Originalmente postado em 4 de fevereiro de 2011
Se lhe fosse dado o poder de se transportar para – ou renascer em – uma época futura da humanidade, supondo que seu mundo atual estivesse à beira da destruição e essa fosse a única saída para o colapso, para daqui a quantos anos você programaria essa máquina do tempo irreversível, essa viagem só de ida, estilo Futurama?
Arriscaria 2050 (aposta perigosa, pois, se em 2011 a Terra estivesse mal das pernas – como parece que está…!)?
Não, não. Acho que devemos tratar aqui de séculos, séculos avante, séculos adiante!
2300? 2500?
3000?
4000?
5000?
Mil anos separam o auge do Império Romano da mais obscura Idade Média!
10.000? Correr-se-ia o risco de nascer no breu, no vácuo? Como se vê, 2050 ou o quíntuplo, isso não importa: nada oferece garantias.
Para quem crê numa História cíclica, e que já esgotamos, neste fim de modernidade, todas as possibilidades de acontecimentos, e de surgimento de novas coisas, quem sabe nessa época – em 10 milênios – não se pode ser contemporâneo de Homero? Não vale querer viver como bardo, feito num RPG!
Ou será que não, que o mundo é extremamente rico, materialmente inesgotável, capaz de produzir o inédito durante uma imensidão incomensurável?
1.000.000? Ano 2 bilhões?
Lance os dados, mas saiba! Não há ZERO em nenhuma das faces!
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P.S.
Ikki, a Avê Fênix, na ânsia de fugir das mãos de seu opressor divino, bate as asas até onde consegue – seu cosmo flameja a 1 trilhão de quilômetros. Porém, ao cabo, ele termina na palma da mão de Buda, o sétimo além, o Paraíso dos orientais, mas que parece um tormento – um simples pensamento malévolo ou sacana (tão humano!) pode leva-lo aos reinos menos obres da pós-existência. Tudo bem que o sujeito em questão, em combate com o cavaleiro mais próximo de deus, é tão encardido que as bestas-feras dos submundos da eterna guerra e canibalismo não o suportam, ejetando-o de volta à superfície terrena.
Toda essa visão só me faz imaginar… o quanto é impossível fugir do destino ruim – a ave imortal não pode percorrer uma distância maior, que a livre de alguma condenação. O ano que se escolher para seu túmulo, idem, não o isentará dos fracassos e decepções! Pelo menos você lutou, figurou no álbum dos grandes homens! Mitologizou-se!
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Os EUA não desarmaram as bombas de nêutrons em 1996 porque se tivesse chegado ao “consenso da pax”! Eles o fizeram para não serem explodidos de súbito pelo próprio arsenal! Corrosão da meia-vida. Quem reza essa missa?
O Muro de Berlim caiu, mas a Muralha da China não!
Bush: um “Eu não sei de nada” do tamanho do mundo.
Como partir essa pizza chamada felicidade?
Livro “Os Melhores Tweets de Rafael Aguiar” já nas livrarias!
