[ARQUIVO] O MESMO ERRO AD INFINITUM

Publicado originalmente em 6 de julho de 2010.

Se o novo técnico da seleção brasileira for o Leonardo, abdico de torcer pelo futebol do meu país até Ricardo Teixeira bater as botas. É inaceitável o projeto que esse mesmo homem expôs num programa em estúdio na Soccer City, África do Sul (alguém aí sabe por que chamamos “soccer” um esporte inventado pelos ingleses como football, e que só os norte-americanos, em teoria, teriam motivos para não chamar assim?). R.T., presidente da Confederação Brasileira de Sóquer, em uma bancada dividida com Renato Maurício Prado, Paulo César Vasconcelos e Arnaldo César Coelho, e orquestrada por Galvão Bueno, disse que o time de 2014 começa a ser montado já no amistoso com os EUA no fim do ano, o primeiro depois da Copa. Segundo o chefão, alçado ao posto por ser apadrinhado (na verdade genro!) de João Havelange, precisamos de jogadores novos, de 18 a 22 anos, para que cheguem experientes ao Mundial do Brasil, e em idade para disputar o torneio com fôlego de sobra! Ótimo…

Prevalece o velho argumento. O mesmo erro de sempre: fecha-se o time antes, e ele, entrópico, naufraga. As últimas Copas vencidas pelo Brasil receberam reforços de última hora: Romário (Parreira), Ronaldo, Rivaldo, Kléberson, Kaká… (Felipão) Os últimos retumbantes fracassos eram times que já estavam prontos, só faltava o “gesto de Bellini”: Parreira (quadrado mágico), Dunga (o papa-Eliminatórias e Copa das Confederações). Leonardo, o Cão Fiel, o terceiro cão fiel consecutivo, recomeçará a tragicomédia… Neymar, Ganso… Ciclos de 4 anos são longos, longos… Sobretudo quando a seleção vira um clube privê… Sobretudo quando TODAS as recentes contratações da CBF para o cargo de técnico são preenchidas por CHATÕES de 1994.

Leonardo foi outro jogador raçudo e brigador. Bonitinho mas ordinário: expulso nas oitavas-de-final da Copa, jogo Brasil x EUA no território ianque, na absurda tarde calorenta de 4 de julho. Guardadas as devidas proporções, o Felipe Melo daquele escrete canarinho. Tinha tudo para resultar em eliminação. O Brasil empatava por 0 a 0. Conseguiu passar com um milagre de Bebeto. Dunga e Jorginho estavam em campo. Ricardo Teixeira já era o presidente da CBF. Sabe-se lá de onde esses caras aprenderam a cultivar uma fixação incurável pela conquista do Tetra. Começo a desconfiar de várias coisas, embarcar nas maiores neuras soviéticas: e se o Romário virou técnico com o Eurico Miranda (no Vasco em 2008) como parte do doutrinamento para a seleção? Não está na cara que um daqueles pertencentes ao clube dos vencedores vai ser o próximo? Tem algo realmente podre nisso tudo. A punheta quadrienal – a ejaculação é precoce. No sexo em si, o pau não sobe, o time fica aviadado, enfia as travas da chuteira na perna do oponente caído, o cotovelo no focinho do gringo desprevenido, a bola pra dentro (epa, Júlio César! pro lado errado…) e a meia (do Roberto Carlos) no CU…

Estou começando a achar que a presença do Baixinho Infernal naquele Mundial 24 anos depois do ponto máximo na carreira de Pelé, a falta super-bem-cobrada pelo Branco no finzinho do jogo e até aquele pênalti do Baggio pra fora… era melhor que nada disso tivesse acontecido! Vencer é um detalhe, no que não sou inédito ao afirmar. Não existe esse instinto de vencedor ou perdedor nas veias. Ronaldo foi os dois, Cafu foi um e foi outro, perebas sortudos já ganharam, Zico só perdeu… E o que isso prova? Invertendo-se um famoso ditado, a sede afobada de vencer é o atalho mais certeiro do perder. Não é 100% garantido, não é um dogma, estamos falando de futebol (ainda magia)! Mas quem quer produzir axiomas é a cartolagem. Eu pude prever, graças a isso, a nossa derrota de 2010 com 40 dias de antecedência. E agora com 4 anos… É, o Ricardo Teixeira facilita as coisas…

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