OBRA COMPLETA DE FREUD – Tomo XI // NO DIVÃ COM CILA

06/06/2016 a 06/10/2016

Org. James Strachey, Anna Freud et al.

GLOSSÁRIO

coupeurs de nattes: pervertidos que sentem prazer em cortar o cabelo das mulheres.

macropsia: percepção que avoluma ou aumenta os corpos e objetos. Comum em hipoglicêmicos.

hebefrenia: loucura adolescente, demência precoce, esquizofrenia [!]

milhafre: ave

paramnésia: perturbação que faz esquecer a significação das palavras escutadas ou lidas

parético: enfraquecimento muscular não-relacionado com Pareto (paresia)!

Sprachwissenschaftliche Abhandlungen: ensaios filológicos

A) 5 LIÇÕES DE PSICANÁLISE (1910)

Entre 1885 e 1886 foi discípulo de Charcot em Paris, e acompanhou, em 1889, em Nancy, as experiências de Bernheim sobre o hipnotismo.” Durval Marcondes

Horácio recomendava esperar 9 anos para se publicar um escrito. Ora…

Há cerca de 40 anos que ele se dedica diariamente a 8, 9, 10, às vezes mesmo 11 análises de 1h cada.” Stephen Zweig, 1931

* * *

Caminharemos por algum tempo ao lado dos médicos, mas logo deles nos apartaremos”

esse enigmático estado que desde o tempo da medicina grega é denominado histeria” “diante da histeria o médico não sabe o que fazer” Para mais detalhes de Anna O., a “primeira histérica moderna”, ver BREUER.

Tomava na mão o cobiçado copo d’água, mas assim que o tocava com os lábios, repelia-o como hidrófoba. Para mitigar a sêde que a martirizava, vivia sòmente de frutas, melões etc. (…) despertou da hipnose com o copo nos lábios. A perturbação desapareceu definitivamente.”

Toda essa cadeia de recordações patogênicas tinha então de ser reproduzida em ordem cronológica e precisamente inversa – as últimas em primeiro lugar e as primeiras por último – sendo completamente impossível chegar ao primeiro trauma, muitas vezes o mais ativo, saltando sobre os que ocorreram posteriormente.”

Numa senhora de cêrca de 40 anos existia um tic (tique) sob a forma de um especial estalar da língua, que se produzia quando a paciente se achava excitada e mesmo sem causa perceptível. Originara-se esse tique em 2 ocasiões nas quais, sendo desígnio dela não fazer nenhum rumor, o silêncio foi rompido contra sua vontade justamente por esse estalido. Uma vez, foi quando com grande trabalho conseguira finalmente fazer adormecer seu filhinho doente, e desejava, no íntimo, ficar quieta para o não despertar; outra vez quando, numa viagem de carro com dois filhos, por ocasião de uma tempestade, os cavalos se assustaram e ela cuidadosamente quisera evitar qualquer ruído para que os animais não se espantassem ainda mais.”

histéricos e neuróticos: não só recordam acontecimentos dolorosos que se deram há muito tempo, como ainda se prendem a eles emocionalmente; não se desembaraçam do passado e alheiam-se por isso da realidade e do presente.” UnB quarto pai Marianna ranço Dilma risada buchicho cristofobia TCC formatura vai ter golpe vozdeus levaratéofimumavezcomeçadoojogo.

Breuer resolveu admitir que os sintomas histéricos apareciam em estados mentais particulares que chamava <hipnóides>. As excitações durante esses estados hipnóides tornam-se facilmente patogênicas porque não encontram neles as condições para a descarga normal do processo de excitação.” Eu não era eu.

Meu pai esteve comigo – quero dizer: contra mim! ao menos se estivera ausente em ALGUMA destas ocasiões! – em todos os meus piores momentos, geralmente como protagonista ou incentivador-da-lenha-na-fogueira:

– Expulsão do colégio militar (VIVA O BOZO!);

– Tome este volante, mesmo que não queira…

– Sociologia, mas que merda!

– Por que não pagam nem passagem no seu estágio gratuito? Na verdade é um estágio oneroso!

– Sua namorada é uma vaca, a sua cunhada me contou (complô de novela mexicana – não pode estar acontecendo comigo, não é possível…)

– Você CUSTA a crescer, come demais!

– Eu não quero que você use um computador, seu nerd!

– HAHAHA! Te humilharam, HAHAHA!

– Como assim você detesta a UnB?

– Para mim você não se formou.

– Você tinha que continuar a dar aula.

– Por que você faz essa terapia idiota e toma esses remédios inúteis?

– Roque pauleira?! Urgh…

– Desenhinho?

– Você devia fazer a prova do Barão de Rio Branco…

– Você gosta de estudar, por que não se doutora?

– Não gosto da sua esposa, não gosto dessa pobraiada carioca, não gosto que você não assuma compromissos e que não pague a taxa de água, inclusive prefiro os outros inquilinos problemáticos a você…

– Finjo que não gostaria que você tivesse um filho justamente quando você pensou que seria pai só para nunca me contradizer, isto é, sempre rebaixá-lo! Agora que sua chance de ser pai é 0, eu gostaria muito de um neto…

– Por que você nunca me ajuda quando eu peço?

– Você não é o FERA em informática? Me ajude a renovar este detector de radares, me ajude a pagar esta multa, me ajude, me ajude com a 2ª via, me ajude!!!… Ingrato!

– Lula isso Lula aquilo, PT me fodeu, comeu meu cu, fodeu meu país, só você não enxerga isso!

– Não consegue dormir? Que mentira é essa?!

– Idiota, não serve nem pra reagir a um assalto!

– Eu sou muito macho, reajo a PMs… Inclusive, revise esse texto em que conto essa estória; vou entregá-la na delegacia.

– Não existe este livro clássico de autor alemão na Alemanha democrática, este homem facínora (socialista, veja você!) foi banido deste país de Primeiro Mundo!

– Por que você demorou tanto na perícia médica, por que você relatou isso ao médico? Vão pensar que você é doido! Seja mais esperto, bata na mesa, resolva, como eu!

– ISSO É FRESCURA! SUA VIDA É UMA FRESCURA! Nos dois sentidos: eu PENEI bem mais. Tenha dó deste moribundo aqui…

– Cuide do seu irmão, pois eu vou morrer e ele precisa ser cuidado – por que não você?! Só porque eu nunca fiz nada do que te peço, não quer dizer que você não tenha que me obedecer, afinal, SOU SEU PAI! EU RESPEITAVA MEU PAI! MEU PAI ERA UM MERDA! Mas não divaguemos sobre aquilo que não nos diz respeito… Porque filosofar é coisa de inútil…

Onde existe um sintoma, existe também uma amnésia, uma lacuna da memória, cujo preenchimento suprime as condições que conduzem à produção do sintoma.”

A teoria de Breuer, dos estados hipnóides, tornou-se aliás embaraçante e supérflua, e foi abandonada pela psicanálise moderna.”

P. 24: “Tornou-se-me logo enfadonho o hipnotismo, como recurso incerto e algo místico; e quando verifiquei que apesar de todos os esforços não conseguia hipnotizar senão parte de meus doentes, decidi abandoná-lo, tornando o procedimento catártico independente dele.

dissociação” – mito ligado à histeria?

Somos todos fujões.

Em lugar do breve conflito, começa então um sofrimento interminável.”

Podemos admitir que seja tanto maior a deformação do elemento procurado quanto mais forte a resistência que o detiver.”

Aceitando a proposta da Escola de Zurique (Bleuler, Jung e outro), convém dar o nome de <complexo> a um grupo de elementos ideacionais interdependentes, catexizados de energia afetiva.”

Uma observação atenta mostra, contudo, que as idéias livres nunca deixam de aparecer.”

Para o psicanalista este método é tão precioso quanto para o químico a análise qualitativa.”

estudo das psicoses, com tanto êxito empreendido pela Escola de Zurique [?]”

O tripé do psicanalista: livre associação – sonho – ato falho. Meu blog é um manancial dos dois primeiros.

Parece-me quase escandaloso apresentar-me neste país de orientação prática como <onirócrita>”

Quando me perguntam como pode uma pessoa fazer-se psicanalista, respondo que é pelo estudo dos próprios sonhos.”

Hora solene de bramir o chicote em cômodos escuros semiconhecidos, dar uma flor até para quem é homem e quem sabe rolar por aí velozmente sem olhar para trás. Cifrões. O que mais me dá raiva é que eu gostaria de matar quem me proporcionava isso na infância.

Por ora continuarei matando edipianamente a aula de inglês, refazendo meus estudos abandonados e esquecendo a bolsa de educação física. E me deixarei dominar pelo pânico e dissabor do instante. Ansiosos não tem pesadelos.

Na vida onírica a criança prolonga, por assim dizer, sua existência no homem, conservando todas as peculiaridades e aspirações, mesmo as que se tornam mais tarde inúteis.”

A ansiedade é uma das reações do ego contra desejos reprimidos violentos.”

o esquecimento de coisas que deviam saber e que às vezes sabem realmente (p.ex. a fuga temporária dos nomes próprios), os lapsos de linguagem, tão freqüentes até mesmo conosco, na escrita ou na leitura em voz alta; atrapalhações no executar qualquer coisa, perda ou quebra de objetos, etc., bagatelas de cujo determinismo psicológico de ordinário não se cuida, que passam sem reparo como casualidades, como resultado de distrações, desatenções. Juntam-se ainda os atos e gestos que as pessoas executam sem perceber, e sobretudo, sem lhes atribuir importância mental, como sejam trautear melodias, brincar com objetos, com partes da roupa ou do próprio corpo, etc.” Cf. A Psicopatologia da Vida Cotidiana, 1901.

as perturbações do erotismo têm a maior importância entre as influências que levam à moléstia, tanto num como noutro sexo.” “Quando, em 1895, publiquei com o Dr. J. Breuer os Estudos sobre a Histeria, ainda não tinha esta opinião”

aquela mescla de lubricidade a afetado recato é o que governa a maioria dos <povos civilizados> nas coisas da sexualidade.”

Só os fatos da infância explicam a sensibilidade aos traumatismos futuros e só com o descobrimento desses restos de lembranças é que (…) afastamos os sintomas.”

Não é verdade certamente que o instinto sexual, na puberdade, entre no indivíduo como, segundo o Evangelho, os demônios nos porcos.”

F. – The Analysis of a Phobia in a Five-Year-Old Boy

O prazer de chupar o dedo, o gozo da sucção, é um bom exemplo de tal satisfação auto-erótica partida de uma zona erógena. Quem primeiro observou cientificamente esse fenômeno, o pediatra Lindner (1879), de Budapeste, já o tinha interpretado como satisfação dessa natureza e descrito exaustivamente a transição para outras formas mais elevadas de atividade sexual. Outra satisfação da mesma ordem, nessa idade, é a excitação masturbatória dos órgãos genitais, fenômeno que tão grande importância conserva para o resto da vida e que muitos indivíduos não conseguem suplantar jamais.”

Do gozo visual ativo [voyeurs] desenvolve-se mais tarde a sede de saber, como do passivo [exibicionista] o pendor para as representações artísticas e teatrais.”

Os mais profundamente atingidos pela repressão são primeiramente, e sobretudo, os prazeres infantis coprófilos”

o complexo nuclear de cada neurose”

P. 44: Édipo e Hamlet

O homem enérgico e vencedor é aquele que pelo próprio esforço consegue transformar em realidade seus castelos de ar.” E eu que fui longe demais… quixotei-me para salvar-me… Psicanálise como castelo aéreo. Lucy in the divan without diamonds…

Quando a pessoa inimizada com a realidade possui dotes artísticos (psicologicamente ainda enigmáticos [hehe]) podem suas fantasias transmudar-se não em sintomas senão em criações artísticas. Cf. Rank, 1907

VdP: “Conforme as circunstâncias de quantidade e da proporção entre as forças em choque, será o resultado da luta a saúde, a neurose ou a sublimação compensadora.” Categoria residual do que ele não pôde entender.

Nunca acabarão nem a ternura nem a repulsa.

Pp. 47-8: o transfer

B) LEONARDO DA VINCI E UMA LEMBRANÇA DA SUA INFÂNCIA [Eine Kindheitserinnerung des Leonardo da Vinci] (1910), trad. brasileira: Walderedo Oliveira

Leonardo, que talvez fosse o mais famoso canhoto da história, jamais tivera um caso de amor.”

(*) “o estudo freudiano sobre mães-deusas andróginas”

Es liebt die Welt das Strahlende zu schwärzen

Und das Erhabene in den Staub zu ziehn.”

O mundo gosta de denegrir o brilhante

E arrastar na lama o sublime.”

Schiller, A Jovem de Orléans

gênio universal cujos traços se podia esboçar, nunca definir” Burckhardt

Desprezava o ofício de escritor. Trattato della Pittura.

O que para você é o Big Bang para mim foi só uma conseqüência.

descobria defeitos em coisas que, aos outros, pareciam milagres.” Solmi (1910)

Von Seidlitz traz uma história das obras de Da Vinci, relatando telas e restaurações…

Desenhou armas para César Bórgia apesar de pacifista.

Não existe nas anotações de Leonardo um único comentário a respeito dos acontecimentos de sua época ou qualquer demonstração de preocupação com êles.”

Leonardo [se absteve de] examinar de perto os mamilos de qualquer mulher em período de amamentação. Se o tivesse feito teria certamente notado que o leite passa através de uma porção de canais excretores separados. Leonardo, no entanto, desenhou um único canal”

Não se tem o direito de amar ou odiar qualquer coisa da qual não se tenha conhecimento profundo.” Botazzi

Solmi, o “bom biógrafo”, segundo Freud: “Tale transfigurazione della scienza della natura in emozione, quasi direi, religiosa, è uno dei tratti caratteristici del manoscritii vinciani”

Terá pesquisado em vez de amar.”

não mais queria estudar pelo amor à arte mas, sim, pelo próprio amor ao estudo.” Solmi

Il sole non si move.” in: Quaderni d’Anatomia

P. 72: as crianças e as perguntas

Quem o tempo todo se reescreve demonstra que não pode passar por correto mesmo durante uma geração. Ou alguém aí já ouviu falar de uma segunda edição do Hamlet? Para nós, o que está dito, está dito. Livro perene de pedra, numa única camada.

Filho de peixe molusco alado é. Filho de molusco alado peixe é.

A tendência a botar o órgão sexual masculino na bôca e a chupá-lo, o que numa sociedade respeitável é considerado uma perversão sexual horrível, encontra-se, no entanto, com muita freqüência entre as mulheres de hoje – e de outros tempos também, como o evidenciam esculturas da antiguidade – e no ardor da paixão isso parece perder completamente o seu caráter repulsivo.” O boquete é instintivo.

Krafft-Ebing – Psycopathia Sexualis

Little Hans virou Joãozinho no Brasil.

O que nos leva a classificar alguém como sendo um invertido (homossexual) não é o seu comportamento real porém a sua atitude emocional.”

Antes do séc. XIX, ninguém podia saber a conotação dos hieróglifos egípcios. Uma civilização tão antiga, uma impressão e um julgamento tão recentes…

Uma característica especial do panteão egípcio era que os deuses individuais não desapareciam quando ocorria um processo de sincretismo.” “Ora, essa deusa-mãe com cabeça de abutre era geralmente representada pelos egípcios com um falo, seu corpo era de mulher, conforme mostram os seus seios, mas possuía também um membro masculino em ereção.”

Neith de Saís – de quem se originou, mais tarde, a Atenéia dos gregos” – cf. https://seclusao.art.blog/2019/06/08/timeu-ou-da-natureza/

podemos encontrar aqui uma das raízes do anti-semitismo que aparece com fôrça tão elementar e se manifesta de modo tão irracional entre as nações do Oeste. A circuncisão é inconscientemente associada à castração.”

Um culto fetichista cujo objeto é o pé ou calçado feminino parece tomar o pé como mero símbolo substitutivo do pênis da mulher, outrora tão reverenciado e depois perdido.”

Sem o saber, os coupeurs de nattes desempenham o papel de pessoas que executam um ato de castração sôbre o órgão genital feminino.” Escola Classe 106 Norte – Érika & A Tesoura Amarela Poucas madeixas. Impulso incontrolável. Diretoria. Morte da lembrança. Hiato. Morte da Infância. Ressurreição. E se…? E se for “inveja da feminilidade”, a antítese da inveja do pênis? E se radica aí minha obsessão metaleira, minha preferência por deixar o cabelo crescer?

e quando a conexão entre a religião oficial e a atividade sexual se tornou oculta da consciência geral, cultos secretos se dedicavam a conservá-la viva entre um certo número de iniciados.”

Pp. 91-2: as mais polêmicas até aqui. Freud defende uma “homossexualidade universal”; só o que há para diferenciar são os graus de intensidade e o caráter mais ou menos passageiro da “coisa”. Todo desenvolvimento sexual não-aberrante incluiria uma fase homossexual na infância.

Em todos os nossos casos de homossexuais masculinos [notável sua ignorância sobre o lesbianismo, derivada da sua ignorância em geral relativa às mulheres], os indivíduos haviam tido uma ligação erótica muito intensa com uma mulher, geralmente sua mãe, durante o primeiro período de sua infância, esquecendo depois êsse fato; essa ligação havia sido despertada ou encorajada por demasiada ternura por parte da própria mãe, e reforçada posteriormente pelo papel secundário desempenhado pelo pai durante sua infância. Sadger chama atenção para o fato de as mães dos seus pacientes homo. serem muitas vezes masculinizadas, mulheres com enérgicos traços de caráter e capazes de deslocar o pai do lugar que lhe corresponde.”

O menino reprime seu amor pela mãe, coloca-se em seu lugar, identifica-se com ela, e toma a si próprio como um modêlo a que devem assemelhar-se os novos objetos de seu amor. Dêsse modo êle transformou-se num homossexual.”

Como escolhia seus alunos pela beleza e não pelo talento, nenhum dêles – Cesare da Sesto, Boltraffio, Andrea Salaino, Francesco Melzi e outros mais – veio a tornar-se um pintor de importância.”

As formas de expressão por que a libido reprimida de L. se tornava manifesta – preocupação e pormenores com referência a dinheiro – estão entre os traços de caráter resultantes do erotismo anal. Ver meu trabalho Character and Anal Erotism (1908b).”

Qualquer pessoa que pense nas pinturas de L. recordar-se-á de um sorriso notável, ao mesmo tempo fascinante e misterioso, que êle punha nos lábios de seus modêlos femininos. É um sorriso imutável, desenhado em lábios longos e curvos; tornou-se uma característica do seu estilo e o têrmo <Leonardiano> tem sido usado para defini-lo.²

² [Nota acrescentada em 1919:] O conhecedor de arte pensará aqui no peculiar sorriso fixo encontrado em esculturas gregas arcaicas – nas de Egina, p.ex.; encontrará também qualquer coisa semelhante nas figuras de Verrocchio, professor de L. e, portanto, se sentirá reticente em aceitar os argumentos que se seguem.”

Voilà 4 siècles bientôt que Mona Lisa fait perdre la tête à tous ceux qui parlent d’elle, après l’avoir longtemps regardée.” Gruyer Apud SEIDLITZ

o contraste entre a reserva e a sedução, e entre a ternura mais delicada e uma sensualidade implacàvelmente exigente” “tendresse et coquetterie, pudeur et sourde volupté” “nel poema del suo sorriso” “toda a hereditariedade da espécie” “a bondade que esconde o propósito cruel”

O Autor como escravo de uma sua obra

<Heilige Anna Selbdritt> quadro da Madona

Assim, como todas as mães frustradas, substituiu o marido pelo filho pequeno.” NiE(l)tzc(in)e

(blow

list of f*cked liszts jew jeu jaws

LISTERINE

ELINE

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ter-lírica-e-ter-talento

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I

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servem para ser o-bebê-descidas pela go’ela dos sub’jug(ular)ados

úvula

lar dos desterrados

slavejó)

êle já tinha estado tempo demais sob o domínio da inibição para que pudesse voltar a desejar tais carícias dos lábios de outras mulheres”

É apenas um pequeno detalhe e ninguém, a não ser um psicanalista, lhe daria maior importância.”

Criava a obra de arte e depois dela se desinteressava, do mesmo modo que seu pai se desinteressava por êle.”

as raízes da necessidade de religião se encontram no complexo parental.”

estou-no-mundo

Adão era adolescente.

D***-Al*****-Ed***** o Triângulo Maldito dos Mimados para a Psicanálise Clássica. Reformado-Clássico-Proscrito

nos sonhos o desejo de voar representa verdadeiramente a ânsia de ser capaz de realizar o ato sexual.”

¹¹ [1919:] Esta afirmação baseia-se nas pesquisas de Paul Federn (1914) e Mourly Vold (Über den Traum, 1912 [parece não haver tradução para nenhuma língua]), um cientista norueguês que não tinha nenhum contato com a psicanálise.”

P. 115: o mito da “felicidade na infância”

Goku, o Fodedor

Tornou-se impacientissimo al pennello [pincel]”

C) AS PERSPECTIVAS FUTURAS DA TERAPÊUTICA PSICANALÍTICA [Die Zukünftigen Chancen der Psychoanalytischen Therapie] (1910), trad. brasileira David Mussa

<trepar> [em alemão <steigen>]¹ se usa como equivalente direto do ato sexual. Falamos de um homem como um <Steiger> [trepador] e de <nachsteigen> [correr atrás de, literalmente trepar]. Em francês os degraus de uma escada chamam-se <marches> e <un vieux marcheur> tem o mesmo sentido que o nosso <ein alter Steiger> [um velho devasso].”

¹ Curiosamente o bastante, escada em alemão é Treppe.

8 “[Nota do tradutor] Freud nem sempre estava igualmente convencido da possibilidade de auto-análises adequadas para aspirantes a analistas. Mais tarde, êle insistiu na necessidade de análises didáticas conduzidas por alguma outra pessoa.” Cause the world is full (fool!) of creepers (creeps, bisonhos, trepadeiras, tarados)!

Os senhores não podem exagerar a intensidade de carência interior de decisão das pessoas e de exigência de autoridade. O aumento extraordinário das neuroses desde que decaiu o poder das religiões pode dar-lhes uma medida disso.”

Uma operação, por certo, se destina a produzir reações; em cirurgia, estamos acostumados a isso, há muito tempo.”

os senhores devem pensar na posição de um ginecologista, na Turquia e no Ocidente. Na Turquia, tudo o que ele pode fazer é sentir o pulso de um braço, que se lhe estende através de um buraco na parede.”

A sugestão social é favorável, no presente, a tratar os pacientes nervosos pela hidropatia, dieta e eletroterapia, mas isso não capacita que tais recursos possam vencer as neuroses.”

O sucesso que o tratamento pode ter com o indivíduo deve ocorrer, igualmente, com a comunidade.”

a sua ansiosa superternura que tem em mira ocultar-lhes o ódio, a sua agorafobia que se relaciona com a ambição frustrada, as suas atitudes obsessivas que representam auto-censuras por más intenções e precauções contra as mesmas.”

essa necessidade de encobrimento [sintomas, provavelmente orgânicos, ou psicológicos ainda mais graves, que disfarçam a neurose – <ele é esquisito porque é tuberculose, porque tem pressão baixa, porque tem dores de cabeça e de barriga o tempo inteiro, porque sua coluna dói, porque herdou muitos genes ruins dos parentes…] destrói as vantagens de ser doente.” “Certo nº de pessoas, ao defrontar-se, em suas vidas, com conflitos que constataram muito difíceis de resolver, fogem para a neurose e, dêsse modo, retiram da doença vantagem inequívoca, embora, com o tempo, acarrete bastante prejuízo.” “Um bom nº daqueles que, hoje, fogem para a enfermidade não suportariam o conflito”

Lembremo-nos, no entanto, que nossa atitude perante a vida não deve ser a do fanático por higiene ou terapia.”

D) A SIGNIFICAÇÃO ANTITÉTICA DAS PALAVRAS PRIMITIVAS (prefiro ‘O contra-senso inerente aos conceitos’) [Über den Gegensinn der Urworte] (1910), trad. brasileira Clotilde da Silva Costa

Por que os sonhos funcionam sob o mecanismo da inversão da representação do desejo.

O nosso ofício de ironista.

Karl Abel (filósofo contemporâneo de F.): “Se a palavra egípcia <ken> devia significar <forte>, seu som que fosse alfabèticamente escrito seguia-se da figura de um homem em pé, armado; se a mesma palavra tinha de expressar <fraco>, as letras que representam o som se seguiam da figura de um corcunda, coxo.”

macio macilento

Em latim <altus> significa <alto> e <profundo>, <sacer> <sagrado> e <maldito> (…) <clamare> (gritar) – <clam> (suavamente, secretamente); <siccus> (sêco) – <succus> (suco). Em alemão <Boden> ainda significa o mais alto bem como o mais baixo da casa (sótão ou chão). Nosso <bös> (mau) se casa com a palavra <bass> (melhor [boss! boçal!]); em saxão antigo <bat> (bom [o homem-mocego é bom!]) corresponde ao inglês <bad> e o inglês <to lock> (trancar) ao alemão <Lücke>, <Loch> (vazio, buraco).”

<stumm> (mudo), <Stimme> (voz)”

5 “[Nota da tradutora] Diz-se que <lucus> (bosque em latim) se deriva de <lucere> (brilhar) porque nêle não há claridade. (Atribuído a Quintiliano.)” lusco-fusco

Mesmo hoje o homem inglês para exprimir <ohne> (sem) diz <without> (<mitohne>, i.e., com-sem), e o prussiano oriental faz o mesmo. A própria palavra <with>, que hoje corresponde ao <mit>, originàriamente significava ao mesmo tempo <sem> e <com>, como se pode reconhecer no inglês <withdraw> (retirar) e <withhold> (reter). A mesma transformação pode ser vista em <wider> (contra) e <wieder> (junto com).”

Topf – pot (DEU/ENG)

boat – tub (ENG/ENG)

wait – täwwen (ENG/DEU)

reck – care (ENG/ENG)

Balken – Klobe (DEU/DEU – viga, cepo)

capere – packen (LAT/DEU – tomar, agarrar respect.)

ren – Niere (LAT/DEU – rim)

leaf – folha (ENG/POR)

me  him

her  their

Leafar (li e fui longe, so far…)

Folha, Vento, folhas ao vento, oxigênio…

escrever&respirar

rayo

sucede a água

Arauto do Ar²

Taurus ²5

Sure-ata

seus réus

céus! rois reis en Romme

sóis brilhem me libertem, só. é.

fair lady não ria é uma bela moça cheia da lábia

Até um idiota como Stephen Hawking diria que no sono regular o ser humano rebobina a fita…

E) UM TIPO ESPECIAL DE ESCOLHA DE OBJETO FEITA PELOS HOMENS (Contribuições à Psicologia do Amor I) – Über einen besonderen Tipus der Objektwahl beim Manne (Beiträge zur Psichologie des Liebeslebens I) (1910 [überproduktiv!]), trad. brasileira Clotilde da Silva Costa

a precondição de que deva existir <uma terceira pessoa prejudicada>” “a pessoa em questão nunca escolherá uma mulher sem compromisso, i.e., uma moça solteira ou uma mulher casada livre” [???] “a segunda precondição consiste no sentido de que a mulher casta e de reputação irrepreensível nunca exerce atração que a possa levar à condição de objeto amoroso, mas apenas a mulher que é, de uma ou outra forma, sexualmente de má reputação, cuja fidelidade e integridade estão expostas a alguma dúvida.” “se torna alvo desse ciúme não o possuidor legítimo da pessoa amada, mas estranhos que fazem seu aparecimento pela primeira vez”

Don Juan: o primeiro afoito?

Para Freud a série tendente ao infinito das perguntas das crianças se resumiriam na matriz “como nascem as crianças?”. O que não faz sentido é a – súbita ou gradual – perda de interesse na questão antes de um esboço de resolução.

O que faria o macho alfa mais orgulhoso: desvirginar a donzela ou “ligar” o órgão da puta? Arrombar ou lacrar? Violar ou cicatrizar?

PRIMEIRA CITAÇÃO DO C.E. ENCONTRADA EM FREUD: “Ele começa a desejar a mãe para si mesmo, no sentido com o qual, há pouco, acabou de se inteirar, e a odiar de nova forma o pai como um rival que impede esse desejo; passa, como dizemos, ao controle do complexo de Édipo.”

Não perdoa a mãe por ter concedido o privilégio da relação sexual, não a ele, mas a seu pai, e considera o fato como um ato de infidelidade. Se esses impulsos não desaparecerem rapidamente, não há outra saída para os mesmos, senão seguir seu curso através de fantasias que têm por tema as atividades sexuais da mãe (ou primeiro amor), nas mais diversas circunstâncias; e a tensão conseqüente leva, de maneira particularmente rápida, a buscar alívio na masturbação.”

Quando a criança ouve dizer que deve sua vida aos pais, ou que sua mãe lhe deu a vida, seus sentimentos de ternura aliam-se a impulsos que lutam pelo poder e pela independência, e geram o desejo de retribuir essa dádiva aos pais e de compensá-los com outra de igual valor.”

<Não quero nada de meu pai; devolver-lhe-ei tudo quanto gastou comigo.> [!!!]” “a fantasia de salvar o pai de perigo” “o sentido desafiador é de longe o mais importante” “salvar a mãe adquire o significado de lhe dar uma criança – é supérfluo dizer, uma igual a ele.”

a experiência do nascimento, provavelmente, nos legou a expressão de afeto que chamamos de ansiedade. Macduff,¹ da lenda escocesa, que não nasceu de sua mãe mas lhe foi arrancado do ventre, por esse motivo não conhecia a ansiedade.²”

¹ Em Macbeth.

² Aprofundamento da questão parto-ansiedade em Inibições, Sintomas e Ansiedade.

F) SOBRE A TENDÊNCIA UNIVERSAL À DEPRECIAÇÃO NA ESFERA DO AMOR (Contribuições à Psicologia do Amor II) – Über die Allgemeinste Erniedrigung des Liebeslebens (Beiträge zur Psichologie des Liebeslebens II) (1912), trad. brasileira Jayme Salomão

Se o psicanalista clínico indagar a si mesmo qual perturbação leva as pessoas com maior freqüência a procurarem-no em busca de auxílio, ele será compelido a responder que consiste nas diversas formas de ansiedade.”

Artigo sobre a impotência sexual ligada a mulheres parecidas com a mãe no sentido freudiano, ou seja, ligada a mulheres que se escolheu amar.

Gênese 2:24

a impotência total que, talvez, mais tarde se reforce pelo início simultâneo de um real debilitamento dos órgãos que realizam o ato sexual.”

psicanestésicos, homens que nunca falham no ato, mas que o realizam sem dele derivar qualquer prazer especial”

mulheres frígidas” “Esta é a origem do empenho realizado por muitas mulheres de manter secretas, por certo tempo, mesmo suas relações legítimas”

o homem quase sempre sente respeito pela mulher que atua com restrição a sua atividade sexual, e só desenvolve potência completa quando se acha com um objeto sexual depreciado; e isto por sua vez é causado, em parte, pela entrada de componentes perversos em seus objetivos sexuais, os quais não ousa satisfazer com a mulher que ele respeita.” “Também é possível que a tendência a escolher uma mulher de classe mais baixa para sua amante permanente ou mesmo para sua esposa, tão freqüentemente observada nos homens de classes mais altas da sociedade, nada mais seja que sua necessidade de um objeto sexual depreciado” “[tais homens] consideram o ato sexual, basicamente, algo degradante, que conspurca e polui mais do que simplesmente o corpo.”

É, naturalmente, tão desvantajoso para a mulher se o homem a procura sem sua potência plena como o é se a supervalorização inicial dela, quando enamorado, dá lugar a uma subvalorização depois de possuí-la.”

Pode-se verificar, facilmente, que o valor psíquico das necessidades eróticas se reduz, tão logo se tornem fáceis suas satisfações. Para intensificar a libido, se requer um obstáculo” “Nas épocas em que não havia dificuldades que impedissem a satisfação sexual, como, talvez, durante o declínio das antigas civilizações, o amor tornava-se sem valor e a vida vazia”

os componentes instintivos coprófilos, que demonstraram ser incompatíveis com nossos padrões estéticos de cultura, provavelmente porque, em conseqüência de havermos adotado a postura ereta, erguemos do chão nosso órgão do olfato. (…) o excrementício está todo, muito íntima e inseparàvelmente ligado ao sexual; a posição dos órgãos genitais – inter urinas et faeces – permanece sendo o fator decisivo e imutável. Poder-se-ia dizer neste ponto, modificando um dito muito conhecido do grande Napoleão: <A anatomia é o destino.> Os órgãos genitais propriamente ditos não participaram do desenvolvimento do corpo humano visando à beleza: permaneceram animais (…) é absolutamente impossível harmonizar os clamores de nosso instinto sexual com as exigências da civilização.”

G) O TABU DA VIRGINDADE (Contribuições à Psicologia do Amor III) – Das Tabu der Virginität (Beiträge zur Psichologie des Liebeslebens III) (1918)

a prática da ruptura do hímen dessa maneira, fora do casamento subseqüente, é muito disseminada entre as raças primitivas que vivem ainda hoje. Como diz Crawley, <Essa cerimônia do casamento consiste na perfuração do hímen por uma pessoa designada que não o marido; é muito comum nos estágios mais baixos de cultura, especialmente na Austrália.> (Crawley, 1902, 347)”

Nas tribos Portland e Glenelg isto é feito à noiva por uma mulher idosa; e, às vezes, com essa finalidade são solicitados homens brancos, para deflorar as moças púberes (Brough Smith, 1878).”

A ruptura, às vezes, ocorre na infância”

Esse defloramento é efetuado pelo pai da noiva entre os Sakais (Malásia), os Battas (Sumatra) e os Alfoers das Celebes (Ploss e Bartels, 1891).” “Nas Filipinas haviam (sic) determinados homens cuja profissão era deflorar noivas, caso o hímen não houvesse sido perfurado na infância por uma mulher idosa, às vezes contratada para esse fim (Featherman, 1885-91).”

A perfuração ritual não acarreta necessàriamente a relação sexual. Freud critica o acanhamento e superficialidade dos primeiros etnógrafos.

8 “Em numerosos exemplos, não pode haver dúvidas de que outras pessoas além do noivo, p.ex., seus convidados e companheiros (nossos tradicionais <padrinhos do noivo> [<Kranzelherrn>]) têm livre acesso à noiva.”

a circuncisão de meninos e seu equivalente ainda mais cruel nas meninas (excisão do clitóris e dos pequenos lábios)”

em algumas ocasiões especiais, a sexualidade do homem primitivo pode sobrepujar todas as inibições; mas de maneira geral, parece ser mais fortemente dominada por proibições do que o é nas camadas mais altas da civilização.”

não se permite a um sexo pronunciar em voz alta os nomes próprios dos membros do outro sexo e as mulheres criam uma linguagem com um vocabulário especial.” “em algumas tribos, mesmo os encontros entre marido e mulher têm de se realizar fora de casa e às escondidas.”

SUPER MALLEVS MALEFICARVM: “Ele não separa o perigo material do psíquico, nem o real do imaginário. Em sua concepção animista do universo consistentemente aplicada, todo perigo decorre da intenção hostil de algum ser dotado de alma como ele próprio”

A frigidez inclui-se, assim, entre os determinantes genéticos das neuroses.”

<noites de Tobias> (o costume da continência durante as três primeiras noites do casamento)”

P. 190: “Por trás dessa inveja do pênis, manifesta-se a amarga hostilidade da mulher contra o homem, que nunca desaparece completamente nas relações entre os sexos e que está claramente indicada nas lutas e na produção literária das mulheres <emancipadas>. Em uma especulação paleobiológica, Ferenczi atribuiu a origem dessa hostilidade das mulheres à época em que os sexos se tornavam diferenciados. A princípio, a cópula realizou-se entre dois indivíduos semelhantes, um dos quais, no entanto, transformou-se no mais forte e forçou o mais fraco a se submeter à união sexual. Os sentimentos de amargura decorrentes dessa sujeição ainda persistem na disposição das mulheres hoje em dia.”

Arthur Schitzler – Das Schicksal des Freiherrn

Uma comédia da autoria de Anzengruber mostra como um simples camponês é dissuadido de casar com sua noiva pretendida porque ela é <uma rapariga que lhe cobrará primeiro a vida>. Por esse motivo ele concorda em que ela case com outro homem e está disposto a aceitá-la quando ficar viúva e não for mais perigosa. O título da peça, Das Jungferngift (<O Veneno da Virgem>), traz-nos à lembrança o hábito dos encantadores de serpentes que, primeiro, fazem as cobras venenosas morderem um pedaço de pano a fim de, depois, lidarem com elas sem perigo.”

Hebbel – Judite e Holofernes: “Quando o general assírio está cercando sua cidade, ela concebe o plano de seduzi-lo com sua beleza e de destruí-lo, usando assim um motivo patriótico, para esconder outro, sexual. Depois de haver sido deflorada por esse homem poderoso, que se gaba de seu vigor e de sua insensibilidade, ela encontra forças em sua fúria para lhe cortar a cabeça, tornando-se assim a libertadora de seu povo. (…) É claro que Hebbel sexualizou intencionalmente a narrativa patriótica do Apócrifo do Velho Testamento, pois, nela, Judite pode se gabar, depois ao voltar, que não foi violada, e nem existe no texto bíblico qualquer menção de sua misteriosa noite nupcial. Mas provavelmente, com a fina percepção de poeta, ele percebeu o velho motivo, que se havia perdido na narrativa tendenciosa [infantil Apud Groddeck].”

H) A CONCEPÇÃO PSICANALÍTICA DA PERTURBAÇÃO PSICOGÊNICA DA VISÃO – Die Psychogene Sehstörung in Psychoanalytischen Auffassung (1910), trad. brasileira Paulo Dias Corrêa

nos pacientes predispostos à histeria, há uma tendência inerente à dissociação – a uma desagregação das conexões em seu campo psíquico”

FREUD, O PAI DO SEXO: “Foi Jung, e não eu, que fêz da libido um equivalente da fôrça instintiva da tôdas as faculdades psíquicas, e que contesta a natureza sexual da libido. (…) Da minha concepção você extrai a natureza sexual da libido e da conclusão de Jung seu significado generalizado. É assim que se cria na imaginação dos críticos um pan-sexualismo que não existe nos meus conceitos nem nos de Jung. (…) Nunca afirmei que tôdos os sonhos expressassem a satisfação de um desejo sexual, mas muitas vêzes acentuei o contrário. Porém isto não produz nenhum efeito, e as pessoas continuam a repetir a mesma coisa.

Com meus agradecimentos cordiais e cumprimentos sinceros,

Seu, Freud.”

os dedos de pessoas que renunciaram à masturbação se recusam a aprender os movimentos delicados indispensáveis para tocar piano ou violino.”

como se uma voz punitiva estivesse falando de dentro do indivíduo e dizendo: <Como você tentou utilizar mal seu órgão da visão para prazeres sensuais perversos, é justo que você nunca mais veja nada> (…) A idéia da pena de talião está implícita nisto (…) A bela lenda de Lady Godiva nos conta como todos os habitantes da cidade se esconderam por trás de suas venezianas fechadas, a fim de tornar mais fácil a tarefa da senhora de cavalgar nua pelas ruas, em pleno dia, e como o único homem que espreitou pelas venezianas os seus encantos descobertos foi punido com a cegueira.”

I) PSICANÁLISE “SILVESTRE” – Über “Wilde” Psychoanlyse (1910), trad. brasileira Paulo Dias Corrêa

<neuroses atuais>, tais como a neurastenia típica e a neurose de angústia simples” “condições com uma causação puramente física e contemporânea” [???] “[F.] sugere dever considerar-se a hipocondria uma terceira <neurose atual>”

Dificuldade de distinguir entre neurastenia e hipocondria.

Psicanálise “silvestre”: amadora, sem método.

Pp. 211-2: “É idéia há muito superada, e que se funda em aparências superficiais, a de que o paciente sofre de uma espécie de ignorância, e que se alguém consegue remover esta ignorância dando a êle a informação (acêrca da conexão causal de sua doença com sua vida, acerca de suas experiências de meninice, e assim por diante) êle deve recuperar-se. (…) Se o conhecimento acêrca do inconsciente fôsse tão importante para o paciente como as pessoas sem experiência de psicanálise imaginam, ouvir conferências ou ler livros seria suficiente para curá-lo. Tais medidas, porém, têm tanta influência sôbre os sintomas da doença nervosa [uma vez que já houve a somatização, é tarde demais para se cuidar de forma amadora…] como a distribuição de cardápios numa época de escassez de víveres tem sôbre a fome. A analogia vai mesmo além de sua aplicação imediata; pois, informar o paciente sôbre seu inconsciente redunda, em regra, numa intensificação do conflito nêle e numa exacerbação de seus distúrbios. [- Você é narcista. – Obrigado, agora entendi! Deixo de me apaixonar pelo meu reflexo n’água quando puder…] (…) isto não se poderá fazer antes que 2 condições tenham sido satisfeitas. (…) o paciente deve (…) ter alcançado êle próprio a proximidade daquilo que êle reprimiu [digamos que ver NARCISISTAS lidando diariamente com seus problemas não ajuda muito… Automaticamente, não ser o que me torna mórbido torna-se errado – <humilde> e <sem estudos formais> é sardinha para piranhas na CAPES] e, segundo, êle deve ter formado uma ligação suficiente com o médico [permaneceram-me todos até aqui tipos ordinários, estranhos ao meu mundo] (…) A intervenção psicanalítica, portanto, requer de maneira absoluta um período bastante longo de contato com o paciente. (…) A psicanálise fornece essas regras técnicas definidas para substituir o indefinível <tato médico> que se considera como um dom especial. [ausência de Freuds e Groddecks em Brasília…] (…) Tenho amiúde encontrado que um procedimento inepto dêsses, mesmo se a princípio produzia uma exacerbação da condição do paciente, conduzia a uma recuperação ao final. Nem sempre, mas muito amiúde. Quando êle já insultou bastante o médico e se sente suficientemente distanciado de sua influência, seus sintomas cedem, ou êle se decide a tomar alguma iniciativa que vai no caminho da recuperação. A melhoria final então advém por si ou é atribuída a certo tratamento totalmente neutro por algum outro doutor para quem o paciente tenha mais tarde se voltado.”

J) ZUR SELBSTMORD-DISKUSSION

não estais inclinados a dar fácil crédito à acusação de que as escolas impelem seus alunos ao suicídio. Não nos deixemos levar demasiado longe, no entanto, por nossa simpatia”

Se é o caso que o suicídio de jovens ocorre não só entre os alunos de escolas secundárias, mas também entre aprendizes e outros, êste fato não absolve as escolas secundárias.”

A escola nunca deve esquecer que ela tem de lidar com indivíduos imaturos a quem não pode ser negado o direito de se demorarem em certos estágios do desenvolvimento e mesmo em alguns um pouco desagradáveis. A escola não pode adjudicar-se o caráter de vida: ela não deve pretender ser mais do que uma maneira de vida.”

Nem chegamos a uma compreensão psicanalítica do afeto crônico do luto.” Minha vida sempre num espeto. Me comporto como se fosse meu próprio bisneto a me lamentar: que desperdício de potencial!

F. – Certas Reflexões Sôbre a Psicologia do Rapaz em Idade Escolar (1914)

K) ANTHROPOPHYTEIA

Subscrevo-me, prezado Dr. Krauss, muito cordialmente,”

A Anthropophyteia foi um periódico, fundado e editado pelo Dr. F.S. Krauss, que tratava principalmente de material antropológico de natureza sexual.”

Bourke – Scatologic Rites of All Nations

L) DUAS FANTASIAS – Beispiele de Verrats pathogener Phantasien bei Neurotikern

(apenas contribuições ao glossário do cabeçalho)

M) CARTAS A UMA MULHER NEURÓTICA – Briefe am nervöse Frauen bei Dr. Neutra

a psicanálise não se pode satisfatoriamente combinar com a técnica da <persuasão> de Oppenheim

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O LIVRO dISSO – Georg “Troll” Groddeck

trad. José Teixeira Coelho Netto

A estranha condição de Groddeck, simultaneamente precursor e discípulo de Freud.

“Georg Walther Groddeck nasceu a 13 de outubro de 1866 em Bad Kösen, Alemanha, filho de um médico, Karl Groddeck, cujos escritos teriam sido lidos com particular atenção por Nietzsche.”

“Groddeck era leitor assíduo de Ibsen, entre outros; em 1910 publicou um livro sobre as peças de Ibsen. Bem, em Peer Gynt, uma das personagens importantes é a figura de troll, ser mítico do folclore escandinavo, gigante ou não, habitante das cavernas ou das montanhas (ou das cavernas nas montanhas), amoral e imoral, capaz de ser homem e mulher, severo e devasso, brincalhão e destruidor.

“Seu modo de proceder partia do princípio de que as doenças do homem eram uma espécie de representação simbólica de suas predisposições psicológicas e que muitas vezes o centro delas, seu modelo tipológico, podia muito bem ser elucidado com sucesso através dos métodos freudianos somados às massagens e ao regime, tanto quanto qualquer neurose obsessiva.” Peixinho que sou, morrerei pela boca. Asfixiado por minhas próprias palavras geniosas e maldições. A cabeça lateja com a burrice dos demais, e os pulmões se sentem imediatamente fracos, sem conseguir executar o serviço. Faxina interior periódica. Mas um tanto freqüente demais.

“Ele sentia o horror dos poetas pelos discípulos, pelos ensaios, artigos e exegeses… horror de toda essa poeira estéril que se levanta ao redor de um homem original e de uma idéia nova.”

Lawrence Durrell

* * *

“A angústia – ou o medo –, como você sabe, é conseqüência de um desejo recalcado.” “É isso aí: você tem aqui a essência do médico: uma propensão para a crueldade recalcada ao ponto de tornar-se uma coisa útil, e cujo censor é o medo de fazer sofrer.”

“Ainda me lembro como ele [o pai, médico] ria das esperanças depositadas na descoberta dos bacilos da tuberculose e do cólera, e com que prazer ele dizia que, desprezando todos os dogmas da fisiologia, havia alimentado com sopinha um bebê. O primeiro livro de medicina que ele pôs nas minhas mãos – eu ainda estava no ginásio – foi a obra de Radmacher sobre o ensino da medicina experimental; como os trechos combatendo a ciência estavam energicamente assinalados no livro, e amplamente acrescidos de observações marginais, não é de espantar que, desde o começo de meus estudos, eu tenha me inclinado pelo ceticismo.”

“eu transferi para a ciência toda a raiva e o sofrimento de meus anos passados nos bancos escolares por ser muito mais cômodo atribuir a origem das perturbações da alma a realidades exteriores do que ir procurar a causa disso nos cantos mais escuros do inconsciente.

Mais tarde, infinitamente mais tarde, percebi que a expressão Alma Mater – <mãe amamentadora> – recorda, para mim, os primeiros e mais terríveis conflitos de minha vida. Minha mãe só amamentou o primeiro de seus filhos: nessa época ela contraiu uma grave infecção nos seios, em conseqüência do que suas glândulas mamárias secaram.”

“Mas quem pode conhecer os sentimentos de um bebê?”

As pessoas que detestam a mãe não têm filhos; isto é tão verdadeiro que nos casais sem filho é possível apostar, sem errar, que um dos dois é inimigo da própria mãe. Quando se odeia a mãe, teme-se o próprio filho, pois o ser humano vive segundo o velho preceito: <Neste mundo tudo se paga…>.” “Ela vive do ódio, da angústia, do ciúme e da tortura incessante provocada por uma sede de algo inacessível.”

“Você já imaginou as atribulações de uma criança amamentada por uma ama? É uma situação complicada, pelo menos quando a mãe verdadeira gosta da criança.”

“diante dessa questão inoportuna, mais vale procurar refúgio no reino da fantasia. Quando você se acostuma com esse reino, logo descobre que a ciência nada mais é que uma variedade da fantasia, uma espécie de especialidade dotada de todas as vantagens e de todos os perigos de uma especialidade.”

“cada um passou a desconhecer o que acontecia com o outro. Quanto ao filho, tornou-se um incrédulo. Sua vida dissociou-se. (…) começou a beber, destino freqüentemente reservado àqueles que se viram sem afeto nas primeiras semanas de existência.”

O ELITISMO DO ETILISMO: “Tive o trabalho de remontar um pouco até a fonte de sua aberração e sei que essa história infantil da ama-de-leite sempre vem à tona um pouco antes de ele sentir a necessidade de recorrer à diva garrafa.”

“Como presente de despedida, minha ama me deu uma moeda de bronze de 3 groschen, chamado <Dreier>, e me lembro muito bem que, ao invés de gastar o dinheiro em doces, como ela havia dito, me sentei nos degraus de pedra da escada da cozinha e comecei a lustrar a moeda. Desde esse dia, o número 3 me persegue. Palavras como trindade, tríplice, triângulo, adquirem, para mim, uma ressonância suspeita. (…) E foi assim que, desde pequenininho, deixei de lado o Santo Espírito, porque era o terceiro; foi por isso que, na escola, a construção de triângulos tornou-se para mim um pesadelo, e também essa foi a razão pela qual a política da Tríplice Aliança, tão decantada numa certa época, recebeu minha desaprovação desde o primeiro momento.”

“Acredito que o homem é vivido por algo desconhecido. Existe nele um <Isso>, uma espécie de fenômeno que comanda tudo que ele faz e tudo que lhe acontece. A frase <Eu vivo…> é verdadeira apenas em parte; ela expressa apenas uma pequena parte dessa verdade fundamental: o ser humano é vivido pelo Isso.”

Não é surpreendente que não consigamos recordar nada de nossos 3 primeiros anos de vida?” “por que as mães são tão mal informadas a respeito de seus próprios filhos, por que também elas esquecem a parte mais essencial desses 3 anos? Talvez elas apenas finjam esquecer. A menos que, também nelas, o essencial não chegue igualmente ao consciente.”

“Para o Isso, não existe uma idade para as coisas e o Isso é nossa própria vida.”

“Mesmo as senhoras mais distintas peidam.”

“Na vida, a gente começa sendo criança e atravessa a idade adulta através de 1000 caminhos que levam todos a um mesmo ponto: a volta ao estado infantil. A única diferença entre as pessoas é que elas voltam à infância ou tornam-se pueris.”

“ele sofre de cólicas hepáticas, de dores do parto enfim, se você prefere; de modo especial, tem problemas apendiculares – como todos os que gostariam de ser castrados, tornar-se mulheres.”

“pericardite, gravidez imaginária do coração.”

“Eu ouvi de um homem que morreu na guerra: uma vez, o cachorro da irmã dele, uma espécie de poodle – ele devia ter então 17 anos – tinha-se esfregado em sua perna, masturbando-se. Ele ficou olhando, interessado, quando, de repente, no momento em que o líquido seminal escorreu por sua perna, foi tomado pela idéia de que o cachorro ia dar à luz filhotinhos; esta idéia perseguiu-o durante semanas, meses.” “o papel curioso que o cachorro representa na vida oculta do ser humano”

“as hemorróidas, parecidas a vermes do reto, esse flagelo que atormenta um bom número de seres humanos durante toda a vida, na maioria das vezes se originam da associação verme-criança, e desaparecem quando some o terreno de cultura propícia criada pelo desejo simbólico do inconsciente”

“Conheço uma mulher – é uma dessas que têm por profissão adorar as crianças sem ter nenhum filho próprio, pois odeia a própria mãe – cujas regras [menstruações] sumiram durante 5 meses; a barriga inchou, os seios ficaram maiores; ela achava que estava grávida. Um dia eu lhe falei longamente sobre a relação entre os vermes e as idéias de gravidez que constatei numa de nossas amigas comuns. Naquela mesma noite, ela <deu a luz> a uma ascáride e, enquanto dormia, suas regras voltaram, ao mesmo tempo que a barriga desinchava.”

“Em toda mãe, ao lado do amor que ela sente pelo filho, existe também uma aversão por esse mesmo filho.”

“Essas náuseas são causadas pela repugnância do Isso em relação a essa coisa que se introduziu no organismo. As náuseas expressam o desejo de eliminar a coisa, e os vômitos são uma tentativa de pô-la para fora. Por conseguinte, desejo e esboço de aborto. Que me diz? (…) outro sintoma da gravidez, originário do ódio da mulher pela criança: a dor de dente.” “E me pergunto seriamente se a associação feita pelo Isso entre o dente e a criança não é muito mais importante e cientificamente mais fecunda do que as deduções astronômicas de Newton. O dente é o filho da boca; a boca é o útero no qual ele cresce, do mesmo modo como o feto se desenvolve na matriz.”

“o fato de permanecer solteiro também é um modo de evitar a criança detestada, e já foi demonstrado que essa é uma das razões freqüentes do celibato e da virtude.” “E quando enfim se consegue levar o marido a renunciar ao miserável prazer de praticar a masturbação na vagina de sua mulher, é possível atribuir-lhe de mil modos as causas do mau humor, da infância sem alegria dos filhos e das desgraças do casamento.”

“Quer você acredite ou não, nunca houve um aborto que não tivesse sido intencionalmente provocado pelo Isso por razões facilmente identificáveis. Nunca! Em seu ódio, e quando tem o controle da situação, o Isso convida a mulher a dançar, montar a cavalo, viajar ou recorrer às mulheres <entendidas> que usam agulhas, sondas ou venenos, ou então a cair, bater-se, deixar-se bater ou ficar doente.”

“A vagina da mulher é um Moloch insaciável. Onde anda, portanto, essa vagina que se contentaria com ter em si um pequeno membro do tamanho de um dedo quando pode dispor de outro, grosso como o braço de uma criança? A imaginação da mulher trabalha com instrumentos poderosos, sempre foi e sempre será assim.”

“nunca se conseguirá descobrir inteiramente a origem dessa identificação entre o desejo sexual e o pecado.”

“A própria mãe dá a seu filho lições de onanismo; ela é obrigada a fazer isso, pois a natureza acumula sujeira, que tem de ser lavada, lá onde se encontram os órgãos da volúpia; a mãe é obrigada a fazer isso, não pode fazer de outro modo. E, pode acreditar, grande parte daquilo que recebe o rótulo de limpeza, a ânsia de servir-se do bidê, as lavagens após as evacuações, as irrigações, nada mais são que uma repetição das voluptuosas lições impostas pelo inconsciente.”

“A necessidade inelutável pela qual a vida comanda a auto-satisfação ao situar a sujeira e o fedor das fezes e da urina no mesmo lugar do prazer sexual demonstra que os deuses dotaram o ser humano com esse ato reprovado, com esse assim chamado vício, por alguma razão, e demonstra que esse ato faz parte do destino do homem.”

“observei, durante viagens minhas pelo interior, que de vez em quando um jovem lavrador, em pé atrás de seu arado, satisfazia suas vontades, sozinho e de um modo muito honesto. A mesma coisa se pode ver entre as camponesas jovens, quando não se perdeu o hábito de ver as coisas em virtude das proibições da infância; proibições como essa atuam, segundo as circunstâncias, durante longos anos, às vezes durante a vida toda, e de vez em quando é divertido observar tudo aquilo que as pessoas não vêem porque Mamãe proibiu que se visse. Mas para isso você não precisa ir até o mundo dos camponeses. Suas próprias recordações serão suficientes. (…) Nem é preciso pensar nas mil possibilidades do onanismo secreto, inocente, na equitação, na gangorra, na dança, na constipação; fora daí há muitas outras carícias cujo sentido mais profundo é a auto-satisfação.” “O próprio termo <onanismo> indica que é a idéia da perda do sêmen que assusta as pessoas. Você conhece a história de Onã? (…) Havia entre os judeus uma lei que obrigava o cunhado, no caso de o irmão morrer sem filhos, a compartilhar da cama da viúva; a criança assim concebida seria considerada descendente do morto. (…) Onã viu-se nessa situação; mas como não gostava da cunhada, deixava o sêmen cair ao chão ao invés de fazê-lo correr para o ventre da mulher. A fim de puni-lo pela violação da lei, Jeová fez com que morresse. O inconsciente da massa conservou dessa história apenas a imagem do líquido seminal caindo no chão, e estigmatizou com o nome de onanismo todo gesto semelhante, o que sem dúvida provocou o aparecimento da idéia da morte em virtude da auto-satisfação.”

“Não sou muito erudito, mas me parece que foi no fim do século XVIII que se espalhou esse medo do onanismo. Na correspondência entre Lavater e Goethe, ambos falam no onanismo espiritual com tanta naturalidade como se estivessem falando das peripécias de um passeio pelo campo. No entanto, essa foi a época em que a sociedade começou a se preocupar com os doentes mentais, e os alienados – sobretudo os idiotas – são ardorosos adeptos da auto-satisfação. Assim, é admissível que tenham confundido causa e efeito, é possível que tenham pensado que era pelo fato de se masturbar que o idiota se tornava um idiota.”

“o fato de, num enxame de irmãos e irmãs, aquele que mais diz besteiras ser sempre o caçula parece uma coisa natural. E foi assim que desde cedo perdi o hábito de manifestar minhas opiniões; recalquei todas elas.” “É uma situação bem desagradável e você bem pode imaginar os pulos que dá um ser recalcado, esmagado, anulado, quando se vê livre. Tenha um pouco de paciência. Mais umas poucas cartas meio doidas e este ser embriagado de liberdade se comportará com tanta ponderação e seriedade quanto o texto maduramente meditado de um psicólogo profissional qualquer.”

“O anel costuma ser considerado como símbolo do casamento; mas são muito poucos os que têm uma idéia da razão pela qual esse círculo expressa a noção da união conjugal. Os apótemas segundo os quais o anel é um elo, uma ligação, ou representa o amor eterno, sem começo nem fim, permitem tirar conclusões sobre o estado de espírito e a experiência daquele que usa esses florilégios do discurso, mas nada nos dizem sobre o fenômeno, produzido por forças desconhecidas, que levou a escolher o anel como representação do estado matrimonial. No entanto, se partirmos do princípio segundo o qual o hímen é a fidelidade sexual, a interpretação se torna fácil. O anel representa o órgão sexual feminino, sendo o dedo o órgão do homem. O anel não deve ser enfiado em nenhum outro dedo que não o do marido, e isso significa o voto de nunca acolher, no anel da mulher, um outro órgão sexual que não seja o do marido.” “a concepção do anel nupcial sob a forma de um elo ou círculo sem começo nem fim pode ser explicada por um mau humor ou por sentimentos românticos que vão procurar – e têm de – sua forma de expressão no tesouro comum dos símbolos e das associações.”

“(Todas as línguas do mundo iniciam a denominação do procriador com o fonema desdenhoso P, e a da parturiente com o som aprovador M.)”

“Os fundamentos da ciência são mais duráveis que o granito; suas paredes, salas e escadas reconstroem-se a si mesmas quando, aqui e ali, alguns pedaços de alvenaria, infantilmente construídos, desabam.”

“Todo mundo conhece Chapeuzinho Vermelho. A cabecinha vermelha sai, curiosa, da capa do prepúcio toda vez que se vai urinar e quando chega o momento do amor, a mesma cabeça vermelha se estica na direção das flores do campo, se mantém ereta sobre uma perna como o cogumelo, como aquele anãozinho no bosque com seu capuz vermelho, e o lobo no qual ele penetra para sair de seu ventre aberto após nove luas é um símbolo das teorias infantis da concepção do nascimento. Você se lembra que também acreditou nessa história de abrir a barriga?”

“o velho anão e sua longa barba representa a velhice impotente e o padre ilustra simbolicamente a renúncia voluntária involuntária.”

“Atrevo-me a pretender que as cantigas infantis e populares que têm por tema o <menino perdido no bosque> foram extraídas, com todos os seus detalhes, do fenômeno das pilosidades púbicas e da ereção, através de associações inconscientes”

A vida já é bastante séria, não é preciso que a gente ainda por cima se esforce por levar a sério as leituras, os estudos, o trabalho ou seja lá o que for.”

“Não é verdade que a mulher tenha uma sensibilidade aguda, que ela despreza e odeia a rudeza. Ela só detesta tudo isso nos outros. Ela ornamenta sua própria rudeza com o lindo nome de amor materno.”

“Um dia vi uma criança que tinha enfiado a cabeça entre umas barras de metal e que não podia nem ir para frente, nem para trás. Não vou esquecer seus gritos tão cedo.”

“Durante a mamada, a mulher é o homem que dá; e a criança, a mulher que recebe. Ou, colocando as coisas mais claramente, a boca que suga é a parte sexual feminina que recebe em si a teta à guisa de membro masculino.”

Não se surpreenda ao ver um homem correr atrás de uma boneca sem coração; reserve sua estupefação para aquele que não faz isso. E quando encontrar um homem profundamente enamorado, pode concluir sem hesitar que sua amante tem um coração cruel, que ela é cruel até o âmago, dessa espécie de crueldade que assume a máscara da bondade”

“Tudo isso, você vai me dizer, são apenas paradoxos, uma dessas brincadeiras típicas de Troll.”

“O mundo é dividido em duas partes: aquilo que convém momentaneamente ao ser humano é natural; aquilo que o desagrada, ele considera antinatural. (…) aquilo que existe é natural (…) Elimine a expressão <contra a natureza> de seu vocabulário habitual; com isso, estará dizendo uma besteira a menos.”

“A aprovação e o respeito envolvendo uma grande fecundidade, que antes ajudavam as mulheres soterradas por um bando de crianças a suportar seu destino, não existem mais. Pelo contrário, a mocinha é educada para ter medo dos filhos.”

“Há pessoas que não hesitam mesmo em estabelecer uma comparação entre as probabilidades de morte no parto e as probabilidades de sobrevivência dos homens durante as batalhas da Guerra Mundial. Essa é mais uma das manifestações de loucura de nossa época, e que pesa enormemente sobre nossa consciência, já carregada de remorsos e cada vez mais inextricavelmente mergulhada na hipocrisia no que diz respeito à produção da vida – e que, por isso, caminha cada vez mais depressa para sua destruição.”

“mãe e feiticeira são para o Isso da alma humana, geradora de contos, uma única e mesma coisa.”

“Você não encontrará nunca uma mulher a quem nunca tenha ocorrido a idéia de que seu filho será idiota, deficiente.”

“Parece provável até que a preguiça humana, o prazer que sentimos em ficar na cama até tarde, seja a prova do grande amor que o ser humano sente pela mãe, parece até que os preguiçosos que gostam de dormir são as melhores crianças. E se você se der conta de que quanto mais uma criança gosta da mãe, mais ela tem de lutar para se separar dela, naturezas como a de Bismarck ou do Velho Fritz – cujo ardente zelo pelo trabalho forma um curioso contraste com sua grande preguiça – se tornarão compreensíveis para você. O labor incessante que evidenciam é uma rebelião contra os elos do amor infantil que sentiam e que arrastam atrás de si.” “Bismarck, o Chanceler de Ferro, que na verdade tinha nervos de adolescente.” “Por que você acha engraçado que eu considere a mania de fumar como prova de infantilismo e apego à mãe? Nunca lhe ocorreu o quanto a ação de fumar se assemelha à ação de chupar o seio da mãe? (…) o fumante é um <filhinho da mamãe>.”

“E o fato de eu não ter conservado, por assim dizer, nenhuma lembrança do período situado entre meus 12 e 17 anos é prova dos combates que devem ter sido travados dentro de mim. Essas separações em relação à mãe são uma coisa muito curiosa, e posso dizer que o destino me tratou com muita indulgência.”

“três quartas partes de nosso sucesso, senão mais, dependem do encadeamento de circunstâncias que nos atribui alguma semelhança de caráter com os pais do paciente.”

<Sem mérito, nem dignidade>: estas palavras de Lutero devem estar presentes na mente dos que pretendem viver em paz consigo mesmos.”

“a prodigalidade torna-se diarréia, a avareza, constipação; o desejo de engendrar, cólica; o ato carnal torna-se uma dança, uma melodia, uma peça de teatro, edifica-se sob os olhos do homem em uma igreja, com a ponta masculina de seu campanário, as misteriosas abóbodas do ventre materno”

“Talvez conseguíssemos recuperar a capacidade de nos surpreendermos, perdida há muito tempo, nossa adoração pela criança – fato que, em nosso século de malthusianismo, já significa alguma coisa.”

“mais de ¾ dos estupros ocorrem durante esse período. Em outras palavras: um <quê> misterioso da mulher que sangra põe o homem numa espécie de estado de loucura que pode chegar até o crime.”

“Dos 20 mil germes fecundáveis com os quais a mulher vem ao mundo, quando ela chega à puberdade restam apenas algumas centenas e destes, na melhor das hipóteses, apenas uma dúzia serão fecundados”

“E depois disso tudo você vem me dizer essas bobagens sobre não se dever bater em crianças. Minha querida amiga, a criança quer apanhar, ela sonha com isso, ela morre de vontade de receber uma bofetada, como dizia meu pai. E através de uma artimanha que se manifesta de mil modos, ela trata de provocar essa punição. As mães acalmam seus bebês com tapinhas amistosos e a criança sorri. Ela acaba de limpar o filho, sobre a cômoda, e o beija nas maçãs rosadas que, um minuto antes, estavam sujas e, à guisa de suprema recompensa, administra no garotinho esperneante uma boa bofetada que ele recebe chiando de alegria.”

“Todos os idiomas designam o signo da virilidade pela palavra pau.”

“O Isso utiliza muito, e com alegria, esse tipo de tranqüilização. Por exemplo, ele produz o aparecimento, na boca amorosa e que deseja um beijo, de um eczema desfigurador; se me beijarem apesar disso, minha alegria será grande; se não me beijarem, não será por falta de amor, mas por desgosto diante do eczema. Essa é uma das razões pelas quais o adolescente, em fase de desenvolvimento, ostenta no rosto pequenas pústulas; é por isso que a mocinha, em seu primeiro baile, fica com uma maldita espinha no ombro nu ou na base do pescoço, para onde ela sabe que se voltarão os olhares; essa é também a razão pela qual a mão fica fria e úmida quando se estende na direção do bem-amado; é por isso que a boca, desejosa de um beijo, exala um mau hálito, por isso há escorrimentos nas partes sexuais, por isso as mulheres de repente se tornam feias e caprichosas e os homens desajeitados e infantilmente perturbados.“Se agrado a meu amado apesar de meu resfriado ou de meus pés que transpiram, é porque ele me ama de verdade”

“Ela coloca uma bandagem entre as coxas, pratica inconscientemente o onanismo sob o pretexto, admitido por toda parte, da higiene. E quando ela é realmente cuidadosa, por precaução já começa a usar o modess um dia antes e vai até um dia depois, sempre por precaução. E quando isso não a satisfaz, faz com que o sangramento dure mais tempo ou reapareça com mais freqüência.”

“Vou lhe contar um segredo: freqüentemente não consigo entender as definições, quer venham de outros ou de mim mesmo.”

“o frenesi da 4ª semana está além de suas forças. Ela precisa de uma ajuda, de uma espécie de fita para manter a máscara no lugar e encontra essa ajuda na doença, inicialmente nas dores lombares. O movimento para frente e para trás representa a atividade da mulher no coito; as dores lombares impedem esse movimento, reforçam a proibição lançada sobre o cio.”

“o Isso recorre às dores de cabeça a fim de obrigar o pensamento a repousar”

“Se uma leve indisposição não consegue resolver o conflito ou recalcá-lo, o Isso utilizará os grandes recursos: a febre, que obriga a mulher a ficar de cama, uma pneumonia, ou uma fratura da perna, que a imobiliza, diminuindo assim a esfera das percepções que exasperam seus desejos”

“Só morre aquele que quer morrer, aquele para quem a vida tornou-se insuportável.”

“segundo o tipo, o lugar e a época da doença, é possível deduzir o tipo, o lugar e a época do pecado que mereceu essa sanção. (…) Quando alguém fica cego, é porque não queria mais ver, porque pecou com os olhos ou tinha a intenção de fazê-lo; quando alguém fica sem fala é porque tinha um segredo e não ousava contá-lo bem alto.”

“a palavra Sucht (doença, paixão) nada tem a ver com sehnsucht (anelar) mas deriva de siech (doente). Mas o Isso se comporta como se não levasse em conta a etimologia; apega-se, como o grego inculto, aos sons da palavra e as utiliza para provocar a doença e alimentá-la.

Não seria tão ruim que os homens chamados a exercer a medicina fossem menos inteligentes, pensassem com menos sutilezas e deduzissem as coisas de modo mais infantil. Com isso se estaria fazendo melhor do que construindo sanatórios e hospitais.”

Tat Tvam Asi (Veda): Isso é tu.

“Com o tempo, e graças à aplicação com a qual entregamos à anatomia, à fisiologia, à bacteriologia e à estatística o cuidado de nos ditar nossas opiniões, chegamos ao ponto em que ninguém mais sabe ao que atribuir o nome de câncer.” “uma vez que não podemos acreditar mais em fantasmas, essas duas doenças (o câncer e a sífilis) – apesar ou por causa dos nomes por assim dizer indefiníveis que lhes dá a ciência, nomes cujas <associações> são grotescas e horrorosas – fornecem um bom substituto.” caranguejo: “Segundo Galeno, o legendário médico romano, o nome câncer foi dado à doença porque as veias intumescidas que circundam a parte afetada tinham a aparência das patas de um caranguejo.” dicionarioetimologico.com.br / sus+philos (amor ao porco, amor de porco), origem ~1530 (fonte: Id.)

Aquilo que os animais fazem, papai e mamãe também fazem nesses momentos em que ouço esse estranho tremer da cama e quando ouço os dois brincando de puf-puf trenzinho.”

“Toda doença é uma renovação do estado de bebê e encontra suas origens na saudade da mãe (…) A delicadeza da saúde, a freqüência e a duração das doenças são um indício da profundidade dos sentimentos que ligam o ser humano à imago da mãe.”

Pus na garganta. O que se põe na garganta, ora BOLAS?

Pus branco na garganta.

Felação que fodeu a garganta.

Sufocamento.

Medo de nadar.

Barco da Penny.

Trenzinho do pênis.

Engolir e seguir em frente.

Cuspir e enfrentar o problema.

Eu provei a mim mesmo que poderia fazer exatamente igual se decidisse me esforçar. Mas a verdade é que dá trabalho demais ser tão simples e grosseiro nos gostos.

“O que ressaltava mais nesse processo de semelhança com o pai era o envelhecimento precoce de D.

“Em casos de incapacidade sexual masculina, a primeira pergunta sempre deve ser: quais as relações deste homem com a mãe?”

“Eu já havia visto homens que, sob a pressão do complexo de Édipo, haviam contraído sífilis. É mais raro, porém, que essa doença seja inteiramente inventada pelo Isso e que, durante anos, se represente toda uma comédia de sintomas sifilíticos e blenorrágicos.”

“Mãe e filho: está aí, acumulada, toda a miséria do mundo, todas suas lágrimas, todo seu desespero. E como agradecimento, as únicas coisas que a mãe recebe são estas duras palavras: <Mulher, que tenho a ver contigo?>. Assim o exige o destino humano e não há mãe que se aborreça quando o filho a ignora. Pois é assim que deve ser.”

“O ódio com que D., bêbado, perseguia os pederastas, é homossexualidade recalcada”

“Já lhe contei que, no momento desses conflitos, ele criava coelhos. Entre estes havia um branco como a neve. Em relação a este coelho, D. assumiu um comportamento estranho. Permitia que todos os machos copulassem à vontade com as fêmeas e sentia um certo prazer em presenciar aqueles embates. O único não-autorizado a aproximar-se das fêmeas era aquele coelho branco. Quando o coelho conseguia fazê-lo, D. o pegava pelas orelhas, amarrava-o, suspendia-o de uma viga e chicoteava-o até não conseguir nem mexer o próprio braço. Era o braço direito, o primeiro a ser atingido pela doença. E foi exatamente nesse período que isso aconteceu.”

“O povo diz que quem vê a mãe nua fica cego.”

“O Isso escolhe, de modo despótico, o tipo de doença que quer provocar e não leva em conta nossa terminologia (se orgânica, se funcional ou se psíquica).”

“O corpo não fica doente. O que está morto não fica doente, no máximo apodrece.”

Bonita roupa de madeira, Fernandinho C&A (Corps und Alma)

“Não se suporta mais o papel de parede marrom, os vestidos verdes ou saias escocesas, o nome Gretchen faz o coração palpitar e assim por diante.”

“Creio que você não deve ter tido muita ocasião de ver ventres humanos nus. Isso já me aconteceu várias vezes. E é possível constatar uma coisa curiosa. Um sulco, uma longa ruga transversal ornamenta a parte superior do abdômen de um grande número de pessoas. Esse risco resulta do recalque. Ou então o que se vê são veias vermelhas. Ou o ventre está inchado, ou sabe Deus o que mais. Pense num ser humano assombrado durante anos, décadas, pela angústia de subir e descer escadas.” A escada tira a inocência, arranca o leite…

to stare

tomb

tombar

trap

step(dad-mom)

back-stairs

minha ex-

cada

ex-

pecial

“Pense no olho. Quando ele vê, transforma-se no teatro de toda uma série de processos diversos. Mas quando proíbem que veja e quando mesmo assim ele vê, não se atreve a transmitir suas impressões ao cérebro. Neste caso, o que pode acontecer com ele? Se for obrigado mil vezes ao dia a omitir o que percebe, não é admissível que acabe por se cansar e diga: <Vou tornar as coisas mais cômodas: se não posso ver, ficarei míope, alongarei meu eixo. E se isso não bastar, provocarei um derramamento de sangue na retina e ficarei cego>.”

Quem disse que eu quero ver o rosto das pessoas na rua?

Não quero copiar o quadro-negro nem ouvir conversa alheia.

pEidos-imagEn

Ironia das ironias, chiste dos chistes, Freud combatia a análise didática e a formalização da profissão que criou: “Quando, há anos, consegui superar meu orgulho e tomar a iniciativa de escrever a Freud, ele me respondeu mais ou menos nos seguintes termos: <Se você tiver compreendido o mecanismo da transferência e da resistência, pode sem receio dedicar-se ao tratamento de doentes através da psicanálise>.”

Quem persiste em ter espinha não fica paralítico.

“o trabalho mais importante do tratamento consiste em pôr de lado a transferência e superá-la.”

“3 instâncias das possibilidades de resistência [metáfora do salão, onde circulam os convidados pudicos e dignos, o guarda-costas, que faz a filtragem, e os convidados na antessala ou mundo exterior]”

ácaros acariciantes

alergia-a-carro

[c]at[arro]

rosa cara

rosca

Mabel

Baal

Fael

Colin

calling

call-in

center

periphery

peri go

danger

criança-cama-leão

adulto trust thrust Zarat

peso corcova(do) da obstinação

decerto criação

crianção

jugular

juba

lar

maxilar

maximizar

rocky

ronda

matinal

cave

homúnculo

carbúnculo

lungs long for…

lua

automobidle

deficiências autoimunes

death-ciência

memento mori

grande momento

virtual

Nem todo herói usa caspa, já dizia o Cristiano Ronaldo

“Todo aquele que não souber que espreitou assim por trás de cada moita, cada porta, aquele que for incapaz de falar do monte de porcaria oculto atrás dessas portas e moitas e for menos ainda capaz de se lembrar da quantidade de sujeira que ele mesmo pôs ali, esse não irá longe. É observando a si mesmo que se aprende a conhecer melhor as resistências. E é a si que a gente aprende a conhecer ao analisar os outros. Nós, médicos, somos uns privilegiados e não conheço outra profissão que pudesse me atrair mais.”

TABU PSICANALÍTICO? “é indispensável analisar a si mesmo. Não é fácil, mas isso nos revela nossas resistências pessoais e logo nos deparamos com fenômenos que desvendam a existência de resistências particulares a uma classe, um povo, até mesmo a toda a humanidade. Resistências comuns à maioria dos humanos, senão a todos.”

“Sentimos uma certa repugnância pelo uso de certas expressões infantis, expressões comuns em nós durante a infância. Em nossas relações com as crianças e – de modo bem curioso – com a pessoa que amamos, nós as empregamos sem segundas intenções; falamos em <fazer um xixizinho>, <um traque>, <pinto>, <xoxota>. Mas em companhia de adultos preferimos nos comportar como adultos, renegamos nossa natureza infantil e então <mijar>, <cagar>, <boceta> nos parecem mais normais. Estamos bancando os importantes, é só isso.”

“Parece que, freqüentemente, basta obrigar o guardião a anunciar um nome qualquer na sala do inconsciente; p.ex., Wüllner. Se entre os que estiverem perto da porta não houver ninguém com esse nome, o nome é posto a circular e se ele não chegar até aquele que assim se chama talvez haja um Müller que, intencionalmente ou não, entenderá mal o nome, abrirá passagem e entrará no consciente.”

rembrandt_circuncisao

“Com a mão direita, estou segurando minha caneta; com a esquerda, estou brincando com a corrente de meu relógio. Estou olhando para a parede da frente, para uma gravura de um quadro de Rembrandt intitulado A Circuncisão de Jesus. Meus pés estão no chão, mas o pé direito está marcando, com o calcanhar, o compasso de uma marcha militar que a orquestra do cassino está executando lá embaixo. Simultaneamente, percebo o grito de uma coruja, a buzina de um automóvel e os ruídos do bonde elétrico. Não sinto nenhum cheiro em particular, mas minha narina direita está ligeiramente tampada. Estou sentindo coceira na região da tíbia direita e tenho consciência de ter à direita de meu lábio superior uma pequena mancha redonda e vermelha. Meu humor está hoje instável e a extremidade de meus dedos, fria.”

Com as duas mãos, mas somente dois ou três dedos, digito rapidamente este parágrafo, seguindo o modelo acima; estou com o Word 2010 aberto, na página 17 do arquivo. Meu campo visual atual abrange 4 pessoas, ou deveria dizer 3 vultos e uma linda mulher madura em vestido verde de motivos florais, situada em ângulo oblíquo sem poder ler o que digito. Ela acaba de receber uma visita e se deslocar um pouco da mesa, me deixando apreensivo. Agora que me desconcentrei e a música que estava ouvindo acabou, antes de entrar a próxima, me dei conta de que o outro servidor no fundo do meu campo visual do olho direito, o Dênis, também está atendendo um servidor. Estou no primeiro andar de um prédio que, a rigor, é o quinto andar da construção em relação ao solo (uma vez que o primeiro andar da planta fica em cima de um andar chamado sobreloja, e sua referência para ser o <primeiro> é um térreo para pedestres, localizado ainda sobre vários andares de garagem). Uma das dezesseis abas do meu navegador Chrome está reproduzindo “Paradise regained” (Belphegor) no YouTube. Dois servidores conversam risonhos com meu corpo opaco atravessando sua comunicação sonora e visual (provavelmente sou um obstáculo indesejável). Sinto uma leve tensão maxilar. Os fones apertam. Está perto da minha pausa para fumar. A música adquire intensidade e faz meu sangue circular mais rápido. A cor predominante no meu campo visual é o preto. Sinto gosto de gengibre e café na boca. Sede, apesar de já ter bebido vários ml de água ainda há pouco. Meu celular está a minha frente, abaixo do monitor, sua tela está engordurada, isso me incomoda. Um número do Rio me liga insistentemente, eu ignoro. Transpiro bastante, sinto que o ar condicionado nesta sala é só de enfeite. A playlist já passou para outra música. Minha lente direita dos óculos está um pouco embaçada. O céu a minha frente (se eu olhar um pouco para cima, pela ampla janela) está parcialmente nublado. Estou tentando lembrar tudo o que farei nesta minha quinta-feira. Sinto a pele abaixo do lábio inferior áspera; ontem usei a gilete. Os pêlos do meu bigode estão compridos e eriçados nas pontas. Minhas pernas estão cruzadas abaixo da cadeira, meu tênis direito, laranja, resvala num dos pés do assento (de rodinhas), montados em formato de cruz. Imagino que este parágrafo já está longo mas mal descreve meu presente imediato. Não sinto qualquer espécie de dor muscular ou angústia traçável. São 10:14. Ah, lembrei: tenho que levantar e buscar um papel na impressora. Um adendo antes de encerrar o parágrafo: também há uma pintura, uma reprodução vulgar, e não um quadro, como no caso de Groddeck, bem pequena, numa pilastra a minha direita, acima dum extintor de incêndio. A gravura anexada à parede branca é uma representação católica típica da Virgem Maria e sua criança, ó! Apresenta tons pastéis. Se é que passamos do seu sétimo dia de vida (quem poderia saber), por baixo de sua manta branca – estou falando do menino Jesus – ele também está circunciso. O judeu que nos salvou há 2019 menos 32 ou 33 anos. Por mais que o mundo mude bastante em coisa de um século, esse fio de uma religião morta une inesperadamente ambos os autores, separados, ademais, por um oceano físico, além dos abismos de intersubjetividade e blá-blá-blá (cite um alemão fenomenólogo aqui). Eu não redigi isso de forma planejada, embora esse desfecho tenha parecido cuidadosamente arquitetado e harmonize com todo o “prólogo”. Agora também reparei que usei a palavra cruz já antes de reparar na gravura e comentar o Sacrifício. Poderia ser que meu inconsciente já houvesse engatilhado todos estes fatores? O papel continuaria na impressora, mas alguém viu, leu, e eu sorri constrangido: é meu.

“O anel é um símbolo feminino e o relógio, como todas as máquinas, também. Em meu espírito, o que está em jogo não é a corrente; ela simboliza, antes, algo que precede o ato sexual propriamente dito, anterior ao jogo do relógio [Kurapika quer FODER o Genei-Ryodan de modo inexorável e frio]. Minha mão esquerda diz que sinto mais prazer com as preliminares, em suma, com tudo aquilo de que o adolescente gosta [?], do que com a penetração em si.”

“Nada fere mais profundamente o ser humano do que atribuir-lhe uma nobreza que ele não tem.”

“<A caneta representa as partes sexuais do homem; o papel, a mulher que concebe; a tinta é o sêmen que escapa num rápido movimento de vaivém da caneta. Em outras palavras, escrever é um ato sexual simbólico. Mas ao mesmo tempo é o símbolo da masturbação, do ato sexual imaginário>. A pertinência dessa explicação está para mim no fato de que o mal do escritor desaparecia de cada um desses pacientes tão logo eles descobriam essas relações. (…) Para o doente com o mal do escritor, a escrita dita gótica é mais difícil que a latina, porque o movimento de vaivém é mais acentuado, mais intenso, mais incisivo. A caneta pesada é mais agradável de utilizar que a mais leve, que de algum modo representaria o dedo ou um pênis pouco satisfatório. [e para nós em 2019?] O lápis tem a vantagem de suprimir a perda simbólica do sêmen; a vantagem da máquina de escrever é que nela o erotismo está limitado ao teclado [?], ao movimento de vaivém das batidas e que a mão não tem contato direto com o pênis. Tudo isso corresponde aos fenômenos do mal do escritor, que leva da utilização da caneta comum à máquina de escrever passando pelo lápis e pela escrita latina para chegar finalmente ao ditado. [?]” “O tinteiro, com sua abertura que dá para profundas trevas, é um símbolo materno, representando a matriz da parturiente.” “Os caracteres, esses diabinhos pretos, se empurram para fora do tinteiro, esse ventre do inferno, e nos informam sobre a existência de íntimas relações entre a idéia da mãe e o império do Mal.”

“E se o Isso acha que uma simples vertigem, um passo em falso, uma entorse ou um encontrão num poste, pisar num pedregulho pontudo, uma dor no pé, não é advertência bastante, ele jogará o ser humano no chão, abrirá um buraco em seu crânio espesso, lhe ferirá o olho ou lhe fraturará o membro com o qual a pessoa está prestes a pecar. Talvez lhe arranje também uma doença, a gota, p.ex..”

“Quando digo às pessoas: <É preciso que você chegue ao ponto de não hesitar em poder se agachar um dia, numa rua, desabotoar a calça e fazer suas necessidades>, insisto na palavra poder. A polícia, os hábitos e o medo inculcado há séculos cuidarão para que meu paciente nunca <possa> fazer isso. A respeito disso, estou tranqüilo, embora você muitas vezes me chame de demônio e de <corruptor de costumes>.”

“o mais modesto, o mais humilde adora a si mesmo. Até Cristo na cruz, quando disse: <Meu pai meu pai, por que me abandonou?> e ainda <Tudo está consumado>. Ser um fariseu, dizer o tempo todo: <Rendo graças, Senhor, de não ser como aquele ali…> é uma coisa profundamente humana.”

“Suportou todas aquelas torturas apenas porque o pai dela se chamava Frederico Guilherme e porque lhe haviam dito na infância, por zombaria, que ela não era filha de sua mãe e tinha sido achada no meio do mato.”

FILHO ESPIRITUAL DE JÚLIO CÉSAR: “inventamos para nós uma vida imaginária na qual o rapto e a substituição nos devolvem nossa dignidade [longe da canalha alemã!].” Frequentemente eu sou o contrário: um alienígena que assume este corpo de prosaico terráqueo.

“Como único sinal de minha [antiga] dignidade, deram-me o nome de Augusta, a Sublime.”

(*) “Struwwelpeter é um famoso livro infantil ilustrado que fez as delícias e o horror de gerações de alemães cujos heróis são meninos de mau comportamento que recusam lavar-se, comer, cortar unhas e cabelos e que por isso recebem terríveis castigos: o que não come definha e morre, o que chupa os dedos tem todos os dedos cortados com enorme tesoura etc.”

“Quando se usa coroa, não se olha nem à esquerda nem à direita, julga-se tudo sem piscar, não se curva a cabeça diante de poder algum na terra. (…) ordena o Isso: fixe esta cabeça, endureça a coluna vertebral. Feche a mandíbula para que não possa gritar viva! (…) Paralise os ombros (…) Que suas pernas se endureçam, pois elas nunca deverão se ajoelhar diante de ninguém. Feche-lhe as pernas uma contra a outra para que nenhum homem nunca possa vir a se deitar entre elas. (…) ensinem-lhe, seivas e forças, a noção de ereção, da dureza, impedindo as pernas de se dobrarem, relaxarem (…) ensinem-lhe que é um homem.

“As diferenças de idade eram tão mínimas [na época dos casamentos arranjados desde a infância] que o primogênito devia ser em tudo o rival nato do pai e representava particularmente um perigo para a mãe, apenas mais velha que ele. (…) é bem possível que no começo matar o filho mais velho fosse um costume (…) camufla esse crime em rito religioso (…) [Muito depois] Os pais livravam-se de seus rivais no amor castrando-os. Com isso, não havia mais o que temer deles e conseguia-se um escravo barato. Quando a densidade demográfica tornava-se mais acentuada, passou-se a usar o sistema que consistia em mandar o filho mais velho para o estrangeiro, procedimento conhecido em certos momentos históricos sob o nome de Ver sacrum. [Tudo isso antes da invenção da agricultura e da formação de confederações maiores integradas por tribos menores, no nomadismo que exigia a força de trabalho humana e não apenas a vocação do pastoreio]”

“o globo é um símbolo materno (…) brincar com essa pequena bola equivale a um incesto alegórico. (…) o globo terrestre – nem preciso dizer –, tanto pelo fato de ser chamado de imagem de nossa <mãe-terra> quanto por sua aparência redonda, é sem dúvida uma alusão ao ventre materno em período <de esperança>.” Os terraplanistas são eunucos ou “homossexuais metafísicos”.

“O fruto que Eva passa a Adão [curiosa inversão] – e que de modo muito significativo foi imaginado através dos séculos como sendo uma maçã, fruto da deusa do amor, quando a Bíblia não fala em maçã alguma – este fruto, tão belo, tão tentador, tão delicioso de morder, corresponde ao peito, aos testículos, ao traseiro.”

“no esmagamento da cabeça da serpente estão representados tanto o relaxamento dos membros quanto a castração. E bem próxima está a idéia da morte. (…) O homem se vê diminuído em uma cabeça, encurtado de uma cabeça também é o membro, cuja glande, após o coito, se recolhe para dentro do prepúcio.”

“A menção ao traseiro de Eva lhe recorda que seu amante algumas vezes a possuiu por trás, enquanto você estava ajoelhada ou sentada sobre os joelhos.” “a ciência alemã sabe perfeitamente que todos, na juventude, gostaram do more ferarum [doggy style] ou tiveram pelo menos a vontade de praticá-lo.” “Nunca se teria pensado no clister se essa brincadeira bestial à la cachorrinho não tivesse existido. E também não se tomaria a temperatura no ânus. Nem haveria a teoria sexual infantil do parto pelo traseiro, que surge de 1000 maneiras na vida de todo ser humano, doente ou sadio.”

“Antigamente, as mulheres não usavam calcinhas; os homens e as mulheres sentiam prazer no gozo rápido. Mais tarde, pareceu-lhes mais divertido excitar-se com outras coisas e inventaram-se as calcinhas que, através de sua abertura, escondiam apenas pela metade os segredos que deveriam ocultar. Para encerrar, todas as mulheres usam hoje elegantes calcinhas inteiriças, com rendas. As rendas servem de isca, e a abertura fechada é para prolongar o jogo. Não deixe de prestar atenção à calça masculina, que insiste no lugar em que repousa o cavalinho.”

“O homem limpa a boca de lado, com um gesto de rejeição; a mulher usa o guardanapo a partir dos cantos da boca para chegar ao centro: quer conceber.”

“Para assoar o nariz, o homem produz o barulho de uma corneta, como um elefante, pois o nariz é símbolo de seu membro, sente orgulho dele e quer destacar seu valor.”

“Os meninos e os homens cospem, mostram que produzem sêmen; as moças choram, o que transborda de seus olhos simboliza o orgasmo.”

“A boca é o símbolo da mulher, e passar o dedo pelo bigode significa: <Gostaria de brincar com essa mulherzinha>.”

“A cabeça barbeada torna-se alegoria da glande nua no momento da ereção.”

“o fato de usar óculos: a pessoa quer ver melhor, mas não quer ser vista.”

“Aquele velho anda a passos curtos: quer prolongar o caminho que o levará à cova”

“Que capricho do Isso! Porco-mãe-Cristo!”

“Cobrir com a mão algo que não deve ser visto é coisa que se entende. Mas a mão sobre as partes sexuais? Tenho a impressão de estar diante de uma brincadeira do Isso.”

“O pomo de Adão provém sem dúvida do fato de que a maçã ficou entalada na garganta de Adão.”

“Na idade ingrata, também você teve um pescoço grosso demais. Isso passa. É só nas pessoas cujo Isso está completamente impregnado pela idéia da concepção através da boca e do horror de carregar uma criança na barriga, é só nessas pessoas que esse inchaço pode virar papo ou doença de Basedow.”

“Quando há 4 anos fiquei hidrópico em decorrência de uma grave pneumonia, meu olfato havia se desenvolvido a tal ponto que o uso de colheres tornou-se insuportável para mim porque – apesar de bem-lavadas – eu percebia o cheiro dos alimentos que haviam estado ali horas ou mesmo dias antes.”

“os urinóis da escola, cujos sufocantes eflúvios de amoníaco ainda hoje consigo sentir distintamente.”

“Já lhe contei que naquela época – eu tinha 12 ou 13 anos – ainda urinava na cama e tinha medo das brincadeiras dos colegas, mesmo que o fenômeno quase nunca acontecesse e, mesmo assim, em suas formas mais benignas.”

“Quando dois cães se encontram, se cheiram mutuamente os traseiros. É evidente que eles procuram saber, com a ajuda do nariz, se simpatizam com o outro. Quando as pessoas têm um certo senso de humor, elas riem, como você, desse costume canino; sem humor, a coisa é nojenta. Mas você manterá seu bom humor se eu disser que os seres humanos agem do mesmo modo?”

“aquilo que para um cheira mal, para outro é suave perfume.”

aADRENALINa

cigarroálitoflúordordegargantassuorseborreia

peidoarrotoespirrorrangerdedentes

este processo me cheira maldições

“Recorde-se, minha cara, que a criança primeiro aprende a conhecer e a gostar das pernas das pessoas”

“A atmosfera proveniente das exalações do sangue a envolve e aumenta seu desejo do incesto. Dessas impressões perturbadoras resulta todo o tipo de conflitos íntimos, aos quais se ligam decepções surdamente sentidas, profundamente dolorosas, que aumentam o pesar provocado pelos caprichos, pelos maus humores e enxaquecas da mãe. É de estranhar que se recorra ao recalque disso tudo?”

“Mas como poderia a mãe evitar esse embaraço? É seu destino ferir seu próprio filho naquilo que ele tem de mais profundo, é esse o destino de toda mãe. (…) na vida há muitas tragédias que esperam pelo poeta que as cantará. E talvez ele nunca apareça!”

“Não podemos suportar a idéia de que esse ser a que chamamos de mãe um dia nos recusou seu seio, que essa pessoa que diz nos amar, após nos ter incitado à masturbação, nos puniu por isso?”

“As crianças sabem que saíram da barriga da mãe. Mas são coagidas, por si e pelos adultos, a admitir a história da cegonha.”

“É destino do homem sentir vergonha de ter sido concebido humanamente e humanamente posto no mundo. Ele se acha ameaçado em seu orgulho, em sua semelhança com Deus. Ele gostaria tanto de procriar ao modo divino, de ser Deus! E pelo fato de que no ventre da mãe ele era um Deus todo-poderoso, descobre para si uma origem divina por meio da religião, inventa para si um deus-pai e aumenta o recalque do incesto até encontrar consolo na Virgem Maria, na Imaculada Conceição ou numa ciência qualquer.”

“Não queremos saber que ela sofreu por nossa causa, isso nos é intolerável. Ou será que você nunca percebeu o tormento de seus filhos quando você está triste ou chorando?”

“Assim como o <a> e o <b> surgem o tempo todo na fala, esse complexo, essa fobia de tornar-se mulher ressurge sem cessar em nós. E ponha <a> e <b> juntos e você terá ab (fora; no caso, idéia de cortar) e você rirá como eu, espero, dos trocadilhos do inconsciente.”

“Nada é mais desagradável ao médico do que a sensação de não estar na moda.”

“Hoje em dia usamos calças consideravelmente largas; mas há algumas décadas eram bem justas, de modo que as marcas da virilidade podiam ser vistas à distância.”

“Também a equitação é exibição: a identificação do cavalo com a mulher está profundamente mergulhada no inconsciente de todos; e que a coroa da noiva representa a vagina e o véu a membrana do hímen é algo que realmente não preciso dizer.”

“Nós, humanos, agimos todos conforme o princípio do ladrão que grita <Pega ladrão> mais forte do que todo mundo.”

“As mães imitam o som da urina, <xxxii xxxxxii>, a fim de facilitar a ejaculação do <pintinho> do filho e nós, médicos, recorremos todos ao estratagema de abrir a torneira da pia quando observamos que um paciente se sente inibido por ter de usar o vaso em nossa presença. Aliás, quem pode negar o papel do peido na vida humana? [No pay intended] Você não é a única, minha amiga, a esboçar um sorriso divertido ao recordar uma engraçada explosão.”

“o Sr. Bilioso, que há muito permitiu que seu senso de humor se perdesse nas mil dobras de sua boca maldizente”

O riso a cólera se encontram numa epidemia de espasmos vermelho-sangue gargalhões.

“Os gases fecais levam de modo natural aos incidentes que ocorrem na zona do sentido do olfato.”

Ultimamente tenho sentido que a vida não faz sentido.

Mas, dalguma forma, sei que a vida progride milagrosamente em, no mínimo, uns 5 sentidos.

agoramarumpoucodee

now sea a bunch o’s [heerrs]

nauseabunda

fe-dores humanXs

fera ferida suada e fedida

a podre Cida

O cheiro das fezes do meu melhor amigo de infância era o mesmo da minha primeira namorada. E não me ocorreu cheirar fedor parecido outra vez…

“O Isso fede quando quer feder.”

“Ouvi um adolescente dizer <Não sou tão porco assim para ter de me lavar todos os dias!>”

“Ó tu, fossa negra ambulante que te chamas a ti mesmo de ser humano! Por que engoles tua saliva, se a saliva é nojenta?”

“fazemos caretas no espelho unicamente por prazer; o exibicionismo atrai e repele.”

“E há sem dúvida pessoas educadas que enfiam o dedo no nariz quando estão sozinhas: os buracos foram feitos para que neles se enfie alguma coisa, e as narinas não são exceção à regra.”

GOSTOSA

CHEIROSA

CARNUDA

POLPUDA

ELA É MÚSICA

PARA MEUS OUVIDOS

É DE DAR ÁGUA NA BOCA

E DE PENSARMOS NA COR ROXA

DÁ VONTADE DE TESTAR MIL COISAS,

INCLUSIVE A PAREDE

MAS QUEM VÊ NISSO

QUALQUER MAL?

“para pegar com prazer uma mão fria e úmida é preciso amar profundamente a pessoa à qual pertence aquela mão.”

Venha, senhorita esteticista-mirim, cuidar da pele deste pobre púbere!

erupção CUtânea

cut cut cut!!!

Minha alergia aos 9 anos de idade que nenhum pediatra ou dermatologista soube tratar…

Veja como minha pele deseja ser suavemente tocada de modo suave! Um toque suave é maravilhoso, mas ninguém me acaricia. Me compreenda, me ajude! Como posso expressar meu desejo a não ser através destes arranhões que me imponho?”

Seja meu xampu, xuxu.

Quantas vezes será que vou cagar hoje

MATURIDADE PENIANA: “A partir do momento em que cessa o desenvolvimento da pessoa, começa o embrutecimento do ser humano e, ao invés de continuar sua procura da busca das maravilhas da existência, ele se contenta com ler jornais, ou educar-se até que um ataque o fulmine em seu escritório, acabando com tudo. Do berço à cova.”

“Pense numa menininha de 5 anos ao lado de um cavalo: diante de si ela vê o ventre do animal com aquela coisa que está presa ali e que, de repente, aumenta de tamanho, quase o dobro, deixando passar um potente jato de urina.”

“Diz o povo que, nas mulheres, é possível adivinhar o tamanho da entrada da vagina pelo tamanho da boca.”

“O bocejo não revela apenas o cansaço mas também que naquele momento está ali uma mulher lasciva”

“olhos saltados: pode ter certeza que essa pessoa quer, já de longe, deixar claros a curiosidade e o medo provocados por surpreendentes descobertas.” O tipo Sócrates. E seu oposto diametral: “Os olhos enfiados dentro das órbitas indicam que fugiram para lá quando o ódio dos homens tornou-se forte demais: não querem ver mais nada e, menos ainda, serem vistos.”

O tipo comprimido: ironicamente, sujeito que está sempre doente.

“os pêlos que crescem nas narinas”

amigdalite como crise de masculinidade

amigDallas, Paris,TEXAS

“Você naturalmente não precisa acreditar nisso, mas como se explica que duas entre 3 crianças peguem escarlatina e a terceira não?”

“estar doente tudo desculpa e faz expiar todos os desejos puníveis inconscientes, semiconscientes e conscientes”

O ISSO & A HISTERIA: “o Isso inventa a perda da consciência e disfarça simbolicamente o processo erótico sob a forma de espasmos, de movimentos assustadores e de deslocações do tronco, da cabeça e dos membros. Tudo acontece como num sonho, salvo que o Isso convida, para o espetáculo de seu orgasmo, um público honroso, do qual ele se põe a rir.”

Você é um homem ou uma galinha? Você seria capaz de atravessar, migrar de gênero (linha reta da vida)? Pôr ovos todos os dias um detrás do outro, ter filhos pelo sacrifício de seu ovo? Cloaca, cu híbrido unigênito de onde sai um pau autossaciável.

PERCEPÇÃO DA SEXUALIDADE NA INFÂNCIA (PRIMEIRA GRANDE TEORIA DA CONSPIRAÇÃO & MANIA DE PERSEGUIÇÃO): “Os ovos cortados dos homens serão comidos não porque são gostosos mas porque deles sairão filhos de homens. E o ciclo de reflexões se enrola lentamente; das trevas do espírito surge um ser assustador: o pai. O pai corta as partes sexuais da mãe e as entrega à própria mulher para que ela as coma. É daí que provêm as crianças. Essa é a razão das lutas que abalam a cama dos pais durante a noite; está aí a explicação dos suspiros e dos gemidos, do sangue no urinol. O pai é terrível, cruel, e suas punições são temíveis. Mas o que ele pune? Aquele esfregar e tocar. A mãe se tocaria, portanto? Idéia inconcebível. (…) A mão materna esfrega cotidianamente os ovinhos pueris do menininho, brinca com seu rabinho. (…) Mas com quem vou brincar se meu pai me cortar o rabinho?”

Olá minha cara! – feia

você é fome, vc está com fome, podemos resolver este problema!

“Já riram tanto de mim e eu mesmo já senti tanto prazer em me juntar a meus detratores que muitas vezes nem eu sei se de fato penso o que estou dizendo ou se digo as coisas por brincadeira.”

“Não é incrível que um cérebro de 3 anos já seja capaz de conceber a filosofia das formas e a teoria da fermentação? (…) a paridade fezes-nascimento-castração-concepção e lingüiça-pênis-fortuna-dinheiro se reproduz cotidianamente e a todo momento no mundo de idéias de nosso inconsciente, nos enriquecendo ou empobrecendo, nos tornando enamorados ou sonolentos, ativos ou preguiçosos, poderosos ou impotentes, felizes ou infelizes, dando-nos uma pele na qual transpiramos, fundando casais ou os separando”

(*) “Em alemão, ovário é Eiertock, literalmente <vara de ovos>.”

varaovo

TROMPA de FALOpio

“De modo curioso, a palavra tíbia (Schienbein) se transforma em coceira (Beinschiene)”

coceira

cóccix (cock6 uh, s-luht, full-o’-lust!)

coce-cu

come-chão

comichinha & coçadona

dar uma cossa

afago no gongo

pé-na-bunda

pena

canela tibieza

doce coceira

pro tempore

pó tempero sobremesa

fêmur

fêmea

femurização do homem

poça que coxa

vir-à-ilha

sudo reze

te machuquei?

imagina

“Minha infância se desperta e algo chora em mim.”

CONTOS DE FADAS: “pode-se perceber na recomendação da mãe para que não abram a porta uma alusão ao fato de que há apenas uma virgindade a perder”

BRUXA DO 7 A 1: “Há algo de curioso no fato de que a expressão alemã <sete malvado>, que significa megera, se aplica apenas às mulheres.” 7 é sexo

O sétimo filho não é engolido pelo Tempo.

boca de lobo

goela de lobo é nome de doença em alemão

lobo cefal

ceifar

“O Wolfsrachen, <goela de lobo>, implica na ausência da úvula, que representa, como você sabe, o membro viril. Em outras palavras, a castração. É uma alegoria da punição do onanismo. E se você já viu essa doença num ser humano, sabe como é terrível essa punição.”

“o Isso tem uma surpreendente memória dos números, um sentido primitivo do cálculo como só costuma acontecer naqueles atacados por certas formas de idiotia e, como um idiota, gosta de resolver na hora os problemas apresentados.”

“Durante muitos anos, quando queria manifestar meu descontentamento com alguma coisa, eu usava a expressão <Já lhe disse isso 26.783 vezes!>. (…) Percebi que a soma desses números dava 26, exatamente o nº que resta quando se subtrai dos 1000 os outros números. (…) Eu tinha 26 anos quando minha mãe morreu.”

FUCK DO MILÊNIO

2+6+7+8+3=26

Eu já te disse 1000x que não se trabalha no Dia do Trabalhador!

Eu tinha 19 anos quando morri

E eu, 33 quando Cristo nasceu. Tríplice Santíssima Coroa Aliança meio-diabólica (3+3=6, sendo 3, 3×33=99, menos que Abraão, mas 33 a mais que o tempo de vida de um Diabo em escala humana) .

Minha idade é uma dízima periódica de um dígito, eu arredondo para cima e abro o Sétimo Portal. Nove círculos do Inferno. 12 casas. 5 Cavaleiros de Bronze. 12-5=7. 07/05 capes 5 letras 2014 – veja abaixo. C4P3S 7 CAPE5 C4P35 (5+7=12)

Eu nasci em 1988. 1+9+8+8 = 26

1988(ano do supremo eterno retorno de todas as coisas)+26= 2014, 2+1+4= 7

1951, 16 7

1953, 18 9

1988-1951 = 37 (36) 9

1988-1953= 35 (34) 7

9+7=16

24/9

1/10

24+1

10-9

1+1+0=2

1953-1951

7 dias de diferença entre os aniversários dos meus pais

7 anos (virtualmente) de diferença entre mim e meu irmão mais velho

6 dias de diferença entre os aniversários dos meus padrinhos

6 anos (virtualmente) de diferença entre os filhos deles

Acho que já me aventurei o bastante!

“essa doença dos rins – para mim como para todos os doentes dos rins – é uma característica da dualidade de atitudes na vida, do fato de estar sempre entre – do Dois. O ser-rins se desdobra.” “Seu Isso se coloca entre o 1 – símbolo do falo ereto, do adulto, do pai – e o 3 – símbolo da criança.”

“a pequena altura de algumas pessoas tem uma relação com o desejo de <continuar pequeno>”

Ich bin Klein, mein Herz ist rein”

“Anna não tem começo nem fim, A e O, Anna e Otto, o ser, O Infinito, a Eternidade, o anel e o círculo, o zero, a mãe, Anna.”

Gayvota :3

W peitos maternos

“Não é maravilhosa essa expressão, Filho do Homem? E meu Isso me diz em alto e bom som: <Interprete, interprete…>”

Trisco e Dujas

“O Isso é ardiloso e não precisa ter muito trabalho para fazer esse cretino do consciente acreditar que o preto e o branco são antinomias e que uma cadeira é de fato uma cadeira, quando na verdade qualquer criança sabe muito bem que uma cadeira pode ser também um carro, uma casa, uma montanha, uma mãe.”

“Esse sentimento por aquele colega durara ainda algum tempo após minha saída daquela escola, até que eu os transferi para um colega da universidade e dele para minha irmã. Foi aí que se deteve minha homossexualidade, minha tendência a me apaixonar por amigos do mesmo sexo. Depois, só me apaixonei por mulheres.”

“A lista dessas amantes imaginárias é infinita e até recentemente era uma lista que aumentava quase cotidianamente com mais uma ou duas mulheres. O que há de característico nessa história é que minhas experiências realmente eróticas nunca tiveram relação alguma com essas bem-amadas de minha alma. Para minhas orgias onanistas, tanto quanto me lembro, nunca escolhi uma mulher de quem realmente gostei. Sempre estranhas, desconhecidas. Você sabe o que isso significa? Não? Significava que meu amor mais profundo pertencia a um ser que eu não tinha o direito de reconhecer, i.e., minha irmã e, por trás dela, minha mãe. Mas não se esqueça que só sei isso há pouco tempo e que antigamente nunca pensei que pudesse desejar minha irmã ou minha mãe. A gente atravessa a vida sem saber nada do que se passa com a gente.”

Quando estou perto de você, tenho a sensação de estar perto de você como nunca estive de qualquer outra pessoa. Mas quando você se afasta, parece que você ergue uma muralha e me sinto completamente estranha a você, mais estranha do que em relação a qualquer outra pessoa. Eu pessoalmente nunca senti isso, provavelmente porque nunca senti que alguém não fosse um estranho para mim. Mas agora entendo: para poder amar, eu precisava afastar para longe as personagens reais, aproximar artificialmente as <imagens> da mãe e da irmã. Isso deve ter sido bem difícil, mas era o único modo de manter viva minha paixão. Pode crer, as <imagens> têm muita força.”

“Num certo sentido, passei pelas mesmas fases com as crianças, os animais, as matemáticas e a filosofia.”

“os Troll, que representam para mim uma espécie particular de humanos – há os bons humanos, os maus humanos e os Troll”

preciso desses amores e desses <estranhamentos> artificiais porque sou um ser centrado sobre mim mesmo imoderadamente, porque estou contaminado por aquilo que os cientistas chamam de narcisismo.” “Entre nós, as crianças Troll, havia uma frase de que gostávamos muito: Primeiro eu, depois eu, depois nada, por muito tempo, e só depois os outros.

“todo dia novas vozes se erguem para protestar contra a condenação à pederastia, pois todos sentem que com isso se causou um grande mal contra um direito hereditário.”

“por termos a impressão de sermos ladrões, adúlteros, pederastas, mentirosos, combatemos com zelo o roubo, o assassinato e a mentira a fim de que ninguém, e nós menos que os outros, se dê conta de nossa depravação. Acredite: aquilo que o homem, o ser humano detesta, despreza, censura, é a base original de sua própria natureza.”

“A admiração pela força superior e pela altura maior do homem, se é uma das forças originais da heterossexualidade feminina, deveria ser considerada como um signo do poder de julgamento original da criança. Mas quem dirá se esta admiração é espontânea ou só se dá ao final de algum tempo?”

“O ESTUDADOR(…)”: “o banheiro é o lugar onde a criança faz suas observações sobre as partes sexuais de seus pais e irmãos e irmãs, especialmente do pai e dos irmãos mais velhos.”

“Tenho a impressão que a mulher possui uma quantidade sensivelmente igual de capacidade de amar o próprio sexo e o sexo oposto, e que ela dispõe disso à sua vontade. Em outras palavras, me parece que nela nem a homossexualidade nem a heterossexualidade estão profundamente recalcadas, que esse recalque é bastante superficial.” “Já no homem a pulsão por ele recalcada é a pulsão pela mãe e esse recalque, segundo as circunstâncias, arrasta consigo para o abismo o gosto pelas mulheres.”

“De fato não seria má idéia publicar estas cartas. Obrigado pela sugestão, cara amiga.”

“Para mim, a Bíblia é um livro para passatempo, adequado para a meditação e cheio de belas histórias, tanto mais notáveis quanto muita gente acreditou nelas durante milênios e também porque representam um papel preponderante no desenvolvimento da Europa e representam para cada um de nós um pouco de nossa infância.”

“é indiferente que uma idéia cresça por si mesma ou seja imposta do exterior. O que importa é que ela se espalhe até os abismos do inconsciente.”

“Este seu dedicado Troll acha que aquela velha divindade criou o homem de seu <cocô>, que a palavra <terra> foi posta no lugar da palavra <cocô> apenas por decência. O hálito e seu cheiro vivificante deve ter sido <soprado> pela mesma abertura de onde saiu o cocô. Afinal de contas, a raça humana bem vale um peido!”

“Meu homônimo pôs o membro e os testículos para trás, escondendo-os com as coxas, e disse que havia virado mulher. Freqüentemente repeti esses gestos diante do espelho e toda vez senti uma estranha volúpia.” “desde aquele dia observei outros homens e pude estabelecer que esse desejo sem angústias de tornar-se mulher é comum a todos os homens.”

“as dores de cabeça, com seu parentesco com as dores do parto, o trabalho, a criação de uma obra, esse <filho espiritual> do homem.”

“Sim, introduzi o dedo em meu traseiro e não foi apenas porque estava querendo me coçar.”

“para quem sente medo da castração, o pai é mais perigoso do que o irmão; o gato, que a criança vê todo dia, mais temível do que o lobo, que ela só conhece por ouvir falar e através dos contos. E, além disso, o lobo só devora carneirinhos. Em compensação, o gato come os ratos e a parte ameaçada por castração, o pinto, é um rato que entra no buraco; o medo que as mulheres sentem dos ratos é prova disso: o rato entra debaixo da saia, querendo se esconder no buraco existente debaixo dela.”

“as botas poderiam ser a mãe, a mulher que, com os orifícios do traseiro e da vagina, possui dois canos de botas. Também poderiam ser os testículos, os olhos, as orelhas, talvez as mãos que, através das preliminares, preparam o pulo de 7 léguas da ereção e do onanismo.”

“E de repente surge, em muitas línguas, a palavra chana (*)(em português, possivelmente uma corruptela de bichana) para designar os pêlos do sexo feminino, as próprias partes e também a mulher lânguida, a gata, a gatinha que pega o rato, exatamente como a mulher engole com o sexo o <rato> do homem.”

“O famoso provérbio sobre as aranhas, Matin chagrin, soir espoir (de manhã a tristeza, de noite a esperança) retrata a posição da mulher diante de sua sexualidade; quanto mais quente foi a noite de amor, mais ela se mostrará abatida de manhã ao acordar e tentar perceber no rosto do homem o que ele pode estar pensando sobre seus transportamentos noturnos. A vida moderna impõe cada vez mais à mulher uma nobreza de espírito que parece lhe proibir toda volúpia.”

“em todas as traquinagens infantis e das pessoas adultas existe a nostalgia do vermelhão ardido nos golpes de varas.”

“há algumas semanas eu me divirto perguntando a todos os moradores de minha clínica o nome das árvores que estão na entrada. Até agora, não recebi nenhuma resposta certa. São bétulas; dão os galhos com que fazemos varas; tão temidas e ainda mais desejadas (…) E no portão de entrada, colocado de modo que todos tropeçam nele, há um marco de pedra, arredondado e saliente como um falo; ninguém o vê também. É a pedra do tropeço e da irritação.”

“aqueles capazes de reconhecer se estão diante de um canário macho ou fêmea são realmente raros.”

“Você ainda se lembra da visita que fizemos juntos ao túmulo de Kleist?”

“Quando à vista da lagarta, esse <pintinho> de mil patas, rastejante, nos sentimos esmagados pela sombra do incesto com a mãe, pelo onanismo, pela castração do pai e de si mesmo, voltamos a ser crianças de 4 anos e não há nada que possamos fazer a respeito.”

“Um verme vermelho que desliza para dentro de um buraco: o que pode contra isso toda a sabedoria darwiniana sobre o trabalho profícuo da minhoca?”

“Diante do absurdo, a seriedade não tem razão nenhuma de existir. Somente a própria vida, o Isso, tem uma noção do que é a psicologia e os únicos intermediários desse conhecimento através da palavra são os poucos grandes poetas que existiram.”

“é fato que o ciúme só existe por causa da infidelidade do ciumento.”

“Muitos são os que, namorados na juventude, conservam desse primeiro amor uma imagem ideal, mas casam-se com outra pessoa. Quando se sentem de mau humor, i.e., quando se comportaram mal em relação ao esposo, e por isso, sentem raiva dele, vão procurar no fundo da memória os vestígios do amor ideal, lamentam-se após compará-lo com o atual, por estarem mal-casados e, aos poucos, encontram mil razões para convencerem-se da indignidade do esposo que ofenderam. É hábil mas, infelizmente, hábil demais. É que sobrevém a reflexão de que se foi infiel ao primeiro amor, abandonado por um segundo, e que se traiu o segundo para continuar ligado ao primeiro…”

“Já reparou como os adultos coçam seus cães com a ponta do sapato? Recordações da infância. E como os cães não falam somos obrigados a observá-los para conhecer suas reações.”

“Quer saber mais sobre os animais? Bem, vá montar guarda diante da jaula dos macacos no zoológico e veja como as crianças se comportam. Pode dar uma olhada nos adultos também. Se nesse período você não aprender mais sobre a alma humana do que leu em mil livros, você não é digna dos olhos que carrega no meio da cabeça.”

“Era essa a razão de seu silêncio! Estava considerando as possibilidades de publicação! E concede seu imprimatur a minhas cartas e recusa-o as suas. Assim seja! E que Deus a abençoe.”

“É evidente que o Isso também se divide, pois sabemos que cada uma das células traz em si suas possibilidades de vida independente e de subdivisão. (…) Não se esqueça, além disso, que o Isso-indivíduo do homem integral, assim como os Issos de cada célula, escondem, cada um, um Isso masculino e um Isso feminino, sem contar os minúsculos seres-Isso da cadeia ancestral.”

“sou obrigado a dizer que há um Isso da metade superior e outro da metade inferior do corpo, um outro da direita e da esquerda, um do pescoço e da mão, um dos espaços vazios do ser humano e um da superfície de seu corpo.” “Quando tentamos isso (compreender alguma coisa sobre o Universo), um Isso particularmente malicioso, oculto num canto qualquer, nos prega peças memoráveis e quase morre de rir de nossa pretensão, de nossos desejos de sermos poderosos.”

“O Isso do ser humano <pensa> bem antes do cérebro existir; pensa sem cérebro, ele constrói o cérebro. Essa é uma noção fundamental que o ser humano deveria ter presente na memória e que ele não pára de esquecer. A hipótese de que pensamos com o cérebro – certamente falsa – foi a origem de mil besteiras; ela foi também, sem dúvida, a fonte de muitas descobertas e invenções extremamente preciosas”

“Vivemos e porque vivemos não podemos deixar de acreditar que somos capazes de criar nossos filhos, que há causas e efeitos, que temos a liberdade de pensar e de prejudicar ou ajudar. Mas somos coagidos (…) É apenas por sermos presas de um erro eterno, por sermos cegos, porque não sabemos nada de nada, que podemos ser médicos e curar os doentes. A vaidade e uma boa opinião de si mesmo são os traços de caráter essenciais do ser humano.

“o maior mestre dessa arte do médico-pai, Schweninger

“A gente devia renunciar a <ser adulto> desde os 25 anos; até aí, precisamos disso para crescer, mas depois disso a coisa só é útil para os raros casos de ereção. Não lutar contra o amolecimento, não esconder mais de si do que aos outros esse relaxamento, essa flacidez, esse estado de avacalhação, é isso que precisava ser feito.”

“Lembre-se que eu tinha atrás de mim 20 anos de prática médica, inteiramente consagrada ao tratamento de casos crônicos desesperados – uma herança de Schweninger. Eu sabia exatamente o que poderia conseguir com o antigo sistema e não hesitava em creditar as curas suplementares ao meu conhecimento dos símbolos, que eu desatava sobre os pacientes como se fossem um furacão. Foi uma bela época.”

“Misteriosas forças vieram opor-se, coisas que, mais tarde, sob a influência de Freud, aprendi a designar pelo nome de resistência. Por um certo tempo voltei a usar o método da imposição, e fui castigado com vários fracassos”

Nasamecu: o escrito anti-freudiano de Groddeck, antes de conhecer o próprio Freud!

(baixado em Alemão com um outro título – ver e-mail pessoal)

“Não sei de nada mais idiota no mundo do que esse texto. Mas que um raio me parta se sei de onde fiquei sabendo dele.”

COM A FACA, O QUEIJO, O GRITO E A BULA NAS MÃOS E NA PONTA DA LÍNGUA: “não há doenças do organismo, físicas ou psíquicas, capazes de resistir à influência da análise. O fato de se proceder através da psicanálise, da cirurgia física, da dietética ou de medicamentos é mera questão de oportunidade.”

“Tratarei de me informar a respeito junto a ele, junto ao Isso, sobre os motivos que o levaram a usar esse procedimento, tão desagradável para ele quanto para mim; conversarei com ele e depois verei o que fazer. E se uma conversa não bastar, recomeçarei 10x, 20x, 100x, tanto quanto necessário para que o Isso, cansado dessas discussões, mude de procedimento ou obrigue sua criatura, a doença, a se separar de mim, seja interrompendo o tratamento, seja através da morte.”

“parece que ainda está muito aborrecido com o pai – ele havia criado seu deus segundo a imagem desse pai – para dobrar os joelhos diante dele.”

Pau que nasce, nasce, e é quanto basta.

todos os caminhos levam a Roma, os da ciência e os da charlatanice; por isso, não considero como particularmente importante a escolha do caminho a seguir, contanto que tenhamos tempo e não sejamos ambiciosos.”

“sempre existiram médicos que levantaram a voz para dizer: o homem fabrica ele mesmo suas doenças, nele repousam as causae internae, ele é a casa da doença e não é necessário procurar fora daí. Diante dessas palavras, muitos ergueram a cabeça, elas foram repetidas mas logo voltaram para as causas externas, atacadas com a profilaxia, a desinfecção e todo o resto.”

BACILOS & BIRTUDES: As vacinas são a comprovação da teoria da autofabricação das doenças. No entanto, saber disso não significa criar imunidade; somos todos amebas enfraquecidas da aurora do segundo milênio e a ficção já se tornou realidade, de forma irreversível.

Que impressão eu causo na tinta da gráfica?

“o paciente havia lido recentemente meu Fuçador de Almas (Der Seelensucher), publicado por nosso amigo comum Groddeck.”

“Para mim, a uremia [ausência de liberação das toxinas na urina, que intoxicam todo o organismo] é o resultado do combate mortalmente perigoso da vontade de recalcar contra o que foi recalcado e que procura constantemente se manifestar, contra os poderosos complexos de secreção de urina que emanam da mais tenra infância e que estão ocultos nas camadas mais profundas da constituição da pessoa.”

“Antes de dormir, abri com um corta-papéis pontiagudo as páginas de um exemplar da revista psicanalítica de Freud e a folheei. Descobri ali, entre outras coisas, a notícia de que Felix Deutsch fizera em Viena uma conferência sobre psicanálise e as doenças orgânicas. Você sabe que se trata de um assunto que me interessa faz tempo e que deixei nosso amigo comum Groddeck cuidar disso.”

SER DOENTE: GRANDE SAÚDE

Ainda que Freud reencarnado caísse-me do céu oferecendo seus serviços, é de precisão, para este aqui e agora, que eu dispensasse seus serviços – quanto mais “correr atrás da cura” disposto a passar por vexames e apertos financeiros… talvez o melhor que pudesse acontecer, nessa hipótese, seria bater à porta de um mau profissional. Sem dúvida que não é uma resistência ou apego aos sintomas, um vil conformismo, mas a constatação de que estaria perdendo o pouco tempo que tenho atrás de uma utopia: ser normie. Mesmo que fosse possível, eu certamente hipostasiaria novas doenças para fugir desta condição incômoda. É hora de pensarmos não nas minhas fraquezas enquanto fraquezas (ao contrário do que se pensa, um defeito recorrente meu), mas, e isso seria o sonho do ególatra e narcísico, Victor Hugo o sabe bem, num sentido para elas estarem ali e se manifestarem desse modo, quando o cardápio de escolhas é tão vasto: que eu queira o celibato sem precisar verbalizá-lo, conservando uma cabeleira cada vez mais inumana, uma barba sem formato, roupas sem cuidado, uma postura anômala, que meus poros suem mais que o de alguém no calor necessita em regra, e de propósito, que minha pele e meus pêlos produzam excrescências como espinhas e caspa com indústria, que minha boca insista, por mais hidratada que esteja, nesta hiper-salivação, boca, couro cabeludo, derme, todos zelosos em demasia no hobby de “me incomodar”, disso não há dúvida, e o corpo é mestre naquilo que a consciência ainda tateia como aprendiz. Segundo grande sinal: essa regressão-infantilização inexplicável dos dotes sociais, o meu não-conseguir-mais-falar-em-público, depois de todas as minhas tratativas, experiências e aquisições de sapiência, que disfarça, no fundo, uma poderosa vontade de não fazê-lo, ainda que só me trouxesse vantagens. Doravante, não passariam da mais incrível fantasia e tormento masoquista o esforço brutal que executo, que finjo executar, para romper uma casca (que vejo como limitadora das minhas capacidades intrínsecas), uma casca que desde o início, e à revelia das aparências, eu quero manter como casulo espesso, e quase nunca admito essa intenção para mim mesmo (mas quando digo quase nunca, falo sério: não são poucas as vezes que acabo atinando, flertando, com esta conclusão, mas depois a deixo de lado, volto atrás, censuro-a). Assim como um autor consagrado afirmou que a profissão ator é um ícone da décadance, por que não seria o professor um outro, num meio ainda mais restrito, mas, e por isso, repleto de sofistas bajuladores, ainda mais fácil de defender em sua posição tão amarga e “heróica”, historicamente venerada? Último refúgio do anti-social, nem mesmo esta hipocrisia de grupo, a do “sábio de escola”, a do profeta de seita, consegue mais exercer sobre mim qualquer atração ou influência? As potenciais vantagens deste tipo de cargo ou carreira, vocação, já não equivalem nem em pensamento a minha ojeriza longamente alimentada, em silêncio, pelo mesmo estilo de vida do culto, este hipócrita autoflagelador, ator de palco pequeno? Porque cada fibra minha se recusa peremptoriamente a ajudar minha pseudodeterminação consciente de vencer estes nervosismo e tensão asfixiantes, isso é inegável. Essa obsessão simulada, que trata minha suposta falta de eloqüência como uma ligeira sociofobia tratável, quando na verdade são sete cadeados impostos por mim mesmo para que cada vez que eu tente transigir este meu tabu autodeterminado eu me arrependa amargamente dada a repercussão do ato? Um luto corpóreo “sadio” por trás (plot twist!) de uma quase-grave neurose de intelectual? Frustração, que já usa de muletas variadas, sendo na verdade a grande muleta que esconde meu dilema mais essencial? Eu não quero um Victor Hugo ou um Freud; ou a novela iria continuar; eu quero a auto-aceitação sem compromissos desse gauchismo irreverente? Idiossincrasias caminhando na rua, comendo, jogando conversa fora ou pegando o metrô, quem se importa com elas? Um estado físico suficiente para sair de casa e fazer seu trabalho, sem se expor tresloucadamente, sem brincar de seminarista, porque afinal eu só aceito uma forma de ser seminarista, não estaria “mais do que bom”? Não seria tudo que pedi à divindade que pudesse ser comparada, em tempos modernos, a um Gestor de Carreiras? Meu pedido já não me foi concedido de antemão? Não estou apenas lixando pedregulhos? Polindo matéria bruta que de qualquer jeito já tem um destino irretratável? Pérolas ou argamassa, que sei eu? Se úteis para porcos ou crianças, que sei eu?!? Precisaria eu de fãs, discursando e gravando vídeos? Ou isso não seria desabar com todo o edifício pelo que vim labutando até aqui em condições tão adversas, recalcitrantes? “Listas, pra que as listas?”, quis saber ou cutucar ou admoestar V.H. Do que adianta, se as listas são mais importantes que eu mesmo e eu aceito alugar meu corpo por elas, por assim dizer? Não, um analista não pode me ajudar neste meu segredo íntimo, nesta ranhenta briga intestinal do artista de si para si… Toda vez que vejo a Dra. Mariana eu penso que não gostaria de receber alta e “estar me sentindo perfeitamente bem, exatamente como todos os outros”… Meu maior pânico. As pessoas não se esgotam porque trabalham demais, elas se esgotam para não ter de trabalhar demais. Meu CID é meu seguro de vida gratuito. Essa cogitação toda só seria refutada com um diagnóstico de câncer terminal, eu presumo.

VANIHILL SKY

Nos anos 50 era provavelmente impensável uma ressurreição do fascismo para a quase totalidade dos seres humanos. Para os vitoriosos, porque deviam intuir que seu êxito era a comprovação plena da justiça universal; o evento era recente demais para que se pudesse conceber sequer uma nova tentativa de alçada ao poder por parte da extrema direita, com o mesmo ímpeto e nas mesmas bases do recém-intentado. Tal tentativa, era óbvio, estava fadada ao fracasso. E se a tentativa ocorresse, se por um milagre triunfasse em algum país (a Alemanha estava então ocupada e dividida), o resultado final, após um inevitável confronto bélico, já estava escancarado: a vitória incondicional das forças aliadas democráticas. Mesmo o derrotado que como conseqüência do fim da guerra (já tendo sido lucro o “continuar vivo”) ainda não houvesse mudado de lado (pensemos no clássico tipo do soldado alemão, homenzinhos em série que “só cumpriam ordens” e não tinham possibilidade hierárquica alguma de estipular ações relevantes nem de influenciar na guerra, tampouco de ser responsabilizados em massa e punidos num tribunal por seus crimes durante o regime de exceção, sem falar que estamos, ainda, antes – e na iminência – da criação dos Direitos Humanos e das Nações Unidas) certamente estaria em frangalhos para cultivar qualquer fé no futuro do seu ideal supremacista. A reação mais normal era a conversão imediata pura e simples, o acordar do hipnotismo ou do sonho, regressando à condição humana. Desconsidero aqui os “nazistas revisionistas”, esse tipo de criatura que, 50 anos depois, nega a existência do Holocausto. Difícil acreditar que esses indivíduos acreditem em si mesmos. Por definição, este não seria um verdadeiro nazista, pois o judeu é o “mal denso e opaco” que não pode em absoluto ser negado. Para o nazista, negar o extermínio dos judeus, negar os bons auspícios da mera idéia da abolição desta “raça”, seria sintoma de fraqueza e degeneração, além de um vexame perante os antepassados, não se justificando nem mesmo como tática mesquinha para a ascensão ao poder. Também acho improvável que qualquer “revisionista” dos anos 50 não fosse enviado a manicômios. Deve se tratar de um fenômeno mais recente, de pessoas que não viveram a guerra.

O ponto sensível em que queria chegar: tinha-se como preceito básico que enquanto fosse conhecido e lembrado o Nazifascismo não se repetiria. Esse pressuposto já foi demolido. Hoje o sinal preocupante é que indivíduos que conhecem a História, a Segunda Guerra e os mecanismos totalitários passam agora a desejar fervorosamente sua manifestação mais uma vez. A verdade era auto-revelada; assim que o véu do enredo se levantava, o aspecto atroz do Nacional-Socialismo tinha um poder instantâneo de convencimento das massas: uma aberração tal carregava consigo a verdade evidente de sua cretinice e bestialidade. O sentimento expiatório, o choque compartilhado por todos os conscientes do ocorrido, proibia qualquer simpatia pelos derrotados. Havia um mudo consenso sobre esta fabulosa calamidade ou episódio mais grotesco de todos os tempos…

…Que não se mostrou muito duradouro, pelo que hoje vemos. Poucas gerações depois, uma parcela da humanidade deseja o ressurgimento da cretinice e da bestialidade, não mais cretinas, não mais embaraçosas, mas índices, pelo contrário, de um “novo homem”, renascido das cinzas da debilidade social-democrata. E essa vontade já não é mascarada ou tratada com pudor: é nua e crua. Hitler e Mussolini foram desventurados, mas devem ser tomados como modelo e inspiração, dizem os novos jovens (e alguns já velhos). Porém, reviravolta das reviravoltas, eis a inflexão inaudita: termos chegado a esse ponto não teria dois lados?!

Se por um lado é factível um novo nazismo, ver que a idéia foi apropriada por fatias de “consumidores” da aldeia global não seria constatar que não se trata da hecatombe original, mas de uma forma, que direi eu?, atenuada, até mesmo inofensiva?! Apropriado pelo capitalismo, o movimento da ultradireita poderia ser reeditado sem romper daqui em diante as regras do sistema, sem apresentar perigo letal, como tudo o mais o é? Como toda revolução, forma de protesto ou anti-mercadoria se torna apenas mais um item do catálogo pouquíssimo tempo depois de seu aparecimento, contradizendo-se a si própria ao se tornar paradoxalmente imortal e serializável, não seria o nazifascismo mais uma vedete dentre outras da Sociedade do Espetáculo? Apenas uma forma de se distinguir socialmente (Bourdieu e a insípida sociologia acadêmica francesa)?! Incapaz, na prática, de efetivar as metas hitleristas, condenado a ficar eternamente no “quase”, igual a democracia, igual a social-democracia, igual o socialismo, igual o neoliberalismo, igual tudo que já foi inventado e rotulado pelo homem? Utopia mundana, eleger fascistas já nada significaria?!

A máquina perfeita de simulação virtual, essa reversibilidade ad infinitum dos elementos de um jogo insuprimível, como diria o discurso pós-moderno de um Baudrillard? Confesso-me esmagado entre dois extremos que não consigo adotar por mais de um dia sem reservas: o do antifa histérico e histriônico (“apenas eu estou vendo isso? o que vocês estão fazendo que não tomam uma atitude?”) e o do conformado mais apático que se imagina (“não é nada para se preocupar, não esquenta, isso passa”). Faz diferença a indiferença? Não é o fascista de hoje muito mais incompetente e estéril? Uma falsa impressão que, se levada adiante, possibilitaria a vitória totalitária? Mas o antifa existe e está aí, e brada contra qualquer “atributo fascista” enxergado e hipostasiado, alucinado, até mesmo no seio da esquerda mais ortodoxa! Não parece ser esta a questão, num mundo que ainda não decidiu o que é mais difícil ou lenda urbana: alienar-se ou evitar a hipocrisia, ser fiel a um imperativo categórico ou tornar-se o perfeito blasé. A rigor sabemos que jamais voltaremos ao cenário em que essas coisas eram mais simples e apresentavam quaisquer remotos resquícios de sentido. Estarei indefinidamente espremido, como joguete baudrillardiano, entre esses dois falsos-horizontes, num corredor polonês estreito e interminável, se bem que fruto da minha imaginação, condenado a viver num mundo que reprisa sempre os mesmos sucessos e fracassos sem dar a hegemonia a nada nem ninguém, um sonhador como o de Vanilla Sky, cujo sonho é reinicializado quando sai um pouco de controle, sendo a suma de um niilismo inexpugnável e estagnado?

Nossa memória histórica realmente existe ou ela é reconfigurada todos os dias por um administrador do sistema operacional, ou pelo nosso próprio inconsciente?! O problema da reascensão do fascismo e de continuarmos aqui, banais, pensantes, é esse: o de pôr em questão e entre parênteses a própria realidade, o próprio conceito de triunfo, a própria definição de medo, ansiedade, da claustrofobia, da sensação de esgotamento ou exaustão. Céu branco de baunilha, o ontem é mitologia, o amanhã apenas um reboot.

Rayuela II – Preâmbulo de cesaR brutO, por Rafael Aguiar

Sempre que chega o tempo frio, i.e. lá pr’otôno, dá vontade de meter o loco e pensar umas coisas doidivanas e ezóticas, como porezemplo imaginar que sou uma andorinia, pra sair poraí e voar poresse paíz, uma andorinha só fazendo verão, ou então que sou uma formiga pra mienfiar num buraco e comer todo o estoque da outraestassão, ou que sou uma víbora de zoo-lógico!, que guarda as cobras numa jaula de vidro com calefação e tudo pra elas não congelarem de frio, que é porssinal o que rola com os coitadosdos serexumanos que não têm dinhêro pra comprar rôpa, nem se aquecem noinverno, não têm lênia, carvão ou simplesmente dilma$ o bastante, afinal pra mandar a real quando tu tá com cascalho sobrando tu pode te meter em qualquer péssujo e encher a cara, ô mermão, só exprementando pra saber como que uma pingaquece, sêbem que- não rola ezagerar, pq sabe como é, o exagero leval vício que levaa degenerassão (tanto do corpo quanto da mente tá ligado os tarado?), e quando tu cai, fi, mas cai de jeito, a ponto de ficar na sarjeta e no fundo do poço do.Olho darrua tipo pinto-no-lixo, já-éra, tu refocila na lama sem ninguém mesmo pra liajudar. pensassó mermão, tu que nem abutre, urubu seilá, operação:dragão tá lgd?, tá nuauge tu se acha, que pode tudo, voa lá encima de todumundo, mazdepois vem a decadênsia daí tu cai prabaixo, né pra cima não. tu 10penca que nem cocô ou presunto decomposto, durim-durim. Véi só queria que pelo menos 1 pessoa ouvisse o que toescrevendo pra tomar jeito nessa vida e dps não vênia chorar o leite derramado quando já for tarDD+ e td for pra pqp.

ON THE FUNCTIONS OF THE BRAIN AND OF EACH OF ITS PARTS: with observations on the possibility of determining the instincts, propensities, and talents, or the moral and intellectual dispositions of men and animals, by the configuration of the brain and head. – Vol. I (out of VI): “On the Origen of The Moral Qualities and Intellectual Faculties of Man, And The Conditions of Their Manifestation.” – François Joseph GALL (translated from the French by Winslow Lewis) (1835)

THE PHRENOLOGICAL LIBRARY

Volume 9 da coleção: Macknish – The Philosophy of Sleep

BIOGRAPHY-BIOGRAPHERS OF DR. GALL & HIS LETTERS TO HIS FRIENDS AND SPONSORS

He then observed, that his schoolfellows, so gifted, possessed prominent eyes [?]; and he recollected, that his rivals in the first school had been distinguished by the same peculiarity. (…) and, although the connection betwixt the talent and the external sign was not at this time established upon such complete evidence as is requisite for a philosophical conclusion, yet Dr. Gall could not believe that the coincidence of the two circumstances thus observed was entirely accidental.”

By degrees, he conceived himself to have found external characteristics, which indicated a decided disposition for Painting, Music, and the Mechanical Arts. He became acquainted, also, with some individuals remarkable for the determination of their character, and he observed, a particular part of their heads to be very largely developed. (…) Hitherto he had been altogether ignorant of the opinions of Physiologists, touching the brain, and of Metaphysicians respecting the mental faculties, and had simply observed nature. (…) He found that the moral sentiments had, by an almost general consent, been consigned to the thoracic and abdominal viscera; and, that while Pythagoras, Plato, Galen, Haller, and some other Physiologists, placed the sentient soul or intellectual faculties in the brain, Aristotle placed it in the heart, Van Helmont in the stomach, Des Cartes (sic) and his followers in the pineal gland, and Drelincourt and others in the cerebellum.

we were accused of want of will, or deficiency in zeal; but many of us could not, even with the most ardent desire, followed out by the most obstinate efforts, attain in some pursuits even to mediocrity; while in some other points, some of us surpassed our schoolfellows without an effort, and almost, it might be said, without perceiving it ourselves.”

Hitherto he had resorted only to Physiognomical indications, as a means of discovering the functions of the brain. On reflection, however, he was convinced that Physiology was imperfect when separated from Anatomy. (…) In every instance, when an individual, whose head he had observed while alive, happened to die, he used every means to be permitted to examine the brain, and frequently did so; and he found, as a general fact, that on removal of the skull, the brain, covered by the dura mater presented a form corresponding to that which the skull had exhibited in life.”

Dr. Gall was first known as an author by the publication of 2 chapters of an extensive work, entitled <Philosophisch-medicinische Untersuchungen über Natur und Kunst im gesunden und kranken Zustande des Menschen, Wien, 1791.> (…) This paper is a valuable document for the history of the science, and should convince every one that to Gall alone belongs the glory of having discovered the true physiology of the brain.”

And do not blame me for not making use of the language of Kant. I have not made progress enough in my researches to discover the particular organ for sagacity, for depth, for imagination, for the different kinds of judgement, &c.”

After having collected the result of my tedious experiments, I have built up a theory of their laws of relation.

man possesses, besides the animal qualities, the faculty of speech, and unlimited educability, – two inexhaustible sources of knowledge and action.”

Can it be, that there is any merit in the continence of those who are born eunuchs?”

A man like you possesses more than double the quantity of brain in a stupid bigot [intolerante, fanático, idiota, Davi]; and at least 1/6 more than the wisest or the most sagacious elephant.”

in old age, the hearing generally diminishes before the sight; while the taste almost always remains unimpaired.”

Is, then, the form of the skull moulded upon that of the brain?”

Men, unhappily, have such an opinion of themselves that each one believes that I am watching for his head as one of the most important objects of my collection. Nevertheless, I have not been able to collect more than 20 in the space of 3 years, if I except those that I have taken in the hospitals, or in the asylum for idiots. If I had not been supported by a man, who knows how to protect science, and to consult prejudices, by a man justly and universally esteemed for his qualities of mind and for his character, I should not have been able, in spite of all my labors, to collect even a few miserable specimens.

There are those, indeed, who do not wish that even their dogs and monkeys should be placed in my collection after their death. It would be very agreeable to me, however, if persons would send me the heads of animals, of which they have observed well the characters (…) every kind of genius should make me the heir of his head. (…) It would be assuredly dangerous for a [Caspar] Castner¹, a Kant, a Wieland², and other like celebrated men, if the exterminating angel of David were placed under my order; but, with Christian patience, I shall wait the tardy will of Providence.”

¹ Um missionário jesuíta, um dos primeiros antropólogos modernos da China.

² Poeta.

Why has no one preserved, for us, the skulls of Homer, Ovid, Virgil, Cicero, Hippocrates, Boerhaave, Alexander, Frederic, Joseph II, Catharine (sic), Voltaire, Rousseau, Locke, Bacon, and of others? – what ornaments for the beautiful temples of the muses!”

Here I imagine that I am a Jupiter, who beholds from the heavens his animal kingdom crowding upon the earth. Think a little of the immense space which I am going to pass through: — from the zoophyte, to the simple polypus, up to the philosopher and the theosophist? I shall hazard, like you, gentlemen poets, some perilous leaps. (…) I create insects, birds, fishes, mammalia. I make lap-dogs for your ladies, and horses for your beaux; and for myself, men, that is to say, fools and philosophers, poets and historians, theologians and naturalists. I end, then, with man, as Moses told you long before”

lasting peace among men will be always but a dream.”

Of the difference between the Heads of Men and Women. That which I could say on this subject must remain entre nous. We know very well that the heads of the women are difficult to unravel.”

I rather think that the wise men have baptized the child before it was born; they call me craniologist, and the science which I discovered, craniology; but, in the first place, all learned words displease me; next, this is not one applicable to my profession, nor one which really designates it.”

I admit no exceptions in the works of nature.”

I remark I have not sufficiently appreciated the a priori, that is to say, the philosophy which is to be founded upon the a piori. I have had the weakness in this, to judge others by myself (…) It was always difficult for me to reason soundly upon the experiments which I make, as well as upon those made by others, although I am persuaded that I can collect truths only on the highway of experience. It is possible, nevertheless, very possible, that others have a more favorable organization than I have to arrive at knowedge (sic) a priori

Having continued his lectures for 5 years, on the 9th of January, 1802, the Austrian Government issued an order that they should cease; his doctrine being considered dangerous to religion. (…) the prohibition strongly stimulated curiosity, and all publications on the subject continued to be permitted, provided they abstained from reflecting on the Government for issuing the <general order.>”

Conferenciou com o dr. Spurzheim, seu ex-aluno, por 35 cidades européias, a maioria na Alemanha. Acabou por se fixar em Paris 2 anos depois.

In these travels I experienced every where the most flattering reception. Sovereigns, ministers, philosophers, legislators, artists seconded my design on all occasions, augmenting my collection, and furnishing me every where with new observations. The circumstances were too favorable to permit me to resist the invitations which came to me from most of the Universities.”

His assertions were supported by a numerous collection of skulls, heads, casts; by a multiplicity of anatomical and physiological facts. Great indeed was the ardor excited among the Parisians, by the presence of the men who, as they supposed, could tell their fortunes by their hea[n]ds. Every one wanted to get a peep at them; every one was anxious to give them a dinner, or supper; and the writer of this article actually saw a list on which an eager candidate was delighted to inscribe himself for a breakfast, distant only 3 months and ½; at which breakfast, he sat a wondering guest.”

Chenevix

M. Cuvier was a man of known talent and acquirements, and his mind was applicable to many branches of science. But what equally distinguished him with the versatility of his understanding, was the suppleness of his opinions. He received the German Doctors with much politeness. He requested them to dissect a brain privately for him and a few of his learned friends; and he attended a course of lectures, given purposely for him and a party of his selection.”

Porém ainda na era napoleônica a Frenologia viria a decair, como na Áustria, como uma inimiga do Estado: “Napoleon was unquestionably a good judge of character and had his favorite rules in deciding upon the motives and designs of men. It was not in his nature to be either ignorant of, or indifferent to, the doctrines of Gall. Conscious of his own superiority, and eminently proud and selfish, it is not to be supposed that he would favor a system which opened to all the origin and nature of human actions. In admitting such a theory as that of Gall, he would himself become a subject of remark and investigation by his own consent; and, however well he might have liked the principles of organology, for his own exclusive use, his spirit could never have sanctioned the practice of them in others.”

Lavater¹, Cagliostro², Mesmer³ have never been to my mind; I felt I cannot tell how much aversion for them, and I took care not to admit any one who kept them among us. All these gentlemen are adroit, speak well, excite that fondness for the marvelous which the vulgar experience, and give an appearance of truth to theories the most false and unfounded. Nature does not reveal herself by external forms. She hides and does not expose her secrets. (…) beyond the influence of natural dispositions and of education, all is system, all is nonsense.”

Antommarchi

¹ Escritor, poeta, médico, teólogo e filósofo [!!] alemão (1741-1801). Foi o primeiro a introduzir com mais veemência e otimismo, durante a década de 1770, a idéia de que os estudos fisiognômicos podiam determinar até mesmo as singularidades do caráter do sujeito. Exemplo de obra no campo poético: Pontius Pilatus, oder der Mensch in allen Gestalten. Era famoso por seu temperamento vão; Goethe teria dele se afastado após percebê-lo.

² Ocultista italiano (1743-1795), o principal precursor ideológico do místico mais famoso do séc. XX, o britânico Aleister Crowley.

³ O fundador do Mesmerismo, Franz Mesmer viveu de 1734 a 1815. O Mesmerismo descreveria uma força invisível e poderosa que poderia ser resumida como um magnetismo cósmico-animal. Ele viveu para ver sua doutrina ganhar popularidade nos 1780 e morreu antes da decadência do credo (anos 1850). A confusão entre mesmerismo e hipnose decorre do fato de um “discípulo” de Mesmer ter desenvolvido a técnica hipnótica com base no magnetismo animal. Mémoire sur la découverte du magnetisme animal (1779).

That Cuvier was a phrenologist, there can be but little doubt; neither his Report, or any of his works, warrant us in supposing the contrary. Although political causes had a tendency to influence Cuvier against the doctrines of Gall – nevertheless, these 2 celebrated men were made to understand and esteem each other, and, towards the end of their career, they did each other justice. Gall had already one foot in the grave when Cuvier sent him a cranium, <which,> he said, <appeared to him to confirm his doctrine of the physiology of the brain.> But the dying Gall replied to him who brought it, <Carry it back, and tell Cuvier, that my collection only wants one head more, my own, which will soon be placed there as a complete proof of my doctrine.>

His audience amounted to betwixt 200 and 300; and so eagerly was he attended, that many more tickets were applied for at each course, than could be given, and the apartment was regularly crowded half an hour before the lecture began.”

His death gave rise to a succession of eulogisms and attacks in the French newspapers that had scarcely ever been paralleled, and public sentiment was warmly and loudly expressed in his favor. (…) a French friend adds: <Nothing was wanting to his glory; not even the abuse and calumnies of our devots de gazette.>”

The person of Dr. Gall was well developed; he was 5ft. 2’’” Desde quando alguém com 1,57m é alguém “bem-desenvolvido”? “Every part of his head was strikingly developed, measuring, above the eye-brows and at the top of the ears, 22 inches” Lógico.

VIROU PÉLA-SAQUICE: “The organs of Amativeness [?], Philoprogenitiveness [?], Adhesiveness [cara grudento!], Combativeness, and Destructiveness [!!!] were all very well developed in Gall. His Secretiveness was also rather large, but he never made a bad use of it. He was too conscious of his intellectual powers to obtain his ends by cunning or fraud. He was frank and honest, but acute and penetrating.”

[?] Nomenclaturas do também-assaz-idiótico discípulo n. 1, dr. Spurzheim (supra).

I remember as it were now, Dr. Gall opened his large eyes, fixed them on my countenance with a look of surprise and doubt, and then began to feel my brain [Namekian Goku!]. While he was making his observations, he now and then murmured, <Ce n’est pas vrai! Ce n’est pas possible!!> Shortly after having examined my cranium, he said to Bucher, that an individual with a head so well formed could not be of the character he had just mentioned; that on the contrary, unless I was blind and deaf, by the conformation of my cranium, he thought I was able to acquire general knowledge, particularly the languages, and geographical and astronomical sciences. Moreover, that if I had applied according to the development of my organs, I must be a distinguished person and a mad poet. When I heard this last remark, I told Bucher, Ce n’est pas bien! tu as trahi mon secret. I do not wonder at the Doctor’s accuracy. Bucher swore that he had not betrayed me. Gall remonstrated against my suspicion, and assured me of his being totally unacquainted with my trick; but I remained doubtful about the sincerity of both of them, and continued to be an adversary to Gall and his system.

(…)

Often when I knew the character of some of my soldiers who died, I sent the skulls to Dr. Gall, and requested his opinion; and I must say that more than once his remarks were truly astonishing; but I persisted in my incredulity. In 1810, one of my lieutenants was killed at the battle of Lintz; he was a Pole of a very violent temper, a bloody duellist, and much addicted to sensuality. I forwarded his skull to Dr. Gall, and in answer to my question, he replied, that it belonged to an individual very violent, ferocious, and a sensualist. This time I was the only depositary of my secret.”

Marquis de Moscati, um marquês que só aparece no Google atrelado a polêmicas anti-frenológicas

It cannot be denied that he was amply paid for his public lectures; that he was unfortunate in soliciting the sale of his work; and that he prosecuted some of his patients who refused to pay their bills.” Esse sujeito realmente tinha um dia de 48h… “it must be considered that in his domestic economy he failed in method, and consequently was always pressed by unforeseen and urgent wants. (…) He educated and supported his nephews, and young people of talents, and his table was free to every body (sic) [ou está falando de dissecações e exumações?].”

If they prosper, it is only by their own efforts; like the oak, they are sustained by their own strength, and it is to their own resources that they would be indebted for all they possess.” G.

G. had lived for some time at Berlin, with the celebrated poet Kotzebue, who profited by the occasion to learn of him the technical terms of his science, and such ideas and principles as he could best turn to ridicule. He composed his play, Craniomania, which was immediately performed at the theatre in Berlin, and G. attended the 1st representation, and laughed as heartily as any of them.”

He forgot the residence of his patients whom he had frequently visited in his carriage, and had considerable difficulty in remembering in what story of the building they lived. He was ignorant of geography, and whenever he looked upon a map he found something new, though he had observed it a thousand times before. So we may be sure, that if he traveled it was not from taste, but with the sole object of propagating his doctrines. If it be true, as we believe it is, that there is an organ of Order, Gall was absolutely destitute of it. The arrangement of his house was a curiosity.”

When I rise from the table, I cannot distinguish either man or woman who sat by my side during the meal.”

In verbal memory, Gall was also deficient. The organ of the sense of language, which gives the talent of philology, was a little better developed. He knew, besides his own, the Latin, and French language, which he wrote and spoke with facility, though defective in pronunciation, and had some knowledge of English and Italian.” Filologia não tem rigorosamente nada a ver com poliglotia!

The sense of the relations of colors, which is one of the fundamental qualities indispensable to the painter, was absolutely wanting in Gall.” “As he was a poor judge of painting, so was he as poor an amateur in music. He generally got wearied at the Opera or Concert; but a woman’s voice in conversation, he said, was very agreeable.” Danadinho…

every kind of numerical calculation fatigued him (…) He knew nothing of geometry. What a contrast to those philosophers who make this same science the basis of all positive knowledge! And so he was in mechanics, architecture and the arts.”

comparative sagacity”

All you Englishmen take me for a bird-catcher; I am sure you feel surprised that I am not somewhat differently made to any of you, and that I should employ my time in talking to birds. Birds, Sir, differ in their dispositions like men; and if they were but of more consequence, the peculiarity of their characters would have been as well delineated. Do you think that these little pets [2 dogs at his feet] possess pride and vanity like man?”

the greatest moral philosopher that Europe has produced”

To that other form of human intelligence, viz. the metaphysical, G. was strongly opposed, when it soars into the spiritual world, and pushes its inquiries into general principles and general truths” Tolo.

Observe his piquant observations [rich rhyme?] on the Editors of the Dictionary of Medical Sciences, in answer to the wish expressed by them that somebody would, at last, devote himself to the physiology of the brain. He exclaims <Behold, an instance of lethargy, in MM. Fournier and Begin, which has lasted from the time of my arrival in Paris, 1807, to the year 1819!>”

Moi, space and time, you know, are the pivots on which the metaphysicians turn much of their reasoning.”

Gall could never make verses. He even detested poetry” Alguma dúvida?

even in Italy – that land of despotism, religious and political – Phrenology has been cultivated with the greatest ardor” Hmmm…

O prospecto da Sociedade Francesa de Frenologia: “On the 22nd of August, every year, the anniversary of the death of Gall, the society holds a general public meeting, in which the general secretary gives an account of the labors of the society, reads notices of the members which it has lost and proclaims the names of those whom it has honored, announcing the prizes which it proposes to bestow.”

* A partir deste ponto, pérolas (que já abundam acima, incolores) serão assinaladas especialmente com esta cor marrom-alaranjada:*

That abstract philosophy, which originating in the East, obtained so great a reputation in Greece, and was supported by so much zeal in the new capital of Egypt, abounded with lofty conceptions, and with the sublime creations of a poetical fancy. But to what did it lead? The unhappy fruits of its popularity were the most intolerant dogmatism, and desolating scepticism; while the system was rendered imposing only by a cloak of mysterious importance thrown over it by the mad enthusiasm of its professors.”

The course which he has pointed out is that which will infallibly continue to wander blindfold amidst error and absurdity.”

What sculptor will not comprehend, that, by means of Phrenology, he may be able at a single glance to obtain a key to individual character?” “The painter cannot too strenuously pursue the study of Phrenology: for he has only an even surface on which to delineate his objects, and he may fail in giving them the necessary expression, by neglecting those traits which, however alight, are characteristic and necessary to bring out the distinguishing peculiarities of his subject.” “From ignorance of these principles, the ancients have, in some of their master-pieces, fallen into errors which are now considered monstrous, such as the extreme smallness of the head of the Venus de Medicis. (…) The ancients, when they concealed the enormous size of the head of Pericles, had the same end in view as the moderns, but were more faithful imitators of nature.”

Venus de Medicis.png Now tell me: do you really think so?

INTRODUCTION

The physician alone by night and day is witness of the most secret events in families, and of their most intimate relations. Virtuous or vicious, the man who suffers and struggles against death can with difficulty conceal from the physician his real character. Who would not wish to have for a friend the man to whom he confides his wife, his children, himself?”

We would recommend the keeping of phrenological journal for every patient; at least, noticing the most prominent developments.”

neglecting the useful example of the ancient sages of Greece, men have separated from each other too far physiology, medicine, education, morals, legislation, instead of appreciating their mutual relations” Oh!

MORAL PART

1. OF THE NATURE OF MAN, AND OF THE DIFFERENCE BETWEEN VEGETABLE AND ANIMAL LIFE.

Without a nervous system, there is no mechanical aptitude, no instinct, no propensity, no sentiment, talent, moral quality, or intellectual faculty; no affection, no passion.”

In all animals placed in the scale of living beings above the zoophytes, that is, in all animals properly so called, there exist one or more masses of a gelatinous substance, very vascular, of different color and consistence, which give rise to white threads, called nervous filaments. These filaments unite and form nerves, nervous cords, which go to this or that viscus and there spread themselves. These masses of gelatinous substance, called ganglions or plexuses, these sources of nervous filaments and the nerves formed from them, are more or less numerous, according to the number of parts or viscera with which the animal is provided and for which they are destined.”

Sensation, or organic sensibility without consciousness, is a contradiction in terms, but a contradiction very sagely preserved and professed in our schools.”

Does the fetus and infant, while inclosed in its mother’s womb, enjoy animal life, or a life purely automatic? How ought its destruction to be judged of before the tribunal of sound physiology? Those who maintain that animal life is nothing but a life of relation, an external life, that all our moral qualities and intellectual faculties are the result of impressions on the senses, must necessarily maintain that the fetus and the newly-born infant are still only automata, whose destruction has no relation to an animated being.”

In the cruel alternative of sacrificing the child, or of exposing the mother to almost certain death, the choice cannot be doubtful.” Bichat, o Aborteiro

In the system of Kant, the primitive faculties or functions, pure conceptions and ideas a priori, exist to the number of 25, viz. 2 forms of sensibility, space and time; 12 categories, or pure notions of the understanding, viz. unity (1*), plurality (2*), totality (3*), affirmation (4), negation (5), limitation (6), inherence and subsistence (7*), causality and dependence (8*); society (9); possibility and impossibility (10*); existence and non-existence (11*), necessity and contingence (12*); 8 notions which depend on these, viz. identity, diversity, agreement, contradiction, interior, exterior, matter and form; in fine, 3 forms of reason, consciousness and the soul, God, the universe [? – o excesso de vírgulas do tradutor só me atrapalha!].”

(*) Categorias que Kant (Ou Gall, em uma leitura equivocada? Não tenho condições de afirmar neste momento.) conta, aparentemente de forma bastante arbitrária, como “dualidades unitárias” ou como “unidades trinitárias”, conforme lhe(s) convém; como se não fosse bizarro, anti-didático e distorcido o bastante como base de todo um “sistema crítico da filosofia que se autossuporá atemporal”, vemos como o Dasein estava apenas na infância nesta peculiar regressão ad infinitum no tempo (hehe) que o Ocidente moderno “conseguiu” face aos gregos: o par existência e inexistência (vamos ficar só nesse) é inaceitável. Em síntese, a conta não fecha!

Whether we admit 1, 2, 3, 4, 5, 6 or 7 faculties of the soul, we shall see, in the sequel, that the error is always essentially the same, since all these faculties are mere abstractions. None of the faculties mentioned describes either an instinct, a propensity, a talent, nor any other determinate faculty, moral or intellectual. How are we to explain by sensation in general, by attention, by comparison, by reasoning, by desire, by preference and by freedom the origin and exercise of the principle of propagation; that of the love of offspring, of the instinct of attachment? How explain, by all these generalities, the talents for music, for mechanics, for a sense of the relations of space, for painting, poetry, &tc.?”

God knows where he got this ridiculous vanity.”

she will never be good for anything but a musician.”

The chase is his passion; the more animals he can kill, the happier he is.”

From most ancient to the most modern, they have not made a step further, one than another, in the exact knowledge of the true nature of man, of his inclinations and talents, of the source and motive of his determinations. Hence, there are as many philosophies as pretended philosophers; hence, that vacillation, that uncertainty in our institutions, especially in education and criminal legislation.”

Is it permitted, is it even necessary, to compare man with animals, in order to acquire a complete knowledge of his nature, moral and intellectual?”

2. ON THE ORIGIN OF THE MECHANICAL APTITUDES, INSTINCTS, PROPENSITIES, TALENTS; OF THE MORAL AND INTELLECTUAL FACULTIES OF MAN AND ANIMALS, IN GENERAL.

As respects taste, I have proved that birds and fishes possess it, as well as the mammifera.” “In treating of the organs of the relations of space, colors, and sounds, I shall again prove that those have been wrong who have attributed the faculty of finding one’s way home from a distance to the sense of smell; that of the talent for painting to the eyes; that of music and language, to the hearing.”

the flow of blood to the ear makes us imagine that we hear the sound of bells”

Buffon¹ says: It is by the touch alone, that we can gain complete and real knowledge: it is this sense which rectifies all the others, whose effects would be only illusions, and produce nothing but error in our minds, if touch did not teach us to judge.

This naturalist is so much prejudiced in favor of the advantages which result to us from touch, that, while speaking of the custom of swathing [envolver] the arms of infants, he expresses himself thus: One man has, perhaps, more mind than another only in consequence of having made, from his early childhood, a greater and prompter use of this sense; and we should do well to leave to the child the free use of its hands from the moment of its birth. Those animals which have hands appear to be most intelligent; monkeys do things so similar to the mechanical actions of men, that they would seem to have the same series of bodily sensations for their cause. All the other animals that have not the use of this organ, can have no very distinct acquaintance with the form of things. We may, also, conjecture that animals, which, like the cuttle fish, polypi, and other insects, have a great number of arms or claws, which they can unite and join, and with which they can seize foreign bodies in different places – that these animals, I say, have an advantage over others, and know and choose much better the things suitable for them; and that, if the hand were divided into an infinity of parts, all equally sensible and flexible, such an organ would be a kind of universal geometry.

(…)

The trunk of the elephant is a beautiful example, which will admirably illustrate my position. It is to this single instrument, that this noble animal owes his superiority over all other animals; it is by the possession of it that he seems to hold the middle place between man and brute. What pencil could express all the wonders effected by this sort of universal instrument, better than that of Nature’s painter? (…) he even learns to trace regular characters, with an instrument as small as a pen. (…) The elephant has, therefore, his nose in his hands (…) though this animal be, like all others, deprived of the power of reflecting, still as his sensations are found combined in the organ itself, as they are contemporaneous, and, as it were, indivisible from each other, it is not astonishing, that he should have of himself a species of ideas, and that he should acquire, in a short time, those which it is desired to impart to him.“If birds, notwithstanding the prodigious activity of their nutritive life, have, nevertheless, an intelligence so limited, are so little susceptible of durable attachment and show themselves so little capable of education, do not we find the cause of it in the imperfections of their touch?”

¹ História natural, 5a ed., vol. VI.

It is thus that, thanks to credulity, and the propensity for imitation, the old doctrine of Anaxagoras, which taught that the hand was the cause of human reason, has propagated itself without alteration to our age, which styles itself so enlightened.”

What would your libraries have been without the hands of copyists and compilers? Whatever is marvellous in the history of animals, it is to their trunks, their tails, their antennae, that you are indebted for it.”

Light and sounds strike their respective organs without the will of the animal; whereas he touches nothing without some preliminary exercise of the intellectual faculties.” Bichat

Experience does not show that the mind is always proportionate to the greater or less delicacy of these same senses. Women, for example, whose skin, more delicate than that of man, gives them greater acuteness in the sense of touch, have not more genius than a Voltaire, &c. Homer and Milton were blind at an early age; but what imagination can be stronger and more brilliant? Among those whose sense of hearing is most acute, are any superior to S. Lambert, Saurin, Nivérnois? Those, whose senses of taste and smell are the most exquisite, have they more genius than Diderot, Rousseau, Marmontel, Duclos, &c.? In whatever manner we inquire of experience, she always answers that the greater or less superiority of mind is independent of the greater or less perfection of the organs of the senses.” Helvétius

a stone does not oppress us more than heavy undigested food weights in the stomach”

CONTRA O ANIMAL SOCIAL: “Even at the present time, are not men, in their infancy, more surrounded by animals than by men?”

A QUINTESSÊNCIA ARISTOCRÁTICA

Eu, meu pai, e os figurantes. Todo mundo odeia o Rafa. Sócrates, filho de artífice e parteira. Santo Agostinho, filho de uma devota passiva e de um herege. Napoleão, camponês. Nietzsche filho de um pastor protestante e de uma arraia-miúda, irmão de uma protonazi. Filhos de grandes personalidades: geralmente fracassados. Filhos de funcionários públicos brasilienses: as exceções são incognoscíveis para seus “iguais”. Criança com motricidade elevada e educação de excelência: boneco inflável. Besta-loira decaída reencontra o seu mito original e o cumpre, aniquilando os mesquinhos valores burgueses. Rodes existe, pode ser provada, mas é uma ilha semovente misteriosa que muda de lugar, talvez um reino quântico. O que se sabe é que assim que saltamos na cidadela, inconscientes, repisamos o chão transfigurados. Através dos valores herdados, sem a ajuda de ninguém, aprendemos, lenta e sòfregamente, a reconhecermo-nos no espelho como a reaparição atávica de heróis de tempos inacessíveis. Tudo de uma forma impressionantemente lógica. Pimba! Conjuração e maldição: vendeta cronológica, tempo bálsamo da alma autoedificante. O filho transfigura o puramente plástico em Verbo e Faz-se. Amadurece, por mais que de forma acelerada, sempre tarde demais… Ou vive cada dia uma nova saga, superando a cada décimo terceiro trabalho todos os doze anteriores… Predestinado, é verdade, pelo próprio anseio, este sim, inato e imorredouro, a se tornar predestinado pelas próprias forças. Nascido campeão, com o gosto de fracasso na boca volta a erguer o cinturão. Lembranças inefáveis… Cada frustração foi vingada com juros. Testemunhas mudas. O que não reduz o brilho do espetáculo… Prazer em repetir situações complicadas… Filho de seus parentes espirituais de séculos amarelados e bolorentos, forasteiro em seu ninho, neopocilga. Indiferente aos dentes da roda do tempo, sempre mastigando suas conquistas inauditas, processo de paciência e placidez bovinas… O superanimal. Ressuscitador voluntário de fantasmas carnívoros. Canibal e fratricida. Usa a doença e a decadência física a seu favor para ser melhor amanhã do que é hoje no esplendor teórico das forças. Distorce as teorias num centrifugador de subpartículas… Ri desse teatro automático, mas quer continuar sendo ator. Misantropóide. Mr. Antropossapiensapiens, apex. Influenciador metadigital. Sem análogos viventes. Seus sonhos-pesadelos o puxam de volta toda noite, recordando os motivos principais do seu temperamento camaleônico… imutável. No cerne. Acelera a própria morte, talvez para abreviar suas chances, tornar o jogo finalmente desafiador outra vez. Sábio até quando pródigo e perdulário, reinicia a máquina em derrocada, reinicia, se formata. Um excelente adestrador de si mesmo. Palha amada, mãerretada. Cabeça. Ombros largos. Pernas finas. A mentira não possui estrias! Peter Pandora.

VOLTANDO AOS SERES TELÚRICOS: “This power so little belongs to man, that even when we are our own absolute masters we cannot escape the changes which the succession of years produces in our moral and intellectual faculties.” “the internal faculties do not announce themselves; they are in a state of indifference; they seize nothing and repulse nothing strongly; and as nothing draws these individuals toward a marked end, they have consequently no determinate vocation. Of this great majority of men it is said, with reason, that man is an imitative animal. Precepts, institutions, discussions, the severe exposition of the most interesting truths have but little power over them. [aka, o fracasso da religião de massa, dos aceitos em comunhão e dos crismados]”

Most great men have manifested their future greatness in their early years.” SÍNDROME DE JOHN LOCKE II: “Achilles, concealed under the robes of Pyrrha, seized a sword from among the gifts which Ulysses [Richard] brought”

DV? “Socrates, Pythagoras, Theophrastes, Demosthenes, Shakespeare, Molière, J.J. Rousseau, were the sons of artisans. These examples, with which history abounds, refute Hobbes, who holds that the difference of talents, or of mental faculties, comes from wealth, power and the condition in which one is born.

We even observe, that, in spite of the most decided opposition, and education, the most hostile to the innate character, nature, when endowed with energy, gains the victory both in the good and the bad. Tacitus justifies the instructors of Nero. This prince was cruel from infancy, and to all the lessons of humanity which his masters gave him he only opposed a heart of brass.” “There is an education for common men; the man of genius has the education which he gives himself, and which consists principally in destroying and effacing that which he has received.”

O Mestre nunca sabe ensinar. Isso é ótimo no caso do aprendiz que será um Mestre melhor; e péssimo, mas inevitável, no caso das buchas de canhão que passam por suas mãos.

Mães idiotas comparam seus filhos com os outros filhos – de modo fatalmente realista. Pais idiotas comparam seus filhos consigo mesmos, mas sempre invertendo o resultado. Ambos os diagnósticos são igualmente insuportáveis para o gênio. O gênio não pode se defender do ataque dos parvenus (o porteiro que se tornou servidor do senado, como se isso representasse bulhufas em seu sistema de valores inexplicável aos progenitores), muito menos das humilhações ou altas expectativas do varão: era para seres ainda maior, muito melhor, porque és superior a mim, mas não vejo isso se concretizando em sinais palpáveis; ou bem, sabes que eu, partindo de muito aquém, atingi muito mais além. E estes causos tão simplificados conseguem resumir a complexidade da história universal dos geniais nascidos em leitos de Procusto; os medíocres formam um capítulo enciclopédico à parte…

and why men who excel in one point are so indifferent in everything else?”

Helvétius himself is forced to confess that education would never have changed Newton into a poet, or Milton into an astronomer.”

Philosophers [Freud!] have recourse to small subterfuges to prove that our propensities and our talents are the result of chance. It is, they say, by insignificant impressions on the infant at the breast, by peculiar examples and events, that sometimes one faculty is determined and sometimes another. (…) Milton would not have written his poem had he not lost his place of secretary to Cromwell. (…) [But] how many secretaries lose their places without becoming Miltons! How many are in love, and write verses like Corneille and Racine; yet, these poets have found no equals among their successors.”

there exists no virtue, no moral precept, which has not been recommended, no faculty relative to human occupations which has not been more or less exercised. Cain was a laborer; Abel, a shepherd; the children of Jubal played on all sorts of wind and stringed instruments; the children of Tubal Cain were skillful workmen in iron and copper; Nehemiah established regulations of police”

COMO NEGAR AMIGOS E DESENCORAJAR PESSOAS, REFUTANDO MESMO ALGUNS AFORISMOS DE NIETZSCHE: “Quintilian ridicules the ancient maxim <that anybody, by means of constant application, may become an orator>. If precepts, says he, could bestow the art of eloquence, everyone would be eloquent.

Os homens ignoram aquilo que são capazes de fazer antes de, por experiência, tomarem nota daquilo que podem fazer segundo a própria natureza. (…) Assim, homens se sagraram poetas e oradores sem nem mesmo sonharem fazê-lo. Numa palavra, tudo que se tornaram, já o eram, por natureza; ninguém estudou para ser tal ou tal coisa, até perceber, de súbito, que havia sido dotado pela natureza com um talento específico. A natureza sempre dispôs das coisas, e sempre disporá: essa é uma afirmação que nunca será repetida demais.” Condillac

3. ON THE CONDITIONS REQUIRED FOR THE MANIFESTATION OF MORAL QUALITIES AND INTELLECTUAL FACULTIES.

The brain is formed and increases gradually until it has attained its perfection, and this perfection takes place only between 20 and 40 years of age.”

If dwarfs, who enjoy their intellectual faculties to a certain degree, appear to form an occasional exception to this law, the size of the head has not been duly noticed, which, in these cases, is always very disproportionate to the rest of the body. Even when the head is a little larger than those which characterize complete imbecility, the intellectual faculties are still almost entirely benumbed.”

I shall show that when individuals distinguish themselves peculiarly, and in a remarkable manner, by a determinate quality, or when they fall into a fixed idea, propensity, partial mania, or monomania, by too great exaltation, it is almost always the extraordinary development of some particular organ which occasions it.”

The ancients gave to the statues of their priests and their philosophers much larger foreheads than to those of their gladiators. Remark, especially, the distinction they have adopted in their Jupiter of the capitol; the form of no head has ever been so strongly prominent in the anterior and superior part of the forehead. What a difference between this and the head of Bacchus!”

It has always been remarked that too rapid an increase, or a hastened development of organs weakens their special functions. This especially happens in the climacteric years or periods of development, of which physicians and physiologists cannot too highly appreciate the importance. The mind, the body, all then suffer at once. The individual is incapable of steady application, and instruction is at once arrested. This state ceases, only, when the interval devoted to this development has been passed; and we readily perceive that this is the case, because the intellectual faculties at once resume all their energy.”

4. OF FATALISM, MATERIALISM, AND MORAL LIBERTY.

it is reproached to the physiology of the brain, that it overturns the first foundations of morality and religion; that it eminently favors materialism and fatalism; and that, consequently, it denies free will. History teaches that the same has always happened to every discovery.”

Vesanum, literarum imperitissimum arrogantissimum, calumniatorem, maledicentissimum, rerum omnium ignarissimum, transfugam impium, ingratum, monstrum ignorantiae, impietatis exemplar perniciosissimum quod pestilentiali halitu Europam venenat”

It would seem that nature had subjected all truths to persecution, in order to establish them in a more solid manner; for he who knows how to wrest one from her, presents always a front of brass to the darts hurled against him, and has always the strength to defend and to consolidate it. History show us that all the efforts and all the sophisms, directed against a truth once drawn from the abyss, fall like dust, raised by the wind against a rock.”

Malebranche – Recherche de la verité

The antagonists of Aristotle caused his books to be burned; afterwards they burned the works of Ramus¹, who had written against Aristotle, and declared the adversaries of the Stagyrite heretics; and there were even legislative acts, forbidding to attack his philosophy under pain of the galleys. And yet no one now concerns himself with the philosophy of Aristotle!”

¹ Petrus Ramus, século XVI, comentarista protestante dos filósofos da Antiguidade.

The ancient church bestowed the name materialists on those who taught that matter existed from all eternity, and that, consequently, the Deity had not drawn the world out of nothing. This sort of materialism ordinarily leads to the denial of the existence of a Supreme Being.”

I call the material condition which renders the exercise of a faculty possible, an organ.”

CAPCIOSO: “were this language sufficient to charge me with materialism, the same charge would apply to all physicians, all philosophers, and all the fathers of the church.”

Bichat – Sur la vie et la mort

Non virtus est, non posse peccare. Cum renunciatur improbitati. Statim adsciscitur virtus. Egressus enim malitiae virtutis operatur ingressum.” St. Ambrosius

Quidam in juvente luxuriose viventes, in senectute continentes fieri delectantur et tum eligunt servire castitati, quando libido eos servos habere contempsit. Nequaquam in senectute continentes vocandi sunt qui in juventute luxuriose vixerunt; tales non habent praemium, quia laboris certamen non habuerunt; eos enim exspectat gloria, in quibus fuerumt gloriosa certamina.” Isidoro, Do sumo bem

5. APPLICATION OF MY PRINCIPLES TO MAN, CONSIDERED AS AN OBJECT OF EDUCATION AND PUNISHMENT.

The most opposite qualities often make of them the most problematic beings; such were Louis XI, Charles V, Philip II, James II, Catherine de Medicis, who though under the influence of a superstitious devotion, were the scourge of their subjects. These are the persons who experience, in the most sensible manner, the struggle of two beings at war within them. Such were Socrates, St. Paul, St. Augustin;¹ who having the most violent combats to sustain, may claim the most glorious prizes of virtue.”

¹ Todo convertido? No cliché/estereótipo do primeiro, o autoconvertido também?

You have the musician, the mechanic, the poet, all exclusive and ardent in their pursuits; but you have also the debauchee, the bravo, the robber, who, in certain cases, are passionate to such a degree that the excessive activity of these propensities degenerates into actual madness, and deprives the individual of all power do restrain them.”

You see apathies and partial imbecilities when, by the side of qualities and faculties sufficiently well marked, one or a few organs are very little developed. With such an organization, Lessing and Tischbein detest music; Newton and Kant have a horror of women.

as St. Paul says, the more laws, the more sins.”

O avô conceitual de Skinner.

We have even seen some, who procured their own arrest, in order to find a refuge in the prison. Men and women are often left together, whence it happens that in the prisons themselves their numbers are multiplied. Sometimes the prisoners are permitted to have their children with them.”

AS GRADAÇÕES DO BOMBONISMO: “We inflict on a mother who has exposed [abandonou] her infant different punishments according as the infant has incurred more or less risk of perishing”

OS AMERICANOS NUNCA FORAM BONS DE PENALTY: “If we regard the punishment of death as the destruction of a mischievous and incorrigible individual, or as a means of preventing crime, I think, with Montesquieu, J.J. Rousseau, Sonnenfels, Hommel, Filangieri, Schmalz, Kleinschrodt, Feuerbach, Klein, Bexon and others, that we cannot call in question the right which society has of destroying one of its members.” Treta do tradutor/comentador com o autor nas notas de rodapé acerca da questão.

AHÁ! “If there be a crime, which deserves to be treated as murder the most premeditated, foolish and dangerous, that crime is duelling. Usually for the merest trifles, and sometimes exasperated by the taunts of a bully by profession, men kill one another, in presence of numerous witnesses! No! I might in vain transport myself to the most barbarous countries and times, I should never be able to conceive their allowing so atrocious, so cruel an outrage on morality to subsist! (…) What honor, what courage, is it to kill or to be killed for a few words which happen to displease you, or for the vanity and admiration of a mistress!”

(editor) “A few years since, a gentleman in N.Y. wrote a most sensible article against the practice of duelling – and a few months after, fell a victim to the sin which he had so unequivocally condemned.” Se fodeu, otário.

(editor) “These are purely the suggestions of destructiveness [sobre infringir penas de tortura para criminosos hediondos] – and we are not a little surprised, to find that so discriminating a mind as that of Dr. Gall should ever sanction such sentiments.” Talvez vocês, caros frenologistas, desconheçam a constituição cerebral deste sujeito!

We may assume, as a general principle, that a mother cannot feel either anger or hatred against her new-born infant. This principle would always be operative, if the mother in these circumstances always acted consistently; if, indeed, she retained the power to act thus when overwhelmed with utter humiliation. But, in this fatal moment, the mother thinks only of the ingratitude, the infidelity, the perfidy of the father of the child; he has deceived her in the most infamous manner; he has loaded her with shame, and plunged her into wretchedness; he has destroyed all her enjoyment of the present, all her hopes in the future; and, while he forgets her in the arms of another, the laws afford this injured woman no protection, no indemnity, against her seducer. The idea that all the artifices he has employed to betray confiding innocence, to seduce an inexperienced girl, are now regarded as subjects for mirth; this idea presents itself to every unfortunate who finds herself deserted; this injustice vexes, torments, revolts her.”

CABEÇAS DE MEDÉIA: “We have examined the form of the head of 29 infanticide women.”

In a report of the counsel-general of hospitals at Paris, which includes 10 years from 1804 to 1814, it is remarked, under the head of insane, that the number of those received at the Salpêtrière and the Bicêtre was 2154 men and 2804 women. Of this number of cases, 658 are placed to the account of child-birth, its consequences and preceding circumstances, more or less distant.” “it is evident that we do not here speak of prostitutes.”

I have observed that both sexes experience every month, once or twice, a species of periodical derangement, which disturbs the harmony of their affections and their habits, and which assumes the character of an irritation and a melancholy of which the individual affected can render no reason to himself.”

A woman at Bamberg, whenever she had drank brandy, felt a strong desire to set fire to some house; but no sooner had the excitement passed than this woman was filled with horror at her own previous state. As, however, she was not always on her guard against the enticements of her favorite beverage, she actually committed arson in 14 instances.”

Many men have an especial inclination for building, travelling, disputing; one is inflamed with an insatiable desire of glory; another cannot spare his best friends, when a brilliant sarcasm rises in his mind.”

He appeared about 16 years of age, though in fact he was 26. His head was round, and about the size of a child of 1 year. This individual was also deaf and dumb”

We remark that by an inexplicable singularity several of this class of individuals possessed of such feeble intellect are born with a peculiar talent for copying, drawing, finding rhymes and for music. I have known several who have learned, by themselves, to play tolerably on the organ and the harpsichord; and others to repair clocks and to make some pieces of mechanism,” Fodéré

The short foreheads, wrinkled, knotty, irregular, deep on one side, slanting, or that always incline different ways, will never be a recommendation to me, and will never gain my friendship. While your brother, your friend, or your enemy, while man, though that man were a malefactor, presents you a well-proportioned and open forehead, do not despair of him, he is still susceptible of amendment.” Lavater

general permanent alienation cannot be mistaken. But the case is very different when general alienation is periodical, and when the paroxysms, after having ceased entirely, recur, either at irregular periods, or after a fixed interval, or when it is limited to certain qualities in particular, especially when this partial alienation completely disappears from time to time, and recurs, sometimes periodically, sometimes irregularly.”

às vezes uma febre intermitente aparece sob o disfarce de uma cãibra (ou uma tensão muscular mais simples) em somente um dos lados, ou uma dor de dente. Mas a máscara sob a qual a enfermidade se revela não modifica sua natureza; é requerido o mesmo tratamento que seria recomendado a fim de se curar a febre intermitente.”

The individual who, in preceding paroxysms, seemed a fury let loose, may, in the following one, devote all his time to the exercises of the most fervent piety; and he who, today, gives himself to the excesses of the most noisy enjoyment may, tomorrow, be plunged in the deepest melancholy.”

During his lucid intervals, his physiognomy is calm, his air mild and reserved, his answers modest, and full of propriety; he shows urbanity in his manners, a severe probity, the desire of obliging others, and expresses an ardent desire of being cured of his malady; but at the return of the paroxysm, which is especially marked with a certain redness of the face, by an intense heat in the head, and by burning thirst, his gait is hasty, the tone of his voice bold and arrogant, his looks full of menace, and he experiences the most violent propensity to provoke all who approach him, to irritate them, and to contend with them to the last.”

He told us that, from his childhood, religion had occupied all his thoughts, and that he had read the Holy Scripture, and all the commentators thereon, with the greatest attention; but that the extreme diversity of opinions had convinced him that he should not find the true religion in this manner; that he had therefore renounced reading and research, and had earnestly supplicated the Deity that, if not contrary to his eternal decrees, he would make him an immediate revelation of the truth. After having prayed a long time, he one night saw the room filled with as brilliant a light as could be produced by many suns. In the midst of this splendor, our Lord Jesus Christ appeared to him, and revealed the true religion. Koeper had sought to spread it with indefatigable zeal, which was with him a matter of duty. It was impossible to make this man believe that he had been led astray by illusions.”

Some refuse or are not disposed to communicate their condition to others. This apparent indifference, this apathy, this perfidious silence, ordinarily marks the most dangerous cases. Some annoy all those around them, by trifling bickerings; they see, everywhere, nothing but misfortune and wickedness; and even when their affairs present a picture of prosperity they are in despair, lest their children be plunged in famine and misery. Some imagine that everybody despises or persecutes them; they complain unceasingly that they are neglected, that justice is not done them. Sometimes, all the symptoms suddenly disappear, and again show themselves as suddenly. The melancholy and pusillanimity increase daily: most of these subjects feel a sharp and permanent pain above the root of the nose, and in the middle of the lower part of the forehead: sometimes this pain has its seat at the top of the head; often, too, some complain of an insupportable tension in the region of the forehead and a painful constriction in the region of the belly, which is as it were compressed by a hoop [argola].”

Their madness, it is said, is only feigned: a madman does not say I am mad, and madness does not reason. This false and barbarous mode of argument has sent to the scaffold beings to whom there was nothing to reproach, except the derangement of their reason”

It often happens that the blow they give themselves is not mortal or that, in throwing themselves from the precipice, their destruction is not completed, or that they are drawn from the water too soon. It is, however, very rare that such adventures cure them. The greater part remain melancholic or depressed. At the end of some days they seem to repent of what they have done; they are ashamed of it, and for some time take a part in the business of life. But the paroxysms soon return with new violence (…) Sometimes this same malady is concealed under a mask, in appearance altogether different. Life is equally a burden to these subjects; but they have not the energy to inflict death on themselves; they seek, by a kind of confusion and contradiction in their ideas, the means of having it inflicted by others. For this purpose, they ordinarily commit a murder of persons who have never offended them [maior parte dos casos patológicos no Black Metal], and often even upon children.”

These critical evacuations which continue a long time are more abundant at certain periodical times; and as, at their approach, the symptoms of the malady augment, their apparent relapses serve to announce an approaching evacuation.”

* * *

FIM DO VOLUME I

Infelizmente só consigo encontrar, sem custos, a primeira (a presente) e a quinta partes desta “hexalogia”.

Aspectos linguísticos da tradução – Jakobson (trecho)

(para referência específica em Inglês, vide citação de Jakobson em https://seclusao.art.blog/2018/09/29/translation-studies-susan-bassnett-3a-ed-2002/) “A palavra portuguesa queijo não pode ser inteiramente identificada a seu heterônimo em russo corrente, syr, porque o requeijão é um queijo, mas não um syr. Os russos dizem prinesi syru i tvorogu, <traga queijo e (sic) requeijão>. Em russo corrente, o alimento feito (partícula inidentificável no escrito, presumivelmente “com”) coágulo espremido só se chama syr se for usado fermento.”

“dicionários e gramáticas bilíngües diferenciais”

“DENEGRINDO” AS PRÓPRIAS ORIGENS: “Nos primeiros anos da revolução russa, existiam visionários fanáticos que advogaram, nos periódicos soviéticos, uma revisão radical da linguagem tradicional, e em particular a supressão de expressões enganosas como o <nascer> e o <pôr>-do-Sol. Entretanto, continuamos a empregar essa imaginária ptolomaica, sem que isso implique a rejeição da doutrina copernicana”

“na recente língua literária dos Chunkchees do nordeste da Sibéria, <parafuso> é expresso por <prego giratório>, <???> por <ferro duro>, <estranho> por <ferro delgado>, <giz> por <sabão de escrever>, <relógio> (de bolso) por <coração martelador>.”

“Não há ruído semântico no duplo oximoro [expressão paradoxal] cold beef-and-pork hot dog (<cachorro-quente frio de carne de vaca e de porco>).”

Um ministro tão absurdo quanto um oximoro.

“Quando traduzimos a sentença em português <ela tem irmãos> para uma língua que distinga o dual e o plural, somos obrigados, ou a escolher entre duas orações: ela tem dois irmãosela tem mais de dois irmãos, ou a deixar a decisão ao ouvinte, e dizer: ela tem dois ou mais de dois irmãos. Da mesma forma, se traduzimos de uma língua que ignora o número gramatical para o português, somos obrigados a escolher uma das duas possibilidades – irmão ou irmãos – ou a colocar o receptor da mensagem diante de uma escolha binária: ela tem um ou mais de um irmão.”

“Para traduzir corretamente a sentença inglesa I hired a worker (<Contratei/Contratava um operário/uma operária>), um russo tem necessidade de informações suplementares – a ação foi completada ou não? o operário era um homem ou uma mulher? – porque ele deve escolher entre um verbo de aspecto completivo ou não-completivo – nanial ou nanimal – e entre um substantivo masculino ou feminino rabotnika ou rabotnicu. Se eu perguntar ao enunciador da sentença em inglês se o operário é homem ou mulher, ele poderá julgar minha pergunta não-pertinente ou indiscreta, ao passo que, na versão russa dessa mesma frase, a resposta a tal pergunta é obrigatória. Por outro lado, sejam quais forem as formas gramaticais russas escolhidas para traduzir a mensagem inglesa em questão, a tradução não dará resposta à pergunta de se I hired ou I have hired a worker, ou se o operário (ou operária) era um operário determinado ou indeterminado (<o> ou <um>, <the> ou <a>). Porque a informação requerida pelos sistemas gramaticais do russo e do inglês é dessemelhante, achamo-nos confrontados com conjuntos completamente diferentes de escolhas binárias; é por isso que uma série de traduções sucessivas de uma mesma frase isolada, do inglês para o russo e vice-versa, poderia acabar privando completamente tal mensagem de seu conteúdo inicial.”

“No Instituto Psicológico de Moscou, em 1915, um teste mostrou que russos propensos a personificar os dias da semana representavam sistematicamente a segunda, a terça e a quarta-feira como seres masculinos, e a quinta, a sexta-feira e o sábado como seres femininos, sem perceber que essa distribuição era devida ao  gênero masculino dos três primeiros substantivos (pone-del’nik, vtornik, četverg) que se opõe ao gênero feminino dos outros três (sreda, pjatnica, subbota). O fato de a palavra que designa sexta-feira ser masculina em certas línguas eslavas e feminina em outras reflete-se nas tradições populares dos respectivos povos, que diferem em seu ritual da sexta-feira. A superstição generalizada na Rússia, de que uma faca caída pressagia um convidado e um garfo caído uma convidada, é determinada pelo gênero masculino de nož (faca) e pelo gênero feminino de vilka (garfo) em russo.”

O tradutor é um trator (sai esmagando tudo).

O transplantador é um plasmador.

Um intérprete é um tépido [frouxo, insosso, morno, quase frio!] réptil intrépido!

Invasores idiomáticos idioléticos a sangue frio seguindo um fio de mascaragem

Bibliografia:

Boas, General Anthropology

Bohr, On the Notions of Causality and Complementarity

Whorf, Language, Thought and Reality