Estou sumamente confuso com relação a minha orientação política. Meu meio é muito conservador. Ao mesmo tempo, sou empurrado pela “ala à esquerda” a posições mais reacionárias… Resta saber: que ala à esquerda é essa? Não seriam militantes por conveniência? Feministas e trans por mero oportunismo? Novamente esse maldito dilema: como classe média branco hetero e homem de esquerda me cobram um alto “pedágio” por assumir posições progressistas. Exigem que eu corte da própria carne como se tivesse de provar lealdade a alguma coisa. Estou automaticamente em dívida – frente a essas pessoas e a minha consciência. Preciso perder o pouco poder que ainda tenho pela “causa maior”, ceder em posicionamentos. Como se o espectro oposto também não quisesse ao mesmo tempo me massacrar e aliciar! Exige-se a convivência pacífica em prol da minha saúde, o que é impossível, a menos que me comporte de modo hipócrita. Querem que eu engula ao mesmo tempo o papel do macho encolhido, o fenômeno dos homens que “se sentem mulheres” e a homofobia generalizada, ou concepções racistas e até auto-racistas, como, aliás, se o brasileiro não fosse uma minoria mundial! O suficiente para levar qualquer um menos preparado à loucura…
Teoricamente, o que sou eu, se sou anticapitalista e antifascista mas rejeito o pressuposto de que a massa possa ser educada? Sou uma espécie de elitista. A revolução não dará certo – uma minoria seguirá no poder. O que importa para mim é que eu seja representante dessa minoria. Estética e intelectualmente já o sou. Não é algo de que se abdique. É preciso sofrer disso como sofrer de vestir a própria pele. Não defendemos caos ou orgias aqui, embora minha indiferença (não aversão) em relação às últimas não venha ao caso!
Que mundo é aceitável? Que mundo é possível? Em que mundo eu vivo?
Um mundo da indiferença, para a própria proteção. Não se igualar aos outros, extremistas em eterna mutação tanto quanto arrependimento. É aceitável um mundo em que se passa fome? Não. Mas como não será possível regular a superprodução no século XXI meu único e modesto objetivo é não me tornar um faminto. Tanto faz ignorar ou não os que solicitam diretamente a minha ajuda.
Não suporto gente burra – não importa que sejam gays, mulheres ou negros se forem estúpidos. Senso de independência. Externamente a mesma fachada, agora felizmente mais calma. Como se fosse um famoso, discrição e recato na internet (onde exclusivamente parece haver revolucionários hoje em dia – os indispostos a conversar e que impõem barreiras e condições).
No fundo o T. não era um cêntimo melhor que o Valdemar da Costa Neto… que a comparação seja entendida.
Fã de modelos que vão até as últimas conseqüências, tal qual o marxismo. (O fascismo não vai até as últimas conseqüências. Ideologia dos medrosos.) Ainda assim, parece que o presente é um véu impenetrável até para os olhos de águia da Antiguidade serena e sábia… Elitismo cultural. Platão e o anti-demos. Nietzsche e o anti-demos: NADA MUDOU. Curva e elipse para atingir o mesmo destino. Polemista. Pessimista. Religiões, ainda que anti-religioso: nenhum incômodo, ou estou errado?! Solidão e espaço. “Impersonamento.” Tarde demais para tratar melhor quem eu destratei. Cedo para bancar o cordial com os que estão-aí…
Como quem diz valorizar o conhecimento pode valorizar as massas? Não é possível massificar o conhecimento, mas o intento é (foi) nobre… Só é possível o avesso: conhecer a massa. Criatura disforme condenada a permanecer disforme.
