A vida é uma noite de gala
A criança é o bêbado, dos primeiros goles à euforia total
O adulto é apenas a ressaca, retumbante, semi-eterna
(Talvez o adolesça seja esse moleque briguento, esse todos nós que viram machão, estufam o peito e se metem a socar e bicar mil canelas, mas só fazem trombar e tombar e provocar risadas, quem sabe medo, se não for tão patético!)
E o velho, rá, eu havia dito
que a vida era uma noite
mas como já transgredi
e incluí a ressaca
que tal a UTI
com seus monitores e tubos
lamentos, flores e parentes
nenhum último gole, nenhum último tônus muscular,
só aquele resmungo do velho gagá
ele é o fígado, o rim, o pâncreas, pretos, ele é a morte
E o menininho nem se pergunta – pai, devo sair de casa? Ele sai.
