CONSIDERAÇÕES AMBÍGUAS A RESPEITO DAS PERSONALIDADES NA HISTÓRIA (Série RETROCEDER, capítulo VIII) (republicação)

Texto originalmente publicado em 8 de julho de 2009, porém escrito (sem boa parte dos parênteses) em 22 de março de 2009

PERGUNTA: Como a história se divide em dois, ou melhor, como precisamente ela se desenrola, tomando por base os principais autores e idéias dos espectros trágico e cristão que conhecemos? O tempo retilíneo cristão dá sinais, pelo meu intermédio, de que não tem a mínima capacidade de contra-atacar. Uma segunda pergunta é: eu tenho uma repetição na História circular, assim como um antípoda perfeito? Na verdade dir-se-ia que tenho infinitos, mas só preciso de um (dois) exemplo(s), o igual e o imensamente diferente – as sociedades, por mais contingentes, também parecem obedecer tão-somente a uma dupla de deuses, que se revezam no trono (Dioniso e Apolo).

 

Se temos Nietzsche e Sócrates, as duas pedras-de-toque do movimento da roda, resta uma indagação: se o alemão está “na base” do círculo, Sócrates está a 360° dali – ou seja, ALI, num novo círculo –, a 180° dali (no ponto mais distante do primeiro no perímetro da roda)…? E uma segunda indagação: se Nietzsche e Sócrates se encontram em opostos, o caminho de um a outro é uma “marcha a ré” ou uma seta de mão única? Se o primeiro for verdadeiro, é um semi-círculo e não uma circunferência. Além disso, os primeiros pensadores que vêm depois de Sócrates são “iguais” aos primeiros depois de Nietzsche (embora de sinal trocado) ou iguais essencialmente aos últimos antes de Nietzsche (decorrência da dúvida do fluxo)?



Obviamente, não existe alguém idêntico a mim depois de Cristo, tão-somente um perfeito anti-eu. Meu próximo eu, assim como meu eu anterior, são impossíveis de encontrar em registros históricos e estão, respectivamente, no fim da próxima era cristã e no começo da era grega (aqui eu ainda não havia desenvolvido o pensamento circular completo!). A questão não aborda, portanto, dois Nietzsches (espaço de 5000 anos, do que nada sabemos), mas um Nietzsche e um Sócrates e como essa dicotomia se constituiu. Se os pós-modernos são sofistas, parece que a roda está girando em sentido contrário (exatamente!). Então, retrocedendo (talvez o leitor mais atento já tenha entendido por que escolhi o termo acima para batizar esta série de resgates de artigos), encontraremos o legado de Sócrates: Marx é Platão, Hegel é Aristóteles. São Tomás é Agostinho.



Operação inversa: se os estóicos e os eudemonistas são os existencialistas, Zenão e Epicuro seriam Camus e Sartre (retificação póstuma: Zenão e Epicuro são posteriores a Sócrates!). Homero seria Shakespeare. Cristo estaria vindo… Ou quem sabe já veio… Quem seria meu antagonista ideal (eu já me fiz essa pergunta infindáveis vezes)? Alguém lutando por ordem antes do surgimento de Sócrates faz mais sentido que depois… Do lugar onde estou não posso analisar, dados os pontos cegos? (Ou talvez eu não queira analisá-los; ou não se pode tirar conclusões; ou as conclusões que se podem tirar são que “as peças não se mexem após esse acréscimo de sabedoria”.)



Inconcluso (intensa pesquisa histórica dos séculos VI a.C. a III a.C.? Se eu tiver descoberto uma lei do cosmo eu terei sido implacável na minha busca pela Verdade. O que um gauche aspirante a professor preocupado com seu futuro de longo prazo teria feito para se resolver?).



Prever quando um gênio irá nascer e o que ele terá para dizer”



Comte ficou datado muito depressa” – corrobora a contra-mão



(Três dias depois desse manuscrito durante uma aula na universidade eu teria a idéia de escrever “Hegel, Marx e Nietzsche: Aristóteles, Platão e Sócrates de cabeça para baixo”, como se anteviu pelo fim do penúltimo parágrafo – vide arquivo –, o que responde algumas das dúvidas listadas acima (já “proto-respondidas”, em negrito). O “pulo do gato” foi ter lido a Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, de autoria do jovem Marx.)