TRILOGIA DIMMUBORGUIANA

O TORTURADOR DE ALMAS CRISTÃS

Poder-te-ia arrastar até meus aposentos,

desnudar-te ali mesmo longe da luz.

Poder-te-ia arrancar as unhas uma a uma,

deflorar-te até o fim de tuas esperanças,

sem luz no fim dos túneis.

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Poder-te-ia estripar,

remover tuas entranhas,

pensamento meu calmante!

Ou deixar-te só, enquanto apenas observas,

ó gestante!, impotente a morte de teu feto.

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Poder-te-ia deixar à míngua, apodrecer de fome.

Fazer baixar sobre ti um inextricável silêncio.

Mas isso é nobre demais para mim!

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Não há prazer

na simples tortura física.

Quero fragmentar tua alma de cristã,

por dentro esfacelá-la em migalhas.

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Su’alma’maldiçoada… de cristã!

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Só depois… que testemunhar tua igreja em chamas,

e apanhar-te em prantos, começarei então a rir.

Só depois… que acompanhar cada segundo

de teu luto por teus entes queridos,

Contentar-me-ei– sobre as ruínas!

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Gargalharei nas trevas,

Meu desejo alucinante!

Sou o torturador de almas

almas amaldiçoadas…

de critãs!

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ORGIÁSTICO ARREBATAMENTO DA SÚCUBO

Pestes e ‘nfermidades mil,

misturadas com miséria e aniquilação

são o prato de regalo desta cozinheira,

troçadora das leis celestiais

e dos cânones morais.

Todos os machos no cio são

carne de carniça

para seus experimentos!

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Dotada de poder,

abençoada com a mágica,

Ela contempla o mundo

com esguios olhos de corvo,

acima de todos.

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Mulher da encruzilhada,

prostituta sedutora na estrada…

Princesa heresiarca:

do trono do demônio,

a próxima monarca!

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Sua elegância sem par de meretriz,

é o bastante para perder todos os homens,

meros cornos extravagantes!

Beleza que não é deste mundo,

encanta menos tua mente

que teu irrefletido membro fecundo!

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Maldita mulher,

prostituta enganadora.

Princesa heresiarca:

do trono do demônio

a iminente ocupadora!

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Escuta agora a serenata,

homem de fé, a serenata negra

e desencantada!

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Escuta enquanto abrasa tu’alma!

Estás perdido, marinheiro imundo,

Ela agora governa tua nau!

No ritmo das puras ondas do mal.

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Sua elegância sem par de meretriz,

é o bastante para baixar-te ao inferno, ó homem!

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IMPULSO VITAL PRIMITIVO E OMINOSO

Em demência irreversível,

contaminado de mundana vaidade,

com dignidade

carrego a Marca do Diabo.

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Bestas triunfantes divinamente entronizadas.

Escondidas nas trevas…

Até que nos convoquem,

nós os da Marca do Diabo!

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Cavalgo a besta mais odienta

acima das nuvens,

é um assalto e desafio ao céu!

Víboras que tornarão o mundo mais leve,

Ao despojar do homem toda a culpa,

das costas de Ájax toda a labuta!

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Deixar-nos-ão entrar?

A luta não é alada!

Minha mente envenena,

de maus presságios

inoculada!

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Ó, infiéis e espantalhos!!!

Decaí já!

Estais no lugar errado!

A Marca da besta é a vossa marca!

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Hipnotizados, irrecuperáveis.

Jogados na tormenta da existência,

no turbilhão do egoísmo

dos marcados pelo Diabo!

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Varridos sem resistência

pelo IMPULSO VITAL PRIMITIVO E OMINOSO.

Estuprados pela pureza da maldade,

revelem-se agora, portadores da Marca,

moradores do inferno insonhável!

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Espantado, paralisado,

diante do IMPULSO VITAL PRIMITIVO E OMINOSO…

eu mesmo descamo. Não fui chamado?!

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Varridos sem resistência

pelo IMPULSO VITAL PRIMITIVO E OMINOSO.

Perdidos no labirinto do Fauno

ou do Fausto, no trato apunhalado.

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Em demência irreversível,

contaminado de mundana vaidade,

com dignidade

carrego a Marca do Diabo.

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Mas o que é isso?

A Marca sumiu…

Olho-me no espelho–

eu sou o Diabo!