Baseada nos perfis dos militares brasileiros publicados pela Revista VEJA, mortos no terremoto haitiano do começo de 2010:
Rafael de Araújo Aguiar, de 21 anos, soldado, Brasília-DF. Mais jovem de toda a expedição de paz, Rafael também era o único que provinha da capital do país e de uma família de classe média alta, que em tese não deseja para os filhos uma carreira militar que principie na base (postos como o de soldado em detrimento de exames que podem qualificar alguém já para as patentes de sargento ou tenente). Seus pais são civis. Seu falecido avô, pai de sua mãe, havia se reformado pela Marinha. Amigos não sabem como ele foi parar na América Central ao certo, já que Rafael sempre havia manifestado repúdio pelas rígidas hierarquia e disciplina do Colégio Militar, onde havia estudado por 4 anos e meio, além de manifestar especial interesse por autores da filosofia e escritores clássicos e ser conhecido na cena punk e metaleira local como assíduo freqüentador de concertos de bandas com letras anti-militaristas e por ostentar uma invejável cabeleira. Por fim, era muito míope e havia sido dispensado do serviço militar obrigatório. Algo no ano de 2009 o fez mudar de idéia: provavelmente necessitava com urgência de renda própria para realizar seus planos. Não constam informações de que estivesse comprometido; havia trancado o curso de sociologia no quarto semestre e rumado sem mais explicações ao Haiti, ao ser aprovado em novo teste físico no quartel. Os mais próximos alegam que tal decisão foi o ápice de uma tendência crescente de se afastar das outras pessoas e de emudecer cada vez mais sua personalidade comunicativa.
