[ARQUIVO] CREPÚSCULO DOS ÍDOLOS — OU COMO FILOSOFAR A MARTELADAS

 

Páginas destacadas e temáticas (ed. Escala):

17: filósofo, o animal-deus

21: sobre as mulheres insinuantes, em vestes tropicais para climas frios. Dormir nu, ao sereno: tem-se de estar serenado.

22: “Quando a mulher possui virtudes masculinas, não há quem resista a ela; quando não possui virtudes masculinas, é ela que não resiste.”

23-4: os intrigantes 4 casos de consciência. Sobre o apartamento e a misantropia. Como somos sui generis.

29: da feiúra de Sócrates

36: “monótono-teísmo”

39: “Temo que jamais nos livraremos de Deus, porquanto acreditamos ainda na gramática…”

41-2: espécie de resumo da ópera (cronologia das obras de N.). Meio-dia.

45: o problema do aniquilamento

46: nas entrelinhas: o que é perfeito quer…

50: o problema do “homem mais forte do mundo” que morreu centenário, agora entendido sob o prisma nutricional correto: ele recomendava que se comessem vegetais para se viver longamente; porém ele comia vegetais unicamente porque seu metabolismo era mais lento. Suicídio intelectual em nossa época: dieta pobre em proteínas. Ver citação abaixo.

58: “somos um pedaço de destino.”

60: o “animal louro”

61: “Como o Novo Testamento é pobre ao lado do Manu, como cheira mal!”

66: sempre o bordão “A Alemanha, a Alemanha acima de tudo.”; o problema dos jovens filósofos beberrões. Strauss entre eles.

71: a importância da digestão dos pensamentos (sozinho e em grupo)

76: muitas escritoras que utilizavam pseudônimos masculinos

81: músculos e música

84: a astúcia como artifício do fraco; a diferença entre o psicólogo e o político.

93: receita de Júlio César para o corpo: “grandes caminhadas, estilo de vida o mais simples possível, permanência ininterrupta ao ar livre [contradiz o preceito nietzschiano das ‘grandes galerias ao abrigo do sol e da chuva’], fadigas contínuas.”

94: quando o “ideal” é o real

95: as farinhas do mesmo saco sacristão

97: saber morrer

99: crítica a suas minguadas resenhas em jornais

103: incompreensível fé na Mãe-Rússia!

109: “Dostoievski, o único psicólogo, diga-se de passagem, de quem aprendi alguma coisa.”

117: palestra “no antiquário” (complemento a Ecce Homo): Salústio, Horácio, Fontenelle, Tucídides.

118: de como o “ser grego” está absolutamente fora da meta (impossível ser clássico na modernidade…). Romanos: os perfeitos intermediários entre as duas culturas. Extrema dualidade em relação a Platão.


O livro das frases mais célebres.

O que não me faz morrer me torna mais forte.”

Sem música a vida seria um erro”

com a dialética, a plebe chega ao alto”

Um sábio de nossos [e fala de um tempo que hoje soa ainda clássico, pasmacento] dias, com seu consumo de força nervosa, se fosse submetido ao regime de Cornaro, arruinaria sua saúde completamente.” Diria que até os genuínos Cornaros morrem cedo na era do fast food.

Toda educação superior não pertence senão às exceções: é preciso ser privilegiado para ter direito a um privilégio tão superior. Todas as coisas grandes e belas não podem jamais ser um bem comum: pulchrum est paucorum hominum (o belo é de poucos homens). O que é que ocasiona o rebaixamento da cultura alemã? O fato da ‘educação superior’ não ser mais um privilégio—o democratismo da ‘cultura’ tornada obrigatória, comum.”

Que não se cometa a infantilidade de me objetar Rafael ou qualquer cristão homeopático do século XIX. Rafael dizia sim, Rafael criava a afirmação, logo Rafael não era um cristão…”

Não temos em mãos um meio que possa nos impedir de nascer: mas podemos reparar essa falta—pois às vezes é uma falta. O fato de suprimir-se é o mais estimável de todos os atos: quase dá direito a viver…”

Meu conceito de gênio (…) histórica e fisiologicamente, sua condição primeira é sempre a longa espera de sua vinda, uma preparação, um arqueamento sobre si mesmo—isto é, que durante muito tempo não se tenha produzido nenhuma explosão. Quando a tensão na massa se tornou muito grande, a mais fortuita irritação basta para recorrer no mundo ao ‘gênio’, à ‘ação’, ao grande destino. Que importam então o meio, a época, o ‘espírito do século’, a ‘opinião pública’! (…) a esterilidade os segue passo a passo. O grande homem é um final; a grande época, o Renascimento, por exemplo, é um final. (…) Esse é o agradecimento da humanidade: entende seus benfeitores em sentido contrário [como tiranos da moral, déspotas de si mesmos, quando tudo o que fazem é involuntário].”

Aproximam-se tempos—posso assegurar—em que o sacerdote será considerado como o ser mais baixo, mais mentiroso e mais indecente, como nosso chandala (…) Catilina—a forma preexistente de todo César.” Precisamos nós, os imoralistas, odiar o mundo antes de perdoá-lo.

O progresso na minha opinião—Também eu falo de um ‘retorno à natureza’, [vis à vis Rousseau e Goethe], embora não se trate propriamente de um retorno para trás, mas uma caminhada para frente e para o alto, para a natureza sublime, livre e mesmo terrível, que brinca, que tem o direito de brincar com os grandes destinos. (…) Napoleão foi um exemplo desse ‘retorno à natureza’ como o entendo (…) Mas Rousseau (…) Esse aborto que acampou no umbral dos nossos tempos, também ele queria o ‘retorno à natureza’ – (…) aonde queria realmente chegar? – Odeio ainda Rousseau na revolução que é a expressão histórica desse ser de duas caras, idealista e canalha. (…) Só conheço um que a sentiu como deveria ser sentida, com aversão—Goethe…”

seria desconhecer os grandes homens se estes forem considerados sob a perspectiva miserável de uma utilidade pública.”

meu orgulho é dizer em dez frases o que qualquer outro diz num volume—o que outro não diz num volume…” “Ofereci à humanidade o livro mais profundo que ela possui, meu Zaratustra”


Anotações de cunho pessoal:

Vulgar Display of Power seria uma bela denominação para as coisas do mundo.

12 de julho de 2011

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