[ARQUIVO] PEQUENA HISTÓRIA IDÍLICA (a amante perfeita de alguém supostamente casto na essência)

Originalmente publicado em 6 de outubro de 2010

Nunca haviam se beijado. Não era necessário. Contavam muito mais confidências e abraços apertados. Foi simétrico e instantâneo, se bem que demorado: ambos já tinham essa opinião sobre a vida e o romance, então foi, digamos, moleza para o casal se entender sobre esse ponto, que escora todos os outros pontos. Boca, zona erógena midiática. Como se livrar? o que apalpar no lugar? Pureza verdadeira não há, mas sujeira pode-se administrar. A escatologia fica para os momentos sozinho, os banheiros, os sonos e as recaídas. Os namorados, eles apenas sugam as seivas um do outro. Quanto maior o número de relacionamentos, maior a secura, mais elevada a quantidade de almas estragadas. Pela boca chupa-se o sopro do ânimo

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