REANÁLISE DO PSEUDOSUPERADO

Eu havia superado meu passado, mas, de repente, num vacilo, ele me pegou de jeito de novo. Me apanhou e me esmagou continuamente no presente com suas garras tormentosas poderosas mais maciças que a rocha. Lá vou eu de novo! Preciso reagir, afinal se tenho um passado, tenho um presente; se tenho um presente, tenho, em potência, uma série infinita de passados.

Meu pai nunca foi – conscientemente – um problema para mim, até eu ter dez ou onze anos. De todo modo, aos 13 ou 14 ele surgiu como verdadeiro vilão de gibizinho – facilmente derrotável, e de forma tão certa quanto falhavam os infalíveis planos do Cebolinha. Aos 16, 17… 19, 20… Kryptonita… O arqui-inimigo deve ter aprendido com os fracassos anteriores. Ressurgiu fechando todas as brechas e frestas de ventilação. Fui emparedado. Minhas duas décadas, tão tenras, de vida pesavam tanto sobre minhas costas que eu me tornei um velho. A situação era tão risível que eu não conseguia achá-la, então, risível. Tinha tudo menos graça. Tudo prescindia de harmonia. Ao reinterpretar meu passado na verdade me tranquei. E cometi até o erro de perder a chave um tempo. Ou ainda melhor: acreditei, feito louco, que havia uma chave-única, chave-mestra sem cópias, ou que nem sequer isso, que era uma cela virgem de chaveiros, que não se cogitaria arrombar. Subestimei nossa capacidade criativa e de Big Bangs e recomeços.

Acme da angústia e vontade suicida. O dia à janela. O tirano chamado mundo-capital-stalin foi minguando, mas só com muito tempo e martírio. De vez em quando avatares passados do Pai voltam a me assustar, em situações pânicas.

1 dia antes da Independência do Caos S/A [06/09/18]:

Qual o objetivo da vida?

Ter um amanhã.

Por enquanto vou bem.

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