ADVERTÊNCIA DO TRADUTOR
“A ocasião para Kant escrever o presente opúsculo foi o concurso aberto pela Academia Real das Ciências de Berlim, em Janeiro de 1788, a propósito desta pergunta (originalmente formulada em francês): Quais são os progressos reais da metafísica na Alemanha desde a época de Leibniz e de Wolff?”
“Kant iniciou a sua resposta possivelmente no começo de 1793, mas nunca chegou a terminá-la e dela restam-nos apenas projectos soltos e todos com a marca do inacabado.” “não obstante o seu estado fragmentário, lampejam os profundos vislumbres sobre o conhecimento humano”
“A tradução baseia-se no texto que Rink publicou depois da morte de Kant em 1804”
“O carácter lacunoso do original, com pensamentos interrompidos, frases incompletas, borrões, etc., ressente-se necessariamente na trasladação para português; a maior preocupação foi ser fiel ao original, que está muito longe de primar pelo literário”
ARTUR MORÃO
PRIMEIRO MANUSCRITO
PREFÁCIO
“Pouco progresso nela se realizou desde os tempos de Aristóteles.”
“Ora, no tocante à ontologia, tem méritos incontestáveis o famoso Wolff pela clareza e precisão na análise daquela faculdade, mas não quanto à extensão do seu conhecimento, porque a matéria estava esgotada.”
“Há, pois, três estádios que a filosofia devia percorrer em vista da metafísica. O primeiro era o estádio do dogmatismo; o segundo, o do cepticismo; o terceiro, o do criticismo da razão pura.” “Depois de cobertos os dois primeiros, o estado da metafísica pode manter-se oscilante ao longo de muitas gerações, saltando de uma confiança ilimitada da razão em si mesma para a suspeita ilimitada e, de novo, desta para aquela.”
