LAÇOS DE FAMÍLIA

Clarice Lispector

 

09/09/15 a 11/11/15

“Alguns textos foram modificados para não injuriar ou caluniar pessoas.”

C. Lisp. – A Maçã no Escuro

Português mais pesado que o brasileiro do século XIX, o desta gaja.

P. 18 – quando inchamos devido à pressão baixa, deitamos e fechamos os olhos: “Cada braço seu poderia ser percorrido por uma pessoa, na ignorância de que se tratava de um braço, e em cada olho podia-se-lhe mergulhar dentro e nadar sem saber que era um olho.”

Por que umas pessoas são belicosas e outras auto-suficientes? Uma briguinha de vez em quando já enche a barriga do magro espiritual. Mulher é bicho insaciável, mas tende a engordar e arredondar a cintura ad infinitum.

Me acostumei tanto ao grande pensamento condensado que ele não estica mais.

“o mundo era tão rico que apodrecia.”

A teoria do microconto – tese acadêmico-literária

Pernilongo nibelungo

Pernil longo nível curto

Pernalonga café lungo

Calango longo e lânguido

novo lago perdido na bela lua reformada

na lona de milongas o gogó está a lume

Soberbo no ermo encantado estirado

no chão circular sangrado

“é a primeira coisa linda e minha! e foi o homem que insistiu, não fui eu que procurei! foi o destino quem quis! oh só desta vez! só esta vez e eu juro que nunca mais! (Ela poderia pelo menos tirar para si uma rosa, nada mais que isso: uma rosa para si. E só ela saberia, e depois nunca mais, oh, ela se prometia que nunca mais se deixaria tentar pela perfeição, nunca mais!)”

“Sem cansaço nenhum, aliás. Assim como o vaga-lume acende. Já que não estava mais cansada, ia então se levantar e se vestir. Estava na hora de começar.”

“chatinha, boa e diligente, a mulher sua. Ela ia sorrir”

“numa natureza que errou uma vez já não se pode mais confiar”

“Não ser devorado é o sentimento mais perfeito. Não ser devorado é o objetivo secreto de toda uma vida. Enquanto ela não estava sendo comida, seu riso bestial era tão delicado como é delicada a alegria.”

“não tendo outros recursos, ela estava reduzida à profundeza”

“Pequena Flor piscava de amor, e riu quente, pequena, grávida, grávida, quente.” Marcel Pretre, bantu, Congo Central, likoualas e a foto no jornal – tudo isso é mesmo real?

“Quem casa um filho perde um filho, quem casa uma filha ganha mais um.”

“Até tomarem café todos estavam irritados ou pensativos, inclusive a empregada. Não era esse o momento de pedir coisas.”

Sinto muito; sinto mais do que se pode desculpar.

“Certamente os óculos o incomodavam porque de novo os tirou, respirou fundo e guardou-os no bolso.”

“Respirou de novo.”

“Eras todos os dias um cão que se podia abandonar.”

“Minha ferocidade e a tua não deveriam se trocar por doçura.”

“Não me pedindo nada, me pedias demais.”

“Agora estou bem certo de que não fui eu quem teve um cão. Foste tu que tiveste uma pessoa.”

“Ninguém vai para o Inferno por abandonar um cão que confiou num homem.”

“Um homem ainda conseguia ser mais esperto que o Juízo Final.”

“Nem tu, José, me condenarias.”

“Como alguém dá uma esmola para enfim poder comer o bolo por causa do qual o outro não comeu o pão.”

“Ah, disse. Mas dessa vez porque dentro dela escorria enfim um primeiro fio de sangue negro.

           O primeiro instante foi de dor. Como se para que escorresse este sangue se tivesse contraído o mundo. Ficou parada, ouvindo pingar como numa grota aquele primeiro óleo amargo, a fêmea desprezada.”

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