Originalmente publicado em 7 de dezembro de 2009
Jasão, versão portuguesa do nome Jason, é o herói grego que mata o tio para se sagrar o rei da Tessália e rejeita a feiticeira Medéia, por ele apaixonada, depois que esta foi a principal colaboradora da conspiração que lhe devolveu o trono. Jasão é também o primeiro marinheiro de que se tem registro na História. Audacioso e precursor, apesar de ter sido morto posteriormente devido aos ciúmes da própria Medéia (o que é que as mulheres ressentidas não são capazes de fazer?), pode-se dizer que Jasão ficou imortalizado para a humanidade, tanto é que suas façanhas ecoam ainda no terceiro milênio da era cristã (que esperamos seja o último)…
O nome de Jasão atravessou várias léguas submarinas até chegar à terra do futebol, onde batiza um clube que estabeleceu hegemonia nos torneios nacionais nos últimos anos: o São Paulo Futebol Clube. Não é um vexame ver esse elenco de argonautas em terceiro na classificação final, até porque ele repetiu a dobradinha da zaga de prata no prêmio da ESPN/Placar.
Terceira posição que aliás é o tema central de uma música dos são-paulinos¹ do Ultraje a Rigor:
Não botaram fé porque não ia dar pé
Não ia dar pé porque não botaram fé
De qualquer forma eu pego um bronze
porque eu gosto da cor
Por isso eu sempre sou
Terceiro!
¹ [P.S. 2023: Naturalmente fascistas.]
Claro que não foi o cenário ideal dos vitoriosos, nem foi tão decepcionante a ponto de um torcedor fazer piada com essa música, afinal os caras terminaram fuzilando o rebaixado Sport Recife e soterrando as esperanças do rival Palmeiras de conquistar o título (caso os dois primeiros na tabela também falhassem na última rodada). Mas colei esses versos porque eles vêm muito bem a calhar para o Seu Dunga, que ano passado levou a seleção da CBF a um “honroso” bronze olímpico!
Tirada de sarro fora de hora? Talvez… Fica o alerta, porém: quando a competição é importante e realmente ambicionada pela Amarelinha, que já ganhou quase tudo que dá para ganhar, não se tolera ser um profissional (?) conformado ou, mais precisamente, um cavalo paraguaio.
O Paraguai que, se é que esteve encarnado em um clube brasileiro em 2009, certamente foi lembrado pelo Atlético. Precisamos de mais pesquisas para saber o que se passa na cabeça da calorosa torcida do Galo – talvez eles apenas estejam com febre, há pelo menos uns 30 anos, ou tenham se entusiasmado com as facilidades do microondas para aprontar comidinha… Mas sobre os pipoqueiros eu volto a falar mais tarde!


Jason, Freddy… O campeonato está cheio de bizarrices saídas de um halloween que ainda não terminou… E as cartas marcadas que tentaram roubar um pouco da luz dessas criaturas cinematográficas? Washington, ex-Fluminense, fez 5 gols nos últimos 2 jogos, bem mais que seu colega de profissão Fred Flueger. Quem é melhor? Pergunta que ofende quem está sem paciência (eu o tempo todo). Talvez para os entendidos e que não agüentam mais floreios, é mais sensato questionar: afinal, o Washington joga bola ou não joga? Assim, seco e de primeira (como uma boa assistência ou toquinho à la Romário direto para as redes), sem comparações exageradas…
(Ligeiro tempo para pensar numa resposta. Mas tem que ser mais ligeiro que o Magno Alves no auge!)
Independentemente da sua resposta, o sujeito grandão e desengonçado que desagrada uns e outros mas que guarda lá os seus já tem uma nova meta a perseguir nos seus anos finais… Foi contrato pelo São Paulo para 2010. E o SPFC caiu no grupo do Once Caldas, seu carrasco de 2004, na Libertadores da América de 2010: Once Caldas, once goles?
EXTRA! EXTRA! KLÉBER TIRA PALMEIRAS DA LIBERTADORES!
E a Mancha Verde já está correndo atrás dele para agredi-lo. Belluzzo é um dos marginais que grita palavras de ordem com um pau na mão.
Por falar no time que estava verde demais para atingir qualquer objetivo nesse campeonato, estou começando a comprovar minha antiga “teoria da camisa trocada”: se os mesmos jogadores atuarem com uma camisa mais “campeã”, renderão mais, terão tranqüilidade e não peidarão na farofa – já imaginou o Obina com a camisa do São Paulo? Não é à toa que disseram que o casaco da S.E. Palmeiras ficava muito frouxo no Muricy…
Se o Muricy Ramalho terminou o campeonato pianinho depois de vomitar [verd]ad[es] cegas sobre a imprensa e se o Vanderlei não foi menos fracassado e suas entrevistas acabaram ainda mais vazias de conteúdo (futebolístico não-publicitário)¹ do que de costume, será que pode baixar a baixada do santo do professor arrogante no Mário Sérgio (de modo mais simples: baixar o santo… da humildade… só cuidado para não se embananar e acabar rebaixando o Santos)?
¹ [P.S. 2023: É fantástico, quimérico e mitológico que essa criatura tenha continuado a habitar o folclore tupiniquim NESTE ANO em que escrevo esta nota! Sempre tem espaço para um boi-tatá, para um Joel Santana, gordo ou magro, casual ou de terno, no nosso futebol…]
No Santos (falando no diabo entre parênteses): nova idade média (e não falo de um levantamento etário do elenco)? O sujeito do terninho mais perdeu do que ganhou na Vila ou foi impressão minha? O time da Baixada (rs) se sustém na Série A com base em um ********¹ que aparece a cada 3 décadas?² De volta ao marasmo não-competitivo?
¹ [P.S. 2023: Usei um vocábulo que em 14 anos se tornou racista, mesmo quando não aplicado a um indivíduo não-branco.]
² [P.S. 2023: Duas, se contarmos com o Neymídia.]
* * *
Imprensa: ímpia.
Os comentaristas da ESPN me lembram o homem machista: assim como este diz “Mas nem todo homem…”, as Oddities do canal enchem o peito para falar “Mas nem toda a mídia… o que é ‘a mídia’? Informação é nosso esp… e blá-blá-blá”.
Já, já complemento o juízo tão breve (ímpia).
* * *
Tu és… time de armação
Mala, horror e extorsão
Rouba, Mengo!
Só uma brincadeira de um cara que já ouviu muita farra de flamenguista de ontem pra hoje, mas que reconhece, sim, o título conquistado dentro de campo – seja hexa, penta ou o que for que este caneco represente… A CBF não sabe da própria seleção, vai saber contar título de clube?!
Para ilustrar o que 17 anos não fazem com um time, e o quanto o São Paulo está “acostumado” aos títulos e o Clube de Regatas não está, vale a cena na sala de estar da casa de são-paulinos onde vi o jogo final, que contava com um intruso: o torcedor rubro-negro não sabia o que fazer diante da tela; do outro lado da membrana o Maracanã em polvorosa. Depois de nos mandar, a todos, “chupar” (sem o complemento apropriado),¹ se prostrou no sofá, ameaçou beijar o escudo, continuou olhando o entorno de olhos marejados… Ficha em queda livre… Tentamos resgatar nosso amigo “perdido no tempo e no espaço”, com a piadinha do bem-sucedido a longo prazo: “Bacana, né? Você vai ver que esse negócio de ser campeão do Brasil na era dos pontos corridos nem é tão difícil quando chegar no terceiro”.² Bem-vindos ao clube, rubro-negros! (e o Inter, tri-vice, sempre bate à porta, e ninguém deixa entrar… o corinthiano se mantém com um trabuco e uma liminar…³ o santista com um pôster do Robinho… o cruzeirense com um do Alex…)
¹ [P.S. 2023: Um canavial de rola.]
² [P.S. 2023: Malditas palavras proféticas!]
³ [P.S. 2023: Palavras suicidas e cruéis, vindas dum futuro convertido ao corinthianismo!]
* * *
Sou tricolor de coração
Sou do clube tantas vezes campeão
Esse hino me comove há anos (coisa de irmandade tricolor?), mas reprimia isso, especialmente ano passado, conforme alguns argonautas americanos lembrarão…¹
[¹ P.S. 2023: Eu comecei essa crônica citando o argonauta da mitologia grega Jasão, mas a referência aqui é a outra crônica, O VICE-CAMPEONATO MAIS ARDIDO DE TODOS OS TEMPOS, publicada no primeiro volume do meu livro Cila ou Caribde, que você pode ler gratuitamente no Seclusão: https://seclusao.art.blog/2021/07/11/o-vice-campeonato-mais-ardido-de-todos-os-tempos/. O assunto, ali, era o tropeço homérico do Fluminense Foot-ball Club diante da LDU… Este 2023 está realmente revirando as coisas, quando não confirma tendências: o Internacional de Porto Alegre segue sendo o time grande há mais tempo sem levantar um caneco nacional, mais anos até que o pobre Botafogo… que está desfalecendo neste momento em que redijo… de forma ainda mais vergonhosa e contundente que o Palmeiras 2009 e que o São Paulo 2020/2021… “Diniz, de 45 anos, chega ao São Paulo um mês depois de ter sido demitido do Fluminense, que ele deixou na zona de rebaixamento.” – trecho de uma antiga reportagem da ESPN Brasil, de 2019… As voltas que o mundo dá… Autodemonstrando que não é plano. Lembre-se: ainda na flat earth dos negacionistas, a única certeza em termos de futebol brasileiro é a seguinte: o plano é não ter planos, quem tem plano acaba afundando… Longa nota de rodapé, certo, rapaziada? Só faltou falar que isso de “reprimir” no futebol é uma coisa muito comum… quando se trata dos meus próprios sentimentos, ao menos… Em 2008 eu odiava mortalmente o Fluminense… Em 2009 fui-lhe simpático… Por décadas confundi amor pelo Corinthians com ódio e desprezo…]
* * *
Como prometido, de volta à imprensa: alguns figurões já amanheceram dando uma bronca nos “chorões” que não souberam reconhecer os méritos flamenguistas na temporada. “O título do Flamengo é autêntico.” Tudo bem que seja – mas se é legítimo, não é porque babacas microfonados como o Calçade resolveram ratificar. Afinal, a mídia DEVE ratificar o título do campeão, seja ele quem for, caso contrário as ruas serão tomadas por vândalos como os de Curitiba.¹ Exemplo máximo é o de 2005: hoje os jornalistas mais corajosos até admitem a farsa corintianesca, mas na época era um imperativo ético colocar aquele “primeiro lugar” acima de qualquer suspeita!² Não acredite nos jornalistas. Acredite no bom senso. E lembre-se: se quiser vida fácil, saiba que esta é uma “carreira” que não necessita de diploma…³
¹ [P.S. 2023: Sempre os de Curitiba, já notaram?]
² [P.S. 2023: Ao meu eu do passado e a quem ainda não aceitou, só posso dizer: PÕE NO DVD!]
³ [P.S. 2023: Para quem não sabe, já fui jornalista esportivo. Abandonei o curso 2 anos e 3 experiências em veículos de imprensa depois de “ingressar nessa vida”. Pouquíssimo tempo depois, quando eu cursava o 2º ou o 3º semestre de sociologia, foi divulgado que o diploma de comunicação social tinha deixado de ser obrigatório para profissionais da área. Houve muitos protestos de alunos e certa resistência dos próprios jornais, que permanece até hoje, tornando a não-obrigação, na prática, nula.]
O pau quebrou lá no sul, e aqueles 10 minutos de “mídia passando o que a mídia quer coibir” (atos de violência brutal – nunca entendi essa lógica!) foram melhores que os 90 minutos de qualquer partida da 38ª rodada!
Agora imagina só uma humilhação parecida no Centenário do Corinthians! Se num ano comum eles já fizeram três vezes pior no Morumbi (massacre do River, eliminação na Libertadores) que os gorduchos sulinos do Couto Pereira ontem, quem dirá o que pode acontecer se o freio de mão puxado pelo Mano (“das quebrada”) não for desativado a tempo para o ano que vem? Cuidado!¹
¹ [P.S. 2023: Estou batizado, Rafael do passado! E estamos de novo com o Mano Menezes, trafegando perto da zona – sem aflição e desespero! É o que tem pra hoje.]
* * *
Para fechar: Pernambuco: por um dia (ou por um ano), pior que o Maranhão? Os pernambucanos estão na mesma ressaca do Imperador, que não foi buscar sua Bola de Ouro no programa da ESPN, adivinha por quê…¹
¹ [P.S. 2023: Não lembro o motivo de alguns desses trocadilhos por trás dos nomes dos estados, mas nós já tivemos muitos Juninhos Pernambucanos e jogadores com “apodo” Maranhão, então suponho que se referia a algo nessa linha. Já Adriano o Imperador… que sabemos que não estava na cidade de Imperatriz-MA… esse comemorou bastante o título do pen-xa do Fla – muita cachaça na cabeça!]
