Originalmente publicado em 1º de fevereiro de 2009 – com alterações
Tive meus anos de 2005, 2006 e 2007 pautados pelo liberalismo econômico mais ortodoxo. Relacionei-me com veículos de comunicação, pessoas e defendi idéias que não queria – não quereria, é dizer, se pudesse medir as conseqüências hoje. Me defrontei com muitas instituições, programas, crenças e vidas. Gerei polêmica, gerei tumulto. Em sala de aula ou em ambientes de trabalho. É verdade que, receber, eu jamais recebi por isso um só tostão. Até em paradas de ônibus na calada da noite eu me engalfinhei com desafetos (nem que apenas imaginários). Claramente havia uma atmosfera que me infectava, um acontecimento político escandaloso, a desilusão do passado (do infrutífero século XX), um curso superior errado, o impulso por ser contrário ao vigente, personalidades de cuja paralisia eu precipitadamente me alimentava.
Poderia elencar as principais figuras vivas, e os principais projetos em que me engajei (me enredei, vi depois) neste período, plantando desesperança e querendo colher a realização da liberdade: Diogo Mainardi, e sua sedutora e espetacularizante retórica – hoje eu não sei quem é esse homem, o que ele escreve ou deixa de escrever; Ga***** ***** – que me achem, esses indivíduos, no Google, se puderem –, o “presidente inteligente popular amigão” que atualmente enxergo lá embaixo como tendo sido uma trava temporária (ele era presidente de uma ‘limitada’ de adolescentes faz-de-conta, não se formava por incompetência, apenas puxava o saco de algumas patricinhas, era somente uma daquelas crianças rejeitadas que cresceram com seu amor pelos videogames e pelo Tio Sam sem saber o preço de uma amizade); Ra***** *****, um antiquado um pouco mais genioso que a rede de amigos geeks¹ ao seu redor, que pensa em “entabular diálogo” como “impor o meu falo”; professores muito… pessimistas; blogs em que trabalhei “querendo raciocinar em conjunto”, mas em que descobri o sobrepeso da minha opinião pessoal, dentre os quais o Abrigo Polar, o Horário de Brasília, As Fantas, o Bicarbonato de Sódio. Mi******, talentosa mas desorientada, R*****, Ma*****, um maluco ou outro da internet, Peu L*****, o adulterador de textos, Ca****, a chefe invocada, M***** S****, a de humor contagiante, colegas de ex-faculdade (ou ex-colegas de faculdade), todos me passam batido. Tem ainda o demoro.com, os jornais em que estagiei como clandestino. Seria impossível lembrar de tudo de uma lapada só.
¹ Cabe aqui esclarecer por que utilizo geeks e não nerds, uma etimologia arruinada que confundiria meu leitor – enquanto ser pensante eu ser considerado na maioria dos círculos jovens como nerd, com ou sem óculos, é auto-explicativo o bastante. Meu conceito de nerd/geek é: aceitar o mundo adulto só no que ele tem de eufórico: o aumento de poder, o carro, a bebida, as mulheres, as festas, as compras, poder olhar de olhos caídos alguém na rua e rumar para casa. Mas recusar as responsabilidades. Às vezes o nerd lê quadrinhos demais e esquece que por trás de toda a tecnologia do fabrico e a aparência há o fator humano e que nem tudo é uma rodada no Outback. Como o tio Ben do Homem-Aranha já dizia… (a frase todo mundo sabe) Porém, ninguém aqui quer saber o que implica o trabalho. Quando você cresce e seus amigos não, fica essa dificuldade de definição: o que há com eles? É precisamente isso: um estranhamento inter-geracional, porque você amadureceu mais depressa.
Este artigo não pode se resumir à modalidade acusatória. Também trago uma receita para um melhor entendimento de onde se pisa: 1) caminhar muito ao ar livre, se possível debaixo de sol forte e com roupas pesadas. Ou melhor: tentar os mesmos trajetos em diferentes horas do dia. Quando se está um pouco bêbado e se passa por uma cidade suja, escura, desolada e insolúvel não se acredita mais no capitalismo. 2) de vez em quando desligue a música e a TV e coma uma refeição em silêncio!
Continuando o que ia dizer, 2008 foi o ano da virada. E este texto é só mais uma pedra.
