“Acredito que aqui, apesar de estarmos em meio a uma assistência majoritariamente médica, não me pedirão para indicar aquilo que Foucault em seu grande livro traz de um método histórico-crítico para situar a responsabilidade da medicina na grande crise ética (ou seja, crítica que atinge a definição do homem) que ele centra em torno do isolamento da loucura.”
O CURIOSO CASO DO HOMEM QUE ANTEVIU O FASCISMO EM DÉCADAS MAS, QUANDO ELE ASSOMOU E BATEU A SUA PORTA, NÃO O RECONHECEU: “Assim como Freud inventou a teoria do fascismo antes que este aparecesse, 30 anos antes, inventou aquilo que deveria responder à subversão da posição do médico pela ascensão da ciência.”
“Por que venho aqui falar disso que de todo modo é apenas uma amostra minúscula desta dimensão que desenvolvo há 15 anos em meu seminário?”
JUSTIFICANDO O INJUSTIFICÁVEL (ESPÍRITO SECTÁRIO DA PSICANÁLISE): “É perder a corda querer reunir-se aos quadros pré-formados de uma pretensa psicologia geral, elaborada ao longo dos séculos para responder a necessidades extremamente diversas, mas que constituem o desejo da série de teorias filosóficas.”
Para Lacan, vivemos em 121 d.C.S., centésimo vigésimo primeiro ano depois da Ciência dos Sonhos.
“É preciso que o médico seja destro em colocar os problemas no nível de uma série de temas nos quais ele deve conhecer as conexões, os nós, e que não são os temas recorrentes da filosofia e da psicologia.”
“Em nome de quê os médicos deverão o direito ou não ao nascimento? Como eles responderão às exigências que convergirão bem rapidamente para as exigências da produtividade? Pois se a saúde torna-se objeto de uma organização mundial, vai tratar-se de saber em que medida ela é produtiva. O que o médico poderá opor aos imperativos que fariam dele empregado desta empresa universal da produtividade?” Nada.
“Se o médico deve continuar a ser alguma coisa que não a herança de sua função antiga, que era uma função sagrada, é a meu ver, prosseguir e manter em sua própria vida a descoberta de Freud.” Amém.
