Trad. de Maria da Glória Ribeiro da Silva
“a psicologia experimental – que é em grande parte uma psicologia dos animais”
“uma psicologia não pode ser chamada experimental senão em razão de seu método e não em razão de seu objeto. Enquanto que, apesar das aparências, é pelo objeto mais do que pelo método que uma psicologia é chamada clínica, psicanalítica, social, etnológica.”
“é inevitável que, se propondo ela própria como teoria geral da conduta, a psicologia faça sua alguma idéia do homem. É preciso, então, permitir à filosofia perguntar à psicologia de onde ela tira esta idéia e se não seria, no fundo, de alguma filosofia.”
“Uma vez que a psicologia significa etimologicamente ciência da alma, é notável que uma psicologia independente esteja ausente, em idéia e de fato, dos sistemas filosóficos da antiguidade, onde, no entanto, a psique, a alma, é tida como um ser natural. (…) O tratado aristotélico Da alma é, na realidade, um tratado de biologia geral, um dos escritos consagrados à física. (…) [Até Aristóteles,] a física trata da alma como forma do corpo vivo, e não como uma substância separada da matéria. Deste ponto de vista, um estudo dos órgãos do conhecimento (como a memória) não difere em nada do estudo dos órgãos da respiração ou da digestão. (…) A ciência da alma é uma província da filosofia no seu sentido mais originário (…) § É a esta concepção antiga que remonta, sem ruptura, um aspecto da psicologia moderna: a psicofisiologia – considerada durante muito tempo como psiconeurologia exclusivamente (mas, atualmente, além disso, como psicoendocrinologia) – e a psicopatologia como uma disciplina médica. (…) Em suma, enquanto psicofisiologia e psicopatologia, a psicologia remonta, ainda atualmente, ao século II a.C., com Galeno [um <Aristóteles> mais versado em medicina].”
“O declínio da física aristotélica, no séc. XVII, marca o fim da psicologia como parafísica, como ciência de um objeto natural, e correlativamente, o nascimento da psicologia como ciência da subjetividade.”
“A psicologia se constitui, então, como um empreendimento de desculpa do espírito [vendeta contra o mecanicismo]. Seu projeto é o de uma ciência que deve explicar por que, inicialmente, o espírito é obrigado a enganar a razão com relação à realidade. A psicologia se faz física do sentido externo”
“A situação de Maine de Biran é única, entre os dois Royer-Collard. Ele dialogou com o doutrinário e foi julgado pelo psiquiatra. Nós temos de Maine de Biran um Passeio com M. Royer-Collard nos jardins do Luxemburgo e nós temos de Antoine-Athanase Royer-Collard, irmão do precedente, um Exame Doutrina de Maine de Biran (publicado por seu filho Hyacinthe Royer-Collard, nos Annales Médico-Psychologiques, 1843, t. II, p.1). Se Maine de Biran não tivesse lido e discutido Cabanis (1757-1808) (Relações do físico e do moral no homem, 1798), se ele não tivesse lido e discutido Bichat (1771-1802) (Pesquisas sobre a vida e a morte, 1800), a história da psicologia patológica o ignoraria, o que ela não pode. O segundo Royer-Collard é, depois de Pinel (1745-1826) e com Esquirol (1772-1840), um dos fundadores da escola francesa de psiquiatria.”
APROFUNDAMENTO
Aron Gurwitsch, Développement historique de la Gestalt-Psychologie, in: Thales, Ano 2, 1935, pp. 167-175.
