[REPRISE] #TRANSCENDER17 HEIDEGGER’S HEGEL’S PHENOMENOLOGY OF SPIRIT

Originalmente de agosto de 2009. Comentários atuais em azul.

A construção do sistema hegeliano – primeiramente, o autor necessitou recorrer ao fenômeno para dar suporte à continuidade de sua filosofia central (a Ciência e limites do conhecimento). Postumamente, deprecia o acontecimento e o relega a sub-seções em uma nova versão do sistema, doravante guiado pelo Espírito e pela Lógica (lógica hegeliano-dialética, de verniz aristotélico, em contraposição a Platão, ou, como preferir, “englobando-o”). O universo só pode surgir do Absoluto, mas é o material e explícito responsável por legitimá-lo como tal – o Universo é como o paradigma ególatra do homem que para fazer-se precisa ser reconhecido pelos outros. Nisso estaria o mistério do universo de se auto-desvelar “fingindo” ser outro para contemplar-se a si mesmo. Eu sou deus. Eu encerro o absoluto em meu caráter fugidio. Não devo me voltar para o universo em busca da Verdade: se ele sou eu, ela reside em mim, em meu devir. Aliás, ela o é. (Isso é exatamente o que Sartre dirá na introdução de sua Magnum opus.)

O problema do “saber absoluto” em Hegel e a constatação de que o Ser e a Verdade são quadros atemporais, desejo de fim e de morte, está no limite lógico do Ocidente e naturalmente antecede o devir nietzscheano. Hegel é o último grande herdeiro de Platão. (20-06-2023 Discordo desse ponto de vista. Já havia editado acima: Onde se lê “(lógica hegeliano-dialética, de verniz aristotélico, em contraposição a Platão, ou, como preferir, ‘englobando-o’)”, em 2009 se lia “lógica hegeliano-dialética, em oposição a Platão e Aristóteles, ou, como preferir, ‘compreendendo’ os dois)”. Catorze anos de leitura em filosofia mudaram minha exegese de Hegel. E não só de Hegel: Platão e Aristóteles são inconciliáveis.)

O século XX oferece um panorama engraçado: Camus insinua que o problema central da Filosofia deve ser “julgar se se deve viver”. Já Heidegger insinua que a grande questão é “o que é o ser”. Uma Filosofia da Morte que quer a vida e uma Filosofia do ser que deseja a morte! (20-06-2023 Leviano de minha parte tendo lido Heidegger muito pouco tipificá-lo assim com tamanha segurança.)

É banal discutir se a Filosofia é ou não Ciência. Ela existe meta-isso, além. Trata dos problemas da existência. Nietzsche é tachado de anti-filósofo por ser “Imoralista” e romper com os clássicos (na aparência). Sem embargo, seu trabalho sem dúvida é Filosofia Clássica. Talvez o problema seja a atual condição precária da disciplina…

O conhecimento absoluto é um espelho que quer ser olhado. Quem pode olhar? O discurso, o relativo, a própria “soma rumo ao supremo”. A História seria o movimento de auto-descoberta culminando na satisfação plenipotente do espírito. Para mim, tanto faz (volta ao primeiro tópico).

A consciência progride, por experiência, até a auto-consciência (20-06-2023 Esclarecimento: já há necessariamente auto-consciência na consciência – em Hegel –, que é consciência-de, e consciência-de-si, mas a didática exige uma exposição em etapas, gradual); esta por sua vez aspira imperfeitamente ao absoluto (os existencialistas apontariam um erro grosseiro aqui: não existe consciência que não seja consciência-de-si – como dito nos parênteses anteriores o eu de 2009 foi precipitado em não reconhecer que já havia a resposta a essa crítica dos existencialistas já em Hegel) dizendo-se isso mesmo (que é relativa, sabendo, pois, do que sabe)/ é um movimento de “absolvição”, de chegada ao espírito, o absoluto. O fenômeno é o espírito materializado. (20-06-2023 O espírito é o fenômeno teorizado.)

“A aparência formal pura do absoluto é a contradição”

“A fenomenologia do espírito é o genuíno e total aparecimento do espírito”

(Hegel e Heidegger são o Pai e o Filho: o Espírito Santo são os problemas para se fazerem entender; escrita embotada.) (20-06-2023 – haha!)

Os três primeiros capítulos são dedicados a esclarecer o jogo de linguagem por trás do título original da publicação mais conhecida de Hegel, Ciência da Fenomenologia do Espírito.

“O conhecimento absoluto é conhecimento e vontade ao mesmo tempo”

Atenção: as fenomenologias hegeliana e husserliana não batem. Apesar de todos os elogios e louvores de Heidegger a Hursserl, seu mestre, em Ser e Tempo. (Husserl é considerado uma “escola à parte” por Sartre, e assim deve ser lido.)

Hegel não deve ser interpretado, aqui, como um introdutor à filosofia: seu livro busca o “oposto” (uma escatologia filosófica), se pudéssemos assinalar de modo extremo, uma vez que lida de forma definitiva com o problema ocidental da possibilidade do conhecimento (uma potente auto-apresentação da senhora Razão – ele é o filósofo que pergunta já possuindo as respostas), inscrevendo-se no cume do Idealismo Alemão (curioso Heidegger tipificá-lo após criticar rótulos).

É, complementarmente, a espiral derradeira da escola racional, duramente golpeada, na seqüência pelo materialismo histórico e pelo irracionalismo nietzscheano.

“Em Filosofia, inexistem predecessores ou sucessores de um trabalho¹ (…) todo verdadeiro filósofo é contemporâneo dos outros filósofos”

¹ Talvez a frase mais conhecida de Heidegger.

Frase famosa e funesta. Quer dizer que Hegel nem mestre alternativo algum envelhece, e que sua doutrina é só uma doutrina. Uma vida que não se chama Georg Friedrich Hegel precisa de mais que uma doutrina.

Enxergo necessariamente o devir (20-06-2023 Quis dizer: filosofia do futuro) quando leio as intenções de Hegel (“o fim é o começo”).

Eu sou o Evangelho! “Deus” é a própria vontade do todo que em seus frangalhos se define, assim como a ausência de deus. Deus é e não é. Ou sou eu ou sou deus. Sou eu. Deus perde a relevância. Ou eu sou Deus. SINTO, LOGO EXISTO. EXISTO, LOGO SOU DEUS.

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