Escrito originalmente em 13 de março de 2009
Deve significar alguma coisa o fato de eu morar no quinto andar, ter 20 anos de idade e uma média normal de ascensos e descensos e nunca ter ficado preso no elevador. Qual seria a reação de um aparvalhado que se vê preso em uma caixa de metal? Chamar alguém, apertar botões, resignar-se? O celular deveria ser usado apenas de terça a quinta, se é que se me entende.¹ Não sendo emergência digna do Corpo de Bombeiros, o telefone serviria tão-somente para avisar os pais. Descendo ou subindo? Indo ou voltando? Sozinho e faminto? O fluxo burocrático e estomacal também fazem a diferença. Se acompanhado, do sexo oposto? Quão íntima? O mais curioso é que nesses casos – sempre, aliás – o vizinho é o menos próximo. Sou muito mais vizinho dos mendigos e dos “inganados” (perdão, ingazeiros) que do Aloísio. Perder-se-ia uma prova ou um dia de trabalho? Ou um gol do Ronaldo…
¹ Post-scriptum 11/03/2021: Meus pais nunca estavam por perto entre sexta e segunda-feira.
Quando escrevo, explodo. É a única forma de “dopar” minha acelerada pulsação mental. Doutores indômitos receitariam drogas. Acho que não preciso de drogas receitadas…
Preciso ser contra atletinhas de futebol americano, namoradeiros e namoradeiras incipientes e, sem dúvida, universitários sem noção do ridículo e do vidro blindado. Por que não largo esta caneta soerguida por algo flácido e promovo gastos de energia melhores? Talvez eu devesse ouvir a fase pop do Metallica, ler meu trigésimo quinto livro – nessas férias – ou simplesmente filar alguns salgados… Durante todo o jantar de gala, quem riu de maneira mais franca de meu humor tolo foi a empregada. Aliás, é preciso que essa hesitação em hora de chamar o servo pelo nome seja pontuada. Ter vergonha de ter um subordinado – porque o real embaraço é não saber lavar os pratos.
Quanto ao iPod, ele é o novo cachorro: a equivalência em miniatura do dono, só que um pouco mais esperto.
Acabo de desentalar minha garganta – em tempos de inchaço. Maldita e derradeira estação.
Uma coisa que andei notando é que todos aqueles que precisam ser rivais eternos só não rescindiram o contrato – ou perfuraram o duelo – por ocasiões extraordinárias. Exceções das exceções, a exata probabilidade de complexos de molécula virarem célula, é do que chamo:
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Meu vizinho e amigo de infância e sua família tão elevada (“eles rezam muito, eu já estou no céu” – e eles têm três carros, eu sou Napoleão!) jamais terem encontrado referências negativas deles mesmos em mim – falo mal pelas costas e sobretudo pela frente, porém, quando mais seria necessário, para o blog leitor não há! Um mundo de malversações que se dissipa sem que o afeto pelo filho seja sequer ameaçado – talvez a mais grave ofensa por mim praticada, a seus olhos lívidos, seja meu cabelo grande. “Vais pegar uma pneumonia!”
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Meu pai segue inabalável como herói e anti-herói da trama;
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Aqueles que deviam ser esquecidos e deserdados voltam como bumerangue! E aqueles que, penso, estão no rol dos lembrados, estes são bumerangues falsificados. Luciana “do Bar” e tucano malvado prosseguem no jogo – peões. Mas não a prima do curitibano abobalhado. Priscilas e Patrícias diante das quais o melhor é não fazer nada.
