelevância da querela entre o falso colonial e o ecletismo dos falsos estilos europeus: era como se, no alheamento da tempestade iminente, anunciada de véspera, ocorresse uma disputa por causa do feitio do toldo para <garden-party>.”

Assim como a Avenida Central marcou o apogeu do ecletismo, também o pseudo-colonial teve a sua festa na exposição comemorativa do centenário da Independência, prestigiado como foi pelo prefeito Carlos Sampaio, o arrasador da primeira das quatro colinas — Castelo, S. Bento, Conceição, Santo Antônio — que balisavam o primitivo quadrilátero urbano, arrasamento aliás necessário e já preconizado desde 1794, segundo apurou o arquiteto Edgard Jacinto, por D. José Joaquim da Cunha de Azeredo Coutinho, Bispo que foi de Pernambuco e Elvas e Inquisidor-Geral —, apenas não se levou na devida conta a criteriosa recomendação para que se orientassem as ruas no sentido da viração da barra.”

Adolfo Morales de los Ríos Filho, o incansável paladino da regulamentação profissional. Conquanto se possa discordar, com fundamento, da justiça dessa delimitação entre arquitetos de verdade e de mentira, quando a proficiência pode estar na ordem inversa — os franceses, por exemplo, ficariam privados dos seus dois arquitetos mais representativos, embora de tendências opostas, Le Corbusier e Auguste Perret —, do ponto de vista restrito dos interesses de classe, justificava-se então a medida. É que, na época, ainda persistia na opinião leiga certa tendência no sentido de considerar o engenheiro civil uma espécie de faz-tudo, cabendo-lhe responder por todos os setores das atividades liberais que se não enquadrassem na alçada do médico ou do advogado. Além de teórico do cálculo e da mecânica e especialista de estruturas, hidráulica, eletrotécnica e viação, presumiam-no ainda — ao fim do currículo de 5 anos — químico, físico, economista, administrador, sanitarista, astrônomo e arquiteto.” “a burrice especializada a que pode eventualmente conduzir a fragmentação cada vez maior dos vários setores do conhecimento profissional”

Conquanto seja de fato, e cada vez mais, ciência, a arquitetura se distingue contudo, fundamentalmente, das demais atividades politécnicas, porque, durante a elaboração do projeto e no próprio transcurso da obra, envolve a participação constante do sentimento no exercício continuado de escolher entre duas ou mais soluções, de partido geral ou pormenor, igualmente válidas do ponto de vista funcional das diferentes técnicas interessadas — mas cujo teor plástico varia —, aquela que melhor se ajuste à intenção original visada.”

A PLANTA DE UMA CIDADE DESARBORIZADA

o edifício de A Noite pode ser considerado o marco que delimita a fase experimental das estruturas adaptadas a uma <arquitetura> avulsa, da fase arquitetônica de elaboração consciente de projetos já integrados à estrutura e que teria, depois, como símbolo definitivo, o edifício do Ministério da Educação e Saúde.”

EIS O ÔMI: “o poeta, engenheiro, artista e olindense Joaquim Cardoso, que há cerca de 20 anos, a princípio com Luís Nunes, agora com Oscar Niemeyer e José Reis, vem dando a colaboração de seu lúcido engenho às realizações modernas da arquitetura brasileira, devedora, ainda, a 2 engenheiros, além dos que, na Faculdade, contribuem decisivamente para a formação do arquiteto: Carmen Portinho, traço vivo de união, desde menina, entre Belas-Artes e Politécnica, e Paulo Sá, dedicado desde a primeira hora ao problema arquitetônico fundamental da orientação e insolação adequada dos edifícios.”

o primeiro rebelado modernista da Escola, já em 1919, na aula de pequenas composições de arquitetura, foi Atílio Masieri Alves, filho do erudito Constâncio Alves, ex-aluno da Politécnica, entusiasta da cenografia de Bakst e da mímica de Chaplin — mentalidade privilegiada que a boêmia perdeu”

METARGAMASSA: “o primeiro edifício construído sôbre pilotis tem 20 anos, pois data de 1931 e foi projetado por Stelio Alves de Souza“os pilotis, cuja ordenação arquitetônica decorre do fato de os edifícios não se fundarem mais sôbre um perímetro maciço de paredes, mas sôbre os pilares de uma estrutura autônoma”

Construído na mesma época, com os mesmos materiais e para o mesmo fim utilitário, avulta no entanto, o edifício do ministério em meio à espessa vulgaridade da edificação circunvizinha, como algo que ali pousasse serenamente, apenas para o comovido enlevo do transeunte despreocupado, e, vez por outra, surpreso à vista de tão sublimada manifestação de pureza formal e domínio da vazão sôbre a inércia da matéria.

É belo, pois. E não apenas belo, mas simbólico, porquanto a sua construção só foi possível na medida em que desrespeitou tanto a legislação municipal vigente, quanto a ética profissional e até mesmo as regras mais comezinhas do saber-viver e da normal conduta interesseira.” HAHAHA!

A personalidade de Oscar Niemeyer Soares Filho, arquiteto de formação e mentalidade genuinamente cariocas — conquanto, já agora, internacionalmente consagrado — soube estar presente na ocasião oportuna e desempenhar integralmente o papel que as circunstâncias propícias lhe reservavam e que avultou, a seguir, com as obras longínquas da Pampulha. Desse momento em diante o rumo diferente se impôs e nova era estava assegurada.

Assim como Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, em circunstâncias muito semelhantes, nas Minas Gerais do século XVIII, êle é a chave do enigma que intriga a quantos se detêm na admiração dessa obra esplêndida e numerosa devida a tantos arquitetos diferentes, desde o impecável veterano Afonso Eduardo Reidy e dos admiráveis irmãos Roberto, de sangue sempre renovado, ao atuante arquiteto Mindlin, transferido para aqui de São Paulo e às surpreendentes realizações de todos os demais, tanto da velha guarda, quanto da nova geração e até dos últimos conscritos.”

CONSIDERAÇÕES SÔBRE ARTE CONTEMPORÂNEA

Dando “continuidade” ao que acabo de ler em Dorfles, Lúcio Costa paga pau ao sepultado Bauhaus!

Pode-se então definir a arquitetura como construção concebida com a intenção de ordenar plasticamente o espaço, em função de uma determinada época, de um determinado meio, de uma determinada técnica e de um determinado programa.”

As técnicas construtivas contemporâneas — caracterizadas pela independência das ossaturas em relação às paredes e pelos pisos balanceados, resultando daí a autonomia interna das plantas, de caráter <funcional-fisiológico>, e a autonomia relativa das fachadas, de natureza <plástico-funcional>, — tornaram possível, pela primeira vez na história da arquitetura, a perfeita fusão daqueles dois conceitos dantes justamente considerados irreconciliáveis [na essência, seguindo Costa, a arquitetura gótica e a arquitetura clássica], porque contraditórios: a obra, encarada desde o início como um organismo vivo, é, de fato, concebida no todo e realizada no pormenor de modo estritamente funcional, quer dizer, em obediência escrupulosa às exigências do cálculo, da técnica, do meio e do programa, mas visando sempre igualmente a alcançar um apuro plástico ideal, graças à unidade orgânica que a autonomia estrutural faculta e à relativa liberdade no planejar e compor que ela enseja. É na fusão desses dois conceitos, quando o jogo das formas livremente delineadas ou geomètricamente definidas se processa espontânea ou intencionalmente, ora derramadas, ora contidas, que se escondem a sedução e as possibilidades virtuais ilimitadas da arquitetura moderna.

AS 8 GRANDES ARQUITETURAS PRÉ-CONTEMPORÂNEAS DE LÚCIO COSTA

arte mediterrânea (egípcio-greco-etrusco-romano-bizantina): de contensão, de geometria maximamente euclidiana, atemporal

arte gótica: expansional, vertical, pela primeira vez uma arte européia ou histórica, do devir

arte barroca: no equilíbrio sinuoso das tendências acima

arte hindu: autorreferente, autossuficiente; embora dinâmica, consegue ser o contrário da gótica. A arte khmer pode ser catalogada logo ao lado (origem indo-chinesa).

arte eslava: espiral, ansiosa, ideal

arte árabe: tendente ao mosaico, à compartimentalização em pequenos universos por si mesmos dotados de sentido

arte iraniana: ramificada, expansiva como a pétala duma flor

arte sino-japonesa: vertical porém mais gradual e menos direta que a gótica; costuma terminar em pontas, edificações de topo agudo. “telhados escalonados dos pagodes”

* * *

GENEALOGIA DA SÍNTESE MODERNA

Arte mesopotâmica (eixo mesopotamo-mediterrâneo): protoarte estática

Arte assíria (eixo nórdico-oriental): protoarte dinâmica

* * *

CASOS HISTÓRICOS PONTUAIS

Arte helenística: “barroco antigo”; o drama do começo da luta da arte dinâmica contra a arte estática ou clássica.

Arte bizantina: sob influência eslava e italiana, vê-se como seu exemplo capital a Igreja do Bem-Aventurado Basílio (Catedral de São Basílio), em Moscou:

Saint_Basils_Cathedral
É como nenhum outro edifício russo. Nada semelhante pode ser encontrado no milênio inteiro da tradição bizantina, do século V ao XV.” Shvidkovsky

Arte veneziana: verdadeiro caleidoscópio de influências de quase todas as correntes arquitetônicas ao seu redor.

Artes árabe-iraniano-peninsulares: decorrentes das invasões muçulmanas no ocidente europeu, no Irã, no Paquistão, na Síria, no norte da África.

Arte ultra-barroca: Portugal sob D. Manoel. Na verdade o nome é um anacronismo, visto que foi anterior ao próprio barroco e à vida de Michelangelo. O entrechoque precoce e extremado das estéticas românica (estática, clássica) e oriental (dinâmica).

Assim, portanto, a constância do ciclo <clássico-barroco> ou <clássico-romântico>, observada pela acuidade intelectual do Sr. Eugênio D’Ors, teria outro fundamento, e significação ainda mais profunda, porquanto já não se trataria apenas, em essência, dos tempos sucessivos de um pêndulo, mas, principalmente, da ocorrência simultânea de duas correntes bem-definidas de conceitos plásticos antagônicos e dos seus contatos e trocas, senão mesmo da sua eventual fusão.”

Arte Renascentista e Nacionalismos: correção de rota da <arte dinâmica exacerbada>: “Conquanto na Itália essa legítima recuperação dos direitos de cidadania ocorresse com espontâneo desembaraço desde as primeiras revelações, seguidas da plenitude do Quattrocento, até a eloqüência da alta-renascença, na Europa do norte a nova concepção formal provocou, de início, perplexidades, adquirindo gradações bem-definidas segundo o caráter nacional dos diferentes povos afetados pela febre renovadora.”

Arte germânico-eslava pós-Renascença: gótico “monolítico”, quase ao ponto do kitsch avant la lettre. Proto-barroco.

Arte neo-anglo-saxônica: fusão do estilo inglês com o neoclassicismo. Infunde-se também no Novo Mundo (assim como o barroco influenciaria muitos pontos coloniais latinos).

Arte francesa: possui uma evolução toda particular difícil de resumir.

Artes pré-colombianas: Arte azteca x Arte inca, reprodução em microescala da dualidade-antagonismo dinamismo x estática. Arte maia, no olho do furacão: considerada híbrida. Obviamente arquiteturas como a mexicana e a peruana são altamente tributárias desta ascendência civilizacional.

Lúcio Costa estende sua teoria da dualidade hegemônica ou “yin-yang plástico” à cerâmica oposta de grupos de tribos e etnias indígenas brasileiras (Marajó x Santarém).

* * *

WELCOME TO POST-MODERNITY! “informação no tempo — as obras criadas na mais remota idade são-nos familiares nos seus mínimos pormenores; informação no espaço — as realizações de maior significação, elaboradas onde quer que seja, vêm-nos ao alcance quase instantaneamente através da publicação nos periódicos especializados, com abundância de texto elucidativo e de reproduções fidelíssimas, ou diretamente, por meio das exposições individuais ou coletivas, dos cursos de conferências e da literatura especializada.

Esse acúmulo de conhecimentos faz com que o artista moderno viva, a bem dizer, saturado de impressões provenientes de procedências as mais imprevistas, o que o impede de conduzir o seu aprendizado e formação no sentido único e com a candura desprevenida dos antigos, pois, queira-o ou não, êle se há de revelar precocemente erudito.”

ESTILO OU EX-TILO?

Ora, não é, de modo algum, de monstros que se trata, e nada há de caótico nem de artìsticamente feio ou doentio nessas criações picassianas concebidas e ordenadas segundo os imperativos de uma consciência plástica excepcionalmente sã e lúcida, e das quais se desprende, graças à pureza da côr e do desenho, uma euforia travessa, ou se expande um otimismo heróico contagioso, quando não é o caso de se conterem, pelo contrário, no mais sereno equilíbrio. (…)

Semelhante equívoco sobreveio também a propósito da pseudo-querela entre partidários da arte <figurativa> e da arte <não-figurativa>, distinção destituída de sentido do ponto de vista plástico, mas retomada por ocasião da exposição da obra significativa de PORTINARI, em Paris, e ùltimamente avivada.” Confesso que Costa era um homem à frente de sua década.

os símbolos, tal como os mitos na antiguidade, já perderam, em parte, a força sugestiva e a sua condição de estimuladores das artes plásticas”

a arte pela arte como função social, nova conceituação capaz de desfazer o pseudo-dilema que preocupa a tantos críticos e artistas contemporâneos, ou seja, o da gratuidade ou militância da obra de arte.”

A presunção de ser a arte pela arte antítese de arte social é tão destituída de sentido como a antinomia arte figurativa—arte abstrata, não passando, em verdade, de uma deformação teórica inexplicavelmente aceita pela crítica de arte, a título de tabu, assim como se fosse, por exemplo, ato condenável a prática do bem só por bondade.”

Precisamente esse poder de invenção desinteressada e de livre expansão criadora, que tanto se lhes recrimina, é que poderá vir a desempenhar, dentro em breve, uma função social de alcance decisivo, passando a constituir, de modo imprevisto, o fundamento mesmo de uma arte vigorosa e pura, de sentido otimista, digna portanto de um proletariado cada vez mais senhor do seu destino.”

Mas como é preciso semear para colher, caberia mobilizar os velhos mestres, criadores geniais da arte do nosso tempo, a fim de que dedicassem o resto de suas vidas preciosas à tarefa benemérita de plantar no meio agreste dos centros industriais e agrícolas as sementes de uma tal renovação.”

tese — a arte moderna é considerada por certa crítica, de lastro conservador, como arte revolucionária, patrocinada pelo comunismo agnóstico no intuito de desmoralizar e solapar os fundamentos da sociedade burguesa; antítese — a arte moderna é considerada por determinada crítica, de lastro popular, como arte reacionária, patrocinada pela plutocracia capitalista com propósitos diversionistas a fim de afastar os intelectuais da causa do povo; síntese — a arte moderna deve ser considerada como o complemento lógico da industrialização contemporânea, pois resultou das mesmas causas, e tem por função, do ponto de vista restrito da aplicação social, dar vazão natural aos anseios legítimos de livre escolha e fantasia individual ou coletiva da massa proletária, oprimida pela rudeza e monotonia do trabalho mecanizado imposto pelas técnicas modernas de produção.”

Industrialização capaz de transferir o imemorial anseio de justiça social do plano utópico para o plano das realidades inelutáveis.”

DOZE JOVENS POETAS PORTUGUÊSES – Alfredo Margarido & Carlos Eurico da Costa

O poeta maneja o chicote de 72 pontas, de 72 línguas. É o senhor das palavras e, no silêncio, valoriza-as e recria-as. Doloroso e trágico esforço de transportar o vaso sagrado para a forma do Verbo, traído a cada instante pela instabilidade de cada vocábulo.”

Resulta de tudo isto que o sentido de superfície, o sentido usual, tem muito pouca importância e pode mesmo não existir. O que importa é o sentido da profundidade, a descida, de escafandro ou nu, mantendo uma vaga ligação de tubo de oxigênio com o mundo ou fazendo dos pulmões guelras, às regiões abissais, onde vivem os peixes cegos e as vegetações são estranhas flores fosforescentes.” HAHAHA

POEMA DO CERCADINHO DO PALÁCIO DO PLANALTO

o cerrado está errado em hipocampo aberto

cheio de abetos

retorcidos

rescindidos

redivivos

divididos

subversivos

versos sub

servientres

inchados

de enxadas de

candangos

dançando o

tango

do centro

trocando bugalhos

por alhos

A procura do amor é a procura de um absoluto. Diferentes dos seus antecessores na poesia portuguesa, estes poetas procuram com o sexo, com o plexo solar [???], com o grande simpático. Poder-se-á dizer que a função se degrada, mas a verdade é que o amor é um ato válido por si, independente do sentimento.”

O que finca os poetas afundam

FORMA E EXPRESSÃO DO SONETO – Paulo Mendes Campos

Depois do modernismo, inimigo do soneto, foi VINÍCIUS DE MORAIS que começou a criar gosto pelo soneto de forma regular. Os novos o seguiram, e muitos poetas e não-poetas protestaram contra o retorno a esse velho hábito de nossa lírica; a geração do soneto, sem procedência, passou a ser um apelido irônico, talvez no propósito mais ou menos válido de mostrar que é ocupação ociosa compor sonetos certos em um tempo errado. Sabem no entanto os poetas, ou se não sabem adivinham, que os tempos nunca foram certos, e que o primeiro dever a lhes pesar é para com a linguagem. A reação irritada contra o soneto vinha apenas mostrar que este voltava a ter um papel em nossa poesia atual. É possível que amanhã nos cansemos de novo do soneto.”

O PREGO & E A BOSSA

LUGARES-COMUNS – Fernando Sabino

Não houvesse o Eclesiastes afirmado que nada há de novo debaixo do sol e os lugares-comuns se encarregariam de prová-lo. Que restará da verdade para quem a repete, senão talvez a presunção de sua originalidade?”

Ora, se as idéias se impõem pela repetição, porque ao homem é mais cômodo adotá-las que produzi-las, nada melhor que repetir o que pretendemos impor-lhe. É o recurso característico da propaganda de ideologias totalitárias. O que se dá com as idéias, dá-se também com a publicidade de produtos comerciais e a dos próprios homens. É possível impor um homem aos demais pela simples repetição — o que se pode verificar por ocasião das campanhas eleitorais.”

uma sapataria do Rio de Janeiro tentou certa vez vencer o lugar-comum pelo oposto, afirmando ser a menor e a que mais caro vendia — mas o público, habituado aos métodos tradicionais de propaganda, que o dispensam de pensar por conta própria, mansamente acreditou no que se afirmava, passando a buscar outra sapataria.”

Experimente alguém escapar ao repertório de idéias feitas já estabelecido para as diferentes situações da vida em comum; experimente elidir os gestos convencionais, lugares-comuns da convivência: os de surpresa, de alegria, de interesse ou comiseração — o sorriso de modéstia, de gentileza, de agradecimento; experimente, enfim, reagir segundo sua genuína solicitação interior — e será tido por louco, afastado como indesejável.”

O homem é um animal racional, embora não pareça. Não há criança que, ao aprender essa verdade na escola, não se tenha rido.”

À medida que o discurso laudatório se tornava em mera técnica de louvor, a Retórica, observa Curtius, vinha perdendo a sua aplicação e tornava-se o cabedal das formas da literatura em geral. Esta passou a impor-se como algo fixo, preestabelecido e estratificado em modos de dizer que era de bom gosto repetir. <Por este tempo>, escreve Rodrigues Lapa, <em que os poetas mendigavam com sonetos as migalhas que caíam das mesas dos fidalgos e dos conventos abastados, julgava-se que a língua era uma construção mais ou menos fixada pelo bom uso. Para se escrever bem, nada mais era necessário que seguir à risca o exemplo dos antigos, escolhendo no espólio das formas herdadas o que mais conviesse a cada um>. E o mesmo filólogo dá notícia do Dicionário Poético para Uso dos que Principiam a Exercitar-se na Poesia Portuguesa Obra Igualmente Útil ao Orador Principiante, de autoria de Cândido Lusitano, publicado em Lisboa ao tempo do Marquês de Pombal, em 1765. Obras deste gênero, repositórios sistematizados de lugares-comuns, seriam hoje consultadas por um escritor apenas para saber como NÃO se deve escrever.”

Nenhum homem rico terá amigos que não sejam numerosos. Todas as firmas da praça comercial serão sempre respeitáveis.”

Num país como a França, cuja literatura, supercivilizada, chegou à saturação, é natural que a inteligência se limite a comprazer-se em jogos sutis: não há mais originalidade alguma na tão preconizada originalidade de estilo; negá-la é que é ser original. Pois se os olhos forem mesmo deslumbrantes, as pedras, preciosas, os dedos, delicados, que estas palavras sejam ditas, escritas com todas as letras, para que se imponham pela verossimilhança do que exprimem, como meio de transmissão de uma idéia e não como fim em si mesmas. Porque é preciso distinguir, menos com a inteligência que pela sensibilidade: a lua pálida, o céu estrelado, o lago tranqüilo não são lugares-comuns senão para os que apenas verificam a tranqüilidade do lago, o brilho das estrelas no céu e a palidez da lua. Têm o direito de verificar, é inegável; mas ao leitor cabe também o direito de esperar que tirem desta verificação algum proveito.”

DICIONÁRIO DE IDÉIAS FEITAS, de Gustavo Flaubert

Tu me falas da estupidez geral, meu caro amigo, escrevia Flaubert, pouco antes de morrer, a Raoul Duval, ah! eu a conheço, eu a estudo. Eis aí o inimigo, não há mesmo outro inimigo. Obcecado em combater este inimigo, esperava ainda denunciá-lo com uma obra gigantesca que receberia o título de Enciclopédia da Estupidez Humana.”

Depois que morreu, contudo, encontraram entre os seus papéis um caderno de apenas quarenta páginas, com o título de Dictionnaire des Idées Reçues. Era tudo que chegara a realizar do projeto formulado durante tantos anos, mas já o suficiente para fazer de Flaubert o precursor de James Joyce, na opinião de Ezra Pound (…) A 1° edição foi lançada somente em 1911, como apêndice de Bouvard et Pécuchet; o texto continha 674 verbetes, redigidos sem preocupação de forma e mesmo de ortografia, classificados mais ou menos em ordem alfabética.

ACADEMIA FRANCESA — Atacá-la, mas procurar fazer parte dela, se possível.

AFRESCOS — Não se fazem mais hoje em dia.

AGRICULTURA — Um dos úberes do Estado (o Estado é do gênero masculino, mas isso não tem importância). Deveria ser encorajada. Falta de braços.

ALABASTRO — Serve para descrever as mais belas partes do corpo feminino. Racistas miseráveis!

ALEMANHA — Sempre precedida de loura, sonhadora. Mas que organização militar!

ALFÂNDEGA — Revoltar contra e fraudá-la.

ALGARAVIA — Maneira de falar comum aos estrangeiros. Rir sempre do estrangeiro que fala mal francês.

ALIMENTAÇÃO — Sempre sadia e abundante nos colégios.

AMBICIOSO — Na província, todo homem que faz falarem de si. Dizer sempre “Não sou ambicioso!”. Egoísta ou incapaz.

AMÉRICA — Belo exemplo de injustiça: foi Colombo quem a descobriu, e seu nome vem de Américo Vespúcio. Sem a descoberta da América, não teríamos a sífilis e a filoxera. Exaltá-la, apesar disso, sobretudo quando lá não se esteve. Fazer um comentário sôbre o “self-government”.

ANDORINHAS — Chamá-las sempre de mensageiras da primavera. Como se ignora de onde vêm, dizer que vêm de longínquas regiões (poético).

ANTICRISTO — Voltaire.

ANTIGUIDADES (AS) — São sempre de fabricação moderna.

APARTAMENTO (De rapaz) — Sempre em desordem; com lembranças de mulher aqui e ali. — Cheiro de cigarro. Devem-se encontrar nele coisas extraordinárias.

AQUILES — Acrescentar “de pés ligeiros”; isso fará crer que se leu Homero.

ARQUIMEDES — Dizer ao ouvir seu nome: “Eureka!” — “Dêem-me um ponto e erguerei o mundo.” — Há ainda a máquina de Arquimedes, mas ninguém sabe do que se trata.

ARQUITETOS — São todos imbecis. — Esquecem sempre a escada das casas.

ARQUITETURA — Não há senão 4 espécies de arquitetura. Bem entendido que não se contando a egípcia, a ciclópica, a assíria, a hindu, a chinesa, gótica, romana, etc.

ARTE — Leva sempre ao hospital. Inútil, pois pode ser substituída pelas máquinas, que fabricam melhor e com mais rapidez.

ARTISTAS — Todos farsantes. Louvar seu desinteresse (antigo). Espantar-se de que se vistam como todo mundo (antigo). Ganham um dinheirão mas atiram-no pela janela. Sempre convidados a jantar na cidade. — Mulheres artistas não podem ser senão devassas. — O que eles fazem não se pode chamar de trabalhar.

ASTRONOMIA — Bela ciência. Não é útil senão para a Marinha. A propósito, rir-se da astrologia.

ATRIZES — A perdição dos filhos de família. São de uma lubricidade espantosa, entregam-se a orgias, gastam milhões, terminam no hospital. Perdão! há muitas que são boas mães de família!

AUTOR — Deve-se “conhecer os autores”. Inútil saber seus nomes.

BACHARELADO — Clamar contra.

BALÕES — Com os balões, acabaremos por ir à lua. Ainda não está próximo o dia em que os poderemos dirigir.

BANQUEIROS — Todos ricos. Árabes, linces.

BANQUETE — Um engraçado deve dizer: “No banquete da vida, conviva infortunado…”
BARBA — Sinal de força. Muita barba faz cair os cabelos. Útil para proteger as gravatas.

BASES DA SOCIEDADE — A propriedade, a família, a religião, o respeito às autoridades. Falar com cólera se são atacadas.

BASÍLICA — Sinônimo pomposo de igreja. — Sempre imponente.

BENGALA —- Mais temível que a espada.

BESOURO —- Filho da primavera. Belo assunto para um opúsculo. Sua destruição radical é o sonho de todo prefeito: quando se fala de seus danos num discurso de comício agrícola, deve-se tratá-lo por “coleópteros funestos”.

BIGODES — Dão um ar marcial.

BUDISMO — “Falsa religião da Índia” (definição do Dicionário Bouillet, 1ª edição).

CAÇA — Excelente exercício que se deve fingir que se adora. Faz parte da pompa dos soberanos. Assunto de delírio para a magistratura.

CADAFALSO — Preparar-se quando subir, para pronunciar algumas palavras eloqüentes antes de morrer.

CAFÉ — Não é bom a não ser vindo do Havre. — Num grande jantar, deve-se tomar de pé. Tomá-lo sem açúcar, muito elegante, dá o ar de haver vivido no Oriente.

CALDO (O) — É saudável. Inseparável da palavra sopa: a sopa e o caldo.

CALIGRAFIA — Uma bela caligrafia conduz a tudo. Indecifrável: prova de ciência. Ex.: receitas de médicos.

CALO (NOS PÉS) — Indica mudanças do tempo melhor que os barômetros. Muito perigoso quando mal-cortado; citar exemplos de acidentes terríveis.

CALOR — Sempre insuportável. Não beber quando faz calor.

CALVÍCIE — Sempre precoce, causada por excesso de mocidade ou pela concepção de grandes pensamentos.

CAMARILHA — Indignar-se ao pronunciar esta palavra. (Verbete atualizado para GABINETE DO ÓDIO em janeiro de 2019.)

CANHOTOS — Terríveis na esgrima. — Mais hábeis do que os que se servem da mão direita.

CÃO — Especialmente criado para salvar a vida de seu dono.

CARROS — Mais cômodo alugá-los que possuí-los: desta maneira não se tem aborrecimento com empregados, nem cavalos que estão sempre doentes.

CARNICEIROS — São terríveis, em época de revolução.

CARRASCO — Passa sempre de pais a filhos.

CATAPLASMA — Deve-se sempre aplicar enquanto se aguarda a chegada do médico.

CAVALARIA — Mais nobre que a infantaria.

CAVALHEIROS – Não há mais.

CAVALO — Se conhecesse sua força, não se deixaria conduzir. Carne de cavalo.

CAVERNAS — Habitação comum aos ladrões. — São sempre cheias de serpentes.

CELIBATÁRIOS — Egoístas e libertinos. Deviam ser obrigados a casar. Preparam-se uma triste velhice.

CHAMPANHE™ — Caracteriza o jantar de cerimônia. — Fazer ar de detestá-lo, dizendo: “Não é um vinho”. — Na Rússia se consome mais que na França. Através dêle é que as idéias francesas se espalharam pela Europa. Não se bebe: “vira-se”.

CHAPÉU — Protestar contra a forma dos chapéus.

CHATEAUBRIAND — Conhecido sobretudo pelo “beefsteak” que tem o seu nome.

CIÊNCIA — Um pouco de ciência afasta a religião e muita ciência a restabelece.

CÍRCULO — Deve-se sempre fazer parte de um círculo.

CIRURGIÕES — Têm o coração duro: chamá-los de carniceiros.

CISNE — Canta antes de morrer. Com sua asa pode quebrar a coxa de um homem. O cisne de Cambral não era uma ave, mas um homem chamado Fénelon. O de Mântua é Virgílio. O cisne de Pesaro é Rossini.

CLARO-ESCURO – Não se sabe o que é.

COELHO — Sempre substituído por gato nos restaurantes.

COGNAC — Muito funesto. Excelente contra várias doenças. Um bom cálice de cognac não faz mal a ninguém.

COGUMELOS — Não devem ser comprados senão no mercado.

COITO, CÓPULA — Palavras a evitar. Dizer: “Eles tinham relações…”

COLCHÃO — Quanto mais duro, mais higiênico.

CÓLERA — Agita o sangue; higiênico deixar-se possuir por ela de quando em quando.

COLÔNIAS (Nossas. Alerta ao brasileiro do século XXI: não se está falando de perfume barato.) — Entristecer-se quando falar nelas.

COMÉDIA — Em verso, não convém mais à nossa época. Deve-se, contudo, respeitar a alta comédia. Castigai ridendo mores.

COMÉRCIO — Discutir para saber qual é mais nobre: o comércio ou a indústria.

CONCUPISCÊNCIA — Palavra de vigário para exprimir desejos carnais.

CONFORTÁVEL — Preciosa descoberta moderna.

CONJURADOS — Os conjurados têm sempre a mania de se inscrever numa lista. (Ou de fazerem um grupo no zapzap.)

CONTRALTO — Não se sabe o que é.

CONVERSAÇÃO — A política e a religião devem ser excluídas.

CORCUNDAS — Têm muito espírito. São muito disputados pelas mulheres lascivas.

CORRETORES — Todos ladrões. (Roubaram as palavras da minha boca – no Android.)

COSTAS — Um tapa nas costas pode fazer um tuberculoso.

CRIADAS — Todas más. Não há mais domésticas!

CRIANÇAS — Simular uma ternura lírica por elas, quando tiver gente perto.

CRÍTICO — Sempre eminente. Presume-se que tudo conheça, tudo saiba, tudo leu, tudo viu. Quando lhe causar desagrado, chamá-lo de Aristarco, ou eunuco.

CRUZADAS — Foram benéficas apenas para o comércio de Veneza.

CÚPULA — Espantar-se que se sustentem por si mesmas. Citar duas: a dos Inválidos e a de São Pedro de Roma. (Cúpula das Américas debatendo o capitalismo sustentável.)


DAGUERREÓTIPO — Substituirá a pintura.

DANÇARINA — Palavra que arrebata a imaginação. Tôdas as mulheres do Oriente são dançarinas.

DARWIN — Aquele que diz que descendemos do macaco.

DÉCOR” (de Teatro) — Não é pintura: basta lançar sôbre a tela côres à solta; depois espalha-se com uma escova, e a distância, com a luz, produz a ilusão.”

DEICIDA — Indignar-se contra, ainda que o crime não seja freqüente.

DENTADURA — Terceira dentição. Tirá-la ao dormir.

DENTISTAS — Todos mentirosos. Crê-se que são também pedicuros. Dizem-se cirurgiões como os agrônomos se dizem engenheiros.

DEPUTADO — Ser é o máximo da glória. Clamar contra a Câmara dos Deputados. Muitos tagarelas na Câmara. Não fazem nada. (Feijoada.)

DESERTO – Produz tâmaras.

DEUS O próprio Voltaire disse: “Se Deus não existisse, seria preciso que o inventássemos.”

DEVERES — Exigi-los dos outros, sem contemplações. Os outros os tem para conosco, mas nós não os temos para com eles.

DEVOTAMENTO – Queixar-se dos que não o têm. “Somos bem inferiores aos cães, neste particular!”

DICIONÁRIO (Metalinguagem) — Dizer: “Não existe senão para os ignorantes!”. Dicionário de rimas: consultá-lo? Vergonhoso!

DIDEROT — Seguido sempre de D’Alembert. (Podemos incluir outro quase acima deste verbete, logo abaixo de DEICIDA: DELEUZE — Seguido sempre de Guattari.)

DILIGÊNCIA — Ter saudades do tempo das diligências.

DIÓGENES (Aquele que não é o Laércio.) — “Procuro um homem… Não me tire o sol.”

DIPLOMA — Sinal de ciência. Não prova nada.

DIPLOMACIA — Bela carreira, mas cheia de dificuldades e mistérios. Não convém senão aos nobres. Profissão de significação vaga, mas acima do comércio. Um diplomata é sempre fino e penetrante. (O concurso que seu pai sonha que você passe.)

DIREITO (O) — Não se sabe o que é.

DISSECAÇÃO —- Ultraje à majestade da morte.

DIVA — Tôdas as cantoras devem ser chamadas de Diva.

DIVÓRCIO — Se Napoleão não se tivesse divorciado, ainda ocuparia o trono.

DOENÇA NERVOSA — Sempre caretas.

DOMICÍLIO — Sempre inviolável. Entretanto, a Justiça, a Polícia, penetram nele quando querem.

DONZELAS — Pronunciar esta palavra timidamente. Tôdas as donzelas são pálidas e frágeis, sempre puras. Evitar para elas toda espécie de livros, visitas a museus, teatros e sobretudo o Jardim Zoológico, lado dos macacos.

DORMIR — Dormir demais faz engrossar o sangue.

DORMITÓRIOS — Sempre espaçosos e bem arejados. Preferíveis aos quartos, para moralidade dos alunos.

DOUTRINÁRIOS — Desprezá-los. Por quê? Não se sabe.

DURO — Acrescentar invariavelmente: como ferro. Há também “duro como pedra”, mas é menos enérgico.

ÉCHARPE” — Poético.

ECLETISMO — Combatê-lo, como sendo uma filosofia imoral.

EDIL — Protestar, a propósito do calçamento das ruas: “que fazem nossos edis?”

ELEFANTES — Distinguem-se por sua memória e adoram o sol.

EMBRIAGUÊS — Sempre precedida de louca.

EMIGRANTES — Ganham a vida dando lições de violão e fazendo salada.

EMPRESÁRIO — Invariavelmente seguido por articulado, não importa de que ramo. (Reformulei completamente o verbete de Flaubert.)

ENCICLOPÉDIA — Rir de comiseração, como sendo uma obra rococó, e até ser contra.

ENTERRAMENTO — A propósito do defunto: “E dizer que jantei com êle há 8 dias!” Chama-se exéquias quando se trata de um general, enterro quando se trata de um filósofo.

ENTREATO — Sempre muito longo.

ENTUSIASMO — Só pode ser provocado pelo retorno das cinzas do Imperador. Sempre impossível de descrever, e, em duas colunas, o jornal não fala de outra coisa.

EPICURO — Desprezá-lo.

ÉPOCA (A nossa) — Atacá-la. Queixar-se de que não é poética. Chamá-la época de transição, de decadência.

EQUITAÇÃO — Bom exercício para emagrecer. Ex.: todos os soldados da cavalaria são magros. Bom exercício para engordar. Ex.: todos os oficiais da cavalaria são barrigudos.

EREÇÃO — Não se diz senão a propósito de monumentos.

ERRO — “É pior que um crime, é um erro” (Talleyrand). “Não há mais um só erro a cometer” (Thiers). Estas duas frases devem ser pronunciadas com profundeza.

ESBIRRO — Usado pelos republicanos mais ardorosos para designar os agentes da polícia. (O atual pé-de-botas, gambé, recruta, bedel, porco…)

ESCRITO BEM ESCRITO — Palavras de porteiros, para designar romances-folhetins que lhes agradam.

ESPADA — Só se conhece a de Dâmocles. Suspirar pelo tempo em que eram usadas.

ESPINAFRE — É a vassoura do estômago. Nunca deixar de acertar a célebre frase de Prudhomme: “Eu não gosto, e me sinto à vontade, pois se gostasse, comê-lo-ia, e não poderia suportá-lo.” (Há quem ache isto perfeitamente lógico e que não se ri.)

ESPIRITUALISMO — O melhor sistema filosófico.

ESPIRRAR — É uma troça espirituosa dizer: o russo e o polonês não se falam, espirram.

ESPIRRO — Depois de dizer “Deus te ajude”, iniciar uma discussão sôbre a origem deste costume.

ESTOICISMO — É impossível.

ESTRADAS DE FERRO — Se Napoleão as tivesse à sua disposição, teria sido invencível. Extasiar-se com a invenção e dizer: “Eu, que o senhor vê, estava esta manhã em X; saí de trem de X; fiz meus negócios, etc, e a tantas horas estava de volta!”

ESTRANGEIRO — Entusiasmo por tudo que vem do estrangeiro, prova de espírito liberal. Descrédito de tudo que não seja francês, prova de patriotismo.

ETIMOLOGIA — Nada mais fácil de saber, com latim e um pouco de reflexão.

ETRUSCO — Todos os vasos antigos são etruscos.

EUNUCO — Nunca tem filhos. Indignar-se contra os castrados da Capela Sixtina.

EVACUAÇÕES — Sempre copiosas e de aspecto mau.

EVIDÊNCIA — Cega-nos, quando não entra pelos olhos.

EXCEÇÃO — Diga que confirmam a regra. Não se arrisque a dizer como.

EXPIRAR — Não se conjuga senão a propósito de assinatura de jornais.

EXTIRPAR — Este verbo só é usado com relação às heresias e aos calos dos pés.

FATALIDADE — Palavra exclusivamente romântica. Homem fatal é aquele que tem mau olhar.

FECHADO — Sempre precedido de herméticamente.

FÊMEA — Não se emprega senão quando se trata de animais. Ao contrário do que acontece na espécie humana, as fêmeas dos animais são menos belas que os machos. Ex.: faisão, galo, leão, etc.

FETO — Toda peça anatômica conservada em álcool.

FEUDALISMO — Não ter nenhuma idéia precisa, mas ser contra.

FLAGRANTE DELITO — Não se emprega senão nos casos de adultério.

FLEUMA — Boa qualidade, além do que empresta um ar inglês. Sempre seguida de imperturbável.

FORÇA — Sempre hercúlea.

FORMIGA — Belo exemplo a citar-se diante de um dissipador.

FÓSSEIS — Prova do dilúvio. Brincadeira de bom gosto, referindo-se a um acadêmico.

FOUCAULT – Ame-o ou vilipendie-o. (Acrescido por mim.)

FRANCO-MAÇONARIA – Ainda uma das causas da Revolução! As provas de iniciação são terríveis. Mal vista pelo clero. Qual poderá ser o seu segredo?

FRAUDAR — Fraudar o fisco não é ludibriar, é uma prova de espírito e independência política.

FULMINAR – Bonito verbo. Sempre precedido de “infarto” quando em sua forma adjetivada “fulminante”.

FUZIL — Ter sempre um na casa de campo.

FUZILAR — Mais nobre que guilhotinar. Alegria do condenado a quem concedem este favor.

GARANHÃO — Sempre vigoroso. A mulher deve ignorar a diferença entre um garanhão e um cavalo.

GENERAL — Sempre bravo. Faz geralmente aquilo que não concerne ao seu estado, como ser embaixador, conselheiro municipal ou chefe de Governo.

GÊNERO EPISTOLAR Gênero de estilo exclusivamente reservado às mulheres.

GÊNIO (O) — Inútil admirá-lo, é uma neurose.

GERAÇÃO ESPONTÂNEA — Idéia de socialista.

GINÁSTICA — Não saberíamos fazê-la. Extenua as crianças.

GIRONDINOS – Mais a lastimar que a censurar.

GLOBO — Palavra pudica para designar os seios de uma mulher. “Deixa-me beijar teus globos adoráveis”.

GOMA ELÁSTICA — Feita de testículos de cavalo.

GORDOS — As pessoas gordas não precisam aprender a nadar. São o desespero dos carrascos devido às dificuldades que oferecem ao serem executados. Ex. : Du Barry.

GOSTO — Tudo aquilo que é simples é sempre de bom gosto. Deve-se sempre dizer isto a uma mulher que se escusa da modéstia de seu vestido.

GÓTICO — Estilo de arquitetura mais relacionado à religião que os demais.

GOVERNANTAS — Sempre de excelente família que passou por dificuldades. Perigosas numa casa, corrompem os maridos.

GRAMÁTICA – Ensiná-la aos meninos desde a mais tenra idade, como sendo coisa clara e fácil.

GRAMÁTICOS — Todos pedantes.

GUERRILHA — Mais prejudicial ao inimigo que o exército regular.

HÁBITO — É uma segunda natureza. Os hábitos, no colégio, são maus hábitos. Com o hábito, pode-se tocar violino como Paganini.

HARÉM — Comparar sempre um sultão em seu harém a um galo em meio às galinhas. Sonho de todos os colegiais.

HARPA — Produz harmonias celestiais. Não se toca, em gravuras, senão nas ruínas ou junto a um regato.

HEMORRÓIDAS — Provêm de se assentar em bancos de pedra.

HENRIQUE III, HENRIQUE IV – A propósito destes reis, não deixar de dizer: “Todos os Henriques foram infelizes”.

HERMAFRODITA — Excita a curiosidade malsã. Procurar vê-lo.

HÉRNIA — Todo mundo a tem, sem saber.

HIDROTERAPIA — Cura todas as doenças e as provoca.

HIPÓCRATES — Deve-se sempre citá-lo em latim porque êle escrevia em grego, com a exceção desta frase: “Hipócrates diz sim, mas Galeno diz não.”

HIPÓLITO — A morte de Hipólito, o mais belo tema de narração que se possa dar. Todo mundo deveria saber êste trecho de cor.

HIPOTECA — Requerer a “reforma do regime hipotecário”, muito elegante.

HISTERIA — Confundi-la com a ninfomania.

HOMERO — Nunca existiu. Célebre por sua maneira de rir.

HOMO — Dizer Ecce homo! ao ver entrar a pessoa que se espera.

HORROR — Horrores! — referindo-se a expressões lúbricas. Pode-se fazer mas não se deve dizer. Foi durante o horror de uma noite profunda.

HOSTILIDADES — As hostilidades são como as ostras: abrem-se. “As hostilidades foram abertas”: Nada mais a fazer senão sentar-se à mesa.

HOTÉIS — Bons somente na Suíça.

HUGO (VICTOR) — Fêz muito mal, realmente, em ocupar-se de política.

IDÓLATRAS — São canibais.

ILÍADA — Seguida sempre de Odisséia.

ILUSÕES — Fazer crer que se teve muitas, queixar-se daquilo que as fêz perder.

IMAGINAÇÃO — Sempre viva. Desconfiar dela. Quando não se tem. atacá-la nos outros. Para escrever romances, basta ter imaginação.

IMBECIS — Aqueles que não pensam como nós.

IMBROGLIO” — A base de todas as peças de teatro.

IMORALIDADE — Esta palavra, bem pronunciada, distingue aquele que a emprega.

IMPRENSA — Descoberta maravilhosa. Tem feito mais mal do que bem.

IMPRESSO — Deve-se crer em tudo que é impresso. Ver seu nome impresso! Há os que cometem crimes exclusivamente para isto.

INAUGURAÇÃO – Motivo de alegria.

INCÊNDIO — Um espetáculo para os olhos.

INDOLÊNCIA — Conseqüência dos países quentes.

INFANTICÍDIO — Não se comete senão entre a gente do povo.

INFECTO — Deve-se dizer de toda obra artística ou literária que Le Figaro não permite que se admire.

INFINITESIMAL — Não se sabe o que é. Mas tem relação com a homeopatia.

INQUISIÇÃO — Exagera-se muito a respeito de seus crimes.

INSCRIÇÃO — Sempre cuneiforme.

INSTRUÇÃO — Aparentar ter recebido muita. O povo não tem necessidade dela para ganhar a vida.

INSTRUMENTO — Os instrumentos que servem para cometer um crime são sempre contundentes quando não são cortantes.

INTEGRIDADE Pertence, sobretudo, à magistratura.

INTRODUÇÃO — Palavra obscena.

INUMAÇÃO — Quase sempre precipitada: contar histórias de cadáveres que haviam devorado o próprio braço para aplacar a fome.

INVENTORES — Morrem todos no hospital. Um outro sempre se beneficia do que descobriram, o que não é justo.

INVERNO — Sempre excepcional.

ITÁLIA — Deve-se visitá-la imediatamente após o casamento. Tem-se muita decepção, não é tão bela como dizem.

ITALIANOS — Todos músicos. Todos traidores.

JANSENISMO — Não se sabe o que é, mas é muito elegante citá-lo.

JANTAR — Antigamente jantava-se cedo, hoje se janta a horas impossíveis. O jantar de nossos pais era o nosso almoço e o nosso almoço, seu jantar. Jantar tão tarde que não se chama mais jantar e sim cear.

JARDINS INGLESES — Mais naturais que os jardins franceses.

JASPE — Todos os vasos dos museus são de jaspe.

JESUÍTAS — Participam de todas as revoluções. Não ter dúvida quanto ao número deles. Não falar na “batalha dos Jesuítas”.

JOCKEY CLUB — Os sócios são todos jovens farsantes e muito ricos. Dizer simplesmente “o Jockey”, muito elegante, faz crer que se é sócio.

JORNAIS — Não se pode dispensá-los, mas ser contra eles. Sua importância na sociedade moderna. Ex.: Le Figaro. Os jornais sérios: La Revue des Deux Mondes, L’Économiste, Le Journal des Débats; ler pela manhã um artigo destas folhas sérias e graves e à noite, em sociedade, dirigir a conversação para o assunto estudado a fim de poder brilhar.

JÚRI — Esforçar-se para não fazer parte dele.

LA FONTAINE — Sustentar que nunca lemos seus contos. Chamá-lo “Bonhomme”, o imortal fabulista.

LACUSTRES (Cidades) — Negar sua existência, pois não se pode viver debaixo d’água.

LAFAYETTE — General célebre por seu cavalo branco.

LAGO — Ter uma mulher junto de nós, ao passar num lago.

LATIM — Língua natural ao homem. Útil somente para se ler inscrições em monumentos públicos. Desconfiar das citações em latim: escondem sempre alguma sutileza.

LEÃO — É generoso. Brinca sempre com uma bola. E dizer que o leão e o tigre são gatos!

LEBRE — Dorme de olhos abertos.

LEGALIDADE — A legalidade nos mata. Com ela, nenhum governo é possível.

LEITE — Atrai serpentes. Clareia a pele; as mulheres em Paris tomam um banho de leite todas as manhãs. (Os Nazipardos tomam só um copinho, porque na América do Sul é uma commodity muito cara.)

LETARGIA — Sabe-se de algumas que duraram anos.

LIBERDADE — Ó Liberdade! quantos crimes se cometem em teu nome! Temos todas as que são necessárias. A liberdade não é licença (frase de conservador).

LIBERTINAGEM — Não existe senão nas grandes cidades.

LINCE — Animal célebre pela sua vista.

LITERATURA — Ocupação de ociosos.

LITTRÉ — Sorrir ao ouvir seu nome: “Este senhor que disse que descendemos dos macacos.”

LORD — Inglês rico.

LOURAS — Mais ardentes que as morenas.

LUGAREJO — Substantivo enternecedor. Vai bem em poesia.

LUÍS XVI — Dizer sempre: “Este monarca infeliz…”

LUZ — Dizer sempre: Fiat lux! quando se acende uma vela.

MAGIA — Caçoar a respeito.

MAGISTRATURA — Bela carreira para um jovem.

MAGNETISMO — Interessante assunto de conversação e que serve para “conseguir mulheres”.

MALDIÇÃO — Sempre dada por um pai.

MALTHUS – “O infame Malthus”.

MAQUIAVEL — Não tê-lo lido, mas considerá-lo um bandido.

MAQUIAVELISMO — Palavra que se deve pronunciar tremendo.

MAR — Não tem fundo. Imagem do infinito. Inspira grandes pensamentos.

MARFIM — Não se emprega senão a propósito de dentes.

MATERIALISMO — Pronunciar esta palavra com horror, e descansando em cada sílaba.

MATINAL — Ser, prova de moralidade. Se nos deitamos às 4 horas da manhã e nos levantamos às 8, somos preguiçosos, mas se nos deitamos às 9 horas da noite, para nos levantarmos no dia seguinte às 5, somos laboriosos.

MÁXIMA — Nunca nova, mas sempre consoladora.

MECÂNICA — Parte inferior das matemáticas.

MEDALHA — Só se sabia fazer na antiguidade.

MEDICINA — Caçoar dela quando se sentir bem.

MEFISTOFÉLICO — Deve-se dizer de todo riso amargo.

MEIA-NOITE — Limite da felicidade e dos prazeres honestos. O que se faz depois é imoral.

MELÃO — Assunto de conversação à mesa. É um legume? É um fruto? Os ingleses o comem à sobremesa, o que é de se espantar.

MELODRAMAS — Menos imorais que os dramas.

MEMÓRIA — Lastimar a sua, e até se vangloriar de não tê-la.

MENSAGEM — Mais nobre que carta.

MERCÚRIO — Mata a doença e o doente.

METAFÍSICA — Rir, como prova de espírito superior.

METAMORFOSE — Rir do tempo em que se acreditava. — Ovídio as inventou.

MÉTODO — Não serve para nada.

MEXILHÕES — Sempre indigestos.

MINISTRO — Último grau da glória humana.

MISSIONÁRIOS — São todos comidos ou crucificados.

MOCIDADE — Ah! É bela a mocidade. Citar sempre versos italianos, mesmo sem compreendê-los:

O Primavera! Gioventù dell’anno!

O Gioventù! Primavera della vita!

MONARQUIA — A monarquia constitucional é a melhor das repúblicas.

MONOPÓLIO Clamar contra.

MORENAS — Mais ardentes que as louras.

MOSTARDA — Nao é boa senão em Dijon. Arruina o estômago.

MULHER — Uma das costelas de Adão. Não se diz “minha mulher” e sim “minha esposa”, ou melhor, “minha metade”.

MÚSCULOS — Os músculos dos homens fortes são sempre de aço.

MUSEU — De Versailles: recompõe os altos feitos da glória nacional; grande idéia de Luís Felipe. Do Louvre: a ser evitado pelas jovens.

MÚSICO — O natural de um verdadeiro músico é não compor nenhuma música, não tocar nenhum instrumento e desprezar os “virtuoses”.

NÁPOLES — Em conversa com sábios, dizer Partênope. Ver Nápoles e depois morrer.

NARINAS — Abertas, sinal de lubricidade.

NATUREZA — Como é bela a natureza! Dizer isso sempre que se estiver no campo.

NÉCTAR — Confunde-se com ambrosia.

NEGRAS — Mais ardentes que as brancas.

NEGROS — Espantar-se porque sua saliva é branca, e porque falam francês.

NEOLOGISMO — A perdição da língua francesa.

NÓ GÓRDIO — Tem relação com a antiguidade. (Maneira pela qual os antigos davam laço em suas gravatas.)

NOTÁRIOS — Atualmente, não confiar neles.

NUMISMÁTICA — Tem relação com as altas ciências, inspira um respeito imenso.

OBSCENIDADE — Todas as palavras derivadas do grego ou do latim escondem uma obscenidade.

OBUSES — Servem para fazer pêndulos e tinteiros.

OCTOGENÁRIO — Diz-se de todo velho.

ODALISCAS — Todas as mulheres do Oriente são odaliscas.

ÔMEGA — Segunda letra do alfabeto grego, pois se diz sempre alfa e ômega.

ÔNIBUS — Jamais se encontra lugar. Foram inventados por Luís XIV.

ÓPERA (Bastidores da) Paraíso de Maomé sôbre a terra.

OPERÁRIOS — Sempre honestos, quando não se revoltam.

ORAÇÃO — Todo discurso de Bossuet.

ORÇAMENTO — Jamais em equilíbrio.

ORDEM — Quantos crimes são cometidos em teu nome!

ÓRGÃO — Transporta a alma a Deus.

ORIENTALISTA — Homem muito viajado.

ORIGINAL — Rir de tudo que é original, odiar, ridicularizar e exterminar, se possível.

ORQUESTRA — Imagem da sociedade: cada um executa a sua parte e há um chefe.

ORQUITE — Doença de senhores.

ORTOGRAFIA — Não é necessária quando se tem estilo.

OTIMISTA — Sinônimo de imbecil.

OVO — Ponto de partida para dissertação filosófica sôbre a origem dos seres.

PADRES — Deviam ser castrados. Dormem com suas empregadas e têm filhos que chamam de sobrinhos.

PADRINHO — Sempre pai do afilhado.

PAGANINI — Não afinava jamais seu violino. Célebre pelo comprimento de seus dedos.

PANTEÍSMO — Clamar contra; um absurdo!

PÃO — Não se sabe jamais quanta sujeira há no pão.

PARALELO — Deve-se escolher entre os seguintes: César e Pompéia, Horácio e Virgílio, Voltaire e Rousseau, Napoleão e Carlos Magno, Goethe e Schiller, Bayard e Mac-Mahon…

PARENTES — Sempre desagradáveis. Esconder os que não são ricos.

PARIS — A grande prostituta. Paraíso de mulheres, inferno de cavalos.

PASTA — Carregar uma sob o braço dá ares de ministro.

PEDERASTIA — Doença de que todos os homens são vítimas numa certa idade.

PENSIONATO — Dizer “boarding school”, quando fôr um pensionato para moças.

PERMUTAR — O único verbo conjugado pelos militares.

PHENIX” — Belo nome para uma companhia de seguros contra incêndios.

PIRÂMIDE – Obra inútil.

POESIA — Inútil. Passou de moda.

POETA — Sinônimo de tolo; sonhador. (de câmara ou de senado. –eu)

POMBO — Não deve ser comido senão com “petit-pois”.

PRESENTE — Não é o valor que faz o preço, ou então: não é o preço que faz o valor. O presente não é nada, o que vale é a intenção. (O presente não é nada, o que vale é o devir.)

PROGRESSO — Sempre mal compreendido e muito precoce.

PROPRIEDADE — Uma das bases da sociedade. Mais sagrada que a religião.

PROPRIETÁRIO — Os homens se dividem em duas grandes classes: os proprietários e os locatários.

PROSTITUTAS — Um mal necessário. Salvaguarda de nossas filhas e nossas irmãs enquanto existirem celibatários. Deviam ser perseguidas impiedosamente. Não se pode mais sair à rua em companhia da mulher por causa da presença delas. São sempre filhas de gente humilde seduzidas por burgueses ricos. (Atualização: Não é mais necessário que haja prostitutas, estas foram substituídas pela automação industrial (indústria pornô.)

PUDOR — O mais belo ornamento da mulher.

PÚRPURA — Palavra mais nobre que vermelho.

QUADRATURA DO CÍRCULO – Não se sabe o que é. mas deve-se erguer os ombros quando se fala.

RACINE — Libertino!

REDE — Própria dos crioulos. Indispensável num jardim. Convencer-se de que estará melhor nela do que numa cama.

RELIGIÃO — Faz parte das bases da sociedade. É necessária aos povos e, entretanto, muitos não a têm. “A religião de nossos pais”, deve-se dizer com unção.

REPUBLICANO — Nem todo republicano é ladrão, mas todo ladrão é republicano.

RESTAURANTE — Deve-se sempre pedir os pratos que não se comem habitualmente em casa. Quando estiver embaraçado, basta escolher os que são servidos aos vizinhos de mesa.

RISO — Sempre homérico.

ROMANCES — Pervertem as massas. São menos imorais em folhetins que em volumes. Só os romances históricos podem ser tolerados, porque ensinam história. Há romances escritos com a ponta de um escalpelo (bisturi).

RONSARD — Ridículo, com suas palavras gregas e latinas.

ROUSSEAU — Crer que J.J. Rousseau e J.B. Rousseau são irmãos, como eram os dois Corneille.

RUIVAS — V. louras, morenas e negras.

SACERDÓCIO — A arte, a medicina, etc, são sacerdócios.

SALEIRO — Entorná-lo traz desgraça.

SALSICHEIRO — Anedota sôbre salsichas feitas de carne humana.

SANÇÃO PRAGMÁTICA — Não se sabe o que é.

SÊNECA — Escrevia sôbre uma mesa de ouro.

SERVIÇO – É prestar serviço às crianças, dar-lhes coques; aos animais, bater-lhes; aos empregados, despedi-los; aos malfeitores, puni-los.

SEVILHA — Célebre por seu barbeiro. Ver Sevilha e morrer.

SÍFILIS — Uns mais, outros menos, todo mundo tem.

SONO — Engrossa o sangue.

SOLUÇO — Para curá-lo, uma chave nas costas ou um susto. (Agora já sabemos 6 métodos! O mais ortodoxo deles é ficar de ponta-cabeça. Para saber dos outros 3, ler O Banquete.)

SORVETE — Perigoso tomar.

SORVETEIROS — Todos napolitanos.

TABELIÃO — Mais agradável que notário.

TALLEYRAND (Príncipe de) — Indignar-se contra.

TAMANCOS — Um homem rico, que teve começo de vida dificil, sempre veio a Paris de tamancos.

TAPEÇARIA — Obra tão extraordinária que requer 50 anos para ser terminada. Exclamar ao vê-la: “É mais belo que a pintura!”. O operário não conhece o valor do que fêz.

TEMPO — Eterno assunto de conversação. Causa universal de doenças. Queixar-se sempre.

TERRA — Dizer os quatro cantos da terra, pois ela é redonda.

TESTEMUNHA — Deve-se sempre recusar ser testemunha em juízo, nunca se sabe aonde isso pode levar.

TINTEIRO — Dá-se de presente a um médico.

TOLERÂNCIA (Casa de) — Não é aquela onde se tem opiniões tolerantes.

TOUPEIRA — Cego como uma toupeira. E no entanto ela tem olhos. (Poder-se-ia agregar num verbete PORCO – sua como um porco, porém o porco não transpira.)

TRANSPIRAÇÃO nos pés — Sinal de saúde.

TREZE — Evitar treze à mesa, pois traz infelicidade. Os espíritos fortes não deverão jamais deixar de gracejar: “Não tem importância, comerei por dois”. Ou então, se há senhoras, perguntar se uma delas não estará grávida. (Ganha-se a Copa com 11 mais o técnico.)

USUM (ad.) — Locução latina que vai bem na frase: Ad usum Delphini. Deverá sempre ser empregada a propósito de uma mulher chamada Delfina.

VACINA — Não freqüentar senão pessoas vacinadas.

VELHOS — A propósito de uma inundação, uma tempestade, etc., os velhos da região não se lembram de jamais ter visto uma igual.

VALSA — Indignar-se contra. Dança lasciva e impura que deveria ser dançada apenas por velhas.

VENTRE — Dizer abdômen, quando em presença de senhoras.

VERÃO — Sempre excepcional.

VIAGEM — Deve ser feita rapidamente. (Como os banhos frios.)

VINHOS — Assunto de conversa entre os homens. O melhor é o “bordeaux”, pois os médicos o receitam. Quanto pior, mais natural.

VIZINHOS — Evitar que nos prestem serviços gratuitos.

VOLTAIRE — Célebre por seu rictus (careta) espantoso.

XADREZ (Jogo de) — Imagem da tática militar. Todos os grandes capitães eram bons jogadores. Muito sério como jogo, muito fútil como ciência.

WAGNER — Troçar ao seu nome é gracejar sôbre a música do futuro.

YVETOT — Ver Yvetot e depois morrer!

ESBOÇO DE UM DICIONÁRIO BRASILEIRO DE LUGARES-COMUNS E IDÉIAS CONVENCIONAIS

Este dicionário foi idealizado como simples apêndice ao de Flaubert. Nele deixam de figurar, pois, os lugares-comuns registrados pelo autor de Madame Bovary que correspondem aos de nossa língua e às idéias convencionais de nossa gente.

Também não foram arrolados todos os provérbios, máximas. rifões, etc., que podem ser facilmente encontrados em coletâneas do gênero. Em trabalhos desta espécie, realizados apressadamente. É hábito escusar-se o autor de falhas e imperfeições, comprometendo-se a saná-las em edições futuras. Faço o mesmo, menos com o intuito de desculpar-me, que com o de acrescentar, aqui, mais um lugar-comum não incluído no dicionário.”

ABÓBADA – Celeste.

ÁGUA (séc. XXI) – Já tomou hoje? – Eu tomo três litros por dia, por isso vou muito ao toalete.

ALCOVA – Segredos de. Qualquer coisa de imoral.

ALIANÇA – Usar atrai mulheres. Dito espirituoso sobre retirá-la do dedo, etc.

ALMA – Caridosa.

ALOCUÇÃO – Sempre breve e brilhante.

ALTANEIRO – Jargão de arquiteto. “Destacava-se, altaneiro, um majestoso edifício”, etc.

ALUSÃO – Discreta.

AMAZONAS — O maior rio do mundo. — Mas e o Mississipi? — Maior em extensão. Ou em volume d’água, nunca se sabe. — O fenômeno da pororoca.

AMERICANOS — Povo extraordinário. — Parecem crianças. — Espírito esportivo.

ANIVERSÁRIO – “Completou mais um verão.”

ANJO – De criatura; de bondade.

ANO — “Reparou como este passou depressa?” — “Parece que foi ontem.” — “Colher mais um a. no jardim da existência.”

ÂNSIA – Incontida.

ANTÍPODA — Bela palavra para significar “oposto”. Japoneses.

ANTOLOGIA – Um acontecimento antológico.

ANTRO — De jogatina — De perversão.

APAZIGUAR – Os ânimos.

APLAUSOS – Não regatear.

APOIO — Sempre moral.

ARMA — Deve-se sempre ter uma em casa. — O perigo que representa para as crianças. — Não se deve brincar com elas: contar casos fatais, o amigo que matou o amigo, o pai que matou o filho.

ARREBOL — Rima com sol. Própria para hinos.

ARROSTAR – O perigo.

ASSAZ – Mais bonito que “muito”.

AUSCULTAR — A opinião pública.

AVENTAR — Uma hipótese.

AVISO – Aos Navegantes.

AVÓS — Deseducam os netos.

BACHAREL – No Brasil, todo mundo é.

BAGAGEM – Literária.

BAHIA — Já foi? Então vá. — Vatapá. — Balangandãs. — Carmen Miranda. — A falsa baiana. — Rui Barbosa. — Terra de oradores.

BALOUÇAR – Muito mais elegante que “balançar”.

BANCO — Os de Minas são os mais seguros.

BANQUETE — Quem convida, dá. — Ditos espirituosos sôbre a extensão dos discursos. — Sempre se come mal.

BEBERRÕES – Gracejos dos que bebem sôbre o horror ao leite e à água.

BELO HORIZONTE — Hotéis cheios de tuberculosos. [!!!] — Parece-se com Washington. — Acontecem coisas estranhas. — Alguém, do alto do morro, exclamou: “Que belo horizonte!” Daí o nome.

BIGAMIA — Devia ser permitida pela lei.

BOATO — Assim é que nasce um.

BRASIL — Nele cabe toda a Europa, menos a Rússia. — País do futuro. — Riquezas naturais. — Ou acaba com a saúva ou a saúva acaba com ele. — Tudo no Brasil é assim mesmo, não se apoquente. — Espera que cada um cumpra o seu dever.

BRASILEIRO — Todo brasileiro tem sífilis. — Quem fôr brasileiro, siga-me. — Três brasileiros juntos: um samba. Vizinho do:

BURRO — Um animal até inteligente, tremenda de uma injustiça!

BUSTO — Elegante como sinônimo de seios.

CACHAÇA — Água que passarinho não bebe. — Alguma coisa ser tão imprescindível a alguém que é a “sua cachaça”.

CADUCAR — A lei.

CAFÉ — O esteio da economia nacional. — As donas de casa é que sabem fazer o melhor café do mundo. — Fumegante, aromático. — “Tira o sono.” — “Pois a mim nunca tirou.” — Fazer boca para o cigarro. — Pequeno. — Os funcionários públicos não fazem outra coisa senão tomar café. — Balzac gostava muito. — Estimulante! — Preciosa rubiácea.

CAIXINHA — De surpresas: a política, o futebol, etc.

CALADA — Da noite.

CALO — De estimação.

CALMA — O Brasil é nosso.

CALOR — Impossível de trabalhar. — Insuportável. — Ninguém se lembra de jamais ter feito tanto. — Clima dos trópicos.

CALOURO — Trote dos: uma desumanidade. Devia ser proibido.

CALVA – Reluzente.

CALVÍCIE — Quem descobrir um remédio ficará milionário. — Complexo dos calvos. — Prova de virilidade. (A coisa mais estranha: ainda não havia “É dos carecas que elas gostam mais”?)

CAMA — Chorar nela, que é lugar quente. Ganha fama e deita-te na cama.

CARIOCA — Bom humor do.

CARNAVAL — O de antigamente era melhor. — Festa paga. — Pierrot, Colombina e Arlequim. — O corso. [?!] — Alegria do povo. — Economizam o ano todo para gastar no Carnaval.

CARRO — O melhor é o dos outros. — Dá trabalho, mas compensa (ou não compensa). — As crianças adoram. — Ter ou não ter chofer? — Dirigir há tantos anos e nunca ter tido um desastre.

CASA — Comida e roupa lavada. — Sentir-se na própria. — Ter a sua própria: um teto digno. — Está sempre às ordens. — Bem situada. —Custou tanto e hoje vale dez vêzes mais. — Na época foi uma loucura.

CEGONHA — Estar esperando sua visita. — Dizer de alguém que ainda acredita nela.

CENTRAL DO BRASIL — Gracejo a propósito do atraso dos trens.

CENTRALIZAÇÃO Um dos males da administração no Brasil.

CHÁVENA — Mais elegante que xícara. (Chícara de xá.)

CHUVA — Insistente. — Chover a cântaros. — Grossas bátegas de. — Chover no molhado. — De protestos.

CHUVEIRO — Mais higiênico que banheira. Frio e bem cedo, muito saudável.

CIMENTAR — Uma amizade.

CINZEIRO — Uma sala confortável deve ter cinzeiros por todo lado.

COBRAS – E lagartos. — Os franceses dizem que no Brasil há cobras em plena rua. — Simbolo fálico. — Ruim como uma.

COLEÇÕES – “Freud disse que todo homem, em alguma época de sua vida, coleciona alguma coisa.”

COMPLEIÇÃO – Robusta.

COMUNISMO — O perigo vermelho. — União Soviética, mais ortodoxo do que Rússia. — Camaradas. — O proletariado e o povo. — A exploração do homem pelo homem. — Superestrutura. — A mais-valia.

CONCATENAR – As idéias.

COPACABANA — A mais bela praia do mundo — Antigamente a areia era mais clara. — O bairro aristocrático. — Contraste entre as favelas e os arranha-céus. — “Está ficando um bairro insuportável, cheio de estrangeiros. judeus e prostitutas.”

CORAR — Até a raiz dos cabelos.

CORCOVADO — Morar há tantos anos no Rio e nunca ter ido lá. — Visto de qualquer ponto da cidade.

CORES – Cambiantes. Berrantes.

CORREIO — A deficiência de nosso serviço de correios: uma carta foi posta em tal lugar no dia tal e somente tantos dias depois foi entregue. Deve acrescentar-se: ainda assim, esta foi entregue. — Dito espirituoso sôbre os que põem a culpa no Correio quando não cumprem suas obrigações sociais. — Nos Estados Unidos, uma perfeição.

COSTUREIRA — Nunca entregam o vestido no dia marcado. — Ficam com a metade da fazenda para elas.

CREMAÇÃO — Os que prefeririam ser cremados, ao morrer: mais prático, mais higiênico, um absurdo que no Brasil não se faça. — A Igreja não permite: ressurreição dos mortos. — E os que morrem nos incêndios?

CRIANÇAS — Sempre crescidas. (Dá dando fermento pra ela? Segurei no colo ainda ontem!) — Muito dadas. — No princípio ficam encabuladas, mas logo tomam confiança. — Parecem-se com o pai mas têm o nariz do avô, etc. — Aprendem a ler sozinhas, dizem coisas extraordinárias, até já ajudam em casa! — Sôbre alguém, no fundo, ser ainda uma criança. — Dão trabalho, mas compensa. — Se soubessem o que devem aos pais!

CUSTAR — Os olhos da cara.

DESAFORO – Não levá-los para casa.

DESFECHAR – Um golpe.

DESFECHO – Triste, inesperado.

DESPENHAR-SE – No abismo, no vácuo.

DEUS — É brasileiro.

DIÁLOGOS — Em romance, os personagens devem sempre redargüir, inquirir, admoestar, retorquir, grunhir, urrar, balbuciar, desferir, sussurrar, murmurar, trovejar, explodir. — Nunca falar, dizer, perguntar ou responder.

DINHEIRO – “Ganho dinheiro, mas o dinheiro não me ganha.”

DIPLOMACIA — Bela carreira, viajar. Perdão, um diplomata não viaja: é viajado. Ser mandado de um momento para outro a um lugar distante. — Mas ganha-se bem.

DIVÓRCIO — Dissolução da família. — “O Brasil é o único país onde ainda não há, daí tantos crimes passionais.” “Nos Estados Unidos, porém, há divórcio e há crime!” — “E os filhos?” — “A lei não pode obrigar ninguém a ser feliz.” — Influência da Igreja. — “Quem fôr religioso que não se divorcie.”

DOUTOR — No Brasil todo mundo é. — Anel no dedo.

ÉBRIO — Contumaz — Vicente Celestino

ELEFANTE — Amola muita gente.

EMPANAR — O brilho.

EMPENHAR-SE – A fundo.

ENFERMEIRAS — Namoram os médicos.

ENFORCAMENTO — Bárbaro e deprimente. Na Inglaterra enforcam ao menor pretexto. Caso de um jovem brasileiro em viagem que atropelou um guarda e só não foi enforcado por intervenção do Papa.

ENLAMEAR — A honra, o nome da família.

EPITÁFIOS — Tanto mármore e tanto bronze desperdiçados. — A vaidade do homem o acompanha até na morte. — As sepulturas pobres ao lado dos ricos mausoléus: Deus não distingue.

ESCOPO — Mais elegante do que finalidade.

ESPANHOL — Tourada. — Castanhola. — Caramba!

ESPIRAIS — Da fumaça do cigarro, que se contempla imerso em pensamentos.

ESTADIA — É errado: deve-se dizer estada.

ESTATÍSTICAS — Não provam nada. Os americanos acreditam nelas.

ESTILO — É o homem: Buffon.

ESTOFO – Moral.

ESTRABISMO — Um pouco, até que dá uma certa graça.

ESTRADAS — Da vida. — As dos Estados Unidos são todas asfaltadas.

EXÉRCITO — Na Suíça não há, todo cidadão é soldado. — Na hora de ir para a guerra, os civis é que vão.

FATALISTA — Ser sempre um fatalista, é muito elegante. — “morre quem tem de morrer, quando chegar o dia, etc.” — Ditos espirituosos sobre ter coragem de viajar de avião.

FAZENDEIRO – Abastado.

FECUNDAÇÃO —- Artificial: “ainda chegará o dia.” — “Um só homem poderá povoar uma cidade inteira.” — “Para os animais dá resultado.” — “É contra a natureza!” — Ser a favor.

FIADO — Só amanhã.

FILA — Antes da guerra, não havia. — Fila para tudo. Até para se casar, etc.

FRALDAS – Mal saiu das.

FRANCESAS — Mulheres nuas, lascivas.

FLAUBERT — Tortura do estilo — “Madame Bovary sou eu”.

FRIO — Em tempo de frio. alguém lembrar-se de um lugar onde fazia muito mais: aquilo sim, era frio.

GÁUDIO — Mais elegante do que alegria.

GÊNIO — As cenas que só o gênio de um Flaubert seria capaz de descrever.

GÍRIA — Muito interessante, a filosofia do povo.

GOVERNO — Para seu.

GRAÇA — Muito distinto, para se perguntar o nome: qual e a sua graça? (Celso Russomano.)

GRAVATA — Adorno inútil, deveria ser abolido. — É um preconceito. — Ninguém sabe escolher para os outros. — Nunca comprá-las, ganhá-las de presente.

GRAVIDEZ — Estado interessante.

GUERRA — Um mal necessário. Sem ela, o mundo estada superpopulado.

VERRUGA – Nasce no dedo de quem aponta estrelas.

HABITAT — Bela palavra a ser usada em monografia sôbre homem ou animal de determinada região. Falada, não sôa bem.

HIMENEU – Em lugar de casamento.

HODIERNO — Mais elegante do que moderno.

HOLOCAUSTO — Bela palavra a ser usada a propósito do sacrifício das mães, das esposas, noivas, etc.

HOMEM — As mulheres afirmam: “São todos iguais”. (Defasado: agora, “Homem é merda”, “Ih ah lá o macho escroto!”, etc.)

HOMENAGEM — Singela

HOMOSSEXUAL — Por que quase todos os artistas o são? Citar exemplos. Inofensivos, ótima companhia para as mulheres.

HONESTIDADE — Ainda existe. — Não existe mais, hoje em dia.

HOTEL — “Nunca tomar quarto com refeições, pois não se vai ao hotel senão para dormir!”

IDADE — A uma senhora nunca se pergunta.

INAUDITO – Esforço.

INCISÃO — Mais bonito do que corte.

INCONSTITUCIONALÍSSIMAMENTE – A maior palavra da língua portuguesa.

INICIAIS — “Direi apenas as iniciais: Fulano de Tal”.

INQUIRIR — Mais elegante do que perguntar.

INTESTINO — Parece incrível que tenham quarenta metros.

ISQUEIRO — Não se acostumar a ele. — Mais uma coisa para se carregar no bolso. — Só o dono sabe acendê-lo.

JABUTICABA — Fruta que se parece com certos olhos.

JOVIALIDADE — Qualidade de certos velhos.

LACUNA — Jamais será preenchida.

LIVRO — O maior amigo do homem. — Mais tolo do que quem empresta é aquele que devolve.

LIXEIRO — Uma profissão tão digna como outra qualquer. (Fala isso pro Boris Casoy.)

LUAR — Do sertão, bonita música.

LUME — Vir a. — Mais bonito do que fogo.

MACACO — Nosso ascendente. — Darwin. Voronoff.

MÃE — O nome da: uma das mais belas palavras da língua acabou virando um insulto.

MARINHEIRO — Jovem de olhar nostálgico que anda gingando o corpo e tem uma amada em cada porto.

MAVIOSO —- Mais bonito que maravilhoso.

MÉDICO — Não acreditam em penicilina, para não perderem o cliente.

MEMBRO — Palavra obscena.

MENDIGO — Têm fortunas escondidas em casa. — Chaga da sociedade. — Estender a mão à caridade pública. — Deveriam ser recolhidos e mandados a alguma parte (não se sabe onde).

MODERNO — Arte moderna: deformação, obra de tarados. — Edifício do Ministério da Educação, uma caixa de fósforos suspensa sôbre meia dúzia de palitos. — Poesia futurista, qualquer um pode fazer. — Portinari, mãos e pés enormes. — “Não gosto porque não entendo.” — “Até meu filho faz melhor.”

MORRER — “No avião, quem morre primeiro é o piloto.” — “Dir-se-ia que ela dorme.” — “Morreu como uma santa.”

MULATO — Coça a orelha com o pé. — Conhece-se pelas unhas e a palma das mãos. — Pernóstico. — Machado de Assis era. — Nos Estados Unidos são considerados pretos.

NABABO — Viver como um.

NARIZ — O de Cleópatra teria mudado a face do mundo.

NATURALISTA — Escritor obsceno e pornográfico. — Zola: a natureza vista através de um temperamento.

NAVALHA — A mais temível das armas: não há defesa contra ela. — Tão perigosa para o adversário como para quem não sabe manejá-la. — O barbeiro pode enlouquecer de repente e passar a navalha no pescoço do freguês.

NEFELIBATA — Bela palavra a ser usada contra os bons escritores.

NERO — Sempre tangendo a lira ante o incêndio de Roma.

NOSOCÔMIO — Mais distinto do que hospital.

ÓCULOS — Dormir com eles para reconhecer as pessoas em sonhos.

OFÍDIO – Mais bonito que cobra.

OGIVA — Ah, o estilo gótico.

ÔNIBUS — Correria desenfreada. Viajar neles é enfrentar a morte todos os dias. Não respeitam nada.

OPERAÇÃO — Melindrosa intervenção cirúrgica.

OVO — Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha? — De Colombo. — Estão cada vez mais caros. — Alguém, muito original, sugerir que os homens deviam nascer em ovos: mais prático, mais higiênico.

PADRE — Há padres bons e ruins, assim como há médicos bons e ruins, o que nada prova contra a Medicina.

PENA DE MORTE — “Uma barbaridade, ninguém tem direito de dispor sôbre a morte de outras pessoas.” — Ser a favor.

PERSONAGEM — Não se diz o personagem, e sim a personagem. //

De romance: deve ser pintor, escultor, escritor, músico, jornalista ou artista de modo geral; deve andar nervosamente de um lado para outro, esquecer o cigarro apagado nos lábios, debruçar-se à janela e contemplar a noite, ter um brilho nos olhos. Andar a esmo. Ser levado pelos próprios passos, como um notívago, um vulto, um autômato, uma sombra; ao fim dos capítulos deve atirar-se na cama chorando; ao fim do romance deve perder-se ao longe, partir.

PÊSAMES – “Foi melhor para êle” – “Deus sabe o que faz”.

PNEUMONIA — Hoje em dia não mata mais ninguém, por causa da penicilina.

POESIA — Gostar muito de poesia, mas não a futurista.

POETA — Foi expulso da República de Platão. — Cabelos grandes.

POLIGAMIA — Os homens são naturalmente polígamos. — E as mulheres? — protestam estas. A propósito, fala-se em poliandria, que não se sabe o que quer dizer…

PONTO — Assinar o: como sinônimo de visita habitual.

PROTESTO — De elevada estima e consideração.

QUERIDO — Em diálogos como este: “Querido, tu me amas?” — “Bem o sabes, querida.”

QUILO — Equivalente a novecentos gramas nos açougues.

RATO — O único animal de que realmente se tem nojo. — Alguém dizer que não tem.

REVOLUÇÃO — Fazê-la, antes que o povo a faça.

ROSICLER — Bonita côr.

ROUPA — Poderiam ser mais práticas, mais condizentes com o nosso clima. — Suja, lava-se em casa. — Ter apenas a do corpo.

RUBRICA – Ou rúbrica?

RUI BARBOSA — A Águia de Haia. — Cabeça grande. — Perguntou: em que língua quereis que eu responda?

SÃO LUÍS — A Atenas Brasileira.

SARRO — É o que suja os dentes e não a nicotina.

SAUDADE — Só existe em português, não tem tradução. — A mais bela palavra da língua. (Como eu detesto esses comentários!)

SAÚDE — Só a apreciamos depois que a perdemos.

SECRETÁRIA — Sempre belas, o terror das esposas. — Nunca sabem escrever à máquina e passam o dia sentadas ao colo do patrão. — Conhecem todos os seus segredos, indispensáveis.

SEGREDO — O melhor meio de espalhar uma notícia é pedir segredo.

SHAKESPEARE — Ser ou não ser. — Teria sido êle próprio o autor, ou Bacon? Deve-se acrescentar: quem quer que tenha sido, foi um autor genial a quem chamamos de Shakespeare.

SORRISO – Um s. bailava-lhe nos lábios.

SORVER — Mais elegante que tomar.

SUICIDAR-SE — Dificuldades financeiras: “matar-se por causa de uma miserável quantia”, dizem os outros. — O tresloucado gesto. — “Para mim, ele não andava muito bom da cabeça.”

SURDOS – Pelo telefone, ouvem muito bem.

TAUMATURGO — Bela palavra, mas confunde-se com dramaturgo.

TÉDIO — Avassalador: de muito efeito em literatura de ficção, na primeira pessoa.

TÊMPORAS – De aço.

TIROCÍNIO — De muito efeito em discurso laudatório.

TORRÃO – Mais refinado que pátria.

TRANSFERÊNCIA – Freud explica.

TRANSIDO – De frio.

TURBAMULTA — Bela palavra a ser usada a propósito do movimento das multidões.

UMBIGO – Ou embigo?

UMBRAIS – Transpor os u. da glória.

URBANIDADE — Qualidade que devem ter os funcionários públicos ao lidar com as partes.

URSO – Abraço de.

VAGALUME — Mais elegante seria dizer pirilampo.

VARIEGAR — Verbo muito elegante de se usar a propósito de cores variadas.

VENDETA — Mais bonito do que vingança.

VENTILAR — Um assunto.

VERBA — Não há. — Esgotada. — Sempre desviada para outras finalidades.

VERDADE — “Sob o manto diáfano da fantasia, a nudez forte da verdade”, disse Eça de Queiroz. “Se non è vero, è bene trovato” Repetir em italiano, mesmo sem entender direito.

VERGONHA — É roubar e não poder carregar.

VÍRGULA — Um bom, escritor deve saber, quando usá-la.

VIZINHO — Reclamam do barulho. — Reparam em tudo. — “Sempre finos, discretos, nunca deram amolação”, segundo informação de pessoa que pretende alugar a casa.

VOMITAR — Mais elegante dizer lançar cargas ao mar.

VULGAR — Adjetivo que deve ser indistintamente usado contra toda atividade comum dos homens, pelas pessoas de bom gosto.

VULGO – Sinônimo de povo.

XAROPE — Com o significado de coisa enfadonha.

XIFÓPAGOS – Ou xipófagos?

ZÉFIRO – Muito bonito como sinônimo de brisa.

MONTE CRISTO OU DA VINGANÇA – Antônio Cândido

Leitura completamente distorcida de Dumas.

escritores de segunda ordem — Eugène Sue ou Alexandre Dumas”

Enquanto a vingança permite, quando não pressupõe, um amplo sistema de incidentes, a ficção seriada exige, por seu lado, a multiplicação dos incidentes. Daí a referida e frutuosa aliança, que atendia às necessidades de composição criadas pelas expectativas do autor, do editor e do leitor, todos os três interessados diretamente em que a história fosse o mais longa e complicada possível: o primeiro pela remuneração, o segundo pela venda, o terceiro pelo prolongamento da emoção. As tendências estéticas do romantismo, sequioso de movimento, convergiam no caso com as condições econômicas da profissão literária e as necessidades psicológicas do novo público, interessado no sensacionalismo, propiciador de emoções violentas.”

Compreende-se deste modo uma das razões pelas quais a vingança pôde, no Romantismo, desempenhar função mais ou menos análoga à das viagens no romance picaresco ou de tradição picaresca.”

Um rapaz honesto, bom profissional, bom empregado, bom filho, bom noivo, bom amigo, é o ponto de partida do livro. Situação de equilíbrio que repugna por tal forma à arte romântica que o escritor se apressa em providenciar a tríplice felonia (?) que vai rompê-la e abrir perspectivas à agitação incessante da peripécia. Anos de calabouço, o encontro com o abade sábio, a aquisição da ciência.”

Alguns anos de mistério são precisos para emergir o conde do marinheiro, e do conde a vingança. Em seguida, o exercício desta, com vagar e proficiência, pelo livro afora.”

O Castelo d’If representa a fase de recolhimento pressuposta no adolescente pela educação burguesa”

Dantes era tolo e amuado

Depois virou grande homem

Um dia morreu,

Mas Dante era divino, solene e eterno,

Ó temperamento austral!

A profunda melancolia que assalta o Cidadão Kane, no píncaro da vitória, se aparenta, aí, com a do gênio romanticamente concebido — e expresso melhor do que em qualquer outro símbolo pelo Moisés de Vigny.”

A vida não é um romance, muito menos um complexo de Édipo. Certo, Camus?

Não deixa de ser meio decepcionante esta recuperação da normalidade ética, após um esforço tão grande de exceção.”

O burguês pode dar sossegado este livro aos filhos” Um ótimo conselho – se estivéssemos no século XIX!

NO MUNDO DO ROMANCE POLICIAL – Álvaro Lins

Até pelas alturas do ano 1000, o romance grego era designado como erotikon, sendo o predecessor apenas do romance popular, não artístico dos nossos dias. Por outro lado, O banquete de Trimalcíú, de Petrônio, é uma obra isolada, já parecida com o romance moderno, sem ligar-se, no entanto, o uma tradição e sem provocar uma continuidade imediata na ordem do tempo.”

Nas épocas em que dominava a estética da separação dos estilos, não havia lugar para o romance como gênero superior; quando se operou a fusão dos estilos, em nova concepção estética, o romance passou a situar-se na frente da epopéia e da própria tragédia.”

Por sua vez, mais tarde, Shakespeare vinha abolir no teatro a separação estrita entre o estilo elevado e o quotidiano realista, ligando o trágico e o cômico, o aristocrático e o plebeu. Contudo, Auerbach observa o seguinte aspecto: se o povo entra em cena nas peças de Shakespeare, a situação de personagens trágicos, trágicos realmente [com T maiúsculo], esta fica reservada às personagens de alta categoria, como reis, príncipes, chefes militares.”

Aproveitando o redescobrimento dos antigos no período anterior da Renascença, o teatro clássico dos franceses levou aos limites extremos o rigor da separação estilística, colocando uma fronteira entre o elevado-sublime de um lado e o quotidiano-ordinário do outro, ficando um para as tragédias de Racine e Corneille, o outro para as farsas de Molière.”

Passara para sempre a época em que um objeto da realidade prática só podia receber expressão literária em têrmos cômicos, satíricos, didáticos, quando muito idílicos. Revestindo-se de seriedade e grandeza, o romance conquistou os direitos de cidade como gênero literário de primeira categoria. O que a burguesia fizera por intermédio da revolução política, o romance realizou também em têrmos de uma revolução literária.”

E que espaço ocupa, por ventura, o romance policial nos grandes quadros do romance?” “O romance policial não é literatura no conceito estético desta palavra. Aquele problema da criação poética através do estilo nunca foi inteiramente resolvido pelos seus autores, e não o será nunca talvez. Grandes figuras da literatura como Voltaire, Balzac, Dickens e Dostoevski jogaram com elementos da ficção policial mas não realizaram estritamente romance policial.

Em Crime e Castigo, Dostoievski construiu a psicologia de um assassino, desdobrou, na ação romanesca das relações entre Raskolnikov e Porfírio Séméionovitch, o duelo patético entre o criminoso e o detetive, mas a esse romance, para se enquadrar no gênero policial, falta um elemento imprescindível, o enigma, uma vez que desde o princípio o leitor está no conhecimento do episódio do estudante que mata a velha usurária.

Dickens deixou inacabado um romance, O mistério de Edwin Drood, onde ocorria um assassinato, cujo autor só deveria ser revelado nas últimas páginas. Assim, se não realizou um autêntico e completo romance policial, Dickens deixou pelo menos, na sua crônica, o maior de todos os enigmas, o enigma perfeito, aquele que nunca será decifrado, tendo o autor levado para o túmulo o seu segredo, em torno do qual os intérpretes ficaram a levantar diversas conjeturas.”

KAFKIANO, NUNCA HAVIA PENSADO NISSO! “Costuma-se trazer da antiguidade um exemplo eminente com o fim de indicar Édipo-Rei como uma tragédia policial; os romances dessa espécie, que a literatura desdenha e exclui dos seus quadros, ficariam assim vingados ou reabilitados com a apresentação de uma origem tão singularmente aristocrática. Mas, para colocar Édipo-Rei na categoria da ficção policial, seria preciso inverter toda a ordem do gênero, que se desenvolve na base de um crime cometido por alguém que não se identifica logo e que é preciso descobrir no fim do romance, enquanto a tragédia grega apresenta a singularidade de um criminoso que todo o público conhece e só êle ignora que cometeu um crime.”

O último caso de Trent, da autoria de E.C. Bentley (…) <a melhor novela policial até hoje escrita>

Se esse é o critério, O ADOLESCENTE é um legítimo romance policial ultrapsicológico: “Durante algumas horas é aquele o nosso mundo, o do romance policial, e quando chega o desfecho voltamos ao natural ainda um pouco assustados como no despertar após um pesadelo.”

OU DA REALIDADE PARA A FICÇÃO? “Nenhum personagem, com efeito, passou da ficção para a realidade de modo mais completo do que Sherlock Holmes; nenhum personagem de Balzac ou de Dickens adquiriu maior popularidade e maior verossimilhança. De todos os seres criados pela imaginação foi Sherlock Holmes o que obteve mais vida autônoma, mais independência como criatura e mais ampla projeção universal. Neste sentido êle cresceu mais do que D. Quixote, Hamlet ou Grandet, embora, está claro, não participe, nem de leve, dessa mesma grandeza da criação na ordem literária ou estética.”

Os britânicos não são nenhuns sábios, mas isso é bem coisa de norte-americano turistando: “visitantes procuravam o personagem de Conan Doyle, acreditando na sua existência real.”

Ao argumento da inverossimilhança, lembra François Fosca, em História e técnica do romance policial, que os casos Humbert, Steinkeil e Stavinsky, nos últimos 50 anos, são tão inverossímeis quanto os dos romances policiais.”

E que romance com a inverossimilhança aparente, com os golpes teatrais, com o mistério, com as intervenções sensacionais, com os episódios espetaculares do autêntico affaire Dreyfus?”

[Mas] um thriller não é a mesma coisa que um bom livro.”

Nos povos com a tendência para a clareza e a transparência,¹ como os latinos, o romance policial não encontra o seu ambiente propício. Êle é o produto de uma sociedade humana impregnada da força do mistério, que sente a atração do mistério da morte e capaz de acreditar em fantasmas e casas mal-assombradas,² gostando das coisas terríveis e apavorantes, dispondo ao mesmo tempo da fantasia e do cálculo. Pois o romance policial é todo êle uma conseqüência das faculdades de imaginação ilimitada e lógica objetiva, aplicadas em operação conjunta no processo da construção ficcionista.” Já o jornalismo policialesco…

¹ Eu entendi o que quis dizer, mas cuidado com termos tão ambíguos! Não somos nada transparentes, apesar de tão solares! Diria que o problema é mesmo o clima tropical, o suor escorrendo, o que impede um Sherlock Holmes no RJ – um que não use, também, camisa-de-força…

² Pensei aqui num crossover: auto-ajuda kardecista com novela policial!

Escreveu Poe três novelas de gênero policial: O duplo[?] assassinato da rua Morgue, O mistério de Maria Roget e a Carta furtada, e com elas — por intermédio do seu detetive-amador, Dupin — lançou os fundamentos e as regras do romance policial, de tal modo que a sua obra serviu ao momento de estudos para a polícia científica.”

Tanto Conan Doyle como Gaboriau não tinham, aliás, consciência da sua própria obra; desdenhavam-na no anseio de escrever romances literários. Escreveram realmente livros com ambiciosas pretensões, mas deles nada resta na memória dos homens. Se não foram de todo esquecidos, ambos o devem a Sherlock Holmes e a Lecoq. Neste caso, é a criatura que salva o criador e que lhe fornece um pouco da sua vida imortal.”

Daniel revela o segredo em torno do ídolo do deus Baal no episódio da Bíblia, enquanto a própria filha do rei Dampsinitos, num sistema moral escandaloso para a nossa época, entrega-se a qualquer homem, como prostituta, com o fim de descobrir aquele que roubara o tão escondido tesouro de seu pai.”

O romance policial tem a feição de uma mágica que parece de efeito sobrenatural até que o prestidigitador explica a sua realidade interna, e o observador exclama: — <Como era fácil! Como teria sido possível a qualquer um de nós descobrir o segredo!>.”

O “CHECKERS & CHESS MAN” ATACA NOVAMENTE: “Verificar-se-á, com efeito, que os homens engenhosos são sempre fantasistas¹ e os verdadeiramente imaginativos são, por sua vez, sempre analíticos.²” Poe

Windom Earle foi realmente uma excrescência mal-pensada!

¹ Aloísio, o imberbe com ambições de poder: esperto, gatuno, mas nada inteligente ou realista.

² Vive no mundo da lua, desinteressado, ó Rafa!, mas tua análise é perspicaz, cirúrgica, radiográfica! Rei da abstração, só sabe jogar damas…

De modo geral, o criminoso ou é um emotivo, ou é um intelectual, e isto êle revela logo na maneira de praticar o crime, sendo que exatamente dessa constatação parte o detetive para as suas investigações.”

O público não simpatiza geralmente com a polícia, como organização oficial, e por isso é que os detetives dos romances, em sua maioria, são policiais-amadores ou profissionais de trabalhos particulares.”

Espectro Batman-Fox Mulder de inadequação-adequação ao “cargo”.

Entre os detetives da ficção policial há um jornalista, um advogado e um padre: o jornalista Rouletabile, o advogado Perry Mason [som na caixa!] e o padre Brown.”

Na última novela de Memórias de Sherlock Holmes, o grande detetive caía num abismo nos Alpes, em luta com um famoso bandido, morrendo ambos. O público não se conformou, porém, com este acabamento trágico, e tantas foram as manifestações de dor e de cólera que Conan Doyle resolveu <ressuscitar> o seu herói.” De Toriyama e Lynch, todo autor tem um pouco…

Só tendo o epílogo constantemente em vista poderemos dar a um enredo seu aspecto indispensável de conseqüência, ou casualidade, fazendo com que os incidentes tendam para o desenvolvimento de sua intenção.”

OS FUNDAMENTOS DA FÍSICA (vol. III) (9ª ed.) – Ramalho

PARTE I. CARGAS ELÉTRICAS EM REPOUSO

CAPÍTULO 1. Eletrização & Força elétrica

Eletrostática como um domínio completamente separado do estudo da força gravitacional.

O nome elétron deriva de elektron, grego para âmbar, substância com que os antigos identificaram pela primeira vez a repulsão e atração de caráter elétrico. Adivinha a quem se atribui a descoberta em primeiro lugar? Ao desatento Tales, O Lunático. Foi preciso esperar até o séc. XVI para que, na Inglaterra, dessem continuidade ao estudo da Eletricidade. Uma “descoberta” nada bárbara (cof, cof)…

A palavra tribo advém do grego tribein e significa <atritar>, <esfregar>. Por isso a eletrização por atrito é também denominada triboeletrização.”

Os materiais como o vidro, que conservam as cargas nas regiões onde elas surgem, são chamados isolantes ou dielétricos. Os materiais nos quais as cargas se espalham imediatamente são chamados condutores. É o caso dos metais.”

Van der Graaf (1901-1967). “Geradores de VdG de grande porte, que armazenam grandes quantidades de carga elétrica, gerando descargas elétricas de enormes proporções, costumam ser utilizados em aceleradores de partículas.”

Corrimões de escadas rolantes e batentes de portas: “Em regiões de clima seco, é relativamente comum um passageiro sentir um pequeno choque ao descer de um veículo e tocá-lo. Isso ocorre porque, sendo o ar seco bom isolante elétrico, a eletricidade estática adquirida por atrito não se escoa para o ambiente, e o passageiro, ao descer, faz a ligação do veículo com o solo. Às vezes é a roupa do passageiro (ou do motorista) que se eletriza por atrito com o banco do carro. Ao descer, o toque na parte metálica produz a descarga e a sensação de choque.”

[!] “Foi o cientista, político e escritor americano Benjamin Franklin (1706-1790) quem introduziu os termos eletricidade positiva e eletricidade negativa para designar a eletricidade vítrea e resinosa, respectivamente.” Este homem tão precipitado enquanto politicólogo inventou o pára-raio! Isso o livro-texto da minha época não mostrava…

ATENÇÃO: A experiência realizada por Franklin é muito perigosa. Por isso, jamais tente repeti-la.” HAHAHAHA

Não esperava encontrar isto aqui (p. 35): “Dos inúmeros sermões proferidos pelo Padre Antônio Vieira (1608-1697), os mais famosos são Sermão da Quinta Dominga da Quaresma e Sermão da Sexagésima.”

CAPÍTULO 2. Campo elétrico

(…)

CAPÍTULO 3. Trabalho e potencial elétrico

(…)

CAPÍTULO 4. Condutores em equilíbrio eletrostático. Capacitância eletrostática

Ocorrem por dia, em nosso planeta, cerca de 40 mil tempestades, que originam, aproximadamente, 100 raios por segundo.”

Os dois tipos de pára-raios:

a) Modelo de Franklin

Também chamado simplesmente de pára-raios de F., consta basicamente de uma haste condutora disposta verticalmente na parte mais alta da estrutura a ser protegida. A extremidade superior da haste apresenta de 3 a 4 pontas de um material de elevado ponto de fusão (que não se derreta com a dissipação da energia da descarga). A outra extremidade da haste é ligada, por meio de condutores metálicos, a barras metálicas profundamente cravadas no solo.

Estudos experimentais permitiram concluir que <o campo de proteção oferecido por uma haste vertical é aquele abrangido por um cone, tendo por vértice o ponto mais alto do pára-raios e cuja geratriz forma um ângulo de 60° com a vertical.

b) Modelo de Faraday

Este método consiste em uma malha de captação, formando módulos retangulares, feitos de cabos de cobre nu passando por suportes isoladores, colocados de modo a envolver o topo da estrutura, como uma gaiola. Ao longo da malha, distribuem-se regularmente hastes terminadas em ponta. O aterramento se dá do mesmo modo que o método de F., mas com maior número de terminais. Esse sistema, apesar de mais dispendioso, proporciona maior proteção, sendo utilizado em edificações de grande porte, como ginásios, galpões industriais, etc.

Obs.

O pára-raios radioativo, baseado na ionização do ar por meio da presença de material radioativo no material constituinte da ponta, está proibido no Brasil desde 1989. Quem eventualmente ainda utilize esse tipo de p-r está obrigado a desmontá-lo e encaminhar os componentes à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).”

PARTE II. CARGAS ELÉTRICAS EM MOVIMENTO

CAPÍTULO 5. Corrente elétrica

O pior caso de choque é aquele que se origina quando uma corrente elétrica entra pela mão de uma pessoa e sai pela outra. Nesse caso, atravessando o tórax de ponta a ponta, há grande chance de a corrente afetar o coração e a respiração.

O valor mínimo de intensidade de corrente que se pode perceber é 1mA (micro-ampère). Esse valor provoca sensação de cócegas ou formigamento leve. Entretanto, com uma corrente de intensidade 10x maior a pessoa já perde o controle dos músculos, sendo difícil abrir a mão e livrar-se do contato.

O valor mortal está compreendido entre 10mA e 3A, aproximadamente. Nessa faixa de valores, a corrente, atravessando o tórax, atinge o coração com intensidade suficiente para modificar seu ritmo. Modificado o ritmo, o coração pára de bombear sangue para o corpo e a morte pode ocorrer em segundos. Se a intensidade for ainda mais alta, a corrente pode paralisar completamente o coração. Este se contrai ao máximo e mantém-se assim enquanto passa a corrente. Interrompida a corrente, geralmente o coração relaxa e pode começar a bater novamente, como se nada tivesse acontecido. Todavia, paralisado o coração, paralisa-se também a circulação sangüínea, e uma interrupção de poucos minutos dessa circulação pode provocar danos cerebrais irreversíveis.”

CAPÍTULO 6. Resistores

Existem elementos de circuitos cuja função, entre outras, é a de transformar energia elétrica em energia térmica (dissipar energia elétrica) ou limitar a intensidade da corrente elétrica em circuitos eletrônicos. Tais elementos recebem o nome de resistores.

São exemplos de resistores que se destinam a dissipar energia elétrica: os filamentos de tungstênio das lâmpadas elétricas incandescentes; fios de certas ligas metálicas (como nicromo: liga de níquel e de cromo), enrolados em hélice cilíndrica, utilizados em chuveiro, torneiras elétricas, secadores de cabelos, etc.

Os resistores utilizados para limitar a intensidade de corrente que passa por determinados componentes eletrônicos não têm a finalidade de dissipar energia elétrica, embora isso aconteça inevitavelmente. Comumente, são constituídos de um filme de grafite depositado de modo contínuo sobre um suporte cerâmico ou enrolado em forma de faixas helicoidais.”

Muitos resistores que se destinam a dissipar energia são, algumas vezes, chamados impropriamente de <resistências>. Você certamente já ouviu frases do tipo <é preciso trocar a resistência do chuveiro> ou <a resistência do secador de cabelos queimou>. Na verdade, a resistência elétrica é uma propriedade física do resistor.”

O estudo moderno da eletricidade teve início a partir da observação de um biólogo. Luigi Galvani (1737-1797) verificou que as pernas da rã, que suspendera para secar por meio de presilhas de cobre num suporte de ferro [quem seca uma rã???], contraíam-se quando balançados pelo vento. Galvani atribuiu a ocorrência à existência de correntes elétricas produzidas pelas próprias pernas da rã.

(…) [Mas] o físico Alessandro Volta (1745-1827) não concordou com a hipótese de seu colega biólogo. Para ele, as contrações eram devidas a uma corrente elétrica, mas produzidas de outro modo. Ao serem balançadas pelo vento, as extremidades livres das pernas suspensas tocavam o suporte de ferro. Então estabelecia-se o contato da perna da rã com 2 metais, o cobre, de um lado, e o ferro, do outro. Isso e mais as substâncias ácidas do corpo da rã geravam a corrente responsável pelas contrações. A construção da primeira pilha elétrica por Volta comprovou a veracidade de sua hipótese.”

Com a descoberta do efeito magnético da corrente elétrica, a história da Eletrodinâmica se entrelaça com a do Magnetismo, surgindo então com destaque as pesquisas de cientistas como Oersted, Ampère, Faraday, Maxwell e outros.”

! DICAS CULTURAIS !

As óperas de Verdi adaptando Shakespeare e Schiller. La Traviata, cantada no Poderoso Chefão 2.


Paulicéia Desvairada é considerado como o primeiro livro de poemas do modernismo brasileiro (Mário de Andrade).”

CAPÍTULO 7. Associação de resistores

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CAPÍTULO 8. Medidas elétricas

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CAPÍTULO 9. Geradores elétricos

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CAPÍTULO 10. Receptores elétricos

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CAPÍTULO 11. As leis de Kirchoff

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CAPÍTULO 12. Capacitores

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PARTE III. ELETROMAGNETISMO

CAPÍTULO 13. Campo magnético

campo magnetico

CAPÍTULO 14. Força magnética

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CAPÍTULO 15. Indução eletromagnética

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CAPÍTULO 16. Noções de corrente alternada

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CAPÍTULO 17. Ondas eletromagnéticas

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PARTE IV. INTRODUÇÃO À FÍSICA MODERNA

CAPÍTULO 18. Relatividade especial

No final do séc. XIX, acreditava-se que as ondas eletromagnéticas, a exemplo das ondas mecânicas, necessitavam de um meio material para se propagarem. Esse meio elástico, onipresente e invisível, preenchendo todo o Universo, foi denominado éter. As ondas eletromagnéticas e a luz, em particular, propagavam-se com velocidade c = 300 mil km/s em relação a esse meio.

Como o éter era um meio hipotético, cuja existência jamais fôra provada, em 1887 os cientistas Michelson e Morley realizaram, em Cleveland (EUA), uma experiência para verificar sua existência. Eles consideraram que, se o espaço sideral estivesse preenchdio por um <mar de éter> imóvel e a luz fosse realmente propagada através dele, a velocidade desta deveria ser afetada pela <correnteza de éter> resultante do movimento de translação da Terra. Em outras palavras, um raio de luz lançado no sentido do movimento da Terra deveria sofrer um retardamento, por causa da correnteza do éter, da mesma forma que um nadador é retardado pela correnteza da água ao nadar contra ela.”

Michelson e Morley esperavam encontrar valores diferentes para os intervalos de tempo delta-T e delta-T’, segundo cálculos teóricos previamente feitos. A diferença de tempo deveria ser detectada pela análise da interferência dos feixes de luz no anteparo de sua máquina interferômetro [basicamente um superespelho mergulhado horizontalmente em mercúrio]. Contudo, realizada a experiência, a conclusão foi perturbadora: não havia diferença entre os 2 intervalos de tempo. Repetiram a experiência várias vezes, em épocas e condições técnicas diferentes, chegando sempre à mesma medição. (…) Foi o fim do sistema de referência universal newtoniano.”

CAPÍTULO 19. Física quântica

Na história da Física, existem vários exemplos de conceitos que exigiram revisão ou mesmo substituição, quando novos dados experimentais se puseram a eles. Contudo, no caso da luz, foi a primeira vez em que duas teorias, completamente diferentes, são simultaneamente necessárias, completando-se mutuamente.”


“Logo após a hipótese de
De Broglie, foi desenvolvida por vários físicos notáveis, como Heisenberg, Schrödinger, Born, Pauli [citado em Jung] e Dirac, a Mecânica Quântica.”

CAPÍTULO 20. Física nuclear

A força nuclear forte é a mais intensa das 4 forças fundamentais. Sua intensidade é 1038 vezes maior que a força gravitacional, a mais fraca das quatro. Entretanto, sua ação só se manifesta em distâncias muito pequenas, comparáveis às dimensões do núcleo atômico (10-15m). A intensidade da força nuclear forte diminui rapidamente quando há a separação entre as partículas, praticamente se anulando quando a distância assume as dimensões de alguns diâmetros nucleares. Essa força também é denominada força hadrônica, porque só se manifesta entre os hádrons, grupo de partículas do qual fazem parte os nêutrons e os prótons, mas não os elétrons, que não são afetados pela força nuclear forte.”

A intensidade da força eletromagnética é em média 100x menor que a da força nuclear forte.”

NÃO BRINCAR COM FOGO OU ELETRICIDADE: “Entre os léptons (grupo de partículas das quais faz parte o elétron) e os hádrons, atuando em escala nuclear, desenvolve-se a denominada força nuclear fraca. Sua intensidade é 1025 vezes maior que a da força gravitacional, mas 1013 vezes menor que a da força nuclear forte. Ela é a responsável pela emissão de elétrons por parte dos núcleos de algumas substâncias radioativas, num processo denominado decaimento beta. Atualmente a maior parte dos cientistas admite que a força nuclear fraca e a força eletromagnética são manifestações diferentes de uma mesma interação fundamental, chamando-as de força eletrofraca. Esse é um primeiro passo para a unificação completa das 4 forças fundamentais, entendendo-as como manifestações de uma única superforça.”

a força gravitacional tem grande importância na Astronomia e na Cosmologia, explicando a movimentação dos astros no Universo, bem como a formação de estrelas, galáxias e sistemas planetários.”

Um contato entre uma partícula e sua antipartícula pode resultar num processo de aniquilação da matéria. É o que ocorre entre um elétron e um pósitron, sendo criados dois fótons de alta energia.”

Com a construção de grandes aceleradores de partículas, muitas antipartículas foram descobertas como, p.ex., o antipróton e o antinêutron. O antipróton foi descoberto em 1955 pelos físicos norte-americanos Owen Chamberlain (1920-2006) e Emílio Gino Segré (1905-1989), no Bévatron da Universidade da Califórnia, em Berkeley, EUA. Por esse feito, receberam o prêmio Nobel de Física de 59.”

Entre os bósons, os mais conhecidos são os fótons, que têm massa de repouso nula.”

As partículas elementares elétron, neutrino, múon, tau e suas antipartículas são exemplos de léptons. O nome lépton significa leve, e a razão disso é que sua massa costuma ser menor que a menor massa dos hádrons. Entretanto, sabe-se hoje que o tau, um tipo de lépton que só pode ser encontrado em partículas aceleradas e em raios cósmicos, tem massa que corresponde a quase o dobro da massa do próton.

Os hádrons, que estão sujeitos a todas as interações, podem ser de 2 tipos: os mésons e os bárions. Um tipo de méson, o píon, foi descoberto em 1947 pelo físico brasileiro César Lattes (1924-2005), no pico de Chacaltaya, nos Andes bolivianos, a 5.600m de altitude. Os mésons são partículas cuja massa pode variar desde um valor próximo a 1/7 da massa do próton até valores mais elevados que a massa de núcleos leves. Próton, nêutron, lambda, sigma, Xi, ômega e suas antipartículas são exemplos de bárions.”

Os hádrons, na verdade, não seriam partículas elementares, pelo fato de que são constituídos por partículas ainda menores, os denominados quarks.¹ O modelo dos quarks prevê a existência de 3 tipos, indicados pelas letras u (de up), d (de down) e s (de strange [haha]). Os quarks apresentariam carga elétrica fracionária em relação à carga elementar. Existiriam 3 antiquarks.

¹ O nome quark, dado por Gell-Mann às menores partículas constituintes da matéria, foi tirado do romance Finnegans Wake, de Joyce.

Esse modelo se expandiu com a inclusão de mais 3 tipos de quarks: o c (de charmed), o b (de bottom) e o t (de top) e seus correspondentes antiquarks.”

Os hádrons mais comuns (prótons e nêutrons), denominados núcleons, são constituídos apenas pelos quarks u e d. Um próton seria constituído por 2 quarks u e um quark d, pois a carga elétrica do quark u é +2/3 e a do quark d é -1/3 (carga = 1). Um nêutron seria formado por 2 quarks d e um quark u (carga 0).”

Cada m² da superfície do planeta é atingido, em cada segundo, por cerca de 200 partículas denominadas raio cósmico, com energias de alguns milhões de elétrons-volt. Entre as partículas que constituem a radiação cósmica predominam os elétrons e os núcleos atômicos, principalmente de hidrogênio (prótons). As partículas dos raios cósmicos deslocam-se pelo espaço com velocidades próximas à da luz. Algumas delas são muito mais energéticas do que qualquer outra partícula produzida nos maiores aceleradores de partículas existentes.”

No Brasil, as atividades envolvendo os raios cósmicos marcam o próprio início das pesquisas físicas em nosso país. Por ocasião da implantação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, em 1934, foi marcante a atuação do físico ucraniano de nascimento, naturalizado italiano, Gleb Wataghin (1899-1986), que hoje empresta seu nome ao Instituto de Física da Unicamp.”

Em 1949, foi criado no RJ o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), coordenado por César Lattes e José Leite Lopes (1918-2006), outro importante pesquisador brasileiro, primeiro presidente da Sociedade Brasileira de Física.”

Na esteira dos aperfeiçoamentos dos acelerados de partículas, em 1929, o físico norte-americano Ernest Lawrence (1901-58), prêmio Nobel de física de 39, desenvolveu outro acelerador com concepção diferente, o cíclotron, no qual partículas carregadas eram aceleradas em percursos espiralados, ganhando energia a cada ciclo. Esse conceito ainda hoje é utilizado nos grandes aceleradores.”

quando núcleos pesados como os de urânio são bombardeados por partículas como nêutrons acelerados, originam-se núcleos menores e uma grande quantidade de energia. (…) Essa energia obtida confirmou plenamente a fórmula de Einstein E = mc²”

Em 02/12/1942, na Universidade de Chicago, um grupo de cientistas, dirigido por Enrico Fermi [ironicamente, um italiano ‘ajudou a matar’ o fascismo], criou com sucesso o primeiro reator a conseguir um estado de auto-sustentação ou <crítico>. O reator era abastecido com urânio natural embebido em blocos de grafite, tendo a fissão ocorrido no isótopo do urânio de massa 235 e 92 prótons.”

invenção da bomba a

Chama-se energia de ligação do núcleo a quantidade de energia mínima que o núcleo deve receber para ser possível separar núcleos atômicos. (…) quando núcleons se juntam e se fundem para formar um núcleo mais pesado, há liberação de energia, que corresponde à energia de ligação, i.e., à energia que o núcleo formado deveria receber para que fossem liberados os núcleos originais. No processo que ocorre no Sol, núcleos de hidrogênio unem-se para formar núcleos de hélio e, como subproduto dessa reação nuclear, é liberada uma enorme quantidade de energia.”

Por que não existem usinas de energia de fusão nuclear? “o gasto de energia para se obterem as condições necessárias à realização do processo é maior que a quantidade de energia obtida dele.” “A fusão nuclear causa bem menos problemas que a fissão na obtenção de energia elétrica. Por isso, há um grande empenho dos cientistas e dos governos em todo o mundo para buscar soluções que tornem viável a utilização do processo de fusão em substituição ao de fissão. Nesse sentido, foi criado um projeto internacional, que constitui uma das maiores cooperações científico-tecnológicas dos últimos tempos, o ITER (International Thermonuclear Experimental Reactor). O reator, baseado na tecnologia Tokamak, está sendo construído na França e, uma vez concluído (o primeiro prazo para início das operações é 2016), deverá produzir cerca de 1 GW (1 bilhão de watts) de potência. Tal projeto consumirá mais de 10 bilhões de euros, metade dos quais investidos pela comunidade européia.” Atualizações: https://www.iter.org/sci/iterandbeyond – a máquina sucedânea do projeto ITER tem previsão para entrar em funcionamento nos anos 40: “DEMO is the machine that will address the technological questions of bringing fusion energy to the electricity grid. The principal goals for the DEMO phase of fusion research are the exploration of continuous or near-continuous (steady-state) operation, the investigation of efficient energy capture systems, the achievement of a power output in the Q-value range of 30 to 50 (as opposed to ITER’s 10), and the in-vessel production of tritium (called tritium breeding). DEMO would be a simpler machine than ITER, with fewer diagnostics and a design more targeted to the capture of energy than to the exploration of plasma regimes.” “Beyond DEMO, the final step to producing fusion energy would be the construction of a prototype reactor, fully optimized to produce electricity competitively. The timescale for such a prototype depends heavily on political will to reach this stage, but most forecasts place this phase of fusion energy development at the middle of the century.” Ironicamente, além da União Européia parece que só o Japão está envolvido, sem a presença dos EUA…

supernova

Uma das previsões da relatividade geral de Einstein é a existência de ondas gravitacionais, as quais, apesar das tentativas, ainda não foram observadas. Existe a expectativa de que na eventual colisão de dois buracos negros, envolvendo massas da ordem de milhares de massas equivalentes ao Sol, ondas gravitacionais possam ser detectadas, resolvendo um dos grandes enigmas da Física atual.”

PARTE V. ANÁLISE DIMENSIONAL

CAPÍTULO 21. Análise dimensional

(…)

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Gilbert, De magnete, 1600.

Grattan

AS EXTRAORDINÁRIAS AVENTURAS DO BARÃO MUNCHAUSEN: Um RPG Superlativo num Estilo Totalmente Inovador pelo Barão Munchausen – James Wallis, trad. Marta Cancela, DEVIR, 1998.

segundo a minha família, havia um Munchausen viajando clandestinamente na Arca de Noé”

a minha reputação, e com ela o recontar de diversas das minhas espantosas aventuras, espalhou-se em todo o mundo civilizado, através dos oceanos, das profundezas da África ao longínquo Japão, os mundos gêmeos do Sol e da Lua e os estranhos povos que lá vivem, e até mesmo na França. Portanto, para onde quer que viaje, encontro sempre quem me convença a contar essas histórias cujos pedidos nunca recuso, sendo um homem de nobre criação.

De acordo com o mencionado, os palermas que querem ouvir mais uma vez como os meus companheiros e eu fomos engolidos por uma baleia, ou como atravessei os céus de Constantinopla montado numa bola de canhão, não me permitem um momento de paz. E muitas vezes tenho como única recompensa um copo do mais ordinário conhaque ou até mesmo nada! Serei eu um contador de histórias que o faz apenas para o divertimento de outros? Não! Sou um nobre, um soldado e um aventureiro, enquanto eles são apenas simplórios, e que eu seja amaldiçoado se quiser ter algo mais a ver com eles.”

Penso que esta deve ser a maior inovação na concepção de jogos desde o Baralho de Cartas de Tarot Colecionável, que eu inventei quando estava encarcerado na Bastilha, por uma falsa acusação de importar marmelos num domingo.”

Este é um jogo de narração de histórias, e cada uma dessas histórias será baseada nas extraordinárias aventuras que vivi – no seu estilo, se não no seu conteúdo. Mas enquanto as histórias que vós contais são ficção, as minhas são inteiramente verdadeiras em todo e qualquer pormenor. Não o dizer é chamar-me de mentiroso, e fingir que as vossas fantasias aconteceram comigo é chamar-me de charlatão, e, se fizerdes qualquer uma destas duas coisas, levar-vos-ei lá fora e farei uma tal demonstração da arte da esgrima que vos estonteareis de tal modo que ficareis cego pelas faíscas durante um mês. Eu sou um nobre, senhores, e comigo não se brinca.”

O jogo é simples. Os jogadores sentam-se à volta de uma mesa, de preferência com uma garrafa de um licor interessante ou de um vinho decente para umedecer as gargantas, e cada um, a sua vez, conta uma aventura ou feito espantoso. A narração da história é desencadeada por um dos outros, e o resto dos companheiros pode interromper com perguntas e observações quando acharem que o devem fazer, e é a função do narrador refutar ou evitar essas questões. Quando todos terminarem, o que tiver contado a melhor história paga bebidas aos seus companheiros e, com todos devidamente fortificados, o jogo pode recomeçar.”

Se os vossos companheiros forem em número menor que cinco, então dai a cada homem cinco moedas. Se contardes mais de 20, não penseis em jogar o jogo: em vez disso aconselho que junteis as vossas posses, contrateis alguns mercenários e planejeis uma invasão da Bélgica.”

quem propuser jogar com dinheiro em papel – que não serve para mais nada senão para limpar o tra… não é certamente um cavalheiro e deve ser expulso do vosso grupo e em seguida do vosso clube.”

Se o grupo não estiver bêbado, cansado ou aborrecido, passai para a CRIAÇÃO DOS PERSONAGENS. Caso contrário, podereis omiti-la. Ou simplesmente omitir tudo.”

Para tratar do assunto da criação dos personagens será necessário um pedaço de pergaminho e uma pena – assumindo que, tendo recebido uma educação decente, vós sabeis ler e escrever, pelo menos em Latim.”

O curso da narrativa nunca pode amolecer, pois os outros jogadores podem interromper a qualquer momento o contador com uma aposta ou uma objeção. Isto é feito quando o jogador empurra uma moeda (nunca mais de uma) das moedas que tem a sua frente – a que chamaremos a parada –, interrompendo o curso da narrativa. Uma aposta seria lançada como demonstram estes exemplos:

– Aposto, Barão, que atrás da porta que mencionastes estava todo um regimento de cavalaria com fuzis esperando para vos emboscar; ou:

– Aposto, Conde, que a Imperatriz não se impressionou com a vossa oferta de duas girafas e mandou-vos abandonar os seus aposentos imediatamente.

As objeções, pelo contrário, lançam-se deste modo:

– Mas, Conde, é sabido que a Imperatriz tem ódio a girafas, desde que o seu cãozinho foi comido por uma; ou:

– Mas Duquesa, no momento que mencionais, o Colosso de Rodes já era uma ruína há 50 anos, por isso seria impossível terdes feito a sua escalada.”

Se a aposta ou objeção do jogador que interrompeu estiver correta deve o contador concordar com o seu companheiro e pode guardar a moeda. Deverá, contudo, explicar obrigatoriamente como os acontecimentos introduzidos na interrupção do companheiro não o impediram de continuar com a aventura que está a descrever.

Se, contudo, a interrupção for julgada incorreta pode afastar a parada do colega junto com uma moeda sua, e informar ao outro que ele é um idiota que claramente não sabe do que fala e que obtém as suas informações ouvindo coscuvilhices de solteironas em rodadas de gim. Se aquele que interrompeu não está preparado para fazer frente a este insulto a sua honra, pode juntar outra moeda à pilha e devolvê-la ao contador, reforçando o seu caso e devolvendo o insulto com juros. O contador pode de novo devolver a aposta com outra moeda e outro insulto, e assim sucessivamente até que um dos lados retire a sua objeção e aceite o insulto (ficando com toda a ‘parada’), ou uma das partes esgote os seus fundos mas não desista – caso em que devem travar um duelo.”

Os nobres enquadram-se num modelo estabelecido por Deus Todo Poderoso, e descrito pela 1ª vez por Baldesar Castiglione na sua obra O Livro do Cortesão. A verdade das suas palavras vem até hoje, apesar do fato de – devido a uma má fortuna de nascimento – ele ser italiano. Tomarei a liberdade de citar esse augusto nobre sem a sua permissão, visto que já faleceu há mais de 200 anos.”

O comportamento do nobre é a pedra basilar de toda a civilização, pois sem a nobreza não haveria o patrocínio das ciências, artes, literatura ou música; e apenas as diversões mais comuns como o teatro, os bailaricos, a política e as trocas comerciais permaneceriam. Naturalmente, nenhum nobre tem coisa alguma a ver com magia, pela razoabilíssima razão de que a magia não existe.”

(…O meu editor, digo, cujos olhos brilham de raiva e o cabelo se eriça como o daquele ouriço-cacheiro gigante que uma vez derrotei na Escócia virando-o pelo avesso, e assim apunhalando-o mortalmente com seus próprios espinhos – o meu editor, temo, morrerá de uma apoplexia, a menos que eu termine esta digressão, feche estes parênteses e regresse ao assunto das OBJEÇÕES E APOSTAS. Francamente, estou achando este assunto das regras mais do que aborrecido, especialmente agora que esta garrafa de conhaque acabou. Sim, isso foi uma indireta, que, ao que parece, ele não entendeu. O quê? Ah! fechar os parênteses. Que assim seja.)”

É mais do que óbvio, até para o idiota mais tapado, que o contador da história não foi morto, pois ele está contando a história, e se tal objeção for feita, o contador pode embolsar a moeda do objetante, e todos os companheiros devem olhar para o tolo com indisfarçado desprezo. Podem atirar sobre ele pedaços de pão duro, mas atiçar-lhe os cães já é considerado de má-educação.”

TRAVANDO DUELOS

(Advertem-me de que a moda agora é chamar a esta parte das regras de <Sistema de Combate>. É um nome feio que tropeça na língua e parece um manual prussiano sobre os métodos de esgrima com sabre. Desprezo-o. Se o seu criador sentir-se incomodado pelo meu desprezo por ele e pela sua frase, deixai-o desafiar-me e veremos se sabe algo sobre os verdadeiros <sistemas de combate>, ao mesmo tempo que reduzo a suas calças a renda.)”

Lutar por questões de honra é um assunto perigoso que pode trazer a pobreza, ferimentos ou a morte ou – um horror pior – o ridículo perante os participantes, mas é tão necessário como o bife para um inglês, o ouro para um suíço ou evitar banhos para um francês.”

O duelo tem de prosseguir somente até haver sangue derramado ou incapacidade, pois este é apenas um desentendimento amigável, mas já vi duelos serem travados até o desmembramento ou à morte por assuntos como um particípio passado mal conjugado.”

Qualquer pessoa que possui um título hereditário ou que tenha servido como oficial em qualquer dos melhores exércitos do mundo (o alemão, o prussiano, o inglês, o espanhol, o italiano ou, para esse fim, o do Catai, o etíope, o persa – e com efeito, agora que pensei nisso, todos exceto o turco, o polonês e o irlandês) deve passar à seção seguinte.”

recomendo um mestre de duelos inglês para duelos que possam durar até 5 dias e depois serem cancelados ou adiados devido à chuva ou acabarem em empate.”

Um certo número de estados não-iluminados declararam os duelos ilegais, por isso os participantes correm o risco de serem interrompidos por membros das classes baixas brandindo cassetetes e mandados, o que é mais do que suficiente para pôr qualquer duelista desconcentrado.”

TRAVANDO DUELOS ENTRE COVARDES

Se sois fraco de sangue, mole das carnes ou débil do fígado ou – como modo de obter uma desculpa – se estais com pressa para terminar o jogo, ou se há senhoras presentes que ficariam chocadas ao ver sangue, ou se sois incapaz de manterdes o papel que estais a desempenhar ao pensar num combate nobre, e vos encontrais de novo reduzido ao papel de um mero camponês, ou se fordes galês; se qualquer destas coisas for verdade, então talvez desejeis evitar o combate físico que representa um duelo. Em vez disso, tal como estais fingindo ser um nobre no meu jogo, podeis fingir que estais travando um duelo com um conjunto de regras que eu mesmo concebi para esse fim.

Eu retiro o <eu mesmo <concebi>. Na verdade, este jogo foi-me ensinado por um habitante da Estrela-Cão, que encontrei a uma grande distância de sua casa, na última ocasião em que visitei a Lua. Sei que este jogo foi ensinado originalmente a estes caninos astrais pelo famoso navegante Vasco da Gama, que em sua derradeira viagem, traçou a rota para a ilha do Ceilão, mas errou por vários milhares de léguas e acabou navegando para fora da borda do mundo. Eu culpo a fraca imitação que são as cartas marítimas portuguesas, mesmo sabendo que, sem dúvida, os portugueses hão de culpar a bússola, ou o vento, ou a água, ou os habitantes do Ceilão, ou a forma do mundo, ou a Lua, ou qualquer coisa que pudesse absolver a sua relaxada mão-de-obra.

Vasco da Gama chamou as regras de <Garrafa-Copo-Garganta> (ele era português, tal como esclareci anteriormente) e os habitantes da Estrela-Cão conhecem-nas como <Osso-Pau-Bola>. Chamar-lhes-ei de <Pedra-Papel-Tesoura> e… Ah! O meu editor diz-me que fui ultrapassado pelo destino e que o jogo já é conhecido por esse nome em todo o mundo, e que devo riscar o parágrafo acima.”

bebi fundo do vinho do porto de lorde Bootlebury e dos olhos castanhos de sua filha mais nova, tão grandes e profundos como os do veado que matei na Floresta Negra empanturrando-o de bolo – o seu sabor, devo dizer, não ficou muito favorecido por este método”

Poderia dizer mais, porém não vou gastar mais palavras neste assunto, destinado como é, apenas a mariquinhas e àqueles que têm medo de ver um pouco de sangue, ou de somar mais uma morte ou duas à sua consciência.”

Assumindo que ambas as partes ainda vivem, o resultado de um duelo é o seguinte: o perdedor deve entregar todo o conteúdo da sua bolsa ao vencedor e retirar-se do jogo. Se uma das duas partes chegou a perder a vida no conflito, então a sua testemunha deve seguir essas instruções. Contudo, o seu galardão – se o tiver – deve permanecer intacto.”

uma tripulação de piratas morenos e eu estávamos encurralados nas entranhas de um enorme monstro marinho que infelizmente nos tinha engolido – um acontecimento comum, soube pelas minhas conversas com diversos aventureiros marítimos, mas esta sendo de algum modo peculiar pois estávamos escalando o Matterhorn quando fomos engolidos.”

TERMINANDO UMA HISTÓRIA

Pela minha experiência, uma história não deve demorar mais do que 5min, pois para além desse tempo os ouvintes começam a ficar aborrecidos e indiferentes e a falar entre eles e a atirar pedaços de pão duro e a jogar dados ou cartas e a chamar músicos e a dançar em cima da mesa e a seduzir a anfitriã e a distribuir literatura sediciosa ou revolucionária e a congeminar guerras na Ásia, e outras distrações que poderão fazer até mesmo o melhor contador perder o ritmo – particularmente se ele também tiver intuitos que envolvam a anfitriã.”

Se um contador de histórias termina sua narrativa e não há ninguém para gritar <Viva!>, pois estão todos a dormir ou com outras ocupações, então ele deve dar a entender aos companheiros que chegou ao fim levantando-se e proferindo em alto e bom som: <Esta é a minha história, na qual todas as palavras são verdade, e se algum homem duvidar fá-lo-ei beber uma garrafa de conhaque num só gole.> Isso serve de sinal aos companheiros, pelo volume, não pelas palavras, que deverão levantar-se do torpor causado por uma história maçante e reunir uns quantos <Viva!> para darem a entender que perceberam que a história acabou.”

Se porventura um contador se embrenhou de tal modo na sua narração que não percebeu que o grupo perdeu o interesse e começou em vez disso a fazer lutas de galos ou a caçar texugos, então qualquer dos seus companheiros poderá interromper num momento oportuno dizendo: <Isso me lembra a história contada pelo Barão N… (nomeando o jogador sentado à direita do presente contador) no qual ele..> e nomeia uma aventura. Com isso, ele deve avançar uma moeda. Se os demais integrantes do grupo concordarem, devem também avançar uma moeda cada um, e se mais da metade dos presentes concordarem que o manto de contador deve passar ao seguinte, então o Barão N— começará o relato de uma nova aventura. O contador anterior, abatido pela vergonha e pela desonra, poderá somar o dinheiro reunido à sua bolsa como uma recompensa. Se menos da metade do grupo apoiar com moedas a causa, então esse montante será entregue ao criado para comprar mais vinho.”

DETERMINANDO O VENCEDOR

Quando todos terminaram as suas histórias, deverá haver um momento de pausa. Reclinai-vos nas vossas cadeiras e permiti que o criado ou criada que está a servir o vinho volte a encher o vosso copo. Pensai nas histórias que ouvistes e decidi qual delas é a melhor. Se fordes do tipo erudito podereis querer debater esta questão com os vossos companheiros, fazendo referência à Arte Poética de Aristóteles e aos recentes trabalhos críticos do poeta Dryden. Ou se não, tudo bem. Não tem importância.”

Quando todos os jogadores tiverem falado, votado e distribuído o seu galardão (e devo de novo relembrar aos mais lentos, populares e plebeus dentre os meus leitores que um nobre nem consideraria a idéia de votar em si próprio), então cada jogador deve contar o número de moedas votadas para si e para a sua história. (Em voz baixa, naturalmente, não há nada que fique tão mal a um nobre como saber apenas contar alto; e se os vossos conhecimentos numéricos não passam do 5, então deveis desde já desistir de quaisquer intenções de jogar este jogo, e descobri para vós um passatempo mais de acordo com a vossa natureza como cultivar nabos, trabalhar como isca para ursos ou declarar guerra aos turcos.)

TERMINANDO O JOGO

O jogador com o maior galardão é declarado o vencedor do jogo. Todos gritam um sonoro <Viva!> e manda-se vir mais vinho para se beber à saúde do vencedor. É da etiqueta que o vencedor deverá pagar este vinho, e é também de praxe que o dinheiro acumulado como galardão não deve ser – ou melhor, nunca é – suficiente para cobrir o seu custo. Mas isso não é problema. Somos nobres e coisas mesquinhas como o pagamento justo e o dinheiro são consideradas por nós como sendo de menor importância.”

Se jogardes estrategicamente, de modo a obterdes mais moedas, posso assegurar-vos que perdereis o jogo; parcialmente porque o vosso dinheiro deve ser dado a outro, e parcialmente porque tereis criado tal inimizade por parte dos restantes que nenhum votará em vós. Contudo, esta tática dar-vos-á a honra de decidir quem ganha o jogo.”

Sem moedas não podereis interromper um camarada, contestar interrupções à vossa história ou votar pelo vencedor. E como um nobre não pede nem rouba, já que não tendes fundos, o melhor é aumentá-los contando uma bela história que estimule muitas interrupções por parte dos vossos companheiros, e que saibais desviá-las com a destreza da vossa língua.”

Na rodada final do jogo, se os vossos companheiros admitiram mulheres ao jogo, NÃO RECOMENDO que voteis na VOSSA AMADA, ou no membro do grupo que esteja INTERESSADO EM VÓS. Segundo a minha experiência, isso raramente leva ao sucesso, e os vossos companheiros notarão, fazendo troça do vosso nobre gesto durante semanas.”

CENÁRIO HISTÓRICO

Estamos obviamente no século XVIII, pois decerto não houve melhor época para se viver. Mais precisamente, encontramo-nos no ano da graça de 17–. A Renascença findou, o poder da Igreja está em decadência e finalmente a Europa é um local civilizado. Os turcos estão em Constantinopla e, na verdade, por todo o lado, os franceses estão de novo a gerar conflitos. A Suécia está em declínio, os russos vão invadindo a Criméia a intervalos regulares, o rei da Inglaterra é alemão e louco – duas excelentes condições para governar essa ilha – e algures, do outro lado do Oceano Atlântico, alguns colonos começam a superestimar a sua real importância.

A maravilha desta época é, sem sombra de dúvida, o maravilhoso balão voador dos irmãos Montgolfier, que pode transportar pessoas e animais alto no ar em perfeita segurança (…) Creio que os irmãos criaram essa sua invenção apenas como um modo de deixarem a França.”

Agora que as Austrálias foram descobertas, está a ser-lhes dado um nobre uso como depósito de todos os indesejáveis da Europa. Um jovem indivíduo inglês chamado Watt criou uma chaleira gigante que pode dar potência a uma fábrica – dando chá quente em quantidade suficiente para contento de todos os trabalhadores. Incrível!”

Os elementos das classes mais baixas que crêem que o dinheiro é um substituto aceitável para os títulos nobiliárquicos foram rápidos em aceitar essas inovações, e estão febrilmente ocupados em construir fábricas e empregar mulheres de nome Jenny para lhes tecer algodão.”

Confesso que nada disto percebo nem entendo, mas parece que a Inglaterra está criando uma espécie de império – baseado, vejam só, em comércio, dinheiro e tubérculos. Que deus nos ajude…”

a chama da aventura na alma do Homem tem sido recentemente acalmada por coisas grosseiras como ir ao teatro, ler novelas e jogar uíste.”

eu não sou um homem extraordinário, meramente vivi em tempos extraordinários”

Não está, lamento dizer-vos, dentro das vossas capacidades fazer amor com a imperatriz da Rússia, pela razão de que a sua honra está sob a minha proteção e, se vos apanho perto dela, dar-vos-ei uma surra tal que magoará de tal forma os vossos pés e o vosso traseiro que não sereis capaz de estar de pé ou de vos sentardes, e sereis forçados a passar um mês no ar, girando como um pião, a algumas polegadas acima do chão. Considerai isso um aviso.”

Como, Barão, conseguistes passar por nativo entre o pequeno povo de Liluput.”

E como, e por quê, sois conhecido na França como o Quinto Mosqueteiro?”

Como provastes à Royal Society que o mundo não é redondo?”

Como é que Platão menciona um diálogo que teve convosco no seu livro A República escrito há 2 mil anos?”

Como foi que fostes vós e não Francis Bacon quem escreveu as peças de Shakespeare?”

O que fizestes para que o ano de 1752 tenha perdido os dias entre 3 e 14 de setembro?”

O vosso envolvimento no esquema da Royal Society para extrair luz solar de pepinos.”

Por que fostes aprisionado na mesma cela do Homem da Máscara de Ferro, o que se passou entre vós, e como escapastes?”

Como vos deitaste com o fantasma de Ana Bolena.”

As três noites que passastes no castelo do conde da Transilvânia.”

Como salvastes a raça dos Houhynhymns da sua vida de escravidão sob o jugo dos seus cruéis donos.”

Como escrevestes o Réquiem de Mozart?”

Como provastes que o monstro do Loch Ness não existe?”

Com que provas acreditais que o Homem e o macaco são primos?”

Como foi que servistes Gustave Doré ao ponto num jantar e no dia seguinte ele fez uma ilustração vossa?

R.I.P. Munchhausen 17—1797!

THE AUTOBIOGRAPHY OF FBI SPECIAL AGENT DALE COOPER (My Life, My Tapes), As heard by Scott Frost

O tanoeiro do vale. O estrabismo entre dois picos. Invisível e na frente de nossos narizes o tempo todo…

December 25, 9 P.M.

Believe the extension cord has some severe limitations. One, I cannot travel more than 75 ft. from the house, which will limit my investigations. Two, it draws attention to itself in a way that can be dangerous. I think a battery pack of some kind is the solution, and tomorrow will visit Simms’ Hardware to find the answer. Dad said that words are tools, and that tools should be taken care of or else you won’t drive a straight nail. Dad says a lot of things I don’t understand.

This is the end of Christmas Day. My presents this year were the following: underwear, socks, corduroy pants, insect field guide, five dollars from my grandmother, and a Norelco B2000 tape recorder, which is not a toy. Signing off, this is Dale Cooper.”

According to Mr. Simms, each battery will last 3 hours. I bought 3 with the money my grandmother sent, which she thinks I am putting aside for college.”

December 27, 3 A.M.

Mom just left my room because I had an asthma attack. When I can’t breathe I sometimes just lie there and think that I’m dead and float away as she is rubbing my chest with VapoRub. I might not be able to go outside tomorrow if it’s cold because of my lungs.”

She said that she was alone on a field when thousands of birds filled the sky, blocking out all of the light. That’s when she always wakes up. Mom says we can see things in our dreams that we can’t see when we’re awake. I asked her what she thought the dream meant but she just smiled and said it was nothing . . . I’m glad I have the recorder and someone I can always talk to.

I have never seen a dead person. I think I would like to, but not right now because I want to close my eyes and not think about being dead.”

January 1, 1968, 10 A.M.

Bradley Schlurman’s Stingray was stolen by members of the 24th Street gang yesterday. Two clues point to them. One, Bradley saw them as they knocked him off his bike. Two, they said this bike now belongs to the 24th Street gang. The police have been called but so far they have come up empty. I have decided to take the case myself with the aid of my tape recorder. If I can follow them and get one of them on tape talking about the bike, I believe I will crack the case. I have not told Bradley this because he has locked himself in his room and will not come out.”

The 24th Street gang stole my tape recorder. My plan was working just as I had hoped. I followed the suspect for a block but was unable to get a confession on tape. I then attempted to fool the gangsters into believing that I would like to join the gang. It was at that point that they noticed the potatoes in my pack and began taking them. When they saw my tape recorder, they grabbed that and threw the potatoes at me as I ran for cover. For two days it was in the hands of the gang. And today was recovered by police when they arrested them for stealing a car outside the Band Box Theater. I have decided that if I am going to ever fight crime again, I must be better prepared. The recorder is undamaged. Dad has checked it and says that it is A-okay. He also said that he was very proud of me fighting against the gang, but that I should use better disguises than potatoes. I also discovered that you cannot record through a glove. There is still no sign of Bradley’s bike.”

Dear Mr. Zimbalist,

Like your show very much, also like Hawaii Five-O and The Wild, Wild West. Because I sunburn very easily, I don’t think being a policeman in Hawaii would be a very good idea for me.”

Noticed this morning that my pee smells like the asparagus we had for dinner. Wonder why this does not happen when I eat a hamburger. Also this morning Mom was very quiet around the breakfast table. I think she had another dream about the birds in the sky. This dream seems to frighten her and I do not know why.”

At exactly 7:05 P.M. today I became a member of the Boy Scouts of America and immediately began my studies for my first merit badge. I expect with hard work I can attain the level of Eagle Scout in two years, far ahead of the average time required for most Scouts.”

I had not been in a girl’s room before, and did not stay long when Marie asked if I knew about breastfeeding. I do not understand why Marie seems interested in me except that she is bigger and stronger and can probably beat me in a wrestling match so is not afraid of me.”

I read in a science book that electricity is what keeps us alive. I do not understand where it comes from and where it goes when we are dead. Dad said that was the big question, and that he did not know the answer. Neither do I.”

Have just finished reading about Sherlock Holmes in The Hound of the Baskervilles. I believe Mr. Holmes is the smartest detective who has ever lived, and would very much like to live a life like he did. It is the Friends School belief that the best thing one can do in life is to do good rather than do well. I believe that in Mr. Holmes I see a way to accomplish this.”

April 4, 8 P.M.

Martin Luther King was assassinated today in Memphis, Tennessee. He was shot in the neck while standing on the balcony of a motel. I was in the car with Dad when the news came over the radio. He said shit. The first time I have ever heard him say that word. We then drove home and watched the news on the TV with Mom. There are riots in many places. I believe that the FBI must be on the trail of the man who killed him, and that they will catch him. I wish I was older. And that I knew more than I do.”

April 19, 4 P.M.

Turned fourteen today. Mom and Dad gave me a Timex watch. submerged it in bathtub for 15 minutes and it still ticks.”

June 6, 3:30 A.M.

Dad woke me up, telling me Bobby Kennedy had been shot in Los Angeles. Dad is still downstairs sitting in front of the television, waiting to hear if Bobby is alive. On the radio they played a tape of the shooting recorded by a reporter. You can hear the pop of the gunshots, then people yelling, <Get the gun, get the gun.>

She then kissed me on the lips, moving her tongue around inside my mouth in what I think was a clockwise motion. Then her eyes filled with tears and she turned and ran down the block out of sight.”

Dear Mr. Hoover,

Have made a decision today to become an FBI agent at earliest possible date. I am presently 14 years old, and on road to becoming Eagle Scout by 15. Have never broken any laws, though if you look into my records you will discover that I was recently caught audio-taping a girls’ sex education class while hidden in a heating vent. Do not feel this should be held against me, for my intent was purely scientific, and not for personal gain. Would like very much to come and meet you and discuss any experiences you may have had with audio tapes yourself.

Yours truly,

Dale Cooper”

Had a dream in the middle of the night that frightened me a great deal. A man who I have never seen was trying to break into my room. He kept calling my name and said that he wanted me. He then screamed, and after a moment it turned into a kind of roar as if he were some kind of animal. I told Mom about it and she said that she knew about <him>, and that she has the same dream, and that I must never let the man into my room. I don’t understand what it means. My chest hurts a great deal. I think I will go to sleep now. I am very tired.”

February 28, 7 A.M.

Have noticed that with great frequency I am waking up with an erection. Understand this to be part of the dream process in all mammals. Find it interesting that there is a part of the body that I seem to have no control over, which can be embarrassing when it happens at school. I have discovered, though, that by thinking very intently about Disneyland, I can suppress an erection with some success.”

It is interesting that Marie is the only girl I have ever seen naked and I can remember almost nothing of it. Our families are going to get together and watch the landing and moon walk.”

Marie smiled. I didn’t understand it until I saw men walking on the moon, but I believe God has a plan for everyone, and we are part of it. Do you understand, Dale?

I said that I thought I did.

Are you sure, Dale?

I said I was.

So am I, said Marie.

She then picked up my hand in hers and hit the nail on the head. Pray with me, Dale.

There are moments in a person’s life that you dream about and hope for. This turned out not to be one of those moments. For 2 hours we lay there together holding hands. Marie’s eyes closed in prayer. Mine opened in bewilderment.”

Wonder if I’m condemned to forever be a virgin. This situation must take full priority right behind achieving Eagle status.”

I do not know why I shot the bird. At the moment I squeezed the trigger it seemed that the only two things in the world were the crow and myself. And now there is just me.”

Have traveled 6 miles on foot so far, 170 to go. Have had no experiences to speak of yet. Believe it is about to rain.”

Am at the Post and Beam restaurant on Route 487. Cannot describe the taste of warm cherry pie to a wet and weary traveler. Have also had my very first cup of coffee, and my second. My feet seem to tingle [formigar] and are very agitated. I feel like running very fast while screaming like an Indian.”

Star is outside asleep on a rock. Was going to tell April that I am a virgin and that any help in this matter would be greatly appreciated, but before I could she took off all her clothes and went outside to chase fireflies. I attempted to follow but stepped on a stick and cut my foot several steps from the tepee [tenda]. Could do nothing but watch as her naked body ran off into the field, chasing bugs. Lost sight of her as she caught her first fly. Have dressed and cleaned the foot wound. Expect full recovery. Do not know when or if April will return. Have found a bottle of raspberry [framboesa] brandy in the van and have filled my camp cup.”

DALE: Speak right into there.

ALLEN: The sun is dying. I travel all over this state and not one person realizes that the sun is dying and that time as we know it is coming to an end, everything we do is of no importance, and not one person seems to want to do a goddamn thing about it. Art, books, television, religion – none of it matters. What we need to start doing is planning to live without our bodies once the sun craps out on us. But no one wants to talk about it. I’ve got a plan, but no one wants to listen. They would rather just walk around and pretend the sun is going to come up tomorrow just like it did today. And where do you think all those people are going to be when Mr. Sun doesn’t come up? In trouble, that’s where they are going to be, but not me. Not Allen K. Boyle. I got a plan. . . .”

Mom had another dream last night. She said that he almost got in the door. Dad has been very busy printing maps of the moon. I asked him about the dreams and he said it was something I probably understood better than he did. I don’t, and am worried.”

The doctors said it was a brain aneurysm. They operated to relieve the pressure and now we are just waiting to find out what happens.

Dad said that she had gotten up about 11:30 to get a glass of water and take an aspirin. He asked her if she was feeling all right and she said, <Oh, you know.>. She didn’t say anything else, just that. <Oh, you know.> I don’t understand, and I hate hospitals.”

An aneurysm is a permanent abnormal blood-filled dilatation of a blood vessel resulting from disease of the vessel wall. It isn’t that bad.”

Dad is going to have her cremated. I never finished my civics paper. Marie came over. Started to tell me something about Mom being with God and I told her if she said one more word I’d knock her goddamn teeth out.”

I wish my brother Emmet could come, but if he crosses the border he will be arrested. Dad talked to Emmet on the phone and told him he understood why he couldn’t come back. I wish I understood. Bradley said Emmet was a coward and that was why he was in Canada. I smacked Bradley”

Mom is on her way to the ocean. Small grayish pebbles [seixos]. We each took a handful and tossed them into the water. They sank and then the current started to take them along, bouncing across the bottom. Saw a small perch eat one and then spit it out. A crayfish [lagostim] picked up another one in its claw and walked away with it into the deep water.”

Mom has been gone for over 3 months now. Don’t know what Dad would have done without the moon map business. He talks of little else but the moon now. Spends each night before going to bed on the roof with a telescope looking into the sky, drawing pictures of craters.”

Our first assignment is to write a sonnet. I told her that I have never liked or understood poetry. She said that she would do her best to change that, then she walked away.”

She then read a D. H. Lawrence poem, Gloire de Dijon, to the class, and kept her eyes on me the whole time. Unfortunately, I only remember the last few lines:

…She stoops to the sponge, and her swung breasts

Sway like full-blown yellow

Gloire de Dijon roses. … [bonita flor]

Had an erection throughout Mr. Hord’s early American history class.”

Have finished my first poem. Am seeking a balance between the erotic and the sublime.

Alone in a tepee full of breasts

hovering above him like angels

He dreams of fireflies and pyramids

and stars sleeping on rocks.”

April suggested that poetry may not be my field of expertise.”

Am beginning to believe that she is only interested in sleeping with dead poets.”

Just awoke from a dream where I was visited by Mom. She was not the same as I remember her. She seemed to be younger, barely a woman. Her face was smooth and pale, her hair was long and fell onto her shoulders. She was trying to tell me something, but I was not able to hear her.

I woke to find myself clutching a small gold ring in my hand. I do not know where it came from, and am sure it was not there when I went to sleep.”

The ring is now locked in the drawer of my desk. Mom is dead, and it was only a dream. I will not believe this.”

The ring fits on my small finger as if it was made for it. However, it will remain in the desk until I remember where it came from.”

Found an old photograph in an album of Mom when she was a teenager. On her finger was the ring I found in my hand the other night. I asked Dad about it and he said that when they were first dating he remembers Mom wearing it. That it had been her father’s and that her mother had given it to her when he died.”

Have drunk 7 cups of coffee. Feel somewhat sick to my stomach. Am trying very hard not to think about raspberry brandy.

Started to yawn one time after another. Drank 3 more cups of coffee to perk me up. Feel like my feet want to crawl out of my ears.”

Was up to 207 when April leaned out of the window and asked what I was doing. I said that I was counting cracks in the sidewalk. She asked why. I said that I was not sure, that I was not sure of anything anymore. (…) I told her that I thought there were more than 207 cracks in her sidewalk, but that was as far as I’d gotten, but if she wanted a complete count, I would be glad to finish. She said thanks, but that it was not necessary.”

I told April how Mrs. Laudner had tripped on a crack in the sidewalk in front of her house, smashing her nose flat against her cheek, and now always looks like she’s walking sideways. A few minutes later I left after Mr. Hord talked about how George Washington’s wooden teeth disappeared after his death and then mysteriously were found 30 years later under his bed by a maid looking for loose change.”

There are those within the scouting world who say that the skill of tracking has outlived its time. I disagree. The ability to follow a trail is fundamental to understanding the world.”

Marie rose up out of the grass, unhooked her bra, and slid it down off her arms. Although I do not actually remember doing it, at that time I apparently removed my clothes. We then stood inches apart, her breasts touching my chest.

Do you believe in God?, asked Mary.

I said I most certainly did. She smiled, kissed my chest, then slid her tongue all the way down to my penis and took it into her mouth.

The explosion that followed was unlike any I have ever experienced before. The rocket landed within 30 yards and exploded with a concussion that knocked me over. Then smaller clusters began exploding and streaming into the air. I believe at that point Mary stopped sucking and began screaming.”

Few forces in nature are as frightening as fire. Particularly when one is naked. The battle that followed lasted for almost an hour. What is left of my pants could hardly make a handkerchief. The hope that Marie had run off to get help was a false one. With only my clothes as weapons, the fire and I fought a running battle up and down the clearing from one hot spot to another. I lost my shirt to a small spruce, Marie’s to a blueberry bush, and most of my pants to a large clump of grass. Believe Marie’s socks and bra were also victims because I was not able to locate them after the flames were out.”

I lied last night. I do not believe in God, at least one who isn’t actively working against me.”

Received news today that Marie drowned this morning at Promised Land Lake. She apparently hit her head while diving off the swimming platform. She was alone at the time, so there was no one there to know she was in trouble. When they found her it was too late.”

What is good either dies or is killed.”

Thanks for saving my sneakers was the last thing I will ever hear her say.

Sure thing, I said back to her.”

Don’t forget your civics homework.”

Talked with Dad for much of the night. Both agreed that change is needed, or I will lose my marbles. Dad always seems to find the right words. Told him that I feel very guilty because I was not in love with Marie and that she might be alive if I had been.”

Have decided not to take along the tape recorder, it would not be practical, and I do not feel the need of its companionship, if that is what it has provided for the last several years. Will stop on the way out of town at Marie’s grave to leave a note and the small glass pyramid April gave me. Have also made some calculations. Expect that by the time I cross my first ocean, the lightest of Mom’s ashes will be drifting out to sea.”

The following letters are the only clues as to his whereabouts for those 3 years.”

(Three very brief and superficial letters.)

April 19, 1973, 9 P.M.

(…) Will make no attempt to record the events of the last 3 years, other than to say the whole universe is one bright pearl, and there is no need to understand it.”

Awnings seem to be declining in popularity. Trust and elm trees are disappearing. And J. Edgar Hoover is dead. Do not know whether any or all of these events are related.”

I must admit that my experience of the past several years does not lend itself to the belief that good can or will defeat evil. This is not a pessimistic view, but simply an observation of facts as I have experienced them.”

Have gotten a job digging holes for trees to be planted in. Could not be happier.”

The firemen were just mopping up. Jim’s room and several of the surrounding ones were gone. The firemen said the place went up like a torch. There was little they could do but stop it from spreading to the entire building. Jim’s body was not found in the room, and no one saw him leave the building. The firemen suspect that the heat was so intense from all the paper that only a forensic examination of the room will turn up any remains.

I do not believe they will find any. As I stood watching the firemen wrap up their hoses, the shadow of a man became faintly visible for an instant in an alley across the street. I then detected what I thought to be the muffled sound of a crying. I moved through the crows toward the alley and soon realized as I drew closer and closer that it was not crying at all, but laughter. When I reached the alley it was empty. I called out, searched up and down to no avail. All that was there was a freshly sharpened pencil where the laughter had come from. A message, I suspect.”

The owner of the circus pointed out that anyone who would write a letter seeking employment from a circus was probably not the kind of person they were looking for. He also said that he was plumb full of knife throwers already and was only looking for a bearded lady at the moment.”

Dad went on at some length that Lincoln would not have wanted to be remembered as a large piece of granite hanging on the side of a mountain with rain dripping off his nose.”

Dad gave me a new tape recorder that is the size of a notebook and used cassettes of tape rather than reels. He told me to work hard and not believe a damn thing anyone tells me.”

While I have experienced a number of mind-altering fungi and natural fauna used by what we refer to as primitive cultures, never have I witnessed a tribal display of debauchery that could hold a candle to a large group of 18-year-old Americans away from home for the first time.”

I retreated to the relative quiet of my room and read the writing of a monk who lived alone on a mountaintop for 37 years in search of a deeper understanding of the world. His main conclusion, when he came down, was that you can see very far on top of a mountain unless it is cloudy. Imprisoned for his radical ideas, he died several years later in jail. The only writing from this time period that survived is the line: There are no clouds in a prison.”

I was not prepared for the fact that women as a general rule are wild savages. At least those that are studying philosophy.”

Woke from a dream. I was sitting in a darkened room. There was a door with light coming through a crack. On the outside I could hear voices. One, I thought, was my mother’s. The other was indistinct. I believe it was death. She was attempting to open the door and walk back into the room. The door handle began to turn. I heard her call my name and I realized that it was not my mother but Marie. I heard her say <Please, I’m not ready>, then her voice grew fainter and fainter until it was gone. I wish Marie was at peace, but I do not think she is at this time, and I wonder what it is that she knows that those in the physical world can never understand.”

What I felt at that time I now realize was more than terror or shock. I firmly believe that the killer was within striking distance of myself, and could easily have claimed me as his second victim. This is not intuition. The presence of the killer was as real as the shaking in my hand at this moment. I do not understand the dark forces that result in so much brutality. But I now know that it is a real thing. And is out there at this very moment. I must find someone who can help me to understand and fight this. But who?”

I am back in my rooms. If it is true that dreams are the window into the subconscious, then I fear mine is a troubled place. While judgment is certainly questionable when suffering from a 103-degree fever, I nonetheless find myself believing that it was not merely infection that attacked my body, but somehow the evil that took the life of the young woman and was in striking distance of taking mine.

Does this evil exist in as tangible a form as, say, a germ? Does it float as a feather would on the currents of air that bring life to this world; moving in and out of all our lives, and occasionally taking root on unfortunate souls? If that is true, then the battle that took place within my body was not viral in origin, but a struggle for my very soul.”

I am therefore going to attempt to establish two things. First, the duration for which my body can function effectively without sleep. And second, the minimum amount of sleep required to sustain a high level of operation. Log entries will be made on the hour beginning now.”

The intake of stimulants of any kind would render the exercise useless, so I have decided to forgo coffee for the sake of scientific accuracy. No greater sacrifice has ever been made before in the name of science.”

God spelled backward is dog. Believe the test pattern used in television is similar in its ability to clear the mind to a spinning Tibetan prayer wheel. Last hour completed 50 push-ups in 60 seconds. Aside from slight heaviness in the eyelids, feel tip-top.”

[Mais de 26h acordado] Feel alert, strong, and fit. Am beginning to think that sleep is much overrated.”

I never liked the name Dale. Always wish I had been born an Apache and named Ten Sticks. Why, I do not know.”

Am beginning to think that the controlled chaos that I see around me now in the streets is much more orderly than nature unchained.”

Why is it you can never find a policeman when you need one? I must keep moving.”

Think I may reconsider my major in anthropology.”

It should be noted that the difference between a street celebration and a protest may appear small on the surface. However, when one is approaching a mounted policeman to ask for assistance, I would advise the questioner to be sure of the intentions of the group surrounding him.

As the words <I’ve been robbed> left my mouth, a column of mounted policemen charged toward me without any intention of offering assistance at all.”

As I understand it, Betty has died from her wounds. What was it that she was feeling when she said <I’m free>? Was it the same presence that I sensed when I found the murdered woman? Is there a beast? I do not know, and how does one fight it?” “This may be the greatest puzzle I have and will ever face.”

Have the distinct impression that Howard has plans to chemically alter his mind. Should also note that I believe President Nixon is conspiring in a cover-up and that the path he has taken can lead only to impeachment.”

There are two things I believe my life is beginning to point toward and focus on. The existence of good. And that of evil. These appear to be the two most important fundamental questions affecting daily life. The question, then, is how does one engage these two opposing forces? Evil is something that I seem to have had no trouble at all engaging. Good, and the form it takes, is a more elusive quest.”

The pursuit of good, when combined with raging hormones, is a powerful force indeed.”

Have never before danced naked with a large group of strangers. I, in general, would endorse it as an icebreaker to the shy and reserved of the world. I met several very nice women who wrote their phone numbers on my thigh with a Magic Marker. Though it is strange that I don’t seem to remember what any of them looked like naked. Where was it, I wonder, that I was looking? I seem to remember a breast here, a knee there, a foot, a shoulder, a neck. But none of them seem to add up to one entire body.”

A strange man stands outside of my building, looking up at my window. He appears to be painted blue. Am not sure what it is that he wants.”

For some reason, the management of the casinos has asked me not to come back to their tables ever again. They seem to be under the impression that the technique of card counting is a form of cheating and were in no mood to accept my argument that it was a simple form of mathematics.”

Woke in the middle of the night with a terrible sense of loss. Am not sure, but I wonder if it could be connected to the fact that my old bedroom at my father’s house has been turned into a pottery studio by Charlotte.”

Not even a large piece of pie and a cup of coffee down at the Lunch Pal restaurant could lift this fog. Studies seem of little use. Need a change.”

The tapes for the next 9 months were destroyed in a fire that started when an electric blanket ignited.” – 1975

Will miss very much the tape Howard and his girlfriend made of themselves making love as Nixon gave his resignation speech. It is a moment in history that I would have liked to have in my collection.”

Am attempting to discover how long an individual can function normally without urinating while consuming a normal amount of liquid. Will now drink 6 ounces of hot coffee.”

5 horas e algumas xícaras de café depois: “Seem to have reached a plateau.” Resistiu mais 5h08. “Urination lasted a full 2 minutes. Can safely say that they were the 2 most satisfying minutes I have ever spent in my short life. If it were not for the pain inflicted on oneself to reach the 10-hour mark, I would highly recommend it as a substitute for sex.”

The precise cause and nature of the fire that erupted in the garage at that exact moment is still under investigation by the fire marshal.”

It is difficult to describe the feeling that comes over an individual when he discovers that his girlfriend is an arsonist. While I admit to having had some suspicions at the time of the blaze, one is never quite prepared for meeting this kind of truth head-on. I believe it was Holmes who said that truth is often arrived at by 2 roads pointing in very different directions.” Visited Lena today. She seemed cheerful, happy, and for the most part normal. We talked for about 30 minutes about a wide variety of topics. Would have felt much better about the visit if she could have remembered who I was.” “I do not understand what it is about the choices I have made with women but they all seem to have been disasters.”

Three severed fingers were found in the biology building this morning. They appear to belong to a man, probably engaged in manual labor given the hair, calluses, and dirt under the fingernails. Was able to examine them for a number of minutes before the police arrived to handle the investigation.”

As I’m sitting here in my room, I find that a fire has been rekindled in me that was lost over the past several years. Spent over an hour with a special agent at the FBI booth. His name is Windom Earle, a man of uncommon intelligence. After talking with him I now believe I may have been looking to understand evil intellectually as a substitute for confronting it head-on.”

Am going to attempt to look up several of the members of the 24th Street gang that stole my tape recorder when I was 13 as a way of tracking their development. Have located the 1st individual working at a garage not far from their old hangout. Will visit him tomorrow.”

Feel myself totally focused. Find that sex is entering my thoughts only 3 or 4 times a day instead of the normal hourly preoccupation.”

All systems go. Report to the FBI Academy in Quantico, Virginia, the 1st of September [1977]. Will use the intervening time to go into the Poconos to prepare myself in body and spirit.”

Was right about John’s marksmanship abilities. He and the instructor almost outpointed me with the pistol in the standing combat position until I realized the weapon I was using had a defect in the way the bullet rotated in the barrel. Adjustments were made and I completed the round with 6 straight bull’s-eyes.”

There is no more focused mind than the one that has created its own reality. And for that reason, it is the insane criminal who is to be feared more than any other. There is no gray area in madness. It is an absolute form of twisted truth.”

The firing of a machine gun is a sobering experience.”

There is one woman in the class. A person of great drive, beauty, and excellent marksmanship. She, Robin, is to be my partner in a simulated raid during a hostage situation tomorrow.”

Never again can I allow my guard to be lowered because of personal weakness on my part.”

Had a turkey dinner of what I think was gravy, stuffing, mashed potatoes, and a green thing the best minds of the FBI could not identify.”

Disappointed that I was not able to bring anyone to justice on my first day. I have been assigned a secretary. Her name is Diane. Believe her experience will be of great help. She seems an interesting cross between a saint and a cabaret singer.”

Selected tapes throughout Agent Cooper’s FBI career have been subject to censoring for reasons of security.”

Diane, I hope that you will not mind that I address these tapes to you even when it is clear that I am talking to myself. The knowledge that someone of your insight is standing behind me is comforting. The Roe house is quiet now. We wait for the phone call that we know must be coming.”

Diane, please make a note to the procurement division about the coffee they now supply the Bureau with. Until coming to this office I had never met a bean I didn’t like. I can only wonder what hellhole of a government surplus warehouse they unearthed this blend from, and what war it was captured in.”

There are 3 bodies, Diane. All appear to be female between the ages of 16 and 30. The cause of death is as yet undetermined. Whatever could have done this, Diane, I can’t imagine was entirely human.” “The recognition that evil exists as an entity outside our understanding of life is not official policy of the Bureau.” “The file on this case remains active; all tapes pertaining to it have been withheld.”

Windom has invited me to his house tomorrow for dinner and a game of chess.” I have much to learn about the game of chess. Windom beat me in 7 moves. His wife, Caroline, is a remarkable woman. During a private moment together she told me about the first time Windom was forced to use his weapon, and that she hoped I would not let it affect my life the way it did Windom’s. I wonder what she meant.”

I believe I have encountered my first real mystery without a solution. How do they get the little snowflakes inside paperweights?”

Diane, found Windom’s car. He is nowhere to be seen. Am moving into an abandoned building. . . . I have a very bad feeling about this (…) Diane, at the top of the stairs I’ve found Windom’s wallet and ID”

I am standing in the shadows of a crane. Below, half submerged in the river, is the barge. In the faint moonlight two white items are visible in the center. . . . They are hands severed at the wrists like the others. There is a difference, however. One holds a small black square of cardboard, the other a white square, the significance of which I do not know at this time. What kind of game is being played out here, Diane?”

Is my dream connected somehow to this? A legless man telling me I cannot run from It. Corpses without hands. The abyss, and wonderful things.”

La Casa El Corazón. The house of the heart. (sic) Windom and Caroline spent their honeymoon here. A step into the past. From my balcony I look down onto the warm waters of the Caribbean. An old man sits playing chess in the courtyard. Windom told me of an old man who taught him all he knew of the game. If this is the same man, he must be 100 years old if a day.”

Caroline Earle has been kidnapped. According to my estimation, the abduction took place at the same time I found myself falling under the influence of the narcotic. How there could be a connection between events 1,500 miles apart I do not know. (…) Perhaps it is the Tibetan notion that there is no such thing as unrelated events, that everything is connected.”

Caroline smiled tonight, and held my hand. Windom seemed very pleased.”

Caroline woke with a terrible scream. I ran into the room and found Windom standing over her, speaking in soft, gentle tones. She said she saw the face of the man, that he was still coming after her, and that she knew she was going to die. However, she could not identify the man.”

Windom has decided not to remain at the safe house. He feels that his continued presence serves only to impede Caroline’s progress.”

I do not know what I will tell Windom when he arrives here in the morning. Aside from the fact that it would be useless to try, I can and will not lie to him.”

She had seen the face of the man who had taken her”

I have been stabbed . . . unconscious . . . Caroline is dead . . . Caroline is dead . . . Forgive me.”

Cooper made only two recordings over the next 6 months. His whereabouts during this time are not clear.”

February 1, 1980, 12 PM.

(…)

Windom Earle was insane long before the events of that terrible night, and is guilty of the attack on me, and the murder of his wife. I cannot prove this, for he is far too brilliant an opponent, but I am sure of it in my heart.”

Gordon and I both agreed that remaining in Pittsburgh would not be to my benefit or the Bureau’s. Gordon has really gone to bet for me. I will soon find out if the Bureau has the same confidence.”

Diane, pack your bags, we’re going to San Francisco.”

Diane, you won’t believe this, but I’ve just driven through a hole cut in a redwood tree. Never saw a tree like this in the eastern forests. These are the trees that legends are born from. Can’t imagine what a druid would have done if he was faced with this monster.”

The people in the lab have just identified the last remaining piece of evidence found on the last victim. A fiber found under one the toenails. It came from a carpet of a car. The color was blue, possibly from a Ford, though several makes use the same manufacturer.”

For the next 6 years Cooper remained in the counterintelligence division. If any tapes exist for that period of time, the FBI does not acknowledge it. The following <letters> to his father are the only pieces of audio released for these years.”

August 24, 9 A.M., 1987

Diane, I have spent 3 days with the people over at DEA now and I have yet to meet one person in a coat and tie. Also notice that they all seem to wear their body armor even when sitting in the office drinking coffee. They may be just the kind of people who can evaluate a new investigative technique I’m working on based on the writings of a Tibetan monk named Gumm.”

August 26, 10 A.M.

According to the results of my first substantial test of Gumm’s work, Lee Harvey Oswald did not act alone on that fateful day in Dallas, and Jack Ruby [o assassino de Lee Harvey – morreu na prisão enquanto aguardava julgamento] is still alive and living in Peru. . . . This may need some more work yet.”

My counterpart in the DEA is an agent named Dennis Bryson. We leave for San Diego tonight”

I have not been to a dentist in 7 years.”

While I respect and admire the job the DEA does, I do not feel that I quite fit in with the cowboy esprit de corps that is prevalent in their ranks.”

Diane, looks like I’m going to be out of town for a while. There’s been a murder in a town in the southwest part of the state of Washington. The state authorities assume from the condition of the body that kidnapping was involved and have asked the Bureau to look into the case.”

Teresa Banks, no known next of kin, residence unknown, was found lying in a drainage ditch on the outskirts of town. Her naked body was wrapped in clear plastic and secured with duct tape. Appeared to have suffered numerous contusions to and about the head. The local coroner has determined the cause of death to be brain damage caused by a blow to the right temple area that fractured the skull. None of the other blows were severe enough to cause death. She had had sexual relations within the last 12 hours of her life.”

Diane, something appears to have been forced under the nail on the ring finger. It is quite deep. I am going to try to remove it. . . . It appears to have penetrated at least ¾ of the way under the nail. . . . just a little bit deeper. Chief, I think you might feel better if you stepped outside. . . . There, got it.

Diane, what we have is a small square of white paper with the letter T typed on it. (…) Diane, as Gordon thought, everything about this has the feel of a serial killing.”

Teresa Banks worked here for a period of no more than 3 weeks, and lived in one of the cabins that tourists rent down along the river.”

Bureau training does not cover or even acknowledge the existence of forces outside of the physical world. Nothing in Western thinking does.”

Had a very strange dream last night. I was dancing with a tiny little man, and a very beautiful young woman.”

Why do you think Bobby Fisher (sic) turned to God and gave up chess?

Answer: To get to the other side.

(…)

Windom Earle”

wiki: “After forfeiting his title as World Champion, Fischer became reclusive and sometimes erratic, disappearing from both competitive chess and the public eye. In 1992, he reemerged to win an unofficial rematch against Spassky. It was held in Yugoslavia, which was under a United Nations embargo at the time. His participation led to a conflict with the US government, which warned Fischer that his participation in the match would violate an executive order imposing US sanctions on Yugoslavia. The US government ultimately issued a warrant for his arrest. After that, Fischer lived his life as an émigré. In 2004, he was arrested in Japan and held for several months for using a passport that had been revoked by the US government. Eventually, he was granted an Icelandic passport and citizenship by a special act of the Icelandic Althing, allowing him to live in Iceland until his death in 2008.” “He was too good. There was no use in playing him. It wasn’t interesting. I was getting beaten, and it wasn’t clear to me why. It wasn’t like I made this mistake or that mistake. It was like I was being gradually outplayed, from the start. He wasn’t taking any time to think. The most depressing thing about it is that I wasn’t even getting out of the middle game to an endgame. I don’t ever remember an endgame. He honestly believes there is no one for him to play, no one worthy of him. I played him, and I can attest to that.” In a 1984 letter to the editor of the Encyclopaedia Judaica, Fischer demanded that they remove his name from future editions. In an interview in the January 1962 issue of Harper’s, he was quoted as saying, <I read a book lately by Nietzsche and he says religion is just to dull the senses of the people. I agree.> Fischer associated with the Worldwide Church of God in the mid-1960s. The church prescribed Saturday Sabbath, and forbade work (and competitive chess) on Sabbath.”  “<He idolized Hitler and read everything about him that he could lay his hands on. He also championed a brand of anti-semitism that could only be thought up by a mind completely cut off from reality.> Donner took Fischer to a war museum, which <left a great impression, since (Fischer) is not an evil person, and afterwards he was more restrained in his remarks—to me, at least.>” “A notebook written by Fischer contains sentiments such as <12/13/99 It’s time to start randomly killing Jews>. Despite his views, Fischer remained on good terms with Jewish chess players.”

Diane, I’ve never asked you this before, and as a general rule I try never to mix my private and public life, but I would consider it a great honor if you would consider having dinner with me. If this in any way crosses over a line that we have long ago set for our relationship, I will understand. If not, how does 8 o’clock sound?” “It occurred to me last night while in the middle of a very fine duck that I do not know Diane’s last name.”

I’m a time traveler, slipping in and out like an archaeologist, hoping I will find clues to forgotten secrets, or guideposts to future destinations. I find neither. You can no more hold the past in your hand than you can see tomorrow.”

I don’t think I’ve ever told you this, Diane, but in 1970 my father discovered a new crater on the moon [verified – Cooper crater exists!]. It’s called Cooper’s Crater, and you can just see it on the edge of the dark side’s shadow.”

In a nutshell, Diane, I am bored, and have not found a way to combat this malaise. Holmes used cocaine, an alternative I find unacceptable. What I need, what any detective needs, is a good case. Something to test oneself to the absolute limit. To walk to the edge of the fire and risk it all. (…) Is there any great cases anymore? (…) a John Dillinger, a Professor Moriarty? If I was to say that in my heart I hoped there was, then I should hang up my badge and gun and retire.”

February 24, 6 A.M.

There’s been a body found in Washington state, Diane. A young woman, wrapped in plastic. I’m headed for a little town called Twin Peaks.”

LECTURES EN TRADUCTOLOGIE – Evaine Le Calvé Ivičević (Org.), 2015. –OU: UM MERGULHO AERODINÂMICO NA LINGÜÍSTICA–

DA POSSIBILIDADE DA TRADUÇÃO

Trechos de Mounin, Les problèmes théoriques de la traduction

« Cette notion de langue-répertoire, ajoute Martinet, se fonde sur l’idée simpliste que le monde tout entier s’ordonne, antérieurement à la vision qu’en ont les hommes, en catégories d’objets parfaitement distinctes, chacune recevant nécessairement une désignation dans chaque langue »

« à Paris, il ne savait pas nommer chaque céréale par son nom; parce qu’il n’était pas en situation d’avoir besoin de la nommer. (Son système risque encore de lui faire nommer blé un champ de riz jeune en Camargue, ou de jeune maïs en Dordogne ou de sorgho dans le Vaucluse.) Maintenant, son pouvoir de nomination différentielle des céréales correspond à sa pratique sociale de petit citadin en vacances au nord de Lyon, capable de nommer ce qu’il voit. Mais le même système des céréales, ou des herbes, est susceptible, selon le même processus, de se compliquer encore, pour des gens – ce petit garçon devenant ingénieur agronome, ou vendeur de semences – dont la pratique sociale est liée à une détermination différentielle plus poussée du même champ de réalité à nommer. De ce filet à une seule maille du petit citadin qui débarque à la campagne, ils feront un filet à dizaines de mailles, de formes et de tailles différentes, qui couvrira la même surface sémantique; c’est-à-dire qui désignera la même quantité de réalité dans le monde extérieur, mais connue, c’est-à-dire organisée, ou qualifiée autrement, – ordonnée de plus en plus, selon des différenciations de plus en plus poussées. Saussure a pleinement raison quand il définit la valeur d’un terme comme étant ce que tous les autres termes (du système) ne sont pas. Là où le petit citadin dit: de l’herbe, le producteur distingue et nomme 53 variétés de 23 espèces (…), par le processus génétique qui vient d’être analysé: système dont tous les termes se tiennent, car si le spécialiste ne sait pas distinguer les 7 variétés de flouves, par exemple, 6 mailles sautent dans son système à 53 mailles, mais la maille unique restante couvre la même surface sémantique que les 7 noms de flouve qui seraient possibles. »

« Notion traditionnelle qui remontait peut-être à la Bible, décrivant la nomination des choses comme une attribution de noms propres: ‘Et Dieu nomma la lumière Jour, et les ténèbres, Nuit […]. Et Dieu nomma l’étendue, Cieux […] Et Dieu nomma le sec, Terre; il nomma l’amas des eaux, Mers’ (Genèse, I, 5-8-10). ‘Or l’Éternel Dieu avait formé de la terre toutes les bêtes des champs, et tous les oiseaux des cieux: puis il les avait fait venir vers Adam, afin qu’il vît comment il les nommerait: et que le nom qu’Adam donnerait à tout animal vivant fût son nom. Et Adam donna les noms à tous les animaux domestiques, et aux oiseaux des cieux, et à toutes les bêtes des champs…’ (Genèse, II, 19-20). A ce propos, quelle que soit l’intention finale de Platon dans le Cratyle, il faut aussi souligner la place énorme, dans ce dialogue, des exemples tirés des noms propres (49 exemples sur 139, plus du tiers) pour exposer une théorie des noms communs, c’est-à-dire de la nomination des choses en général; et plus important que le nombre d’exemples, le fait que Platon parte du nom propre, base tout son exposé sur le nom propre, passe indifféremment du nom propre au nom commun, comme si ces deux operations de nomination pouvaient être assimilées. La Bible et le Cratyle, qui tiennent une grande place dans l’origine de notre notion traditionnelle de langue-répertoire, illustrent aussi le processus mental archaïque par lequel l’assignation des noms aux choses (et des sens aux mots), se voyait conçue comme un baptême et comme un recensement. »

« Voulant donc éviter toute définition mentaliste de la notion de sens, il a recours à la définition behaviouriste: le sens d’un énoncé linguistique est <la situation dans laquelle le locuteur émet cet énoncé, ainsi que le comportement-réponse que cet énoncé tire de l’auditeur> (Bloomfield, Language, p. 139). » « La définition de Bloomfield se trouve matérialisée dans le fait que nous pouvons lire certaines langues mortes sans pouvoir les traduire parce que toutes les situations qui pouvaient nous donner le sens de ces langues ont disparu avec les peuples qui les parlaient. Mais sa définition, de l’aveu de Bloomfield lui-même, amène à dire que la saisie du sens des énoncés linguistiques est scientifiquement impossible, puisqu’elle équivaut, reconnaît-il, à postuler <guère moins que l’omniscience> » « La théorie bloomfieldienne en matière de sens impliquerait donc une négation, soit de la légitimité théorique, soit de la possibilité pratique, de toute traduction. Le sens d’un énoncé restant inaccessible, on ne pourrait jamais être certain d’avoir fait passer ce sens d’une langue dans une autre. »

« Il existe un véritable postulat de Bloomfield (jamais assez mis en relief au cours des discussions) qui justifie la possibilité de la science linguistique en dépit de la critique bloomfieldienne de la notion de sens, postulat qu’on doit toujours remettre au centre de la doctrine bloomfieldienne après l’avoir critiquée: <Comme nous n’avons pas de moyens de définir la plupart des significations, ni de démontrer leur constance, nous devons adopter comme un postulat de toute étude linguistique, ce caractère de spécificité et de stabilité de chaque forme linguistique, exactement comme nous les postulons dans nos rapports quotidiens avec les autres hommes. Nous pouvons formuler ce postulat comme l’hypothèse fondamentale de la linguistique, sous cette forme: Dans certaines communautés (communautés de langue), il y a des énoncés linguistiques qui sont les mêmes quant à la forme et quant au sens> (Bloomfield, ouvr. cit. p. 144). »

« Jusqu’à ce jour, 40 ans après l’enseignement de Saussure, les linguistes n’ont pas encore réussi à découvrir une méthode qui permettrait de délimiter les monèmes sans tenir compte du signifié » (Frei, Critères de délimitation, p. 136)

« L’analyse distributionnelle, ainsi réduite à sa dimension théorique correcte, apparaît comme une formulation trop extrême de la vieille méthode combinatoire, proposée, dès le XVIIIème siècle, par l’abbé Passeri et employée pour accéder aux langues non déchiffrées. C’est sur des cas comme l’étrusque qu’on pourrait vérifier si cette théorie fonctionne, car toutes les fois qu’on l’applique à des langues dont le linguiste connaît les significations par ailleurs, il est établi qu’il ne peut pas se comporter comme s’il ignorait ces significations. L’analyse distributionnelle appliquée au corpus connu de textes étrusques, permettrait de vérifier si, en conclusion, nous nous retrouverions ou non devant un formulaire impeccable de combinaisons, mais dont nous ne saurions toujours pas à quoi appliquer les formules – ou devant une description de l’étrusque qui soit utilisable (à la lettre, il faut imaginer un volume rempli de signes et de calculs algébriques, dont nous restituerions toute la logique, mais dont nous ne posséderions pas les valeurs, de sorte qu’il serait impossible de deviner si elles concernent le cubage du bois, la résistance du ciment vibré, le débit des liquides dans des conduites, etc… sauf si nous avions, d’autre part, des notions en ces matières). »

« Pour Hjelmslev, le langage offre à notre observation deux substances; 1) la substance de l’expression, généralement considérée comme physique, matérielle, analysable en sons par la physique et la physiologie, mais étudiée par Hjelmslev uniquement dans sa valeur abstraite: les relations entre les différences élémentaires qui font que ces sons deviennent utilisés comme éléments de signaux (nous n’en parlerons plus ici); 2) la substance sémantique, ou substance du sens, ou substance du contenu. »

É IMPRESSÃO MINHA OU A INGENUIDADE DOS LINGÜISTAS AINDA OS SITUA ANTES DE KANT? “«la substance (du contenu, du sens), étant par elle-même, avant d’être ‘formée’, une masse amorphe, échappe à toute analyse, et, par là, à toute connaissance». (Il n’envisage même pas la possibilité, théoriquement concédée par Bloomfield, d’une connaissance du sens par référence à la situation correspondante.)”

« L’étude linguistique de l’expression ne sera donc pas une phonétique, ou étude des sons, et l’étude du contenu ne sera pas une sémantique, ou étude des sens. La science linguistique sera une sorte d’algèbre… (Martinet, Au sujet des fondements, p. 31) conclut-il [Hjelmslev], en ce sens qu’elle étudiera uniquement les formes, vides, des relations des éléments linguistiques entre eux. »

SUNS A’XÉDOLLS

sons sens

sans sons

nonsens

sins&pins

sinsao

k b Ludotec4

« L’analyse hjelmslévienne, elle non plus, ne détruit donc pas la notion de signification en linguistique. Pour des raisons de méthode, elle écarte tout recours au sens comme substance du contenu, elle veut éviter le cercle vicieux qui consiste à fonder l’analyse des structures (phonétiques, morphologiques, lexicales, syntaxiques) d’une langue en s’appuyant implicitement sur le postulat qu’on connaît (sens exact des énoncés linguistiques qu’on analyse) – pour ensuite établir la connaissance du sens de ces mêmes énoncés d’après l’emploi des structures qu’on en aura tirées. Hjelmslev comme Saussure, comme Bloomfield et comme Harris, essaie de mettre la connaissance du sens au-delà du point d’arrivée de la linguistique descriptive, au lieu de la mettre (sans le dire) au point de départ. Tous quatre ne visent qu’à fournir des méthodes plus scientifiques pour approcher finalement le sens. En attendant que ces méthodes plus scientifiques soient définitivement construites, acceptées, prouvées – puis qu’elles aient permis d’analyser scientifiquement la substance du contenu – Hjelmslev écrit des livres et des articles dont chaque phrase, comme celles de Saussure, de Bloomfield et de Harris, est empiriquement fondée sur le postulat fondamental de Bloomfield lui-même: l’existence d’une signification relativement spécifique et relativement stable (dans certaines limites chaque jour mieux connues), pour chaque énoncé linguistique distinct. Mais ce postulat qui soutient, empiriquement sans doute, aussi provisoirement qu’on le voudra, la légitimité de toute recherche linguistique, soutient également – sous les mêmes reserves – la légitimité de l’opération traduisante. »

Em suma, a Tradução é um hóspede que você deixou entrar e acabou se tornando o dono da casa.

« Cette façon de concevoir les rapports entre l’univers de notre expérience (ou notre expérience de l’univers), d’une part, et les langues, d’autre part, a été lentement mais complètement bouleversée depuis cent ans, c’est-à-dire depouis les thèses philosophiques sur le langage exposées par Wilhelm von Humboldt, et surtout ses descendants, dits néo-kantians ou néo-humboldtiens. »

« Les anciens Grec n’étudièrent que leur propre langue; ils considérèrent comme évident que la strucuture de cette langue incarnait les formes universelles de la pensée humaine ou, peut-être, de l’ordre du cosmos. En conséquence, ils firent des observations grammaticales, mais les limitèrent à une seule langue, et les formulèrent em termes de philosophie. » Bloomfield

« <‘Le capitalisme de tout le monde’, qui traduit assez mal une terminologie américaine plus concise, ‘people’s capitalism’ […], qu’on a également baptisé parfois ‘capitalisme démocratique’ ou ‘capitalisme populaire’ et que nous appellerons pour plus de commodité, au cours de cet article, tout simplement, le ‘capitalisme américain’.> (Nida) Indiscutiblement, le lecteur français, même moyennement nourri d’économie politique, reconnaîtra que les 4 équivalents proposés (du terme américain) ne donnent pas une idée claire de la structure économique que veut distinguer et que semble distinguer – pour un locuteur américan – l’étiquette anglo-saxonne <people’s capitalism>. »

« überfragen, poser des questions auxquelles l’autre ne peut répondre, <coller> » Philippe Forget

Não existe masculino de imbécile em francês!

* * *

Trechos de Charles Zaremba, “Traduction – Traductions”, in: La traduction: problèmes théoriques et pratiques

« Toutes les mythologies réservent une place de choix au «paradis perdu», à «l’âge d’or», c’est-à dire à un temps et un lieu perdus (provisoirement puisqu’ils doivent revenir «à la fin destemps»), qui se caractérisent non seulement par le bien-être et l’abondance, mais aussi par um statut linguistique particulier: il n’y a qu’une seule langue.

La nostalgie de l’avant-Babel, ou si l’on préfère, d’une langue originelle et universelle, impregne profondément notre civilisation qui essaie, plus ou moins consciemment, de revenir àcet état idéal en s’efforçant de rompre les barrières linguistiques.

En effet, dans un premier temps mythique, la diversité des langues est un châtiment (aumême titre que le travail): seul Dieu possède l’entendement universel et peut le conférer »

Todas as mitologias reservam um espaço para o <paraíso perdido>, um tempo para a <idade de ouro>, isto é, um tempo e um lugar literalmente perdidos (provisoriamente, já que eles deverão retornar <no final dos tempos>), que se caracterizam não somente pelo bem-estar e abundância, mas também por um estatuto lingüístico singular: nele só há um idioma.

A nostalgia pré-babélica ou, se se preferir, duma língua seminal e universal, impregna profundamente nossa civilização, que ensaia, mais ou menos conscientemente, desde que é civilização, o retorno a esse estado de coisas com mil propostas de derrubada das barreiras lingüísticas.

Com efeito, num primeiro tempo mítico, a pluralidade das línguas é sempre um castigo (como sempre se define o trabalho): só Deus possui o dom do entendimento universal e portanto estaria autorizado distribuí-lo a um reduzido número de porta-vozes.”

Se tão perfeita por que te degradas com o uso, ó Una?! Mas cá entre nós só o que me interessa seria o exercício perfeitamente contrário: um concurso em que o campeão seria o autor do idioma mais imperfeito concebível. É mais difícil do que parece, já que teria que ser muito superior a qualquer seqüência de grunhidos animais, embora tenha de ser feia e abjeta como uma sinfonia de black metal velha guarda tocada por orcs irremediáveis! Quase sempre criaríamos minúcias de beleza sem notarmos, querendo apenas produzir nojo e aversão – como somos ingênuos, parnasianos e asseados, apesar de tudo!

« Villon ou Rutebeuf tels quels sont incompréhensibles, de même qu’un grand nombre de fabuleux; le problème devient épineux avec Rabelais, qu’on hésite à traduire. La langue de Rabelais exige tant de notes qu’elle devient difficilement lisible – mais même dans ce cas, on préfère parler de transposition que de traduction en français moderne. Le subterfuge est cousu de fil blanc: la transposition est bel et bien une traduction d’um texte dont on n’ose pas vraiment avouer qu’il est écrit dans une langue qui n’est plus la nôtre, car cela pourrait suggérer que Rabelais n’est pas vraiment français… Cependant, le travail du traducteur de Rabelais est, me semble-t-il, en tout point comparable au travail du traducteur français d’un auteur italien ou espagnol. Là encore, on a un passage d’une langue A (état ancien de la langue) à une langue B (état moderne de la même langue).

Le voyage inverse, c’est-à-dire dans le temps linguistique, a intrigué plus d’un auteur – mais rarement à ma connaissance les auteurs de science-fiction, pour qui les voyages dans le temps sont souvent étrangement atemporels, des individus distants de plusieurs siècles discourant à loisir (ainsi Pierre Boulle dans La planète des singes fait-il lire à la guenon Phyllis, vivant dans um futur très éloigné, un manuscrit rédigé par un homme). Stanislaw Lem a échappé à cette naïve commodité dans ses Mémoires trouvés dans une baignoire (Pamietnik znaleziony w wannie, 1961, Trad. D. Sila et A. Labedzka Mémoires trouvés dans une baignoire, Calmann-Lévy, 1974) où l’intrigue repose en partie sur la quasi-impossibilité pour un homme du futur de comprendre notre civilisation à partir d’un vieux manuscrit trouvé justement dans une baignoire. Le voyage dans le temps linguistique est plutôt le fait d’auteurs qui ne pratiquent pas la science-fiction. »

A viagem inversa, i.e., do presente para o futuro (lingüístico), já intrigou mais de um autor, mas raramente, que eu saiba, os de ficção científica. Para eles, a viagem temporal é estranhamente atemporal, indivíduos de vários séculos de diferença conversam entre si sem qualquer tipo de problema (sucede, por exemplo, no Planeta dos Macacos de Pierre Boulle: o autor faz a macaca Phyllis, dum futuro longínquo, achar, ler e compreender perfeitamente um manuscrito de um humano, parisiense do século XX). Stanislaw Lem soube se subtrair dessa comodidade ingênua em suas Memórias encontradas numa Banheira (original polonês, Pamiętnik znaleziony w wannie, de 1961; tradução francesa por Dominique Sila e Labedzka de 1974 [edição em português de Portugal – tradução indireta – de 1984 por Manuela Alves – quem sabe o Cila não é o primeiro a traduzir, um dia, direto do Polonês para o Português brasileiro?]). O mote da trama é a incompreensão da humanidade de um futuro distante diante de um tempo histórico muito mais antigo, que historiadores tentam decifrar com base num só vestígio, um manuscrito encontrado curiosamente dentro de uma banheira. A viagem no tempo lingüístico é muito mais para o escritor que não redige ficção científica.”

« Remarquons à ce propos que G. Karski conseille de styliser les textes ‘sans logique’, pour ne donner qu’une coloration archaïque. » …brutO

On ne traduit pas Ronsard en français modeme mais on retraduit les auteurs étrangers en français moderne, justement.”

« Des générations de Français se sont nourris de Kafka dans la traduction d’Alexandre Vialatte – et comprenaient le monde de l’auteur. Une nouvelle traduction a quand même été nécessaire. Et c’est une différence fondamentale entre l’original et la traduction: cette dernière est caduque. ‘Les traductions supportent mal le temps et mis à part de rares exceptions, elles ne deviendront jamais des chefs-d’oeuvres éternels.’ (Géher) »

polisistema intralinguistico

Poli-sistema intralingüístico de M. Wandruszka

PATOIS: « structures grammaticales différentes » (Associado ao camponês – como o Provençal ou a Langue d’oc são patoás e muito próximos do Catalão, isso só aumenta minha razão naquele debate com a catalunha [?] estúpida no twitter.)

« Toutefois, il est difficile de traduire d’une «sous-langue» dans une autre (on peut parler ici de pluriglossie et non de plurilinguisme): les passages d’un technolecte à un dialecte, par exemple, sont difficiles à imaginer. »

Les études de traduction (ou encore: les textes de traductologie) distinguent souvent deux types de textes: les textes littéraires et les textes scientifiques (les textes de traductologie littéraire font souvent preuve de mépris pour la traduction technique, cette dernière étant ravalée au rang de simple transcodage; en outre le traducteur technique est en général mieux rémunéré que son homologue littéraire).”

Os estudos de tradução (ou ainda: os textos de Tradutologia) distinguem, no mínimo, dois tipos de textos: os literários e os científicos (os tradutores literários comumente desprezam a tradução técnica, i.e., científica, limitando-se esta última, o mais das vezes, a uma simples transcodificação; se bem que o tradutor técnico-científico é em geral mais bem-pago que seu homólogo literário.)”

NICHO DO NICHO DO NICHO: “Le «mépris» va dans les deux sens, les traducteurs techniques reprochant aux littéraires leur manque de précision… Le texte littéraire possède des qualités esthétiques que ne possède pas, en principe, le texte scientifique. Le traducteur littéraire doit faire oeuvre non plus de simple transcodage, ou encore de traduction de langue à langue, mais de traduction de milieu à milieu, de texte à texte, la composante purement linguistique de son travail passant presque au second plan. Le traducteur littéraire doit être coauteur, faire preuve de «congénialité», suivant l’expression de B. Lortholary. Et là encore, on distingue la prose de la poésie, la première étant à la portée de tout traducteur, la seconde étant réservée aux poètes. On reviendra sur ce point quand on abordera la personnalité du traducteur.Falso déjà vu ou a Jéssica B***** é realmente uma TECNOCRATA da Tradução? Papo muito antigo… Vergonha da classe… (É sempre horrível quando lembramos dos piores praticantes de nossas artes e ofícios!)

Il me semble nécessaire de distinguer les textes sacrés (bibliques) des textes non-sacrés, qu’on peut aussi appeler ecclésiastiques, qui sont l’oeuvre d’hommes d’Église (gloses, commentaires, vies de saints) et ne posent pas les mêmes problèmes philosophiques de traduction, puisqu’il ne s’agit pas de la «parole de Dieu» (je ne prends en considération que la tradition chrétienne dans sa version catholique romaine – c’est-à-dire que je limite mon champ de réflexion à l’Europe qui a connu la Renaissance).” “la traduction avait été «officialisée» par le miracle de la Pentecôte qui confirme le bien-fondé de la traduction des Septantes, à savoir qu’il n’y a pas de langue sacrée. Au IVe siècle, Saint Jérôme traduit la Bible en latin (la Vulgate) mais il faudra attendre le concile de Trente (1545-1563) pour que cette version soit déclarée authentique et devant servir de base à toute traduction ultérieure. Durant une dizaine de siècles, la question n’avait été ni posée ni tranchée.”

Au siècle suivant apparaissent des traductions de la Vulgate et surtout des originaux hébreux et grecs. En 1532 est imprimé un psautier traduit au XIIIe siècle et connu sous le nom de Psalterzflorianski; en 1552, Stanislaw Murzynowski publie une traduction du Nouveau Testament, suivie de plusieurs autres. Ce siècle est donc marqué par une intense activité de traduction qui se fixe 2 buts: d’une part, faire mieux connaître la Bible au peuple, d’autre part, mieux traduire la Bible.”

le mot plagiaire n’est attesté en français qu’en 1555, plagiat date de 1697 et plagier de 1801 et qu’il vient du latin plagiarus «débaucheur et receleur des esclaves d’autrui», lui-même venant de plagium «détournement», cf. Nouveau Dictionnaire Étymologique et historique, par A. Dauzat, J. Dubois et H. Mitterand, Larousse, 1971. Remarquons d’ailleurs que la première loi sur la propriété littéraire en France, championne de l’administration, date de 1866.” SESQUICENTENÁRIO DE MERDA!

On comprend l’importance de la déclaration d’authenticité de la Vulgate: c’est, en quelque sorte, le premier copyright de l’Histoire moderne.”

L’auteur devient propriétaire de son texte et ce dernier se sacralise en quelque sorte: tout texte a droit à une traduction fidèle, au même titre que la Bible. La traduction proprement dite, opposée à la libre adaptation, devient non seulement possible, mais peu à peu souhaitable et philosophiquement obligatoire.”

La lecture de quelques ouvrages et articles de traductologie, montre d’une part que c’est un discours extrêmement répétitif et, d’autre part, que plusieurs discours coexistent qui pretendent chacun à la traductologie. On distingue très nettement deux types d’études: les textes de linguistes (très souvent, ce sont des approches théoriques) et les textes de littéraires (dans l’ensemble plus pratiques).”

Il illustre son propos par l’anglais worker qu’il faut traduire en russe par robotnik ou robotnica, c’est-à-dire que la langue russe impose la précision du genre, ce qui n’est pas le cas em anglais pour ce mot-là. De tels exemples sont légion et de nombreux ouvrages y sont consacrés, principalement écrits par des linguistes structuralistes, comme Z. Klemensiewicz.”

Jakobson ilustra seu argumento pelo inglês worker, que deve ser traduzido em russo por robotnik ou robotnica, i.e., a língua russa impõe a determinação do gênero, o que passa longe de ser o caso do inglês, pelo menos para esta palavra. Inumeráveis exemplos num sem-fim de livros foram esmiuçados século XX adentro, campo no qual se destacam os lingüistas estruturalistas, como Z. Klemensiewicz.”

Le discours des littéraires a les limites qu’ont les récits d’expériences personnelles. Il est souvent peu généralisable – mais, par la précision de certaines remarques, il est soouvent une mine de renseignements pour le linguiste comparatiste.”

Pode-se comparar o tradutor a um artesão, a meio caminho entre o artista (o autor) e o técnico (o lingüista).” Há um texto meu que já virou um clássico: https://www.recantodasletras.com.br/artigos-de-literatura/5827201 (originalmente de 2006, republicado neste link em 2016).

Eu-tradutor sou eu menos inspirado. Eu-cientista sou eu em crise.

Pour résumer, on peut dire que: 1. les linguistes disent – voici ce qu’il faut faire! 2. les littéraires disent – voilà ce que nous avons fait! et 3. les philosophes disent – comment diable pouvez-vous faire?”

Resumindo, pode-se dizer que: 1. Os lingüistas dizem – eis o que se deve fazer! 2. Os literatos dizem: eis o que nós fizemos! 3. E os filósofos dizem: como diabos podeis fazê-lo?

A VERDADEIRA REVOLUÇÃO UNIVERSAL (Altivez, loquacidade e dignidade): Alexander F. Tytler – Essay on the Principles of Translation (1791)

deux courants de traducteurs: les «fidèles» (sans doute proches des linguistes) et les auteurs de «belles infidèles» (plus proches des littéraires).”

En effet, la plupart des textes de traductologie prennent des exemples «nobles»:traduction de philosophes ou de grands auteurs comme Shakespeare, Cervantès, Corneille,etc. Je n’ai pas trouvé d’auteurs «mineurs» ou d’auteurs de best-sellers (comme, par exempleP.L. Sulitzer qui affirme dans l’un de ses livres que la Tchéka était la police secrète du tsar,qui nomme son héros polonais Taddeuz, alors que l’orthographe correcte est Tadeusz, etc).Le style des «grands écrivains» n’est pas critiquable: nous n’avons pas le droit de les juger,nous devons nous en inspirer, éventuellement les imiter – en tout cas, les respecter. Dans lestextes de traductologie, les exemples «non nobles» sont considérés froidement: ce sont destechnolectes ou des sociolectes, déviant par rapport à la langue standard mais respectablesen eux-mêmes. C’est là qu’on trouve le problème du discours politique, souvent réduit à sonaspect purement terminologique (voir à ce propos J.B. Neveux, La traduction du vocabulairepolitique, dans La traduction, 1979).

Or, il y a des textes littéraires «de moindre importance» et des textes ni littéraires ni techniques,c’est-à-dire le texte journalistique, le reportage et surtout les Mémoires et entretiens de toutesorte qu’on trouve en abondance dans les librairies – ce qu’on peut appeler la littérature de témoignage.Que faire, par exemple, avec un texte où un personnage déclare tout à fait sérieusementque «les liens» qui le lient à une certaine organisation sont «éteints»? Si on applique à lalettre les principes de Tytler, à mauvais texte en langue-source doit correspondre un mauvaistexte en langue-cible. Ou bien faut-il améliorer? C’était le point de vue de la plupart des traducteursdu XVIIème siècle, mais on en a aussi de nombreux exemples dans les traductions plusrécentes. Le discours traductologique du XXème siècle a tendance à critiquer ces améliorationsqui sont, en fait, de véritables déformations du texte.”

A maior parte dos textos de Tradutologia utiliza exemplos <nobres>: tradução de filósofos ou de grandes autores como Shakespeare, Cervantes, Corneille, etc. Não encontro, neles, os chamados <autores menores> ou de best-sellers (como, p.ex., P.L. Sulitzer, que afirma em um de seus livros que a Tcheka era a polícia secreta do czar, e batiza seu herói polonês de Taddeuz, ao passo que a grafia correta seria Tadeusz, etc.). O estilo dos <grandes escritores> não é criticável, evidentemente: não temos o direito de julgá-los, devemos sim nos inspirar neles, eventualmente imitá-los – em todo caso, respeitá-los. Nos textos de Tradutologia, exemplos <plebeus> são olhados com desconfiança: estes são classificáveis como tecnoletos ou socioletos, desvios da língua-padrão ainda respeitáveis em si mesmo, regulares o bastante, porém não têm um <estilo>, portanto não merecem grande atenção.

Daí deriva o conhecido problema do discurso político, com frequência reduzido a seu aspecto puramente terminológico (ver, a respeito, J.B. Neveux, La traduction, capítulo <A tradução do vocabulário político>, 1979).

Ademais, há sempre os textos literários <de menor importância> e os textos que não são tampouco literários ou técnicos, i.e., textos jornalísticos, a reportagem, memórias e entrevistas de todo gênero, encontrados em abundância nas bibliotecas e livrarias – o que se passou a denominar literatura de testemunho ou biográfica. O que fazer, p.ex., dum texto onde o personagem declara, de forma séria, que <les liens> (as relações) que o ligam a uma determinada organização são <éteints> (apagadas, nulas, opacas – termo difícil de traduzir)? Se se aplicam à letra os princípios de Tytler, aos textos mal-feitos da língua de partida deveria corresponder um mau texto na língua de chegada. Ou seria lícito melhorá-lo? O auge deste ponto de vista foi no século XVII, mas essa tendência nunca esmoreceu de verdade entre os tradutores (sendo aliás a obsessão por excelência dos editores). Nos discursos tradutológicos do século XX vemos uma pronunciada tendência à crítica desses <melhoramentos>, que são considerados agora deformações do texto original.”

Qui est traducteur (je ne prends en considération que les traducteurs littéraires et je n’aborderaidonc pas les problèmes des traducteurs jurés, techniques ou interprétes dont la traduction estla principale source de revenus)? A priori, toute personne connaissant bien une langue étrangèreet sa langue maternelle, sans être nécessairement «parfaitement bilingue» – les dictionnairesle sont suffisamment – peut être traductrice.Cependant, le traducteur est avant tout um lecteur: sans goût pour la littérature (ou même simplement la chose écrite), il est peu probableque quelqu’un se mette à traduire, puisque cet acte nécessite une première lecture (en termeslinguistiques: un premier décodage). Le nombre des traducteurs est tout de même inférieur aunombre de lecteurs connaissant plus d’une langue, car en plus, il faut savoir écrire (être capablede faire le ré-encodage) – c’est-à-dire avoir au moins un peu de talent littéraire, ainsi que le remarquefort justement G. Karski et même le structuraliste Z. Klemensiewicz qui parle de congénialité:la traduction ne doit être «ni une réécriture, ni une transécriture, mais une co-écriture». C’est d’ailleurs un métier qui ne s’enseigne pas: les écoles de traducteurs forment des interprèteset des traducteurs techniques, non des traducteurs littéraires.”

ANATOMIA DO TRADUTOR – Quem é tradutor? (Daqui para a frente, me eximo da responsabilidade de considerar os tradutores não-literários, isto é, NÃO ABORDAREMOS EM ABSOLUTO OS PROBLEMAS DAS TRADUÇÕES JURAMENTADAS, TÉCNICAS OU DE INTÉRPRETES, PROFISSÕES BASICAMENTE DE DEDICAÇÃO EXCLUSIVA)

RESPOSTA: A priori, qualquer bom conhecedor de ao menos uma língua estrangeira e da própria língua materna, sem ser necessariamente <um bilíngue perfeito> – de modo que os dicionários já lhe são ajuda suficiente.

Acima de tudo, o tradutor é um leitor. Sem tesão pela literatura (ou simplesmente pela <coisa escrita>), é muito pouco provável que qualquer um se meta a traduzir. Trata-se dum ato que exige no mínimo uma primeira leitura (o que na Lingüística se chamaria de primeira decodificação). Segunda implicação: o número de tradutores é sempre inferior ao de leitores conhecedores de mais de um idioma, porque, afora a <decodificação inicial>, é preciso saber fazer a re-codificação (em termos leigos, saber (re)escrever).

O que é esse <saber ler-reescrever>? Possuir um mínimo de talento literário (este mínimo não é <mensurável>), o que lingüistas como Karski e Klemensiewicz definem como a posse da cogenialidade, isto é, menos que a genialidade mas mais do que a banalidade, além de ser sempre uma espécie de <parceria diacrônica> com um outro co-gênio que precede ao tradutor.¹ Resumindo, é uma atividade impassível de ensino: as escolas de tradutores formam intérpretes e tradutores técnicos, não tradutores literários.”

¹ Matizes kardecistas, até!

Os vilões do meu universo encastelado: os assessores, os sociólogos não-marxianos, os pré-existencialistas e, finalmente, os tradutores juramentados ou leigos que solicitam ou falam em “tradução livre” (verdadeira abominação em forma de binômio). Trocando em miúdos, estes são os péssimos profissionais das minhas áreas ou ex-áreas de atuação (respectivamente, Jornalismo, Sociologia, Filosofia, Letras), tudo que eu jamais seria ou jamais tomaria como modelo.

Rares sont les traducteurs littéraires dont la traduction est la principale (ou seule) source derevenus: la plupart du temps, ils exercent des métiers intellectuels, sont souvent des universitaires- mais rarement des écrivains. Il suffit de consulter les bibliographies d’auteurs pour levoir: les écrivains écrivent «pour leur propre compte». Quant aux traducteurs, s’ils ont assez detalent pour traduire, il leur en manque pour créer. Remarquons toutefois que le travail de traductionest ingrat : il demande un effort considérable, est plus ou moins bien rémunéré – mais lestraducteurs passés à la postérité sont rares, si l’on excepte les premiers traducteurs de la Bible.Comme le remarque I. Géher, on ne lit jamais un texte parce qu’il a été traduit par X, mais parcequ’il a été écrit par Y. Les grands traducteurs sont donc peu nombreux: en France, Baudelairen’est un traducteur célèbre que parce qu’il était par ailleurs un immense poète, en Pologne TadeuszBoy-Zelenski n’est célèbre que parce qu’il a, à lui seul, traduit énormément de littératurefrançaise (dont Montaigne, Descartes, Pascal, Rabelais, tout Molière, Chateaubriand, Stendhal,Proust, Gide, tout Balzac, etc.) alors que lui-même n’était qu’un écrivain-créateur médiocre.

Donc, les écrivains ne sont pas des traducteurs – sauf les poètes. Cependant, il est remarquableque les poètes signent quelquefois des traductions de langues qu’ils ne connaissent pas. En fait, ils ne sont pas traducteurs, mais «poétisateurs» de textes précédemment traduits par destraducteurs non poètes (dans la terminologie de H. Meschonnic, l’un parle «langue» et l’autreparle «texte». L’auteur s’insurge avec raison, contre cette pratique qui pose des problèmesphilosophiques et méthodologiques sur lesquels je ne m’attarderai pas).”

O PARADOXO DO POETA NÃO-ESCRITOR E DO ESCRITOR NÃO-POETA (ALÉM DO LIMBO CHAMADO TRADUTOR)

Raros são os tradutores literários para quem traduzir é a principal (ou única) fonte de renda: a maior parte do tempo, eles exercem qualquer outra função intelectual, comumente nas universidades – salvo que raramente são escritores. Basta consultar as bibliografias dos autores para atestá-lo: os escritores <escrevem por conta própria>. Quanto aos tradutores, malgrado tenham o talento imprescindível à tradução, falta-lhes o talento para criar. Observemos quão ingrato é o ofício do tradutor: traduções demandam um esforço considerável e são mais ou menos bem-remuneradas, dependendo do contexto – mas o notável da carreira é quão poucos dentre os tradutores gravam seu nome na posteridade. As maiores exceções foram os primeiros tradutores da Bíblia, por motivos óbvios. Como lembra Géher, ninguém lê um livro <porque foi traduzido por Fulano>, mas sim <porque foi escrito por Cicrano>. Os grandes tradutores são, desta feita, pouco numerosos: na França, Baudelaire só se tornou um tradutor de renome porque além de traduzir era também um enorme poeta; na Polônia, Tadeusz Boy-Zelenski só atingiu fama imortal por ter sido quem traduziu sozinho quase toda a Literatura francesa que realmente interessa: Montaigne, Descartes, Pascal, Rabelais, Molière (a obra completa), Chateaubriand, Stendhal, Proust, Gide, Balzac (a obra completa), e ainda outros! Fora isso, o próprio Tadeusz nada era senão um escritor autoral medíocre.

Sendo assim, os escritores não são tradutores – isto é, com a exceção dos poetas. O insólito da situação do poeta é que ele assina traduções de línguas que não conhece (conhece muito mal, comparado com os tradutores por vocação). Na verdade, quando poetas se aventuram a traduzir, não são tradutores, são <poetizadores> de textos anteriormente traduzidos por tradutores não-poetas (na terminologia de Meschonnic, o poeta fala uma língua, o tradutor fala um texto). O autor (escritor) se insurge (com razão?) contra esta prática, que encerra uma vasta gama de problemas filosóficos e metodológicos, os quais por si só já mereceriam livros e mais livros.”

Tudo já foi escrito” é a desculpa esfarrapada do primeiro dos últimos pós-modernos!

Já traduzi até Heine… Não sei nem mais que(m) sou…

Quem

Queim

Queime

Queimei

Quem

Ei!

Quem queimou

Quem queimou meu queijo?

#IdéiadeTítulodeLivro

UÉ?!

E quem disse que o filósofo é mais escritor do que poeta e tradutor?

Qual é o TAMANHO da sua escrita? Imortal e milenar ou 500 páginas sem margens e espaçamento 1?

Le traducteur est doublement dépendant: en amont, de l’auteur, en aval de l’éditeur.”

L’éditeur est une invention récente que toutefois on trouve à l’état embryonnaire dès l’invention de l’imprimerie. Avant, chaque livre était unique et le copiste devait posséder un savoir (la lecture et l’écriture) et maîtriser une technique (la calligraphie). L’imprimerie introduit une technique lourde et extérieure au copiste et donc, qui plus est, à l’auteur. L’imprimeur devient l’intermédiaire obligatoire (monopolistique) entre auteur et lecteur. Cette situation dure très longtemps: l’éditeur, c’est l’imprimeur, c’est-à-dire un technicien qui se double rapidement d’un commerçant (dans des cas extrêmes, l’imprimeur peut être analphabète, comme le père Séchard dans les Illusions perdues de Balzac). Voulant connaître la nature de sa marchandise, il se met à lire et à juger ce qu’il imprime, pour décider peut-être de ne pas le faire, et devient éditeur à proprement parler. Le statut de l’éditeur est ambigu: il est à la fois connaisseur littéraire et commerçant. Suivant le cas, c’est l’une ou l’autre facette qui l’emporte. Son double jugement (littéraire et/ou commercial) n’est pas infaillible, loin de là. Actuellement, l’éditeur délègue les travaux d’impression (le côté technique) et assume les rôles de commerçant et de juge, quitte, bien sûr, à s’entourer de «commerciaux» et d’un «comité de lecture».”

Lorsqu’un auteur propose (soumet) um texte à un éditeur et que ce dernier accepte de le publier, il accepte par là-même de faire un investissement correspondant aux frais d’impression, de diffusion et éventuellement de publicité. Les revenus de l’auteur dépendent alors étroitement de ceux de l’éditeur. La démarche du traducteur est différente, encore qu’il faille distinguer deux cas de figure: 1. le traducteur propose un texte à l’éditeur, 2. l’éditeur commande une traduction. La différence entre les deux s’inscrit dans la durée. Dans le second cas, le traducteur reçoit un travail pour lequel il sera rétribué. Il n’a donc aucune démarche – au sens propre du terme – à accomplir. Dans le premier cas, le traducteur commence en général par convaincre longuement l’éditeur de l’intérêt littéraire d’un texte, échantillon à l’appui. En cas de refus, il aura travaillé pour rien. Dans les deux cas de figure, si l’éditeur accepte de publier la traduction, son investissement est important: il doit racheter les droits d’auteurs s’ils n’appartiennent pas encore au domaine public, il doit payer le traducteur et, bien sûr, veiller à l’impression, etc.

Le contrat de traduction est signé et, quelques temps après, le manuscrit (ou plutôt le «tapuscrit») est remis à l’éditeur qui va le lire, ou le faire lire. Ce lecteur (qu’il soit l’éditeur lui-même ou une personne tierce, on l’appellera le correcteur) ne connaît pas nécessairement le milieu-source: il ne fera donc que veiller au respect du 3ème principe de Tytler, c’est-à-dire la lisibilité. L’intermédiaire du correcteur est une bonne chose en soi: quel traducteur n’a pas remarqué une baisse affligeante de sa compétence linguistique en langue-cible, qui est en général sa langue maternelle, pendant l’acte de traduction? Les relectures que l’on fait «à froid» sont nécessaires pour se débarrasser du modèle contraignant de la langue-source, mais même là, il arrive que des phrases sonnent juste seulement pour le traducteur, hélas! C’est ce qu’exprime clairement G. Mounin (cité par J.R. Ladmiral), quand il parle de la «richesse merveilleuse de toutes les langues de départ, pauvreté incurable de toutes les langues d’arrivée». Encore faut-il que le correcteur soit effectivement compétent…

C’est là que se pose le problème du «mauvais» texte de départ, ou, si l’on préfere, des maladresses stylistiques qui peuvent s’y trouver. Si on applique le principe de fidélité, à mauvais original doit correspondre mauvais texte en traduction (et ce sera justement cela la bonne traduction) – la première réaction du correcteur sera de considérer que la traduction est mauvaise, et non le texte original, et il se dépêchera de corriger, d’améliorer le texte en langue-cible, pratique autrefois courante, aujourd’hui plutôt critiquée. Il faut cependant faire une distinction entre «petites» et «grosses» maladresses. Voyons un exemple de petite maladresse.

Dans La légende de Pendragon, Antal Szerb répète très souvent le mot különös, quelquefois à l’intérieur d’un même paragraphe. Ce mot signifie «singulier, bizarre, étrange». La stricte fidélité à l’original demanderait de choisir l’un de ces adjectifs – de préférence «singulier» – et de l’employer systématiquement, comme un terme technique. Or, pour la traduction, nous avons choisi de varier les équivalents français pour éviter des répétitions qui, tout en alourdissant le style, n’apportent pas d’information particulière et – surtout – nous auraient fait passer pour de mauvais traducteurs… Nous avons donc prévenu les critiques du correcteur, d’autant plus qu’il s’agissait effectivement d’une maladresse de la part d’Antal Szerb: c’était un éminent historien de la littérature qui écrivait des romans en dilettante, vite et sûrement sans se relire, ce que le lecteur français ne sait pas, alors que le personnage de Szerb est très connu en Hongrie. On a ici un problème non de langue, mais de milieu. Ce roman est passionnant de bout en bout – il n’en est pas pour autant exempt de ce type de maladresses qu’on peut corriger sans porter atteinte au texte.”

Escrita, a anti-bosta: quanto mais mexe, menos fede?! Há um momento, no entanto, em que ela petrifica, para o bem ou para o mal…

Il arrive cependant que la «maladresse» (en particulier, la répétition) soit voulue et significative. C’est le cas du roman du Polonais Julian Kawalec intitulé W sloncu où la répétition de mots ou de membres de phrase crée un effet lancinant comparable à la poésie de Gertrude Stein. Dans ce cas, il faut conserver cet aspect de l’original – et il ne sera guère aisé de convaincre l’éditeur qu’il doit en être ainsi. L’éditeur est un être soupçonneux: il met en doute les compétences linguistiques du traducteur aussi bien en langue-source qu’en langue-cible – ce qui n’est d’ailleurs qu’une manifestation de son souci du lecteur.”

¹ E mais uma vez o dia foi salvo graças ao poder deveras oportuno da… NOTA DE RODAPÉ!!!

Prancha de salvação que leva direto aos tubarões. Conversas off-topic gravadas. Quando a nota é do editor, o “tradutor venceu” a guerra, e o Ed. se vinga. Quando a nota é do tradutor, o “editor venceu” a guerra, e o Trad. quita dalgum modo a dívida e restabelece o equilíbrio. Isso supondo que não se trate só de mea culpas baratas…

Remarquons que la plupart des «notes du traducteur» sont des informations portant sur le milieu-source.”

Quelle frustration de voir écrit en bas de page «calembour intraduisible». La responsabilité repose entièrement sur les épaules du traducteur; et comme la plupart des calembours sont intraduisibles, le traducteur essaie de compenser comme il peut, éventuellement en plaçant un bon mot à un autre endroit du texte. Ces deux types d’exemples sont peu importants – même s’ils donnent quelquefois des nuits blanches aux traducteurs – si l’on pense qu’ils ne concernent la plupart du temps que des mots et expressions éparpillés dans un texte par ailleurs normalement traduisible. Le problème se pose plus gravement quand c’est le texte tout entier qui nécessite une note du traducteur – qui alors peut choisir de se taire ou de se manifester par une introduction. Je ne citerai qu’un seul exemple: l’introduction à la traduction française de Trans-Atlantique de W. Gombrowicz. Il s’agit d’une longue introduction historico-littéraire ainsi que traductologique. C. Jelenski & G. Serreau, les traducteurs, expliquent que le roman, écrit en 1948, s’inscrit dans une convention littéraire du XVIIIème siècle – j’en ai parlé au début, à propos du «voyage dans le temps». La traduction est stylisée, archaïsée au point qu’elle crée une impression aussi étrange et grotesque que l’original. On a un «style fonctionnellement équivalent» (Taber). De ce point de vue, et du point de vue des libraires aussi, c’est une réussite et pourtant… Le texte français est beaucoup plus long que l’original polonais. On observe, pour employer la terminologie de J.R. Ladmiral une incrémentialisation et une péri-paraphrase généralisées – en d’autres termes, c’est une traduction explicative.”

Mais C. Jelenski n’a-t-il pas dit lui-même à propos de ce travail qu’on ne comprenait vraiment une oeuvre qu’en la traduisant? Cette traduction illustre l’application stricte du second principe de Tytler, au détriment du premier – à cela près, qu’il n’y a pas déperdition, mais excès. Ce phénomène est constant dans tout le roman – en fait de traduction, on a presque une adaptation.”

HAHA: “adaptation, appelée quelquefois traduction libre (…) L’apparition des notions de propriété littéraire et de plagiat oblige l’adaptateur à citer son modèle – quitte à se faire passer pour un traducteur.” Bom menino-mau: Em nome da Honra – Chapeuzinho Vermelho; O Orfanato & O Senhor-Robô – Dalá-gonu Borô Zeta; Do Caos ao Barro, da Lama ao Caos: Lisboa, 1755 – Moonspell & Nação Zumbi & Chico Science… O Andarilho Triclope… …. ….. Sofrimentos do Jovem Ed…itor

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Trechos de Marianne Lederer, “La traduction aujourd’hui”

Même à un stade très avancé de l’acquisition d’une langue étrangère, on entend encore des étudiants demander comment traduire tel mot ou tel mot. Comment dit-on <préposé> en anglais? ou <pronouncement> en français? Ils espèrent une réponse qui ferait apparaître une forme sonore différente dans uns signification inchangée.”

Les mots anglais <control>, <region>, <opportunity> ont tout d’abord été compris au sens français de <contrôle> (vérification), <région> (partie d’un pays), <opportunité> (qui vient à propos). (…) Aujourd’hui <contrôle> a perdu en grande partie sa signification initiale pour prendre le sens anglais de <maîtriser>, <commander>, <diriger>; <région> englobe plusieurs pays et <opportunités> remplace de plus en plus <occasion>. Les déformations sémantiques de <global>, <rampant>, <attractif>, etc., ont suivi ce processus à des degrés divers. <Global>, à l’instar de l’anglais, signifie aujourd’hui <universel> en plus de sa signification de <entier>, <total>. <Rampant> a gardé sa signification française mais est utilisé avec une fréquence qui lui vient de l’anglais. <Attractif> a la forme de l’anglais tout en gardant la signification de <attrayant>, <attirant>, etc.”

La stylistique comparée du français et de l’anglais, cependant, malgré toutes ses qualités, n’est pas une méthode de traduction des textes, contrairement à ce que laisse entendre son sous-titre, <Méthode de traduction>. Elle ne peut l’être car, observant les désignations différentes de situations identiques, elle ne va pas, sauf pour en analyser le résultat, jusqu’à expliquer la traduction par équivalences.”

J. Delisle écrit: L’analyse de la langue que pratiquent les stylisticiens comparatistes reste en deçà de l’analyse du discours sur lequel se fonde toute vraie traduction.

Les 7 procédés techniques si célèbres de La stylistique comparée (…) (l’emprunt, le calque, la traduction littérale, la transposition, la modulation, l’équivalence, l’adaptation) ne peuvent contribuer à la traduction, qui est essentiellement un exercice d’interprétation car, ne facilitant ni l’analyse d’un message ni sa restitution, ils ne peuvent pas avoir valeur de règles pratiques de traduction.”

La stylistique (et d’autres <manuels de traduction>) peuvent rendre de grands services aux étudiants dans leur auto-perfectionnement linguistique. L’apprenant peut puiser à la source du comparatisme pour perfectionner ses connaissances.”

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La polémique “Cibliste vs. Sourciste”.

Trechos de Pierre Baccheretti, “Traduire ou interpréter”, in: La traduction: problèmes théoriques et pratiques

Dans la pluplart de cas, c’est la réalité décrite qui se refuse à la traduction, pour la simples raison qu’elle n’a point d’équivalent dans le pays où est parlée l’autre langue. Se pose alors le problème, bien connu, de la traduction des <réalia>.”

Nous traduirons donc filosofija trëx vesëlyx kombinatorov P’enikle. Nous soulignerons, en qualifiant cette philosophie de mudrënaja et en recourant à un verbe noble:

A brotik Pol’, zabrosiv azbuku, po veceram, lëza v krovatke, vnikal v mudrenuju filosofiju <Trëx vesëlyx Kombinatorov P’enikle>”

E meu irmão Paulinho, em sua cama, penetrava nos segredos da sábia filosofia dos três fanfarrões vigaristas Pieds Nickelés, menos três patetas que uma espécie de Cebolinha arquitetando um de seus Planos Infalíveis…

Um dia só é bom quando o próximo é um feriado.

le français montagne se verra-t-il attribuer comme équivalent le russe gora. C’est du moins ce que recommandent, à l’unanimité, tous les dictionnaires bilingues. Et, pourtant, un examen, même superficiel, des emplois de gora en russe montre à l’évidence que la réalité recouverte ressemble souvent, à s’y méprendre, à une simple colline de Provence.”

Il est évident que l’imagination des parents ne connaît point de bornes lorsqu’il s’agit de toruver un nom zoologique gentil à ces chers petits, et, dans l’intimité du nid familial, tout est permis. Mais les assimilations être humain/animal sont loin d’avoir une valeur universelle immuable, et dans le domaine de la traduction, il est, sans aucun doute, souhaitable d’éviter des équivalences au mot à mot qui, dans la langue d’arrivée, risquent d’avoir une valeur comique qui n’était certainement pas recherchée au départ.”

Je frappai le mulet sous le ventre […] tandis que le paysan l’appelait: <carcan, carogne> et l’accusait de se nourrir d’excréments.

Pagnol fait là allusion à une injure fort prisée dans le Midi et dont le sens laisserait à supposer que votre interlocuteur, pour se sustentar, mange autre chose que de la fougasse et des olives. Malgré la richesse de son vocabulaire dans ce domaine, le russe ne possède pas d’équivalent terme à terme qui soit couramment utilisé. Et, difficulté supplémentaire, tout cet aspect de la langue parlée est totalement tabou dans la langue écrite: le bon citoyen russe peut être, dans la vie de chaque jour, tout aussi mal embouché que le plus grossier des charretiers de France, mais l’usage littéraire jette un voile pudique sur les expressions qui sortent des sentiers battus, et les dictionnaires – à l’exception d’un ouvrage anglais (Beyond the Russian dictionary, 1973, London, Flegon Press) restent étrangement muets sur le sujet.”

Le grossier personnage n’hésitera pas à compléter nos points de suspension en recourant à un verbe précis que conférera à la phrase le sens approximatif de tu sais ce qu’on lui fait à ta mère? L’injure est à ce point vivante en russe que la langue en arrive à renoncer à employer à l’accusatif le mot mat’ précedé du possessif, de façon à éviter toute réminiscence mal venue.”

ryba, le poisson, est, en russe, de genre féminin”

De la même façon, dans la traduction du Petit Prince, le traducteur soviétique a été amené à traduire le renard et la Fleur respectivement pas lis, masculin, quasiment inemployé en russe, à côté du très courant lisa de genre féminin, et roza (la rose, et non la fleur cvetok masculin) de façon à respecter la répartition féminin/masculin, essentielle dans le texte original.”

En effet, alors qu’en français, le mâle donne habituellement son non à l’espèce (un chat, une chatte, le chat), le russe préférera d’ordinaire la forme féminine pour désigner l’espèce (kot, koska). Le canard sera ainsi utka de genre féminin, ce qui saurait convenir à un exemplaire, défini comme le vieux père canard, et, plus loin dans le texte, le vieux dur-à-cuire.”

Le locuteur français (qui dit ) reste, en quelque sorte, à distance, immobile, considère le mouvement d’un point fixe, depuis l’endroit d’où il observe, et il n’est qu’observateur. Le locuteur russe (qui dit ici) se déplace en même temps que son personnage, participe au mouvement, est, d’une certaine façon, acteur de la scène.”

On pourrait expliquer l’implicite du français par le fait d’une capacité d’abstraction plus grande, le contexte étant suffisamment clair pour donner à comprendre la succession chronologique de divers mouvements sous-entendus.”

Jacques entra dans le café, avisa une table libre à l’écart, et commanda une bière.

=

Zak vosël v kafe, primetil svobodnyj stolik v storone, sel i zakazal pivo

=

Jacques entra dans le café, avisa une table libre à l’écart, s’assit et commanda une bière.

Là oú le locuteur français, du seul fait du cheminement de la logique interne de l’énoncé, distingue sans ambiguïté les divers personnages, tous nommés <il>, le russe ne reconnait pour <il> (on) que la personne qui était déjà le sujet de la proposition précédente, et si la personne, sujet de la nouvelle proposition, est autre, doit impérativement la nommer, ou recourir au démonstratif tot qui désigne la personne ou l’objet éloigné, par opposition à étot réservé à l’objet de la personne proche.”

nous avions la triste impression de lire un autre livre qui parlait la même chose, mais ne disait rien.”

il n’y a qu’un pas entre l’abattoir, skotobojnja, et bojnja, la tuerie, la boucherie, la guerre.”

En effet, on peut constater dans l’usage russe une tendance marquée à préciser ce que le français se contentait de suggérer, et, sur un certain nombre de points, la langue dispose d’une série de moyens techniques pour le faire, moyens que le français, soit ne possède pas, soit répugne à utiliser”

En français, le contexte éclaire la mimique, donne leur signification aux gestes, alors qu’en russe ce sont les gestes qui contribuent à créer le contexte.”

Ainsi l’expression zadrav nos, littéralement <le nez en l’air> marque, en russe, l’attitude hautaine, l’air conquérant de celui qui est trop content de soi, et non, comme en français, une certaine insouciance, un manque évident d’attention.”

Cabeça na lua, nariz empinado, olhando sempre pra baixo, boca tesa, ouvido surdo concentrado, pêlos eriçados, cabelo sem viço, derrubado.

O russo precisa incluir muitos travessões num diálogo, certo, Dosto?

…dit ma mère, répliqua vivement mon père, précisa tante Rose, dit, dubitatif, mon pére, etc. Bien entendu, tous ces verbes auraient été possibles dans le texte français, mais telle ne semble pas être la tendance de la langue.”

Le verbe de parole en fraçais répond essentiellement à la question: qui parle? Le russe va, souvent, plus loin: qui parle, et comment?

c’est la vi(ll)e désertes amis

Trechos de Françoise Flamant, “Pour en venir au texte lui-même”, in: La traduction: problèmes théoriques et pratiques

O artigo de Pierre Baccheretti Traduire ou interpréter, que se funda sobre uma prática assídua da tradução, incita com naturalidade todo tradutor a refletir sobre sua própria prática. Constatamos imediatamente que os tradutores, que se comprazem, em geral, em debater e confrontar pares, repugnam, o mais das vezes, comunicar suas experiências por escrito. Esta repugnância – ou essa negligência – (que o próprio P. Baccheretti decerto não reprova em alguns contextos) não seria reveladora da inquietude que acompanha o tradutor incontinenti ao longo da elaboração de seu texto, e desse resíduo de insatisfação que persiste nele ao contemplar o resultado de seu trabalho? Angústia e insatisfação que não são sanadas pela leitura de nenhuma obra teórica sobre tradução. Com efeito, a atividade do tradutor não se caracteriza como uma posta em prática de teorias e princípios, quaisquer que sejam, estabelecidos pelo tradutor mesmo ou consagrados muito antes dele – se caracteriza, sim, como uma tensão irredutível entre dois pólos: duma parte a convicção de que a estrangeiridade dum texto compõe um de seus atributos primordiais; doutra, a necessidade imperiosa de comunicar essa estrangeiridade, i.e., esse algo insólito e inefável, convertendo-o nalgo familiar para o receptor, e, afinal, redigido na língua natal deste último! A tradução se realiza num vaivém permanente entre estes 2 pólos, percorrendo uma infinidade de escolhas, uma mais insatisfatória que a outra, caso fossem examinadas em separado, mas que tendem a se equilibrar, se compensar, consideradas como um todo mais que a soma das partes.”

O tradutor moderno perdeu a tranqüila confiança de seus predecessores franceses do século passado, intimamente convencidos da supremacia de sua própria língua vernacular e de sua civilização. (…) Viardot alcançava o denominador comum (do gosto francês) entre a prosa de um Cervantes e a de um Turgueniev.”

<tradutor de Arte> (é assim que os russos denominam o <tradutor literário>)”

Veja-se o exemplo da palavra muzik, transcrita geralmente como moujik em francês (definição: <camponês russo>). Em sua obra Tolstoï et Dostoïevski (1901), o escritor e filósofo Mérejkovski consagra um capítulo à religião de Dostoïevski, para a qual duas palavras diferentes conotam o <camponês> a depender da situação: muzik ou krest’janin. Mérejkovski defende a idéia de que o apego de Dostoïevski a um cristianismo do terror que ele associa intimamente ao camponês russo (o krest’janin) teve sua origem num episódio da infância do escritor, contado aliás por ele próprio: aterrorizado pelo uivo dum lobo, Dostoïevski-criança sai correndo e se joga nos braços fortes e protetores do camponês (muzik) Maréï, que trabalha nos campos das proximidades de sua casa, o que o conforta e o alivia de sua crise. O sentido do <texto em si mesmo> indica aqui, ao tradutor, que deve se servir da palavra moujik toda vez que fizer referência ao <moujik Maréï>, e da palavra paysan [a tradução literal, i.e., camponês, o pobre, o povo, e não mujique, dicionarizada em português, inclusive] sempre que a questão for traduzir krest’janin. A palavra muzik, formação diminutiva pela qual se auto-designava o camponês-servo na sociedade feudal russa, é a que Dostoïevski aplica em seu relato da lembrança de infância. Ao conservar a denominação, o tradutor permite ao leitor francês identificar a citação – tão rapidamente quanto o próprio leitor russo. Ao traduzir o camponês médio ou o camponês em geral pela outra palavra, krest’janin, distingue-se, na prática, o evento-concreto fundador (de feição particular, historicamente datado, de caráter patriarcal, a relação, em suma, do <jovem mestre> com um de seus servos) do conceito universal ressignificado ulteriormente na visão teológica de Dostoïevski que gira em torno do arquétipo do camponês (o krest’janin).

A mesma palavra no plural, Muziki, é o título de uma longa novela de Tchékhov datada de 1897, cujo enredo se passa no mesmo ano. A tradução de um título é sempre perigosa: sua formulação geralmente lacônica (o mais lacônica possível, aliás) tem como meta representar, ou ao menos sugerir, a idéia primordial contida na obra. Mas, ao mesmo tempo, um título deve ser chamativo, despertar a vontade de ler. Daí que não nos pareça recomendável traduzir a obra como Les moujiks: a estranheza da palavra – estranheza que, em si mesma, não impede a palavra de ser utilizada, e até pode ser um critério para preferi-la, como já indicamos – não ajuda em tornar o título atrativo para o potencial leitor de ficção (muito embora o caráter de estranho possa ser sempre atrativo para aficionados em relatos de viagens, por exemplo). E, ademais, a palavra muziki passa longe de ser neutra, uma vez que designa os camponeses russos do fim do séc. XIX aproximadamente 40 anos após a abolição da servidão. Em que pese esse período coincidir com a infância de Dostoïevski, não podemos assinalá-la como bom sinônimo de krest’jane. Na verdade quem não lê a novela obviamente não pode entender o sentido do título Muziki: a estória da decadência inelutável duma família camponesa e de toda uma vila, em meio a uma sociedade que não libertou os camponeses senão para abandoná-los a eles mesmos, figuras ontologicamente irresponsáveis pela própria existência. Sendo assim, Muziki aqui é um misto de termo carregado de compaixão com leve depreciação ou crítica nuançada. Agora, em nosso tempo, essa palavra, ainda empregada, se tornou muito mais – abertamente – pejorativa. Quanto à melhor sugestão de tradução, seria Paysans, sem artigo, preferível a Les Paysans, que vem a ser a escolha mais freqüente.”

a neutralidade estilística está para o texto como o silêncio está para a peça musical e o plano de fundo para a pintura.”

* * *

L’autre forme de l’interprétation de conférence est l’interprétation simultanée, introduite dans la pratique professionnelle à partir du procès de Nuremberg: l’interprète est isolé dans une cabine vitrée qui lui permet de voir les participants. Il reçoit le son grâce à des écouteurs et traduit ainsi dans un micro les propos entendus, non pas simultanément, mais avec un léger décalage dont la durée varie en fonction de la nature du discours. C’est à Marianne Lederer (op. cit.), ancienne directrice de l’EST, que la traductologie doit l’ouvrage majeur sur l’interprétation simultanée: La traduction simultanée, expérience et théorie, paru en 1981. Les recherches de Seleskovitch se poursuivent par toute una série d’articles qui élargissent peu à peu le champ de son étude de l’interprétation à la traduction en général. Le texte qui suit retrace le cheminement de son analyse et ses notions clés”

Trechos de Colette Laplace, Théorie du langage et théorie de la traduction

on pense mieux en parlant qu’au stade de la pensée non formulée. Toute parole est donc en même temps expression de la pensée et génératrice de pensée.” Selesk.

Selon l’interprète, la langue signale par le pluriel même auquel elle se prête (les langues), qu’elle a un caractère instrumental” “L’impression retirée de la lecture de L’interprète dans les conférences internationales se trouve immédiatement confirmée: en 20 ans de recherche, Seleskovitch ne s’est jamais lancée dans une étude analytique de la langue, elle s’est toujours tenue volontairement à l’écart des grands courants de la linguistique contemporaine, distributionnalisme bloomfieldien, strucuturalisme saussurien, glossématique de Hjelmslev, fonctionnalisme d’un Jakobson ou d’un Martinet, etc.” “Quel musicologue se contenterait d’étudier le bois dont est fait un stradivarius pour s’expliquer une musique? Ainsi les recherches d’un Chomsky sur la structure profonde ne sauraient trouver grâce à ses yeux, car elles ne permettent pas de <sortir de la langue>.”

Les idées doivent se couler dans les catégories que leur impose la langue, mais elles ne se confondent pas plus avec ces catégories qu’elles ne se confondent avec la langue.

Toute conception de la langue de Seleskovitch est dans cette phrase et ses différentes publications fourmillent d’illustrations de cette thèse.”

O KEYHOLE PRINCIPLE DE SELESK.: “un Anglais et un Français ont certainement la même représentation mentale, le même concept, d’un trou de serrure [buraco de fechadura, ‘lock-hole’], pourtant l’un utilise le terme <trou de serrure> et l’autre celui de <keyhole> (trou pour la clef).”

L’anglais dit outlet, le français dit prise (de courant)” Uma queima de estoque ligada no 220V!

a língua não diz, ela permite dizer”

Le vouloir-dire est la cause du discours, le sens en est la finalité.”

Dans les conférences internationales, les orateurs se succèdent, abordant des sujets politiques, écnonomiques, techniques ou scientifiques, que leurs auditeurs, délégués de même langue ou interprètes, sont supposés comprendre à la vitesse du débit oral, sans jamais disposer de la possibilité d’opérer un retour en arrière, alors que le lecteur a, lui, toujours loisir de le faire. C’est donc la situation idéale pour observer le jeu des mécanismes de compréhension, sans que rien ne le fausse.”

Il est certes plus difficile de dégager le sens d’un poème d’Hölderlin ou de René Char que d’un discours de Margaret Thatcher, et le travail d’exégèse n’est sans doute pas encore achevé mais il n’en reste pas moins que ce sens a une entité objective.”

The chickens are ready to eat! est ambiguë car nul ne peut opter à partir de la seule signification de la phrase: Les poulets sont cuits à point ou plutôt pour on peut maintenant donner à manger aux poulets.”

Nul besoin d’aller chercher des mots comme Gemüt et Schadenfreude pour affirmer que certains mots sont intraduisibles.”

on conserve le mot étranger come on l’a fait pour l’isba des romans russes ou pour le software des ensembles électroniques ou bien l’on crée un mot nouveau comme on l’a fait pour cybernétique, ou une acception nouvelle comme satellite qui a vite perdu son épithète d’artificiel.”

Bread pour l’Américain c’est une matière spongieuse, coupée en tranches et enveloppée de cellophane; pour le Français, le pain c’est une longue baguette croustillante et dorée” “nous serions tentée de demander si le soleil est bien la même chose pour un esquimo qui, pendant une partie de l’année seulement voit un astre pâle décrire une courbe molle au-dessus de l’horizon en difusant de la lumière 24 heures sur 24 et pour un Africain, qui identifie le soleil à une pluie de feu qui tombe du ciel et contre laquelle il convient de se protéger.”

«Ainsi les chiffres qui sont traduisibles par excellence puisqu’il y a une parfaite correspondance entre le référent et les signifiés des différentes langues, peuvent dans certaines circonstances devenir contextuels. Seleskovitch cite l’exemple des <15 jours> en français qui se traduisent par <14 Tage> en allemand. On pourrait également citer la signification attachée au chiffre 13 dans certains pays occidentaux (signification de malheur) qui se traduirait dans certains pays asiatiques par le chiffre 4.»

«Pour nous en convaincre, il suffit d’ouvrir le dictionnaire bilingue au hasard. Voici ce que propose le dictionnaire bilingue français-allemand de Sachs et Villatte: Kern: noyau, pépin, amande, coeur, puis des expressions diverses telles que der Kern der Sache: le vif do sujet; des Pudels Kern: le fin mot de l’affaire. Nous constatons que le terme allemand a un champ sémantique très large, plus large serait-on tenté de dire que celui de ces correspondants français. Mais est-ce bien vrai? Vérifions maintenant les équivalents proposés pour l’un des termes français. Coeur: Herz, Gefühl, Gemüt, Mut, etc. et d’innonbrables expressions: par coeur: auswendig; loin des yeux, loin du coeur: aus den Augen aus dem Sinn; faire à contre coeur: widerwillig machen; coeur d’un arbre: Kern, etc. Nous constatons que le champ sémantique du terme français est lui aussi très vaste, mais qu’il n’est nullement superposable au champ sémantique du terme allemand.»

Can you give me a lift? : Tu es en voiture? / Tu peux me déposer quelque part? / Vous êtes motorisé?

Trechos de Philippe Forget, Il faut bien traduire

«ces représentantes du vouloir-dire, de la parole vivante, de la conscience maîtresse du sens sont ici en train de pratiquer le spiritisme: elles convoquent le sens, donc l‘esprit, le font apparaître en dehors de sa forme matérielle pour, identifique à lui-même (insensible aux contextes, donc) le rematérialiser ensuite!»

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ELEMENTOS CULTURAIS, CONOTAÇÃO, ESTILÍSTICA

Trechos de Ladmiral (op. cit.)

«D’un point de vue historique, le concept de connotation a été remis à l’honneur par la linguistique américaine, dans le sillage de Bloomfield, avant d’être repris ensuite et thématisé surtout par les linguistes européens (cf. Mounin, 1963). Au-delà de l’héritage bloomfieldien, c’est donc essentiellement à l’apport de linguistes européens comme Martinet, Mounin, Guiraud, Lyons, Hjelmslev, voire Barthes… que nous serons conduit à faire réferérence.»

«On trouve le mot déjà chez Littré, qui consacre à la notion 3 entrées dans son dictionnaire – où connotation est définie comme ‘l’idée particulière que comporte un terme abstrait à côté du sens général’, où connoter signifie ‘faire une connotation, c’est-à-dire, indiquer, en même temps que l’idée principale, une idée secondaire qui s’y rattache’, et où connotatif a aussi une adresse qui luit est propre.»

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O CROATA APRESENTA INCRÍVEIS PARALELOS COM O PORTUGUÊS!

«C’est ici que se situe la grande majorité des cas. Notons que ces termes relèvent souvent de sphères où le français faisait jadis figure de langue de communication internationale: les lettres et les arts: esej, rezime, portret, revija, feljton, vodvilj, gvas; la politique: portfelj, revans, alijansa; les sciences et techniques: emalj, rezervoar, freza; la médecine: celulit; les finances: financije, akreditirati, garancija; l’art militaire: kampanja, bajuneta; la mode: dekolte, drapirati; l’art culinaire: blansirati, rulada, desert, fondan, frikase, et puis le savoureux frape, qu’en bon français nous préférons appeler milk-shake.

(…) interpolacija [interpolação] (…) bizuterija – désignant uniquement les bijoux de pacotille; frizura – la coiffure en général [cabelo frisado]; bombonijera – désignant une boîte de bonbons ou bien une confiserie [confeito]); soit avec una acception très pointue du mot source (apartman – qui le plus souvent désigne un logement locatif dans un lieu de villégiature); soit, et c’est beaucoup plus rare, avec une notion plus large que dans la langue d’origine (goblen, à partir de Gobelins, aboutit à l’idée de tapisserie en général).»

«avantura, butik, degutantan, dekadansa, impozantan»

TRADUZIR POESIA

Trechos de Inês Oseki-Dépré, Théories et pratiques de la traduction littéraire

«‘La Traduction-Allusion se propose seulement d’ébranler l’imagination du lecteur qui n’aura qu’à achever l’esquisse.’ Ainsi, selon Etkind, ‘n’est-il pas rare de voir les traducteurs ne faire rimer que les 4 ou les 8 premiers vers comme dans l’original, comme pour orienter l’esprit du lecteur dans la bonne direction’»

«recréer un poème dans son indivisible unité, dans sa totalité est un miracle qui ne serait accessible qu’à un poète.»

O que aconteceria se se esperasse de uma tradução poética que atendesse à lei formal das traduções, que é serem mais longas que o original?

« les Allemands et les Russes ont admirablement traduit dans leurs langues Homère, Eschyle, Sapho, Alcée, Virgile, Catulle, Horace, Juvénal. Il y a, entre la versification russe, tonique, et la versification polonaise, syllabique, une différence de principe fondamentale: elle n’a pas empêché Julian Tuwim de faire une excellente tradution d’Eugéne Onéguine de Pouchkine, ni Severin Pollack de recréer, de manière trèssatisfaisante, la poésie d’Anna Akmatova, de Maldelstam, de Tsvetaieva, de Pasternak.

De leur côté, la différence entre le système syllabique et le système tonique n’a pas empêché les poètes russes de traduire André Chénier, Évariste Parny (Pouchhine[?]), Auguste Barbier (Benediktov, Antokolski), Baudelaire, Verlaine, Rimbaud. »

«Le vers classique croule sous le poids des connotations livresques: impossible d’écrire une ligne, et encore moins une phrase, sans qu’aussitôt se présentent à l’esprit de longues séries de réminiscences scolaires, de citations et de commentaires transmis de génération en génération. Cet héritage s’est accumulé pendant plus de 4 siècles: on est fatigué par tant de liens culturels, la réalité vivante en est occultée. Libérer la vie des alluvions culturelles qui la recouvrent, telle est l’aspiration essentielle du vers libre. Paul Valéry, qui y avait tenu sa part, évoque ce refus total de l’ancienne tradition classique à partir des années 1890.»

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INDICATIONS BIBLIOGRAPHIQUES

BALLARD, Michel. Qu’est-ce que la traductologie?, 2006.

BENJAMIN, Walter. La tâche du traducteur in: Oeuvres I.

ECO, Umberto. Dire presque la même chose.

LADMIRAL, Théorèmes pour la traduction.

TYTLER, op. cit.

CHINA’S IMAGE IN GREECE 2008-2018 – Plamen Tonchev (ed.)

Beijing authorities themselves are eager to receive feedback on the way China is viewed by European societies and the China-CEE Institute has recently commissioned several studies on perceptions of the China-led 16+1 platform in Central and Eastern Europe (CEE). In this sense, the report produced by the Institute of International Economic Relations (IIER) aims to provide much-needed insight into the underlying reasons behind China’s image in Greece.”

The period of time covered by the report spans from 2008 to 2018, the rationale behind this being that China’s presence in Greece became very visible with the concession agreement for the port of Piraeus signed by the Greek government and the Chinese shipping giant COSCO in 2008.”

A consistent pattern recorded by most of the surveys reviewed is that, in general, Greeks have a positive view of China, and it is more favourable than perceptions of China in other European and western countries. (…) At the same time, Greeks do not think highly of China’s political system, which does not qualify as a democracy in their eyes. Nor do they envy life and work in China, and find Chinese commodities of inferior quality to that of western goods.”

While China’s growing prowess is seen by Greeks as bad news for Europe, it is perceived as good news for Greece, as if Greece were not in Europe;

While the vast majority of Greeks are adamantly opposed to globalisation, many Greeks expect China, the par excellence beneficiary of globalisation, to help the Greek economy stand on its feet again.”

1. Perceptions of China in Greece

in 2013 more than half the Greeks polled (57%) believed that China was bound to replace or had already replaced the US as the leading world power. A BBC survey released in July 2017 showed that perceptions of China’s influence were predominantly negative within the EU. Greece was the only European country in that specific sample leaning positively in its views of China’s influence, with a plurality of 37% offering a positive opinion (versus 25% who had a negative attitude). Aptly put, China’s power is admired by many, but is also feared. This does not seem to apply to Greece.”

In April 2017, the Greek research agency DiaNEOsis asked Greeks about their preferred political system and only 2.4% of respondents approved of China’s form of government, the most popular model being Sweden, at 57.8%.” “Notably, more than 20% of those interviewed gave an inaccurate answer [será?] to the question about China’s political system, by replying it was a ‘parliamentary democracy’ or a ‘federal republic’.”

2. China’s image in selected Greek media

In line with international coverage, Greek media duly reported the 2010 Nobel Peace Prize, awarded to the imprisoned Chinese dissident Liu Xiaobo. The Greek public is informed about serious issues with capital punishment in China [but not in US!], the demographic and economic side effects of China’s former one-child policy, grave environmental challenges in the country, opacity and corruption, work safety, etc.”

E O SALÁRIO, Ó… “Tellingly, the phrase ‘Chinese salaries’ is short-hand for low-living standards and is commonly used as a simile referring to shrinking income in Greece. Thus, a 2011 article reviewed by the IIER team is titled ‘Greece following China’s labour standards’, but in fact the text itself only refers to China once. Rather, the article is a lament about the high unemployment rate in Greece and the shrinking salaries of those lucky enough to have a job.”

AH, A MANIA DOS CAPESIANOS INTERNACIONALISTAS (MoUmania)! “A large number of related news items report meetings, and are accompanied by numerous photos of Greek and Chinese officials smiling and shaking hands. Many articles are merely lists of intergovernmental agreements and memoranda of understanding (MoUs) notably, 19 agreements and MoUs were signed by Greek and Chinese partners during prime-minister Li Keqiang’s visit to Athens in June 2014 alone.”

It is important to keep in mind that since 2008 Greece has had 5 general elections, four different governments and two caretaker prime-ministers. Media coverage of China has obviously been influenced by the fickle political setting. The media tend to change their attitude towards China, depending on political affiliation or which side of the aisle they are closer to.”

Similarly, while a large majority of Greek citizens do not think highly of China’s democracy and respect for human rights, the Greek government blocked the 2017 statement of the EU on the state of human rights in China.¹ In June 2018, the Greek PM Alexis Tsipras stated that Greece was willing to join the 16+1 platform as a full member a week later at the Sofia summit of the club, despite the irritation that this causes in EU institutions and some EU member states.² This stance of Athens is qualified by some western onlookers as a ‘Trojan horse’ behaviour, dictated by China in return for investment in the cash-strapped Greek economy. This only comes to confirm the image of a strategic ally of Greece that China projects on numerous occasions, including at the highest possible level.

¹ The EU was due to make its statement at the UN Human Rights Council in Geneva. A spokesman for the Greek Foreign Ministry in Athens reportedly called such a statement ‘unproductive criticism’.

² In the end, Greece retained its observer status, together with Austria, Switzerland and Belarus.”

There are no indications that Beijing pursues to wield influence by directly controlling Greek media, unlike what is often discussed in other parts of the world (e.g. Australia or Europe). At present, there are no Chinese-controlled media outlets to orchestrate a pro-Beijing public diplomacy campaign in Greece and there are no regular China-sponsored supplements in Greek newspapers. By contrast, China Watch, the European version of China Daily, is regularly supplemented in Le Soir and De Standaard (Belgium), Le Figaro (France), Handelsblatt (Germany), El País (Spain) and The Daily Telegraph (United Kingdom).”

3. Beneath the surface

MODERNITY IN A NUTSHELL (FROM THE CRADLE OF OUR OWN CIVILIZATION): “Indeed, what has been happening in the Greek psyche since 2010 is nothing short of a collective trauma: a chorus of anxiety, humiliation and frustration, coupled with a profound sense of insecurity in a rapidly changing world.”

E PENSAR QUE UM BRASILEIRO MINIMAMENTE ATENTO TEM PROFUNDA INVEJA DO CENÁRIO GREGO: “Despondent about the economy, largely pessimistic about the country’s prospects and worried about their children’s future, Greeks tend to see very few friends, if any. The majority of Greek people find, rightly or wrongly, that the country is heading in the wrong direction. It is only recently that the economic mood has brightened a little bit, though optimism about the trajectory of the economy has yet to return and, in general, Greeks remain downbeat about the prospects of the country.

In the spring of 2014, Greece was the least satisfied nation, at a striking 5%, among the 10 advanced economies covered by the Pew Research Center, but also among all the 43 countries included in the sample on a global scale.”

At about the same time, almost every Greek (98%) referred to joblessness as the single biggest issue in the country this is only to be expected, given that the official unemployment rate in the country peaked at 27.6% in May 2013.” A Grécia de ontem é o Brasil de amanhõje.

The average disposable income in Greece has shrunk by an estimated 25% to 30% since 2010 and prices matter a lot. Thus, cheap Chinese commodities are popular in Greece only because in the midst of the ongoing economic crisis many households do not have the wherewhithal to make ends meet.”

Losing more than a quarter of its national wealth and living standards, branded the ‘black sheep’ of the Eurozone for about a decade, facing the spectre of Grexit for several years, being next to an increasingly unpredictable and belligerent Turkey, and overrun by migrant flows since 2015, Greece is feeling lonely and abandoned by its European partners.”

Another Pew Research Center survey in June 2017 established that 36% of Greeks wanted to leave the EU and 58% were in favour of a national referendum on EU membership. According to a July 2017 BBC World Service survey, while views of the EU’s influence were mainly positive in all the European countries polled as well as in Canada, the US and Australia, Greek respondents indicated a 35% positive and 36% negative attitude. Notably, Greeks are particularly bitter in their attitude towards Germany, the biggest EU member state and economy. All the above countries demonstrated favourable views of Germany’s influence, however very negative results were recorded in Greece: 29% positive vs 50% negative.”

In fact, Greece’s case seems to confirm a broader trend: It has been pointed out that, as China perceived the EU to be failing at appropriately addressing the crisis, it realised that it could play a more central role in global governance68 and, in particular, in Europe itself. Greece being the ‘weak link’ of the Eurozone and, at the same time, at the crossroads between Europe, Asia and Africa, Beijing strategists quite understandably chose the country as an entry point in in the region.”

Thus, the Olympic Games in 2004 and 2008 were held in Athens and Beijing, respectively, which provided many opportunities for the exchange of visits and related expertise. The period from September 2007 to September 2008 was declared the ‘Cultural Year of Greece in China’.”

It should be noted that, in Greece, BRI is more often referred to as the ‘New Silk Road’. It may be that the official name, ‘Belt and Road Initiative’, does not translate into Greek nicely. More importantly, it may also be that the notion of the ‘Silk Road’ is associated with Alexander the Great’s expedition into Central and South Asia in the 4th century BC, as well as with the Byzantine empire in the Middle Ages. To a certain degree, this also contributes to the imagery of Sino-Greek cooperation on the basis of what is misconstrued as long-standing historical and cultural ties.”

An expression often used with reference to the ever-closer Sino-Greek relations is one attributed to the famous writer Nikos Kazantzakis, known worldwide for his novel Zorba the Greek. Being an admirer of eastern civilisations, including China’s, Kazantzakis once wrote ‘If you scratch a Chinese, you’ll find a Greek underneath and if you scratch a Greek, you’ll find a Chinese underneath’.73 This catchphrase is rapidly becoming a Leitmotif or a hackneyed figure of speech at official events dedicated to relations between the two countries. The previous ambassador of the People’s Republic of China (PRC) to Greece is on record using this expression at least twice: on 20 August 2015, at an event on the Belt and Road Initiative and, once again, in his speech during the official signing ceremony of the 2nd deal between the Greek government and COSCO on 9 April 2016. As of July 2018, a quick Google search for this quote would yield more than 20 web entries in Greek (interestingly, not in English or any other languages) and their number is likely to increase over time.”

Therefore, this sense of kinship between Greece and China may well be fictitious, after all. The facile assumption that the two countries are “relatives’ appears to reflect a self-aggrandising attitude on the part of Greeks rather than an informed view and awareness of the ancient Chinese civilisation. The perception of China as a long-lost first cousin is redolent of a fuzzy collective fiction, but then fiction is not expected to be accurate in the first place.”

With regard to the US, Greeks have traditionally been among the least sympathetic Europeans and there is a time-honoured practice of anti-American rallies in the country. In that sense, China clearly has an advantage over western powers.”

What certainly is a very interesting case in such a comparative approach is Greece’s psychological bond to Russia, which is much more deep-rooted and lasting than the ‘cultural kinship’ with China. The historical depth of Greece’s traditionally strong ties to Russia does not compare to that of the recent Sino-Greek romance.”

In June 2017, Greeks clearly preferred Russian president Vladimir Putin (50%) over western leaders Donald Trump (19%) and Angela Merkel (16%) as well as over Chinese president Xi Jinping (17%). When asked to compare the US, Russia and China, Greeks favoured Russia (64%) over China (50%) and the US (43%).”

AMERICAN NERVOUSNESS: ITS CAUSES AND CONSEQUENCES (A supplement to “Nervous exhaustion: Neurasthenia”) – George Beard, 1881.

-Um glamouroso retrato da decadência ocidental, embora ingenuamente otimista quanto a ele e de um ultimado chauvinismo ianque!-

Nervousness is strictly deficiency or lack of nerve-force. This condition, together with all the symptoms of diseases that are evolved from it, has developed mainly within the 19th century, and is especially frequent and severe in the Northern and Eastern portions of the United States. Nervousness, in the sense here used, is to be distinguished rigidly and systematically from simple excess of emotion and from organic disease.”

The sign and type of functional nervous diseases that are evolved out of this general nerve sensitiveness is neurasthenia (nervous exhaustion), which is in close and constant relation with such functional nerve maladies as certain physical forms of hysteria, hay-fever [rinite alérgica], sick-headache, inebriety, and some phases of insanity; is, indeed, a branch whence at early or later stages of growth these diseases may take their origin.”

The greater prevalence of nervousness in America is a complex resultant of a number of influences, the chief of which are dryness of the air, extremes of heat and cold, civil and religious liberty, and the great mental activity made necessary and possible in a new and productive country under such climatic conditions.

A new crop of diseases has sprung up in America, of which Great Britain until lately knew nothing, or but little. A class of functional diseases of the nervous system, now beginning to be known everywhere in civilization, seem to have first taken root under an American sky, whence their seed is being distributed.

All this is modern, and originally American; and no age, no country, and no form of civilization, not Greece, nor Rome, nor Spain, nor the Netherlands, in the days of their glory, possessed such maladies.” Not in their glories, that is.

to solve it in all its interlacings, to unfold its marvellous phenomena and trace them back to their sources and forward to their future developments, is to solve the problem of sociology itself.” [!!!]

Among the signs of American nervousness specially worthy of attention are the following: The nervous diathesis [degenerescência genética, i.e., uma suposta maior vulnerabilidade a doenças dos nervos decorrente da debilidade dos progenitores]; susceptibility to stimulants and narcotics and various drugs, and consequent necessity of temperance¹ [e ainda chama essa abordagem de sociológica sem levar em conta o fator cultural?]; increase of the nervous diseases inebriety [alcoolismo ou uma ligeira variação deste – suscetibilidade exagerada –, que o autor diferenciará no segundo capítulo] and neurasthenia (nervous exhaustion), hay-fever, neuralgia [dor crônica nas terminações nervosas], nervous dyspepsia [indigestão], asthenopia [fadiga ocular e dores de cabeça derivadas] and allied diseases and symptoms [bem específico…]; early and rapid decay of teeth [já fez seu Amil Dental?]; premature baldness; sensitiveness to cold and heat; increase of diseases not exclusively nervous, as diabetes and certain forms of Bright’s disease of the kidneys and chronic catarrhs; unprecedented beauty of American women; frequency of trance and muscle-reading [a tênue linha entre a paranormalidade e simples efeitos de indução eletromagnética]; the strain of dentition, puberty, and change of life; American oratory, humor [haha!], speech, and language; change in type of disease during the past half-century, and the greater intensity of animal life on this continent. [???]

¹ Ah, obviamente Sêneca e Epicuro concordariam contigo!

longevity has increased, and in all ages brain-workers have, on the average, been long-lived, the very greatest geniuses being the longest-lived of all.” “the law of the relation of age to work, by which it is shown that original brain-work is done mostly in youth and early and middle life, the latter decades being reserved for work requiring simply experience and routine.” Pequena confusão entre decaimento fisiológico e e incorporação da experiência como forma de reduzir o esforço mental!

Poetas românticos não usavam a cabeça? Pois sua efemeridade é mais-que-popular…

in all our cyclopedias of medicine, the terms hysteria, somnambulism, ecstasy, catalepsy, mimicry of disease, spinal congestion, incipient ataxy, epilepsy, spasms and congestions, anemias and hyperemias, alcoholism, spinal irritation, spinal exhaustion, cerebral paresis, cerebral exhaustion and irritation, nervousness and imagination [!] are thrown together recklessly, confusedly, hopelessly as in a witches cauldron; and in all, and through all, one shall look vainly—save here and there, for an intelligent and differential description of neurasthenia, the most frequent, the most important, the most interesting nervous disease of our time, or of any time

still our medical graduates, after years spent in listening to lectures, must wait for their diploma before they are even ready to begin the study of this side of the nervous system. Meantime the literature of ataxia [desarranjo da coordenação motora], which is but an atom compared with the world of functional nervous diseases, has risen and is yet rising with infinite repetitions and revolutions to volumes and volumes.”

So far as I know, there has been no hostile criticism of this philosophy in Germany, but in England, even now, these views are not unanimously sustained.” Nazistas retesados.

1. NATURE AND DEFINITION OF NERVOUSNESS

Trance, with its numerous, interesting and intricate phenomena, a condition that has been known in all ages, and among almost all people, is not nervousness, albeit nervous people are sometimes subject to it. See my work on Trance [não muito interessado, mas obrigado assim mesmo!], in which this distinction between physiology and psychology is discussed more fully and variously illustrated.” “This interesting survival of the Middle Ages that we have right here with us today, is the most forcible single illustration that I know of, of the distinction between unbalanced mental organization and nervousness. These Jumpers are precious curiosities, relics or antiques that the 14th century has, as it were, dropped right into the middle of the 19th. The phenomena of the Jumpers are as interesting, scientifically, as any phenomena can be, but they aren’t contributions to American nervousness.

Brainlessness (excess of emotion over intellect) is, indeed, to nervousness, what idiocy is to insanity”

Nervousness is not passionateness. A person who easily gets excited or angry, is often called nervous. One of the signs, and in some cases, one of the first signs of real nervousness, is mental irritability, a disposition to become fretted over trifles; but in a majority of instances, passionate persons are healthy—their exhibitions of anger are the expression of normal emotions, and not in any sense evidences of disease, although they may be made worse by disease, either functional or organic. Nervousness is nervelessness—a lack of nerve-force.” “In medical science we are forced to retain terminology that is in the last degree unscientific, for the same reason that we retain our orthography, which in the English language is, as all know, very bad indeed.” <Febre da grama> realmente não é muito literal!

fear of lightning, or fear of responsibility, of open places or of closed places, fear of society, fear of being alone, fear of fears, fear of contamination, fear of everything, deficient mental control, lack of decision in trifling matters, hopelessness, deficient thirst and capacity for assimilating fluids, abnormalities of the secretions, salivation, tenderness of the spine, and of the whole body, sensitiveness to cold or hot water, sensitiveness to changes in the weather, coccyodynia, pains in the back, heaviness of the loins and limbs, shooting pains simulating those of ataxia, cold hands and feet, pain in the feet, localized peripheral numbness and hypersesthesia, tremulous and variable pulse and palpitation of the heart, special idiosyncrasies in regard to food, medicines, and external irritants, local spasms of muscles, difficulty of swallowing, convulsive movements, especially on going to sleep, cramps [cãibras ou cólicas], a feeling of profound exhaustion unaccompanied by positive pain, coming and going, ticklishness [hiperdelicadeza ou sensibilidade; em sentido mais estrito, facilidade para sentir comichão ou cócegas], vague pains and flying neuralgias, general or local itching, general and local chills and flashes of heat [calafrios e ondas de calor esporádicos], attacks of temporary paralysis, pain in the perineum, involuntary emissions, partial or complete impotence, irritability of the prostatic urethra, certain functional diseases of women [vague!], excessive gaping and yawning [bocejar exagerado], rapid decay and irregularities of the teeth, oxalates, urates, phosphates and spermatozoa in the urine, vertigo or dizziness, explosions in the brain at the back of the neck [?!], dribbling and incontinence of urine [incontinência urinária e seu reverso, alternados], frequent urination, choreic movements of different parts of the body, trembling of the muscles or portions of the muscles in different parts of the body, exhaustion after defecation and urination, dryness of the hair, falling away of the hair and beard, slow reaction of the skin, etc. Dr. Neisser, of Breslau, while translating my work on Nervous Exhaustion into German, wrote me that the list of symptoms was not exhaustive. This criticism is at once accepted, and was long ago anticipated. An absolutely exhaustive catalogue of the manifestations of the nervously exhausted state cannot be prepared, since every case differs somewhat from every other case.”

There are millionnaires of nerve-force—those who never know what it is to be tired out, or feel that their energies are expended, who can write, preach, or work with their hands many hours, without ever becoming fatigued, who do not know by personal experience what the term <exhaustion> means; and there are those—and their numbers are increasing daily—who, without being absolutely sick, without being, perhaps for a lifetime, ever confined to the bed a day with acute disorder, are yet very poor in nerve-force; their inheritance is small, and they have been able to increase it but slightly, if at all; and if from overtoil, or sorrow, or injury, they overdraw their little surplus, they may find that it will require months or perhaps years to make up the deficiency, if, indeed they ever accomplish the task. The man with a small income is really rich, as long as there is no overdraft on the account; so the nervous man may be really well and in fair working order as long as he does not draw on his limited store of nerve-force. But a slight mental disturbance, unwonted toil or exposure, anything out of and beyond his usual routine, even a sleepless night, may sweep away that narrow margin, and leave him in nervous bankruptcy, from which he finds it as hard to rise as from financial bankruptcy.”

Hence we see that neurasthenics who can pursue without any special difficulty the callings of their lives, even those callings requiring great and prolonged activity, amid perhaps very considerable excitement, as that of statesmanship, politics, business, commercial life, or in overworked professions, are prostrated at once when they are called upon to do something outside of their line, where their force must travel by paths that have never been opened and in which the obstructions are numerous and can only be overcome by greater energy than they can supply.” The purpose of treatment in cases of nervous exhaustion is of a two-fold character— to widen the margin of nerve-force, and to teach the patient how to keep from slipping over the edge.”

Our title is justified by this, that if once we understand the causes and consequences of American nervousness, the problems connected with the nervousness of other lands speedily solve themselves.” The philosophy of Germany has penetrated to all civilized nations; in all directions we are becoming Germanized. Similarly, the nervousness of America is extending over Europe, which, in certain countries, at least, is becoming rapidly Americanized. Just as it is impossible to treat of German thought without intelligent reference to the thought of other nationalities, ancient or modern, so is it impossible to solve the problem of American nervousness without taking into our estimate the nervousness of other lands and ages. [Acaba de contradizer o grifado em verde!]”

O REVERSO DA MEDALHA

Indeed, nervousness, in its extreme manifestations, seems to save one from these organic incurable diseases of the brain and of the cord; with some exceptions here and there, the neurasthenic does not go into or die of nervous disease.” They may become insane—some of them do; they may become bed-confined invalids; they may be forced, as they often are, to resign their occupations, but they do not, as rule, develop the structural maladies to which here refer.” nervousness is a physical not a mental state, and its phenomena do not come from emotional excess or excitability or from organic disease but from nervous debility and irritability.”

2. SIGNS OF AMERICAN NERVOUSNESS

No one dies of spinal irritation; no one dies of cerebral irritation; no one dies of hay-fever; rarely one dies of hysteria; no one dies of general neuralgia; no one dies of sick-headache; no one dies of nervous dyspepsia; quite rarely does one die of nervous exhaustion; and even when these conditions are the cause of death they are not noted as such in the tables of mortality” Nervousness of constitution is, indeed, an aid to longevity, and in various ways; it compels caution, makes imperative the avoidance of evil habits, and early warns us of the approach of peril.” Wickedness was solemnly assigned as the cause of the increase of nervous diseases, as though wickedness were a modern discovery.” nervous diathesis—an evolution of the nervous temperament.” “It includes those temperaments, commonly designated as nervous, in whom there exists a predisposition to neuralgia, dyspepsia, chorea, sick-headache, functional paralysis, hysteria, hypochondriasis, insanity, or other of the many symptoms of disease of the central or peripheral nervous system.”

A fine organization. The fine organization is distinguished from the coarse by fine, soft hair, delicate skin, nicely chiselled features [bem-cinzelada ou esculpida – somos belos!], small bones, tapering extremities [membros pontiagudos, i.e., que se afunilam nas mãos e nos pés, na canela e no antebraço!], and frequently by a muscular system comparatively small and feeble. It is frequently associated with superior intellect, and with a strong and active emotional nature.” “It is the organization of the civilized, refined, and educated, rather than of the barbarous and low-born and untrained”

The nervous diathesis appears, within certain limits, to protect the system against attacks of fever and inflammation.” Isso explicaria porque só tive febre uma vez desde a idade adulta.

The tuberculous diathesis frequently accompanies a fine organization; but fine organizations only in a certain proportion of cases have a tuberculous diathesis. The nervous diathesis is frequently not only not susceptible to tuberculosis, but apparently much less so than the average, and sometimes, indeed, seems to be antagonistic to it, for there are many nervous patients in whom no amount of exposure or hardship or imprudence seems to be able to develop phthisis [tísica]” Devo acrescentar alguma imunidade ao câncer?

Among Americans of the higher orders, those who live in-doors, drinking is becoming a lost art; among these classes drinking customs are now historic, must be searched for, read or talked about, like extinct or dying-away species.” There is, perhaps, no single fact in sociology more instructive and far reaching than this, and this is but a fraction of the general and sweeping fact that the heightened sensitiveness of Americans forces them to abstain entirely, or to use in incredible and amusing moderation, not only the stronger alcoholic liquors, whether pure or impure, but also the milder wines, ales, and beers, and even tea and coffee.”

I replied that there were very few nervous patients who were not injured by it, and very few who would not find it out without the aid of any physician. Our fathers could smoke, our mothers could smoke, but their children must oft-times be cautious; and chewing is very rapidly going out of custom, and will soon, like snuff-taking, become a historic curiosity; while cigars give way to cigarettes. From the cradle to the grave the Chinese empire smokes, and when a sick man in China has grown so weak that he no longer asks for his pipe, they give up hope, and expect him to die. Savage tribes without number drink most of the time when not sleeping or fighting, and without suffering alcoholism, or without ever becoming inebriates [!]” But 50 years ago opium produced sleep; now the same dose keeps us awake, like coffee or tea—susceptibility to this drug has been revolutionized.” Thus the united forces of climate and civilization are pressing us back from one stimulant to another, until, like babes, we find no safe retreat save in chocolate and milk and water.”

Reprove an Angola negro for being drunk and he will reply, <My mother is dead,> as though that were excuse enough. Even as recently as the beginning of the present century, the custom of drinking at funerals yet survived with our fathers. At the present time both culture and conscience are opposed to such habits.”

It is through the alcohol, and not the adulterations, that excessive drinking injures.” This functional malady of the nervous system which we call inebriety, as distinguished from the vice or habit of drunkenness, may be said to have been born in America, has here developed sooner and far more rapidly than elsewhere, and here also has received earlier and more successful attention from men of science.” For those individuals who inherit a tendency to inebriety, the only safe course is absolute abstinence, especially in early life; and in certain cases treatment of the nervous system, on the exhaustion of which the inebriety depends.”

AQUILO QUE NENHUMA REVISTA DE NUTRIÇÃO DIRÁ: “we so often find not only epileptics, but neurasthenics and nervous persons with other symptoms, are free and sometimes excessive eaters. They say their food does not give them strength, and it does not, for the same reason that the acid poured into the impure fluid of the battery does not give us electric force. There are those who all their lives are habitually small eaters and yet are great workers, and there are those who, though all their lives great eaters, are never strong; their food is either not digested or thoroughly assimilated, and so a much smaller fraction than should be is converted into nerve-force.”

In all the great cities of the East, among the brain-working classes of our large cities everywhere, pork, in all its varieties and preparations, has taken a subordinate place among the meats upon our tables, for the reason that the stomach of the brain-worker cannot digest it.”

Four and 5 meals a day is, or has been, the English and, notably, the German custom. Foreigners have greatly surpassed us in the taking of solid as well as liquid food.”

The eyes also are good barometers of our nervous civilization. The increase of asthenopia and short-sightedness [miopia], and, in general, of the functional disorders of the eye, are demonstrated facts and are most instructive. The great skill and great number of our oculists are constant proof and suggestions of the nervousness of our age. The savage can usually see well; myopia is a measure of civilization.” “near-sightedness increases in schools” Macnamara declares that he took every opportunity of examining the eyes of Southall aborigines of Bengal, for the purpose of discovering whether near-sightedness and diseases of like character existed among them, and he asserts that he never saw a young Southall whose eyes were not perfect.”

at the age of 20, 26% of Americans are near-sighted. In Russia, 42%, and in Germany, 62%.” A nação mais intelectual do mundo.

American dentists are the best in the world, because American teeth are the worst in the world.”

Irregularities of teeth, like their decay, are the product primarily of civilization, secondarily of climate. These are rarely found among the Indians or the Chinese; and, according to Dr. Kingsley, are rare even in idiots”

It is probable that negroes are troubled earlier than Indians. The popular impression that negroes always have good teeth is erroneous—the contrast between the whiteness of the teeth and the blackness of the face tending not a little to flatter them.”

Coarse races and peoples, and coarse individuals can go with teeth badly broken down without being aware of it from any pain; whereas, in a finely organized constitution, the very slightest decay in the teeth excites pain which renders filling or extracting imperative. The coarse races and coarse individuals are less disturbed by the bites of mosquitoes, by the presence of flies or of dirt on the body, than those in whom the nervous diathesis prevails”

It is said, for example, of the negroes of the South, that they rarely if ever sneeze.”

Special explanations without number have been offered for this long-observed phenomenon—the early and rapid decay of American teeth—such as the use of sweets, the use of acids, neglect of cleanliness, and the use of food that requires little mastication. But they who urge these special facts to account for the decay of teeth of our civilization would, by proper inquiry, learn that the savages and negroes, and semi-barbarians everywhere, in many cases use sweets far more than we, and never clean their mouths, and never suffer, except in old age.”

the only races that have poor teeth are those who clean them.” Quando o remédio vem mais tarde que a doença.

Among savages in all parts of the earth baldness is unusual, except in extreme age, and gray hairs come much later than with us. So common is baldness in our large cities that what was once a deformity and exception is now almost the rule, and an element of beauty.”

Increased sensitiveness to both heat and cold is a noteworthy sign of nervousness.”

Cold bathing is not borne as well as formerly.” “Water treatment is as good for some forms of nervous disease as it ever was; but it must be adapted to the constitution of the patient, and adapted also to the peculiar needs of each case.”

The disease, state, or condition to which the term neurasthenia is applied is subdivisible, just as insanity is subdivided into general paresis or general paralysis of the insane, epileptic insanity, hysterical, climatic, and puerperal insanity; just as the disease or condition that we call trance is subdivided into clinical varieties, such as intellectual trance, induced trance, cataleptic trance, somnambulistic trance, emotional trance, ecstatic trance, etc.

That diabetes is largely if not mainly a nervous disease is becoming more and more the conviction of all medical thinkers, and that, like Bright’s disease, it has increased of late, can be proved by statistics that in this respect are in harmony with observation.”

A ERA DA RINITE E DAS ALERGIAS: “A single branch of our neurological tree, hay-fever, has in it the material for years of study; he who understands that, understands the whole problem. In the history of nervous disease I know not where to look for anything as extraordinary or instructive as the rise and growth of hay-fever in the USA.”

Catarrh of the nose and nasal pharyngeal states — so-called nasal and pharyngeal catarrh — is not a nervous disease, in the strict sense of the term, but there is often a nervous element in it; and in the marked and obstinate forms it is, like decay and irregularities of the teeth, one of the signs or one of the nerve-symptoms of impairment of nutrition and decrease of vital force which make us unable to resist change of climate and extremes of temperature.”

The phenomenal beauty of the American girl of the highest type, is a subject of the greatest interest both to the psychologist and the sociologist, since it has no precedent, in recorded history, at least; and it is very instructive in its relation to the character and the diseases of America.”

The same climatic peculiarities that make us nervous also make us handsome”

In no other country are the daughters pushed forward so rapidly, so early sent to school, so quickly admitted into society; the yoke of social observance (if it may be called such), must be borne by them much sooner than by their transatlantic sisters — long before marriage they have had much experience in conversation and in entertainment, and have served as queens in social life, and assumed many of the responsibilities and activities connected therewith. Their mental faculties in the middle range being thus drawn upon, constantly from childhood, they develop rapidly a cerebral activity both of an emotional and an intellectual nature, that speaks in the eyes and forms the countenance; thus, fineness of organization, the first element of beauty, is supplemented by expressiveness of features — which is its second element”

Handsome women are found here and there in Great Britain, and rarely in Germany; more frequently in France and in Austria, in Italy and Spain”

One cause, perhaps, of the almost universal homeliness of female faces among European works of art is the fact that the best of the masters never saw a handsome woman.” Esqueceu da relatividade histórica do tipo belo!

If Raphael had been wont to see everyday in Rome or Naples what he would now see everyday in New York, Baltimore, or Chicago, it would seem probable that, in his Sistine Madonna he would have preferred a face of, at least, moderate beauty, to the neurasthenic and anemic type that is there represented. [?]”

To the first and inevitable objection that will be made to all here said — namely, that beauty is a relative thing, the standard of which varies with age, race, and individual — the answer is found in the fact that the American type is today more adored in Europe than in America; that American girls are more in demand for foreign marriages than any other nationality; and that the professional beauties of London that stand highest are those who, in appearance and in character have come nearest the American type.” Isso se chama cultura hegemônica, e não um argumento de defesa – e um pouco de chauvinismo também…

The ruddiness or freshness, the health-suggesting and health-sustaining face of the English girl seem incomparable when partially veiled, or when a few rods away” HAHA. Uma obra não muito recomendável na parte estética… Beleza EXÓTICA!

The European woman steps with a firmer tread than the American, and with not so much lightness, pliancy, and grace. In a multitude, where both nations are represented, this difference is impressive.”

The grasp of the European woman is firmer and harder, as though on account of greater strength and firmness of muscle. In the touch of the hand of the American woman there is a nicety and tenderness that the English woman destroys by the force of the impact.”

3. CAUSES OF AMERICAN NERVOUSNESS

Punctuality is a greater thief of nervous force than is procrastination of time. We are under constant strain, mostly unconscious, often-times in sleeping as well as in waking hours, to get somewhere or do something at some definite moment.”

In Constantinople indolence is the ideal, as work is the ideal in London and New York”

There are those who prefer, or fancy they prefer, the sensations of movement and activity to the sensations of repose”

The telegraph is a cause of nervousness the potency of which is little understood. (…) prices fluctuated far less rapidly, and the fluctuations which now are transmitted instantaneously over the world were only known then by the slow communication of sailing vessels or steamships” “every cut in prices in wholesale lines in the smallest of any of the Western cities, becomes known in less than an hour all over the Union; thus competition is both diffused and intensified.”

Rhythmical, melodious, musical sounds are not only agreeable, but when not too long maintained are beneficial, and may be ranked among our therapeutical agencies.”

The experiments, inventions, and discoveries of Edison alone have made and are now making constant and exhausting draughts on the nervous forces of America and Europe, and have multiplied in very many ways, and made more complex and extensive, the tasks and agonies not only of practical men, but of professors and teachers and students everywhere” Um tanto utópico e nostálgico para um “médico pragmático”…

On the mercantile or practical side the promised discoveries and inventions of this one man have kept millions of capital and thousand of capitalists in suspense and distress on both sides of the sea.”

the commerce of the Greeks, of which classical histories talk so much, was more like play — like our summer yachting trips”

The gambler risks usually all that he has; while the stock buyer risks very much more than he has. The stock buyer usually has a certain commercial, social, and religious position, which is thrown into the risk, in all his ventures”

as the civilized man is constantly kept in check by the inhibitory power of the intellect, he appears to be far less emotional than the savage, who, as a rule, with some exceptions, acts out his feelings with comparatively little restraint.”

Love, even when gratified, is a costly emotion; when disappointed, as it is so often likely to be, it costs still more, drawing largely, in the growing years of both sexes, on the margin of nerve-force, and thus becomes the channel through which not a few are carried on to neurasthenia, hysteria, epilepsy, or insanity.”

A modern philosopher of the most liberal school states that he hates to hear one laugh aloud, regarding the habit, as he declares, a survival of barbarism.”

There are two institutions that are almost distinctively American — political elections and religious revivals”

My friend, presidents and politicians are chips and foam on the surface of the sea; they are not the sea; tossed up by the tide and left on the shore, but they are not the tide; fold your arms and go to bed, and most of the evils of this world will correct themselves, and, of those that remain, few will be modified by anything that you or I can do.”

The experiment attempted on this continent of making every man, every child, and every woman an expert in politics and theology is one of the costliest of experiments with living human beings, and has been drawing on our surplus energies with cruel extravagance for 100 years.” Agora, 250…

Protestantism, with the subdivision into sects which has sprung from it, is an element in the causation of the nervous diseases of our time. No Catholic country is very nervous, and partly for this—that in a Catholic nation the burden of religion is carried by the church.” Coitado do Brasil, trocando o certo pelo duvidoso assim…

The difference between Canadians and Americans is observed as soon as we cross the border, the Catholic church and a limited monarchy acting as antidotes to neurasthenia and allied affections. Protestant England has imitated Catholicism, in a measure, by concentrating the machinery of religion and taking away the burden from the people. It is stated —although it is supposed that this kind of statistics are unreliable— that in Italy insanity has been on the increase during these few years in which there has been civil and religious liberty in that country.”

The anxieties about the future, family, property, etc., are certainly so wearing on the negro, that some of them, without doubt, have expressed a wish to return to slavery.”

advances in science are not usually made by committees—indeed, are almost never made by them, least of all by government committees”

The people of this country have been pressed constantly with these 3 questions: How shall we keep from starving? Who is to be the next president? And where shall we go when we die? In a limited, narrow way, other nations have met these questions; at least two of them, that of starvation and that of the future life; but nowhere in ancient or modern civilization have these 3 questions been agitated so severely or brought up with such energy as here.”

Those who have acquired or have inherited wealth, are saved an important percentage of this forecasting and fore-worry”

The barbarian cares nothing for the great problems of life; seeks no solution — thinks of no solution of the mysteries of nature, and, after the manner of many reasoners in modern delusions, dismisses what he cannot at once comprehend as supernatural, and leaves it unsatisfactorily solved for himself, for others, and for all time”

Little account has been made of the fact that the old world is small geographically. The ancient Greeks knew only of Greece and the few outside barbarians who tried to destroy them. The discovery of America, like the invention of printing, prepared the way for modern nervousness; and, in connection with the telegraph, the railway, and the periodical press increased a hundred-fold the distresses of humanity.” The burning of Chicago—a city less than half a century old, on a continent whose existence was unknown a few centuries ago—becomes in a few hours the property of both hemispheres, and makes heavy drafts on the vitality not only of Boston and New York, but of London, Paris, and Vienna.”

Letter-writing is an index of nervousness; those nations who writes the most letters being the most nervous, and those who write scarcely at all, as the Turks and Russians, knowing nothing or but very little of it.”

The education of the Athenian boy consisted in play and games and songs, and repetitions of poems, and physical feats in the open air. His life was a long vacation, in which, as a rule, he rarely toiled as hard as the American lad in the intervals of his toil. (…) What they called work, gymnastics, competition games, and conversations on art and letters, is to us recreation.”

Up to a certain point work develops capacity for work; through endurance is evolved the power of greater endurance; force becomes the parent of force. But here, as in all animate nature, there are limitations of development which cannot be passed. The capacity of the nervous system for sustained work and worry has not increased in proportion to the demands for work and worry that are made upon it.”

GREEN COMMENT LAND: “Continuous and uniform cold as in Greenland, like continuous and uniform heat as on the Amazon, produces enervation and languor; but repeated alternations of the cold of Greenland and the heat of the Amazon produce energy, restlessness, and nervousness.”

The element of dryness of the air, peculiar of our climate as distinguished from that of Europe, both in Great Britain and on the Continent, is of the highest scientific and practical interest.” “On the nervous system this unusual dryness and thinness of the air have a many-sided influence; such as increase of headaches, neuralgias, and diminished capacity for sustaining cerebral toil.” The organs, pianos, and violins of America are superior to those made in Europe at the present time. This superiority is the result, not so much of greater skill, ingenuity, or experience, but—so far as I can learn, from conversing with experts in this line—from the greater dryness of the air, which causes the wood to season better than in the moist atmosphere of Europe.”

Moisture conducts electricity, and an atmosphere well charged with moisture, other conditions being the same, will tend to keep the electricity in a state of equilibrium, since it allows free and ready conduction at all times and in all directions.” In regions where the atmosphere is excessively dry, as in the Rocky Mountains, human beings—indeed all animals, become constantly acting lightning-rods, liable at any moment to be made a convenient pathway through which electricity going to or from the earth seeks an equilibrium.”

in the East our neuralgic and rheumatic patients, just before thunder-storms, are suddenly attacked by exquisite pains that at once disappear with the fair weather. There are those so sensitive that for 100 miles, and for a full day in advance, as Dr. Mitchell has shown, they can predict the approach of a storm.”

Dryness of the air, whether external or internal, likewise excites nervousness by heightening the rapidity of the processes of waste and repair in the organism, so that we live faster than in a moist atmosphere.”

one of the Manchester mill owners asserted that, during a season of dry weather, there was, in weaving alone, a loss of 5%, in quantity, and another loss of 5%, in quality; in spinning, also, an equal loss is claimed. To maintain moisture in mills, sundry devices have been tried, which have met, I believe, with partial success in practice.”

Even in our perfect Octobers, on days that are pictures of beauty and ideals of climate — just warm enough to be agreeable and stimulating enough not to be depressing, we yet remain in the house far more than Europeans are wont to do even in rainy or ugly seasons.” So what, Mr. Productive Media?

The English know nothing of summer, as we know of it — they have no days when it is dangerous, and scarcely any days when it is painful to walk or ride in the direct rays of the sun; and in winter, spring, and fall there are few hours when one cannot by proper clothing keep warm while moderately exercising.”

The Kuro Siwo stream of the Pacific, with its circuit of 18,000 miles, carries the warm water of the tropics towards the poles, and regulates in a manner the climate of Japan. Mr. Croll estimates that if the Gulf Stream were to stop, the annual temperature of London would fall 30 degrees [Farenheit], and England would become as cold as Nova Zembla. It is the influence of the Gulf Stream that causes London, that is 11° farther north than New York, to have an annual mean temperature but 2° lower.”

According to Miss Isabella Bird, who has recently published a work entitled Unbeaten Tracks in Japan, which is not only the very best work ever written on Japan, but one of the most remarkable works of travel ever written by man or woman, it seems that the Japanese suffer both from extremes of heat and cold, from deep snows and ice, and from the many weeks of sultriness such as oppress us in the US. The atmosphere of Japan is though far more moist than that of America, in that respect resembling some of the British Isles”

Our Meteorological Bureau has justified its existence and labors by demonstrating and popularizing the fact that our waves of extreme heat and of extreme cold and severe climatic perturbations of various kinds are born in or pass from the Pacific through these mountains and travel eastward, and hence their paths can be followed and their coming can be predicted with a measure of certainty.”

in the latter part of the winter and early spring—or what passes for spring, which is really a part of winter, and sometimes its worse part—there is more suffering from cold, more liability to disease, by taking cold, and more debility from long confinement in dry and overheated air than in early and mid-winter”

the strong races, like the Hebrews and Anglo-Saxons, succeed in nearly all climates, and are dominant wherever they go; but in unlimited or very extended time, race is a result of climate and environment.”

Savages may go to the most furious excesses without developing any nervous disease; they may gorge themselves, or they may go without eating for a week, they may rest in camp or they may go upon laborious campaigns, and yet never have nervous dyspepsia, sick-headache, hay-fever, or neuralgia.”

No people in the world are so careful of their diet, the quality and quantity of their food, and in regard to their habits of drinking, as the very class of Americans who suffer most from these neuroses.”

Alcohol only produces inebriety when it acts on a nervous system previously made sensitive. Alcoholism and inebriety are the products not of alcohol, but of alcohol plus a certain grade of nerve degeneration.”

But bad air, that is, air simply made impure by the presence of human beings, without any special contagion, seems powerless to produce disease of any kind, unless the system be prepared for it. Not only bad air, but bad air and filth combined, the Chinese of the lower orders endure both in this country and their own, and are not demonstrably harmed thereby (…) but impure air, plus a constitution drawn upon and weakened by civilization, is an exciting cause of nervous disease of immense force.”

The philosophy of the causation of American nervousness may be expressed in algebraic formula as follows: civilization in general + American civilization in particular (young and rapidly growing nation, with civil, religious, and social liberty) + exhausting climate (extremes of heat and cold, and dryness) + the nervous diathesis (itself a result of previously named factors) + overwork or overworry, or excessive indulgence of appetites or passions = an attack of neurasthenia or nervous exhaustion.”

Dr. Habsch, the chief oculist in Constantinople, says that the effect of tobacco upon the eyes is very problematical; that everybody smokes from morning to night, the men a great deal, the women a little less than the men, and the children smoke from the age of 7 and 8 years. He states that the number of cases of amaurosis [cegueira] is very limited. If expert oculists would examine the eyes of the Chinese, who smoke quite as much as the Turks, if not more, and smoke opium as well as tobacco, they would unquestionably confirm the conclusion of Dr. Habsch among the Turks. Dr. Habsch believes that in persons with a very delicate skin and conjunctiva [membrana mucosa que liga as pálpabras com o tecido ocular propriamente dito] among the Turks, smoking frequently causes chronic irritation, local congestion, profuse lachrymation, blepharitis ciliaris [inflamação dos cílios], and more or less intense redness of the eyelids. (cf. Dr. Webster on Amblyopia [Perda de visão] from the Use of Tobacco) [livro inexistente na web]”

The Hollanders, according to a most expert traveller, Edmondo De Amicis, are the greatest smokers of Europe; on entering a house, with the first greeting you are offered a cigar, and when you leave another is handed to you; many retire with a pipe in their mouth, re-light it if they awake during the night; they measure distances by smoke – to such a place by not so many miles but by so many pipes.” “Says one Hollander, smoke is our second breath; says another, the cigar is the 6th finger of the hand.”

Opium eating in China does not work in the way that the same habit does in the white races.” “when it is said of a Chinaman that he smokes opium, it is meant that he smokes to excess and has a morbid craving for it, just as with us the expression a man drinks means that he drinks too much”

It is clear that the habit of taking opium does not necessarily impair fertility, since large families are known among those who use opium, even to excess.”

Among my nervous patients I find very many who cannot digest vegetables, but must use them with much caution; but all China lives on vegetables, and indigestion is not a national disease. Many of the Chinese live in undrained grounds, in conditions favorable to ague and various fevers, but they do not suffer from these diseases, nor from diseases of the lungs and bronchial tubes, to the same extent as foreign residents there who do not use opium.”

I have been twice favored with the chance to study Africa in America. On the sea islands of the South, between Charleston and Savannah, there are thousands of negroes, once slaves, most of whom were born on those islands, who there will die, and who at no time have been brought into relation with our civilization, except so far as it is exhibited in a very few white inhabitants in the vicinity. Intellectually, they can be not very much in advance of their African ancestors; in looks and manners they remind me of the Zulus now exhibiting in America; for although since emancipation they have been taught by philanthropists, part of the time under governmental supervision, some of the elements of common school teaching, yet none of them have made, or are soon likely to make, any very important progress beyond those elements, and few, if any of them, even care to exercise the art of reading after it is taught them. Here, then, is a bit of barbarism at our door-steps; here, with our own eyes, and with the aid of those who live near them and employ them, I have sought for the facts of comparative neurology. There is almost no insanity among these negroes; there is no functional nervous disease or symptoms among them of any name or phase; to suggest spinal irritation, or hysteria of the physical form, or hay-fever, or nervous dyspepsia among these people is but to joke.” These primitive people can go, when required, for weeks and months sleeping but 1 or 2 hours out of the 24; they can labor for all day, or for 2 days, eating nothing or but little; hog and hominy and lish, all the year round, they can eat without getting dyspepsia; indulgence of passions several-fold greater, at least, than is the habit of the whites, either there or here, never injures them either permanently or temporarily; if you would find a virgin among them, it is said you must go to the cradle; alcohol, when they can get it, they drink with freedom, and become intoxicated like the whites, but rarely, indeed, manifest the symptoms of delirium-tremens, and never of chronic alcoholism”

These blacks cannot summon as much energy for a moment in an emergency as the whites, since they have less control over their energies, but in holding-on power, in sustained, continuous, unbroken muscular endurance, for hours and days, they surpass the whites.”

The West is where the East was a quarter of a century ago—passing more rapidly, as it would appear, through the same successive stages of development.”

4. LONGEVITY OF BRAIN-WORKERS AND THE RELATION OF AGE TO WORK

Without civilization there can be no nervousness; there is no race, no climate, no environment that can make nervousness and nervous disease possible and common save when reenforced by brain-work and worry and in-door life. This is the dark and, so far as it goes, truthful side of our theme; the brighter side is to be drawn in the present chapter.

Thomas Hughes, in his Life of Alfred the Great, makes a statement that <the world’s hardest workers and noblest benefactors have rarely been long-lived>. That any intelligent writer of the present day should make a statement so untrue shows how hard it is to destroy an old superstition.

The remark is based on the belief which has been held for centuries that the mind can be used only at the injurious expense of the body. This belief has been something more than a mere popular prejudice; it has been a professional dogma, and has inspired nearly all the writers on hygiene since medicine has been a science; and intellectual and promising youth have thereby been dissuaded from entering brain-working professions; and thus, much of the choicest genius has been lost to civilization; students in college have abandoned plans of life to which their tastes inclined, and gone to the farm or workshop; authors, scientists, and investigators in the several professions have thrown away the accumulated experience of the better half of life, and retired to pursuits as uncongenial as they were profitless. The delusion has, therefore, in 2 ways, wrought evil, specifically by depriving the world of the services of some of its best endowed natures, and generally by fostering a habit of accepting statement for demonstration.

Between 1864 and 1866 I obtained statistics on the general subject of the relation of occupation to health and longevity that convinced me of the error of the accepted teachings in regard to the effect of mental labor.”

The views I then advocated, and which I enforced by statistical evidence were:

1st. That the brain-working classes—clergymen, lawyers, physicians, merchants, scientists, and men of letters, lived much longer than the muscle-working classes.

2nd. That those who followed occupations that called both muscle and brain into exercise, were longer-lived than those who lived in occupations that were purely manual.

3rd. That the greatest and hardest brain-workers of history have lived longer on the average than brain-workers of ordinary ability and industry.

4th. That clergymen were longer-lived than any other great class of brain-workers. [QUE PRAGA!]

5th. That longevity increased very greatly with the advance of civilization; and that this increase was too marked to be explained merely by improved sanitary knowledge.

6th. That although nervous diseases increased with the increase of culture, and although the unequal and excessive excitements and anxieties attendant on mental occupations of a high civilization were so far both prejudicial to health and longevity, yet these incidental evils were more than counter-balanced by the fact that fatal inflammatory diseases have diminished in frequency and violence in proportion as nervous diseases have increased; an also that brain-work is, per se, healthful and conducive to longevity.”

the greater majority of those who die in any one of the three great professions — law, theology, and medicine — have, all their lives, from 21 upwards, followed that profession in which they died.”

I have ascertained the longevity of 500 of the greatest men in history. The list I prepared includes a large proportion of the most eminent names in all the departments of thought and activity. (…) the average age of those I have mentioned, I found to be 64.2. (…) the greatest men of the world have lived longer on the average than men of ordinary ability in the different occupations by 14 years” The value of this comparison is enforced by the consideration that longevity has increased with the progress of civilization, while the list I prepared represents every age of recorded history.” “I am sure that any chronology comprising from 100 to 500 of the most eminent personages in history, at any cycle, will furnish an average longevity of from 64 to 70 years. Madden, in his very interesting work The Infirmities of Genius, gives a list of 240 illustrious names, with their ages at death.”

IV comparative longevity of brain-workers

The full explanation of the superior longevity of the brain-working classes would require a treatise on the science of sociology, and particularly of the relation of civilization to health. The leading factors, accounting for the long life of those who live by brain-labor, are:

(…)

In the successful brain-worker worry is transferred into work; in the muscle-worker work too often degrades into worry.” “To the happy brain-worker life is a long vacation; while the muscle-worker often finds no joy in his daily toil, and very little in the intervals.”

Longevity is the daughter of comfort. Of the many elements that make up happiness, mental organization, physical health, fancy, friends, and money—the last is, for the average man, greater than any other, except the first.”

for a large number, sleep is a luxury of which they never have sufficient for real recuperation”

The nervous temperament, which usually predominates in brain-workers, is antagonistic to fatal, acute, inflammatory disease, and favorable to long life.”

Nervous people, if not too feeble, may die everyday. They do not die; they talk of death, and each day expect it, and yet they live. Many of the most annoying nervous diseases, especially of the functional, and some even of the structural varieties, do not rapidly destroy life, and are, indeed, consistent with great longevity.”

the nervous man can expose himself to malaria, to cold and dampness, with less danger of disease, and with less danger of death if he should contract disease, than his tough and hardy brother.”

In the conflict with fevers and inflammations, strength is often weakness, and weakness becomes strength—we are saved through debility.”

Still further, my studies have shown that, of distinctively nervous diseases, those which have the worst pathology and are the most hopeless, such as locomotor ataxia, progressive muscular atrophy, apoplexy with hemiplegia, and so on, are more common and more severe, and more fatal among the comparatively vigorous and strong, than among the most delicate and finely organized. Cancer, even, goes hardest with the hardy, and is most relievable in the nervous.”

Women, with all their nervousness—and in civilized lands, women are more nervous, immeasurably, than men, and suffer more from general and special nervous diseases—yet live quite as long as men, if not somewhat longer; their greater nervousness and far greater liability to functional diseases of the nervous system being compensated for by their smaller liability to certain acute and inflammatory disorders, and various organic nervous diseases, likewise, such as the general paralysis of insanity.”

Brain-workers can adapt their labor to their moods and hours and periods of greatest capacity for labor better than muscle-workers. In nearly all intellectual employments there is large liberty; literary and professional men especially, are so far masters of their time that they can select the hours and days for their most exacting and important work; and when from any cause indisposed to hard thinking, can rest and recreate, or limit themselves to mechanical details.”

Forced labor, against the grain of one’s nature, is always as expensive as it is unsatisfactory”

Even coarser natures have their moods, and the choicest spirits are governed by them; and they who worship their moods do most wisely; and those who are able to do so are the fortunate ones of the earth.”

Again, brain-workers do their best work between the ages of 25-45; before that period they are preparing to work; after that period, work, however extensive it may be, becomes largely accumulation and routine.” “It is as hard to lay a stone wall after one has been laying it 50 years as during the first year. The range of muscular growth and development is narrow, compared with the range of mental growth; the day-laborer soon reaches the maximum of his strength. The literary or scientific worker goes on from strength to strength, until what at 25 was impossible, and at 30 difficult, at 35 becomes easy, and at 40 a past-time.”

The number of illustrious names of history is by no means so great as is currently believed; for, as the visible stars of the firmament, which at a glance appear infinite in number, on careful estimate are reduced to a few thousands, so the galaxy of genius, which appears interminable on a comprehensive estimate, presents but few lights of immortal fame. Mr. Galton, in his Hereditary Genius, states that there have not been more than 400 great men in history.”

obscurity is no sure evidence of demerit, but only a probability of such”

Only in rare instances is special or general talent so allied with influence, or favor, or fortune, or energy that commands circumstances, that it can develop its full functions; <things are in the saddle and ride mankind>, environment commands the environed.”

The stars we see in the sky are but mites compared with the infinite orbs that shall never be seen; but no star is a delusion—each one means a world, the light of which very well corresponds to its size and distance from the earth and sun.” “Routine and imitation work can no more confer the fame that comes from work that is original and creative than the moon can take the place of the sun.”

It is this confounding of force with the results of force, of fame with the work by which fame is attained that causes philosophers to dispute, deny, or doubt, or to puzzle over the law of the relation of age to work, as here announced.

When the lightning flashes along the sky, we expect a discharge will soon follow, since light travels faster than sound; so some kinds of fame are more rapidly diffused than others, and are more nearly contemporaneous with their origin; but as a law, there is an interval — varying from years to hundreds of years — between the doing of any original work and the appreciation of that work by any considerable number of mankind that we call fame.

The great men that we know are old men; but they did the work that has made them great when they were young; in loneliness, in poverty, often, as well as under discouragement, and in neglected or despised youth has been achieved all that has advanced, all that is likely to advance mankind.”

In the man of genius, the idea starts where, in the man of routine, it leaves off.”

Original work—that done by geniuses who have thereby attained immortal fame, is the only kind of work that can be used as the measure of cerebral force in all our search for this law of the relation of work to the time of life at which work is done for the two-fold reason—first, that it is the highest and best measure of cerebral force; and, secondly, because it is the only kind of work that gives earthly immortality.”

Men do not long remember, nor do they earnestly reverence those who have done only what everybody can do. We never look up, unless the object at which we look is higher than ourselves; the forces that control the rise and fall of reputation are as inevitable and as remorseless as heat, light, and gravity; if a great man looms up from afar, it is because he is taller than the average man; else, he would pass below the horizon as we receded from him; factitious fame is as impossible as factitious heat, light, or gravity; if there be force, there must have been, somewhere, and at some time, a source whence that force was evolved.”

the strength of a man is his strength at his strongest point—what he can do in any one direction, at his very best. However weak and even puerile, immature, and non-expert one may be in all other directions except one, be gains an immortality of fame if, in that one direction he develops a phenomenal power; weaknesses and wickednesses, serious immoralities and waywardnesses are soon forgotten by the world, which is, indeed, blinded to all these defects in the face of the strong illumination of genius. Judged by their defects, the non-expert side of their character, moral or intellectual, men like Burns,¹ Shakespeare, Socrates, Cicero, Caesar, Napoleon, Beethoven, Mozart, Byron, Dickens, etc., are but as babes or lunatics, and far, very far below the standard of their fellows.”

¹ Poeta escocês, 1759-96.

SOBRE A PRECOCIDADE E “GASTO DA ENERGIA MENTAL”: “Men to whom these truths are repelling put their eyes on those in high positions and in the decline of life, like Disraeli or Gladstone, forgetting that we have no proof that either of these men have ever originated a new thought during the past 25 years, and that in all their contributions to letters during that time there is nothing to survive, or worthy to survive, their authors.

They point to Darwin, the occupation of whose old age has been to gather into form the thoughts and labors of his manhood and youth, and whose only immortal book was the product of his silver and golden decade.”

IV the relation of age to original work

The lives of some great men are not sufficiently defined to differentiate the period, much less the decade or the year of their greatest productive force. Such lives are either rejected, or only the time of death and the time of first becoming famous are noted; very many authors have never told the world when they thought-out or even wrote their masterpieces, and the season of publication is the only date that we can employ. These classes of facts, it will be seen, tell in favor of old rather than of young men, and will make the year of maximum production later rather than earlier, and cannot, therefore, be objected to by those who may doubt my conclusions.”

For those who have died young, and have worked in original lines up to the year of their death, the date of death has sometimes been regarded as sufficient. Great difficulty has been found in proving the dates of the labors of the great names of antiquity, and, therefore, many of them are necessarily excluded from consideration, but in an extended comparison between ancient and modern brain-workers, so far as history makes possible, there was but little or no difference.”

This second or supplementary list was analyzed in the same way as the primary list, and it was found that the law was true of these, as of those of greater distinction. The conclusion is just, scientific, and inevitable, that if we should go down through all the grades of cerebral force, we should find this law prevailing among medium and inferior natures, that the obscure, the dull, and the unaspiring accomplished the little they did in the direction of relatively original work in the brazen and golden decades.” Tenho 8 anos pela frente.

These researches were originally made as far back as 1870, and were first made public in lectures delivered by me before the Long Island Historical Society. The titles of the lectures were, Young Men in History, and the Decline of Moral Principle in Old Age.”

Finally, it should be remarked that the list has been prepared with absolute impartiality, and no name and no date has been included or omitted to prove any theory. The men who have done original or important work in advanced age, such as Dryden,¹ Radetzky,² Moltke,³ Thiers,4 De Foe,5 have all been noted, and are embraced in the average.”

¹ Poeta inglês, 1631-1700.

² Marechal, militar estrategista alemão que combateu inclusive Napoleão, vivendo ativo até uma idade avançada (1766-1858).

³ Provavelmente o Conde Adam Moltke (1710-1792), diplomata dinamarquês. Seu filho foi primeiro-ministro.

4 Marie Adolph –, político e escritor francês, 1797-1877, foi presidente eleito na França após a queda dos Bourbon.

5 Daniel Defoe viveu 71 anos e também foi ensaísta e publicou obras de não-ficção, além de seu maior sucesso.

The golden decade alone represents nearly 1/3 of the original work of the world. (…) The year of maximum productiveness is 39.”

All the athletes with whom I have conversed on this subject, the guides and lumbermen in the woods — those who have always lived solely by muscle — agree substantially to this: that their staying power is better between the ages of 35 and 45, than either before or after. To get the best soldiers, we must rob neither the cradle nor the grave; but select from those decades when the best brain-work of the world is done.”

Original work requires enthusiasm; routine work, experience.” “Unconsciously the people recognize this distinction between the work that demands enthusiasm and that which demands experience, for they prefer old doctors and lawyers, while in the clerical profession, where success depends on the ability to constantly originate and express thought, young men are the more popular, and old men, even of great ability, passed by. In the editorial profession original work is demanded, and most of the editorials of our daily press are written by young men. In the life of every old man there comes a point, sooner or later, when experience ceases to have any educating power; and when, in the language of Wall St., he becomes a bear; in the language of politics, a Bourbon.”

some of the greatest poets, painters, and sculptors, such as Dryden, Richardson, Cowper, Young, De Foe, Titian, Christopher Wren, and Michael Angelo, have done a part of their very best work in advanced life. The imagery both of Bacon and of Burke seemed to increase in richness as they grew older.

In the realm of reason, philosophic thought, invention and discovery, the exceptions are very rare. Nearly all the great systems of theology, metaphysics, and philosophy are the result of work done between 20 and 50.”

Michael Angelo and Sir Christopher Wren could wait for a quarter or even half a century before expressing their thoughts in St. Peter’s or St. Paul’s; but the time of the conception of those thoughts — long delayed in their artistic expression — was the time when their cerebral force touched its highest mark.

In the old age of literary artists, as Carlyle, Dickens, George Elliot, or Tennyson, the form may be most excellent; but from the purely scientific side the work though it may be good, is old; a repetition often-times, in a new form, of what they have said many times before.”

The philosophy of Bacon can never be written but once; to re-write it, to present it a 2nd time, in a different dress, would indicate weakness, would seem almost grotesque; but to statuary and painting we return again and again; we allow the artist to re-portray his thought, no matter how many times; we visit in succession a hundred cathedrals, all very much alike; and a delicious melody grows more pleasing with repetition; whence it is that in poetry — the queen of the arts — old age has wrought little, or not at all, since the essence of poetry is creative thought, and old age is unable to think; whence, also, in acting — the oldest of all the arts, the servant of all — the best experts are often at their best, or not far below their best, save for the acquisition of new characters, in the iron and wooden decades.”

Similarly with the art of writing—the style, the dress, the use of words, the art of expressing thoughts, and not of thinking. Men who have done their best thinking before 40 have done their best writing after that period.” it is thought, and not the language of thought, that best tests the creative faculties.”

The conversation of old men of ability, before they have passed into the stage of imbecility, is usually richer and more instructive than the conversation of the young; for in conversation we simply distribute the treasures of memory, as a store hoarded during long years of thought and experience. He who thinks as he converses is a poor companion, as he who must earn his money before he spends any is a poor man. When an aged millionnaire makes a liberal donation it costs him nothing; he but gives out of abundance that has resulted by natural accumulation from the labors of his youth and middle life.”

An amount of work not inconsiderable is done before 25 and a vast amount is done after 40; but at neither period is it usually of the original or creative sort that best measures the mental forces.” “In early youth we follow others; in old age we follow ourselves.”

The same law applies to animals. Horses live to be about 25, and are at their best from 8 to 14” “Dogs live 9 or 10 years, and are fittest for the hunt between 2 and 6.”

Children born of parents one or both of whom are between 25 and 40, are, on the average, stronger and smarter than those born of parents one or both of whom are very much younger or older than this.” “we are most productive when we are most reproductive [18-26??].”

In an interesting paper entitled When Women Grow Old, Mrs. Blake has brought facts to show that the fascinating power of the sex is often-times retained much longer than is generally assumed.

She tells us of Aspasia, who, between the ages of 30 and 50 was the strongest intellectual force in Athens; of Cleopatra, whose golden decade for power and beauty was between 30 and 40; of Livia, who was not far from 30 when she gained the heart of Octavius; of Anne of Austria, who at 38 was thought to be the most beautiful queen in Europe; of Catherine II of Russia, who, even at the silver decade was both beautiful and imposing; of Mademoiselle Mars, the actress, whose beauty increased with years, and culminated between 30 and 45; of Madame Recamier, who, between 25 and 40, and even later, was the reigning beauty in Europe; of Ninon de I’Enclos, whose own son — brought up without knowledge of his parentage — fell passionately in love with her when she was at the age of 37, and who even on her 60th birthday received an adorer young enough to be her grandson.

The voice of our great prima donnas is at its very best between 27 and 35; but still some retains, in a degree, its strength and sweetness even in the silver decade. The voice is an index of the body in all its functions, but the decay of other functions is not so readily noted.”

As a lad of 16, Lord Bacon began to think independently on great matters; at 44, published his great work on The Advancement of Learning; at 36, published 12 of his Essays; and at 60 collected the thoughts of his life in his Organum. His old age was devoted to scientific investigation.

At the age of 29, Descartes began to map out his system of philosophy, and at 41 began its publication, and at 54 he died.

Schelling, as a boy, studied philosophy, and at 24 was a brilliant and independent lecturer, and at 27 had published many important works; at 28 was professor of philosophy and arts, and wrote his best works before 50.

Dryden, one of the exceptions to the average, did his best work when comparatively old; his Absalom was written at 50, and his Alexander’s Feast when he was nearly 70.

Dean Swift wrote his Tale of a Tub at 35, and his Gulliver’s Travels at 59.”

Charles Dickens wrote Pickwick at 25, Oliver Twist and Nicholas Nickleby before 27, Christmas Chimes at 31, David Copperfield at 38, and Dombey and Son at 35. Thus we see that nearly all his greatest works were written before he was 40; and it is amazing how little all the writings of the last 20 years of his life took hold of the popular heart, in comparison with Pickwick and David Copperfield, and how little effect the most enormous advertising and the cumulative power of a great reputation really have to give a permanent popularity to writings that do not deserve it. If Dickens had died at 40 his claim to immortality would have been as great as now, and the world of letters would have been little, if any, the loser. The excessive methodical activity of his mature and advanced life could turn off works with fair rapidity; but all his vast experience and all his earnest striving failed utterly to reach the standard of his reckless boyhood. His later works were more perfect, perhaps, judged by some canons, but the genius of Pickwick was not in them.”

Edison with his 300 patents, is not the only young inventor. All inventors are young. Colt was a boy of 21 when he invented the famous weapon that bears his name; and Goodyear began his experiments in rubber while a young man of 24, and made his first success at 38, and at 43 had brought his discovery to approximate perfection.”

The name of Bichat is one of the greatest in science, and he died at 32.”

Handel at 19 was director of the opera at Hamburg; at 20 composed his first opera; at 35 was appointed manager of the Royal Theatre at London; at 25 composed Messiah and Jephtha, and in old age and blindness his intellect was clear and his power of performance remarkable.”

Luther early displayed eloquence, and at 20 began to study Aristotle;¹ at 29 was doctor of divinity, and when he would refuse it, it was said to him that <he must suffer himself to be dignified, for that God intended to bring about great things in the church by his name>; at 34 he opposed the Indulgencies, and set up his 95 propositions; at 37 he publicly burned the Pope’s bull; at 47 he had completed his great task.”

¹ Realmente é impossível derivar prazer de ler Aristóteles antes dessa idade, senão uma ainda mais avançada!

Von Moltke between 65 and 70 directed the operation of the great war of Prussia against Austria and France. But that war was but a conclusion and consummation of military study and organization that had been going on for a quarter of a century.”

Jenner at 21 began his investigation into the difference between cow-pox and small-pox. His attention was called to the subject by the remark of a country girl, who said in his hearing that she could not have the small-pox, because she had had the cow-pox.” Varíola e varíola bovina. Bom… realmente existem ovos de Colombo!

old men, like nations, can show their treasures of art long after they have begun to die; this, indeed, is one of the sweetest and most refreshing compensations for age”

A contemporary deader in science (Huxley) has asserted that it would be well if all men of science could be strangled at the age of 60, since after that age their disposition — with possible exceptions here and there — is to become reactionary and obstructionists”

Se um homem não é belo aos 20, forte aos 30, experiente aos 40 e rico aos 50, ele jamais será belo, forte, experiente ou rico neste mundo.” Lutero

Só começamos a contar nossos anos quando já não há nada mais a ser contado” Emerson

Procrastinamos nossos trabalhos literários até termos experiência e habilidade o bastante, até um dia descobrirmos que nosso talento literário era uma efervescência juvenil que finalmente perdemos.” E.

Quem em nada tem razão aos 30, nunca terá.”

Revoluções não são feitas por homens de óculos, assim como sussurros contendo verdades novas nunca são ouvidos por quem já entrou na idade da surdez” Oliver Holmes

Como pode ser que “o povo da minha rua” seja, para tantos indivíduos, a gente mais burra de toda a Terra? E, pior ainda, que todos que o dizem pareçam estar com a razão?!

Dizem que os jovens são os únicos que não escutam a voz da razão na discussão sobre a verdadeira idade da razão ser a juventude, e não a velhice. Ou eles estão errados ou eles estão errados.

It is not in ambitious human nature to be content with what we have been enabled to achieve up to the age of 40. (…) Happiness may augment with years, because of better external conditions; and yet the highest happiness is obtained through work itself more than through the reward of work”

a wise man declared that he would like to be forever 35, and another, on being asked his age, replied that it was of little account provided that it was anywhere between 25 and 40.”

$$$: “Capacity for original work age does not have, but in compensation it has almost everything else. The querulousness of age, the irritability, the avarice are the resultants partly of habit and partly of organic and functional changes in the brain. Increasing avarice is at once the tragedy and the comedy of age; as we near the end of our voyage we become more chary of our provisions, as though the ocean and not the harbor were before us.” “our intellectual ruin very often dates from the hour when we begin to save money.” A do meu pai começou quando criança.

PORQUE SIM, PORQUE EU MANDEI – POR QUE VOCÊ É ASSIM? NÃO RESPEITA SEU PAI, NÃO? POR QUE NÃO FAZ UM DOUTORADO? POR QUE NÃO COMPRA UM CARRO? “Moral courage is rare in old age; sensitiveness to criticism and fear of opposition take the place, in the iron and wooden decades, of delight in criticism and love of opposition of the brazen and golden decades” Nostalgic UnB times…

fame like wealth makes us cautious, conservative, cowardly, since it implies the possibility of loss.”

when the intellect declines the man is obliged to be virtuous. Physical health is also needed for indulgence in many of the vices”

The decline of the moral faculties in old age may be illustrated by studying the lives of the following historic characters: Demosthenes, Cicero, Sylla, Charles V, Louis XIV, Frederic of Prussia, Napoleon (prematurely old), Voltaire, Jeffries, Dr. Johnson, Cromwell, Burke, Sheridan, Pope, Newton, Ruskin, Carlyle, Dean Swift, Chateaubriand, Rousseau, Milton, Bacon, Earl Pussell, Marlborough and Daniel Webster. In some of these cases the decline was purely physiological, in others pathological; in the majority it was a combination of both.

Very few decline in all the moral faculties. One becomes peevish, another avaricious, another misanthropic, another mean and tyrannical, another exacting and ugly, another sensual, another cold and cruelly conservative, another excessively vain and ambitious, others simply lose their moral enthusiasm and their capacity for resisting disappointment and temptation.”

There are men who in extreme age preserve their teeth sound, their hair unchanged, their complexion fresh, their appetite sharp and digestion strong and sure, and their repose sweet and refreshing, and who can walk and work to a degree that makes their children and grandchildren feel very humble; but these observed exceptions in no way invalidate the general law, which no one will dispute, that the physical powers reach their maximum between 20 and 40, and that the average man at 70 is less muscular and less capable of endurance than the average man at 40.”

For age hath opportunity no less

Than youth itself, though in another dress;

And as the evening twilight fades away,

The sky is filled with stars invisible by day.”

Longfellow

To age is granted in increasing richness the treasures of memory and the delights of recognition which most usually come from those who, at the time of the deeds whose value they recognize, were infants or unborn; only those who bury their contemporaries, can obtain, during their own lifetime, the supremacy of fame.”

POR QUE CRIANÇAS PRODÍGIO SÃO A MAIOR FALSIFICAÇÃO POSSÍVEL: “Mrs. Carlyle, when congratulated on the honors given to her husband on the delivery of his Edinburgh address, replied with a certain disdain, as though he should have been honored before; but only by a reversal of the laws of the evolution of fame shall the manifestation of genius and the recognition of genius be simultaneous.”

The high praise of contemporaries is almost insulting, since it implies that he whom they honor is but little better than themselves. Permanent fame, even in this rapid age [!!], is a plant of slow growth—first the blade; then, after a time, the ear; then, after many, many years, the full corn in the ear”

MEU COPYDESK E EU DE 2015 PARA CÁ SENTIMO-NOS ASSIM: “while the higher power of creating is disappearing, the lower, but for many the more needful, and with contemporaries more quickly appreciated, power of imitation, repetition, and routine, is increasing; we can work without working, and enjoy without striving”

O TRABALHO MATA AOS POUCOS: “An investigation made more recently by a Berlin physician into the facts and data relating to human longevity shows the average age of clergymen to be 65; of merchants, 63; clerks and farmers, 61; military men, 59; lawyers, 58; artists, 57; and medical men, 56 [!]. Statistics are given showing that medical men in England stand high in the scale of longevity. Thus, the united ages of 28 physicians who died there last year, amount to 2,354 years, giving an average of more the 84 years to each [!]. The youngest of the number was 80; the oldest, 93; 2 others were 92 and 89, respectively; 3 were 87, and 4 were 86 each; and there were also more than 50 who averaged from 74 to 75 years.”

That precocity predicts short life, and is therefore a symptom greatly to be feared by parents, has, I believe, never been questioned. (…) plants that are soon to bloom are soon to fade”

APOSTO MINHA VIDA QUE MORREREI ANTES DE A.: “It is probable that, of two individuals with precisely similar organizations and under similar circumstances, the one that develops earlier will be the first to die.”

MINHA ‘GENÉTICA’ NÃO AJUDA: “millionnaires in intellect as well as in money, who can afford to expend enormous means without becoming impoverished.”

Investigating the records of the past two centuries, Winterburn finds 213 recorded cases of acknowledged musical prodigies. None of them died before their 15th year, some attained the age of 103 — and the average duration of life was 58 — showing that, with all their abnormal precocity, they exceed the ordinary longevity by about 6%.”

an almost irresistible impulse to the art in which they are destined to excel manifests itself in future virtuosi— in poets, painters, etc., from their earliest youth.” Wieland

Uma idéia de filme bem ruim: O ESCRITOR NOVATO DE 40 ANOS!

A infância revela o homem, como a manhã revela o dia.” Milton

Madden – Infirmities of Genius (downloads)

MEMENTO À “PROFESSORA SORRISO”: “The stupidity attributed to men of genius may be really the stupidity of their parents, guardians, and biographers.”

Music and drawing appeal to the senses, attract attention, and are therefore appreciated, or at least observed by the most stupid parents, and noted even in the most superficial biographies. Philosophic and scientific thought, on the contrary, does not at once, perhaps may never, reveal itself to the senses—it is locked up in the cerebral cells; in the brain of that dull, pale youth, who is kicked for his stupidity and laughed at for his absent-mindedness, grand thoughts may be silently growing”

Newton, according to his own account, was very inattentive to his studies and low in his class, but a great adept at kite-flying, with paper lanterns attached to them, to terrify the country people, of a dark night, with the appearance of comets; and when sent to market with the produce of his mother’s farm, was apt to neglect his business, and to ruminate at an inn, over the laws of Kepler.”

This belief is strengthened by the consideration that many, perhaps the majority, of the greatest thinkers of the world seemed dull, inane, and stupid to their neighbors, not only in childhood but through their whole lives.”

It is probable, however, that nearly all cases of apparent stupidity in young geniuses are to be explained by the want of circumstances favorable to the display of their peculiar powers, or to a lack of appreciation or discernment on the part of their friends.”

As compared with the world, the most liberal curriculum is narrow; to one avenue of distinction that college opens, the world opens ten.”

GREAT precocity, like GREAT genius, is rare.”

O GÊNIO & O GENIOSO: “There is in some children a petty and morbid smartness that is sometimes mistaken for precocity, but which in truth does not deserve that distinction.”

A DOENÇA DE STEWIE: “Petty smartness is often-times a morbid symptom; it comes from a diseased brain, or from a brain in which a grave predisposition to disease exists; such children may die young, whether they do or do not early exhibit unusual quickness.”

A AMEBA SUPREMACISTA: “M.D. Delaunay has addressed to the Societé de Biologie a communication in which he takes the ground that precocity indicates biological inferiority. To prove this he states that the lower species develop more rapidly than those of a higher order; man is the slowest of all in developing and reaching maturity, and the lower orders are more precocious than the higher. As proof of this he speaks of the children of the Esquimaux, negroes, Cochin Chinese, Japanese, Arabs, etc. (…) He also states that women are more precocious than men”

THE RECURRING THEME: “The highest genius, as here and elsewhere seen, never repeats itself; very great men never have very great children; and in biological analysis, geniuses who are very precocious may be looked upon as the last of their race or of their branch—from them degeneracy is developed; and this precocity, despite their genius, may be regarded as the forerunner of that degeneracy.”

Leibniz, at 12 understood Latin authors well, and wrote a remarkable production; Gassendi, <the little doctor>, preached at 4; and at 10 wrote an important discourse; Goethe, before 10, wrote in several languages; Meyerbeer, at 5, played remarkably well on the piano; Niebuhr, at 7, was a prodigy, and at 12 had mastered 18 languages [QUÊ?!]; Michael Angelo at 19 had attained a very high reputation; at 20 Calvin was a fully-fledged reformer, and at 24 published great works on theology that have changed the destiny of the world; Jonathan Edwards, at 10, wrote a paper refuting the materiality of the soul, and at 12 was so amazingly precocious that it was predicted of him that he would become another Aristotle; at 20 Melanchthon was so learned that Erasmus exclaimed: <My God! What expectations does not Philip Melanchthon create!>.”

In order that a great man shall appear, a double line of more or less vigorous fathers and mothers must fight through the battles for existence and come out triumphant. However feeble the genius may be, his parents or grandparents are usually strong; or if not especially strong, are long-lived. Great men may have nervous if not insane relatives; but the nervous temperament holds to life longer than any other temperament. (…) in him, indeed, the branch of the race to which he belongs may reach its consummation, but the stock out of which he is evolved must be vigorous, and usually contains latent if not active genius.”

The cerebral and muscular forces are often correlated; the brain is a part of the body. This view, though hostile to the popular faith, is yet sound and supportable; a large and powerful brain in a small and feeble body is a monstrosity.”

a hundred great geniuses, chosen by chance, will be larger than a hundred dunces anywhere — will be broader, taller, and more weighty.”

In any band of workmen on a railway, you shall pick out the <boss> by his size alone: and be right 4 times out of 5.”

In certain of the arts extraordinary gifts may lift their possessor into fame with but little effort of his own, but the choicest seats in the temples of art are given only to those who have earned them by the excellence that comes from consecutive effort, which everywhere test the vital power of the man.”

One does not need to practice medicine long to learn that men die that might just as well live if they had resolved to live and that many who are invalids could become strong if they had the native or acquired will to vow that they would do so. Those who have no other quality favorable to life, whose bodily organs are nearly all diseased, to whom each day is a day of pain, who are beset by life-shortening influences, yet do live by the determination to live alone.”

the pluck of the Anglo-Saxon is shown as much on the sick-bed as in Wall Street or on the battlefield.” “When the negro feels the hand of disease pressing upon him, however gently, all his spirit leaves him.”

INNER VOW: “they live, for the same reason that they become famous; they obtain fame because they will not be obscure; they live because they will not die.”

it is the essence of genius to be automatic and spontaneous. Many a huckster or corner tradesman expends each day more force in work or fretting than a Stewart or a Vanderbilt.”

As small print most tires the eyes, so do little affairs the most disturb us” “the nearer our cares come to us the greater the friction; it is easier to govern an empire than to train a family.”

Great genius is usually industrious, for it is its nature to be active; but its movements are easy, frictionless, melodious. There are probably many school-boys who have exhausted themselves more over a prize composition than Shakespeare over Hamlet, or Milton over the noblest passages in Paradise Lost.”

So much has been said of the pernicious effects of mental labor, of the ill-health of brain-workers of all classes, and especially of clergymen, that very few were prepared to accept the statement that the clergy of this country and of England lived longer than any other class, except farmers; and very naturally a lurking fallacy was suspected. Other observers, who have since given special attention to the subject, have more than confirmed this conclusion, and have shown that clergymen are longer lived than farmers.” “A list of 10,000 is sufficient and more than sufficient for a generalization; for the second 5,000 did nothing more than confirm the result obtained by the first. It is fair and necessary to infer that if the list were extended to 10,000, 20,000, or even 100,000, the average would be found about the same.” “In their manifold duties their whole nature is exercised — not only brain and muscle in general, but all, or nearly all, the faculties of the brain — the religious, moral, and emotional nature, as well as the reason. Public speaking, when not carried to the extreme of exhaustion, is the best form of gymnastics that is known; it exercises every inch of a man, from the highest regions of the brain to the smallest muscle.” “The average income of the clergymen of the leading denominations of this country in active service as pastors of churches (including salary, house rent, wedding fees, donations, etc.), is between $800 and $1000, which is probably not very much smaller than the net income of all other professional classes. Furthermore, the income of clergymen in active service is collected and paid with greater certainty and regularity, and less labor of collection on their part, than the income of any other class except, perhaps, government officials; then, again, their earnings, whether small or great, come at once, as soon as they enter their profession, and is not, as with other callings, built up by slow growth.” “Merchants now make, always have made, and probably always will make, most of the money of the world; but business is attended with so much risk and uncertainty, and consequent anxiety, that merchants die sooner than clergymen, and several years sooner than physicians and lawyers.” “During the past 15 years, there has been a tendency, which is now rapidly increasing, for the best endowed and best cultured minds of our colleges to enter other professions, and the ministry has been losing, while medicine, business, and science have been gaining.”

There are those who come into life thus weighted down, not by disease, not by transmitted poison in the blood, but by the tendency to disease, by a sensitiveness to evil and enfeebling forces that seems to make almost every external influence a means of torture; as soon as they are born, debility puts its terrible bond upon them, and will not let them go, but plays the tyrant with them until they die. Such persons in infancy are often on the point of dying, though they may not die; in childhood numberless physical ills attack them and hold them down, and, though not confining them to home, yet deprive them, perhaps, of many childish delights; in early maturity an army of abnormal nervous sensations is waiting for them, the gauntlet of which they must run if they can; and throughout life every function seems to be an enemy.

The compensations of this type of organization are quite important and suggestive, and are most consolatory to sufferers. Among these compensations, this perhaps is worthy of first mention — that this very fineness of temperament, which is the source of nervousness, is also the source of exquisite pleasure. Highly sensitive natures respond to good as well as evil factors in their environment, salutary as well as pernicious stimuli are ever operating upon them, and their capacity for receiving, for retaining, and for multiplying the pleasures derived from external stimuli is proportionally greater than that of cold and stolid organizations: if they are plunged into a deeper hell, they also rise to a brighter heaven (…) art, literature, travel, social life, and solitude, pour out on them their selected treasures; they live not one life but many lives, and all joy is for them variously multiplied. To such temperaments the bare consciousness of living, when life is not attended by excessive exhaustion or by pain, or when one’s capacity for mental or muscular toil is not too closely tethered, is often-times a supreme felicity. The true psychology of happiness is gratification of faculties, and when the nervous are able to indulge even moderately and with studied caution and watchful anxiety their controlling desires of the nobler order, they may experience an exquisiteness of enjoyment that serves, in a measure, to reward them for their frequent distresses.”

The physician who collects his fee before his patient has quite recovered, does a wise thing, since it will be paid more promptly and more gratefully than after the recovery is complete.”

Nervous organizations are rarely without reminders of trouble that they escape — their occasional wakefulness and indigestion, their headaches and backaches and neuralgias, their disagreeable susceptibility to all evil influences that may act on the constitution, keep them ever in sight of the possibility of wliat they might have been, and suggest to them sufferings that others endure, but from which they are spared.”

While it is true that pain is more painful than its absence is agreeable, so that we think more of what is evil than of what is good in our environment, and dwell longer on the curses than the blessings of our lot, and fancy all others happier than ourselves, yet it is true likewise that our curses make the blessings more blissful by contrast”

There are those who though never well are yet never sick, always in bondage to debility and pain, from which absolute escape is impossible, yet not without large liberty of labor and of thought” “Such persons may be exposed to every manner of poison, may travel far and carelessly with recklessness, even may disregard many of the prized rules of health; may wait upon and mingle with the sick, and breathe for long periods the air of hospitals or of fever-infested dwellings, and come out apparently unharmed.”

This recuperative tendency of the nervous system is stronger, often-times, than the accumulating poison of disease, and overmasters the baneful effects of unwise medication and hygiene. Between the ages of 25 and 35, especially, the constitution often consolidates as well as grows, acquires power as well as size, and throws off, by a slow and invisible evolution, the subtile habits of nervous disease, over which treatment the most judicious and persistent seems to have little or no influence. There would appear to be organizations which at certain times of life must needs pass through the dark valley of nervous depression, and who cannot be saved therefrom by any manner of skill or prevision; who must not only enter into this valley, but, having once entered, cannot turn back: the painful, and treacherous, and agonizing horror, wisdom can but little shorten, and ordinary misdoing cannot make perpetual; they are as sure to come out as to go in; health and disease move in rhythm; the tides in the constitution are as demonstrable as the tides of the ocean, and are sometimes but little more under human control.” It is an important consolation for those who are in the midst of an attack of sick-headache, for example, that the natural history of the disease is in their favor. In a few days at the utmost, in a few hours frequently, the storm will be spent, and again the sky will be clear, and perhaps far clearer than before the storm arose.” nearly all severe pain is periodic, intermittent, rhythmical: the violent neuralgias are never constant, but come and go by throbs, and spasms, and fiercely-darting agonies, the intervals of which are absolute relief. After the exertion expended in attacks of pain, the tired nerve-atoms must need repose. Sometimes the cycles of debility, alternating with strength, extend through long years — a decade of exhaustion being followed by a decade of vigor.”

There are those who pass through an infancy of weakness and suffering and much pain, and through a childhood and early manhood in which the game of life seems to be a losing one, to a healthy and happy maturity; all that is best in their organizations seems to be kept in reserve, as though to test their faith, and make the boon of strength more grateful when it comes.”

Perfect health is by no means the necessary condition of long life; in many ways, indeed, it may shorten life; grave febrile and inflammatory diseases are invited and fostered by it, and made fatal, and the self-guarding care, without which great longevity is almost impossible, is not enforced or even suggested.” “Headaches, and backaches, and neuralgias, are safety-valves through which nerve-perturbations escape, and which otherwise might become centres of accumulated force, and break forth with destruction beyond remedy. The liability to sudden attacks of any form of pain, or distress, or discomfort, under overtoil or from disregard of natural law, is, so far forth, a blessing to its possessor, making imperative the need of foresight and practical wisdom in the management of health, and warning us in time to avoid irreparable disaster. The nervous man hears the roar of the breakers from afar, while the strong and phlegmatic steers boldly, blindly on, until he is cast upon the shore, often-times a hopeless wreck.”

A neurastenia também tem o nome de “cãibra do escritor”. No trecho a seguir, a referida “cãibra” está mais próxima de um surto neurastênico agudo, do qual, defende Beard, o ‘nervoso típico’ está protegido: “Those who are sensitive, and nervous, and delicate, whom every external or internal irritation injures, and who appreciate physical injury instantly, as soon as the exciting cause begins to act, cannot write long enough to get writer’s cramp; they are warned by uneasiness or pain, by weariness, local or general, and are forced to interrupt their labors before there has been time to receive a fixed or persistent disease.” “had they been feeble they would have been unable to persevere in the use of the pen so as to invite permanent nervous disorder.” Without such warnings they might have continued in a life of excessive friction and exhausting worry, and never have suspected that permanent invalidism was in waiting for them, until too late to save themselves either by hygiene or medication. When a man is prostrated nervously, all the forces of nature rush to his rescue; but the strong man, once fully fallen, rallies with difficulty, and the health-evolving powers may find a task to which, aided or unaided, they are inadequate.”

The history of the world’s progress from savagery to barbarism, from barbarism to civilization, and, in civilization, from the lower degrees towards the higher, is the history of increase in average longevity, corresponding to and accompanied by increase of nervousness. Mankind has grown to be at once more delicate and more enduring, more sensitive to weariness and yet more patient of toil, impressible but capable of bearing powerful irritation: we are woven of finer fibre, which, though apparently frail, yet outlasts the coarser, as rich and costly garments often-times wear better than those of rougher workmanship.”

Among our educated classes there are nervous invalids in large numbers, who have never known by experience what it is to be perfectly well or severely ill, whose lives have been not unlike a march through a land infested by hostile tribes, that ceaselessly annoy in front and on flank, without ever coming to a decisive conflict, and who, in advanced age, seem to have gained wariness, and toughness, and elasticity, by the long discipline of caution, of courage, and of endurance; and, after having seen nearly all their companions, whose strength they envied, struck down by disease, are themselves spared to enjoy, it may be, their best days, at a time when, to the majority, the grasshopper becomes a burden, and life each day a visibly losing conflict with death.” “the irritability, the sensitiveness, the capriciousness of the constitution, between the ages of 15 and 45, have, in a degree, disappeared, and the system has acquired a certain solidity, steadiness, and power; and thus, after a long voyage against opposing winds and fretting currents, they enter the harbor in calmness and peace.”

MEU SÉCULO ME IMPEDE DE COMPARTILHAR DESTE OTIMISMO: “It may be doubted whether, in the history of disease of any kind, there has been made so decided and so satisfactory an advance as has been made within the last quarter of a century, in the treatment of nervousness in its various manifestations.” “One great factor in the modern treatment of these functional nervous diseases is individualization, no two cases being treated precisely alike, but each one being studied by itself alone. Among wise physicians, the day for wholesale treatment of nervous diseases can never return. The result of all this progress is, that thousands who formerly would have suffered all their lives, and with no other relief except that which comes from the habitual addiction to narcotics, can now be cured, or permanently relieved, or at least put into working order where they are most useful and happy.” if all new modes of action of nerve-force are to be so many added pathways to sorrow,—if each fresh discovery or invention is to be matched by some new malady of the nerves,—if insanity and epilepsy and neurasthenia, with their retinue of neuroses, through the cruel law of inheritance, are to be organized in families, descending in fiery streams throught the generations, we yet have this assurance,—that science, with keen eyes and steps that are not slow, is seeking and is finding means of prevention and of relief.”

5. PHYSICAL FUTURE OF THE AMERICAN PEOPLE [epílogo cagado e ‘poliânico’ totalmente desnecessário]

This increase of neuroses cannot be arrested suddenly; it must yet go on for at least 25 or 50 years, when all of these disorders shall be both more numerous and more heterogenous than at present. But side by side with these are already developing signs of improved health and vigor that cannot be mistaken; and the time must come—not unlikely in the first half of the 20th century—when there will be a halt or retrograde movement in the march of nervous diseases, and while the absolute number of them may be great, relatively to the population, they will be less frequent than now; the evolution of health, and the evolution of nervousness, shall go on side by side.”

Health is the offspring of relative wealth.” “febrile and inflammatory disorders, plagues, epidemics, great accidents and catastrophes even, visit first and last and remain longest with those who have no money.” the absence of all but forced vacations—the result, and one of the worst results, of poverty—added to the corroding force of envy, and the friction of useless struggle,—all these factors that make up or attend upon simple want of money, are in every feature antagonistic to health and longevity. Only when the poor become absolute paupers, and the burden of life is taken from them and put upon the State or public charity, are they in a condition of assured health and long life.” “The inmates of our public institutions of charity of the modern kind are often the happiest of men, blessed with an environment, on the whole, far more salubrious than that to which they have been accustomed, and favorably settled for a serene longevity.” “For the same reasons, well-regulated jails are healthier than many homes, and one of the best prescriptions for the broken-down and distressed is for them to commit some crime.”

A fat bank account tends to make a fat man; in all countries, amid all stages of civilization and semi-barbarism, the wealthy classes have been larger and heavier than the poor.” “In India this coincidence of corpulence and opulence has been so long observed that it is instinctively assumed; and certain Brahmins, it is said, in order to obtain the reputation of wealth, studiously cultivate a diet adapted to make them fat.”

The majority of our Pilgrim Fathers in New England, and of the primitive settlers in the Southern and Middle States, really knew but little of poverty in the sense in which the term is here used. They were an eminently thrifty people, and brought with them both the habits and the results of thrift to their homes in the New World. Poverty as here described is of a later evolution, following in this country, as in all others, the pathway of a high civilization.”

the best of all antidotes and means of relief for nervous disease is found in philosophy.” Thus it is in part that Germany, which in scientific and philosophic discovery does the thinking for all nations, and which has added more to the world’s stock of purely original ideas than any other country, Greece alone excepted, is less nervous than any other nation; thus it is also that America, which in the same department has but fed on the crumbs that fall from Germany’s table, has developed a larger variety and number of functional nervous diseases than all other nations combined.”

The capacity for growth in any given direction, physical or mental, is always limited; no special gift of body or mind can be cultivated beyond a certain point, however great the tenderness and care bestowed upon it.”

In man, that higher operation of the faculties which we call genius is hereditary, transmissible, running through and in families as demonstrably as pride or hay-fever, the gifts as well as the sins of the fathers being visited upon the children and the children’s children; general talent, or some special talent, in one or both parents rises and expands in immediate or remote offspring, and ultimately flowers out into a Socrates, a Shakespeare, a Napoleon, and then falls to the ground”

That a single family may rise to enduring prominence and power, it is needful that through long generations scores of families shall endure poverty and pain and struggle with cruel surroundings”

The America of the future, as the America of the present, must be a nation where riches and culture are restricted to the few—to a body, however, the personnel of which is constantly changing.”

Inebriety being a type of the nervous diseases of the family to which it belongs, may properly be here defined and differentiated from the vice and habit of drinking with which it is confounded. The functional nervous disease inebriety, or dipsomania, differs from the simple vice of drinking to excess in these respects:

(…)

The simple habit of drinking even to an extreme degree may be broken up by pledges or by word promises or by quiet resolution, but the disease inebriety can be no more cured in this way than can neuralgia or sick-headache, or neurasthenia, or hay-fever, or any of the family of diseases to which it belongs.

(…)

Of the nervous symptoms that precede, or accompany, or follow inebriety, are tremors, hallucinations, insomnia, mental depressions, and attacks of trance, to which I give the term alcoholic trance.

(…)

even drunkenness in a parent or grandparent may develop in children epilepsy or insanity, or neurasthenia or inebriety.

(…)

The attacks of inebriety may be periodical; they may appear once a month, and with the same regularity as chills and fever or sick-headache, and far more regularly than epilepsy, and quite independent of any external temptation or invitation to drink, and oftentimes are as irresistible and beyond the control of will as spasms of epilepsy or the pains of neuralgia or the delusions of insanity. Inebriety is not so frequent among the classes that drink excessively as among those who drink but moderately, although their ancestors may have been intemperate; it is most frequent in the nervous and highly organized classes, among the brain-workers, those who have lived indoors; there is more excessive drinking West and South than in the East, but more inebriety in the East.”

probably no country outside of China uses, in proportion to population, so much opium as America, and as the pains and nervousness and debility that tempt to the opium habit are on the increase, the habit must inevitably develop more rapidly in the future than in the past; of hay-fever there must, in a not very distant time, be at least 100,000 cases in America, and in the 20th century hundreds of thousands of insane and neurasthenics.”

There must be, also, an increasing number of people who cannot bear severe physical exercise. Few facts relating to this subject are more instructive than this — the way in which horseback-riding is borne by many in modern times. In our country, I meet with large numbers who cannot bear the fatigue of horseback-riding, which used to be looked upon — possibly is looked upon to-day — as one of the best forms of exercise, and one that is recommended as a routine by physicians who are not discriminating in dealing with nervously-exhausted patients.” The greatest possible care and the best judgment are required in prescribing and adapting horseback-riding to nervous individuals of either sex; it is necessary to begin cautiously, to go on a walk for a few moments; and even after long training excess is followed by injury, in many cases.”

ANTIRRUBENISMO: “If either extreme is to be chosen, it is well, on the whole, to err on the side of rest rather than on the side of excess of physical exertion.”

Why Education is behind other Sciences and Arts? Schools and colleges everywhere are the sanctuaries of medievalism, since their aim and their powers are more for retaining what has been discovered than for making new discoveries; consequently we cannot look to institutions or organizations of education for the reconstruction of that system by which they enslave the world and are themselves enslaved. It is claimed by students of Chinese character that that great nation has been kept stationary through its educational policy — anchored for centuries to competitive examinations which their strong nerves can bear while they make no progress. In a milder way, and in divers and fluctuating degrees, all civilized nations take their inspiration from China, since it is the office and life of teaching to look backward rather than forward; in the relations of men as in physics, force answers to force, and as the first, like the second childhood is always reactionary, a class of youths tend by their collective power to bring the teacher down more than he can lift them up. Only conservative natures are fond of teaching; organizations are always in the path of their own reconstruction; mediocrity begets mediocrity, attracts it, and is attracted by it. Whence all our institutions become undying centres of conservatism. The force that reconstructs an organization must come from outside the body that is to be reconstructed.”

The Gospel of Rest. The gospel of work must make way for the gospel of rest. The children of the past generation were forced, driven, stimulated to work, and in forms most repulsive, the philosophy being that utility is proportioned to pain; that to be happy is to be doing wrong, hence it is needful that studies should not only be useless but repelling, and should be pursued by those methods which, on trial, proved the most distressing, wearisome, and saddening. That this philosophy has its roots in a certain truth psychology allows, but the highest wisdom points also to another truth, the need of the agreeable; our children must be driven from study and all toil, and in many instances coaxed, petted, and hired to be idle; we must drive them away from schools as our fathers drove them towards the schools; one must be each moment awake and alive and active, to keep a child from stealthily learning to read; our cleverest offspring loves books more than play, and truancies [matar aula] and physical punishments are far rarer than half a century ago.”

From investigations at Darmstadt, Paris, and Neuremburg, Dr. Treichler concludes that one-third of the pupils suffer more or less from some form of headache. It is not probable that these headaches in children are the result purely of intellectual exertion, but of intellectual exertion combined with bad air, with the annoyances and excitements and worries, the wasting and rasping anxieties of school life.”

Even studies that are agreeable and in harmony with the organs, and to which tastes and talents are irresistibly inclined, are pursued at an expenditure of force which is far too great for many nervously organized temperaments. I have lately had under my care a newly married lady who for some years has been in a state of neurasthenia of a severe character, and of which the exciting cause was devotion to music at home; long hours at the piano, acting on a neurasthenic temperament, given to her by inheritance, had developed morbid fears and all the array of nervous symptoms that cluster around them, so that despite her fondness for a favorite art she was forced to abandon it, and from that time was dated her improvement, though at the time that I was called in to see her she had yet a long way to travel before she would reach even approximate health.”

The reconstruction of the principles of evidence, the primary need of all philosophy, which cannot much longer be delayed, is to turn nearly all that we call history into myth, and destroy and overthrow beyond chance of resurrection all but a microscopic fraction of the world’s reasoning. Of the trifle that is saved, the higher wisdom of coming generations will know and act upon the knowledge that a still smaller fraction is worthy of being taught, or even remembered by any human being.” A tragédia é que uma filosofia do conhecimento só pode vir depois da burra e didática memorização de fatos tão lineares quanto sem nexo. Ou seja: chega-se ao ideal da educação quando ela já está finalizada ou, antes, só se chega ao suposto ideal, descobrindo-se que o começo devera ter sido diferente, quando o começo se sedimentou. Pode-se ensinar certo, mas não se pode aprender certo!

The fact that anything is known, and true and important for some is of itself no reason why all should know or attempt to know it”

Our children are coaxed, cajoled, persuaded, enticed, bluffed, bullied, and driven into the study of ancient and modern tongues; though the greatest men in all languages, whose writings are the inspiration to the study of languages themselves knew no language but their own; and, in all the loftiest realms of human creative power the best work has been done, and is done today, by those who are mostly content with the language in which they were cradled.” “of all accomplishments, the ability to speak and write in many tongues is the poorest barometer of intellectual force, and the least satisfactory for happiness and practical use”

Shakespeare, drilled in modern gymnasia and universities, might have made a fair school-master, but would have kept the world out of Hamlet and Othello.”

Of the sciences multiplying everyday, but few are to be known by any one individual; he who has studied enough of the systematized knowledge of men, and looked far enough in various directions in which it leads to know which his tastes and environment best adapt him to follow, and who resolutely obeys his tastes, even in opposition to all teachers,(*) philosophers, and scholars, has won the battle of life” Mementos: Jabur, Edsono (um representante dos jornalistas e um dos pseudossociofiloepistemólogos)

the study of the art of thinking, of the philosophy of reasoning, in mathematics, poetry, science, literature, or language, is the best exercise for those who would gain this mental discipline”

O coach está para para o acadêmico de hoje como os sofistas estavam para os filósofos jônicos e eleatas da Grécia Antiga: é um sintoma da crise e insustentabilidade desse modo de conhecimento, mas tampouco chega a lugar algum. Prenuncia um tipo de Sócrates que vem aí?

In all spheres of thought, the most hospitable of intellects, the most generous in their welcome to new truths or dreams of truth are those who have once learned the great secret of life—how to forget.”

GUSMÓN: “Conscientious professors in colleges often-times exhort their graduates to keep up some of the studies of college life during the activity of years — if those graduates are ever to do much in the world, it is by doing precisely NOT what they are thus advised to do.”

ESPECIALISTA AGRAMATICAL: “The details of geography, of mathematics, and of languages, ancient as well as modern, of most of the sciences, ought, and fortunately are, forgotten almost as soon as learned, save by those who become life-experts in these special branches”

The systems of Froebel and Pestalozzi, and the philosophy of Rousseau in his Émile, analyzed and formulated in physiological language is, in substance, that it costs less force and is more natural and easy to get into a house through the doors, than to break down the walls, or come through the roof, or climb up from the cellar. Modern education is burglary; we force ideas into the brain through any other pathway and every other way except the doors and windows, and then we are astonished that they are unwelcome and so quickly expelled.”

they see with the mind’s eye, though we close their eyelids.”

Medicine has been taught in all our schools in a way the most unphilosophical, and despite all the modifications and improvements of late years, by bedside teaching and operations and demonstrations, the system of medical education is in need of reconstruction from the foundation; it begins where it should end; it feeds the tree through the leaves and branches instead of through the roots; physiology itself is taught unphysiologically; the conventional, hereditary, orthodox style is, for the student to take systematic text-books, go through them systematically from beginning to end, and attend systematic lectures, reserving study at the bedside for the middle and later years of his study; the didactic instruction coming first, and the practical instruction and individual observation coming last. Psychology and experience require that this should be reversed; the first years of the medical student’s life should be given to the bedside, the laboratory and dissecting room, and the principles of systematic instruction should be kept for the last years, and then used very sparingly. The human mind does not work systematically, and all new truths enter most easily and are best retained when they enter in psychological order. System in text-books is a tax on the nerve-force, costly both of time and of energy, and it is only by forgetting what has been taught them in the schools that men even attain eminence in the practice of medicine.

The first lesson and the first hour of medical study should be at the bedside of the sick man; before reading a book or hearing a lecture, or even knowing of the existence of a disease, the student should see the disease, and then, after having seen it and been instructed in reference to it, his reading will be a thousand-fold more profitable than it would had he read first and seen the case afterwards. Every practitioner with any power of analyzing his own mental operations knows that his reading of disease is always more intelligent after he has had a case, or while he has a case under treatment under his own eyes, and he knows also that all his reading of abstract, systematic books is of but little worth to him when he meets his first case, unless he re-read, and if he do so, he will find that he has forgotten all he has read before, and he will find, also, that he never understood what he read, and perhaps thoroughly and accurately recited on examination. By this method one shall learn more what is worth learning of medicine in one month, than now we learn in a year, under the common system, and what is learned will be in hand and usable, and will be obtained at incommensurably less cost of energy, as well as of time. So-called <systematic instruction> is the most extravagant form of instruction and is really no instruction, since the information which it professes to give does not enter the brain of the student, though the words in which it is expressed may be retained, and recited or written out on examination. I read the other day an opening lecture by a professor in one of our chief medical schools. I noticed that the professor apologized for being obliged to begin with what was dry and uninteresting, but stated that in a systematic course it was necessary to do so. It will not be his fault only, but rather the fault of the machinery of which he is one of the wheels, if the students who listen to and take notes of and worry over his lecture, never know what he means; 5 minutes study of a case of rheumatism or an inflamed joint, under the aid of an expert instructor, will give a person more knowledge of inflammation, in relation to the practice of medicine, than a year of lectures on that subject.

I make particular reference to medical education, not because it is the leading offender, but because it has made greater progress, perhaps, than almost any other kind of modern education.” and the time will come when men shall read with amusement and horror of intelligent, human, and responsible young men beginning a medical course by listening to systematic abstract lectures.” 140 anos e nada…

In theological seminaries, students are warned about preaching, or speaking, or lecturing during their 1st or 2nd year, and tied and chained down to lectures and homiletics, and theology and history” Nothing David (or Solomon) would be good at…

Aside from the study of language, which is a separate matter, the first day’s work in a theological school should be the writing or preparing a sermon, and homiletics should follow — not precede.”

All languages should be learned as we learn our own language — not through grammars or dictionaries, but through conversation and reading, the grammars and dictionaries being reserved for a more advanced stage of investigation and for reference, just as in the language in which we were born.”

I applaud the English because they boast of their ignorance of American geography; of what worth to them, of what worth to most of us whether Montana be in California, or Alaska be or be not the capital of Arizona?”

The Harvard professor who says that when students enter his room his desire is, not to find out what they knew, but what they did not know, ought to have been born in the 20th century, and possibly in the 30th, for his philosophy is so sound and so well grounded psychology that he cannot hope to have it either received or comprehended in his lifetime; and the innovation that Harvard has just promised, of having the teacher recite and the pupils ask the questions, is one of the few gleams of light in the great darkness by which this whole subject of education has been enveloped.”

EDSONO’S EXQUISITE CLASS OF TORTURE (2009): Lectures, except they be of a clinical sort [belo troca-trilho!], in which appeals are made to the senses, cost so much in nerve-force, in those that listen to them, that the world cannot much longer afford to indulge in them and the information they give is of a most unsatisfactory sort, since questioning, and interruption, and repetition, and reviewing are scarcely possible (…) The human brain is too feeble and limited an organ to catch a new idea when first stated, and if the idea be not new it is useless to state it.”

ServIce on dem and us

dire dim straits

a threat!

One of the pleasantest memories in my life, is that, during my medical education, I did not attend one lecture out of 12 — save those of a clinical sort — that were delivered (brilliant and able as some of them were) in the college where I studied, and my regret is that the poverty of medical literature at that time compelled me to attend even those. All the long lectures in my academical course at the college were useful to me — and I think were useful to all my classmates — only by enforcing the necessity, and inspiring the habit of enduring passively and patiently what we know to be in all respects painful and pernicious, providing we have no remedy.”

Original thinkers and discoverers, and writers are objects of increasing worry on the part of their relatives and friends lest they break down from overwork; whereas, it is not so much these great thinkers as the young school-girl or bank clerk that needs our sympathy.”

In England during the last summer, I attempted, without any human beings on whom to experiment, to explain some of the theories and philosophies of trance before an audience composed of the very best physiologists and psychologists of Europe, and with no hetter success than at home. If I had had but one out of the 20 or 30 cases on whom I have lately experimented, to illustrate and enforce my views, there would have been, I am sure, no difficulty in making clear not only the facts, but what is of chief importance, the interpretation of the facts.”

Modern competitive examinations are but slightly in advance of the system of recitations and lectures. They seem to have been invented by someone who wished to torture rather than benefit mankind, and whose philosophy was: whatever is disagreeable is useful, and that the temporary accumulation of facts is true wisdom, and an accurate measure of cerebral force.”

Knowing by heart is not knowing at all” Montaigne

the greatest fool may often pass the best examination [Exemplo contemporâneo: ‘Patrick Damascenos’ se tornando médicos diplomados por universidades federais – no mínimo os minions esquecem o que aprendem em História após 30 dias (‘conteúdo inútil’, etc.), embora apostilas do Sigma ou Galois nunca fossem lá muito confiáveis, para início de conversa…]; no wise man can always tell what he knows; ideas come by suggestion rather than by order; you must wait for their appearing at their own time and not at ours” “he who can always tell what he knows, knows little worth knowing.”

The first signs of ascension, as of declension, in nations are seen in women.”

palace cars and elevators and sewing machines are types of recent improvements that help to diminish the friction of modern life. Formerly [!!!] inventors increased the friction of our lives and made us nervous.” E que diabos eram palace cars?

The Germanization of America — by which I mean the introduction through very extensive immigration, of German habits and character — is a