Originalmente publicado em 11 de julho de 2009
GLOSSÁRIO
anamorfose: provavelmente, aquela ilusão produzida num jogo de futebol em que a bola parece ir em direção ao gol mas na realidade foi desviada para o lado oposto (o lado da câmera, para o telespectador).
cromaqui: fusão, sobreposição, montagem de imagens. O neologismo se explica: chroma-key (o procedimento para enganar o olho humano consiste na supressão da cor azul).
ciberespaço: origem do termo: romance Neuromancer (1984), GIBSON, William.
demo: origem do francês demo(stration).
fractal: criado pela função de Mandelbrot
panótico: Jeremy Bentham o inventou. Dispositivo (técnica arquitetônica) que permite “um guarda de visão perfeita” no centro de uma prisão oval.
pantelégrafo: avô da televisão (espécie de teletela, 1984).
OBS: Ler Battista Alberti
INTRODUÇÃO
Manifesto Futurista: “8. (…) O tempo e o espaço morreram ontem. Vivemos já no absoluto, pois criamos a eterna velocidade onipresente.”
“9. (…) Nós queremos glorificar (…) o desprezo pela mulher.”
“10. Nós queremos destruir os museus, as bibliotecas, as academias de toda natureza, e combater o moralismo, o feminismo e toda vileza oportunista e utilitária.”
“É da Itália que nós lançamos pelo mundo este nosso manifesto de violência arrebatadora e incendiária, com o qual fundamos hoje o ‘Futurismo’, porque queremos libertar este país de sua fétida gangrena de professores, de arqueólogos, de cicerones e de antiquários.”
“Admirar um quadro antigo equivale a despejar nossa sensibilidade numa urna funerária, no lugar de projetá-la longe, em violentos jatos de criação e de ação.”
Signo da decadência: o anarquismo sempre recai no totalitarismo.
Tudo que exalta o volante bate em tragédia.
Negri x Baudrillard
“Modernamente, Husserl, Bergson e Merleau-Ponty tentaram, cada um a seu modo, superar o dualismo das posições perceptivas e emissivas, que ao longo da história da filosofia se cristalizariam em realismo e idealismo, em empirismo e intelectualismo.”
“Husserl e Heidegger, para quem a tecno-ciência é sinônimo de esquecimento do ser, como se ela fosse uma potência diabólica que ameaçasse o homem; como se ela fosse absolutamente estranha ao homem e à sociedade que a fabrica, e aos agenciamentos coletivos que determinam seu uso.”
“Se para Baudrillard e Virilio a Era do Simulacro é negativo, é porque para eles o simulacro deixa de ser determinado por uma vontade de afirmação do real enquanto novo (diferença livre) e se torna pura repetição do mesmo (simulacro despotencializado). (…) a criação (…) se torna puro jogo comunicacional, interativo e lúdico.”
CONFISSÕES DE UM SEDENTÁRIO Minha neurose de segunda série, querendo que tudo fosse quadrado e não houvesse números ímpares; o game definitivo, substituto irreprochável do que chamamos vida, THE REAL LIFE, com os mesmos objetivos e impasses quanto à hora da morte, muito tempo, aliás, antes do 2nd Life. E não fui acompanhado pelos meus amiguinhos nisso… Tudo em prejuízo do corpo, desde muito cedo…
O fim do papel ou pessimismo sentimental? Ainda gravam corações nas cascas das árvores…
“Outrora, os fatos e os atos ganhavam uma ressonância real num campo limitado: o de uma solidariedade orgânica. A Europa do séc. XV ou do XVIII se comunicava de forma mais viva e mais livre que a Europa televisual ou interativa do XX. Justamente essa ressonância limitada, esse horizonte natural se abria sobre uma extensão universal, enquanto hoje, cada imagem de Berlim ou Bucarest reforça nosso exílio e nos afunda em nosso sonho passivo, em nossa indiferença virtual.”
“A Guerra do Golfo foi a situação-limite do poder da imagem. E talvez valha a pena nos determos nela antes de voltarmos ao dia-a-dia.”
“O mundo vai acabar. A única razão para que pudesse durar é que ele existe. Como é fraca esta razão, comparada a todas as que anunciam o contrário, em particular a seguinte: que tem o mundo doravante a fazer sob o céu?”
Baudelaire
