[REPRISE] O QUE VAI AO AR [CENSURADO]

Originalmente publicado em 17 de setembro de 2009.

A amizade está acima do amor na escala dos sentimentos verdadeiros – ser amigo da mulher é o que se deve buscar no relacionamento. A pureza e a sinceridade, isso eu nunca tive.

Talvez o estresse da véspera do beijo seja inevitável, mas… Após o momento da conquista é realista trabalhar num projeto de aperfeiçoamento da relação. Volto a pensar no assunto quando achar que encontrei a “cobaia” ideal (ou muito antes).

Outro objetivo é achar amizade, qualquer amizade (entenda bem: amigo ou amiga), que me permita ser ainda mais rico e sábio e produtivo.

(…) Tenho de aprender a não ser uma caixa de fósforo. Olhar para frente – como é possível se dar com, e imaginar para si, uma pessoa com a qual não conseguimos falar? Mas esta ainda não há: pessoas de intelecto brilhante – embora turvo – como a M. não me despertavam outro membro e outro sangue que não o que corria para aquele. Lamentável. Em vão, até agora? Vamos fazer esse balanço, Jair-Durkheim!¹

¹ Referência a Jair Ferreira dos Santos, sociólogo e comunicólogo.

(…) Em verdade, hibernava, ou despontava timidamente, naqueles impulsos intra-aula, algo parecido com “ambição de amizade”! Mas se não é a coisa mais difícil e mais necessária do mundo, pois não depende de mim? Já fico feliz em saber que eu encaro como adoráveis as coisas que dependem de mim – há os que não suportam. E vede: falta agora o sabor do mar espumante, que me levará a algum sítio. Há muito ainda por viver? (Mas que pergunta! Mas que pergunta! Ma pergunto todo santo ano, há décadas…) E minha saúde e meus gostos? Quando foi que mais perto estive de aceitar a ingerência dos outros? Dois mil e seis foi um grande ano! Talvez o “ano da libertação”. Não vazia como aquela minha tia mais superficial que uma bandeja imaginava – a libertação dos idiotas que fazem 18 anos… (…) Alienígena, sigo meu caminho… (…)

Mas a universidade é exaladora de um miasma tal que não suporto discutir nada a sério ali! – sinto-me ridículo depois. (…) Eu sou a única máquina perfeita, o Sísifo mais lapidado pela pedra. Por que a melhor amizade é à distância? Mesmo a dos conhecidos. Invasão, que pecado! Gostamos de mostrar só o que gostamos de mostrar.

Talvez a mais sincera amizade seja aquela entre irmãos (o que eu de fato não tenho, se assim pensarmos)… Ou aluno e professor – de que lado estou agora? Eles já não me dão muita bola, dão? Mas eu sigo seus conselhos – também lembro dos breves chefes: Kerouac, tecnologia, perseverança, franqueza, olho no olho, Lynch, aprender com os próprios erros quando já se está no último degrau (e quantos últimos degraus não existem!…) Carmen e Pedro Jabur da época do jornalismo, lhes agradeço especialmente. Déia, Paniago, Marco Antonio, Euclides, Claudia Busato, Sidnei Volkmann, Severino,… Quantos bons professores naquela faculdade! Acreditem, não é indolor tomar resoluções graves, não ser o que queriam que eu fosse. Devo superá-los – ou ainda melhor: superar a imagem de vocês em mim. Grandes decepções na vida nova… A serenidade me trouxe a certe.za: devo romper com o último dos últimos “grupinhos”…

Diretriz sexual: castidade com as próximas; eliminação de desgostos via “química tradicional”. Às vezes eu oscilo, mas só contemplar não é me desvirtuar…

Na amizade se sofre todo o ciúme e culpa, porém não se pode apagá-los com carícias (por isso a amizade feminina é falsa)… mas a vantagem é que as fissuras da relação são mais visíveis. Ora, se ando sofrendo tão pouco… Parece que vim ignorando muito esse lado da coisa – ou não?! Ao meu redor só há porcos, porque só porcos se habituam a viver na lama. Preciso com desespero de alguém de quem não enjoe, mesmo quando se encontra mais debilitada. Quando eu estiver pronto para não “gozar para recomeçar”, aí então será esta minha mulher. Brigar, sim. Amigos brigam. Ser mais compreensivo, talvez. Demorou uma semana para eu enxergar meu mais recente erro – isso é bom! Há casos para o que uma vida não chega. Para o diabo! Nem sei se algum dia SENTIREI isso de novo. Se eu posso esperar 3 meses ou 1 ano para voltar a falar com a L. ou a M., não seria diferente neste caso… Feridas ou aborrecimentos não cicatrizam com beijinhos e jurazinhas…

CRITÉRIO: não na frente de quem temos coragem de criar cólera, mas diante de quem, com toda essa nossa descoordenação habitual, poderíamos dançar e cantar! Muito cuidado com isso de “sexo na primeira noite”. É no diálogo com possibilidades de embaraço que está a verdadeira afinidade. Harmonia carnal é uma palhaçada, ainda mais levando-se em conta a cartilha hipócrita de apagar-se as luzes. Neste mundo qualquer um come qualquer um!

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