[ARQUIVO] DEBAIXO DO BLOCO

Originalmente publicado em 10 de março de 2010.

Vivia-se mais despreocupadamente. Como que em uma cidade do interior sem nenhuma das intempéries do Nordeste e da magra infância dos pais/primeiros candangos. As bermudas não precisavam ter bolsos, não se carregava dinheiro, documentos, quiçá a chave, para entrar de ponta de pé quando se chegasse em casa – que ultraje! – depois da meia-noite… Telefone é algo imencionável. Não diria que o ritmo era dos mais lentos e morosos, pois as brincadeiras exigiam agilidade. Abordagem muito romântica? Devemos respeitar a ilusão. Improviso, machucados, inconseqüência, carreira e dinheiro… Ninguém se deu conta MESMO?! Hoje há mais com o que se desgastar: borborigmos de estômago, pessoas de quem se depende, namorada exigente, remédios, relógios, traumas… E hoje já nem consigo achar moedas no chão! Não existe uma mão amiga, uma paragem, hospedaria solidária… sem que se deva lavar a sujeira alheia – nada de FIADO! E na verdade esse é o futuro sem futuro. Todos, mesmo os mais destacados, têm de ter um período de banal, de comum, de mais um, de harmonia e encaixe; bem como eu recomendaria a quem não sabe enxergar os panoramas para além da montanha um exílio, um estágio especial, nem que apenas para guardar o vazio num álbum de fotografias, uma história de rodinha sem risos, um “e eu também… embora não goste de lembrar”. Sabe o que faltou ao mestre dos ditirambos? Ser mais ditirâmbico!

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