[ARQUIVO] O PROCESSO — Kafka (ed. Saraiva de Bolso)

Originalmente publicado em 3 de dezembro de 2011

Qual a diferença entre Bucapeste e Budareste?

Muitas vezes pergunto a profissão dos pais de alguém e escuto “judeus” como resposta pia e honesta. Assim como vejo muitas famílias cujo altar se dedica soberanamente ao Deus Mamon. Como diz Varg, um judeu pode morrer, mas os judeus, o sangue judeu, jamais perecerão. “como uma projeção de si mesmo (…) os judeus são orgulhosos de si (…) e devem ser castigados ainda uma última vez”

O que sempre é diferente entre mim e os solitários europeus são as paisagens ciganas destes! Mudar de país e de ares como quem pega um subway/expresso para a Ceilândia…

Tantos talentos, ó Tântalo!

“Essa paixão epistolar [a segunda importante!] (…) iria iniciar-se por um sonho singular.”

Seria ético quebrar o sigilo dos e-mails dos mortos, assim como se fez e se faz com as cartas trocadas pelos de fama que já expiraram?

Babel babão

Modesto Car onipotente?

Insul(t)ou-se nos sonhos.

Pergunte-se o que é se perguntar sobre saber que isso é o seu Destino, ou seja, sobre o próprio destino. E escrever isso! Homem-balança, como aquilo que pesa poderia ser pesado? Uma certeza e uma pêra solúvel por baba corrosiva na mão.

Nada mais triste que poesia vazia de autodenominados poetas sem grandeza suficiente para admitirem a própria felicidade afetada!

Cinto que é pouco sincero—pois te emagrece!

Interlocutor de rádios dalma

A cor da bunda é a verdadeira cor da pessoa… a menos que se freqüente uma praia nudista e se durma ou doure de bruços.

Como mostram num episódio d’Os Simpsons, um condenado à morte na cadeira elétrica movida à luz solar passaria sentado bem umas 24h até começar a ter sua pele chamuscada…

Ao contrário da conhecida metáfora, a vida não é um quarto bagunçado, mas quase isto: uma cozinha. E, particularmente, sinto que essas últimas semanas têm sido minha panela de pressão a pleno vapor. Não sei se devo temer, no entanto: o gás está no fim.

145: exegese às margens—“cuidado com elas!”

157: provavelmente Josef age de má-fé (?)

“‘Estou conseguindo ajuda da parte das mulheres, pensava K., maravilhado; ‘primeiro foi a senhorita Bürstner, depois a mulher do porteiro dos tribunais e por fim agora a enfermeira que parece ter uma incompreensível necessidade de mim. E como está sentada em meus joelhos, como se este fosse o único lugar que lhe pertença!’”

“cansado já pelo que teria de vir”

“Talvez ao entregar-se a tais reflexões não fazia senão enfraquecer sua própria energia de resistência”

“Nem os poucos anos nem o defeito corporal tinham podido evitar que estivesse já inteiramente pervertida. Em vez de sorrir, contemplou K. fixa e seriamente com olhar provocante. K., fazendo como quem nada percebesse da atitude da jovem, (…)”

Uma Síndrome de Estocolmo me invade… O pior é que eu sou o seqüestrador…

Alguma lei natural me impede de ser produtivo como eu queria…

O pé-grande, quando fica com o pé atrás, realmente vira um desconfiado insuportável!

240: pode ser só uma metáfora da morte literal, “Como procrastinar e consumir seu tempo tecendo e retecendo teias-de-aranha”.

“mantendo o pé entre a folha e o batente da porta”

“Mas você já deve ter percebido o caráter pegajoso dessa mulher, não é mesmo? (…) Leni acha formosa a maior parte dos acusados.”

“Meu processo (julgamento, até) também já começou.”

Cuido de 23 d(o)entes num asilo fétido tão próximo de mim…

276-8: cena da sentinela—lida alhures

Mais o simbolismo dos aniversários de meia-idade. Os dois primeiros carrascos seriam os pais. Estamos detidos. Vinga-se disso, e então se arrepende. Os três funcionários do banco são os três magos. O superintendente é o responsável pelo batismo. De antemão já pecamos—basta dar forma à transgressão, paulatina.

288: Bürstner—ratificação

“que no começo do processo eu queria já terminá-lo, e que agora em seu final, quero tornar a começá-lo de novo?”

Se a felicidade fosse uma lixeira, arremessaria minha boina dentro dela.


GLOSSÁRIO:

água-furtada: “último andar de uma casa, quando suas janelas dão para o telhado.”