Livreiro de S.M. O Imperador do Brazil, 1858.
PREFACIO
“Appliquei-me pois a esse estudo, e com quanto não fosse minha intenção demorar-me nisso muito, achei-me no fim de algum tempo com grande numero de notas, algumas das quaes me não parecerão sem importância; mas essas notas, na confusão em que eu as tinha, de nenhum proveito serião para outros, e para mim mesmo de bem pouco me servião. Foi-me por tanto preciso organisal-as, e, concluido o trabalho da coordenação, me achei com o dicionário, que agora dou á estampa.
Tomei por baze o vocabulario, que o autor da <Poranduba Maranhense>accrescentou ao seo trabalho, valendo-me da Grammatica do Padre Figueira, do Diccionario Braziliano, publicado por um anonymo em Lisboa, no anno de 1795, de um Manuscripto com que deparei na Bibliotheca Publica do Rio de Janeiro, e cujo titulo me esquece agora, de outro Diccionario, tambem manuscripto, da Bibliotheca da Academia Real das Sciencias, de Lisboa, e de 4 dos cadernos que acompanharão as remessas do nosso distincto e infatigavel naturalista – Alexandre Rodrigues Ferreira, durante a sua commissão scientifica pelo Amasonas nos annos de 1785, 86 e 87.”
“É ainda este o motivo por que, com quanto reconheça a justeza das observações que me fez o Dr. PETERS, professor na Universidade de Berlim, não posso, por em quanto, seguir o seo conselho – de dar aos caracteres do nosso alphabeto o valor phonico, que vai sendo hoje em dia admittido para as linguas não escriptas, de modo que taes sons podessem com mais facilidade ser reprodusidos por todos, que não somente por aquelles que conhecem o portuguez.”
* * *
A.
A – vogal, I. antepõe-se a certos verbos servindo em logar de pronome = xe = a primeira pessoa, agente do verbo ou oração. Não se dis: Xe juca, mas A-jucá, eu mato. Faz nas outras pessoas: ere, o, ya, oro, pe, o. Emprega-se em todos os tempos do indicativo, optativo e permissivo; mas nos do conjunctivo, imperativo e infinitivo antepõe-se-lhe um T. Neste caso se deverá dizer ta ou por eufonia tai. II. No fim da palavra ou oração dá-lhe mais força e sôa como ã. Ex. A-ço-ã, eis me vou. III.membri virilis caput.
AAGNI, de nenhuma maneira (contração – vide abaixo).
AÁN, não. É difícil precisar-se o sentido de cada um dos compostos deste adverbio: seguem-se exemplos.
AÁN ANGAI, de nenhuma maneira.
AÁN DE, mas não foi; não é assim.
AÁN GATU TENHÉ, de nenhuma maneira. [parece que os índios daqui gostavam de negar em absoluto!]
AÁN I, isso nunca.
AÁN IREÃ, não é assim (só para o gênero masculino como sujeito da frase)
AÁN IRI, não é assim (só para o gênero feminino como sujeito da frase)
AB, destituído de significado de forma isolada. Na conjugação verbal, adquire sentido de ação. Ex: A-ybyra-ab, córto madeira.
ABÁ, I. creatura, pessoa, nação, familia forra. Quem? Qual? II. desinência dos nomes que se derivam dos verbos ativos e neutros, e exprimem o lugar, tempo, modo ou instrumento com que alguma coisa se faz Estes nomes em aba provêm de alguns dos verbos, que acabam em e, i, o, u, e de todos os que acabam em ng. A-u, comer, faz – g-u-ába, monháng, fazer, faz monhángába.
ABÁ ANGAI, tirano.
ABÁ ANGAIPABA OÇU ETÉ, tirano terrível.
ABÁ ANGATURAMA, homem bom.
ABÁ CAAPORA, mateiro, travesso.
ABÁETÉ, homem ajuizado. É também o nome do rio que desagua no de S. Francisco, onde em 1792 se achou um dos maiores diamantes conhecidos.
[Significação atual: homem experiente, calejado; feioso, repelente.]
ABÁ IBA, namorado, noivo.
ABÁ ITAJUBARA, homem rico, homem de ouro.
ABÁ TAPUYA, inimigo.
ABÁ TUPAN MOETÊÇÁRA, devoto.
ÁBA, cabelo.
ÁBA COARACY, cabelos do sol.
ÁBA CÚU, cabelo penteado.
ÁBA IATYCA, cabelo curto.
ÁBA MOROTINGA, cabelo branco.
ÁBA PECU, cabelo comprido.
ÁBA PIXUNA, cabelo preto.
ÁBA PYRANGA, cabelo ruivo.
ABATIJÊ, milho.
ABATIXI MEAPÉ, broa.
ABATIXI PIRÓCA, descascar o milho.
ABICUY AÍB, pentear mal (no sentido de “aspirar algo com más intenções”, sentido caduco de “pentear” em Português); o AÍB – advérbio – é a partícula que qualifica a ação do agente moralmente. Não equivale a “aspirar algo de modo ruim”, ou seja, incompetentemente, mas literalmente aspirar de modo malévolo.
ABICUY-ABICUY-AUB, aspirar com grande afã.
ÁCA, corno.
ÁCA ÇUÇÚAPÁRA, corno de veado.
ÁCA I, corninho.
ACÁ, interjeição de dor. Homens também usam ai; já as mulheres, acaigoê.
ACAJÁ, cajazeiro(a).
ACAJU, cajueiro.
ACAJU ACAI PIRAÇÓBA, chuvas de agosto e setembro, que destroam as flores do caju.
ACAJU ETÁ, ano, idade. (Os índios guardavam cada ano uma castanha de caju para registro do tempo, ou pelo menos da quantidade de anos vivida por um indivíduo.)
AÇÁMO, espirro. (ÇAMO = espirrar) Possuem conjugações de gerúndio, subjuntivo, subjuntivo pretérito, particípio presente e passado, etc…
ACARÁ, I. ave (espécie de garça = goratinga, Guiratinga) da qual soíam extrair penas para seus adornos e que se alimentavam principalmente de mariscos. II. e também, um peixe, com várias sub-espécies tais quais assu, tinga e pixuna.
Atualmente, consta somente como peixe, em Zoologia; sinônimo de acarajé; e ainda algodão ardente comestível usado em rituais do candomblé.
AÇÓ COICÉ COICÉ, antes de anteontem.
ACOÁUB EY’MA OÇU, idiota.
ACAUÁN, ave mata-cobras. Faz-se antídoto de picada de cobra com o farelo dos ovos desta espécie. Plumagem cinza, vermelha, marrom, preta e branca. Apresenta um canto bem peculiar (tudo indica que o nome deriva de uma onomatopéia). Mais detalhes em https://en.wikipedia.org/wiki/Laughing_falcon.
ACUTY, cotia ou cutia, espécie de capivara de pequeno porte. Significa, na nomenclatura indígena, “animal cauteloso”.
ACUTY BÓIA, cobra predadora da cotia.
AÊ,I. pronome ele. II. verbos dizer, e variação de ver, querer, poder, ter e haver. “A syllaba mo faz imperfeito o verbo, ou esteja antes ou depois delle. Ex: Aeibe-o-ço-bo-mo.”
AÊ AÊ, eles.
AÊ BOÊ, e por falar nisso…
AÊ ETÁ, eles, elas.
AÊ RAMÊ VÊ CATU, simultaneamente.
AÊ, RIRÊ, aí então, após o quê, etc.
AÊ RIRÊ MIRIM, logo em seguida.
AÊ TENHÉ, idem.
AIBÉ, conjunção e. = AIPO
AÉPE, aí.
AERÉME, então. “Ajunta-se aos verbos, denotando o preterito imperfeito. Á-juca aeréme, eu matava então.”
AETENHE, em vão.
AEYBÊ, também.
AGOÉRA, usado para compor o pretérito mais-que-perfeito. Ex: Juca-agoéra, “que matara” ou “havia matado”, para narrar uma ação anterior a uma outra também no passado.
AGUAÇÁ, AGUAÇÁBA, amante.
AGUACÁBÓRA, traição.
AI, I. interjeição de dor masculina. II. eu, usado para determinados verbos.
AICOBÊ, haver, viver, existir.
AIXÊ, tia paterna (de ambos os gêneros para x sobrinhx). Na nossa taxonomia moderna, além de irmã do pai, podia tratar-se também de prima sua (filha de tia).
AIXÔ, sogra, porém só usada para o genro (masculino).
AKYRÁR, abortar.
AMÁNA, chuva.
AMÁNA OPYC, chuviscar.
AMANAJÊ, fofoqueiro.
AMBYRA, morto.
AMO, “desinência dos gerúndios e supinos. Xe maenduar-amo, lembrando-me eu, para me lembrar. Fazem o gerúndio em amo os verbos acabados em í ou ú, e todos os do pronome xe. Ex: Xe angaturam faz xe angaturam-amo. Negam-se todos estes, interpondo-se a dicção eym antes de amo. Xe angaturam-eym-amo.”
AMOTAREY’MA, odiar.
AMÚ, irmã ou prima da esposa.
ANÁMA, parente.
ANDIRÁ, morcego.
ÁNGA, alma, consciência.
ANGATURÁMA MOANGA, hipócrita.
ANHÁNGA, fantasma.
APIÁBA, macho (homem ou animal).
APUÁM, bola, redondo.
AR, nascer.
ARA, I. dia, hora, ocasião, tempo. II. mundo.
ARA CATU, oportunidade, bonança (kairos)
ARA CUÎPE, meio-dia
ARA JABÊ JABÊ, ordinariamente.
ARA RANGABA, relógio.
ÁRA, “partícula pospositiva, a que de ordinário se junta um -ç-: no fim dos verbos indica a pessoa que na atualidade exercita a sua significação, p.ex.: Capy’c, pentear: Capyçara, o que penteia atualmente. A língua tupi é tão rica destas partículas que julgamos conveniente apresentar aqui um quadro das mais importantes, ainda que as tenhamos de repetir em seus lugares. Ora, junta-se-lhe um -b-, se o verbo acaba em vogal, ou mudando-se-lhe a desinência por eufonia. O que tem por costume exercer a significação do verbo. Icapyc’ ora ou melhor Capy-bóra, o que atualmente é penteador. Aba (junta-se-lhe um -c-) indica o lugar, o tempo, o modo, o instrumento com que se exercita o agente: Capycaba. Çara óera, a pessoa que já penteou, Çar’ amboéra, a pessoa que estava para ser penteador: o penteador que houvera de ser; mas não foi. Çar’ ama, o penteador digno de ser. Bor-oéra, a pessoa que usou do ofício, ou teve o costume; mas já não usa ou tem. Denota grande exercício no passado. Bor’ amboera, a pessoa que tinha por costume ou ofício pentear, ou o que esteve para ser penteador no tempo passado, mas acabou não sendo. Bor’ ama, a pessoa que atualmente usa do hábito de pentear, e que continuará a usar. Cab oéra, o lugar, o tempo, o modo, o instrumento com que no tempo passado se penteou. Cab-timboéra, o lugar o tempo, o modo, o instrumento com que no tempo passado se havia de pentear, mas acabou não se penteando. Cab-âma, o lugar, o tempo, o modo, o instrumento com que atualmente se penteia, e com os quais ainda no futuro se penteará. Escusado será repetir que estas partículas são pospositivas: nos exemplos que damos, subentendemos sempre o verbo -Capuy’c.”
ARAÇARY, ave, de cor verde-escura, cabeça e pescoço negros, peito e ventre loiros.
ARAPACÚ, pica-pau.
ARÁRA, arara.
ARARÚNA, arara preta.
ARARYCA, espécie de papagaio.
ARAVARÍ, sardinha.
AREBÊ, barata.
ARÚ, sapo.
ATANGAPÉMA, espada.
AVERÁNA, asma.
AY’G, preguiça (animal): “difícil de apanhar-se quando foge [!!]: a grande volta-se às vezes com furor contra os que a perseguem; as pequenas mergulham no fundo dos lagos e lagoas atrás de algum sustento.
B.
BÊ, também
BEBÊ, voar
BO, “I. para: partícula pospositiva do dativo. Quase não se faz sentir na pronunciação, e emprega-se ordinariamente com os pronomes pessoais. – Ixebo, Indebo, Iandebo, Orebo, Penhobo, para mim, para ti, etc. II. Sílaba que tomam os verbos acabados em a, e, o, na formação dos gerúndios. Juca-bo, a matar, para matar. Mondo-bo, e assim os mais. III. Significa também extensão de lugares, ou a continuação de alguma ação. Ex: A-ço caa bo, vou pelos matos. A-lo óca bo, vou pelas casas. Aico-xe-r-amuya reco bo, vivo pelos costumes de meus avós.”
BORA, “desinência dos nomes verbais, exprimindo que a pessoa exercita a significação do verbo com muita continuação, hábito ou gosto. Assim, enquanto Canhem-bára exprime o que anda fugido ou por acaso, ou por essa vez somente, – Canhem-bóra exprime o fujão, o que tem por costume andar fugido. Daqui se concluirá que muitos verbos não podem admitir semelhantes desinências.”
BOYA, cobra: “na composição precede ao adjetivo, pospõe-se ao substantivo. Acuty-boya, Arara-boya, Currurú-boia, etc., covras de cutia, de arara, de sapo.”
BRÃ, em vão. “Observamos que é tão raro nesta língua o encontro de duas consoantes de qualquer natureza que sejam que não hesitamos em dar por suspeita a ortografia desta e das demais palavras em que aparecem.”
BUBÚI, boiar
Ç.
“I. Todos os nomes que começam por ç, quando são relativos, conservam o mesmo ç. Ex: Çaba, a penugem ou pena miúda do pássaro, significa igualmente: sua pena. II. Todos os nomes, começados por t, quando se põem relativamente, mudam o t em ç. Ex: Tetê, corpo. Ç-’etê, seu corpo.”
ÇAÇÁO, passar, atravessar
ÇACÊME, gritar
ÇAÍNHA, dente
ÇAJÚCA, nervo
ÇAPUCÁIA, árvore; fruto; galinha.
ÇAPY, queimar
ÇAPYÁ, testículos
ÇAPYÁ JÓCA, castrar
ÇARONÇÁBA, esperança
ÇAUÇUB, amar
ÇAUÇUPÁRA, amante
ÇAYR, riscar
ÇÓ, ir
ÇÓBA, rosto
ÇÓBA CY, carrancudo
ÇÓBA CY OICÔ, estar triste
ÇÓBA JUBA, pálido
ÇÓBA OÇÚ, severidade
ÇÓBA PECANGA, maçã do rosto
ÇÓBA PETÉCA, bofetada. Ou puytéca.
ÇÓBA RANGÁBA, máscara
ÇOBAIXÁRA, opor
ÇOBAIXÁRA NHÉENGÀ, replicar
ÇOBAIXÁRA TURUÇÚ PORÝB, maior parte
ÇOBAKÊ, perto
ÇOBAKÊ GOÁRA, vizinho
ÇOBAÝ, Portugal
ÇOBAYÂ, rabo
ÇOBAYÂ ACÝCA, derrabado!
ÇOBAYÁNA, inimigo
ÇOBAYGOÁRA, português; vinho europeu.
ÇOÇÁNGA, sofrer, estar doente.
ÇOÇÓCA, socar, calcar
ÇOKENDÁ, tapar
ÇOKENDABÓCA, desaferrolhar
ÇOKENDAPÁBA, rolha, tampa
ÇÓO, caça, carne, animal
ÇÓO PAPÁO, quinta-feira (?)
CÓO PIRÉRA, couro
ÇOPE, roça
ÇOPIÂ, ovo
ÇOPIÂ TACÁCA, clara
ÇOPIÂ TAGUÁ, gema
ÇORÝB, alegre, folgazão
ÇUAÇÚ, veado. “O nosso célebre naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira diz que os índios chamavam Suhà assu a todo veado, por terem a cabeça comprida e testa grande, a que (acrescenta ele) os índios chamam Suhà assù. Parece, contudo, que essa palavra tem outra etimologia. Seria de çúu, mastigar: çúu assu vale tanto quanto ruminante. Os índios chamavam ÇUÁÇÚ-MERIN o filho da caça.”
ÇUAÇÚ ANHÁNGA, “veado diabo, cuja carne não presta para quem padece de sífilis ou sezões [febres]. Não lhe aparece mais que a extremidade das pontas dos chifres [detrás da vegetação].”
ÇUAÇÚ CAATÍNGA, mato ralo
ÇUAÇÚ MÉ, cabra
ÇUCUREJÚ, cobra d’água
ÇUGUÝ, azul
ÇUGUÍ-JÓCA, sangrar
ÇUÎ, de, do, da
CUPÈ, ao, aos, às, à, a
ÇUPÍ ÇABA OCOMEÉNG OAÊ, testemunha
ÇUPÍ RUPÍ, com toda certeza
ÇUPIÇABA, verdade
ÇUPÝR, levantar, carregar
ÇUÚ, morder, mastigar
ÇUÚ ÇÁRA, roedor
ÇUÚ ÇUÚ, roer
C.
CAÁ, mato
CAÁ KOÉNE RENDABA, horta
CAÁ MONDÓ, caçar
CAÁ MONDOÇÁRA, caçador
CAÁ POÁM, ilha
CAÁ PÓRA, que mora no mato. “Caapóra, segundo o vulgo, é uma miniatura de gente, que anda com as varas de caitetús, montando no maior de todos eles. Mau agouro quando se o encontra. Daqui vem o chamar caipora ao homem a quem tudo sai ao revés (azarado).”
CAÁ PYÍR, cortar o mato
CAÁ PYRÁNGA, folha vermelha para tintura
CAÁ RETÉ(Ê), mata virgem
CAÁ TINGA
CAÁ VÛ, ou
CAÁO, cagar
CAAPÁBA, urinol
CAAPIÎM, erva baixa
CAÁRIMÁ, farinha de mandioca
CAARÚCA, tarde
CAARÚCA RAMÊ, de tarde
CÁBA, vespa; abelha; gordura; manteiga.
CÁCA, tá bom, então tá!
CACOÁU, velho
CAÉM, sarar
CAGÍCA, veia
CAGÍCA OÇU, artéria
CAÎ, queimada
CAICOÁRA, bicho que dá doença
CÁMA, seios femininos
CÁMA JACUÍÇÁBA, lençol, cobertor
CÁMA PIRÉRA, peitos caídos
CÁMA PUÁM, peitos redondos
CÁMA RENDÁBA, leito
CAMBY’, leite
CAMBY’ ANTÁN, queijo
CAMBY’ ÇÁRA, ama-de-leite
CAMBY’ JÓCA, tirar leite
CAMBY’ VÛ, mamar
CANAPIÂ, quadril
CANCÁN, “ave, espécie de falcão: habita em lugares pouco freqüentados, e com voz estrídula anuncia a chegada de alguém.”
CANDÚR, corcunda (substantivo)
CANEÓN, atribular-se
CANGOÉRA, osso
CANHÉME, sumir
CAPIXÁBA, espécie de macaco
CAPIUÁRA, o animal que vive em meio ao capim. “Os índios peruanos usavam seus dentes como brincos”
CARANHÁ, coçar
CARAPANÁ, mosquito do Rio Branco
CARAIBÊBÊ, anjo
CARAIBÊBÊ KOÉRA, diabo
CARIBOCA, mestiço
CARUÁRA, corrimento vaginal
CARÚC, urinar
CARÚCA, urina
CARÝBA, branco, português
CATÍNGA, fedor
CATU, bom
CAÚ, beber; vinho. = CAUÍM
CAUÇÁBA, bebedeira
CAUÍM ÇÁI, vinagre
CAUÍM MEENGABA, taverna
CAUÎM TATÁ, aguardente
CÊ, saber ou partícula “não sei”
CEBUI, minhoca
CEBUI PEBA, sanguessuga
CEÇÁ, olho
CEÇÁ ACANHÉMO, cegar
CEÇÁ ARÍBO GOÁRA, pálpebra
CEÇÁ EPIRAR OÇÚ OAÉ, olhos arregalados
CEÇÁ ETÊ, astúcia; vista aguçada.
CEÇA EÝMA, cego
CEÇÁ EÝMA NUNGÁRA OATÁ, andar de olhos fechados
CEÇÁ IAPÁRA, vesgo
CEÇÁ IAPIRÁR IRUNAMO OMAÉM, olhar de esguelha
CEÇÁ POMYM, pestanejar
CEÇÁ PUNGÁ, terçol
CEÇÁ PYÇÔ, vista
CEÇÁ RAÝNHA, menina-dos-olhos
CEÇÁ ROÁ, óculos (!!!)
CEÇÁ RY, lágrimas
CEÇÁ RY ÇURURÚ, chorar
CEÇÁ TEPY TEPY, olhos afundados, encovados
CECÁR, procurar
CECATEÝMA, avarento
CECATEÝMA RUPÎ MERIM, poupar
CECÊ, portanto
CECÔ, aparência
CECÔ BEBÊ ÇÁBA, ressurreição
CECÝ, doer
CEÉM, doce
CEÉM OAÊ, diz-se da comida que está doce
CEEMBÚCA, comida salgada
CEGY, mudar
CEICOÁRA, cu
CEICOÁRA EPÁNGA ACÉMO, hemorróida
CEICOÁRA MOTÁCA, bate-cu (!!!)
CEÎYA, multidão, rebanho
CEJAR, abandonar
CEJUÇÚ, as plêiades no céu noturno
CEKY, atrair, puxar
Namby reky, puxar pelas orelhas
CEKY CÉMO, cercar
CEKYJÊ, ter medo
CEMEMBOÊ, discípulo
CEMIMOTÁRA, liberdade, consentimento
CEMIMOTÁRA RUPÎ, à vontade
CEMIMOTÁRA RUPÎ OICÔ, dono de si mesmo
CEMIMOTÁRA RUPÎ NHÔTE, a torto e a direito
CEMIRICÔ RAUÇUPÁRA, amigo da esposa
CEMIRICÔ POTOÇABA, noivo
CÉMO, nascer
CEMÔ YGARA ÇUÍ, desembarcar da canoa
CEMÔ IXUPÊ, ocorrer
CENDÚ, escutar
CENDY, baba; arder; luz.
CENDY OANE, acender
CENDY PÚCA, reluzir
CENEMBY, camaleão
CENÓI, chamar
CENONDÉ ETÊ, muito tempo atrás
CENONDÉ GOÁRA ETÁ, antepassados
CENONDÉ MIRIM, pouco antes, ainda agora
CENONDÉ RANHÊ ENÓNG, preferir
CENONDÉ ÚRE, antecipar-se
CEPIÁCA, ver
CEPIÁCA NHÓTE, deixar passar
CEPOTY, intestinos
CEPUÎ, borrifar
CEPUÎ RÁBA, regador
CEPÝ, preço
CEPÝ NONG, avaliar
CEPÝ OÇÚ EÝMA EPIRIMÁN, regatear
CÉRA, nome
CÉRA ÁRPE GOÉRA, sobrenome
CERAKOÊNA, fama
CERAÝMA, pagão (!!!)
CERÉB, lamber
CEREBYRA, irmão mais novo
CEREVÍRA, nádegas
CERÓC, batizar
CETÁ(Ê), muito
CETÊ, corpo humano
CETÚNA, cheirar
CETÝMA, perna
CETÝMA IAPÁRA, aleijado
CEÍYA, mulato
CEIJÝRA, tia, tia-prima
CIC, todos
CINOÁBA, barba
CIPÓ, raiz
COAMEÉNG, mostrar
COARACY, sol
COARACY ÇACU, calma
COARACY OMANÔ, eclipse
COARACY PYAÇÁBA, chapéu
COARACY RANGÁBA, relógio
COARACY RENDY, réstia
COATIÇÁBA, letra ou gravura
COATIÁRA, escritor ou pintor
COATIÁR, escrever, pintar
COAÚB, conhecer
COAÚB MORANDÚBA, quais são as novidades?
COAÚB UCÁR MORANDÚBA, descobrir o segredo
COCICÓI, eis aqui
COCINHEÝME GOÁRA, muito antigo
COÉMA, manhã
COÉMA PIRÁ PIRANGA, aurora
COICÉ, ontem
COITÉ, finalmente
COMENDÁ, feijão
COÓ, animal
COPÊ, costas
COPÊ RUPÎ, pelas costas, com falsidade, escondido
CORÓCA, velha senil
COYR, agora
COYR REIRÊ, doravante
CRICRI, gavião comedor de galinhas
CUATÍ(M), de cuá (cintura) e tim (nariz), pois este animal dorme com o focinho na cintura.
CUNHÃ, mulher ou fêmea de qualquer animal
CUNHÃ ÇAPIXÁRA MÉENGARA, fofoqueira
CUNHÃ COARAEÝMA, donzela
CUNHÃ IMÉNA MOMOXICÁRA, adúltera
CUNHÃ MEMBYRA, sobrinho(a)
CUNHÃ MÊNA, parente por afinidade
CUNHÃ MENDAÇÁRA, casada
CUNHÃ MENDAÇAREYMA, solteira
CUNHÃ NUNGÁRA, afeminadamente
CUNHÃ RAPIXÁRA, afeminado
CUNHÃ RUPIÁRA, amigo de mulheres
CUNHÃ TÊM, rapariga (em que sentido?)
CUPÚ, árvore de que se tira bebida fresca
CURUCÁBA, garganta
CURUCÁBA OJEKENDÁO, pigarro
CURUMÎM, menino
CURUPIRA
CURURÚ, sapo negro, cujo leite cega
CURURÚ BOIA, cobra comedora de sapos
CURURÚC, rosnar
CYG, mãe
E.
I. tu; II. ele(a) (em algumas conjugações de verbo no presente)
EAGOÉRA, dizer
EÁMAE, não (das mulheres)
ECATÚPE, nu
ECUPÊ, traição
EÉM, sim
EIKÊ, entrar
EMAACY, doença
EMBIÁRA, caça, pesca
ENGANÁNE, tentar (no sentido de pecado)
ENÓI, pôr
EPÉBA, pus
ERÉ CATU, alto lá!
EUKYÎ, cunhada da mulher
G.
“Letra pouco usada no começo das palavras, e a razão é porque as que deverão começar por ge, gi se escrevem com j; as de go e gu confundem-se ou talvez se escrevem com k; e em ga não sei de nenhuma palavra puramente indígena que assim comece. Todavia, admitimos a ortografia portuguesa para alguns vocábulos mais em uso.”
GAMBÁ
GAPUIA “(de origem incerta), vocábulo de São Paulo usado entre pescadores. A Gapuia consiste em atravessar-se o Igarapé com aninga e tojuco encostado em paus cravados no fundo, para que não passe toda a água; depois toma-se o peixe à mão ou, se há muita água, bate-se timbó. = MACUOCA.”
GIA, rã (somente no Maranhão)
GIBOIA
GIQUITAIA, formiga miúda e vermelha, cuja mordida necessita do fogo para efetuar a cura (uso somente no Pará).
GIRÁO, casa ou terraço feito sobre forquilhas; serve de canteiro, paiol ou ventilador.
GOAÇU, grande
GOAIMIM, mulher velha
GOAINIM UIRAPÁRA, arco da velha
GOARA, nativo de qualquer lugar
GOARABÁ, peixe-boi
GOARAPIRÁNGA, barreira
GOATAÇÁBA, jornada
GOATAÇARA, viandante, peregrino
GOÉNE, vomitar
GOÉR-EYMA, “partícula negativa do mais-que-perfeito do infinitivo: emprega-se em vez de eyma-goera. Juca-goér-eyma, não ter morto, que não matei, ou não matara.”
GUÁBO, “desinência do gerúndio dos verbos de artigo, acabados em –o puro, cujo o se transforma em guabo. Ex: Ai xoô, çoguabo. – E assim também nos verbos acabados em u puro: A-û, guabo. Aixuú, çúguabo.”
GUAJÁ, caranguejo marítimo da Paraíba do Norte.
GUAJÁ JÁRAS, índios do Maranhão
GUAJAJARA-Î, madeira
GUARÁ, “ave: nasce branca, torna-se preta e por fim de um encarnado vivíssimo.”
GUARANÁ, cipó
GUARARAPÉBA, viola
GUE & GUI, “sinal de vocativo, empregado só pelos homens. Escusado será dizer que estes raramente se empregam com substantivos acabados em vogal com acento na penúltima. Ex: Xe-rub-guê, ‘ó meu pai’.”
GUE (sozinho)
I. “Os verbos que depois do artigo A imediatamente tiverem alguma destas 4 sílabas: ra, re, ro, ru, entremeterão seja sílaba gue entre o artigo e a tal sílaba; mas isto apenas na 3ª pessoa. Ex: Araço, eu levo. Ere-raco, tu levas. O-gue-raço, ele leva. – Areco, eu tenho. Ere-reco. O-gue-reco.
II. Se os tais verbos se tornam absolutos com a dicção poro, neste caso tomam a partícula gue, nem só nas terceiras, mas em todas as pessoas. Ex: A-poro-gue-raço, levo gente. A-poro-gue-reco, tenho gente. Todavia, as duas primeiras letras da partícula podem, nestes casos, desaparecer na composição, dizendo ao invés A-poro-e-raço.”
GUI (sozinho), “primeira pessoa do gerúndio dos verbos do pronome xe. Ex: Gui Paca, acordando eu. Gui-tû, vindo eu.
GUIRÁ, ave
GUIRÁ OÇU, gavião
GUIRÁ PEPÔ, asa de pássaro
GUIRÁ REPOTY, erva de passarinho
GUIRA REÎYA, bando de pássaros
GUIRA RECÊ, debaixo. = GUIRÎ, GUÝRPE
GY, machado
I.
I.
“I. É a terceira pessoa do singular e plural do pronome Xe, ele, eles.
II. Vale como o pronome possessivo ‘seu’, ‘sua’, ‘seus’, ‘suas’. Ex: Cyg, mãe; I-x-ig, sua mãe ou ‘a mãe deles’. I-cô, sua roça. Estes ex. podem igualmente significar: ele ou eles têm mãe, roça, etc.
III. No começo dos cverbos, faz vezes de relativo. Ex: A-ço, ir. I-xó, a sua ida, o seu ir.
IV. Partícula negativa, que se acrescenta aos verbos, quando estão precedidos de n-d. Ex: A-juca, eu mato. N-d-juca-î, não mato.
V. No fim dos nomes substantivos, vale como diminutivo. EX: Comandá, fava. Comandá-î, favinha. Neste caso se pode também escrever î ou im. Ex: Mitánga, menino. Pitanga-î (sic?), menino muito pequeno.
VI. No fim dos cerbos significa fazer-se a coisa sem imposição estranha, assim como sem muita força de vontade da parte do agente. Ex: Ai-monhang-î, faço por fazer, por me recrear, e sem que ninguém me constranja a isso. A-cepiac-î, vejo e não impeço, ou vejo por me divertir. A-cepiac-î nde angaipàba, vejo a tua ruindade, e não me entendeo contigo, nem te repreendo.
VII. Muitas vezes se mete, com o artigo a que se refere, entre o artigo e o verbo e de tudo se forma um só verbo ativo. Ex: Ai-co-monhang xe-r-uba, faço a roça de meu pai, ou literalmente A [eu] i ou y [sua] co [roça] monhang [faço] xeruba (em acusativo paciente) [a meu pai]. Assim também A-y-acang-oc boia, corto a cabeça à cobra ou antes – eu sua cabeça córto à cobra.
VIII. É uma preposição (ou posposição) quando vem junta com os nomes de parte ou lugar; de ordinário com os advérbios de lugar. Ex: nde cuá î (o mesmo que se dicéssemos nde cuá recê), à tua ilharga. Ybyr-î, ao longo. Guir-î, debaixo. Çoba-î, da banda d’além.”
IÁ.
“I. interjeição: (…) bem-feito!
II. Junto com os verbos neutros, significa costume na ação. Ex: Açó iá (ou yá), costumo ir. Ajunta-se-lhe freqüentes vezes a sílaba bi. Ex: Xe-poro-nupã-i bi, costumo açoitar muito.
III. Também se emprega com os verbos que significam comer e beber, e nestes casos se lhe pode acrescentar a sílaba ra. Ex: Jorî ûi yára goábo. Vem comer farinha.
IV. Conjunção: do mesmo modo.
V. Primeira pessoa do plural do pronome A, nós.
IÁBA, as coisas que dizem
IABÁ ETÊ, arrogante
IABÁ ETÊ ÇÁBA, arrogância
IABÊ, conjunção: igualmente. = IABÊNHÊ
IAÇOARAMONAÊ, e
IAÇOARAMONAEMO, já que não
IAÊ = YAÊ, verbo: nós dizemos
IAÊTENHÊ, em vão
IA-IABO, para dizermos
IAMURÚ. I. bem-feito!; II. cueyira (fruto).
IÁNDE, “I. 1ª pessoa do plural do pronome Xe: nós e vós, todos sem exceção; II. pronome possessivo, nosso, nossa. Iande có, nossa roça. Este exemplo significaria igualmente roça.
IANDEBO, para nós todos
IANONDÉ, “posposição: antes, primeiro que. Um ex. dará melhor a entender qual é a força desta expressão. Xe-çoyamondé, antes que eu vá (e hei de ir, decerto).”
IAPÁRA, torto, vesgo.
IAPYCÔN, língua
IARA = JARA = YARA, senhor, dono.
IARÁ, palmeira
IATYR ATYR, abundantemente
IBA, quadril
IBÁKE, céu
IBÁKE TINGA, nuvem
IBAKÉPE OÇÓ, salvação
IBAKÉPE TURYBA, glória, paraíso.
IBÝ, TERRA
IBÝ COARA, cova, mina.
IBÝ COARA OÇU IBY APITERPE MÁME PITUNA OÇÚ OICO NHINHÊ TAÝNA ETÁ ANGA CERAÝMA OAÊ ETÁ RENDÁBA. Limbo ou seio de Abraão. (!)
IBÝ CUÎ, praia
IBÝ MÁME OPOBINHÊ MBAÊ OJEMONHANG, fertilidade
IBÝ OCA, parede
IBÝ PEBA, terra plana
IBÝ RETÊ, terra firme
IBÝ RYRY, terremoto (por que haveria essa palavra se, como dizem os incautos, não houvesse terremoto no Brasil?)
IBÝ TYRA, serra
IBYTU, vento, arroto
IBYTU AYBA, vento de trovoada
IBYTU BABÓCA, redemoinho
IBYTU RANA, nevoeiro
IBYTY GOÁYA, vale
ICÔ, “este, esta, isto (e também) eis aqui, eis que. Ex: A-jur-icô. Eis que me vou. Ai-monhang-icô, eis que já faço.
ICÓ (A-ICÓ), estar ou ter de ser.”
ICURÉ, anta
IÊ = YÊ, “I. partícula que serve para tornar passivos os verbos transitivos. Ex: A-juca, eu mato. A-ye-juca, eu me mato. II. Jê, recíproco.”
IGAÇÁBA, louça
IICÁBA, palavra
IIPÊ, um
IKÊ, aqui
IKÊ CECOI, aqui está
IMBOÉ, ensinar
IN, estar deitado
INDE = NDE, tu, do pronome Xê ou Ixê
IPÉBA, chato
IPY = YPÝ, primeira origem
IQUE, entrar
I’RAXO, interjeição de espanto
IRÓN, vê só?!
IRUNÁMO GÓARA, parceiro
ITÁ BUBUI, pedrapomes
ITÁ JÚBA, dinheiro, ouro
ITÁ JÚBA JÁRA, homem rico
ITÁ JÚBA RÁNA, ouro falso
ITÁ OCA, parede de pedra
ITÁ PEBA, chapa de ferro
ITÁ PO MONDÉ, algemas
ITÁ PUPÊ JAPY, apedrejar
ITÁ RETÊ, aço
ITÁ TUPAN ÇUÎ OCÉMO OAÊ, raio
ITÁ TYBA, pedregal
ITÁ XÁMA, corrente (de ferro)
ITÁ YRYRY, concha
ITYCÁRA, pescador
ITYKÉRA, lixo
IXÊ = XÊ, eu. Só pessoas podem ser referidas como um eu no Tupi. – Nde ou Indé, tu – Y, ele – Yande ou Iande e Ore, nós – Pé, vós – Y, eles.
IXÊ AÊ, sou, estou
IXÊ ETÊ, eu mesmo
J.
JÁ. “I. supino do verbo A-é, dizer. Gui-ja-bo, dizendo eu; II. calcanhar.”
JABÊ (IABÊ) (JAVÊ), basta!
JABÊ JABÊ, cada um
JABÊ IPÓ, como deve ser
JABÊ NHÓTE, de graça
JABÊ TENHÊ, nem mais, nem menos
JABÊ TURUÇÚ PORYB, cada vez mais
JABICÁBA, desigualdade
JABICÁBA RUPÎ, sem aviso, sem pensar, inadvertidamente
JABOTIM, jabuti
JABURÚ, ave ribeirinha
JABY, errar, faltar
JABYBÚRA, arraia
JÁCA
JACAMÎM, ave própria para adestrar
JACANHÉMO, pasmar, titubear; terror, espanto.
JACÁO, pelejar. Jacá-jacáo: arrazoar.
JACARANDÁ
JACARÉ
JACARÉ IHÚA, árvore grande que servia para construir canoas
JACARÔA!, poça d’água
JACARÔÁ MIRIM, charco
JACARÔA OÇÚ, lago
JACEON (A-JACEÕ), chorar
JACÍNA, espécie de borboleta
JACOAÚB ETÊ, ladino, sagaz
JACOAÚB EYMA, néscio
JACÚ, ave
JAÇÚ OAÊ, canhoto
JACUMAÝBA, piloto
JACY, lua, mês
JACY ÇOBA JEARÓCA, lua minguante
JACY ÇOBA OÇU, lua cheia
JACY JEMOTURUÇÚ, lua crescente
JACY PEÇAÇÚ, lua nova
JACY TATA, estrela
JAGOÁRA, cão; onça.
JAGOÁRA KIÝBA, pulga
JAGOÁRA OATÁ CEMIÁRA, o cão que manca
JAJÚRA MONDÓCA, degolar
JAKIBÁNA, cigarra
JAMÎM, espremer
JAMÎMA RUPÎ, sorrateiramente
JAMOTAREYMA, ódio
JAMOTAREYMA RUPÎ, odiosamente
JAMOTÍNGA, entrudo (carnaval indígena)
JAMOTÍNGA ARA, dia de entrudo
JANDÊ IARA JESU CHRISTO YBÝ AIQUÉRA ETÁ, discípulos de Cristo
JANDÊ MBAÊ, coisa nossa
JANDÊ PAYA IPÝ, Adão
JANDÊ PAYA ADÁO RENDABA QUERA, paraíso terrestre
JANDÊ RAMÚYA, antepassados
JANDÊ REÇÁ ÇÁBA, pestanas
JANDI, azeite
JANDI CARAÝBA, crisma; extrema unção.
JANDÚ, aranha
JANDÚ KEÇÁBA, teia de aranha
JAPABÓCA, partida (de ida)
JAPEGOÁ, centopeia
JAPÎ, atirar
JAPÎ APIXÁBA, pedrada
JAPI JAPI, apedrejar
JAPÎ MOCÁBA, dar tiro de espingarda
JAPINÓN, onda
JAPINÓN OÇÚ, maresia
JAPIXÁ, ferir
JAPIXÁBA, ferida
JÁRA, dono, amo, senhor, senhora
JATIMÁ TIMÁN, andar em círculos, rodear
JATIÚCA, carrapato
JATIÚM, mosca muito irritante
JATOBÁ
JÊ, “segunda pessoa do plural do presente do indicativo do verbo A-é, e assim também do imperativo. Pe-jê: Dizei, ou vós dizeis.”
JEAUÇUPABA, amor honesto
JEBÝC, esganar
JEBYR, repetir, voltar
JECOÁU, apresentar-se
JECOAÚB, aparecer aquele ou aquilo que estava perdido
JECOAÚB ETÊ, ladino
JECOACU OÇÚ, quaresma
JECOACÚB, jejum, jejuar
JECOACÚBA, sexta-feira
JECYRÓN, pôr-se em fila
JEGOARÚ, ter nojo
JEJUMÎNE, ocultar-se
JEJYBÝCA, enforcar-se
JEKYCÎ, caldo
JEKYI, definhando, morrendo
JEMÁNE, coisa velha
JEMBAACÝ, ter fome
JEMEMOTÁRA, vontade, concupiscência
JEMOÁ MONDÉ, vestir-se
JEMOÁCÁNGA YBA, endurecer-se
JEMOAÇÚCA, tomar banho
JEMOAPÚNG, tratar-se
JEMOAÝB, corromper-se
JEMOAÝB PORYB, piorar
JEMOCAMÁRAR, amigar-se
JEMOCAMÁRAR JEBYR, fazer as pazes
JEMOCANÉON, fadigar-se, afligir-se
JEMOCANHÉMO, desperdiçar-se
JEMOÇARÁI, brincar
JEMOÇARÁITÁBA, jogo
JEMOÇARÁITÁRA, jogador
JEMOÇARÁYA, galhofa
JEMOÇARÁYA RUPÎ, galhofeiramente
JEMOCURUÇÁ, persignar-se
JEMOKYÁ, sujar-se
JEMOMBEÚ ÇÁBA, confissão
JEMOMBÓRE IXUÎ, divórcio
JEMOMENDAR, casar
JEMOMOXÍ, envergonhar-se
JEMONDYÁRA, menstruação
JEMONGETÁ, conversar
JEMONHARÓN, ficar bravo
JEMOPOTYR, florescer
JEMOPYÁ-YBA, apaixonar-se; enfadar-se. (!)
JEMOPYTÚNE, anoitecer, escurecer (fechar o tempo)
JEMOROIÇÁNG, esfriar
JEMOTAÇÁBA, pancada
JEMOTAGUÁ, amadurecer (fruto)
JEMOTAIGOÁRA, alforria
JEMOTÁRA, vontade
JEMOTY JOBAÊ, envelhecer
JEMÚ, flechar
JEMUÇÁRA, flecheiro
JENÓNG, deitar
JEPÁRA PARÁBO, várias coisas e cores
JEPÊ, um, uma
JEPÊ YÎ, uma vez
JEPENHÔ OAÊ, único
JEPOÇANÓNG, curar
JEPOCOAÇÁBA, junta, ligamento
JEPOCOAÚB, acostumar-se
JEPÓI, alimentar
JEPOTAR, chegar. Uso restrito, apenas na sentença: Jepotar ygára, chegar de canoa.
JEPYÁ MONGETÂ, refletir
JEPYÁ MONGETAÇÁBA, meditação
JEPYÁ ROJEBYR, arrepender-se
JEPYÁBA, lenha
JEPÝCA, vingar
JEPYCÝCA, abraçar
JEPYCYRÓN, apadrinhar-se
JEPYPÚCA, e
JEPYPÝCA, naufrágio
JEPYRYPÁNE, negociar
JEQUÎ, armadilha para apanhar peixe
JERAGOIA, mentir
JERAGOIA OAÊ, falsário
JERAGOIA PUPÊ OACEMO, convencer
JERAGOIA RUPI TUPAN RERA OCENÓI, jurar em falso
JERÉO, despojar-se
JEROBIAR ETÊ CECÊ, vangloriar-se
JEROTÎM, ignomínia
JERÚ, papagaio = PARAGOAI
JERUBIAÇABA, fidelidade
JERUBIAR, confiar ou confiar demais (ser presunçoso)
JETYCA, batata
JEUPYR, subir, trepar
JEZUS CHRISTO RERÚ BIAÇÁBA, fé católica
JICÁ, coisa quebrada
JICÁ JICÁ, quebrar
JICAÇÁBA, rachadura
JIJÊ, afastar
JIMBOÊ, estudar, aprender, ensinar, rezar (quase tudo vinculado à educação)
JIMBOÊ PAPÉRA PUPÊ, ler
JIMBOEÇÁBA, doutrina, lição, reza, oração. Jimboeçába catu pupê ojemoturuçú: bem-educado.
JIMBOEÇÁRA, mestre
JIRÁO, jirau
JÓCA, desentupir
JOCAIÇÁRA, ocupante
JOCOAI, ocupar
JOCYB, limpar esfregando
JOCYB ANGA, purificar a alma
JOJÓCA, soluçar
JOMÁNA, abraço
JOMBYÂ, buzina
JOMÎMA RUPÎ, secretamente
JOMINEÇÁBA, segredo
JORÁO, soltar, desembaraçar
JÓBE, chamar alguém
JORI, “segunda pessoa, singular e plural, do imperativo do verbo: A-jur. Vem tu, vinde vós.
JOTOÎM, acotovelar
JOTÝME, semear, enterrar
JOTÝE JEBYRE, replantar
JU. “I. partícula pospositiva do vocativo, empregado pelas mulheres. Xe-cyg-ju, ó minha mãe! II. espinho”
JU TYBA, espinhal
JUB, deitado
JUCÁ, matar
JUCÁ-ÇÁRA, matador
JUCÁ-CÝ, pirraça
JUCÂNE, transbordar
JUÇÁRA, “comichão, coceira, frieira. No Maranhão, fruto de uma palmeira.”
JUCÝB ÁNGA, descarregar a consciência
JUÎ, rã
JUKÝRA, sal
JUMAM, braço
JUNDUHI, aranha matadora de plantas
JUR, vir
JURARÁ, cágado, tartaruga. “No tempo em que Alexandre Rodrigues visitou o Pará, era a manteiga dos ovos de tartaruga uma das indústrias mais usadas em certas estações. Eis como ele descreve este processo: ‘Juntam-se aos montes nas praias os ovos que se descobrem nelas; se se quer que funda mais a manteiga, deixa-se fermentar de 4 a 5 dias, mas então ela sai rançosa e com mau cheiro. Se os ovos de preparam ainda frescos, são logo metidos numa canoa, que de propósito está reservada para isso, e vão pisando-os a pés nus, como em Portugal se faz com as uvas. Sobre os ovos pisados lançam água, a qual depois de mexida e encorpada, deixa sobrenadar o óleo: com a mesma água dissolve-se grande parte da clara: as cuias (e de preferência as válvulas das conchas) são as colheres com que tiram o óleo de cima d’água, empurrando-o para dentro dos tachos. Após, vai a manteiga ao fogo, esfria-se-a em panelões à parte, e deles transporta-se-a aos potes. Esta manteiga serve para temperar ou comer, fritar peixe, de combustível para a luz doméstica, ou calafetar as canoas (para evitar vazamentos).”
JUREMA, árvore
JURÚ, boca
JURÚ AYBA, maldizente
JURÚ CANHÉMO, emudecer
JURÚ CUY, tagarela
JURÚ GUÉRA, bobajada
JURÚ JERAGOÁYA RUPÎ OAÊ, adulador
JURÚ JYB, ato de cortesia
JURÚ NÊME, mau hálito
JURÚ OÇÚ, boca-suja
JURÚ PITUGÉME, bafo
JURUCÊ, aquele que tem o falar afável
JURUPÁRI, demônio; na mitologia tupi, espécie de macaco.
JURUPÁRI ENGANANE ÇÁBA, tentação
JURUPÁRI KIBÁBA, centopeia
JURUPÁRI RATÁ (TATÁ), inferno
JURUPÁRI RATÁ PÓRA, habitante dos infernos
JURUPÁRI REMI MONHÁNGA, diabrura
JURUPÁRA REPOTI, enxofre
JURUPIXUNA, macaco de boca preta
JURURÊ, pedir, mendigar, suplicar. Pitybonçaba ojururê, pedir ajuda.
JURURÊ RURÊ CATU, pedir humildemente
JURURÊÇÁRA, pidão
JUTAÝ. “Fruto desagradável, e contudo os índios os comem. Desta árvore se colhe a resina chamada Jutay-cica, ou goma copal, com que envernizam a louça. (…) A casca também serve para confeccionar canoas.”
JURUTI, pomba
JYBA APÁRA, maneta
JYBA BABACA, e (!)
JYBA BÓC, danças, bodas
JYBA KITAM, cotovelo
JYBA PECÁNGA, ombro
JYBA RAJÝCA, pulso, veia.
JYBÝCA, engasgar comendo
JYBYCÁBA, forca
K.
KEBYRA, “irmão ou primo da mulher; indica ao mesmo tempo que este parente é o mais moço, não só a respeito dela, mas também em relação a todos os demais irmãos.”
KÉR, dormir
KÉR AÝBA, pesadelo
KERIRIM, silêncio, tristeza
Xe-kiriri, estou triste
KIÝBA, piolho
KYÂ ÇÁBA, nódoa
KYBÁBA, pente
KYÇÁBA, rede de dormir
KYCÊ, faca
KYCÊ APÁRA, foice
KYCÊ GUASSÚ, facão, cutelo.
KYINHA, pimenta
KYINHA AVÎ, pimenta malagueta
KYINHA ÇOBAIGOÁRA, pimenta do reino
KYRÂ OICO, estar gordo
KYTAM, verruga
KYTINGÓCA ÁNGA, confessar (purificar a alma) (malditos jesuítas!)
M.
MÃ. “partícula pospositiva com que exprimimos desejos ou saudades. A-ço-mo Tupan pyri mã. Oh! quem fôra para Deus. Xe-cyg-mã. Oh! minha mãe. Com esta partícula juntam-se estas outras, temo, mey, mey-mo; e desta maneira forma-se o optativo dos verbos.”
MÁ ÁRA ÇUÎ VÊ CATU, desde quando?
MÁ ÁRA PUPÊ, a que horas?
MÁ ÁRA ÇUÎ, donde? de onde vem?
MÁ MARANDÚBA, que vai?
MÁ MBAÊ, que coisa?
MÁ RUPÎ, por onde?
MAÊ TACÓ = MAÊ TEPE = MAÊ TERÁNHE, Ora, vede agora!
MAÉM, olhar
MAÉM ETÊ, encarar
MAENDUAÇÁBA, lembrança, pensamento.
MAENDUAR JEBYR, recordar
MAIRYGOÁRA, cidadão
MAITACÁ, papagaio que destrói os campos de milho
MÁME, onde?
MÁME COARACY’ OCANHEMO, ocidente
MÁME NHÓTE, algum lugar
MÁME TÁ, aonde
MAMETÉI, muito bem!
MANACÁ (somente Pará), flor e apelido da moça mais bonita da tribo.
MANIÇOBA, folha da mandioca
MANIPOEIRA, a água que a mandioca destila = TUCUPIM
MANÔ, morrer
MANÔ AYBA, desmaio
MARÁAR, definhar
MARÁCA. “I. Instrumento das solenidades religiosas dos índios: cascavel. II. Árvore de fruto que nasce pela terra firme, que se diz semelhante a uma espécie da crescentia de Lineu. III. Por ampliação do sentido direto da palavra, dá-se hoje este nome a um chocalho feito de lata e cheio de pedrinhas, que serve de brinquedo.”
MARACÁJÁ, gato do mato
MARACANA’, papagaio amarelo
MARACATIM, “navio, embarcação grande [não se refere ao do homem branco]. Era o nome que os índios davam a suas embarcações de guerra, as quais tinham na proa um maracá, que eles faziam tocar quando acometiam.”
MARACÁYMBÁRA, feiticeira
MARACUJÁ
MARAMONHANG, guerra
MARÍCA, barriga
MAYA, mãe
MAYA ARÝA, avó da mãe
MAYA RAMÛYA, avô da mãe
MAY-TINGA, ama
MBAACY, adoecer
MBAACY AYBA OÇU, peste
MBAACY JEBYRE, recidiva da doença
MBAACY OJEPECÝCA OAÊ, doença contagiosa
MBAÊ, coisa
MBAÊ ACY ACY OAÊ, homem muito doente
MBAÊ AYBA, malefício
MBAÊ BUPIÁRA, antídoto
MBAÊ ÇÁÇY’ OAÊ, veneno
MBAÊ CURUTÉM NHÓTE OÇAÇÁO OAÊ, vaidade
MBAÊ ETÁ, bens
MBAÊ PUXI, adultério
MBAÊ PUXÍ RECÊ ENHEÉNG, falar leviandades
MBAÊ RÁMA RECÊ TA, para quê?
MBAÊ REPIACA, visão
MBAÊ RETUNA, olfato
MBAÊ TAÎ OÇU, coisa apimentada
MBAÊ UÇABA RENDÁBA, refeitório
MBAÊ UÚ, refeição
MBÂE UÝ ETÊ, gula
ME. “I. na (preposição); II. partícula que se acrescenta aos verbos acabados em ditongo, para formar o conjuntivo: A-cai faz Cai-me.”
MEAPÉ, pão
MEAPÉ ANTAM, biscoito
MEAUÇÚBA, escravo
MEÉNG, dar
MEENGABA, dádiva
MEGOÉ, pouco
MEMBY, flauta
MEMBYRA AMÔ, enteado (filho da mulher)
MEMBYRA ANGÁBA, afilhado (da mulher)
MEMBYRA CU, enteada (filha da mulher)
MEMBYRA RERÚ, sogra (mãe da mulher)
MEMBYRA TY, nora (irmã do irmão, para a mulher)
MEMBYRAR, parir
MÉME. “partícula que significa ‘o mesmo’, da mesma maneira, ou sempre. A-çó méme, eu sempre vou.”
MENDAÇÁBA, casamento
MENDAR, casar
MENDUBA, sogro da mulher (pai do homem)
MENDY, sogra da mulher
MEOÁM, lesão, defeito
MEREBA, chaga
MEREBA AYBA, bexigas
MERÚ, mosca
MI, partícula que se antepõe aos verbos ativos para formação dos particípios passivos
MIKYRA, nádegas
MIMBABO, gado
MIMÓI, cozinhar
MINGÁU
MINÔ, fornicar
MINONÇÁRA, fornicador
MIRÁ, gente
MIRÁ REÇÁPE, publicamente
MIRÁ RECO RUPÍ, popularmente
MIRÁ REIYA OPUÁME, rebuliço
MIRÎM
MIRÎM NHÓTE, um nada
MIRÎM PURYB, pouco menos
MIRYBA, Bárbara, nome de mulher
MISSA MONHÁNG, celebrar missa
MISSA PYTUNA, natal
MITÁNGA, criança
MITÁNGA RECÊ, meninice
MITYMA, planta
MIXÍRA, assadura
MIXIRE, assar
MO. “I. posposição empregada com os verbos tornados passivos em virtude das partículas –nhe ou –ye, antes das quais se coloca a tal partícula: mó-. A-yê-apîn: tosquiar-se. Ai-mo-yê apîn Pedro Diogo çupe, faço com que Pedro seja tosquiado por Diogo. II. Dos verbos neutros do pronome xe se fazem verbos ativos com o pronome ai, e logo a sílaba mo. Xe angaturám, sou bom. Ai-mo angaturám, faço bem a alguém. Se o tal verbo tem a letra r, depois do pronome xe perde-se a sobredita composição. Xe ropar, eu me perco. Ai-mo-opar, faço com que outro se perca. III. Serve também esta partícula para tornar ativos os verbos neutros do pronome a, metendo-se a partícula entre o pronome e o verbo. A-poám, levanto. Ai-mo poám, faço levantar a alguém ou alguma coisa. A-in, estou parado. Ai-mo in, assento alguma coisa. IV. Acrescenta-se também aos verbos acabados em mo ou no para formação do gerúndio. Ai-amô, molhar, Amô-mo. Ai-manô – Gui manô-mo. V. Também se acrescenta para formação do gerúndio aos verbos acabados em ~ nas letras a, e, o. Ai-nupã faz: nupâmo. VI. Partícula pospositiva do imperfeito do permissivo. A-jucá-mo, eu matara ou mataria. VII. Empregada pospostiviamente com substantivos significa ‘em vez, em lugar de…’ Tuba-mo. Em vez, em lugar de pai.”
MOACY’, doente
MOACY-ÇÁBA, mágoa
MOACY-ÇÁBA OJEPIACA RECÊ MBAÊ, inveja
MOAGOAÇÁBA, amancebar-se (relação indíg[en]a)
MOANG, MOÁNGA. “Significa coisa fictícia ou imaginada, e nada mais que isso. Os seguintes exemplos explicarão melhor o sentido desta proposição, que vem do verbo acima. A-ço-moang, finjo que vou, ou vou baldadamente. A-caá mondo moáng, fui à caça debalde, sem proveito.”
MOANTAMÇÁBA, parapeito
MOAPAR, aleijar
MOAPY, tocar
MOAPYR, somar, acumular
MOÁR TATÁ, fazer fogo
MOATÚCA, encolher, encurtar
MOAUG-Ê, consumar
MOAUGUÉRA AYBA, malicioso
MOAÝB, corromper, deflorar
MOAÝB ÇAÎNHA, estragar os dentes
MOBABÓC, moer a cana
MOBYR, quantos?
MOBYR EY’, quantas vezes?
MOBYR HORA, que horas são?
MOBYR NHÓTE, alguns
MOBYRIÔN, muitos
MOÇABAIPOR, embebedar totalmente
MOÇÁC, arrancar
MOÇÁÇÁO, atravessar
MOÇAÎ, azedar
MOÇAIMBÊ, afiar (instrumento cortante)
MOÇÁNGÁB, assinalar, marcar, medir, pesar, demarcar.
MOÇAPÝR, três
MOÇARAY, escarnecer, brincar, galantear, zombar, triunfar.
MOÇARAY GUÉRA, bobo
MOÇARAYA RUPÎ, na brincadeira
MOÇARAYA RUPÎ NHÔTE ONHEENG, dizer besteiras
MOÇARAYTÁRA, folgazão, descontraído
MOÇÁ ÇUÍ, pólvora
MOCABA, espingarda
MOCABA MEMBYRA, e
MOCABA MERIM, pistola
MOCABA OÇÚ, peça de artilharia
MOCABA RAÝNA, munição, chumbo, bala
MOCABA REAPÚ, tiro
MOCAJÚBA, “o fruto chamado em algumas partes de côco de catarro” (!)
MOCAMBY, amamentar
MOCANEÓN, cansar
MOCANHÉMO, assolar, assustar alguém
MOCANTÎM, fazer bico
MOCAÓCA MIRIM, presídio
MOCAÓCA OÇÚ, fortaleza
MOCATÚ, curar
MOCAÚ, embebedar totalmente
MOCEAQUÉNE, perfumar
MOCEÉM, adoçar
MOCEKYJÊ ÇÁBA, espantalho
MOCEKYJÊ KYJÊ, ameaçar
MOCÊM, salgar, estender
MOCEMO, pronunciar
MOCEMO CECÔ QUÉRA ÇUÎ, absolver, isentar
MOCENDY, iluminar
MOCERAKÉNE AÝBA, infamar
MOCERAKÉNE CATU, honrar
MOCERÁNE, vencer, desprezar
MOCÍMO, jogar fora
MOCOCÁBA, gasto
MOCOCÁO, desperdiçar
MOCOCÁOÇÁRA, gastador
MOCOCOBIAR, compensar
MOCOCOI, derrubar (fruta)
MOCOÉNE, dar bom dia
MOCÓI, dois
MOCÓI VÊ, ambos, tanto um como outro
MOCÓNE, engolir
MOCORORÔ, (Maranhão) aloa (?) de arroz; (Ceará) suco de caju femrmentado.
MOCORUY, ralar
MOÇORYB TAMARACÁ, tocar o sino, badalar
MOCOTÓ, sapo grande preto dos lados
MOCUBÊ CATÚ, mandar lembrança
MOCUÎ ÇÁRA, moedor
MOÇUPÍ, justificar
MOÇUPÍ ENHÉENG, cumprir a palavra
MOCURUÇÁ, cruzar
MOETÊ, venerar, solenizar
MOETEÇÁBA, veneração
MOETEÇÁRA, devoto
MOGOAÇÚ, subir de preço
MOGOAÇUÇÁBA, exagero
MOGOAPÁBA, coador
MOGYB, abaixar
MOJACÉON, fazer chorar
MOJAÓCA, separar, dividir
MOJAÓÇÁBA, apartamento
MOJAR, aproximar duas coisas
MOJAR CECÊ, ligar duas coisas antes cortadas
MOJAR CURUCÁ CECÊ, crucificar
MOJATICÔ, pendurar
MOJATICÔÇÁBA, dependurar
MOJATINONG, balançar
MOJEAIBYC, abater
MOJECIAR, acamar, empilhar
MOJECIRÓN, enfileirar
MOJECUAPÁBA, revelação
MOJECUAÚB CUPÎ ÇÁBA, verificar a veracidade
MOJEGOARÚ, causar nojo
MOJEMOMBEÚ, confessar
MOJEMONHÁNG, gerar
MOJENDIRÓN, amuar
MOJÊNÓNG, deitar
MOJÊPÊOÇÚ, incorporar
MOJÊPOCOAÚB, domesticar
MOJERERAGOAY, desmentir
MOJOJABÊ, emparelhar
MOKATÁC, abanar
MOKÉCA = Pokéca. Embrulho. “Hoje significa um guisado de peixe. Na frase vulgar, estar de moqueca é estar de pé dormente, sem se importar com coisa alguma.
MOKYÂ, ofuscar
MOKYTÁM, atar, dar nó
MOMÃ. “I. Partícula que se acrescenta ao presente do optativo, quer se afirme ou negue. Ex: A-juca-momã. Oxalá mate eu! Na-juca-i xoéte momã, oxalá não matara eu ou não matasse. II. Também se acrescenta ao futuro do mesmo modo: Na-juca-i xoe momã! Praza a Deus que eu não mate!”
MOMAENDUAR, fazer lembrar
MOMBÁO CATÚ, aperfeiçoar
MOMBEÚ, dizer, relatar
MOMBEÝ AYBA, culpar
MOMBEÚ CATU, explicar, recomendar
MOMBEÚ CATU CECÊ, louvar
MOMBEÚ TUPÁNA NHÉENGA, evangelizar
MOMBYCA, furar
MOMEMBÉCA, enfraquecer
MOMORIAUÇÚBA, empobrecer
MOMOROTINGA, branquear
MOMOXÎ, adulterar, descompor
MOMOXÎ NHÉENGA PUPÊ, xingar
MOMOXIÇÁRA, injuriador. Cunhã iména momoxicára, mulher adúltera.
MONÁNE, misturar
MONDÁ, furtar
MONDABÓRA, ladrão
MONDAÇÁBA, furto
MONDAR, imputar, acusar
MONDÉ PÓRA, preso
MONGATIRÓN TEMBIÚ, temperar comida
MONG-ER, fazer outrem dormir
MONG-ER AYBA, má dicção
MONG-ETÁ ÇÁBA, prática
MONGUBA-Î, árvore, madeira
MONHÁNG, fazer, tirar do nada, fabricar
MONHANGÁBA, fábrica
MONHERUNDÍC, quatro
MONOXI, irmãos gêmeos
MOPÉ, aplanar o caminho
MOPEÇAÇÚ, renovar
MOPEÇAÇÚ JEBYRE, reformar
MOPECÚ ÁBA, espaçar
MOPERÉBE, ferir
MOPOÂME ABÁ RECÊ, amotinar
MOPOKERÝC, fazer cócegas
MOPÔPECYCA, pegar na mão, enganchar
MOPORÁNG, adornar
MOPORARÁ, atormentar
MOPOTOPÁO, irritar
MOPOTUÚ, aliviar
MOPOTUÚ TUGUÎ, estancar o sangue
MOPÚ, enxotar
MOPUCÁ, fazer rir
MOPYÂ CATU ABA PUPÊ, fazer a vontade
MOPYÂ CATU TAÍNA MERIM, acalentar bebê
MOPYPYC, remar de leve
MOPYRANTÁM OAÊ, coisa importante
MOPYTÁ, agasalhar, deter
MOPYTUBA, acanhar
MOPYTÚNE, dar boa noite
MOPYXÚNE, vestir-se de preto
MOPYXÚNE CERÁNE, ofuscar
MORANDUB, avisar
MORANDUBA, embaixada
MORANDUBA AÝBA, queixa
MORAUÇÚB, ter compaixão
MORAUÇÚB EYMA, impiedade
MORAUÇÚBA, caridade, misericórdia
MORAUKY, serviço, trabalho
MORAUKY MOÇAPYR, quarta-feira
MORAUKY MOCOI, terça-feira
MORAUKY OÇÚ, tráfego
MORAUKY PY, segunda-feira
MORAUKYÇÁRA, trabalhador, jornaleiro (!)
MOREAUÇÚBA, pobreza, tirania
MOREPOTÁRA, luxúria
MOREPY, salário
MORERÚ, deixar de molho
MORO, gente
MORORYB, alegrar
MOROTINGA, coisa branca
MOROYÇÁNG, esfriar
MOROXÁBA, prostituta (já em desuso na época de Gonçalves Dias)
MOROXÁBA, MOROBIXABA-OCÚ, general (faz todo o sentido!)
MORYÇÁBA, carícias
MORYPÁRA, amante
MOTAPY, afundar
MOTATAC, amassar
MOTECÔCOAÚB, doutrinar
MOTEKYR, destilar
MOTEKIROÇÁBA, alambique
MOTEMÚNG, sacudir
MOTENING, secar, torrar
MOTERYCÉMO, abarrotar
MOTICÁM, enxugar
MOTÎM, envergonhar alguém
MOTUMÚNE, escarrar
MOTURUCÚ, criar, cultivar
MOTUTY, cortiça
MOTUÚ ÁRA, domingo, dia santo
MOTUÚNE, lambuzar
MOTYC-Û, fazer líquido
MOTYJOBAÊ, envelhecer
MOXACÎ, trancar, aferrolhar
MOYRA CURUÇÁ, rosário
MU, irmão, primo do homem
MUACIKÉRA, meio-irmão do homem
MUNDÉ TINTA PUPÊ, tingir
MUNGA, nascida
MURIÇOCA
MURUCÚ, arma indígena de pau
MURUCUTUTÚ, ave acinzentada de olhos amarelos
MURÚ-MURÚ, palmeira
MURURÚ, nenúfar
MUTÁ MUTÁ, escada
MUTÚCA, mosca grande, cuja picada faz sangrar
MYRA, espécie de pão
N.
N, ND. “Negação do verbo. Lê-se a este respeito na Gramática de Figueira: ‘Para
[Interrompido neste ponto, 60% do dicionário percorrido.]
