Páginas destacadas e temáticas (ed. Escala):
27: esquecendo um problema através de outro – uma dupla escada, como a criança que pulula na areia quente e reveza os pezinhos para não se queimar—e consegue!
42: vocação de professor; a tragédia e a comédia, a vida sem riso; o mar.
48: não procede a crítica de “nostálgico da Grécia e Roma antigas”; para um esboço da teoria das emoções.
49: ser vegan ou não ser; “A dialética do casamento e de amizade já foi exposta?”.
56: a necessidade de um novo amor; interpretação/interpenetração dos sonhos.
62: a espada de dois gumes chamada “vida de atleta”; lição de economia para a Alemanha; o CONTRAPONTO do que se diz nos Fragmentos Finais acerca da “tirania de si mesmo”—aquele que não souber desligar suas virtudes não vai aproveitar as glórias da vida: chutar o pau da barraca depois de erguê-la.
68: a China macha e a frustração feminina do continente Europa
78: minha autêntica alma de trabalhador; tratado acerca do inevitável tédio existencial dos bons.
83: em alto e bom som, o valor da vida
104: Aristóteles e seu erro
105: Wagner
106: gregos x franceses
110: a “previsão do futuro”, o caráter premonitório-semiótico da Música; Apolo e suas profecias auto-realizadoras.
111: para uma lição sobre a antevisão denominada Futurismo
112: Fausto e Manfredo na mesma frase; “Ah! Quem nos contará a história completa dos narcóticos?—É quase a história da ‘cultura’ inteira, a chamada cultura superior!”
119: Stendhal
120: Shakespeare e Brutus
121: Schopenhauer, o grande
131: o militarismo e a música alemãs; a história da língua para a história do povo (Holocausto).
132: o assombro do rádio
138: Eleatas, os primeiros (?) idealistas. Talvez os primeiros utilitaristas (porque esta palavra sempre define “os enganados”), os primeiros dialéticos (é óbvio!) e os primeiros céticos.
142: 1ª citação de “instinto de rebanho”
149: o louco e a lanterna e o assassinato de Deus; mas muito mais!
160: o fraco vegetariano
167: para quem deseja descansar
168: misantropia como produto do excesso de amor ao homem (estômago empanturrado que arrota e já não engole mais nada)—depois de um período de faquir (de blasé), é hora de recarregar as baterias. Cuidado com a afobação da churrascaria!
172: sobre como deixar que os amigos indesejados se esvaiam
174: da minha benevolência
180: animais e sua opinião sobre os animais-homens
204: o positivismo nietzscheano
206: no limbo entre a estrutura e a história
219: os animais e a sintonia climática
239: do peso mais pesado
256: “nossa qualidade de animais domésticos”
257: Jesus e São Paulo contra os romanos
258: para fundar um novo dogma
260: sistema consciente como rebanho; seu “em si”: o eterno inconsciente.
263: a contradição, fraqueza e incipiência das ciências humanas: “querer tomar por objeto elementos que não são estranhos beira a contradição e o absurdo…”
265: Nietzsche como arquiteto e engenheiro; a ponte.
276: o animal e seu isolamento à véspera da morte—como se diz que ele não possui uma biografia?
278: a misteriosa “idade clássica da guerra”
288-9, 296: epicureus
299: “pequena política”
300: Tímon, grego, modelo de misantropia
“retorna-se [da doença] mais criança e, ao mesmo tempo, cem vezes mais refinado do que nunca se havia sido antes.”
Receita (complementar a Anselm Strauss): “adorar a aparência, acreditar na forma, nos sons, nas palavras, em todo o Olimpo da aparência! Esses Gregos eram superficiais—por profundidade!”
“está bem de saúde aquele que esqueceu”
“A escrita, é verdade, não está realmente nítida—
Que importa! Quem é que lê o que escrevo?”
“mesmo a mais bela paisagem onde vivemos mais de três meses deixa de nos agradar e qualquer margem distante excita nossa cobiça.”
“Quando um homem se encontra no meio de sua agitação, exposto à ressaca em que projetos e contra-projetos se misturam, acontece-lhe às vezes ver deslizar perto dele seres de quem inveja a felicidade e o afastamento—são as mulheres.”
“Não estaremos errando como num nada infinito? O vazio não nos persegue com seu hálito? Não faz mais frio?”
“Agora não são mais os argumentos, é nosso gosto que decide contra o cristianismo.”
“a inflexibilidade é uma virtude de outra época que aquela da honestidade”
“É preciso não querer fazer mais que o próprio pai—ficaríamos doentes.”
“Não gosto dos homens que, para obter um efeito, são obrigados a explodir como bombas”
“Pais e filhos se poupam mais entre eles do que mães e filhas entre elas.”
Quanto ao animal doméstico: “Que bicho estranho é esse que sempre tem o que comer? Ele cuida de mim mas eu não colaboro com nada… ou serei eu seu frágil rei? Ele desaparece muitas vezes. Rei ou prisioneiro?”
“A graciosa besta humana tem a aparência de perder cada vez seu bom humor quando se põe a pensar bem; ela se torna ‘séria’! E ‘em toda parte onde há riso e alegria, o pensamento não vale nada’: esse é o preconceito dessa besta séria contra toda ‘gaia ciência’. Pois bem! Mostremos que se trata de um preconceito.”
“Um dano é raramente um dano por mais de uma hora”
“Coloca, entre ti e hoje, pelo menos a espessura de três séculos.”
“o que há de mais risível que colocar ‘o homem e o mundo’ lado a lado, que sublime presunção não confere esse ‘e’ que os separa!”
“Schopenhauer, como filósofo, foi o primeiro ateu convicto e inflexível que tivemos, nós alemães: esse é o segredo de sua hostilidade para com Hegel.”
“a pergunta de Schopenhauer: ‘A existência tem, portanto, um sentido?’
Esta pergunta vai exigir séculos antes de poder ser simplesmente compreendida de maneira exaustiva e em todas as suas profundezas.”
Epicuro: enaltecido por N. Uma elevação dionisíaca bipolar.
Estóicos: troçados por N. Mais próximo do blasé. Indiferença como fuga da vida? Coisa de velhaco?
Como era de se esperar, este quinto livro adicionado em 1887 é o mais ácido e rancoroso.
A beleza personificada em discursos—todos os mitos desfeitos sobre os objetivos de tal filosofia: “Nós, filhos do futuro, como poderíamos estar em nossa casa ainda hoje! Somos hostis a todo ideal que ainda pudesse encontrar um refúgio (…) Nada ‘conservamos’, não queremos regressar a nenhum passado, não somos ‘liberais’ em absoluto, não trabalhamos para o ‘progresso’, não temos necessidade de tapar os ouvidos para não ouvir as sereias do futuro cantar na praça pública.—O que elas cantam, ‘Igualdade de direitos!’, ‘Sociedade livre!’, ‘Nem senhores nem escravos!’, isso não nos atrai!—na verdade, não achamos de forma alguma desejável que o reino da justiça chegue e que a paz seja instaurada na terra (porque esse reino seria forçosamente o reino da mediocracia e da chinesice) (…) nos contamos a nós mesmos entre os conquistadores, refletimos na necessidade de uma nova ordem e também de uma nova escravidão—pois, para todo reforço, para toda elevação do tipo ‘homem’, é necessária uma nova espécie de escravidão.—Aí está porque não nos sentimos bem numa época que gosta de reivindicar a honra de ser a mais humana, a mais caridosa, a mais justa que alguma vez já existiu debaixo do sol!”
“Não somos humanitários; nunca nos permitiríamos falar de nosso ‘amor pela humanidade’—nós não somos suficientemente comediantes para isso!” “Não gostamos da humanidade; mas, por outro lado, estamos bem longe de ser muito ‘alemães’—no sentido atual da palavra ‘alemão’—para podermos ser os porta-vozes do nacionalismo e do ódio das raças, para podermos nos regozijar com os males nacionais do coração e com o envenenamento do sangue, que fazem com que na Europa um povo levante barricadas contra o outro, como se uma quarentena os separasse.”
“herdeiros de vários milhares de anos de espírito europeu; como tais, saídos do cristianismo e a ele hostis, porque precisamente saímos de sua escola, porque nossos ancestrais eram cristãos de uma lealdade sem igual que, por sua fé, teriam sacrificado os bens, o sangue, sua condição e sua pátria. (…) O sim escondido em vocês é mais forte do que todos os nãos e todos os talvez de que vocês sofrem com sua época: e se lhes for necessário partir para o mar, vocês, emigrantes, empenhem-se em ter também—uma fé!…”
“Da humanidade! Já houve alguma vez velha mais horrível entre todas as horríveis velhas?—(a menos que seja a ‘verdade’: uma questão para os filósofos.)”
Anotações de cunho pessoal:
Poeta, o bom Pinóquio
HIPÓTESE MALDOSA Imagine se nós tivéssemos de desaparecer após completarmos nossa grande missão?
O que explica o além grego?
Às vezes só do que precisamos é uma pequena pausa para reordenar as palavras—e encontrar vocábulos melhores antes de ceder aos primeiros impulsos.
De 22 de dezembro de 2009 a 7 de janeiro de 2010
