Originalmente publicado em 22 de setembro de 2010
Sim, estou começando a desenvolver uma nova resposta: a vida não poderia ser justificável nela mesma (à parte esse debate lógica x estética). Precisamos de algo a mais, algo que encampe, um antes, um depois e um além, para suplantar o vazio. Mas não esse além (de)fraudado milenarmente. Não uma simples doutrina espírita, ou uma crença depositada em um livro dogmático. Antes uma nova idéia que a velha bobeira do pó das estrelas e da alma animal, nas raias do possível-impossível e até do sombrio. Nada muito comuni(tari)sta como quereriam esses jovens fúteis de que vim a me afastar, nenhum projeto Sartre-habermasiano, poder massacrante do clã, da nação, do Ocidente, da civilização! Embora tudo isso esteja contemplado e diluído, sim, nessas “novas considerações”…
O solo – firme mas nem tanto – em que meu fôlego pede para se agarrar no momento é num ecletismo virulento e transitório, no grande amálgama de todas as idéias antevistas, mas de jeito maneira ao ponto da esterilidade ou da ingenuidade, ou da gratuidade. Simplesmente “estamos lá”, de alguma forma, no outro lado da linha, participando dos resultados… Antes qualquer crente tinha motivos de sobra para a ação, e você não. Uma força qualquer que o guiava; não indestrutível, mas se vai se destruir não é você que determina, parece vir de um movimento muito mais ligado às próprias assunções da pessoa que acredita. “Fé”, eis uma palavra muito da chamuscada! “Política”, idem ibidem. Ateísmo, revolta, anarquia, juventude, contudo, não estão atrás! Imbecis estacionários, não pensaram no problema que criaram…
Firmemente me vem à mente um novo enunciado: embora não esteja findado o “sempre mudar e se deslocar”, introduzo estas duas outras palavrinhas na salada: confiar e arriscar. Vou tentar… Nem tudo se resolve aqui e agora. E o existencialismo é uma corrente insuficiente. Não sou dos que se contentam com pouco, uma bela esposa, dois lindos filhos e aquela casa na praia… Apenas não estou desesperado, por não estar, por não ser, conformado. Para resumir: já que vamos morrer, antes, fazer o que temos de fazer. E o que temos de fazer? …
