ALEXANDER BAIN #SérieOsÚltimosPolímatas

polímata

(po·lí·ma·ta)

adjetivo de dois gêneros e substantivo de dois gêneros

Que ou quem estudou e sabe muitas coisas ou muitas ciências (ex.: Santa Hildegarda era uma freira polímata; os polímatas são peritos em muitas áreas do conhecimento). = POLÍMATE, POLÍMATO

<polímata>, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2023, https://dicionario.priberam.org/pol%C3%ADmata.”

Traduzido do wikipedia English com algumas (muitas!) liberdades autorais…

Alexander Bain

Alexander Bain (11 de junho de 1818 – 18 de setembro de 1903) foi um filósofo e pedagogo escocês da escola empírica britânica, além de figura proeminente e inovadora nos campos da psicologia, lingüística, lógica, ética e da reforma da educação. Ele fundou Mind (Mente ou Cérebro), o primeiro jornal de psicologia e filosofia analítica, e foi pioneiro na aplicação do método científico à psicologia. Bain inaugurou a cadeira regente de Lógica da Universidade de Aberdeen, onde também ensinava ética e Literatura Inglesa, além de terminar por ser eleito duas vezes o reitor de tal universidade.

Linguística

Bain foi bastante influente na metodologia de ensino da gramática e estilo de composição do inglês no Reino Unido. Ele elaborou alguns livros-textos referência entre 1963 e 1974, dentre os quais também se encontra um Manual de Retórica.

Filosofia

Os tratados filosóficos de Bain, devido a sua espessura, eram impróprios para uso em sala de aula: Os Sentidos e o Intelecto, Sobre o Estudo do Caráter incluindo uma Recensão da Frenologia, etc. Para contornar esse inconveniente, Bain publicou em 1868 seu Manual da Ciência Mental e Moral. Em seguida ele publicou sua Lógica, também com intuitos didáticos, baseando-se em John Stuart Mill, porém divergindo deste em particulares. Precursor foi seu livro Educação (Pedagogia) como Ciência. Todos os seus livros filosóficos foram escritos durante os 20 anos em que lecionou na universidade.

Psicologia

Mesmo que tenha sido algo influente como lógico, retórico e lingüista, onde a fama de Bain reside verdadeiramente é na esfera psicológica. Pioneiro dos estudos em psicologia no XIX inglês, Bain foi também o patrocinador de uma visão moderna, para a qual, como já dizia o anatomista comparativo alemão Johannes Peter Müller, psychologus nemo nisi physiologus (não se é psicólogo sem ser ao mesmo tempo fisiólogo), aproximando corpo e mente como disciplinas e instâncias interdependentes.

William James, um dos grandes fundadores da Psicologia tal qual a conhecemos hoje, chama seu trabalho de “a última palavra” em termos de pré-psicologia como ciência constituída positiva. Não era estranho a Bain, outrossim, o apelo à psicologia social, ainda que o nome fosse inexistente à época. Sua teoria de que a crença era uma preparação para a ação tornou-se respeitada tanto nos círculos funcionalistas quanto entre os pragmatistas.

MICHAEL FARADAY #SérieOsÚltimosPolímatas

polímata

(po·lí·ma·ta)

adjetivo de dois gêneros e substantivo de dois gêneros

Que ou quem estudou e sabe muitas coisas ou muitas ciências (ex.: Santa Hildegarda era uma freira polímata; os polímatas são peritos em muitas áreas do conhecimento). = POLÍMATE, POLÍMATO

<polímata>, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2023, https://dicionario.priberam.org/pol%C3%ADmata.”

RESUMÉ

Nascido em 22 de setembro de 1791 e morto em 25 de agosto de 1867, Michael Faraday foi um cientista inglês indispensável para as disciplinas físico-químicas do eletromagnetismo e da eletroquímica. Ele enumerou os princípios da indução eletromagnética, do diamagnetismo e da eletrólise. Praticamente um autodidata, se enquadra entre os maiores cientistas da História. Antes de Faraday não se podia falar em campo eletromagnético. Faraday também foi o primeiro a indicar que o magnetismo podia afetar os raios de luz, demonstrando que são forças físicas são só diferentes como interdependentes ou interativas entre si. Foi um dos precursores do uso da eletricidade em massa, mudando o mundo, talvez, mais nos últimos 150 anos que nos 10 mil precedentes.

Como químico, Faraday descobriu o benzeno, investigou o hidrato de clatrato a partir do cloro e estabeleceu o sistema numérico de oxidação dos átomos. Os termos ânodo, cátodo, eletrodo e íon são suas criações. Faraday divulgava suas descobertas em linguagem absolutamente didática e popular.

Em compensação, seu conhecimento matemático não ultrapassava a trigonometria euclidiana, com conhecimentos básicos de álgebra. James Maxwell converteu as descobertas faradayanas em equações hoje consideradas a base da teoria moderna do eletromagnetismo. Faraday usava conceitos de “linhas de força” vetoriais em suas explanações – isso indica que ele possuía concepções matemáticas em alto grau, embora não as realizasse no papel – pois matemáticas envolvendo vetores foram desenvolvidas apenas após o próprio Maxwell. A unidade de medida internacional de capacitância foi batizada farad em sua homenagem.

BIOGRAFIA GERAL

Michael Faraday é natural da atual cidade de Londres, de origem plebéia. Foi o terceiro de 4 irmãos. Aos 14 anos conheceu o livreiro George Riebau, que ajudou em sua educação. Os autores que mais o influenciaram nesse período constam como Isaac Watts e Jane Marcet.

Aos 20, estabeleceu conexões com o químico Humphry Davy e com John Tatum, fundador da Sociedade Filosófica de Londres. William Dance atuou como seu mecenas nesse período. Seu primeiro emprego como assistente químico laboratorial foi obtido em 1813. Ele e seu superior, Davy, foram vitimados por uma explosão do composto tricloreto de nitrogênio, felizmente sem conseqüências graves. Em 1821 Faraday casou-se com Sarah Barnard (1800-1879). O casamento não gerou descendência.

Em 1832 Faraday recebeu o título honorário de doutor em em Direito Civil pela Universidade de Oxford. Foi-lhe oferecido o título de Sir em decorrência de suas descobertas científicas, o qual ele dispensou por motivos religiosos. Além disso, era membro honorário das academias científicas de inúmeros países.

Faraday declinou ao convite britânico para ajudar na produção de armamentos químicos para uso na Guerra da Criméia (1853-56).

POLIMATIA

QUÍMICA

As primeiras descobertas de Faraday foram dois compostos envolvendo cloro e carbono: o hexacloroetano, decorrente da cloração do etileno; e o tetracloreto, oriundo da decomposição deste primeiro. Também desempenhou experimentos complexos sobre a difusão de gases, dando continuidade às primeiras teses e descobertas de John Dalton. Thomas Graham e Joseph Loschmidt explorariam mais a fundo o legado experimental de Faraday no subcampo dos gases aplicados à física. Faraday pôde liquefazer vários gases, investigou as propriedades das ligas metálicas e produziu novos vidros destinados a aplicações em ótica. Um dos vidros de Faraday foi usado num importante experimento que demonstrou modificações na propagação da luz. Faraday desenvolveu uma versão prototípica do Bico de Bunsen, importante instrumento de laboratório. Quando descobriu o benzeno, batizou-o provisoriamente de bicarbureto de hidrogênio.

Faraday foi precursor no estudo das chamadas nanopartículas metálicas. Em 1847, anunciou as propriedades únicas do composto de ouro coloidal, diferentes do ouro “puro”. Alguns reportam esta investigação como o marco zero da nanociência.

ELETRICIDADE E MAGNETISMO

Seu principal campo de atuação. Seu primeiro construto foi uma pilha voltaica feita de 7 moedas de meio centavo da libra, enfileiradas com 7 discos de folhas de zinco e 6 folhas de papel umedecidas de água marinha (ionizadas). Com ajuda desta pilha, Faraday decompôs o sulfato de magnésio.

O físico e químico danês Hans Christian Ørsted é apontado como o real descobridor do eletromagnetismo em si, mas físicos posteriores como Davy (o chefe de Faraday) e William Hyde Wollaston não conseguiram desenvolver um motor elétrico baseado na descoberta. Faraday desenvolveu então um motor homopolar capaz de produzir movimento circular de um fio com a ajuda de um ímã, ambos imersos em mercúrio. A invenção teria advindo de uma contribuição teórica tripla entre Davy, Wollaston e Faraday. Por não atribuir crédito aos outros dois no invento, as relações entre Faraday e Davy azederam, e essa pode ter sido a razão central de sua mudança para outros campos do conhecimento, afastando-se do eletromagnetismo (senão até sua morte, por alguns anos).

Foi somente 2 anos após a morte de seu mentor Davy que Faraday anunciou a descoberta da indução eletromagnética (1831). Nessa época nasceu a teoria do campo (magnético)¸ abrangendo o escopo do trabalho teórico de Ørsted. Aplicando a teoria em laboratório, Faraday construiu o dínamo, “avô” dos geradores de energia e motores elétricos atuais.

Investigando a eletricidade em seus fundamentos, Faraday cunhou os termos eletrostática, atração, eletrólise e magnetismo (sem o prefixo eletro-). Ele concluiu que não existia uma divisão rígida entre os fenômenos de eletricidade (na época falava-se em vários tipos de eletricidade com leis próprias, sendo eletromagnetismo apenas a interação entre eletricidade e eletromagnetismo e não uma força física una). O segredo estaria nas variáveis de quantidade e intensidade (corrente e voltagem, respectivamente), o que mudava as propriedades da única e mesma corrente elétrica, fenômeno básico da física. Os trabalhos de Faraday impactariam de maneira majoritária os avanços em engenharia do último terço do século XIX, que ele não viveu para ver.

DIAMAGNETISMO

Em 1845 Faraday descobriu a repulsão (de caráter fraco) de certos materiais ao campo magnético, o que batizou de diamagnetismo. Foi na mesma época que cunhou o que viria a ser chamado post mortem de Efeito Faraday, sobre a mudança da rotação polar de um feixe de luz linear sob interferência magnética.

A caixa de Faraday ou gaiola de Faraday, talvez seu instrumento mais conhecido, comprovou que descargas elétricas afetavam apenas a superfície exterior do condutor elétrico (metálico). Não é uma lenda que Faraday tinha confiança plena no resultado do experimento e se posicionou dentro da gaiola a fim de provar, saindo vivo, que a eletricidade não se propagaria como um fluido para dentro da gaiola, já na primeira tentativa, posto que era uma força que se propagava por outras regras, como ele mesmo já sabia.

PREVENÇÃO CONTRA EXPLOSÕES FATAIS EM MINAS

Faraday investigou o efeito de grandes explosões e acidentes com múltiplas vítimas em minas inglesas. Ele descobriu que a poeira destes túneis subterrâneos potencializava as explosões e encorajava a construção de dutos de ventilação para mitigar o poder de expansão das chamas. Apesar de suas severas advertências, apenas em 1913, após outro grande desastre, suas idéias começaram a ser acolhidas pelos empresários mineiros.

PEDAGOGIA

Faraday se posicionou e palestrou sobre os perigos das modas correntes do mesmerismo (magnetismo animal, fenômeno psicológico, não da física), das tentativas de comunicação com os mortos e dos fenômenos de Poltergeist ou “mesas giratórias”, desaconselhando qualquer ensino de paraciências, fenômenos paranormais (nunca comprovados) e misticismos nas escolas britânicas.

Ele deu aulas de iniciação científica para alunos do ciclo básico. Um dos livros que produziu a partir dessas lições, de mais fama, é A História Química de uma Vela (1851). São incursões consideradas populares, instrutivas e filosóficas ao mesmo tempo.

QUERO SABER MAIS!

Havendo publicado poucos livros qua livros em vida, as melhores fontes para seu pensar em via direta são seus diários, que foram, ao longo do tempo, organizados e traduzidos para vários idiomas.