“Nas últimas décadas do século XIX um grande filósofo, Friedrich Nietzsche, que começou sua carreira como professor de filosofia clássica, contribuiu decisivamente para essa virada benéfica dos estudos clássicos. Nietzsche redescobriu os pré-socráticos. Numa nova visão que, na esteira do romantismo, ele nos deu do mundo grego, aqueles pensadores avultaram, ao lado dos poetas trágicos, com dimensões que absolutamente não cabiam no quadro tradicional de um desenvolvimento filosófico culminante em Aristóteles, nem mesmo no perspectivismo histórico mais amplo, traçado pelo hegelianismo recente.”
“No começo deste século, outro helenista alemão, Hermann Diels, coligiu todos os documentos antigos que se referiam à vida e à doutrina dos pré-socráticos ou que continham alguma citação deles, e publicou então o seu monumental Os Fragmentos dos Pré-Socráticos, que se tornou uma obra de consulta básica para os numerosos trabalhos de interpretação crítica, desde então aparecidos.”
“Entre esse bons comentários, de inspiração e tendências diferentes, cabe ressaltar os de outro filósofo alemão, Martin Heidegger, que os tem feito com a mesma radicalidade de um Hegel, de um Nietzsche, e sob o impulso de uma reflexão poderosa sobre a essência do pensamento ocidental.”
