Páginas destacadas e temáticas (ed. Escala):
31: a democracia odeia a História
36-7: o projeto judaico, a longa trajetória da escravidão até o poder (o poder escravo) (Páginas cheias para o anti-semita que quisesse deturpar… Ou acusar N. falsamente.)
40: dizer-sim e dizer-não. O sim que sobrepuja todos os nãos.
41: o “sabbat”, repouso do ressentido com a vida
42: o nobre que explode—ele não suporta estocar rancor!; Mirabeau
46: nazismo
47: niilismo. “Estamos cansados do homem”
49: o erro do átomo
51: para Homero, a vingança é mais doce que o mel
52: o portal do Paraíso; Dante; Tomás de Aquino e a catarse dos “absolvidos”.
56: os judeus ganham a guerra do milênio, ou duomilinar
57: a última vitória do espírito clássico-romano sobre o espírito judeo-moderno: Napoleão Bonaparte.
59: a interdisciplinaridade sonhada pelo autor; prescrições para a filosofia do futuro.
65: o ser que promete
70: livre-arbítrio debaixo dos escombros do martelador
73: este é o livro que mais cita os livros anteriores de Nietzsche; o Dom Quixote tornou-se menos cômico e mais cruel com o tempo (Processo Civilizatório).
75: sobre o hedonismo; sobre o querer testemunhas para si.
76: a festa e o divino
77: a origem da palavra homem
78: a verdadeira origem da justiça; o verdadeiro e imoral conceito de justiça.
81: personalidade reativa/vingativa como indício de fraqueza
84: o problema da causa e finalidade
85: supra-homem; ataque a Darwin.
90: o mundo inocente; Spinoza.
94: anti-Hobbes
95: “instinto de liberdade” ou simplesmente “vontade de poder”
99: a “segunda inocência” do ateu
100: zerando as contas do niilismo
110: antes querer o nada a não querer
118: sexualidade e arte – caráter de Rafael; “a roda de Ixion está imóvel”, tirado de Schopenhauer.
120: filósofos ilustres e seu celibato; “Um filósofo casado é motivo de comédia”.
121: Buda e o lar com a família como “local de impureza”; a retirada para o deserto.
122: desfecho da elucidação do paradoxo do asceta
124: o filósofo e sua mania noturna; “o instinto maternal”.
125: a velha polêmica—sexo “antes da grande partida” atrapalha?; a incipiente fisiologia da estética.
127: a teia-de-aranha de Deus
129: “todo aquele que constrói um ‘novo céu’ encontrou a força em seu próprio inferno…”
136: niilismo como o casamento do desgosto e da compaixão
137: “onanistas morais”
145: “a aberração dos vegetarianos”
146: a “concepção pan-indiana” de ascese
158: ranking nietzscheano das doenças européias: 1. o ideal ascético; 2. o álcool; 3. a sífilis.
162: a subordinação da ciência moderna ao ideal cristão, formulada da maneira mais clara. O mesmo dir-se-ia do Estado. Tudo se afunila para o Um.
164: Karamázov, Ivan
166: Arte e arte
167: a tábua de Copérnico
168: Tolstoi
169: “regime alimentar exclusivamente composto de jornais, política, cerveja e música de Wagner acrescido daquilo que é o pressuposto dessa dieta”
“o esquecimento ativo (…) espécie de porteiro vigilante encarregado de manter a ordem psíquica, a tranqüilidade, a etiqueta” Meu porteiro está em sono profundo.
“Sem crueldade, não há festa”
Um dos livros mais cifrados e ruminantes do filósofo, embora possua parágrafos extensos. Mas posso dizer que 4 anos de noites mal-dormidas já são o suficiente para chegar à clarividência de todos os problemas…
Há dois tipos de ateu: o ateu passivo e o ateu honesto; o ateu cristão e o ateu transmutador!
“Eu não posso carregar o mundo nas costas; não suporto carregar sequer dois destinos.”
Esse será doravante o livro que eu mandarei ler primeiro àquele que me solicitar que eu o introduza a Nietzsche.
“oh amigos desconhecidos! (porque não conheço ainda a nenhum amigo) (…) A vontade de verdade, uma vez que seja consciente de si mesma, será a morte do mal: é o espetáculo grandioso reservado aos dois próximos séculos da história européia; espetáculo terrível entre os terríveis, mas talvez fecundo de magníficas esperanças.”
Anotações de cunho pessoal:
Posso te dizer uma coisa: não há nada como dormir… Nada. Essa capacidade prodigiosa de estar em novos e excitantes contextos despreocupadamente, em aparente—e para a consciência é suficiente o aparente—dissociação com o passado. Por isso sair, aventurar-se pelo desconhecido, embebedar-se ou mesmo perder-se na melodia de uma música também é imprescindível, inigualável. Sociólogo: o invejado ápice da consciência alerta. Ligada em todos os movimentos e em todos os rastros. Viva-se com uma herança dessas! Viva-se DENTRO DE CASA desse modo! Viva-se onisciente mas nihil-potente! Insuportável… Me deparo com esse tipo de trecho em minhas mensagens grafadas a cada janeiro. E o relógio me faz pensar que foi um exagero.
A cada hora, a direção da minha angústia aponta para algo diferente… Eu só não consigo esquecer meu caráter de “personalidade indesejada” em certo grau.
E por que toda essa maldita “conspiração”? Parece que estou sempre lendo uma página feita para que eu a lesse exatamente nesse dia… Sentir-se especial… Mas não grandioso: o maior dos vermes amargos. MEU paradoxo: só posso me enfraquecer ao promover a única queixa possível contra o enfraquecimento; é assim que funciono. Aquela máquina que todos no escritório se perguntam: “Quando é que finalmente vai quebrar?”. Do que me adianta todo o enternecimento post mortem?
Genealogia, genealogia, genealogia… Como é insalubre a profissão do escavador!
Minha maior desvantagem: além de escutar tudo que uma natureza excepcional precisa aprender a escutar, eu tenho que escutar tudo que um homem comum precisa escutar (porque a maior parte do tempo eu não me revelo!)—e isso é o mais ofensivo! Como se eu fosse mesmo aquele estagiário-padrão, aquele aluno que precisa de orientações, o eterno-subalterno! E eu ainda tenho que ouvir a minha própria consciência… prensada!
Pessoas morrendo—pessoas morrindo
Rimos de céu, inferno, gárgulas e Jesus.
O bebê é o que mais chora, o velho é o que mais ri.
De 7 a 23 de janeiro de 2010
