Páginas destacadas e temáticas (ed. UnB):
34. animais, supra-homem.
35. socialismo
36. minorias, pós-modernidade.
38. amor e paixão
39. animais, gênio.
41. grande política, determinismo, números.
63. o gato
66. existencialismo, empirismo.
67. decadência
71. niilismo
74. anti-sistemas filosóficos
75. a solidão da figura do mestre
78. histórico do sofismo, helenismo, enaltecimento de Protágoras.
84. crítica a Schopenhauer
95: obra de arte, caráter anfíbio do artista
97. anti-hedonismo: a dor como supérflua
102. artistas e a loucura
103. classe média como buraco negro
104. sobrevivência da humanidade a longo prazo; budismo.
117-8. o futuro do rebanho, do pastor do rebanho e dos espíritos-livres
123. “avaliação econômica da virtude”; sobre o tédio; elogio a Kant.
125. Simplício e Epicteto
127. sobre cidadãos irrecuperáveis
129. dialética e decadência
141. bem idealista, bem “verdadeiro”
142. o sacrifício de jesus
145. mea culpa sobre A Origem da Tragédia
147. “a grande meta”
148. sonhar como método artístico
150-1: Aristóteles e o erro da catarse; “Arte como contramovimento”; Lobeck, o filólogo; a grande saúde.
155: animais
177: arte é animalidade
178: arte pela arte, como a moralina na arte, é só uma transição necessária
180: previsão dos olimpianos (de Edgar Morin)
185: A Divina Comédia
187: o artista e a forma
188: encurtamento sensório do espaço-tempo
190: feio x terrível
195: que muitas vezes nem o melhor amigo o conhece bem
198: do patriarcado grego
201: Ernest Renan
“Com todo crescimento do ser humano em grandeza e estatura, ele também cresce em profundidade e horror: não se deve querer um sem querer o outro”
“O gênio é a máquina mais sublime que existe,—portanto a mais frágil.”
“não temos classes superiores, portanto também não inferiores: o que hoje se encontra por cima na sociedade está fisiologicamente condenado”
“O que são afinal esses dois milênios? O nosso experimento mais educativo, uma vivissecação da própria vida…Dois milênios somente!…”
Todas as opiniões dos outros são suas próprias opiniões.
“Os artistas uma espécie intermediária: eles ao menos fixam uma equivalência daquilo que deveria ser—eles são produtivos na medida em que de fato modificam e transformam”
“Eu não respeito mais os leitores: como pude escrever para leitores?… Mas eu me anoto, para mim.”
“11(81)
— só o vir a ser é percebido, não porém o morrer (?)
–”
“Por meio do álcool e do ópio se retroage a estágios de cultura que já se superou (ou ao menos se sobreviveu). Todas as comidas fazem alguma revelação sobre o passado do qual nós nos originamos.”
“Ócio é o princípio de toda filosofia.—Portanto—é filosofia uma carga?…”
“Não está em nosso arbítrio modificar nossos meios de expressão: é possível entender na medida em que é mera semiótica.”
“nosso nariz (…) ainda é capaz de perceber oscilações onde até o espectrógrafo é incapaz”
PASSAGEM MAIS HILÁRIA DA OBRA: “Schopenhauer foi inteligente quando certa vez deixou-se fotografar com o colete abotoado erradamente: com isso ele dizia: ‘eu não pertenço a esse mundo: o que importa a um filósofo a convenção de casas e botões paralelos!… Sou objetivo demais para isso!…’”
Insistentes equivalências entre o kantismo e o hinduísmo.
De certa forma é o caldeirão nutritivo primordial de onde saíram fragmentos e aforismos bem mais desenvolvidos de Vontade de Potência.
“O novo sentimento moral é uma síntese, uma ressonância conjunta de todos os sentimentos de dominação e submissão que imperaram na história de nossos antepassados.”
“Deus está refutado, não o diabo”
“[que] os seletos mais refinados e exigentes se apresentem como débeis e rejeitem os meios mais brutais do poder –” [é uma conseqüência da moral décadent]
“a tribulação e a tristeza de todos os raros homens superiores reside em que tudo o que os distingue chega à consciência deles com a sensação de diminuição e ultraje.”
“Para a psicologia do idealista: Carlyle,¹ Schiller, Michelet.²”
¹ Thomas Carlyle, historiador, filósofo e ensaísta irlandês.
² Jules Michelet, historiador e escritor.
“sofrer com as suas circunvizinhanças, tanto em sua louvação quanto em sua condenação, ficando ferido e sentindo-se ignóbil com isso, sem revelá-lo; involuntariamente desconfiado, defender-se do seu amor, aprender a calar, talvez escamoteando-o por meio de discursos [minha vida—laboratório perfeito!], criando subterfúgios e solidões invioláveis para os momentos de sossego, de lágrimas, de consolo sublime—até que por fim se esteja suficientemente forte para dizer: ‘o que tenho eu a ver com VOCÊS?’, e seguir o SEU PRÓPRIO caminho.” Grifos no original!
“A moralidade da modéstia é o pior amolecimento daquelas almas para as quais somente tem sentido que elas se tornem duras e empedernidas em certas épocas.”
“Contemplamos a andança geral: cada indivíduo é sacrificado e serve como instrumento. Ande-se pela rua como se não nos deparássemos apenas com ‘escravos’. Para onde? Para quê?”
“talvez esse ‘assim deveria ser’ seja o nosso desejo-de-dominar-o-mundo –”
“Não há aniquilamento no espiritual…”
“O determinismo só é prejudicial àquela moral que acredita no liberum arbitrium”
“Não querer nenhum elogio: faz-se o que é útil para si mesmo ou o que dá prazer ou o que se precisa fazer.”
“a uniformidade que toda atividade mecânica acarreta. Aprender a suportar isso, aprender a encarar o tédio como circundado por um halo superior: essa tem sido até hoje a tarefa de todo sistema superior de ensino” “Por isso, o filólofo tem sido até agora o educador por excelência”
“certa gente se tornou ateísta. Mas será que realmente desistiu do ideal?”
“O estar mal-acostumado é mais forte que a irritação dos decepcionados…”
“Alguém se torna uma pessoa decente porque é uma pessoa decente”
“a conscientização é um sinal de que a moral propriamente dita, ou seja, a certeza instintiva do agir, vai para o diabo que a carregue…”
“As assembléias e congregações foram inventadas para fazer coisas para as quais o indivíduo não tem coragem.” “O mandamento do amor ao próximo jamais foi estendido para um mandamento de amar os vizinhos. Antes vige aí o que está em Manu…”
“ele é amável, para não ter de ser inimigo”
“Uma lagarta entre duas primaveras, na qual já cresce uma pequena asa: —”
“e, olhando bem de perto, não há nenhum intelectual mais bem-qualificado que não tenha nos ossos os instintos de um militar virtuoso…” “sendo mais inimigo do mesquinho, do espertalhão e do parasitário que do mal…” “O que se aprende em uma escola rígida? A obedecer e a mandar, —”
“esse tapado típico que é o inglês J. St. Mill”
“Homero como artista da apoteose; também Rubens. A música ainda não teve nenhum.”

“O que em nossa democracia é ridículo: a roupagem negra… a inveja, a tristeza”
“A coragem diante de um inimigo poderoso, de uma sublime desgraça, de um problema horrendo – ela mesma é o estado mais elevado da vida, ápice que toda arte do sublime decanta.”
“sua avareza de artista protege-os da paixão.” “Não se controlam as próprias paixões só por expô-las: pelo contrário, elas já estão sob controle quando são expostas.”
“sem um certo superaquecimento do sistema sexual, nenhum Rafael é concebível (…) castidade é apenas a economia do artista”
“Honra um artista ele ser incapaz de crítica…”
“O casamento tem tanto valor quanto aqueles que casam”
“Nobilitação da prostituição, não extinção”
“Tipo ‘Jesus’…
Jesus é o contrário de um gênio: ele é um idiota.”
“Paulo não era de maneira nenhuma um idiota!”
Anotações de caráter pessoal:
Quando me sinto esgotado, só me resta dormir. Assim que o logro, o plano suicida já pertence à memória, se desbota, se dilui, e readquiro aquela saúde ousada. Mas a cada ciclo torna-se mais evidente que o esgotamento é algo temporário, reversível, superável. Cultivo de uma calma que anteriormente não havia—essa própria agitação, necessidade de se debater furiosamente, sonâmbula como indício da não-entrega.
Estranho fenômeno o desgaste físico que produz mais energia: cantar um álbum do Metallica, “esfolar-se”, redigir um daqueles textos-manifestos num intervalo crítico de uma tarefa importante… Como se fosse para reorientar um estoque que doutro modo seria improdutivo. Hobbes: acha-se que não mais se suportará um amanhã tão problemático quanto o hoje… Rancor por ser “alugado” por meios exógenos… Kick him when he’s down. Querer cada vez mais o desastre édipo-lírico. Apocalypse Now!
Não há formulação contrária à do vulcão: há acúmulo gradual de energia, de calor, ajuntamento progressivo da lava. Impossível que o jorro fosse tão lento: ele sempre esbanja, faz em segundos o que uma incrível e arcana labuta produziram. O prazer do domínio, a satisfação, só poderia ocorrer caso o acontecimento evidenciasse “sobras”. Há uma assimetria imburlável! Isso é o que eu chamaria sem dúvida de princípio de economia que subjaz em TODOS OS FENÔMENOS. Talvez a Segunda Guerra tenha sido uma orgia equiparável.
O gozo é uma parte mínima do ato de abrir e fechar o prepúcio; a masturbação é um naco ridículo da duração de um dia; o sonho, idem. Diante dos quatro anos de um curso de graduação a farra do trote nada é. Qualitativamente, no entanto, é um marco inesquecível. Copas do Mundo acontecem em um mês a cada 48 meses. A quarta-feira e o domingo valem inteiros pelo jogo de 2 horas. A longa música pelo pequeno riff. A espera pelo almoço devorado. A caminhada pela chegada. A aula pela gargalhada. Todas as aulas por AQUELA aula. Tudo pelo beijo. Toda a tinta da caneta por uma linha sábia. Todo o mês pelo momento de receber o salário. Trilhões de anos por uma era de ouro. Querer que a felicidade dure menos é a chave!
Reclam[ação] é isso: reclamar uma ação.
Os olhos mais cegos são os que mais querem enxergar…
Não há UM salão de dança para os que não dançam…
De 11 a 15 de novembro de 2009
