[ARQUIVO] Morrer não é motivo suficiente para parar de sonhar.

17/12/10

Prova disso é que hoje levei um tiro na cabeça de um torcedor de futebol psicopata, senti a “dor” do momento e soube sem adiamentos que aquele seria o fim… e no entanto não foi, veio à baila o que se sucedeu no local após minha suposta morte, como se atiraram para cima do agressor. E de repente me transportavam para uma urna, muito pequena para o comprimento das minhas pernas. Os responsáveis por me trasladarem, um tanto desajeitadamente, é verdade, eram meus familiares… Porém “eu me descobria” vivíssimo da silva, até piscando os olhos (pois tinha morrido de olhos abertos), consciente de que aquilo era uma grande encenação, mas não de nós para nós mesmos ou deles em relação a mim, mas queríamos enganar uma terceira entidade misteriosa. O caixão se transformou em uma caçamba de caminhonete e eu passava a cumprimentar as pessoas que apareciam e se postavam a meu lado – meu irmão dirigia ao longo da W3, quase no centro da cidade, o lugar onde a vida se agita. Repare bem: o caminho é sempre retilíneo. Rumo a algum fim obscuro… Moral: se tudo é lógico mas algo no sonho trai seu senso de realidade, isso é fatal para a continuidade da experiência. Não obstante, na hipótese de todo o montante absurdo permanecer bem-concatenado, e a consciência vigilante não perceber que o que se dá é FANTÁSTICO, a narrativa prossegue. Ora, a morte é perfeitamente factível, e não é motivo forte o bastante para se sentir ludibriado atingi-la, afinal é mesmo natural, o real supremo do ser humano. Perceber por qualquer razão alheia a condição de sono e ficção, por outro lado, aceleram o abaixar das cortinas. Por isso, o personagem principal do meu sonho não precisa ser eu, tudo pode ser uma trama póstuma – ou pior: eu ainda nem ter nascido.

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