(texto original: Guillermo Alves de Oliveyra e M. Eulalia A. Bartaburu)
(fonte: jackespanhol.blogspot.com)
Era vez uma menina que foi passear no bosque. De repente se lembrou de que não havia comprado nenhuma lembrança a sua vovozinha. Atravessando um parque, arrancou lindos botões de rosa vermelhos. Quando atingiu o bosque, viu uma tenda entre as árvores e, em redor, alguns filhotes de leão comendo carne. Seu coração disparou. Enquanto atravessava, os leões se ergueram e começaram a segui-la. Procurou um lugar onde se refugiar, mas não encontrou. Isso pareceu assustador à menina. Ao longe, divisou um vulto se movendo, e pensou que fosse alguém que poderia ajudar. Ao se aproximar, viu um urso de costas. Guardou silêncio um breve instante, o suficiente para o urso desaparecer; e, como a noite chegasse, resolveu acender um fogo para assar um bolo de agrião, que tirou da bolsa. Começou a preparar seu prato, não esquecendo de lavar umas ameixas. De repente apareceu um homem calvo, com o casaco todo empoeirado e lhe perguntou se podia se juntar ao jantar.
A menina, mesmo muito assustada, perguntou-lhe seu sobrenome. Ele respondeu que era Gutiérrez, mas que costumavam chamá-lo de Pepe. Este senhor então disse à menina que o molho do refogado estava uma delícia, apesar de um pouco salgado. O homem passou-lhe um copo de vinho e quando ela deu por si estava meio tonta. O senhor Gutiérrez, ao percebê-la bêbada, se ofereceu para levá-la até a casa de sua avó. Ela penteou suas enormes madeixas e, de braços dados, se foram ambos rumo à casinha do bosque.
Enquanto seguiam o caminho, notaram umas pegadas que pareciam de raposa, indo em direção ao porão da casa. Um delicioso cheiro de ensopado chegava até a porta. Ao entrar, tiveram um mau pressentimento: a vovozinha, de costas, apagava algo numa folha, sentada à escrivaninha. Atônitos, os dois repararam que por debaixo de seu suéter assomava um rabo peludo. O homem pegou uma vassoura e acertou a suposta vovó quebrando-lhe um dente. A menina, vendo-se ludibriada pelo lobo, quis dar o troco dando-lhe também umas belas sovas. Enquanto isso, a verdadeira avó encontrava-se amordaçada, e se fez notar batendo no alçapão do porão, para que a tirassem logo dali. Ao descobrir de onde vinham as pancadas no soalho, os dois acharam um alicate para torcer o ferrolho, todo enferrujado. Quando a avó saiu, com a roupa toda suja de pó, chamaram os guardas do bosque para relatar toda a aventura.
