ANTI-DÜHRING – Engels

PREFÁCIO À 1ª EDIÇÃO

O presente trabalho não é, absolutamente, fruto de um ‘impulso interior’. Muito pelo contrário. Quando, há 3 anos, o Senhor Dühring surgia, cheio de rompante, apresentando-se, ao mesmo tempo, como adepto e reformador do socialismo, disposto a trazer o século à luta, alguns amigos da Alemanha expressaram várias vezes o desejo de que eu fizesse, no órgão do partido social-democrata, então o Volksstaat, um estudo crítico da nova doutrina socialista.”

Havia mesmo pessoas que já se julgavam no dever de difundir a doutrina entre os trabalhadores. Finalmente, o Senhor Dühring e seus correligionários punham a seu serviço todos os artifícios da propaganda e da intriga para obrigar o Volksstaat a tomar posição definitiva em face da nova doutrina, que entrava em cena com tão consideráveis pretensões.”

Por outro lado, o Senhor Dühring, como ‘criador de sistema’, não é uma aparição isolada na Alemanha contemporânea. De algum tempo a esta parte, os sistemas de cosmogonia, de filosofia da natureza em geral, de política, economia, etc., proliferam na Alemanha, da noite para o dia, às dúzias, como os cogumelos. Qualquer doutor em filosofia e até mesmo o simples estudante não mais se contentam senão com um sistema integral. Da mesma forma que, no Estado moderno, todos os cidadãos se supõem aptos para julgar as questões em que são chamados a dar voto; da mesma maneira pela qual, em economia política, se considera o comprador com conhecimentos profundos sobre todas as coisas que adquire para o seu sustento; da mesma forma se pretende proceder com respeito à ciência. A liberdade científica consistirá, assim, na possibilidade de cada qual escrever sobre ciência tudo o que nunca aprendeu, dando-o como o único método rigorosamente científico.”

É esse o mais característico e abundante produto da indústria intelectual alemã, ‘barato, sim, porém de má qualidade’, tal como outros produtos nacionais com que o país, infelizmente, não se fez representar na Exposição da Filadélfia. O próprio socialismo alemão, de algum tempo para cá, notadamente após o bom exemplo do Senhor Dühring fez, ultimamente, grandes progressos na arte do ruído de latão e exibe tal ou qual produto batizado de ciência e da qual não contém uma palavra.”

No momento de concluir este prefácio, recebo de uma livraria um anúncio redigido pelo Senhor Dühring, no qual o filósofo promete uma nova obra ‘capital’ intitulada: Novas leis básicas da química e da física nacionais. Tenho pleno conhecimento da insuficiência de meus conhecimentos em física e em química; apesar disso, porém, acredito conhecer bastante o meu caro Dühring, para adiantar, mesmo sem lhe haver lido a obra, que as leis físicas e químicas aí estabelecidas poderão competir, em confusão ou em banalidades, com as leis econômicas, cosmológicas e outras que ele até agora descobriu e examinei no meu livro. Só espero que o rigômetro, instrumento construído pelo Sr. Dühring para medir as temperaturas mais baixas, sirva para medir, não temperaturas altas ou baixas, mas simplesmente a arrogante ignorância do Senhor Dühring.

Londres, 11 de junho de 1878.”

PREFÁCIO À 2ª EDIÇÃO

A necessidade de fazer-se desta obra uma 2ª edição foi para mim verdadeira surpresa. A personagem, que neste livro se critica, está hoje inteiramente esquecida. A obra em si mesma não só teve numerosos leitores, quando apareceu em fragmentos no Vorwärts de Leipzig, em 1877 e 78, como dela se tiraram, em separado e integralmente, inúmeros exemplares. Como poderá alguém interessar-se pelo que eu disse há vários anos a propósito do Senhor Dühring?

Devo-o, antes de tudo, à circunstância de que esta obra, como, aliás, quase todos os meus escritos ainda agora em circulação, foi interditada no império alemão logo após a promulgação da lei contra os socialistas. Quem quer que não estivesse preso aos hereditários preconceitos dos funcionários dos países da Santa Aliança deveria claramente prever o efeito de semelhante medida: dupla ou tripla venda para os livros interditados e manifestação de impotência por parte daqueles Senhores de Berlim, que promulgam leis cuja execução não conseguem impor. Realmente, a amabilidade do governo do império forçou-me a novas edições que não poderia satisfazer: como não tenho tempo para corrigir o texto, coisa que seria de desejar, sou obrigado a contentar-me com uma simples reimpressão.”

Assim, a crítica negativa resultou positiva; a polêmica transformou-se em exposição mais ou menos coerente do método dialético e da ideologia comunista defendida por Marx e por mim, numa série de domínios bastante vastos. Esta concepção, desde o seu aparecimento na Miséria da Filosofia de Marx e no Manifesto Comunista, tem atravessado um período de incubação de mais de 20 anos, até este momento em que, com a apresentação d’O Capital, ela alcançou regiões cada vez mais distantes, e, hoje, já fora das fronteiras da Europa, prende a atenção em todos os países em que há proletários e cientistas imparciais.”

Quanto às demais modificações, que desejaria fazer, referem-se principalmente a 2 pontos: primeiramente, à história primitiva da humanidade, assunto de que Morgan só nos deu a chave em 1877. Mas, como, em minha obra As origens da família, da propriedade privada e do Estado tive ocasião de ordenar e expor a matéria por mim reunida desde o aparecimento deste livro, bastará recorrer a esse trabalho ulterior.

Em segundo lugar, teria desejado modificar a parte relativa às ciências naturais. Nota-se ali grande descuido de exposição e há várias coisas que hoje poderiam ser expressas com maior precisão e clareza. Não me arrogando o direito de corrigir, julgo-me na obrigação de fazer esta crítica.

Marx e eu fomos, sem dúvida alguma, os únicos que salvaram da filosofia idealista alemã a dialética consciente, incluindo-a na nossa concepção materialista da natureza e da história. Mas uma concepção da história, a um tempo dialética e materialista, exige o conhecimento das matemáticas e das ciências naturais. Marx foi um consumado matemático: mas, de nossa parte, não pudemos estudar senão fragmentariamente, de quando em quando, as ciências naturais. À medida que ocupações comerciais e a minha mudança para Londres mo foram permitindo, fiz uma completa mise en mue, como diria Liebig,¹ das matemáticas e ciências naturais, tarefa em que empreguei quase 8 anos. Estava eu em meio desse trabalho quando me ocupei do Senhor Dühring e de sua pretensa filosofia da natureza. Se, pois, nem sempre atino com a exata expressão técnica, e se, por vezes, me vejo em alguma dificuldade no domínio das ciências naturais, é naturalíssimo. Por outro lado, a consciência da própria incerteza me fez prudente: ninguém me poderá atribuir erros patentes sobre fatos então conhecidos, nem inexatidão na exposição das teorias professadas na época. A tal respeito, só surgiu um grande matemático pouco conhecido, a queixar-se, numa carta dirigida a Marx, de que eu havia criminosamente atentado contra a honra da XXX. Tratava-se, evidentemente, de que eu, ao fazer a recapitulação das matemáticas e ciências naturais, procurava convencer-me sobre uma série de pontos concretos – sobre o conjunto eu não tinha dúvidas –; de que, na natureza, se impõem, na confusão das mutações sem número, as mesmas leis dialéticas do movimento que, também na história, presidem à trama aparentemente fortuita dos acontecimentos; as mesmas leis que, formando igualmente o fio que acompanha, de começo a fim, a história da evolução realizada pelo pensamento humano, alcançam pouco a pouco a consciência do homem pensante; leis essas primeiramente desenvolvidas por Hegel, mas sob uma forma que resultou mística, a qual o nosso esforço procurou tornar acessível ao espírito, em toda a sua simplicidade e valor universal. Será escusado dizer que a velha filosofia natural – apesar das muitas coisas boas que realmente continha e dos muitos germes fecundos que encerrava(*) – não poderia contentar-nos: conforme se expõe minuciosamente neste livro, consiste-lhe o defeito na forma hegeliana de não reconhecer na natureza nenhum desenvolvimento no tempo, nenhuma ‘sucessão’, mas simplesmente uma ‘coexistência’ (Nacheinandr-Nebeinander). Tal defeito tinha razão de ser, de uma parte, no sistema hegeliano de per si, que não atribuía ao espírito seqüência de desenvolvimento histórico, e, de outro lado, no estado das ciências naturais na época. Assim, Hegel recua, neste ponto, bem para antes de Kant, que, em sua teoria da nebulosa, já punha em foco o problema das origens e cujo descobrimento do obstáculo que, segundo se supunha, as marés criavam ao movimento de rotação da Terra, anunciava já a consolidação do sistema solar. Finalmente, o problema, para mim, consistia, não em impor à natureza leis dialéticas predeterminadas, mas em descobri-las e desenvolvê-las, partindo da mesma natureza.

[¹ O químico alemão Justus von Liebig (1803-1873).]

(*) É bem mais fácil invectivar contra a antiga filosofia da natureza, acompanhando o vulgo profano, como o faz Karl Vogt, do que apreciar sua importância histórica. Ela contém inúmeros absurdos e fantasias, mas não tantas quantas se encerram nas teorias dos naturalistas empíricos da mesma época e já se começa a perceber, desde a vulgarização da teoria da evolução, quanto encerra de bom senso e de inteligência. Assim, Haeckel reconheceu muito justamente os méritos de Treviranus¹ e de Ocken.² Este estabeleceu o postulado da biologia baseado na substância colóide primitiva (Urschleim) e sua vesícula primária (Urblaschen), coisas que depois foram chamadas protoplasma e célula. Hegel é, no que lhe concerne especialmente, de muitos pontos de vista, bem superior aos empiristas de seu tempo, que supunham haver explicado todos os fenômenos atribuindo-os a uma força – força da gravidade, força da rotação, força do contato elétrico, etc. – e, na impossibilidade dessas, a uma substância desconhecidasubstância luminosa, calorífica, elétrica, etc. As substâncias imaginárias estão hoje mais ou menos abandonadas, mas o ‘charlatanismo das forças’, que Hegel combatia, reaparece como fantasma, por exemplo, no discurso pronunciado por Helmholtz em Innsbrück no ano de 1869. [Esperassem para ver o que o discípulo de Helmholtz iria provocar, hipostasiando até uma libido!] (…) Os filósofos da natureza estão, para a ciência natural conscientemente dialética, na mesma situação em que se acham os utopistas para o comunismo moderno.”

¹ Gottfried Reinhold Treviranus (1776–1837), médico e naturalista alemão.

² Lorenz Oken, nome de batismo Lorenz Ockenfuss (1779—1851), naturalista, botânico, biólogo e ornitólogo, também alemão.

possuímos hoje mamíferos ovíparos, e, se a notícia se confirma, aves que caminham sobre 4 patas. Se a célula impôs a Virchow,¹ há anos, a contingência de resolver a individualidade animal (conseqüentemente humana), numa federação de elementos celulares, este fato ainda mais se complica pela descoberta dos glóbulos brancos do sangue, que circulam à maneira de amebas no corpo dos animais superiores.”

¹ Rudolf Ludwig Karl Virchow (1821—1902), médico, antropólogo, patologista, pré-historiador, biólogo, escritor, editor e político alemão (ufa!).

Exatamente por isso, pelo fato de que vão aprendendo a utilizar os resultados de 3 milênios de história filosófica, por isso é que as ciências econômicas se estão emancipando de toda essa pretensa filosofia da natureza, estranha e superior a elas, assim como se vão também emancipando do mesquinho método especulativo, herdado do empirismo inglês.” Que pena que essa tendência não durou muito…

Londres, 23 de setembro de 1885.

INTRODUÇÃO. CAPÍTULO I. GENERALIDADES

(Vejo que Engels faz ‘divisões hegelianas’ nos capítulos do livro!)

Era a época em que, segundo a frase de Hegel, o mundo descobriu que tinha um cérebro.” “o passado merecia apenas comiseração e desprezo. O mundo, até então, havia estado envolto em trevas; para o futuro, a superstição, a injustiça, o privilégio e a opressão seriam substituídos pela verdade eterna, pela eterna justiça, pela igualdade baseada na natureza e por todos os direitos inalienáveis do homem.” 

…e o Estado da razão, o contrato social de Rousseau, ajustou-se, como de fato só podia ter-se ajustado, à realidade, convertido numa república democrático-burguesa. Os grandes pensadores do século XVIII, sujeitos às mesmas leis de seus predecessores, não podiam romper os limites que sua própria época traçava.” A gente já não pode porra nenhuma: nem viver a nossa época!

Os novos pensadores descobrem que também o mundo burguês, instaurado segundo os princípios do racionalismo, é injusto e irracional, merecendo, portanto, ser desprezado como um traste inútil, da mesma forma como já o foram o feudalismo e as formas sociais que o precederam. Se, até então, a verdadeira razão e a verdadeira justiça não governaram o mundo, isso se deve a que, segundo o seu modo de ver, ninguém ainda conseguiu alcançá-las.”

O mesmo poderia ter ocorrido há 500 anos e teria sido poupada a humanidade de 500 anos de erros, de sofrimentos e de lutas. Esse modo de ver é, em suma, o de todos os socialistas ingleses e franceses e o dos primeiros socialistas alemães, sem excluir Weitling.¹ O socialismo é a expressão da verdade, da razão e da justiça absoluta, e é suficiente descobri-lo para que se imponha ao mundo por sua própria virtude. E, como a verdade absoluta é independente do espaço, do tempo, do desenvolvimento do homem e da história, só o acaso pode decidir quando e onde se deve revelar o seu descobrimento.”

¹ Wilhelm Christian Weitling (1808–1871), alfaiate e comunista vanguardista, como coloca Engels, porém comunista ou socialista “utópico” segundo a classificação marxista que só se torna possível depois da primeira metade do séc. XIX.

forçosamente surge um conflito entre as verdades absolutas, não restando outra solução senão a dos atritos ou fusões de umas com as outras. Era, pois, natural e inevitável, que surgisse uma espécie de socialismo eclético e, com efeito, a maior parte dos operários socialistas da França e da Inglaterra tem, nos cérebros, uma mistura pitoresca que admite, aliás, toda uma série de matizes, na qual se fundem os princípios econômicos, as expansões críticas e as representações sociais do futuro, dos diversos fundadores de seitas. Essa mescla é tanto mais fácil de ser composta quanto mais depressa os ingredientes individuais vão perdendo, no curso das discussões, seus contornos agudos e concretos, como se fossem pedras aplainadas pela corrente do rio.” Lamentavelmente continua a ser assim – na verdade voltou a ser assim após anos muito mais organizados da esquerda (fim do séc. XIX/início do século XX 

Fora do estrito campo da filosofia, os franceses souberam também criar obras mestras de dialética, como, por exemplo, O Sobrinho de Rameau, de Diderot, e o estudo de Rousseau Sobre a origem da desigualdade dos homens.”

Se submetermos à consideração especulativa a natureza ou a história humana ou a nossa própria atividade espiritual, encontrar-nos-emos, logo de início, com uma trama infinita de concatenações e de mútuas influências, onde nada permanece o que era nem como e onde existia, mas tudo se destrói, se transforma, nasce e perece. Esta intuição do mundo, primitiva, simplista, mas perfeitamente exata e congruente com a verdade das coisas, foi utilizada pelos antigos filósofos gregos e aparece expressa, claramente, pela primeira vez, em Heráclito: tudo é e não é, pois tudo flui, tudo está sujeito a um processo constante de transformação, de incessante nascer e perecer. Mas esta intuição, por ser exatamente a que reflete o caráter geral de todo o mundo dos fenômenos, não basta para explicar os elementos isolados de que se forma todo esse mundo. E esta explicação é indispensável, pois, sem ela, nem mesmo a imagem total adquirirá sentido exato. Para penetrar nesses elementos, antes de mais nada, precisamos destacá-los de seu tronco histórico ou natural e investigá-los separadamente, cada um de per se, em sua estrutura, causas e efeitos que em seu seio se produzem, etc…”

Os rudimentos das ciências naturais exatas não se desenvolveram até chegar aos gregos do período alexandrino e, muito mais tarde, na Idade Média, com os árabes. Na realidade, a autêntica ciência da natureza data somente da segunda metade do século XV e, a partir de então, não fez mais que progredir com velocidade constantemente acelerada.” O que já não é mais o caso.

Para o metafísico, as coisas e suas imagens no pensamento, os conceitos, são objetos isolados de investigação, objetos fixos, imóveis, observados um após o outro, cada qual de per se, como algo determinado e perene. O metafísico pensa em toda uma série de antíteses desconexas: para ele, há apenas o sim e o não e, quando sai desses moldes, encontra somente uma fonte de transtornos e confusão. Para ele, uma coisa existe ou não existe. Não concebe que essa coisa seja, ao mesmo tempo, o que é uma outra coisa distinta. Ambas se excluem de modo absoluto, positiva e negativamente, causa e efeito se revestem da forma de uma antítese rígida. À primeira vista, esse método especulativo parece-nos extraordinariamente plausível, porque é o do chamado senso comum. Mas o verdadeiro senso comum, personagem bastante respeitável dentro de portas fechadas, entre as 4 paredes de sua casa, vive peripécias verdadeiramente maravilhosas quando se arrisca pelos amplos campos da investigação.”

Kant começou sua carreira de filósofo transformando o sistema solar estável e de duração eterna de Newton num processo histórico (…) Meio século mais tarde, sua teoria foi confirmada matematicamente por Laplace, e, depois de mais 50 anos, o espectroscópio demonstrou a existência, no espaço, daquelas massas ígneas de gás, em diferentes graus de condensação.” Mas que importa tudo isso? Se com Kant não estamos mais no tempo, mas o tempo está em nós, que NOS importa a teleologia e escatologia do sistema solar, ou sua genealogia?

Não importa que Hegel não tenha resolvido esse problema. Seu mérito, que marcou época, consistiu apenas em o ter colocado. Mas não se trata de um problema que pode ser resolvido apenas por um homem. E, mesmo sendo Hegel, ao lado de Saint-Simon, o cérebro mais universal de seu tempo, seu horizonte estava circunscrito, em primeiro lugar, pela limitação inevitável de seus próprios conhecimentos, e, em segundo, pela dos conhecimentos e observações de sua época, também limitados em extensão e profundidade. A tudo isso deve-se ainda acrescentar uma 3ª circunstância. Hegel era idealista. As idéias de seu cérebro não eram, para ele, imagens mais ou menos abstratas das coisas e dos fenômenos da realidade, mas coisas que, em seu desenvolvimento, se lhe apresentavam como projeções realizadas de uma ‘idéia’, existente não se sabe onde, antes da existência do mundo.” “O sistema Hegel foi um aborto gigantesco, porém o último de sua espécie.”

IGUALMENTE OUSADO E FUNESTO (Não tem lei aquilo que não existe, i.e., a humanidade): “A consciência da total inversão em que o idealismo alemão incorrera, necessariamente, tinha que levar ao materialismo. Mas, note-se bem, não se trata do materialismo puramente metafísico e exclusivamente mecânico do século XVIII. Afastando-se da simples repulsa, candidamente revolucionária, de toda a história anterior, o materialismo moderno vê, na história, o processo de desenvolvimento da humanidade, cujas leis dinâmicas tem por encargo descobrir.”

OH, METAPHYSICS! THEY TRY TO KILL YOU IN EACH GENERATION! “Desde o instante em que cada ciência tenha que se colocar no quadro universal das coisas e do conhecimento delas, já não há margem para uma ciência que seja especialmente consagrada a estudar as concatenações universais. Tudo o que resta da antiga filosofia, com existência própria, é a teoria do pensamento e de suas leis: a lógica formal e a dialéticaTudo o mais se dissolve na ciência positiva da natureza e da história.” Curiosamente, isso se coaduna bastante bem com os <paradigmas científicos> de Popper & Kuhn – não entendo por que eles são ferrenhos adversários do marxismo!

Lançavam-se os alicerces para uma concepção materialista e abria-se o caminho para verificar-se que a existência é quem determina a consciência do homem e não é a consciência quem determina a existência, como se afirmava tradicionalmente.” Diabrura epistemológica: mas então a revolução proletária continuará dependendo dos fatores <da existência> e não da consciência da classe?

Com efeito, o socialismo [tradicional anglo-franco] criticava o regime capitalista de produção existente e suas conseqüências, mas não conseguiu explicá-lo e, portanto, também não o poderia destruir, limitando-se apenas a repudiá-lo, simplesmente, como imoral.”

Era esse, mais ou menos, o sentido com que se apresentavam as coisas no campo do socialismo teórico e da decadente filosofia, quando o Senhor Eugen Dühring veio à cena e anunciou, com o auxílio de tambores e fanfarras, a total subversão da filosofia, da economia política e do socialismo, subversão feita unicamente por ele.

Vejamos, agora, o que o Senhor Dühring promete e… o que cumpre.”

INTRODUÇÃO. CAPÍTULO II. O QUE PROMETE O SR. DÜHRING

Já na primeira página, o Sr. Dühring se nos anuncia como o homem ‘que se outorga a representação desse poder (isto é, a filosofia) em sua época e em todo o seu desenvolvimento próximo previsível’. Ou, por outras palavras, declara-se como o único filósofo verdadeiro dos tempos presentes e de um futuro ‘previsível’. Quem dele se afasta, saiba que se afasta da verdade. Não é o Sr. Dühring o 1º que assim raciocina a seu próprio respeito, mas, excluindo-se Richard Wagner – é o primeiro que o afirma com tranqüilidade.” HAHAAHAHAAHA

além disso, termina suas investigações com um plano socialista completo, pessoal, perfeitamente desenvolvido, da sociedade do futuro, plano que é ‘o resultado prático de uma teoria clara, que se aprofunda até as últimas raízes’ e, portanto, compartilha com a infalibilidade e a virtude de santificação universal, que é o atributo da filosofia dühringuiana, pois, só sob a forma socialista por mim desenvolvida em meu Curso de Economia Política e Social pode uma autêntica propriedade ocupar o posto dessa propriedade aparente e provisória conquistada pela violência. Já sabe o futuro que, quer deseje ou não, terá que se basear, forçosamente, nessa concepção.

Nada nos custaria aumentar essa coleção de elogios dedicados pelo Sr. Dühring ao Sr. Dühring. Mas cremos bastar o que já dissemos para que o leitor tenha algumas dúvidas sobre o fato de ter realmente diante de si um filósofo ou… Não; rogamos ao leitor que reserve sua opinião até conhecer mais de perto o prometido ‘radicalismo’Se apresentamos todo esse florilégio é porque queríamos simplesmente demonstrar não se tratar de um filósofo e socialista vulgar, desses que se limitam a formular suas idéias deixando que os outros julguem de seu valor, mas de um ser verdadeiramente extraordinário, que afirma possuir a mesma infalibilidade do papa e cuja doutrina, de virtude universalmente santificadora, deve ser aceita, sem discussão, se não se quiser incorrer na mais horrenda das heresias.”

Ou o Sr. Dühring tem razão e, nesse caso, estaremos diante do maior dos gênios de todos os tempos, do primeiro homem sobre-humano, infalível, ou, então, está o Sr. Dühring equivocado, mas, mesmo assim, seja qual for a nossa opinião, se tomássemos em consideração, benevolentemente, a sua boa vontade, como se esta existisse, isso seria para ele a maior das ofensas.”

O SCHOPENHAUERIANO SR. DÜHRING! “‘Leibniz, carente de todo sentido elevado, é o melhor de todos os possíveis filosofadores cortesãos.’ Kant é ainda tolerado. Depois dele, entretanto, tudo virou às avessas, pois vieram as tolices e futilidades, tão sem substância e tão enganosas, dos primeiros epígonos, de um Fichte e de um Schelling … caricaturas monstruosas de incultos filosofastros da natureza … as ‘monstruosidades pós-kantianas’ e as ‘fantasias febris’ que encontram ‘num Hegel’ o seu remate e sua coroação.” Só faltou falar filosofia de bundões!

Os naturalistas não têm tratamento melhor, apesar de ser citado apenas Darwin.” Talvez só Nietzsche tenha tido a estatura para ser essas 3 coisas ao mesmo tempo: do século XIX, relevante e contra Darwin!

Do nosso ponto de vista, o darwinismo, do qual se devem separar, naturalmente, as doutrinas lamarckianas[como se o outro não fosse ainda pior!] é uma afirmação de selvageria e um crime de lesa-humanidade.”

[Quanto aos socialistas, u]nicamente Saint-Simon consegue um tratamento bastante passável, uma vez que só lhe é reprovado o ‘exagero’, considerando-se caridosamente a enfermidade de megalomania religiosa de que padecia. Mas, ao chegar a Fourier, o Sr. Dühring perde a paciência.” “O inegavelmente ‘perturbado Fourier’, essa ‘cabecinha infantil’, esse ‘idiota’, nem sequer era socialista; o seu palavreado nada tinha a ver com o socialismo racional; era simplesmente ‘um aborto trabalhado pelo padrão da vida vulgar’.”

E, por fim, ficamos sabendo que Robert Owen ‘tinha idéias pobres e mesquinhas … sua mentalidade tão grosseira no que se refere ao terreno moral … alguns lugares comuns degenerados em idéias confusas … talento de observação absurdo e torpe … O processo mental de Owen não merece sequer o tempo que se gasta com uma crítica séria … A sua vaidade …’ etc., etc. O Sr. Dühring classifica os utopistas, divertindo-se com os seus nomes, com o seguinte desperdício de humor: Saint-Simon, saint (santo), Fourier, fou (louco), Enfantinenfant (criança). Só lhe faltou acrescentar Owen, oh weh (oh! dor, em alemão), encerrando um período bastante considerável da história do socialismo com uma piada em 4 letras”

¹ Barthélemy-Prosper Enfantin (1796-1864), reformador social francês, saint-simoniano. Idealizou a criação do canal de Suez.

Dos julgamentos, que Dühring faz dos socialistas posteriores, limitar-nos-emos a destacar, devido à sua brevidade, os que faz sobre Lassalle e Marx:

Lassalle: ‘Ensaios de vulgarização pedantes e pegajosos … excessos escolásticos … uma mistura monstruosa de teorias gerais e de detalhes mesquinhos … superstição hegeliana absurda e disforme … exemplo repelente … limitação … envaidecimento jactancioso com a mais banal mediocridade … nosso herói judeu … panfletista … ordinário … uma concepção da vida e do mundo absolutamente insustentáveis …’

Marx: ‘Estreiteza de concepções … seus trabalhos e suas conclusões são falhos por si mesmos, isto é, do ponto de vista de teoria pura, do valor permanente, são indiferentes para o nosso objetivo (a história crítica do socialismo), e, no que se refere à história geral sobre as correntes do espírito, pode-se tomá-lo em consideração, no máximo, como um sintoma da influência atingida por um ramo do escolasticismo sectário moderno [HAHAAHA!] … impotência e incapacidade de concentração e ordenação … deformação de pensamento e de estilo, maneiras de linguagem pouco dignas … vaidade anglicana … engano … concepções áridas, que, na realidade nada mais são do que rimas bastardas da fantasia histórica e lógica … processos desonestos … vaidade pessoal … [a anglicana era apenas coletiva?] maneiras insolentes … impertinências … frasezinhas engenhosas [a raiva realmente passou para o estilo da escrita!] e tolices … erudição mesquinha … um retrógrado na filosofia e na ciência.’

PARTE 1. FILOSOFIA. CAPÍTULO III. CLASSIFICAÇÃO. APRIORISMO.

Com efeito, coloquemos a Enciclopédia de Hegel, com todas as suas fantasias febris, junto às verdades definitivas e inapeláveis do Sr. Dühring. Ao que o Sr. Dühring chama de esquemática geral do mundo, Hegel chama de lógica. O que o primeiro aplica à natureza como esquemas, o segundo o faz com as categorias lógicas e daí temos a filosofia da natureza, e, finalmente, a sua aplicação ao mundo do homem, que, em Hegel, se chama filosofia do espírito. Como vemos, a ‘ordem lógica interna’ da hierarquia dühringuiana nos encaminha diretamente, ‘com absoluta espontaneidade’, à Enciclopédia de Hegel, donde foi tirada com tal fidelidade que faria chorar de ternura ao judeu errante da escola hegeliana, o professor Michelet,¹ de Berlim.”

¹ Poderia ser o historiador francês Jules Michelet (1798–1874). O problema é que não consta que ele tenha se radicado na capital alemã.

Se, ao chegar a um período qualquer do progresso humano, se tornasse possível construir um sistema definitivo e determinado das concatenações universais, tanto no físico como no espiritual e histórico, ter-se-ia encerrado o ciclo dos conhecimentos humanos e, uma vez que a sociedade se sujeitasse a esse sistema, levantar-se-ia uma barreira a todo o desenvolvimento histórico futuro, o que seria um contra-senso, um absurdo.”

É indubitavelmente certo que os conceitos das matemáticas puras regem independentemente da experiência concreta de qualquer indivíduo, ainda que essa virtude não pertença exclusivamente às matemáticas, o que é fato comum comprovado por todas as ciências e, mais ainda, a todos os fatos em geral, cientificados ou não. Os pólos magnéticos, a composição da água por 2 átomos de hidrogênio e 1 de oxigênio, o fato de que Hegel está morto e de que o Sr. Dühring está vivo, são fatos que existem independentemente de minha experiência ou da experiência de outras pessoa, e mesmo independentemente da experiência do Sr. Dühring, assim que ele dormir o sono dos justos. O que não é certo é que as matemáticas puras são entendidas pela inteligência apenas com as suas próprias criações e imaginações. De onde são tirados os conceitos de número e figura, senão do mundo real?” “Tiveram que existir objetos que apresentassem uma forma, e cujas formas pudessem ser comparadas entre si, para que pudesse surgir o conceito de figura.” “Mas, como acontece em todos os campos do pensamento humano, ao chegar a uma determinada fase de desenvolvimento, as leis abstraídas do mundo real se vêem separadas desse mundo real do qual nasceram, consideradas como se fossem alguma coisa à parte, como se fossem leis vindas de fora e às que o mundo se deveria ajustar. Assim aconteceu com a sociedade e o Estado e assim acontecera, num determinado momento, com as matemáticas puras, que serão aplicadas ao mundo, apesar de nele ter sua origem e de não representar mais do que uma parte de suas formas de síntese.”

PARTE 1. FILOSOFIA. CAPÍTULO IV. ESQUEMÁTICA DO MUNDO

No sujeito, o Sr. Dühring diz-nos que o ser, como universal, compreende tudo e no predicado afirma intrepidamente que nada, então, existe fora dele. Que colossal idéia ‘criadora de sistema’!” “E assim ‘as coisas do além não têm mais lugar, uma vez que o espírito aprendeu a discernir o que existe na sua universalidade homogênea’. Eis uma batalha do espírito comparada com a qual Austerlitz e Iena Sadow e Sédan desaparecem inteiramente.”

Não é bastante que me resolva eu a classificar uma escova de sapatos na classe dos mamíferos para que a mesma, como que por encanto, apresente glândulas mamárias. A unidade do ser, ou seja, aquilo que justifica a redução à unidade no pensamento, é, pois, justamente o que era mister demonstrar”

Começo pelo que existe. Penso. pois, sobre o que tem existência real. A idéia do que existe constitui uma unidade. Mas o pensamento e o que existe têm que estar de acordo, correspondem-se, <coincidem>. Portanto, o que existe é também, na realidade, unitário. Donde se conclui que o sobrenatural não existe.’ Se o Sr. Dühring nos tivesse falado assim, sem subterfúgios, ao invés de nos apresentar os dogmas anteriormente citados, sua ideologia se tornaria compreensívelQuerer demonstrar a realidade de um resultado mental qualquer por meio da identidade entre o que se pensa e o que existe é, de fato, uma das fantasias febris mais loucas de… Hegel.”

O mais cômico nessa história é que o Sr. Dühring, para provar a não-existência de Deus por meio do conceito do ser, lança mão da prova ontológica da existência de Deus. Diz essa prova: quando pensamos em Deus, nós o concebemos como a soma de todas as perfeições. Ora, a soma de todas as perfeições implica, antes de tudo, na existência, pois um ser inexistente é necessariamente imperfeito. Devemos, pois, incluir a existência no número das perfeições de Deus. Logo, necessariamente, Deus existe. É esse, tal qual, o raciocínio do Sr. Dühring: quando ideamos o ser, ideamo-lo como conceito uno. O que se compreende num só conceito é uno. O que existe não corresponderia, portanto, ao seu conceito se não constituísse uma unidade; Deus, portanto, não existe, etc.”

Temos que nos afastar, um só milímetro que seja, desse simples fato fundamental de que todos os objetos têm em comum a existência para que, desde logo, comecem a surgir aos nossos olhos suas diferenças.” “É necessário levar-se em conta que a existência começa a ser um problema a partir dos limites de nosso círculo visual.”

O ser … não é esse ser puro que, idêntico a si próprio, igual a si mesmo, é desprovido de qualquer propriedade concreta que não representa efetivamente senão uma contra-imagem do nada ou da ausência da idéia.”

[Mas é] somente a partir desse ser nada que se desenvolve o estado atual do mundo, diferenciado, mutável, apresentando já uma evolução, um processo de formação; e é somente depois de termos compreendido isso que chegamos a encontrar, de novo, sob essa transformação perpétua, ‘o conceito do ser universal idêntico a si mesmo’.”

Comparemos agora essa ‘nítida classificação dos esquemas gerais’ e esse ‘ponto de vista verdadeiramente crítico’, com as ingenuidades, as grosserias e os sonhos febricitantes de Hegel.”

Do reino da insensibilidade não se passa ao da sensação, apesar de toda a continuidade quantitativa, a não ser por um salto qualitativo do qual … podemos dizer que se diferencia infinitamente da simples variação de graus de uma só e mesma propriedade”

E, não contente com haver tomado de empréstimo o seu esquematismo daquele dentre os seus predecessores que ele mais calunia, o Sr. Dühring, depois de ter ele próprio dado o exemplo referido acima, de uma passagem brusca da quantidade em qualidade, tem a ousadia de falar de Marx nestes termos: ‘Como é cômico vê-lo (a Marx) referir-se a essa Idéia confusa e nebulosa de Hegel, de que a quantidade se transforma em qualidade!’

Do ser, Hegel passa à substância, à dialética. Aí, trata das determinações reflexas de seus antagonismos e contradições internas (por exemplo, negativo e positivo), depois chega à causalidade ou relação de causa e efeito, finalizando com o estudo da necessidade. Outra coisa não faz o Sr. Dühring. Onde Hegel escreve ‘teoria da substância’, o Sr. Dühring traduz por ‘propriedades lógicas do ser’.”

Quando, pois, o Sr. Dühring diz de si próprio: ‘nós, que não filosofamos de uma gaiola para fora’, ele quer dizer, sem dúvida, que filosofa dentro da gaiola

PARTE I. FILOSOFIA. FILOSOFIA DA NATUREZA. CAPÍTULO V. O TEMPO E O ESPAÇO

Essas proposições são literalmente copiadas de um livro bastante conhecido que apareceu, pela 1ª vez, em 1781 e que se intitula Crítica da Razão Pura” “Portanto, ao Sr. Dühring cabe unicamente a glória de ter batizado uma idéia de Kant com o nome de ‘lei do número determinado’ e de ter descoberto a existência de um tempo onde ainda não existia tempo, mas sim apenas o mundo. Quanto ao resto, isto é, quanto àquilo que, na análise do Sr. Dühring, tem algum sentido, ao subentender ‘nós’, na expressão ‘Encontramos’, quer se referir a Immanuel Kant; a atualidade das descobertas do Sr. Dühring tem apenas 95 anos.” HAHAHAHAHAA!

Mas acontece que Kant não considera, de modo algum, a tese acima como provada por sua demonstração. Ao contrário, na página seguinte sustenta e prova que o mundo não tem começo no tempo nem limite no espaço e justamente nisso é que reside a antinomia, a contradição irredutível, segundo a qual podemos provar tanto uma tese como a sua contrária.”

A série infinita adaptada ao mundo espacial é uma linha tirada em direção ao infinito, a partir de um ponto determinado, numa direção determinada. Isso exprime, mesmo remotamente, a infinidade do espaço? Pelo contrário: bastam 3 linhas tiradas a partir desse ponto único, em 6 direções opostas, para circunscrever as direções do espaço e teríamos assim 6 dimensões. Kant o compreendeu tão bem que não foi senão indiretamente, por um rodeio, que ele transportou a sua série numérica para o mundo espacial. O Sr. Dühring, pelo contrário, força-nos a admitir 6 dimensões no espaço e, logo depois, esquecendo-se do que afirmou, não encontra palavras para exprimir a sua indignação contra o misticismo matemático de Gauss que não queria contentar-se com as 3 tradicionais dimensões do espaço!” “A supressão da contradição seria o fim da infinidade. Hegel já o havia visto muito bem e é por isso que trata aos que se dedicam a fantasiar sobre essa contradição com um merecido desprezo.” Esse trecho não resta claro.

Esse Deus e esse Além, que o Sr. Dühring pretendia haver eliminado tão galhardamente de sua ‘esquemática do universo’, ele próprio os reintroduz, reforçados e aprofundados, em sua filosofia da natureza.”

PARTE I. FILOSOFIA. FILOSOFIA DA NATUREZA. CAPÍTULO VI. COSMOLOGIA, FÍSICA, QUÍMICA

A teoria sobre a gênese dos mundos atuais, pela rotação das massas nebulosas, foi o maior progresso que a astronomia fez desde Copérnico. Pela primeira vez abalou-se a idéia de que a natureza não teria história no tempo. Até então, acreditava-se, os corpos celestes se moviam, constantemente, desde a sua origem, nas mesmas órbitas invariáveis; e se bem fosse admitido que sobre cada um dos corpos celestes os seres orgânicos individuais pereciam, entendia-se que essa morte não afetava em nada às espécies e aos gêneros. A natureza estava, de fato, visivelmente empenhada num movimento perpétuo: mas esse movimento parecia não ser mais que a repetição incessante dos mesmos fenômenos. Nessa concepção, que correspondia inteiramente ao método filosófico metafísico, Kant abriu a primeira brecha, e isso de maneira tão científica que a maior parte dos argumentos empregados por ele tem, ainda hoje, um grande valor. É certo que a teoria de Kant não é, ainda agora, rigorosamente mais que uma hipótese. Mas o sistema cosmológico do próprio Copérnico não conseguiu ser senão uma hipótese, até hoje; e, depois que as investigações espectroscópicas, derrubando todos os argumentos contrários, apresentaram a prova evidente de que existem tais massas gasosas ígneas no firmamento, a oposição científica à teoria de Kant foi reduzida ao silêncio. O Sr. Dühring não pode, igualmente, construir o seu mundo, sem apelar para um estado de nebulosidade precedente, mas ele vinga-se exigindo que lhe demonstrem o sistema mecânico dessa nebulosa e, como não pôde ser atendido, investe contra essa demonstração com toda a espécie de epítetos desdenhosos.”

Observemos, de passagem, que, na ciência da natureza, a massa de névoa de Kant, que é designada atualmente pelo nome de nebulosa primitiva, não deve ser tomada, como é fácil compreender, senão num sentido relativo. Quando dizemos que ela é nebulosa primitiva, por um lado, queremos dizer que nela está a origem dos corpos celestes existentes e que ela é, por outro lado, a mais antiga forma de matéria a que podemos, até agora, remontar. O que absolutamente não exclui, mas, pelo contrário, supõe que a matéria tenha atravessado, antes da nebulosa primitiva, uma série infinita de outras formas.”

A unidade de matéria e força mecânica, à qual damos o nome de meio universal, é uma fórmula por assim dizer lógico-real, da qual nos valemos para designar o estado da matéria idêntico a si próprio, como fase prévia de todas as etapas da evolução que possamos estabelecer.”

fórmula lógico-real não é senão uma fraca tentativa de utilizar, na ‘filosofia da realidade’, as categorias hegelianas do em-si (Ansich) e para-si (Fürsich). Na primeira categoria reside, para Hegel, a identidade primitiva das antíteses ainda latentes e embrionárias, ocultas numa coisa, num fenômeno, num conceito; na segunda, manifestam-se a diferenciação e a separação desses elementos ocultos e começa o seu conflito.”

Nunca, em parte alguma, existiu, nem pode existir, matéria sem movimento. Movimento no espaço absoluto, [vácuo?] movimento mecânico de pequenas massas em qualquer dos mundos existentes, vibrações moleculares sob a forma de calor, de corrente elétrica ou magnética, de análise e síntese químicas, vida orgânica: em qualquer uma dessas formas de movimento, ou em várias ao mesmo tempo, é que se encontra, no mundo, cada átomo de matéria, em cada instante determinado.” “O movimento não pode, por conseqüência, ser criado ou destruído, como também não pode ser a própria matéria, e é a isso que a antiga filosofia (Descartes) se refere quando afirma que a quantidade de movimento existente no mundo é sempre a mesma.”

restaria ainda a dificuldade de se saber, em primeiro lugar, como o mundo foi carregado de forças, visto que nem hoje os fuzis se carregam por si próprios. Em segundo lugar, era preciso saber qual foi o dedo que apertou o gatilho. Por mais que mudemos a direção, por voltas e voltas, pelos ensinamentos do Sr. Dühring, chegamos sempre ao dedo… da Providência.”

Essa explicação é naturalmente uma hipótese, como, aliás, toda a teoria mecânica do calor, pois que ninguém, até agora, viu uma molécula e, muito menos, uma molécula vibrátil. Esta hipótese está cheia de defeitos como, aliás, toda a teoria térmica que é ainda bastante nova; mas pode, pelo menos, explicar os fenômenos sem entrar em contradição com a lei segundo a qual o movimento não se perde, nem se cria, ao mesmo tempo em que é capaz de explicar, com clareza, a existência do calor no curso de suas metamorfoses. O calor latente ou retidão não é, de maneira alguma, um impulso para a teoria mecânica do calor. Pelo contrário, essa teoria dá, pela primeira vez, uma explicação racional dos fenômenos e torna-se estranho que os físicos continuem a dar ao calor, transformado numa outra forma de energia molecular, o qualificativo antiquado e impróprio de ‘calor retido’.” “Quanto mais avançamos na filosofia da natureza do Sr. Dühring, mais nos parecem inconcebíveis e inconsistentes todas as tentativas de explicar o movimento pela imobilidade ou de encontrar a ponte pela qual o que está em repouso e é puramente estático poderia por si mesmo passar ao dinâmico, ao movimento.”

Volta a se dar aqui a mesma história que acima se deu com Kant: o Sr. Dühring arranja não importa que velha banalidade arqui-conhecida, cola sobre ela uma etiqueta de Dühring e chama as coisas de ‘resultado e concepções essencialmente originais … idéias criadoras de sistema … ciência radical …’

uma coisa há que o Sr. Dühring pode afirmar com segurança: ‘O ouro existente no universo existiu necessariamente sempre na mesma quantidade e não pode, assim como a própria matéria universal, aumentar ou diminuir’. Mas o que podemos comprar com esse ‘ouro’, o Sr. Dühring infelizmente não nos diz.”

PARTE I. FILOSOFIA. FILOSOFIA DA NATUREZA. CAPÍTULO VII. O MUNDO ORGÂNICO

No interior da órbita da vida, os saltos tornam-se cada vez mais raros e imperceptíveis. Desse modo é Hegel, mais uma vez, quem deve corrigir o Sr. Dühring.” “Para qualquer lado que volvamos os olhos, encontramos, nas afirmações do Sr. Dühring, grosserias hegelianas que ele põe sem nenhum constrangimento a serviço de sua ciência radical.”

O próprio Sr. Dühring, que, à menor tendência ‘espiritista’ em outrem, explode numa indignação moral sem limites, afirma-nos com certeza que ‘as sensações instintivas foram criadas, em primeiro lugar, graças à satisfação que está ligada a seu funcionamento’.”

Ora, Darwin não sonhou sequer em dizer que a origem da idéia da luta pela existência era a teoria de Malthus. O que ele diz é que a sua teoria da luta pela existência é a teoria de Malthus aplicada a todo o mundo vegetal e animalPor maior que fosse o deslize cometido por Darwin de aceitar, na sua ingenuidade, a teoria malthusiana, vê-se logo, a um primeiro exame, que, para se perceber a luta pela existência na natureza – que aparece na contradição entre a multidão inumerável de germes engendrados pela natureza, em sua prodigalidade, e o pequeno número desses germes que podem chegar à maturidade, contradição que, de fato, se resolve em grande parte numa luta – às vezes extremamente cruel – pela existência, não há necessidade das lunetas de Malthus. E, assim como a lei que rege o salário conservou o seu valor muito tempo depois de estarem caducos os argumentos malthusianos sobre os quais Ricardo a baseava – a luta pela existência pode igualmente ter lugar na natureza sem nenhuma interpretação malthusiana.”

“‘Se se tivesse procurado, no esquematismo interno da procriaçãoqualquer princípio de modificação substantiva, teria sido muito racional, porquanto é uma idéia bastante natural a de harmonizar o princípio da gênese geral com o da reprodução sexual, e a de conceber, de um ponto de vista superior, o que se chama de geração espontânea, não como o contrário da reprodução, mas precisamente como um caso de produção.’ E o homem que pôde redigir semelhante tolice não hesita em censurar Hegel pela sua ‘gíria’.”

Não temos, contudo, o direito de esquecer que, ao tempo de Lamarck, a ciência estava muito longe de dispor de materiais suficientes para poder resolver a questão da origem das espécies a não ser como uma antecipação a sua época, ou, por assim dizer, de uma maneira profética. Sem contar a massa enorme de materiais de zoologia e de botânica, anatômicos e descritivos, que foram reunidos a partir dessa época, surgiram depois de Lamarck 2 ciências inteiramente novas e de importância decisiva neste terreno, que estudam – uma a evolução dos germes vegetais e animais (embriologia) – e outra os vestígios orgânicos conservados nas diversas camadas da crosta terrestre (paleontologia).¹ Com efeito, descobriu-se que existe uma coincidência entre a evolução gradativa, segundo a qual os germes orgânicos se tornam organismos adultos, e a série cronológica das plantas e animais que aparecem sucessivamente na história da terra. E foi precisamente essa coincidência que deu à teoria da evolução a sua base mais sólida. Mas a teoria da evolução é ainda bastante nova e, por conseqüência, está fora de qualquer dúvida que as pesquisas ulteriores devem modificar notavelmente as idéias atuais, inclusive as que são estritamente darwinistas, sobre o processo da evolução das espécies.”

¹ Como repara o leitor de Origem das Espécies, Darwin até superestima a importância de achados paleontológicos.

Finalmente, ele nos adverte contra o abuso das palavras metamorfose e evolução. Segundo ele, a idéia de metamorfose é um conceito vago e a idéia da evolução só pôde ser admitida na medida em que se pôde verdadeiramente provar a existência das leis que a regem. E aconselha-nos a substituir ambas as palavras pelo termo ‘composição’ e então tudo irá bem. É sempre a mesma história: as coisas continuam como são e o Sr. Dühring mostra-se todo satisfeito se lhes mudamos o nome.

Faremos uma grande confusão se falarmos na evolução do pinto dentro do ovo, porque não conhecemos a ciência das leis que regem esse processo. Para esclarecer, devemos substituir, apenas, a palavra ‘evolução’ pela palavra ‘composição’. Não diremos mais: ‘essa criança desenvolve-se magnificamente’, mas sim, ‘essa criança compõe-se esplendidamente’. E podemos felicitar o Sr. Dühring pelo fato de, não contente com enfileirar-se dignamente ao lado do autor do Anel dos Niebelung, no que se refere ao alto conceito que tem de si mesmo, ainda não lhe fica atrás como ‘compositor’ do futuro.” HAHAHAHAHAHAHA!

PARTE I. FILOSOFIA. FILOSOFIA DA NATUREZA. CAPÍTULO VIII. O MUNDO ORGÂNICO (CONCLUSÃO)

Não existe átomo, como se sabe, para a gravitação ou qualquer outra forma dinâmica, mecânica, ou física, mas somente para a ação química.”

O núcleo celular estrangula-se primeiramente em seu centro; o estrangulamento que separa os 2 lóbulos do núcleo torna-se cada vez mais acentuado; por fim, separam-se e formam 2 núcleos celulares independentes. O mesmo processo que se dá com os núcleos estende-se à célula: cada um dos 2 núcleos torna-se o centro de um agregado de matéria celular: os agregados são ligados por um fio cada vez mais delgado até que se separam, passando a viver como 2 células independentes. É pela repetição de tais desdobramentos que a bolha germinal do ovo animal, depois que se processa a fecundação, engendra, pouco a pouco, todo o novo organismo”

Como vemos, o Sr. Dühring, no seu exemplo de caracterizar a vida, ‘no sentido estrito e rigoroso do termo’, apresenta 4 critérios inteiramente contraditórios de vida, que se excluem uns aos outros, sendo que condena à morte não só todo o reino vegetal, mas ainda cerca de metade do reino animal.”

Portanto, o característico de todos os seres animais é o de serem capazes de ter sensações, isto é, terem percepções subjetivamente conscientes dos estados pelos quais atravessam. A verdadeira linha divisória entre a planta e o animal está ali onde se realiza o salto para a sensação. E esse limite é tão claro e resiste tanto a deixar-se apagar pelas conhecidas formas intermediárias que, justamente essas formações exteriormente indistintas ou indetermináveis são as que se convertem numa necessidade lógica.”

Primeira, advertiremos que já Hegel dizia (Filosofia da Natureza, pág. 351, nota diferencial) que ‘a sensação é a differentia specifica, a característica absoluta do animal’.”

Em segundo lugar, ouvimos falar, pela primeira vez, de formações intermediárias exteriormente indistintas ou indeterminadas (delicioso patuá) entre o reino animal e o vegetal. (…) E tudo isso sugere ao Sr. Dühring a necessidade lógica de fixar uma característica diferencial que, ao mesmo tempo, afirma ser insustentável.”

Em terceiro lugar, temos mais uma ‘criação e livre imaginação’ do Sr. Dühring ao afirmar que a sensação está sempre, psicologicamente, ligada à existência de um sistema nervoso qualquer, ‘por mais simples que seja’. (…) Não é senão a partir dos vermes que o encontramos regularmente e o Sr. Dühring é o primeiro a afirmar que, nesses animais, a ausência de sensação provém do fato de não terem nervos.”

Deve-se admitir que o animal provém, por evolução, da planta? Semelhante pergunta só poderia ser feita por um homem que nada entende nem do que é um animal, nem do que é uma planta.”

A mudança de substâncias que se realiza por meio de uma esquematização plasticamente modeladora (pode-se saber o que é isso?) continua sendo um caráter distintivo do processo vital propriamente dito.’ É tudo o que nos ensina sobre a vida.”

Entende-se pela expressão corpos albuminóides, aqueles de que trata a química moderna, que compreende, sob esse nome, todos os corpos complexos, cuja composição é análoga à da albumina normal e que também têm, às vezes, o nome de substâncias protéicas ou proteínas. Essa definição de vida não agrada aos homens, pois a albumina normal é, de todas as substâncias afins, a mais inanimada, a mais passiva, sendo, como a gema do ovo, uma simples substância nutritiva para o germe em gestação. Mas enquanto não nos adiantarmos mais na composição química dos corpos albuminóides, essa denominação será ainda a melhor, por ser a mais geral de todas.” “As definições têm sempre um valor científico muito precário. Para se ter um conhecimento verdadeiramente completo do que é a vida seria preciso relacionar todas as formas em que ela se manifesta, desde a inferior até a superior. Mas, para uso corrente, tais definições são bastante cômodas, havendo casos em que não se pode dispensá-las.”

E, assim, o universo cósmico subjetivo não é mais estranho para nós que o universo objetivo. A constituição desses 2 reinos deve ser concebida segundo um tipo harmônico; temos assim os elementos iniciais de uma teoria da consciência cujo alcance é mais do que terrestre.”

Passemos adiante!”

PARTE I. FILOSOFIA MORAL E DIREITO. CAPÍTULO IX. VERDADES ETERNAS

Abstemo-nos de dar algumas amostras do guisado de tolices e sentenças oraculares, ou seja, do simples charlatanismo que o Sr. Dühring serve a seus leitores em 50 páginas como sendo a ciência radical dos elementos da consciência. Não citaremos senão esta: ‘Quem não é capaz de pensar senão com a ajuda da linguagem não tem a menor idéia do que significa pensamento original e verdadeiro’. Segundo essa afirmativa, os animais são os pensadores mais originais e mais verdadeiros, pois o seu pensamento jamais é perturbado pela intromissão da linguagem. A dizer verdade, vê-se bem nos pensamentos dühringuianos e na linguagem que os exprime, quanto eles se adaptam mal a uma linguagem qualquer, e, por outro lado, como a linguagem, pelo menos a alemã, se ajusta com dificuldade a esses pensamentos.”

4 capítulos depois (da obra do Sr. Dühring, isto é)…

Mas, por outro lado, será sempre uma concepção própria à ampliação benfazeja dos nossos horizontes, o representarmos a vida individual e social, em outros astros, como baseada, necessariamente, na contextura fundamental e geral de um esquema que … não pode ser suprimido nem cancelado por nenhum ser que atue de modo inteligente.”

Já, por si mesma, a dúvida permanente é um estado doentio de fraqueza e não faz senão manifestar um desolado confusionismo que às vezes procura dar-se a aparência de alguma solidez, na consciência sistemática de sua nulidade. Em matéria de moral, a negação dos princípios universais apega-se às diversidades geográficas e históricas dos costumes e dos princípios morais; e, confessando-se a necessidade inevitável do mal e do perverso em moral, acredita-se livre da obrigação de reconhecer a comprovada vigência e a ação eficaz de padrões morais coincidentes[!!!] Esse ceticismo dissolvente, que se exerce não contra tal ou qual falso ensinamento objetivo, mas contra a própria capacidade que tem o homem de obedecer a uma moralidade consciente, atinge mesmo alguma coisa pior que o puro niilismo. [!!!] … Ele tem a ilusão de, facilmente, poder governar o seu tumultuoso caos de noções morais desagregadas e de poder abrir as portas ao Capricho destituído de princípios. Mas seu erro é imenso, pois é suficiente que se recordem as aventuras inevitáveis da razão na verdade e no erro. para que se reconheça, revelada por essa analogia, que a falibilidade das leis naturais não exclui necessariamente a possibilidade de saber encontrar o caminho exato.”

E quando digo conhecimento humano, não é que tenha qualquer intenção de ofender aos habitantes dos outros astros, que não tenho a honra de conhecer; mas é que os animais também têm um conhecimento, embora não seja nunca soberano; o cão, por exemplo, terá o seu dono por um Deus, o que não impede que esse Senhor seja o maior canalha do mundo.”

O OTIMISMO DE ENGELS: “Assim, pois, quando eu digo que esse pensamento de todos os homens, inclusive os vindouros, sintetizado no meu espírito, é soberano, capaz de conhecer, de modo absoluto, o mundo real, desde que a humanidade subsista o tempo necessário para isso e que não se produza, nem nos órgãos nem nos objetos do conhecimento, modificação capaz de limitar esse conhecimento, estarei dizendo uma coisa banal e, além disso, estéril. Porque o resultado mais precioso dessa idéia seria tornarmo-nos extremamente desconfiados quanto aos nossos conhecimentos atuais, posto que estamos, segundo toda a probabilidade, ainda quase no início da história da humanidade, tendo as gerações que nos corrigirão de ser seguramente muito mais numerosas que aquelas cujos conhecimentos – não poucas vezes com um olímpico desprezo – somos capazes de corrigir.”

Nesse sentido, podemos dizer que o pensamento humano é ao mesmo tempo soberano e não-soberano e a sua capacidade cognoscitiva é ao mesmo tempo limitada e absoluta. Soberano e absoluto quanto à sua capacidade, sua vocação, suas possibilidades, sua meta histórica final: não-soberano e limitado, quanto à sua aplicação concreta e à realidade de cada caso particular.”

Ao introduzir as grandezas variáveis e ao estender a sua variabilidade até o infinitamente grande e o infinitamente pequeno, as puritanas matemáticas cometeram o pecado original, morderam a maçã do bem e do mal, que lhes abriu um caminho de grandes triunfos, mas também de grandes erros.” “Mas é ainda pior o que se dá com a astronomia e a mecânica, sem falarmos da física e da química: nelas, o cientista move-se dentro de um turbilhão de hipóteses que o assaltam, de todos os lados, como um enxame de abelhas.”

átomos (…) e se a interferência das ondas luminosas não é uma fábula, não há a menor esperança de que possamos algum dia chegar a ver esses tão interessantes objetos com os nossos próprios olhos.”

Incomparavelmente mais difícil é o terreno em que pisamos em geologia, ciência que estuda, por sua própria natureza, e em primeiro lugar, fenômenos que não só não assistimos, como também não foram assistidos por nenhum outro homem, em época alguma. Aqui, a procura de verdades definitivas inapeláveis é extraordinariamente penosa, e de rendimento escassíssimo, além do mais.”

A segunda categoria de ciências é a das que têm a seu cargo a investigação dos fenômenos que ocorrem nos organismos vivos.” “Pense-se na imensa sucessão de fases intermediárias que foi preciso percorrer-se, desde Galeno até Malpighi, para tornar clara uma coisa tão simples como a circulação do sangue nos mamíferos” “De vez em quando, e com muita freqüência, aparece uma descoberta, como esta da célula, que nos obriga a submeter a uma total revisão as noções que considerávamos verdades definitivas e inapeláveis no campo da biologia e a deixar de lado, para sempre, inúmeras delas.”

Mas as verdades eternas saem perdendo ainda mais no 3º grupo de ciências, as ciências históricas, aquelas que investigam, na sua sucessão histórica e nos seus resultados atuais, as condições de vida dos homens, as relações sociais, as formas do Direito e do Estado, com as suas superestruturas ideal, filosófica, religiosa, artística, etc.”

As espécies animais e vegetais continuam sendo, de modo geral, as mesmas do tempo de Aristóteles. O mesmo não acontece na história da sociedade, na qual as repetições de situações, desde que ultrapassamos a pré-história da humanidade, a chamada Idade da Pedra, são a exceção e não a regra.”

Ainda mais: quando conseguimos conhecer, uma vez ou outra, a íntima ligação que existe entre as modalidades de vida, sociais e políticas, de uma época, isso acontece, em regra geral, quando essas formas estão já semi-decadentes e caminham para a morte.”

Entretanto, é notável que seja este precisamente o campo em que, com maior freqüência, deparamos com pretensas verdades eternas, verdades definitivas e inapeláveis, etc. Considerar verdades eternas que 2 + 2 = 4, que os pássaros têm bico, e outras coisas deste gênero, não mais pode ocorrer a quem abrigue a secreta intenção de estabelecer o princípio das verdades eternas de modo geral, para deste princípio extrair deduções sobre a existência, também no campo da história humana, de verdades eternas, como sejam, uma moral eterna, uma justiça eterna, etc., com os mesmos títulos de legitimidade e o mesmo alcance que as verdades matemáticas e as aplicações dessas verdades.” “Centenas e milhares de vezes tais coisas já se passaram, de tal modo que se tem que ficar assombrado, de que haja ainda homens que sejam bastante ingênuos para acreditar, já não digo nas plataformas dos outros, mas nas suas próprias.”

Sabemos já que a negação, ou, mais ainda, a simples dúvida a respeito das verdades eternas, é um ‘estado de debilidade doentia’, um ‘desesperado confusionismo’, uma ‘nulidade’, um ‘nada’‘ceticismo desagregador’‘ainda pior que o simples niilismo’, um ‘caos de confusão’, e não sei quantas outras delicadezas do mesmo gênero. Já se sabe que os profetas não precisam molestar-se em realizar investigações críticas e científicas, pois lhes basta fulminar-nos com seus raios morais.”

e, como sabemos, todos os livros que se escreveram ou que continuam sendo preparados sobre lógica demonstram completamente que também neste campo não abundam, como muitos acreditam, as verdades eternas e inapeláveis.”

Tomemos, como exemplo, a conhecida lei de Boyle, segundo a qual, permanecendo invariável a temperatura, varia o volume dos gases na razão inversa da pressão a que estão submetidos. Regnault descobriu que esta lei não era aplicável a certos casos. Se tivesse sido um ‘filósofo da realidade’, deveria ter dito: a lei de Boyle é mutável; não é, portanto, uma autêntica verdade, ou seja, não é uma verdade, mas sim um erro. Mas com isso teria cometido um erro muito maior que o existente na citada lei; a rocha granítica de sua verdade teria desaparecido como se fosse um torrão de areia na imensidade de seu erro; teria convertido o seu resultado originariamente exato num erro tal que, comparada com ele, a lei de Boyle, apesar da poeira de erros a ela aderida, resplandeceria como uma grande verdade. Mas Regnault, como cientista que de fato era, não se deixou levar por semelhantes puerilidades, tendo continuado a pesquisar, até descobrir que a lei de Boyle era apenas aproximadamente certa e que deixava de sê-lo, sobretudo na presença de gases que, quando submetidos à pressão, se tornavam fluidos, ou, mais concretamente, a lei deixava de ser certa a partir do momento em que a pressão se aproximava do ponto de fluidez. A lei de Boyle só se mantinha exata dentro de certos limites. Mas, dentro destes limites, era absoluta, definitivamente verdadeira? Nenhum físico se atreverá a afirmar semelhante coisa. Responderá unicamente que esta lei é efetiva e exata dentro de certos limites de pressão e temperatura e para determinados gases; e mesmo dentro destes limites admitirá a possibilidade de que o seu campo de aplicação se restrinja mais ainda ou que a sua fórmula se modifique como resultado de posteriores investigações.

(*) [Nota de Engels] Posteriormente à data em que escrevi o trecho acima, parece ter-se confirmado essa hipótese. Segundo as últimas pesquisas feitas por Mendelelef e Bogusky, com aparelhos de maior precisão, todos os verdadeiros gases revelaram relações variáveis entre pressão e volume; o coeficiente de expansão do hidrogênio tinha sido positivo, em todas as pressões aplicadas até então (diminuía o volume com maior lentidão conforme aumentava a pressão); no ar da atmosfera e em todos os demais gases investigados, foi descoberto um ponto morto de pressão, de tal modo que, nos casos de pequena pressão, aquele coeficiente era positivo, convertendo-se em negativo com o aumento de pressão. Assim, a lei de Boyle, embora utilizável ainda, praticamente, precisará ser completada, de acordo com os resultados das pesquisas, por toda uma série de leis especiais. (Atualmente – 1885 – já sabemos, além disso, que não existem, de modo algum, ‘verdadeiros’ gases, pois que todos podem ser reduzidos ao estado fluido).”

As idéias do bem e do mal variaram tanto de povo para povo, de geração para geração, que, não poucas vezes, chegam a se contradizer abertamente.” “Que espécie de moral nos pregam hoje? Temos, em primeiro lugar, a moral cristã-feudal, que nos legaram os velhos tempos da fé e que se divide, fundamentalmente, numa moral católica e numa moral protestante, com toda uma série de variações e subdivisões que vão desde a moral católica dos jesuítas e a moral ortodoxa dos protestantes, até uma moral de certo modo liberal e tolerante. E, ao lado dessas, temos a moderna moral burguesa e, ao lado da moral burguesa moderna, a moral proletária do futuro.”

AH, ENGELS! “Que esta evolução se processa sempre, em largos traços, da mesma forma no campo da moral como no dos demais ramos do conhecimento humano e sempre num sentido de progresso, é o que nos parece indubitável.”

o fato de que o tipo de gato, que é encontrado nessa espécie animal com a falsidade que o caracteriza, pode ser comparado com a contextura de certos caracteres humanos, colocados, assim, no mesmo plano que esses bichos … O mal não é, pois, nada misterioso, a menos que se queira farejar alguma coisa de místico na existência do gato ou na dos felinos em geral.”

Goethe cometeu um erro imperdoável quando, em seu Fausto, apresentou Mefistófoles na forma de um cão negro, em vez de dar-lhe a figura de um gato.”

PARTE I. FILOSOFIA MORAL E DIREITO. CAPÍTULO X. A IGUALDADE

Esses 2 homens de encomenda são patrimônios de todo o século XVIII. Já os conhecemos em 1754 no Discurso sobre a desigualdade do homem, de J.J. Rousseau, onde – seja dito entre parênteses – se demonstra, também ‘axiomaticamente’, o contrário do que o Sr. Dühring afirma. Tornamos a nos encontrar com eles, desempenhando um papel de relevo, na economia política, desde Adam Smith até Ricardo, embora já não sejam, nesse assunto, completamente iguais, pois que exercem ofícios diferentes – geralmente os de caçador e pescador – e trocam entre si os seus produtos. Mas o século XVIII se utiliza, de um modo quase exclusivo, desses personagens, a título de ilustração e exemplo; a originalidade do Sr. Dühring consiste em tornar esse método puramente ilustrativo como método fundamental aplicável a toda a ciência da sociedade e como critério para o estudo de todas as manifestações históricas.”

aceitação voluntária da servidão é encontrada em toda a Idade Média e, na Alemanha, chega mesmo até a Guerra dos 30 Anos. Quando, na Prússia, depois das derrotas de 1806 e 1807, foi abolida a servidão e com ela a obrigação imposta ao nobre feudal de zelar pelos seus súditos, em casos de miséria, enfermidade ou velhice, dirigiram-se os camponeses ao rei para suplicar que os deixasse continuar como servos, pois, de outro modo, quem iria cuidar deles e ampará-los na miséria?”

Mas deixemos por um momento este assunto e suponhamos que nos tenha convencido a axiomática do Sr. Dühring e que estejamos verdadeiramente entusiasmados com a absoluta equiparação das 2 vontades, com a ‘soberania humana geral’, com a ‘soberania do indivíduo’, verdadeiras expressões maravilhosas ao lado das quais ‘Único’, de Max Stirner, com todas as suas propriedades, fica obscurecido, embora também a ele seja devida uma parte modesta da criação.”

Ali, onde homem e animal formam uma só pessoa, pode-se perguntar, em nome de uma 2ª pessoa completamente humana, se a sua conduta pode, neste caso, ser a mesma que teria sido frente a pessoas exclusivamente humanas, digamos assim … Começamos por supor 2 pessoas moralmente desiguais, uma das quais tem, de certo modo, um pouco do caráter das bestas, e, dessa forma, criamos um esquema fundamental aplicável a todas as relações que podem, de acordo com essa diferença, ser encontradas … entre os grupos humanos e dentro deles.”

procure entender o atormentado libelo que o Sr. Dühring apresenta (…) dá voltas e mais voltas, deslizando por sendas tortuosas, como um jesuíta”

Assim, a igualdade também termina ali onde 2 pessoas são ‘moralmente desiguais’. Então, para que esse esforço todo no sentido de reunir 2 seres humanos absolutamente idênticos, se sabemos que não existem 2 pessoas que sejam moralmente iguais? Pois é o Sr. Dühring quem nos diz que a desigualdade consiste em que uma delas é pessoa humana, enquanto que a outra tem dentro de si uma qualquer coisa de besta.” “A classificação dos homens em 2 bandos nitidamente distintos e separados, o dos humanos e os dos bestiais, os bons e os maus, os cordeiros e os lobos, somente pode ser admitida pela filosofia da realidade e pelo cristianismo, com a diferença de que este é mais conseqüente, pois cria um juiz universal, que tem a seu cargo a tarefa da classificação de cada indivíduo num dos 2 grupos.”

Quando, no verão de 1873, o general Kauffmann caiu, como um vendaval, sobre a tribo tártara dos jomudas, incendiou suas tendas, massacrou, ‘à boa maneira caucasiana’, como rezava a ordem, as mulheres e as crianças, invocava ele também a necessidade inevitável de submeter a vontade ‘desviada e hostil’ daqueles selvagens, para reduzi-los aos ‘vínculos coletivos’, afirmando que os meios postos em prática por ele eram os mais eficazes para conseguir tal coisa; e já se sabe, além do mais, que os fins justificam os meios. O que verificamos é que o general conquistador era um pouco menos cruel, pois não lhe ocorria, além de tudo, rir-se dos jomudas, enganando-os com a fábula de que, ao exterminá-los, como ‘compensação’, não fazia mais que render homenagem à sua própria vontade, acatando-a como ‘igualmente legítima’. Neste conflito, os eleitos são ainda, em última instância, os filósofos da realidade, que dizem agir de conformidade com a verdade e a ciência, e que portanto são chamados a definir o que quer dizer a superstição, o preconceito, a brutalidade, o que são as tendências malignas do caráter e quando é que devem ser indicadas a dominação e a força como meios de compensação.”

No fato de ver implícito na pena um direito próprio do criminoso é que se reconhece e se honra a este como um ser racional (Hegel, Filosofia do Direito, § 100, nota).”

Não precisamos ver como, pouco a pouco, vai o Sr. Dühring navegando para as águas tranqüilas da construção de seu Estado socialitário do futuro, no qual teremos oportunidade, numa manhã de bom tempo, de fazer-lhe uma visita. Basta-nos o que foi dito atrás para compreender que a completa igualdade entre as 2 vontades fica liquidada desde o momento e no ponto exato em que qualquer uma delas chegue a desejar alguma coisa. Compreendemos, desse modo, que, desde o momento em que deixam de ser vontades humanas como tais e passam a ser vontades reais, individuais, acabou-se a igualdade das vontades de 2 homens reais e concretos. Compreendemos que a infância, a loucura, o que ele chama de bestialidade, a suposta superstição, os preconceitos denunciados, a presumida incapacidade de um lado e o prurido de humanidade de outro, o domínio da verdade e das ciências, ou seja, que a mínima diferença do ponto de vista qualitativo entre as 2 vontades, ou no tocante à inteligência que as orienta, justificam uma desigualdade que pode chegar até a submissão. Para quê continuar, quando já o próprio Sr. Dühring pulveriza tão radicalmente, em seus próprios fundamentos, o seu edifício da igualdade?”

Foram precisos muitos milhares de anos e, de fato, passaram, antes que aquela idéia primitiva da igualdade relativa inspirasse, como um corolário, a idéia da igualdade dentro da sociedade e do Estado, e muito mais tempo seria preciso até que esta dedução se impusesse como algo evidente e natural.”

A invasão do ocidente da Europa pelos germanos varreu por vários séculos toda idéia de igualdade, levantando, pouco a pouco, uma hierarquia social e política tão complicada como até então não se conhecera; entretanto, ao mesmo tempo, a invasão germânica arrastava consigo, para o mesmo movimento histórico. todos os países do ocidente e do centro da Europa, criando, pela primeira vez, uma área compacta de cultura e sobre esta área erigindo, também pela 1ª vez na história, um sistema de Estados predominantemente nacionais, que se influenciavam e se contrapunham uns aos outros.”

Além disso, no bojo da Idade Média feudal, entrou em gestação a classe chamada a proclamar quando atingisse a idade madura, o postulado da igualdade humana moderna: a burguesia.” Esses artesãos são cheios de artes!

O comércio extra-europeu, que até então se realizava somente entre a Itália e os portos do Levante, torna-se extensivo agora à América e à Índia e logo ultrapassa em importância o intercâmbio entre muitos países europeus e mesmo o comércio interior destes países. O ouro e a prata da América inundaram a Europa e penetraram, como um ácido corrosivo, em todos os poros, fendas e vácuos da sociedade feudal.”

A passagem do artesanato para a manufatura pressupõe a existência de um certo número de operários livres – livres, de um lado, dos entraves gremiais e, de outro, donos dos meios de explorarem, por si próprios, a sua força de trabalho – capazes de estabelecer contrato com o fabricante, vendendo-lhe a sua força de trabalho, e que, portanto, sejam capazes de contratar de igual para igual.”

Por todas as partes se erguiam privilégios locais, barreiras alfandegárias para cada produto, leis de exceção de todo o gênero, prejudicando o comércio não só dos estrangeiros e dos habitantes das colônias, mas até, muitas vezes, de categorias inteiras dos próprios súditos do país; por todas as partes, inúmeros privilégios gremiais barravam-lhes o caminho e se antepunham ao desenvolvimento da manufatura.”

Embora proclamado este postulado da igualdade de direitos no interesse da indústria e do comércio, não havia mais remédio senão torná-lo extensivo também à grande massa de camponeses que, submetida a todas as nuanças de vassalagem, que chegava até a servidão completa, passava a maior parte de seu tempo trabalhando gratuitamente nos campos do nobre senhor feudal, além de ter de pagar a ele e ao Estado uma infinidade de tributos.” “E como a sociedade não vivia mais num império mundial como o romano, mas sim dividida numa rede de Estados independentes, que mantinham entre si relações de igualdade e tinham chegado a um grau quase burguês de desenvolvimento, era natural que aquelas tendências adquirissem um caráter geral, ultrapassando as fronteiras dos Estados, e era natural, portanto, que a liberdade e a igualdade fossem proclamadas direitos humanos. Para compreender o caráter especificamente burguês de tais direitos humanos, nada mais eloqüente que a Constituição norte-americana, a primeira em que são definidos os direitos do homem, na qual, ao mesmo tempo, se sanciona a escravidão dos negros, então vigente nos Estados Unidos, e se proscrevem os privilégios de classe, enquanto que os privilégios de raça são santificados.”

E ao movimento da igualdade burguesa acompanha, também, como a sombra ao corpo, o movimento da igualdade proletária.” “Os proletários colhem a burguesia pela palavra: é preciso que a igualdade exista não só na aparência, que não se circunscreva apenas à órbita do Estado, mas que tome corpo e realidade, fazendo-se extensiva à vida social e econômica. E, desde que a burguesia francesa, sobretudo depois da Grande Revolução, passou a considerar em primeiro plano a igualdade burguesa, o proletariado francês coloca, passo a passo, as suas próprias reivindicações, levantando o postulado da igualdade social e econômica, e, a partir dessa época, a igualdade se converte no grito de guerra do proletariado, e, muito especialmente, do proletariado francês.”

Este postulado da igualdade não é mais que uma explosão do instinto revolucionário e somente isso é que o justifica. Outras vezes, no entanto, nasce esse postulado como reação contra o postulado de igualdade da burguesia e tira dele muitas conseqüências avançadas, mais ou menos exatas, sendo utilizado como meio de agitação para levantar os operários contra os capitalistas, usando para isso frases tomadas dos próprios capitalistas e, considerado desse aspecto, se organiza e cai por terra esse postulado juntamente com essa mesma liberdade burguesa.” “abolição das classes”

Como vemos, a idéia da igualdade, tanto na sua forma burguesa como na proletária, é, por si mesma, um produto histórico que somente podia tomar corpo em virtude de determinadas condições históricas, as quais, por sua vez, tinham por trás de si um grande passado. Está longe, pois, de ser uma verdade eterna. E se alguma coisa é atualmente evidente para o grande público – num ou noutro sentido – se, como diz Marx – alguma coisa ‘possui já a completa estabilidade de um preconceito popular’, não há de ser devido à sua verdade axiomática, mas por ser resultado da difusão generalizada e da permanente atualidade das idéias do século XVIII. Portanto, se o Sr. Dühring pode se dar ao luxo de colocar os seus 2 homens a viver num plano de igualdade, isso se dá, pura e simplesmente, porque para o povo, devido a esse preconceito, parece essa igualdade ser a coisa mais natural do mundo. Não esqueçamos que o Sr. Dühring chama de filosofia natural à sua filosofia, por ser proveniente de toda uma série de coisas que parecem a ele naturalíssimas.”

PARTE I. FILOSOFIA MORAL E DIREITO. CAPÍTULO XI. LIBERDADE E NECESSIDADE

Comecei por dedicar-me ao estudo da jurisprudência e não só consagrei a ela os 3 anos usuais da preparação teórica universitária, como ainda mais 3 anos da prática judicial, ocupados por um constante estudo, principalmente destinado a aprofundar o seu conteúdo científico … Também enfrentaria seguramente a crítica das instituições de direito privado e suas correspondentes imperfeições jurídicas, com idêntico domínio da matéria, se não estivesse certo de conhecer todos os pontos fracos desta especialidade, da mesma forma que conhecia os seus pontos fortes.”

os estudos jurídicos primários do Sr. Marx, tão descuidados, segundo ele mesmo confessa”

Mas observemos de perto os conscienciosos estudos especializados e o profundo domínio da ciência, adquirido por nosso jurista, durante os 3 anos de prática judiciária.”

O Ministério Público, mergulhado no direito nacional prussiano, passou por alto, da mesma forma que o Sr. Dühring, a diferença essencial que distingue o preceito francês, concreto e preciso, da confusa imprecisão da norma prussiana, e, desse modo, pretendeu envolver Lassalle num processo tendencioso, tendo saído fragorosamente derrotado. Afirmar que o direito processual francês, assim como o prussiano, admite uma absolvição de instância, uma ‘meia-absolvição’, exige uma audácia que só se pode permitir em quem desconhece completamente o moderno direito francês. O direito francês admite apenas, com relação ao processo penal, uma absolvição ou uma condenação – não há meio termo.” “Não temos outro remédio senão concluir que o Sr. Dühring ignora, de modo absoluto, o único Código Civil moderno que se baseia nas conquistas sociais da Grande Revolução Francesa e que traduz estas conquistas para a linguagem jurídica: o moderno direito francês.” “o Sr. Dühring ignora completamente não apenas o único direito moderno, o direito francês, como demonstra mesmo idêntica incultura com respeito ao único direito germânico que se desenvolveu até os nossos dias, estendendo-se aos 4 cantos do mundo, fora de qualquer influência romana: o direito inglês.”

O que poderá significar o mundo de língua inglesa com o amálgama pueril de sua linguagem, ao lado de nosso vigoroso e antiquíssimo idioma?’ Basta-nos responder a isto com as palavras de Spinoza: ‘Ignorantia non est argumentum’.

Depois do que acabamos de expor, somos forçados a concluir que os conscienciosos estudos especializados do Sr. Dühring se reduziram a 3 anos de esforços teóricos consagrados ao Corpus Juris e outros 3 anos de preocupações práticas ao nobre Direito Nacional Prussiano. Estudos bastante meritórios, sem dúvida, e que são suficientes para um respeitabilíssimo juiz distrital ou para um senhor advogado prussiano. Mas quando se deseja criar uma filosofia do direito que seja válida para todos os mundos e todos os tempos, achamos que não seria demais acumular um pequeno conhecimento das instituições jurídicas de países como a França, a Inglaterra e os Estados Unidos da América, que representaram na História, e ainda representam, um papel bastante diferente que o direito desse recanto da Alemanha onde floresce o direito nacional prussiano.”

Também o anti-semitismo, tendo ou não importância e que é levado a extremos ridículos, merecendo o entusiasmo do Sr. Dühring, nos demonstra a mesma qualidade, se não especificamente prussiana, pelo menos característica de uma determinada região da Prússia: o Leste do Elba.”

O socialismo é a única força capaz de fazer frente a Estados de população com uma forte mescla judia.’ (Estados de mescla judia! Que linguagem!)”

o direito nacional prussiano, esse código ilustrado do despotismo patriarcal, escrito num alemão que se parece com o que aprendeu o Sr. Dühring, código que parece estar cheio da era pré-revolucionária, pelas suas glórias morais, pelo seu estilo vago e pela falta de consciência jurídica, bem como pelos açoites que adotava como meio de tortura e como pena.”

liberdade seria, pois, a linha média entre a razão e o instinto, entre a inteligência e a irreflexão; poder-se-ia determinar o grau de liberdade, em cada indivíduo, de modo empírico, por meio de uma ‘equação pessoal’, para dizê-lo em linguagem astronômica.”

Essa 2ª definição da idéia da liberdade, que se choca flagrantemente com a 1ª, não é mais do que uma fraca vulgarização da filosofia hegeliana. Foi Hegel o primeiro que soube expor de um modo exato as relações entre a liberdade e a necessidade.”

O livre arbítrio não é, portanto, de acordo com o que acabamos de dizer, senão a capacidade de decisão com conhecimento de causa. Assim, pois, quanto mais livre for o juízo de uma pessoa com relação a um determinado problema, tanto mais nítido será o caráter de necessidade determinado pelo conteúdo desse juízo; ao contrário, a falta de segurança que, baseada na ignorância, parece escolher, livremente, entre um mundo de possibilidades distintas e contraditórias, está demonstrando, desse modo, justamente a sua falta de liberdade, está assim demonstrando que se acha dominada pelo objeto que pretende dominar.”

O fogo, obtido dessa forma, foi que permitiu ao homem o domínio sobre uma força da natureza, emancipando-o definitivamente das limitações do mundo animal. máquina a vapor não poderá jamais representar um passo tão gigantesco na história do homem, por mais que apareça, ante nossos olhos, como a representação de todas essas gigantescas forças produtivas a ela incorporadas e sem as quais não seria possível instaurar um regime social livre de todas as diferenças de classe, no qual desapareçam as preocupações com relação aos meios de subsistência individual e se possa falar, pela primeira vez, de uma liberdade verdadeiramente humana, de uma vida em harmonia com as leis naturais que conhecemos.”

para essa filosofia, a história, focalizada concretamente, se divide em 2 grandes épocas, a saber: 1) do estado da matéria idêntica a si mesmo até a Revolução Francesa; e 2) da Revolução Francesa até o Sr. Dühring.” HAHAHAHA

Os poucos milênios a que se pode remontar a recordação histórica, por meio de documentos originais, para estabelecer a estrutura da humanidade até os nossos dias, não significam grande coisa, quando se pensa na série de milênios que ainda estão por vir … O gênero humano, considerado como um todo, é ainda muito jovem, e, quando chegar o dia em que as documentações científicas retrospectivas possam operar com dezenas de milhares e não apenas com milhares de anos, o caráter espiritualmente pueril e incipiente de nossas instituições ter-se-á imposto, indiscutivelmente, como sendo uma hipótese evidente sobre a nossa época, que será, então, considerada como a mais primitiva das antiguidades.”

É preciso que se seja um Richard Wagner filósofo – embora sem o mesmo talento – para não se compreender que todos os desprezos, que se costumam lançar sobre a história humana anterior aos nossos dias, acabam por se voltar, necessariamente, contra o próprio resultado final de suas investidas, a chamada filosofia da realidade.”

É preciso viver a vida, a vida íntegra. O Sr. Dühring nos proíbe apenas duas coisas: ‘a imundície e o uso do tabaco’ e as bebidas e alimentos que ‘provocam sensação de nojo ou contêm qualquer outra qualidade contrária às sensações delicadas’. Mas como, no seu curso de economia, o Sr. Dühring dedica uma série de ditirambos à destilação de aguardente, devemos por isso entender que a sua proibição não é extensiva a estas bebidas, mas somente ao vinho e à cerveja. Proíbe-nos, também, o uso da carne e essa proibição eleva a filosofia da realidade àquelas alturas em que se colocou, em seu tempo, com tanto êxito, Gustav Strouve: nas alturas da mais pura futilidade.”

PARTE I. FILOSOFIA DIALÉTICA. CAPÍTULO XII. QUANTIDADE E QUALIDADE

a contradição na realidade, a névoa que parece levantar-se dos pretendidos mistérios da lógica, demonstrando a inutilidade do incenso que se gastou, aqui e ali, em homenagem ao fetiche de barro da dialética da contradição, grosseiramente talhado e burilado na esquemática dos antagonismos do mundo.”

Na sua História Crítica, o Sr. Dühring focaliza, de um modo completamente diferente, a dialética da contradição e nela, principalmente, a doutrina de Hegel: ‘Na lógica hegeliana, ou melhor, na teoria do logos, o contraditório não reside no pensamento, que, por sua própria natureza, só pode ser representado como função subjetiva e consciente, mas que existe objetivamente e pode ser apalpado, digamos, de um modo corporal, nas coisas e nos próprios fenômenos; ou seja, o contra-senso não é de fato uma combinação impossível de pensamentos, mas sim uma potência real. A realidade do absurdo é o primeiro artigo de fé na unidade hegeliana da lógica e da falta de lógica … Quanto mais contraditório, mais verdadeiro, ou melhor, quanto mais absurdo, mais verossímil. Esta máxima, que nem sequer é nova, pois provém da teologia da revelação e da mística, é a expressão pura e simples do chamado principio dialético.’

Considerando-se o papel de suma importância que a chamada dialética da contradição tem desempenhado na filosofia, desde os gregos antigos até os filósofos atuais, mesmo um adversário um pouco mais forte do que o Sr. Dühring sentir-se-ia na obrigação de lançar contra ela argumentos que não fossem apenas uma afirmação e umas tantas injúrias.”

A inteligência que só sabe pensar metafisicamente não pode, de modo algum, passar da idéia do repouso à idéia do movimento, porque o obstáculo da contradição lhe barra o caminho. Para os que assim pensam, o movimento é, como contradição, alguma coisa de totalmente inconcebível.” “E, se o simples movimento mecânico, a simples mudança de um para outro lugar, contém uma contradição, suponha-se então a série de contradições que estarão contidas nas formas superiores de movimento da matéria, e, em particular, na vida orgânica e na sua evolução.” “ao cessar a contradição, cessa a vida e sobrevém a morte.”

Não há uma contradição no fato de que uma grandeza negativa não possa ser quadrado de nenhuma outra, embora toda grandeza negativa multiplicada por si mesma dê um quadrado positivo? A raiz quadrada de -1 é, pois, não somente uma contradição, mas simplesmente uma contradição absurda, um verdadeiro contra-senso. Entretanto, é, em muitos casos, o resultado necessário de uma operação matemática exata; onde estariam mesmo as matemáticas, tanto as elementares como as superiores, se lhes fosse proibido operar com a raiz quadrada de -1?”

Quando se tem conhecimento de como se reduziu a ‘teoria do ser’ de Hegel a esta vulgaridade de forças que se movimentam em direção determinada, mas não por um processo de contradições, o melhor que se tem a fazer é evitar cuidadosamente qualquer aplicação de um tal lugar comum. § Um outro pretexto em que se apoia o Sr. Dühring para dar vazão à sua cólera anti-dialética é O Capital de Marx.”

Embora já naquela época incorresse no deslize de confundir a dialética marxista com a hegeliana, não tinha ainda perdido por completo a capacidade de distinguir o método dos resultados conseguidos por meio dele, nem tampouco o dom de compreender que, para refutar de um modo concreto estes resultados, não basta lançar por terra, de um modo geral, o método.

Mas a verdadeira surpresa que nos tinha reservado o Sr. Dühring é a de que, do ponto de vista marxista, ‘em última análise tudo é uno’, ou seja, que, para Marx, por exemplo, capitalistas e operários assalariados, regimes de produção feudal, capitalista e socialista, ‘tudo é uno’ e acabamos, no fim de contas, por concluir que Marx e o Sr. Dühring são também uno e o mesmo. Para não cair em tal tolice e em semelhante simplismo, não temos mais que um caminho, que é o de supor que, pronunciando a palavra ‘dialética’, o Sr. Dühring se vê transportado automaticamente para um estado de irresponsabilidade, no qual, partindo de uma idéia de balbúrdia e confusão, acaba por achar que tudo é a mesma coisa, parecendo-lhe que é ‘um todo’ tudo quanto diz e faz.”

Faz com Marx exatamente a mesma coisa que com Darwin. Constrói um Marx imaginário, feito à medida de suas forças, para poder, logo depois, triunfar sobre ele.”

Assim, por exemplo, em O Capital de Marx, toda a seção 4a., dedicada ao estudo da produção da mais-valia relativa ao âmbito da corporação, da divisão do trabalho, e da manufatura, da maquinaria e da grande indústria, contém inúmeros casos de simples mudanças quantitativas que fazem transformar-se a qualidade e, de mudanças quantitativas que fazem com que se transforme a qualidade das coisas podendo-se dizer, portanto, para usar uma expressão que tanta indignação provoca no Sr. Dühring, que a quantidade se converte em qualidade e vice-versa. Temos, por exemplo, o fato de que a colaboração de muitas pessoas, a fusão de muitas forças numa só força total, cria, como diz Marx, uma ‘nova potência de forças’ que se diferencia, de modo essencial, da soma das forças individuais associadas.”

A teoria molecular, aplicada à química moderna e desenvolvida cientificamente pela primeira vez por Laurent e Gerhardt, descansa nesta mesma lei.”

M.

Trata-se das séries homólogas de combinações de carbono, muitas das quais já são conhecidas, cada uma delas tendo a sua própria forma algébrica sintética. Assim, pois, se, do mesmo modo que os químicos, chamarmos um átomo de carbono de C, um átomo de hidrogênio de H, um átomo de oxigênio de O e por n o número dos átomos de carbono encerrados em cada combinação, podemos expor as fórmulas moleculares de algumas dessas séries, do seguinte modo:

Série da parafina normal: CnH2n+2

Série de álcoois primários: CnH2n+20

Série dos ácidos graxos monobásicos: CnH2nO2

Se tomarmos como exemplo a última dessas séries e adotarmos, sucessivamente, n = 1, n = 2, n = 3, etc., teremos os seguintes resultados (deixando de pôr os isômeros):

ácido fórmico – CH2O2 – ponto de ebulição: 100° – ponto de fusão: 1°

ácido acético – C2H4O2 – ponto de ebulição: 118° – ponto de fusão: 17°

ácido propriônico – C3H6O2 – ponto de ebulição: 140° – ponto de fusão: —

ácido butírico – C4H8O2 – ponto de ebulição: 162° – ponto de fusão: —

ácido valeriânico – C5H10O2 – ponto de ebulição: 175° – ponto de fusão: –,

e assim sucessivamente, até chegar ao:

ácido melíssico (C30H60O2), que não se funde até os 80° e não tem ponto de ebulição pela simples razão de que esse ácido se decompõe ao se evaporar. Temos, pois, aqui, toda uma série de corpos qualitativamente distintos, formados pela simples adição quantitativa de elementos que são, além do mais, agregados sempre na mesma proporção. Esse fenômeno ainda se torna mais claro quando todos os elementos, que entram na composição, variam na mesma proporção e na mesma quantidade, como acontece com a série das parafinas normais (CnH2n+2). A primeira fórmula é o metano (CH4), que é um gás; a fórmula mais elevada que se conhece é o hecdecano (C16H34), corpo sólido formado por cristais incolores, que se funde a 21°, e que só atinge o seu ponto de ebulição a 278°. Em ambas as séries basta acrescentar CH2 ou seja, 1 átomo de carbono e 2 de hidrogênio, à fórmula molecular do membro anterior da série para que se tenha um corpo novo; donde se conclui que uma mudança puramente quantitativa da fórmula molecular faz surgir um corpo qualitativamente diferente.”

Napoleão descreve o combate travado entre a cavalaria francesa, cujos soldados eram pouco afeitos à equitação, mas que eram, no entanto, disciplinados, e os mamelucos, cuja cavalaria era a melhor do seu tempo para os combates individuais, mas que eram indisciplinados. Eis o que nos diz Napoleão: ‘Dois mamelucos sobrepujavam, indiscutivelmente, a 3 franceses; 100 mamelucos faziam frente a 100 franceses; 300 franceses venciam 300 mamelucos e 1000 franceses derrotavam, inevitavelmente, 1500 mamelucos’. Da mesma forma que, em Marx, a soma do valor de troca tinha que alcançar um limite mínimo determinado, embora variável, para se converter em capital, vemos que, na descrição napoleônica, o destacamento de cavalaria tem que alcançar um determinado limite mínimo para que a força da disciplina que se encerra na ordem unida de combate, e no emprego das forças, com base num só plano, possa se manifestar e se desenvolver até o ponto de poder aniquilar massas numericamente superiores de uma cavalaria irregular, composta de melhores montarias e de soldados pelo menos tão bravos quanto os outros.”

PARTE I. FILOSOFIA DIALÉTICA. CAPÍTULO XIII. NEGAÇÃO DA NEGAÇÃO

SEM MISERICÓRDIA DE NÓS, ENGELS JÁ ABRE O CAPÍTULO COM UM PETARDO DE LONGO ALCANCE DO SENHOR DããRING:

Este esboço histórico (o da gênese da chamada acumulação primitiva do capital, na Inglaterra) é, até agora, o que há de melhor, relativamente, no livro de Marx, e ainda poderia ter sido melhor se não se apoiasse na agudeza erudita e, além disso, na dialética. Recorre à negação da negação de Hegel para que ponha a seu serviço, na falta de meios mais claros e melhores, os seus serviços de parteira, ajudando-o a fazer brotar o futuro das entranhas do passado. A abolição da propriedade individual, que se processou, por esse modo, a partir do século XVI, é a primeira negação. Esta será seguida por outra, caracterizada como negação da negação e, portanto, como a restauração da ‘propriedade individual’, mas de uma forma mais elevada, baseada na propriedade comum do solo e dos instrumentos de trabalho. O fato de o Sr. Marx qualificar, em seguida, esta nova ‘propriedade individual’ também com o nome de ‘propriedade social’ revela a unidade hegeliana de caráter superior, na qual a contradição, conforme se verifica, fica cancelada; ou seja, de acordo com o já conhecido jogo de palavras, a contradição se mantém, ainda que superada. A expropriação dos expropriadores é, de acordo com isso, o resultado automático da realidade histórica, em suas circunstâncias materiais externas … Naturalmente, nenhuma pessoa que reflita deixar-se-á convencer só por terem sido invocados os disparates de Hegel, e a negação da negação nada mais é que um dos tantos, da necessidade de se implantar a comunidade da terra e dos capitais … Além disso, a nebulosa ambigüidade das idéias de Marx [Kant e os astrônomos póstumos conheciam essa nebulosa? Onde ela fica?] não surpreenderá a quem já sabe que ela pretende rimar com a dialética de Hegel, tomando-a como sua base científica, ou melhor, tomando como conclusão o absurdo a que nos querem levar. Para quem desconhece estes trechos, advertiremos que a primeira negação é, em Hegel, a idéia do pecado original do Catecismo e a segunda é a idéia de uma unidade superior que conduz à redenção do homem. E, sobre uma farsa desse gênero, tomada à religião, não se pode, facilmente, fundar a lógica dos fatos. O Sr. Marx se obstina em permanecer no mundo nebuloso de sua propriedade ao mesmo tempo individual e social, deixando que os seus adeptos resolvam por si esse profundo enigma da dialética.”

O Sr. Dühring nos diz que é ‘um mundo nebuloso’ e, ainda que pareça estranho, dessa vez ele está com a razão. O pior é que, como sempre, não é Marx que vive extraviado nesse mundo nebuloso, mas, de fato, é o próprio Sr. Dühring. Com efeito, como já vimos, o seu desembaraço no manejo do método hegeliano do ‘delírio’ permitiu-lhe definir, sem dificuldade, o que conteriam os volumes ainda não publicados de O Capital, e ainda aqui lhe é fácil retificar Marx de acordo com Hegel, atribuindo-lhe a unidade superior de uma propriedade sobre a qual Marx não disse uma só palavra.”

Para qualquer pessoa que saiba ler, isto significa que a propriedade coletiva se tornará extensiva à terra e aos demais meios de produção, e a propriedade individual se limitará aos produtos, ou aos objetos destinados ao consumo. E, para que essa idéia possa ser compreendida mesmo por crianças que tenham 6 anos, Marx, na página 40, fala de ‘uma associação de homens livres que trabalham com meios comuns de produção e que despendem suas forças de trabalho individuais, conscientemente, como uma força de trabalho social’, isto é, de uma associação organizada de forma socialista, e acrescenta: ‘O produto coletivo da associação é um produto social. Uma parte desse produto volta a servir como meio de produção. Continua sendo social. Mas uma outra parte é absorvida como meio de vida pelos membros da associação. Deve, portanto, ser distribuída entre eles.’ Isto está mais do que claro e até mesmo uma cabeça hegelianizada, como a do Sr. Dühring, deveria compreendê-lo.”

Mas parece que chegou o momento em que o Sr. Dühring também se converte de quantidade em qualidade.”

Nas páginas 791 e seguintes, [Marx] expõe os resultados finais das investigações econômicas e históricas, que constam das 50 páginas anteriores, sobre a chamada acumulação primitiva do capitalAntes de sobrevir a era capitalista, dominava, pelo menos na Inglaterra, a pequena indústria baseada na propriedade privada do operário sobre os meios de produção. A chamada acumulação primitiva do capital se caracterizou, nestas condições, pela expropriação desses produtores imediatos, isto é, pela abolição da propriedade privada, baseada no trabalho do próprio produtor. Efetivou-se tal coisa porque aquele regime de pequena indústria era compatível somente com as proporções mesquinhas e primitivas da produção e da sociedade, engendrando, tão logo os meios materiais de produção atingiram um certo grau de progresso, a sua própria destruição. Esta destruição, que consistiu na transformação dos meios individuais e dispersos de produção em meios de produção socialmente concentrados, constitui a pré-história do capital. A partir do momento em que os operários se transformam em proletários, em que as suas condições de trabalho passam a ter a forma do capital, a partir do instante em que o regime capitalista de produção começa a se mover por sua própria conta, a socialização do trabalho e a mudança do sistema de exploração da terra e dos demais meios de produção, e que, portanto, há a expropriação dos proprietários privados individuais, é preciso, para continuarem progredindo, que seja adotada uma nova forma.”

Cada capitalista devora muitos outros. E, ao mesmo tempo em que alguns capitalistas expropriam muitos outros, desenvolve-se, em grau cada vez mais elevado, a forma cooperativa do processo de trabalho, a aplicação técnica e consciente da ciência, sendo a terra cultivada mais metodicamente, os instrumentos de trabalho tendem a alcançar formas que são manejáveis unicamente pelo esforço combinado de muitos, economizam-se os meios da produção, em sua totalidade, ao serem aplicados pela coletividade come meios de trabalho social, o mundo inteiro se vê envolvido na rede do mercado mundial, e, com isso, o regime capitalista passa a apresentar um caráter internacional cada vez mais acentuado. E, deste modo, enquanto vai diminuindo progressivamente o número dos magnatas do capital, que usurpam e monopolizam todas as vantagens desse processo de transformação, aumenta, no pólo oposto, proporcionalmente, a pobreza, a opressão, a escravização, a degradação e a exploração. Mas, ao mesmo tempo, cresce a revolta da classe operária e esta se torna cada dia mais numerosa, mais disciplinada, mais unida e organizada pelo próprio método capitalista de produção. O monopólio capitalista transforma-se nas grilhetas do regime de produção que com ele e sob as suas normas floresceu. A concentração dos meios de produção e a socialização do trabalho chegam a um ponto em que se tornam incompatíveis com a sua envoltura capitalista. E a envoltura se desagrega. Soou a hora final da propriedade privada capitalista. Os expropriadores são expropriados.”

Vemos, assim, que Marx, ao encarar esse fenômeno como um caso de negação da negação, não tem em mente a idéia de demonstrá-lo, por meio desse argumento, como um fenômeno de necessidade histórica. Pelo contrário: somente depois de haver provado historicamente o fenômeno que já se passara parcialmente e que terá necessariamente que se desenvolver daqui por diante é que o define como um fenômeno sujeito em sua realização, a uma determinada lei dialética.”

¹ Infelizmente o oligopólio pode durar até a extinção da civilização humana – a menos que integremos o materialismo histórico às trágicas conclusões de Nietzsche: o mundo não tende a um fim, se tendesse esse final já teria sido alcançado; a raça humana não perece; logo, chega o momento da inversão de valores, da dissolução das classes vigentes.

lógica formal também é, antes de mais nada e acima de tudo, um método de perscrutar novos resultados progressivos do conhecido ao desconhecido. [e não um expediente meramente probatório]”

As matemáticas elementares, que operam com grandezas constantes, se movem, pelo menos em termos gerais, dentro das fronteiras da lógica formalas matemáticas das grandezas variáveis, cujo setor mais importante é o cálculo infinitesimal, não são, em essência, nada mais que a aplicação da dialética aos problemas matemáticos. (…) Mas, a rigor, quase todas as demonstrações das matemáticas superiores, a começar pelas introdutórias ao cálculo diferencial, são falsas do ponto de vista das matemáticas elementares.” “Querer provar alguma coisa, pela simples dialética, a um metafísico [formalista do pensamento] tão declarado como o Sr. Dühring, seria perder tempo, e seria tão infrutífero como aconteceu quando Leibniz e seus discípulos quiseram provar, aos matemáticos de sua época, as operações do cálculo infinitesimal. (…) Aqueles cavalheiros foram, entretanto, pouco a pouco, pelo menos aqueles que sobreviveram àquela etapa, se rendendo à nova doutrina, embora resmungando, não porque esta convencesse, mas porque a verdade se impunha cada dia com mais força. O Sr. Dühring anda pelos 40, conforme sua própria informação, e podemos garantir que passará pela mesma experiência que aqueles matemáticos, se alcançar a idade avançada, como é, aliás, nosso desejo.”

Tomemos, por exemplo, um grão de cevada. Todos os dias, milhões de grãos de cevada são moídos, cozidos, e consumidos, na fabricação de cerveja. Mas, em circunstâncias normais e favoráveis, esse grão, plantado em terra fértil, sob a influência do calor e da umidade, experimenta uma transformação específica: germina. Ao germinar, o grão, como grão, se extingue, é negado, destruído, e, em seu lugar, brota a planta, que, nascendo dele, é a sua negação. E qual é a marcha normal da vida dessa planta? A planta cresce, floresce, é fecundada e produz, finalmente, novos grãos de cevada, devendo, em seguida ao amadurecimento desses grãos, morrer, ser negada, e, por sua vez, ser destruída. E, como fruto desta negação da negação, temos outra vez o grão de cevada inicial, mas já não sozinho, porém ao lado de 10, 20, 30 grãos. Como as espécies vegetais se modificam com extraordinária lentidão, a cevada de hoje é quase igual à de 100 anos atrás. [Não parece ser veraz.] Mas tomemos, em vez desse caso, uma planta de ornamentação ou enfeite, por exemplo, uma dália ou uma orquídea. Se tratarmos a semente e a planta que dela brota com os cuidados da arte da jardinagem, obteremos como resultado deste processo de negação da negação não apenas novas sementes, mas sementes qualitativamente melhoradas, capazes de nos fornecer flores mais belas; cada repetição deste processo, cada nova negação da negação, representará um grau a mais nesta escala de aperfeiçoamento. E um processo semelhante se dá com a maioria dos insetos, como, por exemplo, com as mariposas. Nascem, estas, também, do ovo, por meio da negação do próprio ovo, destruindo-o, atravessando depois uma série de metamorfoses até chegar à maturidade sexual, se fecundam e morrem por um novo ato de negação, tão logo se consume o processo de procriação, que consiste em pôr a fêmea os seus numerosos ovos. Por enquanto nada mais nos interessa, nem que não apresente o processo a mesma simplicidade noutras plantas e animais, que não produzem uma, mas várias vezes, sementes, ovos ou crias, antes que lhes sobrevenha a morte; a única coisa que nos interessa é demonstrar que a negação da negação é um fenômeno que se dá realmente nos 2 reinos do mundo orgânico, o vegetal e o animal. E não somente nestes reinos. Toda a geologia não é mais que uma série de negações negadas, uma série de desmoronamentos de formações rochosas antigas, sobrepostas umas às outras, e de justaposição de novas formações. A sucessão começa porque a crosta terrestre primitiva, formada pelo resfriamento da massa fluida, vai-se fracionando pela ação das forças oceânicas, meteorológicas e químico-atmosféricas, formando-se, assim, massas estratificadas no fundo do mar. Ao emergir, em certos pontos, as matérias do fundo do mar à superfície das águas, parte destas estratificações se vêem submetidas novamente à ação da chuva, às mudanças térmicas das estações, à ação do hidrogênio e dos ácidos carbônicos da atmosfera; e a essas mesmas influências se acham expostas as massas pétreas fundidas e logo depois esfriadas que, brotando do seio da terra, perfuram a crosta terrestre. Durante milhares de séculos vão-se formando, dessa forma, novas e novas camadas que, por sua vez, são novamente destruídas em sua maior parte e, algumas vezes, são utilizadas como matéria para a formação de outras novas camadas. Mas o resultado é sempre positivo em qualquer hipótese: a formação de um solo onde se misturam os mais diversos elementos químicos num estado de pulverização mecânica, que permite o desenvolvimento da mais extensa e variada vegetação.

Com as matemáticas ocorre exatamente o mesmo fato. Tomemos uma qualquer grandeza algébrica, por exemplo a. Se a negarmos, teremos -a (menos a). Se negarmos esta negação, multiplicando -a por -a, teremos +a², isto é, a grandeza positiva da qual partimos, mas num grau superior, elevada à segunda potência. Mas aqui não nos interessa que a este resultado () se possa chegar multiplicando a grandeza positiva a por si mesma, pois a negação negada é algo que se acha tão arraigado na grandeza a² que esta encerra, sempre e de qualquer modo, 2 raízes quadradas, a saber: a do a e a do -a.” “Entretanto é maior ainda a evidência com que se nos apresenta a negação da negação na análise superior, nessas ‘somas de grandezas ilimitadamente pequenas’ que o próprio Sr. Dühring considera como as supremas operações das matemáticas e que são as que vulgarmente chamamos de cálculo diferencial e integral.”

não restando, portanto, de x e y nada mais que sua razão ou proporção, despojada, por assim dizer, de toda a base material, reduzida a uma relação quantitativa da qual se eliminou a quantidade dy/dx, isto é, a razão ou proporção das 2 diferenciais de x e y, se reduz, portanto, a 0/0mas esta fórmula nada mais é que a expressão da fórmula y/x.” “Pois bem, que fizemos neste problema, além de negar as grandezas x e y, mas negá-las não nos descartando delas, que é o modo pelo qual a filosofia formal nega a metafísica, mas sim negando-as de um modo que se ajusta à realidade da situação? Substituímos as grandezas x e y pela sua negação, chegando, assim, em nossas fórmulas ou equações a dx e dy. Isso feito, seguimos nossos cálculos operando com dx e dy como grandezas reais, embora sujeitas a certas leis de exceção e ao chegar a um determinado momento, negamos a negação, isto é, integramos a fórmula diferencial, obtendo novamente, em vez de dx e dyas grandezas reais x e y. (…) teremos resolvido o problema contra o qual se debateram, em vão, por outros caminhos, a geometria e a álgebra elementares.

O mesmo acontece com a História. Todos os povos civilizados têm em sua origem a propriedade coletiva do solo. E, em todos esses povos, ao penetrar numa determinada fase primitiva, o desenvolvimento da agricultura, a propriedade coletiva converte-se num entrave para a produção. Ao chegar a este momento, a propriedade coletiva se destrói, se nega, convertendo-se, após etapas intermediárias mais ou menos longas, em propriedade privada. Mas, ao chegar a uma fase mais elevada de progresso no desenvolvimento da agricultura, fase essa que se alcança justamente devido à propriedade privada do solo, esta, por sua vez, se converte num obstáculo para a produção, conforme hoje se observa no que se refere à grande e à pequena propriedade. Nestas circunstâncias, surge, por força da necessidade, a aspiração de negar também a propriedade privada e de convertê-la novamente em propriedade coletiva. Mas esta aspiração não tende exatamente a restaurar a primitiva propriedade comunal do solo, mas a implantar uma forma multo mais elevada e mais complexa de propriedade coletiva que, longe de criar uma barreira ao desenvolvimento da produção, deverá acentuá-lo, permitindo-lhe explorar integralmente as descobertas químicas e as invenções mecânicas mais modernas.” Não subestime o homem: ele consegue embrulhar até a própria dialética; até o próprio tempo!

UM ERRO DE ENGELS: SUBESTIMAR PLATÃO E CONGÊNERES: “A filosofia antiga era uma filosofia materialista, porém primitiva e rudimentar. Esse materialismo não seria capaz de explicar claramente as relações entre o pensamento e a matéria. A necessidade de se chegar a conclusões claras a respeito desse problema levou à criação da teoria de uma alma separada do corpo e logo depois se passou à afirmação da imortalidade da alma e, por fim, ao monoteísmo. Desse modo, o materialismo primitivo se via negado pelo idealismo. Mas, com o desenvolvimento da filosofia, também o idealismo se tornou insustentável e, por sua vez, teve de ser negado pelo materialismo moderno. Este não é, entretanto, como negação da negação, a mera restauração do materialismo primitivo, mas, pelo contrário, corresponde à incorporação, às bases permanentes deste sistema, de todo o conjunto de pensamentos, que nos provêm de 2 milênios de progressos no campo da filosofia e das ciências naturais e da história mesma destes 2 milênios. Não se trata já de uma filosofia, mas de uma simples concepção do mundo, de um modo de ver as coisas, que não é levado à conta de uma ciência da ciência, de uma ciência à parte, mas que tem, pelo contrário, a sua sede e o seu campo de ação em todas elas. Vemos, pois, como a filosofia é, desse modo, ‘cancelada’,¹ isto é, ‘superada ao mesmo tempo que mantida’; superada, com relação à sua forma; conservada, quanto ao seu conteúdo.” A fé hegeliana no PROGRESSO ainda se encontrava no marx-engelismo, subsumida na superação do Estado em vez de na confirmação do Estado burguês, obviamente.

¹ Tudo isso que estamos vivendo hoje deve ser uma maldita maldição! As palavras têm poder!

Pois ali onde o Sr. Dühring não vê mais que ‘um jogo de palavras’ se esconde, para quem sabe ver as coisas, um conteúdo e uma realidade.”

Finalmente, até a teoria rousseauniana da igualdade, que tem apenas um eco apagado e falseado nas futilidades do Sr. Dühring, foi incapaz de se constituir sem os serviços de parteira da negação da negação hegeliana: e isto, mais de 20 anos antes do nascimento de Hegel. Longe de se envergonhar de tal coisa, essa teoria exibe, quase ostensivamente, em sua 1ª versão, a marca de suas origens dialéticas. No estado de natureza e de selvageria, os homens eram iguais; e como Rousseau considera já a linguagem uma deturpação do estado de natureza, tem razão quando aplica o critério da igualdade, assim como, ao mesmo tempo, pretendeu classificar, hipoteticamente, os homens-bestas sob a designação de ‘álalos’ (seres privados de fala). Mas estes homens-bestas, iguais entre si, levavam sobre os outros animais a vantagem de serem animais perfectíveis, de terem capacidade de desenvolvimento; eis onde está, segundo Rousseau, a fonte da desigualdade. Rousseau vê, assim, no nascimento da desigualdade um progresso, mas este progresso é contraditório, pois implica, ao mesmo tempo, num retrocesso.”

Para o poeta, o ouro e a prata, assim coma para o filósofo o ferro e o trigo, civilizaram o homem e arruinaram o gênero humano”

Rousseau

Todas as instituições que nascem nas sociedades, no decorrer do processo de civilização, se convertem no inverso de sua primitiva finalidade.”


O paradoxo: “frente ao déspota, todos os homens são iguais, pois todos se reduzem a zero.”

Ao chegar a essa fase, o grau máximo de desigualdade é o ponto final que, fechando o ciclo, toca já o ponto inicial do qual partimos: ao chegar a este ponto, todos os homens são iguais, pelo fato de serem nada e, como súditos, têm todos, como única lei, a vontade de seu Senhor”

Não lembrava de que Rousseau fosse tão genial também em seu tratado político (que li pela última vez em 2009), acostumado que estou apenas com sua imagem recente, a do grande educador.


A mesma força que o susteve, o derruba, e tudo se passa, de acordo com uma causa adequada e de acordo com a ordem natural”

a liberdade superior do contrato social. (…) É a negação da negação.” Idealista, i.e..

Em Rousseau, já nos encontramos, pois, com um processo quase idêntico ao que Marx desenvolve em O Capital. Além de todas as expressões dialéticas que são exatamente as mesmas empregadas por Marx, encontramos também processos antagônicos por natureza, cheios de contradições, contendo a transmutação de um extremo em seu contrário (…) Assim, já em 1754, Rousseau, que ainda não se podia exprimir pela nomenclatura hegeliana, estava, 23 anos antes do nascimento de Hegel, devorado até a medula pela peste da filosofia hegeliana, pela dialética da contradição, pela teoria do logos, pela teologia, etc., etc. E quando o Sr. Dühring, reduzindo a zero a teoria rousseauniana da igualdade, opera com os seus 2 homenzinhos triunfais, se vê forçado a deslizar por um plano perigoso, que o leva, irremediavelmente, para a negação da negação da qual está querendo fugir. (…) É divertido ver como, além de ampliar de modo benéfico o nosso horizonte visual, o próprio Sr. Dühring acaba cometendo, também, sem que se dê conta, contra a sua augusta pessoa, o horrendo crime que é o de incorrer na intolerável negação da negação.”

Quando se diz que todos esses processos têm de comum a negação da negação, o que se pretende é englobar a todos, sob esta lei dinâmica, sem se prejulgar, no entanto, de modo algum, o conteúdo concreto de cada um deles. [respondendo aos que dizem que o socialismo pretende aplicar o cálculo diferencial aos homens, hahaha!] Esta não é a missão da dialética, que tem apenas por incumbência estudar as leis gerais que presidem à dinâmica e ao desenvolvimento da natureza e do pensamento.”

Negar, em dialética, não consiste pura e simplesmente em dizer não, em declarar que uma coisa não existe, ou em destruí-la por capricho. Já Spinoza dizia: Omnis determinatio est negatiotoda determinação, toda demarcação é, ao mesmo tempo, uma negação.” “Ao se moer o grão de cevada, ou ao se matar o inseto, está-se executando, inegavelmente, o 1º ato, mas torna-se impossível o 2º. Portanto, cada espécie de coisas tem um modo especial de ser negada, que faz com que a negação engendre um processo de desenvolvimento, acontecendo o mesmo com as idéias e os conceitos.” “Não basta que saibamos que a muda de cevada e o cálculo infinitesimal se encontram sob as leis da negação da negação, para que possamos cultivar com sucesso a cevada ou para que possamos realizar operações de diferenciação ou integração, da mesma maneira que não nos é suficiente conhecer as leis que regem a determinação do som, pelas dimensões das cordas, para que saibamos tocar violino.” “Isso não obsta, porém, a que os metafísicos pretendam demonstrar que, se nos empenharmos em raciocinar sobre a negação da negação, somente poderemos utilizar este processo.” O tamborilar dos dedos no instrumento é uma negação da negação prática!

Muito antes de saber o que era dialética, o homem já pensava dialeticamente, da mesma forma por que, muito antes da existência da palavra escrita, ele já falava. Hegel nada mais fez que formular nitidamente, pela 1ª vez, esta lei da negação da negação, lei que atua na natureza e na História, como atuava, inconscientemente, em nossos cérebros, muito antes de ter sido descoberta. E se o Sr. Dühring fica aborrecido com um tal nome, e quer realizar o processo, sem que ninguém saiba que o está realizando, ainda é tempo de inventar um nome melhor.”

PARTE I. FILOSOFIA DIALÉTICA. CAPÍTULO XIV. CONCLUSÃO

Acabamos o estudo da Filosofia. Trataremos, a seguir, de outras fantasias contidas no Curso para, finalmente, examinarmos os característicos da revolução que o Sr. Dühring introduz no terreno do socialismo. Que nos havia prometido o Sr. Dühring? Tudo. E o que finalmente cumpriu? Absolutamente nada.” “apenas um eco charlatanesco e infinitamente desbotado da Lógica de Hegel”

No estudo da natureza orgânica tivemos oportunidade de ver que a filosofia da realidade, após condenar a luta pela existência e a seleção natural, de Darwin, como ‘um caso de selvageria cometida contra a humanidade’, permitia que estas teorias se esgueirassem novamente pela porta dos fundos, como fatores ativos da natureza, embora de 2ª classe. O Sr. Dühring soube endossar, além disso, no campo da biologia, uma ignorância que, desde que se tornaram habituais as conferências de vulgarização científica, já não é fácil encontrar e que, mesmo entre as senhoritas de boa sociedade, ter-se-ia que procurar com uma lanterna.”

Não consegue nem expor a sua filosofia da realidade sem insinuar ao leitor a sua repugnância contra o tabaco, contra os gatos e os judeus.” “Os pobres restos de sabedoria que nos oferece a respeito de assuntos próprios de filisteus como, por exemplo, o do valor da vida e o melhor meio de gozá-la, tem um tal caráter de vulgaridade que bastam para explicar, perfeitamente, a cólera de seu autor contra o Fausto de Goethe. Com efeito, o Sr. Dühring, não poderá perdoar jamais a Goethe, o fato de ter criado, como herói de seu drama, um ser tão imoral como Fausto, em vez de pôr em seu lugar um ilustre filósofo da realidade, como o seria Wagner.” HAHAHAHAHAHAHAAH!

Em resumo, a filosofia da realidade não é mais que, afinal de contas, para usar uma expressão de Hegel, ‘a mais vulgar lama do lamaçal alemão’, com uma fluidez e uma transparência feitas de lugares-comuns, que só pode ser tornada mais turva e mais densa com os coágulos oraculares que o seu autor nela dissolve.” “E este homem, que tanta propaganda faz de suas artes e mercadorias, ao som de fanfarras, como o mais vulgar camelô de feira, por detrás de cujas frases grandiloqüentes não se encontra nada, mas absolutamente nada, este homem tem a ousadia de chamar de charlatães a figuras como Fichte, Schelling e Hegel, o mais humilde dos quais seria, ao seu lado, um gigante! Há charlatanismo, sim: mas onde e por parte de quem?”

PARTE II. ECONOMIA POLÍTICA. CAPÍTULO I. OBJETO E MÉTODO

DIRIA QUE ERA UM ERRO TIPOGRÁFICO, MAS A EXATA REPETIÇÃO DO COMEÇO DESTE CAPÍTULO EM RELAÇÃO AO COMEÇO DO CAPÍTULO PASSADO SE JUSTIFICA, E ENGELS A USOU SEM DÓ: “Acabemos o estudo da Filosofia. Trataremos, a seguir, de outras fantasias contidas no Curso para, finalmente, examinarmos os característicos da revolução que o Sr. Dühring introduz no terreno do socialismo. Que nos havia prometido O Sr. Dühring? Tudo. E o que finalmente cumpriu? Absolutamente nada.”

A produção pode desenvolver-se sem a troca, mas esta pressupõe, sempre, necessariamente, a produção, pelo próprio fato de que o que se trocam são os produtos. Cada uma destas funções sociais sofre a influência de um grande número de fenômenos exteriores, sendo que essa influência é subordinada, em grande parte, a leis próprias e específicas. Mas, ao mesmo tempo, a produção e a troca se condicionam, a cada passo, reciprocamente e influem de tal modo uma sobre a outra, que se pode dizer que são a abcissa e a ordenada da curva econômica.” “Os habitantes da Terra do Fogo não conhecem a produção em grande escala, assim como não conhecem o comércio mundial, nem tampouco as letras de câmbio que circulam a descoberto e os inesperados cracks de Bolsa.” “A Economia Política é, portanto, uma ciência essencialmente histórica. A matéria sobre que versa é uma matéria histórica, isto é, sujeita a mudança constante. Somente depois de investigar as leis específicas de cada etapa concreta de produção e de troca, como conclusão, nos será permitido formular, a título de resumo, as poucas leis verdadeiramente gerais, aplicáveis à produção e à troca, quaisquer que sejam os sistemas.”

As velhas comunidades naturais, a que nos referimos atrás, puderam viver milhares de anos, como aliás ainda perduram em nossos dias entre os índios e muitos eslavos, antes que o comércio com o mundo exterior engendrasse em seu seio as diferenças de patrimônio que deveriam acarretar a sua disposição. Ao contrário, a moderna produção capitalista, que não conta mais de 300 anos e que não se impôs mesmo depois da implantação da grande indústria, isto, é, até há uns cem anos, provocou, no entanto, durante este curto período, muitos antagonismos no regime de distribuição – de um lado a concentração de capitais em poucas mãos e, de outro, a concentração das massas não possuidoras nas cidades mais populosas – de tal modo que estes antagonismos necessariamente a farão perecer.”

Enquanto um regime de produção está-se desenvolvendo em sentido ascensional, pode contar até mesmo com a adesão e a admiração entusiasta dos que menos beneficiados sairão com o regime de distribuição ajustado a ele. Basta que se recorde o entusiasmo dos operários ingleses ao aparecer a grande indústria. E mesmo depois que este regime de produção já consolidado, constitui, na sociedade de que se trata, um regime normal, continua-se mantendo, em geral, algum contentamento com a forma de distribuição e, se se ergue alguma voz de protesto, é das fileiras da classe dominante que ela sai (Saint-Simon, Fourier, Owen), sem encontrar nem mesmo algum eco no seio da massa explorada. Há de passar algum tempo – e encaminhar-se o regime de produção, já francamente pela vertente da decadência, deve este regime já ter sido superado em parte, devem ter desaparecido, em grande proporção, as condições que justificam a sua existência, estando mesmo tomando tal vulto o seu sucessor – para que a distribuição, cada vez mais desigual, seja considerada injusta, para que a voz da massa clame contra os fatos do passado junto ao tribunal da chamada justiça eterna. Claro está que este apelo à moral e ao direito não nos faz avançar cientificamente nem uma polegada; a ciência econômica não pode encontrar, na indignação moral, por mais justificada que ela seja, nem razões nem argumentos, mas simplesmente sintomas.”

A cólera provocada no poeta tem a sua razão de ser quando se trata de descrever esses males e abusos, ou de atacar os ‘harmonizadores’ que pretendem negá-los ou atenuá-los em benefício da classe dominante mas, para compreender como a cólera prova pouco em cada caso, basta que se considere que, até hoje, em todas as épocas da História, houve matéria de sobra para alimentar os seus impulsos.” Creio que Marx & Engels diriam no mundo de hoje: vê-se que apesar de toda a decadência abissal e contínua, recrudescida em relação a nossos escritos originais, o sistema de produção mantém-se de pé. Algo deve ter escapado de nossas análises, posto que se fôra necessidade que o regime devera ceder neste período, cederia, sem falta. Parece que algo no motor da História indica que a máquina da transformação conseguiu ser parada ou desacelerada consideravelmente, e isso integra quase que uma lei interna do Capital. Nada podemos fazer, não é hora de revolução – se ela ocorre localmente, o sistema de produção em outras partes poderá sufocá-la. E claro está que não ocorrerá globalmente, pois os centros de concentração do poder capitalista não permitiriam, mesmo se houvesse um desejo da maioria massacrante da população.

Tudo o que até hoje possuímos de ciência econômica se reduz quase exclusivamente à gênese e ao desenvolvimento do regime capitalista de produção. Ela parte da crítica dos restos das formas feudais de produção e de troca, põe em relevo a necessidade de fazer desaparecer estes restos, substituindo-os por formas capitalistas, desenvolve as leis do regime capitalista de produção, com as suas formas correspondentes de troca no seu aspecto positivo, i.e., do ponto de vista em que contribuem para fomentar os fins gerais da sociedade e conclui com a crítica socialista do regime de produção do capitalismo, o que quer dizer com a exposição das leis que presidem o seu aspecto negativo, com a demonstração de que este regime de produção por força de seu próprio desenvolvimento, se aproxima de um ponto em que a sua existência se torna impossível.”

um antagonismo sempre mais profundo entre alguns capitalistas, cada vez em menor número, porém cada vez mais ricos, e uma massa de operários assalariados, cada vez mais numerosa e em geral, também mais desfavorecida e mal-retribuída” E cada vez mais grupos intermediários cães de guarda do Capital, às vezes sem acesso a nenhum filé mignon.

Para compreender em todo o seu alcance esta crítica da Economia burguesa, não era suficiente conhecer a forma capitalista de produção, de troca e de distribuição. Era preciso investigar e trazer à comparação, embora apenas em seus traços mais gerais, as formas que a precederam e que, em países menos avançados, coexistem ainda com aquela. Até hoje, esta investigação e este estudo comparativo foram realizados somente por Marx, e devemos, portanto, a seus trabalhos, quase que exclusivamente, o que até agora se pode esclarecer com relação à teoria econômica pré-burguesa.

Embora tivesse nascido, nos fins do século XVIII, em algumas cabeças geniais, a Economia Política, no sentido restrito, tal como a apresentam os fisiocratas e Adam Smith, é essencialmente um fruto do século XVIII, figurando entre as conquistas dos grandes racionalistas franceses dessa época, participando, portanto, de todas as vantagens e todos os inconvenientes do tempo. O que dissemos dos racionalistas podemos aplicar também aos economistas desse século. A nova ciência não era, para eles, uma expressão das circunstâncias e das necessidades da época em que viviam, mas, sim, um reflexo da razão eterna: as leis da produção e da troca, descobertas por eles, não possuem uma forma condicionada historicamente, com a qual se deviam revestir essas atividades, mas outras tantas leis naturais eternas, derivadas da natureza humana. Mas o homem que eles tinham em conta era, na realidade, simplesmente o homem da classe média daqueles tempos, do qual depressa deveria brotar o homem burguês moderno, reduzindo-se a sua natureza apenas a fabricar e a comerciar, sob as condições historicamente condicionadas de então.”

Instituições como a escravidão e a exploração do trabalho assalariado, às quais se vêm unir, como sua irmã gêmea, a propriedade baseada na força, devem ser investigados como formas constitutivas econômico-sociais, de autêntico caráter político, formando as mesmas, no mundo atual, o quadro fora do qual não se poderiam revelar os efeitos das leis naturais da Economia.”

Assim, desligada já, felizmente, a distribuição de todo o contato com a produção e a troca, pode, então, realizar-se, por fim, o grande acontecimento.”

Um homem, na qualidade de indivíduo, ou seja, desligado de toda a conexão com quaisquer outros homens, não pode ter deveres. Não há, para ele, outros imperativos que o de sua vontade.’ Quem há de ser este homem, desligado de seus deveres e concebido como indivíduo isolado a não ser o fatal ‘proto-judeu Adão’ ainda no paraíso, despido de todo o pecado, pela simples razão de não ter com quem cometê-lo? Mas também a este Adão, da Economia da realidade, está reservado o seu pecado original. Ao lado dele surge, não uma Eva de longos cabelos encaracolados, mas um segundo Adão. E imediatamente Adão adquire deveres e logo os desrespeita. Em vez de estreitar contra o peito o seu irmão, como um seu igual, submete-o logo ao seu domínio, escraviza-o. E este primeiro pecado, este pecado original da escravidão, é o pecado cujas conseqüências ainda vêm sendo sentidas por toda a história do mundo, e tal é a causa por que esta história não valha, segundo o Sr. Dühring, nem uma cadelinha qualquer.”

versão semi[ó]tica da bíblia

…embora tenhamos de reconhecer que ninguém disputará ao Sr. Dühring a glória de ter construído o pecado original da maneira mais original do mundo: com 2 homens.” HAHAHAHAHA

Entre o estado da igualdade e o da anulação de uma das partes, ao lado da onipotência e da participação ativa da outra, medeia toda uma série de graus que os fenômenos da história universal se encarregaram de preencher [os fenômenos se encarregam de preencher, não os homens!] com uma pitoresca variedade. Uma vista de olhos universal sobre as diferentes instituições do direito e da injustiça históricos, torna-se aqui uma condição prévia essencial”

Não foi o Capital que inventou a mais-valia. Onde quer que uma parte da sociedade possua o monopólio dos meios de produçãoo operário, livre ou escravo, não tem outro remédio senão acrescentar ao tempo de trabalho, para o seu sustento, uma quantidade de trabalho excedente, destinada a produzir os meios de vida para o proprietário dos meios de produção, quer se trate de um kalokagathos [nobreza] ateniense, um teocrata etrusco, um civis romanus (cidadão romano), quer de um barão da Normandia, um escravagista americano, um senhor feudal da Valáquia, um proprietário de terras moderno ou de um moderno capitalista.”

O Capital

O que fica faltando para que haja mais-valia no sentido do Capital é a reinversão na melhoria dos próprios meios de produção (alavancagem, aceleração do montante da mais-valia, que nas sociedades tradicionais permanece ‘fixa’).

O nosso Adão, agora convertido em Robinson, põe a trabalhar o segundo Adão, ou seja, o ‘Sexta-feira’Porém, como ‘Sexta-feira’ há de se prestar a trabalhar mais do que o necessário para o seu sustento? Esta pergunta parece que foi também respondida, em parte, pelo menos, por Marx. Entretanto, a resposta de Marx é demasiado prolixa para os nossos 2 homens. Resolve-se o assunto com mais facilidade. Robinson ‘oprime’ o ‘Sexta-feira’, espolia-o ‘como um escravo ou instrumento, posto ao serviço econômico’, e somente o sustenta ‘na qualidade de instrumento’ [dá-lhe ração e lições de catequese!]. Com esta novíssima ‘manobra criadora’, mata o Sr. Dühring 2 coelhos com uma só cajadada. Em 1º lugar, poupa-se ao trabalho de explicar-nos as diversas formas de distribuição que se sucedem na história, com suas diferenças e suas respectivas causas. Basta que se saiba que todas estas formas são reprováveis, pois todas elas descansam na opressão, na violência – sobre isso teremos oportunidade de falar mais adiante. Em segundo lugar, desloca toda a teoria da distribuição do terreno econômico para o da Moral e do Direito, ou seja, do terreno dos fatos materiais concretos e decisivos para o das opiniões e sentimentos mais ou menos flutuantes.” “Como vemos, em 1868, a propriedade privada e o trabalho assalariado eram instituições naturais e necessárias e, portanto, justas. Em 1876, eram ambas, pelo contrário, resultado da violência e do roubo, e portanto, injustas. Não é nada fácil saber o que será considerado moral e justo, dentro de alguns anos, por um gênio tão vertiginoso como esse! Se quisermos, assim, estudar a distribuição das riquezas, será melhor que nos restrinjamos às leis reais e objetivas da Economia, e não às idéias momentâneas, mutáveis e subjetivas do Sr. Dühring, no que diz respeito ao Direito e à injustiça.”

Os místicos da Idade Média, aqueles que sonhavam com a proximidade do reino milenar, já tinham consciência dessa injustiça, a consciência da injustiça dos antagonismos de classe. Nos primórdios da história moderna, há uns 350 anos, ergueu-se a voz de Thomas Munzer, clamando contra esta injustiça. O mesmo grito novamente ressoa e perde-se na Revolução Inglesa e na Revolução burguesa da França. O grito, que até 1830 não tinha comovido ainda as massas trabalhadoras e oprimidas, encontra hoje eco em milhões de homens, abalando um por um, todos os países, na mesma ordem e com a mesma intensidade com que, nesses países, se vai desenvolvendo a grande indústria, e chega a atingir, no decurso de uma geração, uma força tal que pode desafiar todos os poderes coligados contra ele, estando mesmo seguro da vitória definitiva num futuro próximo.” Como é doloroso ler tudo isso em 2021…

Neste fato material e tangível, que se impõe, dentro de limites mais ou menos claros, através de uma irresistível necessidade, nos cérebros dos proletários vítimas da exploração, nesse fato e não nas idéias e maquinações de um erudito especulador sobre o Direito e a Justiça, é que se evidencia a certeza de que o socialismo moderno terá de triunfar.” Triste.

PARTE II. ECONOMIA POLÍTICA. CAPÍTULO II. TEORIA DA VIOLÊNCIA

A configuração das relações políticas é historicamente fundamental, e as dependências econômicas nada mais são que um efeito ou caso especial, sendo, portanto, sempre, fatos de segunda ordem. Muitos dos sistemas socialistas modernos têm, como princípio diretivo, a aparência de uma relação totalmente inversa, que salta aos nossos olhos, fazendo com que os estados econômicos surjam, digamos, das subordinações políticas. Esses efeitos de 2ª classe existem, sem dúvida, como tais, e são especialmente sensíveis nos tempos atuais; [isso não seria sinal de que você deveria estudar melhor o tema?] mas o elemento primário deve ser encontrado no poder político imediato e não no poder econômico indireto.”

“Em nenhum dos 3 tomos de sua obra, apesar de tão volumosos, pode ser encontrada a mais leve intenção de demonstrá-la ou de refutar a opinião contrária a sua. Ainda que os argumentos fossem baratos como amoras, o Sr. Dühring não nos forneceria nenhum em apoio a sua tese.”

A crença de que os atos políticos dos chefes e do Estado são um fator decisivo da História é uma crença tão antiga como a própria historiografia e a ela se deve particularmente o fato de que saibamos tão pouco a respeito da silenciosa evolução que impulsiona realmente os povos e que se oculta no fundo de todas as cenas ruidosas. Esta crença presidiu toda a História antiga até que, na época da Restauração, os historiadores burgueses lhe assestaram o primeiro golpe. O que é original é que o Sr. Dühring ignore tudo isso, como de fato o ignora.”

É preciso que se seja um Sr. Dühring para se poder imaginar que os impostos cobrados pelos Estados não são mais que ‘efeitos de 2ª ordem’ e que o ‘agrupamento político’ de nossos dias, que coloca, de um lado, a burguesia poderosa e, de outro, o proletariado oprimido, chegou a existir graças a si mesmo, e não como conseqüência dos ‘fins de subsistência’ dos burgueses dominantes, ou seja, pela produção de lucro e acumulação do Capital.”

antes de se instituir a escravidão, para que esta seja mesmo possível, é mister que a produção tenha alcançado já um certo grau de progresso e que, na distribuição, tenha sido atingido um certo grau de desigualdade. E, para que o trabalho dos escravos possa converter-se em regime de produção predominante em toda a sociedade, é preciso que, nesta, a produção, o comércio e a acumulação de riquezas se tenham desenvolvido num grau já muito superior.”

Sabemos que, nos tempos da guerra dos persas, o número de escravos se elevava, em Corinto, a 460 mil, e, em Egina, a 470 mil, chegando a haver 10 escravos para cada cidadão livre. É evidente que para chegar a este estado de coisas, não bastava usar a ‘violência’, mas, pelo contrário, devia fazer falta uma indústria artística e artesanal muito desenvolvida, ao lado de uma extensa rede comercial. Nos Estados Unidos da América a escravidão não descansava nem no uso da violência, nem na existência da indústria inglesa do algodão. Nas regiões não-algodoeiras e que não se dedicavam, como os Estados litorâneos, à manutenção de escravos, destinados aos Estados algodoeiros, foi-se extinguindo a escravidão por si mesma, sem apelar para a violência, pela simples razão de que não era rendosa.” Mas descansava sobre a existência da indústria do algodão noutra parte, ora!

despotismo oriental e a constante mudança de poderes, de uns para outros povos nômades conquistadores, não puderam violar, durante milênios, este regime primitivo de comunidade. Em compensação, a destruição gradual de sua indústria doméstica natural, pela concorrência com os produtos da grande indústria, vai conduzindo este regime, cada vez mais aceleradamente, para a sua dissolução.”

Nem mesmo a formação de uma aristocracia natural, como a que se instituiu entre os celtas e os germanos e na região hindu dos Cinco Rios, baseada no regime da propriedade coletiva do solo, surge, de forma alguma, baseada na violência, mas sim de modo espontâneo e por força do costume.”

Para que o ladrão possa se apropriar de bens alheios, é evidente que a instituição da propriedade privada já deve estar consagrada e em vigor em toda a sociedade; ou seja, a violência poderá, sem dúvida alguma, transformar o estado possessório, mas, entretanto, não engendrará nunca a instituição da propriedade.”

A luta da burguesia contra a nobreza feudal é a luta da cidade contra o campo, da indústria contra o proprietário de terras, da economia baseada no dinheiro contra a economia natural, e as armas decisivas que, nestas lutas, empregou o burguês foram simplesmente os seus recursos de poder econômico, constantemente reforçados por meio do desenvolvimento da indústria, a princípio artesanal e mais tarde manufatureira, e pela difusão do comércio. Durante toda esta luta, o poder político [se] formou ao lado da nobreza, com a única exceção de um período em que o poder real julgou conveniente utilizar a burguesia contra a nobreza, para contrabalançar uma camada com a outra. Mas, a partir do momento em que a burguesia, embora impotente politicamente, começara a ser perigosa, graças ao seu poderio econômico cada vez maior, a monarquia voltou a aliar-se com a nobreza. provocando, assim, primeiro na Inglaterra e logo depois na França, a revolução da burguesia.”

[Na França, p]oliticamente, a nobreza era tudo e a burguesia era nada. Socialmente, a burguesia era já a classe mais importante dentro do Estado, ao passo que a nobreza tinha perdido já todas as suas funções sociais, embora continuasse cobrando as rendas com que ainda eram remuneradas essas funções desaparecidas.” “hoje a burguesia já não está muito longe da posição que a nobreza ocupava em 1789, pois que de fator de progresso foi-se convertendo, pouco a pouco, num fator, não apenas socialmente inútil, mas até nocivo ao desenvolvimento da sociedade” “Este resultado da atuação e da conduta da burguesia não corresponde, de modo algum, a sua vontade; muito pelo contrário, foi cedendo ante o impulso de uma força irresistível, contra a sua vontade e contra as suas intenções, simplesmente porque as suas próprias forças produtivas ultrapassaram os quadros de sua direção e empurraram a sociedade burguesa inteira”

PARTE II. ECONOMIA POLÍTICA. CAPÍTULO III. TEORIA DA VIOLÊNCIA (continuação)

Mas, que saibamos, a violência não é capaz de criar dinheiro. A única coisa que ela sabe é arrebatar o que já foi criado, o que também de pouco nos servirá, como já o sabemos pela pungente experiência dos famosos 5 bilhões da França. [?]

A indústria não perde o seu caráter de indústria por se destinarem os seus produtos a destruir e não a criar os objetos. (…) As armas de fogo foram, por isso, desde o primeiro momento, manejadas pelas cidades e pela monarquia em ascensão, que nelas se apoiava para lutar contra a nobreza feudal. As muralhas de pedra das fortalezas feudais, até então inexpugnáveis, renderam-se frente aos canhões dos burgueses e as balas dos mosquetes da burguesia trespassaram as armaduras dos cavaleiros. (…) O desenvolvimento da burguesia fez com que passassem para o 1º plano, como armas decisivas da guerra, a infantaria e a artilharia, tendo esta forçado a criação de uma nova seção, dentro da indústria de guerra, até então desconhecida: a da engenharia militar.

As armas de fogo desenvolveram-se com grande lentidão. Os canhões continuavam pesados, os mosquetes não perdiam sua forma tosca, apesar de muitos inventos que o modificaram em detalhes. Foi preciso que se passassem 300 anos até que fosse inventado um fuzil que pudesse ser utilizado por toda a infantaria. Até os começos do século XVIII, o fuzil de espoleta, armado de baioneta, não eliminou definitivamente a lança, como arma de infantaria. As antigas tropas pedestres eram formadas pelos elementos mais vis da sociedade, que eram sujeitos a uma rigorosa instrução, mas não representavam nenhuma segurança e só conseguiam manter-se disciplinados à custa de pancada. (…) a única forma de luta na qual podiam estes soldados utilizar o novo fuzil era a tática de linha, que alcançou a sua máxima perfeição sob o comando de Frederico II. Esta tática consistia em formar toda a infantaria do exército num grande quadrado de 3 filas, capaz de se mover somente em bloco na ordem de batalha; o que no máximo se permitia era que uma das 2 alas avançasse ou recuasse um pouco. Toda essa massa disforme e lerda só podia movimentar-se ordenadamente num terreno completamente plano e, mesmo assim, com grande lentidão de movimentos (à razão de 75 passos por minuto). Não se podia pensar em mudar a ordem de batalha durante o combate, e uma vez que entrava em fogo a infantaria, a vitória ou a derrota podiam ser decididas de golpe, rapidamente.” Primitivo como o futebol na era Friedenreich!

“Contra estas linhas desmanteladas e tontas se levantaram, na guerra da independência norte-americana, as guerrilhas dos rebeldes que, embora sem estar instruídos, disparavam com muito mais pontaria com as suas carabinas e, além disso, como lutavam por seus próprios interesses, não se precisava temer que desertassem, como costuma acontecer com as tropas mercenárias. E estas guerrilhas não davam aos ingleses a satisfação de enfrentá-los com este, em linha regular de combate, nem a campo aberto, operando, pelo contrário, em grupos soltos, manobrando com muita rapidez e sob a proteção dos bosques. A linha, tornada impotente teve de sucumbir frente a um inimigo invisível e inatacável e surgiu a tática dos atiradores: uma tática nova, fruto de um novo material humano.

A obra iniciada pela Revolução Americana foi levada a termo, ainda no terreno militar, pela Revolução Francesa. Frente aos treinados exércitos mercenários da coalizão, a França podia apenas levantar as suas massas, trazidas de toda a nação, numerosas mas pouco bem-instruídas. Com estas massas tratava-se de proteger Paris, isto é, de defender uma determinada zona e, nestas condições, não podiam os combates abertos de massa garantir sozinhos o triunfo. Para tal resultado, não bastava também a tática de guerrilhas. Era preciso inventar uma forma nova para empregar as massas, e esta forma foi a coluna. A marcha em coluna e a sua disposição de combate permitiam ainda a tropas pouco treinadas que se deslocassem bastante ordenadamente e com certa rapidez de movimentos (à razão de 100 passos e até mais, por minuto), permitiam que se rompessem as rígidas formas das velhas linhas, lutando-se em qualquer terreno, mesmo quando desfavorável para as linhas, que se agrupassem as tropas do modo mais conveniente para cada caso, podendo-se barrar, cortar o caminho e fatigar as linhas inimigas, combinando a ação regular com a ação das guerrilhas dispersas, e distraindo o inimigo até que chegasse o momento de se lançar sobre ele e de se romper a sua frente com as massas de reserva. Este novo método de luta, baseado na ação combinada de guerrilhas de colunas e no agrupamento do exército em divisões e corpos de exército independentes, integrados por todas as armas, método de luta que Napoleão utilizou e desenvolveu perfeitamente em seu aspecto estratégico e tático, surgiu, como vimos, imposto pela necessidade, precisamente na ocasião em que se transformava o material humano militar com a Revolução Francesa. Mas também pressupunha 2 condições técnicas muito importantes. A 1ª era a invenção, por Gribeauval, de carretas mais leves para os canhões de campanha, de modo a permitir a estes deslocar-se rapidamente. A 2ª, o arqueamento das escopetas de caça, que até então vinha sendo aplicado apenas no sentido de alargar o diâmetro dos canhões, quando aplicado à culatra dos fuzis, e permitir que se apontasse a um homem isolado, sem se disparar ao acaso. Este invento foi implantado na França em 1767, e podemos dizer que, sem ele, não teria sido possível equiparar eficientemente os atiradores.

sistema revolucionário, que consistia em armar o povo, foi logo substituído pelo recrutamento obrigatório (trocado pelo resgate em dinheiro, no caso dos ricos) e adotado pela maioria dos grandes Estados do continente. A Prússia foi o único país que pretendeu estender aos quadros da reserva, em grandes proporções, a força militar do povo. E foi, além disso, o primeiro Estado a adotar em toda a sua infantaria a novíssima arma, o fuzil carregado pela culatra, depois de ter usado, por pouco tempo, o fuzil de carga dianteira, aperfeiçoado e adaptado para a guerra, entre 1830 e 1860. Tais foram as 2 inovações a que se deveram os triunfos prussianos de 1866.

Na guerra franco-prussiana, enfrentaram-se, pela primeira vez, 2 exércitos equipados com fuzis carregados pela culatra, ambos instruídos, em essência, nas formações táticas que já eram utilizadas no tempo do velho fuzil de espoleta. Nada mais os diferenciava, a não ser que os prussianos, adotando a coluna de companhia, se esforçavam por criar uma forma de luta mais adequada ao novo armamento. Quando, porém, em 18 de agosto, perto de St. Privat, a Guarda Prussiana quis tomar a sério a ordem de batalha de sua coluna de companhia, os 5 regimentos mais empenhados na ação perderam, em 2h, mais de 1/3 de seus efetivos (178 oficiais e 5114 homens). A partir deste momento, a coluna de companhia foi condenada a desaparecer como forma de luta, da mesma maneira que a coluna de batalhão e a linha. Abandonou-se toda e qualquer intenção de continuar expondo, ao fogo dos fuzis inimigos, formações cerradas e, a partir dessa época, os alemães passaram a guerrear somente em densas guerrilhas, naqueles mesmos enxames de tropas em que a coluna se abria, dispersando-se por si mesma, geralmente sob a chuva das balas inimigas, tática que o comando combatia como sendo contrária aos regulamentos. Uma outra inovação foi a adoção do passo rápido de marcha sob o alcance do fogo inimigo, como sendo a única forma de movimento. Novamente o soldado voltava a se mostrar mais inteligente que o oficial, descobrindo instintivamente a única forma de luta que, desde então, pôde vingar, sob o fogo do fuzil carregado pela culatra, e impondo-a, triunfalmente, apesar de todas as resistências do comando.” Ou seja: mais de meio século depois, o exército prussiano se aprimorou com táticas nada novas, provindas dos civis destreinados da revolução francesa. Época romântica dos conflitos armados; e no entanto Nietzsche já a considerava o tipo de guerra dos últimos homens, dos fracos e covardes.

A guerra franco-prussiana representa, na história militar, um ponto de transição que ultrapassa em importância a todos os precedentes. Em primeiro lugar, as armas adquirem um tal grau de aperfeiçoamento que nenhum progresso possível é já capaz de revolucionar este setor.” Calma!!

Quando já se dispõe de canhões capazes de alvejar um batalhão tão logo seja divisado a olho nu à distância, e fuzis que permitem fazer o mesmo tendo como objetivo um homem isolado e nos quais se demora menos tempo em carregar que em fazer a pontaria, todos os progressos que possam ainda ser feitos nas artes da guerra são de menor importância. Neste aspecto, podemos dizer que a era do progresso está mais ou menos terminada, pelo menos em sua parte essencial.”

ANTECEDENTES DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL: “Em 2º lugar, a guerra obrigou todos os grandes Estados do continente a implantar o sistema rigoroso da reserva do tipo prussiano, com isso trazendo para os seus ombros uma carga militar que os levará à ruína dentro de poucos anos. Os exércitos se converteram na principal finalidade dos Estados, como um fim em si mesmo. Os povos existem hoje só para fornecer soldados e para sustentá-los. O militarismo domina e devora a Europa.” “Por outro lado, o serviço militar vai generalizando-se cada vez mais e com isso não faz mais que familiarizar com o emprego das armas todo o povo, ou seja, tornando-o capaz, mesmo contra a sua vontade, de impor, num determinado momento, a sua vontade à camarilha militar governante.”

Chegado este momento, os exércitos dos príncipes se converterão em exércitos do povo, a máquina se negará a continuar funcionando e o militarismo perecerá, engolido pela dialética de seu próprio desenvolvimento. E o que não pôde conseguir a democracia burguesa de 1848, precisamente porque era burguesa, e não proletária – infundir às massas trabalhadoras uma vontade ajustada à sua situação de classe –, conseguirá o socialismo, infalivelmente. E pelo fato de consegui-lo, matará em suas raízes o militarismo e os exércitos permanentes.”

Somente um povo de caçadores como o americano poderia de novo pôr em prática a tática dos atiradores. E os americanos não eram caçadores por capricho, mas por causas puramente econômicas, exatamente da mesma forma por que hoje, por causas também puramente econômicas, esses mesmos yankees – pelo menos aqueles que vivem nos Estados mais antigos – se converteram em lavradores, industriais, navegantes e comerciantes, que já não se dedicam à caça no desbravamento das selvas virgens, mas que, em troca, sabem como ninguém se mover com desenvoltura no campo da especulação, no qual aplicaram também a sua tática de massas.”

Até que ponto a tática da guerra depende atualmente do estado da produção e dos meios de comunicação do país, que o exército tem em sua retaguarda, é coisa que qualquer suboficial, por pouco instruído, poderá explicar ao Sr. Dühring.”

Passando dos exércitos de terra à marinha, veremos que somente os últimos 20 anos constituem uma verdadeira revolução neste aspecto da guerra.” “A princípio era uma camada muito delgada; 4 polegadas de espessura já se considerava uma blindagem pesadíssima. Mas os progressos da artilharia alcançaram e ultrapassaram esta defesa. Para cada nova espessura da blindagem era inventado um novo canhão sempre mais pesado que a perfurava com maior facilidade. Chegamos assim às espessuras de couraças de 10, 14, e 24 polegadas (a Itália se dispõe a construir um barco encouraçado com chapas de 3 pés de espessura), de um lado, e, de outro, aos canhões de 25, 35, 80 e até 100 toneladas (20 quintais de peso), capazes de lançar a distâncias antes inconcebíveis cargas de 300, 400, 1700 e até 2000 libras.” “O barco de guerra de hoje é um vapor gigantesco com chapa torneada, de 8 ou 9 mil toneladas de calado e 6 a 8 mil cavalos de força, com torres giratórias, e 4 ou, no máximo, 6 canhões pesados, e uma proa terminada em aríete por debaixo da linha de flutuação para pôr a pique os barcos inimigos; é todo ele uma máquina gigantesca, na qual a força de vapor não somente permite um deslocamento muito mais rápido, como também toda uma série de movimentos antes desconhecidos, tais como a direção do navio da ponte do comando, o manejo do leme, a rotação das torres, a direção e o carregamento dos canhões, a sucção da água, o arriar e içar dos botes – operação que se realiza, também às vezes, a vapor – etc. E o duelo entre a blindagem dos navios e o alcance dos canhões está muito longe de terminar, a ponto de que, geralmente, quando sai um navio dos estaleiros, já é antiquado e não mais corresponde às exigências que presidiram a sua construção.” “Todos os barcos encouraçados turcos, quase todos os russos e a maioria dos alemães, foram construídos na Inglaterra. As chapas blindadas de alguma eficácia quase que só são fabricadas em Sheffield. Das 3 fábricas de fundição da Europa, montadas em condições de fornecer canhões mais pesados, 2 correspondem à Inglaterra (Woolwich e Elswick) e a 3ª à Alemanha (Krupp).” “Ninguém ficará tão desesperado com esta nova situação como a própria violência, isto é, o Estado, que chega à conclusão de que um navio lhe custa hoje tanto como antes uma pequena esquadra, tendo por fim que se resignar com o fato de que estes navios caríssimos sejam logo considerados obsoletos, perdendo, portanto, o seu valor antes de fazer-se ao mar.” “De nosso lado, não temos por que nos indignar pelo fato de que, no duelo que se está desenrolando entre as placas blindadas e os canhões, o navio vai aperfeiçoando-se, até que termine por atingir uma perfeição tal que se torne definitivamente inexeqüível e inútil para a guerra.” O impasse das bombas nucleares só que aplicado às frotas perfeitas: duas armas de ataque e defesa máximos, que não conseguiriam danificar uma à outra; ou que forçosamente só o fariam sob o preço de também se virem naufragar.

o militarismo, como qualquer outra manifestação histórica, perecerá, devido às conseqüências de seu próprio desenvolvimento.” Ainda não atingimos esse ponto de corte.

Mas para que perder tempo com todas estas demonstrações? Que na próxima guerra marítima se entregue o Alto Comando ao Sr. Dühring e veremos como ele destruirá todas as frotas de encouraçados, escravizados pela ‘situação econômica’, sem utilizar torpedos ou outras armas do mesmo gênero, mas simplesmente apelando para a sua ‘força imediata’

PARTE II. ECONOMIA POLÍTICA. CAPÍTULO IV. TEORIA DA VIOLÊNCIA (conclusão)

quando, nos últimos tempos da República Romana, os proprietários dos grandes blocos de terra, os latifundiários, expulsaram os camponeses de seus lotes, substituindo-os por escravos, foi ao mesmo tempo substituída a agricultura pela criação de gado, semeando, como já predizia Plínio, a ruína da Itália (latifundia Italiam perdidere).”

Os colonos da Frisia, [Frígia?] da Baixa Saxônia, de Flandres, e do Baixo-Reno, os que cultivavam, a leste do Elba, a terra arrebatada aos eslavos, trabalhavam como lavradores livres, sob um estatuto muito favorável e sem estarem sujeitos a ‘nenhum tipo de vassalagem’. Na América do Norte, a grande maioria das terras foi aberta ao cultivo pelo trabalho de agricultores livres, enquanto que os grandes proprietários do Sul, com seus escravos e seus métodos de exploração, esgotaram o solo até o ponto de não dar mais nada, exceto pinho”

Na Austrália e na Nova Zelândia, fracassaram até agora todas as tentativas do governo inglês para a instauração artificial de uma aristocracia de fazendeiros.”

esse grande proprietário de terras, que começa por desbravar o solo e por submeter a natureza ao seu domínio, por meio de seus escravos ou vassalos, não é mais que uma pura criação da fantasia do Sr. Dühring. Longe disso, ali onde aparece esse grande proprietário de terras, como aconteceu na Itália, não é precisamente para desbravar e iniciar o cultivo das terras incultas, mas, muito ao contrário, para converter em pastos as terras cultivadas pelos camponeses, despovoando e arruinando regiões imensas.”

Para cada acre de terras comunais que os grandes proprietários cultivaram na Inglaterra, converteram, na Escócia, pelos menos 3 acres de terras cultivadas em pasto de ovelhas” Ou seja: terra destinada à agropecuária é muito mais improdutiva que a destinada à agricultura. Dir-se-ia que é inevitável a expansão do agronegócio devido ao aumento da população e à necessidade de carne; e que coisas como batatas poderiam ser facilmente adquiridas por importação. Mas numa economia de terceiro mundo, que destina também a carne à exportação (Brasil), isso é um desastre para a população, majoritariamente pobre. Ironicamente, grandes pastos só existem porque havia múltiplas pequenas propriedades destinadas ao cultivo, anteriormente, nessas mesmas regiões.

Se o Sr. Dühring, ao afirmar que o domínio do homem sobre o homem é, em termos gerais, a condição prévia do domínio da natureza pelo homem, e com isto quer dizer apenas que todo o nosso atual estado econômico, o grau de desenvolvimento a que chegaram a agricultura e a indústria, são apenas o resultado de uma história social que se veio desenvolvendo por antagonismos de classe, por relações entre o poder e a vassalagem, nesse caso está afirmando alguma coisa que é já, desde a publicação do Manifesto Comunista, um velho lugar comum. Trata-se precisamente de explicar as origens dessas classes e as relações do poder, e o Sr. Dühring não sabe nos oferecer mais que a repisada explicação da ‘violência’, mas essa palavra não nos faz dar nem um passo para frente. O simples fato de que os dominados e explorados tenham sido, em todos os tempos, uma legião muito mais numerosa do que a de seus dominadores e exploradores, tendo, portanto, em suas mãos a força real basta para pôr a nu toda a inutilidade da teoria da violência. O problema está, exclusivamente, repetimos, em explicar o por que dessas relações entre o poder e vassalagem.”

ORIGEM DO ESTADO VERSÃO CONDENSADA E HISTÓRIA DA ESPECIALIZAÇÃO DOS INDIVÍDUOS: “No seio de cada uma destas coletividades [primitivas, proto-estatais] existem, desde o 1º momento, determinados interesses comuns, cuja defesa se entrega a determinados indivíduos, embora sob o controle da coletividade, como seja: administração da justiça, repressão de atos ilegítimos, inspeção do regime de águas, principalmente nos países tropicais e, finalmente, toda uma série de funções religiosas, derivadas do primitivismo selvagem destas sociedades. Tais fenômenos de distribuição de competências se encontram nas coletividades naturais de todas as épocas, como já ocorria na sociedade antiquíssima dos marks alemães e como ainda hoje se observa na Índia. Trazem consigo, como é lógico, uma certa amplitude de poderes e representam as origens do Estado. Pouco a pouco, as forças produtivas se vão intensificando, a densidade cada vez maior de população cria interesses, ora comuns ora formados entre as distintas coletividades, de modo que, agrupando-se num todo superior, fazem nascer uma nova divisão do trabalho, criando os órgãos necessários para cuidar dos interesses harmônicos e para defender-se contra os interesses hostis.”

Não é necessário que examinemos aqui o modo como esta independência da função social frente à sociedade foi convertendo-se, com o correr dos tempos, numa verdadeira hegemonia sobre a própria sociedade, o modo como os primitivos servidores da sociedade, nos lugares onde as circunstâncias lhes foram propícias, foram-se erigindo paulatinamente em senhores dela própria e, finalmente, o modo como, de acordo com o ambiente, esses mesmos senhores se instauraram, no Oriente, como déspotas ou sátrapas, na Grécia como príncipes de linhagem, entre os celtas como chefes de clã, e assim por diante.”

POR QUE A INGLATERRA FRACASSOU NAS ÍNDIAS: “Muitos foram os déspotas que passaram pelo poder, na Pérsia e na Índia, mas todos eles sabiam perfeitamente que a sua missão coletiva era, antes de tudo, a de regar os vales, pois que sem irrigação não se podia fazer ali agricultura. Foi preciso que chegassem os ingleses civilizados para que esse dever primordial do despotismo, no Oriente, fosse esquecido. Os ingleses deixaram que se estragassem os canais e as represas, e, atualmente, depois de muitos anos, as épocas periódicas de fome vêm a lhes apontar que menosprezaram a única atividade que poderia tornar a sua hegemonia sobre a Índia pelo menos tão legítima quanto a de seus antecessores.”

A força de trabalho adquiriu um valor. Mas nem a coletividade, por si mesma, nem o agrupamento de coletividades de que ela fazia parte podiam fornecer forças de trabalho disponíveis, excedentes. Fornecia-as a guerra, que já se efetuava a partir, pelo menos, dos tempos em que começaram a coexistir, lado a lado, distintos grupos sociais. Até essa época, não se tinha sabido, ainda, como empregar os prisioneiros de guerra, razão pela qual eram eles liquidados em vez de se os alimentar, como era costume em épocas anteriores. Ao chegar, porém, a esta etapa da evolução econômica, os prisioneiros de guerra começaram a representar um valor. Por isso, deixaram-nos viver, a fim de aproveitarem-se de seu trabalho. Como vemos, a violência, longe de se impor sobre a situação econômica, foi posta a serviço desta. Haviam sido lançadas as bases da instituição da escravidão.”

Foi a escravidão que tornou possível a divisão do trabalho, em larga escala, entre a agricultura e a indústria, e foi graças a ela que pôde florescer o mundo antigo, o helenismo.” “E sem as bases do helenismo e do Império Romano não se teria chegado a formar a moderna Europa.” “Podemos, neste sentido, afirmar, legitimamente, que, sem a escravidão antiga, não existiria o socialismo moderno.” “Neste terreno, por mais paradoxal e mais herético que possa parecer, não temos outro remédio senão dizer que a implantação da escravidão representou, nas circunstâncias em que ocorreu, um grande progresso. É indiscutível que a humanidade saiu de um estado de animalidade e que necessitou utilizar, portanto, de meios bárbaros e quase bestiais para erguer-se desse estado de barbárie.” Nietzsche-Adorno

As antigas comunidades, onde subsistem essas instituições, formam, desde milhares de anos, da Índia à Rússia, a base da mais tosca forma de Estado: o despotismo oriental.” “Enquanto o trabalho humano era muito pouco produtivo, é claro que apenas fornecia um pequeno excedente, depois de satisfeitas as necessidades mais prementes da vida, não se podendo tratar da intensificação das forças produtivas, da ampliação do mercado, do aperfeiçoamento do Estado e do Direito, da fundação de nenhuma arte [técnica] e de nenhuma ciência, a não ser pela mais reforçada divisão do trabalho, em cuja base estava, forçosamente, a grande divisão do trabalho entre as massas dedicadas ao simples trabalho manual e uns poucos privilegiados, ao cargo dos quais estava a direção dos trabalhos, o comércio, o trato dos negócios públicos e, mais tarde, o cultivo das artes e ciências.” “E representava esta instituição um progresso até para os próprios escravos: permitia, pelo menos, aos prisioneiros de guerra, entre os quais eram recrutados em seu maior número os escravos, que conservassem as vidas já que, até então, eram todos exterminados, no começo, por meio da fogueira, e, depois, por meio do cutelo.”

tinha que haver necessariamente uma classe especial que, livre do trabalho efetivo, tratasse desses assuntos.” Da kalokagathia até os levitas, tribo sacerdotal, e especial, dos semitas!

A gigantesca intensificação das forças produtivas, conseguida graças ao advento da grande indústria, é que tornou possível que o trabalho se possa distribuir, sem exceção, entre todos os membros da sociedadereduzindo dessa forma a jornada de trabalho do indivíduo a tais limites, que deixem a todos um tempo livre suficiente para que cada um intervenha – teórica e praticamente – nos negócios coletivos da sociedade.” Sem a inclusão da mulher, o homem trabalharia em dobro. Sem a inclusão de uma grande parte desse exército de reserva que está à míngua no Brasil nunca atingiremos os patamares europeus de, senão pleno emprego, pelo menos a redução ainda maior da carga horária, ainda convencionada em média a 40h semanais, a mais salutares 30h ou a menos dias úteis semanais.

PARTE II. ECONOMIA POLÍTICA. CAPÍTULO V. TEORIA DO VALOR

Há cerca de cem anos, apareceu, em Leipzig, um livro, que alcançou 31 edições até o começo do atual século, tendo sido distribuído e difundido nas cidades e aldeias, pelas próprias autoridades, por pregadores e por filantropos de toda a espécie, além de ser colocado em todas as escolas públicas do país, como texto de leitura. O título deste livro era: O Amigo da Criança, e tinha por autor um tal Rochow. A sua finalidade era doutrinar, aos jovens filhos dos camponeses e dos artesãos, a respeito de sua missão na vida e de seus deveres para com os seus superiores hierárquicos, na sociedade e no Estado, infundindo-lhes contentamento com a sorte benfazeja que o céu lhes tinha reservado na terra, e, ao mesmo tempo, com o pão negro e as batatas, as tributações feudais e os magros salários, as surras recebidas de seu pai, e outras coisas não menos agradáveis, tudo divulgado por meio de raciocínios que eram muito comuns naquela época.”

O valor das mercadorias é determinado pelo trabalho geral, humano, socialmente necessário, nelas materializado, o qual, por sua vez, é medido pela sua duração. O trabalho é a medida de todos os valores, mas não possui valor algum.”

Marx, O Capital

se o salário determina o valor, é impossível conceber que o operário seja explorado pelo capitalista.” O valor também determinaria o salário, não haveria inflação nem lucro capitalista, apenas uma troca equivalente universal entre trabalhadores e consumidores (as mesmas pessoas).

PARTE II. ECONOMIA POLÍTICA. CAPÍTULO VI. TRABALHO SIMPLES E TRABALHO COMPLEXO

trabalho mais complexo não é mais que o trabalho simples potenciado, ou melhor, multiplicado de tal maneira que uma quantidade pequena de trabalho complexo equivale a uma quantidade maior de trabalho simples. A experiência nos ensina que a redução de trabalho complexo para trabalho simples está sendo realizada diariamente. Embora uma mercadoria seja um produto do trabalho mais complicado do mundo, o seu valor a coloca no mesmo plano que os produtos do trabalho simples, o que faz com que só represente uma determinada quantidade de trabalho comum. As diferentes proporções em que as diferentes espécies de trabalho são reduzidas ao trabalho simples, que é a sua unidade de medida, são fixadas por meio de um processo social, desenvolvido sem o conhecimento dos produtores, que supõem mesmo que ela provém da tradição.”

O Capital

Ora, nem todo trabalho consiste na simples força humana de trabalho. Existem variadas espécies de trabalho, que envolvem o exercício de aptidões e conhecimentos, adquiridos com maior ou menor esforço, ao lado de um gasto maior ou menor de tempo e de dinheiro. Formam, essas categorias de trabalho complexo, no mesmo espaço de tempo, um valor mercantil idêntico ao do trabalho simples, que é o desgaste ou a aplicação da força simples de trabalho? Está claro que não. O produto de uma hora de trabalho complexo, comparado com o produto de uma hora de trabalho simples, representa uma mercadoria cujo valor é 2 ou 3x superior. O valor dos produtos do trabalho complexo é expresso, nesta comparação, por determinadas quantidades de trabalho simples, mas esta redução do trabalho complexo ao trabalho simples se realiza por meio de um processo social desconhecido dos próprios produtores, cuja trajetória não podemos aqui senão assinalar na exposição da teoria do valor, deixando a sua explicação detalhada para ocasião oportuna.”

Ao falarmos do valor do trabalho, empenhando-nos em determiná-lo, incorremos no mesmo contra-senso em que incorreríamos se falássemos, procurando encontrá-lo, do valor ou do peso, não de um corpo pesado, mas da própria gravidade.”

Para o socialismo, que aspira à emancipação da força humana de trabalho de sua condição de mercadoria, é da maior importância compreender que o trabalho não tem um valor. Demonstrado este fato, caem por terra todas as tentativas próprias do socialismo operário primitivo e elementar, que tem no Sr. Dühring um continuador, e que são destinadas a regulamentar a distribuição futura dos meios de vida por meio de uma espécie de salário superior.”

A CILADA DO VALOR ‘ABSOLUTO’ DE DÜHRING: “É claro que o modo tradicional de pensar das classes cultas, herdado pelo Sr. Dühring, tem que considerar, necessariamente, como uma monstruosidade que chegue o dia em que não existam mais carregadores e arquitetos de profissão, e no qual o homem, que passou uma meia hora dando instruções, como arquiteto, tem que servir durante algum tempo como carregador, até que seus serviços de arquiteto voltem a ser necessários. Para se eternizar a categoria dos carregadores de profissão não era preciso o socialismo!”

Entre 2 operários, até de um mesmo ramo industrial, o produto do valor criado em cada hora de trabalho se diferenciará sempre, quer devido à intensidade do trabalho, quer à habilidade do trabalhador. E este ‘mal’, que existe somente para homens do gênero do Sr. Dühring, não pode ser remediado nem mesmo pela Comuna Econômica, ao menos em nosso planeta.”

Na sociedade de produtores privados, os gastos para a formação de cada operário instruído correm por conta dos particulares ou de suas famílias, razão pela qual devem eles mesmos lucrar com a diferença de preço das forças de trabalho qualificadas. O escravo hábil é vendido por maior preço, o operário mais competente obtém um melhor salário. Na sociedade socialista, os gastos com a instrução correrão por conta da coletividade, e a ela, portanto, é que deverão caber os seus frutos, isto é, o excedente de valor engendrado pelo trabalho complexo.”

PARTE II. ECONOMIA POLÍTICA. CAPÍTULO VII. CAPITAL E MAIS-VALIA

Assim, segundo Marx, o capital teria nascido da moeda no começo do século XVI. É como se disséssemos que a moeda metálica nasceu há 3 mil anos, do gado, porque, como se sabe, este teve antigamente função de moeda. Só mesmo o Senhor Dühring seria capaz de exprimir-se com tanta grosseria e desacerto.”

Na sua primeira entrada em cena, isto é, na sua primeira aparição no mercado, quer se trate do mercado de mercadorias, do de trabalho ou de moeda, o capital reveste sempre a forma dinheiro, a forma de um dinheiro que (…) deve transformar-se em capital.

O Capital, livro I, capítulo IV

capitalista incipiente começa por comprar aquilo de que ele próprio ‘não tem’ necessidade; compra para vender, e para vender mais caro, para recuperar o valor-dinheiro primitivamente aplicado na compra e, mais ainda, para recuperá-lo acrescido de um excedente em dinheiro, que Marx denomina de mais-valia.”

O problema é este: como é possível vender constantemente mais caro do que se comprou, mesmo que se suponha que se trocam sempre valores iguais por valores iguais?

A solução dessa questão é, na obra de Marx, o seu grande mérito, um acontecimento que marca uma época. Ela veio iluminar domínios econômicos em que até aqui não só os socialistas como os economistas burgueses tateavam no meio das trevas mais espessas. Data dessa época, e em torno dela se agrupa, o socialismo científico.”

seria preciso que o nosso possuidor de dinheiro tivesse a sorte de descobrir, na esfera da circulação, isto é, no mercado, uma mercadoria cujo valor de uso fosse dotado da singular propriedade de ser fonte de um novo valor ou cuja utilização real seria, pois, a materialização do trabalho e, por conseqüência, ‘criação de valor’. Ora, o possuidor de dinheiro encontra no mercado essa mercadoria particular: é a capacidade de trabalho, ou força de trabalho.”

O Capital

Também o comprador da força de trabalho tem, em conseqüência, [do fato de que, no início, o valor pago pelas horas de trabalho suficientes para produzir a mercadoria não gere excedente¹] uma maneira inteiramente diversa de encarar a natureza do contrato realizado com o operário.”

¹ Obviamente essa hipótese ideal só poderia ocorrer sob 2 possibilidades razoavelmente difíceis de encontrar no mercado de trabalho:

a) remuneração justa;

b) jornada de trabalho honesta.


O fato de somente 6h de trabalho serem necessárias para manter a vida do trabalhador durante 24h não o impede de modo algum que seja obrigado a trabalhar 12h em 24.” Razão por que as reformas trabalhistas demoraram séculos, enquanto o Capitalismo se consolidava espetacularmente… Quando o Capital volta a enfraquecer no fim do século XX, principalmente no setor de serviços, onde não há a possibilidade de mecanização da maioria dos processos, tem de recorrer à terceirização e quarteirização, expediente que permite a flexibilização das leis trabalhistas e o retorno de jornadas de 10 a 12h para desprivilegiados do sistema.

Que o valor criado pela utilização dessa força de trabalho, durante um dia, seja 2x tão grande quanto o valor diário dessa força é uma grande sorte para o comprador; mas não é, de forma alguma, de acordo com as leis que regem a troca de mercadorias, uma injustiça em relação ao vendedor. Assim, o trabalho custa ao possuidor de dinheiro, segundo a nossa hipótese, diariamente, o produto em valor de 6h de trabalho. Diferença em proveito do possuidor de dinheiro: 6h de sobre-trabalho não-pago, no qual se acha incorporado o trabalho de 6h. Realizou-se o milagre, a mais-valia foi produzida, o dinheiro transformou-se em Capital.”

É preciso, primeiramente, que o trabalhador possa dispor, como pessoa livre, de sua força de trabalho, como de uma mercadoria qualquer; é preciso, em seguida, que não tenha outra mercadoria a vender e que esteja livre e desembaraçado de todas as coisas necessárias para realizar, por conta própria, a sua força de trabalho.”

O Capital

Com efeito, esse trabalho livre aparece na história, pela 1ª vez, em massa, no fim do século XV e começo do XVI, em seguida à decomposição do regime feudal de produção.”

Assim, o pecado que o Senhor Dühring acusa em Marx, de não fazer do Capital a idéia comumente admitida em economia política, não somente ele próprio o comete, como perpetra, em relação a Marx, um plágio torpe, ‘mal-dissimulado’ por meio de frases pretensiosas.”

O Capital é, pois, uma fase histórica, não somente em Marx como também no Sr. Dühring. Somos, assim, forçados a concluir que estamos entre jesuítas: quando 2 homens fazem a mesma coisa, não é a mesma coisa. Quando Marx diz que o Capital é uma fase histórica, essa afirmação é resultado de ‘uma imaginação exótica, produto bastardo da fantasia histórica e lógica em que a faculdade de discernimento desaparece com tudo o que significa probidade no emprego dos conceitos’. Quando o Sr. Dühring apresenta igualmente o Capital como uma fase histórica, isso é uma prova de ‘penetração na análise econômica, do caráter científico mais definitivo e mais rigoroso, no sentido das disciplinas exatas’.”

“‘O sobre-trabalho, o trabalho excedente ao tempo necessário à manutenção do trabalhador’, e a apropriação do produto desse sobre-trabalho por outrem, a exploração do trabalho, são, pois, comuns a todas as formas de sociedade até aqui existentes, enquanto nelas reinarem os antagonismos de classes. Mas é somente quando o produto desse sobre-trabalho se reveste da forma de mais-valia, quando o proprietário dos meios de produção encontra diante de si, como objeto de exploração, o trabalhador livre – livre de entraves sociais e livre de bens próprios – e o explora tendo em vista a produção de mercadorias, é somente então, segundo Marx, que os meios de produção se revestem do caráter específico de Capital.”

Noutros termos, o Senhor Dühring apropria-se do conceito de sobre-trabalho descoberto por Marx para fulminar a mais-valia, igualmente descoberta por Marx, e que, por enquanto, não lhe convém. Segundo o Senhor Dühring, não só a riqueza mobiliária e imobiliária dos cidadãos atenienses e coríntios, que utilizavam o trabalho escravo, mas também a dos grandes proprietários territoriais romanos da época imperial, e, do mesmo modo, dos barões feudais da Idade Média, por pouco que servissem, de qualquer maneira, à produção, constituem, todas, modalidades, sem exceção, de Capital.”

Para nós, é-nos absolutamente indiferente que todos os economistas burgueses se deixem dominar pela idéia de que a virtude de produzir juros ou lucros é inerente a qualquer soma de valores invertidos, sob condições normais, na produção ou na troca de mercadorias. Capital e lucro ou capital e juros são, na economia clássica, inseparáveis, estão de tal maneira entrelaçados entre si como a causa e o efeito, o pai e o filho, o ontem e o hoje. Mas a palavra, Capital, na sua significação econômica moderna, só aparece na época em que surge o próprio fenômeno que o caracteriza, em que a riqueza mobiliária se reveste cada vez mais da função de Capital, isto é, explora o sobre-trabalho de operários livres, com o fim de produzir mercadorias; e esse fenômeno começa a tomar forma, pela 1ª vez, na mais antiga nação capitalista que se apresenta na história: a Itália dos séculos XV e XVI.”

PARTE II. ECONOMIA POLÍTICA. CAPÍTULO VIII. CAPITAL E MAIS-VALIA (conclusão)

A mais-valia divide-se, portanto, em várias partes, que se destinam a diversas categorias de pessoas e se revestem, cada uma, de uma forma especial, independentes umas das outras, tais como lucro, juros, ganho comercial, renda territorial, etc.

O Capital

BURRO OU DESONESTO: “Quando o Sr. Dühring pretende, portanto, que a mais-valia de Marx é, para falar a linguagem comum, o ‘lucro do Capital’, o quê se pode concluir, em face disso, uma vez que todo o livro de Marx gira em torno da mais-valia? Só há 2 hipóteses: ou ele não sabe o que diz e, nesse caso, é de uma impudência sem igual pretendendo fulminar uma obra cujo conteúdo essencial ignora; ou conhece esse conteúdo e comete voluntariamente uma falsificação.”

Marx diz expressamente que o lucro comercial também constitui uma parte da mais-valia, e em tais circunstâncias isto só é possível se o fabricante vender seu produto ao negociante, abaixo de seu valor, cedendo-lhe, assim, uma parte de seu espólio. Feita como aí está, a pergunta, na verdade, não pode nem mesmo ser encontrada em Marx. Feita em termos racionais, ei-la: Como a mais-valia se transforma em suas formas e modalidades: lucro, juros, ganho do comerciante, renda territorial, etc.? E esta questão Marx promete, sem dúvida, resolvê-la no livro II de O Capital. Mas se o Senhor Dühring não podia esperar pacientemente pelo aparecimento do 2º volume de O Capital, poderia ter examinado, com mais cuidado, o 1º vol. Neste, poderia ver, afora as passagens já citadas, à página 323, por exemplo, que, segundo Marx, as leis imanentes da produção capitalista agem no movimento exterior dos capitais como as leis imperativas da concorrência, que é a forma sob a qual se revelam à consciência do capitalista individual como os seus motivos propulsores; que, por conseguinte, uma análise científica da concorrência não é possível senão quando se discerne a natureza íntima do capital[Sua natureza trágica e inconsciente] do mesmo modo que o movimento aparente dos corpos celestes só é perceptível aos que conhecem o seu movimento real, imperceptível aos sentidos.”

Para Marx, o sobre-produto, como tal, não entra absolutamente nos gastos da fabricação: é a parte do produto que não custa nada ao capitalista. Se os patrões concorrentes quisessem vender o sobre-produto ao preço de suas despesas naturais de fabricação, nada mais teriam a fazer senão dá-lo de presente. Mas não nos retardemos nestes ‘detalhes micrológicos’. Não estariam os patrões concorrentes valorizando diariamente o produto do trabalho acima do custo natural de produção?”

A Vênus da qual esse fiel mentor procura desviar a juventude alemã, ele a tinha ido buscar nas terras de Marx e a tinha posto, em surdina, em lugar seguro, para seu próprio prazer. Cumprimentemo-lo por esse produto líquido obtido, utilizando a força de trabalho de Marx, e pela luz particular que a sua anexação da mais-valia marxista, sob o nome de renda possessória, lança sobre os motivos da sua falsa e obstinada afirmação, aliás repetida em 2 edições, de que Marx entendia por mais-valia somente o lucro ou o ganho do Capital.”

PARTE II. ECONOMIA POLÍTICA. CAPÍTULO IX. LEIS NATURAIS DA ECONOMIA – A RENDA TERRITORIAL

Lei nº 1: ‘A produtividade dos meios econômicos, das riquezas naturais e da força do homem, é intensificada pelas <invenções> e <descobrimentos>.’

Espantoso! O Senhor Dühring trata-nos, mais ou menos como, em Molière, aquele pândego trata o fidalgo, ao dizer-lhe que ele fez prosa toda a vida sem o saber.”

—“que essa velha banalidade seja a lei fundamental de toda a economia, eis uma revelação que ficamos devendo ao Senhor Dühring.” “Se a ‘vitória da verdadeira ciência’, em economia política como em filosofia, consiste somente em dar ao 1º lugar-comum que nos ocorre um nome retumbante, e proclamá-lo como uma lei natural, ou seja, como uma lei fundamental, então, realmente, ‘fundar a ciência sobre uma base aprofundada’, revolucionar a ciência, torna-se possível a todo mundo, inclusive à redação da Volkszeitung, de Berlim.”

Quando dizemos, p.ex., que os animais comem, com isso enunciamos tranqüilamente, com toda a inocência, uma grande coisa. Para revolucionarmos toda a zoologia, não teríamos senão que dizer: a lei fundamental de toda vida animal é comer.” HAHAHA!

Lei nº 2: ‘Divisão do trabalho. A separação dos ramos profissionais e a especialização das atividades aumentam a produtividade do trabalho.’

Lei nº 3: ‘Distância e transporte são as causas principais que entravam ou favorecem a cooperação das forças produtivas.’

Lei nº 4: ‘O Estado industrial tem uma capacidade de produção incomparavelmente maior que o Estado agrícola.’

Lei nº 5: ‘Em economia política, nada acontece sem que corresponda a um interesse material.’ [HAHAHAHAA]

Tais são as ‘leis naturais’ sobre as quais o Senhor Dühring funda a sua economia.”

terminaremos por um estudo rápido das idéias do Senhor Dühring sobre a renda territorial. § Passamos por alto todos os pontos em que o Sr. Dühring se limita a repetir Carey, seu predecessor; não trataremos aqui de refutar a Carey, nem de defendê-lo contra suas tergiversações e fatuidades acrescentadas à concepção ricardiana da renda do solo.”

ele define a renda do solo como ‘a renda que o proprietário recebe do solo, em sua condição de proprietário’.” Parece fazer sentido!

[Mas a] idéia econômica de renda territorial, que o Sr. Dühring deve explicar, é singelamente traduzida em linguagem jurídica, de maneira que não avançamos um palmo. Nosso construtor de alicerces profundos é, portanto, obrigado a entregar-se, por bem ou por mal, a excessos de explicações.”

n[est]a teoria da renda territorial não se distingue especialmente o caso em que um homem explora, ele próprio, a sua terra, e não se dá muita importância à diferença quantitativa que existe entre uma renda percebida sob a forma de arrendamento e uma renda produzida por aquele mesmo que a aufere.”

Onde existam explorações consideráveis, ver-se-á facilmente que não se poderia considerar o ganho específico do arrendatário como uma espécie de salário de seu trabalho: esse lucro, com efeito, surge em oposição à força de trabalho agrícola, cuja exploração torna, por si mesma, possível essa espécie de renda. É evidentemente ‘uma fração de renda’ que fica nas mãos do arrendatário e torna menor a ‘renda integral’ que o proprietário receberia caso explorasse por conta própria a terra.

A teoria da renda territorial é uma parte da economia política especificamente inglesa e devia sê-lo, pois é somente na Inglaterra que existe um modo de produção em que a renda se separa efetivamente do lucro e dos juros. Na Inglaterra, como se sabe, dominam o latifúndio e a grande agricultura. Os proprietários territoriais arrendam suas terras, sob a forma, quase sempre, de grandes domínios, a arrendatários providos de capital suficiente para explorá-las. Estes arrendatários não trabalham como os camponeses alemães, não passando de autênticos empreiteiros capitalistas, pois empregam o trabalho de assalariados. Temos aí, portanto, 3 classes da sociedade burguesa e a renda própria a cada uma delas: o latifundiário, que percebe a renda territorial; o capitalista, que embolsa o lucro; o trabalhador, que recebe o salário. Nunca um economista inglês se lembrou de fazer do ganho do arrendatário, como ‘parece’ ao Senhor Dühring, uma espécie de salário.”

“É verdadeiramente ridículo, com efeito, dizer que nunca se levantou com tanta precisão a questão de saber o que é, na verdade, o lucro do arrendatário. Na Inglaterra, não se tem mesmo necessidade de fazer semelhante pergunta, cuja resposta está dada há muito tempo pelos fatos e nenhuma dúvida houve, até hoje, nesse sentido, desde Adam Smith.

O caso em que o proprietário explora, ele mesmo, as suas terras, segundo considera o Sr. Dühring, ou melhor, como diríamos nós, a exploração por parte dos administradores, por conta do proprietário territorial, como acontece, às vezes, na Alemanha, em nada altera a questão. Quando o latifundiário fornece o capital e faz explorar a terra por sua própria conta, ele embolsa, além da renda territorial, o lucro do capital, como é inevitável no atual regime de produção.”

Um latifundiário que ‘também explora’ parte de suas próprias terras deveria receber, uma vez pagos os gastos de exploração, a renda do proprietário territorial [mas é ele! a renda que ele recebe está na forma de não pagar o arrendamento ao proprietário, ora bolas!] e o lucro do arrendatário. Entretanto, ele chamará de boa vontade, pelo menos na linguagem corrente, todo o seu ganho de lucro, confundindo assim renda com lucro. A maioria dos lavradores da América do Norte e das Índias Ocidentais está nesse caso: a maior parte cultiva suas propriedades e raramente ouvimos falar da renda de uma lavoura, e, sim, do lucro que ela dá … Um hortelão, que cultiva com suas mãos sua própria horta, é proprietário territorial, arrendatário [!!!] e operário assalariado ao mesmo tempo: o produto deveria, portanto, pagar-lhe a renda do primeiro, o lucro do segundo e o salário do terceiro; [HAHAHA!] entretanto, tudo passa ordinariamente como sendo produto de seu trabalho: desse modo, a renda e o lucro se confundem com o salário.” 

Riqueza das Nações, vol 1, cap. 6

o arrendatário ‘diminui’ a renda do latifundiário, isto é, que, no Senhor Dühring, não é como se havia até agora figurado, o arrendatário que ‘paga’ ao proprietário territorial, mas ‘proprietário territorial’ que paga ‘ao arrendatário uma renda’ – [!!!!] e eis aí ‘um ponto de vista eminentemente original’.” “o que o Senhor Dühring entende [verdadeiramente] como renda do solo: é todo o sobre-produto obtido, na agricultura, pela exploração do trabalho do camponês.” Mas o latifundiário exclusivo não possui a mão-de-obra, burro!

Assim, segundo o Senhor Dühring, a única diferença entre a renda territorial e o lucro do capital é que a 1ª se obtém na agricultura e a 2ª na indústria e no comércio.”

PARTE II. ECONOMIA POLÍTICA. CAPÍTULO X. SOBRE A “HISTÓRIA CRÍTICA”

Como a economia política, tal qual se manifestou na história, não é, de fato, senão o estudo científico do que é a economia do período de produção capitalista, não se podem encontrar proposições e teoremas que com ela se relacionem (p.ex., entre os escritores da sociedade grega antiga) senão na medida em que certos fenômenos, tais como a produção mercantil, o comércio, a moeda, o capital que rende juros, etc., são comuns às duas sociedades. Todas as vezes que os gregos incursionam ocasionalmente nesse domínio, demonstram o mesmo gênio e a mesma originalidade que nos outros. Seus pontos de vista são, pois, historicamente, os pontos de partida teóricos da ciência moderna.”

D. critica Aristóteles, o inventor dos termos valor de uso e valor de troca, dizendo que em sua época (a de D., claro) já não é mais necessária essa distinção!

Desdém e nada mais, é tudo o que Platão consegue do Senhor Dühring pela sua exposição – genial para seu tempo – da divisão do trabalho como base natural da cidade (sinônimo de Estado para os gregos), e isso porque ele (Platão) não menciona (mas o grego Xenofonte o faz, Senhor Dühring!) que o ‘limite que impõe toda a extensão do mercado à divisão ulterior dos ramos profissionais e a separação técnica das operações especiais … A noção desse limite é a primeira verificação pela qual uma idéia que, antes, se podia dificilmente classificar de científica, se torna uma verdade de importância econômica.’

não foi o mercado que criou a divisão capitalista do trabalho, mas que, inversamente, foi o desdobramento de unidades sociais anteriores, e a divisão do trabalho dele resultante, que criaram o mercado. (Ver O Capital, livro I, capítulo XXIV, 5: ‘Estabelecimento do mercado interior para o capital industrial’).”

O papel da moeda foi, em todos os tempos, a primeira incitação às idéias econômicas (!).¹ Mas que sabia um Aristóteles desse papel? Evidentemente nada que ultrapassasse a noção de que a troca, por meio da moeda, sucedeu à troca primitiva em espécie.”²

¹ A exclamação de Engels se deve a que o Sr. Dãring havia reputado a Marx, em outra página, o erro calamitoso de que ‘o capital surgia com a moeda’, discutido mais acima, sendo que Marx nunca dissera isso!

² “Descobriu” o movimento M-D-M / D-M-D de Marx! Hahaha!

Mas, quando um Aristóteles se permite descobrir as 2 ‘formas de circulação’ diferentes da moeda, uma em que ela aparece como simples instrumento de circulação, outra em que age como capital monetário, não faz, com isso, segundo o Senhor Dühring, ‘senão exprimir uma antipatia moral’.” “um Dühring prefere nada dizer, por motivos dele conhecidos, sobre essa impertinente audácia.”

Faremos melhor lendo o capítulo do Senhor Dühring sobre o mercantilismo, no ‘original’, isto é, em F. List, Sistema Nacional, capítulo XXIX: O sistema industrial, falsamente chamado de sistema mercantil.”

A Itália precedeu todas as nações modernas, na teoria como na prática da economia política (…) [a] primeira obra escrita na Itália, especialmente sobre economia política, o livro de Antonio Serra, napolitano, Sobre os meios de proporcionar aos reinos ouro e prata em abundância [ou Breve Trattato] (1613).”

List

O Senhor Dühring aceita isso sem hesitação e pode, em conseqüência, ‘considerar o livro de Serra como uma espécie de epígrafe à entrada da pré-história moderna, da economia’. (…) mas, infelizmente, as coisas se passaram na realidade de outro modo, pois, em 1609, 4 anos por conseguinte antes do Breve Trattato, apareceu A Dicourse of Trade, etc., de Tomas Mann. Essa obra teve, desde a sua primeira edição, a significação particular de ser dirigida contra o antigo ‘sistema monetário’, então ainda defendido como prática do Estado, na Inglaterra, e representa, portanto, a ‘emancipação’ conscientemente praticada pelo sistema mercantil do sistema que lhe tinha dado origem.” “Na edição de 1664, completamente refundida pelo autor e aparecida após a sua morte sob o título de England’s Treasure, etc. continuou sendo, por mais 100 anos ainda, o evangelho mercantilista. Se, pois, o mercantilismo possui um livro que fez época, ‘uma espécie de epígrafe à entrada’, é bem esse, que também não existe de maneira alguma para o Senhor Dühring e nem para sua ‘História’, que ‘observa com o maior cuidado as gradações hierárquicas da história’.”

Do fundador da economia política moderna, Petty, o Senhor Dühring nos diz que tinha uma quantidade ‘bem grande’ de pensamentos superficiais, que ‘não tinha o senso das distinções interiores e sutis entre os conceitos’ “Que extraordinária condescendência, esta do ‘pensador sério’, Senhor Dühring, consentindo em levar em conta ‘um Petty’! E de que maneira o leva em conta!”

No seu Treatise on Taxes and Contributions (1ªed. em 1662), Petty faz uma análise perfeitamente clara e exata sobre a grandeza do valor das mercadorias. Esclarecendo primeiramente, à luz da igualdade de valor entre os metais preciosos e os cereais que custam um trabalho igual, ele foi o primeiro a dizer a última palavra ‘da teoria’ sobre o valor dos metais preciosos, expondo com a mesma precisão o princípio geral de que os valores das mercadorias são medidos por um ‘trabalho igual’ (equal labor).” Naquela época, aparentemente, dizer que 1kg de chumbo pesava tanto quanto 1kg de alface ainda gerava muito rumor e polêmica…

entretanto, na construção e na aplicação prática do princípio do trabalho igual existe, eu o confesso, muita diversidade e complicação”

Petty, o modesto

Um trabalho de Petty, perfeitamente harmônico, é o seu Quantulumcumque [Concerning Money], publicado em 1682, 10 anos após sua Anatomy of Ireland (aparecida ‘pela primeira vez’ em 1672 e não em 1691, como escreve o Senhor Dühring, conforme as ‘compilações dos manuais mais correntes’). Os últimos traços de concepções mercantilistas, que se acham noutros escritos de Petty, desaparecem por completo nesta obra. É uma pequena obra-prima, no fundo e na forma, e é justamente por isso que não figura na lista do Senhor Dühring.”

O Senhor Dühring trata Petty, fundador da Aritmética Política, vulgarmente chamada estatística, como já havia tratado Petty pelos trabalhos propriamente econômicos. Dá de ombros, com ar zangado, diante da singularidade dos métodos grotescos que o próprio Lavoisier aplicava ainda, nesse domínio, 100 anos mais tarde: quando consideramos a distância que ainda separa a estatística atual do objetivo que Petty lhe traçara em linhas gerais, esse ar de superioridade suficiente, 2 séculos post festum, parece como uma tolice desmedida.”

Law imagina, pelo contrário, que um ‘acréscimo’ qualquer do número desses ‘pedaços de papel’ aumenta a riqueza de uma nação.”

SUCESSORES DE PETTY: “As duas obras, Considerations on Lowering of Interest and Raising of Money, de Locke, e os Discourses upon Trade, de North, apareceram no mesmo ano de 1691.”

DEFEITO DO TRATADO ECONÔMICO: ERA EMPÍRICO DEMAIS! “‘O que Locke escreveu sobre os juros e a moeda não sai do quadro das reflexões que eram habitualmente, sob o reino do mercantilismo, ligadas aos acontecimentos da vida política (pág. 64, da História Crítica de Dãring). O leitor poderá, agora, por intermédio desse verídico informe, compreender com absoluta clareza por que o Lowering of Interests, de Locke, exerceu sobre a economia política francesa e italiana da 2ª metade do século XVIII influência tão considerável, e efetivada em diversos sentidos.”

enquanto que Locke só admite com restrições a liberdade dos juros reclamada por Petty, North a aceita integralmente.”

O Senhor Dühring ultrapassa-se a si mesmo quando, mercantilista mais inflexível ainda, num sentido ‘mais sutil’fulmina os Discourses upon Trade de Dutley North, observando que são escritos ‘no sentido do livre-câmbio’. É como se disséssemos, de Harvey, que ele escreveu ‘no sentido da circulação do sangue’. [HAHAHA] A obra de North – sem falar de outros méritos que tem – é uma análise clássica, escrita com uma lógica rigorosa, da doutrina livre-cambista, referente ao comércio tanto exterior como interior, análise que, na verdade, no ano de 1691, representava ‘algo inaudito’.

De resto, o Senhor Dühring relata que North era um ‘traficante’ e, ainda por cima, um mau sujeito, e que seu livro ‘não podia ter êxito’. Ele teria feito melhor mostrando que tal obra teria ‘êxito’ no momento em que triunfava definitivamente o sistema protecionista na Inglaterra, pelo menos junto à turba que representava o elemento característico. Entretanto, isso não impediu sua ação teórica imediata, que se pôde mostrar em toda uma série de escritos econômicos aparecidos na Inglaterra, imediatamente depois dele, alguns ainda no século XVII.”

durante o período que vai de 1691 a 1752, impõem-se ao observador mais superficial, pelo simples fato de que todos os trabalhos econômicos importantes dessa época a eles se referem, para dar razão ou refutar Petty. Esse período, em que abundam os espíritos originais, é conseqüentemente o mais importante para o estudo da gênese e do gradual desenvolvimento da economia política. O ‘historiador em grande estilo’, censura a Marx, como uma falta imperdoável, o fato de, em O Capital, ter feito tanto barulho em torno de Petty e dos escritores desse período, simplesmente escamoteia a todos eles da história. De Locke, North, Boisguillebert e Law, ela salta imediatamente para os fisiocratas e, então, aparece nos umbrais do verdadeiro templo da economia política… David Hume. Com a permissão do Senhor Dühring, restabeleçamos a ordem cronológica e ponhamos Hume antes dos fisiocratas.

Os Ensaios econômicos de Hume apareceram em 1752. Nos 3 ensaios existentes – Of MoneyOf the Balance of TradeOf Commerce, Hume segue passo a passo, às vezes até em suas simples fantasias, um livro de Jacob VanderlintMoney answers all things, Londres, 1734. Por mais desconhecido que esse Vanderlint tivesse permanecido para o Senhor Dühring é ainda tomado em consideração nos livros ingleses de economia política do fim do século XVIII, isto é, no período que se segue a Adam Smith.”

HUME, CARENTE EM DIVERSAS SEARAS: “Como Vanderlint, Hume trata da moeda como simples signo do valor; copia quase palavra por palavra (e isso é importante, porque ele poderia ter tomado de empréstimo a muitas outras obras essa teoria da moeda como signo do valor), de Vanderlint, as passagens explicando por que a balança do comércio não pode ser constantemente favorável ou desfavorável a um país; ensina, como Vanderlint, a teoria do equilíbrio das balanças estabelecendo-se natural e respectivamente, segundo as diversas situações econômicas dos diferentes países; prega, como Vanderlint, o livre-câmbio de maneira apenas menos audaciosa e menos conseqüente; insiste, como Vanderlint, porém com menos vigor, sobre as necessidades como motivo da produção: segue Vanderlint no que se refere à falsa influência atribuída à moeda bancária e a todos os valores públicos sobre os preços das mercadorias; como Vanderlint, repele a moeda fiduciária; como Vanderlint, faz depender os preços das mercadorias do preço do trabalho, portanto, do salário; segue-o mesmo nessa fantasia de que o entesouramento faz baixar o preço das mercadorias, etc., etc.”

Nada passa por ser um indício mais certo da prosperidade de uma nação que o nível baixo da taxa de juros, e com razão; contudo, creio que a causa desse fato é um pouco diferente daquela que geralmente se admite.’ Como vêem, desde a 1ª frase, Hume aceita a idéia de que o nível da taxa de juros é o indício mais seguro da prosperidade de uma nação, como um lugar-comum que já em seu tempo se tornara banal. Efetivamente, depois de Child, essa ‘idéia’ teve, para se popularizar, uns bons 100 anos de vulgarização.”

num trecho (…) [Hume] leva mais longe o erro de Locke, segundo o qual os metais preciosos só teriam um ‘valor imaginário’, e o agrava dizendo que eles têm principalmente um ‘valor fictício’. Nesse ponto, Hume é bastante inferior, não somente a Petty, mas ainda a vários de seus contemporâneos ingleses. Ele mostra o mesmo espírito atrasado quando se obstina em exaltar o ‘comerciante’, à moda antiga, como o primeiro motivo da produção, ponto de vista que Petty há muito tempo superara.”

Cantillon, 1752 (alternativa muito superior a Hume, que publicou por essa época – com a diferença suplementar que aquele já havia morrido, isto é, suas publicações são post mortem)


Como era inevitável num escocês, a admiração de Hume pelo enriquecimento burguês está longe de ser puramente platônica. Nascido pobre, ele consegue obter um rendimento anual de milhares de libras, o que o Senhor Dühring, uma vez que não se trata mais de Petty, exprime engenhosamente da seguinte maneira: ‘Ele chegara, partindo de poucos recursos, graças a uma boa <economia doméstica>, a não precisar escrever para agradar a quem quer que seja’

Sem dúvida, não nos consta que Hume se tenha associado com um Wagner, (sic) para negócios literários:(*) mas sabe-se que Hume era um partidário infatigável da oligarquia whig, defensora ‘da Igreja e do Estado’;¹ e que, como recompensa de seus serviços, obteve, primeiro, o posto de secretário da embaixada em Paris, e, mais tarde, o cargo incomparavelmente mais importante e lucrativo de sub-secretário de Estado. ‘Do ponto de vista político, Hume era e continuou sempre conservador e estritamente monarquista. Por esse motivo, não foi excomungado com tamanha violência, como Gibbon, pelos partidários da Igreja estabelecida’, diz o velho Schlosser. ‘Hume, esse egoísta, esse historiador mentiroso – diz esse ‘rude’ plebeu Cobbet – que insulta os monges ingleses de gordos, de celibatários, de sem-família, vivendo da mendicidade, nunca teve nem família nem mulher e era, ele próprio, um latagão gordo e grande, excelentemente engraxado pelo dinheiro do Estado, sem o ter nunca merecido, por serviço algum, verdadeiro, prestado ao povo.’

(*) Alusão a uma obra de Dühring para Bismarck, por encomenda de Wagener, professor e conselheiro prussiano.”

¹ Assim como nos Estados Unidos, eis a ultra-esquerda dos britânicos!


Escola ‘fisiocrática’ deixou-nos, como se sabe, no Quadro econômico de Quesnay, um enigma, que, para os críticos e historiadores da economia política, tem sido de impossível decifração. Esse Quadro, destinado a fazer compreender claramente a concepção que tinham os fisiocratas da maneira pela qual se produz e circula o conjunto da riqueza de um país, permaneceu bastante obscuro para os economistas ulteriores.” “Segundo o próprio sr. Dühring confessa, não compreende o ABC da fisiocracia.”

Mas não queremos que o leitor fique, a respeito do Quadro de Quesnay, na mesma ignorância em que necessariamente se afundaram os que bebem a sua ciência econômica ‘de primeira mão’ no Senhor Dühring. Vejamos, em poucas palavras, de que se trata.

Sabe-se que, para os fisiocratas, a sociedade se divide em 3 classes: 1ª. a classe produtiva, isto é, a classe que realmente se ocupa da agricultura, os colonos e os trabalhadores rurais, cujo trabalho é produtivo porque fornece um excedente: a renda; 2ª. a classe que se apropria desse excedente que compreende os proprietários territoriais, os príncipes e toda a clientela que deles depende; de modo geral, os funcionários pagos pelo Estado e, inclusive, a Igreja, na sua qualidade particular de recebedora de dízimo (para abreviar, designaremos a 1ª classe simplesmente pelo nome de ‘colonos’ e a segunda pelo de ‘proprietários fundiários’): 3ª. a classe industrial, ou estéril (improdutiva), porque, segundo os fisiocratas, se limita a incorporar às matérias-primas fornecidas pela classe produtiva o necessário valor para compensar os víveres que esta própria classe consome. Quadro de Quesnay é feito para tornar sensível aos nossos olhos como o produto total de um país (na realidade, a França) circula entre essas 3 classes e serve para a reprodução anual.

Supõe-se, inicialmente, no Quadro, que o sistema de arrendamento, e com ele a grande agricultura, no sentido que essa palavra tinha no tempo de Quesnay, fôra introduzido por toda parte, na Normandia, na Picardia, na Ilha-de-França, e em algumas outras províncias francesas. Também o arrendatário é para ele o verdadeiro condutor da agricultura; representa no Quadro toda a classe produtiva (agrícola), [grande confusão: quando estes arrendatários deviam ser simplesmente os capitalistas do campo, i.e., a 3ª classe de Quesnay, sua antípoda – aqui são justamente os ‘operários’, que pagam diretamente a renda da terra aos ‘senhores feudais’, por assim dizer, da nobreza!] e paga ao proprietário territorial uma renda em dinheiro. [que Quesnay novamente confunde e põe na 2ª classe, eminentemente urbana, onde estão até os funcionários do Estado! – o abstrato colono é a única mão-de-obra que ele conhece, afinal.]

O ponto de partida do Quadro é a colheita total do país, a qual, por essa razão, figura no alto do Quadro como produto bruto anual do solo ou ‘reprodução total’ do país, ou seja, da França.” “Como dissemos, calcularam-se os preços constantes e a reprodução simples, [‘PIB cíclico’, ‘orçamento anual’] segundo uma taxa fixada de uma vez por todas: O valor em moeda dessa parte descontada, de antemão, é igual a 2 bilhões de libras. Esta parte não entra, pois, na circulação geral, porque, conforme já dissemos, a circulação que se efetua somente dentro de uma das classes não é registrada no Quadro.”

Sendo a renda total o ponto de partida do Quadro, constitui ao mesmo tempo o ponto terminal de um ano econômico, por exemplo, o ano de 1758, após o qual um novo ano econômico começa. (…) Mas esses movimentos sucessivos, e dispersos, que se estendem por todo um ano, são – como de qualquer maneira devia fazer-se no Quadro – reunidos num pequeno número de atos característicos, abrangendo cada um, de um só golpe, o ano inteiro. Assim, no fim do ano de 1758, a classe dos arrendatários viu refluir para ela o dinheiro que havia pago como renda aos proprietárias territoriais em 1757, ou seja, a soma de 2 bilhões de libras, de maneira que ela pôde lançar novamente essa soma na circulação de 1759 (…) os 2 bilhões de libras que se encontram nas mãos dos arrendatários ficam representando a soma total da moeda circulante da nação. [onde outros 8 bilhões, que somados a esses 2 são o produto bruto do solo da França, são apenas transações interclasse e não ‘entram’ no ‘orçamento’!]

A classe dos proprietários territoriais que vivem de suas rendas, apresenta-se, então, como ainda hoje várias vezes acontece, no seu papel de credora. Segundo a suposição de Quesnay, os proprietários territoriais propriamente ditos não recebem senão 4/7 dessa renda de 2 bilhões, pois 2/7 vão para o governo e 1/7 para os cobradores de dízimos. No tempo de Quesnay, a Igreja era o maior proprietário territorial da França e recebia, ainda por cima, o dízimo da propriedade territorial restante.” O dízimo que era bem mais de 10%!

Quanto aos múltiplos papéis que esses produtos desempenham na exploração das indústrias dessa classe [a 3ª], é coisa que não interessa ao quadro, assim como nele não interessa a circulação de mercadorias e de dinheiro, que se verifica dentro da sua própria órbita. O salário pago pelo trabalho, graças ao qual a classe estéril transforma as matérias-primas em produtos manufaturados, é igual ao valor dos meios de existência que ela recebe, diretamente, da classe produtiva e, indiretamente, dos proprietários territoriais. Se bem que a classe estéril se divida em capitalistas e trabalhadores assalariados, ela está, segundo a concepção fundamental de Quesnay, como classe em seu conjunto, a soldo da classe produtiva e dos proprietários territoriais. [confusão da porra!]

Supõe-se, portanto, que, no começo do movimento figurado pelo Quadro[1º dia do ano fiscal] a produção anual em mercadorias da classe estéril se encontra inteiramente em suas mãos, e, por conseguinte, todo o seu capital de exploração, ou seja, as matérias-primas no valor de 1 bilhão, é transformado em mercadorias, no valor de 2 bilhões, cuja metade representa o preço dos meios de existência consumidos durante essa transformação.” “não só a classe estéril consome, ela própria, uma parte dos seus produtos, como ainda procura reter o máximo que pode; ela vende, pois, suas mercadorias postas em circulação, acima do seu valor real, e é forçada a fazê-lo uma vez que incluímos essas mercadorias no valor total de sua produção. Isso, entretanto, não altera os dados estabelecidos pelo Quadro, porque as 2 outras classes só recebem, afinal de contas, as mercadorias manufaturadas pelo valor de sua produção total.”

A classe produtiva, após haver substituído, em espécie, o seu capital de produção, dispõe ainda de 3 bilhões de produto agrícola e de 2 bilhões de moeda. A classe dos proprietários territoriais só é aí mencionada pelo seu crédito de 2 bilhões de renda sobre a classe produtiva. A classe estéril dispõe de 2 bilhões de mercadorias manufaturadas. Os fisiocratas chamam circulação imperfeita àquela que se efetua apenas entre 2 dessas 3 classes: a circulação perfeita é a que se passa entre todas as 3.”

Primeira circulação (imperfeita). – Os arrendatários pagam aos proprietários territoriais, sem prestação recíproca, a renda que lhes corresponde, com 2 bilhões em dinheiro. Com 1 desses bilhões os proprietários territoriais compram, dos arrendatários, meios de subsistência, e assim receberam metade do dinheiro desembolsado para pagar a renda.

Em sua Análise do Quadro Econômico, Quesnay já não fala nem do Estado, que recebe 2/7, nem da Igreja, que recebe 1/7 da renda territorial, porque o papel social de um e de outra é universalmente conhecido. Mas, no que se refere à propriedade territorial, [os 4/7 dos rentistas] diz ele que os seus gastos, entre os quais também figuram todos os trabalhadores [!] são, pelo menos em sua maior parte, gastos improdutivos, com exceção da pequena parte que é destinada a ‘manter e a melhorar os seus bens e incrementar o cultivo da terra’.” A classe inútil subsidia a classe produtiva com todos os meios de produção, que ficam aglutinados entre eles (os colonos). Que sonho lisérgico!

Segunda circulação (perfeita). – Com o 2º bilhão em dinheiro, que se acha ainda em suas mãos, os proprietários territoriais compram produtos manufaturados à classe estéril; e, por outro lado, esta, com o dinheiro percebido, compra dos fazendeiros os meios de existência pela mesma soma.”

Terceira circulação (imperfeita). – Os fazendeiros compram à classe estéril, com 1 bilhão em moeda, mercadorias manufaturadas correspondentes à mesma soma; [está se referindo à despesa da 2ª circulação, certo? pois do contrário, não tem sequer esse 1bi!] grande parte dessas mercadorias consiste em instrumentos agrícolas e outros meios de produção necessários ao cultivo da terra. A classe estéril restitui aos fazendeiros o mesmo dinheiro, comprando 1 bilhão de matérias-primas destinadas a substituir seu próprio capital de exploração[Sim, estamos apenas repetindo a 2ª circulação até aqui! Que inútil!] Assim, os arrendatários recuperam os 2bi em dinheiro por eles desembolsado para pagamento da renda. Desse modo, fica resolvido o grande enigma‘Que vem a ser, na circulação econômica, o produto líquido apropriado sob forma de renda?’.” Na verdade um nada, já que as riquezas são pré-históricas a este sistema maluco! Tudo isso é apenas um sistema solar em seu grande ano… Mas ainda tem mais, que tortura!:

No começo do processo, encontramos entre as mãos da classe produtiva um excedente de 3 bilhões. Deles, somente 2 foram pagos como produto líquido aos proprietários territoriais, sob forma de renda. O 3º bilhão excedente constitui os juros do capital total invertido pelos arrendatários, isto é, para 10 bilhões, 10%; estes juros – frisemo-lo bem – eles não os adquirem em virtude da circulação: acham-se em espécie em suas mãos, e a circulação nada mais faz que realizá-los, transformando-os, por esse meio, em mercadorias manufaturadas de valor igual.

Sem estes juros, o arrendatário, que é o agente principal da agricultura, não fará a ela o adiantamento do capital de estabelecimento. Esta já é uma razão para os fisiocratas pensarem que a apropriação pelo arrendatário da parte do sobre-produto agrícola que representa os juros, é uma condição tão necessária como a própria existência de uma classe de arrendatários; [a mais-valia é boa – e aliás é até NULA no final!] e esse elemento não pode, em conseqüência, ser incluído na categoria de ‘produto líquido’ ou ‘rendimento líquido’ nacional, nem pode ser consumido sem nenhuma consideração para com as necessidades imediatas da reprodução nacional.”


O sistema de Ricardo é um sistema de discórdia … nada mais faz do que provocar o ódio entre as classes … seu livro é o manual do demagogo que se esforça por ir ao poder, através da divisão das terras, da guerra e do saque”

Carey


tudo é o resultado da ‘violência’: maneira esta de falar com a qual, há séculos, os filisteus de todas as nações se consolam de tudo que lhes acontece de desagradável, e que nada nos ensina.”

PARTE III. SOCIALISMO. CAPÍTULO ÚLTIMO. TRAÇOS HISTÓRICOS

Contrato social de Rousseau tomaria corpo no regime do Terror e, fugindo dele e desconfiando já de seus próprios dons políticos, a burguesia foi refugiar-se, primeiro, na corrupção do Diretório e, por fim, sob a égide do despotismo napoleônico. A prometida paz eterna transformara-se numa interminável guerra de conquistas. A sociedade da razão também não teve melhor sorte. O antagonismo entre pobres e ricos, longe de desaparecer no bem-estar geral, aguçara-se ainda mais, com o desaparecimento dos privilégios feudais e outros, que o atenuavam, e dos estabelecimentos de beneficência, que mitigavam um pouco o contraste da desigualdade.”

privilégio da 1ª noite nupcial passou do senhor feudal para o fabricante burguês. A prostituição desenvolveu-se em proporções inauditas. O casamento continuou sendo o que já era: a forma sancionada pela lei, o manto oficial com que se cobria a prostituição seguida de uma abundância complementar de adultério. Numa palavra, comparadas com as brilhantes promessas dos racionalistas, as instituições políticas e sociais, instauradas pela ‘vitória da razão’, deram como resultados umas tristes e decepcionantes caricaturas. Só faltava mesmo que os homens pusessem em relevo o seu desengano. Esses homens surgiram nos primeiros anos do século XIX. Em 1802, foram publicadas as Cartas genebrinas de Saint-Simon; em 1808, Fourier editou o seu 1º livro, embora as bases da sua teoria já datassem de 1799; em 1º de janeiro de 1800, Robert Owen assumiu a direção da empresa de New Lanark.” “A grande indústria, que, na Inglaterra acabava de nascer, era inteiramente desconhecida na França.”

Se as massas desprotegidas de Paris conseguiram apossar-se, por algum tempo, do poder, durante o regime do Terror, foi somente para demonstrar até que ponto era impossível manter esse poder nas condições da época. O proletariado, que começava a destacar-se, no seio dessas massas desprotegidas, como tronco de uma classe nova, mas ainda incapaz de desenvolver uma ação política própria, não representava mais do que um setor oprimido, castigado, ao qual, em sua incapacidade para valer-se a si mesmo, teria que ser dada ajuda de fora, do alto, se possível.”

A sociedade não continha senão males, que a razão pensante era chamada a remediar. Tratava-se de descobrir um novo sistema, mais perfeito, de ordem social, a fim de impô-lo à sociedade, de fora para dentro, por meio da propaganda, e, se possível, pregando-o com o exemplo, mediante experiências que servissem de modelos de conduta. Esses novos sistemas sociais nasciam condenados a mover-se no reino da utopia; quanto mais detalhados e minuciosos mais haveriam de degenerar, forçosamente, em puras fantasias.

Baseados nisso, não há razão para nos determos nem um momento mais nesse aspecto já definitivamente incorporado ao passado. Deixemos que os trapeiros literários do tipo do Sr. Dühring revolvam solenemente estas fantasias, que hoje provocam riso, para salientar sobre esse ‘fundo’ a seriedade e a respeitabilidade do seu próprio sistema.”

Essa burguesia soube, além disso, aproveitar-se da revolução para enriquecer-se rapidamente, especulando com os bens confiscados e, em seguida, vendidos, da aristocracia e da Igreja, e enganando a nação por meio dos fornecimentos ao exército. Foi precisamente o governo desses especuladores que, sob o Diretório, levou a França e a revolução à beira da ruína, proporcionando a Napoleão o pretexto que desejava para o seu golpe de Estado.”

E esses mesmos burgueses, segundo as concepções de Saint-Simon, haveriam de transformar-se numa espécie de funcionários públicos, de agentes sociais, mas conservariam, sempre, diante dos operários, uma posição autoritária e economicamente privilegiada. Os banqueiros, principalmente, seriam chamados a regular toda a produção social por meio de uma regulamentação de crédito. Esse modo de conceber a sociedade correspondia perfeitamente a uma época em que a grande indústria e, com ela, o antagonismo entre a burguesia e o proletariado, começava a despontar na França.” “Mas, o conceber a Revolução Francesa como uma luta de classes entre a nobreza, a burguesia e os desprotegidos era um descobrimento verdadeiramente genial para o ano de 1802. Em 1818, Saint-Simon declara que a política é a ciência da produção e prediz a total absorção da política pela economia. E se aqui não se faz mais do que apontar a consciência de que a situação econômica é a base das instituições políticas, proclama-se já, claramente, a futura transformação do governo político sobre os homens numa gestão administrativa sobre as coisas e no governo direto sobre os processos da produção que não é nem mais, nem menos do que a idéia da abolição do Estado, que tanto ruído levanta hoje.”

Fourier não é apenas um crítico; seu espírito sutil e engenhoso torna-o satírico – um dos maiores satíricos de todos os tempos. A loucura da especulação, que se acentua com o refluxo da onda revolucionária, e a mesquinhez do comércio francês daqueles anos aparecem desenhados em sua obra com traços maravilhosos e cativantes.” “Fourier é o 1º a proclamar que o grau de emancipação da mulher numa sociedade é o barômetro natural pelo qual se mede a emancipação geral.” “Como se vê, Fourier maneja a dialética com a mesma mestria de seu contemporâneo Hegel. Diante dos que se empavonam falando da ilimitada capacidade humana de perfeição, salienta, com a mesma dialética, que toda fase histórica tem, ao mesmo tempo, um lado ascendente e outro descendente e projeta esta concepção sobre o futuro de toda a humanidade. E, assim como Kant proclama, na ciência da natureza, o futuro desaparecimento da Terra, Fourier proclama, na ciência histórica, a extinção futura da humanidade.”

O ritmo lento do período da manufatura transformou-se numa marcha verdadeiramente vertiginosa de produção. Com uma velocidade cada vez mais acelerada ia-se operando a divisão da sociedade em 2 campos: os grandes capitalistas e os proletários, entre os quais já não ficava encravada a antiga classe média, com sua estabilidade, mas, ao contrário, oscilava, levando vida insegura, uma massa instável de artesãos e pequenos comerciantes, a parte mais flutuante da população.” “Nestas circunstâncias, surge como reformador um industrial de 29 anos, um homem cuja pureza infantil atingia o sublime, e que era, ao mesmo tempo, um inato condutor de homens, como poucos. Robert Owen assimilara os ensinamentos dos materialistas do racionalismo, segundo os quais, se o caráter do homem é por um lado o produto de sua organização inata, é, por outro, o fruto das circunstâncias que o rodeiam durante sua vida, e, principalmente, durante o período de seu desenvolvimento.”

Já em Manchester, dirigindo uma fábrica de mais de 500 trabalhadores, tentara, não sem êxito, pôr em prática sua teoria: de 1800 a 1829, conduziu, no mesmo sentido, embora com muito mais liberdade de iniciativa e com um êxito que lhe valeu fama européia, a grande fábrica de fios de algodão de New Lanark, na Escócia, da qual era sócio e gerente. Uma população operária, que foi crescendo até chegar a 2500 indivíduos, recrutada entre os elementos mais heterogêneos, a maioria dos quais sem qualquer princípio moral, converteu-se, em suas mãos, numa perfeita colônia-modelo, na qual não se conhecem a embriaguez, a polícia, o cárcere, os processos, os pobres nem a beneficência pública. Para isso, bastou-lhe colocar os seus trabalhadores em condições humanas de vida, dedicando um cuidado especial à educação de seus descendentes. Owen foi o inventor dos jardins-de-infância, que funcionaram, pela 1ª vez, em New Lanark. As crianças, já aos 2 anos de idade, eram enviadas à escola e nela se sentiam tão satisfeitas, com os seus jogos e diversões, que não havia quem de lá as tirasse. Ao passo que, nas outras fábricas que lhe faziam concorrência, a duração do trabalho era de 13 e 14h por dia, a jornada em New Lanark era de 10h30. Ao estalar uma crise algodoeira, que o obrigou a fechar a fábrica durante 4 meses, os trabalhadores de New Lanark continuaram percebendo integralmente os seus salários. E, apesar disso, a empresa duplicou seu capital e deu, até o último dia, grandes lucros a seus sócios.

Owen, porém, não estava satisfeito com o que conseguira. A existência que proporcionara a seus operários estava, segundo ele, ainda muito longe de ser uma existência humana

Para onde irá a diferença entre a riqueza consumida por estas 2500 criaturas e a que teriam que consumir as 600 mil de outrora? [pré-revolução industrial] A resposta não era difícil. Essa diferença destinava-se a abonar aos sócios da empresa os 5% de juros do capital de estabelecimento, o que importava em 300 mil libras esterlinas de lucros.”

A ela, portanto, deviam pertencer os seus frutos. As novas e gigantescas forças produtivas que, até então, só haviam servido para enriquecer uma minoria e para a escravização das massas lançava, na opinião de Owen, os alicerces de uma nova estrutura social e estavam destinadas a trabalhar apenas para o bem-estar geral, como propriedade coletiva de todos os membros da sociedade.

E foi assim, por este caminho puramente industrial, como um fruto, por assim dizer, dos cálculos de um homem de negócios, que surgiu o comunismo oweniano, que conservou sempre este mesmo caráter prático. Em 1823, Owen propõe a criação de um sistema de colônias comunistas para combater a miséria irlandesa e apresenta, em favor de sua proposta, um orçamento completo de instalação, despesas anuais e receitas prováveis. E, em seus planos definitivos do futuro, as minúcias técnicas do assunto estão calculadas com tal conhecimento da matéria, que, aceito o método oweniano da reforma da sociedade, pouca coisa se lhe poderia objetar, mesmo um técnico muito competente quanto aos pormenores da organização.

Ao abraçar o comunismo, a vida de Owen transformou-se radicalmente. Enquanto se limitara a agir como filantropo, colheu riquezas, aplausos, honrarias e fama. Era o homem mais popular da Europa. (…) Mas, quando formulou suas teorias comunistas, a coisa mudou de aspecto. Segundo ele, os grandes obstáculos que se antepunham à reforma social eram, principalmente, 3: a propriedade privada, a religião e a forma atual do matrimônio. E não ignorava o perigo que corria combatendo-os. Nem podia ignorar que lhe estavam reservadas a condenação geral da sociedade oficial e a perda da posição que nela ocupava. Mas essa consideração não o deteve em seus impiedosos ataques àquelas instituições. E ocorreu o que estava previsto. Alijado da sociedade oficial, ignorado pela imprensa, arruinado por suas malogradas experimentações comunistas na América – às quais sacrificou toda a sua fortuna –, entregou-se diretamente à classe trabalhadora, no seio da qual ainda agiu durante 30 anos. Todos os movimentos sociais, todos os melhoramentos reais tentados pela Inglaterra em prol da classe trabalhadora estão associados ao nome de Owen. Assim, por exemplo, em 1819, depois de 5 anos de lutas, conseguiu que fosse promulgada a 1ª lei regulamentadora do trabalho da mulher e dos menores nas fábricas. Foi ele, também, quem presidiu o primeiro congresso em que os sindicatos de toda a Inglaterra se fundiram num grande e único sindicato. E foi também ele quem implantou, como medida de transição, até que a sociedade pudesse, na sua totalidade, organizar, comunisticamente, 2 espécies de organismos: as cooperativas de consumo e de produção, que, pelo menos, mostram praticamente a inutilidade do comerciante e do fabricante, e os bazares operários, estabelecimentos em que se trocavam os produtos do trabalho por bônus de trabalho, que fazem as vezes do papel-moeda e cuja unidade é a hora de trabalho despendido. Estabelecimentos necessariamente fadados ao fracasso, mas que superam os bancos proudhonianos de intercâmbio, muito posteriores, diferenciando-se destes principalmente porque não pretendem servir de panacéia universal para todos os males sociais, mas são, pura e simplesmente, um 1º passo para a transformação radical da sociedade.”

São estes os homens que o olímpico Senhor Dühring contempla dos cimos de sua ‘verdade absoluta e de última instância’ com o desprezo que salientamos na Introdução.”

E, no que se refere a Robert Owen, para escrever as 12 páginas que lhe consagra, não teve outra fonte de informação senão a mísera bibliografia de Sargant, um filisteu que também não conhecia as obras mais importantes de Owen: as relativas ao matrimônio e à organização comunista da sociedade. Essa ignorância permite ao Senhor Dühring lançar intrepidamente a afirmativa de que não há base para ‘pressupor’ em Owen um ‘comunismo decidido’. Se houvesse tido em suas mãos o seu Book of the New Moral World, não só teria visto afirmado nele o mais definido comunismo, com o dever geral de trabalhar e o direito de participar eqüitativamente do produto do trabalho – eqüidade dentro de cada idade, como Owen salienta sempre –, como também, perfeitamente esboçado, o edifício da sociedade comunista do futuro, com os seus planos, a sua planta e a sua perspectiva.”

O Sr. Dühring não é mais do que um epígono dos utopistas, o último dos utopistas, ele que, por toda parte, vê apenas epígonos.”

a luta entre as 2 classes, criada pelo regime atual de produção e continuamente renovada, em antagonismo cada vez mais acentuado, invadiu todos os países civilizados, tornando-se cada dia mais violenta; já temos hoje consciência de seu encadeamento histórico e podemos penetrar nas condições da transformação social, que se torna inevitável, como podemos predizer igualmente as linhas gerais dessa transformação, condicionada também por ela própria.”

ON MY PHILOSOPHY: From (…) Dostoyevsky to Sartre – Karl Jaspers (ed. W. Kaufman)

My path was not the normal one of professors of philosophy. I did not intend to become a doctor of philosophy by studying philosophy (I am in fact a doctor of medicine) nor did I, by any means, intend originally to qualify for a professorship by a dissertation on philosophy. To decide to become a philosopher seemed as foolish to me as to decide to become a poet. Since my schooldays, however, I was guided by philosophical questions. Philosophy seemed to me the supreme, even the sole, concern of man. Yet a certain awe kept me from making it my profession.”

After some years (since 1909) I published my psycho-pathological researches. In 1913 I qualified as university lecturer in psychology.”

Then in 1914 the World War caused the great breach in our European existence. The paradisiacal life before the World War, naive despite all its sublime spirituality, could never return: philosophy, with its seriousness, became more important than ever.” “Only then, approaching my 40th birthday, I made philosophy my life’s work.”

In what way the history of philosophy exists for us is a fundamental problem of our philosophising which demands a concrete solution in each age. Philosophy is tested and characterised by the way in which it appropriates its history. It might seem to us that the truth of present-day philosophy manifests itself less in the formation of new fundamental concepts (as ‘borderline situation’, ‘the Encompassing’) than in the new sound it makes audible for us in old thoughts.” “What was once life becomes a pile of dead husks of concepts and these in turn become the subject of an objective history of philosophy.”

Philosophy can only be approached with the most concrete comprehension. A great philosopher demands unrelenting penetration into his texts. This necessitates both the realisation of a whole philosophy in its entirety, and taking pains with every single sentence in order to become conscious of its every nuance.”

This solitary, but vast, moment of a few millennia, emerging from three different sources (China, India, Occident), is real by virtue of a single internal connection. Though too immense to be envisaged as a pattern, it encompasses us nevertheless as a world.”

The philosopher lives, as it were, in a hidden, non-objective community to which every philosophising person secretly longs to be admitted. Philosophy has no institutional reality and is not in competition with the church, the state, the real communities of the world. Any objectification, whether it be the formation of schools or sects, is the ruin of philosophy.”

He must not have the folly to wish to be recognised as a philosopher. Professorships in philosophy are instituted for free mediation of ideas by teaching, which does not preclude their being held by philosophers (Kant, Hegel, Schelling).” “In the realm of the spirit, men become companions-in-thought through the millennia, become occasions for each other to find the way to truth from their own source, although they cannot present each other with readymade truth. It is a self-development of individual in communication with individual. It is a development of the individual into community and from there to the plane of history, without breaking with contemporary life. It is the effort to live from and on behalf of the fundamental, though these become audible to him who philosophises, without objective certainty (as in religion), and only through indirect hints as possibilities in the totality of philosophy.”

Nietzsche gained importance for me only late as the magnificent revelation of nihilism and the task of overcoming it (in my youth I had avoided him, repelled by the extremes, the rapture, and the diversity).” “Hegel for a long time remained a well-nigh inexhaustible material for study, particularly for my teaching activity in seminars. The Greeks were always there; after the discipline of their coolness, I liked to turn to Augustine; however, despite the depth of his existential clarification, displeasure with his rhetoric and with his lack of all scientific objectivity and with his ugly and violent emotions drove me back again to the Greeks. Only finally I occupied myself more thoroughly with Plato, who now seemed to me perhaps the greatest of all.”

Among my deceased contemporaries I owe what I am able to think – those closest to me excepted – above all to the one and only Max Weber.”

We are so exposed that we constantly find ourselves facing nothingness. Our wounds are so deep that in our weak moments we wonder if we are not, in fact, dying from them.”

At the present moment, the security of coherent philosophy, which existed from Parmenides to Hegel, is lost.” “Instead of slipping into nothingness at the disintegration of millennia we should like to feel unshakeable ground beneath us. We should like to comprehend in one historical whole the only general phenomenon which may permit posterity to probe its substance more deeply than has ever been done. The alternative ‘nothing or everything’ stands before our age as the question of man’s spiritual destiny.”

This activity originates from life in the depths where it touches Eternity inside Time, not at the surface where it moves in finite purposes, even though the depths appear to us only at the surface. It is for this reason that philosophical activity is fully real only at the summits of personal philosophising, while objectivised philosophical thought is a preparation for, and a recollection of, it.”

The questions put earlier in history are still ours; in part identical with present ones, word for word, after thousands of years, in part more distant and strange, so that we make them our own only by translation. The basic questions were formulated by Kant with, I felt, moving simplicity: 1. What can I know? 2. What shall I do? 3. What may I hope? 4. What is man? Today these questions have been reborn for us in changed form and thus become comprehensible to us anew also in their origin.”

Seen from our point of view Kant still knew too much (in wrongly taking his own transcendental philosophy for conclusive scientific knowledge instead of philosophical insight to be accomplished in transcending) and too little (because the extraordinary mathematical, scientific and historical discoveries and possibilities of knowledge with their consequences were in great part still outside his horizon).”

TECHNOLOGY: “The emptiness caused by dissatisfaction with mere achievement and the helplessness that results when the channels of relation break down have brought forth a loneliness of soul such as never existed before, a loneliness that hides itself, that seeks relief in vain in the erotic or the irrational until it leads eventually to a deep comprehension of the importance of establishing communication between man and man.”

Even when regulating his existence man feels as if the waves of events had drawn him beyond his depth in the turbulent ocean of history and as if he now had to find a foothold in the drifting whirlpool. What was firm and certain has nowhere remained the ultimate. Morality is no longer adequately founded on generally valid laws. The laws themselves are in need of a deeper foundation.”

something is lacking even when it succeeds.”

Only through his absorption in the world of Being, in the immeasurable space of objects, in ideas, in Transcendence, does he become real to himself. If he makes himself the immediate object of his efforts he is on his last and perilous path; for it is possible that in doing so he will lose the Being of the other and then no longer find anything in himself. If man wants to grasp himself directly, he ceases to understand himself, to know who he is and what he should do. This confusion was intensified as a result of the process of education in the nineteenth century.”

Man is not worth considering. In the Deity alone there is reality, truth, and the immutability of being itself.” “But time and again it is seen: for us the Deity, if it exists, is only as it appears to us in the world, as it speaks to us in the language of man and the world. It exists for us only in the way in which it assumes concrete shape, which by human measure and thought always serves to hide it at the same time.”

As a physician and psychiatrist I saw the precarious foundation of so many statements and actions, and beheld the reign of imagined insights, e.g. the causation of all mental illnesses by brain processes (I called all this talk about the brain, as it was fashionable then, brain mythology; it was succeeded later by the mythology of psychoanalysis), and realised with horror how, in our expert opinions, we based ourselves on positions which were far from certain, because we had always to come to a conclusion even when we did not know, in order that science might provide a cover, however unproved, for decisions the state found necessary. I was surprised that so much of medical advice and the majority of prescriptions were based, not on rational knowledge, but merely on the patient’s wish for treatment.”

Steadily the consciousness of loneliness grew upon me in my youth, yet nothing seemed more pernicious to me than loneliness, especially the loneliness in the midst of social intercourse that deceives itself in a multitude of friendships. No urge seemed stronger to me than that for communication with others. If the never-completed movement of communication succeeds with but a single human being, everything is achieved.”

How man achieves unity is a problem, infinite in time and insoluble; but it is nevertheless the path to his search. Man is less certain of himself than ever.”

First, man is autonomous in the face of all the authorities of the world: the individual, reared by authority, at the end of the process of his maturation decides in his immediacy and responsibility before Transcendence what is unconditionally true. Second, man is a datum of Transcendence: to obey Transcendence in that unconditional decision leads man to his own Being.”

A WINTERHORDE IN A RAVENREALM: Immortal’s lyrics as an expression of northeroic Gothic – Vittorio Marone, The University of Texas at San Antonio (in: Aeternum: The Journal of Contemporary Gothic Studies, Vol. 1, #2), Dez/2014.

“In the musical sphere, the gothic is not usually associated with the black metal scene, but rather with genres such as goth rock, darkwave, and post-punk. For example, Mick Mercer, an expert and prolific writer on gothic music, did not include Immortal in his encyclopaedia  of goth-related bands  and performers, titled  Music to Die For (2009). Further, the concoction of the ‘gothic black metal’ sub-genre signifies the conventional separation of the 2 realms (the gothic and black metal).  Notwithstanding these categorizations, this study suggests that Immortal’s lyrics  represent a distinctive and situated form of gothic that reshapes traditional gothic  tropes through Nordic and heroic themes.”

“Even  within  the  narrow  boundaries  of  the  black  metal  genre,  the  gothic,  the Nordic, and the heroic can appear as discrete entities that do not necessarily cross each other’s  path.  For  example,  the  ‘heroic’  component  can  be  inspired  by  historical  or mythological  deeds  set  in  different  geographical  regions,  that  are  not  necessarily ‘Nordic’. Some popular black metal  bands in  this spectrum include SuidAkrA (Celtic mythology), The Elysian Fields (Greek mythology), and  Melechesh (Mesopotamian/Sumerian  mythology). Further, in bands defined as  ‘gothic black metal’ (such as Cradle of Filth and, to a certain extent, Moonspell),  dark beauty, vampirism, and horror are prominent themes, while ‘the North’ and  the ‘the heroic’ are rather marginal and sporadic references. On the other hand, Immortal merge such themes in a cohesive and original style, here defined as Northeroic gothic.”

“This study is delimited to Immortal’s first 4 studio albums: Diabolical Fullmoon Mysticism (1992), Pure Holocaust (1993), Battles in the North (1995) and Blizzard Beasts (1997). After these albums, Demonaz, guitarist and lyricist of the band, was diagnosed with  a severe form of tendonitis, which prevented him from playing in  subsequent releases of the band (http://www.immortalofficial.com). In an interview  published on the webzine Chronicles of Chaos, Abbath, discussing the 5th album of the band titled At the Heart of Winter  (1999), their first release without Demonaz in the official lineup, declared: He [Demonaz] offered to write the lyrics and I had a  bunch of proposals to the lyrics, inspirations for the lyrics, but he’s the expert so I  gave him all the credit for it. […] He will probably be working with me when it  comes to lyrics in the future; I will do more myself, I am getting more trained now, I am getting better in English, to form sentences in the form of verses (http://www.chroniclesofchaos.com/articles.aspx?id=1-223).”

“The  author  decided  to  focus  on  the  lyrics  of  the  band  in  order  to analyse  the construction  of Immortal’s  own  mythology,  which  is made  more evident and explicit in the textual form, even if it is, by no means, limited to it.” Estudo auto-reconhecidamente forçado.

“In the article, songs are conventionally represented as [number of album-number of song]. For example, ‘At One With The Earth / Alone With Light In My Eyes’ [2-4] is an excerpt from the  4th song  of Immortal’s  2nd album  (see Appendix  A). When the  author  cites  song  or  album  titles,  this  is  plainly  expressed  in  the  text  or  as  a complement  to album-song  numbers in  brackets. For  example,  ‘Frozen  By  Icewinds’ [2-4, song title].”

“‘Gothic’  spaces  or figures have […]  always  been symbolic  locations into  which groups  of  people  can  ideologically  ‘throw’  what  they  would  like  to regard  as ‘other’ than their  desired current  condition […] or what  they want to  see as  the ‘true’, but now lost, foundations of their cultural positions (a return to primordial origins sometimes viewed as positive alternatives to – or at least forgotten roots of – the present world).”

“By  celebrating  the  imaginary  kingdom  of  Blashyrkh,  Immortal  construct  their  own gothic space from a ‘Northeroic’ perspective: a physical and spiritual site enshrined in a mythical North in  which natural and  supernatural forces recall  a glorious past  of  epic battles  amidst  coldness  and  darkness.  In  this  realm,  darkness  and  the  supernatural world are overarching gothic themes that permeate all  elements. It is here advisable to note that it is not the author’s intention to oversimplify gothic themes to ‘darkness’ and ‘the  supernatural  world’. These 2 motifs emerged from the analysis as prominent themes of Immortal’s lyrics, but they are not intended to encompass the richness and subtlety of gothic  preoccupations  and  research,  nor  to  limit  the  band’s  conceptual gamut.” Pouco convincente.

“This  dark  heroism,  however,  does  not  represent  the  ‘chivalrous’  deeds  and aspirations of the heroes of classic gothic works, such as Horace Walpole’s The Castle of Otranto (1764) or Richard Hole’s Arthur, or the Northern Enchantment: A Poetical Romance (1789), the later rich in Norse references. It shows instead a beast-like pride and lust for battles and tragic endings in the mournful eternity of frost” Ou seja, tem PORRA NENHUMA de gótico.

“Far from being a mere geographical space, a cardinal direction, or a background setting, the North appears as an idealized place in which the natural world and the freezing climate define and permeate all elements.”

“In this colossal, freezing, and inhospitable place, the solitary outsider finds  a  realm  to  dwell in. The black metal persona, an individual standing apart from the rest of society, amplifies a typical trait of the Norwegian personality, that is a tendency to  value solitude. In Immortal’s lyrics, this solitary (and voluntary) outcast experiences a deep and intimate connection with nature and its freezing climate (‘At One With The Earth / Alone With Light In My Eyes’  [2-4];  ‘Alone  On The  Mountainside /  Breathing  The Clearest  Winds’  [4-6]),  as they shape and influence each other”

“In  the  descriptions  of  nature,  the  abundant  use  of  blurry  and  indeterminate words,  such  as  cloud,  fog,  mist,  nebula,  shadow  and  twilight  contributes  to  creating  a gothic atmosphere of mystery, liminality, and suspenseful stillness, which gives rise to a sinister  contrast  with  the  ubiquitous  storming  of  winds  and  blizzards  (‘A  thousand black clouds storms’ [1-3]; ‘At The Stormy Gates Of Mist’ [3-7], song title) and evokes a  Nordic  rendering  of  the  sublime  of  the  wilderness.  In  these descriptions,  nature  emerges  as  a  pervasive,  enigmatic,  and  powerful  principle  that permeates all elements, protecting, hiding, and isolating these majestic lands, and their unearthly creatures, from the rest of the world.”

“A powerful gothic symbol that connects the leading themes of Immortal’s  lyrics is  the  raven:  its  colour  is  black  (darkness),  it  can  usually  be  found  in  cold  regions (coldness), and  it is  a bird  (natural world) with  strong symbolic  and mystical  overtones (supernatural world: ‘Our Sacred Raven’ [3-1]). The raven also symbolizes the kingdom of Blashyrkh  (‘Ravenrealm’  [3-1];  ‘Blashyrkh…Mighty  Ravendark’  [3-10];  ‘The  Elder Raventhrone’ [3-10])  and war (‘A  Ravens Claws Lifted  Towards The Sky  / In A  Sign For  The Norse  Hordes To  Ride’ [2-2]).  This  unity  of elements,  which  is  a  significant feature of Immortal’s lyrics, is also a fundamental quality of the gothic: a liminal locus in which the boundaries between the natural and the supernatural, life and death, light and darkness, are blurred, suspended, and fused in ghastly settings and tragic figures.”

“By  further narrowing down the examination to smaller units of the discourse, the analysis unveiled one of the most original and fascinating elements of Immortal’s lyrics: an extensive use of closed compound words (2 or more words joined  together in a single word) that merge the gothic, the North, and the heroic in striking unitary figures. Most of these compound words are neologisms, which is arguably inspired by the Norwegian language, which is very productive in the creation of 1-word compounds.

In order to understand if the integration of creative compound words (neologisms) was an original characteristic of Immortal’s lyrics, or, instead, a common feature of  contemporary Norwegian black metal bands, the  author also analysed the English lyrics of the first 4 studio albums of 3 of the most influential bands in the genre:  Darkthrone (Soulside JourneyA Blaze  in the  Northern Sky, Under a Funeral Moon, and  Transilvanian Hunger),  Emperor  (In the  Nightside  Eclipse, Anthems to the Welkin at Dusk, IX Equilibrium, and Prometheus: The Discipline of Fire and Demise), and  Mayhem (Deathcrush, De Mysteriis Dom Sathanas, Wolf’s Lair Abyss, and Grand Declaration of War). A total of 6 closed compound neologisms were found in Darkthrone’s lyrics (darkside, dreamking,  fullmoon,  goathorn,  soulside,  and  tombworld),  4  in  Emperor’s  lyrics (blacksword, fullmoon, nightspirit, and nightsky), and 5 in Mayhem’s lyrics (bloodswords, deathcrush,  gutsfuck,  necrolust,  and  posercorpse).  On  the  other  hand,  the  lyrics  of Immortal’s first 4 studio albums feature a total of 66 compound neologisms (some of them used across songs and albums), which makes this  characteristic a unique trait of the band and a structural feature of their artistic  production,  functional  in  the construction of their distinctive style.”

“One  of  the  most  fascinating  closed  compounds found  in  the  analysed  texts  (and  the  only  occurrence  of  a  verb  +  verb  form)  is ‘Dreamwatch’ [4-4]:

In The Forthcoming Breeze

With Tempted Eyes I Dreamwatch Dying Suns

In this  context, ‘dreamwatch’  can be interpreted  as a liminal  verb suspended  between dreaming and watching, which echoes the transitional state of the scene, surrounded by a forthcoming  breeze  (it is not yet there), awaiting with tempted  eyes  (which  denotes intention, desire, and anticipation, but not yet action) the faith of dying (in flux from life to  death)  suns  (the  use  of  the  plural  contributes  to  an  aura  of  indefiniteness  and mystery). By creating and pervasively using closed compound words, a multiplicity of meanings is condensed  into evocative symbols and  representations that are  gothic not only in  their  motifs, but also in  their synthesis  of such elements in  hybrid and liminal figures.”

“The expressive power of the compound words created by Immortal seems to have  influenced and inspired several heavy metal bands. An explorative analysis of band names (considering exclusively bands in the black metal genre whose first release was subsequent to Immortal’s use of the neologisms) revealed a total of 55 bands from 26 countries whose names could have been derived from 23 of the 66 closed compound neologisms found in Immortal’s first 4 albums (see  Appendix  D). Of course, this preliminary analysis does not demonstrate the direct  origin of such band names, but it suggests  that future  research  could be  directed  at investigating the cultural influence and generativity of Immortal’s themes and compound  neologisms in  the  black metal scene and beyond.”

Appendix A

 

Tracklist of Immortal’s First Four Studio Albums (1992-1997)

[1] Diabolical Fullmoon Mysticism (1992)

[1-1] Intro

[1-2] The Call Of The Wintermoon

[1-3] Unholy Forces Of Evil

[1-4] Cryptic Winterstorms

[1-5] Cold Winds Of Funeral Dust

[1-6] Blacker Than Darkness

[1-7] A Perfect Vision Of The Rising Northland

[2] Pure Holocaust (1993)

[2-1] Unsilent Storms In The North Abyss

[2-2] A Sign For The Norse Hordes To Ride

[2-3] The Sun No Longer Rises

[2-4] Frozen By Icewinds

[2-5] Storming Through / Red Clouds And Holocaustwinds

[2-6] Eternal Years On The Path To The Cemetary Gates

[2-7] As The Eternity Opens

[2-8] Pure Holocaust

[3] Battles In The North (1995)

[3-1] Battles In The North

[3-2] Grim And Frostbitten Kingdoms

[3-3] Descent Into Eminent Silence

[3-4] Throned By Blackstorms

[3-5] Moonrise Fields Of Sorrow

[3-6] Cursed Realms Of The Winterdemons

[3-7] At The Stormy Gates Of Mist

[3-8] Through The Halls Of Eternity

[3-9] Circling Above In Time Before Time

[3-10] Blashyrkh (Mighty Ravendark)

[4] Blizzard Beasts (1997)

[4-1] Intro

[4-2] Blizzard Beasts

[4-3] Nebular Ravens Winter

[4-4] Suns That Sank Below

[4-5] Battlefields

[4-6] Mountains Of Might

[4-7] Noctambulant

[4-8] Winter Of The Ages

[4-9] Frostdemonstorm

Appendix D

Closed Compound Words (Neologisms) in Immortal’s Lyrics and Subsequent Names of Black Metal Bands Band names in the black metal genre have been retrieved in June 2014 from the reference heavy metal website “Encyclopaedia Metallum: The Metal Archives” (www.metal-archives.com).

Battlelust Sweden

Blackstorm USA

Blackwing USA

Blackwinged Russia

Darkshine France

Darkshine Italy

Demonstorm Indonesia

Demonstorm Mexico

Demonthrone Finland

Frostdemonstorm Greece

Frostdemonstorm Chile

Frostmoon Eclipse Italy

Frostmoon Eclipse Germany

Frostmoon Norway

Attack of the Northern Frostwinds Colombia

Frostwind Germany

Dying Fullmoon Germany

Fullmoon Poland

The Mystic Fullmoon Poland

Fullmoon Rise Russia

Mystical Fullmoon Brazil

Fullmoon Promises Italy

Mystical Fullmoon Italy

Cold Fullmoon Czech Rep.

Midnight Fullmoon France

Fullmoon Dweller Mexico

Fullmoon Mist Sweden

Fullmoon Night Chile

Bloodred Fullmoon Taiwan

Goathrone Greece

Goatmoon Finland

Moonfog Ireland

Moonfog Darkness Russia

Moonfog Hungary

Ravendark’s Monarchal Canticle Brazil 

Raventhrone Canada/Austria

Underdark Ukraine

Wintercoffin USA

Winterdemon Finland

Wintergate Germany

Winterhorde Israel

Wintermoon Brazil

Cryptic Wintermoon Germany

Wintermoon Finland

Wintermoon Poland

Wintermoon Estonia

Spiritual Wintermoon Greece

Wintermoon Mexico

Wintermoon Germany

Wintermoon Spain

Wintermoon France

Wintershadow Spain

Winterstorm Spain (2007 origin)

Cryptic Winterstorm UK

Winterstorm Spain (2010 origin)

NOMES-DO-PAI OU OS NÃO-TOLOS ERRAM – Trad. André Telles (Jorge Zahar, 2005)

Les Noms-du-Perre et Les non-dupe errent

Sistema SIR (na verdade R.S.I.)

O SIMBÓLICO, O IMAGINÁRIO E O REAL

Ensaio de preposições e predisposições

Saussure

Lorenz

Mallarmé

Reich

eu resisto!”

a resistência política

metabol

metanfet

mais en effet!

plus1

+ena

falogo

ergo ergo caio

sem tregar

Leenhardt

Não é um livro que mereça todas as recomendações”

Lévi-Strauss

proibido acertar a tabuada

Masserman

contraretratação

ele se tratou de novo

com-sem-tração

expansão social

ex-premido

tava demorando:

APARÊNCIA DA IDÉIA: “Ora, encontramos ali ilustrado algo que parece bem obscuro quando o lemos em Hegel, isto é, que o conceito é o tempo. Seria preciso uma conferência de uma hora para fazer a demonstração de que o conceito é o tempo. Coisa curiosa, o sr. Hyppolite, em sua tradução da Fenomenologia do espírito, contentou-se em colocar uma nota dizendo que esse era um dos pontos mais obscuros da teoria de Hegel.”

tô-aí

tô à toa qui

sempre compre

pre-dador

diz-posição

dur-ação

sem espaço, irmão

com-servo

pré-servo

sem-ciente

com-siso

Chamo símbolo tudo o que tentei mostrar com a fenomenologia.”

assim-inalo

malo es

ano malo

o-clusão

C

cluster

clister

crista de galo

ESPERTINHO: “É preciso sempre apresentar uma pequena ilustração para o que se conta.” quadratura do círculo

Tudo começa com uma risada (Rs).

SR – sem rendimento volte mais tarde ou não

Como dizia Chaves quando leu Hegel (tríade): Isso-Isso-Isso!

Daí ser preferível e necessário que o analista tenha uma formação tão completa quanto possível na ordem cultural.”

O rR é seu trabalho, impropriamente designado pela famosa expressão ‘neutralidade benevolente’, [o finito mal] da qual se fala a torto e a direito, e que quer simplesmente dizer que, para um analista, todas as realidades são, em suma, equivalentes, que todas são realidades. Isso parte da idéia de que tudo o que é real é racional, e vice-versa.” VV amigo

Hegel está errado, logo a análise é uma fraude. Pseudanálise.

Era marxista da terapia – ainda não chegou – nem com Deleuze.

Mas Marx também erra (geografia geóide)

psicologia dos fudidos

AA arx

xra VV

o círculo sendo tragado

o círculo sendo comido

o círculo enquanto quadrado

o círculo qua quadrado

Deus está torto (é um quadro na parede).

com-forto

axial

Lagache

sra. Marcus-Blajan

Ironicamente, o agorafóbico é o ansioso do espaço; e o ansioso o agorafóbico do tempo (agora).

Vie et Nam

Rien – Nein!

O Resgate do Soldado Nada

Spielberg the bloooooood

Portanto, a ansiedade é normal. Segue o gozojogo!

não estou mais tão sozinho, pois a culpa está Aguiar meus atos compulsórios.

Jeff Bezos circula fora do tempo terrestre, no espaço, o que quer dizer que ele não é um fudido pelo capitalismo (transcendeu a questão do paciente que não tem paciência, não precisa ser tratado, é dono dos meios de tratamento e produção)

é um sujeito realmente associal e exorbitante!

– Eu não sei do que chamar a interseção de duas retas, alguém pode me ajudar?

– Esse é um bom ponto!

– Acho que vou arranjar um nome para um dos lados do cubo!

– Esse é um bom plano!

– Vou comer a Terra!

– Esse não é um bom prato!

dr. Gessain

dr. Guest-alt

Para a criança, os adultos são transcendentes na medida em que são iniciados. O mais curioso é que as crianças não são menos transcendentes para os adultos.”

Serge Leclaire: SL: sujeito-lacan: Symbh0lyk0-l’Imaginaire

Leal-ao-maistre

Tomo um exemplo totalmente concreto, o dos sonhos” Tá de sacanagem, porra!

Um ser completamente engaiolado na realidade, como o animal, não tem nenhuma idéia disso.” Hohohoho!

embasamento embaçado

embaçamento embasado

Octave Mannoni

Wladimir Granoff

Todos do encontro se tornaram grandes analistas, que coincidência!

porque estavam ali, e não por que estavam ali

dr. Pidoux

Didier Anzieu (não é doutor, mas Dr. Anzieu mesmo assim)

Françoise Dolto: “Mas você é um mestre tão extraordinário que podemos acompanhá-lo mesmo só o compreendendo depois.”

podemos apanhá-lo mesmo só prendendo-o depois

Club do Zinco

Club do Porrete

Hegel é um Kant sublimado que não sente. Nem pouco nem muito. Que mal educado!

Entra no olvido. Sai pelo outro. Que Outro?

8vio: “O problema é saber se a imagem é símbolo ou realidade. Isso é extremamente difícil.”

INTRODUÇÃO AOS NOMES-DO-PAI

Tá me tirano, L.? “Peço que mantenham silêncio absoluto durante esta sessão.”

empata fodida, quero dizer…

preten-dia um dia

Angústia era do que Hegel era incapaz.

O que é o objeto a?” Me diz você!

Eu sou Engels e Lacan é o Sr. Dãring: “Fico tentado, no momento de deixá-los, a lembrar-lhes o caráter radical, totalmente reestruturante…”

Isso justifica essa psicologia de cartomante, que pode ser desenvolvida em lugares aparentemente os mais isentos, do alto das cátedras universitárias.” Do alto das associações psicanalíticas é possível ser também cartomante. Jogador de pôquer!

Isto é para fazê-los perceber sentir que os primeiros passos do meu ensino caminharam nas vias da dialética hegeliana. Era uma etapa necessária para investir contra o mundo dito da positividade.” O ruim da ‘dialética hegeliana’ é que uma vez dentro não se consegue sair dela – percebo sinto isso em você!

escansão é quando o poema perde a graça porque seu autor deixou de cantá-lo: ex-canção!

prestigiosa transmutação” de H.

a dialética hegeliana é falsa. É contradita tanto pela atestação das ciências da natureza quanto pelo progresso histórico da ciência fundamental, ou seja, a matemática.” É falsa sim, mas não por isso, seu nó cego!

Kierkegaard

DUHRINGUISMOS: “eis a falha que não nos permite tratar do desejo na imanência lógica exclusiva da violência como dimensão a forçar os impasses da lógica.”

os Padres da Igreja – permitam-me dizer-lhes que não os achei suficientes.”

Alguns sabem que pratico a leitura de santo Agostinho desde a idade pubertária. (…) Soube nos falar, claro, do Filho, e muito do Espírito Santo, porém temos, não diria a ilusão, mas a sensação de que uma espécie de fuga se produz sob sua pluma, por uma espécie de automaton, quando se trato do Pai.” Bom, pelo menos ele soube fazer música!!

seu protesto radical”

O Sou aquele que sou com que D. afirma-se idêntico ao Ser motiva um puro absurdo quando se trata do D. que fala a Moisés na sarça ardente.”

Na angústia, o objeto pequeno a cai. Essa queda é primitiva.” É o pinto de Adão depois da transa. Mas é apenas um levantamento (suspensão hegeliana), i.e., é temporário!!

Esse ato em que a criança, de certa maneira espantada, vira a cabeça ao se afastar do seio, mostra que apenas aparentemente esse seio pertence à mãe.”

Acredito que o homem sofre porque perdeu o seu seio!!

Com efeito, o seio é parte do complexo nutricional, que se estrutura diferentemente em outras espécies animais. No caso, ele tem uma parte profunda e uma parte chapada no tórax da mãe.”

objeto anal” “fenomenologia do presente” HÁ-HÁ-HÁ! “dom na efusão”

Ensaio sobre a dádiva ou ensaio sobre a borra de café.

A criança, ao soltar as fezes, concede-as ao que aparece pela 1ª vez como dominando a demanda do Outro”

Ovídio

Conrad Stein

Robertson Smith

Andrew Lang

Miticamente – e é o que quer dizer mítica mente –, o pai pode ser um animal.”

Prova disso é que Bertrand Russel se enganou quanto a isso” Conhecemos estranhas cabriolas de Bertrand Russell”

a cerâmica nunca teve oportunidade de tomar a palavra”

cocô-conformidade

se posso me permitir duplicar assim o prefixo”

O misticismo está em todas as tradições, exceto na que vou introduzir”

Eu tinha estudado um pouco de hebraico o ano passado pensando em vocês, as férias que lhes dou evitarão que tenham de fazer esse mesmo esforço.”

Pascal

Os gregos, que fizeram a tradução da Septuaginta, estavam muito mais bem-informados que nós.¹ Eles não traduziram Ehyeh acher ehyeh por ‘Eu sou aquele que sou’, como santo Agostinho, mas por ‘Eu sou aquele que é’, como’ – designando o ente, Emi to on, ‘Eu sou o Ente’, e não o Ser, einai.

¹ Eles eram bons tradutores, não é, L.?

Antes de nos emocionarmos como é praxe em ocasiões assim, poderíamos lembrar que sacrificar seu filhinho ao Eloim da esquina era corrente, e não apenas na época, pois isso continuou até tão tarde que foi preciso incessantemente que o anjo do Nome ou o profeta que fala em nome do Nome detivessem os israelitas prestes a recomeçar.” Dificilmente esse tarde era mesmo ‘tão tarde’ a ponto de ter qualquer coisa a ver com o Antigo Testamento, já muito posterior a essas práticas. Péssima antropologia, sr. Lacan!

Como Sem tinha tido seus filhos à idade de 30 anos, e viveu 500 anos, e, em toda a linhagem, eles tiveram filhos aos 30 anos, tinha-se tão-somente chegado próximo dos 400 anos de Sem no momento do nascimento de Isaac. Enfim, nem todos gostam da leitura como eu.”

É claro que a menopausa existia naquela época.” Na do ‘Era uma vez…’? Ali não existia, não!

Não me recriminem por ter feito pouco caso da sensibilidade de Abraão, pois ao abrirem um livrinho que data do final do século XI, do chamado Rachi, em outras palavras Rabbi Salomon ben Isaac, de Troyes, que é um asquenaze da França, vocês lerão estranhos comentários. Quando Abraão fica sabendo pelo anjo que ele não está ali para imolar Isaac, Rachi faz-lhe dizer: ‘E então? Quer dizer que eu vim para nada? Vou, mesmo assim, lhe fazer ao menos um leve ferimento, para sair um pouco de sangue. Isso te dará prazer, Eloim?’ Não sou eu quem está inventando, é um judeu devotíssimo, e cujos comentários são bastante estimados na tradição da Mishnah.”

Não lhes direi as passagens que consultei, seja na Mishnah, nomeadamente nos Pirké Avot, que são as sentenças, ou máximas, ou capítulos dos Pais – digo isso para aqueles a quem isso possa interessar, não é grande como o Talmude, podem se remeter a ele, foi traduzido em francês”

O hebraico odeia a prática dos ritos metafísico-sexuais que, na festa, unem a comunidade ao gozo de Deus. Valoriza, ao contrário, a hiância que separa desejo e gozo.”

AZEDUME INFANTIL DO CHEFINHO OU APÓSTOLO

Num desses debates confusos durante os quais um grupo, o nosso, mostrou-se verdadeiramente em sua função de grupo, [horda caótica e burra, bestial] arrastado, daqui, dali, por turbilhões cegos, um de meus alunos¹ – peço-lhe desculpas por ter depreciado seu esforço, que seguramente teria sido capaz de carregar um eco e reconduzir a discussão a um nível analítico – achou por bem dever dizer que o sentido do meu ensino seria que a verdade, sua verdadeira apreensão, é que não a agarraremos jamais. Inacreditável contra-senso! No melhor dos casos, que impaciência infantil! É preciso que eu tenha pessoas consideradas cultas não sei por que entre aqueles que estão mais imediatamente ao alcance de me seguir! Onde já se viu uma ciência, ainda que matemática, [caminhão de merda] em que cada capítulo não remeta ao capítulo seguinte?”(*)

¹ Dá nome ao cordeiro, vamos! Sê macho! Se tu não dizes, te cagüetam…

(*) “A declaração de um aluno (J.B. Pontalis, então membro do comitê de redação da revista de Jean-Paul Sartre) é estigmatizada no fim da lição”

Não vêem que, à medida que eu avançava, continuava a me aproximar de certo ponto de densidade¹ aonde vocês não poderiam chegar sem os passos precedentes?” Muito bem, oráculo de Delfos! Felizmente, para você e sua turba, a IPA possibilitou que você fugisse com o rabinho entre as pernas antes de recorrer a algum ilusionismo barato e que caísse em descrédito…

¹ No máximo uma flecha de Zenão.

Ouvindo uma réplica dessas, não dá vontade de invocar os atributos da vaidade e da tolice, espécie de espírito em forma de casca, que recolhemos em operação nos comitês de redação?” Ouvindo isso do seu perspicaz aluno, não dá vontade de mandar tomar no cu? – tradução do empolado.

Então, se minha marcha é progressiva, se é até mesmo prudente, não será porque devo lhes alertar contra o declive onde a análise arrisca-se sempre a escorregar, quer dizer, a via da impostura?” Definição de desonestidade intelectual.

Não estou aqui num libelo a meu favor. No entanto, devo dizer que, ao ter confiado a outros há dois anos o manejo, no seio do grupo, de uma política – para preservar o espaço e a pureza do que tenho a lhes dizer –, nunca, em momento algum, dei-lhes pretexto para acreditar que para mim não havia diferença entre o sim e o não.” Patético epílogo!

GENEALOGIA DA EXPRESSÃO LACRE ENTRE OS POSMOD NEOCON: “Nunca mais retomarei esse tema, vendo nisso o sinal de que esse lacre ainda não pode ser retirado para a psicanálise.” É bem costumeiro dos psicanalistas colocar suas ‘coisinhas’ em arquivos sigilosos por décadas, ou até mesmo séculos, não é?

DREAM YOGA: Illuminating your life through lucid dreaming and the Tibetan Yoga of sleep – Andrew Holecek

FOREWORD BY STEPHEN LA BERGE

I have devoted my scientific career to the exploration of this extraordinary state of consciousness. Research done by my colleagues and me at Stanford University has proven the objective reality of lucid dreams, delineated their basic types and psychophysiological characteristics, and led to the development of new techniques and technology for more effectively inducing them. I have also learned how to voluntarily access lucid dreams and have found them wonderfully educational in the deepest sense. That is, as a means of bringing forth what is within.”

This process of integration is a form of dream yoga, and its practice leads to experiences of transcendence, which might be recognized as having similarities with the Tibetan dream yoga that is the subject of this book. That is no accident. I have had significant contacts with the Tibetan Buddhist tradition, starting with a workshop with Tibetan lama Tarthang Tulku at Esalen in 1972.”

Remember the story in which the character Nasrudin is under a streetlight outside his house searching for his lost key? A neighbor helps him look for a while — fruitlessly — then asks, ‘Where, exactly, did you lose your key?’ Nasrudin answers, ‘In my house.’ The neighbor exclaims, ‘Then why in the world are we looking out here!’ Coolly logical, Nasrudin replies, ‘Because there’s more light here.’”

PROLOGUE

I started a dream diary and within those 2 weeks had filled several notebooks. It was as if my deepest unconscious mind erupted and a volcano of dreams burst forth. Some of those dreams still guide my life today.” “I started reading everything I could about dreams. I read Sigmund Freud, Carl Jung, and countless books from psychologists, scientists, mystics, and quacks.(*) They were helpful but also incomplete. I still couldn’t understand what happened. One day I started reading about Buddhism and was immediately struck that ‘buddha’ literally means ‘the awakened one’. What does that mean? Awake as opposed to what? What did the Buddha awaken from, and what did he awaken to?

(*) While Freud and Jung spent a great deal of time with dreams, they spent very little with lucid dreaming. The 1st edition of Freud’s The Interpretation of Dreams (1899) has no overt reference to lucid dreaming, but the 2nd edition does. Jung had little interest in the topic, at least as we are defining it. However, Jung did work with dreams in very creative ways. Jung said that he did not dream, but was dreamed.”

INTRODUCTION

Lucid dreaming is the ultimate in home entertainment. Your mind becomes the theater, and you are the producer, director, writer, and main actor.” “Going deeper, lucid dreaming can develop into dream yoga, and become a spiritual practice. This is not to say that lucid dreaming isn’t spiritual. It can be. But as a practice, and in contrast to dream yoga, lucid dreaming doesn’t have as many spiritually oriented methods. ‘Yoga’ is that which yokes, or unites. Dream yoga unites you with deeper aspects of your being; it is more concerned with self-transcendence.

Other traditions work with sleep and dreams for spiritual purposes, including Sufi and Taoist dream practice, aspects of Transcendental Meditation, and Yoga Nidra. I will focus principally on Tibetan Buddhist dream yoga because this is a specialty of this branch of Buddhism.” O prelúdio para o inútil só pode ser, por extensão, inútil.

The exact origin of dream yoga is opaque in Buddhism. Some scholars trace dream yoga back to the Buddha. Namkhai Norbu, a master of the Nyingma school of Tibetan Buddhism, says it originated in the tantras (especially the Mahamaya Tantra), which are shrouded in mystery and authorship. [Não diga! Por que os 100% acordados não conseguiram traçar essa genealogia? Porque ela é um conto de fadas…] There are 4 main schools of Tibetan Buddhism. In order of emergence, they are the Nyingma, Kagyu, Sakya and Gelugpa traditions. Guru Rinpoche, the founder of the Nyingma tradition who brought Buddhism from India to Tibet, taught dream yoga as part of his cycle of teachings. In the Kagyu and Gelugpa traditions, dream yoga is taught mostly in the 6 Yogas of Naropa, which is perhaps the oldest certain source. Naropa gathered the 6 Yogas but was not their author. Lama Thubten Yeshe says, ‘The 6 Yogas of Naropa were not discovered by Naropa. They originated in the teachings of Lord Buddha, and were eventually transmitted to the great 11th-century Indian yogi Tilopa, who in turn transmitted them to his disciple Naropa.’ But the Indian master Lawapa (‘master of the blanket’, also known as Kambala) is the author of dream yoga as presented in the 6 Yogas. He passed the teachings on to Jalandhara, who passed them to Krishnacharya, who taught them to Naropa. Tilopa, who is the founder of the Kagyu tradition, attributes dream yoga specifically to Lawapa.”

Four of the 6 Yogas will be central to our journey in this book: illusory form yoga, dream yoga, sleep yoga, and bardo yoga. The other 2 yogas are chandali (inner heat) yoga and phowa (ejection of consciousness) yoga, which are beyond the scope of this book.”

Taking this practice further, dream yoga can develop into ‘sleep yoga’, an advanced meditation in which awareness spreads not only into dreams but into deep dreamless sleep. Staying awake during dreamless sleep is an age-old practice in Tibetan Buddhism. With sleep yoga, your body goes into sleep mode, but your mind stays awake. You drop consciously into the very core of your being, the most subtle formless awareness — into who you truly are.

If you want to go even further, there’s one final destination of the night. Dream yoga and sleep yoga can develop into ‘bardo yoga’, the famous Tibetan practices that use the darkness of the night to prepare for the darkness of death. ‘Bardo’ is a Tibetan word that means ‘gap, interval, transitional state, or in between’, and in this case it refers to the gap between lives. If you believe in rebirth and want to know what to do after you die, bardo yoga is for you.”

While I’ve never seen anyone get into trouble with dream yoga, as with any discipline it may not be for everyone. People with dissociation or depersonalization tendencies should consult with a mental health professional before undertaking lucid dreaming or dream yoga. Those with psychotic predispositions, or anyone suffering from a loss of a stable sense of reality, could potentially worsen those dissociative states of mind. As with any meditation, it’s always good to check your motivation. If you’re looking to escape from reality, the nighttime meditations are probably not for you.”

While lucid dreaming is more of a Western phenomenon, dream yoga, sleep yoga, and bardo yoga come mostly from Tibetan Buddhism. Our journey will unite both worlds, the best of the East and West. The Indian philosopher Mahadevan said that the main difference between Eastern and Western philosophy is that the West develops its view of reality from a single state of consciousness (the waking state), while the East draws from all states of consciousness, including that of dream and sleep.” “Like any good yoga, this book will stretch and then relax. And as with physical yoga, the best way to expand and grow is to feel the stretch, and let it work on you as you gently lean into it.”

Three Wisdom Tools

The Upanishads (arguably the first written map of the mind) articulate 4 states of consciousness: vaishvarana, the waking state; taijasa, the dream state; prajna, deep dreamless sleep; and turiya (‘the 4th), the super conscious state of illumination. It’s called ‘the 4th because it transcends the other 3. [George Lucas Productions] From a psychological point of view, it’s called turiya; from a philosophical point of view it’s called brahman. So turiya and brahman are Hindu correlates for the clear-light mind. In Buddhism, ‘the 4th is connected to ‘the 4th moment’, which is the timeless dimension that is beyond the other 3 moments of past, present, and future. In other words, the 4th moment refers to the experience of the clear-light mind.”

By reading and thinking about this material, you will be engaging the first 2 wisdom tools. In our voyage this is like filling the gas tank, getting a good map, and stocking up on all the necessities for a big trip. But the journey truly begins when you start to meditate, when you actually turn the ignition on and engage the yogas that take you within. This is when you’ll replace the map with the territory” Jamais o farei.

The 3 wisdom tools are the way we ingest, digest, and metabolize the teachings until they literally become us. If we remain at the level of hearing and contemplating alone, we’ll remain at the level of mere philosophy. The teachings may tickle your intellect or entertain you, but they won’t fundamentally change you.” I’m a mere philosopher!

I have had the good fortune of being around some of the most intelligent people on this planet, from famous scientists to world-renowned philosophers. I find them infinitely fascinating. But the ones who really touch me, who truly move me, who inspire me to change, are the most meditative people on this planet.” Na hora que filósofos e cientistas são úteis, você os utiliza – interessante!

The Tibetan word for ‘meditation’ is gom, which means ‘to become familiar with’. It is through meditation that you will become familiar with previously unfamiliar inner states of mind and body.”

1. WHAT IS A LUCID DREAM?

“‘LUCID DREAM’ IS a term hinted at by the scholar Marquis d’Hervey de Saint-Denys (1822–1892), but which was coined by the Dutch psychiatrist Frederik van Eeden (1860–1932).” “Some scholars look at the popular definition of lucid dreaming as a Western term, because it assumes a (monophasic) culture where waking and dreaming are distinctly different states, an assumption that is not held by many indigenous (polyphasic) cultures.”

In the West, lucid dream accounts go back as far as Aristotle, with the first Western lucid dream report written in 415 by Saint Augustine. A lucid dream is when you wake up to the fact that you’re dreaming, but you still remain in the dream — that is, you’re dreaming and you know it.”

The 3 principal states of waking, sleeping, and dreaming are not mutually exclusive. Like everything else in reality, they interpenetrate. When you’re having a daydream, you’re dreaming in the waking state; when you’re awake in a dream, you’re lucid dreaming; when you’re awake in dreamless sleep, you’re lucid sleeping;¹ and of course from a spiritual perspective, when you’re ‘sleeping’ in waking life you’re a normal confused sentient being. Buddhas are simply those who remain awake in all states.”

¹ What the ACTUAL fuck?!

The validity of lucid dreaming was scientifically proven in 1975 by the psychologist Keith Hearne at Hull University, and then independently by Stephen LaBerge in l977 at Stanford.”

You can do whatever you want, and no one can see you. You can fly, have sex with a movie star, or rob Fort Knox.”

Flying and having sex are indeed the two most frequently engaged-in activities for lucid dreamers. See Bahar Gholipour, ‘What People Choose to Dream About: Sex and Flying’, LiveScience.com, July 10, 2014, livescience.com/46755-flying-sex-lucid-dream-content.html. Other common adventures are doing things that are impossible in waking life: breathing underwater, talking with animals, time travel, and being someone else.”

One reason adolescents and young adults get into trouble is because the prefrontal cortex isn’t fully developed until age 25, which leads to bad decisions and poor social control.”

Lucid dreaming gives you a chance to live the myth of Gyges, and to learn from it.” Would there be a quota for evilness?

being barely lucid might involve acknowledging on some level that you’re having a dream, but not acting with full comprehension. You might still flee from perceived danger, or treat dream characters as if they were real. Hyper-lucid dreaming would be full comprehension of the dreamlike nature of your experience in the dream, recognizing that even the sense of self in the dream is being dreamt. Hyper-lucidity could also refer to colors and forms in the dream that seem more vibrant and real than anything in waking experience.”

Young children tend to have lucid dreams more frequently, an occurrence that drops off around age 16. Younger people in general are more likely to have lucid dreams than older folks. Lucidity occurs as early as age 3, but it seems most likely to happen around ages 12 to 14. On average, lucid dreamers have 3 to 4 lucid dreams each month, with the average length of lucidity being about 14 minutes. [Não faz qualquer sentido terem conseguido medir isso!] Some 58% to 70% of people will have at least one lucid dream during their life.”

Lucid dreaming is becoming the latest rage. People are using it to get an edge on their competition. Researchers are working with it to treat PTSD. Sleep scientists in Germany are using it to enhance focus and performance in athletes. Actors, inventors, artists, writers, and musicians are increasingly practicing lucid dreaming to enhance creativity.” Me pergunto se qualquer coisa (mesmo “budismo profundo”, como vou chamar provisoriamente) ainda tem qualquer valor se passa a ser idolatrado pelo Ocidente!

MINHA DUNGEON DE GELO: “Dreaming in general has been connected to creativity for eons, and the literature is replete with examples. The German chemist Friedrich Kekule discovered the molecular structure of benzene in a dream, James Cameron’s dream of a robot-man eventually became the movie The Terminator, Robert Louis Stevenson came up with the plot for his novella The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde in a dream, and Paul McCartney’s song Yesterday came to him in a dream.”

Relaxa o sphincter and just lerigo uidaflô

The current popularity of lucid dreaming is both a blessing and a curse. We’ll explore the blessings throughout this book. The curse is that dreams, as being unreal, are often not taken seriously. Cultures that honor dreams are often dismissed as primitive.”

2. A MAP FOR PRACTICES OF THE NIGHT

Fear in a dream doesn’t always disappear at the onset of lucidity. It’s more the realization that no physical harm can come to us in that realm that provides an opportunity to continue exploring the dream despite a fearful reaction to its contents.”

In Buddhism, entire volumes (like the Dasabhumika Sutra) are devoted to the stages of awakening, and each of the 3 Turnings has its own description, as well as varying articulations of the stages. A common classification is the 10 bhumis (‘levels’ or ‘grounds’) of spiritual development.”

“‘Fear’ is etymologically connected to ‘fare’ [tax]. Fear is the fare, or toll, that must be paid in order to grow. If we really want to wake up, we need to follow our fear into and through the darkest aspects of our being, for that is where the brightest light abides.

When Joseph Campbell uttered his famous maxim, ‘Follow your bliss’, he was speaking a partial truth. It is important to follow your bliss, and it can take courage, but if that’s all you do, you’ll just get blissed out. From a spiritual perspective, it can be more valid to say, ‘Follow your fear’. But similarly, if that’s all you do, you’ll just get freaked out. The Buddhist concept of the ‘middle way’, or ‘not too tight, not too loose’, is the ideal guide. Don’t become an extremist and lose your way by getting either snared in bliss or scared away by fear.” A filosofia do pequeno-burguês.

In my spiritual community we talk about ‘klesha attacks’, where the Sanskrit word klesha means ‘emotional upheaval’. It’s basically when someone loses it. It’s easy to identify klesha attacks of passion, aggression, jealousy, or pride, for example, but I’ve never been able to say, ‘I’m having an ignorance attack’. This is an irony, because if I see the world as solid, lasting, and independent (dualistically), I’m under attack. It means I’m under attack right now, I just don’t see it. This blindness is particularly damaging because every other visible klesha, and therefore all our suffering, arises from this one, the stealth bomber of ignorance.”

Dark retreat is a specific practice associated with thögal, one of the most advanced practices of Dzogchen. This retreat is also associated with the bardo teachings, and is sometimes referred to as ‘the bardo retreat’. Traditionally (and only under the strict supervision of a meditation master), a meditator goes into total darkness for 49 days. [???] During this period the shine of the clear-light mind manifests in various ‘visions’, akin to what happens during the second phase of the luminous bardo of dharmata after death. […] If you take these visions to be real, instead of attaining enlightenment, you attain insanity. It’s a potentially dangerous retreat. To a lesser degree, we suffer from varying levels of insanity when we take our daily ‘visions’, the appearances of waking life, to be real. Dark retreat shows the meditator the roots of all this madness. See Chögyam Trungpa’s introduction to his translation of The Tibetan Book of the Dead (Boston: Shambhala, 1975); Tenzin Wangyal’s Wonders of the Natural Mind: The Essence of Dzogchen in the Native Bon Tradition of Tibet (Barrytown, NY: Station Hill Press, 1993); and Christopher Hatchell’s Naked Seeing: The Great Perfection, the Wheel of Time, and Visionary Buddhism in Renaissance Tibet (Oxford: Oxford University Press, 2014).”

3. UNDERSTANDING SLEEP CYCLES

WE TAKE SLEEP for granted, but it’s literally a lifesaver. Without sleep you would die. There’s a rare genetic disorder called ‘fatal familial insomnia’ that usually occurs in middle age, lasts about a year, and always ends in death. There is no cure” “Those suffering from sleep apnea have a significantly higher risk for heart disease, stroke, and a host of other illnesses. It’s a silent killer.” “there are over 70 sleep disorders” “Even if you don’t suffer from sleep apnea, sleep problems contribute to diabetes, obesity, anxiety, depression, immune suppression, substance abuse, strokes, heart disease, accidents, mood disorders and death.”

In a New York Times op-ed column titled ‘To Dream in Different Cultures’ (May 13, 2014), the anthropologist Tanya Luhrmann remarks on how our obsession with 8 hours of continuous sleep is a product of our electrified age, and artificial light. In pre-modern times, she says, people engaged in ‘punctuated sleep’, which is more akin to how our kindred animals sleep. She quotes Roger Ekrich, author of At Day’s Close: Night in Times Past, who writes that people went to bed for the ‘first sleep’ as the sun set, but then woke up throughout the night: ‘There is every reason to believe that segmented sleep, such as many wild animals exhibit, had long been the natural pattern of our slumber before the modern age, with a provenance as old as humankind’, says Ekrich. In many ancient societies, what happened during the night was important, and because people woke up frequently, they remembered more of their dreams. Luhrmann goes on to quote the anthropologist Eduardo Kohn, who writes, ‘Thanks to these continuous disruptions, dreams spill into wakefulness and wakefulness into dreams in a way that entangles them both.’

scientist William Dement says, ‘Sleep is one of the most important predictors of how long you will live — as important as whether you smoke, exercise, or have high blood pressure or cholesterol.’” K. já nos acréscimos.

Dream yoga may or may not help with sleep disorders. It’s not meant to be a medical treatment. But it can help people relate to their disorders in a new way”

To sleep well you must literally do nothing. For many of us that’s not easy. But doing nothing, and doing it well, is one aspect of meditation. So the preparatory meditations for dream yoga that we will introduce can help with things like insomnia.”

unwind: relaxar ou: tirar o vento da cabeça…

One way to work with insomnia, via the inner yogas, is to engage what the Mahamudra tradition evocatively calls ‘subterranean samadhi’. With this practice you visualize 2 black pearls at the soles of your feet, one on each sole. By bringing your mind so far down with the visualization, the winds and bindus that have gathered at the head chakra (resulting in the insomnia) are also pulled down, and your mind is seduced toward the heart chakra where sleep occurs. (Bindus are like drops of consciousness, and chakras are energy centers where bindus gather to create states of consciousness, as we will see in chapter 5.) It’s an application of the ‘extreme path to the middle’ approach, where the middle is your heart center, and the extreme is the bottom of your feet. I’ve tried this with mixed success.” “When I’m stressed and ‘windy’, I invariably get a cold and have to sleep. In Buddhism, wind is considered the most powerful element.”

Biographers state that the Buddha slept very little—one hour a night—and took the occasional nap. I have asked several meditation masters, including Khenpo Tsültrim Gyamtso Rinpoche, Sokse Rinpoche, and Choje Rinpoche, about buddhas and sleep, and they assert that buddhas do not sleep.” ???

Their body may go into sleep mode (they lie down at night), but their minds never black out.” Sei.

Meditar, numa palavra, seria como descansar após a idade adulta. Utopia?

SOCIALIZAÇÃO: “The first split is toward the truth of our experience, refusing to accept our immediate experience as it is. The second split is when we add a disconnect from our immediate embodied experience, which is an ongoing dissociation from the truth that we’re embodied beings. The third split is when we add a continuous stream of self-referential commentary to our experience; we have an experience and we instantly make up a story about how it has to do with us.¹ The fourth level of disconnection is when we link moments of experience to one another, creating an illusion of continuity.² And the fifth level of disconnect is when we work to ‘stabilize a state of chronic struggle by maintaining the claim that there’s something really important that has to be fixed³ about us or about life’.”4

¹ Consolidação normal do ego?

² Maturação – estágio “kantiano” – diagnóstico consciente da lei de causa-efeito e conceituação das percepções de espaço-tempo.

³ Jack Shepherd Syndrome; communism?

4 Há uma hipérbole das “barreiras que o praticante de meditação” precisa transcender ou, senão, essas ‘cisões’ não estão em ordem cronológica… Dissociações do corpo ou da experiência imediata têm mais a ver com o filosofar ocidental ou o uso de narcóticos ou a ocorrência de episódios místicos que com processos de socialização infantis que viessem antes da third, fourth e fifth splits!

spiritual chronic fatigue syndrome” – se ter sonhos ansiosos é o critério para tornar-se um paciente desta síndrome, entrei nessa aos 20…

According to the Dalai Lama, and every resource I could find, there is no explanation within Buddhism for why we dream. [Idiota!] Perhaps it’s purely soteriological, or ‘pertaining to deliverance’. Perhaps we dream, and wake up from our dreams, to show us how we can deliver ourselves from samsara.” Isso já é mais do que a neurofisiologia contemporânea permite concluir.

There are 2 main kinds of sleep: non-REM, or quiet sleep, and REM, or paradoxical sleep. REM sleep is called ‘paradoxical sleep’ because while the brain becomes more active during this stage, muscles become more relaxed. Non-REM sleep is associated with restoration, deep relaxation, and an idling brain. People who suffer from sleep apnea don’t spend enough time in non-REM sleep, and therefore don’t get the needed restoration. (REM sleep is the sleep stage used in lucid dreaming and dream yoga. Non-REM sleep is used in the stage associated with sleep yoga.)

REM sleep, which accounts for about 25% of sleep in most people, is associated with rapid eye movement (REM), muscle twitches, sleep paralysis, an active brain, and dreaming. Sleep paralysis (atonia), which is when voluntary muscles become temporarily paralyzed, usually goes unrecognized, but sometimes we can be aware of it. The awareness of sleep paralysis results from an ‘out of sequence’ REM state. We’re not supposed to be conscious of our body in REM sleep.” “In recognized sleep paralysis, REM encroaches into wakefulness; in lucid dreaming, wakefulness encroaches into REM.” Hm, me parece perigoso!

With certain disorders, such as REM sleep behavior disorder (RBD), sleep paralysis doesn’t work, and folks do things like beat up their sleeping partners, completely unaware of doing so. People have been arrested and prosecuted for this bizarre form of domestic violence. When my dog is dreaming, I often see him twitching and semi-barking, and I wonder what he might be chasing in his dream.” “Sleepwalking and sleep talking are different, and occur in non-REM sleep when there is no paralysis.”

Until recent improvements in technology refined our understanding, scientists measured 4 principal brain-wave states — beta, alpha, theta, and delta — as determined by an EEG, or electroencephalogram. Waking consciousness is associated with beta and alpha, and sleep with theta and delta. With refined instruments come refined measurements. Two new states have been added to these classic 4. At the very low end, epsilon 0–05 hertz has been associated with intense meditative states. At the very high end, gamma 30–100+ hertz is associated with the coordination of signals across longer distances in the brain, and is connected to complex actions or associations that require the simultaneous use of multiple brain areas. Research is moving away from these fixed stages as more sophisticated measurements of the sleeping brain are developed. With neuroimaging techniques (fMRI, PET scans), high-density EEG, and spectral analysis (which measures the amplitude and phase of electrical activity over wider frequencies and time scales), new models are emerging.” O EEG clássico não serve pra porra nenhuma – nem pra determinar insônia no paciente!

As brain waves settle from beta into alpha, we enter a pre-sleep stage called the ‘hypnagogic’ phase, which is a kind of gap (bardo) between waking and sleeping (from the roots hypnos, ‘god of sleep’, and agogia, ‘leading to’ — a lovely image). During this stage it’s common to have feelings of falling, or hearing someone call your name, experiences called ‘hypnagogic hallucinations’.” “This sensation of falling is interesting from the point of view of the inner yogas, as we will see, because falling asleep is when the bindus (drops of consciousness) fall from the head chakra into the heart chakra. It’s also suggestive that ‘contraction’ is associated with this stage, which could be a defensive response against falling into space. For a thorough look at the hypnagogic state, see Thompson, Waking, Dreaming, Being, 107–138.”

The psychologist Matthew Walker at the University of California at Berkeley, who led one study, says, ‘It’s as though the email inbox in your hippocampus is full and, until you sleep and clear out those fact emails, you’re not going to receive any more mail. It’s just going to bounce until you sleep and move it into another folder. Sleep is sophisticated, it acts locally to give us what we need.’ See Yasmin Anwar, ‘An Afternoon Nap Markedly Boosts the Brain’s Learning Capacity’, Berkeley News, 02/22/10,

newscenter.berkeley.edu/2010/02/22/naps_boost_learning_capacity.” K. deve estar presa em 2015 ou até antes!

Stage 4 is our deepest sleep and lasts about 30min in the 1st sleep cycle. (We cycle through these 5 stages 4-5 times each night, as described below.) It’s characterized by profound muscle relaxation and rhythmic breathing. This is where we’re fully offline.” “We spend about 12-15% of total sleep at stage 4, but that percentage decreases dramatically as we age (from up to 20% as a young adult to 3% by midlife), and by age 65 this ‘slow wave’ sleep can disappear altogether.” Isso se chama ‘preparação para o sono da morte’, amiguinho!

The sleep scientist Penny Lewis at the University of Manchester talks about sleep engineering, which is designed to optimize sleep, and sustain slow wave sleep as we age. The aspiration of sleep engineering is to therefore sustain cognitive function, reduce the effects of aging, enhance creativity, and facilitate problem-solving abilities.”

After resting in deep dreamless sleep for about 30min, we briefly come back up to stage 2, but instead of coming all the way back up to stage 1, we enter a new stage, REM sleep, or stage 5. In other words, stage 1 is replaced with REM sleep. After REM, we go back down through the stages again. REM sleep is when we dream the most.”

You actually consume more oxygen during REM sleep than you do when awake, unless you’re doing something aerobic. People often worry that lucid dreaming and dream yoga could make them less rested. Since most of our restorative sleep occurs in delta wave sleep, and dreams mostly occur during REM sleep when the brain isn’t resting anyway, this worry is unfounded.”

We go through these 5 stages 4-5 times each night, in about 90min cycles. After each REM period, we have brief moments of awakening, up to 15 times a night, when we toss and turn. This creates an opportunity to bring awareness to our dreams before cycling back into stage 2 sleep”

Just before awakening we can be in REM sleep for 45-60min, which is why we mostly remember our morning dreams. This is prime-time dreamtime.”

Don’t waste your time trying to have lucid dreams in the early part of the night. Get your restorative sleep. Wait until REM sleep is at its peak. When I do dream yoga retreats and have the luxury of taking naps during the day, I often practice lucid dream induction techniques throughout the night. This means I set my alarm to go off every 90min, which is when I’m most likely to be in REM sleep. I don’t recommend this as a regular practice, unless you can take naps during the day.”

This is all we need to know about the science of sleep to launch us into the nighttime practices.” nightmare of practices

4. WESTERN LUCID DREAM INDUCTION TECHNIQUES

Dream yoga itself hasn’t changed much in hundreds of years. It was designed by beings so awake that perhaps they didn’t realize that mere mortals like ourselves might need some baby steps. The classic practice texts are pithy, and therefore steep. The great contribution of modern lucid dreaming is to provide a gradual on-ramp. Lucid dreaming has much to offer for practitioners of dream yoga, and dream yoga has a great deal to contribute to lucid dreaming. Together they make fantastic sleeping partners. In these 2 chapters I will introduce a variety of induction techniques. There is no need to master them all. Triggering lucidity is the point, not the technique that gets you there.”

The point in presenting all these techniques is that you will eventually find one that works for you. When you do, stick with that. No need to do any other unless you wish to explore more possibilities. The only danger in presenting so many methods is that you might try one for a night or 2, give up, and then skip to the next. I recommend staying with a technique for at least several weeks.”

If you find it’s too disruptive to practice lucid dreaming during the week, then just do it on weekends. While it’s helpful at first to do a technique the way it’s presented, don’t be afraid to play around with it. Maybe a blending of techniques works for you, or your own method. Experiment, and have fun. If you don’t enjoy lucid dreaming, you won’t do it. While motivation and ambition are important, don’t be hard on yourself.”

A central teaching in any meditation is ‘not too tight, not too loose’. If you’re too tight, or try too hard, you’ll tie yourself into knots and won’t fall asleep. If you don’t try enough, you’re too loose, and you’re not practicing dream yoga. The ‘middle way’ approach is always best. It’s like tuning a guitar. Tune it too tight and the strings snap; tune it too loose and it makes a saggy sound. With balance, perseverance, and humor, you will learn how to tune your mind to make beautiful night music.”

Have you ever had to get up early and not had an alarm clock? By setting a strong intention to get up at a certain time, we often wake up at that time despite not having an alarm. In the same way, we can set an internal alarm to wake us up within a dream by setting a strong intention.”

In the East, intention is referred to as ‘the power of resolution’, and refers to the power of karma. Karma is basically the law of cause and effect. In Tibetan, ‘karma’ is translated by the word leh, which means ‘action’, and action is all about cause and effect. Fully constituted karma has 4 aspects: intention, action, successful completion and rejoicing. These refer to the intention behind an action, the action itself, successful completion of the action, and a sense of satisfaction in having completed the act. (…) The point with dream yoga is that through the power of resolution, we’re planting karmic seeds that can ripen in the dream and spark lucidity.”

Luz não é nada sem trevas.

If you’re reading this book, you’ve already started to set your intent. Studying the view, or philosophy, behind lucid dreaming and dream yoga strengthens it. To actually practice intention, say to yourself throughout the day, ‘Tonight I will remember my dreams. I will have many dreams. I will have good dreams. I will wake up within my dreams.’

In lucid dreaming workshops, people often say, ‘My goal is to become lucid in my dreams!’ When they do, they often immediately wake up and feel disappointed because the lucid dream didn’t last.” “They got what they asked for, so the key is to ask for more. It’s therefore important to set a goal beyond becoming lucid, so that lucidity eventually becomes the natural state, the platform, that’s required to accomplish even higher goals.” “A second essential ingredient for lucid dreaming is good dream recall. Even though we have at least 6 dreams each night, many people don’t remember any of them. LaBerge says that until you can remember at least 2 dreams each night, it’s better not to try the lucidity techniques.” “Because Western society tends to dismiss dreams, we also dismiss the importance of good dream recall. Other cultures that support dream recall also support what occurs in the night. The Stanford anthropologist Tanya Luhrmann (‘To Dream in Different Cultures’, op. cit.) spent time in evangelical churches in Accra, Ghana, and Chennai, India, and writes, ‘One of the more startling differences is that Christians in Accra and Chennai say that God talks to them when they sleep, and in their dreams. He wakes them up by calling their names. American subjects, asked about odd events in the night, were more likely to say things like this: I see things, but it’s just sleep deprivation. It seems likely that the way our culture invites us to pay attention to that delicate space in which one trembles on the edge of sleep changes what we remember of it’.”

Pelo visto, essa prática não é mesmo pra mim!

5. EASTERN LUCID DREAM INDUCTION TECHNIQUES

Many of the methods in this chapter come from Vajrayana Buddhism, which is largely a Tibetan tradition. Vajrayana (‘diamond vehicle’) is the last of the 3 main schools of Buddhism, the other 2 being the Mahayana (‘great vehicle’) and Hinayana (‘narrow vehicle’). The Vajrayana methods are meditative techniques that can be learned, practiced, and developed. If you don’t have success with them initially, as your practice matures so will your success”

Countless books are available on the inner body. From a Kagyu perspective, Rangjung Dorje, The Profound Inner Principles, translated by Elizabeth Callahan (Boston: Shambhala, 2013), remains the classic. [Um clássico de menos de 10 anos? No way!] For East-West perspectives, see Anodea Judith, Eastern Body Western Mind: Psychology and the Chakra System as a Path to the Self (New York: Celestial Arts, 2004) and Maureen Lockhart, The Subtle Energy Body: The Complete Guide (Rochester, NY: Inner Traditions, 2010).”

LIBERAR OS NÓDULOS DO CHAKRA E DO NEN: “The intermediate level of the inner subtle body is targeted in Chinese medicine, Indian Ayurveda, and other Eastern medical systems (via techniques such as acupuncture, acupressure, and moxibustion) for physical health.”

And just as there are outer yogas that work with the outer gross body, there are inner yogas that work with the inner subtle body. The dream induction techniques from Tibetan Buddhism engage these inner yogas.”

QUADRIPARTITE: “The subtle body has a sophisticated anatomy and physiology; our discussion here will address the 4 main constituents — referred to as the channels, winds, drops, and wheels. These are called nadi, prana, bindu and chakra in Sanskrit, and tsa, lung, tigle and khorwa in Tibetan. Each of these 4 inner aspects has outer-body correlates that can help us understand them.”

Although the subtle body isn’t a material body like the outer gross body, that doesn’t make it less real. In a sense it’s more real, because it’s the foundation for the outer body. In the Tibetan Buddhist view, the outer is an expression of the inner. The best way to explore the subtle body, and discover the 4 main constituents for yourself is through the inner yogas. That’s when you can prove to yourself that the channels, winds, drops and wheels are real, because you feel them, and feeling is even more convincing than seeing.”

1. Channels. The channels are the easiest elements of the subtle body to understand. Depending on which system you use, there are around 72,000 channels in our subtle body. These are like arteries, veins or even nerves. For our purposes we only need to know about 3: the central channel (avadhuti in Sanskrit, uma in Tibetan), the right channel (pingala/rasana), and the left channel (ida/lalana). The central channel runs from the top of the head to the base of the spine. The left and right channels begin at the nostrils, curve up to meet the central channel near the top of the head, then run parallel to it to a distance about 4-finger widths below the navel, where they merge with the central channel.”

The current rage in neuroscience is neuroplasticity, which is the discovery that the circuits in our brains are not hardwired. By changing our mind, we can literally change our brain. In a similar fashion, by changing our mind we can change our nadis, what we could call nadiplasticity. Meditation changes the configuration and texture of our nadis. The inner yogas simply target this process more directly.” “the configuration of our nadis dictates our talent for lucidity. Some people are just hardwired for lucidity.”

2. Winds. Within the channels flow the subtle winds, or prana, also known as chi, life force energy, psycho-physical energy, subtle bioenergy, even Holy Spirit in esoteric Christianity. The outer body correlate is most obviously respiration, but other parallels would include the flow of blood or the conduction of nerve impulses. The wind that flows through the right channel is called the ‘sun poison prana’, which is a masculine, extroverted, ‘in the world’, and very active energy. The wind that flows through the left channel is called the ‘moon nectar prana’, which is more feminine, introverted, and receptive. The wind that flows through the central channel is called ‘wisdom wind’, and it only ‘breathes’ when the 2 outer channels, which carry confused or dualistic wind, stop breathing. This occurs in very deep meditation or death.” Cabeça aberta é uma coisa, mas isso…

3. Drops. The 3rd aspect of the subtle body are the drops (bindus), sometimes called ‘mind pearls’. These can be the hardest to understand. Outer body correlates would include sperm and ovum, neurotransmitters, hormones, or anything that represents the concentration of life force energy. In spiritual practice, the drops are often visualized as shimmering beads of light, the size of a sesame seed. [Isso são resquícios de luz na retina e há um nome específico para esse fenômeno…] (…) Think of them as drops of consciousness.”

4. Wheels. The final aspect of the subtle body is also the most famous — the wheels, or chakras. Chakras are energy distribution centers. Depending on the system, there are usually 5 or 7 chakras situated along the central channel: base of the spine, genitals, solar plexus, heart, throat, forehead, and top of the head. Outer body correlates are the endocrine centers, which are, respectively, the adrenal glands, the testes or ovaries, and the pancreas, thymus, thyroid, pituitary, and pineal glands.”

If you don’t do inner yoga, you can still get a feel for the subtle body when you’re touched by sound or music.” “The next time you’re really touched by music, it’s your subtle body that’s being touched.” Eu tenho um corpo sutil muito desenvolvido!

Mantra, which is obviously connected to sound, also works on the subtle body. Mantras work in a number of ways, but in terms of the subtle body they serve to ‘straighten out’ the channels through which prana flows.”

First calm your mind with 10 minutes or so of meditation (next chapter). Second, you can do a brief prana purification exercise, which removes the stale winds and energizes the subtle body.” “take 3 slow and deep cleansing breaths. As you inhale, imagine pure life force energy flooding your subtle body. As you exhale, imagine that all the stagnant winds are blown out. You can do a final vigorous push at the end of your exhalation, as a respiratory exclamation point, with the sense that every last wisp of stale air is being expelled.”

(…)

6. A FUNDAMENTAL MEDITATION: MINDFULNESS

Mindfulness is the art of keeping your mind on the present moment. It’s set in contrast to mindlessness, which is when your mind drifts away from what’s happening. Mindlessness is virtually synonymous with distraction, and mindfulness is a synonym for non-distraction.”

We start with effortful mindfulness, which is a relatively coarse level of mindfulness that dissolves as we fall asleep. But with practice, this level refines into effortless and then spontaneous mindfulness, which do not dissolve at sleep. This means that these more advanced levels are qualities of mind that you can hold on to when you go to sleep, and that keep you aware of what’s happening with your mind (phenomenologically).”

If we just go along with the usual stream of mindlessness, which most people unwittingly do, we don’t feel its enormous pull. We’re going with the flow. But the minute we sit down and begin to practice mindfulness meditation, the torrent of mindlessness is finally felt.” “It may seem like we’re training the mind, redirecting the flow of our attention from mindlessness into mindfulness. This is provisionally true. But on a deeper level, mindfulness is the natural state of the mind. If we just left the mind alone, it would always be mindful.” “This means that the only thing we have to do to realize effortless and spontaneous mindfulness is simply relax.” !!!

Scientists talk about ‘inattentional blindness’, which is when you fail to notice something that is fully visible because your attention has been directed elsewhere. Inattentional blindness is a more intense form of distraction, or mindlessness, that can literally kill. How many times have you been distracted by something, and then bumped, or even crashed, into an object? Studies of inattentional blindness reveal that visual perception is more than just photons hitting your eyes and activating your brain.”

Distraction, as the expression of ignorance, is the sustenance of samsara. When we get lost in the sleep of ignorance — lost in thought, distraction, or dreams — our samsaric lives are fed. We’ve hit the refresh button on confusion.” Estou caindo de sono lendo isso. E não é tarde da noite nem nada do tipo.

Unrecognized (discursive) thought is just the way we go to sleep moment-to-moment. Estimates put the number of these thoughts at around 70,000 per day. A 16-hour day has 57,600 seconds. Look at your mind to see if you have one or more distracting thoughts each second. LONI website, ‘Brain Trivia’, loni.usc.edu/about_loni/education/brain_trivia.php.” error 404

The basis of samsara is this: we just forgot.” “Sentient beings have forgotten that they’re buddhas; buddhas never forget. It’s a Zen-like conclusion — all this effort to learn, when all we really have to do is remember.” “This simple practice therefore has monumental repercussions. The spirit of re-membering starts with mindfulness, but ends with Buddhahood.”

With all our electronic gadgets, these clever weapons of mass distraction [destruction] (smartphones, tablets, and so forth), we only need to look at the world to see the truth of this maxim. Many traditions speak of our time as the ‘Dark Age’ (kali yuga in Hinduism), or in our terms, ‘The Age of Sleep’. This is the darkness of ignorance in its moment-to-moment expression as distraction. People often associate the darkness of this age with climate change, environmental destruction, religious and political chaos, and the like. But these are just overt manifestations of the covert origin of this darkness. Distraction is the real stealth bomber of our age. Technology is not the issue. Inappropriate relationship to technology is the issue.”

The return to Christ, or the Buddha within, begins when we return to the present moment. We start to heal the primordial dismemberment, the fracturing away of the psyche from the clear-light mind that results in duality, every time we come back to nowness.”

Every time you come back to your breath in mindfulness practice, or to the present moment in daily life, you are practicing enlightenment, and healing the primordial dismemberment that continues to reverberate in the mini-dismemberments that we call mindlessness.”

Detailed instructions and resources can be found in my book Meditation in the iGeneration: How to Meditate in a World of Speed and Stress (Lafayette, CO: Maitri, 2014). Pema Chödrön’s How to Meditate: A Practical Guide to Making Friends with Your Mind (Boulder, CO: Sounds True, 2013) is another valuable resource.” Tudo engodo. Se quiser leia, mas faça o favor de piratear!

There are 3 phases to the instruction: body, breath and mind. These 3 phases interpenetrate and therefore support each other. Together they create a stable tripod that reinforces lucidity.”

It is taught that simply by taking the proper posture, sooner or later you will find yourself meditating. An attentive posture invokes an attentive quality of mind. The posture itself is supported by an attitude (or mental posture) of dignity, nobility, even regality”

Sit in the middle of a meditation cushion, or a chair. If you’re sitting on a chair, don’t lean against the back. Cross your legs if you’re on a cushion, or plant your feet squarely on the ground if you’re on a chair. Feel your connection to the stability of the earth. Rest your hands on top of your thighs and keep your back firm, but not stiff. A stable back represents the quality of fearlessness, but it’s balanced with an open and receptive front, which represents gentleness. Fearless and gentleness are two key ingredients in good meditation, and your posture literally embodies that. Pull your shoulders back and expose your heart, which is perhaps the central instruction with posture. All the other physical aspects of posture hinge around opening your heart.

Align your head above your spine, which usually means tucking it back in. We’re often ‘heading’ out in the wrong direction, and this inclination is represented in bad posture. Rest your tongue on the back of your upper teeth, and part your lips as if you are whispering ‘ah’. Later we’ll discuss how to extend this practice into a lying down posture, which is when you close your eyes, but for now it’s best to practice lucidity with your eyes open. Keep your gaze down at a point about six feet in front of you, but don’t focus on anything. Let your visual field be open and receptive, like your mind and heart.”

Physical movement is like camouflage. It decreases the contrast that would otherwise allow you to detect the movement of your mind.” Sacrilégio contra o corpo!

(…)

19. THE FRUITION OF DREAM AND SLEEP YOGA

frequent lucid dreamers were less tense, anxious, and neurotic, and more likely to have more ego strength, emotional and physical balance, creativity and risk taking ability.” Tholey, ‘A Model for Lucidity Training as a Means of Self-Healing and Psychological Growth’, in: Gackenbach and LaBerge, Conscious Mind, Sleeping Brain, 276–277.

Further advantages: “banish nightmares”, “test alternate behaviors in a safe environment”, “accelerate activity of the immune system”, “synthesize the personality” (Patricia Garfield).

See Mayer, Extraordinary Knowing: Science, Skepticism, and the Inexplicable Powers of the Human Mind, for an elegant discussion on relative siddhi (sadharanasiddhi in Sanskrit). [poderes psíquicos!!!] Ramana Maharshi, and many other masters, warned people repeatedly against attachment to relative siddhi. Vajrayana Buddhism lists 8 ordinary siddhis: (1) the sword that renders unconquerable, (2) the elixir for the eyes that make gods visible, (3) fleetness in running, (4) invisibility, (5) the life-essence that preserves youth, (6) the ability to fly, (7) the ability to make certain pills, (8) power over the world of spirits and demons. (Ingrid Fischer-Schreiber et al., eds., The Encyclopedia of Eastern Philosophy and Religion (Boston: Shambhala, 1989). Many other powers are listed informally in the literature, things like clairvoyance, clairaudience, and the ability to read minds.”

It is possible to trust such accounts if you understand that the nature of samsara is indivisible appearance and emptiness like a dream or a magical illusion. Without such understanding, it will be hard to believe them.”

SENECÃO: “If we’re not careful, psychic mastery over the physical world can become a sorcerer’s trap. Many people get stuck at the level of relative siddhi, thinking that’s the point. The real point, however, is absolute siddhi — which is when the world no longer has power over you.”

Humor comes from a root that means ‘liquid’, as in the humors (fluids) of the body.”

DL: “The dream has no dreamer.” “Thoughts have no thinker.”

(…)

LECCIONES SOBRE LA HISTORIA DE LA FILOSOFÍA Vol. III/III – Hegel (trad. Wenceslao Roces ed. Elsa Cecilia Frost), Fondo de Cultura Económica (1833, 1955, México) /ePub r1.0 Titivillus 22.09.16

En este último tomo de las Lecciones sobre la historia de la filosofía se concentra el final de la filosofía griega, que unida a la revolución operada en el mundo por el cristianismo abre una época totalmente nueva, la filosofía medieval —cuyo espíritu, hay que reconocerlo, no fue comprendido por Hegel— [HAHAHA] y, por último, la filosofía moderna, que cierran las magníficas exposiciones¹ de Kant, Fichte y Schelling.

[¹ Assim espero – não me desaponte!…]

De acuerdo con la idea hegeliana que rige estas Lecciones, todos los milenios transcurridos desde el inicio de la filosofía con Tales de Mileto hasta el momento mismo en que Hegel dicta su curso, han sido necesarios para que pudiera llegar a producirse la filosofía alemana de esta época, pues el Espíritu del Mundo marcha siempre con paso lento y perezoso hacia su meta.”

PRIMERA PARTE:

LA FILOSOFÍA GRIEGA (cont.)

SECCIÓN TERCERA:

TERCER PERÍODO: LOS NEOPLATÓNICOS

La última fase con que nos habíamos encontrado —la que representaba el abandono de todo lo firme y objetivo, la huida a la abstracción pura e infinita de suyo, la absoluta pobreza de contenido determinado, con la consiguiente satisfacción subjetiva y el retorno a sí misma de la conciencia de sí— había encontrado su coronación y remate en el escepticismo, aunque ya el sistema estoico y el epicúreo marchasen hacia la misma meta.”

Esta idea inculcada en el hombre de que la esencia absoluta no es nada extraño para la conciencia de sí, de que para él no significa nada la esencia en que no vive su conciencia de sí inmediata, este principio se revela ahora como el principio general del Espíritu del Mundo, como la creencia y el saber generales de todos los hombres; con él se transforma de golpe todo el aspecto del universo, se destruye todo lo anterior y se produce un renacimiento del mundo.”

Cicerón pone de manifiesto como pocos filósofos un desconocimiento completo acerca de la naturaleza de su Estado y de la situación en que se encontraba”

El poder romano es el escepticismo verdadero. Pues bien, este carácter de la generalidad abstracta como despotismo absoluto, que va directamente unido en la desaparición de la vida del pueblo a la individualización de la atomística, como el retraimiento a los fines e intereses de la vida privada, es el que vemos llevarse a cabo con una correspondencia perfecta en el campo del pensamiento.”

En el mundo griego, sobre todo, vemos cómo se esfuma la alegría de la vida espiritual para dejar paso al dolor y la angustia producidos por esta ruptura.”

Esta fe en el milagro, que es al mismo tiempo la falta de fe en la naturaleza presente, lleva aparejada asimismo la incredulidad en cuanto al pasado o en cuanto al hecho de que la historia sólo haya sido lo que realmente fue. Toda la historia y la mitología verdaderas de los romanos, los griegos y los judíos, y hasta las palabras y las letras sueltas, cobran ahora otra significación: son algo roto de suyo, encierran un sentido interior que es su esencia y se manifiesta en forma de letras y signos vacíos de contenido, que son su fenómeno.” Não está exagerando?

Dios, el ser simple de los judíos, vivía para ellos fuera de la conciencia de sí; semejante Dios piensa, indudablemente, pero no es el pensamiento; se halla más allá de la realidad, es solamente la alteridad del mundo intuido a través de los sentidos.”

La idea en el pensamiento puro —la idea de que Dios no hace esto exteriormente como un sujeto, de que todo esto, por tanto, no acaece como una resolución casual de Dios y como producto de una ocurrencia suya, sino de que Dios produce este movimiento como una sucesión de momentos de su esencia que se manifiestan así como su eterna necesidad en sí mismo, que no forma parte para nada de las condiciones del acaecer— la encontramos expresada en algunos judíos filosofantes o platónicos determinados.”

Ya en la filosofía pitagórica se manifestaba la diferencia en forma de tríada; en Platón veíamos, después, la idea simple del espíritu como la unidad de la sustancia indivisible y de la alteridad, aunque solamente como una mezcla de ambas.”

FOSSILIZAÇÃO DO MUNDO-VERDADE CUJO AUGE SE DEU EM PLATÃO: “El punto de vista general de la filosofía neoplatónica o alejandrina consiste, por tanto, en crearse a base de la pérdida del universo un universo que sea, dentro de su exterioridad, un mundo interior y, por tanto, un mundo reconciliado; y este mundo es el de la espiritualidad, que comienza aquí.”

La misma libertad, bienaventuranza, imperturbabilidad que perseguían como fin el epicureísmo, el estoicismo y el escepticismo, sigue siendo ahora, es verdad, una aspiración para el sujeto; pero facilitadas esencialmente por la orientación hacia Dios, del interés por lo verdadero en y para sí, y no de la evasión de lo objetivo” Eis o maior erro: pressupor que as massas podem cumprir esse designio sábio imanente!

Ahora bien, en cuanto que la voluntad humana se determina como algo negativo frente a lo objetivo, surge el mal por oposición a lo afirmativo absoluto.”

La desventura del mundo romano estaba en abstraerse de aquello en que el hombre venía encontrando su satisfacción; esta satisfacción nacía precisamente de aquel panteísmo por virtud del cual el hombre veía la verdad y lo supremo en las cosas naturales, en el aire, el fuego, el agua, etc., y en sus propios deberes, en la vida política del Estado. Ahora, en cambio, sobreviene la desesperación en el dolor del mundo acerca de su presente, aparece la falta de fe en estas formas y manifestaciones del mundo natural finito y en el mundo moral de la vida del Estado”

Es falso lo que suele decirse de que no es necesario conocer a Dios para concebir esta relación. Por cuanto que Dios es lo primero, es Él quien determina la relación; por tanto, para llegar a saber qué es lo verdadero de la relación es necesario conocer a Dios.” Supondo que isso estivesse correto, também estaria correto que matar Deus é igualmente necessário ao final do processo…

diremos algunas palabras acerca de Filón, el judío, y señalaremos algunos momentos interesantes que se presentan en la historia de la Iglesia.”

Bajo el reinado de Calígula, Apión atacó duramente por escrito a los judíos, y Filón fue enviado a Roma como embajador de su pueblo, con la misión de inculcar a los romanos un concepto mejor del que de él tenían.”

Filón compuso una larga serie de obras, de las cuales se conservan todavía muchas, por ejemplo las que llevan por título Sobre la estructura del universo, Sobre las recompensas y los castigos, Sobre los sacrificios, Sobre la ley de las alegorías, Sobre los sueños, Sobre la inmutabilidad de Dios; las obras que de Filón se han conservado aparecieron en folio en 1691, en Francfort, y reeditadas más tarde por Pfeiffer en Erlangen. Filón era famoso por su multifacético saber y se hallaba muy familiarizado con los filósofos griegos.

Los dos rasgos que caracterizan a este pensador son: la asimilación de la filosofía platónica y su esfuerzo por poner de manifiesto la filosofía de las Sagradas Escrituras judaicas. Los relatos y descripciones de su historia del pueblo judío se distinguen porque en ellas el autor pierde todo el sentido inmediato de la realidad. A todo atribuye un significado mítico y alegórico, empeñándose por descubrir a Platón en Moisés.”

El espíritu de la filosofía obliga a los judíos a buscar en sus libros sagrados, como obligó a los paganos a buscar en Homero y en la religión popular, un profundo significado especulativo, y a presentar sus escritos religiosos como un sistema perfecto de sabiduría divina.”

En la historia, en el arte, en la filosofía, etc., lo importante es siempre que aparezca expresado lo que se quiere expresar”

Lo prosaico ha desaparecido; por eso, en los autores del siguiente período los milagros son algo usual y corriente”

Filón, De mundi opificio

como cuando decimos: «Dios Padre», es decir, este Uno no revelado, indeterminado de suyo, que aún no ha creado nada; lo otro es la determinación y la distinción con respecto a sí mismo, la creación. Lo creado es su otro, lo que a un tiempo es en él, lo que también le pertenece como suyo y es, por tanto, un momento de sí mismo, siempre y cuando concibamos a Dios como concreto y vivo”

La palabra ha sido considerada siempre como una manifestación de Dios, porque no es corporal; en cuanto sonido, desaparece inmediatamente; su existencia es pues inmaterial.” A música e a palavra como símiles eternos de Hegel para a transitoriedade e o efêmero, como a chave para entender, ao menos, sua Estética.

en realidad, cuando establecemos el ser, la nada del ser es el pensamiento, algo muy positivo.”Por mais boba e trivial que soe, esta frase é fundamental para compreender H..

Llámase cábala a la sabiduría secreta de los judíos, en la que se deslizan, sin embargo, muchos elementos turbios; y también sus orígenes aparecen envueltos entre nubes de fábula. Dícese que esta sabiduría se contenía en dos libros: el Jezirah (Creación) y el Zohar (Resplandor). El primero de estos dos libros, considerado como el principal y atribuido a un rabí llamado Akiba, espera en la actualidad una edición más completa que prepara el Sr. v. Mayer, en Francfort.(*)

(*) Apareció en 1894, traducido y anotado por Goldschmidt [E.].” E no entanto é basicamente só o segundo (e falo de pequenos trechos) que se encontra por aí hoje.

La cábala no tiene evidentemente un origen tan antiguo como el que sus adoradores le atribuyen, pues según ellos este libro divino le fue entregado a Adán para consolarlo del pecado original. Es una mescolanza de preceptos de astronomía, de magia, de medicina y de profecía. El rastro histórico revela que estas ciencias y estas prácticas eran cultivadas en Egipto. Akiba vivió poco después de la destrucción de Jerusalén y tomó parte en la revuelta de los judíos contra el emperador Adriano, en la que aquéllos lograron levantar un ejército de 200 mil hombres para proclamar como Mesías a Barcoquebas; pero la rebelión fue sofocada y el rabino desollado vivo. El segundo libro fue compuesto, al parecer, por un discípulo suyo, el rabí Simeón Ben Joachi, llamado la Gran Luz, la chispa de Moisés. (Brucker) Ambos libros fueron traducidos al latín en el siglo XVII. Un israelita especulativo, el rabí Abraham Cohen Irira, escribió también un libro titulado La puerta del cielo (Porta coelorum), pero éste es posterior, del siglo XV, y denota ya relaciones con los árabes y los escolásticos.”

Antiguamente, no se encontraba en los judíos nada que guarde relación con esas ideas en que se representa a Dios como una luz, en perpetua lucha con un ser hecho de sombra y que encarna el mal, nada de ángeles buenos y malos, de la caída de los ángeles malos, de su condenación, de su estancia en los infiernos, del juicio final en que habrán de ser juzgados los buenos y los malos y de la corrupción de la carne. En estos libros, los judíos empiezan a remontar sus pensamientos por encima de la realidad. Empieza a abrirse ante ellos un mundo espiritual o, por lo menos, un mundo de espíritus, ya que hasta ahora estos judíos no veían más allá de los horizontes de su propia vida, hundidos en la basura y las pretensiones de su existencia y entregados por entero a la conservación de su pueblo y de sus generaciones.

La cábala viene a ser, sobre poco más o menos, lo siguiente. Lo Uno aparece proclamado como el principio de todas las cosas, es también la fuente primigenia de todos los números. Pero, así como la unidad no es un número de tantos, otro tanto acontece con Dios, fundamento de todas las cosas, el Ensoph. La emanación relacionada con ello es el efecto de la primera causa, logrado mediante la restricción de aquel primer fundamento infinito al que aquélla sirve de límite.” “Primeramente se producen 10 emanaciones de éstas, Sephiroth, que forman el mundo puro, azilútico, a cuyo ser es ajeno todo cambio. Viene después el mundo briáhtico, sujeto a mudanzas. El tercer mundo es el mundo formado o jezirático (…) Viene, en cuarto lugar, el mundo hecho o asiáhtico, que es el mundo más bajo de todos, el mundo sensible y vegetativo.” Somos todos Asiáhticos!

Los gnósticos, que aparecen divididos en muchas sectas, tienen como fundamento determinaciones semejantes a las que ya hemos expuesto. El profesor Neander las ha reunido con gran acopio de erudición y las ha estudiado en detalle; algunas formas corresponden a las que hemos señalado más arriba. Su orientación era el conocimiento (γνῶσις), de donde esta corriente toma, además, el nombre.” TAL, Neander. Conhecimento primitivo, 120.000.000 a.C..

Uno de los gnósticos más destacados es Basílides. También él considera como lo primero al Dios indecible (θεὸἄς άρρητος), que es el Ensoph de la cábala”

Neander, Genetische Entwicklung der vornehmsten gnostischen Systeme «Evolución genética de los sistemas gnósticos más importantes»

La ciudad de Alejandría habíase convertido, en efecto, desde hacía mucho tiempo, sobre todo gracias a los Tolomeos, en la sede principal de las ciencias. Aquí entraban en contacto, se influían mutuamente y se entremezclaban, como en su verdadero centro, todas las religiones y mitologías de los pueblos de Oriente y Occidente, lo mismo que su historia, bajo las más diversas formas y manifestaciones. Las religiones eran comparadas las unas con las otras: en cada una de ellas se buscaba y acoplaba lo que contenían las otras; y, sobre todo, se atribuía a las representaciones religiosas un profundo significado y un sentido alegórico general.

Estas tendencias engendraron y tenían, evidentemente, que engendrar oscuros abortos, el más puro de los cuales es la filosofía alejandrina, ya que la fusión de las filosofías tenía que resultar más fácil que aquellas otras combinaciones de tipo religioso que no son sino turbios engendros de una razón que aún no ha llegado a comprenderse a sí misma.”

La modalidad de la filosofía cultivada en Alejandría no seguía, por tanto, las huellas de ninguna escuela filosófica anterior determinada, sino que en sus manifestaciones reconocía como una unidad los diversos sistemas de la filosofía, principalmente el pitagórico, el platónico y el aristotélico, lo cual hace que se la presente, muchas veces, como eclecticismo. Brucker (Hist. crit. phil. t. II, p. 193) es, según lo que yo he podido ver, el primero que ha emitido este juicio; le dio pie para ello, sin embargo, Diógenes Laercio” “Por otra parte, Diógenes es anterior a la escuela de Alejandría, y Pótamo fue, según Suidas (s.v. Ποταμών, t. III, p. 161), preceptor de los hijastros de Augusto: para un maestro de príncipes, hay que reconocer que el eclecticismo es una doctrina muy adecuada. [ironia?] Y como este Pótamo era alejandrino, Brucker se cree autorizado a extender la calificación de ecléctica a la filosofía alejandrina en su conjunto, lo cual ni es justo en cuanto a la cosa misma, ni refleja tampoco la verdad histórica.

El eclecticismo es algo muy malo si se le toma en el sentido de una mescolanza que se forma inconsecuentemente, tomando unas cosas de una filosofía y otras de otra, como esos vestidos hechos con retazos de distintas telas y diversos colores.” “las gentes listas que proceden así conscientemente, creen lograr lo mejor tomando lo bueno de cada sistema, como lo llaman, para formarse de este modo un acervo con los mejores pensamientos; con lo que reúnen indudablemente todo lo bueno, pero nunca la consecuencia del pensamiento ni, por tanto, el pensamiento mismo.” “En este sentido, también fue ecléctico Platón, ya que en su filosofía se unifican los principios de Pitágoras, Heráclito y Parménides; como son eclécticos los filósofos de Alejandría, en cuanto que tienen tanto de pitagóricos como de platónicos y aristotélicos. Lo que ocurre es que este calificativo de «ecléctico» lleva siempre consigo la idea de la mescolanza y la selección.”

La filosofía neoplatónica no formaba, pues, una escuela filosófica propia y especial como las anteriores, sino que las reunía y unificaba todas, aunque consagrándose de un modo muy especial al estudio de Platón, Aristóteles y los pitagóricos.” “Estos comentarios de los filósofos antiguos se ofrecían en forma de cursos o por escrito; se han conservado muchos de ellos, algunos de los cuales son, hay que reconocerlo, excelentes.” “Los mejores comentarios proceden de esta época; la mayoría de las obras de Proclo son comentarios acerca de diálogos sueltos de Platón”

Ammonio Saccas, que quiere decir «cargador de sacos», aparece citado como uno de los primeros o más famosos maestros de esta escuela; murió el año 243 d.C.. Pero no poseemos ninguna obra de él, ni ha llegado tampoco a nosotros la menor noticia acerca de su filosofía. Entre los numerosos discípulos de Ammonio figuraban muchos hombres famosos en otras ciencias, por ejemplo Longino y más tarde Orígenes, aunque no se sabe con seguridad si sería éste, realmente, el famoso Padre de la Iglesia. Pero el más célebre de los discípulos de Ammonio, como filósofo, fue Plotino, cuyas obras son las que más han contribuido a dar a conocer la filosofía neoplatónica. La posteridad atribuye a Plotino, en realidad, todo el conjunto coherente de esta filosofía, considerándola, en rigor, como suya.

Los discípulos de Ammonio juramentábanse, según los deseos de su maestro, para no poner por escrito su filosofía en ninguna clase de obras; así se explica por qué Plotino no empezó a escribir hasta muy tarde; en realidad, las obras que de él se han conservado no fueron editadas sino hasta después de su muerte por uno de sus discípulos, Porfirio.”

Plotino era egipcio y nació hacia el año 205 d.C., en Licópolis, bajo el gobierno de Septimio Severo. Después de haber estudiado con muchos maestros filosóficos, fue formándose en él un carácter melancólico y cavilador; a los 28 años, conoció a Ammonio, en cuya enseñanza encontró, por fin, su espíritu la paz y la satisfacción que buscaba, habiendo permanecido por espacio de 11 años al lado del nuevo maestro.

Como por aquel entonces estaba en gran predicamento la sabiduría india y brahmánica, Plotino se enroló en el ejército del emperador Gordiano que había de tomar parte en la campaña de Persia, pero el fracaso de esta expedición hizo que se frustrase el propósito de Plotino, el cual sólo a duras penas logró salvar la vida. Cumplidos ya los 40 años, se trasladó a Roma, donde permaneció por espacio de 26, hasta que le sorprendió la muerte.” Nada acontecia, porcada (antes de inventarem a feijoada!).

POR FALAR EM CARNE, ALIÁS: “En Roma llevó una vida bastante singular, absteniéndose de comer carne, a la manera de los pitagóricos, sometiéndose a frecuentes ayunos y vistiendo, además, el traje de los pitagóricos antiguos.” Por isso morreu antes dos 70, tsc.

El emperador Galiano que ocupaba a la sazón el trono y que le tenía en gran estima, lo mismo que la emperatriz, estaba inclinado, según se cuenta, a conceder al filósofo una ciudad de la Campania para que instaurase en ella la república platónica. Los ministros impidieron, sin embargo, la realización de este plan y no cabe duda de que obraron muy cuerdamente, pues dada la situación exterior del imperio romano y el completo cambio operado en el espíritu de los hombres desde los tiempos de Platón, es indudable que una empresa como ésta, de haber llegado a realizarse, no habría servido, ni mucho menos, para honrar a la república platónica — menos aún que en tiempos del propio Platón. Y suponiendo que semejante plan hubiese sido concebido por el mismo Plotino, no dice mucho ciertamente en su favor; sin embargo, no es posible saber a ciencia cierta si su plan se refería exclusivamente a la república platónica o contenía ciertas ampliaciones o modificaciones. La implantación de un verdadero estado platónico habría sido ciertamente, en tales circunstancias, contrario a la naturaleza de las cosas, ya que la república imaginada por Platón era un Estado libre e independiente, cosa que en modo alguno podía ser evidentemente la república que se proyectaba instaurar dentro del marco del imperio romano.”

Las obras de Plotino fueron reunidas bajo el título general de Enéadas, 6 en total, cada una de las cuales contiene 9 estudios sueltos. Poseemos, por tanto, en conjunto, 54 estudios o libros de éstos, cada uno de los cuales se divide, a su vez, en numerosos capítulos; trátase, pues, de una obra muy extensa y ramificada. Sin embargo, el conjunto de estos libros no forma un todo coherente, sino que, realmente, cada uno de ellos aborda y trata filosóficamente una materia distinta, lo que hace que sean verdaderamente fatigosos la lectura o el estudio de toda la obra.” Como se Aristóteles tivesse decidido deixar por escrito o que fôra o Platonismo, portanto…

hay algunos libros en los que pueden captarse bastante bien sus ideas, sin que la lectura de los demás represente un gran progreso. En Plotino predominan especialmente las ideas y las expresiones de Platón, aunque nos encontramos también en él con muchas prolijas exposiciones al modo aristotélico: las formas de la dínamis, la energía, etc., señaladas por Aristóteles son muy familiares a Plotino y su exposición y sus combinaciones constituyen uno de los temas predilectos de su estudio.”

Ahora bien, si entramos a examinar más de cerca lo que esta filosofía es, vemos que en ella no se habla ya para nada de criterio, como en los estoicos y los epicúreos, sino que la tendencia de Plotino es a situarse en el centro, en la pura intuición, en el pensamiento puro. Por tanto, lo que constituye la meta para los estoicos y los epicúreos, la unidad del alma consigo misma en la ataraxia, es aquí el punto de partida: Plotino se coloca en el punto de vista que consiste en provocar este estado dentro de sí mismo como un estado de arrobamiento (ἔκστασις), así lo llama, como un estado de entusiasmo. Basándose, en parte, en este nombre mismo y, en parte, en la propia cosa se ha encontrado la razón para calificar a Plotino de místico y de estrafalario; y tal es en efecto la fama general de que aparece rodeada esta filosofía, con lo que, por otra parte, no deja de contrastar bastante el hecho de que cifre la verdad única y exclusivamente en la razón y en la comprensión.

Por lo que se refiere, en primer lugar, al nombre mismo de éxtasis, quienes califican a Plotino de místico ven en esto algo muy semejante al estado a que se transportan en su espíritu los indios, los brahmanes y los monjes y monjas locos que, para recogerse por entero dentro de sí mismos, se esfuerzan por sustraerse a todas las representaciones y a todas las sensaciones de la realidad que los rodea, hundiéndose en este estado de arrobamiento de un modo permanente y entregándose por entero a esta contemplación del vacío, ya vean en él una claridad o un reino de sombras, y sobreponiéndose a todo movimiento, a toda diferencia y, en general, a todo pensamiento. La mística cifra la verdad en un ser que ocupa un lugar intermedio entre la realidad y el concepto, en algo que no es realidad, pero que tampoco puede ser concebido, que no es, por tanto, sino un ente de la imaginación. Pues bien, Plotino se halla extraordinariamente alejado de todo esto.

Sin embargo, lo que le ha dado esta fama, por lo que se refiere a la cosa misma es, en parte, el hecho de que se rienda frecuentemente a llamar misticismo a todo aquello que trasciende la conciencia sensible o los conceptos determinados del entendimiento, considerados en su limitación como esencias; y, en parte, también su manera que consiste en hablar en general de conceptos, de momentos espirituales como si se tratase de verdaderas sustancias.”

en las biografías de los grandes maestros de esta escuela, de un Plotino, un Porfirio y un Jámblico, encontramos, lo mismo que en la de Pitágoras, algunos rasgos de magia y milagrería. Y como, además, seguían conservando la fe en los dioses paganos, afirmaban con respecto a la adoración de las imágenes de los dioses que éstas se hallaban llenas, en efecto, de virtud y presencia divinas. (…) respecto a las imágenes de los dioses, no encontramos en las obras de Plotino nada semejante.”

Es evidente que si llamamos misticismo a todo lo que sea elevarse al plano de las verdades especulativas que se hallan en contradicción con las categorías del entendimiento finito, tendremos que acusar también a los alejandrinos de esta culpa; pero con la misma razón podríamos, entonces, llamar mística a la filosofía de Platón o de Aristóteles. Es indudable que Plotino habla con entusiasmo de la exaltación del espíritu en el pensamiento; pero éste es, en realidad, el auténtico entusiasmo platónico, el elevarse a la órbita del movimiento del pensamiento.”

Así concebido, es evidente que Dios es un más allá de la conciencia individual de sí mismo: de una parte, en cuanto esencia o pensamiento puro; de otra parte, en cuanto que Dios, como algo real y concreto, es la naturaleza misma, la cual se halla más allá del pensamiento. Pero precisamente esta modalidad objetiva retorna por sí misma a la esencia; o, dicho de otro modo, la individualidad de la conciencia es superada.” “La idea de la filosofía de Plotino es, por tanto, un intelectualismo o un elevado idealismo, el cual, sin embargo, por el lado del concepto, no es aún un idealismo acabado: pero aquello de que Plotino cobra conciencia en su éxtasis son, en realidad, pensamientos filosóficos, conceptos e ideas de carácter especulativo.”

La revelación de lo infinito cabe representarse, en efecto, de muy diversos modos, y en los tiempos modernos se ha hablado mucho de lo que se produce partiendo de Dios, pero esto es siempre una representación sensible o algo inmediato. No se expresa con ello la necesidad del revelarse a sí mismo, sino que se establece simplemente un acaecer. Para la representación basta con que el Padre engendre al Hijo eterno; como aquella Trinidad aparece certeramente concebida la idea en lo que se refiere también al contenido, lo cual merece tenerse en alta estima. Pero el que estas determinaciones sean verdaderas no quiere decir que sea suficiente y satisfactoria, por ese solo hecho, la forma de la inmediatidad del movimiento para el concepto. Sino que, como el devenir de la unidad simple, en cuanto aquel levantamiento de todos los predicados, es precisamente esta misma negatividad absoluta que es en sí el producirse mismo, resulta que no se debe partir de la unidad para pasar luego a la dualidad, sino concebir ambas cosas como una sola.”

la luz de la luz”

«La materia es un verdadero no-ser, como el movimiento que se destruye a sí mismo: la inquietud absoluta, pero quieta de suyo, es decir, lo contrario de lo que en sí misma es; es lo grande pequeño, lo pequeño grande, lo más que es menos y lo menos que es más. Así determinada, la materia es más bien lo contrario de lo que es; en efecto, intuida o establecida es como algo que huye; o no establecida, es algo establecido, lo simplemente engañoso.»

También el mal, como lo contrapuesto al bien, comienza a ser ahora objeto de consideración, pues el problema del origen del mal necesariamente tiene que interesar a la conciencia del hombre de un modo general. Lo negativo frente al pensar es estatuido por los filósofos alejandrinos como materia; ahora bien, en cuanto que se presenta la conciencia del espíritu concreto, también lo negativo abstracto es concebido de este modo concreto como dentro del espíritu mismo y, por tanto, como lo espiritual negativo.”

«Ahora bien, ¿cómo se conoce el mal? En cuanto que el pensar se vuelve de espaldas a sí mismo, nace la materia; ésta sólo nace mediante la abstracción de lo otro. Lo que queda cuando retiramos las ideas es, decimos, la materia; el pensamiento se convierte, por tanto, en otra cosa, en un no-pensamiento, en cuanto que se atreve a proyectarse sobre lo que no es lo suyo. Así como el ojo se desvía de la luz para mirar a las tinieblas, en las que no puede ver —he aquí, precisamente, un ver que es un no-ver—, así también el pensamiento sufre lo contrario de lo que es para poder ver lo contrario a él.»

No existiría el mal si no existiese la materia; la naturaleza del universo es una mezcla hecha de νοῦς y de necesidad. Ser entre los dioses quiere decir ser en el pensamiento, pues los dioses son inmortales. También podríamos concebir la necesidad del mal del modo siguiente: como el bien no puede existir solo, la materia es necesaria como contrapartida de él. O cabría decir, asimismo, que el mal es lo extremo mediante la continua degradación y la caída, lo que por este camino no puede llegar ya a ser; de todos modos, es necesario que exista algo después de lo primero, como lo extremo. Y esto es, en efecto, la materia, que no tiene ya nada de ello; en esto reside precisamente la necesidad del mal.»

Los gnósticos convierten lo espiritual, lo intelectual, en lo único verdadero; pues bien, Plotino se declara rotundamente contrario a esta pura intelectualidad y mantiene como esencial la coordinación de lo real con lo inteligible. Plotino honraba a los dioses paganos, atribuyéndoles un sentido profundo y una profunda efectividad. Y así vemos que dice, en el mismo estudio (cap. 16): «No es despreciando al mundo y a los dioses en él y a las demás cosas bellas como puede el hombre alcanzar el bien. El malo desprecia a los dioses, y cuando lo hace es verdaderamente malo. La supuesta adoración de los dioses inteligibles (νοητοὺς θεούς) por los gnósticos no envuelve nada semejante (ἀσυμπαθὴς ἂν γένοιτο)», es decir, no puede darse una armonía en los pensamientos y en el mundo real, cuando el espíritu se mantiene exclusivamente dentro de lo pensado.”

Desdoblamiento, emanación, producción, alumbramiento, desprendimiento: son todas palabras muy empleadas también en los tiempos modernos, pero que no dicen nada. El escepticismo y el dogmatismo, como conciencia, como conocimiento, entrañan la contraposición de subjetividad y objetividad. Plotino desecha este antagonismo y se lanza a la región más alta, al pensamiento del pensamiento aristotélico; toma mucho más de Aristóteles que de Platón y, al hacerlo así, no procede dialécticamente, ni trascendiendo de sí mismo, ni retrotrayéndose de sí a sí mismo como conciencia.”

De Porfirio se ha conservado también, entre otras obras, una «Introducción» al Organon de Aristóteles acerca de los géneros, las especies y los juicios, que son los momentos fundamentales en que el discípulo de Plotino expone la lógica del Estagirita. Esta obra ha sido utilizada en todos los tiempos como manual para exponer la lógica de Aristóteles y una de las fuentes de que disponemos para estudiar su forma; en realidad, nuestros tratados usuales de lógica contienen sólo poco más de lo que nos ofrece esta exposición de Porfirio.”

Con Jámblico, desciende el pensamiento al rango de lo imaginativo y el universo intelectual se convierte en un mundo de ángeles y demonios, perfectamente clasificados, al paso que la especulación degenera en magia. Los neoplatónicos llamaban a esto teurgia (θεουργία)” “No se sabe con seguridad si la obra De mysteriis Aegyptiorum, atribuida a Jámblico, es realmente suya. Proclo habrá de asignar a esta obra, más tarde, una gran importancia, asegurando que de ella procede su idea fundamental.”

Proclo marca la culminación de la filosofía neoplatónica; ahora bien, esta filosofía sigue manifestándose hasta una época muy tardía, incluso a través de toda la Edad Media.” Período nulo em termos de filosofia. Não perder nenhum segundo com estes autores.

La Academia, el año 529 d.C., fue ordenada a la clausura junto con la escuela, por el emperador Justiniano, quien, además, expulsó de su reino a todos los filósofos paganos; entre ellos se encontraba Simplicio, famoso comentador de Aristóteles de cuyos comentarios hay algunos que no han sido publicados aún.”

Se ha dicho: «lo que tenemos entre nosotros cuando, en nuestro gabinete, vemos cómo los filósofos disputan y se van a las manos, llegando a tales o cuales soluciones, no son más que abstracciones hechas de palabras». Pero esto es falso; completamente falso. No son tales abstracciones, sino hechos del Espíritu del Mundo y, por tanto, del destino.”

Um paradoxo: chama os gregos de incompletos e ingênuos, mas a primeira parte ocupa 75% de sua obra… Agora a marcha do Espírito mal tem o que fazer (e veremos que rodopia ainda muito vanamente quando o assunto é Filosofia Alemã!)…

SEGUNDA PARTE:

LA FILOSOFÍA DE LA EDAD MEDIA

INTRODUCCIÓN

El segundo período llega hasta el siglo XVI, abarcando, por tanto, otros mil años, que procuraremos recorrer aquí con botas de 7 leguas.”

Se ha llamado al conocimiento de esta necesidad una construcción de la historia a priori; pero de nada sirve tratar de desacreditar este método como inadmisible e incluso como un alarde de soberbia. Unos se empeñan en ver en la historia una evolución puramente contingente. Otros, tomando más en serio la providencia y el gobierno universal de Dios, se representan la cosa como si el cristianismo fuese algo ya preexistente y perfecto dentro de la cabeza de Dios, siendo lo contingente únicamente el momento en que aparece en el mundo.”

Lo que se dice del hombre como tal, lo que es en general cada hombre en sí, es lo que aquí se representa bajo la forma del primer hombre, de Adán”

MÁ-FEZES: “Pues la idea filosófica es la idea de Dios, y el pensamiento tiene un derecho absoluto a ser reconciliado o, para decirlo de otro modo, a que el principio cristiano corresponda al pensamiento.”

Y lo que la Reforma hace no es levantar un edificio doctrinal nuevo, sino limpiar el antiguo de sus aditamentos posteriores.” O lerdo Espírito do Mundo vacilou 1500 anos… Isso se tomarmos o ponto de vista protestante!!

Con ello se abandona el desarrollo de los conceptos que forman la doctrina del cristianismo basada en la idea y obtenida a través de ella, para volver a la modalidad de su primera manifestación (…) de tal modo que hoy [NA ALEMANHA] sólo se considera como base del cristianismo lo que las fuentes narran acerca de su primera manifestación.”

Claro está que, cuando del espíritu se trata, será necesario ver qué clase de espíritu es, pues los espíritus no son todos iguales, ni mucho menos.” HAHAHAHA!

Se encuentra lo que se busca” HM

Casi podría decirse que, de este modo, se ha querido hacer de la Biblia una especie de molde: el uno encuentra en ella esto y el otro aquello, y es que lo firme pierde en seguida su firmeza cuando se lo enfoca con espíritu subjetivo.”

Jesus, o primeiro teleólogo da Terra.

Los gnósticos eran, pues, contrarios a la Iglesia de Occidente y ésta, al igual que Plotino y los neoplatónicos, combatió muchas veces y desde distintos puntos de vista al gnosticismo, precisamente porque estas doctrinas se atenían exclusivamente a lo general, concebían la representación bajo la forma de la capacidad imaginativa y oponían estas representaciones al Cristo encarnado (Χριστὸς ἐν σαρκί).”

Esta alma prisionera es llamada también por Manes el «hijo del hombre», o sea del hombre primigenio, del hombre celestial, de Adán Cadmón.” Prisioneira da matéria. Da carne e do pecado.

los seres luminosos prisioneros hubieron de elevarse del ciclo de la metempsicosis a la unión directa y restaurada con el reino de la luz.” Tudo isso está na bíblia? Mas então temos que ter olhos de águia para ler essa porra e tirar algum proveito!

Los arrianos consideran a Cristo como un hombre, lo exaltan al plano de una naturaleza superior, pero sin ver en Él un momento de Dios, un momento del Espíritu mismo. Es cierto que los arrianos no van tan allá como los socinianos, quienes ven en Cristo simplemente a un hombre extraordinario, a un maestro, etc., razón por la cual esta secta no formaba parte de la Iglesia, sino que se hallaba aún dentro del paganismo.” A descrição que se faz da crença arriana já dá a impressão de que eles afirmam isso que os socinianos afirmam… Bom, tanto faz, todos esses sectários eram queimados na fogueira igual nos tempos inquisitoriais! Eu sou a metempsicose destes meus pais azarados…

De este modo, la Iglesia se halla gobernada por el Espíritu para poder atenerse a las determinaciones de la idea, pero siempre de un modo histórico. Tal es la filosofía de los Padres de la Iglesia” Em outras palabras: os Padres da Igreja estavam certos até serem abandonados pelo Espírito, que se alojou em Luteros e Calvinos! Pra onde ele foi? Onde está agora?!

y no puede imaginase nada más torpe que la aspiración o el anhelo de algunos modernos de retrotraer la Iglesia a su forma primitiva.” Quem te viu, quem te vê! Já se olhou no espelho?

Lo judaico se halla formado desde el primer momento por este sentimiento de su propia nulidad: es una miseria, una vileza, en que no hay nada que tenga vida y conciencia. Este punto concreto cobrará más tarde, en su tiempo, valor histórico-universal; y en este elemento de la nada de la realidad se eleva el universo entero, partiendo precisamente de este principio, al reino del pensamiento, en cuanto que aquella nada se trueca en lo positivo reconciliado.”

sólo el nórdico ser-dentro-de-sí constituye el principio inmediato de esta nueva conciencia del mundo.” “Es como si tratase de apagar el sol para alumbrarse con bujías y arreglarse simplemente con imágenes; se reconcilia simplemente en sí, en su interior, y no para la conciencia: para la conciencia de sí existe solamente un mundo malo, pecaminoso.” “El Espíritu del Mundo había confiado a las naciones germánicas la misión de desarrollar el embrión, convirtiéndolo en la forma del hombre pensante.” Isso adquire cada vez mais os ares de uma saga d’Os Cavaleiros do Zodíaco em Asgard

Digamos, en líneas generales, algo acerca de estos fenómenos que no es posible calificar ciertamente de agradables.” Fala do mundo-verdade divorciado.

La filosofía, al igual que las ciencias y las artes, obligadas a enmudecer en el Occidente bajo el imperio de los bárbaros germánicos, van a refugiarse entre los árabes, donde acusan un espléndido florecimiento; y de aquí refluyen luego al Occidente.” A solução mundial deveria consistir em vedar qualquer trânsito e comunicação entre ocidente e oriente. Cultural ou de ogivas nucleares. Tudo que for cultura ocidental e bomba atômica fica do lado do Tio Sam. A nós, orientalistas, nossos nirvanas sutis, mil odores de rosas que aprendemos a distinguir… E então chega-se à Unidade do Mundo verdadeira, já que o Ocidente – para lá – é só um além, nem é mais mundo

Dentro de este período habremos de estudiar primeramente, por tanto, la filosofía oriental, y en segundo lugar, la filosofía occidental; es decir, primero la filosofía de los árabes y después la filosofía escolástica. Los escolásticos son los principales personajes de este período en que ahora entramos: la escolástica es la filosofía europea de la Europa medieval. La tercera fase nos revela la disolución de los resultados establecidos por la filosofía escolástica”

SECCIÓN PRIMERA:

LA FILOSOFÍA DE LOS ÁRABES

En Siria, que era un reino griego, en las ciudades de Antioquía y especialmente en las de Berito y Edesa, funcionaban importantes centros de enseñanza; de este modo, los sirios vinieron a ser el puente entre los árabes y la filosofía griega. El sirio era lengua popular incluso en Bagdad.”

Una descripción especial de la filosofía árabe ofrece poco interés y, por otra parte, resultaría superflua, ya que lo fundamental de ella es común también a la filosofía escolástica.”

Este panteísmo o, si se quiere, spinozismo es, así, la concepción general de los poetas, historiadores y filósofos orientales.”

Por tanto, la actividad de Dios se representa como algo perfectamente irracional. Esta negatividad abstracta, combinada con lo uno que permanece, es uno de los conceptos fundamentales de la manera oriental de concebir el universo.”

Alfarabi (…) De él se cuenta que había leído 40x el tratado Del oído, de Aristóteles, y 200x su Retórica, sin llegar a cansarse nunca; se ve que tenía un buen estómago.”

Durante mucho tiempo, los occidentales no conocieron otra cosa de Aristóteles que estas retraducciones de sus obras y las traducciones de los comentarios de los árabes en torno a ellas.”

Tras los árabes vienen los filósofos judíos, entre los que se destaca Moisés Maimónides. Maimónides nació en Córdoba de España el año 1131 (año del mundo de 4891 y, según otros, el 4895) y vivió en Egipto.” “En la filosofía de estos autores penetra, en gran parte, lo cabalístico en la astrología, la geomancia, etc.; en cambio, en las obras de Maimónides se toma como base la historia, lo mismo que en los escritos de los Padres de la Iglesia; el método seguido es el de una metafísica rigurosamente abstracta, entrelazada, al modo de los escritos de Filón, con los libros mosaicos y su explicación.”

SECCIÓN SEGUNDA:

LA FILOSOFÍA ESCOLÁSTICA

Primeiro grande equívoco: veremos que H. sequer cita Cidade de Deus.

De categoriis, atribuidos a San Agustín (…) es una paráfrasis de la obra de Aristóteles sobre las categorías.”

La filosofía escolástica presenta, en su conjunto, una apariencia unicolor. En vano se han esforzado hasta ahora algunos autores en introducir algunas diferencias y gradaciones en la dominación de esta teología, durante el período que va desde el siglo VIII y hasta desde el VI hasta casi el XVI. La filosofía escolástica, al igual que la arábiga, se desarrolla al margen del tiempo y, aunque así no fuera, la naturaleza misma de la cosa no permite clasificarla en diversos sistemas o manifestaciones, sino simplemente dar una caracterización y una indicación fundamental de los momentos que acusa realmente en la trayectoria del pensamiento.

Esta filosofía no es interesante por su contenido, ya que no es posible detenerse en él. No es en rigor tal filosofía; este nombre designa aquí en realidad más bien una manera general que un sistema, si es que cabe hablar, propiamente, de sistemas filosóficos. La escolástica no es una doctrina fija, al modo como lo es, por ejemplo, la filosofía platónica o la escéptica, sino un nombre muy vago, muy impreciso, que agrupa las diversas corrientes filosóficas producidas en el seno del cristianismo durante casi un milenio.”

El estudio de la filosofía escolástica es difícil, ya por el lenguaje mismo. Las expresiones empleadas por los escolásticos son evidentemente un latín bárbaro; sin embargo, ésta no es una falta imputable a los escolásticos mismos, sino más bien a la cultura latina de su tiempo. El latín es indudablemente un instrumento de expresión poco adecuado para estas categorías filosóficas, ya que los criterios de la nueva dirección espiritual sólo podían ser expresados por medio del lenguaje a costa de violentarlo; el bello latín ciceroniano no se presta tampoco para hundirse en profundas especulaciones. Pues bien, a nadie se le puede pedir que conozca directamente esta filosofía de la Edad Media, tan extensa y voluminosa como pobre y aterradora por el modo como se hallan escritas las obras que la contienen.

Poseemos aún muchas obras de los grandes escolásticos, obras casi todas ellas muy extensas y prolijas, lo que hace de su estudio una faena nada fácil; además, estas obras son más formales cuanto más posteriores. Los escolásticos no se limitaron, ni mucho menos, a escribir compendios; las obras de Duns Escoto, por ejemplo, forman 12 infolios y las de Tomás de Aquino 18. Se encuentran extractos de ellas en diversos lugares.”

Kramer, su continuación de la Historia universal de Bossuet, en los 2 últimos volúmenes

El nombre de escolasticismo proviene del hecho de que, desde los tiempos de Carlomagno, se daba el nombre de scholasticus, en las grandes escuelas anejas a las grandes iglesias-catedrales y a los monasterios importantes, al canónigo a quien estaba encomendada la inspección de los profesores (informatores) y que probablemente pronunciaba también, personalmente, lecciones acerca de la ciencia más importante de la época, que era la teología.”

la teología es, en rigor, la ciencia de los conceptos doctrinales que todo cristiano, sea campesino o lo que fuere, debe abrigar. A veces, con frecuencia, la cientificidad de la teología se cifra en el contenido histórico externo, en lo crítico: en el hecho, por ejemplo, de que existan tantos o cuantos códices del Nuevo Testamento, en que estos códices aparezcan escritos sobre pergamino, sobre tela o sobre papel, en que presenten el tipo uncial de escritura, procedente de tal o cual siglo, etc.; y además en lo que se refiere a la historia de los judíos, a la historia de los papas, de los obispos y Padres de la Iglesia, a lo ocurrido en los concilios y asambleas eclesiásticas, etc.” “El tema esencial y único de la teología, como teoría de lo divino, es la naturaleza de Dios; y este contenido es, por su naturaleza, esencialmente especulativo, por lo cual los teólogos que de él se ocupen tienen que ser necesariamente filósofos.”

La naturaleza, aquí, ya no es lo bueno, sino solamente lo negativo; la conciencia de sí, el pensamiento del hombre, su «sí mismo» puro: todo esto ocupa una posición puramente negativa, dentro del cristianismo.” “En esta ausencia de la racionalidad de lo real o de la racionalidad que tiene su realidad en la existencia misma consistía la barbarie de un pensamiento como éste, que se aferraba a otro mundo y se empeñaba en no poseer el concepto de la razón, es decir, el concepto de que la certeza de sí mismo es toda la verdad.”

De aquí que los escolásticos se hayan hecho célebres por sus interminables distinciones. En función de estas determinaciones por medio del concepto abstracto seguía imperando la filosofía aristotélica, pero no en toda su extensión, sino solamente en la parte recogida en el Organon, y tanto en cuanto a sus leyes del pensamiento como en lo tocante a los conceptos metafísicos, a las categorías.”

Así como los sofistas griegos, en función de la realidad, daban vueltas y más vueltas a los conceptos abstractos, los escolásticos hacían lo mismo en función de su mundo intelectual. § La forma general de la filosofía escolástica consiste, pues, en sentar una tesis, en alegar una serie de objeciones contra ella y en ir refutando estas objeciones por medio de distinciones y contra-silogismos. El escolasticismo, por tanto, no separa la filosofía de la teología”

los individuos cristianos, en el mundo, eran simplemente mártires o renunciaban a él. Pero la Iglesia acabó imponiéndose; los emperadores romanos de Oriente y Occidente se hicieron cristianos y la Iglesia conquistó, así, una existencia pública y una autoridad sin menoscabo, que acabó influyendo extraordinariamente sobre las cosas del mundo.”

Vemos a pueblos que dominaron en una etapa anterior, vemos a un mundo perteneciente ya al pasado, pero que ha legado, como patrimonio vivo, su lengua, sus artes y sus ciencias; y sobre el suelo de esta cultura extraña a ellas se asientan las nuevas naciones, que aparecen así ante la historia, en el momento mismo de nacer, con una vida rota y precaria. Esta historia no nos revela, pues, la trayectoria de una nación que se desarrolle a base de sí misma, sino la de una nación que parte, en cierto modo, de su propia negación y que nace llevando esta contradicción en su entraña y con la misión de asimilársela o superarla.”

Por eso, aun habiendo llegado a triunfar el cristianismo como Iglesia lo mismo en el mundo romano que en el bizantino, nos encontramos con que ninguno de estos 2 mundos fue capaz de desarrollar en su seno la nueva religión y de crear un nuevo mundo a base de este principio. La razón de ello está en que en ambos existía ya, cuando el cristianismo apareció, un carácter fijo y plasmado: costumbres, leyes, estado jurídico, organización del Estado (si es que a aquello se le puede llamar organización), estructura política, dotes y habilidades, arte, ciencia, cultura espiritual: todo se hallaba ya hecho. Y la naturaleza del espíritu lleva inherente, por el contrario, el que este mundo así formado se engendre de su propio seno y el que esta creación se desarrolle por la fuerza de la reacción, por medio de la asimilación de lo que le precede. De aquí que los nuevos conquistadores se asentasen e hiciesen fuertes sobre un terreno extraño, llegando a imponerse a él; pero, al mismo tiempo, caían bajo el poder de un nuevo espíritu a cuya imposición no podían escapar. Dominadores por una parte, convirtiéronse en dominados por lo espiritual, ya que se mantuvieron en una actitud pasiva ante estas fuerzas.”

se enciende así en estos bárbaros un tormento infinito, una pasión interminable, que hace de ellos figuras parecidas a la de Cristo crucificado. Fue esta la lucha que los bárbaros vencedores tuvieron que afrontar” “La cultura arranca, aquí, de la más monstruosa contradicción, que se ve obligada a resolver. Pero estos tormentos son los del purgatorio, pues el ser atormentado es el espíritu y no un animal: y el espíritu no muere, sino que emerge de su tumba.” “Lo general consiste, pues, en la contradicción en la que lo uno sólo puede imponerse y conquistar el poder mediante la sumisión de lo otro, pero una contradicción que lleva ya dentro de sí el principio para poder resolverse, el cual no es otro que el imperio del espíritu; por eso, la trayectoria que aquí se abre tiende, en efecto, a que el espíritu se imponga como la reconciliación.” Esse módulo do curso de H. é puro engodo.

Así, en la revolución francesa vemos cómo se abre paso el postulado del imperio del pensamiento abstracto: a él deben ajustarse la organización del Estado y las leyes y él, el pensamiento abstracto, debe servir de unión entre los hombres.” Estar falando disso antes de sequer mencionar Descartes significa que não tinha o que dizer!

Las doctrinas de la religión cristiana ocupan así, igualmente, la posición de algo ajeno a nosotros, de algo perteneciente a un determinado tiempo y en torno a lo cual se han esforzado aquellos hombres. Lo de que la idea es concreta en y para sí y guarda, en cuanto espíritu, una relación de contradicción con el sujeto ha desaparecido y se manifiesta sólo como algo pasado. En este sentido, lo que hemos dicho acerca del principio del concepto de la doctrina cristiana y lo que aún diremos con respecto a los escolásticos sólo ofrece interés desde el punto de vista señalado por nosotros, en que la idea interesa en su determinación concreta”

LA SANTA IGLESIA: “Todas las pasiones, el afán de poder, la codicia, la violencia, el engaño, el robo, el asesinato, la envidia, el odio: todos estos vicios de la brutalidad arraigarán en ella, pasando a formar parte integrante de su régimen.”

Por eso vemos cómo los más valerosos y nobles emperadores son excomulgados y anatematizados por los papas, los cardenales, los legados pontificios y hasta por los arzobispos y los obispos, sin que esté en sus manos sustraerse a la acción de este otro poder exterior, siendo siempre los vencidos y los obligados a ceder.”

vemos, de una parte, cómo la religión, en este estado de cosas, sólo presenta su faz verdaderamente noble y bella en unos cuantos individuos aislados, que son precisamente aquellos espíritus que han muerto para el mundo y se separan de él para retraerse a un pequeño círculo de hombres y vivir allí entregados a los afanes religiosos”

Los individuos caen de un extremo en otro, del extremo del más brutal desenfreno y barbarie, de la obstinación y la terquedad, en el extremo de la renuncia a todo, del triunfo sobre todos los apetitos, etc.” “Ningún ejemplo más patente de esto que decimos que el del ejército de las Cruzadas. Estos soldados de la Cruz se pusieron en marcha atraídos por los fines más nobles y más sagrados, pero en el transcurso de su expedición se dejaron arrastrar a todas las pasiones humanas, siendo precisamente los jefes los que daban el ejemplo; imposible describir los extremos de violencia y brutalidad a que llegaron aquellas gentes. Después de haber conducido la expedición del modo más irracional que imaginarse pueda, absurdamente, habiendo sacrificado sin necesidad alguna a miles de hombres, llegaron por fin a las puertas de Jerusalén. Fue un espectáculo muy bello el de aquellos hombres que, a la vista de la ciudad sagrada, se entregaron devotamente a la oración y a la penitencia, sintiendo desgarrarse sus corazones, tocando el suelo con la frente y dando toda clase de pruebas de piedad y de unción. Pero esto no fue más que un momento después de largos meses de locuras, de necedades, de vilezas y de horrores, que fueron sembrando el camino de la Cruzada. Sintiéndose animados por un entusiasmo y una valentía sin límites, toman por asalto la ciudad santa y la conquistan; y, una vez dentro, se bañan en ríos de sangre, dan pruebas de una crueldad infinita y de una furia verdaderamente bestial. Y nuevamente sobreviene una reacción de arrepentimiento y penitencia; se postran de hinojos, sintiéndose reconciliados con Dios, y en seguida se entregan de nuevo a todas las mezquindades e infamias de las más míseras pasiones; del egoísmo y de la envidia, de la codicia y la avaricia: dan rienda suelta a toda su lujuria y echan a perder así la conquista lograda por su heroísmo. La explicación de todo esto está en que el principio sólo vivía en ellos, en su interior, como principio abstracto, sin que llegara a conformar espiritualmente la realidad del hombre.”

ABOLIÇÃO DA HÓSTIA: “Lutero cambió este rito: mantuvo en la llamada Cena el punto místico consistente en que el sujeto reciba dentro de sí lo divino, pero afirmando que esto sólo es divino en cuanto se disfrute en esta espiritualidad subjetiva de la fe y deje de ser un objeto externo.”

Pero en la Iglesia de la Edad Media y en la Iglesia católica en general la hostia es adorada también como un objeto puramente externo, de tal modo que cuando una hostia consagrada sea devorada por un ratón deberá adorarse a éste y a sus excrementos” HAHAHAHA!

Pues a la brutalidad y al espantoso salvajismo de esos pueblos sólo podía oponerse la servidumbre, llevándose a cabo la educación por esta vía. Bajo este yugo sirve la humanidad; no tuvo más remedio que pasar por esta cruel disciplina para elevar al plano del espíritu a las naciones germánicas.” “También los hindúes se hallan sujetos a esta servidumbre, pero ellos están irremisiblemente perdidos, sujetos a la naturaleza, identificados con la naturaleza, pero contrarios a ella de suyo.”

Generalmente, se hace arrancar la filosofía escolástica de la figura de Juan Escoto Erigena, que floreció hacia el año 860 y que no debe confundirse con Duns Escoto, que es posterior. No ha sido posible determinar con certeza la patria de Erigena: no se sabe si nació en Escocia o en Irlanda, pues si el nombre de Escoto es característico del primer país el de Erigena señala hacia el segundo. Es el primer pensador con quien se inicia ahora una verdadera filosofía, basada principalmente en las ideas de los neoplatónicos.”

En Escoto, la teología no aparece aún basada en la exégesis y la autoridad de los Padres de la Iglesia; por eso la Iglesia rechazó muchas veces sus obras. Así, un concilio eclesiástico en Lyon puso el veto a las doctrinas de Erigena, diciendo: «Han llegado a nosotros las obras de un hombre charlatán y jactancioso que disputa acerca de la Providencia divina y la predestinación de una manera humana o, según él mismo se vanagloria, con argumentos filosóficos, sin apoyarse en las Sagradas Escrituras ni invocar la autoridad de los Padres de la Iglesia, sino atreviérndose a defender sus doctrinas por sí mismo y a fundamentarlas en sus propias leyes, sin someterse a los libros divinos ni a la autoridad de los Padres.» (Buleo)

De aquí que ya Escoto Erigena dijese: «La verdadera filosofía es la verdadera religión, y la verdadera religión la verdadera filosofía.»” É desses despeitados que eu gosto!

Anselmo. Se trata de una figura muy honrada y prestigiosa entre quienes creen que las doctrinas de la Iglesia deben ser demostradas también en el campo del pensamiento. Nació en Aosta (Piamonte) hacia 1034, profesó como fraile en Bec, en 1060 y ya en 1093 lo vemos convertido en arzobispo de Cantorbery; murió en 1109. (Tennemann)”

El cristiano debe llegar a la razón por la fe, y no a la fe por la razón; y menos aún si no acierta a comprender que la fe debe ser su punto de partida. Si acierta a penetrar en el conocimiento, se alegrará con ello; en otro caso, no hará sino adorar.” Grande BUESTA!

Nos referimos a la llamada prueba ontológica de la existencia de Dios, establecida por Anselmo y que tan famoso había de hacerle. Esta prueba era mencionada hasta los tiempos de Kant en la serie de las pruebas, y lo es todavía hoy por parte de quienes no han llegado a situarse aún en el punto de vista kantiano.” “Sin embargo, mientras que hasta él se consideraba a Dios como el ser absoluto, atribuyéndosele lo general como un predicado, con Anselmo comienza la trayectoria contraria: la del ser como predicado, en que la idea absoluta empieza estableciéndose como el sujeto, pero como el sujeto del pensamiento.”

Kant, por el contrario, combate y rechaza la prueba anselmiana de la existencia de Dios —y el mundo entero ha acabado siguiendo sus huellas, en esto— por partir de la premisa de que la unidad del ser y el pensar es lo más perfecto.” “Por tanto, a la prueba que Kant critica y que, por su modo de ser, sigue siendo usual todavía hoy, sólo le falta una cosa: esta conciencia de la unidad del pensar y el ser en lo infinito, la cual tiene necesariamente que constituir el punto de partida.”

Pedro Abelardo [s]e hizo famoso por su erudición, pero alcanzó todavía mayor celebridad en el mundo sentimental por sus amores con Eloísa y las vicisitudes de su vida. (Tiedemann)”

Como Bolonia para los juristas, París era, en aquel tiempo, el centro de las ciencias y de los estudios para los teólogos, la sede de la teología filosofante de la época. Abelardo llegó a ver en su aula más de mil oyentes. La ciencia teológica y las especulaciones filosóficas en torno a ella era, en Francia (como la jurisprudencia en Italia), un momento fundamental de extraordinaria importancia para el desarrollo espiritual del país y que, hasta ahora, no ha sido tenido en cuenta como se merece.”

Al establecerse en 1270, en la universidad de París, la separación de las 4 facultades, desglosando la filosofía de la teología, se ordenó a los maestros universitarios, al mismo tiempo, que se abstuvieran de poner en tela de juicio o de someter a sus disputas los principios teológicos de la fe.”

la teología se convierte en un sistema científico.” “Pedro Lombardo. Los hombres que llevaron a cabo esta obra fueron, en primer lugar, Pedro de Novara, en Lombardía, que vivió a mediados del siglo XII y a quien podemos considerar como el fundador de este método (…) Pedro Lombardo levantó un edificio sistemático de teología escolástica que se mantuvo en pie durante varios siglos, sirviendo de fundamento a la dogmática de la Iglesia.”

Pedro Lombardo compiló las determinaciones fundamentales de la doctrina eclesiástica tomándolas de los concilios y los Padres de la Iglesia, y añadiendo una serie de preguntas y discusiones sutiles en torno a circunstancias particulares que ocupaban a la escuela y eran, por aquel entonces, objeto de polémicas y disputas. Él mismo se ocupaba de dar respuesta a estas preguntas, pero oponiendo otros fundamentos en contrario; y sus respuestas dejan, con frecuencia, la cosa envuelta en las nubes de lo problemático, sin disipar las dudas, en realidad.” “Estos doctores a que nos referimos gozaban de gran autoridad, celebraban sínodos, criticaban y condenaban como heréticas éstas y aquellas doctrinas, éstos y aquellos libros, etc., en dichos sínodos o en la Sorbona, una sociedad que, integrada por doctores de éstos, funcionaba en la universidad de París.”

El segundo de los autores de este grupo, tan famoso por lo menos como Pedro Lombardo, es Tomás de Aquino, descendiente de la familia condal de los Aquinos y que nació en 1224, en el castillo paterno de Roccasecca, del reino de Ñapóles. Ingresó en la orden de los dominicos y murió en 1274, durante un viaje para asistir a un concilio en Lyon. Poseía un conocimiento extensísimo de la teología y de Aristóteles y se le conocía con los nombres de Doctor angelicus y Doctor communis, considerándosele como a un segundo San Agustín.” “compuso también una Summa theologica (es decir, un estudio sistemático), que le dio una fama extraordinaria, al igual que sus otros escritos, convirtiéndose en un libro fundamental de toda la teología escolástica.” “Tomás de Aquino formula también preguntas, respuestas y dudas y señala el punto en torno al cual gira la solución de los problemas. En lo fundamental, la teología escolástica se dedica, desde entonces, a citar la Summa del Aquinatense.”

Juan Duns Escoto. El tercero de los pensadores a que nos referíamos más arriba, famoso por haber desarrollado de un modo formal la teología filosófica, es Duns Escoto, llamado el Doctor subtilis, miembro de la orden franciscana; había nacido en Dunston, condado de Northumberland, y llegó a tener, sucesivamente, hasta 30 mil oyentes. Se trasladó a París en 1304 y en 1308 cambió su residencia a Colonia, como doctor de la nueva universidad fundada allí. Fue recibido con gran solemnidad, pero murió en esta ciudad, a poco de instalarse en ella, de un ataque de apoplejía, sin embargo, según se refiere, fue enterrado vivo. Dícese que vivió solamente 34 años, según otros 43 y según algunos 63, pues no se conoce el año de su nacimiento.

Escribió algunos comentarios sobre el Magister sententiarum [Anselmo] que le valieron fama de sutilísimo pensador; comienza por la prueba de la necesidad de una revelación sobrenatural frente a la simple luz de la razón. Se le llegó a llamar, por razón de su sutileza, el deus inter philosophos.”

Llamábanse Quodlibeta a las colecciones de estudios mezclados sobre diversos temas sueltos, examinados por el procedimiento corriente de la disputa, que consiste en hablar acerca de todo, sin ningún orden sistemático y sin llegar a construir ningún todo armónico; los otros escribían, por el contrario, summas, es decir, estudios sistemáticos. El latín de Duns Escoto es muy bárbaro, pero se presta bastante bien para la claridad filosófica” El Doctor Mescolanza

Debemos señalar ahora una tercera tendencia, nacida de la circunstancia histórica puramente externa de que, a fines del siglo XII y comienzos del XIII, los teólogos occidentales empezaron a adquirir, de un modo más general, a través de las traducciones del arábigo al latín, el conocimiento de las obras de Aristóteles y de sus comentadores griegos y árabes, obras y comentarios que, a partir de ahora, utilizan desde muchos puntos de vista y comentan a su vez. La adoración, la admiración por Aristóteles y el prestigio de este pensador antiguo llegan ahora a su punto culminante.”

España, bajo los árabes, conoció un florecimiento extraordinario de las ciencias, y la universidad de Córdoba, sobre todo, se convirtió en el centro de la erudición de aquel tiempo; muchos estudiosos del Occidente hacían el viaje a aquella ciudad española”

La lógica y la metafísica aristotélicas fueron desarrolladas ahora hasta el máximo, en interminables distinciones, y reducidas a peculiares formas intelectivas silogísticas, que servían principalmente de base para el tratamiento de las materias estudiadas; esto contribuyó a que se acentuase todavía más la sutileza dialéctica, al paso que lo verdaderamente especulativo de Aristóteles era relegado a último plano por el espíritu de la exterioridad, que era también, por tanto, el de la ausencia de razón.”

Es cierto que, al principio, cuando aparecieron las obras de Aristóteles, la Iglesia opuso cierta resistencia; en un sínodo eclesiástico celebrado en París en 1209 fue prohibida la lectura de la Metafísica y la Física, así como de los extractos de estas obras, y toda lectura y explicación en torno a ellas.” “Pero más tarde, en 1366, nos encontramos con una manifestación de la tendencia contraria: con 2 cardenales que ordenan que nadie pueda llegar a ser magister sin haber estudiado los libros prescritos de Aristóteles, entre los que figura la Metafísica, y haber demostrado la capacidad necesaria para explicarlos.”

«Alberto dejó de ser un asno para convertirse rápidamente en un filósofo, y con la misma rapidez se convirtió de filósofo en asno.» Entre su ciencia se incluía especialmente la magia, pues, a pesar de ser completamente extraña a la verdadera escolástica, la cual se mantenía de espaldas a la naturaleza, Alberto Magno se ocupaba de las cosas naturales e inventó, entre otras cosas, una máquina parlante que infundía pavor a su discípulo Tomás de Aquino, quien intentó, incluso, destruirla, viendo en ella la mano del diablo.”

Entre los estoicos clasificaba Alberto, con un criterio ciertamente original, a pensadores como Espeusipo, Platón, Sócrates y Pitágoras. Estas anécdotas nos dan una idea bastante aproximada de cuál era el estado de la cultura en aquella época.”

Un cuarto aspecto que debe ser tenido en cuenta aquí es un punto de vista fundamental que interesó mucho a la Edad Media: el del peculiar problema filosófico cifrado en la polémica entre realistas y nominalistas y que llena casi toda la época del escolasticismo. En términos generales, podemos decir que esta disputa versa en torno a la antítesis metafísica de lo general y lo individual. Preocupó a la filosofía escolástica por espacio de varios siglos, y ello, hay que reconocerlo, honra mucho a estos pensadores. Se distingue entre los antiguos y los nuevos nominalistas y realistas, pero la historia de los realistas y los nominalistas es, por lo demás, bastante oscura”

El primer nominalista es Roscelino; y el famoso Abelardo, aunque aparezca como adversario suyo, puede ser considerado igualmente como nominalista. Roscelino escribió también en contra de la Trinidad y fue condenado por herético en una asamblea eclesiástica celebrada en Soissons en 1092; pero ya para aquel entonces era muy poca su influencia.

Trátase de lo general en términos absolutos (universale), del género, de la esencia de las cosas, de lo que Platón llamaba la idea, por ejemplo: el ser, la humanidad, el animal. Los sucesores de Platón afirmaban el ser de estos universales; aislando luego esto, se llegaba también, por ejemplo, al concepto o a la cualidad de mesa, como algo real.”

Pues bien, la disputa entre realistas y nominalistas giraba en torno a si estos universales eran, en efecto, algo real, algo en y para sí al margen del sujeto pensante e independientemente de las cosas aisladas existentes, de tal modo que existiesen en éstas independientemente de la individualidad de la cosa y de un modo sustantivo los unos con respecto a los otros, o si, por el contrario, lo universal era algo puramente nominal, algo que sólo existía en la representación subjetiva, un ente del pensamiento y nada más. § Quienes afirmaban que los universales eran, fuera del sujeto pensante y aparte de las cosas aisladas, un algo real y existente y que la esencia de las cosas era simplemente la idea, recibían el nombre de realistas, en una acepción que era, en rigor, la inversa de lo que hoy llamamos realismo.” “En cambio, los otros, los nominalistas o formalistas, afirmaban que los géneros, los universales, eran simples nombres, algo puramente formal, meras representaciones para nosotros, generalizaciones subjetivas nada más, un producto del espíritu pensante; según ellos, sólo lo individual era lo real.” “Contra esta afirmación se alegan razones por las que se ve hasta qué extremos de ridículo se llevaba a veces la polémica y cómo ésta giraba, en gran parte, en torno a las concepciones del cristianismo. Así vemos que Abelardo reprocha a Roscelino el que éste afirme que ninguna cosa tiene partes y que sólo las palabras que designan las cosas son divisibles. De donde Abelardo deduce que, según Roscelino, Cristo no ingirió una parte real del pez asado, sino solamente una parte de las palabras «pez asado»”

Gualterio de Montagne. Este filósofo (f. 1174) tendía a la combinación de lo individual y lo general: lo general, según él, tiene que ser individual, los universales tienen que aparecer unidos a los individuos, en cuanto a la esencia. Más tarde, ambos partidos se hicieron célebres bajo los nombres de tomistas, por el dominico Tomás de Aquino, y escotistas, por el franciscano Juan Duns Escoto.”

Suarez, Disputationes metaphysicae

La antítesis entre idealistas y realistas había surgido, sin duda alguna, ya muy temprano, pero sólo fue puesta de nuevo a la orden del día y desarrollada en el plano del interés general después de Abelardo, gracias al fraile franciscano Guillermo de Occam, de la aldea de este nombre, en el condado de Surrey (Inglaterra), conocido como el Doctor invincibilis, que florece en los primeros años del siglo XIV, sin que haya sido posible averiguar su año de nacimiento.”

La disputa entre nominalistas y realistas toma ahora caracteres de gran violencia y encono; todavía se conserva una cátedra que hubo de ser separada por un tabique de madera del sitio ocupado por el contrincante, para evitar que los adversarios, en el furor de la discusión, se fuesen a las manos.”

Además, las guerras intestinas que tenían dividida a Francia hacían que la política se insinuase también en las relaciones entre las órdenes monásticas, lo cual contribuía a acrecentar la importancia de esta disputa, avivada por los celos enconados de las partes contendientes. Occam y su orden apoyaban con la mayor energía las pretensiones de los príncipes, por ejemplo las del rey de Francia y las del emperador de Alemania Luis de Baviera, como lo hicieron en una reunión de su orden celebrada en 1322 y en otras partes, contra las extralimitaciones del papa. De Guillermo se cuenta que dijo una vez al emperador: «Defiéndeme tú con la espada, que yo te defenderé con la pluma.»

En 1340 se dictó este veto: «Ningún maestro deberá atreverse a declarar falsa cualquier tesis conocida de un escritor acerca del cual lea, ni de por sí ni en cuanto a su tenor literal, sino que deberá reconocerla o distinguir entre el sentido verdadero y el sentido falso que en ella se encierra, ya que de otro modo nos expondríamos a la peligrosa consecuencia de que también las verdades de la Biblia pudieran ser rechazadas del mismo modo. Ningún maestro debe afirmar que ninguna tesis pueda dejar margen a distinciones o ser investigada a fondo.»

Occam fue excomulgado en 1328 y murió en Munich, en 1343.” Sempre uma distinção no meu álbum.

Tennemann (t. VIII, secc. 2, p. 864) dice, a este propósito: «Una consecuencia de esta teoría fue el dar completamente de lado, como inútil, al principio de individuación, que tantos quebraderos de cabeza había costado a los escolásticos.»

HEGEL NÃO É, ESSENCIALMENTE (EM SI!) 1 FARSANTE, MAS 3 FARSANTES! “Pero como la religión cristiana es la religión revelada, tenemos que Dios, por una parte, no es ya lo inabordable, lo inefable, un algo recóndito, cerrado, sino que los distintos grados de lo que brota de él son su misma manifestación y lo Trino, por tanto, lo revelado, de tal modo que las tríadas y lo Uno no son algo distinto, sino que precisamente estas 3 personas distintas en Dios son los mismo y lo Uno, es decir, algo que es para lo otro, algo relativo de suyo.”

Buridán. Filósofo nominalista, que se inclina del lado de los deterministas (…) muere de hambre por no saber por cuál de los 2 lados decidirse.” ¿?!! AHAHAHA

Además, esta dialéctica puramente formal hace gala de una gran inventiva en la creación, para su tratamiento, de objetos, problemas y cuestiones carentes de todo interés religioso y filosófico.” A succubus realmente transa com o dorminhoco ou não?, etc.

Cabe, pues, afirmar que los escolásticos, de una parte, tratan de un modo profundo el concepto de la doctrina de la Iglesia, pero, por otra parte, lo secularizan por medio de relaciones externas totalmente inadecuadas, por donde se manifiesta aquí el peor de los sentidos que puede tener lo secular.” “Este aspecto fue captado por los escolásticos y tratado por ellos con una dialéctica finita; y en este aspecto habrá de hacerse, más tarde, hincapié para poner en ridículo incansablemente las doctrinas del escolasticismo. Aduciremos algunos ejemplos de este aspecto a que nos referimos.”

Así, vemos que Julián, Arzobispo de Toledo, trata de encontrar con la mayor seriedad, como si de ello dependiese la salvación del género humano, la respuesta a preguntas que parten de una premisa disparatada, incurriendo en una micrología por el estilo de la de los filólogos cuando se ponen a investigar los acentos, los metros y la división de los versos griegos. Tenemos, por ejemplo, una de estas preguntas acerca de los muertos. La doctrina de la Iglesia afirma que el hombre resucitará, pero si se añade que resucitará con el mismo cuerpo que tuvo, se entra en pleno mundo de los sentidos. He aquí algunas de las indagaciones hechas por los escolásticos en torno a la referida pregunta: «¿A qué edad resucitarán los muertos? ¿De niños, de jóvenes, de hombres adultos o de ancianos? ¿Y en qué forma? ¿Con qué constitución física? ¿Los flacos recobrarán su cuerpo de flacos y los gordos su cuerpo de gordos? ¿Persistirá en la otra vida la diferencia de sexos? ¿Recobrarán los muertos, al resucitar, la cantidad de uñas y de pelo que perdieron en esta vida?».”

una verdadera manía discutidora.” “La filosofía escolástica es, pues, exactamente lo contrario de la ciencia intelectiva empírica, que se caracteriza por una curiosidad proyectada simplemente sobre los hechos, sin relación alguna con el concepto.”

Pascasio Roberto compuso dos volúmenes con el título De partu beatae virginis, acerca de los cuales se escribió y disputó mucho. Llegó a hablarse, incluso, de un partero, y se formularon una serie de preguntas en las que hoy no se nos ocurriría ni siquiera pensar, a menos de querer entrar en los dominios de lo inconveniente.” A buceta da virgem era rosadinha?

He aquí otras preguntas formuladas por Pedro Lombardo: «¿Puede Dios saber más de lo que sabe?», como si, con respecto a Dios, pudiera distinguirse entre potencia y acto. «¿Puede Dios en todo tiempo todo lo que ha podido? ¿Dónde estaban los ángeles después de su creación? ¿Han existido siempre ángeles?»

«¿Qué edad tenía Adán cuando fue creado? ¿Por qué fue formada Eva de la costilla del hombre y no de otra parte cualquiera de su cuerpo? ¿Y por qué mientras el hombre dormía, y no estando despierto? ¿Por qué no se unió la primera pareja en el paraíso terrenal? ¿Cómo se habrían perpetuado los hombres, si no hubiesen pecado? Los niños en el paraíso, ¿habrían nacido con los miembros ya perfectamente desarrollados y con el pleno uso de los sentidos? ¿Por qué se convirtió en hombre el Hijo y no el Padre o el Espíritu Santo?» Isso que dá jejuar demais!

«¿Podrían existir en Cristo varias filiaciones (filiationes)? ¿Cabría afirmar que Dios Padre odia al Hijo? ¿Habría sido posible también suponer a Dios como mujer? ¿Habría podido Dios ocultarse en el cuerpo del demonio? ¿Habría podido revelarse en forma de asno o de calabaza [abóbora!]? ¿Y de qué modo habría predicado la calabaza? ¿Cómo habría obrado milagros? ¿Cómo se la habría crucificado?» Erasmo, ironicamente

Parece que H. nunca leu nenhum desses autores diretamente, mas só em citações dos historiadores da filosofia que ele tanto criticou no Vol. I!

Lo fundamental es saber que los escolásticos tomaban las cosas divinas como los bárbaros, reduciéndolas a criterios y relaciones propios de los sentidos. Una rigidez de concepción informada totalmente por los sentidos y estas formas totalmente externas de lo material se ven trasplantadas, así, a lo puramente espiritual, con lo cual esto aparece totalmente secularizado; es algo parecido a lo que hace Hans Sachs, cuando convierte la historia sagrada en la crónica local de Nuremberg.”

En estas exposiciones, como en la Biblia cuando habla de la cólera de Dios, de la historia de la creación, de que Dios ha hecho esto y aquello, vemos a Dios como a un ser humano, de carne y hueso. Y es cierto que a Dios no se le debe concebir como algo totalmente extraño a nosotros e inabordable, sino que hay que acercarse a él con el ánimo y con el corazón; pero una cosa es esto y otra cosa muy distinta introducirlo en los dominios del pensamiento y tomar en serio su conocimiento. Lo contrario a esto es aducir argumenta pro y contra, pues estos argumentos no resuelven nada ni ayudan en lo más mínimo; tampoco en cuanto premisas que son solamente determinaciones sensibles y finitas y que dan, por tanto, pie a infinitas distinciones. Esta barbarie intelectiva es completamente irracional; es algo así como si se quisiera adornar a los cerdos con collares de perlas. Lo Uno es la idea de la religión cristiana y, además, la filosofía del noble Aristóteles; no era posible haber pisoteado ambas cosas en el lodo más de lo que aquí se hace, ni los cristianos podían haber hecho caer más bajo su idea espiritual.”

Los místicos no participan tan de cerca ni tan de lleno en las disputas, las argumentaciones y las pruebas de los demás escolásticos, y procuran atenerse con la mayor pureza posible a la doctrina de la Iglesia y a la contemplación filosófica. Son, en parte, hombres piadosos y sutiles, que siguieron filosofando al modo de los neoplatónicos, como antes de ellos lo hiciera ya Escoto Erigena. Encontramos en ellos auténtica filosofía, aunque se presente bajo el nombre de misticismo; es una filosofía íntima y recatada, que guarda una gran semejanza con el spinozismo. Estos pensadores derivan, además, su ética, su religiosidad, de las verdaderas emociones, y en este sentido formulan sus consideraciones, sus preceptos, etc.”

Rogerio Bacon. Estudió principalmente cuestiones de física, pero sin llegar a alcanzar gran influencia; inventó la pólvora, el espejo y los anteojos de larga vista; murió en 1294.” É correto listá-lo como escolástico? Ou místico mesmo? Porque parece ter sido o ser humano ocidental mais útil daquele milênio…

wiki: “21st century re-evaluations emphasise that Bacon was essentially a medieval thinker, with much of his ‘experimental’ knowledge obtained from books in the scholastic tradition. He was, however, partially responsible for a revision of the medieval university curriculum, which saw the addition of optics to the traditional quadrivium.” “Although gunpowder was first invented and described in China, Bacon was the first in Europe to record its formula.”

O Bacon antes do Bacon (Rogério x Francisco)!

Raimundo Lulio. Llamado el Doctor illuminatus, llegó a ser muy famoso, sobre todo por el arte de pensar compuesto por él y al que dio el nombre de Ars magna. Nació en Mallorca, en 1234, y fue uno de esos hombres excéntricos e impulsivos que se meten en todo. Tenía marcada afición por la alquimia y un gran entusiasmo por las ciencias en general, así como una imaginación fogosa e inquieta. Llevó una juventud disipada y entregada a los placeres y las diversiones; más tarde, se retiró a un yermo y tuvo allí muchas visiones de Jesucristo. Llevado de su agitado temperamento, sintióse acuciado por el deseo de contribuir a la difusión de la doctrina cristiana entre los mahometanos de Asia y África, consagrando su vida a esta misión; para ello aprendió el árabe, viajó por toda Europa y Asia y buscó el apoyo del papa y de todos los monarcas de Europa, sin abandonar por ello el cultivo de su arte. Fue perseguido y hubo de soportar incontables penalidades, aventuras, peligros de muerte, prisiones y malos tratos. Vivió durante largo tiempo en París, a comienzos del siglo XIV, y compuso cerca de 400 escritos. Al cabo de una vida extraordinariamente agitada, murió venerado como santo y mártir, el año 1315, a consecuencia de los malos tratos sufridos en África. (Rixner, Lehrbuch der Geschichte der Philosophie; Tennemann)”

Raimundo Lulio es, pues, un pensador sistemático, aunque al mismo tiempo mecánico. Dejó trazada una tabla en círculos en los que se hallan inscritos triángulos cortados por otros círculos. Dentro de estos círculos ordenaba las determinaciones conceptuales, con pretensiones exhaustivas; una parte de los círculos es inmóvil, la otra tiene movimiento. Vemos, en efecto, 6 círculos, 2 de los cuales indican los sujetos, 3 los predicados y el 6º las posibles preguntas.”

el escolasticismo, visto en conjunto, es una bárbara filosofía del entendimiento sin ningún contenido real, una filosofía que no suscita en nosotros ningún interés verdadero y a la que, desde luego, no podemos retornar.”

La escolástica es ese extravío total del entendimiento escueto y seco en las rugosidades de la naturaleza nórdico-germánica. Ante nosotros se abren 2 mundos: el reino de la vida y el reino de la muerte. El reino intelectual, reino externo y situado en lo alto, aunque en la representación, se convierte de ese modo, aun siendo por su naturaleza algo puramente especulativo, en algo intelectivo y sensibilizado; pero no como en el arte, sino, por el contrario, como una relación de la realidad común.”

Es cierto que la existencia de la Iglesia, como el gobierno de Cristo sobre la tierra, se halla en un plano más elevado que la existencia exterior que con ella se enfrenta, pues la religión tiene necesariamente que imperar sobre lo temporal, y la sumisión del poder temporal convierte a la Iglesia en una teocracia.”

¿Para qué todo esto? Lo tenemos a nuestra espalda como un pasado, por sí mismo inútil para nosotros. Pero de nada sirve llamar a la Edad Media una época bárbara. Es, en realidad, un tipo muy peculiar de barbarie, no una barbarie espontánea y tosca, sino una barbarie a la que se llega por la vía del pensamiento, convirtiendo a la idea absoluta y a la suprema cultura en barbarie; lo que es, de una parte, la forma más atroz de ésta y de la perversión y, de otra parte, el punto infinito de que mana una más alta reconciliación.”

Un algo pensado cuyo contenido es el pensamiento mismo consiste precisamente en eso, en determinarse como ser. Tal es la intimidad, que es algo más que la consecuencia necesaria de las premisas de que se parte; pero aquí no es la naturaleza del pensamiento y del ser el objeto de la investigación, sino que se da por supuesto sencillamente lo que éstos son.”

Lo especulativo se halla presente, en Aristóteles, por el hecho de que tal pensamiento no se confía a la reflexión por sí misma, sino que tiene continuamente ante sí la naturaleza concreta del objeto; esta naturaleza es el concepto de la cosa, y esta esencia especulativa de la cosa el espíritu rector que no deja en libertad a las determinaciones reflexivas por sí mismas.

Pero los escolásticos plasman de un modo fijo las determinaciones intelectivas abstractas, siempre inadecuadas a su materia absoluta, y, al mismo tiempo, toman todos los ejemplos de la vida como materia; y como lo concreto contradice a su manera de pensar, sólo pueden retener estas determinaciones intelectivas por medio de precisiones, reservas y limitaciones, lo que los hace embrollarse en una serie interminable de distinciones, las cuales se mantienen también en el terreno de lo concreto y sólo de este modo salen a flote.

En estos manejos de la escolástica no hay, pues, ni asomo de sano sentido común; éste no debe mostrarse contrario a la especulación como tal, pero sí debe manifestarse en contra de todo lo que sea reflexión carente de base, en cuanto que encierra un substrato y una regla para las determinaciones intelectivas abstractas.”

La representación fija del mundo suprasensible, con sus ángeles, etc., era una materia que los escolásticos siguieron elaborando sin el menor juicio, de un modo bárbaro y con un entendimiento finito, enriqueciéndola y considerándola con los criterios finitos propios de este entendimiento. No existe en el pensamiento mismo ningún principio inmanente, sino que el entendimiento de los escolásticos recibe en sus manos una metafísica ya acabada, sin la necesidad de su proyección sobre lo concreto; esta metafísica fue muerta y sus partes descoyuntadas sin espíritu alguno. Podría decirse de los escolásticos que filosofaban sin representación, es decir, sin un algo concreto, convertían en sujetos el esse reale, el esse formale, el esse objetivum, la quidditas (τὸ τί ἦν εἶναι).”

En el caso de la manzana del paraíso, la inteligencia se pregunta a qué clase de manzanas pertenece.” HAHAHAHA

Entre los eruditos, manifestóse abiertamente la ignorancia acerca de lo racional, una ausencia de espíritu total y monstruosa; y esta misma ignorancia monstruosa y total se revelaba también en los demás, en los monjes. Esta corrupción del conocimiento hacía de la transición un cambio; y mientras que el cielo, lo divino, se degradaba de este modo, se levantaba sobre lo temporal la sublimidad y la superioridad espiritual de lo eclesiástico.” “Del mismo modo, la Iglesia existente, esta existencia del cielo sobre la tierra, veíase nivelada sobre el mismo plano de lo mundanal al abrazar el camino de la riqueza y de la posesión de territorios; de este modo, suprimíase la distinción entre los 2 poderes, pero no de un modo racional para la Iglesia, sino, al mismo tiempo, de un modo indignante, que supone una corrupción: era evidentemente una realidad, pero la realidad más bárbara y más cruel. Pues el Estado, el gobierno, el derecho, la propiedad, el orden civil: todo esto es lo religioso, en forma de diferencias racionales, es decir, de leyes fijas por sí mismas. La vigencia de los miembros, de los estamentos, de las secciones, sus distintas ocupaciones, las fases y los grados del mal, lo mismo que los del bien, representan una manifestación bajo la forma de la finitud, de la realidad, de la existencia de la voluntad subjetiva, mientras que lo religioso sólo se presenta bajo la forma de lo infinito.”

HEGEL PISTOLA: “El mal y sus penas se convierten ahora en algo infinito, y las opiniones discrepantes son castigadas incluso con la muerte, como ocurre con la herejía y con la heterodoxia contra las determinaciones más abstractas y más vacuas de una dogmática interminable. En el seno de la Iglesia se dan cita las costumbres más reprobables y las peores pasiones, la arbitrariedad desenfrenada, la voluptuosidad, la venalidad, la ociosidad, la codicia, los vicios más diversos, precisamente por no tropezar con el freno de ninguna ley; y en ella se instaura y prevalece el criterio de la dominación. (…) Esta ruina del mundo suprasensible, como representada en el conocer y como Iglesia presente, es la que necesariamente tenía que expulsar al hombre de semejante templo, es decir, del seno de lo más sagrado convertido en algo mundanal y finito.”

Impaciente por la realidad que echa de menos y por la carencia de lo sagrado, la cristiandad se echa a buscar la cabeza que le falta; no es otro, en efecto, el móvil determinante de las Cruzadas. La cristiandad busca la presencia exterior de Cristo en la tierra de Canaán, busca sus huellas, el monte en que oró y padeció, su tumba; conquista el Santo Sepulcro. Lo que se representa como algo real lo conquista también, en efecto, como algo real; pero la tumba es solamente eso, una tumba: lo único que encuentra es el Santo Sepulcro, que además le es arrebatado después. «Pero no le dejarás en su tumba, pues no quieres que un santo se pudra en su sepulcro.»” “Aquellos lugares sagrados, él Monte de los Olivos, el Jordán, Nazaret, como el presente sensible y exterior del espacio sin la presencia del tiempo, no son sino algo pasado, un simple recuerdo y no una contemplación del presente inmediato; lo único que los cruzados encontraron fue su pérdida, su tumba en este presente. Siendo como eran bárbaros, no buscaban lo general, la posición universal de Siria y de Egipto, este centro de la tierra, los nexos de unión para la libertad del comercio, como había de hacerlo Bonaparte, [¡!] cuando ya la humanidad hubo recobrado su razón.”

En cuanto que sus actos, sus fines y sus intereses, se convierten en algo jurídico y, por tanto, en algo general, el presente se torna racional.” “fundándose una independencia que no es ya meramente egoísta.” “Es cierto que el orden ahora vigente es el sistema feudal, con su secuela, la servidumbre de la gleba, pero todo dentro de él es, sin embargo, algo jurídicamente establecido. Y el derecho tiene su raíz en la libertad, por ser en ella donde el individuo cobra existencia y es reconocido como tal, aunque aquí aparezcan todavía convertidas en propiedad privada relaciones pertenecientes en realidad al Estado. § La monarquía feudal, que ahora se rebela contra el principio de la ausencia del «sí mismo» de la Iglesia determina los derechos esenciales del hombre, es verdad, con arreglo al nacimiento; pero los estamentos de la sociedad feudal no son castas, como en la India, sino que en la jerarquía eclesiástica cualquiera podía ascender desde las más bajas capas hasta los puestos más elevados. Por lo demás, también bajo el sistema feudal fueron manifestándose paulatinamente un derecho, un orden civil y una libertad amparada por la ley. En Italia y Alemania conquistaron su estatuto jurídico una serie de ciudades como repúblicas urbanas, siendo reconocidas por los poderes eclesiástico y temporal; la riqueza hizo su aparición en los Países Bajos, en Florencia y en las ciudades imperiales del Rin. Poco a poco y por estos caminos, los países empezaron a salir del régimen feudal, y una manifestación de ello la tenemos en los mismos capitani. Y también puede ser considerado como un levantamiento de la ausencia de «sí mismo» del espíritu el hecho de que la lengua de esta época se convierta en lingua volgare, por ejemplo en la Divina Comedia de Dante.” Hegel confunde atrozmente história puramente externa e filosofia…

THE LEAP OF THE CAT: “Mientras que la Iglesia creía hallarse antes en posesión de la verdad divina, ahora el régimen temporal, al cobrar dentro de sí orden y derecho y brotar de la dura disciplina del servicio, creíase fundado por Dios y, por tanto, considera presente en él lo divino y teníase por autorizado para manifestarse contra lo divino en la Iglesia, opuesto exclusivamente a todo lo laico.” “El poder de la Iglesia aparecía ahora como la tosquedad de la Iglesia, ya que no trataba de manifestarse en la realidad misma, sino de ser fuerte en el mundo del espíritu. Y surgía inmediatamente en la mundanidad la conciencia del llenarse los conceptos abstractos con la realidad del presente, de tal modo que éste dejaba de ser algo nulo de suyo, para adquirir también verdad.”

Las artes llevan consigo el que el hombre cree a partir de sí mismo lo divino; y como aquellos artistas eran lo suficientemente piadosos para abrazar como principio la ausencia de su «sí mismo», eran ellos los que con su capacidad subjetiva creaban estas representaciones. Con esto guarda una estrecha relación el que lo mundanal tenga dentro de sí la conciencia de ser tan legítimo como para retener las determinaciones basadas en la libertad subjetiva. En la industria, el individuo se ve obligado a atenerse a su propia actividad” “Así volvió el espíritu a sí mismo; así se recobró, y contempló como sus propias manos su propia razón.”

SECCIÓN TERCERA:

EL RENACIMIENTO DE LAS CIENCIAS

De aquí arrancan todas las aspiraciones e invenciones, de aquí parten el descubrimiento de América y de una ruta hacia las Indias orientales; y así se despertó principalmente el amor por las llamadas ciencias paganas de la antigüedad, ya que los eruditos de la época vuelven sus ojos a las obras de los antiguos, convertidas ahora en objeto de estudio, como studia humaniora, estudios en que el hombre es reconocido en su propio interés y en su propia actividad. Estos estudios, aunque aparezcan a primera vista como lo opuesto a lo divino, son más bien de suyo lo divino, pero lo divino que vive en la realidad del espíritu.”

De este modo, se generalizó la creencia de que el entendimiento podía reputar falso algo que la Iglesia afirmase como verdadero; y fue un paso de gran importancia éste que dio el entendimiento, al concebirse así, aun a trueque de encontrarse en oposición con todo lo positivo.”

El Occidente, por medio de las Cruzadas, e Italia en particular por medio del comercio mantenían frecuente trato con los griegos, aunque sin relaciones diplomáticas muy asiduas. Del Oriente vinieron, incluso, las leyes romanas, hasta que fue descubierto por casualidad un códice del Corpus iuris. Y el Occidente volvió a entrar en contacto con el Oriente griego, sobre todo, cuando la desdichada caída del imperio bizantino obligó a los más nobles y relevantes griegos a buscar refugio en Italia.” “Sería hacer demasiado honor a los monjes si aceptamos que fueron ellos quienes conservaron para nosotros los textos de la antigüedad; estas obras, por lo menos las griegas, vinieron de Constantinopla; las latinas conserváronse naturalmente en Occidente.”

Pomponacio [ao dizer simplesmente que a alma não é imortal] hubo de comparecer ante la Inquisición a responder de sus opiniones, aunque la protección que algunos cardenales le dispensaban le puso a cubierto de toda ulterior persecución. Había además muchos otros aristotélicos puros, y estas doctrinas se difundieron más tarde, sobre todo, entre los protestantes.”

Uno de los que más contribuyeron a la difusión de Platón en el Occidente fue el cardenal Bessarion de Trebisonda, que había sido Patriarca de Constantinopla. (Brucker)

Ficino, que nació en Florencia en 1433 y murió en 1499, se distinguió como traductor de Platón; fue él principalmente quien dio a conocer nuevamente la filosofía neoplatónica posterior a Proclo y a Plotino. Ficino escribió además una teología platónica.

Uno de los Médicis de Florencia, Cosme II, llegó incluso a fundar en el siglo XV una Academia platónica en aquella ciudad. Los miembros más relevantes de esta familia de los Médicis, los dos Cosmes, Lorenzo, León X y Clemente VII protegieron mucho el cultivo de las ciencias y las artes y atrajeron a sus cortes a los sabios clásicos griegos.”

Más tarde, fue resucitada la atomística epicúrea, principalmente por Gassendi contra Descartes, y de ella se conserva todavía en la física moderna la teoría de las moléculas.”

Reuchlin propúsose desarrollar de nuevo la auténtica filosofía pitagórica; pero todo aparece en él revuelto y turbio. En Alemania preparábase una orden imperial encaminada a destruir, como se había hecho en España, todos los libros hebraicos; hay que reconocer a Reuchlin el mérito de haber impedido que esta obra de destrucción fuese llevada a cabo. La total ausencia de diccionarios entorpecía tanto el estudio del griego, que Reuchlin tuvo que trasladarse a Viena para aprender allí esta lengua de labios de un griego de nacimiento.”

Todas estas filosofías eran cultivadas al lado de la fe eclesiástica y sin detrimento de ésta, pero no a la manera de los antiguos: surge así una abundante literatura que abarca una gran cantidad de nombres de filósofos, pero que pasa sin dejar huellas y que carece, desde luego, de la lozanía que sólo puede dar la originalidad y la profundidad de los elevados principios; y es que no se trata en rigor de una verdadera filosofía; por eso no es necesario que entremos en más detalles acerca de ella.”

También experimenta su renacimiento, en esta época, la manera ciceroniana de filosofar: es una filosofía eminentemente popular y superficial, sin ningún valor especulativo, pero que tiene, por lo menos, por lo que a la cultura general se refiere, el interés y la importancia de que el hombre en ella habla inspirándose en sí mismo como un todo, en su experiencia interior y exterior y en su presente, en general.” “Y a pesar de que la plétora de escritos filosóficos de esta clase, por ejemplo muchos de los de Erasmo, han caído en el olvido y tienen poco valor, no puede negarse que hicieron mucho bien después de la sequedad escolástica y de todos sus devaneos y abstracciones carentes de toda base” “También Petrarca escribía tomándose como fuente a sí mismo, sus estados de ánimo, como hombre pensante.”

El hombre sólo puede considerarse verdaderamente dueño de aquellos pensamientos que aparecen expresados en su lengua propia. Lutero y Melanchthon desecharon todo lo escolástico, tomando como pauta de juicio la Biblia, la fe, el ánimo del hombre. Melanchthon aporta una fría filosofía popular en la que el hombre quiere hacer acto de presencia y que, por tanto, contrasta enormemente con el seco y muerto escolasticismo.” “Muchos individuos se ven privados ahora del contenido, del objeto que venía siendo el punto de apoyo y el fundamento de su conciencia: de la fe de sus mayores. Por eso, al lado de aquellas serenas manifestaciones del renacimiento de la filosofía antigua, nos encontramos ahora, por otra parte, con muchas personalidades en las que se trasluce de un modo bastante violento el fogoso deseo de llegar a conocer por medio del pensamiento lo más profundo y lo concreto, aunque oscurecido y tergiversado por interminables fantasías, por una imaginación las más de las veces desbordada y calenturienta y por el afán de penetrar en los arcanos de la astrología, la geomancia y otros conocimientos misteriosos por el estilo.” “Las vicisitudes de su vida lo mismo que el contenido de sus obras, las cuales llenan con frecuencia muchos y grandes infolios, son el resultado de esta inseguridad de su modo de ser, del desgarramiento y la sublevación de su interior contra la existencia real a que se ven sujetos y del afán de encontrar en ella un fundamento firme.”

Las figuras más notables de este grupo a que nos referimos son las de Cardano, Giordano Bruno, Vanini, Campanella y Petrus Ramus; todos ellos son representantes del carácter de su época, de esta fase de transición, y caen ya dentro del período de la Reforma.”

[Cardano] mismo se encargó de trazar la historia de su vida y su carácter en un libro titulado De vita propria, en el que confiesa sus errores y sus defectos con la mayor dureza y sinceridad con que un hombre pueda hacerlo.” “Era el suyo un temperamento turbulento, que lo mismo fermentaba profundamente dentro de sí que estallaba en violentas explosiones y del modo más contradictorio; también su interior padecía de un tremendo desgarramiento. He aquí, extractada de su obra, la pintura de su carácter, trazada por él mismo: «La naturaleza me ha dotado de un espíritu filosófico y apto para el cultivo de las ciencias, soy ingenioso, elegante, decoroso, sensual, expeditivo, piadoso, fiel, amigo de la sabiduría, reflexivo, emprendedor, afanoso de saber, servicial, entusiasta, cavilador e inventivo, todo lo he aprendido por mí mismo, ardo en deseos de ver milagros, soy taimado, astuto, amargado, iniciado en el misterio, sobrio, trabajador, descuidado, charlatán, siento desprecio por la religión, soy vengativo, envidioso, triste, pérfido, traicionero, me gustan la magia y los encantamientos, me siento desdichado, soy cruel con los míos, retraído, antipático, severo, adivino, celoso, chismoso y amigo de pullas, calumniador, complaciente y voluble: tales son las grandes contradicciones de mi carácter y de mis costumbres.»

las turbiedades alejandrinas y cabalísticas alternan aquí con observaciones que acreditan una gran finura psicológica y una gran lucidez y claridad.”

Giordano Bruno fue uno de aquellos espíritus inquietos y atormentados a quienes vemos repudiar intrépidamente toda la autoridad y la fe de la Iglesia católica. En estos últimos tiempos, su recuerdo ha sido refrescado por Jacobi (Obras Completas, t. IV, secc. 2, pp. 5-46), en la edición de sus cartas sobre Spinoza, que añadió a un extracto de una obra de éste. Jacobi logró llamar, muy especialmente, la atención hacia este pensador al afirmar que la suma de su doctrina es la esencia del spinozismo y la cifra y compendio del panteísmo; este paralelismo dio a Giordano Bruno una fama que es evidentemente superior a sus verdaderos méritos. § Giordano Bruno tenía un temperamento más sereno y apacible que Cardano, pero tampoco él llegó a encontrar quietud sobre la tierra.” “Abandonó el suelo de Italia donde, siendo fraile dominico, se había permitido amargas observaciones acerca de ciertos dogmas católicos, por ejemplo el de la Transubstanciación y el de la Inmaculada Concepción de María y a propósito de la crasa ignorancia y la viciosa conducta de los frailes. Vivió luego en Ginebra, en 1582, pero se enemistó también con Calvino y con Beza, llegando a hacérsele imposible la convivencia con ellos; de allí pasó a otras ciudades francesas, entre ellas Lyon, y seguidamente se instaló en París, donde en 1585 se manifestó solemnemente en contra de los aristotélicos, sustentando según una costumbre muy extendida en la época —para que sirviesen de base a una discusión pública— una serie de tesis filosóficas dirigidas principalmente contra Aristóteles.” “En Helmstedt fue acogido con gran favor, en 1589, por los duques de Braunschweig-Lüneburg; de allí pasó a Francfort del Meno, donde dio a la imprenta algunas de sus obras. § Su vida fue como vemos la de un profesor y escritor ambulante, de incansable peregrinar. Por último retornó a Italia en 1592 y vivió durante algún tiempo en Padua sin que nadie le molestase, hasta que a la postre fue sorprendido por la Inquisición en Venecia, recluido en la cárcel y trasladado luego a Roma, donde en el año 1600, después de haberse negado a retractarse, fue condenado a morir en la hoguera como hereje; algunos testigos presenciales de su muerte, por ejemplo Scioppio, informan que soportó con gran fortaleza y serenidad la muerte por el fuego. § Las obras de Giordano Bruno fueron declaradas heréticas y ateas tanto por los católicos como por los protestantes y, por esta razón, quemadas, destruidas y mantenidas en secreto. Es, por ello, muy difícil encontrarlas reunidas, aunque la mayoría de ellas se hallan en la biblioteca de la universidad de Gotinga” “Dondequiera que se detenía por algún tiempo pronunciaba conferencias y componía y editaba obras; por eso es tan difícil llegar a reunir sus escritos completos. § Esto explica también el que muchas de sus obras se repitan en cuanto al contenido, aunque lo presenten bajo diversa forma. Y es natural que quien trabajaba de este modo no llegase nunca a desarrollar debidamente su pensamiento. El carácter fundamental que muchas de sus obras presentan es justo, de una parte, el que responde al hermoso entusiasmo de un alma noble que siente palpitar dentro de sí el espíritu y que sabe que la unidad de su ser y de todo ser constituye la vida íntegra del pensamiento. Hay algo de báquico en el modo como aborda los problemas esta profunda conciencia, que se desborda para convertirse en el verdadero objeto de sus especulaciones y expresar así su riqueza. (…) cuando no ha alcanzado aún esta formación científica, pasa continuamente de unas formas a otras, sin acertar a ordenarlas convenientemente.” “fanatismo místico”

El universo es, pues, como un animal infinito en el que todo vive y se mueve de las maneras más diversas. La inteligencia formal no se distingue así en nada de la causa final (del concepto de fin, de la entelequia o el principio inmóvil de Aristóteles); pero asimismo hay que ver en ella probablemente una inteligencia eficiente (causa efficiens), una causa intermedia, precisamente la que produce aquellos resultados.”

Si la materia fuese simplemente la potencia indeterminada, ¿cómo sería posible llegar a lo determinado? Esta simplicidad de la materia no es de suyo sino un momento de la forma; por tanto, al tratar de sustraer la materia a la forma, se la establece, al mismo tiempo, como una determinación de la forma misma, lo que equivale a establecer también y al mismo tiempo lo otro.”

Se representa el principio primigenio, lo que en otra parte llama la forma, bajo el concepto de lo más pequeño que es, al mismo tiempo, lo más grande, de lo uno que es, al propio tiempo, todo; el universo es este uno en todo. En el universo, dice este pensador, el cuerpo no se distingue del punto, ni el centro de la periferia, lo finito no se diferencia de lo infinito ni lo más grande de lo más pequeño. Todo es, aquí, centro o, dicho en otros términos, el centro del universo se halla en todas partes y en todo. Los antiguos expresaban esto diciendo que el padre de los dioses moraba esencialmente en todos y cada uno de los puntos del universo.”

La unidad de lo contrapuesto es explicada de este modo: la diferencia entre las sombras no es nunca verdadera pugna o contradicción. En el mismo concepto se encierran y conocen los contrarios, lo bello y lo feo, lo conveniente y lo inconveniente, lo perfecto y lo imperfecto, lo bueno y lo malo. Lo imperfecto, lo malo, lo feo, no descansan sobre ideas especiales propias; a estos conceptos se los conoce en otros, y no en uno peculiar suyo, que no es nada. Pues este algo peculiar es el no-ser en el ser, el d-efecto en el efecto. La inteligencia primera es la primera luz; derrama su luz desde lo más recóndito hasta lo más externo y la luz vuelve a condensarse desde lo más externo en sí misma. Toda esencia puede captar, con arreglo a su capacidad, algo de esta luz.” “Esta luz pura de las cosas es precisamente su cognoscibilidad, que parte de la inteligencia primera y se orienta hacia ella; lo que no es no puede ser conocido.” “Por medio de la idea que vive en la inteligencia se comprenden siempre las cosas mejor que por medio de la forma de las cosas naturales en sí mismas, precisamente porque esto es lo más material: pero la más alta comprensión se logra por medio de la idea del objeto tal y como vive en la inteligencia divina.” “Ahora bien, el arte de Giordano Bruno consiste en determinar el esquema general de la forma que todo lo comprende bajo sí y en poner de manifiesto cómo sus momentos se expresan en las diferentes órbitas de la existencia.” “La unidad es lo que sirve de hilo de reducción; y Giordano Bruno, al distinguir el mundo natural y el mundo metafísico, trata de establecer el sistema de aquellas determinaciones para poner de manifiesto, al mismo tiempo, cómo se manifiesta aquí de un modo natural lo que de otro modo se revela como lo pensado.”

Este arte del pensamiento interior y de la organización exterior con arreglo a él, y viceversa, arte que el alma humana posee, es puesto por Giordano Bruno en estrecha relación con el arte de la naturaleza del universo y con la acción del principio absoluto del universo en general, con arreglo a lo cual todo se forma y se plasma: es una forma única que se desarrolla; es el mismo principio universal que se plasma en los metales, las plantas y los animales y que en el hombre piensa y organiza fuera de sí, aunque se exprese, en sus efectos, de modo infinitamente diverso en el universo todo. Por consiguiente, es uno y el mismo desarrollo de uno y el mismo principio el que se proyecta sobre el interior y el exterior.”

Hasta aquí todo va bien en conjunto; es la ejecución del mismo esquema en todas direcciones. Y no cabe duda de que es digno de los mayores respetos este intento de exponer el sistema lógico del artista interior, del pensamiento productivo, de tal modo que a él correspondan las formas de la naturaleza exterior. Pero, a pesar de todo, las determinaciones del pensamiento, aun siendo de indiscutible grandeza el modo de proceder de Giordano Bruno, no pierden aquí su carácter superficial, el carácter de tipos inertes, muertos, como el de los esquemas de la filosofía natural de los tiempos modernos, ya que este pensador se limita a enumerar los momentos y las contradicciones del esquema, como los filósofos de la naturaleza desarrollan en cada esfera, considerándola como algo absoluto, la tríada. Giordano Bruno junta al buen tuntún los momentos más determinados; y cuando trata de expresarlos por medio de figuras y clasificaciones, todo es confusión. Las 12 formas que le sirven de base no son formas derivadas y reducidas a unidad en un gran sistema único, ni aparece tampoco como algo derivado la multiplicación de las formas posteriores. Giordano Bruno escribió diversas obras acerca de esto (De sigillis), y la exposición que hace de este punto varía en todas ellas; las cosas se manifiestan en forma de letras y de signos que corresponden a un pensamiento.” O mesmo problema do rodopio sem achar a saída dos conceitos finais nietzschianos para Heidegger: eterno retorno, super-homem, transmutação de todos os valores, vontade de potência.

EM CIMA DO MURO: “Vanini, como antes de él hicieran ya Pomponacio y otros opone la razón a la fe y a la doctrina de la Iglesia. Sin embargo, al probar por medio de la razón tales o cuales dogmas contradictorios con la doctrina cristiana, hacían constantemente protestas —como, andando el tiempo, y ya entre los reformados, haría Bayle— de que sus convicciones estaban sometidas en un todo a lo que la Iglesia enseñaba; o bien aducían todos los fundamentos y argumentos en contra de los dogmas teológicos como otras tantas dificultades y refutaciones insolubles puestas por la razón y que ellos, por su parte, sometían también gustosos a los dictados de la fe. Bayle dice, por ejemplo, en su Dictionnaire crítico, donde pasa revista a muchas ideas filosóficas, bajo la voz «Maniqueos», que la afirmación de que existen 2 principios no puede ser refutada, pero que esta opinión debe ser sometida a la autoridad de la Iglesia.” Em que pese tal postura, Vanini morreu na fogueira.

Pero además la Iglesia, al proceder así, caía en la peregrina contradicción de condenar a Vanini porque, aun no encontrando las doctrinas eclesiásticas conformes a razón, se sometía a ellas; por donde parecía exigir, y lo hacía valer por la fuerza de las hogueras inquisitoriales, no que sus doctrinas estuviesen por encima de la razón, sino que fuesen conformes a ella y la razón no tuviese más tarea formal que el hacer comprensible el contenido de la teología. La irritabilidad de la Iglesia peca de inconsecuencia y la arrastra a profundas contradicciones. Empezó reconociendo, es verdad, que la razón era incapaz de captar la verdad revelada, siendo por tanto indiferente como tal razón y hallándose las objeciones que de ella partiesen expuestas a verse refutadas y pulverizadas por sí mismas. Pero al no admitir, a partir de un determinado momento, que la contradicción entre la razón y la fe fuese tomada en serio y al condenar, precisamente por ello, a Vanini por ateísmo, venía a reconocer implícitamente que la doctrina de la Iglesia no podía contradecir a la razón, pero exigiendo al mismo tiempo que la razón fuese sometida a la Iglesia.”

Quienes, desde los antiguos hasta Voltaire, están considerados como enemigos del cristianismo y como ateos, hacen hincapié especialmente en las representaciones de orden externo. El empeño en atenerse literalmente a ellas conduce sin remedio a toda una serie de contradicciones.”

Los profesores reales, por ejemplo, habían mantenido en un Collège una controversia con los teólogos de la Sorbona sobre si debía pronunciarse quidam, quisquis, quoniam, o kidam, kiskis, koniam, y esta polémica tomó un sesgo tan violento que dio lugar a un proceso ante el parlamento, porque los doctores habían decidido retirar sus prebendas a un clérigo por defender la pronunciación de quisquis.”

Por último, Ramus logró una cátedra pública, siendo designado profesor en París, pero en varias ocasiones tuvo que abandonar este puesto en la enseñanza, por ser hugonote, al producirse disturbios intestinos en el país en torno a la cuestión religiosa; una de las veces hubo de viajar por Alemania. En la Noche de San Bartolomé, en 1572, pereció también Ramus a manos de sus enemigos” Que tempos merdões…

Ramus despertó un interés vivísimo con sus ataques, sobre todo contra la dialéctica aristotélica anterior, y contribuyó mucho a simplificar el formalismo de las reglas dialécticas. Ganó gran fama sobre todo por haber combatido tenazmente la lógica escolástica, erigiendo frente a ella una lógica nueva: la lógica rameana; esta polémica tuvo tan grande y profunda repercusión, que hasta en las historias de la literatura alemana aparecen mencionados los partidos de los ramistas, los antirramistas y los semirramistas.”

Los esfuerzos de hombres [Montaigne, Charron, Maquiavel] como éstos pertenecen evidentemente al campo de la filosofía en la medida en que extraen sus pensamientos de su conciencia, del círculo de la experiencia humana, de la observación de lo que sucede en el mundo y en el corazón del hombre. Es una filosofía de la vida, en la que se captan y exponen estos resultados de la experiencia; y sus resultados son en parte entretenidos y en parte instructivos.” “Pero no hacen girar sus investigaciones en torno al gran problema que interesa a la filosofía, ni razonan a base del pensamiento: por eso no pueden ser incluidos propiamente en la historia de la filosofía, sino que pertenecen más bien al panorama de la cultura general y se mueven dentro del marco del sano sentido común.” “El hombre vuelve ahora a mirar a su corazón y hace valer una vez más las razones de él: la esencia de las relaciones entre el individuo y la esencia absoluta se ve centrada de nuevo en el corazón, en el entendimiento y en la fe del propio individuo. Y aunque el corazón del hombre se halle todavía dividido, esta división, este conflicto, este anhelo es ya un desdoblamiento del hombre mismo”

Otra consecuencia de ello es la abolición de las oraciones en una lengua extranjera y el cultivo de las ciencias mediante el vehículo de este idioma extraño. El hombre es un elemento productor, creador, en el lenguaje: es ésta la primera exterioridad de que el hombre se reviste, la más simple forma de la existencia de que cobra conciencia; lo que el hombre se representa se lo representa también interiormente como hablado. Pues bien, esta primera forma aparece como algo roto y extraño cuando el hombre se ve obligado a expresar o sentir en una lengua extraña lo que toca a su supremo interés.”

La orientación fundamental que trae consigo la Reforma es el momento abstracto del ser dentro de sí del espíritu, del ser libre, del adentrarse en sí mismo; precisamente esta libertad es la vida misma del espíritu que lo lleva a replegarse sobre sí, con su contenido determinado, que aparece como otra cosa, mientras que el espíritu carece de libertad cuando deja subsistir dentro de sí esta alteridad como algo extraño a él, bien como algo no-asimilado, bien como algo muerto.”

TERCERA PARTE:

LA FILOSOFÍA MODERNA

INTRODUCCIÓN

Es un prejuicio pensar que la Reforma sólo trajo como resultado el separar del seno de la Iglesia católica a una parte de los cristianos: Lutero contribuyó también, muy eficazmente, a la reforma de la Iglesia católica misma, cuya corrupción está patentizada por sus propios documentos y por los mensajes de los emperadores y el Imperio al papa” Difícil imaginar que mesmo no tempo de Hegel (muito depois da própria Reforma!) alguém ainda não soubesse disso…

El principio de la reconciliación interior del espíritu, que era ya en sí la idea del cristianismo, se alejaba, pues, de nuevo y aparecía ahora como un desgarrón exterior e irreconciliable: un ejemplo más de la lentitud con que el Espíritu del Mundo se sobrepone a esta exterioridad.”

Con la invención de la pólvora desaparece la lucha animada por la cólera individual.” HAHAHAA!

El hombre descubre América, sus tesoros y sus pueblos, descubre la naturaleza, se descubre a sí mismo; la navegación es, ahora, el romanticismo superior del comercio.” sus tesoros y sus pueblos… Interessante!

La Iglesia perdió así todo poder contra él, pues el principio de la Iglesia residía, en verdad, en el espíritu mismo, y no en la ausencia de éste.”

A Igreja perdeu assim todo o poder contra ele, pois o princípio da Igreja residia, na realidade, no espírito mesmo, e não em sua ausência.” Quando foi que comecei a ler um livro de HISTÓRIA DA RELIGIÃO mesmo?!?

El otro lado del problema es que lo eterno, que es verdadero en y para sí, sea también conocido y comprendido por el mismo corazón puro; el espíritu propio se apropia para sí lo eterno. Tal es la fe luterana, simple y escueta, sin el aditamento de las obras, como se las llamaba. Nada tiene valor sino dentro del corazón, y no como cosa.”

INTERIORIZAÇÃO DO NIILISMO: “Dios sólo reside, por tanto, en el espíritu, no en el más allá, sino en lo más propio y más recóndito del individuo.”

El pensamiento conquista así su independencia, con lo cual abandonamos su unidad con la teología; se separa de ésta, como ya entre los griegos se había separado de la mitología, de la religión popular, para buscar de nuevo estas formas al final, en la época alejandrina, tratando de llenar las ideas mitológicas con la forma del pensamiento. Pero permanece por ello el nexo en sí: la teología no es otra cosa que la filosofía, ya que ésta piensa sobre sus problemas.”

Por tanto, cuando el pensamiento se manifiesta como una fuerza propia e independiente, nos separamos de la teología; estudiaremos, sin embargo, una figura en la que la teología y la filosofía forman aún una unidad. Nos referimos a Jacob Böhme, en quien el espíritu, aun moviéndose en su terreno propio y privativo, se halla encuadrado en parte dentro del mundo finito y natural, y en parte dentro del mundo interior, que es primordialmente el mundo cristiano.”

La primera dirección, o sea el realismo, es la experiencia. Filosofar es aquí o tiene como determinación fundamental el pensar por cuenta propia para asimilarse lo presente, [AS COISAS] como aquello en que reside la verdad y en que puede, por tanto, llegar a ser conocida; todo lo especulativo se achata para ser reducido a experiencia. Este algo presente que sirve de pauta es la naturaleza existente, externa, y la actividad espiritual en cuanto mundo político y actividad subjetiva. El camino hacia la verdad, para esta filosofía, consiste en partir de esta premisa, pero sin detenerse en su realidad externa y aislada, sino remontándose a lo general. [A IDÉIA]” H. insinua que falará imparcialmente da corrente que lhe é oposta; em poucos parágrafos estará refutando toda esta modalidade do pensar.

AQUILO CONTRA QUEM STEPHEN HAWKING FALAVA, E NÃO <FILÓSOFOS> NO TERMO ATUAL (ele estava 300 anos defasado): “la ciencia de la naturaleza sólo llega hasta la fase de la reflexión. Esta senda de la física experimental se llamó y sigue llamándose todavía hoy filosofía, como nos lo revelan los Principia philosophiae naturalis de Newton” “lo que hoy llaman los franceses sciences exactes.” “Aquí no es la idea misma, en su infinitud, el objeto del conocimiento” “las leyes de Keplero” “En la filosofía escolástica, por el contrario, era como si al hombre le hubiesen sacado los ojos, y todo lo que en aquel tiempo se discutía acerca de la naturaleza partía de una serie de premisas abstrusas.” Mais detalhes dessa fase da evolução espiritual e epistemológica em https://seclusao.art.blog/2021/08/05/o-que-aristoteles-e-stephen-hawking-tem-em-comum-um-pouco-sobre-a-contenda-edipiana-fisica-x-metafisica-mal-entendidos-comuns-entre-uma-e-outra-do-ponto-de-vista-filosofico-passando-por-figuras-il/.

En segundo lugar, se observaba lo espiritual tal y como, en su realización, forma el mundo espiritual de los Estados, con el fin de inquirir así por la experiencia cuáles eran los derechos de unos individuos con respecto a otros y frente al príncipe, y cuáles los de unos Estados para con otros.” A ciência exato-política, por assim dizer.

Antes (…) lo que a los reyes les era lícito y lo que les estaba vedado se tomaba de la historia de Saúl y de David; los derechos y prerrogativas de los sacerdotes tenían como fuente la historia de Samuel; en una palabra, el Antiguo Testamento era la fuente de todos los principios del derecho público, y todavía hoy vemos cómo en todas las bulas de los papas se refuerzan con referencias al Antiguo Testamento los ordenamientos de la Iglesia.”

Fueron compuestos, de este modo, libros que todavía hoy se citan con cierta frecuencia en el parlamento inglés.”

A segunda direção, o idealismo, parte sempre do interior; para ele, tudo reside no pensamento e o espírito mesmo é todo o conteúdo.¹ Aqui se toma por objeto da filosofia a idéia mesma, isto é, trata-se de pensá-la, a fim de chegar, partindo dela, ao determinado. [AS COISAS] O que ali [no realismo] extrai-se da experiência, extrai-se aqui do pensamento a priori, ou bem capta-se também o determinado, só que não para reduzi-lo ao geral, senão que para <reduzi-lo> à IDÉIA.”

¹ Tem razão, Hegel: tudo sempre parte do interior: do pensamento! Até mesmo “o espírito” é uma criação do eu.

Grifos em laranja: H. deixa claro – realismo e idealismo não são dois rios ou duas vias de mão única. Não há simetria. O realismo certamente só pode confluir num sentido – do particular (dados imediatos, que não deixam por isso de ser mentais), pois são fenômenos, para AS IDÉIAS; e ainda assim não A IDÉIA, isto é, a mais elevada de todas, o ABSOLUTO. Para H., a investigação empírica só funciona para descobrir leis da física ou uma ou outra lei política ou princípio ou axioma do Direito. Mas o idealismo conflui nos dois sentidos, é muito mais perfeito. Pelo pensamento (o único) se acessam as coisas; pelas coisas – o particular – se chega ao geral, ao pensamento do absoluto (A IDÉIA). Em síntese, a experiência é limitada, embora seja humana e, de qualquer forma, melhor do que a abstração vácua (escolástica). Veja que há “geral” e “geral” em H.: gerais e gerais; uns são apenas conceitos (o limite do realismo), outros são apenas uma fase intermediária do idealismo. O geral está sempre em contraposição ao determinado, que é o fenômeno puro, poder-se-ia dizer, carente da generalização sistemática – mas tem-se de perguntar: em qual contexto? De qual geral se está falando? Sempre que se ler H. isto tem sua importância.

1.1. As coisas são sempre meio, nunca fim.

1.2. Os fins, se determinados pela experiência, são apenas meios para os fins absolutos ideais.

Sin embargo, ambas direcciones vienen a converger en un punto común, ya que también la experiencia, por su parte, se esfuerza por derivar de las observaciones, principios y leyes generales; y a su vez el pensamiento, partiendo de lo general abstracto, necesita darse un contenido determinado, por donde lo apriorístico y lo aposteriorístico no forman dos campos absolutamente deslindados. En Francia, logró imponerse más bien lo general abstracto; en Inglaterra prevaleció, por el contrario, en general, el criterio de la experiencia, que todavía hoy goza de gran predicamento en aquel país; Alemania, en cambio, tomó como punto de partida la idea concreta, el interior del hombre, pleno de ánimo y espíritu.” Nonsense. Hegel quer dizer que em seu país se está no melhor dos mundos; que em sua filosofia se está no verdadeiro. No mais verdadeiro que os outros verdadeiros. O difícil para Hegel é ir além do a priori kantiano, que é um tipo muito especial de a priori, mais elevado que o a priori francês, se podemos assim dizer. Aqui não é o lugar para tratar do criticismo kantiano, que é, efetivamente, a síntese correta, e antes mesmo de Hegel aparecer. Hegel tem de recorrer a um suposto Espírito do Mundo para pretender estar um grau acima de Kant em objetividade. Uma objetividade divina (em si!)! Alega que não só a representação mental, mas o mundo como matéria viva, o em si kantiano, não-partícipe da experiência, é sinônimo com sua representação mental, mas se, e somente se, souber-se “rastreá-lo”, “sentir seu cheiro”, que é o que ele faz em seu Historicismo. Isso, no entanto, é o vulgar e depreciativo de sua filosofia. O em si só pode ser em si enquanto for inessencial no sentido hegeliano, i.e., o que se chama a partir de Schopenhauer de vontade, e que a terminologia existencialista abandonará, mas continuará usando implicitamente. O que é inessencial não tem “agenda própria”, não tem fim em vista, teleologia, apenas é, com-o-homem.

Ahora bien, la conciliación buscada y que se cree poder lograr también en el reino del pensamiento es el interés general de la ciencia. Esa conciliación se realiza en sí, pues el saber se considera capacitado para llevar a cabo este conocimiento de la conciliación dentro de sí. Por tanto, los sistemas filosóficos no son otra cosa que otras tantas modalidades de esta unidad absoluta, de tal modo que sólo en la unidad concreta de aquellas contraposiciones reside la verdad.”

La segunda fase es la de la conciliación metafísica; y es realmente aquí donde, con Descartes, comienza la filosofía de la época moderna como pensamiento abstracto.”

Descartes resumido como SUSPENSÃO ACEITAÇÃO.

Pseudo-suspensão, já que depois todo o fenomênico é automaticamente aceito, pois provém de Deus em última instância, i.e., provém imediatamente de mim, da consciência pensante, e Deus não pode dotar meu intelecto de um erro ou de uma fraude metafísica.

E no entanto isto já é suficiente, para H., para adentrar-se a modernidade: “Y así se plantea el problema de cómo es o puede ser el pensamiento idéntico a lo objetivo. Con ello, se destaca por sí mismo y se convierte en objeto lo interior, lo que sirve de base a esta metafísica; estamos ya plenamente dentro de la moderna filosofía.” “ahora los pensadores viven en condiciones completamente distintas de aquellas en que vivieron los filósofos de los tiempos antiguos”

De aquí que en Grecia y en Roma los filósofos viviesen de un modo muy propio y peculiar, rodeándose en lo externo de aquel ambiente y de aquellas condiciones de vida que mejor cuadraban a su ciencia y que más dignas parecían de ella; procuraban mantenerse, como particulares, independientes y al margen de las relaciones de la vida social, y en tal sentido podría comparárselos a los monjes, que renuncian a los bienes temporales.

En la Edad Media, la filosofía corre principalmente a cargo de clérigos y doctores en teología. En el período de transición, los filósofos libran una dura lucha interior consigo mismos y luchan exteriormente contra las circunstancias, debatiéndose en la vida en medio de grandes y agitadas vicisitudes.

Muy distinto es el panorama de la época moderna, donde no nos encontramos ya con individuos-filósofos que formen una clase aparte. Las murallas que los separaban del resto de la sociedad han caído por tierra; los filósofos ahora no son monjes, sino que viven dentro del mundo, asociados a él, y tomando parte, de un modo o de otro, en las actividades comunes. Viven sujetos a las condiciones de la vida civil, ocupando puestos o desempeñando cargos públicos; y cuando son simples particulares, su posición no los aísla tampoco del resto de la sociedad. Viven entregados al presente, al mundo, entrelazados con la marcha y el desarrollo de éste, y sólo se dedican a la filosofía por añadidura, como un lujo y una superabundancia.” Silêncio, pois Hegel está descobrindo as condições do modo de produção capitalista! Não há poços destapados no meio da cidade onde possamos tropeçar e cair por acidente…

En efecto, en la época moderna vemos cómo, al reconciliarse el principio mundanal consigo mismo, se aquieta y encauza dentro del orden el mundo exterior: las relaciones mundanales, las clases y los estamentos, las maneras de vivir, se constituyen y organizan de un modo natural y racional. Va formándose una cohesión general e inteligente, con lo cual también la individualidad adquiere una posición distinta dentro de la sociedad, perdiendo aquella vigorosa personalidad plástica de los antiguos.” É tudo uma máquina sorridente e animada após Lutero ter traduzido a Bíblia, correto? Durkheim seria a apoteose e fim dessa maneira de pensar.

Debido a que el poder objetivo de las circunstancias es inmenso y, por ello mismo, la modalidad necesaria —según la cual soy en ellas— se ha convertido en algo indiferente para mí, por ello también se convierte en indiferente la personalidad y la vida individual.” “El mundo moderno es este poder esencial de la cohesión y, dentro de él, es sencillamente necesario para el individuo formar parte de esa cohesión general, en lo que a la vida exterior se refiere; hoy los hombres sólo pueden vivir en común dentro de su sociedad y de su clase, y la única excepción a esta regla la tenemos en Spinoza.”

La clase de los filósofos no se halla aún organizada, como la de los monjes. Los dedicados a la enseñanza y a la vida universitaria lo están ya un poco; pero incluso esta clase se ve obligada a hundirse en las normas cotidianas de las relaciones sociales, ya que la entrada en ella es algo regulado exteriormente. Lo esencial es que el filósofo se mantenga fiel a su fin.”

SECCIÓN PRIMERA:

SE ANUNCIA LA FILOSOFÍA MODERNA

Los 2 primeros filósofos que hemos de considerar aquí son [o segundo e mais relevante] Bacon, y Böhme, dos individualidades tan absolutamente dispares como lo son sus filosofías.”

Bacon (…) a quien suele citarse, por ello mismo, como el caudillo de toda esa filosofía de la experiencia con cuyas frasecillas se gusta todavía hoy de adornar cierta clase de obras.” Hahaha!

La filosofía baconiana es, pues, en términos generales, una especie de filosofía basada en la observación de la naturaleza exterior y espiritual del hombre, de sus inclinaciones, sus apetitos y sus determinaciones jurídicas y racionales; partiendo de aquí, se llega a conclusiones y se descubre o se trata de descubrir las ideas y las leyes generales que rigen en este campo de problemas. Bacon dio completamente de lado a la filosofía escolástica, la repudió como enemigo que era de razonar a base de abstracciones completamente remotas, cerrando en cambio los ojos a lo que se tiene delante de los ojos. Su punto de vista es el de los fenómenos revelados por los sentidos, [y no por la Iglesia!] tal y como se aparecen ante el hombre culto y cómo éste reflexiona en torno a ellos; punto de vista conforme al principio de aceptar lo temporal y lo finito como tal.”

a la edad aproximada de 19 años escribió una obra acerca del estado de Europa (De statu Europae). Se unió en su juventud al conde de Essex, favorito de la reina Isabel, gracias a cuya protección pronto mejoró de situación material —hay que tener en cuenta que, como segundón que era, no se había beneficiado en lo más mínimo con el patrimonio paterno, el cual correspondía íntegro al primogénito—, haciendo grandes y rápidos progresos.” “se le acusa, en efecto, de haberse dejado seducir por los enemigos de Essex para acusarlo públicamente de alta traición cuando el favorito cayó en desgracia.” “Y, aun ocupando puestos tan altos y de tan gran responsabilidad, no tenía inconveniente en entregarse a la intriga y en incurrir en actos de la más burda venalidad. Esto hizo que atrajese sobre sí él descontento del pueblo y de los grandes, hasta que, al cabo, fue acusado judicialmente, viéndose su proceso ante el parlamento. Fue condenado a pagar una multa de 4000 libras esterlinas y encarcelado en la Torre de Londres, su nombre fue borrado de la lista de los pares. Durante el proceso y su encarcelamiento, dio pruebas de una increíble debilidad de carácter.” História já muito conhecida. Mas é interessante ‘relê-la’ sob novos olhos (os de H.).

No tardó, sin embargo, en ser excarcelado, dándose por anulado su proceso, gracias al odio todavía mayor que existía contra el rey y contra el ministerio de Buckingham, bajo cuyo gobierno había desempeñado aquellos cargos y por creérsele víctima de él, ya que tuvo la suerte de que el gobierno del duque cayese antes y de que su jefe se viese abandonado y perseguido por quienes, siendo gobernante, le secundaran. Fue, pues, esta circunstancia —la de que sus perseguidores se hiciesen odiar por su labor de gobernantes tanto como él— la que más que su propia inocencia contribuyó a atenuar un poco el desprecio y el odio concitados contra Bacon.” “Durante el resto de su vida no salió ya de la oscuridad y de la miseria, viéndose obligado a mendigar del rey algún socorro y dedicando el resto de sus días al cultivo de las ciencias, hasta que murió en el año 1626. (Buhle; Brucker)

El nombre de Bacon es ensalzado siempre como el del pensador que descubrió en la experiencia la verdadera fuente del conocimiento, y no puede negarse que es, en rigor, el guía y el representante más caracterizado de lo que en Inglaterra se llama filosofía, una filosofía a la que los ingleses no aciertan a sobreponerse. Parecen ser, en Europa, a la verdad, el pueblo que vive entregado por entero al entendimiento de la realidad, como los tenderos y los artesanos viven entregados, dentro del Estado, a cuanto se refiere a la materia, y lo que les guía y gobierna es el tomar como objeto de sus pensamientos la realidad y no la razón.

Bacon realizó, sin duda alguna, una obra muy meritoria al señalar cómo es necesario tener en cuenta los fenómenos naturales exteriores e interiores; pero su nombre aparece rodeado de mayor fama que la que sus méritos inmediatos permiten reconocerle. La época misma y la manera de razonar de los ingleses revelan la tendencia general a partir de hechos y a juzgar con arreglo a ellos; y como realmente fue Bacon quien proclamó esta dirección y como, además, hace falta siempre un guía y un fundador a quien poner al frente de una manera, se le coloca en este puesto, como si, en efecto, hubiese encauzado él el conocimiento por estos derroteros de la filosofía experimental.”

Con toda la corrupción de su carácter, era un hombre de espíritu y de gran sagacidad, indudablemente, pero no poseía la capacidad necesaria para razonar con arreglo a pensamientos generales y a conceptos. No encontramos en él una consideración metódica y científica de los problemas, sino solamente los razonamientos exteriores propios de un hombre de mundo como Bacon era. El conocimiento del mundo lo poseía innegablemente en el más alto grado”

«Emite casi siempre sus juicios ex cathedra; y cuando intenta explicarlos, recurre más bien a metáforas, a ilustraciones y a agudas comparaciones que a una argumentación directa y adecuada. El razonamiento general es una de las condiciones esenciales de toda filosofía; pues bien, la ausencia de esta cualidad es sorprendente en las obras de Bacon.» The Quarterly Review, 1817

Limítase a examinar el presente y a hacer consideraciones en torno a él, a poner de relieve y dejar prevalecer los fenómenos de la realidad; contempla con los ojos bien abiertos lo existente, concentrando en ello la mirada como en lo primordial y honrando y reconociendo, por encima de todo, esta manera de ver el mundo.” “Y es en realidad este aspecto metódico de sus consideraciones lo único que hace de Bacon una figura relevante y digna de figurar en la historia de las ciencias y de la filosofía; este principio del conocimiento metódico fue, al mismo tiempo, el que le valió la gran influencia que llegó a tener en su época, haciendo que las gentes se fijasen en los defectos de que las ciencias adolecían, tanto en cuanto a su método como en cuanto a su contenido.” “Y no cabe duda de que la época moderna tiene el gran mérito de haber estimulado o creado este conocimiento, pues lo que los antiguos sabían y decían acerca de esto no puede ser más pobre.”

Es cierto que cuando se trata de una ciencia acabada, la idea debe partir de sí misma, pues la ciencia como tal no puede arrancar nunca de lo empírico. Pero, para que la ciencia llegue a existir, hace falta el tránsito de lo individual y lo particular a lo general, una actividad que se proyecte sobre la materia empírica dada y reaccione contra ella y la transforme. El postulado del conocimiento a priori, como si la idea construyese a partir de sí misma, sólo es por tanto un reconstruir, ni más ni menos que la sensibilidad lo hace en la religión en general. Sin el desarrollo de las ciencias de la experiencia jamás habría podido la filosofía llegar más allá de donde había llegado entre los antiguos. La totalidad de la idea de por sí es la ciencia acabada; lo otro es el comienzo, la marcha de su nacimiento.”

Para que pudiese existir, por ejemplo, la historia de la filosofía de los tiempos modernos era necesario que existiese, entre otras cosas, la historia de la filosofía en general, la trayectoria de la filosofía a lo largo de tantos miles de años; el espíritu hubo de recorrer este largo camino para estar en condiciones de poder producir aquella filosofía. En la conciencia, adopta la posición de rechazar o destruir este largo puente que hay detrás de ella, como si se desenvolviese libremente en su éter, sin encontrar la menor resistencia dentro de este medio; pero otra cosa muy distinta es obtener este éter y este desenvolvimiento en él. No debemos perder de vista, en modo alguno, que la filosofía jamás habría llegado a existir sin esta trayectoria anterior; pues el espíritu es esencialmente la elaboración como de algo distinto.” Não tem nada a ver com o espírito, mas H. não deixa de ter razão.

Bacon hízose famoso con 2 obras. Su mérito principal consiste, primeramente, en haber construido en su obra De augmentis scientiarum una enciclopedia sistemática de las ciencias, intento este que necesariamente tenía que causar gran sensación entre las gentes de su tiempo. No deja de tener su importancia, y grande, el tener ante la vista este panorama sistemático, ordenado, del conjunto de las ciencias, en que nadie, hasta entonces, había pensado.”

Bacon clasifica las ciencias con arreglo a las facultades de la memoria, de la fantasía y de la razón, distinguiendo estas 3 clases de materias” Poesia e arte são ciências fantasiosas. Quão bizarro isso nos soa hoje.

Estas divisiones, siguiendo el método favorito de la época, se subdividen a su vez, lo que le permite a Bacon incluir en su clasificación todas las demás ciencias, pero hay que reconocer que sus resultados distan mucho de ser satisfactorios. Forman parte de la historia, según él, las obras de Dios, o sean la historia sagrada, la profética y la eclesiástica; las obras de los hombres, que incluyen la historia en general y la historia de la literatura; las obras de la naturaleza, etc.”

En la Cosmética, al hablar de los afeites, dice: «Es, en verdad, extraño que las leyes civiles y eclesiásticas hayan tardado tanto tiempo en prestar atención a esos malos hábitos de los cosméticos; en la Biblia leemos que Jezabel usaba afeites, pero no así Ester ni Judit».”

Pero, en realidad, la clasificación de las ciencias es lo menos importante en la obra De augmentis scientiarum. Lo que da su valor a esta obra y le asegura el éxito es la crítica y la profusión de observaciones instructivas, cosa que tanto se echaba de menos por aquel entonces en los diversos géneros de conocimientos y disciplinas, sobre todo en lo tocante al problema de saber hasta qué punto debía considerarse vicioso e ineficaz el método que venía empleándose y en el que los conceptos escolástico-aristotélicos eran urdidos por el entendimiento como si se tratase de realidades.”

El segundo aspecto que caracteriza la filosofía de Bacon es que, en su segunda obra, en su Organon, trata de desarrollar prolijamente un nuevo método acerca del saber; y es esto precisamente lo que con mayor frecuencia se invoca, todavía hoy, en apoyo de su fama. Bacon se manifiesta polémicamente en contra del método escolástico hasta entonces imperante y que consistía en saber deduciendo, es decir, contra las formas silogísticas. Llama a este método anticipationes naturae, pues consiste, nos dice, en arrancar de supuestos, definiciones y conceptos hipotéticos, es decir, de abstracciones escolásticas y en seguir razonando a partir de ahí, sin fijarse para nada en lo que sucede en la realidad.”

«La dialéctica en nada ayuda al descubrimiento de las artes; muchas artes han sido descubiertas por obra del azar.»

Contra este método deductivo polemiza calurosamente Bacon, pero no contra el método en general, es decir, no contra el concepto del mismo (concepto que Bacon no posee), sino contra el modo como se manejaba, contra aquella clase de deducciones escolásticas que procedían tomando como base un contenido hipotético.”

En realidad, aunque no lo supiese ni se diese cuenta de ello, Bacon empujaba hacia esta confusión en cuanto al contenido. Pues, aunque en rigor rechazase la deducción de un modo general y sólo admitiese las conclusiones inductivas, no cabe duda de que él mismo incurre, inconscientemente, en deducciones. En parte, todos aquellos héroes de la experiencia que siguiendo a Bacon han puesto en práctica sus postulados y que creen llegar al conocimiento puro de la cosa por la vía de la observación, el experimento y la experiencia, lo que hacen es proceder sin ninguna clase de conclusiones ni conceptos, comprendiendo y concluyendo tanto peor cuanto más creen no tener nada que ver con los conceptos, y, además, no se remontan nunca del plano de la inducción hasta el conocimiento inmanente y verdadero. Por tanto, cuando Bacon contrapone la inducción al silogismo formula una contraposición puramente formal; toda inducción es, al mismo tiempo, una deducción, cosa que ya sabía también Aristóteles.” Toda observação é ideológica. Mas é possível construir novas ideologias mediante observações.

O “AVÔ” DA FENOMENOLOGIA: “Este momento del ahora y el aquí es el que se revela así, en general, a la conciencia de sí. Pero las experiencias, los experimentos, las observaciones no saben lo que en realidad hacen, no saben que el único interés que se toman por las cosas es precisamente la certeza inconsciente interior de la razón de encontrarse en la realidad misma; y las observaciones y los experimentos tienden, en efecto, cuando están certeramente orientados, a la conclusión de que lo único objetivo es el concepto. A los experimentos se les escapa de entre las manos lo particular sensible y se convierte en algo general; el ejemplo más conocido es el de la electricidad positiva y negativa, en cuanto que es eso: positiva y negativa.” Nem sei do que ele está falando (eletricidade + ou -). Provavelmente da escolha arbitrária do vetor, pois obviamente a natureza em si não depõe e positividade ou negatividade de algo, a não ser pelo nada!

El otro defecto formal en que incurren todos los empíricos consiste en creer que se atienen exclusivamente a la experiencia; no se dan cuenta de que, al asimilarse estas percepciones, entran ya en el campo de la metafísica. El hombre nunca permanece, ni puede permanecer aunque quiera, en el campo de lo particular. Busca siempre lo general, y lo general son siempre los pensamientos, aunque éstos no sean conceptos.” “la fuerza es algo general, no perceptible; los empíricos se entregan a estas determinaciones sin el menor atisbo de crítica, de un modo inconsciente.”

Y en su Historia natural ofrece recetas en toda forma para fabricar oro y realizar muchos milagros.” Hahaha! Tinha que aprender com Plínio!

Como vemos, Bacon no se sitúa aún, ni mucho menos, en el punto de vista racional de la investigación de la naturaleza, sino que se deja llevar todavía por las más burdas supersticiones, por una falsa magia, etc. Todo esto aparece expuesto, en conjunto, de un modo intelectivo, con lo cual se mantiene dentro del marco de las ideas de su tiempo.”

«Es inútil investigar las causas finales; esta investigación es incluso perjudicial para las ciencias y sólo tiene interés en el campo de la moral.»

Bacon está en lo cierto al oponerse a esta investigación basada en causas finales, cuando se trata de finalidades puramente externas, y el propio Kant distingue, con mucha razón, esas finalidades externas de las internas.”

Quien actúa en nombre de la colectividad, del Estado, un general por ejemplo, en caso de guerra, no tiene por qué respetar al individuo como tal, sino que éste, aun siendo un fin en sí, es para estos efectos un fin puramente relativo. Es este fin en sí, no como algo exclusivo y contrapuesto a todo lo demás, sino solamente en cuanto su esencia es el concepto general.”

Cuando estudiemos la filosofía de Locke, tendremos ocasión de referirnos de nuevo a este método empírico de los ingleses.”

Este Jacob Böhme había caído en el olvido desde hacía mucho tiempo y pasaba por ser, cuando de él se hablaba, un pietista fanático y soñador; su público fue reduciéndose por obra, sobre todo, de la Ilustración. Leibniz le tenía todavía en alta estima; pero es sobre todo en estos últimos tiempos cuando vuelve a reconocerse toda su profundidad y a enaltecerse la obra de este pensador. No cabe duda de que no era merecedor de aquel desprecio en que se le llegó a tener, pero tampoco creemos que merezca tantos honores como se le han querido tributar.”

Desde este punto de vista, hay que reconocer que Böhme, como filósofo, es un perfecto bárbaro; trátase, sin embargo, de un hombre que, con toda su tosquedad de exposición, posee un corazón concreto y profundo. Lo malo es que por no tener un método ni seguir un orden resulta difícil llegar a formarse una idea clara de su filosofía.”

en su libro De signatura rerum se aclara y contiene bastante bien esta impresión [prostrações extáticas de vários dias, ou ver objetos reluzentes, ou a própria luz, de forma intensa e inexplicável] grabada en él”

Sus obras son muy solicitadas por los holandeses, razón por la cual la mayoría de sus ediciones aparecieron en Amsterdam, habiendo sido reimpresas en Hamburgo. Su primer escrito es la Aurora, al que siguen muchos otros; el titulado De los tres principios y otro que lleva por título De la triple vida del hombre figuran entre los más notables. Böhme era un lector infatigable de la Biblia. No sabemos de otras lecturas suyas. Pero gran cantidad de pasajes de sus obras revelan que leía mucho, principalmente, sin duda alguna, obras de mística, de teosofía y de alquimia, entre las que podemos estar seguros de que figurarían las de Teofrasto Paracelso Bombast von Hohenheim, filósofo de parecido calibre, aunque más confuso que Böhme y sin la profundidad de espíritu de éste.” Vai me desculpar, H., mas Giordano Bruno é muito mais moderno que esse Böhme – isso foi xenofobia sua!

Pero como Böhme no posee el concepto y se halla tan rezagado en cuanto a la formación del espíritu, resulta que esto se traduce en una espantosa y angustiosa batalla de su ánimo y de su conciencia con el lenguaje; y el contenido de esta batalla es la más profunda idea de Dios, que se esfuerza por unir y enlazar las más absolutas contradicciones, pero no por unirlas y enlazarlas para la razón pensante.” Dá a impressão de ser o Kierkegaard do pré-hegelianismo, como Kierk. foi o Böhme do pós-hegel..

Así como Próspero, en el drama de Shakespeare —en La Tormenta—, amenaza a Ariel con hendir un nudoso roble y aprisionarle en él por mil años, así el gran espíritu de Böhme se halla aprisionado en el duro y nudoso roble de lo sensible, en la dura prisión de las representaciones, sin poder alcanzar la libre exposición de la idea.”

nos equivocaríamos en nuestro trabajo si tratáramos de encontrar en Böhme, a todo trance, un desarrollo consecuente de sus ideas, sobre todo en tanto que trascienden.” Os loucos também podem figurar na história da filosofia, por que não?

Con el tormento, trata Böhme de expresar lo absoluto, es decir, justo la negatividad consciente de sí y sentida, lo negativo referente a sí mismo, que es, por ello, afirmación absoluta. En torno a este punto giran, en efecto, todo el esfuerzo y toda la preocupación de Böhme”

Trátase evidentemente tan sólo de una tergiversación muy propia de zapatero de portal del nombre sal nitri, salitre (que en austríaco aún se sigue llamando hoy «salnitre»), es decir, sal neutra, la esencia neutral y verdaderamente general.”

SECCIÓN SEGUNDA:

EL PERÍODO DEL ENTENDIMIENTO PENSANTE

Esta seção será desproporcional, respondendo por de 40 a 50% de todo o conteúdo de relevo deste volume; portanto, bastante mais extensa que qualquer outra seção de capítulo do livro III.

Con Cartesio entramos, en rigor, desde la escuela neoplatónica y lo que guarda relación con ella, en una filosofía propia e independiente, que sabe que procede sustantivamente de la razón y que la conciencia de sí es un momento esencial de la verdad.”

Aquí, ya podemos (…) gritar, al fin (…) ¡tierra!”

El alemán, sobre todo, cuanto más servil en un sentido más desenfrenado se muestra en otro; la limitación y la falta de medida, el afán de la originalidad, es el ángel satánico que nos azota con sus alas.” Bela caracterização do nazismo!

Este recomenzar de la filosofía, en esta época, explica por qué las viejas historias de la filosofía del siglo XVII, la de Stanley por ejemplo, sólo tratan de la filosofía de los griegos y los romanos, terminando con el advenimiento del cristianismo, como si para ellas no existiese, a partir de entonces, ninguna filosofía, por considerarla, en realidad, innecesaria, ya que la teología filosófica de la Edad Media no tenía como principio el pensamiento libre, que parte de sí mismo.”

Este [primer] período nos revela como principales figuras a Descartes y Spinoza y, al lado de ellas, las de Malebranche, Locke, Leibniz y Wolff. La otra forma es la del escepticismo y el criticismo contra el entendimiento pensante [esse suposto primeiro período moderno], contra la metafísica como tal y contra lo que hay de general en el empirismo: al llegar aquí, examinaremos las modalidades de estas corrientes filosóficas entre los escoceses, los alemanes y los franceses; los materialistas franceses retornan, más tarde, a la metafísica.”

Lo primero es la metafísica espontánea, pero también exenta de crítica: Descartes y Spinoza, que implantan la unidad del ser y el pensar. Lo segundo es Locke, quien trata de la contraposición misma, considerando la idea metafísica de la experiencia (…) La mónada de Leibniz, es, en tercer lugar, la totalidad de la concepción del mundo.”

La filosofía spinozista, en segundo lugar, se comporta con respecto a la filosofía de Cartesio solamente como si se tratase de su consecuente desarrollo; el método es lo fundamental. Una forma que aparece al lado del spinozismo y que constituye también un desarrollo completo del cartesianismo es, en tercer lugar, el modo como Malebranche se representa esta filosofía.”

René Descartes es un héroe del pensamiento, que aborda de nuevo la empresa desde el principio y reconstruye la filosofía sobre los cimientos puestos ahora de nuevo al descubierto al cabo de mil años.” Exagero da porra!

su importancia estriba principalmente en haber sabido exponer su pensamiento de un modo simple y sencillo y, al mismo tiempo, popular, relegando a segundo plano toda premisa del pensamiento popular mismo, partiendo de tesis completamente simples y reduciendo el contenido a los pensamientos o a la extensión y el ser, con lo que, en cierto modo, enfrenta el pensamiento con esta su antítesis. Este pensamiento simple se presenta bajo la forma del entendimiento determinado y claro, razón por la cual no se le puede llamar un pensamiento especulativo, una razón especulativa. Cartesio parte de determinaciones fijas, firmes, pero solamente del pensamiento; es la manera de su tiempo. Lo que los franceses llaman ciencias exactas, ciencias del entendimiento determinado, tiene justo en esta época su punto de partida. La filosofía y la ciencia exacta no se hallan separadas todavía; la separación de una y otra habrá de producirse más tarde.”

poco después, en 1619, el primero de la guerra de los Treinta años, entró como voluntario en las tropas bávaras y tomó parte en varias campañas bajo el mando de Tilly. Muchos hombres abrazaron la carrera de soldado por no encontrar satisfacción en el cultivo de las ciencias; pero éste entró en la profesión de las armas, no por desamor a las ciencias, sino porque las amaba demasiado y las tenía en muy alta estima.” ¿??

Estuvo también en la batalla de Praga, en la que Federico, el del Palatinado, perdió la corona de Bohemia. Nuestro filósofo, a quien no podía agradar el espectáculo de aquellas salvajes escenas, abandonó en 1621 el servicio militar, emprendiendo varios viajes por el territorio del resto de Alemania primero, y luego por Polonia, Prusia, Suiza, Italia y Francia. Después se retiró a Holanda, a donde lo invitaba la gran libertad de que gozaba este país, decidido a llevar a cabo allí sus designios; en Holanda vivió pacíficamente desde 1629 a 1644, período durante el cual compuso y editó la mayoría de sus obras, defendiéndolas contra los repetidos ataques desencadenados contra ellas, principalmente por parte del clero. Por último, la reina Cristina de Suecia lo llamó a su corte de Estocolmo, que era el centro de reunión de los más famosos eruditos de la época; y allí murió Descartes en el año 1650. (Brucker; Tennemann)”

Entre sus obras filosóficas, aquellas que contienen los fundamentos se distinguen, sobre todo, por un rasgo muy popular en su modo de exponer, que las hace muy gratas y recomendables a quien se inicia en el estudio. Este filósofo procede, en ellas, al abordar los problemas, de un modo muy sencillo e infantil, como si fuese narrando sus pensamientos uno detrás de otro, sin complicación alguna. El profesor Cousin de París ha reeditado recientemente las obras de Cartesio, en una colección de 11 volúmenes en octavo; la mayoría de ellos los ocupan las cartas sobre temas y problemas de física.”

Entre sus descubrimientos se cuentan varios métodos fundamentales gracias a los cuales pudieron obtenerse más tarde brillantísimos resultados en las matemáticas superiores.” Outra superestimação // o desenvolvimento paralelo das matemáticas por outros autores dessa época foi bem intenso.

“…Como tampoco tienen ningún interés para nosotros sus aplicaciones de la metafísica a ciertos problemas eclesiásticos, a determinadas investigaciones especiales, etc.”

en la filosofía de Descartes hay que distinguir entre lo que tiene un interés general para nosotros y lo que no lo tiene: lo primero es la trayectoria de sus pensamientos mismos; lo segundo, el modo como estos pensamientos se formulan y derivan. No debemos, sin embargo, considerar la trayectoria del pensamiento cartesiano como un método consecuentemente probatorio; trátase evidentemente de un profundo desarrollo interior, pero que se manifiesta de un modo ingenuo. (…) poco es lo que en conjunto cabe decir acerca de su filosofía.”

Descartes hace, pues, de este levantamiento de todas las determinaciones mismas el postulado primordial de la filosofía. Sin embargo, esta primeva tesis cartesiana no encierra, ni mucho menos, el sentido del escepticismo, el cual no persigue otra meta que la duda misma, el detenerse en esta actitud de indecisión del espíritu, por creer que éste encuentra en ello su libertad.”

los sentidos nos engañan frecuentemente, y la prudencia nos aconseja no confiar en aquello que nos haya engañado siquiera sea una sola vez (…) y al que duda no se le revela ninguna señal, ningún indicio que le permita distinguir con seguridad la vigilia del sueño.” O segundo é anacrônico.

Y esto nos lleva a dudar de todo lo demás, incluso de los axiomas matemáticos”

Descartes busca algo cierto y verdadero en sí, algo que no sea simplemente verdadero, a la manera como lo es el objeto de la fe sin saber, ni sea tampoco esa certeza sensible y también escéptica carente de verdad. Toda la filosofía anterior a Descartes llevaba la tara de presuponer algo como verdadero y, en parte, como ocurría con la filosofía neoplatónica, con la de atribuir la forma de la ciencia no a su esencia misma, o la de no analizar los elementos de ella.”

sería contradictorio pensar que no existe aquello que piensa.” Principia philosophiae, parte I, §§ 7 s.

Descartes arranca, como hará más tarde Fichte, del Yo como lo sencillamente cierto; yo sé que algo se representa en mí. Con ello, la filosofía entra de golpe en un campo totalmente nuevo y se sitúa en un punto de vista completamente distinto, pues se desplaza a la esfera de la subjetividad. Se abandona la premisa de la religión y se busca solamente la prueba, y no el contenido absoluto, el cual desaparece ante la subjetividad abstractamente infinita.” “la existencia de un determinado contenido es justo aquello de que debe dudarse, pues no existe nada firme.”

En esta tesis se ve, de una parte, un silogismo, como si del pensamiento se dedujese el ser. Kant razona, en especial, contra este mecanismo silogístico, alegando que en el pensamiento no se contiene el ser, pues éste es algo distinto del pensar. Y esto es cierto, pero no lo es menos que ambos son inseparables, es decir, que existe entre ellos, a pesar de todo, una identidad; su unidad no es destruida ni menoscabada por su diversidad.” “El propio Descartes lo dice: «No es en modo alguno un silogismo, pues para ello tendría que formularse así la premisa mayor: todo lo que piensa existe», después de lo cual vendría la subsunción en la menor, como conclusión: «luego yo existo». Con ello se levantaría justo la inmediatidad que la proposición lleva consigo.”

Para que haya un silogismo tiene que haber 3 términos; aquí, concretamente, tendría que haber un 3º que sirviese de mediador, de eslabón entre el pensar y el ser; pero este 3º término no existe. El «luego» o «por tanto» que enlaza ambos lados no es el «luego» o el «por tanto» de un silogismo; la conexión entre el ser y el pensar se establece sólo de un modo inmediato. Esta certeza es, por consiguiente, el prius; todas las demás proposiciones vienen después.” penso existo – um pleonasmo, redundância, tautologia, auto-referência e nada mais. Não no sentido de deboche do que é. A auto-referência por excelência, além do mais. O “ponto zero” do plano cartesiano, de onde parte todo o pensamento metafísico moderno.

en el ser no hay que representarse tampoco, ni mucho menos, un contenido concreto; por donde es la misma identidad inmediata la que constituye también el pensamiento. (…) la inmediatidad es una determinación unilateral; el pensamiento no contiene esta determinación solamente, sino también la de servir de mediador consigo mismo: la inmediatidad existe precisamente por el hecho de que el mediar es, al mismo tiempo, levantar la mediación.” eu penso eu existo; (eu) (eu); yo = yo; a rigor, não existe sequer o “”, elemento relacional, que designa ou conota MEDIAÇÃO, já que é uma Imediação. penso-existo. ser-pensamento. É o principio de individuação de Aristóteles em seu grau máximo formulado da forma mais sintética. Esta imediação não contempla, ainda, o inconsciente enquanto tal (é o ser no aqui e agora, mas não o Ser total).

Por tanto, Descartes no se preocupa de seguir demostrando esta identidad del ser y el pensar, que constituye sin disputa la idea más interesante de los tiempos modernos, sino que se remite única y exclusivamente a la conciencia y la coloca momentáneamente a la cabeza. Y es que Descartes no siente todavía, en modo alguno, la necesidad de desarrollar las diferencias contenidas en el «yo pienso»; será Fichte quien, andando el tiempo, proceda a derivar todas las determinaciones partiendo de esta cúspide de la certeza absoluta.” Mas suas derivações são totalmente inúteis.

Contra Descartes se han alegado también otras proposiciones. Gassendi, por ejemplo, formula esta objeción: Ludificor, ergo sum: Soy juguete de mi conciencia, luego existo; en realidad: luego, soy juguete de mi conciencia. Y el propio Descartes comprende perfectamente que esta objeción merece ser tenida en cuenta; pero la refuta él mismo, diciendo que sólo debe hacerse hincapié en el Yo, no en el resto del contenido. Sólo el ser es idéntico al pensamiento puro, no el contenido del ser, sea el que fuere.” Gassendi é bobo. Trata-se de solipsismo ingênuo de sua parte.

como con frecuencia sucede en sueños, puedo creer que veo o que me paseo a pesar de que no abro siquiera los ojos ni me muevo del sitio” A rigor, pensa-se no sonho, o que enfraquece o discurso cartesiano. Ainda que em simulacro, há uma certeza na representação onírica de que se pensa, pois apesar de não ser em vigília o ato é efetivamente levado a cabo, idêntico ao pensar.

Decir «en sueños» es una modalidad de razonamiento empírico; por lo demás, nada hay que objetar contra esta argumentación. En el querer, ver, oír, etc., va implícito también el pensamiento; sería absurdo creer que el alma guarda, por decirlo así, la facultad de pensar en un bolsillo especial y la de ver, querer, etc., en otro. Sin embargo, cuando digo: veo, me paseo, en ello va implícito de una parte, mi conciencia, el Yo y, por tanto, el pensamiento; pero, por otra parte, va también implícito en ello el querer, el ver, el oír, el pasear y, con ello, por tanto, una modificación ulterior del contenido. Y precisamente esta modificación es la que me impide afirmar: Me paseo, luego existo; pues puedo abstraerme de la tal modificación, puesto que no es ya el pensamiento general. Hay que mirar, pues, solamente a la conciencia pura contenida en este Yo concreto. Sólo cuando destaco que existo en ella como un ser pensante, sólo entonces tengo delante el ser puro, pues el ser sólo va unido a lo general.”

Puedo dudar de todo lo demás, de la existencia de las cosas físicas, de mi propio cuerpo; o bien, esta certeza no lleva en sí misma la nota de lo inmediato. Pues el yo es precisamente la certeza misma, que en lo demás es solamente predicado; mi cuerpo es cierto para mí, pero no es la certeza misma.” “Lo real, dice, es una sustancia, y el alma la sustancia pensante”

«Ahora bien, la evidencia de todo se basa en que lo veamos tan claro y tan nítido como aquella certeza misma, y en que, por tanto, de tal modo dependa de este principio y coincida con él, que si quisiéramos dudar de ello tengamos que dudar también de este principio»

Lo tercero es, por tanto, el tránsito de esta certeza a la verdad, a lo determinado; también este tránsito presenta en Descartes un carácter simplista, y con ello se ofrece a nuestra consideración, por vez primera, la metafísica cartesiana.” “Ahora bien, la verdad de todo saber descansa sobre la prueba de la existencia de Dios.” Podemos resumir as meditações cartesianas como uma tentativa mal-sucedida (mas corajosa) de resgatar a alegoria da caverna de Platão; obviamente, o que este magnânimo pensador consegue de modo completo numa fábula auto-contida, Descarte mal e mal consegue em uma frase, ou seja, não consegue sustentar por mais do que 3 palavras, com o mesmo poder, o tipo de raciocínio-em-direção-à-essência. O fato de haver um Deus monoteísta a que se deve remeter todos os achados atrapalha bastante…

En efecto, el triángulo no tiene nada de cierto, ya que la extensión no se da en la certeza inmediata de mí mismo.”

mientras no se pruebe y se reconozca la existencia de Dios, existe la posibilidad de que nos equivoquemos, por no poder saber si nuestra naturaleza será realmente propensa al error” Caso em que deveríamos ter de buscar novos valores…

La perfección lleva también consigo, en efecto, la determinación de la existencia, ya que no puede decirse que la representación de algo inexistente sea perfecta. Ahí tenemos, pues, la unidad del pensar y el ser y la prueba ontológica de la existencia de Dios”

Implicações de se remeter a algo externo (neste caso um Deus): “en el Yo va contenido el ser como la certeza inmediata de una alteridad, del no-Yo opuesto al Yo. § «Ninguna cosa o ninguna perfección de una cosa que exista realmente actu puede tener como causa de su existencia la nada. Pues si de la nada pudiese predicarse algo, podría predicarse también el pensamiento: diría por tanto que, puesto que pienso, no soy.»

«los grados de la realidad que percibimos en las ideas no existen en las ideas mismas, en cuanto se las considera simplemente como modalidades del pensamiento, sino en la medida en que la una representa una sustancia y la otra solamente un modo de ella; en una palabra, en cuanto que se las considera como representaciones de cosas» Spinoza

aquí no se da en la forma de Dios ninguna otra representación que la contenida en el cogito, ergo sum, en la que el ser y el pensar aparecen inseparablemente unidos, sólo que ahora bajo la forma de una representación que poseo en mí. El contenido de esta representación, el Omnipotente, el Omnisciente, etc., son predicados que se manifiestan después; el contenido mismo es el contenido de la idea, vinculado con la existencia. Vemos así cómo estas determinaciones se suceden unas a otras de un modo puramente empírico y que, por tanto, no prueba filosóficamente nada: un ejemplo de cómo en la metafísica apriorística se procede a base de premisas de representaciones y de cómo éstas son pensadas, ni más ni menos que empíricamente se procede a base de ensayos, observaciones y experiencias.”

A suprema ironia é que o que prova ontologicamente o eu e a outridade neste caso é o princípio <NIHIL EX NIHILO>, quando na era cristã, justamente, tudo depende desse motto. Ter-se-ia que imaginar uma sociedade (a Atenas clássica?) que não crê em genealogia ou escatologia e que fundamenta sua filosofia no Nada!

RECAÍDA NA ESCOLÁSTICA: “Viene, en cuarto lugar, esta afirmación de Descartes: «Lo que nos es revelado acerca de Dios debemos creerlo aunque no lo comprendamos. Y no es de extrañarse de que, siendo nosotros seres finitos, lo que hay de infinito en la naturaleza de Dios sea inconcebible para nosotros, se halle por encima de nuestra comprensión.»

Todo esto aparece relatado de un modo extraordinariamente sencillo, pero no por ello deja de ser algo indeterminado, formal y carente de profundidad; no se hace sino afirmar que las cosas son precisamente así, y no de otro modo. La trayectoria de Descartes es simplemente la trayectoria del entendimiento claro. La certeza es para él lo primero; de ella no se deriva necesariamente ningún contenido, ni un contenido en general, ni menos aún su objetividad como distinta de la subjetividad interior del Yo. Nos encontramos, pues, de una parte, con la contraposición entre el conocer subjetivo y la realidad y, de otra parte, con su inseparable vinculación.” “la prueba de esta unidad descansa única y exclusivamente en decir que descubrimos en nosotros la idea de lo más perfecto” “Una objeción en contra de esta identidad, objeción ya antigua y también kantiana, es ésta: que del concepto de la más perfecta esencia no se desprende más de lo que se halla entrelazado en los pensamientos existencia y esencia perfectísima, pero no fuera del pensamiento.”

Descartes concibe el ser en el sentido absolutamente positivo, sin llegar al concepto de que es lo negativo de la conciencia de sí: ahora bien, el ser simple, establecido como lo negativo de la conciencia de sí, es la extensión; por eso Descartes niega a Dios el atributo de la extensión, se atiene a esta separación, y enlaza el universo, la materia, con Dios como el creador, causa de ella, formulando el certero pensamiento de que la conservación de la materia es una creación continua, en cuanto que la creación se establece de un modo separado, como actividad.” “la materia, las sustancias extensas, se enfrentan a las sustancias pensantes, que son simples; por cuanto el universo ha sido creado por Dios, no podría ser tan perfecto como su causa. En realidad, el efecto es más imperfecto que la causa, puesto que es algo que se establece, aunque nos atengamos al concepto puramente intelectivo de la causa. La extensión es, por tanto, según Descartes, lo más imperfecto: pero, como imperfectas que son, las sustancias extensas no pueden existir y persistir por sí mismas o a través de su concepto; necesitan, pues, en todo momento de la asistencia de Dios para su conservación”

Descartes da definiciones de estos pensamientos, lo mismo que Aristóteles indaga las categorías. Pero, así como antes establecía como fundamento que no se debía partir de premisa alguna, ahora toma las nociones a que pasa como algo con que se encuentra en nuestra conciencia. Define la sustancia así: «Entiendo por sustancia, simplemente, una cosa (rem) que no necesita de ninguna otra para existir; y esa sustancia que no necesita de ninguna otra cosa sólo puede ser una, a saber: Dios.»

Descartes pretende pensar siempre, y no hacer otra cosa; ahora bien, la resistencia, el color, etc., no los piensa, sino que se limita a captarlos como cualidades sensibles.” “La extensión y el movimiento son los conceptos fundamentales de la física mecánica; son lo que es la verdad del mundo de los cuerpos. Descartes ve flotar vagamente ante él la idealidad y se halla muy por encima de la realidad de las cualidades sensibles, pero no pasa a la particularización de esta idealidad. Se detiene, pues, en el mundo de la mecánica en sentido estricto.” “En los organismos vivos, la digestión, etc., no son sino efectos mecánicos de esa clase, que tienen como principios la quietud y el movimiento. Vemos, pues, aquí el fundamento y el origen de la filosofía mecánica; sin embargo, una visión más a fondo nos dice que esto es insuficiente, poco satisfactorio, que la materia y el movimiento no bastan para explicar la vida.”

En esta filosofía predomina, por tanto, el tratamiento pensante de lo empírico; y es éste justo el modo como se manifiestan los filósofos de esta época. En Descartes y otros, la filosofía tenía aún la significación indeterminada de conocer por medio del pensamiento, la reflexión, el razonamiento. El conocimiento especulativo, las deducciones a partir del concepto, la evolución libre e independiente de la cosa misma serán introducidos más tarde por obra de Fichte; por tanto, en Descartes no aparecen separados aún lo que hoy llamamos conocimiento filosófico y el conocimiento científico de otra clase. Por aquel entonces, incluíanse en la filosofía todas las ciencias humanas; por eso nos encontramos con que en la metafísica cartesiana se mezclan y confunden del modo más simplista las reflexiones y los razonamientos completamente empíricos nacidos de razones, de experiencias, de hechos, de fenómenos, sin que tengamos la sensación de estar asistiendo a algo especulativo.”

Para Spinoza, el alma y el cuerpo, el pensamiento y el ser, dejan de ser cosas especiales, cada una de ellas para sí. Por tanto Spinoza, como judío que es, levanta [suspende] totalmente el dualismo [corpo-alma, e mediação do Deus cristão, como veremos na seqüência da explicação de H.] que lleva consigo el sistema cartesiano. Como judío que es, decimos, pues la profunda unidad de su filosofía, tal y como a través de él se manifiesta en Europa, la concepción del espíritu, de lo infinito y lo finito, como idéntico en Dios, sin ver en éste un tercer término, es en realidad un eco del pensamiento oriental. Con Spinoza penetra por vez primera en la mentalidad europea la concepción oriental de la identidad absoluta y más concretamente se incorpora directamente a la filosofía europea, cartesiana.”

Este pensador descendía de una familia de judíos portugueses, y nació en Amsterdam en el año 1632, recibiendo el nombre de Baruch, que más tarde cambió en el de Benedicto. Recibió en sus años mozos las enseñanzas de los rabinos de la sinagoga a que pertenecía, pero pronto entró en conflicto con ellos, furiosos de que se declarase en contra de las quimeras talmúdicas. Se mantuvo por algún tiempo apartado de la sinagoga; pero los rabinos, temerosos de que su ejemplo pudiese traer malas consecuencias a su iglesia, le ofrecieron mil florines de estipendio anual si se prestaba a seguir asistiendo a la sinagoga, sin plantear ninguna clase de conflictos. Benedicto rechazó el ofrecimiento y las persecuciones de los rabinos contra él llegaron a enconarse tanto, que incluso maquinaron el plan de quitarlo de en medio, atentando contra su vida.

Habiendo logrado a duras penas escapar de los espadachines que habían de darle muerte, se separó formalmente de la iglesia judaica, aunque sin abrazar la religión cristiana. Se dedicó preferentemente al cultivo del latín y al estudio de la filosofía cartesiana. Más tarde, se trasladó a la villa de Rynsburg, cerca de Leiden, donde vivió desde 1664, respetado por muchos amigos, pero entregado por entero a la quietud y al aislamiento, primero en Voorburg, aldea cercana a La Haya, y más tarde en esta misma ciudad, ganándose la vida con un trabajo manual, consistente en la preparación de cristales para fines ópticos.

No es extraño que le interesase especialmente la luz, que es, en la materia, la identidad absoluta misma, base de la concepción oriental. Aunque tenía amigos ricos y poderosos protectores, entre los que figuraban algunos generales, vivió siempre pobremente, habiendo rechazado en varias ocasiones grandes regalos que le fueron ofrecidos. Se negó también a ser instituido heredero de Simón de Vries, empeñado en dejarle todos sus bienes, y sólo aceptó de él una pensión anual de 300 florines; renunció también, en beneficio de sus hermanas, a la parte que le correspondía de la herencia paterna. El Gran Elector del Palatinado, Carlos Luis, hombre de una nobleza extraordinaria y libre de los prejuicios de su tiempo, le invitó a desempeñar una cátedra en Heidelberg, con libertad absoluta para enseñar y escribir, ya que «el príncipe estaba seguro de que no abusaría de ella para atacar a la religión públicamente establecida». Pero Spinoza (según sabemos por sus cartas impresas) rechazó la oferta con buenas razones, por «no saber dentro de qué límites habría de encerrarse aquella libertad filosófica a que se ponía como condición el no atacar la religión públicamente establecida». Permaneció, pues, en Holanda, país extraordinariamente interesante para la cultural general, el primero que dio en Europa un ejemplo de tolerancia, brindando a muchos hombres un refugio de libertad de pensamiento; pues aunque los teólogos holandeses adoptasen, a veces, una actitud furiosa contra algunos pensadores, por ejemplo contra Bekker (v. Brucker), o se mostrasen, por ejemplo, en el caso de Voetius, rabiosos contra la filosofía cartesiana, lo cierto es que esta actitud no se traducía nunca en las consecuencias a que habría conducido en cualquier otro país.”

Já que estamos falando aqui de alguém de vida beata, cabe ressaltar que Pascal não é citado uma única vez nessa deficiente História da Filosofia de Hegel!

Un clérigo protestante llamado Colerus, aunque da muestras de una furiosa enemistad contra él en la biografía que escribió de Spinoza, ofrece por otra parte noticias muy exactas y afectuosas acerca de sus condiciones de vida, dice que, al morir, sólo dejó unos 200 táleros, cuenta las deudas que tenía, etc. El buen predicador se escandaliza a propósito de una cuenta encontrada entre los papeles del muerto, en la que su barbero reclamaba del «bienaventurado» señor Spinoza el pago de sus estipendios atrasados, y escribe las siguientes palabras, a modo de comentario: «A buen seguro que si el barbero hubiese sabido qué clase de pájaro era Spinoza, no le habría llamado bienaventurado.»

El primer escrito de Spinoza que encontramos entre sus obras lleva por título: Principios de Cartesio, probados por el método geométrico. Más tarde, escribió su Tractatus theologico-politicus que le valió gran celebridad. En efecto, si había sido grande el odio que había concitado contra sí por parte de los rabinos, este tratado atrajo ahora sobre su cabeza un odio aún mayor por parte de los teólogos cristianos, principalmente de los protestantes. Figura en él la teoría de la inspiración, un estudio crítico de los libros mosaicos y otras cosas por el estilo, expuestas sobre todo desde el punto de vista de que estas leyes se limitan al pueblo judío. En esta obra de Spinoza encontramos ya todas las disquisiciones críticas de los teólogos cristianos acerca de estos problemas y que tienden generalmente a demostrar que estos libros fueron redactados más tarde de lo que se piensa y que son, en parte al menos, posteriores al cautiverio babilónico, doctrina que constituye un capítulo fundamental para los teólogos protestantes y con la que los modernos se dan gran importancia y tratan de brillar sobre los antiguos.

Pero lo que mayores odios atrajo sobre Spinoza fue su filosofía misma, que examinaremos aquí más de cerca, partiendo de su Ética. Descartes no dio a conocer ética alguna, la obra filosófica fundamental de Spinoza es precisamente una Ética, publicada después de su muerte por Luis Mayer, un médico, que había sido el amigo más íntimo del autor.

La Ética de Spinoza consta de 5 partes. La primera trata de Dios (De Deo). Se exponen en ella algunas ideas metafísicas generales que implican el conocimiento de Dios y de la naturaleza. La segunda parte trata de la naturaleza y del origen del espíritu (De natura et origine mentis). Spinoza no expone aquí, en modo alguno, una filosofía de la naturaleza, los problemas de la extensión y el movimiento, sino que pasa inmediatamente de Dios a la filosofía del espíritu, al aspecto ético; y lo referente al conocimiento, al espíritu inteligente, figura en la primera parte, en los principios del conocimiento humano. El tercer libro de la Ética trata del origen y la naturaleza de los afectos (De origine et natura affectuum). El cuarto, de las fuerzas de ellos o de la servidumbre humana (De servitute humana seu de affectuum viribus). Finalmente, el libro quinto se ocupa del poder del entendimiento, del pensamiento o de la libertad humana (De potentia intellectus seu de libertate humana).”

La sustancia cartesiana probablemente encierra, como idea, el ser mismo en su concepto; pero es solamente el ser como ser abstracto, no el ser en cuanto ser real o en cuanto extensión. En Descartes, la corporeidad y el Yo pensante son esencias independientes por sí mismas; esta independencia de los dos extremos es levantada en el spinozismo, al convertirse en momentos de la Esencia absoluta y única. Vemos que lo que importa, en esta expresión, es el concebir el ser como la unidad de lo contradictorio; el interés fundamental reside en no hacer caso omiso de la contradicción y darla de lado, sino en reducirla y disolverla. Y en cuanto que aquí el ser y el pensar no forman ya una contraposición como las abstracciones de lo finito y lo infinito o el límite y lo ilimitado, el ser es concebido ahora, de un modo más determinado aún, como extensión; pues, en su abstracción, sólo sería en rigor el mismo retorno a sí, la misma identidad simple consigo mismo que es el pensamiento. Por tanto, el pensar puro de Spinoza no es lo general espontáneo de Platón, sino lo que se conoce al mismo tiempo con la contraposición absoluta del concepto y el ser.” “pero no es la verdad entera; para serlo, habría que concebirla como algo activo de suyo, como algo vivo, con lo cual se la determinaría ya como espíritu. Pero, la sustancia spinozista es solamente la determinación general y, por tanto, la determinación abstracta del espíritu; cierto es que podría decirse que este pensamiento es la base de toda concepción verdadera, pero no como el fundamento que permanece firme de un modo absoluto, sino como la unidad abstracta que es el espíritu dentro de sí.”

Hay que reconocer que el pensamiento no tuvo más remedio que colocarse en el punto de vista del spinozismo; ser spinozista es el punto de partida esencial de toda filosofía. Pues cuando se comienza a filosofar, el alma tiene que empezar bañándose en este éter de la sustancia una, en el que naufraga todo lo que venía teniéndose por verdad. Esta negación de todo lo particular a que necesariamente tiene que llegar todo filósofo es la liberación del espíritu y la base absoluta sobre que éste descansa. La diferencia entre nuestro punto de vista y el de los filósofos eléatas sólo estriba en que el cristianismo hace que exista en el mundo moderno la individualidad absolutamente concreta dentro del espíritu.”

lo grandioso del modo de pensar de Spinoza consiste en poder renunciar a todo lo determinado, a todo lo particular, para situarse solamente ante lo Uno, para prestar atención solamente a esto.”

La primera definición de Spinoza es la de la causa de sí misno. Dice: «Por causa de sí (causam sui) entiendo aquello cuya esencia implica la existencia, o sea, aquello que sólo puede concebirse como existente.» La unidad del pensamiento general y de la existencia se establece, como se ve, desde el primer momento; y en torno a esta unidad habrá de girar continuamente todo. Esto de la causa de sí mismo es una expresión importante, pues mientras nos imaginamos que el efecto es lo opuesto a la causa, la causa de sí mismo es aquella causa que, al actuar y separar lo otro, sólo se produce, al mismo tiempo, a sí mismo, por lo tanto, al producirse, levanta esta distinción. El establecerse a sí mismo como si fuese otro es el contraste y, al mismo tiempo, la negación de esta pérdida; estamos ante un concepto totalmente especulativo, más aún, ante un concepto fundamental en toda especulación.”

esta otra cosa tiene que ser del mismo género, pues las cosas que se limitan, para poder limitarse, tienen que entrar en contacto y, por tanto, guardar una relación entre sí, es decir, ser cosas de la misma clase, descansar sobre la misma base, pertenecer a una esfera común. Tal es el lado afirmativo del límite.

«Según esto, el pensamiento es limitado por otro pensamiento, el cuerpo por otro cuerpo; pero el pensamiento no es limitado por un cuerpo, ni el cuerpo por un pensamiento.»

Ya lo veíamos en Descartes: el pensamiento es totalidad para sí, y lo mismo la extensión, sin que tengan nada de común ni mantengan relaciones mutuas de ninguna clase; no se limitan el uno al otro, sino que cada cual forma un todo cerrado de suyo.”

«Por sustancia entiendo aquello que es en sí y se concibe por sí; es decir, aquello cuyo concepto no necesita del concepto de otra cosa para formarse (a quo formari debeat) de otro modo sería algo finito, accidental. Lo que necesita de otra cosa para ser concebido no es algo independiente, sino que depende de esta otra cosa.»

«Por atributo entiendo aquello que el entendimiento percibe como lo que constituye la esencia de la sustancia» “Y no cabe duda de que es ésta una gran determinación; el atributo es evidentemente una determinabilidad, pero una determinabilidad que sigue siendo, al mismo tiempo, totalidad. Y Spinoza, como Descartes, sólo admite 2 determinabilidades de éstas: el pensamiento y la extensión. (…) Cada uno de estos 2 modos de consideración, la extensión y el pensamiento, contiene indudablemente el contenido íntegro de la sustancia, pero solamente bajo una forma que hace entrar en ello también el entendimiento; precisamente por ello son ambos lados idénticos en sí, infinitos.”

La quinta definición se refiere al tercer elemento de la sustancia, al modo. «Por modo entiendo las afecciones de la sustancia o sea aquello que es en otra cosa por medio de la cual es también concebido.» Por tanto, la sustancia se concibe por sí misma; el atributo no es lo concebido por sí mismo, sino que guarda relación con el entendimiento conceptual, pero en tanto éste concibe la esencia; finalmente, el modo es lo no concebido como la esencia, sino por otra cosa y en ella.”

son 3 momentos muy importantes y corresponden a lo que nosotros, de un modo más preciso, distinguimos como lo general, lo particular y lo individual. Pero no debemos enfocarlos de un modo formal, sino en su sentido verdadero y concreto: lo general concreto es la sustancia, lo particular concreto el género concreto”

Como vemos, Spinoza va descendiendo, pues el modo es la fase más baja de todas; el defecto de este filósofo estriba en que concibe lo 3º solamente como modo, como la individualidad mala. La verdadera individualidad, la subjetividad, no es solamente un alejamiento de lo general, lo determinado puro y simple, sino que es, al mismo tiempo, como algo determinado pura y simplemente, lo que es para sí, lo que se determina solamente a sí mismo. De este modo, lo individual, lo subjetivo es justo el retorno a lo general; al ser lo que es consigo mismo es también de suyo lo general. El retorno consiste simplemente en ser en sí mismo lo general; pero a este retorno no llega Spinoza.”

En el mismo sentido distingue Spinoza, en la carta 29 (Opera, 1.1, pp. 526-532) lo infinito de la imaginación de lo infinito del pensamiento (intellectus), de lo realmente (actu) infinito. La mayoría de los hombres, cuando tratan de elevarse sobre la realidad, sólo llegan al primero, que es el infinito malo,¹ como cuando se dice: «y así sucesivamente, hasta el infinito»: por ejemplo, la infinitud del espacio entre un astro y otro, o el del tiempo. Lo mismo ocurre con las series infinitas del número en las matemáticas. Cuando un quebrado se representa como quebrado decimal, es imperfecto; V7 [¿?] expresa por el contrario el infinito verdadero, no es por tanto una expresión imperfecta, aunque el contenido sea, en este caso, ciertamente limitado. Lo infinito malo se suele tener presente cuando se habla de infinitud; y por muy superior que la consideremos, no es, en realidad, nada presente, y trasciende solamente a lo negativo, sin ser actu.”

¹ Esses conceitos hegelianos e ficar identificando-os em filósofos prévios são duas coisas que não levam a nada!

Spinoza llama a la infinitud filosófica, a lo que es infinito actu, la afirmación absoluta de sí mismo. Y es absolutamente exacto. Lo que ocurre es que habría podido expresarlo mejor, diciendo: «Es la negación de la negación

en Spinoza existe, pues, la infinitud verdadera. Pero sin que él tenga conciencia alguna de ello, sin que reconozca este concepto como un concepto absoluto, ni lo exprese, por tanto, como momento de la esencia misma, pues ese concepto cae aquí fuera de la esencia para entrar en el pensamiento de ella.” Essa crítica enviesada já está me cansando…

«Dios es causa inmanente, pero no transitiva (transiens) de todas las cosas», es decir, externa. Su esencia y su existencia son lo mismo, a saber: la verdad. Una cosa que ha sido determinada a obrar algo, ha sido necesariamente determinada por Dios, ya que Dios es la causa: y siendo ese su destino, no puede carecer de determinación. En la naturaleza no hay nada contingente. La voluntad no es una causa libre, sino solamente necesaria, solamente un modo; esto quiere decir que se halla determinado por otro. Dios no obra con arreglo a causas finales (sub ratione boni). Quienes lo afirman, parecen estatuir al lado de Dios algo que no depende de Dios y hacia lo que Dios mira en sus actos, como hacia un fin. Así concebido el problema, Dios no sería una causa libre, sino que se hallaría sometido a lo fatal. E igualmente insostenible es querer someterlo todo a la arbitrariedad, es decir, a una voluntad indiferente de Dios.” Éticaos trechos em vermelho são muito importantes, pois mostram que Spinoza não está submetido a nenhuma teleologia, i.e., historicismo, hegelianismo…

«La natura naturans es Dios considerado en cuanto causa libre, en tanto que es en sí y concebido por sí, o aquellos atributos de la sustancia que expresan la esencia eterna e infinita. Por natura naturata entiendo todo lo que se sigue de la necesidad de la naturaleza de Dios o de cada uno de los atributos de Dios, todos los modos de los atributos divinos, en cuanto considerados como cosas que son en Dios y que sin Dios no pueden ser ni ser concebidas.» É., prop. XXIX

El desarrollo de su pensamiento es extraordinariamente sencillo o, mejor dicho, no es desarrollo alguno; arranca directamente del espíritu.”

O desenvolvimento de seu pensamento é extraordinariamente simples ou, melhor dizendo, não é desenvolvimento algum; arranca diretamente do espírito.” Algo mais específico eu deixarei para evidenciar quando ler a Ética em si.

Bayle (que no tiene la menor noción de lo especulativo, aunque, como sutil dialéctico que era, impulsara el razonamiento pensante en torno a determinados temas) ridiculiza la creencia de que todo contenido especial es solamente una modificación de Dios, al deducir de ahí que Dios, modificado en forma de turco y de austríaco, hace la guerra consigo mismo.” Dicionário desarrazoado.

Las cosas individuales brotan de Dios de un modo eterno e infinito (es decir, al mismo tiempo y de una vez), no de un modo transitorio, finito y perecedero; se desintegran simplemente al engendrarse y destruirse mutuamente, pero permaneciendo inmutables en su existencia eterna. Todas las cosas individuales se presuponen mutuamente y ninguna puede pensarse sin la otra: es decir, forman en su conjunto un todo indivisible; se reúnen en una cosa simplemente indivisible, infinita y que no existe ni puede existir de otro modo.”

Ya sólo nos resta hablar de la moral de Spinoza; pero esto es precisamente lo fundamental de su doctrina. El principio en que descansa no es otro sino el de que el espíritu finito es moral en tanto tiene la idea verdadera; es decir, cuando endereza su conocimiento y su voluntad hacia Dios, pues la verdad consiste exclusivamente en el conocimiento de Dios. Puede decirse, en este sentido, que no existe moral más alta que ésta, la cual sólo postula una idea clara de Dios.”

«El matricidio de Nerón, en cuanto contenía algo positivo, no era un crimen. El mismo acto material cometió Orestes, animado por la misma intención de matar a su madre, y, sin embargo, no fue acusado de ningún acto criminal» Lo afirmativo es la voluntad, la idea, el acto de Nerón. «¿En qué consiste, pues, la maldad neroniana? Simplemente, en la ingratitud, en la falta de caridad, en la desobediencia. Y es evidente que nada de esto expresa una esencia, por lo cual Dios no pudo ser causa de ello, aunque fuese evidentemente la causa del acto y las intenciones de Nerón.»

Es, pues, falso el reproche que se le hace a Spinoza cuando se dice que su filosofía mata la moral; lejos de ello, se llega por este camino filosófico al elevado resultado de que todo lo que se recibe a través de los sentidos es solamente limitación, de que sólo existe una verdadera sustancia y de que la libertad del hombre consiste en levantar la mirada hacia esta sustancia una y ajustarse, en sus intenciones y en su voluntad, a este Uno eterno.”

Quienes atacan a Spinoza hacen como si les importase mucho Dios; pero a estos adversarios no les preocupa realmente Dios, sino algo finito: el problema gira, para ellos, en torno a sí mismos.” Este homem ser acusado de ateísmo (Jacobi & al.) é sacanagem mesmo!

La necesidad filosófica consiste, pues, en captar la unidad de estas diferencias, de tal modo que la diferencia no se deje a un lado, sino que brote eternamente de la sustancia, sin cristalizar y petrificarse en forma de dualismo. Spinoza se remonta por encima de este dualismo; y lo mismo hace la religión, si sabemos trocar las representaciones en pensamientos. El ateísmo de la primera actitud, en que los hombres consideran como lo supremo el libre arbitrio, su vanidad, las cesas finitas de la naturaleza, haciendo del universo algo perenne en la representación, no es el punto de vista de Spinoza, para quien Dios es la Sustancia una y el universo, por el contrario, solamente la afección o el modo de esta sustancia.”

Spinoza afirma que lo que se llama universo no existe en modo alguno, pues sólo es una forma de Dios y no algo en y para sí. El universo no posee una realidad verdadera, sino que todo esto se lanza al abismo de una identidad única. Nada es, pues, en la realidad finita: ésta no posee verdad alguna; para Spinoza, solamente Dios es.” H. chama isso de acosmismo (meu deus, quanta expressão feia nesse trabalho!).

Por tanto, quienes pintan a nuestro filósofo con tan negros colores no tratan de mantener en pie precisamente a Dios, sino lo finito, lo temporal; le echan en cara a Spinoza, en realidad, su propia anulación y la del mundo.” Porque ele disse que tudo era vaidade, em termos filosóficos, já está!

El sistema spinozista es el del panteísmo y el monoteísmo absolutos, elevados al plano del pensamiento. El spinozismo dista, pues, mucho de ser un ateísmo en el sentido corriente de la palabra; pero sí lo es en el sentido de que en él no se concibe a Dios como espíritu. Pero en este mismo sentido podríamos acusar de ateísmo a muchos teólogos que sólo llaman a Dios el Ser supremo, omnipotente, etc., que no quieren reconocer, en realidad, a Dios y sólo reconocen como verdadero lo finito; y las doctrinas de éstos son bastante más peligrosas que las de Spinoza.” Um livro interessante para quem está no seminário (me refiro a este de H., mas não nego que a Ética de Spinoza, pelas citações já lidas, também deva sê-lo bastante!).

Reclama dos diagraminhas geométricos de Spinoza em meio à Ética: “Ya Descartes partía de que las proposiciones filosóficas deben poder tratarse y demostrarse matemáticamente y poseer la misma evidencia que las verdades matemáticas. Se considera el método matemático como el mejor de todos por su evidencia, y es natural que al renacer la ciencia como algo independiente recurra primeramente a esta forma, que le muestra un ejemplo tan brillante. Sin embargo, trátase de una forma inadecuada para un contenido especulativo y que sólo tiene razón de ser tratándose de ciencias finitas del entendimiento.” “El conocimiento matemático representa la prueba sobre el objeto existente como tal, pero no, en modo alguno, como concebido; carece en absoluto de concepto, siendo así que el contenido de la filosofía es justo el concepto y lo concebido.” “La matemática, en sus proposiciones verdaderas acerca de un todo, recurre al procedimiento de demostrar las proposiciones también a la inversa, privándolas con ello de esta determinabilidad, al conferir ambas cosas a cada parte. Las proposiciones verdaderas pueden considerarse, por tanto, como definiciones; y la inversión es la prueba del lenguaje corriente. Sin embargo, la filosofía no puede valerse propiamente de este recurso, ya que el sujeto con respecto al cual prueba algo no es de suyo otra cosa que el concepto o lo general, y la forma de la proposición, por tanto, algo completamente superfluo y, por consiguiente, torcido.”

En estos últimos tiempos, ha sostenido Jacobi (Werke, t. IV, secc. 1, pp. 217-223) que toda demostración, todo conocimiento científico conduce al spinozismo, el cual es, según él, el único modo consecuente de pensar; y precisamente por eso, porque conduce a esa fuente, es por lo que no puede servir, [¡!] sino solamente el saber inmediato.” Esse Jacobi é um tapado!

La trayectoria seguida por Spinoza es, pues, indudablemente certera; sin embargo, la proposición individual es falsa, ya que sólo expresa uno de los lados de la negación. El entendimiento tiene determinaciones que no se contradicen; no puede hacer frente a la contradicción.”

El pensamiento, para él, tiene solamente la significación de lo general, no la de la conciencia de sí. Es esta falla la que, de una parte, ha hecho que se rebelara con tanta fuerza contra el sistema spinozista la idea de la libertad del sujeto, ya que en él desaparece el ser para sí de la conciencia humana, la llamada libertad, es decir, precisamente la abstracción del ser para sí, levantando también con ello a Dios como algo distinto de la naturaleza y de la conciencia humana, o sea como algo en sí, en lo absoluto; pues el hombre tiene la conciencia de la libertad, de lo espiritual, que es lo negativo de lo corporal, la conciencia de que es precisamente en lo opuesto a lo corporal donde es lo que verdaderamente es.” A vontade não-livre pré-morte de Deus, diria com certeza Nie.

Y tampoco Dios es aquí el Espíritu, porque no es el Dios Trino y Uno.”

Por consiguiente, de una parte, se concibe el defecto del spinozismo como la falta de correspondencia con la realidad; de otra parte, se debe ver en él una manera superior, de tal modo que se conciba la sustancia spinozista simplemente como la idea totalmente en abstracto, pero no en su vivacidad.” O que psicólogos do séc. XX ainda se esforçam por provar (e.g. Skinner).

lo negativo, en Spinoza, existe solamente como la nada, ya que en lo absoluto no se da modo alguno”

Y así como Spinoza se limitaba a considerar estas representaciones, ya que lo más alto, para él, era su desaparición en la Sustancia una, Locke se detiene a investigar cómo nacen estas representaciones [filósofo especializado no para-si] y Leibniz, por su parte, contrapone a Spinoza la pluralidad infinita de los individuos, si bien todas sus mónadas tienen como esencia fundamental la mónada una [filósofo especializado no em-si]. Ambas filosofías surgen, pues, como reacción contra las unilateralidades spinozistas, puestas de manifiesto aquí.” Podemos dizer que Spinoza foi o maior filósofo do ser em-si-e-para-si até seu tempo (obviamente estou excluindo Platão). Até mesmo Hegel – que é nosso antípoda tantas vezes – teria de concordar.

La filosofía de Malebranche tiene exactamente el mismo contenido del spinozismo, pero expuesto bajo otra forma, bajo una forma más piadosa, más teológica. Y es esta forma la que le impide encontrar la contradicción descubierta por Spinoza y lo que explica, al mismo tiempo, por qué Malebranche no ha sido acusado, como Spinoza, de ateísmo.”

Por casualidad, pasando un día por delante de una tienda de libros, vio la obra de Descartes De homine; la adquirió, la leyó, y le apasionó tanto, que sintió al leerla que le palpitaba con gran fuerza el corazón, viéndose obligado a interrumpir la lectura. Fue esto lo que decidió su carrera, inclinándole resueltamente al cultivo de la filosofía. (Buhle)”

Su obra fundamental lleva por título De la recherche de la verité. Una parte de ella es completamente metafísica, pero la parte más importante tiene un contenido totalmente empírico”

«Porque vemos en Dios todas las cosas», BLABLABLABLABLABLABLÁ…

El catecismo dice: «Dios está en todas partes»: si desarrollamos este don de la omnipresencia, vemos que nos conduce al spinozismo; y, sin embargo, los teólogos hablan en contra del sistema de identidad y ponen el grito en el cielo contra el panteísmo.”

En Locke, lo primero es lo individual, a base de lo cual se forma lo general; en Malebranche, por el contrario, la idea general es lo primero en el hombre.”

Fuera de esto, se encuentran toda una serie de vacuas letanías acerca de Dios y un catecismo para niños de 8 años acerca de la bondad, la justicia, la omnipresencia divinas y el orden moral del universo; los teólogos no han pasado de aquí en su vida entera.”

De Locke arrancará después una ancha trayectoria, sobre todo de filósofos ingleses, que adoptarán formas distintas, pero manteniéndose fieles al mismo principio; esta manera acaba convirtiéndose, así, en una concepción general y se hace pasar además por filosofía, aunque el verdadero objeto de la filosofía no se encuentre aquí.” “Consideradas las cosas de tal modo que el concepto tenga una realidad objetiva para la conciencia, no cabe duda de que la experiencia es un momento necesario de la totalidad; pero tal y como este pensamiento aparece en Locke, es decir, como la pretensión de que la verdad es deducida de la experiencia y la percepción sensible, es el peor de los pensamientos”

Ahora bien, estas necesidades sólo se dan a conocer de un modo imperfecto en la filosofía de Locke y de Leibniz; lo general, común a ambos filósofos, consiste en erigir en principio, por oposición a Spinoza y Malebranche, lo particular, la determinabilidad finita y lo individual. En Spinoza y Malebranche es la sustancia o lo general lo verdadero, lo único que es, lo eterno, lo que es en y para sí, sin origen, aquello de que las cosas particulares no son sino modificaciones, comprendidas por medio de la sustancia.”

La tendencia general de la conciencia es ahora, por el contrario, poner de manifiesto la diferencia y aferrarse a ella: en parte, para determinarse a sí misma libremente frente a su objeto, el ser, la naturaleza y Dios; y, en parte, para descubrir en esta contraposición la unidad y hacerla surgir de ella.” “Al llegar a Locke, este principio empieza a enfrentarse en filosofía a aquella identidad rígida e indistinta de la sustancia de Spinoza de tal modo que ahora lo más importante de todo, lo fundamental es, por el contrario, lo sensorial, lo limitado, lo inmediatamente existente. Locke se mantiene enteramente en esa fase vulgar de la conciencia que consiste en creer que lo verdadero y lo real son los objetos que se hallan fuera de nosotros. Por tanto, Locke no concibe lo finito como una negatividad absoluta, es decir, en su infinitud; con esto nos encontraremos solamente al llegar a Leibniz. En efecto, éste establece, en un sentido elevado, la individualidad, lo distinto, como algo que es para sí, y además carente de objeto, como un verdadero ser; es decir, no como algo finito y, sin embargo, distinto, de tal modo que cada mónada es de suyo una totalidad.”

John Locke nació en Wrington (Inglaterra) en 1632. Estudió en Oxford por su cuenta la filosofía cartesiana, dando de lado a la filosofía escolástica que era la que todavía se profesaba en la enseñanza. Abrazó la carrera de la medicina, aunque sin llegar a ejercerla, en realidad, por razón de su debilidad física.” “podía vivir en la casa del conde y tener cubiertas sus necesidades de vida, sin necesidad de dedicarse a la práctica de la medicina. Más tarde, al ser nombrado Shaftesbury Lord canciller de Inglaterra, designó a Locke para un cargo, del que se vio privado en seguida, al producirse un cambio de ministerio. § En 1675, temeroso de padecer de tuberculosis, se trasladó a Montpellier para restablecer su salud. Al ocupar de nuevo el ministerio su protector, volvió a ser nombrado para el cargo que antes ocupara, pero no tardó en verse otra vez separado de él, al sobrevenir un nuevo cambio de gabinete, y hubo incluso de huir de Inglaterra.” “Locke, en vista de ello, se trasladó a Holanda, que era por entonces el país donde encontraban asilo y protección cuantos se veían en el trance de huir de las persecuciones políticas o religiosas de otros gobiernos y donde habían ido reuniéndose, en aquellos años, los hombres más famosos y más liberales de Europa.” “Después de la revolución de 1688, al subir al trono de Inglaterra Guillermo de Orange, regresó en unión de éste a su país. Fue designado comisario del Comercio y las Colonias en el nuevo gobierno, publicó su famosa obra sobre el entendimiento humano y, por último, retirado de los negocios públicos por razón de su débil salud, vivió en las casas de campo de algunos grandes ingleses, hasta el 28 de octubre de 1704, en que murió, a la edad de 73 años. (Buhle)”

La filosofía de Locke goza de gran estimación; sigue siendo todavía hoy en conjunto la filosofía de los ingleses y los franceses y, hasta cierto punto, también la de los alemanes. Su pensamiento central, formulado en pocas palabras, es éste: de una parte, que la verdad, el conocimiento, descansa sobre la experiencia y la observación; de otra parte, se prescriben el análisis y la abstracción de las determinaciones generales como vía de conocimiento; es, si se quiere, un empirismo metafisizante, y no es otro el camino corriente que se sigue en las ciencias.”

DA GENEALOGIA DAS IDÉIAS: “Locke trata, pues, de satisfacer una necesidad verdaderamente sentida. No se le puede negar el mérito de haber abandonado el camino de las simples definiciones, de las que los demás arrancaban, para intentar una deducción de los conceptos generales, esforzándose, por ejemplo, en poner de manifiesto cómo la sustancialidad nace subjetivamente de los objetos.” “Ahora, estas definiciones aparecen como un resultado y no como una proclamación oracular, aunque el modo como esta legitimación se establece no sea, por cierto, el más adecuado. En efecto, el interés es puramente subjetivo y de carácter más bien psicológico, en cuanto que Locke se limita a describir el camino del espíritu que se manifiesta; pues lo que a él le preocupa principalmente es derivar, en nuestro conocimiento, las representaciones generales o las ideas, como él las llama, y el origen de ellas, partiendo de lo exterior e interiormente perceptible.”

Es verdad que también Malebranche se pregunta cómo llega el hombre a sus representaciones, lo que parece dar a entender que existe en él el mismo interés que en Locke. Pero, de una parte, este aspecto psicológico en Malebranche es solamente lo posterior; y, de otra parte, lo primario para él es lo general, es Dios; mientras que Locke arranca precisamente de las percepciones singulares, para remontarse, partiendo de ellas, a los conceptos y a Dios.”

Todo hombre sabe ciertamente que, cuando su conciencia se desarrolla empíricamente, arranca siempre de sensaciones, de estados totalmente concretos, y que sólo más tarde aparecen las representaciones generales, que guardan con lo concreto de las sensaciones la conexión de hallarse contenidas en ello. El espacio, por ejemplo, se revela a la conciencia después de lo espacial, el género después de los individuos; y es actividad de mi conciencia, y solamente de ella, el disociar lo general de lo particular de las representaciones, las sensaciones, etc. Es cierto que el sentimiento, la sensación, es lo más bajo, la modalidad animal del espíritu; pero el espíritu, en cuanto pensamiento, aspira a transformar a su modo las sensaciones.”

Kant le pone a Locke, con razón, el reparo de que la fuente de las representaciones generales no es precisamente lo individual, sino el entendimiento. Por lo que se refiere a los pensamientos de Locke, vistos más de cerca, no pueden ser más sencillos. Locke considera que el entendimiento es solamente la conciencia y algo dentro de ella, y sólo reconoce el en sí en cuanto se contiene en ella.”

La filosofía de Locke va dirigida principalmente contra Descartes, quien, al igual que Platón, había hablado de ideas innatas. (…) discute, pues, en el libro primero de su obra las llamadas ideas innatas, tanto las teóricas como las prácticas, es decir, las ideas generales, que son en y para sí y que, al mismo tiempo, se conciben como si formasen parte del espíritu de un modo natural.” “Locke concibe, pues, el alma como una tabula rasa, vacía de todo contenido y que va llenándose con lo que llamamos experiencia.”

si es el uso de la razón el que les ayuda a descubrir esos principios y el que, en realidad, los descubre, no se tratará de principios innatos. La razón consiste, a lo que parece, en descubrir verdades desconocidas partiendo de principios ya conocidos. ¿Por qué ha de ser necesario el empleo de la razón para descubrir unos principios pretendidamente innatos?”

el desarrollo que se opera en la conciencia es algo distinto de la determinación racional en sí; y en este sentido hay que reconocer que la expresión de «ideas innatas» es completamente desacertada. «Es en los niños y en las personas incultas, por no estar deformados por la educación, donde mejor debieran darse estas ideas.» Locke añade todavía algunas razones de esta clase, especialmente de orden práctico: la divergencia que se advierte entre las ideas morales, la existencia de gentes malas y crueles, que no tienen conciencia moral, etc.”

En el libro segundo, Locke pasa al origen de las ideas y trata de poner de manifiesto su formación, partiendo de la experiencia; en esto se concentra su esfuerzo fundamental. Pero este aspecto positivo, que opone a aquella derivación del interior del hombre, resulta igualmente torcido, ya que sólo toma los conceptos de fuera, reteniendo, por tanto, el ser para otro y desconociendo totalmente el en sí.”

Ante todo, por lo que a la cosa misma se refiere es exacto, desde luego, que el hombre arranca de la experiencia cuando trata de formarse algún pensamiento. En todo anda la experiencia, no sólo en lo sensible, sino también en lo que «determina y mueve mi espíritu». Es, pues, indudable que la conciencia toma todas sus representaciones y todos sus conceptos de la experiencia y en ella; pero se trata de saber qué ha de entenderse por experiencia. Ordinariamente, cuando se habla así, no se tiene concepto alguno de lo que la experiencia es; se habla de ella como de algo perfectamente conocido. Ahora bien, la experiencia no es otra cosa que la forma de la objetividad; cuando decimos que algo se halla en la conciencia queremos decir que ese algo tiene forma objetiva para ella, que la conciencia lo experimenta, que lo contempla como algo objetivo. Experiencia quiere decir, aquí, saber inmediato, percepción: es decir, yo mismo debo poseer eso, y ser; y la conciencia acerca de lo que poseo y soy es justo la experiencia.” “Lo racional es, es decir, es como un ente para la conciencia, que ésta experimenta; necesita ser visto, oído, existir o haber existido como un fenómeno del universo.” “Y es de todo punto indiferente que se tome esto como algo experimentado, como una serie de conceptos de experiencia, si podemos expresarnos así, o de representaciones, o que se vea en esa serie una serie de pensamientos, es decir, de algo que es en sí.”

Ahora bien, el trabajo del entendimiento consiste en sacar de varias llamadas ideas simples una cierta cantidad de ideas nuevas mediante la elaboración de aquellos elementos recibidos, por la vía de la comparación, la distinción y la contraposición y, finalmente, por la de la disociación o la abstracción, y así nacen los conceptos generales; nacen así, por ejemplo, los conceptos de espacio y tiempo, de existencia, unidad y diferencia, de potencia, causa y efecto, de libertad y necesidad.” “Ahora bien, Locke cifraba la esencia del entendimiento solamente en la actividad formal que consiste en formar nuevas determinaciones a base de las representaciones simples obtenidas a través de la percepción, mediante la comparación y la combinación de varias en una; el entendimiento es la aprehensión de las sensaciones abstractas contenidas en los objetos.” “Ahora bien, ¿cómo obtiene el entendimiento, partiendo de las representaciones simples de la experiencia, otras más complejas? Locke explica esto a la luz de lo particular; sin embargo, este extraer determinaciones generales a base de percepciones concretas no dice absolutamente nada, es algo extraordinariamente trivial, fastidioso y, además, muy prolijo; algo completamente formal, una vacua tautología. Así, por ejemplo, la representación general de espacio, nos dice, se forma en nosotros partiendo de la percepción de la distancia entre los cuerpos a través de la vista y el tacto. (…) la distancia misma es ya espacialidad, lo que quiere decir que el entendimiento saca la determinación del espacio mismo.” Um Piaget das cavernas.

La idea de sustancia (que Locke toma en peor sentido que Spinoza), idea compleja, procede del hecho de que percibimos con frecuencia, juntas, ideas simples tales como la idea de azul, la idea de algo pesado, etc. Nos representamos esta yuxtaposición como algo que sustenta por igual aquellas ideas simples, en lo que estas ideas existen, etc.] Así deduce Locke también el concepto general de potencia. Y por la misma vía deriva, a continuación, las determinaciones de libertad y necesidad, de causa y efecto.” Tudo o que Kant resolve em um enunciado este senhor tem de debulhar mal e mal em páginas e páginas…

Bien podemos afirmar que no cabe concebir nada más superficial que esta derivación de las ideas.” “Al hablar del espacio, por ejemplo, confiesa Locke que no sabe lo que es en sí. Este llamado análisis lockeano de las representaciones complejas y su llamada explicación de las mismas lograron encontrar una acogida general por razón de su claridad y su nitidez poco comunes. Pues, ¿cabe nada más claro que decir que el concepto de tiempo proviene de que percibimos el tiempo y el concepto de espacio de que vemos el espacio? Los franceses, sobre todo, lo aceptaron en seguida y lo desarrollaron; su Idéologie no contiene, en realidad, otra cosa.”

Es algo así como si Locke pretendiera demostrar que el bien no es en sí porque haya muchachos malos, o que en la naturaleza no se da el círculo en y para sí, porque el contorno de un árbol, por ejemplo, no sea perfectamente circular, o porque el círculo dibujado por mí no sea exactamente un círculo geométrico.”

Además, el sostener que los géneros no son nada en sí, que lo general no constituye la esencia de la naturaleza, que su ser en sí no es lo pensado, equivale a afirmar que no conocemos la esencia real: es la letanía repetida desde entonces hasta la saciedad:

Ningún espíritu creado puede conocer la estructura íntima de la naturaleza,

hasta llegar a la concepción de que el ser para otro, la percepción, no es algo en sí, concepción que no penetra hasta el lado positivo, en que el en sí es lo general. Locke, llevado de este apremio del ser para otro, queda muy rezagado en la naturaleza del conocimiento, mucho más rezagado, incluso, que Platón.” Incluso que Tales, que cualquier sofista!

Y también es curioso que Locke, apoyándose en el sentido común, luche contra los principios generales o los axiomas, por ejemplo, el de que A = A, es decir, el de que cuando algo es A no puede ser B. Estas proposiciones, nos dice, son superfluas o de una utilidad insignificante o nula, pues nadie ha sido todavía capaz de construir una ciencia sobre el principio de la contradicción. Partiendo de estos principios, lo mismo puede probarse lo verdadero que lo falso; son, simplemente, tautologías.”

NASCIMENTO DA FILOSOFIA ANALÍTICA: “Tal es la filosofía de Locke, en la que no se contiene el menor atisbo de lo especulativo. En ella se trata de satisfacer por la vía empírica el interés de la filosofía, que consiste en conocer la verdad.”

Con el método seguido por Locke cambia totalmente, a partir de ahora o en este aspecto el punto de vista de la filosofía; el interés se circunscribe a la forma del tránsito de lo objetivo o de las sensaciones aisladas a la forma de representaciones. Ya en Spinoza y Malebranche nos encontrábamos ciertamente, como determinación fundamental, con esta actitud del pensamiento orientada hacia el conocimiento de lo intuido, es decir, de lo relativo, y asimismo con la pregunta, ¿qué relación existe entre lo uno y lo otro? Pero se la contestaba y se la enfocaba en el sentido de que sólo esta relación era lo interesante, y esta relación misma, como sustancia absoluta, era en ellos la identidad, lo verdadero, Dios; ella, y no las cosas relacionadas. El interés allí no recaía sobre estas cosas; no eran estas cosas relacionadas”

Platón investigó lo infinito y lo finito, el ser y lo determinado, etc., y dijo que ninguna de estas antítesis era, por sí misma, la verdad; sólo lo eran, para él, en cuanto se establecían como idénticas, viniese de donde viniera la verdad de este contenido. De nada sirve saber si ese contenido proviene del entendimiento o de la experiencia; lo que se pregunta, lo que interesa es únicamente esto: ¿es verdad por sí mismo?” Mas os ingleses não são tão sutis… Para eles basta que custe ‘x’ shellings…

El interés del contenido en y para sí desaparece totalmente en esta posición, con lo cual se pierde totalmente de vista la finalidad de la filosofía. Por el contrario, allí donde el pensamiento es algo concreto por naturaleza, donde el pensamiento y lo general aparecen identificados con lo extenso, carece de todo interés e incluso de sentido el preguntarse cuál es la relación entre ambos, que el pensamiento ha desdoblado. ¿Cómo supera el pensamiento las dificultades que él mismo se ha creado? En Locke, no se crea ni se despierta ninguna. Y para que pueda satisfacerse la necesidad de reconciliación, es necesario que se empiece por sentir el dolor del desdoblamiento.” Na filosofia continental, filosofa-se com a dor (digo, ela é sintoma, ou pode ser sintoma, de que se está filosofando, efetivamente); na filosofia britânica, filosofa-se com o tédio, l’ennui.

La filosofía de Locke es evidentemente una filosofía fácilmente comprensible, pero precisamente por ello una filosofía popular, a la que se une toda la filosofía inglesa tal y como es todavía hoy; es el modo preferente de esa actitud pensante a que se da el nombre de filosofía, la forma que se abre paso en la ciencia que nace por aquel entonces en toda Europa.” “las ciencias en general, y en particular las ciencias empíricas, deben su origen precisamente a esta trayectoria del pensamiento. A derivar experiencias de las observaciones es a lo que llaman los ingleses, desde esta época, filosofar; y este punto de vista ha prevalecido, unilateralmente, en las ciencias físicas y en las ciencias jurídico-políticas. Los ingleses llaman, en general, filosofía a una serie de principios generales acerca de la economía del Estado, como hoy el principio del librecambio, y en general a los que descansan sobre la experiencia pensante, a los conocimientos de lo que, dentro de este círculo, se revela como necesario y útil.” “y así, Newton está considerado entre los ingleses como el filósofo por excelencia.”

Así surgió entre los ingleses la ciencia política racional,¹ por haber sido la peculiar constitución vigente en este país la que orientó a esta ciencia, de un modo singular y antes que ninguna otra lo hiciera, hacia la reflexión acerca de las relaciones jurídicas interiores del Estado. Hobbes² debe citarse a este respecto. Esta manera de razonar parte del espíritu presente, del propio interior o exterior, en cuanto que los sentimientos que nosotros abrigamos, las experiencias que se dan directamente dentro de nosotros, sirven de fundamento para este método. Pues bien, esta filosofía del pensamiento razonante se ha convertido hoy en la manera general de filosofar y de ella ha brotado toda la revolución operada en cuanto a la posición del espíritu.”

¹ Ciência política anti-platônica

² E aqui é dado todo o espaço que Thomas Hobbes merece na filosofia continental: um pé de página! Infelizmente, H. voltará a tratar dele mais abaixo…

Hugo Grocio, por la misma época de Locke, se dedicó a estudiar el derecho de los pueblos; y también en él se manifiesta esta manera de pensar a que acabamos de referirnos, puesto que procede a establecer combinaciones totalmente empíricas de las relaciones entre los pueblos, unidas a razonamientos de tipo también empírico.” “Su obra principal, De jure belli et pacis, fue compuesta en 1625; hoy ya casi nadie la lee, pero llegó a ejercer una influencia extraordinaria. En ella expone Grocio históricamente y apoyándose, en parte, en pasajes del Antiguo Testamento, cómo los pueblos se comportan los unos con los otros en las relaciones de la guerra y de la paz y cuáles son las normas que entre ellos se siguen. Como ejemplo de la manera empírica de razonar de este pensador, pondremos el siguiente: a los prisioneros, dice Grocio, no se les debe dar muerte, pues la finalidad que se persigue es desarmar al enemigo y, conseguido esto, no hay por qué ensañarse derramando más sangre, etc. § Este método empírico trajo como consecuencia evidentemente que se revelasen a la conciencia principios generales racionales e intelectivos acerca de las relaciones entre los pueblos, que estos principios fuesen reconocidos y que se los hiciese más o menos aceptables. Nos encontramos, así, con la proclamación de principios tales como, por ejemplo, la legitimidad del poder real; pues el pensamiento del autor se proyecta sobre todo. Sus pruebas y sus deducciones no nos satisfacen; pero no por ello debemos desconocer lo que por este camino se logró, a saber: el establecimiento de principios que encuentran su confirmación definitiva en los objetos mismos, en el espíritu y en los pensamientos.”

por lo que se refiere a la filosofía del Estado y su derecho (philosophia civilis), dice Hobbes que no es anterior a su libro De cive.” “Pero en él no hay, en realidad, nada de especulativo, nada que pueda llamarse propiamente filosófico; y menos aún en Hugo Grocio. § Con anterioridad, se proclamaban ideales o se invocaba la autoridad de la Sagrada Escritura o del derecho positivo; Hobbes, por el contrario, se esfuerza en reducir la comunidad del Estado y la naturaleza del poder político a principios que se hallan dentro de nosotros mismos y que reconocemos como propios. [Ao contrario: ele cita a bíblia DEMAIS!] Surgen así 2 principios contrapuestos. El 1º es el de la obediencia pasiva de los súbditos y la autoridad divina del regente, cuya voluntad es ley absoluta y se halla de suyo sustraída a toda otra ley. § Y esto se expone en relación estrecha con la religión y se prueba con ejemplos tomados del Antiguo Testamento, de la historia de Saúl y David, etc.” Ilegível hoje!

Es cierto que Hobbes afirma también la obediencia pasiva y la arbitrariedad absoluta del poder real; pero, al propio tiempo, intenta derivar de determinaciones generales los principios del poder monárquico, etc. Sus concepciones son superficiales y de tipo empírico; pero los fundamentos que alega y las proposiciones que desarrolla tienen un carácter original, en cuanto que se inspiran en las necesidades naturales del hombre.” “Hobbes afirma: «El origen de toda sociedad civil hay que buscarlo en el temor mutuo de todos»; esto no pasa de ser, en realidad, un fenómeno que se le revela a la conciencia.” “Hobbes alega, en apoyo de esto, una razón bastante curiosa, y es que «cualquiera puede matar al otro», es decir, ejercer sobre él la violencia extrema.”

Cudworth hizo el intento de revivir en Inglaterra la filosofía de Platón, pero por medio de demostraciones a la manera de las que encontrábamos en Descartes y de una seca metafísica intelectiva.” “También el de Clarke, con sus pruebas de la existencia de Dios, es un nombre famoso. Y, por este estilo, podríamos enumerar toda una serie de filósofos ingleses, de los que nos creemos autorizados a prescindir por completo, toda vez que Clarke, Wollaston y otros se mueven dentro de las formas de una metafísica intelectiva perfectamente vulgar.”

COMENTÁRIO GERAL SOBRE A SUPERFICIALIDADE DOS INGLESES: “La sociabilidad, por ejemplo, es un momento que encontramos en la experiencia, ya que el hombre obtiene de la sociedad múltiples beneficios. Ahora bien, ¿en qué se basa la necesidad del Estado, de la sociedad? En una inclinación social. Ésta es la causa, exactamente lo mismo que en lo físico se efectúa siempre este tipo de traducción formal. La necesidad de una existencia, por ejemplo la de los fenómenos de la electricidad, encuentra su fundamentación en una causa que los produce; es simplemente la forma de la reducción de lo exterior a lo interior, del ente a lo pensado, lo cual se representa, sin embargo, a su vez, como un ente” A conta quem paga somos nós, dos séculos XX e XXI, herdeiros da Colônia inglesa nas Américas. Do mais vil imperialismo que já grassou neste so-called planet. Se Hegel soubesse que o Espírito do Mundo reuniria a Terra numa Aldeia Global com estes ‘capitães’, teria reformulado seu sistema ainda em vida.

En la lucha sostenida por afirmar por sí mismas las relaciones jurídicas dentro del Estado y fundar una organización judicial se ha manifestado, mezclándose esencialmente en ello, la reflexión del pensamiento; y, lo mismo que veíamos en Hugo Grocio, Pufendorf convierte en principio un impulso humano, un instinto, a saber: el instinto de sociabilidad, etc.” Só o fato de que me formei sociólogo sem sequer ouvir falar nisso demonstra sua total irrelevância para o pensamento.

Newton fue indudablemente quien más contribuyó a la difusión de la filosofía de Locke o de la manera inglesa de filosofar, en general, y en particular a su aplicación a todas las ciencias físicas. Su lema era: «¡Física, guárdate de la metafísica!», lo que viene a decir, sobre poco más o menos: ¡ciencia, guárdate del pensamiento!HAHAHAHAHA!

[N.] levó la ciencia al punto de vista de la reflexión y proclamó las leyes de las fuerzas en vez de proclamar las leyes de los fenómenos.” “y tanto en la física como en la teoría de los colores recogió observaciones malas y llegó a conclusiones todavía peores.” Sobretudo na teoria das cores, que só foi arrematada a contento pelo “de humanas” Goethe!

Además, Newton es un pensador tan bárbaro por lo que a los conceptos se refiere, que le ocurría lo mismo que a aquel otro inglés que se asombraba y se alegraba extraordinariamente al saber que se había pasado toda la vida hablando en prosa, sin conocer que estaba dotado de este talento. Newton, en cambio, como los físicos, no llegó a saberlo nunca, no llegó a darse cuenta de que, cuando creía manejar simplemente cosas físicas, pensaba y manejaba conceptos; en este sentido, viene a ser la antítesis de Böhme, quien manejaba las cosas sensibles como si fuesen conceptos, y se adueñaba perfectamente de su realidad y la dominaba gracias a la fuerza de su espíritu, mientras que Newton, procediendo a la inversa, operaba con los conceptos como con cosas sensibles y los tomaba en sus manos como suelen tomarse la piedra o la madera.” “Al comienzo de las obras de ciencias físicas se nos habla, por ejemplo, de la fuerza de la inercia, de la fuerza de aceleración, de las moléculas, de la fuerza centrípeta y centrífuga, como de firmes determinaciones existentes; es decir, que se nos ofrecen como los primeros rudimentos los que debieran ser los resultados finales de la reflexión.”

¿Por qué no hacen estas ciencias mayores progresos? La causa de ello está sencillamente en que no saben operar con conceptos, sino que toman estas determinaciones y laboran a base de ellas, sin sentido ni entendimiento. Por eso en la óptica de Newton, por ejemplo, vemos que las conclusiones a que se llega a base de experiencias son algo tan alejado de la verdad, tan carente de conceptos que, presentándosenos como el ejemplo más grandioso de cómo se debe llegar a conocer la naturaleza por medio de experimentos y de conclusiones sacadas de ellos, debiera considerarse más bien como ejemplo de cómo no debiera experimentarse ni razonarse, de cómo no se debería tratar de conocer las cosas.

La naturaleza misma se encarga de refutar esa deplorable manera de experimentar, pues la naturaleza es algo mucho más excelente que lo que esos míseros experimentos nos dicen de ella: ella misma y el continuo experimentar dan el mejor mentís a esos falsos métodos. Y así, vemos que de los espléndidos descubrimientos newtonianos en materia de óptica sólo queda en pie uno: la división de la luz en 7 colores: en parte, porque lo que se ventila aquí es el concepto del todo y de las partes, y también por una empedernida cerrazón ante lo contrapuesto.” Já dediquei até um post sobre isso. Mas uma última palavra: creio que um dia diremos, esquecendo Cristo, e nos lembrando de Isaac Newton somente para esquecê-lo (lembrarmo-nos constantemente de conservá-lo esquecido): ANO XXX DEPOIS DE NÃO-NEWTON (ex: 272 d.¬N., para assinalar que não vivemos mais no mundo ocidental ou na modernidade que conhecemos. Obviamente meus tetranetos já serão caveiras até lá. Mas já vivemos em algum ano a.d¬N., se serve de consolo!

Leibniz, que en otro sentido es la antítesis de Newton, es también claramente, en lo filosófico, la antítesis de Locke y su empirismo, y de Spinoza.” “Leibniz integra exteriormente a Spinoza mediante su principio de la individuación.” “Gottfried Wilhelm (barón de) Leibniz nació en 1646, en Leipzig, donde su padre era profesor de filosofía.” Deve ser o único filósofo da história filho de um filósofo!

Poco después, trabó conocimiento en Nuremberg con una sociedad de alquimistas, dejándose iniciar en esta clase de estudios y manipulaciones; hizo extractos de obras sobre alquimia y ahondó en los arcanos de esta oscura ciencia.” Às vezes Leibniz só o fez pra “comer mulheres”, nós somos muito apressados em julgar!

Todas estas ocupaciones, tan diversas y tan dispares, no fueron obstáculo para que descubriera, en 1677, el cálculo diferencial, a propósito de lo cual se vio arrastrado a una disputa con Newton, en la que, por cierto, mantuvieron una actitud poco noble tanto éste como la Sociedad de Ciencias de Londres. Los ingleses, que propendían a atribuírselo todo y eran bastante injustos con los demás, sostenían que el verdadero inventor de este cálculo era Newton. Sin embargo, los Principia newtonianos vieron la luz con posterioridad al descubrimiento de Leibniz, y en una nota a la primera edición, que más tarde desapareció, se hace un elogio del filósofo alemán.” ‘Obscenidades’ que não deveriam estar num livro hegeliano de história da filosofia, digo, do Espírito do Mundo. A verdade é que este assunto, além disso, mesmo para uma historiografia da matemática, seria controverso e haveria necessidade de abordá-lo em mais parágrafos: ao que tudo indica, Newton já possuía o conhecimento do cálculo diferencial (não se descobre algo assim, o termo correto seria inventar), porém tinha o hábito de publicar apenas muito vagarosamente, após reunir mais material e ‘sentir a recepção’ das idéias na comunidade matemática, ao passo que outros autores como René Descartes e o próprio Leibniz publicavam imediatamente após concluírem artigos e teses, sem constrangimento em se autocontradizerem ou desmentirem de seguida. Aqui o patriotismo de H. foi provavelmente em vão, apesar de estar certo quanto ao caráter protecionista dos ingleses! Ler https://seclusao.art.blog/2021/05/26/historia-da-matematica-uma-visao-critica-desfazendo-mitos-e-lendas-tatiana-roque-2012/.

publicó obras muy importantes de historia. Murió en Hannover el año 1716, a los 70 de edad. (La Vie de Mr. Leibniz por el caballero de Jaucourt; Brucker)”

no encontramos ningún tratado de conjunto, ninguna obra sistemática revisada o desarrollada por él.” Talvez por isso também não tenha chegado a lê-lo até hoje. A diferença que uma obra clássica não faz em filosofia…

La obra que presenta, tal vez, apariencias de tal, su Théodicée, la más famosa entre el público, es una obra popular, escrita para la reina Sofía Carlota en contra de Bayle y en la que nuestro filósofo se esfuerza por rehuir todo lo especulativo. (…) posteriormente, se burlaron de Wolff, quien había tomado este libro muy en serio” “Nosotros no alcanzamos ya a gustar plenamente la Teodicea de Leibniz, en la que se trata de justificar a Dios por los males de este mundo.” Hmmm, agora me deu vontade de lê-la.

Buhle (Geschichte der neuern Philosophie, t. IV, secc. 1, p. 131) dice, refiriéndose a Leibniz: «Su filosofía no es tanto el producto de una especulación original, libre e independiente, como el resultado del examen de antiguos —y nuevos— sistemas, un eclecticismo cuyos defectos trataba de subsanar, este pensador, de un modo peculiar. Es una elaboración incoherente de la filosofía en forma de cartas.»” “De este modo, la filosofía leibniziana parece menos un sistema filosófico que una hipótesis sobre la esencia del universo y concretamente acerca del modo como ésta debe determinarse” “De aquí que la filosofía leibniziana parezca ser una serie de afirmaciones arbitrarias formuladas por este filósofo y empalmadas las unas con las otras, algo así como una novela metafísica; y no llegamos a apreciarla en su verdadero valor hasta que no vemos qué es lo que con ello ha querido evitar Leibniz.”

el nombre de mónadas, expresión empleada ya por los pitagóricos.”

«La sustancia es una cosa capaz de actividad; es simple o compleja, pero las complejas no pueden existir sin las simples. Las mónadas son sustancias simples.» L., Principes de la nature et de la grâce

Ahora bien, estas mónadas de que hablamos no son algo simple y abstracto de suyo, como los átomos vacíos de Epicuro, los cuales, por ser lo indeterminado de suyo, sólo pueden recibir y reciben su determinación, cualquiera que ella sea, de su agregación. Las mónadas son, por el contrario, formas sustanciales, expresión excelente, [ô!] tomada de la terminología de los escolásticos” “son las entelequias de Aristóteles concebidas como actividad pura, sean cuales fueren las formas que en ellas se manifiesten”

«Estas mónadas no tienen existencia material o extensión, ni nacen tampoco o perecen de un modo natural, sino que sólo pueden comenzar por un acto de creación de Dios y terminar por vía de destrucción.»

Ahora bien, la palabra «creación» es conocida en la terminología religiosa; pero es un término vacío, sacado de la representación: para que llegue a ser un pensamiento y tenga significado filosófico, es necesario determinarlo con mucha mayor precisión.”

«Precisamente porque son sustancias simples, las mónadas no son modificadas por otras en su esencia interior; no se establece entre ellas ninguna conexión causal.»

«Pero estas mónadas necesitan tener, al mismo tiempo, en sí mismas, ciertas cualidades, ciertas determinaciones, acciones internas, por las que se distingan de otras. No pueden existir dos cosas iguales, pues si existiesen, no serían ya 2 cosas distintas, sino una y la misma cosa.» Principia philosophiae

Para estas cosas sensibles el principio no tiene interés alguno: es, prima facie, indiferente que existan o no 2 cosas iguales entre sí; puede tratarse siempre de una distinción en cuanto al espacio. Es éste un sentido superficial, que no nos interesa en lo más mínimo. El sentido profundo es otro, a saber: el de que cada cosa es en sí misma algo determinado, algo que en sí misma se distingue de las demás.” “La distinción debe serlo en ella misma; no debe revelarse simplemente a nuestra comparación, sino que el sujeto debe encontrar la diferencia como su determinación propia; dicho en otros términos, la determinación debe ser inmanente al individuo. No somos nosotros los que distinguimos a la fiera por sus garras, sino que es ella la que se distingue esencialmente a sí misma por este atributo, la que se defiende y sostiene mediante él. Si 2 cosas sólo se distinguen por ser 2, cada una de ellas es una; el que sean 2 no representa en sí una relación diferencial, sino que lo fundamental es la diferencia determinada en sí.”

«Pero la determinabilidad y el cambio que ello lleva consigo representan un principio interno, que es en sí; es una pluralidad de modificaciones, de relaciones con las esencias que las rodean, pero una pluralidad que permanece encerrada en lo simple. Ahora bien, una determinabilidad y un cambio de este tipo, que permanecen y se desarrollan así en la esencia misma, no son otra cosa que una percepción [representação]»

Es ésta, sin duda, una determinación muy importante; en la sustancia misma va implícita la negatividad, la determinabilidad, sin renunciar a lo que tiene de simple y de ser dentro de sí. Y, penetrando más a fondo en la cosa, vemos que va implícito en ella ese idealismo que consiste en que lo simple sea un algo distinto en sí mismo, algo que conserva su unidad a despecho de sus cambios y permanece en la simplicidad, como, por ejemplo, yo o mi espíritu. En mí hay muchas representaciones, una gran riqueza de pensamientos; y, sin embargo, pese a esta diferenciabilidad, soy yo, es decir, una unidad. Es la idealidad en que lo distinto se levanta a la par y se determina como la unidad; las mónadas se distinguen, pues, por medio de modificaciones en ellas mismas, pero no por medio de determinaciones externas. Estas determinaciones que van implícitas en las mónadas se contienen en ellas de un modo ideal; esta idealidad en la mónada forma un todo en sí misma, por donde estas distinciones no son sino representaciones. Tal es la diferencia absoluta a que se da el nombre de concepto; lo que en la mera representación se desdobla aparece aquí unido.” “la actividad es la diferenciabilidad dentro de la unidad, y en esto y no en otra cosa consiste la verdadera diferencia.”

«La actividad del principio interior, por medio de la cual avanza de una percepción a otra, es una apetencia (apetitus

a las percepciones de la conciencia las llama Leibniz apercepciones.” O vocabulário da filosofia vai enriquecendo, mas com isso não se garante que enriqueça a filosofia mesma. Apercepção, que em Kant é um termo incognoscível (o que não compromete compreendê-lo), significa, pois, originalmente: a representação conceituável (pensável). O que é mais que pura aparência, embora decorra evidentemente do fenômeno.

NUNCA ESCAPAREIS DE PLATÃO: “La diferencia entre las mónadas puramente representativas y las mónadas conscientes de sí la cifra Leibniz en una diferencia de grado de claridad.”

Ahora bien, cuando pone de manifiesto, en forma de ejemplos, la existencia de representaciones sin conciencia, se remite al estado de desvanecimiento o de sueño, en que el hombre es una simple mónadaOra, eu não posso – e se pudesse seria inútil e tedioso – descrever em literatura cada rachadura das paredes de minha casa. Abstração do homem como indivíduo (e aliás pela 1ª vez como indivíduo, já que o indivíduo de que falamos na linguagem corrente é quase sempre, em realidade, um divíduo, complexo, para si e não em si), não obstante, é um ganho enorme em termos filosóficos. Significa abstrair todo o mundo – toda a representação e a situação que carrego comigo – num outro absolutamente ‘insignificante’, do ponto de vista universal. Toda a filosofia de Rafael com suas riquíssimas implicações como uma mônada.

La materia no es otra cosa que su capacidad pasiva. Esta capacidad pasiva constituye, precisamente, la oscuridad de las representaciones o un aturdimiento que no conduce a la distinción, a la apetencia o a la actividad.” As rachaduras na parede, repito. A filosofia analítica in a nutshell? Mas por estar numa casca de noz já se tornou um continente – cof, cof…

Leibniz, De anima brutorum – o ruim de L. é que para apreender sua filosofia como um todo provavelmente terei de recorrer a suas Obras completas!

Los cuerpos como tales cuerpos son conglomerados de mónadas; son agregaciones a las que no podemos llamar sustancias, del mismo modo que no podemos dar este nombre a un rebaño de ovejas. La continuidad de ellas es una ordenación o una extensión, pero el espacio no es nada en sí; tiene ser solamente en un otro, es una unidad que nuestro entendimiento infunde a aquel conglomerado. (Système nouveau de la nature et de la communication des substances; Nouveaux essais sur l’entendement humain [obra estritamente para refutação do lockismo, de cunho não-obrigatório])»

L. determina y distingue 3 clases de mónadas: las inorgánicas, las orgánicas y las conscientes”

Son inorgánicos aquellos cuerpos que no poseen una unidad interior, cuyos momentos sólo se hallan unidos por el espacio o exteriormente; no hay en ellos una entelequia o una mónada que predomine sobre las demás.” “Son inorgánicos aquellos cuerpos que no poseen una unidad interior, cuyos momentos sólo se hallan unidos por el espacio o exteriormente; no hay en ellos una entelequia o una mónada que predomine sobre las demás.” “Una fase superior del ser son los cuerpos vivos y animados, en los que una mónada predomina sobre las demás. El cuerpo unido con la mónada —del cual la mónada una es la entelequia o el alma— es llamado, en unión de esta alma, un ser vivo, un animal. [dotado de alma]” “Si Leibniz no se hubiese servido de la palabra «predominar» y hubiese desarrollado con mayor precisión este concepto, tendríamos que esta mónada abarcante levantaría a las otras y las reduciría a algo puramente negativo; el ser en sí de las otras mónadas o el principio del ser absoluto de estos puntos o individuos habría desaparecido.”

GLOSSÁRIO KANTIANO: «Estas verdades eternas descansan sobre 2 principios: uno es el de la contradicción, otro el de la razón suficiente

El primero es la unidad, expresada inútilmente como un principio, la distinción de lo que no puede distinguirse, el A = A” «El principio de la razón consiste en que todo tiene su fundamento» “La verdad necesaria tiene que tener así su fundamento en ella misma, de tal modo que se la encuentre por medio del análisis, es decir, precisamente por medio de aquel principio de la identidad. El análisis es, en efecto, la representación predilecta que lo reduce todo a conceptos y principios simples: una reducción que destruye su relación y que es, por tanto, en realidad, un tránsito a lo opuesto, pero sin tener la conciencia de ello, y que, por tanto, excluye el concepto, pues sólo retiene todo lo que es opuesto en su identidad consigo mismo. Esto de razón suficiente parece ser un pleonasmo; sin embargo, Leibniz entendía por ello fines y causas finales (causae finales), cuya distinción con respecto al nexo causal o a su causa eficiente pone aquí de manifiesto.” Homo, aquele que pode agir em ato e em potência (para si e em si).

SOBRE O CLICHÊ <VIVEMOS NO MELHOR DOS MUNDOS POSSÍVEIS>: “No cabe duda de que es posible, en general, afirmar esto; sin embargo, esta perfección de que se habla no representa un pensamiento determinado, sino una expresión mala, popular, y una cháchara acerca de una posibilidad representativa o imaginativa; Voltaire se ha burlado ingeniosamente de esta manera de pensar.”

Hay que decir, además, que la razón suficiente se refiere a la representación de las mónadas. Los principios de las cosas son las mónadas, cada una de las cuales es para sí, sin influir para nada en las demás. Ahora bien, si la mónada de las mónadas, Dios, es la sustancia absoluta y las diversas mónadas individuales son obra de su voluntad, desaparece la sustancialidad de ellas. Nos vemos situados, así, ante una contradicción que permanece de suyo insoluble: es la contradicción entre la mónada sustancial una y las muchas mónadas sueltas, que se presentan como sustantivas e independientes por el mero hecho de que su esencia consiste en no guardar relación las unas con las otras.” “Lo que hay de grande en Leibniz es esta intelectualidad de las representaciones, aunque Leibniz no haya sabido desarrollarla debidamente; por esta razón, es esta intelectualidad, al mismo tiempo, una pluralidad infinita que conserva su independencia absoluta, ya que esta intelectualidad no ha sabido superar la unidad. Leibniz no ha sabido sintetizar en la unidad la separación en el concepto que va hasta la dimisión de sí mismo, hasta el manifestarse bajo la apariencia de una sustantividad distinta. La coordinación de estos 2 momentos, de la trayectoria de las representaciones y de la trayectoria de las cosas externas, manifestándose mutuamente como causa y efecto, no sabe Leibniz relacionarlas en y para sí; por eso deja que se desdoblen, a pesar de que cada una de estas 2 trayectorias se mantiene pasiva con respecto a la otra. Es cierto que, vista la cosa más de cerca, las considera a las 2 formando una unidad; pero, al mismo tiempo, su actividad no existe según él para sí.”

La palabra «Dios» es, por tanto, el recurso que se emplea para llegar a una unidad que es solamente una unidad pensada, pues no se indica cómo de esta unidad emerge lo múltiple. Por consiguiente, Dios desempeña en la filosofía moderna un papel mucho más importante que en la antigua, ya que ahora constituye un postulado fundamental el comprender la antítesis absoluta del pensar y el ser.” “Dios viene a ser, por tanto, algo así como el arroyo al que van a fluir todas las contradicciones; y eso, una colección popular, es la Teodicea leibniziana.”

Directamente enlazada a la de Leibniz aparece la filosofía de Wolff, que no es, en rigor, sino una sistematización pedantesca del pensamiento leibniziano, razón por la cual se la conoce también con el nombre de filosofía de Leibniz-Wolff.

Wolff hízose famoso en el cultivo de las matemáticas y también por su filosofía, que llegó a dominar en Alemania durante bastante tiempo. En Wolff, como el maestro del entendimiento, nos encontramos con un desarrollo sistemático de la materia filosófica existente de las representaciones humanas en general. Por tanto, Wolff tiene grandes e inmortales méritos, principalmente por su obra de cultivador de la inteligencia de los alemanes, y se le puede considerar, ante todo, como maestro de este pueblo. Puede afirmarse que Wolff fue el primero que aclimató la filosofía en Alemania.” Uau!

ELOGIAR OFENDENDO, OU CRITICAR ENALTECENDO? “Comparten también esta fama otras 2 figuras: Tschirnhausen y Thomasius, sobre todo por el hecho de haber escrito sobre filosofía en alemán. Sin embargo, poco, muy poco es lo que podríamos decir acerca de la filosofía de estos 2 pensadores, en cuanto a su contenido, pues no es, en rigor, otra cosa que lo que se llama la sana razón: esa superficialidad y esa vacua generalidad con que nos encontramos siempre allí donde empieza a levantar su vuelo el pensamiento. La generalidad del pensamiento satisface, en estos casos, porque todo se contiene en ella como en un refrán, que, a fuerza de ser muy general, carece de todo contenido determinado.” “Esta filosofía acaba convirtiéndose, como filosofía intelectiva, en parte de la cultura general: el pensamiento determinado, intelectivo, se erige aquí en principio fundamental y se extiende por toda la órbita de los objetos que caen dentro del campo del saber. Wolff definió para Alemania, y aun de un modo más general, el mundo de la conciencia, como respecto de su tiempo podríamos afirmar de Aristóteles.” “Aquella filosofía sustancial y espiritualmente superior con que nos encontrábamos en Böhme y que revestía en este pensador una forma propia y todavía bárbara se ha extinguido por completo y ha desaparecido, sin dejar el menor rastro; hasta su mismo lenguaje cae en el más completo olvido.”

He aquí lo más notable de la vida de Christian Wolff: nació en Breslau, en 1679, era hijo de un panadero, empezó estudiando teología, pasó luego al estudio de la filosofía, y en 1707 obtuvo una cátedra de matemáticas y filosofía en la universidad de Halle. Aquí, fue víctima de las más viles asechanzas por parte de los teólogos pietistas, especialmente de Lange. La gente piadosa no se fiaba de la obra del entendimiento; sabía que si ésta era verdadera se remontaría necesariamente a un contenido de naturaleza especulativa, que habría de trascender, por tanto, del campo del entendimiento.

Los adversarios, en vista de que no conseguían nada con los ataques escritos, recurrieron a las intrigas. Hicieron creer al rey Federico Guillermo I, padre de Federico II, un rey bárbaro preocupado solamente en cosas de soldados y de milicia, que el determinismo de Wolff suprimía el libre arbitrio humano, por lo cual, según su filosofía, habría que entender que los soldados que desertaban del ejército no obraban por su libre voluntad, sino obligados por una especial institución divina (por la armonía preestablecida) y que si esta doctrina llegaba a difundirse entre los soldados podría ser extraordinariamente peligrosa para el Estado. El rey, montando en cólera, extendió inmediatamente una orden de gabinete en que se conminaba a Wolff para que, en un plazo de 48 horas, abandonase la ciudad de Halle y los estados prusianos, si no quería verse castigado con la horca.” “el piadoso Franke dio gracias a Dios, de rodillas, en una iglesia, por haber alejado de allí a aquel hombre. Pero no habría de durarles mucho la alegría a los pietistas. Wolff habíase trasladado a Kassel, y poco después fue nombrado primer profesor en la Facultad de Filosofía de Marburgo; por los mismos días, fue honrado con los nombramientos de miembro de las Academias de Ciencias de Londres, París y Estocolmo, y el zar Pedro I lo designó vicepresidente de la Academia de San Petersburgo, recién fundada. Recibió, además, una invitación para trasladarse a Rusia, que declinó, siéndole adjudicado, no obstante, un sueldo honorífico. El Gran Elector de Baviera le concedió un título de barón y se vio, en una palabra, cargado de honores materiales, que entonces sobre todo (y también ahora) realzaban mucho la personalidad de las gentes a los ojos del gran público y que eran demasiado grandes para no producir sensación también en Berlín.

En vista de ello, se nombró en la capital de Prusia una comisión encargada de dictaminar acerca de la filosofía de Wolff (ya que a ésta no había sido posible expulsarla, como al filósofo).” HAHAHAHAHAHA!!!

El dictamen emitido fue absolutorio para ella, es decir, declaró que no envolvía ningún peligro para la religión”

Federico Guillermo dirigió al filósofo una carta muy honrosa para él, llamándolo a reintegrarse a su cátedra, pero la invitación fue rehusada por Wolff, quien no se fiaba demasiado de las intenciones del rey y sus consejeros. Federico II, inmediatamente después de subir al trono, en 1740, reiteró la invitación en términos muy elogiosos (Lange había muerto hacía ya bastante tiempo), y esta vez fue escuchada. Wolff fue designado vicecanciller de la universidad; su fama, sin embargo, se había disipado y, poco a poco, su aula quedó vacía. Murió en 1754. (Buhle; Rixner; Tiedemann)” HAHAHA!

Una gran parte de sus obras fueron escritas por Wolff en su lengua natal, mientras que Leibniz había escrito casi todas las suyas en latín y en francés. Es éste un detalle muy importante, pues sólo puede decirse que una ciencia pertenece verdaderamente a un pueblo cuando éste la posee en su propia lengua, y en ninguna es esto tan necesario como en la filosofía.” “cuando se dice, por ejemplo, Bestimmtheit en vez de «determinatio», Wesen por «essentia», etc., el pensamiento existe de un modo inmediato para la conciencia y puede decirse que estos conceptos pasan a formar parte sustancial de ella, como cosa propia y no ya como algo extraño.” “ha sido aceptado que, cuando se escribe en latín, se puede ser simple, pero es asombroso lo que con el pretexto de escribir en latín se han permitido decir.” HAHAHA – não era para exagerar muito no sentido contrário!

Los títulos de las obras de Wolff, redactadas en alemán, son todos de este tenor: Vernünftige Gedanken von den Kräften des menschlichen Verstandes und ihrem richtigen Gebrauche in der Erkenntniss der Wahrheit [«Pensamientos racionales sobre las fuerzas del entendimiento humano y de su certero empleo para el conocimiento de la verdad»] (Halle, 1712, 8.º); Vernünftige Gedanken von Gott, der Welt und die Seele des Menschen, auch allen Dingen überhaupt [«Pensamientos racionales sobre Dios, el mundo y el alma humana, así como sobre todas las cosas en general»] (Francfort y Leipzig, 1719); Von der Menschen Thun und Lassen [«Sobre las acciones y omisiones del hombre»] (Halle, 1720); Von dem gesellschaftlichen Leben [«Sobre la vida social»] (Halle, 1721); Von den Wirkungen der Natur [«Sobre las acciones de la naturaleza»] (Halle, 1723), etc. Este pensador escribió en alemán y en latín acerca de todas las partes de la filosofía, incluyendo la economía, hasta el número de 23 gruesos volúmenes en latín; en total, 40 volúmenes en cuarto. Aparte de esto, sus obras matemáticas, que forman muchos volúmenes del mismo formato. En sus estudios, aplicó de un modo general el cálculo diferencial e integral de Leibniz.”

En Spinoza, por el contrario, no encontramos más contenido que la sustancia absoluta y el constante retorno a ella. Los grandes méritos que hay que reconocerle a Wolff en cuanto a la educación intelectiva de Alemania, que ahora se revela como algo totalmente aparte, sin la menor relación con anteriores concepciones metafísicas más profundas, guardan igual proporción con la sequedad y la ausencia interior de contenido en que se hunde, al llegar a Wolff, la filosofía, que este pensador divide en sus disciplinas formales, por medio de determinaciones intelectivas y mediante el empleo pedantesco del método geométrico, a la par que entroniza, conjuntamente con los filósofos ingleses, el dogmatismo de la metafísica intelectiva, es decir, un filosofar que determina y eleva a tónica general lo absoluto y lo racional por medio de determinaciones conceptuales y relaciones que se excluyen entre sí, por ejemplo lo uno y lo múltiple o lo simple y lo complejo, lo finito y lo infinito, la relación causal, etc.

Wolff desplaza totalmente y de un modo meticuloso la filosofía escolástico-aristotélica y convierte la filosofía en una ciencia general que pertenece a la nación alemana. Por lo demás, implanta en la filosofía la clasificación sistemática y adecuada en disciplinas, que todavía sigue rigiendo hoy con una cierta autoridad.”

En la matemática, que abarca 4 pequeños volúmenes, trata también Wolff de la arquitectura y el arte de la guerra. En la arquitectura formula, por ejemplo, el siguiente principio: «Las ventanas deben ser capaces para dos personas». Y expone también como problema y solución la necesidad de que toda casa tenga su retrete. Pero el mejor ejemplo es el que nos ofrece su arte de la guerra. Dice así el «cuarto principio: El acercamiento a una fortificación debe hacerse más y más costoso al enemigo a medida que va aproximándose a ella». Y, en vez de decir: porque el peligro va haciéndose cada vez mayor, lo que también es trivial, viene la siguiente «prueba: Cuanto más se acerca el enemigo a la fortificación, mayor es el peligro. Y cuanto mayor es el peligro, más resistencia hay que ofrecerle, para anular sus ataques y librarse del peligro todo lo posible. Por tanto, cuanto más se acerque el enemigo a la fortificación, más caro debe costarle», etc.” HAHAHAHAHAAHAHAHA!!!!

Por su contenido, la filosofía de Wolff es ya de suyo una filosofía popular, aunque en lo tocante a la forma prevalezca todavía en ella el pensamiento. Esta filosofía se mantiene en pie e impera hasta llegar a Kant. Baumgarten, Crusius, Moses Mendelssohn no hicieron otra cosa que elaborar, cada uno por su cuenta, la filosofía wolffiana; el último de los pensadores citados filosofó en una forma popular y llena de buen gusto.” “la metafísica había quedado reducida a lo más diluido y se la había hecho descender a un nivel de insuperable vacuidad, sin dejar en ella un solo hilo firme. Mendelssohn se tenía y era tenido por el más grande de los filósofos, y sus amigos lo colmaban de elogios. Sin embargo, sus Morgenstunden [«Horas matinales»] no son otra cosa que la seca filosofía wolffiana, por mucho que sus admiradores se empeñen en buscar en estas ásperas abstracciones una luminosa forma platónica.”

A esta filosofía antigua podemos retornar constantemente, comprendiéndola y reconociéndola; es una filosofía satisfactoria, situada en su propia fase de evolución, un punto central concreto que da satisfacción a la misión del pensamiento, tal y como se la enfoca. En cambio, esta metafísica moderna a que nos estamos refiriendo no hace otra cosa que desarrollar los antagonismos hasta convertirlos en contradicciones absolutas. Es cierto que se nos indica la solución absoluta de ellas, Dios, pero solamente como una solución abstracta, situada en el más allá; en el más acá, quedan en pie todas las contradicciones, sin resolver en cuanto a su contenido.” “Sólo en Él como Espíritu y Espíritu Uno y Trino se contiene esta contraposición de sí mismo y del Otro, del Hijo, y, con ello, la solución de este antagonismo; esta idea concreta de Dios como la razón no aparece asimilada aún por la filosofía a que nos venimos refiriendo.” PORRA, HEGEL – ASSIM NÃO, FILHO!

Entre los antiguos, la razón (λόγος), como el ser en sí y para sí de la conciencia, sólo cobraba la existencia etérea y formal del lenguaje. Aquí, en cambio, cobra ya la certeza de la sustancia ente; de aquí, en Descartes, la unidad del concepto y el ser y en Spinoza, asimismo, la realidad general. La manifestación del concepto del movimiento de los pensamientos fijos en ellos mismos consiste en que el movimiento, que sólo se presenta como método al margen de su objeto, se revele en sí mismo, o en que la conciencia de sí llegue al pensamiento.”

PELO VISTO A INHACA MENTAL DA SANTÍSSIMA TRINDADE INVADIU, NO SISTEMA HEGELIANO, OS ESTADOS-NAÇÕES TAMBÉM: “Estos 3 aspectos aparecen repartidos, a su vez, como hasta aquí, entre las 3 naciones que cuentan en el mundo de la cultura. Los ingleses destacan la forma empírica, la forma totalmente finita del concepto; los franceses, la forma del mismo en cuanto haciendo tanteos en todo, estableciéndose en su realidad, levantando todas las determinaciones y, por tanto, como conciencia de sí pura, ilimitada, general; finalmente, los alemanes ponen de relieve el ir a sí de este ser dentro de sí, es decir, el pensamiento del concepto absoluto.”

ÍCARO TEM DE SUBIR E BAIXAR EM SEU VÔO PARA NÃO SE ESTREPAR: “La decadencia del pensamiento hasta llegar a la filosofía kantiana se revela, pues, en las corrientes que ahora se yerguen en contra de aquella metafísica y a las que podemos dar el nombre de filosofía popular general, empirismo reflexivo y el cual se convierte, a su vez, más o menos, en una metafísica, así como, a la inversa, aquella metafísica, al desplegarse en una serie de ciencias especiales, se trueca en empirismo. Contra aquellas contradicciones de la metafísica, contra los artificios de la síntesis metafísica, contra la asistencia de Dios y la armonía preestablecida, el mejor de los mundos, etc., contra este entendimiento puramente artificioso, se afirman ahora y se enderezan, en efecto, principios fijos e inmanentes al espíritu acerca de lo que el corazón del hombre culto siente, intuye y venera. Y frente a la solución que se nos ofrece en el más allá, en Dios, estos principios concretos de contenido fijo representan una reconciliación y una independencia en el más acá, un punto de apoyo intelectivo, sacado de lo que se ha llamado, en general, el sano sentido común.”

También los indios, que adoran a una vaca, que abandonan o matan a los niños recién nacidos y cometen toda suerte de crueldades, los egipcios, que tributan culto a un pájaro, al buey Apis, etc., y los turcos, tienen eso que llamamos sano sentido común. Pero el sano sentido común y el sentimiento natural de los brutales turcos, cuando se toman como pauta, conducen a principios aborrecibles.”

Tal es, por tanto, la fisonomía que presenta la filosofía del siglo XVIII. Son 3, en general, los aspectos que tenemos que examinar aquí: el primero, lo representa Hume; el segundo, la filosofía de los escoceses; el tercero, la filosofía francesa. Hume es un filósofo escéptico; la filosofía escocesa es la reacción en su contra; la filosofía francesa tiene un apéndice de apagada forma en el pensamiento de la Ilustración alemana, nombre que se da a aquel conjunto de manifestaciones de la filosofía de nuestra nación que se salen de los marcos de la metafísica wolffiana.”

Como no es posible ir concretamente más allá del Dios metafísico, nos encontramos con que Locke basa su contenido filosófico sobre la experiencia. Pero Hume pone de manifiesto que el empirismo no puede conducir al pensamiento a ninguna posición fija, ya que niega todo lo general.” “El pensamiento, en general, es el ser idéntico a sí mismo simple y general, pero como el movimiento negativo, por medio del cual se levanta lo determinado. Este movimiento del ser para sí es ahora momento esencial del pensamiento mismo, mientras que, hasta ahora, existía fuera de él; y, al concebirse así, como movimiento en sí mismo, el pensamiento es conciencia de sí, y lo es, primeramente, de un modo formal, como conciencia de sí individual. Esta forma es la que presenta en el escepticismo, pero con la diferencia con respecto al escepticismo de los antiguos de que ahora se toma por base la certeza de la realidad, mientras que en los antiguos, por el contrario, el escepticismo era el retorno a la conciencia individual, de tal modo que ésta no era la verdad o que no proclamaba su resultado ni adquiría, por tanto, una significación positiva.” “el escepticismo reviste, aquí, la forma del idealismo, es decir, proclama como realidad y como verdad la conciencia de sí o la certeza de sí misma. La forma peor de este idealismo consiste en que la conciencia de sí, como conciencia de sí individual o formal, no pase de decir: todos los objetos son representaciones nuestras. Este idealismo subjetivo es el que encontramos en Berkeley; y otro giro de él se nos presenta en Hume.”

George Berkeley nació el año 1684 en Kilcrin, cerca de Thomastown, en el condado de Kilkenny (Irlanda), y murió en 1754, siendo obispo de una diócesis inglesa. Escribió la Theory of vision, 1709, el Treatise concerning the principles of human knowledge, 1710, y Three Dialogues between Hylas and Philonous, 1713. Sus obras completas vieron la luz en Londres, en 1784, formando 2 volúmenes en cuarto.”

Todos los objetos del conocimiento humano son ideas —como, lo expresa Berkeley, coincidiendo con Locke— que brotan bien de las impresiones de los sentidos exteriores, bien de percepciones de los estados y las actividades interiores del espíritu, o, finalmente, aquellas que se forman por medio de la memoria y de la imaginación, a través de la separación y la nueva unión de las mismas. La asociación de diversas percepciones de los sentidos se nos aparece como una cosa especial, como ocurre, por ejemplo, con la sensación del color, del gusto, del olor, de la figura, etc., pues por colores, olores, sonidos, etc., entendemos siempre solamente lo percibido.”

Es cierto que Locke distinguía, por ejemplo, la extensión y el movimiento como cualidades fundamentales, es decir, como cualidades pertenecientes a los objetos en sí. Pero Berkeley advierte perfectamente bien la inconsecuencia de este aspecto según el cual lo grande y lo pequeño, lo rápido y lo lento no rigen más que como algo puramente relativo; por tanto, para que la extensión y el movimiento sean en sí no pueden ser ni grande ni pequeña la primera, ni rápido o lento el segundo, es decir, no pueden ser en modo alguno, ya que estas determinaciones se hallan implícitas en el concepto mismo de tales cualidades.”

una percepción que no se da en quien se la representa no es nada, es una contradicción inmediata. No puede existir, por tanto, una sustancia que no podamos representarnos, que no podamos percibir y que sea el sustrato de las percepciones y las representaciones.”

No obstante, permanece siempre en pie una relación de lo otro con nosotros mismos; estas sensaciones no se desarrollan partiendo de nosotros, como cree Leibniz, sino que se determinan por medio de otra cosa. Cuando Leibniz habla de una evolución dentro de la mónada no hace más que pronunciar una frase vacía de sentido” “Por tanto, cada cosa individual se halla determinada por otra, no por nosotros; y es indiferente lo que esta cosa exterior sea, ya que es siempre algo contingente.”

LA MULETA DE SIEMPRE: “La necesidad de las representaciones se halla, sin embargo, en contradicción directa con este ser dentro de sí mismo del que se representa, pues el ser dentro de sí es la libertad del sujeto de las representaciones, el cual no las engendra con libertad, desde el momento en que tienen para él la forma y la determinación de lo otro. Tampoco Berkeley enfoca el idealismo en este sentido subjetivo, sino que dice que son solamente los espíritus los que se comunican (lo otro no hace más que representarse a sí mismo); por tanto, es solamente Dios quien crea semejantes representaciones”

Semejante idealismo trata solamente la contraposición entre la conciencia y su objeto y deja, por lo demás, perfectamente intacto el despliegue de las representaciones y los antagonismos del contenido empírico y múltiple. Y si ahora se pregunta qué es lo que hay de verdad en estas percepciones y representaciones, como antes en las cosas, no obtendremos respuesta alguna. Es casi indiferente que se tenga una concepción de cosas o de percepciones, siempre y cuando que la conciencia de sí permanezca llena de cosas finitas; esta conciencia de sí recibe el contenido del modo corriente y tiene la estructura habitual. No hará, en su individualidad, sino dar vueltas y más vueltas en las representaciones de una existencia perfectamente empírica, sin llegar, por lo demás, a conocer ni a comprender nada del contenido; dicho de otro modo: en este idealismo formal, no tiene la razón ningún contenido peculiar.”

Lo único interesante, en este punto, es saber que estas investigaciones, por este camino, van a parar principalmente al problema del espacio y se debaten en torno a la cuestión de si la representación de la distancia, etc., en una palabra, todas las representaciones que se refieren al espacio, las obtenemos a través de la vista o por medio del tacto. El espacio es, en efecto, ese algo general sensible, ese algo general que se da en la individualidad misma y que en la consideración empírica de la dispersión empírica invita y conduce al pensamiento (pues es él mismo el pensamiento) y que induce precisamente a confusión a estas percepciones sensibles y a este razonar en torno a ellas y que, en rigor, teniendo como tiene aquí un pensamiento objetivo, conduciría a pensar o a tener un pensamiento, pero que no acaba de ver claro, por la sencilla razón de que no le preocupan el pensamiento ni el concepto, ni puede arribar sencillamente a la conciencia de la esencia; no piensa nada, en efecto, como un pensamiento, sino que lo piensa todo como algo externo, ajeno al pensamiento.” Me faz lembrar das concepções psicogenéticas do desenvolvimento cognitivo do bebê, e.g., no piagetismo.

Debemos exponer a continuación el escepticismo de Hume, que ha adquirido mayor notoriedad histórica de la que en sí merece; lo importante en él, desde el punto de vista histórico, consiste en que Kant arranca en realidad de esta doctrina para construir su propia filosofía.”

O HOMEM-ESCADA: “Devemos expor, na seqüência, o ceticismo de Hume, que adquiriu maior notoriedade histórica do que em si merece; o importante nele, do ponto de vista histórico, consiste em que Kant arranca, em realidade, desta doutrina a fim de construir sua própria filosofia.” Ver meu capítulo anterior da HISTÓRIA DAS IDÉIAS, https://seclusao.art.blog/2021/05/13/historia-das-ideias-introducao-a-epistemologia-hume-kantiana/.

Hume es más famoso como historiador que por sus obras filosóficas. Escribió A Treatise of human nature (3 vols., 1739, traducido al alemán por Jacob, Halle, 1790, ), y además Essays and Treatises on several subjects, en 2 vols. (Vol. I containing Essays moral, political and literary, 1.ed, Edimburgo, 1742; Vol. II containing an Enquiry concerning human understanding, que no es sino una refundición del Treatise, 1.ed, Londres, 1748, ). En sus Ensayos, los que más fama le dieron como filósofo, trata una serie de problemas filosóficos a la manera de un hombre de mundo cultivado y dotado de la capacidad de pensar, pero no con una coordinación verdaderamente filosófica, ni tampoco con la extensión que realmente habrían podido llegar a adquirir sus pensamientos; en algunos de estos estudios, se limita realmente a destacar sólo algunos aspectos especiales, sin desarrollarlos en su totalidad.”

Lo fundamental de su filosofía puede exponerse en pocas palabras. Parte directamente del punto de vista filosófico de Locke-Bacon, según el cual nuestros conceptos se derivan de la experiencia; y su escepticismo recae, asimismo, sobre el idealismo berkeleyano.” “en Hume, se depura y se manifiesta con mayor nitidez la contraposición entre lo sensible y lo general, desde el momento en que determina lo primero como carente de generalidad. Berkeley no entraba a distinguir si en sus sensaciones existía o no una necesaria concatenación. Antes, la experiencia era una mezcla de ellas.” “Con esto, Hume pone la piedra de remate al lockeanismo, al llamar consecuentemente la atención hacia el hecho de que, manteniendo este punto de vista, si bien la experiencia es la base de lo que se sabe y la percepción misma contiene cuanto acaece, en la experiencia no se contienen, a pesar de ello, ni nos son dadas las determinaciones de la generalidad y la necesidad.” “Hume, al concebir la necesidad, la unidad de lo contrapuesto, de un modo enteramente subjetivo, cifrándola en el hábito, desciende tanto en la escala del pensamiento, que no cabe más.” “Por eso Hume considera este tipo de generalidad, al igual que la necesidad, más bien como algo puramente subjetivo, no como algo que exista objetivamente, pues el hábito es justo una generalidad subjetiva de este tipo.” “Todo se manifiesta, pues, bajo la forma de un ser irracional y no pensado” “lo que ocurre es que, en Kant, esta fuente presenta una forma completamente distinta a la que tiene entre los escoceses. En efecto, esta fuente interior e independiente, tal como los escoceses la conciben, no es el pensamiento, la razón como tal, sino que el contenido que mana de esta fuente interior tiene un carácter más concreto y reclama también una materia exterior de experiencia.” “Y este lado del entendimiento razonante se orienta, fundamentalmente, hacia lo ético y la política, ciencias que llegan a adquirir gran desarrollo gracias a los filósofos alemanes, a los franceses, y muy especialmente a los escoceses.” “trátase, en efecto, de obras escritas a la manera de Cicerón y del Insitum est a natura, proclamado por éste”

Thomas Reid nació en 1704 y murió siendo profesor en Glasgow en 1796. (Rixner)”

James Beattie nació en 1735, fue profesor de ética en Edimburgo y Aberdeen y murió en 1803.”

En este mismo grupo de pensadores podemos incluir también a Dugald Stewart, Eduard Search, Ferguson y Hutcheson, que escribieron en su mayoría acerca de ética. También el economista Adam Smith puede ser considerado, en este sentido, como filósofo, y es el más conocido de todos ellos. § Esta filosofía escocesa pasa por ser ahora, en Alemania, algo nuevo. Es una filosofía popular que, de una parte, ostenta el gran título de indagar en el hombre, en la conciencia humana, la fuente de lo que debe tener validez general para él, la inmanencia de lo que debe tener valor para el hombre. El contenido es, al mismo tiempo, un contenido concreto; es, en este sentido, algo opuesto a la verdadera metafísica, al vagar en torno a determinaciones abstractas del entendimiento.” “todos ellos buscan, en efecto, una filosofía apriorística, pero no por vía especulativa.”

En los últimos tiempos, esta filosofía escocesa se ha extendido a Francia; el profesor Royer-Collard, actual presidente de la segunda Cámara, y su discípulo Jouffroy, se basan en ella para llegar, a través de los hechos de la conciencia, por medio del razonamiento cultivado y de la experiencia, a desarrollos más amplios. § Con esto se enlaza también lo que los franceses llaman ideólogía;¹ trátase de una metafísica abstracta, en cuanto que se reduce a una enumeración y un análisis de las más simples determinaciones del pensamiento.”

¹ Nenhuma relação com o conceito atual (marxista) de ideologia.

NA TERRA DE COMTE…: “Pasamos ahora a la filosofía francesa; su relación con la metafísica es ésta: mientras que el hombre lego se halla en contra de sí mismo en cuanto metafísico, esa filosofía acaba con el estado de los legos, en política, en religión y en filosofía.”

entre los ingleses nos encontrábamos con este idealismo: bien sea como algo formal, como la simple traducción general del ser al ser para otro, es decir, en el ser percibido, o como el en sí de este ser percibido, como instintos, impulsos, hábitos, etc., como fuerzas ciegas y determinadas: el retorno a la conciencia de sí, que se manifiesta, a su vez, como cosa natural. En aquel primer idealismo, toda la finitud, el despliegue de los fenómenos y las sensaciones, y también de los pensamientos y de los conceptos fijos determinados, permanecen lo mismo que en la conciencia no-filosófica. § El escepticismo de Hume hace que todo lo general se hunda y se disuelva en los hábitos y en los instintos: ese escepticismo es, dicho de otro modo, una simple yuxtaposición del mundo de los fenómenos; pero estos elementos simples, estos instintos, impulsos y fuerzas son asimismo una existencia de la conciencia de sí carente de espíritu, inmóvil y determinada. § La filosofía francesa es más viva, más dinámica, más ingeniosa; es, mejor dicho, lo ingenioso mismo.”

Todas estas formas, el en sí real del mundo real y el en sí del mundo suprasensible, se levantan por tanto, aquí, en este espíritu consciente de sí mismo. Éste no se atiene a las representaciones tal y como son, no les concede validez ni las acepta como verdaderas, no las venera como independientes y libres al margen de la conciencia de sí, sino que habla ingeniosamente de ellas; es decir, es la conciencia de sí, por su actividad, la que hace algo de ellas, algo que es además distinto de aquello por que directamente se tienen, y sólo es la actitud ingeniosa, precisamente esta formación y este movimiento a través de su conciencia de sí, lo que vale y suscita su interés. Es el carácter del concepto en su realidad; y sólo vale lo que constituye la esencia misma de esta conciencia de sí que todo lo ve y lo comprende.”

Esta esencia vacía es para nosotros, en general, el pensamiento puro, lo que los franceses llaman el être suprème, o se representa objetivamente como algo que es, como algo que aparece frente a la conciencia, como la materia.” “Es el concepto que se presenta en una actitud puramente destructiva, que no se desarrolla de nuevo a base de esta materia o de este pensamiento puro, de esta pura sustancialidad. Vemos, pues, manifestarse libremente aquí el llamado materialismo y ateísmo, como resultado necesario de la pura conciencia de sí comprensiva.” “Sólo queda en pie la esencia presente y real, pues la conciencia de sí sólo reconoce el en sí como algo que existe para ella como conciencia de sí, en la que ella se sabe, por tanto, real: la materia, como aquello en que puede ensancharse y realizarse en la pluralidad, la naturaleza. En el presente, tengo la conciencia de mi realidad; y, consecuentemente, la conciencia de sí se encuentra a sí misma como materia, el alma como algo material, las representaciones como movimientos y cambios en el órgano interior del cerebro, que siguen a las impresiones externas de los sentidos.” Ultrapassado? Talvez. Mas sempre que relembramos esta etapa do pensamentos, nos excitamos, como por exemplo diante das ingênuas questiúnculas de Descartes. Ah, França!

Un modo del ser de la materia es, por tanto, el pensamiento. En este objeto se plasma, en rigor y en su conjunto, como lo último, la sustancia una spinozista, paralelamente a la cual discurre el materialismo francés como naturalismo; pero, mientras que en Spinoza tenemos y preencontramos esta categoría, aquí aparece como el resultado de la abstracción del entendimiento que parte del empirismo.”

La otra forma de la Ilustración es, por el contrario, aquella en que la esencia absoluta se establece como un más allá de la conciencia de sí, como algo que no es conocido en absoluto por ella misma, por su en sí. Este más allá ostenta el nombre vacuo de Dios. Pues de cualquier modo que se determine a Dios, desaparecerán todas las determinaciones; será igual a x, lo simplemente desconocido. Por eso esta concepción no se llama ya ateísmo, en primer lugar, porque emplea todavía aquel nombre vacuo y que nada dice, y en segundo lugar, porque expresa las necesarias relaciones de la conciencia de sí, los deberes, etc., no como necesarias en y para sí, sino como necesarias por la relación con otra cosa, es decir, con una incógnita, si bien es cierto que la única relación positiva que cabe establecer con una incógnita es la de levantarse como algo individual. Y no es la materia, ya que este algo simple y vacío se determina negativamente, como algo que no es para la conciencia de sí. Y con ello acaece lo mismo, pues la materia es lo general, el ser para sí representado como levantado. Pero la verdadera reflexión sobre aquella incógnita consiste, asimismo, en que justo para la conciencia de sí sea como la negación de ella misma, es decir, la materia, la realidad y el presente; es algo negativo para mí, y esto es su concepto.”

una serie de palabras aburridas que no ayuda a comprender nada” HAHAHAHA

Hay que vivir conforme a la naturaleza, se predica” …e é claro que menos de 2 linhas depois já está metendo a lasca em Rousseau!

En una palabra, sólo lo negativo es interesante; y de esta filosofía francesa positiva no cabe ni hablar. Pero aquel mismo aspecto negativo pertenece más bien, en rigor, al campo de la cultura, que aquí no nos interesa; y a él pertenece también la filosofía de la Ilustración.” Mas é demasiado interessante, H.! Você dever-nos-ia ter brindado com uma HISTÓRIA GERAL DA CULTURA também!

Lo admirable de las obras filosóficas francesas importantes desde este punto de vista es esta energía y esta fuerza asombrosas del concepto frente a la existencia, frente a la fe, frente a todo el poder de la autoridad consagrada a lo largo de milenios. Es notable, de una parte, el carácter del sentimiento de la más profunda rebelión contra todos esos poderes vigentes que representan una esencia extraña para la conciencia de sí, la cual trata de ser sin aquello en que no se encuentra a sí misma; es una certeza de la verdad de la razón que se enfrenta con todo el mundo intelectual alejado de ella y que está segura de su destrucción. El ateísmo francés, el materialismo y el intelectualismo de los franceses ha destruido todos los prejuicios y triunfado sobre las premisas y valideces huérfanas de concepto de lo positivo en la religión y socializado en los hábitos, en las costumbres, en las opiniones, en las determinaciones jurídicas y morales y en las instituciones civiles; con las armas del sentido común y de una ingeniosa seriedad, no con declamaciones frívolas, el pensamiento se vuelve aquí contra el estado universal vigente en el orden legal, contra la organización del Estado, contra la administración de justicia, el régimen de gobierno y la autoridad política, y también contra el arte.”

así, surge la aspiración de concebir lo absoluto como algo presente y, al mismo tiempo, como algo pensado y como unidad absoluta; aspiración que, al negar el concepto de fin, tanto en el campo de lo natural y, por tanto, el concepto de la vida, como en lo espiritual, es decir, el concepto del espíritu y de la libertad, sólo conduce a la concepción abstracta de una naturaleza indeterminada de suyo, de la sensación, del mecanismo, del egoísmo y de la utilidad.” Nada de mal nisso!

los ingleses, por el contrario, parten de una realidad concreta, del edificio informe de su constitución; lo mismo que sus escritores, que no se remontan tampoco al plano de los principios generales. Lo que Lutero sólo inició en la esfera del ánimo y del sentimiento —la libertad del espíritu, que inconsciente de su raíz simple no se capta a sí misma, pero que es ya lo general, ante lo que desaparece todo contenido de pensamientos llenos de sí mismos—, estas determinaciones y estos pensamientos generales han sido proclamados por los franceses, quienes se atienen a ellos: principios generales y, a saber, como la convicción del individuo en él mismo.

La libertad se convierte en estado universal, se enlaza con la historia universal y hace época en ella; es la libertad concreta del espíritu, una generalidad concreta, son principios acerca de lo concreto los que ahora pasan a ocupar el lugar de la metafísica abstracta de Descartes. En los alemanes nos encontramos con vacilaciones; encima, pretenden explicarlas y no consiguen con ello más que aportar un fenómeno y una particularidad verdaderamente miserables. Los franceses parten del pensamiento de la generalidad, la libertad alemana de conciencia parte de la conciencia moral (…) unos y otros se encuentran o siguen el mismo derrotero: lo que ocurre es que los franceses, sin conciencia en cierto modo, parecen despacharlo todo y retener sistemáticamente un determinado pensamiento: el sistema fisiocrático; los alemanes, por su parte, tratan de tener la espalda cubierta, para examinar, partiendo de la conciencia, si les es lícito proceder así. Los franceses luchan contra el concepto especulativo con el espíritu, los alemanes con el entendimiento. Los franceses dan pruebas de una profunda necesidad filosófica omnicomprensiva y llena de vitalidad —en contraste con los ingleses y los escoceses, e incluso con los alemanes— una concepción general y concreta del todo, con una independencia total, tanto con respecto a toda autoridad como en lo que se refiere a toda metafísica abstracta. El método que para ello se sigue es éste: desarrollar las cosas partiendo del ánimo, de la representación; es una gran intuición que tiene siempre ante los ojos el todo y procura conservarlo y obtenerlo.

Este sano sentido común, esta sana razón, con su contenido, sacado del pecho humano, del sentimiento natural del hombre, se dirige ahora contra el aspecto religioso en una serie de momentos diferentes: de una parte y en primer lugar, como filosofía francesa, contra la religión católica, contra las trabas de la superstición y de la jerarquía; de otra parte, en una forma tenue, como Ilustración alemana, contra la religión protestante, en cuanto tiene un contenido recibido, en general, de la revelación, de la determinación eclesiástica. Una de las corrientes se dirige contra la forma de la autoridad en general, la otra contra el contenido.”

El entendimiento aplica, así, su pauta al contenido religioso y lo declara nulo; y del mismo modo procede contra una filosofía concreta. Lo que ahora queda en pie de la religión, en muchas teologías, de un modo muy general, es lo que se llama teísmo, la fe en general; es el mismo contenido con el que nos encontramos en el mahometismo. Pero en esta dirección del entendimiento razonante contra la religión se avanza también hasta el materialismo, el ateísmo y el naturalismo. Debemos tener cuidado con la determinación conceptual del ateísmo, pues es una cosa muy corriente el que se acuse de carencia de religión o incluso de ateísmo a todo individuo cuyas ideas acerca de Dios difieren de las que otros profesan.”

[O Emílio, ou da Educação¹ de Rousseau] es toda ella una exposición del teísmo, tal como lo podemos encontrar en los teólogos alemanes. Y así, la metafísica francesa discurre paralela no sólo a Spinoza, sino también a la metafísica alemana de Wolff.”

¹ Já postado no X-TudoTudo, o “pai” do Seclusão. Será republicado tão logo seja possível!

Otros franceses, en cambio, avanzan expresamente hasta desembocar en el naturalismo; entre ellos citaremos especialmente a Mirabeau, autor del Système de la Nature.(*)

(*) Esta obra se le atribuyó efectivamente, pero fue escrita por Hollbach [E.].”

Tres aspectos podemos, pues, distinguir en lo que se ha llamado la filosofía francesa, representada por Voltaire, Montesquieu, Rousseau, d’Alembert y Diderot, y en lo que más tarde aparece en Alemania como Ilustración y que ha sido motejado también de ateísmo: primero, su aspecto negativo, que es el que más se le echa en cara; segundo, el aspecto positivo; tercero, el aspecto filosófico, metafísico.”

También a este aspecto negativo hay que hacerle justicia, como a todo; lo que hay en él de sustancial es el ataque del instinto racional contra un estado de degeneración, más aún, de mentira general y completa, por ejemplo, contra lo positivo de una religión fosilizada. Nosotros llamamos religión a la fe firme, a la convicción de Dios; si ello es o no la fe en la doctrina cristiana, es algo de que hacemos más o menos abstracción. Pero este ataque contra lo religioso debemos concebirlo muy de otro modo; este aspecto positivo de la religión es el aspecto negativo de la razón.

El estado religioso, con su poder y su magnificencia, con la corrupción de las costumbres, con la codicia, la sed de honores, la crápula, para las que se pide, sin embargo, reverencia y acatamiento: toda esta contradicción que existía en la realidad debe tenerse bien presente si se quiere comprender el sentimiento de rebelión que se apoderó de estos escritores.” Atualíssimo!

La filosofía francesa iba dirigida también, por eso, contra el Estado; atacó los prejuicios y la superstición y principalmente la corrupción de la sociedad burguesa, de las costumbres de las cortes y de los funcionarios del gobierno, captó lo malo, lo ridículo, lo vil y expuso toda la hipocresía y los poderes injustos a la risa, al desprecio, al odio del mundo, moviendo así al espíritu y al corazón a indiferencia con respecto a los ídolos del mundo y haciendo que el sentimiento y el ánimo se rebelasen contra ellos. Las viejas instituciones, para las que ya no había cabida en el sentimiento desarrollado de una libertad y una humanidad conscientes de sí mismas y que, por lo demás, descansaban sobre los sentimientos mutuos y sobre la ceguera y la falta de autonomía de la conciencia, que habían dejado ya de corresponder al espíritu que las había instaurado y que ahora, con la nueva cultura científica desarrollada, se pretendía que también la razón respetara como algo sagrado y justo: todo este formalismo fue derribado por aquellos filósofos.

Sus ataques estaban escritos en parte con razonamientos, en parte con ingenio, en parte con el sano sentido común, y no iban dirigidos contra lo que nosotros llamamos religión; lejos de ello, esta religión quedaba al margen de tales ataques y se la recomendaba con la más bella elocuencia. Este aspecto sólo se comportaba, pues, demoledoramente contra lo que ya estaba destruido de suyo. Es muy fácil echarles en cara a los franceses sus ataques contra la religión y contra el Estado. Pero bueno será que nos hagamos una idea del horrible estado en que se hallaba la sociedad francesa, de la miseria y la infamia reinantes en Francia, para comprender el verdadero mérito de estos ataques. La hipocresía, la beatería, la tiranía, rabiosa por verse despojada de su botín, la pobreza de espíritu, pueden acusar a los filósofos franceses de atacar a la religión, al Estado y las costumbres. Pero ¡qué religión era la que ellos atacaban! No era, ni mucho menos, la religión purificada por Lutero, sino la más vil de las supersticiones, el clericalismo, la necedad, las más depravadas intenciones y, sobre todo, aquellos derroches de riqueza y aquella orgía de bienes materiales, en contraste con la escandalosa miseria general. ¡Y qué Estado era aquél! El más ciego despotismo de los ministros y de sus cortesanos y sus ayudas de cámara; un ejército inmenso de pequeños tiranos y de haraganes para quienes el derecho divino consistía en poder saquear los ingresos del Estado y el sudor del pueblo. La desvergüenza, el desafuero llegaban a extremos increíbles; la infamia de las costumbres estaba a tono con la infamia de las instituciones. Es el imperio del desafuero de los individuos en el campo de la vida civil y de la vida política; es también el desafuero en lo tocante a la conciencia, al pensamiento.

Por lo que se refiere a la vida práctica del Estado, estos escritores no pensaban ni remotamente en una revolución; sólo deseaban y predicaban la necesidad de reformas, pero reformas fundamentalmente subjetivas: que el gobierno pusiera coto a los abusos y colocara al frente de los ministerios a hombres honrados. Esto era lo positivo de que ellos hablaban, lo que sostenían que debiera hacerse: preconizaban la necesidad de dar al príncipe una buena educación, de que los nobles fuesen ahorrativos [sóbrios, ESCLARECIDOS, que coisa, hehe!], etc.

La revolución francesa fue impuesta por la intransigencia irreductible de los prejuicios y principalmente por la soberbia, por la avaricia, por la carencia absoluta de inteligencia. Aquellos filósofos sólo podían tener una idea general de cómo debían ser las cosas, pero sin que estuviera en sus manos señalar el modo de conseguirlo. Era al gobierno a quien competía implantar las instituciones y las mejoras necesarias en una forma concreta; sin embargo, no supo hacerlo. Todo lo que los filósofos proclamaban y afirmaban frente a aquel estado de cruel desintegración era, en general, que los hombres no debían seguir siendo legos, ni en lo tocante a la religión ni en lo referente al derecho; que en la religión no debía imperar una jerarquía, un número cerrado y escogido de sacerdotes, ni tampoco en lo jurídico una casta aparte (ni un estamento jurídico) que monopolizase el conocimiento de lo justo y lo injusto y acaparase las normas de lo eterno, lo divino, lo verdadero y lo justo y amparándose en ello ordenase y mandase a los demás hombres, sino que la razón humana tenía derecho a dar su asentimiento y a pronunciar su juicio.”

Tratar a los bárbaros como legos está dentro del orden, pues eso son, en efecto, los bárbaros; pero ninguna dureza mayor ni más intolerable que tratar como legos a hombres pensantes. Aquellos hombres defendieron heroicamente, con su gran genio, con calor, con fuego, con espíritu y con valentía, este gran derecho humano de la libertad subjetiva”

De aquí el fanatismo del pensamiento abstracto que en estos pensadores se manifiesta. Nosotros, los alemanes, mantenemos, en primer lugar, una actitud pasiva ante lo existente, lo soportamos; y, en segundo lugar, cuando lo existente se viene abajo o es derribado, nos comportamos también pasivamente: son otros los que lo derriban, nosotros nos cruzamos de brazos, dejamos que otros realicen la faena.” O nazismo foi sem dúvida uma afrancezação tardia e deturpadíssima dos teutos.

A esta corriente cultural se unió también, en Alemania, Federico II, raro ejemplo para su época. Por Alemania habíanse extendido las costumbres cortesanas de Francia, sus óperas, sus jardines, sus trajes, pero no la filosofía francesa; sin embargo, bajo la forma del espíritu, del ingenio, penetró mucho de aquella filosofía en este mundo de la alta sociedad, sirviendo para ahuyentar bastantes cosas malas y bárbaras. Federico II, sin haber sido educado en los tristes y melancólicos salmos, sin aprender de memoria todos los días un par de ellos, sin la metafísica y la lógica bárbaras de Wolff (pues en la Alemania de su tiempo no podía encontrar sino a Gellert), conocía los grandes, aunque formales y abstractos, principios de la religión y el Estado y procuraba gobernar a tono con ellos.” Não estranho mais tanto assim a crença de H. na divina providência…

Pero en el seno de su pueblo no se sentía ninguna otra necesidad, y no puede exigirse que un rey fuese el reformador, el revolucionario de un pueblo en que nadie se levantaba a pedir ni siquiera el funcionamiento de las cortes o que el público tuviera libre acceso a los tribunales de justicia. Este rey introdujo lo que respondía a una necesidad sentida, la tolerancia religiosa, una legislación, la reforma de la administración de justicia, un régimen de ahorro en los gastos públicos; de aquel miserable derecho alemán, o lo que se conocía con ese nombre, no quedó en sus Estados ni el menor rastro.

Es una necedad que la beatería y el falso germanismo combatan ahora la memoria de este rey y traten de empequeñecer e incluso de explicar por motivos de vanidad y hasta de maldad esta gran figura, que ha dejado en la historia una obra tan extraordinaria. El germanismo debe ser, ante todo, algo racional.”

Es cierto que el contenido afirmativo de esta filosofía no puede satisfacer las exigencias de un examen concienzudo. Una determinación fundamental en lo que se enseñaba son, como en los filósofos escoceses y como entre nosotros mismos, premisas hechas a partir del sentimiento originario del derecho que todo hombre lleva dentro de sí: como, por ejemplo, la benevolencia y las inclinaciones sociales, que deben desarrollarse.”

Es admirable, en realidad, ver proclamadas verdades bajo la forma de pensamientos generales, que es infinitamente importante que sean los prejuicios del hombre: que el hombre abrigue en su corazón el sentimiento del derecho, del amor al prójimo; que la religión, la fe, no le sea impuesta; que existan el talento, la virtud, la verdadera nobleza, etc.”

Estos impulsos se consideran como simples impulsos naturales; son pues, algo indeterminado, que tiene su limitación solamente como un momento del todo. En lo tocante al conocimiento, se encuentran pensamientos muy abstractos —siempre, claro está, tan buenos y tan ingeniosos como los nuestros— que debieran, por su contenido, ser pensamientos concretos y también lo eran, pero concebidos de un modo tan superficial que no tardaron en demostrar su insuficiencia con respecto a lo que de ellos se trataba de deducir.”

Una obra de esta clase es el Système de la Nature, el libro principal de un alemán, el barón de Hollbach, escrito en París, ciudad que era el centro de todos aquellos filósofos. Montesquieu, d’Alembert, Rousseau vivieron durante algún tiempo en el círculo de Hollbach; y, aunque todos ellos se rebelaban contra lo existente, por lo demás existían entre estos pensadores diferencias bastante acusadas. El Système de la Nature es un libro más bien aburrido, que no hace sino dar vueltas y más vueltas a las mismas representaciones generales; se ve que no está escrito por un francés, pues le falta la vivacidad y su exposición es gris y apagada.”

Es algo así como lo que Aristóteles decía de Jenófanes; también este pensador mira al vacío, es decir, al ser. Para Hollbach, todo es movimiento, la materia se mueve a sí misma: la cerveza fermenta y el ánimo se mueve en las pasiones.”

Este algo concreto recibió el nombre de razón, por la que los más nobles de estos hombres combatieron con el mayor entusiasmo y el mayor calor.” Mas se esta razão era o puro negativo, cabe a pergunta: é o Emílio um garoto niilista?

Existe el impulso absoluto de encontrar dentro de sí, es decir, en el espíritu humano, un compás inmanente. Para el espíritu humano, es apremiante y necesario descubrir este punto fijo en que poder apoyarse, si es que ha de existir dentro de sí, si es que ha de ser libre, por lo menos, dentro de su mundo.”

Así, Montesquieu, en su hermoso libro L’esprit des lois,¹ del que Voltaire dijo que era un esprit sur les lois, contempla a los pueblos desde el grandioso punto de vista que consiste en considerar como una totalidad su constitución política, su religión, en una palabra, todo lo que se encuentra dentro de un Estado.”

¹ Tema central do meu próximo livro como autor.

Es esto, en efecto, lo que Rousseau decía, de una parte, acerca del Estado. Se planteaba el problema de su legitimidad absoluta y preguntaba: ¿cuál es el fundamento del Estado? Y concibe, de una parte, el derecho de la dominación y la obligatoriedad, la relación de ordenación, la de gobernar y ser gobernado, diciendo que descansa históricamente sobre la violencia, sobre la coacción, sobre la conquista, la propiedad privada, etc.

Pero Rousseau erige en principio de esta legitimidad la voluntad libre, y contesta, sin fijarse para nada en el derecho positivo de los Estados, a la pregunta más arriba formulada, diciendo que el hombre se halla dotado de una voluntad libre en cuanto que «la libertad es lo cualitativo del hombre. Renunciar a su voluntad equivaldría a renunciar a su condición humana. Cuando el hombre renuncia a ser libre renuncia, por tanto, a los derechos del hombre, e incluso a sus deberes.»

El hombre es libre, y tal es sin duda la naturaleza sustancial del hombre, naturaleza que no sólo no es abandonada o sacrificada dentro del Estado, sino que, por el contrario, se constituye precisamente dentro de él. La libertad de la naturaleza, el don de la libertad no es la libertad real, pues es el Estado y sólo él quien realiza la libertad.” Não me responsabilizo pelos pensamentos de Roussegel.

La voluntad general no debe considerarse como integrada por un conjunto de voluntades expresamente individuales, de tal modo que éstas conserven su carácter absoluto; de otro modo, resultaría exacta la afirmación de que «allí donde la minoría tiene que obedecer a la mayoría, no existe libertad».”

H. diz: apesar de Hume muito ter contribuído, a verdadeira transição da filosofia carente-moderna ao Kantismo (a filosofia moderna verdadeira que começa, não isso de cartesianismo!) se dá mesmo é com Rousseau. Ele é a ponte entre a Inglaterra e a Alemanha, (!) nada de Canal da Mancha! E sim, eu sei que Hume não é inglês…

Los alemanes son como abejas, dispuestos siempre a hacer justicia a todas las naciones: ropavejeros a quienes todo les parece bueno y que trafican con todo y a todo le sacan provecho. Todo aquello, tomado de naciones extranjeras, había perdido la ingeniosa vivacidad, la originalidad y la energía que llevaba a los franceses a olvidar el contenido por dar demasiada importancia a la forma. Los alemanes, quienes, procediendo honradamente, entraron a fondo y de un modo minucioso en el problema, esforzándose por sustituir el ingenio y la vivacidad por fundamentos racionales, puesto que la vivacidad y el ingenio nada prueban, en rigor, acabaron teniendo entre sus manos, por este camino, un contenido tan vacuo, que difícilmente podría imaginarse nada más fastidioso que este meticuloso tratamiento del problema, como el que encontramos, por ejemplo, en Eberhard, Tetens, etc.

Otros, como Nicolai, Sulzer y algunos más, entreteníanse también en filosofar principalmente en torno al gusto y a las bellas artes, por entender que también los alemanes debían poseer una literatura bella y un arte propios. Pero, con ello, sólo conseguían caer en la más extrema indigencia de lo estético —Lessing ha llamado a esto una charlatanería superficial—, del mismo modo que, en conjunto, los poemas de Gellert, de Weisse y de Lessing se hunden, no mucho menos, en la última indigencia de la poesía.”

Los puntos de vista de las sensaciones agradables o desagradables eran considerados por los filósofos de aquel tiempo como un criterio esencial e inapelable. Pondremos un ejemplo de este modo de filosofar, tomado de Nicolai, quien aduce, a este propósito, un diálogo que tuvo con Mendelssohn: el tema del diálogo es el goce sugerido por los asuntos trágicos y despertado, al parecer, incluso a través de las sensaciones desagradables plasmadas en una tragedia.”

Por otra parte, la eternidad de las penas del infierno, la bienaventuranza de los paganos y la contraposición entre la rectitud de conducta y la propiedad eran también temas filosóficos que daban mucho que hacer a los alemanes, mientras que los franceses se preocupaban menos por ellos.”

CRISE NEO-ESCOLÁSTICA? “así se alegaba en contra de la Trinidad el argumento de que 1 no puede nunca ser 3; en contra del pecado original, el que cada cual tiene que cargar por sí mismo con sus culpas y responder de sus actos, como autor que es de ellos; contra la redención, el que nadie puede descargarse en otro de sus culpas y del castigo correspondiente; contra la remisión de los pecados, el que no es posible que lo sucedido se haga desaparecer; y, en general, se ponía de manifiesto la incompatibilidad de la naturaleza humana con la divina. De una parte, nos encontramos con el sano sentido común, con la experiencia, con los hechos de la conciencia; de otra parte, vemos tomar vuelos aquí a aquella metafísica wolffiana del entendimiento seco y muerto”

hasta que Kant imprimió un nuevo impulso vital, en Alemania, a la filosofía, puesta ya en marcha en el resto de Europa.”

VUELTAS Y MÁS VUELTAS: “Cuanto más se encierra dentro de sí la razón humana más se aparta de Dios, más se amplía el campo de lo finito. La razón es lo uno y el todo y es, a la par, la totalidad de lo finito; este comportamiento de la razón es un saber finito y el saber de lo finito. El problema, una vez estatuido este algo concreto (y no las abstracciones metafísicas), consiste en saber cómo se desarrolla dentro de sí; consiste además en saber cómo recobra la objetividad o levanta [suspende] su subjetividad; es decir, cómo puede recobrarse a Dios por medio del pensamiento, cómo es posible llegar de nuevo a lo que al comienzo de este período se consideraba y reconocía como lo único verdadero. § Esto es lo que habremos de considerar en el período final en el que entramos, al tratar de Kant, de Fichte y de Schelling.”

SECCIÓN TERCERA:

LA NOVÍSIMA FILOSOFÍA ALEMANA

En esta gran época de la historia universal, cuya esencia más íntima reside en la filosofía de la historia, [¡mí filosofía!] sólo toman parte 2 pueblos, el alemán y el francés, a pesar de la contraposición que entre ellos existe o, mejor dicho, precisamente por razón de ella. Las demás naciones no participan interiormente de este movimiento; participan, sí, en lo político, tanto sus gobiernos como los pueblos mismos.”

THE NAP O’… (THE)…LIÓN: “En Alemania este principio irrumpe como pensamiento, como espíritu, como concepto; en Francia, en la realidad. Por el contrario, en Alemania, lo que de la realidad se manifiesta aparece como una presión violenta de circunstancias de orden externo y una reacción contra ella.”

La misión de la novísima filosofía alemana consiste en tomar ahora como objeto y en comprender la unidad del pensamiento y el ser, que es la idea central de toda filosofía; es decir, en captar lo más recóndito de la necesidad, el concepto.”

Schelling será a Musa inspiradora de H.. Mas calma que lá chegamos!

DE NOVO ESSE CHATO! “Jacobi se enfrenta así a este postulado del pensamiento, y su pensamiento filosófico central, visto en uno de sus aspectos, es el de que todo camino de demostración conduce al fatalismo, al ateísmo y al spinozismo, representándose, por tanto, a Dios como un algo derivado, que reposa sobre otro fundamento, pues el comprender una cosa significa poner de manifiesto su dependencia con respecto a otra.”

Por tanto, el concepto de la posibilidad de la existencia de la naturaleza sería el concepto de un comienzo o un origen absoluto de la naturaleza; sería el concepto de lo incondicionado mismo, en cuanto no es la condición incondicionada de la naturaleza no-naturalmente articulada, es decir, desarticulada para nosotros. Ahora bien, para que sea posible un concepto de este algo incondicionado e inarticulado —y, por consiguiente, extranatural—, es necesario que lo incondicionado deje de serlo, que reciba condiciones; y lo absolutamente necesario tiene que comenzar a convertirse en lo posible, para que pueda construirse.» Jacobi, Briefe über die Lehre des Spinoza, apéndice VII

La fe, en sentido teológico, es fe en algo, en lo que enseña la doctrina. Es, pues, en cierto modo, un fraude el que se comete cuando se nos habla aquí de fe y de revelación, dándosenos a entender qué se trata de fe y revelación en sentido teológico, ya que aquí el sentido pretendidamente filosófico es completamente distinto, por mucha apariencia devota que se le quiera dar. § Tal es el punto de vista de Jacobi, y aunque tanto los filósofos como los teólogos digan muchas cosas en contra de él, no cabe duda de que ha sido recibido y propagado de muy buen grado.” HAHAHA. Com efeito, o juízo de H. sobre J. é tão similar ao de Schopenhauer nos volumes finais d’O Mundo que me pergunto se Sch. não tirou sua opinião dessa mesma obra!

Se reconoce evidentemente que nadie puede hacer un zapato no siendo zapatero, aunque tenga la medida, que es el pie, y tenga también manos. En cambio, tratándose de filosofía, el saber inmediato tiene la creencia de que cualquiera, por el mero hecho de pensar, es un filósofo y puede opinar en materia de filosofía.”

La forma última a que la filosofía desciende en Jacobi es ésta: la de que la inmediatidad se conciba como lo absoluto, revela la ausencia de toda crítica, de toda lógica.” Curioso: jamais li Fichte, mas imaginava que isso seria sua sinopse…

El propio espíritu debe dar testimonio al espíritu de que Dios es el espíritu; el contenido debe ser el verdadero. Pero esto no se comprueba porque se me revele a mí, porque a mí se me asegure.” E com esse delírio que é um recuo escolástico, mas que H. pensa que é seu passo a mais, chegamos à conclusão de que ele e Kant são como água e óleo, pois K. é opaco a H..

Kant retorna al punto de vista de Sócrates: nos encontramos en él con la libertad del sujeto, como en los estoicos; pero el problema, en lo tocante al contenido, se plantea aquí en un plano más alto. Ahora se postula para el pensamiento la infinita determinación hacia lo concreto, la realización a base de la regla de lo perfecto; dicho de otro modo, se postula que el contenido mismo sea la idea, concebida como unidad del concepto y la realidad.” “El punto de vista de la filosofía kantiana consiste, primeramente, en que el pensamiento puede llegar, por la vía del razonamiento, a concebirse no como algo contingente, sino como algo absoluto de suyo. En lo finito y en cohesión con ello se eleva un punto de vista absoluto, que es como el eslabón intermedio, como el lazo de unión entre lo finito y lo que lo eleva al plano de lo infinito.” “toda autoridad tiene que imponerse por la sola vía del pensamiento.” “al ser el pensamiento subjetivo, se le niega capacidad para conocer lo que es en y para sí.” “Por otra parte, Kant infiere la existencia de Dios, viendo en Él una hipótesis de que se vale para la explicación, un postulado de la razón práctica. Pero, desde este mismo punto de vista, un astrónomo francés daba al emperador Napoleón esta respuesta: Je n’ai pas eu besoin de cette hypothèse. Lo que hay de verdad en la filosofía kantiana es, según esto, el reconocimiento de la libertad. Ya Rousseau veía en la libertad lo absoluto: Kant profesa el mismo principio, sólo que más bien desde el punto de vista teórico.”

Immanuel Kant nació en Königsberg en 1724; estudió inicialmente teología, y en 1755 abrazó la carrera académica. Fue designado profesor de lógica en 1770, y murió en la misma ciudad de Königsberg en 1804, el 12 de febrero, casi de 80 años. No llegó a salir nunca de su ciudad natal.”

aquello para lo que todo debía ser es el hombre, la conciencia de sí, pero como todos los hombres en general.”

La filosofía kantiana es teóricamente la Ilustración elevada al plano metódico, basada en la tesis de que el hombre no puede conocer ninguna verdad, sino solamente los fenómenos” “Esta filosofía pone punto final a la metafísica intelectiva, en cuanto dogmatismo objetivo (…) descartando el problema de lo que es verdad en y para sí. Su estudio se hace difícil por la extensión, la prolijidad y la peculiar terminología en que esta filosofía aparece expuesta. Sin embargo, esta extensión tiene, a su vez, la ventaja de que a fuerza de repetirse, se asimila uno las tesis fundamentales, evitando que éstas se pierdan de vista.”

El sentido general de la filosofía kantiana es en efecto el que, como el autor reconoce en seguida, determinaciones como la de la generalidad y la de la necesidad no nos son ofrecidas por la percepción misma, como ya había señalado Hume en contra de Locke. Pero mientras que Hume se manifiesta, de un modo general, contra la generalidad y la necesidad de las categorías, y Jacobi contra su carácter finito, Kant sólo se muestra contrario a su objetividad, en el sentido de que existan en las mismas cosas externas, si bien las afirma como objetivas en el sentido de lo general y lo necesario, según demuestran los ejemplos de las matemáticas y las ciencias naturales.”

deben darse a priori, es decir, en la razón misma, en el pensamiento como razón consciente de sí; su fuente es el sujeto, es el yo en mi conciencia de mí mismo. Tal es la tesis fundamental, muy simple como se ve, de la filosofía kantiana.

En segundo lugar la filosofía de Kant se llama también filosofía crítica, en cuanto que se propone como fin, nos dice su autor, el ser una crítica de la facultad de conocimiento; antes del conocimiento es necesario investigar, en efecto, la capacidad para conocer. (…) sería difícil decir cómo es posible conocer sin conocer, intentar apoderarse de la verdad antes de la verdad misma.”

Sin embargo, como el principio kantiano de la razón era un principio puramente formal y sus sucesores, partiendo de la razón, no podían ir más allá, a pesar de lo cual la ética debía conservar un contenido, nos encontramos con que Fries y otros vuelven a ser hedonistas, aunque se guarden mucho de llamarse así.

En tercer lugar en lo tocante a la relación existente entre las categorías y la materia que la experiencia nos ofrece, ésta consiste, según Kant, en las determinaciones subjetivas del pensamiento, por ejemplo, en la de causa y efecto, determinaciones que son por sí mismas el punto de apoyo para anudar las diferencias de aquella materia.”

Se llaman juicios las combinaciones de determinaciones del pensamiento, tales como sujeto y predicado. Los juicios sintéticos a priori no son otra cosa que la conexión de lo contrapuesto por sí mismo o el concepto absoluto, es decir, relaciones de determinaciones distintas que no son dadas por la experiencia, sino por el pensamiento, tales como las de causa y efecto, etc. Asimismo son un lazo de unión el espacio y el tiempo, que existen a priori, es decir, en la conciencia de sí.”

Conviene por tanto, distinguir cuidadosamente entre lo trascendente y lo trascendental. Matemática trascendente es aquella en que se emplea principalmente la determinación de lo infinito: en esta esfera de la matemática se dice, por ejemplo, que el círculo está formado por un número infinito de líneas rectas; la periferia se representa como recta: al representarnos, así, lo curvo como recto, trascendemos de la determinación geométrica: se trata, por tanto, de una matemática trascendente. Por el contrario, Kant determina la filosofía trascendental viendo en ella, no una filosofía que trasciende con las categorías su esfera, sino una filosofía que pone de manifiesto, en el pensamiento subjetivo, en la conciencia, las fuentes de lo que puede ser trascendente.” “No nos proponemos, por tanto, considerar las determinaciones en su sentido objetivo, sino en la medida en que el pensamiento es la fuente de tales relaciones sintéticas; lo necesario y general adquiere aquí, por tanto, la significación de residir en la capacidad humana de conocimiento.”

Pero Kant distingue de esta facultad humana de conocimiento el en sí, la cosa en sí; de tal modo que aquella generalidad y aquella necesidad son solamente, al mismo tiempo, una condición subjetiva del conocer, pero sin que la razón llegue, con su generalidad y su necesidad, al conocimiento de la verdad misma.” “Si la razón pretende ser algo para sí, extraer la verdad de sí misma, será una razón trascendente, se remontará por sobre la experiencia” “será la unidad y la regla para lo múltiple sensible.” “La crítica de la razón consiste, por tanto, no en conocer los objetos, sino el conocimiento y los principios de éste, sus límites y su extensión, para que no sean excesivos. Esto es lo más general, que en seguida pasamos a desarrollar en sus diversas partes.”

vemos que Kant, en la Crítica de la razón pura, aborda el problema psicológicamente, es decir, históricamente, al describir las etapas fundamentales de la conciencia teórica. La primera facultad es la sensibilidad en general; la segunda, el entendimiento; la tercera la razón. (…) lo enfoca de un modo puramente empírico, sin desarrollarlo partiendo del concepto y sin proceder con arreglo a un criterio de necesidad.” E isso é o limite!

Al enjuiciamiento de esto lo llama Kant estética trascendental. Hoy, llamamos estética al conocimiento de lo bello.” Péssimo nome, evidentemente.

Pero Kant da este nombre a la teoría de la intuición vista por el lado de su generalidad, es decir, atendiendo a lo que se refiere al sujeto. La intuición, dice Kant, es el conocimiento de un objeto que nos es dado por los sentidos. La sensibilidad es la capacidad del hombre para ser afectado por medio de impresiones externas. Ahora bien, en la intuición se encuentra, según Kant, un contenido muy diverso, con arreglo al cual se pueden distinguir las sensaciones en exteriores, tales como las de rojo, color, dureza, etc., e internas, tales como las de lo justo, la cólera, el amor, el miedo, lo agradable, lo religioso.” “Pero en este algo sensible se contiene también un algo sensible general, ya que, como tal, no pertenece al campo de las sensaciones, en cuanto inmediatamente determinadas; esta otra cosa, en esta materia, es la determinación de espacio y tiempo, que son, por sí mismos, vacíos.” “El espacio y el tiempo son, por tanto, intuiciones puras, es decir, abstractas: intuiciones en las que ponemos el contenido de las diversas sensaciones fuera de nosotros, bien en el tiempo, fluyendo unas después de otras, bien en el espacio como separadas unas al lado de otras.”

Claro está que ahora todo se llama intuición, incluso el pensamiento, la conciencia; Dios, a pesar de pertenecer sólo al pensamiento, puede captarse también por medio de la intuición, por medio de la llamada conciencia inmediata.” O que há que resetar do kantismo é a parte em verde.

«El espacio es una representación necesaria, que sirve de fundamento a todas las intuiciones externas. El espacio y el tiempo son representaciones a priori, toda vez que no es posible representarse las cosas fuera del tiempo y el espacio. El tiempo sirve necesariamente de base a todos los fenómenos.»

Kant, sin embargo, se representa la cosa sobre poco más o menos así: existen fuera de nosotros cosas en sí, pero sin tiempo y sin espacio; viene luego la conciencia, que tiene ya en sí misma el tiempo y el espacio, como la posibilidad de la experiencia, del mismo modo que, por ejemplo, para comer, empezamos por tener boca y dientes, etc., como condiciones previas para realizar esta operación. Las cosas que comemos no tienen boca ni dientes; pues bien, lo que el comer es a las cosas es a ellas el tiempo y el espacio; como las cosas se sitúan, para ser comidas, en la boca y entre los dientes, así también en el espacio y en el tiempo.” “El espacio y el tiempo no son particularmente determinaciones del pensamiento cuando no sugieren pensamiento alguno; pero sí son un concepto; siempre y cuando que nos formemos un concepto de ellos.”

El análisis trascendental nos dice, además, que esta representación de espacio y tiempo encierra proposiciones sintéticas a priori, relacionadas con la conciencia de su necesidad. Estas proposiciones sintéticas son, por ejemplo, la de que el espacio tiene 3 dimensiones, o la definición de la línea recta, según la cual es el camino más corto entre 2 puntos; o también la afirmación de que 5 + 7 = 12. Sin embargo, todas estas proposiciones tienen un carácter muy analítico. No obstante, Kant sostiene, en primer lugar, que estas tesis no proceden de la experiencia o, para expresarnos mejor, que no son una percepción fortuita aislada; lo cual es exacto, pues se trata de una percepción general y necesaria.

En segundo lugar, afirma Kant que las obtenemos de la intuición pura, no por medio del entendimiento o del concepto. Kant no resume ambas cosas; sin embargo, este resumen está implícito en el hecho de que tales tesis son inmediatamente ciertas precisamente en la intuición.” “Ante este modo de concebir, surge el problema de cómo consigue el ánimo llegar a tener precisamente estas formas. Pero a la filosofía kantiana no se le ocurre ni siquiera preguntarse cuál es la naturaleza del tiempo y el espacio. La pregunta de qué son el espacio y el tiempo no significa para ella cuál sea su concepto, sino el si son cosas externas o algo que existe simplemente en el ánimo.”

La segunda facultad, el entendimiento, es algo completamente distinto de la sensibilidad; ésta es la receptividad, mientras que Kant empleando una expresión de la filosofía leibnizianallama espontaneidad en general al pensamiento.”

«los pensamientos sin contenido son vacíos, las intuiciones sin conceptos son ciegas»

O bien se trata de una facultad de carácter especial; y solamente cuando acaecen ambas cosas, es decir, cuando los sentidos suministran la materia y el entendimiento ha combinado con ella sus pensamientos, brota el conocimiento. Los pensamientos del entendimiento como tal son, por consiguiente, pensamientos limitados, pensamientos de lo finito.

Ahora bien, la lógica, en cuanto lógica trascendental, establece asimismo los conceptos que el entendimiento encuentra a priori en él mismo y por medio de los cuales piensa los objetos completamente a priori. Los pensamientos tienen esta forma: son la función sintetizadora a través de la cual lo múltiple se reduce a unidad. Esta unidad soy yo, es la apercepción trascendental, el apercibir puro de la conciencia de sí, yo = yo; el yo debe «acompañar» a todas nuestras representaciones.” Recordando: percepção: sensação pura e simples; apercepção: sensação que é mais geral que a anterior, embora siga sendo imediata, e que não é conceitual por assim dizer, dado nosso próprio nível de exigência do que deva ser um conceito. Isto é: não só as rachaduras da parede do meu quarto, mas o tempo e o espaço: estas são apercepções. Diferente da qualidade da mesa na qual apóio agora meus cotovelos, a umidade de meus cachos agora que acabei de sair de um banho, o ruído ambiente… Espaço e tempo são de onde emanam todos esses fenômenos, e eu apenas acabo de abstrair o que é a extensão territorial e a dinâmica da sucessão em duas palavras específicas; porém não posso manusear tempo e espaço como um relógio e dizer mais do que isso sem incorrer em besteirol; esse é meu limite. Posso fazer poesia sobre espaço e tempo, mas continuará sendo uma determinação fundamental que determina meu próprio ânimo e o limite do que posso expressar nesta poesia.

Es una exposición bárbara.” HAHAHAAHAHAAHAHAHAHAHAHAHA!!!

el apercibir es el determinar en general, la actividad por medio de la cual traduzco a mi conciencia simple un contenido empírico, mientras que el percibir se llama más bien sensación o representación.”

Esto es una gran conciencia, un conocimiento importante: lo que el pensamiento produce es la unidad; y, de este modo, se produce a sí mismo, pues es lo uno. En Kant, sin embargo, no aparece expresado con tanta precisión esto de que yo soy lo uno y, en cuanto sujeto pensante, lo que lo simplifica todo. La unidad puede ser llamada también relación; pues, en cuanto se presupone un algo múltiple y este algo permanece como múltiple en uno de sus aspectos, mientras que en el otro se establece como uno, tenemos una relación.”

juicios generales, particulares y singulares; afirmativos, negativos, indefinidos; categóricos, hipotéticos, disyuntivos; asertóricos, problemáticos y apodícticos. Pues bien, destacando estas especiales modalidades de relación, obtenemos las formas puras del entendimiento.”

Existen, por tanto, según Kant, 12 categorías fundamentales, divididas en 4 clases; y no deja de ser curioso, y además meritorio, que cada género esté formado, a su vez, por una tríada.”

Ahora bien… Poderemos seguir fazendo uma pseudometafísica só reformulando essas categorias ad infinitum… Pouco importa seu número, seus nomes… Pelo menos pouco importa segundo o que o indivíduo quer com o mundo e com a vida – que esteja claro!

4) La cuarta clase son las categorías de la modalidad, de la relación de lo objetivo sobre nuestro pensamiento: posibilidad, existencia (realidad) y necesidad. La posibilidad debiera ser lo segundo; pero, con arreglo al pensamiento abstracto, la representación vacía es lo primero.” Aqui H. não deixa claro se é ele que está superinterpretando e julgando ou se está apenas expondo ipsis literis.

La triplicidad, esta vieja forma de los pitagóricos, de los neoplatónicos y de la religión cristiana, aunque aquí sólo se presente como un esquema puramente externo, esconde dentro de sí la forma absoluta, el concepto.” Sempre os limites do principio da não-contradição…

Pero, en cuanto Kant dice que una representación puede determinarse en mí como accidental, como causa, efecto, unidad, pluralidad, etc., tenemos ya en ello toda la metafísica del entendimiento. Kant además no deriva estas categorías, y aun cuando le parecen imperfectas, dice que las otras se derivan de éstas.”

tampoco deduce el tiempo y el espacio, sino que los toma, asimismo, de la experiencia; es, como se ve, un método totalmente antifilosófico, injustificado.” ¿??

Aporia… Ah, poria… algo mais?! Limite fenomênico. Limite-se, fenomênico! KNOW HOW TO LIE – LIE & REST. Já deuS.

La materia de la percepción perteneciente a la sensibilidad o a la intuición no es dejada en la determinación de lo singular y lo inmediato, sino que yo actúo en contra de ello por cuanto que la relaciono por medio de las categorías y la elevo al plano de los géneros generales, de las leyes naturales, etc. Así planteada la cosa, es fácil resolver el problema de qué se halla en un plano superior, si la sensibilidad llena o el concepto. En efecto, no se perciben directamente las leyes del cielo, sino que lo que se percibe directamente es tan sólo el desplazamiento de los astros. Sólo cuando se retiene este algo directamente percibido y se reduce a determinaciones generales del pensamiento, surge la experiencia, la cual está llamada a ser válida en todo tiempo.”

Kant llega, sin embargo, partiendo de aquí, al resultado de que la experiencia sólo capta fenómenos y de que a través del conocimiento, obtenido por la experiencia, no conocemos las cosas tal y como son en sí sino solamente en forma de leyes de la intuición y de la sensibilidad.” “Ni lo uno ni lo otro es, por tanto, algo en sí, ni ambas cosas juntas son el conocimiento, sino que éste conoce solamente los fenómenos; curiosa, singular contradicción.”

es el esquematismo del entendimiento puro, la imaginación trascendental, lo que determina la intuición pura, con arreglo a la categoría, formando así el tránsito a la experiencia.” É muito nome pra muita UNIDADE SEMELHANTE!

El enlace de este algo doble es, a su vez, una de las páginas más bellas de la filosofía kantiana, en la que se unen la sensibilidad pura y el entendimiento puro, predicados anteriormente como términos absolutamente antagónicos. Se contiene aquí un entendimiento intuitivo o una intuición intelectiva; pero no es así como lo entiende Kant, quien no junta estos pensamientos: no comprende que unifica, de este modo, ambas partes integrantes del conocimiento, expresando con ello el en sí del mismo.” O mais engraçado dos grandes filósofos é que avançam precursoramente dizendo aquilo que nem eles mesmos entendem, para que em seguida alguém o interprete corretamente (e por sua vez cometa mais erros parecidos lá na frente)! Se isso não é intuição transcendental da mais enraizada e incontestável eu não sei o que é!

pero en Kant el entendimiento pensante y la sensibilidad son factores especiales, que sólo se combinan de un modo externo, superficial, como un pedazo de madera y un hueso atados con una cuerda.”

En cuanto que todo gira aquí en torno a nuestras determinaciones y no a la cosa en sí, a lo verdaderamente objetivo, la filosofía kantiana recibe el nombre de idealismo. Pero, con este motivo, Kant se detiene a refutar el idealismo empírico o material, en los siguientes términos (Crítica de la razón pura, pp. 200 s.): «Yo tengo conciencia de mi existencia como determinada en el tiempo. Pero toda determinación en el tiempo presupone algo permanente en la percepción. Y este algo permanente no puede ser (una intuición) en mí¡!!

O bien tengo la conciencia de mi existencia como de una conciencia empírica, determinable solamente en relación a algo que se halla fuera de mí; es decir, tengo la conciencia de un algo exterior.” ¡!!

También cabría decir esto a la inversa: tengo la conciencia de las cosas externas como de cosas determinadas en el tiempo y cambiantes; éstas presuponen, por tanto, algo permanente, algo que no se halla en ellas, sino fuera de ellas. Y este algo soy yo, el fundamento transcendental de su generalidad y necesidad, de su ser en sí, la unidad de la conciencia de sí. Y así lo concibe, en otra ocasión, el propio Kant (Crítica de la razón pura, p. 101); por tanto, estos momentos se confunden y entremezclan, ya que lo permanente mismo es una categoría.”

El idealismo, considerado en el sentido de que nada existe como singular fuera de mi propia conciencia singular, o la refutación del mismo, en el sentido de que existen también cosas singulares fuera de mi propia conciencia, es por consiguiente tan malo en un caso como en el otro. Aquél es el idealismo de Berkeley, en el que sólo se habla de la conciencia de sí como de algo singular, o en el que el mundo de la conciencia de sí aparece ni más ni menos que como una multitud de representaciones limitadas, sensibles y singulares, tan carentes de verdad como si fuesen llamadas cosas. La verdad o la falta de verdad no está en que sean cosas o representaciones, sino en el carácter limitado y contingente de ella, según que sean representaciones o cosas.”

Pero, en Kant, el sujeto cognoscente no llega, en rigor, a la razón, sino que permanece, a su vez, como la conciencia de sí singular en cuanto tal, contrapuesta a la general. En realidad, en lo que hemos visto sólo se describe la conciencia de sí empírica, finita, que necesita una materia traída de fuera, es decir, que es limitada. No se pregunta si estos conocimientos son o no verdaderos en y para sí, con arreglo a su contenido; todo el conocimiento se mantiene dentro de la subjetividad y, al otro lado, se halla, como algo exterior, la cosa en sí.”

En tercer lugar viene, en Kant, la razón, a la que llega, también por el camino psicológico, partiendo del entendimiento: sigue hurgando, [remexendo] en efecto, en el saco del alma, para ver qué facultades encuentra todavía en él, y la casualidad le depara el encuentro de la razón. Pero la búsqueda sería también buena aunque no la hubiese descubierto, lo mismo que para los físicos es de todo punto indiferente el que, por ejemplo, exista o no el magnetismo.”

«Todo nuestro conocimiento comienza por los sentidos, pasa de ahí al entendimiento y termina en la razón, sin que haya en nosotros nada más alto para elaborar la materia de la intuición y reducirla a la suprema unidad del pensamiento.»

La razón es, por tanto, según Kant, la facultad para conocer a partir de principios, es decir, para conocer lo particular en lo general, por medio de conceptos; el entendimiento, por el contrario, llega a lo particular por la vía de la intuición. Pero las propias categorías son algo particular. El principio de la razón en general es, según Kant, lo general, en cuanto que encuentra lo incondicionado para el conocimiento condicionado del entendimiento. El entendimiento es, para él, por tanto, el pensamiento en condiciones finitas; la razón, por el contrario, el pensamiento que hace de lo incondicionado su objeto. Desde entonces, la terminología filosófica acostumbra a distinguir entre el entendimiento y la razón, distinción con que no nos encontramos en los filósofos antiguos. El producto de la razón es, según Kant, la idea—expresión platónica—; por idea entiende Kant lo incondicionado, lo infinito. Es una gran frase ésta de que la razón produce ideas; pero en Kant la idea es solamente lo general abstracto, lo indeterminado.” E se Platão concorda com Kant, como ficamos, H.?

Ahora bien, este algo incondicionado debe captarse de un modo concreto, y en eso reside precisamente la principal dificultad. En efecto, el conocer lo incondicionado significa determinarlo y derivar las determinaciones de ello. Mucho se ha escrito y hablado acerca del conocer, sin definirlo. Pero en filosofía de lo que se trata es de llegar a conocer lo que se da por supuesto como conocido.” “Todo depende, sin embargo, del modo como se considere el mundo; ahora bien, para Kant la experiencia, la consideración del mundo, no significa otra cosa sino que aquí nos encontramos, supongamos, con un candelabro y más allá con una bolsa de tabaco. Es exacto, no cabe duda, que lo infinito no se da en el mundo de la percepción sensible; y, dando por supuesto que lo que sabemos sea experiencia, un sintetizar los pensamientos y las materias de la sensibilidad, es evidente que no podremos llegar a conocer lo infinito en el sentido de llegar a tener una percepción sensible de ello. Pero tampoco ha de exigirse para la verificación de lo infinito una percepción sensible”

una de las importantes determinaciones de la filosofía kantiana consiste en ver que lo infinito, en cuanto se determina por categorías, se pierde en contradicciones. Ahora bien, aunque la razón, dice Kant, se convierte en transcendente mediante el establecimiento de estas contradicciones, implica siempre, sin embargo, el postulado de reducir a lo infinito la percepción, la experiencia, el conocimiento intelectivo. Y esta combinación de lo infinito, de lo incondicionado, con lo finito, con lo condicionado del conocimiento intelectivo, o incluso con la percepción, sería, desde este punto de vista, lo sumamente concreto.”

Pues bien, el modo como Kant aborda estas ideas es un modo derivado, a su vez, de la experiencia, de la lógica formal, según la cual existen diversas formas de razonamiento. Existiendo, nos dice Kant, 3 formas de silogismos, los categóricos, los hipotéticos y los disyuntivos, lo incondicional tiene que ser también de 3 clases: «La primera es lo incondicionado de la síntesis categórica en un sujeto.» La síntesis es lo concreto; pero la expresión es de doble sentido, ya que expresa una combinación externa de cosas independientes. «En segundo lugar, tenemos lo incondicionado de la síntesis hipotética de los miembros en una sola serie; y, en tercer lugar, lo incondicionado de la síntesis disyuntiva de las partes en un sistema.»

La primera combinación, expresada como objeto de la razón o idea trascendental, la hacemos cuando nos representamos «el sujeto pensante»; lo segundo «es el conjunto de todos los fenómenos, el universo»; lo tercero, «la cosa que encierra la suprema condición de la posibilidad de cuanto puede pensarse, la esencia de todas las esencias», es decir, Dios. El problema, reducido a su más aguda expresión, podría formularse ahora así: si la razón puede llevar estos objetos a la realidad o si éstos, por el contrario, quedan encerrados en el pensamiento subjetivo. Pues bien, la razón, según Kant, no es capaz de dar realidad a sus ideas —de otro modo, sería una razón trascendente, que volaría por encima de las cosas—, sino que produce solamente paralogismos, antinomias y un ideal sin realidad.”

«El paralogismo es un razonamiento falso en cuanto a la forma.»

¿es el Yo, lo pensante, una sustancia, un alma, una cosa anímica? Más adelante, se pregunta, asimismo, si es algo permanente, inmaterial, incorruptible, personal, inmortal, y algo que mantenga una comunidad real con los cuerpos. La falsedad del razonamiento consiste en que la idea racional necesaria de la unidad del sujeto trascendental se predique como una cosa, pues sólo así se convierte en sustancia lo que hay de permanente en ella. De otro modo, me encontraría a mí evidentemente como algo permanente en mi pensamiento; pero solamente en la conciencia perceptiva y no fuera de ella. El Yo es, por tanto, el sujeto vacío, trascendental, de nuestros pensamientos, que sólo por medio de sus pensamientos es conocido; pero sin que, partiendo de aquí, podamos llegar a formarnos ni el más leve concepto de lo que es en sí. (Es ésta una distinción harto repelente, pues el pensamiento no es otra cosa que el en sí.) No podemos predicar de él ningún ser, pues el pensamiento es una mera forma, y no obtenemos la representación de la esencia pensante por una experiencia externa, sino simplemente por la conciencia de sí, es decir, porque no podemos tomar en la mano el Yo, no podemos verlo, olerlo, etc. Sabemos perfectamente bien, sin duda, que el Yo es el sujeto; pero, si nos remontamos por encima de la conciencia de sí y decimos que es sustancia, vamos más allá de lo que tenemos derecho a ir. El Yo no puede, por tanto, dar al sujeto ninguna realidad.

Aquí vemos a Kant caer en contradicción con la barbarie de las ideas que refuta y la barbarie de sus propias ideas, las cuales no se salen del marco de las refutadas. Tiene, en primer lugar, toda la razón cuando afirma que el Yo no es una cosa anímica, un algo permanente y muerto, dotado de existencia sensible; y, en realidad, si hubiese de ser una cosa común y corriente, tendría que caer también, necesariamente, dentro del campo de la experiencia; en segundo lugar, Kant no sostiene lo contrario de esto, a saber, que el Yo, como este pensar lo general o pensarse a sí, tenga en sí mismo la verdadera realidad que exige como modo objetivo, sino que no sale de la representación de la realidad según la cual ésta consiste en ser una existencia sensible, en vista de lo cual, como el Yo no se da en ninguna experiencia externa, no es real. (…) dicho de otro modo: Kant sólo concibe la conciencia de sí, pura y simplemente, como algo sensible.” Ao exportar o em si, K. recai para trás até de Descartes com sua certeza!

Viene luego, en segundo lugar, la antinomia, es decir, la contradicción de la idea racional de lo incondicionado, aplicada al universo para representarlo como un conjunto íntegro de condiciones. En efecto, en los fenómenos dados la razón exige la integridad absoluta de las condiciones de su posibilidad, en tanto formen una serie, de tal modo que el universo mismo es algo incondicionado.

Ahora bien, si esta perfección se predica como algo que es, se representa solamente una antinomia, y la razón aparece simplemente como una razón dialéctica; es decir, descubrimos en este objeto, por cualquier parte que lo contemplemos, una perfecta contradicción. Pues los fenómenos son un contenido finito y el universo una cohesión de cosas limitadas; y si este contenido es pensado por la razón, es decir, subsumido bajo lo incondicional y lo ilimitado, estaremos ante 2 determinaciones, lo finito y lo infinito, contradictorias entre sí.”

Kant (Crítica de la razón pura, p. 320) señala aquí 4 contradicciones, lo que es demasiado poco; [HAHAHA!] en efecto, todo concepto entraña sus antinomias ya que no es un concepto simple, sino concreto, lo cual quiere decir que encierra determinaciones distintas, que son, a su vez, términos contrapuestos.”

PRIMEIRA ANTINOMIA KANTIANA: «Tesis: el mundo tiene un principio y un fin en el tiempo y se halla limitado en el espacio. Antítesis: No tiene principio ni fin en el tiempo, ni tampoco límites en el espacio.»

El mundo es, como universo, la totalidad; es, por tanto, una idea general y, en este sentido, ilimitada. Pero la perfección de la síntesis en el desarrollo del tiempo y del espacio no es otra cosa que un primer comienzo del espacio y el tiempo. Si, por tanto, aplicamos al mundo, para conocerlo, las categorías de lo limitado y lo ilimitado, caeremos en contradicciones, ya que estas categorías no pueden ser predicadas de las cosas en sí.”

La cuarta antinomia [a segunda e a terceira são irrelevantes e triviais para listar aqui] se basa en lo siguiente: de una parte, la totalidad se consuma en la libertad, como un primer principio del hacer, o en una esencia absolutamente necesaria, como la causa del universo, quedando rota así la continuidad; pero frente a aquella libertad aparece, de otra parte, la necesidad de la continuidad con arreglo a las condiciones de las causas y los efectos, y frente a la esencia necesaria el hecho de que todo es contingente. Por tanto, de una parte se afirma la necesidad absoluta del mundo condicionado: «El mundo supone un ser absolutamente necesario.» Lo contrario a esto es: «No existe un ser absolutamente necesario, ni como parte del mundo ni fuera de él.»

La necesidad de estas contradicciones es justo el lado interesante que Kant (Crítica de la razón pura, p. 324) trae a nuestra conciencia, ya que según la metafísica común y corriente si lo uno rige hay que dar lo otro por refutado. Sin embargo, lo que hay de importante en esta afirmación de Kant va dirigido contra su intención. Pues aunque es cierto que Kant (Crítica de la razón pura, pp. 385 s.) disuelve estas antinomias, las disuelve solamente en el peculiar sentido del idealismo trascendental, que no niega o pone en duda la existencia de las cosas exteriores, sino que «permite que las cosas sean intuidas en el espacio y en el tiempo» (para lo que no se necesita contar con ninguna autorización); pero para él «el espacio y el tiempo no son, en sí mismos, tales cosas (por lo cual) no existen fuera de nuestro ánimo»; es decir, que todas estas determinaciones de principio en el tiempo, etc., no corresponden a las cosas, al en sí del mundo mismo de los fenómenos, que existe para sí fuera de nuestro pensamiento subjetivo.” Sim, são mera retórica kantiana, que ‘inventa’ uma antinomia, i.e., uma possibilidade de refutação de seu sistema, que apenas jogará aos leões, porque seu sistema já nasce irrefutável. A lógica usada em cada uma é a antiga (pré-criticismo), e a síntese é a lógica a partir de Kant. É um artifício que infla muito a espessura da Crítica da Razão Pura.

GENEALOGIA DA RESPONSABILIDADE: “O bien, este idealismo trascendental deja en pie la contradicción, sólo que el en sí no es tan contradictorio, sino que esta contradicción tiene su fuente única y exclusivamente en nuestro pensamiento. Sigue, pues, en pie, en nuestro ánimo, la misma antinomia; y si antes era Dios lo que asumía en su seno todas las contradicciones, ahora es la conciencia de sí.”

no debemos, por tanto, preocuparnos de sus contradicciones, toda vez que el Yo puede soportarlas. Kant, sin embargo, muestra aquí demasiada ternura por las cosas: sería lástima que éstas se contradijesen. Pero el que el espíritu, lo más alto de todo, sea la contradicción, en nada perjudica.” HAHAHAHA

La verdadera disolución recaería sobre el contenido de que las categorías no encierran en sí verdad alguna, y tampoco lo incondicionado de la razón, sino solamente la unidad de ambos como cosas concretas.”

Al llegar aquí, Kant considera la prueba de la existencia de Dios, ya que se pregunta si a este ideal se le puede atribuir realidad.”

Anselmo, Descartes y Spinoza dan el paso hacia el ser; y todos ellos admiten, a este propósito, la unidad del ser y del pensamiento. Pero Kant (Crítica de la razón pura, pp. 458-466) dice: a este ideal de la razón no se le puede atribuir tampoco ninguna realidad: no hay transición del concepto al ser.”

«Para llegar a la existencia, tenemos que salirnos del marco del concepto. Tratándose de objetos del pensamiento puro, no constituye un medio el conocer su existencia, ya que ésta tenía necesariamente que conocerse a priori; pero nuestra conciencia de toda existencia pertenece íntegramente al campo de la experiencia.»

Es decir, que Kant no llega a establecer justo aquella síntesis del concepto y del ser, o sea a comprender la existencia, a establecerla como un concepto; la existencia sigue siendo para él sencillamente otra cosa que el concepto.” Não chegou aos existencialistas.

La afirmación de que 100 táleros posibles son algo distinto a 100 táleros reales envuelve un pensamiento popular muy extendido, como el de que no es posible pasar del concepto al ser, pues no por imaginarme la existencia de 100 táleros los tengo en mi poder. Pero lo mismo podríamos decir, en el mismo sentido popular: dejemos a un lado esa figuración, pues se trata simplemente de eso; dicho de otro modo, lo que nos imaginamos es falso, los 100 táleros que nos representamos son, pura y simplemente, una ficción. El aferrarnos a ellos es, por tanto, una malsana figuración, que nada vale; quien se deja llevar de tales figuraciones y deseos, es un hombre fatuo. Tener 100 táleros es tener 100 táleros reales; así, pues, quien los necesite deberá poner manos a la obra para adquirirlos, para llegar a poseerlos; es decir, no deberá contentarse con aquella figuración, sino pasar por encima de ella.”

Ningún hombre es tan necio como aquella filosofía: cuando siente hambre, no se contenta con imaginarse la comida, sino que hace lo posible por ingerirla, saciando el hambre. Toda actividad es una representación que no es aún, pero que es subjetivamente levantada.”

Nenhum homem é tão néscio como aquela filosofia: quando sente fome, não se contenta com imaginar-se a comida, senão que faz o possível para ingeri-la, saciando sua fome. Toda atividade é uma representação que não é ainda, mas que é subjetivamente suspensa/sublimada.”

Este «buscar agua en el desierto» por medio de la lógica corriente, es lo que se llama filosofar; es algo así como Isacar, el asno huesudo, al que no hay manera de hacer moverse del sitio (Génesis, 49:14). Estas gentes dicen: no servimos para nada, y en vista de que no servimos para nada, no servimos ni queremos servir. Pero, es una falsa modestia y una falsa humildad cristiana esto de querer ser buenos a fuerza de no servir para nada; en realidad, este reconocimiento de la propia nulidad es una especie de soberbia interior y una gran complacencia con uno mismo. En gracia a la verdadera humildad, el hombre no debe entregarse a su nulidad, sino elevarse por encima de ella, mediante la captación de lo divino.”

Las ideas de la razón no pueden verse confirmadas por la experiencia, ni encontrar en ésta su corroboración; cuando se determinan por medio de categorías, surgen las contradicciones. Cuando la idea ha de determinarse simplemente como algo que es, no es otra cosa que el concepto; y de ello se distingue siempre el ser de lo existente. Ahora bien, este resultado, tan extraordinariamente importante en lo tocante a los conocimientos intelectivos, no lleva a Kant, en lo que a la razón se refiere, sino a la afirmación de que ésta no encierra, por sí misma, otra cosa que la unidad formal para la sistematización metódica de los conocimientos intelectivos. Se retiene el pensamiento abstracto en su totalidad; se dice que el intelecto sólo puede establecer orden en las cosas, pero que este orden no es nada en y para sí, sino algo puramente subjetivo. Sólo le queda, pues, a la razón la forma de su pura identidad consigo misma, y ésta sólo sirve para una cosa: para ordenar las múltiples leyes y relaciones intelectivas, las clases, los tipos y los géneros con que se encuentra el entendimiento.”

Hay que reconocer, sin embargo, el gran mérito de los Principios metafísicas de la ciencia natural («Metaphysische Anfangsgründe der Naturwissenschaft») al llamar la atención hacia un comienzo de una filosofía de la naturaleza, consistente en que la física emplee, sin detenerse a investigarlas más a fondo, determinaciones del pensamiento que constituyen las bases esenciales de sus objetos. La densidad, por ejemplo, es considerada por ella como una cantidad desigual, como un simple quantum en el espacio; Kant, en cambio, ve en ella un grado en la acción de llenar el espacio, es decir, la considera como energía, como intensidad de la acción. [Prevê a necessidade do dinamismo da Física no sentido daquela do século XX, antimecanicista.] Por eso exige (pp. 65-68) que la materia se construya a base de fuerzas y actividades, no a base de átomos; [sentido hoje obsoleto, diante do ‘novo átomo’ dual dos físicos] punto de vista que sigue compartiendo plenamente Schelling.” “Kant se esfuerza en poner de manifiesto los conceptos y principios fundamentales de esta ciencia, dando pie con ello para una llamada teoría dinámica de la naturaleza.”

Die Religion innerhalb der blossen Vernunft [«La religión dentro de los límites de la razón pura»] es también una obra en que se señalan las doctrinas de la fe como aspectos de la razón, ni más ni menos que se hace en la naturaleza. De este modo, Kant, en la dogmática positiva de la religión con la que había dado al traste la Ilustración, trae al recuerdo las ideas de la razón: el significado racional y, sobre todo, moral que tienen los llamados dogmas de la religión, por ejemplo, el dogma del pecado original. Modo de proceder mucho más racional que el de la Ilustración, la cual se avergüenza de hablar de ello.”

A la inteligencia hay que añadir, en la filosofía kantiana, en segundo lugar, lo práctico, la naturaleza de la voluntad y de lo que constituye su principio: es lo que estudia la Crítica de la razón práctica, en la que Kant hace suya la determinación rousseauniana de que la voluntad es libre en y para sí. Kant concibe la razón teórica de tal modo, que, al referirse a un objeto, este objeto le debe ser dado; pero, a partir del momento en que se lo da a sí misma, carece el objeto de verdad y la razón no cobra, en este conocimiento, su propia independencia. Sólo es independiente de suyo, por el contrario, como razón práctica; en cuanto ser moral, el hombre es libre, se halla colocado por encima de toda ley natural y de todo fenómeno. Del mismo modo que la razón teórica presentaba categorías, diferencias apriorísticas, la razón práctica tiene la ley moral en general, cuyas determinaciones más precisas son los conceptos de deber y derecho, de lo lícito y lo ilícito; y, en este punto, la razón rechaza toda materia dada, de la que en el plano teórico, en cambio, no puede prescindir.”

Desde este punto de vista, la conciencia de sí mismo es su propia esencia, mientras que la razón teórica tenía otra, distinta: concretamente, en el primer caso el Yo es, en su carácter individual, esencia inmediata, generalidad, objetividad; la subjetividad tiende, en segundo lugar, a la realidad, pero no a la realidad sensible, a la que antes encontrábamos, sino que aquí la razón se hace pasar por lo real. Aquí, es el concepto el que tiene la conciencia de su defectuosidad, cosa que no debiera tener la razón teórica, ya que el concepto tiene que seguir siendo tal concepto. Se impone, pues, aquí el punto de vista de lo absoluto, ya que el hombre encierra en su pecho algo infinito. Tal es lo que hay de satisfactorio en la filosofía kantiana: el cifrar lo verdadero por lo menos en el ánimo del hombre, por lo cual sólo reconozco lo que se halla en armonía con mi propia determinación.”

Deste ponto de vista, a consciência de si mesmo é sua própria essência, enquanto que a razão teórica tinha outra, distinta: concretamente, no primeiro caso o Eu é, em seu caráter individual, essência imediata, generalidade, objetividade; a subjetividade tende, em segundo lugar, à realidade, mas não à realidade sensível, a que antes encontrávamos, senão que, aqui, a razão faz-se passar pelo real. Aqui, é o conceito aquele que tem a consciência de sua defeituosidade, coisa que não devia ter a razão teórica, já que o conceito tem de seguir sendo tal conceito. Impõe-se, então, aqui, o ponto de vista do absoluto, já que o homem encerra em seu peito algo infinito. Tal é o que há de satisfatório na filosofia kantiana: ela cifra o verdadeiro ao menos no ânimo do homem, só mediante o qual reconheço aquilo que se acha em harmonia com minha própria determinação.” Obviamente seria o livro mais adorado pelo protestante Hegel! Matou o Sol Absoluto de Platão no peito e saiu jogando – fintando dialeticamente – no time da Metafísica (talvez contra o Entendimento Pensante Futebol Clube) para marcar um GOOOLAÇO… Infelizmente para Hegel, não aposentaram a camisa 10 após sua morte, porque a despeito de toda sua autopresunção ele não era Pelé e as próximas gerações ofuscaram-no…

Kant divide la voluntad en una capacidad de apetencia inferior y superior; y esta manera de expresarse no tiene nada de torpe.”

Kant divide a vontade em uma capacidade de apetência inferior e superior; e esta maneira de se expressar nada tem de torpe.” Obviamente o tem!

Ahora bien, todo ethos de la conducta descansa sobre la intención de que la presida la conciencia de la ley y en gracia a la ley misma, el respeto a la ley y a sí misma, como lo único que pueda hacer al hombre feliz.”

Una de las determinaciones extraordinariamente importantes de la filosofía kantiana es la de que debe reducirse a sí misma lo que la conciencia de sí considera como la esencia, la ley y el en sí. Según que el hombre persiga este o aquel fin, según que enjuicie de éste o el otro modo el mundo o la historia, ¿qué debe reputar como su fin último? Para la voluntad, no existe otro fin que el sacado de ella misma, el fin de su libertad.” A brecha perfeita para o Historicismo hegeliano: uma mal-formulada ética laico-cristã!

La propiedad es aquí la premisa de que se parte; pero lo mismo podría ocurrir que esta determinación desapareciese en cuyo caso no se daría contradicción alguna en el robo: no existiendo la propiedad, no hay por qué respetarla. Tal es el defecto de que adolece el principio kantiano-fichteano: se trata de un principio puramente formal; el frío deber es el último hueso no-digerido que queda en el estómago, la revelación entregada a la razón.”

Esta unidad es postulada, el hombre debe ser moral; pero no se pasa del deber ser, y todo queda reducido a esta cháchara sobre lo ético.”

Sólo puede existir lucha cuando la voluntad sensible no se ajusta todavía a la voluntad general. El resultado es, por tanto, que la meta de la voluntad moral sólo pueda alcanzarse en el progreso infinito; sobre esto basa Kant (Crítica de la razón práctica, pp. 219-223) el postulado de la inmortalidad del alma, como el progreso infinito del sujeto en su ethos, puesto que el propio ethos es algo imperfecto y tiene necesariamente que progresar hacia lo infinito.” Urgh!

La voluntad tiene frente a sí el mundo entero, el todo de la sensibilidad, y, sin embargo, la razón tiende hacia la unidad de la naturaleza y de la ley moral, como la idea del bien que es el fin último del mundo. Pero como se trata de algo puramente formal, es decir, de algo carente de contenido por sí mismo, se enfrenta a los instintos y las inclinaciones de una naturaleza subjetiva y de una naturaleza independiente exterior. Kant (Crítica de la razón práctica, pp. 198-200) unifica la contradicción de ambos factores en la idea del supremo bien, en el cual la naturaleza es ya adecuada a la voluntad racional y la dicha se armoniza con la virtud. Coincidencia ésta que no es, en rigor, lo que interesa aquí, aunque en ello consista la realidad práctica.” “Aquella unificación sigue siendo, por tanto, un más allá, un pensamiento que no se da en la realidad, sino que simplemente debe ser. Kant (Crítica de la razón práctica, pp. 205-209) se deja llevar, así, íntegramente de la cháchara de quienes dicen que en este mundo a los virtuosos les va muchas veces mal y a los viciosos bien, etc., y postula, más en detalle, la existencia de Dios como la esencia, la causalidad por medio de la cual se produce esta armonía, en función tanto de la representación de lo que hay de sagrado en la ley moral como en la naturaleza, pero también simplemente, con arreglo al progreso infinito y en función del fin racional que se trata de realizar; postulado este que, al igual que el de la inmortalidad del alma, deja subsistir la contradicción, tal y como es, limitándose a proclamar el deber ser abstracto de su disolución.” “Kant aduce, como vemos, ciertas maneras populares de expresarse: se trata de que el mal sea vencido, y de que sea, al mismo tiempo, poco.” “La realidad del Dios creador de la armonía es también una realidad carente de conciencia; es asumida por la conciencia en gracia a la armonía, a la manera como los niños se asustan unos a otros con un fantoche. La función en gracia a la cual se admite la existencia de Dios, con objeto de infundir mayor respeto a la ley moral mediante la idea de un legislador divino, se halla en contradicción con el postulado de que el ethos consiste justo en que la ley sea respetada pura y exclusivamente en gracia a ella misma.”

A los hombres les resulta difícil creer que la razón sea real; sin embargo, no hay nada real más que la razón, que es el poder absoluto.”

Nos queda todavía por examinar el tercer aspecto de la filosofía kantiana, el de la Crítica del juicio, en el que se nos presenta el postulado de lo concreto, según el cual la idea de aquella unidad no se establece como un más allá sino como algo presente. Es este un aspecto de especial importancia. Dice Kant que el entendimiento establece leyes en lo teórico, y produce categorías, pero que éstas no pasan de ser determinaciones puramente generales, al margen de las cuales queda lo particular (la otra parte integrante de todo conocimiento).”

«Y como el concepto de un objeto, siempre y cuando que encierre, al mismo tiempo, el fundamento de la realidad de este objeto, se llama el fin, y la coincidencia de una cosa con aquella estructura de las cosas que sólo es posible con arreglo a fines se llama la finalidad de la forma de las mismas, tenemos que el principio del juicio, en relación con la forma de las cosas de la naturaleza bajo leyes empíricas, es la finalidad de la naturaleza (…) Es decir, que la naturaleza se concibe, a través de este concepto, como si un entendimiento encerrase el fundamento de la unidad de lo múltiple de sus leyes empíricas.»

RESUMO DA ARTE: “Fin es el concepto inmanente, no la forma externa y la abstracción con respecto a un material que le sirve de base, sino que la penetra; de tal modo que todo lo particular es determinado, a su vez, por este algo general. Este fin es, según Kant, el entendimiento: es cierto que las leyes intelectivas que tiene en el conocimiento dejan aún indeterminado lo objetivo, pero como este algo múltiple necesita llevar dentro de sí mismo una conexión, contingente, sin embargo, para la visión humana, «necesariamente el juicio tiene que aceptar como principio para su propio uso el que lo contingente para nosotros encierra una unidad en la relación de lo múltiple con una experiencia posible en sí, unidad no cognoscible para nosotros, pero no por ello impensable»”

Este principio del juicio reflexionante lleva dentro de sí una doble finalidad, la formal y la material; por tanto, el juicio puede ser de 2 clases, estético o teleológico, el primero de los cuales se refiere a la finalidad subjetiva y el segundo a la finalidad objetiva, lógica. Existen, según esto, dos objetos del juicio: lo bello en las obras de arte y los productos naturales de la vida orgánica, que nos representan la unidad del concepto de naturaleza y del concepto de libertad.”

«lo agradable y lo desagradable es algo subjetivo, algo que no puede ser elemento de conocimiento. El objeto sólo posee finalidad cuando su representación está directamente unida al sentimiento de lo agradable; y esta representación es una representación estética. La aprehensión de las formas en la imaginación no puede producirse nunca sin que el juicio reflexionante, aun sin intención de hacerlo, las compare, al menos, con su facultad de relacionar las intuiciones con los conceptos. Ahora bien, si, en esta comparación, la imaginación lleva al entendimiento, como facultad de formación de conceptos, por medio de una representación dada, despertando con ello un sentimiento de placer, no cabe duda de que el objeto deberá considerarse, en estas condiciones, como final para el juicio reflexionante. Desde el punto de vista estético tal juicio versa sobre la finalidad del objeto, que no se basa en ningún concepto actual del objeto y que no crea tampoco ningún concepto de él. Un objeto cuya forma (no lo que hay de material en su representación, como sensación) es juzgada como fundamento del placer que la representación de semejante objeto causa es un objeto bello»

Lo sublime es la tendencia a representarse por medio de los sentidos una idea, en lo que, al mismo tiempo, se representa la inadecuación, la imposibilidad de concebir la idea por medio de los sentidos. Aquí en el juicio estético, vemos la unidad inmediata de lo general y lo particular, pues lo bello es justo esta unidad inmediata ajena a todo concepto. Pero como Kant la sitúa en el sujeto, es algo limitado; y, desde el punto de vista estético, algo que ocupa un plano más bajo, por cuanto no es la unidad concebida.”

El otro modo de la coincidencia es, en la finalidad objetiva y material, la consideración teleológica de la naturaleza, según la cual se intuye en los productos orgánicos naturales la unidad inmediata del concepto y la realidad como una unidad objetiva: el fin de la naturaleza, que contiene lo particular en lo general y el género dentro de lo particular.” Essa parte do livro é tão supérflua que nem me lembrava dela!

El fin de la naturaleza debe buscarse, por tanto, en la materia, en cuanto se trate de un producto natural interiormente organizado, «en el que todo es fin y, al mismo tiempo, alternativamente, medio»H. está adorando muito tudo isso – se é que não aprendeu daí mesmo. Se bem que é verdade o que afirma logo na seqüência: “Tal es el concepto aristotélico; es lo infinito que se remonta a sí mismo, la idea.”

Kant se expresa así acerca de esto: ‘no encontraríamos diferencia alguna entre el mecanismo de la naturaleza y la técnica de la naturaleza, es decir, el enlace final en ella, si nuestro entendimiento no fuese de tal índole que tiene que pasar de lo general a lo particular, si nuestro juicio no puede emitir juicios determinantes sin tener una ley general en que aquellos juicios puedan subsumirse’.” “Entra así en la filosofía kantiana la representación de lo concreto, según la cual el concepto general determina lo particular. Pero como Kant sólo enfoca estas ideas en su determinación subjetiva, como pensamientos normativos para el juicio, con lo que nada que sea en sí puede postularse, tenemos que vuelve a destacar el lado del concepto, aunque proclame también la unidad del concepto y la realidad; no trata, por tanto, de levantar [suspender] su límite, en el momento en que lo establece como tal límite. Tal es la contradicción constante de la filosofía kantiana” Mas querer extrair um absoluto da Estética é o cume da canalhice, H.!

En el arte es, pues, evidentemente, el mismo modo sensible el que nos suministra la representación de la idea; realidad e idealidad se dan aquí directamente en una unidad.”

Es cierto que Kant se acerca expresamente a la representación de un entendimiento intuitivo, el cual, al dar leyes generales, determina asimismo lo particular; es ésta una determinación profunda, lo verdaderamente concreto, la realidad determinada por el concepto inmanente o, como dice Spinoza, la idea adecuada. En efecto, como «del conocimiento forma parte también la intuición y la facultad de una espontaneidad completa en la intuición sería una facultad de conocimiento específicamente distinta y completamente independiente de aquélla y, por tanto, un entendimiento en el sentido más general de la palabra; cabe concebir también un entendimiento intuitivo que no pase de lo general a lo particular y de esto a lo individual por medio de conceptos, en el que no nos encontremos con lo contingente de la cohesión de la naturaleza en sus productos con arreglo a leyes particulares y que tan difícil hace al nuestro el reducir a unidad de conocimiento lo que hay de múltiple en ella».” “A Kant, sin embargo, no se le ocurre pensar que este «intellectus archetypus» es la verdadera idea del entendimiento. Es curioso que tenga esta idea de lo intuitivo, pero sin llegar a saber por qué esta idea no puede ser verdadera, o sabiendo simplemente que es porque nuestro entendimiento está formado de otro modo, es decir, de tal modo que «pasa de lo analítico-general a lo particular».” Não seja rabugento – pelo menos ele fechou sua trilogia crítica da forma mais digna de todas, atribuindo à arte o que é da arte!

¡Triste época para la verdad, en la que desaparece toda metafísica y sólo prevalece una filosofía que no es tal!”

PROCEDE A RESUMIR COMO ENTENDE A F. KANTIANA: “Tenemos, por tanto, en primer lugar, un postulado de consecuencia, en el que los pensamientos particulares sean producidos y justificados por la necesidad, en virtud de aquella primera unidad del Yo. En segundo lugar, el pensamiento se ha expandido por el mundo, se ha adherido a todo, lo investiga todo, lleva a todo sus formas, lo sistematiza todo; de tal modo, que es necesario proceder ya con arreglo a sus determinaciones y no con arreglo a un simple sentimiento, a la rutina o al sentido práctico, a esa inmensa inconsciencia de los llamados hombres prácticos. Y así, tanto en la teología como en los gobiernos y en sus legislaciones, en lo tocante al fin del Estado, a las industrias y a la mecánica, es necesario proceder, ahora, ateniéndose exclusivamente a determinaciones generales, es decir, es necesario proceder de un modo racional, y empezamos a oír hablar de la explotación racional de una fábrica de cerveza, de una ladrillera, etc.”

Fichte produjo una gran inquietud en su época; y su filosofía es el acabamiento y, principalmente, una exposición más consecuente de la filosofía kantiana. No va más allá del contenido fundamental de la filosofía de Kant, y en un principio tampoco él considera su filosofía más que como un desarrollo sistemático de la de Kant. Fuera de ésta y de la de Schelling, no existen otras filosofías. Los demás atrapan de éstas lo que pueden y se debaten y entretienen con ello.” E apesar disso começa a citar figurões inúteis na seqüência.

Así, en la Alemania de entonces hubo muchas filosofías, como las de Reinhold, Krug, Bouterwek, Fries, Schulze, etc.; pero, en ellas no se revela otra cosa que una extrema limitación llena de jactancia: una mescolanza de pensamientos e ideas rebañados aquí y allá y de hechos que encuentra uno dentro de sí mismo. Pero sus pensamientos están tomados todos ellos de Fichte, Kant o Schelling, en la medida en que podemos encontrar allí alguna clase de pensamientos; o bien se introduce en ellas alguna pequeña modificación, la cual no consiste, por lo general, en otra cosa sino en que los grandes principios se presenten con una gran pobreza y el que los puntos vivos aparezcan muertos”

Johann Gottlieb Fichte nació en Rammenau, cerca de Bischoffswerda (en la alta Lusacia) el 19 de mayo de 1762, estudió en la universidad de Jena y fue, durante algún tiempo, preceptor en Suiza. Escribió un estudio sobre la religión, que lleva por título Versuch einer Kritik aller Offenbarung [«Ensayo de una crítica de toda revelación»], compuesto todo él con la terminología kantiana, hasta el punto de que llegó a considerarse esta obra como salida de la pluma de Kant.” HAHAHA!

En 1793, fue llamado por Goethe a Jena para desempeñar la cátedra de filosofía, a la cual hubo de renunciar, sin embargo, en 1799, a consecuencia de un incidente desagradable provocado por su ensayo Über den Grund unseres Glaubens an eine göttliche Weltregierung [«Sobre el fundamento de nuestra creencia en una providencia divina»]. Fichte editaba en Jena un periódico, en el que se publicó un artículo de uno de los colaboradores de la revista, tildado de ateo. Fichte habría podido guardar silencio, pero en vez de hacerlo presentó aquel ensayo suyo como introducción al otro.” “Fichte, al abandonar su cátedra, ejerció durante algún tiempo como docente privado en la universidad de Berlín; en 1805 fue nombrado profesor en Erlangen y en 1809 obtuvo una cátedra en Berlín, donde murió el 27 de enero de 1814.”

En lo que se considera como la filosofía de Fichte, hay que distinguir entre su verdadera filosofía especulativa, que procede de un modo estrictamente consecuente y es poco conocida, y su filosofía popular, de la que forman parte las conferencias pronunciadas por él en Berlín ante un público diverso, por ejemplo el escrito que lleva por título Vom seligen Leben [«De la vida beata»].¹ Esta filosofía —que es la única que conocen, por lo general, los que se llaman fichteanos— contiene mucho de edificante y conmovedor; son discursos muy convincentes para el sentimiento religioso de las gentes cultas. Sin embargo, en una historia de la filosofía no pueden ser tomadas en consideración estas obras, por muy grande que sea el valor que deba atribuirse a su contenido. Este contenido necesita desarrollarse especulativamente, y el pensador a que nos estamos refiriendo sólo hace esto en sus primeras obras filosóficas.(*)

[¹ Não que seu lado mais sério seja grande coisa…]

(*) Las obras póstumas de Fichte, que no vieron la luz hasta después de muerto Hegel, demuestran, sin embargo, que Fichte, en sus lecciones de la Universidad de Berlín, desarrolló científicamente [e que quer isso dizer? que escreveu mais empolado?] también este punto de vista transformado de su filosofía; el primer paso en este sentido lo dio ya Fichte en 1810, en el folleto que lleva por título Die Wissenschaftslehre in ihrem allgemeinen Umrisse [«La teoría de la ciencia en sus contornos generales»] (V. Michelet, Geschichte der letzten Systeme der Philosophie [«Historia de los últimos sistemas filosóficos»] parte I, pp. 441 s.) [M.].”

Aquel defecto de la filosofía kantiana a que más arriba nos referíamos: el de la inconsecuencia inconsciente que hace que su sistema carezca, en conjunto, de unidad especulativa, fue superado en la filosofía de Fichte. Fichte hace hincapié en la forma absoluta; la forma absoluta es, en él, el ser para sí absoluto, la negatividad absoluta, no lo individual, sino el concepto de la individualidad y, por tanto, el concepto de la realidad; la filosofía de Fichte es así el desarrollo de la forma dentro de sí. En ella se establece el Yo como principio absoluto, de tal modo que de él, que es al mismo tiempo la certeza inmediata de sí mismo, es necesario derivar todo el contenido del universo, representándoselo como un producto. La razón es de suyo, por tanto, según Fichte, síntesis del concepto y de la realidad. Pero enfoca este mismo principio de un modo unilateral, solamente en uno de sus lados: es subjetivo por naturaleza y lleva implícita una contraposición; y la realización de la misma es un desarrollarse en la finitud, un volver la vista hacia lo precedente. Por otra parte, la forma de la exposición presenta la incomodidad y hasta la torpeza de ponernos siempre ante los ojos el Yo empírico, lo cual es absurdo y delata el punto de vista adoptado por este pensador.” “Se trata, de este modo, de un pensar puro; dicho de otro modo: el Yo es el verdadero juicio sintético a priori, como Kant lo llamara.” “No existe por doquier otra cosa que el Yo; y el Yo existe simplemente porque existe: lo que existe existe solamente en el Yo y para el Yo.” “La filosofía de Fichte tiene el gran mérito de haber proclamado que la filosofía debe ser una ciencia basada en un principio supremo, del que se deriven necesariamente todas las determinaciones. Lo importante es esta unidad del principio y el intento de desarrollar, partiendo de él y de un modo científicamente consecuente, todo el contenido de la conciencia o, dicho en los términos entonces usuales, de construir a partir de él todo el universo.” “Por tanto, Fichte no procede narrativamente —como lo hacía Kant—, arrancando del Yo, sino que va más allá, intentando realizar, a partir del Yo, una construcción de las determinaciones del saber. Es necesario desarrollar en todo su alcance el saber del universo entero y, además, este saber debe ser consecuencia del desarrollo de las determinaciones”

Así, pues, mientras que Kant establece el conocer, Fichte se apoya sobre el saber. Fichte expresa la misión de la filosofía diciendo que es la teoría del saber; el saber general constituye tanto el objeto como el punto de partida de la filosofía. La conciencia sabe, en eso consiste su naturaleza; la finalidad del conocimiento filosófico es el saber de este saber. Por eso Fichte (Begriff der Wissenschaftslehre [«Concepto de la teoría de la ciencia»] p. 18) llama a su filosofía la teoría de la ciencia, la ciencia del saber. En efecto la conciencia corriente, como Yo activo, encuentra esto y lo otro, no se ocupa de sí misma, sino de otros objetos e intereses; pero la necesidad de que yo produzca determinaciones y cuáles sean éstas, por ejemplo las de causa y efecto, va más allá de mi conciencia; las produzco instintivamente y no puedo quedar detrás de mi conciencia. Sin embargo, cuando filosofo tomo por objeto mi propia conciencia habitual, al sentar en ésta una categoría pura: sé lo que hace mi Yo y sorprendo, de este modo, a mi conciencia habitual. Por tanto, Fichte determina la filosofía como la conciencia artificial, como la conciencia sobre la conciencia.” E que novidade há nisso?

Por consiguiente, Fichte comienza, lo mismo que Descartes, diciendo: pienso, luego existo; y se remite expresamente a esta tesis cartesiana. El ser del Yo no es un ser muerto sino un ser concreto: pero el ser supremo es el pensamiento. De este modo, el Yo, como la actividad para sí del pensamiento, es el saber, aunque se trate solamente de un saber abstracto, ya que en sus comienzos no puede ser de otro modo. Al mismo tiempo, Fichte arranca de esta certeza absoluta con necesidades y postulados completamente distintos, pues de este Yo debe derivarse no sólo el ser, sino también el sistema ulterior del pensamiento.”

Ahora bien, Fichte analiza el Yo en tres principios, partiendo de los cuales debe desarrollarse toda la ciencia.”

El primer principio debe ser un principio simple, en el que se identifiquen el predicado y el sujeto; pues si estos dos términos fuesen desiguales, necesariamente habría que probar por medio de un tercer término la relación entre ellos”

Este principio es, en primer lugar, un principio abstracto y defectuoso, ya que en él no se expresa todavía una diferencia, o solamente se expresa una diferencia formal, y todo principio debe encerrar un contenido: se distinguen dentro de él evidentemente un sujeto y un predicado, pero solamente para nosotros, que reflexionamos acerca de ello; es decir, precisamente en él mismo se advierte la falta de toda diferencia y, por tanto, de un verdadero contenido. En segundo lugar, este principio es evidentemente la certeza inmediata de la conciencia de sí; sin embargo, la conciencia de sí es, al mismo tiempo, conciencia, y en ella posee asimismo la certeza de que existen otras cosas con las cuales se enfrenta. En tercer lugar, aquel principio no encierra en sí la verdad precisamente porque la certeza de sí mismo que posee el Yo no tiene ninguna objetividad, no lleva en sí la forma del contenido distinto, o se enfrenta precisamente a la conciencia de lo otro.”

Ahora bien, para que se añada una determinación, es decir, un contenido y una diferencia, es necesario según Fichte establecer un segundo principio, incondicionado en cuanto a la forma, pero condicionado en cuanto al contenido, puesto que no corresponde al Yo. Este segundo principio, colocado por debajo del primero, se formula así: «Yo enfrento al Yo un no-Yo.» Con lo cual se proclama justo algo distinto de la conciencia de sí absoluta.” “Con la misma razón podría afirmarse que se trata de un principio independiente, a causa de este contenido, ya que lo que hay de negativo en él es algo absoluto, y que se trata, asimismo, a la inversa, de un principio independiente, por razón de la forma de la contraposición, la cual no puede derivarse de lo primero.” zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

Fichte emplea una expresión muy feliz, correcta y consecuente. Se ha tratado de presentar esto del Yo y del no-Yo como algo ridículo en muchos aspectos. Es una expresión nueva, por eso a nosotros, los alemanes, se nos antoja curiosa y peregrina. Pero los franceses hablan de Moi y de Non-Moi, sin que ello les cause risa.” Mais nova que a avó do H.

A los 2 anteriores se añade un tercer principio, en el que se establece esta distribución entre el Yo y el no-Yo: el principio sintético, el principio del fundamento, incondicionado con arreglo al contenido, mientras que el segundo lo era con arreglo a la forma. Este tercer principio consiste, en efecto, en la determinación de los dos primeros entre sí, de tal modo que, en él, el Yo limita el no-Yo. «El Yo y el no-Yo son establecidos conjuntamente por el Yo y en él, como limitables entre sí; es decir, de tal modo que la realidad del uno levanta la realidad del otro.» “En rigor, los 2 principios anteriores no contenían aún nada de esta síntesis. Ya este primer establecimiento de 3 principios anula la inmanencia científica.”

Es aquí principalmente donde se espera ver a Fichte poner de manifiesto el retorno de la alteridad a la conciencia de sí absoluta. Sin embargo, este retorno no llega a producirse” Que perda de tempo do caray, já dizia Schopenhauer.

La filosofía de Fichte representa una importante línea divisoria en la manifestación externa de la filosofía. De este filósofo y de su manera de filosofar proceden el pensamiento abstracto, la deducción y la construcción. La filosofía de Fichte operó, pues, una revolución en el pensamiento alemán.” “De ella se ocupaban las gentes de negocios y los hombres de Estado; ahora, al llegar al confuso idealismo de la filosofía kantiana, sintieron que les caían las alas. Ya con Kant comienza, pues, a manifestarse la separación entre la filosofía y esta manera común y corriente de la conciencia; sólo se generaliza el resultado de que lo absoluto no puede ser conocido.” “Con la filosofía de Fichte, la conciencia común se aparta todavía más de la filosofía y se despide también de lo especulativo.” Se esse era o sentido da <revolução no pensamento alemão> descrita acima, ou seja, pura ironia, emito meu mea culpa por destacar o trecho em verde.

La opinión del público se vio fortalecida por la filosofía de Kant y de Jacobi y aceptó utiliter que el conocimiento de Dios era un conocimiento inmediato que el hombre adquiría por sí mismo sin necesidad de estudiar, siendo, por tanto, la filosofía una actividad superflua.”

Esta primera forma, la de la ironía, tiene como exponente a Friedrich von Schlegel. Aquí, el sujeto se sabe dentro de sí como lo absoluto, y todo lo demás es vano para él; todas las determinaciones que se forma acerca de lo recto y de lo bueno, las destruye de nuevo. Puede fingirlo todo; pero da pruebas solamente de vanidad, de hipocresía y de insolencia. La ironía conoce su maestría sobre todo contenido; no toma en serio nada y juega con todas las formas.” “El desesperar del pensamiento, de la verdad y de la objetividad que es en y para sí, así como la incapacidad de darse una firmeza y una autonomía condujo a un espíritu noble a confiarse a su sensibilidad y a buscar en la religión algo sólido e inconmovible; este algo sólido e inconmovible, esta satisfacción interior en general lo procuran las emociones religiosas. Este anhelo de algo firme condujo a varios a la religiosidad positiva, al catolicismo, los echó en brazos de la superstición y de la milagrería, para encontrar un punto de apoyo firme allí donde la subjetividad interior sentía que todo vacilaba. Estos espíritus tratan de aferrarse con toda la fuerza del ánimo a algo positivo, de agachar la cabeza ante lo positivo, de echarse en los brazos de lo externo, y se sienten interiormente obligados a ello.”

Pero el peor de los cuadros es aquél en que el artista se muestra a sí mismo; la originalidad consiste en producir algo que sea perfectamente general. La chifladura de quienes se empeñan en pensar por cuenta propia consiste en que cada uno de ellos produzca cosas más absurdas que los demás.” Está descrevendo o modernismo?

A FLOR AZUL: “La subjetividad consiste en la ausencia de algo fijo, pero en forma de impulso en esta dirección, conservando de este modo su carácter de anhelo. Este anhelo propio de un alma bella lo encontramos en las obras de Novalis. (…) La extravagancia de la subjetividad se convierte frecuentemente en demencia

Friedrich Wilhelm Joseph Schelling nació en Leonberg (Würrtemberg) el 27 de enero de 1775 y estudió en las universidades de Leipzig y Jena, donde entró en estrecho contacto con Fichte. Es, desde 1807, secretario de la Academia de Artes Plásticas de Munich. No podemos hablar como se debe acerca de su vida y exponer los rasgos completos de ésta, puesto que todavía vive. (…) No podemos indicar todavía ninguna obra suya definitiva en que su filosofía aparezca expuesta del modo más acabado.” Vai entender por que deu tanta importância ao homem, então…

Sólo más tarde —en relación con los escritos de Herder y Kielmeyer, en los que se habla (como en Eschenmayer de potencias) de sensibilidad, irritabilidad y reproducción, y de sus leyes, por ejemplo de que cuanto mayor es la sensibilidad menor es la irritabilidad, etc.—, concibe Schelling la naturaleza en categorías del pensamiento, haciendo intentos generales más determinados de desarrollo científico; fueron en realidad las obras de aquellos autores quienes le permitieron el comenzar la suya tan joven.” “no va más allá que la filosofía del derecho de Kant y la obra Zum ewigen Frieden [«Para la paz perpetua»], de este autor.” “esto hace que se lance a buscar distintas formas y terminologías nuevas, originales, sin llegar nunca a poner en pie un todo completo y terminado.” “La filosofía de Schelling debe considerarse como sujeta todavía a un proceso de evolución, sin que haya dado aún frutos maduros [Michelet informa que isto foi pronunciado nas aulas de 1805-6]”

Por tanto, en cuanto que el supuesto inmediato de la filosofía es que los individuos tienen la intuición inmediata de esta identidad de lo subjetivo y lo objetivo, esto da a la filosofía de Schelling la apariencia de que su condición exige a los individuos un talento artístico especial, el genio o un estado especial de ánimo, de que es en general algo fortuito, que sólo se da en los hijos de la fortuna.”

Schelling ha alcanzado menos popularidad aún que Fichte, pues lo concreto es, por su naturaleza, algo especulativo.” Tu foste o mais famoso de todos, então és um charlatão?

DECIDA-SE! “Y así, vemos cómo en Schelling sale de nuevo a la superficie la forma especulativa y cómo la filosofía se convierte así de nuevo en algo propio y peculiar; el principio de la filosofía, el pensamiento racional en sí cobra la forma del pensamiento. De este modo, en la filosofía de Schelling el contenido, la verdad, se convierte nuevamente en lo fundamental, al contrario de lo que ocurría en la filosofía kantiana, en que el interés se expresaba en particular de tal modo que debía investigarse el conocimiento subjetivo.”

ISSO É APENAS KANT FALANDO DO ESPAÇO-TEMPO: “La referencia del Yo a sí mismo y al impulso infinito son inseparables. De otra parte, se dice: «el Yo sólo es limitado en cuanto es ilimitado»; este límite es, por tanto, necesario para poder remontarse por encima de él. Esta contradicción, que existe, permanece aunque el Yo limite siempre al no-Yo. «Ambas actividades, la actividad limitable, real y objetiva que trasciende al infinito, y la actividad limitante, ideal, se presuponen mutuamente. El idealismo se refleja simplemente sobre la una, el realismo sobre la otra, pero el idealismo trascendental se refleja sobre ambas».” “El Yo no es aquí algo unilateral frente a lo otro: es la identidad de lo inconsciente y lo consciente, pero no una identidad cuyo fundamento resida en el Yo mismo.”

«¿de qué modo es posible volver a hacer objetiva esta intuición, es decir, cómo es posible poner fuera de duda que no descansa en un engaño subjetivo, desde el momento en que no existe una objetividad general de aquella intuición, reconocida por todos los hombres?» «La objetividad de la intuición intelectual es el arte. Sólo la obra de arte refleja ante nosotros lo que de otro modo no podría reflejarse: aquel algo absolutamente idéntico que se separa ya en el Yo.» Correto, mas isso é só tradução de Kant III.

La suprema objetividad lograda por el sujeto, la suprema identidad de lo subjetivo y lo objetivo, es lo que Schelling llama imaginación.”

Sin embargo, cuando Platón habla de esta intuición del alma, que se ha liberado de todo conocimiento finito, empírico o reflexivo, y cuando los neoplatónicos hablan del arrobamiento del pensar, en el que el conocimiento es el conocer inmediato de lo absoluto, hay que tener en cuenta una diferencia esencial, y es que con el conocimiento platónico de lo general o de su intelectualidad, en la que se levanta toda contradicción, como una contradicción real, se ha socializado la dialéctica, es decir, la necesidad comprendida del levantamiento de estas contradicciones; que Platón no comienza por esto, sino que existe en él el movimiento, en el que esas contradicciones se levantan. Lo absoluto debe concebirse también como este movimiento de propio levantamiento; sólo esto puede considerarse como un conocimiento real y como el conocimiento de lo absoluto.”

La cohesión activa es el magnetismo, considerándose el universo material como un imán infinito. El proceso magnético es la diferencia en la indiferencia y la indiferencia en la diferencia; es por tanto la identidad absoluta, como tal. El punto de indiferencia del imán es el ni-ni (Weder-Noch) y el tanto esto como aquello (Sowohl-Als auch); potencialmente, los polos son la misma esencia, sólo que situados bajo factores contrapuestos.” Filosofia da natureza completamente inócua.

«El establecimiento de la totalidad dinámica se traduce inmediatamente en la incorporación de la luz al producto. La expresión del producto total es, por tanto, la luz, combinada con la fuerza de la gravedad; el establecimiento de la totalidad relativa de toda la potencia hace que la fuerza de la gravedad se rebaje a una simple forma del ser de la identidad absoluta.» Tal es la tercera potencia (A³) del organismo.”

No es nuestro propósito, aquí, entrar en los detalles de la filosofía de Schelling, ni tampoco exponer los lados de ella que puedan ser considerados poco satisfactorios. Este sistema es la última forma interesante y verdadera de la filosofía que nos hemos propuesto examinar.” Não? O que foi que você fez por incansáveis páginas então? Tem MAIS groselha?

Lo mismo ocurrió, hace unos 25 años, con el arte poético: la genialidad se adueñó de él, poniéndose a poetizar de un modo ciego, llevada por el entusiasmo poético, como el tiro que sale de la pistola. ¿Y cuáles fueron los frutos de ello? Eran, unas veces, simples locuras y, cuando no se trataba de una obra de locos, una prosa tan simplista, que el contenido era demasiado malo para prosa. Otro tanto acontece con estas filosofías. [dos schellinguianos] Lo que no es en ellas una necia mescolanza de punto de indiferencia y polaridad, del hidrógeno, lo santo, lo eterno, etc., son pensamientos tan triviales que duda uno si los ha comprendido bien, de una parte por la desvergonzada arrogancia con que se exponen y, de otra parte, porque abriga uno la esperanza de que nadie se atreva a decir cosas tan triviales. Y, del mismo modo que estos filósofos de la naturaleza olvidan el concepto y se comportan de un modo completamente antiespiritual, olvidan también el espíritu.”

Bad ending!

CONCLUSIÓN

La filosofía es, de este modo, la verdadera teodicea frente a la religión, al arte y a sus sensaciones: la conciliación del espíritu, y concretamente de aquel espíritu que ha sabido captarse en su libertad y en la riqueza de su realidad.

Hasta aquí ha llegado el Espíritu del Mundo, cada fase ha encontrado su forma propia en el verdadero sistema de la filosofía: nada se ha perdido, todos los principios se han conservado, en cuanto que la última filosofía es la totalidad de las formas. Esta idea concreta es el resultado de los esfuerzos del espíritu a lo largo de casi dos mil quinientos años del más serio de los trabajos, objetivarse a sí mismo, llegar a conocerse:

Tantae molis erat, se ipsam cognoscere mentem.”

esto explica por qué ninguna filosofía va más allá que su propio tiempo. Que las determinaciones del pensamiento encerraban esta importancia es ya un conocimiento ulterior, que se sale del marco de la historia de la filosofía. Estos conceptos son la más simple revelación del Espíritu del Mundo: y ella, en su forma concreta, es la historia.” “son necesariamente una filosofía que evoluciona, la revelación de Dios, tal y como se sabe a sí mismo.” Essa apologia do real é um saco, a cretinice mais insípida, o formalismo mais chão!

Toda la anterior historia universal en general y en particular la historia de la filosofía es la exposición de esta lucha, que ahora parece llegar a su meta” AMÉM!

(Las lecciones de este curso se terminaron [demasiado tarde!] el 22 de marzo de 1817; el 14 de marzo de 1818; el 12 de agosto de 1819; el 23 de marzo de 1821; el 30 de marzo de 1824; el 28 de marzo de 1828 y el 26 de marzo de 1830.)”

Não posso acreditar que maioria desses capítulos pós-introdutórios derive de anotações dos alunos. É impossível imaginar que alguém se submetesse à mais maçante das operações, ao puro escravagismo de reter esse denodo dialético de patifarias infinita no finito! O terceiro volume, o da filosofia “moderna”, é o ápice do nada filosófico, uma completa perda de tempo. Fique feliz o leitor, que leu apenas ¼ do conteúdo do livro graças ao meu resumo condescendente!

FIM DO TERCEIRO E ÚLTIMO VOLUME

ANTI-DÜHRING AND ANTI-CHRIST: Marx, Engels and Nietzsche on equality and morality

To make better sense of this confusion, it is useful to glance at the various texts and authors that Nietzsche took to be representative of socialism. Once this has been accomplished, the validity of his claim that 19th-century socialism was simply the latest ideological incarnation of crypto-Christian morality, repackaged in secular form, can be ascertained. Notwithstanding the incredulity of Losurdo, even the German Social-Democrat and later biographer of Marx, Franz Mehring, who had little patience for Nietzsche (despite his indisputable poetic abilities), confessed: ‘Absent from Nietzsche’s thinking was an explicit philosophical confrontation with socialism.’ (Mehring added, incidentally, much to Lukács’ chagrin, that ‘(t)he Nietzsche cult is … useful to socialism … No doubt, Nietzsche’s writings have their pitfalls for young people … growing up within the bourgeois classes …, laboring under bourgeois class-prejudices. But for such people, Nietzsche is only a transitional stage on the way to socialism.’ Other than the writings of such early socialists as Weitling and Lamennais, however, Nietzsche’s primary contact with socialism came by way of Wagner, who had been a follower of Proudhon in 1848 with a streak of Bakuninism thrown in here and there. Besides these sources, there is some evidence that he was acquainted with August Bebel’s seminal work on Woman and Socialism. More than any other, however, the writer who Nietzsche most associated with socialist thought was Eugen Dühring, a prominent anti-Marxist and anti-Semite. Dühring was undoubtedly the subject of Nietzche’s most scathing criticisms of the maudlin morality and reactive sentiment in mainstream socialist literature.

This is a point worth dwelling on for a moment. It is generally accepted, even among those who oppose Nietzsche most vociferously, that the philosopher never read Marx or Engels. Nevertheless, a few years ago the scholar Thomas H. Brobjer meticulously examined Nietzsche’s personal library and speculated that he would have in all likelihood recognized Marx’s name from several books in his collection — though this conclusion rests on a number of less-than-certain probabilities riddled with dubious qualifiers like probably, likely, may, perhaps, might, etc. (…) Whether or not this is the case, however, Nietzsche never wrote about either of them, so it is impossible to know exactly what he thought of their theories, at least as reported by their contemporaries (allies and adversaries). It is fruitless to attempt to guess what his opinion would have been had he read them, of course. History does not deal in counterfactuals.”

of Marx, Nietzsche could have known at most only the name, if he had in fact read the entire thick tome by … Karl Eugen Dühring … Through Dühring’s other writings and the personal proximity of his own brother-in-law, (socialist) [!!] Bernhard Förster, Nietzsche knew what was for him — understandably — an especially unappetizing variation of socialism: the anti-Semitic one.” Mazzino Montanari

Furthermore, as Brobjer himself notes in his article, assuming Nietzsche actually read Bebel’s Woman and Socialism, he would have seen the name of his former mentor and later nemesis Wagner listed among the ‘socialists’. Recalling not only the anti-Semitic sentiments of Wagner, but also those of his revolutionary masters Proudhon and Bakunin, adding in the figure of Dühring, it becomes clearer why socialism would have seemed so repellant to him.”

Dühring’s review of Capital is highly amusing. The whole article is embarrassment and funk.” Engels to Marx, 1868

I again remind readers … of that apostle of revenge from Berlin, Eugen Dühring, who makes the most indecent and disgusting use of moral clap-trap of anyone today, even amongst his kind, the anti-Semites.” Genealogy

In fact, the language of ressentiment in Nietzsche stemmed entirely from his encounter with Dühring. Not by accident does the term appear as a contraction of its romantic equivalents, reactive sentiment (reaktiven Gefühls), which the philologist knew only too well.”

Often mischaracterized as a defender of ‘master morality’ against the mawkishness of ‘slave morality’, Nietzsche in reality fought for an as-yet-unseen form of life that would arise out of the latter. He saw the sense of guilt that weighed upon humanity’s conscience as pointing beyond itself, which could herald and potentially give birth to the new. ‘Bad conscience is a sickness, there is no point in denying it, but a sickness rather like pregnancy’, the philosopher wrote. That is to say, the sickness is only passing — symptomatic of a broader historical process with which it is bound up. Echoes of Marx’s immortal lines from his Civil War in France can almost be heard: ‘The proletariat has no ideals of its own to realize, but to set free elements of the new society with which old collapsing bourgeois society itself is pregnant.’

In a similar fashion, Marx understood the bourgeois epoch to be characterized by perpetual flux, the annihilation of existing conditions to make way for those arising out of them: a ceaseless motion of becoming. Materialist dialectic, by standing the doctrine of its Hegelian predecessor on its head, was no less negative or pitilessly destructive than its Nietzschean counterpart: ‘In accordance with the Hegelian method of thought, the proposition of the rationality of everything that is real dissolves to become the opposite proposition: All that exists deserves to perish. But precisely therein lay the true significance and the revolutionary character of Hegelian philosophy, that it once and for all dealt the deathblow to the finality of all products of human thought and action.’ Moreover, the concept of freedom was always understood by Marx as the freedom to become what one will be, rather than the ontological notion of freedom promulgated by romanticism and postmodernism as the freedom to be (e.g., a Jew or a Muslim, a sculptor or a painter, heterosexual or homosexual) what one already ‘is’.”

Obviously, it would be a mistake to conflate Marx and Nietzsche’s concepts of ‘becoming’. But hopefully this parallel, however approximate and imperfect, will serve to ward off the petty squeamishness of those who gasp at Nietzsche’s notion of the ‘innocence of becoming’ (i.e., Losurdo, Dombowsky, others). Its destructiveness should be thought no more terrifying than Hegel’s description of history as the ‘slaughter-bench’ on which ‘the happiness of nations, the wisdom of states, and the virtue of individuals are sacrificed.’

(T)he communists do not oppose egoism to selflessness or selflessness to egoism, Marx clarified in The German Ideology (1846), nor do they express this contradiction theoretically in its sentimental or in its highflown ideological form; they rather demonstrate its material source, with which it disappears of itself. The communists do not preach morality at all.”

Unfortunately for Nietzsche, for whom Dühring was the quintessential socialist, mainstream socialism in the 1860s, 70s, and 80s was hardly any less crude. Engels thus felt it necessary to warn his readers that, unlike Dühring, his own notion of communism was ‘not in any way to be confounded with that crude leveling-down which makes the bourgeois so indignantly oppose all communism’.”

Notes

The skilled Danish critic (Georg Brandes, a Jew and liberal critic, discoverer of the German philosopher’s ‘aristocratic radicalism’) did not take Nietzsche’s barbarism seriously, not at face value, (but) understood it cum grano salis, in which he was very right.’ Mann, Thomas. ‘Nietzsche’s Philosophy in Light of Recent Events’, Addresses Delivered at the Library of Congress, 1942-1949. (Wildside Press LLC. Washington, DC: 2008). Pg. 99.”

Brobjer, Thomas H. ‘Nietzsche’s Knowledge of Marx and Marxism’, Nietzsche-Studien, 31: 2002.

A DIALÉTICA DO ESCLARECIMENTO: Fragmentos filosóficos (ou: DAS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ) – Adorno & Horkheimer

SOBRE A NOVA EDIÇÃO ALEMÃ

É difícil para alguém de fora fazer ideia da medida em que somos ambos responsáveis por cada frase.”

O livro foi redigido num momento em que já se podia enxergar o fim do terror nacional-socialista. Mas não são poucas as passagens em que a formulação não é mais adequada à realidade atual. E, no entanto, não se pode dizer que, mesmo naquela época, tenhamos avaliado de maneira excessivamente inócua o processo de transição para o mundo administrado.”

O pensamento crítico, que não se detém nem mesmo diante do progresso, [o esclarecimento] exige hoje que se tome partido pelos últimos resíduos de liberdade, pelas tendências ainda existentes a uma humanidade real, ainda que pareçam impotentes em face da grande marcha da história. O desenvolvimento que diagnosticamos neste livro em direção à integração total está suspenso, mas não interrompido

Retornamos dos Estados Unidos, [a nação da imbecilidade consumada nos anos 60/70, agora mais amarga que a Alemanha Ocidental reconstruída] onde o livro foi escrito, para a Alemanha, na convicção de que aqui poderemos fazer mais do que em outro lugar, tanto teórica quanto praticamente. Juntamente com Friedrich Pollock, a quem o livro é agora dedicado por seus 75 anos, como já o era por seus 50 anos, reconstruímos o Instituto para Pesquisa Social com o pensamento de prosseguir a concepção formulada na Dialética.”

Abril de 1969

PREFÁCIO

Ao que nos propuséramos era, de fato, nada menos do que descobrir por que a humanidade, em vez de entrar em um estado verdadeiramente humano, está se afundando em uma nova espécie de barbárie.” “Embora tivéssemos observado há muitos anos que, na atividade científica moderna, o preço das grandes invenções é a ruína progressiva da cultura teórica, acreditávamos de qualquer modo que podíamos nos dedicar a ela na medida em que fosse possível limitar nosso desempenho à crítica ou ao desenvolvimento de temáticas especializadas. Nosso desempenho devia restringir-se, pelo menos tematicamente, às disciplinas tradicionais: à sociologia, à psicologia e à teoria do conhecimento.

Os fragmentos que aqui reunimos mostram, contudo, que tivemos de abandonar aquela confiança. Se uma parte do conhecimento consiste no cultivo e no exame atentos da tradição científica (especialmente onde ela se vê entregue ao esquecimento como um lastro inútil pelos expurgadores positivistas), em compensação, no colapso atual da civilização burguesa, o que se torna problemático é não apenas a atividade, mas o sentido da ciência. O que os fascistas ferrenhos elogiam hipocritamente e os dóceis especialistas da humanidade ingenuamente levam a cabo, a infatigável autodestruição do esclarecimento, força o pensamento a recusar o último vestígio de inocência em face dos costumes e das tendências do espírito da época.”

Se se tratasse apenas dos obstáculos resultantes da instrumentação desmemoriada da ciência, o pensamento sobre questões sociais poderia, pelo menos, tomar como ponto de partida as tendências opostas à ciência oficial. Mas também estas são presas do processo global de produção. Elas não se modificaram menos do que a ideologia à qual se referiam.”

A filosofia que, no século XVIII, apesar das fogueiras levantadas para os livros e as pessoas, infundia um medo mortal na infâmia,(*) sob Bonaparte já passava para o lado desta. Finalmente, a escola apologética de Comte usurpou a sucessão dos enciclopedistas intransigentes e estendeu a mão a tudo aquilo contra o qual estes se haviam colocado.

(*) Voltaire, Lettres philosophiques XII”

Ao tomar consciência da sua própria culpa, o pensamento vê-se por isso privado não só do uso afirmativo da linguagem conceitual científica e cotidiana, mas igualmente da linguagem da oposição. Não há mais nenhuma expressão que não tenda a concordar com as direções dominantes do pensamento, e o que a linguagem desgastada não faz espontaneamente é suprido com precisão pelos mecanismos sociais. Aos censores, que as fábricas de filmes mantêm voluntariamente por medo de acarretar no final um aumento dos custos, correspondem instâncias análogas em todas as áreas. O processo a que se submete um texto literário, se não na previsão automática do seu produtor, pelo menos pelo corpo de leitores, editores, redatores e ghost-writers dentro e fora do escritório da editora, é muito mais minucioso que qualquer censura. Tornar inteiramente supérfluas suas funções parece ser, apesar de todas as reformas benéficas, a ambição do sistema educacional. Na crença de que ficaria excessivamente suscetível à charlatanice e à superstição, se não se restringisse à constatação de fatos e ao cálculo de probabilidades, o espírito conhecedor prepara um chão suficientemente ressequido para acolher com avidez a charlatanice e a superstição. Assim como a proibição sempre abriu as portas para um produto mais tóxico ainda, assim também o cerceamento da imaginação teórica preparou o caminho para o desvario político.”

A aporia com que defrontamos em nosso trabalho revela-se assim como o primeiro objeto a investigar: a autodestruição do esclarecimento.” “Se o esclarecimento não acolhe dentro de si a reflexão sobre esse elemento regressivo, ele está selando seu próprio destino. Abandonando a seus inimigos a reflexão sobre o elemento destrutivo do progresso, o pensamento cegamente pragmatizado perde seu carácter superador e, por isso, também sua relação com a verdade. A disposição enigmática das massas educadas tecnologicamente a deixar dominar-se pelo fascínio de um despotismo qualquer, sua afinidade autodestrutiva com a paranóia racista, todo esse absurdo incompreendido manifesta a fraqueza do poder de compreensão do pensamento teórico atual.

Acreditamos contribuir com estes fragmentos para essa compreensão, mostrando que a causa da recaída do esclarecimento na mitologia não deve ser buscada tanto nas mitologias nacionalistas, pagãs e em outras mitologias modernas especificamente idealizadas em vista dessa recaída, mas no próprio esclarecimento paralisado pelo temor da verdade.”

O DELINQÜENTE: “O medo que o bom filho da civilização moderna tem de afastar-se dos fatos – fatos esses que, no entanto, já estão pré-moldados como clichés na própria percepção pelas usanças dominantes na ciência, nos negócios e na política – é exatamente o mesmo medo do desvio social. Essas usanças também definem o conceito de clareza na linguagem e no pensamento a que a arte, a literatura e a filosofia devem conformar-se hoje. Ao tachar de complicação obscura e, de preferência, de alienígena o pensamento que se aplica negativamente aos fatos, bem como às formas de pensar dominantes, e ao colocar assim um tabu sobre ele, esse conceito mantém o espírito sob o domínio da mais profunda cegueira. É característico de uma situação sem-saída que até mesmo o mais honesto dos reformadores, ao usar uma linguagem desgastada para recomendar a inovação, adota também o aparelho categorial inculcado e a má filosofia que se esconde por trás dele, e assim reforça o poder da ordem existente que ele gostaria de romper.”

a difusão hipócrita do espírito: sua verdadeira aspiração é a negação da reificação. Mas ele necessariamente se esvai quando se vê concretizado em um bem cultural e distribuído para fins de consumo. A enxurrada de informações precisas e diversões assépticas desperta e idiotiza as pessoas ao mesmo tempo.” Dialética da distensão para estressados e sobrecarregados.

O que está em questão não é a cultura como valor, como pensam os críticos da civilização Huxley, Jaspers, Ortega y Gasset e outros. A questão é que o esclarecimento tem que tomar consciência de si mesmo, se os homens não devem ser completamente traídos. [Será? Será que o obscurecimento já não é sua própria reação diante da autoconsciência do esclarecimento?] Não é da conservação do passado, mas de resgatar a esperança passada que se trata. Hoje, porém, o passado prolonga-se como destruição do passado. Se a cultura respeitável constituiu até o século XIX um privilégio, cujo preço era o aumento do sofrimento dos incultos, no século XX o espaço higiênico da fábrica teve por preço a fusão de todos os elementos da cultura num cadinho [caldeirão, forno, crisol] gigantesco. Talvez isso não fosse um preço tão alto, como acreditam aqueles defensores da cultura, se a venda em liquidação da cultura não contribuísse para a conversão das conquistas econômicas em seu contrário.” Toda sopa é produzida pensando em comensais banguelas.

O fato de que o espaço higiênico da fábrica e tudo o que acompanha isso, o Volkswagen e o Palácio dos Desportos, levem a uma liquidação estúpida da metafísica, ainda seria indiferente, mas que eles próprios se tornem, no interior do todo social, a metafísica, a cortina ideológica atrás da qual se concentra a desgraça real, não é indiferente. Eis aí o ponto de partida dos nossos fragmentos.”

duas teses: o mito já é esclarecimento e o esclarecimento acaba por reverter à mitologia.” “O segundo excurso ocupa-se de Kant, Sade e Nietzsche, os implacáveis realizadores do esclarecimento.”

O segmento sobre a ‘indústria cultural’ mostra a regressão do esclarecimento à ideologia, que encontra no cinema e no rádio sua expressão mais influente. (…) [este] segmento (…) é ainda mais fragmentário¹ do que os outros.”

¹ Ler: difícil de ler; anti-estético.

A tendência não apenas ideal, mas também prática, à autodestruição, caracteriza a racionalidade desde o início e de modo nenhum apenas a fase em que essa tendência se evidencia sem disfarces. Neste sentido, esboçamos uma pré-história filosófica do anti-semitismo. Seu ‘irracionalismo’ é derivado da essência da própria razão dominante e do mundo correspondente a sua imagem.”

As primeiras 3 teses [da penúltima parte do livro] foram escritas juntamente com Leo Löwenthal, com quem desde os primeiros anos de Frankfurt trabalhamos em muitas questões científicas.”

Maio de 1944; junho de 1947.

1. O CONCEITO DE ESCLARECIMENTO [Sobre uma ascensão da tecnocracia]

o rádio, que é a imprensa sublimada;¹ o avião de caça, que é uma artilharia mais eficaz; o controle remoto, que é uma bússola mais confiável.”

¹ No sentido hegeliano: a dimensão espacial sublimada no puro tempo de propagação da onda. Adeus superfícies.

Só o pensamento que se faz violência a si mesmo é suficientemente duro para destruir os mitos. Diante do atual triunfo da mentalidade factual, até mesmo o credo nominalista de Bacon seria suspeito de metafísica e incorreria no veredito de vacuidade que proferiu contra a escolástica. Poder e conhecimento são sinônimos. Para Bacon, como para Lutero, o estéril prazer que o conhecimento proporciona não passa de uma espécie de lascívia. O que importa não é aquela satisfação que, para os homens, se chama ‘verdade’, mas a ‘operation’, o procedimento eficaz.”

Nenhuma distinção deve haver entre o animal totêmico, os sonhos do visionário e a Idéia absoluta. No trajeto para a ciência moderna, os homens renunciaram ao sentido e substituíram o conceito pela fórmula, a causa pela regra e pela probabilidade. A causa foi apenas o último conceito filosófico que serviu de padrão para a crítica científica, porque ela era, por assim dizer, dentre todas as idéias antigas, o único conceito que a ela ainda se apresentava, derradeira secularização do princípio criador. A filosofia buscou sempre, desde Bacon, uma definição moderna de substância e qualidade, de ação e paixão, do ser e da existência, mas a ciência já podia passar sem semelhantes categorias. Essas categorias tinham ficado para trás como idola theatri da antiga metafísica e já eram, em sua época, monumentos de entidades e potências de um passado pré-histórico.”

As cosmologias pré-socráticas fixam o instante da transição. O úmido, [água] o indiviso, [terra] o ar, o fogo, aí citados como a matéria primordial da natureza, são apenas sedimentos racionalizados da intuição mítica.” “assim também toda a luxuriante plurivocidade dos demônios míticos espiritualizou-se na forma pura das entidades ontológicas. Com as Idéias de Platão, finalmente, também os deuses patriarcais do Olimpo foram capturados pelo logos filosófico.”

O ESPÍRITO DO MUNDO ERA A TÉCNICA: Um fantasma que queria um corpo

Na autoridade dos conceitos universais, [o esclarecimento][e não tenha dúvida de que este esclarecimento é o Espírito hegeliano, finalmente tornado ambíguo, ambivalente] crê enxergar ainda o medo pelos demônios, cujas imagens eram o meio, de que se serviam os homens, no ritual mágico, para tentar influenciar a natureza.” “O que não se submete ao critério da calculabilidade e da utilidade torna-se suspeito para o esclarecimento. A partir do momento em que ele pode se desenvolver sem a interferência da coerção externa, nada mais pode segurá-lo.” “Cada resistência espiritual que ele encontra serve apenas para aumentar sua força. Isso se deve ao fato de que o esclarecimento ainda se reconhece a si mesmo nos próprios mitos. Quaisquer que sejam os mitos de que possa se valer a resistência, o simples fato de que eles se tornam argumentos por uma tal oposição significa que eles adotam o princípio da racionalidade corrosiva da qual acusam o esclarecimento. O esclarecimento é totalitário.”

O sobrenatural, o espírito e os demônios seriam as imagens especulares dos homens que se deixam amedrontar pelo natural.”

E se o especulativo pudesse usar um espéculo para especular com mais realidade, explorar, arrancar mais-valia de cada célula do corpo invadido intrometido?

De antemão, o esclarecimento só reconhece como ser e acontecer o que se deixa captar pela unidade. Seu ideal é o sistema, do qual se pode deduzir toda e cada coisa.” “Embora as diferentes escolas interpretassem de maneira diferente os axiomas, a estrutura da ciência unitária era sempre a mesma.”

A multiplicidade das figuras se reduz à posição e à ordem, a história ao fato, as coisas à matéria.”

O equacionamento mitologizante das Idéias com os números nos últimos escritos de Platão exprime o anseio de toda desmitologização: o número tomou-se o cânon do esclarecimento. As mesmas equações dominam a justiça burguesa e a troca mercantil.”

A sociedade burguesa está dominada pelo equivalente. Ela torna o heterogêneo comparável, reduzindo-o a grandezas abstratas.”

Unidade continua a ser a divisa, de Parmênides a Russell.”

Com o registo e a coleção dos mitos, essa tendência reforçou-se.” Mitógrafos, deixai o mito em paz!

Os mitos, como os encontraram os poetas trágicos, já se encontram sob o signo daquela disciplina e poder que Bacon enaltece como o objetivo a se alcançar. O lugar dos espíritos e demônios locais foi tomado pelo céu e sua hierarquia; o lugar das práticas de conjuração do feiticeiro e da tribo, pelo sacrifício bem-dosado e pelo trabalho servil mediado pelo comando. As deidades olímpicas não se identificam mais diretamente aos elementos, mas passam a significá-los. Em Homero, Zeus preside o céu diurno, [eu não sou o céu, eu governo o céu!] Apolo guia o sol, Hélio e Éo já tendem para o alegórico.” Do logo à mónadas

Nisso estão de acordo a história judia da criação e a religião olímpica. ‘…e dominarão os peixes do mar e as aves do céu e o gado e a terra inteira e todos os répteis que se arrastam sobre a terra.’espia de milho, expiga de deus

O PERFEITO ÊMULO HUMILDE: “Em face da unidade de tal razão, a separação de Deus e do homem reduz-se àquela irrelevância que, inabalável, a razão assinalava desde a mais antiga crítica de Homero. (…) A imagem e semelhança divinas do homem consistem na soberania sobre a existência, no olhar do senhor, no comando.”

em vez do deus, é o animal sacrificial que é massacrado.” “Embora a cerva oferecida em lugar da filha e o cordeiro em lugar do primogênito ainda devessem ter qualidades próprias, eles já representavam o gênero e exibiam a indiferença do exemplar.” Poder-se-ia dizer que sacrificar um gorila ou chimpanzé é dar 99% do Filho do Homem à origem. Pagar quase todo o tributo.

A substitutividade converte-se na fungibilidade universal. Um átomo é desintegrado, não em substituição, mas como um espécime da matéria, e a cobaia atravessa, não em substituição, mas desconhecida como um simples exemplar, a paixão do laboratório.” “O mundo da magia ainda continha distinções, cujos vestígios desapareceram até mesmo da forma linguística.” “Como a ciência, a magia visa fins, mas ela os persegue pela mimese, não pelo distanciamento progressivo em relação ao objeto. Ela não se baseia de modo algum na ‘onipotência dos pensamentos’, que o primitivo se atribuiria, segundo se diz, assim como o neurótico.” “A ‘confiança inabalável na possibilidade de dominar o mundo’, que Freud anacronicamente atribui à magia, só vem corresponder a uma dominação realista do mundo graças a uma ciência mais astuciosa do que a magia.” “a religião popular, o mito patriarcal solar é ele próprio esclarecimento, com o qual o esclarecimento filosófico pode-se medir no mesmo plano.” “…até que os próprios conceitos de espírito, de verdade, e até mesmo de esclarecimento tenham-se convertido em magia animista.”

O INCONSCIENTE DE NEWTON: “A doutrina da igualdade entre a ação e a reação afirmava o poder da repetição sobre o que existe muito tempo após os homens terem renunciado à ilusão de que pela repetição poderiam se identificar com a realidade repetida e, assim, escapar a seu poder.” “O princípio da imanência, a explicação de todo acontecimento como repetição, que o esclarecimento defende contra a imaginação mítica, é o princípio do próprio mito. A insossa sabedoria para a qual não há nada de novo sob o sol, porque todas as cartas do jogo sem-sentido já teriam sido jogadas, porque todos os grandes pensamentos já teriam sido pensados, porque as descobertas possíveis poderiam ser projetadas de antemão, e os homens estariam forçados a assegurar a autoconservação pela adaptação – essa insossa sabedoria reproduz tão-somente a sabedoria fantástica que ela rejeita: a ratificação do destino que, pela retribuição, reproduz sem cessar o que já era.” Não sei o que me fez ler esse trecho com tanto entusiasmo no ano de 2009: se a palavra ‘destino’ aliada ao termo ‘sabedoria fantástica’ numa certa conotação que desviei para o nietzscheanismo, ou se o clima geral do texto, se a cosmovisão de alguém jovem inevitavelmente o conduz a essa espécie de otimismo ou euforia libertina, como caracterizaria esse dia e essa semana… Mais ou menos a sensação de andar pelas ruas da W3 Norte ouvindo Symbolic (Death) no fone num dia ensolarado… Mas o fato é que eu ignorava o deboche ou as péssimas conotações, a despeito da reiteração do termo ‘insossa sabedoria’… Em 2021 estou num pólo oposto. O texto não é nenhuma revelação, embora também não seja nenhum encobrimento – evadi o pêndulo quente e me enfiei num gêiser inativo. Impossível elevar-se no puro fenômeno e na resignação seculovintista…

Os homens receberam o seu eu como algo pertencente a cada um, diferente de todos os outros, para que ele possa com tanto maior segurança se tornar igual.” “seria digna de escárnio a sociedade que conseguisse transformar os homens em indivíduos. A horda, cujo nome sem dúvida está presente na organização da Juventude Hitleriana, não é nenhuma recaída na antiga barbárie, mas o triunfo da igualdade repressiva, a realização pelos iguais da igualdade do direito à injustiça.” É inconsciente aos próprios fascistas (máquinas, automáticos) o quão bem eles trabalham (em seu propósito uniformizador). “Toda tentativa de romper as imposições da natureza rompendo a natureza, resulta numa submissão ainda mais profunda às imposições da natureza.” Imolar judeus sem saber por quê.

Sob o domínio nivelador do abstrato, que transforma todas as coisas na natureza em algo de reproduzível, e da indústria, para a qual esse domínio do abstrato prepara o reproduzível, os próprios liberados acabaram por se transformar naquele ‘destacamento’ que Hegel designou como o resultado do esclarecimento.”

Os cantos de Homero e os hinos do Rigveda datam da época da dominação territorial e dos lugares fortificados, quando uma belicosa nação de senhores se estabeleceu sobre a massa dos autóctones vencidos. O deus supremo entre os deuses surgiu com esse mundo civil, onde o rei, como chefe da nobreza armada, mantém os subjugados presos à terra, enquanto os médicos, adivinhos, artesãos e comerciantes se ocupam do intercâmbio social. Com o fim do nomadismo, a ordem social foi instaurada sobre a base da propriedade fixa.”

Assim como, em cultos que não se excluíam, o nome de Zeus era dado tanto a um deus subterrâneo quanto a um deus da luz, e os deuses olímpicos cultivavam toda espécie de relações com os ctônicos, assim também as potências do bem e do mal, a graça e a desgraça, não eram claramente separadas. Elas estavam ligadas como o vir-a-ser e o parecer, a vida e a morte, o verão e o inverno. No mundo luminoso da religião grega perdura a obscura indivisão do princípio religioso venerado sob o nome de ‘mana’ nos mais antigos estágios que se conhecem da humanidade.”

O GRITO E O PORQUÊ: “A duplicação da natureza como aparência e essência, ação e força, que torna possível tanto o mito quanto a ciência, provém do medo do homem, cuja expressão se converte na explicação. Não é a alma que é transposta para a natureza, como o psicologismo faz crer. O mana, o espírito que move, não é nenhuma projeção, mas o eco da real supremacia da natureza nas almas fracas dos selvagens.”

Quando uma árvore é considerada não mais simplesmente como árvore, mas como testemunho de uma outra coisa, como sede do mana, a linguagem exprime a contradição de que uma coisa seria ao mesmo tempo ela mesma e outra coisa diferente dela, idêntica e não-idêntica. Através da divindade, a linguagem passa da tautologia à linguagem. O conceito, que se costuma definir como a unidade característica do que está nele subsumido, já era desde o início o produto do pensamento dialético, no qual cada coisa só é o que ela é tornando-se aquilo que ela não é.” “Os deuses não podem livrar os homens do medo, pois são as vozes petrificadas do medo que eles trazem como nome. Do medo o homem presume estar livre quando não há nada mais de desconhecido. É isso que determina o trajeto da desmitologização e do esclarecimento, que identifica o animado ao inanimado, assim como o mito identifica o inanimado ao animado. O esclarecimento é a radicalização da angústia mítica. A pura imanência do positivismo, seu derradeiro produto, nada mais é do que um tabu, por assim dizer, universal.” O positivismo absoluto como as verdadeiras trevas. Ó, Hegel, que foi que fizeste?

O dualismo mítico não ultrapassa o âmbito da existência. O mundo totalmente dominado pelo mana, bem como o mundo do mito indiano e grego, são, ao mesmo tempo, sem-saída e eternamente iguais.” Não há o nada. Há bem e mal balanceados. Há trocas equivalentes entre ambos. Se eu cedo, eu conquisto; se eu conquisto, devo ceder. Como quer que seja, estou na lei e participo. “Todo nascimento se paga com a morte, toda ventura com a desventura. Homens e deuses podem tentar, no prazo que lhes cabe, distribuir a sorte de cada um segundo critérios diferentes do curso cego do destino; ao fim e ao cabo, a realidade triunfa sobre eles.” A realidade sou eu. Eu não fujo, porque se eu fugisse eu me apanharia.

Por isso, tanto a justiça mítica como a esclarecida consideram a culpa e a expiação, a ventura e a desventura como os 2 lados de uma única equação. A justiça se absorve no direito.”

Antes, os fetiches estavam sob a lei da igualdade. Agora, a própria igualdade torna-se fetiche. A venda sobre os olhos da Justiça não significa apenas que não se deve interferir no direito, mas que ele não nasceu da liberdade.”

Inexauribilidade, renovação infinita, permanência do significado não são apenas atributos de todos os símbolos, mas seu verdadeiro conteúdo. As representações da criação nas quais o mundo surge da Mãe primordial, da Vaca ou do Ovo, são, ao contrário do Gênesis judeu (1:26), simbólicas. A zombaria com que os antigos ridicularizaram os deuses demasiadamente humanos deixou incólume seu âmago. A individualidade não esgota a essência dos deuses. Eles tinham ainda algo do mana dentro de si; eles personificavam a natureza como um poder universal. Com seus traços pré-animistas, eles se destacam no esclarecimento. Sob o véu pudico da chronique scandaleuse olímpica já se havia formado a doutrina da mistura, da pressão e do choque dos elementos, que logo se estabeleceu como ciência e transformou os mitos em obras da fantasia.” Platão não devera se indignar contra Homero, mas contra aqueles que lhe antecederam e desfiguraram o real Zeus, que não poderia ser nunca mau exemplo e perversão para nenhuma conduta humana… Ou os reais Zeuses, celeste-ctônico, telúrico-paradisíaco…

A antítese corrente da arte e da ciência, que as separa como domínios culturais, a fim de torná-las administráveis conjuntamente como domínios culturais, faz com que elas acabem por se confundirem como opostos exatos graças às suas próprias tendências.”

A ciência estética, como a ciência da performance também em suas trincheiras, já se tornou há muito tempo um clube seleto como o dos matemáticos, que não exigem e aliás proíbem a intervenção de não-entendidos. Jogo auto-suficiente. Esteticismo, performatismo, matematicismo. “A arte da copiabilidade integral, porém, entregou-se até mesmo em suas técnicas à ciência positivista.” “A separação do signo e da imagem é inevitável. Contudo, se ela é, uma vez mais, hipostasiada numa atitude ao mesmo tempo inconsciente e autocomplacente, então cada um dos 2 princípios isolados tende para a destruição da verdade. O abismo que se abriu com a separação, a filosofia enxergou-o na relação entre a intuição e o conceito e tentou sempre em vão fechá-lo de novo” “Platão baniu a poesia com o mesmo gesto com que o positivismo baniu a doutrina das Idéias.” “A imitação está proscrita tanto em Homero como entre os judeus.” “A razão e a religião declaram anátema o princípio da magia. Mesmo na distância renunciadora da vida, enquanto arte, ele permanece desonroso; as pessoas que o praticam tornam-se vagabundos, nômades sobreviventes que não encontram pátria entre os que se tornaram sedentários.”

A obra de arte ainda tem em comum com a magia o facto de estabelecer um domínio próprio, fechado em si mesmo e arrebatado ao contexto da vida profana. Neste domínio imperam leis particulares.” “É exatamente a renúncia a agir, pela qual a arte se separa da simpatia mágica, que fixa ainda mais profundamente a herança mágica.” “Pertence ao sentido da obra de arte, da aparência estética, ser aquilo em que se converteu, na magia do primitivo, o novo e terrível: a manifestação do todo no particular. Na obra de arte volta sempre a realizar-se a duplicação pela qual a coisa se manifestava como algo de espiritual, como exteriorização do mana. É isto que constitui sua aura. Enquanto expressão da totalidade, a arte reclama a dignidade do absoluto. Isso, às vezes, levou a filosofia a atribuir-lhe prioridade em face do conhecimento conceitual. Segundo Schelling, a arte entra em ação quando o saber desampara os homens.” “Só muito raramente o mundo burguês esteve aberto a semelhante confiança na arte.”

É através da fé que a religiosidade militante dos novos temposTorquemada, Lutero, Maomé – pretendia reconciliar o espírito e a vida. Mas a fé é um conceito privativo: ela se anula com[o] fé se não ressalta continuamente sua oposição ao saber ou sua concordância com ele.”

A tentativa da fé, empreendida no protestantismo, de encontrar, como outrora, o princípio da verdade que a transcende, e sem a qual não pode existir diretamente, na própria palavra e de restituir a esta a força simbólica – essa tentativa teve como preço a obediência à palavra, aliás a uma palavra que não era a sagrada.” “seu fanatismo é a marca de sua inverdade, a confissão objetiva de que quem apenas crê por isso mesmo não mais crê. A má consciência é sua segunda natureza.” “Não foi como exagero mas como realização do próprio princípio da fé que se cometeram os horrores do fogo e da espada, da contra-reforma e da reforma. A fé não cessa de mostrar que é do mesmo jaez que a história universal, sobre a qual gostaria de imperar; nos tempos modernos, ela até mesmo se converte em seu instrumento preferido, sua astúcia particular. Não é apenas o esclarecimento do século XVIII que é irresistível, como atestou Hegel, mas (e ninguém sabia melhor do que ele) o movimento do próprio pensamento.”

O paradoxo da fé acaba por degenerar no embuste, no mito do século XX, enquanto sua irracionalidade degenera na cerimônia organizada racionalmente sob o controle dos integralmente esclarecidos e que, no entanto, dirigem a sociedade em direção à barbárie.”

Quando a linguagem penetra na história, seus mestres já são sacerdotes e feiticeiros. Quem viola os símbolos fica sujeito, em nome das potências supraterrenas, às potências terrenas, cujos representantes são esses órgãos comissionados da sociedade. O que precedeu a isso está envolto em sombras. Onde quer que a etnologia o encontre, o sentimento de horror de que se origina o mana já tinha recebido a sanção pelo menos dos mais velhos da tribo.” “Só que, é verdade, esse carácter social das formas do pensamento não é, como ensina Durkheim, expressão da solidariedade social, mas testemunho da unidade impenetrável da sociedade e da dominação.”

A dominação defronta o indivíduo como o universal, como a razão na realidade efetiva. O poder de todos os membros da sociedade, que enquanto tais não têm outra saída, acaba sempre, pela divisão do trabalho a eles imposta, por se agregar no sentido justamente da realização do todo, cuja racionalidade é assim mais uma vez multiplicada. Aquilo que acontece a todos por obra e graça de poucos realiza-se sempre como a subjugação dos indivíduos por muitos: a opressão da sociedade tem sempre o caráter da opressão por uma coletividade.”

Na medida em que constituíam semelhante reforço do poder social da linguagem, as idéias se tornavam tanto mais supérfluas quanto mais crescia esse poder, e a linguagem da ciência preparou-lhes o fim. Não era à justificação consciente que se ligava a sugestão que ainda conserva algo do terror do fetiche. A unidade de coletividade e dominação mostra-se antes de tudo na universalidade que o mau conteúdo necessariamente assume na linguagem, tanto metafísica quanto científica. A apologia metafísica deixava entrever a injustiça da ordem existente pelo menos através da incongruência do conceito e da realidade. Na imparcialidade da linguagem científica, o impotente perdeu inteiramente a força para se exprimir, e só o existente encontra aí seu signo neutro. Tal neutralidade é mais metafísica do que a metafísica. O esclarecimento acabou por consumir não apenas os símbolos mas também seus sucessores, os conceitos universais, e da metafísica não deixou nada senão o medo abstrato frente à coletividade da qual surgira.”

Se o positivismo lógico ainda deu uma chance à probabilidade, o positivismo etnológico equipara-a já à essência.”

A religião judaica não tolera nenhuma palavra que proporcione consolo ao desespero de qualquer mortal.”

A contestação indiferenciada de tudo o que é positivo, a fórmula estereotipada da nulidade, como a emprega o budismo, passa por cima da proibição de dar nomes ao absoluto, do mesmo modo que seu contrário, o panteísmo, ou sua caricatura, o ceticismo burguês. As explicações do mundo como o nada ou o todo são mitologias, e os caminhos garantidos para a redenção, práticas mágicas sublimadas.”

Semelhante execução, ‘negação determinada’,¹ não está imunizada pela soberania do conceito abstrato contra a intuição sedutora, como o está o ceticismo para o qual são nulos tanto o falso quanto o verdadeiro.² A negação determinada rejeita as representações imperfeitas do absoluto, os ídolos, mas não como o rigorismo, opondo-lhes a Idéia que elas não podem satisfazer.³ A dialética revela, ao contrário, toda imagem como uma forma de escrita. Ela ensina a ler em seus traços a confissão de sua falsidade, [para-si] confissão essa que a priva de seu poder e o transfere para a verdade. [em-si] Desse modo, a linguagem torna-se mais que um simples sistema de signos. [sempre remetendo um resíduo para mais-além] Com o conceito da negação determinada, Hegel destacou um elemento que distingue o esclarecimento da desagregação positivista4 à qual ele o atribui. É verdade, porém, que ele acabou por fazer um absoluto do resultado sabido do processo total da negação: a totalidade no sistema e na história, e que, ao fazer isso, infringiu a proibição e sucumbiu ele próprio à mitologia. Isso não ocorreu apenas à sua filosofia enquanto apoteose do pensamento em progresso, mas ao próprio esclarecimento, entendido como a sobriedade pela qual este acredita distinguir-se de Hegel e da metafísica em geral. Pois o esclarecimento é totalitário como qualquer outro sistema. Sua inverdade não está naquilo que seus inimigos românticos sempre lhe censuraram: o método analítico, [não seria sintético?] o retorno aos elementos, a decomposição pela reflexão, mas sim no fato de que para ele o processo está decidido de antemão.”

¹ O conceito do nada ou nada relativo, ocupando um lugar apenas provisório (portanto positivo) no Sistema do Absoluto.

² Niilismo consumado e, por isso, o nada absoluto. Pode-se dizer que Hegel enxerga-o nos céticos pós-neoplatônicos que encerram a idade antiga da filosofia, negando qualquer transcendência e estatuindo a grande indiferença em relação às aparências (vida concreta).

³ Seria o Sim Absoluto inalcançável, uma essência perdida (para os niilistas consumados).

4 Em Hegel, desagregação positivista é: o espírito anti-filosófico, o empirismo puro. Em outras palavras: onde os outros param, porque apenas refutam algo dado e não encontram mais nenhuma prova em seu favor, Hegel continua, dizendo: isto apenas foi negado para ser reafirmado na seqüência no processo inerente à Razão.

Resumindo: à pergunta – e ao progresso, o que acontece quando ele cessa de se consumar? Pois não seria absurdo que ele se consumasse ao infinito, sendo que aparece no fenômeno (finito)?! Ele começa a recuar em regressão espiral… Depois de se realizar ele se irrealiza da mesma forma.

Através da identificação antecipatória do mundo totalmente matematizado com a verdade, o esclarecimento acredita estar a salvo do retorno do mítico.”

O esclarecimento pôs de lado a exigência clássica de pensar o pensamento – a filosofia de Fichte é o seu desdobramento radical – porque ela desviaria do imperativo de comandar a práxis, que o próprio Fichte no entanto queria obedecer.”

TODO MESTRE POSITIVISTA ERA CAROLA: “Mas, com essa mimese, na qual o pensamento se iguala ao mundo, o factual tornou-se agora a tal ponto a única referência que até mesmo a negação de Deus sucumbe ao juízo sobre a metafísica. Para o positivismo que assumiu a magistratura da razão esclarecida, extravagar em mundos inteligíveis é não apenas proibido, mas é tido como um palavreado sem sentido. Ele não precisa – para sorte sua – ser ateu, porque o pensamento coisificado não pode sequer colocar a questão.”

A dominação da natureza traça o círculo dentro do qual a Crítica da Razão Pura baniu o pensamento.”

Não há nenhum ser no mundo que a ciência não possa penetrar, mas o que pode ser penetrado pela ciência não é o ser.”

A equação do espírito e do mundo acaba por se resolver, mas apenas com a mútua redução de seus 2 lados.”

O mundo como um gigantesco juízo analítico, o único sonho que restou de todos os sonhos da ciência, é da mesma espécie que o mito cósmico que associava a mudança da primavera e do outono ao rapto da Perséfone. A singularidade do evento mítico, que deve legitimar o evento factual, é ilusão. Originariamente, o rapto da deusa identificava-se imediatamente à morte da natureza. Ele se repetia em cada outono, e mesmo a repetição não era uma seqüência de ocorrências separadas, mas a mesma cada vez. Com o enrijecimento da consciência do tempo, o evento foi fixado como tendo ocorrido uma única vez no passado, e tentou-se apaziguar ritualmente o medo da morte em cada novo ciclo das estações com o recurso a algo ocorrido há muito tempo.” “Quem fica privado da esperança não é a existência, mas o saber que no símbolo figurativo ou matemático se apropria da existência enquanto esquema e a perpetua como tal.”

O pânico meridiano com que os homens de repente se deram conta da natureza como totalidade encontrou sua correspondência no pânico que hoje está pronto a irromper a qualquer instante: os homens aguardam que este mundo sem-saída seja incendiado por uma totalidade que eles próprios constituem e sobre a qual nada podem.”

A frase de Spinoza: ‘Conatus sese conservandi primum et unicum virtutis est fundamentum’¹ contém a verdadeira máxima de toda a civilização ocidental, onde vêm se aquietar as diferenças religiosas e filosóficas da burguesia.”

¹ O primeiro e único fundamento da virtude é o esforço de se autoconservar.

Segundo o juízo do esclarecimento, bem como o do protestantismo, quem se abandona imediatamente à vida sem relação racional com a autoconservação regride à pré-história.”

O progresso reservou a mesma sorte tanto para a adoração quanto para a queda no ser natural imediato: ele amaldiçoou do mesmo modo aquele que, esquecido de si, se abandona tanto ao pensamento quanto ao prazer.” Hedonista ou asceta. Embora ao acadêmico de hoje sobrem delícias mundanas e ele e seu ofício já não representam qualquer sacrifício, então poder-se-ia dizer: hedonista ou hedonista.

aparentemente, o próprio sujeito transcendental do conhecimento acaba por ser suprimido como a última reminiscência da subjetividade e é substituído pelo trabalho tanto mais suave dos mecanismos automáticos de controle.” ??

O positivismo (…) eliminou a última instância intermediária entre a ação individual e a norma social. O processo técnico, no qual o sujeito se coisificou após sua eliminação da consciência, está livre da plurivocidade do pensamento mítico bem como de toda significação em geral, porque a própria razão se tornou um mero adminículo da aparelhagem econômica que a tudo engloba.” “Cumpriu-se afinal sua velha ambição de ser um órgão puro dos fins.” Deleuze…

Assim, o tabu estende-se ao próprio poder de impor tabus, o esclarecimento ao espírito em que ele próprio consiste. Mas, desse modo, a natureza enquanto verdadeira autoconservação é atiçada pelo processo que prometia exorcizá-la, tanto no indivíduo quanto no destino coletivo da crise e da guerra. Se a única norma que resta para a teoria é o ideal da ciência unificada, então a práxis tem que sucumbir ao processo irreprimível da história universal.”

Concretiza-se assim o mais antigo medo, o medo da perda do próprio nome.”

Um após o outro, os comportamentos mimético, mítico e metafísico foram considerados como eras superadas, de tal sorte que a idéia de recair neles estava associada ao pavor de que o eu revertesse à mera natureza, da qual havia se alienado com esforço indizível e que por isso mesmo infundia nele indizível terror. A lembrança viva dos tempos pretéritos – do nomadismo e, com muito mais razão, dos estágios propriamente pré-patriarcais – fôra extirpada da consciência dos homens ao longo dos milênios com as penas mais terríveis. O espírito esclarecido substituiu a roda e o fogo pelo estigma que imprimiu em toda irracionalidade, já que esta leva à ruína.”

O ideal burguês da naturalidade não visa à natureza amorfa, mas à virtude do meio. A promiscuidade e a ascese, a abundância e a fome são, apesar de opostas, imediatamente idênticas enquanto potências da dissolução.”

De Homero aos tempos modernos, o espírito dominante quer navegar entre a Cila da regressão à simples reprodução e a Caribde da satisfação desenfreada; ele sempre desconfiou de qualquer outra estrela-guia que não fosse a do mal menor. Os neo-pagãos e belicistas alemães querem liberar de novo o prazer. Mas como o prazer, sob a pressão milenar do trabalho, aprendeu a se odiar, ele permanece, na emancipação totalitária, vulgar e mutilado, em virtude de seu autodesprezo. Ele permanece preso à autoconservação, para a qual o educara a razão entrementes deposta.”

Quando afinal a autoconservação se automatiza, a razão é abandonada por aqueles que assumiram sua herança a título de organizadores da produção e agora a temem nos deserdados. A essência do esclarecimento é a alternativa que torna inevitável a dominação.”

Esse entrelaçamento de mito, dominação e trabalho está conservado em uma das narrativas de Homero. O duodécimo canto da Odisseia relata o encontro com as Sereias.”

O que Ulisses deixou para trás entra no mundo das sombras: o eu ainda está tão próximo do mito de outrora, de cujo seio se arrancou, que o próprio passado por ele vivido se transforma para ele num outrora mítico.”

Estou começando a cansar das figuras de linguagem… Embora admita a genialidade da analogia! Sem remédio – teremos um capítulo inteiro de paralelos homéricos!

A ânsia de salvar o passado como algo de vivo, em vez de utilizá-lo como material para o progresso, só se acalmava na arte, à qual pertence a própria História como descrição da vida passada.” O canto da sereia, e blábláblá…

Ulisses foi alertado por Circe, a divindade da reconversão ao estado animal, à qual resistira e que, em troca disso, fortaleceu-o para resistir a outras potências da dissolução. Mas a sedução das Sereias permanece mais poderosa. Ninguém que ouve sua canção pode escapar a ela.”

A embriaguez narcótica, que expia com um sono parecido à morte a euforia na qual o eu está suspenso, é uma das mais antigas cerimônias sociais mediadoras entre a autoconservação e a autodestruição, uma tentativa do eu de sobreviver a si mesmo.” “O pensamento de Ulisses, igualmente hostil à sua própria morte e à sua própria felicidade, sabe disso.” “Alertas e concentrados, os trabalhadores têm que olhar para frente e esquecer o que foi posto de lado.” “A outra possibilidade é a escolhida pelo próprio Ulisses, o senhor de terras que faz os outros trabalharem para ele.” Beber até cair, porém sem danos. Puritano.

mas é tarde demais, os companheiros – que nada escutam – só sabem do perigo da canção, não de sua beleza – e o deixam no mastro para salvar a ele e a si mesmos. Eles reproduzem a vida do opressor juntamente com a própria vida, e aquele não consegue mais escapar a seu papel social.” “Amarrado, Ulisses assiste a um concerto, a escutar imóvel como os futuros freqüentadores de concertos, e seu brado de libertação cheio de entusiasmo já ecoa como um aplauso.” “A epopeia já contém a teoria correta. O patrimônio cultural está em exata correlação com o trabalho comandado, e ambos se baseiam na inescapável compulsão à dominação social da natureza.” “As medidas tomadas por Ulisses quando seu navio se aproxima das Sereias pressagiam alegoricamente a dialética do esclarecimento.” “Assim como não pode ceder à tentação de se abandonar, assim também acaba por renunciar enquanto proprietário a participar do trabalho e, por fim, até mesmo a dirigi-lo, enquanto os companheiros, apesar de toda proximidade às coisas, não podem desfrutar do trabalho porque este se efetua sob coação, desesperadamente, com os sentidos fechados à força.”

A humanidade, cujas habilidades e conhecimentos se diferenciam com a divisão do trabalho, é ao mesmo tempo forçada a regredir a estágios antropologicamente mais primitivos, pois a persistência da dominação determina, com a facilitação técnica da existência, a fixação do instinto através de uma repressão mais forte.” “não é o malogro do progresso, mas exatamente o progresso bem-sucedido que é culpado de seu próprio oposto. A maldição do progresso irrefreável é a irrefreável regressão.”

A limitação do pensamento à organização e à administração, praticada pelos governantes desde o astucioso Ulisses até os ingênuos diretores-gerais, inclui também a limitação que acomete os grandes tão logo não se trate mais apenas da manipulação dos pequenos.” “Os ouvidos moucos, que é o que sobrou aos dóceis proletários desde os tempos míticos, não superam em nada a imobilidade do senhor. É da imaturidade dos dominados que se nutre a hipermaturidade da sociedade.”

O pensamento (…) é o servo que o senhor não pode deter a seu bel-prazer.”

Os próprios dominadores não acreditam em nenhuma necessidade objetiva, mesmo que às vezes dêem esse nome a suas maquinações.” “Agora que uma parte mínima do tempo de trabalho à disposição dos donos da sociedade é suficiente para assegurar a subsistência daqueles que ainda se fazem necessários para o manejo das máquinas, o resto supérfluo, a massa imensa da população, é adestrado como uma guarda suplementar do sistema, a serviço de seus planos grandiosos para o presente e o futuro.”

Na medida em que cresce a capacidade de eliminar duradouramente toda miséria, cresce também desmesuradamente a miséria enquanto antítese da potência e da impotência.” Quanto mais miséria num país, p.ex., mais impotência do Estado e, por outro lado, maiores as chances de uma revolução proletária (índice de potência, de que a História se move). Quanto mais pujantes os índices econômicos, menos poder de barganha tem o proletário, portanto há uma impotência do proletariado para avançar – e alia-se a isso o enorme exército de reserva, que garante sumamente a potência e estabilidade do Capital.

Perante um líder sindical, para não falar do diretor da fábrica, o proletário que por acaso se faça notar não passará de um número a mais, enquanto que o líder deve por sua vez tremer diante da possibilidade de sua própria liquidação.”

Essa aparência, na qual se perde a humanidade inteiramente esclarecida, não pode ser dissipada pelo pensamento que tem de escolher, enquanto órgão da dominação, entre o comando e a obediência.”

o pensamento se torna ilusório sempre que tenta renegar sua função separadora, de distanciamento e objetivação. Toda união mística permanece um logro, o vestígio impotentemente introvertido da revolução malbaratada.”

A condenação da superstição significa sempre, ao mesmo tempo, o progresso da dominação e o seu desnudamento.” Para que a técnica vença em absoluto, é necessário desencantar o mundo. Do desencanto do mundo faz parte liquidar as crenças supersticiosas. Objetivar e imanentizar todas as relações, impossibilitar escapismos perigosos. Mas quando se condena unilateralmente esta coisa do passado, estranha à técnica – o signo do futuro –, desnuda-se para todos quão mesquinho é esse mecanismo, porque pelo próprio estudo das condições objetivas é possível compreender o modus operandi da dominação. -Impasse.- Quanto menos técnica pura, menos eficácia; quanto mais hermetismo mundano e religião da técnica, mais hereges, e a eficácia não está garante. A dominação, destrinchada e nua, poderá ser livremente denunciada, e seu caráter profano e seu papel simultâneo de esteio do progresso para poucos e esteio da miséria para muitos jamais poderão ser defendidos do próprio ponto de vista da técnica. Essa assepsia, da técnica se embrulhando sobre si mesma, nunca faz bem para a própria técnica. Quanto mais se domina, menos se pode dominar.

A dominação da natureza, sem o que o espírito não existe, consiste em sucumbir à natureza. Graças à resignação com que se confessa como dominação e se retrata na natureza, o espírito perde a pretensão senhorial que justamente o escraviza à natureza.”

Todo progresso da civilização tem renovado, ao mesmo tempo, a dominação e a perspectiva de seu abrandamento.”

Graças a essa consciência da natureza no sujeito, que encerra a verdade ignorada de toda cultura, o esclarecimento se opõe à dominação em geral, e o apelo a pôr fim ao esclarecimento também ressoou nos tempos de Vanini, menos por medo da ciência exata do que por ódio ao pensamento indisciplinado, que escapa à órbita da natureza confessando-se como o próprio tremor da natureza diante de si mesma.”

Muito antes de Turgot e d’Alembert, a forma burguesa do esclarecimento já se perdera em seu aspecto positivista.”

SOBRE O FRACASSO DO SOCIALISMO REAL: “Mas uma verdadeira práxis revolucionária depende da intransigência da teoria em face da inconsciência com que a sociedade deixa que o pensamento se enrijeça. Não são as condições materiais da satisfação nem a técnica deixada à solta enquanto tal, que a colocam em questão.¹ Isso é o que afirmam os sociólogos, que estão de novo a meditar sobre um antídoto, ainda que de natureza coletivista, a fim de dominar o antídoto.”

¹ O PARADOXO DE TROSTSKY-STALIN: Não é o atraso técnico-econômico da URSS em face dos Estados Unidos que a condenam a perder a Guerra Fria. Esse atraso não é inerente ao socialismo como modo de produção; em si, não há modo de produção burguês ou modo de produção socialista – tudo o que havia era modo de produção moderno, indústria e comércio à la século XX. O que torna o equilíbrio tão frágil e a batalha tão mais difícil do lado de lá (o revolucionário) é que quem dirige a revolução – um grupo sempre muito pequeno –, os únicos que têm consciência das contradições que vivem e devem superar, devem escolher, enfim: 1) entre desistir; 2) ou entre seguir ferrenhamente o propósito inicial, por mais que as circunstâncias mudem o tempo todo, em face da seguinte característica: a massa populacional do regime comunista não compreende o que está em jogo, e pensa apenas da mesma forma que os cidadãos do mundo livre, sem qualquer ideologia revolucionária per se. Como estarão sujeitos à intransigência da camada revolucionária dirigente, será sempre mais difícil para eles. Isso é uma bola de neve, porque só faz aumentar o tempo necessário para a cúpula considerar sua meta realizada. O intelectual só tenderá a pensar na abertura do regime e no Estado do bem-estar social, reunindo os “dois dos melhores mundos”, como se isso representasse um céu de brigadeiro que desmantelasse as contradições capitalistas, que sempre baterão de novo à porta, e como se esse céu não desmantelasse todas as exíguas chances de um sistema socialista puro ainda se manter, em franca resistência (intransigência do líder, que opta pelo número 2, enquanto o intelectual de vocação opta pelo número 1, desistir, conscientemente ou não).

Enquanto órgão de semelhante adaptação, enquanto mera construção de meios, o esclarecimento é tão destrutivo como o acusam seus inimigos românticos.”

O espírito dessa teoria intransigente [vide acima TROTSKY-STALIN] seria capaz de inverter a direção do espírito do progresso impiedoso, ainda que este estivesse em vias de atingir sua meta.” Ressalva: o ESPÍRITO DO PROGRESSO IMPIEDOSO, neste caso adorniano, me parece mais o fascismo em estado bruto (se é que me entendem) do que o capitalismo ianque.

Hoje, quando a utopia baconiana de ‘imperar na prática sobre a natureza’ se realizou numa escala telúrica, [universal, ARQUImediana!] tornou-se manifesta a essência da coação que ele atribuía à natureza não-dominada.” “o esclarecimento se converte, a serviço do presente, na total mistificação das massas.”

2. ULISSES OU MITO E ESCLARECIMENTO (EXCURSO 1)

A assimilação habitual da epopéia ao mito – que a moderna filologia clássica, aliás, desfez – mostra-se à crítica filosófica como uma perfeita ilusão.”

Cantar a ira de Aquiles e as aventuras de Ulisses já é uma estilização nostálgica daquilo que não se deixa mais cantar, e o herói das aventuras revela-se precisamente como um protótipo do indivíduo burguês, cujo conceito tem origem naquela auto-afirmação unitária que encontra seu modelo mais antigo no herói errante.” Robinson Crusoé pagão. Imaginar toda a literatura mais clássica como mera paródia dos relatos orais de outrora…

Na epopéia, que é o oposto histórico-filosófico do romance, acabam por surgir traços que a assemelham ao romance, e o cosmo venerável do mundo homérico pleno de sentido revela-se como obra da razão ordenadora, que destrói o mito graças precisamente à ordem racional na qual ela o reflete.

O discernimento do elemento esclarecedor burguês em Homero foi enfatizado pelos intérpretes da antiguidade ligados ao romantismo alemão tardio e que seguiam os primeiros escritos de Nietzsche. Nietzsche conhecia como poucos, desde Hegel, a dialética do esclarecimento. Foi ele que formulou sua relação contraditória com a dominação.”

[É preciso] levar o esclarecimento ao povo, para que os padres se tornem todos padres cheios de má consciência – é preciso fazer a mesma coisa com o Estado. Eis a tarefa do esclarecimento: tornar, para os príncipes e estadistas, todo seu procedimento uma mentira deliberada…” Ainda padecemos o grave defeito de, quando descremos na religião, corrermos para a política (e vice-versa). Então: Nietzsche iniciou o dito ACELERACIONISMO?

A maneira pela qual as massas se enganam acerca desse ponto, por exemplo em toda democracia, é extremamente valiosa: o apequenamento e a governabilidade dos homens são buscados como ‘progresso’!”

O PÊNDULO: “Todavia, a relação de Nietzsche com o esclarecimento, e portanto com Homero, permanecia ela própria contraditória. Assim ele enxergava no esclarecimento tanto o movimento universal do espírito soberano, do qual se sentia o realizador último, quanto a potência hostil à vida, ‘niilista’. Em seus seguidores pré-fascistas, porém, apenas o segundo aspecto se conservou e se perverteu em ideologia.”

Eles [os intelectuais fascistas] farejam na descrição homérica das relações feudais um elemento democrático, classificam o poema como uma obra de marinheiros e negociantes e rejeitam a epopéia jônica como um discurso demasiado racional e uma comunicação demasiado corrente.” “De fato, as linhas da razão, da liberalidade, da civilidade burguesa se estendem incomparavelmente mais longe do que supõem os historiadores que datam o conceito do burguês a partir tão-somente do fim do feudalismo medieval.”

É justamente o vestígio mais antigo desse pensamento que representa para a má consciência dos espíritos arcaicos de hoje a ameaça de desfechar mais uma vez todo o processo que intentaram sufocar e que, no entanto, ao mesmo tempo levam a cabo de maneira inconsciente.” Ora, se o esclarecimento já soçobrou em seu contrário no solo europeu (agora que sabemos que ele não nasceu apenas depois), por que não aconteceria de novo? É o que se quer dizer.

Ao serviço da ideologia repressiva, Rudolf Borchardt, por exemplo o mais importante e por isso o mais impotente entre os pensadores esotéricos [elitistas] da indústria pesada alemã, interrompe cedo demais a análise.” “O elemento ignóbil que ele condena na epopéia – a mediação e a circulação – é apenas o desdobramento desse duvidoso elemento de nobreza que ele diviniza no mito: a violência nua e crua. A pretensa autenticidade, o princípio arcaico do sangue e do sacrifício, já está marcado por algo da má consciência e da astúcia da dominação, que são características da renovação nacional que se serve hoje dos tempos primitivos como recurso propagandístico.”

Em Homero, epopéia e mito, forma e conteúdo, não se separam simplesmente, mas se confrontam e se elucidam mutuamente. O dualismo estético atesta a tendência histórico-filosófica.”

A viagem errante de Tróia a Ítaca é o caminho percorrido através dos mitos por um eu fisicamente muito fraco em face das forças da natureza e que só vem a se formar na consciência de si. O mundo pré-histórico está secularizado no espaço que ele atravessa; os antigos demônios povoam a margem distante e as ilhas do Mediterrâneo civilizado, forçados a retroceder à forma do rochedo e da caverna, [DEUSES CTÔNICOS] de onde outrora emergiram no pavor dos tempos primitivos. Mas as aventuras contemplam cada lugar com seu nome, e é a partir delas que se pode ter uma visão de conjunto e racional do espaço.”

Ele cede sempre a cada nova sedução, experimenta-a como um aprendiz incorrigível e até mesmo, às vezes, impelido por uma tola curiosidade, assim como um ator experimenta insaciavelmente os seus papéis.”

Como os heróis de todos [os] romances posteriores, Ulisses por assim dizer se perde a fim de se ganhar. Para alienar-se da natureza ele se abandona à natureza, com a qual se mede em toda aventura, e, ironicamente, essa natureza inexorável que ele comanda triunfa quando ele volta – inexorável – para casa, como juiz e vingador do legado dos poderes de que escapou.”

Todas as vezes que o eu voltou a experimentar historicamente semelhante enfraquecimento, ou que o modo de expor pressupôs semelhante fraqueza no leitor, a narrativa da vida resvalou novamente para a sucessão de aventuras. Na imagem da viagem, o tempo histórico se desprende laboriosa e revogavelmente do espaço, o esquema irrevogável de todo tempo mítico.”Até clássico beatniks não escapam dessa lei.

O navegador Ulisses logra as divindades da natureza, como depois o viajante civilizado logrará os selvagens oferecendo-lhes contas de vidro coloridas em troca de marfim.”

O presente de hospitalidade homérico está a meio caminho entre a troca e o sacrifício.”

O próprio Posseidon, o inimigo elementar de Ulisses, pensa em termos de equivalência, queixando-se de que aquele receba em todas as etapas de sua errática viagem mais presentes do que teria sido sua parte nos despojos de Tróia, caso Posseidon não lhe houvesse impedido transportá-la.” “Pode-se contar com a benevolência das divindades conforme a magnitude das hecatombes. Se a troca é a secularização do sacrifício, o próprio sacrifício já aparece como o esquema mágico da troca racional, uma cerimônia organizada pelos homens com o fim de dominar os deuses, que são derrubados exatamente pelo sistema de veneração de que são objeto.”

Assim os amigos olímpicos de Ulisses valem-se da estada de Posseidon entre os etíopes – selvagens que ainda o veneram e lhe oferecem enormes sacrifícios – para escoltar a salvo seu protegido. O logro já está envolvido no próprio sacrifício que Posseidon aceita prazerosamente: a limitação do amorfo deus do mar a uma localidade determinada, a área sagrada, limita ao mesmo tempo sua potência, e, para saciar-se nos bois etíopes, ele deve em troca renunciar a dar vazão à sua cólera em Ulisses.” “A astúcia tem origem no culto. O próprio Ulisses atua ao mesmo tempo como vítima e sacerdote.”

O que Ulisses faz é tão-somente elevar à consciência de si a parte de logro inerente ao sacrifício, que é talvez a razão mais profunda para o carácter ilusório do mito. A experiência de que a comunicação simbólica com a divindade através do sacrifício nada tem de real só pode ser uma experiência antiquíssima. A substituição que ocorre no sacrifício, exaltada pelos defensores de um irracionalismo em moda, não deve ser separada da divinização do sacrificado, ou seja, do embuste que é a racionalização sacerdotal do assassínio pela apoteose do escolhido. Algo desse embuste – que erige justamente a pessoa inerme em portador da substância divina – sempre se pôde perceber no eu, que deve sua própria existência ao sacrifício do momento presente ao futuro.”

o eu é exatamente o indivíduo humano ao qual não se credita mais a força mágica da substituição. A constituição do eu corta exatamente aquela conexão flutuante com a natureza que o sacrifício do eu pretende estabelecer. Todo sacrifício é uma restauração desmentida pela realidade histórica na qual ela é empreendida. A fé venerável no sacrifício, porém, já é provavelmente um esquema inculcado, segundo o qual os indivíduos subjugados infligem mais uma vez a si próprios a injustiça que lhes foi infligida, a fim de poder suportá-la.”

Pode ser que, em determinada época dos tempos primitivos, os sacrifícios tenham possuído uma espécie de racionalidade crua, que no entanto já então mal se podia separar da sede de privilégios.”

É um estado de carência arcaica, onde é difícil distinguir os sacrifícios humanos do canibalismo. Em certos momentos, com seu aumento numérico, a coletividade só consegue sobreviver provando a carne humana.(*) (…) Costumes de épocas posteriores como o do ver sacrum, onde em tempos de fome uma geração inteira de adolescentes era forçada a emigrar em meio a cerimônias rituais, conservam de uma maneira bastante clara os traços dessa racionalidade bárbara e transfigurada.(**) (…) assim, quando a caça sistemática começou a prover a tribo de um número suficiente de animais para tornar supérflua a antropofagia, os caçadores e colocadores de armadilhas sensatos devem ter ficado desconcertados com a ordem dos feiticeiros de que os membros da tribo se deixassem devorar.

(*) ‘O costume do sacrifício humano … é muito mais difundido entre bárbaros e povos semi-civilazados do que entre os verdadeiros selvagens, e é praticamente desconhecido nos estágios inferiores da cultura. Em vários povos observou-se que ele foi se difundindo ao longo do tempo, como, por exemplo, nas Ilhas da Sociedade, [Saciedade?] na Polinésia, na Índia, entre os Astecas. <Relativamente aos africanos>, diz Winwood Read: <Quanto mais poderosa a nação, tanto mais importante o sacrifício.>’ Eduard Westermarck, Ursprung und Entwicklung der Moralbegriffe. Leipzig, 1913, vol. I, p. 363.

(**) Entre os povos antropófagos, como os da África Ocidental, não podiam ‘provar dessa iguaria nem as mulheres nem os adolescentes’ (Westermarck).”

Eis aí a verdade da célebre narrativa da mitologia nórdica, segundo a qual Odin se pendurou numa árvore em sacrifício por si mesmo, e da tese de Klages que todo sacrifício é o sacrifício do deus ao deus, tal como ainda se apresenta nesse disfarce monoteísta do mito que é a cristologia.(*)

(*) Essa concepção do cristianismo como religião sacrificial pagã é essencialmente a base do livro de Werner Hegemann: Der Gerettete Christus [Cristo Redimido]. Potsdam, 1928.”

No instante em que o homem elide a consciência de si mesmo como natureza, todos os fins para os quais ele se mantém vivo – o progresso social, o aumento de suas forças materiais e espirituais, até mesmo a própria consciência – tornam-se nulos, e a entronização do meio como fim, que assume no capitalismo tardio o carácter de um manifesto desvario, já é perceptível na proto-história da subjetividade.

A anti-razão do capitalismo totalitário, cuja técnica de satisfazer necessidades, em sua forma objetualizada, determinada pela dominação, torna impossível a satisfação de necessidades e impele ao extermínio dos homens – essa anti-razão está desenvolvida de maneira prototípica no herói que se furta ao sacrifício sacrificando-se. A história da civilização é a história da introversão do sacrifício.”

Quem pratica a renúncia dá mais de sua vida do que lhe é restituído” “Mas é por uma necessidade social que quem quer que se furte à troca universal, desigual e injusta, que não renuncie, mas agarre imediatamente o todo inteiro, por isso mesmo há de perder tudo, até mesmo o resto miserável que a autoconservação lhe concede.”

Os episódios celebrando a pura força física do aventureiro, o pugilato patrocinado pelos pretendentes com o mendigo Iros e o retesamento do arco, são de natureza desportiva. A autoconservação e a força física separaram-se: as habilidades atléticas de Ulisses são as do gentleman, que, livre dos cuidados práticos, pode treinar de uma maneira ao mesmo tempo senhoril e controlada.”

Quando, porém, encontra potências do mundo primitivo, que não se domesticaram nem se afrouxaram, suas dificuldades são maiores. Ele não pode jamais travar luta física com os poderes míticos que continuam a existir à margem da civilização. Ele tem que reconhecer como um fato os cerimoniais sacrificiais com os quais acaba sempre por se envolver, pois não tem força para infringi-los.” Ulisses não é Hércules nem Aquiles.

e quando guia sua nau por entre os rochedos, tem de incluir em seu cálculo a perda dos companheiros que Cila arranca ao navio.”

Quem quer voltar para casa deve, no mais íntimo, já ter renunciado ao êxito. Ulisses voltou porque na verdade já tinha desistido, não queria mais voltar. Ele havia enganado a si mesmo.

A impossibilidade, por exemplo, de escolher uma rota diversa da que passa por entre Cila e Caríbdis pode ser compreendida de maneira racionalista como a transformação mítica da superioridade das correntes marítimas sobre as pequenas embarcações da antiguidade.”

Cada uma das figuras míticas está obrigada a fazer sempre a mesma coisa. Todas consistem na repetição: o malogro desta seria seu fim. Todas têm os traços daquilo que, nos mitos punitivos do inferno – os mitos de Tântalo, de Sísifo, das Danaides –, se fundamenta no veredito do Olimpo. (…) A justiça traz até hoje a marca desse esquema.”

BRECHAS JURÍDICAS: “O contrato antiquíssimo não prevê se o navegante que passa ao largo deve escutar a canção amarrado ou desamarrado.”

A epopéia cala-se acerca do que acontece às cantoras depois que o navio desapareceu. Mas, na tragédia, deveria ter sido sua última hora, como foi a da Esfinge quando Édipo resolveu o enigma, cumprindo sua ordem e assim precipitando sua queda. Pois o direito das figuras míticas, que é o direito do mais forte, vive tão-somente da impossibilidade de cumprir seu estatuto. Se este é satisfeito, então tudo acabou para os mitos até sua mais remota posteridade. Desde o feliz e malogrado encontro de Ulisses com as Sereias, todas as canções ficaram afetadas, e a música ocidental inteira labora no contra-senso que representa o canto na civilização, mas que, ao mesmo tempo, constitui de novo a força motora de toda arte musical.”

A palavra deve ter um poderio imediato sobre a coisa, expressão e intenção confluem. A astúcia, contudo, consiste em explorar a distinção, agarrando-se à palavra, para modificar a coisa.” “Como o nome Oudeis pode ser atribuído tanto ao herói quanto a ninguém, Ulisses consegue romper o encanto do nome.” Ninguenséia

É do formalismo dos nomes e estatutos míticos, que querem reger com a mesma indiferença da natureza os homens e a história, que surge o nominalismo, o protótipo do pensamento burguês.” “O solitário astucioso já é o homo oeconomicus, ao qual se assemelham todos os seres racionais: por isso, a Odisséia já é uma robinsonada. Os dois náufragos prototípicos fazem de sua fraqueza – a fraqueza do indivíduo que se separa da coletividade – sua força social.” “mas os bens que salvam do naufrágio para empregar em um novo empreendimento transfiguram a verdade segundo a qual o empresário jamais enfrentou a competição unicamente com o labor de suas mãos.” “Foi isso que a teoria econômica burguesa fixou posteriormente no conceito do risco: a possibilidade da ruína é a justificação moral do lucro.” “Por isso a socialização universal, esboçada na história de Ulisses, o navegante do mundo, e na de Robinson, o fabricante solitário, já implica desde a origem a solidão absoluta, que se torna manifesta ao fim da era burguesa.”

ora, quem saboreava a planta do lótus, mais doce do que o mel, não pensava mais em trazer notícias nem em voltar, mas só queria ficar aí, na companhia dos lotófagos, colhendo o lótus, e esquecido da pátria” “mas eu os trouxe de novo à força, debulhados em lágrimas, para as naus; arrastei-os para os navios espaçosos e amarrei-os debaixo dos bancos.” “O hábito de comer flores – que ainda se pratica à sobremesa no Próximo Oriente e que as crianças européias conhecem das massas assadas com leite de rosas e das violetas cristalizadas – é a promessa de um estado em que a reprodução da vida se tornou independente da autoconservação consciente e o prazer de se fartar se tornou independente da utilidade de uma alimentação planejada.”

esse olho único lembra o nariz e a boca, mais primitivos do que a simetria dos olhos e dos ouvidos” “quando Homero chama o ciclope de ‘monstro que pensa sem lei’, isso não significa meramente que ele não respeite em seu pensamento as leis da civilidade. Isso significa também que o seu próprio pensamento é sem lei, assistemático, rapsódico, quando por exemplo não consegue resolver o singelo problema de raciocínio, que consiste em saber de que maneira seus hóspedes não-indesejáveis conseguem escapar da caverna (a saber, agarrando-se ao ventre dos carneiros, ao invés de cavalgá-los) e também quando não se dá conta do sofístico duplo sentido do nome falso de Ulisses.”

tu que me exortas a temer os deuses e sua vingança! Pois de nada valem para os ciclopes o trovejador Zeus Crônion, nem os deuses bem-aventurados, pois somos muito superiores!” “Posseidon, o deus marinho próximo, pai de Polifemo e inimigo de Ulisses, é mais velho do que Zeus, o deus celeste universal e distante, e é por assim dizer sobre o dorso do sujeito que é decidido o conflito entre a religião popular elementarista e a religião logocêntrica da lei. Mas o Polifemo sem-lei não é o simples vilão em que o transformam os tabus da civilização, quando o apresentam no mundo fabuloso da infância esclarecida como o monstro Golias.”

E o famoso discurso que o gigante faz, depois de ficar cego, ao carneiro-mestre (que chama de seu amigo e de quem indaga por que agora abandona por último a caverna e se por acaso lhe faz pena o infortúnio de seu senhor) atinge uma intensidade de emoção que só é atingida de novo na passagem que representa o ponto culminante da Odisséia, quando Ulisses, retornando a casa, é reconhecido pelo velho cão Argos, em que pese a abominável crueza com que termina o discurso.” “Polifemo e os outros monstros ludibriados por Ulisses já são os modelos para os diabos estúpidos da era cristã até Shylock e Mefistófeles.”

Toma, ciclope, e bebe; o vinho vai bem com a carne humana; vê que delícia é a bebida guardada, no navio que nos trouxe, recomenda o representante da cultura.”

Em grego trata-se de um jogo de palavras; na única palavra que se conserva separam-se o nome – Odysseus (Ulisses) – e a intenção – Ninguém. Para ouvidos modernos, Odysseus e Oudeis ainda têm um som semelhante, e é fácil imaginar que, em um dos dialetos em que se transmitiu a história do retorno a Ítaca, o nome do rei desta ilha era de fato um homófono do nome de Ninguém.”

Mas sua auto-afirmação é, como na epopéia inteira, como em toda civilização, uma autodenegação. Desse modo o eu cai precisamente no círculo compulsivo da necessidade natural ao qual tentava escapar pela assimilação. Quem, para se salvar, se denomina Ninguém e manipula os processos de assimilação ao estado natural como um meio de dominar a natureza sucumbe à hybris.” “A astúcia, que para o inteligente consiste em assumir a aparência da estupidez, converte-se em estupidez tão pronto ele renuncie a essa aparência. Eis aí a dialética da eloqüência. Da antiguidade ao fascismo, tem-se censurado a Homero o palavrório de seus heróis e do próprio narrador.”

O PARADOXO DO ASTUCIOSO (QUERER SER SEMPRE ASTUCIOSO): “Essa distância, porém, é ao mesmo tempo sofrimento. Por isso, o inteligente – contrariamente ao provérbio – está sempre tentado a falar demais. Ele está objetivamente condicionado pelo medo de que a frágil vantagem da palavra sobre a força poderá lhe ser de novo tomada pela força se não se agarrar o tempo todo a ela. Pois a palavra sabe-se mais fraca do que a natureza que ela enganou. Quem fala demais deixa transparecer a força e a injustiça como seu próprio princípio e assim excita sempre aquele que deve ser temido a cometer exatamente a ação temida. A mítica compulsão da palavra nos tempos pré-históricos perpetua-se na desgraça que a palavra esclarecida atrai para si própria.”

a forma animal dos seduzidos foi sempre relacionada com isso e Circe transformou-se no protótipo da hetaira, imagem essa motivada provavelmente pelos versos de Hermes que lhe atribuíam como um fato óbvio a iniciativa erótica: ‘Assustada, ela instará contigo a que partilhes de teu leito. Não resistas diante do leito da deusa.’ A marca distintiva de Circe é a ambigüidade, ao aparecer na ação, sucessivamente, como corruptora e benfeitora: ela é a filha de Hélio e a neta de Oceano. Nela estão inseparavelmente mesclados os elementos do fogo e da água, e é essa indivisibilidade, no sentido de uma oposição ao primado de um aspecto determinado da natureza – seja o matriarcal, seja o patriarcal –, que constitui a essência da promiscuidade, o hetáirico, que ainda brilha no olhar da prostituta, o úmido reflexo do astro. [o sol visto na superfície de uma fonte ou lago]”

Como os lotófagos, Circe não fere mortalmente seus hóspedes, e até mesmo aqueles que ela transformou em animais selvagens são pacíficos: ‘Em volta viam-se também lobos monteses e leões de grandes jubas que ela própria enfeitiçara com suas drogas nocivas. Todavia, não investiam contra os homens, mas festejavam-nos, erguendo-se sobre as patas e abanando as caudas. Do mesmo modo que os cães cercam o dono, quando este volta de um banquete, porque sempre lhes traz bons petiscos, assim lobos e leões de fortes garras cercavam os homens abanando as caudas.’

Ser cão é bom, mas ser homem depois de cão é melhor. Quem foi homem não aceita ser-o-cão: “Os companheiros de Ulisses não se transformam como os hóspedes anteriores nas criaturas sagradas das regiões selvagens, mas em animais domésticos impuros, porcos.” A cota de reis-da-selva já tinha sido preenchida. “como se entre os jônios houvesse o mesmo tabu que há entre os judeus acerca da mistura com os semelhantes.” É por isso que os judeus não comem porcos?

em Juvenal, o sabor da carne humana é sempre descrito como semelhante ao da carne de porco. Em todo caso, todas as civilizações posteriores preferiram qualificar de porcos aqueles cujo instinto buscava um prazer diverso daquele que a sociedade sanciona para seus fins.”

Mas, na imagem do porco, o prazer do olfato já está desfigurado no fungar compulsivo de quem arrasta o nariz pelo chão e renunciou ao andar ereto. É como se a hetaira encantadora repetisse no ritual a que submete os homens o ritual ao qual ela própria é o tempo todo submetida pela sociedade patriarcal.”

O casamento é a via média que a sociedade segue para se acomodar a isso: a mulher continua a ser impotente na medida em que o poder só lhe é concedido pela mediação do homem. Isso já está, até certo ponto, delineado na Odisséia com a derrota da deusa hetaira, enquanto o casamento plenamente configurado com Penélope, literariamente mais recente, representa um estágio posterior da objetividade da instituição patriarcal.”

Ulisses resiste à magia de Circe e assim consegue aquilo que a magia só ilusoriamente promete aos que não resistem a ela. Ulisses dorme com ela. Antes porém faz com que profira o grande juramento dos bem-aventurados, o juramento olímpico.” Unidos de corpo, mas sem alma.

Aquele que resistiu a ela, o senhor, o eu, e a quem Circe por causa de sua imutabilidade censura por trazer ‘no peito um coração insensível e obstinado’ é aquele a quem Circe se dispõe a fazer as vontades: ‘Pois bem! Guarda a espada e vamos logo para o nosso leito a fim de que, unidos no leito e no amor, aprendamos a confiar um no outro’.”

No mundo da troca, quem está errado é quem dá mais; o amante, porém, é sempre o que ama mais. Ao mesmo tempo que seu sacrifício é glorificado, zela-se ciumentamente para que o amante não seja poupado do sacrifício. É exatamente no amor que o amante fica sem razão e é punido. A incapacidade de dominar a si mesmo e aos outros, de que dá provas seu amor, é motivo suficiente para lhe recusar satisfação.” “Tudo isso sobrevive na caricatura da prudência feminina. As profecias da feiticeira destituída de seus poderes sobre as Sereias, Cila e Caríbdis só aproveitam, afinal, à autoconservação masculina.”

Logo se transformaram de novo em homens, mais jovens do que haviam sido e também de aparência muito mais bela e aspecto muito mais nobre.” “Todos estavam tomados de uma melancolia agridoce e o palácio ressoava com suas queixas.” !

Circe como Calipso, as cortesãs, são apresentadas como diligentes teceloas, exatamente como as potências míticas do Destino e as donas-de-casa, ao passo que Penélope, desconfiada como uma prostituta, examina o retornado, perguntando-se se não é realmente apenas um mendigo velho ou quem sabe um Deus em busca de aventuras.” “O jovem Telêmaco, que ainda não se adaptou direito à sua futura posição, irrita-se com isso, mas já se sente homem o bastante para repreender a mãe. A censura de teimosia e dureza que dirige a ela é exatamente a mesma que Circe fizera antes a Ulisses. Se a hetaira se apropria da ordem de valores patriarcal, a esposa monogâmica não se contenta ela própria com isso e não descansa enquanto não houver se igualado ao carácter masculino. É assim que se entendem os casados. O teste a que submete o retornado tem por conteúdo a posição irremovível do leito nupcial, que o esposo em sua juventude havia construído em torno de uma oliveira, símbolo da unidade do sexo e da propriedade.”

Os imortais nos cumularam de desgraças, achando demais que desfrutássemos juntos e em paz de nossa juventude e que suavemente nos aproximássemos da velhice” Por isso hoje os barões da indústria são paus-moles que preferem ficar até tarde no escritório…

Se o contrato entre os esposos não faz senão redimir penosamente uma hostilidade antiquíssima, os que envelhecem pacificamente se esvaem na imagem de Filémon e Baucis, assim como a fumaça do altar sacrificial se transforma na fumaça salutar da lareira.” Exatamente o casal de velhos da mitologia que opta por recusar grandes presentes de Zeus, e no lugar apenas pede: que quando um morrer, instantaneamente o outro também morra. Que morram juntos, portanto, como dois galhos de uma árvore.

SIMULACRO NA VIAGEM AO INFERNO: “depois da própria mãe, diante de quem Ulisses se força a assumir a atitude patriarcal de uma conveniente dureza, vêm as heroínas antiquíssimas.” “Todas as imagens, enquanto sombras no mundo dos mortos, acabam por lhe revelar sua verdadeira essência, a aparência.” “O reino dos mortos, onde se reúnem os mitos destituídos de seu poder, é o ponto mais distante da terra natal, e é só na mais extrema distância que ele se comunica com ela.” Por isso Aquiles é só duplamente sombra…

Vejo aí a alma de minha defunta mãe, mas ela se mantém muda junto à poça de sangue e não se atreve a olhar para o próprio filho nem a proferir qualquer palavra. Diz, senhor, o que fazer, para que ela me reconheça como filho”

NADA MAIS BURGUÊS E MODERNO QUE O INFERNO: “Se seguirmos Kirchhoff na hipótese de que a visita de Ulisses ao inferno pertence à camada mais antiga, propriamente lendária da epopéia, é aí também que encontramos o traço que – assim como na tradição das descidas de Orfeu e Hércules ao inferno – mais nitidamente se destaca do mito, pois o motivo do arrombamento das portas do inferno, da supressão da morte, constitui o núcleo de todo pensamento antimitológico.”

O fato de que o conceito de pátria se opõe ao mito (que a mentira fascista quer transformar na pátria) constitui o paradoxo mais profundo da epopéia.” “A definição de Novalis segundo a qual toda filosofia é nostalgia só é correta se a nostalgia não se resolve no fantasma de um antiquíssimo estado perdido, mas representa a pátria, a própria natureza, como algo de extraído ao mito.” “A transposição dos mitos para o romance, tal como ocorre na narrativa das aventuras, é menos uma falsificação dos mitos do que um meio de arrastar o mito para dentro do tempo, descobrindo o abismo que o separa da pátria e da reconciliação. Terrível é a vingança que a civilização praticou contra o mundo pré-histórico, e nisso ela se assemelha à pré-história, como se pode ver em seu mais atroz documento em Homero: o relato da mutilação do pastor de cabras Melântio.”

a possibilidade de fixar na memória a desgraça ocorrida, é a lei da fuga em Homero. Não é à toa que o herói que escapa é sempre reintroduzido como narrador. É a fria distância da narrativa que, ao apresentar as atrocidades como algo destinado ao entretenimento, [romance burguês, império da razão até mesmo na arte] permite ao mesmo tempo destacar a atrocidade que, na canção, [rapsódia pré-homérica] se confunde solenemente como destino. [o irracional]”

TÂNTALOS AS HETAIRAS NÃO SÃO: “No canto XXII da Odisséia, descreve-se a punição infligida pelo filho de Ulisses nas servas infiéis que haviam recaído na condição de hetairas. Com frieza e serenidade, com uma impassibilidade inumana e só igualada pelos grandes narradores do séc. XIX,(*) Homero descreve a sorte das enforcadas e compara-a sem comentários à morte dos pássaros no laço, calando-se num silêncio que é o verdadeiro resto de toda fala. A passagem termina com o verso que descreve como as mulheres enforcadas em fileira ‘debateram-se um pouco com os pés, mas não por muito tempo’. A precisão com que o autor descreve o fato e que já tem alguma coisa da frieza da anatomia e da vivissecção faz do relato uma ata romanceada dos espasmos das mulheres submetidas que, sob o signo do direito e da lei, são arrastadas para o reino de onde escapou o juiz Ulisses.

(*) Wilamowitz é de opinião que a punição ‘foi narrada prazerosamente pelo poeta’ (Die Heimkehr des Odysseus, p. 67). Mas, como o autoritário filólogo [!] se entusiasma com a metáfora da armadilha de pássaros porque ‘descreve de maneira precisa e … muito moderna como ficam a balouçar os cadáveres das escravas enforcadas’ (loc. cit., p. 76), o prazer em grande parte parece ser dele próprio. [haha!] Os escritos de Wilamowitz se incluem entre os documentos mais enfáticos da mescla bem alemã de barbárie e cultura, que está na base do moderno filo-helenismo.”

O único eco desse ‘não por muito tempo’ que subsiste é aquele ‘quo usque tandem’(*) que os reitores das épocas posteriores inadvertidamente profanaram ao se atribuírem a si mesmos a paciência. [Penélopes eles não são!] Mas, no relato do crime, resta uma esperança, que se prende ao fato de ter ocorrido há muito tempo. Homero ergue sua voz consoladora sobre essa mistura inextricável da pré-história, da barbárie e da cultura recorrendo ao ‘era uma vez’. É só como romance que a epopéia se transforma em conto de fadas.

(*) Até quando enfim.”

Notas

“‘O mito é, antes de mais nada, o discurso falado; a palavra não concerne jamais a seu conteúdo’ (Wilamowitz). Ao hipostasiar esse conceito tardio do mito, que já pressupõe a razão como sua contrapartida explícita [nous x logos], e polemizando implicitamente com Bachofen – que é para ele um modismo de que zomba sem, no entanto, pronunciar seu nome –, Wil. chega a uma nítida separação da mitologia e da religião, na qual o mito aparece, não como a fase mais antiga, mas justamente como a mais recente (…) A obstinada arrogância departamental do helenista [de novo!] impede-lhe o discernimento da dialética do mito, da religião e do esclarecimento. ‘Não compreendo as línguas às quais se tomaram as palavras tabu e totem, mana e prenda, mas considero um caminho viável ater-me aos gregos e pensar grego sobre coisas gregas’. Como compatibilizar isso, a saber, a opinião expressa sem maiores justificativas e segundo a qual ‘o germe da divindade platônica já se encontrava no mais antigo helenismo’, com a concepção histórica defendida por Kirchhoff e adotada por Wilamowitz, que vê nos encontros míticos do nostos (retorno, volta à casa, viagem) o núcleo mais antigo do livro da Odisséia? Isso não é esclarecido e o próprio conceito do mito, que é um conceito central, não encontra em Wilamowitz uma articulação filosófica suficiente. Entretanto, sua resistência ao irracionalismo que enaltece o mito e sua insistência na inverdade dos mitos contém um profundo discernimento, que não devemos ignorar. (…) 0 que Wilamowitz censura aos mitos posteriores, o arbítrio da invenção, já devia estar presente nos mais antigos em virtude do pseudos [hipocrisia, logro, fraude] dos sacrifícios. Esse pseudos tem justamente um parentesco com a divindade platônica que Wilamowitz faz remontar à fase arcaica do espírito helênico.” Não sei do que esse W. está falando – me ajude, Jaeger!

Já na paciência de Ulisses, e de maneira muito nítida após a matança dos pretendentes, a vingança se transforma num procedimento jurídico: é justamente a satisfação finita da ânsia mítica que se torna o instrumento objetivo da dominação. O direito é a vingança abdicante. Mas, ao se formar com base em algo que está fora dela, a nostalgia da pátria, essa paciência judicial adquire traços humanos e até mesmo, quase, os da confiança, que transcendem a vingança diferida. Depois, na sociedade burguesa plenamente desenvolvida, as 2 coisas são cobradas: com a idéia da vingança, a nostalgia também sucumbe ao tabu, o que significa justamente a entronização da vingança, mediada como vingança do eu contra si mesmo. [os bárbaros arianos contra os civilizados semitas]”

UM SUJEITO ARROJADO É ATIVO OU PASSIVO? E UM ABUSADO? “Os autores jogam com o duplo sentido da palavra alemã verschlagen, que significa: 1) astuto. ardiloso, manhoso; 2) arremessado, arrojado (à praia, à costa) pelo mar ou pelo acaso; bem como com seu parentesco com Schlag (golpe) e schlagen (bater, golpear). (N. do T.)

Gilbert Murray trata das ‘sexual expurgations’ a que foram submetidos os poemas homéricos no curso da redação.”

3. JULIETTE OU ESCLARECIMENTO E MORAL (EXCURSO 2)

O pensamento, no sentido do esclarecimento, é a produção de uma ordem científica unitária e a derivação do conhecimento factual a partir de princípios, não importa se estes são interpretados como axiomas arbitrariamente escolhidos, idéias inatas ou abstrações supremas.” “O princípio da contradição é o sistema in nuce.” “Um pensamento que não se oriente para o sistema é sem direção ou autoritário. A razão fornece apenas a idéia da unidade sistemática, os elementos formais de uma sólida conexão conceitual.”

A razão é ‘um poder … de derivar o particular do universal’. A homogeneidade do universal e do particular é garantida, segundo Kant, pelo ‘esquematismo do entendimento puro’. Assim se chama o funcionamento inconsciente do mecanismo intelectual que já estrutura a percepção em correspondência com o entendimento.”

Do mesmo modo que os fatos são previstos a partir do sistema, assim também os fatos devem por sua vez confirmá-lo. Os fatos, porém, pertencem à práxis.” “É verdade que, na física, a percepção pela qual a teoria se deixa testar se reduz em geral à centelha elétrica que relampeja na aparelhagem experimental.” “O pensamento que não consegue harmonizar o sistema e a intuição desrespeita algo mais do que simples impressões visuais isoladas: ele entra em conflito com a prática real.”

A centelha que assinala da maneira mais pregnante a falha no pensamento sistemático, o desrespeito da lógica, não é nenhuma percepção fugidia, mas a morte súbita. O sistema visado pelo esclarecimento é a forma de conhecimento que lida melhor com os fatos e mais eficazmente apóia o sujeito na dominação da natureza. Seus princípios são o da autoconservação. A menoridade revela-se como a incapacidade de conservar a si mesmo. O burguês nas figuras sucessivas do senhor de escravos, do empresário livre e do administrador é o sujeito lógico do esclarecimento.”

O ser é intuído sob o aspecto da manipulação e da administração. Tudo, inclusive o indivíduo humano, para não falar do animal, converte-se num processo reiterável e substituível, mero exemplo para os modelos conceituais do sistema.”

Os sentidos já estão condicionados pelo aparelho conceitual antes que a percepção ocorra, o cidadão vê a priori o mundo como a matéria com a qual ele o produz para si próprio. Kant antecipou intuitivamente o que só Hollywood realizou conscientemente: as imagens já são pré-censuradas por ocasião de sua própria produção, segundo os padrões do entendimento, que decidirá depois como devem ser vistas.”

A lógica é democrática, nela os grandes não têm nenhuma vantagem sobre os pequenos.” “A ciência em geral não se comporta com relação à natureza e aos homens diferentemente da ciência atuarial, em particular, com relação à vida e à morte. Quem morre é indiferente, o que importa é a proporção das ocorrências relativamente às obrigações da companhia.”

A ciência ela própria não tem consciência de si, ela é um instrumento, enquanto o esclarecimento é a filosofia que identifica a verdade ao sistema científico.” “A idéia de uma autocompreensão da ciência contradiz a idéia da própria ciência. A obra de Kant transcende a experiência como simples operação, razão por que ela é hoje – em virtude de seus próprios princípios – renegada pelo esclarecimento como dogmática.” “A raiz do otimismo kantiano, segundo o qual o agir moral é racional mesmo quando a infâmia tem boas perspectivas, é o horror que inspira a regressão à barbárie.”

ac si quaestio de lineis, planis aut de corporibus esset”: “Como se fosse uma questão de linhas, planos ou volumes”. “A ordem totalitária levou isso [o imperativo categórico] muito a sério. Liberado do controle de sua própria classe, que ligava o negociante do século XIX ao respeito e amor recíproco kantianos, o fascismo, que através de uma disciplina férrea poupa o povo dos sentimentos morais, não precisa mais observar disciplina alguma.”

Os dirigentes estavam dispostos a proteger o mundo burguês contra o oceano da violência aberta que realmente assolou a Europa apenas enquanto a concentração econômica ainda não havia progredido suficientemente. Antes, só os pobres e os selvagens estavam expostos à fúria dos elementos desencadeados pelo capitalismo. Mas a ordem totalitária instala o pensamento calculador em todos os seus direitos e atém-se à ciência enquanto tal.”

A obra do marquês de Sade mostra o ‘entendimento sem a direção de outrem’, isto é, o sujeito burguês liberto de toda tutela.”

Aquilo que Kant fundamentou transcendentalmente, a afinidade entre o conhecimento e o plano, que imprime o carácter de uma inescapável funcionalidade à vida burguesa integralmente racionalizada, inclusive em suas pausas para respiração, Sade realizou empiricamente um século antes do advento do desporto. As equipes desportivas modernas, cuja cooperação está regulada de tal sorte que nenhum membro tenha dúvidas sobre seu papel e para cada um haja um suplente a postos, encontram seu modelo exato nos teams sexuais de Juliette, onde nenhum instante fica ocioso, nenhuma abertura do corpo é desdenhada, nenhuma função permanece inativa.”

A estrutura arquitetônica [arquitecônica no original – teria sido realmente um trocadilho e não um typo? arctônica] própria do sistema kantiano, como as pirâmides de ginastas das orgias de Sade e os princípios das primeiras lojas maçônicas burguesas (a imagem cínica que a espelha é o rigoroso regulamento da sociedade de libertinos das 120 journées) anuncia[m] uma forma de organização integral da vida desprovida de todo fim tendo um conteúdo determinado.”

Depois que a utopia que instilara a esperança na Revolução Francesa penetrou – potente e impotente [cheio dos trocadilhos o safadinho!] – ao mesmo tempo na música e na filosofia alemãs, [duas gostosas!!] a ordem burguesa estabelecida funcionalizou completamente a razão.”

A mitologia particular de que o esclarecimento ocidental (até mesmo sob a forma do calvinismo) teve de se desembaraçar era a doutrina católica da ordo e a religião popular pagã que continuava a viajar à sua sombra.” “A crítica da contra-revolução católica provou que tinha razão contra o esclarecimento, assim como este tinha razão contra o catolicismo.”

Os escritores sombrios dos primórdios da burguesia, como Maquiavel, Hobbes, Mandeville, que foram os porta-vozes do egoísmo do eu, reconheceram por isso mesmo a sociedade como o princípio destruidor e denunciaram a harmonia, antes que ela fosse erigida em doutrina oficial pelos autores luminosos, os clássicos.”

Se a grande filosofia, representada por Leibniz e Hegel, descobrira também uma pretensão de verdade nas manifestações subjetivas e objetivas que ainda não são pensamentos (ou seja, em sentimentos, instituições, obras de arte), o irracionalismo, de seu lado, isola o sentimento, assim como a religião e a arte, de tudo o que merece o nome de conhecimento, e nisso como em outras coisas revela seu parentesco com o positivismo moderno, a escória do esclarecimento.”

Do nojo dos excrementos e da carne humana até o desprezo do fanatismo, da preguiça, da pobreza material e espiritual, vemos desenrolar-se uma linha de comportamentos que, de adequados e necessários, se converteram em condutas execráveis. Essa linha é ao mesmo tempo a da destruição e a da civilização. Cada passo foi um progresso, uma etapa do esclarecimento. Mas, enquanto todas as mudanças anteriores (do pré-animismo à magia, da cultura matriarcal à patriarcal, do politeísmo dos escravocratas à hierarquia católica) colocavam novas mitologias, ainda que esclarecidas, no lugar das antigas (o deus dos exércitos no lugar da Grande Mãe, a adoração do cordeiro no lugar do totem), toda forma de devotamento que se considerava objetiva, fundamentada na coisa, dissipava-se à luz da razão esclarecida. Todos os vínculos dados previamente sucumbiam assim ao veredito que impunha o tabu, sem excluir aqueles que eram necessários para a existência da própria ordem burguesa. O instrumento com o qual a burguesia chegou ao poder – o desencadeamento das forças, a liberdade universal, a autodeterminação, em suma, o esclarecimento – voltava-se contra a burguesia tão logo era forçado, enquanto sistema da dominação, a recorrer à opressão. Obedecendo a seu próprio princípio, o esclarecimento não se detém nem mesmo diante do mínimo de fé sem o qual o mundo burguês não pode subsistir. Ele não presta à dominação os serviços confiáveis que as antigas ideologias sempre lhe prestaram.” “O princípio anti-autoritário acaba tendo que se converter em seu próprio contrário, numa instância hostil à própria razão”

Depois de proclamar a virtude burguesa e a filantropia, para as quais já não tinha boas razões, a filosofia também proclamou como virtudes a autoridade e a hierarquia, quando estas há muito já haviam se convertido em mentiras graças ao esclarecimento. Mas o esclarecimento não possuía argumentos nem mesmo contra

semelhante perversão de si mesmo, pois a pura verdade não goza de nenhum privilégio em face da distorção, a racionalização em face da ratio, se não tem nenhum privilégio prático a exibir em seu favor.” “Isso ficou manifesto já nos primeiros ataques que o esclarecimento corrente empreendeu contra Kant, o ‘triturador universal’.” “A obra de Sade, como a de Nietzsche, forma ao contrário a crítica intransigente da razão prática, comparada à qual a obra do ‘triturador universal’ aparece como uma revogação de seu próprio pensamento. Ela eleva o princípio cientificista a um grau aniquilador. Kant, todavia, já expurgara a lei moral em mim de toda fé heteronômica, [transcendente] e isso há tanto tempo que o respeito por suas asseverações se tornou um mero fato natural psicológico, como é um fato natural físico o céu estrelado sobre mim.”

Justine, a boa dentre as duas irmãs, é uma mártir da lei moral. Juliette, porém, tira as conseqüências que a burguesia queria evitar: ela amaldiçoa o catolicismo, no qual vê a mitologia mais recente e, com ele, a civilização em geral. As energias ligadas ao sacramento são redirecionadas para o sacrilégio. Essa inversão, porém, é transferida pura e simplesmente à comunidade. Em tudo isso, Juliette não procede de modo algum com o fanatismo dos católicos em face dos incas. Ela apenas se dedica esclarecida, diligentemente, à faina do sacrilégio, que os católicos também têm no sangue desde tempos arcaicos. Os comportamentos proto-históricos que a civilização declarara tabu e que haviam se transformado sob o estigma da bestialidade em comportamentos destrutivos continuaram a levar uma vida subterrânea. Juliette não os pratica mais como comportamentos naturais, mas proibidos por um tabu. Ela compensa o juízo de valor contrário, sem fundamento na medida em que nenhum juízo de valor tem fundamento, pelo seu oposto. Assim, quando repete as reações primitivas, já não são mais as primitivas, mas as bestiais. Juliette, e nisso ela não é diferente do Merteuil de Liaisons Dangereuses, [sexo como jogo entre terceiros] não encarna, em termos psicológicos, nem a libido não-sublimada nem a libido regredida, [palavrório inútil] mas o gosto intelectual pela regressão, amor intellectualis diaboli, o prazer de derrotar a civilização com suas próprias armas. Ela ama o sistema e a coerência, e maneja excelentemente o órgão do pensamento racional. No que concerne ao autodomínio, suas instruções estão para as de Kant, às vezes, assim como a aplicação especial está para o princípio.”

O arrependimento apresenta como existente o passado que a burguesia, ao contrário da ideologia popular, sempre considerou como um nada”

« poenitentia virtus non est, sive ex ratione non oritur, sed is, quem pacti poenitet, bis miser seu impotens est”

O arrependimento não é uma virtude, ou não se origina da razão, mas quem se arrepende do que fez é duas vezes miserável ou impotente” Spinoza

« terret vulgus, nisi metuat »

o povo amedronta, a não ser que seja medroso”

Nietzsche proclama a quintessência de sua doutrina. ‘Os fracos e os malformados devem perecer: primeira proposição de nossa filantropia. E convém ainda ajudá-los a isso. O que é mais prejudicial do que qualquer vício – a compaixão ativa por todos os malformados e fracos – o cristianismo…’

Coube a um misantropo como Rousseau formular semelhante paradoxo, pois, extremamente fraco como era, queria rebaixar à sua altura aqueles à altura dos quais não conseguia se elevar. Mas que imprudência, pergunto eu, podia autorizar esse pigmeu de 4 pés e 2 polegadas a se comparar à estatura que a natureza dotou da força e do aspecto de um Hércules? Não é como se a mosca tentasse se assemelhar aos elefantes? Força, beleza, estatura, eloqüência: nos primórdios da sociedade, essas virtudes eram determinantes quando a autoridade passou para as mãos dos dominantes.” Sade

Ele não precisa se revestir, como o fraco, de um caráter diferente do seu: ele só coloca em ação os efeitos do caráter que recebeu da natureza. Por isso, tudo o que daí resulta é natural: sua opressão, suas violências, suas crueldades, suas tiranias, suas injustiças … são, pois, puras como a mão que as gravou; e quando ele usa de todos os seus direitos para oprimir o fraco, para despojá-lo, não faz senão a coisa mais natural do mundo … Não tenhamos, pois, escrúpulos quanto ao que podemos tomar do fraco, pois não somos nós que cometemos o crime, é a defesa ou a vingança do fraco que caracteriza o crime”

Mas enquanto grande potência e religião do Estado, a moral dos senhores entrega-se definitivamente aos civilizatórios powers that be, à maioria compacta, ao ressentimento e a tudo aquilo a que antes se opunha.”

a piedade, longe de ser uma virtude, não é senão uma fraqueza nascida do temor e do infortúnio, fraqueza que é preciso absorver, sobretudo quando nos empenhamos em embotar uma excessiva sensibilidade incompatível com as máximas da filosofia”

Segundo Aristóteles os gregos sofriam freqüentemente de um excesso de compaixão: daí a necessidade da descarga através da tragédia. Vemos assim como essa inclinação lhes parecia suspeita. Ela é perigosa para o Estado, tira a necessária dureza e rigor, faz com que os heróis se comportem como mulheres em prantos, etc.” N.

As deformações narcísicas da compaixão, como os sentimentos sublimes do filantropo e a arrogância moral do assistente social, são a confirmação interiorizada da diferença entre ricos e pobres.”

NIETZSCHE VS. SCHOPENHAUER: “Os fascistas que dominaram o mundo traduziram o horror pela compaixão no horror pela indulgência política e no recurso à lei marcial, no que se uniram a Schopenhauer, o metafísico da compaixão. Este considerava a esperança de instituir a humanidade como a loucura temerária daqueles cuja única esperança é a infelicidade. Os inimigos da compaixão não queriam identificar o homem com a infelicidade, cuja existência era, para eles, uma vergonha.”

A dominação sobrevive como fim em si mesmo, sob a forma do poder econômico. O gozo já parece algo de antiquado, irrealista, como a metafísica que o proibia.”

Quanto mais se acentua a complexidade do organismo social, menos ela tolera a interrupção do curso ordinário da vida. É preciso que tudo continue hoje como ontem e amanhã como hoje. A efervescência geral não é mais possível. O período de turbulência individualizou-se. As férias sucedem à festa.”

No regime fascista, elas [as festas?] são complementadas pela falsa euforia coletiva produzida pelo rádio, pelos slogans e pela benzedrina [descongestionante nasal à base de anfetamina – patético!].”

Adorno soa muito pouco convincente quando fala de sexo: “A mão acariciando os cabelos e o beijo na fronte, que exprimem o desvario do amor espiritual, são formas apaziguadas de golpes e mordidas que acompanham, por exemplo, o ato sexual dos selvagens australianos.”

…é certo que nosso espírito de galanteria cavalheiresca, que ridiculamente presta homenagem a um objeto feito tão-somente para nossas necessidades, é certo, repito, que esse espírito nasce do antigo respeito que nossos ancestrais tinham outrora pelas mulheres, em razão do ofício de profetisas que exerciam nas cidades e nos campos: por medo, passamos do respeito ao culto, e a galanteria nasceu no seio da superstição. Mas esse respeito não esteve jamais na natureza, seria perda de tempo buscá-lo aí. A inferioridade desse sexo relativamente ao nosso está suficientemente bem-estabelecida para que jamais possa excitar em nós um motivo sólido para respeitá-lo, e o amor que nasce desse respeito cego não passa de um preconceito como ele próprio.”

Não duvidemos de que haja uma diferença tão certa e tão importante entre um homem e uma mulher como entre o homem e o macaco da floresta. As razões que teríamos para recusar que as mulheres façam parte de nossa espécie são tão boas como as razões que temos para recusar que esses macacos sejam nossos irmãos. Examinemos atentamente uma mulher nua ao lado de um homem de sua idade e nu como ela e nos convenceremos facilmente da diferença sensível que existe (sexo à parte) na composição desses 2 seres; veremos bem claramente que a mulher não passa de uma degradação do homem; as diferenças existem igualmente no interior, e a anatomia de ambas as espécies, feita ao mesmo tempo e com a mais escrupulosa atenção, descobre essas verdades” Strindberg

Ela pagou o culto da madona com a caça às bruxas, que não foi senão uma vingança exercida sobre a imagem da profetisa da era pré-cristã, que punha secretamente em questão a ordem sagrada da dominação patriarcal.”

A explicação do ódio contra a mulher, enquanto criatura mais fraca em termos de poder físico e espiritual e marcada na testa pelo estigma da dominação, é a mesma do ódio aos judeus. Nas mulheres e nos judeus é fácil ver que há milénios não exercem nenhuma dominação. Eles vivem, embora fosse possível eliminá-los, e seu medo e fraqueza, sua maior afinidade com a natureza em razão da pressão incessante a que estão submetidos, é seu elemento vital.”

O provérbio romano, segundo o qual a severidade é o verdadeiro prazer, está em vigor, não é uma simples incitação ao trabalho.”

Moisés e Kant não pregaram o sentimento, sua lei fria não conhece nem o amor nem a fogueira.”

A luta de Nietzsche contra o monoteísmo atinge a doutrina cristã mais profundamente do que a judaica. É verdade que ele nega a lei, mas ele quer pertencer ao ‘eu superior’, não ao natural mas ao mais-que-natural. Ele quer substituir Deus pelo super-homem porque o monoteísmo, sobretudo em sua forma corrompida, o cristianismo, se tornou transparente como mitologia. Mas do mesmo modo que os velhos ideais ascéticos a serviço desse eu superior são enaltecidos por Nietzsche a título de auto-superação ‘em vista do desenvolvimento da força dominadora’, assim também o eu superior revela-se como uma tentativa desesperada de salvar Deus,¹ que morreu, e como a renovação do empreendimento de Kant no sentido de transformar a lei divina em autonomia, a fim de salvar a civilização européia que, no ceticismo inglês, já havia entregue o espírito. O princípio kantiano de ‘fazer tudo com base na máxima de sua vontade enquanto tal, de tal modo que essa vontade possa ao mesmo tempo ter por objeto a si mesma como uma vontade legisladora universal’ é também o segredo do super-homem. Sua vontade não é menos despótica do que o imperativo categórico.² Ambos os princípios visam à independência em face de potências exteriores, a emancipação incondicional determinada como a essência do esclarecimento.³ Todavia, quando o temor da mentira (que o próprio Nietzsche nos momentos mais luminosos [sentido pejorativo, haja vista a referência aos ‘autores luminosos’, i.e., do Iluminismo, protopositivistas] tachou de ‘quixotismo’) substitui a lei pela autolegislação e tudo se torna transparente como uma única grande superstição desnudada, [faltou elaboração] o próprio esclarecimento e até mesmo a verdade em todas as suas formas tornam-se um ídolo, e nós percebemos ‘que também nós, os conhecedores de hoje, nós ateus e anti-metafísicos, também tomamos nosso fogo do incêndio ateado por uma fé milenar, aquela fé dos cristãos que também foi a de Platão, para a qual Deus é a verdade e a verdade, divina’. Portanto, mesmo a ciência sucumbe à crítica à metafísica. A negação de Deus contém em si a contradição insolúvel, ela nega o próprio saber. Sade não aprofundou a idéia do esclarecimento até esse ponto de inversão. A reflexão da ciência sobre si mesma, a consciência moral do esclarecimento, estava reservada à filosofia, isto é, aos alemães. Para Sade, o esclarecimento não é tanto um fenômeno espiritual quanto social. Ele aprofundou a dissolução dos laços (que Nietzsche presumia superar idealisticamente pelo eu superior), isto é, a crítica à solidariedade com a sociedade, as funções e a família, até o ponto de proclamar a anarquia. Sua obra desvenda o caráter mitológico dos princípios nos quais, segundo a religião, se funda a civilização: do decálogo, da autoridade paterna, da propriedade. É a inversão exata da teoria social que Le Play desenvolveu cem anos depois. [?] Cada um dos dez mandamentos vê comprovada sua nulidade perante a instância da razão formal. Seu caráter ideológico fica inteiramente comprovado. O arrazoado em defesa do assassínio, é o próprio papa que o pronuncia a pedido de Juliette. Para ele, racionalizar os atos não-cristãos é uma tarefa mais fácil do que a tentativa feita outrora de racionalizar pela luz natural os princípios cristãos segundo os quais esses atos provêm do diabo. O ‘philosophe mitré’ precisa recorrer a menos sofismas para justificar o assassinato do que Maimônides e Santo Tomás para condená-lo.”

[?] « Le Play, Les Ouvriers Européens. Paris, 1879. Vol. I, especialmente pp. 133 sgg.”

¹ Será? Não vejo Adorno em posição de julgar um projeto que sabidamente é milenar, e não de 50 anos. Deus já está morto; seria questão de salvá-lo, ou de entender o quanto a humanidade mergulhará e ficará submergida em niilismo ainda diante dessa ‘simples questão’? O importante é: Nie. não deu uma resposta metafísica à sua destruição metafísica: o que é o supra-homem, senão o limite da imanência, uma pedagogia mundana sobre o valor dos valores?

² Kant atua no campo ético cristão. Se há uma ‘raça de homens’ que possa agüentar essa autonomia, a única e verdadeira responsabilidade sobre a Terra, acho prematuro para nós do século XX-XXI decidir de uma vez.

³ Se o esclarecimento ou Espírito do Mundo hegeliano será usado como avatar do fascismo, que é absolutamente essa ordem externa, não há o menor sentido em incluí-la no projeto kant-nietzschiano, já que essa busca nada tem a ver com a degenerescência dos Estados-nações burgueses…

Sade levou às últimas conseqüências o conceito do socialismo de Estado, em cujos primeiros passos Saint-Just e Robespierre haviam fracassado. Se a burguesia os enviou à guilhotina, a eles, seus políticos mais fiéis, ela também baniu seu mais franco escritor para o inferno da Bibliothèque Nationale. Pois a chronique scandaleuse de Justine e Juliette – que, produzida em série, prefigurou no estilo do século XVIII o folhetim do século XIX e a literatura de massas do século XX – é a epopéia homérica liberada do último invólucro mitológico: a história do pensamento como órgão da dominação.”

Sade não deixou a cargo dos adversários a tarefa de levar o esclarecimento a se horrorizar consigo mesmo, que faz de sua obra uma alavanca para salvar o esclarecimento.

Ao contrário de seus apologetas, [os clássicos posteriores, luminosos] os escritores sombrios da burguesia não tentaram distorcer as conseqüências do esclarecimento recorrendo a doutrinas harmonizadoras. Não pretenderam que a razão formalista tivesse uma ligação mais íntima com a moral do que com a imoralidade.”

É nas mãos sujas pelo assassinato das esposas e dos filhos, pela sodomia, pelos homicídios, pela prostituição e pelas infâmias que o céu coloca essas riquezas; e para me recompensar por essas abominações, ele as põe à minha disposição” Sade

Por trás do cômputo estatístico das vítimas do pogrom, que inclui os fuzilados por misericórdia, oculta-se a essência que somente surge à luz na descrição exata da exceção, ou seja, da mais terrível tortura. Uma vida feliz num mundo de horror é refutada como algo de infame pela mera existência desse mundo.”

Certamente, o assassinato dos próprios filhos e esposas, a prostituição e a sodomia, são muito mais raros entre os governantes durante a era burguesa do que entre os governados, que adotaram os costumes dos senhores de épocas anteriores. Em compensação, quando estava em jogo o poder, estes ergueram montanhas de cadáveres mesmo nos séculos mais recentes.” “Os vícios privados são em Sade, como já eram em Mandeville, a historiografia antecipada das virtudes públicas da era totalitária. O fato de ter, não encoberto, mas bradado ao mundo inteiro a impossibilidade de apresentar um argumento de princípio contra o assassinato ateou o ódio com que os progressistas ainda hoje perseguem Sade e Nietzsche. Diferentemente do positivismo lógico, [que é um culto] ambos tomaram a ciência ao pé da letra.

Proclamando a identidade da dominação e da razão, as doutrinas sem compaixão são mais misericordiosas do que as doutrinas dos lacaios morais da burguesia. Onde estão os piores perigos para ti?, indagou um dia [na Gaia Ciência] Nietzsche: Na compaixão. Negando-a, ele salvou a confiança inabalável no homem, traída cada vez que se faz uma afirmação consoladora.” A dialética da consolação!

Notas

Sade, Histoire de Juliette

____, Histoire de Justine

____, La Philosophie dans le Boudoir

THE HISTORICAL FATE OF HEGEL’S DOCTRINE – Andy Blunden

Once we have read what Hegel has to tell us, and found a way of understanding it, of grasping its positive content, we want to see what has been said against it, and to see how Hegel’s views have fared in the world. In other words, before making up our own mind and subjecting Hegel’s writings to our own criticism, we look for help from other people who have made a criticism of Hegel and most importantly, we want to see how his ideas developed as part of the real movement of human history itself, what elements proved to be enduring, which aspects led to confusion and internal contradiction, with whom his ideas found favour and who denounced him.”

During Hegel’s lifetime, Hegel himself personally dominated the propagation of his doctrine through his lectures to university students. Although he was still subject to censorship up till his death, it is a fact that his views did not substantially threaten the status quo and the ‘benign dictatorship’ of Frederick Wilhelm III in fact drew considerable strength from Hegel’s prestige.

The ten years after Hegel’s death, from November 1831 till the death of Frederick Wilhelm in June 1840 and more specifically until December 1841, was the apogee of Hegelianism. Freed from the domination of the Master, Hegel’s students took his ideas out of the confines of the University and translated his philosophy into the language of political criticism”

Feuerbach saw that the Absolute Idea, which Hegel saw as existing outside of and prior to Nature and human life, positing and manifesting itself first in Nature and then in human culture, was in fact nothing other than God under a new name. Just as Spinoza had given God the name of Nature, Hegel had given God the name of Idea. In the political and philosophical atmosphere of the time, this was a particularly spectacular claim.” “Feuerbach agreed with Hegel on the identity of thought and being, but whereas, Feuerbach said, Hegel had proved this only within thought, Feuerbach said that it was in the nature of sense-organs to reflect their object, and in the same way, it was the function of the brain to reflect the world in concepts. The identity of thinking and being had to be explained by biology, not philosophy.”

Feuerbach is said to have invented a simple technique for reading Hegel: to interchange the subject and predicate in each sentence, and the young Karl Marx used this method to make a start on his Critique of Hegel’s Philosophy of Right in 1843.”

Before moving to the others who made a break from Hegel, it must be mentioned that for a huge part of the philosophical world, Hegel’s critique of Kant never took place.

Despite the popularity of Hegel in Germany, it was Positivism which was the dominant philosophical trend in Europe, beginning with Auguste Comte in France and later John Stuart Mill in England. It would go way beyond the scope of this article to enter into an examination of the various currents of Positivism”

All of Hegel’s philosophy can be read as a critique of Kantianism and, implicitly, Positivism. Hegel wants to include his philosophical predecessors within the unfolding of the Idea. However, Hegel did not dispose of them; the conditions of life which had given rise to these ideologies continue in existence: social production by means of private labour, a highly developed division of labour and in particular the division between mental and manual labour and the rise of natural science. From the standpoint of Positivism, the Hegelian philosophy is pure nonsense. The assertion that ‘Being is Nothing’, for example, is (for John Sanders Peirce¹ for example) sophistry which can only make apparent sense by skating over ambiguities in the meaning of terms.”

¹ Só um ianque idiota.

Whereas Hegel agitated against the abolition of the property qualification for voting in Britain and ridiculed populist agitation for universal suffrage, what transpired is that universal adult suffrage has become the norm and the property qualification has been abolished in all developed capitalist countries.

Whereas Hegel promoted (propertied) citizen participation in social life through the most thorough-going mediation, what transpired is that newspapers, radio, television and so on have created a world in which citizens receive a mass of information through one-way channels, broadcasting to an audience of many millions.

Whereas Hegel promoted the development of science as a single integral body of knowledge in which the transition from each to the next is the most important thing, science has developed into a near infinite myriad of disciplines that do not even speak the same language.

The irrationality of this kind of science and this system of communication and decision-making was convincingly proved by Hegel, but once the organised working class entered the scene, bourgeois society was obliged to build irrationality into the political system (a different kind of system altogether emerges when we look at the organisation of the bourgeoisie in its companies).”

The state could not be the expression of the will of all, but had to fashion the illusion that it was. On the other hand, the development of capital has proceeded apace and what is rational in the modern world is only the inhuman logic of capital.”

Consequently, we find that the critique of Hegel took on the form of a criticism of rationality on one hand, and on the other, a critique which aimed to preserve that which was rational within Hegel philosophy while retaining the radical materialistic thrust of Feuerbach’s critique.”

Up until the Expurgation of Hegelianism, thinking was not divided up into separate domains of Ethics, Epistemology, Ontology, Logic and so on, alongside the various social and natural sciences such as Politics, Economics, Physics or whatever. Rather, since the founding of these sciences in ancient Greece, they were seen as aspects of a whole, and all the great philosophers saw all these aspects as inseparable. For example, Spinoza entitled his major work Ethics, but the form of the work is that of a geometric theory and its content addressed as much to the problem of knowledge. The early political economists saw themselves as engaged in a study of ethical problems rather than as students of a branch of science called economics. Consequently, it is no surprise that Hegel’s works do not contain a separate treatise on Ethics, but rather, the concept of Sittlichkeit, or ‘Ethical Life’, and Good unfold themselves inextricably within a philosophical system alongside Truth, Syllogism, Reason, Cognition and so on.

Beginning particularly with John Stuart Mill, bourgeois science differentiated itself into an Ethics called Utilitarianism and a science called Economics. But the two are really opposite sides of one and the same conception, right up to today, when ethics has degenerated to become a specialised branch of mathematical decision-theory which in turn is applied in the development of the newest theories of economic science using information theory and venturing into the mathematics of complexity.”

In the 1843 Critique, Marx is working with tools largely adopted from Feuerbach, but nevertheless making his own observations, quite distinct from what Feuerbach has had to say. And it is these aspects of the Critique that I want to highlight, taking for granted, for the moment, the criticism Marx makes of Hegel’s idealism.”

Actual extremes cannot be mediated with each other precisely because they are actual extremes. But neither are they in need of mediation, because they are opposed in essence. They have nothing in common with one another; they neither need nor complement one another. The one does not carry in its womb the yearning, the need, the anticipation of the other.”

“…each extreme is its other extreme. Abstract spiritualism is abstract materialism; abstract materialism is the abstract spiritualism of matter.”

In regard to the former, both North and South Poles are poles; their essence is identical. In the same way both female and male gender are of one species, one nature, i.e., human nature. North and South Poles are opposed determinations of one essence, the variation of one essence brought to its highest degree of development. They are the differentiated essence. They are what they are only as differentiated determinations; that is, each is this differentiated determination of the one same essence. (…) Truly real extremes would be Pole and non-Pole, human and non-human gender. Difference here is one of existence, whereas there difference is one of essence, i.e., the difference between two essences. in regard to the second, the chief characteristic lies in the fact that a concept (existence, etc.) is taken abstractly, and that it does not have significance as independent but rather as an abstraction from another, and only as this abstraction. Thus, for example, spirit is only the abstraction from matter. It is evident that precisely because this form is to be the content of the concept, its real essence is rather the abstract opposite, i.e., the object from which it abstracts taken in its abstraction – in this case, abstract materialism.”

because only the extreme is true, every abstraction and one-sidedness takes itself to be the truth, whereby a principle appears to be only an abstraction from another instead of a totality in itself;

the decisiveness of actual opposites, their formation into extremes, which is nothing other than their self-knowledge as well as their inflammation to the decision to fight, is thought to be something which should be prevented if possible, in other words, something harmful;

their mediation is attempted. For no matter how firmly both extremes appear, in their existence, to be actual and to be extremes, it still lies only in the essence of the one to be an extreme, and it does not have for the other the meaning of true actuality.”

Thus it was that it was Marx who first levelled against Hegel the charge of totalisation. In 1843, Marx saw the inherently reactionary import of Hegel’s drive to subsume all opposites under a single essence, that the mutual reconciliation society was incompatible with the emancipation of labour; that the contradiction between free, voluntary labour and capital (i.e. wage labour) is irreconcilable; that while the property-owners could reconcile their opposing interests, and the proletarians could achieve consensus, there could be no ultimate consensus between the exploiters and the exploited.”

The proletariat is defined as the class of sellers of labour power, and such a conception is meaningless outside of a society in which the division of labour is based on the transformation of all labour into the form of commodities for purchase and sale.

Consequently, a true conception of capital requires the recognition of the working class as essentially alien to capital! It reaches its truth, its freedom, only by the abolition of the system of wage labour. Such a transformation of the proletariat can only be conceived as the shedding of the form of wage labour, since the content is not wage slavery, but free, voluntary association!”

Such a conception is a complete break from Hegel, a negation of the negation of positivism in the sense that Hegel’s overcoming of the subject-object dualism is overcome again with the assertion of the independence of the agent of history, which is the exploited class of bourgeois society.”

FEMINISM AND POST-MODERNISM: An uneasy alliance. (Ou como não jogar o bebê com a água da bacia), in: BENHABIB, BUTLER, CORNELL & FRASER “Feminist Contentions. A Philosophical Exchange”.

A decade ago a question haunted feminist theorists who had participated in the experiences of the New Left and who had come to feminism after an initial engagement with varieties of 20th-century, Marxist theory: whether Marxism and feminism were reconcilable, or whether their alliance could end only in an ‘unhappy marriage’? Today with Marxist theory world-wide on the retreat, feminists are no longer preoccupied with saving their unhappy union. Instead it is a new alliance, or misalliance – depending on one’s perspective – that has proved more seductive.”

feminism and postmodernism have emerged as two leading currents Of our time. They, have discovered their affinities in the struggle against the grand narratives of Western Enlightenment and modernity. Feminism and postmodernism are thus often mentioned as if their current union was a foregone conclusion; yet certain characterizations of postmodernism should make us rather ask ‘feminism or postmodernism?’”

In her recent book, Thinking Fragments: Psychoanalysis, Feminism and Postmodernism in the Contemporary West, Jane Flax characterizes the postmodern position as subscription to the theses of the death of Man, of History and of Metaphysics.”

Postmodernists wish to destroy,” she writes,” all essentialist conceptions of human being or nature…. In fact Man is a social, historical, or linguistic artifact, not a noumenal or transcendental Being…. Man is forever caught in the web of fictive meaning, in chains of signification, in which the subject is merely another position in language.”

The idea that History exists for or is his Being is more than just another precondition and justification for the fiction of Man. This idea also supports and underlies the concept of Progress, which is itself such an important part of Man’s story…. Such an idea of Man and History privileges and presupposes the value of units’, homogeneity, totality, closure, and identity.”

Western metaphysics has been under the spell of the ‘metaphysics of presence’ at least since Plato…. For postmodernists this quest for the Real conceals most Western philosophers’ desire, which is to master the world once and for all by enclosing it within an illusory, but absolute, system they believe represents or corresponds to a unitary Being beyond history, particularity and change…. just as the Real is the ground of Truth, so too philosophy, as the privileged representative of the Real and interrogator of truth claims must play a ‘foundational’ role in all ‘positive knowledge’.”

Feminist versions of the three theses concerning the Death of Man, History, and Metaphysics can be articulated.”

From Plato over Descartes to Kant and Hegel western philosophy thematizes the story of the male subject of reason.”

Furthermore, the various philosophies of history which have dominated since the Enlightenment have forced historical narrative into unity, homogeneity, and linearity, with the consequence that fragmentation, heterogeneity, and above all the varying pace of different temporalities as experienced by different groups have been obliterated. We need only remember Hegel’s quip that Africa has no history.”

For feminist theory, the most important ‘knowledge-guiding interest’ in Habermas’s terms, or disciplinary, matrix of truth and power in Foucault’s terms, is gender relations and the Social, economic, political and symbolic constitution of gender differences among human beings.”

As Linda Alcoff has recently observed, feminist theory is undergoing a profound identity crisis at the moment. The postmodernist position(s) thought through to their conclusions may eliminate not only the specificity of feminist theory but place in question the very emancipatory ideals of the women’s movements altogether.”

CORRENTE PESSIMISTA: “The subject that is but another position in language can no longer master and create that distance between itself and the chain of significations in which it is immersed such that it can reflect upon them and creatively alter them.”

Feminist appropriations of Nietzsche on this question, therefore, can only lead to self-incoherence. Judith Butler, for example, wants to extend the limits of reflexivity in thinking about the self beyond the dichotomy of ‘sex’ and ‘gender’. ‘Gender’, she writes ‘is not to culture as sex is to nature; gender is also the discursive/cultural means by which <sexed nature> or a <natural sex> is produced and established as <prediscursive>, prior to culture, a politically neutral surface on which culture acts.’ For Butler, we might say, the myth of the already sexed body is the epistemological equivalent of the myth of the given: just as the given can be identified only within a discursive framework, so too it is the culturally available codes of gender that ‘sexualize’ a body and that construct the directionality of that body’s desire.”

If we are no more than the sum total of the gendered expressions we perform, is there ever any chance to stop the performance for a while, to pull the curtain down, and let it rise only if one can have a say in the production of the play, itself? Isn’t this what the struggle over gender is all about? Surely we can criticize the supremacy of presuppositions of identity politics and challenge the supremacy of heterosexist and dualist positions in the women’s movement. Yet is such a challenge only thinkable via a complete debunking of any concepts of selfhood, agency, and autonomy? What follows from this Nietzschean position is a vision of the self as a masquerading performer, except of course we are now asked to believe that there is no self behind the mask. Given how fragile and tenuous women’s sense of selfhood is in many cases, how much of a hit and miss affair their struggles for autonomy are, this reduction of female agency to a ‘doing without the doer’ at best appears to me to be making a virtue out of necessity.” A mulher – ou muitas indivíduas – não está emancipada o suficiente para ter a própria voz ‘elevada ao absoluto’, e ser levada em consideração com a mesma literalidade do ‘homem acadêmico’, i.e., sem ser submetida a uma acurada crítica para que não prejudique a luta pela emancipação feminina?

Intellectuals and philosophers in the 20th century are to be distinguished from one another less as being friends and opponents of the belief in progress but more in terms of the following: whether the farewell from the ‘metanarratives of the Enlightenment’ can be exercised in terms of a continuing belief in the power of rational reflection [Habermas, etc.] or whether this farewell is itself seen as but a prelude to a departure from such reflection.”

O FIM DA METANARRATIVA É O FIM DO MARXISMO: “Politically the end of such grand narratives would mean rejecting the hegemonial claims of any group or organization to “represent” the forces of history, to be moving with such forces, or to be acting in their name. The critique of the various totalitarian and totalizing movements of our century from national socialism and fascism to orthodox Marxism and other forms of nationalisms is certainly one of the most formative political experiences of postmodernist intellectuals like Lyotard, Foucault, and Derrida.”

. . . the practice of feminist politics in the 1980s has generated a new set of pressures which have worked against metanarratives. In recent years, poor and working-class women, women of color, and lesbians have finally won a wider hearing for their objections to feminist theories which fail to illuminate their lives and address their problems. They have exposed the earlier quasi-metanarratives, with their assumptions of universal female dependence and confinement to the domestic sphere, as false extrapolations from the experience of the white, middle-class, heterosexual women who dominated the beginnings of the second wave … Thus, as the class, sexual, racial, and ethnic awareness of the movement has altered, so has the preferred conception of theory. It has become clear that quasi-metanarratives hamper rather than promote sisterhood, since they elide differences among women and among the forms of sexism to which different women are differentially subject.”

The strong version of the thesis of the ‘Death of History’ would imply, however, a prima facie rejection of any historical narrative that concerns itself with the longue durée and that focuses on macro- rather than on micro-social practices. Nicholson and Fraser also warn against this ‘nominalist’ tendency in Lyotard’s work. I agree with them that it would be a mistake to interpret the death of ‘grand narratives’ as sanctioning in the future local stories as opposed to global history. The more difficult question suggested by the strong thesis of the ‘death of history’ appears to me to be different: even while we dispense with grand narratives, how can we rethink the relationship between politics and historical memory? Is it possible for struggling groups not to interpret history in light of a moral-political imperative, namely, the imperative of the future interest in emancipation? Think for a moment of the way in which feminist historians in the last 2 decades have not only discovered women and their hitherto invisible lives and work, but of the manner in which they have also revalorized and taught us to see with different eyes such traditionally female and previously denigrated activities like gossip, quilt-making, and even forms of typically female sickness like headaches, hysteria, and taking to bed during menstruation. In this process of the ‘feminist transvaluation of values’ our present interest in women’s strategies of survival and historical resistance has led us to imbue these activities, which were wholly uninteresting from the standpoint of the traditional historian, with new meaning and significance.

While it is no longer possible or desirable to produce ‘grand narratives of history’, the ‘death of history’ thesis occludes the epistemological interest in history and in historical narrative which accompany the aspirations of all struggling historical actors. Once this ‘interest’ in recovering the lives and struggles of those ‘losers’ and ‘victims’ of history is lost, can we produce engaged feminist theory? I remain skeptical that the call to a ‘postmodern-feminist theory’, that would be pragmatic and fallibilistic, that would take its method and categories to the specific task at hand, using multiple categories when appropriate and foreswearing the metaphysical comfort of a single feminist method or feminist epistemology, would also be a call toward an emancipatory appropriation of past narratives. What would distinguish this type of fallibilistic pragmatics of feminist theory from the usual self-understanding of empirical and value-free social science? Can feminist theory be postmodernist and still retain an interest in emancipation?”

much of the postmodernist critique of western metaphysics itself proceeds under the spell of a metanarrative, namely, the narrative first articulated by Heidegger and then developed by Derrida that ‘Western metaphysics has been under the spell of the <metaphysics of presence> at least since Plato…’ This characterization of the philosophical tradition allows postmodernists the rhetorical advantage of presenting what they are arguing against in its most simple-minded and least defensive versions.”

But is the philosophical tradition so monolithic and so essentialist as postmodernists would like to claim? Would not even Hobbes shudder at the suggestion that the ‘Real is the ground of Truth’? What would Kant say when confronted with the claim that ‘philosophy is the privileged representation of the Real’? Would not Hegel consider the view that concepts and language are one sphere and the ‘Real’ yet another merely a version of a naive correspondence theory of truth which the chapter on ‘Sense Certainty’ in the Phenomenology of Spirit eloquently dispensed with?”

In its strong version of ‘the death of metaphysics’ (…) [o]nce this history is rendered unrecognizable, then the conceptual and philosophical problems involved in this proclamation of the ‘death of metaphysics’ can be neglected.”

The version of the ‘death of metaphysics’ thesis which is today more influential than the Heidegger-Derrida tall tale about the ‘metaphysics of presence’ is Richard Rorty’s account. In Philosophy and the Mirror of Nature Rorty has shown in a subtle and convincing manner that empiricist as well as rationalist projects in the modern period presupposed that philosophy, in contradistinction from the developing natural sciences in this period, could articulate the basis of validity of right knowledge and correct action. Rorty names this the project of ‘epistemology’; this is the view that philosophy is a meta-discourse of legitimation, articulating the criteria of validity presupposed by all other discourses. Once it ceases to be a discourse of justification, philosophy loses its raison d’être.”

Does not philosophy become a form of genealogical critique of regimes of discourse and power as they succeed each other in their endless historical monotony? Or maybe philosophy becomes a form of thick cultural narration of the sort that hitherto only poets had provided us with? Or maybe all that remains of philosophy is a form of sociology of knowledge, which instead of investigating the conditions of the validity of knowledge and action, investigates the empirical conditions under which communities of interpretation generate such validity claims?

Why is this question concerning the identity, and future and maybe the possibility of philosophy of interest to feminists? Can feminist theory not flourish without getting embroiled in the arcane debates about the end or transformation of philosophy? The inclination of the majority of feminist theorists at the present is to argue that we can side-step this question, even if we do not want to ignore it, we must not be committed to answer it one way or another.”

How can we conceive a version of criticism without philosophy which is robust enough to handle the tough job of analyzing sexism in all its endless variety and monotonous similarity? My answer is that we cannot, and it is this which makes me doubt that as feminists we can adopt postmodernism as a theoretical ally. Social criticism without philosophy is not possible, and without social criticism the project of a feminist theory, which is committed at once to knowledge and to the emancipatory interests of women is inconceivable.” Fraser & Nicholson

I think we have reason to be wary, not only of the unqualified Nietzschean vision of an end of legitimation, [?] but also of the suggestion that it would somehow be ‘better’ if legitimation exercises were carried out in a self-consciously parochial spirit. For if feminism aspires to be something more than a reformist movement, then it is bound sooner or later to find itself calling the parish boundaries into question.

[…]

So postmodernism seems to face a dilemma: [1] either it can concede the necessity, in terms of the aims of feminism, of ‘turning the world upside down’ in the way just outlined – thereby opening a door once again to the Enlightenment idea of a total reconstruction of society, on rational lines; [2] or it can dogmatically reaffirm the arguments already marshalled against that idea – thereby licensing the cynical thought that, here as elsewhere, who will do what to whom under the new pluralism is depressingly predictable.” Sabina Lovibond

Me parece uma visão muito maniqueísta, não?

language games”

Complex social practices, like constitutional traditions, ethical and political views, religious beliefs, scientific institutions are not like games of chess. The social critic cannot assume that when she turns to an immanent analysis and characterization of these practices, she will find a single set of criteria on which there is such universal consensus that one can simply assume that by juxtaposing these criteria to the actual carrying out of the practice one has accomplished the task of immanent social criticism. So the first defect of situated criticism [A teoria de que o feminismo pode se constituir em separado do debate sobre o fim da filosofia ocidental, como grupo que não defende nem ataca meta-narrativas, concentrado na luta feminista exclusivamente, uma TEORIA CRÍTICA ESTILO “MÔNADA” LEIBNIZIANA.¹ – o side-step acima.] is a kind of ‘hermeneutic monism of meaning’, the assumption namely that the narratives of our culture are so univocal and uncontroversial that in appealing to them one could simply be exempt from the task of evaluative, ideal-typical reconstruction.” Não há que criticar a ideologia de que estamos partindo, pois ela é autoevidente e já de si informada (conscienciosa). Não seria a primeira nem a última vez que alguém se enganaria pronunciando estas palavras. Se a sociedade – se a academia, se a filosofia – está emperrada, o feminismo também está emperrado. Não existe ‘tática de pegar o vácuo’ nesta ‘corrida maluca’, i.e., tentar tirar vantagem em seu próprio movimento enquanto o mundo soçobra ou aguarda, petrificado…

¹ Em si uma figura muito metafísica – que ninguém dentro da mônada assinará, é óbvio.

The second defect of “situated criticism” is to assume that the constitutive norms of a given culture, society, and tradition will be sufficient to enable one to exercise criticism in the name of a desirable future. There certainly may be times when one’s own culture, society and tradition are so reified, dominated by such brutal forces, when debate and conversation are so dried up or simply made so impossible that the social critic becomes the social exile. Not only social critics in modernity, from Thoreau to the Frankfurt School, from Albert Camus to the dissidents of Eastern Europe, have exemplified this gesture. Antiquity, as well as Middle Ages have had philosophers in

exile, chiliastic sects, mystical brotherhoods and sisterhoods, and prophets who have abandoned their cities. Certainly the social critic need not be the social exile; however, insofar as criticism presupposes a necessary distantiation of oneself from one’s everyday certitudes, maybe eventually to return to them and to reaffirm them at a higher level of analysis and justification, to this extent the vocation of the social critic is more like the vocation of the social exile and the expatriate than the vocation of the one who never left home, who never had to challenge the certitude of her own way of life. And to leave home is not to end up nowhere; it is to occupy a space outside the walls of the city, in a host country, in a different social reality. Is this not in effect the quintessential postmodern condition in the 20th century? Maybe the nostalgia for situated criticism is itself a nostalgia for home, for the certitudes of one’s own culture and society in a world in which no tradition, no culture, and no society can exist any more without interaction and collaboration, confrontation and exchange.”

It may indeed be no coincidence that from Hypatia to Diotima to Olympe de Gouges and to Rosa Luxemburg, the vocation of the feminist thinker and critic has led her to leave home and the city walls.”

the utopia of a rationally planned economy leading to human emancipation, has come to an end. The end of these rationalistic visions of social engineering cannot dry up the sources of utopia in humanity.” A BUSCA PELO ‘GRANDE OUTRO’: “such utopian thinking is a practical-moral imperative. Without such a regulative principle of hope, not only morality but also radical transformation is unthinkable. What scares the opponents of utopia, like Lyotard for example, is that in the name of such future utopias the present in its multiple ambiguity, plurality, and contradiction will be reduced to a flat grand narrative. I share Lyotard’s concerns insofar as utopian thinking becomes an excuse either for the crassest instrumentalism in the present – the end justifies the means – or to the extent that the coming utopia exempts the undemocratic and authoritarian practices of the present from critique. Yet we cannot deal with these political concerns by rejecting the ethical impulse of utopia but only by articulating the normative principles of democratic action and organization in the present. Will the postmodernists join us in this task or will they be content with singing the swan song of normative thinking in general?” Se você está se perguntando se o pós-modernismo tem uma ética, não, ele não tem.

The retreat from utopia within feminist theory in the last decade has taken the form of debunking as essentialist any attempt to formulate a feminist ethic, a feminist politics, a feminist concept of autonomy, and even a feminist aesthetic. The fact that the views of Gilligan or Chodorow or Sarah Ruddick (or for that matter Kristeva) articulate only the sensitivities of white, middle-class, affluent, first-world, heterosexual women may be true (although I even have empirical doubts about this).” Kristeva é fraca.

Yet what are we ready to offer in their place?” “As a vision of feminist politics are we able to articulate a better model for the future than a radically democratic polity which also furthers the values of ecology, non-militarism, and solidarity of peoples? Postmodernism can teach us the theoretical and political traps of why utopias and foundational thinking can go wrong, but it should not lead to a retreat from utopia altogether. For we, as women, have much to lose by giving up the utopian hope in the wholly other.”

[POST FIXADO] TÍTULOS PARA LIVROS QUE JAMAIS ESCREVEREI (em constante retroalimentação curtocircuítica)

POT-POURRI DO CILA

A ÉTICA DO DESTINO

SOBRE AS CINZAS DE DEUS

DESALENTO TOTAL

MEU NU É O NADA

A SEMIÓTICA DE TUDO AO MESMO TEMPO

PÓLVORA EM PALAVRAS

PARA DESAPRENDER O QUE EU JÁ SEI

O LIVRO DA BATATA QUENTE

900 PÁGINAS DE UM TUMOR ESBRANQUIÇADO

A INFUSÃO DO MAL

COMUNICAÇÃO (IGNORÂNCIA) É UMA BÊNÇÃO

A ALEGRIA DA DESRESPONSABILIZAÇÃO

PODIA SER PIOR

MONOTONIA CENTRÍPETA

PIONEIRISMO CIRCULAR

O LABIRINTO DA LINHA RETA // TODA LINHA RETA É UM LABIRINTO

ANSIEDADE INCUBADA

Texto originalmente publicado em 22/07/17

O pressentimento radical de algo realmente poderoso prestes a acontecer; essa verdadeira idéia fixa, ainda que passageira, de todas as mentes civilizadas… A iminência de um evento que marcará indelevelmente nossa existência, a a-verbalidade desse fenômeno… Eu tenho certeza, Luísa! E tem a ver com a Copa do Mundo… Como numa novela interminável, uma Malhação, o pré-adolescente jornalista militar deve caminhar pelas comerciais e entre-quadras candangas, cruzar as pistas e encruzilhadas, a W3 que não some nem no horizonte, sem esperar muita coisa, mas regalando a vida em oferta por essa aparição incerta duvidosa segura banal. Não se sabe onde nem quando, mas virá, qualquer coisa há-de vir, do contrário não faria o menor sentido… Cada beijo aleatório tem um significado hegeliano profundo, que chatice a aborrescência! Mexe com a essência… Carência, estimulante… Qual será o clímax da temporada de expulsões? Por que eu estou sempre ou magro ou gordo demais? As camisas nunca me servem (por muito tempo). Está sol mas faz frio. Calor, tempo abafado, mas o céu é cinza como a fuligem de minhalma. Desata esse nó górdio das amizades… Emba(ra)çamento furioso. Não resolveu e se desenvolveu, hoje é um mal perdurável, antes mera possibilidade remota latente, pior cenário catastrófico de um talento promissor chegando ao seu fim pessoal em poucos anos.

LECCIONES SOBRE LA HISTORIA DE LA FILOSOFÍA Vol. II/III – Hegel (trad. Wenceslao Roces), Fondo de Cultura Económica (1833, 1955, México)

PRIMERA PARTE:

LA FILOSOFÍA GRIEGA (cont.)

SECCIÓN PRIMERA:

PRIMER PERÍODO: DE TALES A ARISTÓTELES (cont.)

Se nos atemos exclusivamente ao fato de que o eu é aquele que estabelece, teremos o mau idealismo dos tempos modernos; nos tempos antigos os pensadores não se aferravam ao fato de se o pensado fôra ou não baseado num eu.”

O conceito é, cabalmente, esta transitoriedade fluente de Heráclito, este movimento, esta causticidade (corrosão, decomposição) a que nada pode resistir. O conceito, que se encontra a si mesmo, se encontra como o poder absoluto perante o qual tudo desaparece; com ele se fluidifica todo o existente, tudo o que se tinha por firme e sólido. O que se reputava firme – trate-se da firmeza do ser natural ou da firmeza de determinados conceitos, princípios, costumes e leis – vacila e perde sua estabilidade. Como algo geral, estes princípios, etc., são também, indubitavelmente, parte do conceito [o conceito é parte do conceito], mas sua generalidade não é mais que sua forma; seu conteúdo impõe-se como algo determinado, em movimento. Este movimento vemo-lo manifestar-se nos chamados sofistas

O nome sofista se o deram eles mesmos, como mestres de sabedoria, mestres que se propunham a tornar sábios quem quer que eles ensinassem. O sofista é o antípoda do erudito moderno (…) que se preocupa em descobrir um novo verme ou inseto (reter o conhecimento para si).” “o comum dos mortais, quando suas essências, que ele crê firmes, começam a vacilar, se indigna; e o conceito, formado nesta sua realização perante as verdades vulgares e correntes, atrai sobre si o ódio e os insultos.” “Aqui apreciaremos o lado positivo da sofistaria

Chamamos cultura, de fato, precisamente o conceito aplicado na realidade, contanto que não se manifeste puramente em sua abstração, senão em unidade com o conteúdo múltiplo de todas as representações.”

A cultura assim entendida (no sentido moderno de ilustração) se converte na finalidade geral do ensino; por isso é que surgiu, de contínuo, uma vastidão de mestres de sofística.” Novos pais da Grécia, em sucessão aos poetas e rapsodos. Pitágoras esclarecidos.

Toda nova classe de grande homem tem de começar sendo peregrina? Poetas, médicos e professores diletantes, todos itinerantes…

COMO FAZER AMIGOS E INFLUENCIAR PESSOAS: “La elocuencia, que apela a la cólera y a las pasiones de los hombres para conseguir algo, enseña la reducción de las circunstancias a estos poderes. (…) Esto presupone, naturalmente, la existencia de un régimen político democrático, en que los ciudadanos sean los llamados a decidir.”

Esto es también, en efecto, lo que se propone la Tópica¹ de Aristóteles, al señalar las categorías o criterios que es necesario tener presentes para aprender a hablar.”

¹ Retórica?

el Protágoras de Platón nos traza un cuadro bastante completo.”

Para el hombre inculto resulta incómodo tener trato con estos hombres que saben abordar y exponer fácilmente todos los aspectos de un problema. Los franceses tienen el don de saber expresarse, aunque nosotros, los alemanes, los llamemos por ello charlatanes.” “cuando se aprende francés, no es solamente para hablar este idioma, sino para adquirir a través de él la cultura francesa.”

Y, en efecto, cuando uno se propone estudiar filosofía, tampoco sabe, por el momento, lo que la filosofía es, pues si lo supiera, no necesitaría estudiarla.”

Yo siempre he creído que la virtud política no es susceptible de ser enseñada” Sócrates apud Pl. Prot.

DÉJÀ VU GENÉTICO: E Hermes (por procuração de Zeus) infundiu o pudor…

Cuando alguien se hace pasar por un maestro en el arte de la flauta sin poseer experiencia alguna acerca de ello, se le tiene, con razón, por loco. No sucede así, en cambio, en lo tocante a la justicia”

Em todo ato, por mau que seja, vai implícito um ponto de vista essencial em si: basta com destacar este ponto de vista para que o ato fique desculpado e defendido.” “desde Adão, tudo o que se fez de mau no mundo já foi justificado com boas razões.”

lo mismo que, hace unos 50 años, la enseñanza fundamental del pueblo, entre nosotros, consistía aún en la historia sagrada y una serie de sentencias y pasajes de la Biblia.”

Não confiar muito, já que detalhes biográficos procedem de Diógenes Laércio: “Protágoras siguió la misma suerte de Anaxágoras, al ser desterrado más tarde de Atenas. La causa de esta condena fue un escrito suyo, que comenzaba así: ‘Acerca de los dioses, no sabría decir si existen o no, pues hay muchas cosas que impiden este conocimiento, tanto la oscuridad del asunto mismo como la vida del hombre, que es tan breve.’ Este libro fue quemado en Atenas, por orden del Estado; fue, por lo menos en cuanto sabemos, la primera obra con la que sucedió esto.”

El principio de Protágoras, si se le da el verdadero sentido que tiene, es una gran frase, pero es, al mismo tiempo, una frase equívoca, pues la medida de las cosas puede ser el hombre indeterminado y multifacético, cada hombre según su particularidad específica, este hombre fortuito; pero puede tratarse también de que la razón consciente de sí misma que hay en el hombre, de que el hombre concebido como naturaleza racional y sustancialidad general, sea medida absoluta.” A este respeito, ver a elucidação de Hannah Arendt, procurando por Protágoras na busca: https://seclusao.art.blog/2018/04/26/a-condicao-humana/.

Dios, el Bien platónico, es, en primer lugar, un producto del pensamiento; pero, en segundo lugar, es también en y para sí. En cuanto que sólo reconozco como ente, fijo y eterno aquello que es, en cuanto a su contenido, lo general, tenemos que ese algo es, tal y como ha sido asentado por mí, al mismo tiempo, como lo objetivo en sí, algo que yo no siento.”

O ANTI-KANT: “Deus, o Bem platônico, é, em primeiro lugar, um produto do pensamento; (SUBJETIVO, SENSÍVEL) porém, em segundo lugar, é também em e para si (SUBJETIVO e OBJETIVO). Ora: 1) Eu somente reconheço (POSSO PENSAR) o ente (fixo e eterno, ESSÊNCIA OBJETIVA) enquanto aquilo que é geral em seu conteúdo. 2) Esse geral em seu conteúdo é também o objetivo em si, (ESSENCIAL) algo que eu não sinto.”

O MONÓLOGO-DIÁLOGO ILUSTRADO

Kant: O conceito é pensável porque é antes de tudo sensível…

Hegel: O conceito é sensível porque é antes de tudo pensável!!!

Kant & Hegel: O conceito só pode ser pensado porque é essência-e-aparência!

Kant: Sim, finalmente estamos de acordo em alguma coisa!…

Hegel: No que mais poderíamos concordar?

Kant: Hm, deixe-me ver… Se eu fosse você, acho que me aprazeria me exprimir assim: o não-conceito não pode ser pensado, pois ou é só essência ou é só aparência.

Hegel: Com efeito! E você, Kant, escreve frases tais quais: o não-conceito pode ser sentido quando é só aparência; o não-conceito não pode ser sentido quando é só essência (sua coisa-em-si!). Ou seja, o conceito é sentido como não-conceito (apenas como aparência)…

Kant: Ficamos bons na arte de invertermos os papéis! E assim você concluiria, Hegel: a essência pura é inacessível enquanto não integrar um conceito.

Falsa comparação entre Protágoras e Kant. Falsa porque resulta em detrimento do Kantismo.

Vemos en Protágoras una gran reflexión; concretamente, es la reflexión sobre la conciencia la que cobra conciencia en Protágoras. Pero esto no es sino la forma del fenómeno, recogida y desarrollada por los escépticos posteriores. El fenómeno, la apariencia, no es el ser sensible, sino que, al establecer esto como lo que aparece, establezco, al mismo tiempo, su no ser. Ahora bien, la tesis de que ‘lo que es es solamente para la conciencia’, o bien: ‘la verdad de todas las cosas es la manifestación de estas cosas para la conciencia y en ella’, parece contradecirse por completo a sí misma. Parece, en efecto, que en ella va implícita, al mismo tiempo, la afirmación opuesta: de una parte, la de que nada es en sí tal y como aparece y, de otra parte, la de que todo es verdaderamente tal y como aparece.”

Vemos em Protágoras uma grande reflexão; concretamente, é a reflexão sobre a consciência aquilo que cobra consciência em Protágoras (seu pensamento único). Mas isto não é senão a forma do fenômeno, retomada e desenvolvida pelos céticos posteriores. O fenômeno, a aparência, não é o ser sensível, senão que, ao estabelecer isto como aquilo que aparece, estabeleço, ao mesmo tempo, seu não-ser. A tese de que ‘o que é, é somente para a consciência’, ou esta outra: ‘a verdade de todas as coisas é a manifestação destas coisas na e para a consciência’, parece contradizer-se por completo a si mesma. Parece, de fato, que nela vai implícita, simultaneamente, a afirmação exatamente oposta: por um lado, nada é em si como aparece e, por outro, tudo é verdadeiramente assim como aparece.”

Refutação de Hegel: A aparência é o ser sensível, o ser mesmo. O que é não é de forma alguma o mesmo para o outro. Essência e aparência coincidem no sujeito. Porém, cada sujeito é um mundo fenomênico à parte. Portanto, como Protágoras não considera o absoluto, seu raciocínio é impecável.

O momento da consciência, que Protágoras põe de manifesto e segundo o qual o geral desenvolvido traz implícito o momento negativo do ser-para-outro, deve ser afirmado também como um momento necessário

El fuerte de este pensador [Górgias] era la dialéctica de la elocuencia; sin embargo, se destacaba por su dialéctica pura, que giraba en torno a las categorías absolutamente generales del ser y el no-ser y se apartaba, por tanto, de la manera de los sofistas.”

Gorgias sostiene, de una parte, una polémica certera contra el realismo absoluto, que, al representarse una cosa, cree poseer la cosa misma, cuando se trata, en realidad, de algo puramente relativo. Pero, por otra parte, se deja llevar al idealismo malo de los tiempos modernos, con arreglo al cual lo pensado es siempre simplemente subjetivo, es decir, no es el ente mismo, ya que el pensamiento convierte el ente en algo pensado.” “De este modo, la dialéctica de Gorgias se aferra a esta distinción exactamente lo mismo que, andando el tiempo, habrá de volver a manifestarse en Kant; claro está que quien se aferre a esta distinción, jamás podrá llegar al conocimiento de lo que es.”

Esta libertad [socrática], que se cifra en el postulado de que la consciencia, en todo lo que piense, debe hallarse sencillamente presente y cabe sí(*)

(*) Hemos traducido bei sich selbst como ‘cabe sí’ a fin de distinguirlo del in sich, tan usado por Hegel.” Mas não distingue um do outro. Por si mesmo e em si (mesmo) são rigorosamente a mesma coisa. Filigranas lingüísticas capazes de convulsionar um Schopenhauer! Cabe sí é só mais um sinônimo que os tradutores preciosistas usam no lugar de de suyo.

Nos tempos modernos muito se fala do saber imediato e da fé, mas não se deve crer que seu conteúdo, quer dizer, Deus,¹ o bem, a justiça, etc., tenha como fonte exclusivamente os sentimentos e a imaginação, pois é, em realidade, algo puramente espiritual, quer dizer, um conteúdo procedente do pensamento.” Hegel é o mais grosseiro dos maus leitores de Kant!

¹ Vazio; ex nihilo, regressão a antes mesmo de Tales de Mileto!

[O passo dado por Sócrates] é, de fato, o verdadeiro, a unidade do subjetivo e do objetivo na terminologia moderna; diferente do ideal kantiano, que não é senão um fenômeno, que não é objetivo em si mesmo.”

O PROBLEMA DA ÉTICA DIVINA

Partamos de duas premissas: 1) o homem é burro, isto é, vil demais para criar-se uma ética. 2) o homem é sábio, isto é, virtuoso o bastante para criar-se uma ética. Ponto de vista da religião monoteísta: o homem só pode ser burro demais, do contrário não haveria religiões nem necessidade de religiões. Deus precisa ensinar a ética ao homem, eis o fundamento e o fim último da crença. Porém, se o homem é burro demais para criar-se uma ética, ele também é vil demais para aprender uma ética, incapaz que é de entender os desígnios de deus. Não está à altura de uma ética divina para os homens.

Posto que sabemos o que é ética, ela deve ser atingível. Posto que há religiões, é seguro dizer que via de regra prescinde-se de ética. Posto que há religiões há muito tempo, porém, e sua presença milenar não demonstra a aquisição da virtude pela humanidade como um todo, conclui-se que: poucos notáveis são virtuosos, a maioria é tola. Alguns notáveis assumiram papéis de pregadores, profetas, sacerdotes religiosos. Alguns notáveis seguiram o caminho da autoformação. A grande massa se subdivide igualmente entre os dois caminhos. Muitos crêem-se éticos (sábios) sem sê-lo. Sábios autointitulados, intitulados pela comunidade laica ou sancionados por aqueles que controlam os dogmas espirituais. Se a virtude fosse passível de se ensinar, não só Deus como os sábios ensiná-la-iam.

As gerações da humanidade repetem a proporção entre sábios e tolos. Desde sempre, para sempre. De qualquer modo, apenas uma pimenta para a discussão: não é possível conhecer-se a si mesmo. O sábio não se conhece; vive sempre na berlinda entre uma pretensa sabedoria e a estultícia. O muito burro vive na vaidade, crendo-se sábio. Ao notar esse comportamento dos muito estultos, o sábio aprende que ter certeza sobre sua própria sabedoria é um indício pouco auspicioso. Ele sempre oscila entre considerar-se um hipócrita ou um tolo, não importa como conduza sua vida, e a reputação que obtém entre “os outros homens”. Sua vida é uma comédia, pois só é possível agir com ética inconscientemente. Os autointitulados tolos podem ser considerados uma multitude de coisas: sábios (e portanto suscetíveis de ser tolos debaixo do véu), hipócritas que desejariam o status da sabedoria empregando uma falsa modéstia para enganar os homens, um espírito que conhece suas limitações; mas não muda o fato de que todas essas possibilidades não são dignas de crédito. Não se confia no tolo só porque ele assume sua tolice. E o parâmetro para o sábio, por mais que sábios existam, não é deste mundo. Permanece como mistério insondável da existência. Como num jogo de pega-pega entre a cabeça e a cauda, aporia.

* * *

Esculpir bebês para parir estátuas.

Los atenienses anteriores a Sócrates eran hombres Morales, pero no éticos, pues practicaban lo que había de racional en sus relaciones sin saber que eran, en verdad, hombres buenos.” “este modo [socrático] de conducirse ha vuelto a cobrar vida, modernamente, con la filosofía kantiana, que es ética.”

Conta-se que um ateniense chamado Críton ajudou Sócrates a cobrir os seus gastos para que pudesse ser iniciado pelos mestres em todas as artes.” Nem Soc. foi um self-made man às antigas!

A ironia socrática não é o método socrático, mas o destino inelutável e externo do filósofo: jovem soldado, serviu três vezes. Três vezes regressou triunfante do Peloponeso, e ao cumprir regiamente seu dever para com sua pátria, ajudou a consumar o desfecho da cultura grega. Da própria cultura, da cultura socrático-platônica, modelo dos modelos de homem.

Os generais recompensaram a façanha de Sócrates com uma coroa, que era o prêmio dos valentes; mas ele se negou a recebê-la, negociando com êxito sua entrega a Alcibíades, de quem salvara a vida em Potidéia.”

nós propendemos a ver nas virtudes, como realmente são hoje, antes aspectos dos dotes ou do temperamento do homem, ou a revesti-las sob a forma do genérico e necessário; em Sócrates, no entanto, não apresentam a forma dos bons costumes, do temperamento do homem ou de uma necessidade qualquer, senão a forma de uma determinação independente. É sabido que a fisionomia de Sócrates indicava um temperamento dominado pelas paixões feias e baixas, que seu espírito soube refrear e governar, como ele mesmo nos diz em algum lugar.” Além de tudo que aqui afirma, tece depois que o belo é o santo e o sábio — mas que doutrina esta do Romantismo europeu!! Hegel, horroroso, não podia dominar nada e seria, de acordo consigo mesmo, um grande mandrião! Porém, Sócrates nunca afirmou que conseguiu voluntariamente contrariar sua má natureza; o fato de ele ser feio e de Alcebíades ser belo nada tem que ver com ambos os temperamentos. Lição primária, na qual sou obrigado a reprovar o aluno extravagante Hegel.

Esta classe de trato social que chamamos de ‘o ócio dos atenienses’ só era possível graças às características especiais da vida da polis, em que a maioria dos trabalhos que hoje realiza um cidadão livre de qualquer país – ainda que falemos de um burguês e não só dos empregados – era efetuada, então, por meio de escravos, já que se consideravam como indignos dos homens livres. Não era proibido ao cidadão livre ateniense ser artesão, mas mesmo os artesãos dispunham de escravos, seus ajudantes de ofício.”

Es ésta la famosa ironía socrática, que no es sino un modo especial de comportarse en el trato de persona a persona, es decir, una forma subjetiva de la dialéctica únicamente, en tanto que la verdadera dialéctica versa siempre sobre los fundamentos de la cosa misma.”

Hace 10 años, un famoso teólogo sentó 90 tesis sobre la razón, tesis que encierran problemas muy interesantes, pero que no han dado resultado alguno, a pesar de haberse discutido mucho en torno a ellas, ya que, mientras el uno se situaba en el punto de vista de la fe, el otro argumentaba desde el punto de vista de la razón, y cada cual se mantenía aferrado a su criterio propio, sin que fuese posible saber qué era lo que entendían el uno por fe y el otro por razón.”

Los personajes encargados de formular las respuestas en los diálogos de Sócrates son semejantes a títeres, ya que sólo contestan a aquellas preguntas formuladas de tal modo que facilitan notablemente la respuesta y excluyen toda arbitrariedad propia.”

Os personagens encarregados de formular as respostas nos diálogos de Sócrates são semelhantes a títeres, já que só respondem àquelas perguntas formuladas de tal modo que facilitam notavelmente a contra-resposta socrática e excluem toda arbitrariedade própria.”

Para nosotros, que estamos acostumbrados a representarnos lo abstracto y que desde la temprana juventud nos educamos en torno a principios generales, el método socrático de la llamada condescendencia, con su locuacidad, resulta a menudo cansado, aburrido y tedioso.”

Para nós, que estamos acostumados a nos representar o abstrato e que desde a tenra juventude nos educamos em torno de princípios gerais, o método socrático da chamada condescendência, com sua loquacidade, resulta o mais das vezes, cansativo, aborrecido, tedioso.”

¿Cómo puedes ponerte a indagar lo que afirmas que no sabes? ¿Cómo puedes sentir apetencia de lo que no conoces? Y si por casualidad das con ello, ¿cómo puedes saber que es realmente lo que buscas, si confiesas que no lo sabes?”

tudo se encontra já no espírito do homem, ainda que pareça que este tenha de aprender tudo de fora.”

Ahora bien, esto es solamente uno de los lados, en el que Sócrates hace caso omiso de todo lo que sea contradicción y presenta como contenido afirmativo las leyes, es decir, el derecho, tal y como cada cual se lo representa. Ahora bien, si preguntamos cuáles son estas leyes, veremos que son precisamente aquellas que rigen, tal y como se hallan presentes en el Estado y en la representación de las gentes y que, llegado el momento, son levantadas [suspensas] como algo determinado, lo que quiere decir que no son absolutas.” O que ainda é melhor que afirmar numa Filosofia do Direito que o Estado da monarquia constitucional é o non plus ultra do Espírito!

Vemos, assim, como um signo infeliz do desconcerto, como os grandes favoritos de Sócrates, os dotados de atitudes mais geniais, p.ex. um Alcibíades, este gênio da frivolidade, para quem o povo de Atenas nada era senão um brinquedo, e Crítias, o mais eficiente dos Trinta Tiranos, desempenham mais tarde, em sua pátria, um papel que os leva a ser julgados, o primeiro como inimigo e traidor de seus concidadãos, o segundo como opressor e tirano de seu povo. Ambas as figuras viveram se ajustando ao princípio do conhecimento subjetivo, e arrojaram, assim, má luz sobre Sócrates; através delas revela-se como o princípio socrático, ao assumir uma forma distinta, levou a vida grega à ruína. (Xenofonte, Memorabilia, cap. 2)”

O demônio de Sócrates é (…) a individualidade do espírito” Belo sinônimo para inconsciente!

O general, antes de dar uma batalha devia ater-se, para tomar uma decisão, ao que lhe dissessem as entranhas dos animais sacrificados, como com tanta freqüência o vemos na Anábase de Xenofonte; e Pausânias se atormenta um dia inteiro, antes de dar a ordem de lançar-se ao combate. (Heródoto)”

no fim das contas os oráculos são sempre necessários ali onde o homem não se considera ainda tão livre e independente em seu foro íntimo que se sinta capaz de adotar suas determinações a partir de si mesmo, como nós o fazemos. É a esta liberdade subjetiva, que os gregos ainda não conheciam, que queremos nos referir quando falamos, atualmente, de liberdade” “Isso de responder pelo que fazemos, de buscar nos atos do indivíduo sua própria inspiração pessoal, é algo próprio dos tempos modernos”

quem se casa com uma mulher formosa não sabe se isso consumará sua felicidade ou será, ao contrário, fonte de pena e aflição; nem quem tem parentes poderosos no Estado pode saber se não será isso precisamente o que implique, um dia, o ver-se desterrado. (…) E para Sócrates este oráculo [sacrifícios, o vôo das aves, etc.] era seu demônio interior.” Xenofonte

o demônio socrático ocupa um lugar intermediário entre o lugar externo do oráculo e o lugar puramente interior do espírito; é interior, mas distinto da vontade humana e ainda menos preponderante que a inteligência e as deliberações do indivíduo Sócrates.”

TEMPOS DE MESMERISMO: “com efeito, em Sócrates parece que se dava, já, expressamente, algo disso que chamamos estado magnético (…) o mesmo estado do êxtase epiléptico ou da catalepsia [catatonia, histeria, hipnose, etc.].”

Hegel é ainda muito primitivo no tocante ao julgamento de Sócrates.

A aparição da comédia aristofânica é, por si mesma, um ingrediente tão essencial ao povo ateniense e Aristófanes uma figura tão necessária no panorama de Atenas quanto a do augusto Péricles, a do frívolo Alcibíades, a do divino Sófocles e a do ético Sócrates, pois ele forma parte, também, das estrelas deste firmamento.”

Nossa seriedade germânica não compreende como Aristófanes podia representar personagens que representavam, por sua vez, homens de carne e osso da nação ateniense, chamando-os pelos seus nomes reais, a fim de pô-los em ridículo, e sobretudo um homem tão austero e honrado como Sócrates.”

um povo que sabe rir de si” “essa certeza diáfana de si mesmo”

devemos admirar a profundidade de Aristófanes em ver o lado negativo da dialética socrática e destacá-lo com cores tão enérgicas.”

Sócrates foi condenado à morte por se negar a reconhecer a competência e soberania do povo sobre um acusado.”

A [acusação da] perversão da juventude consistia em fazê-la vacilar com respeito ao dotado de vigência imediata.”

As duas Apologias. Falta-me ler a de Xen..

Ninguém jamais viu ou ouviu Sócrates fazer ou dizer qualquer coisa ímpia ou contrária à religião, pois jamais pôs-se ele a investigar acerca da natureza do universo, como tantos outros, dedicados a indagar como havia nascido o que os sofistas chamam de o mundo.” X.

A esta primeira parte da defesa os juízes se mostraram descontentes, ou por não darem credibilidade ao dito por Sócrates ou por inveja (o crer que Sócrates era um favorito dos deuses) (a bibliografia é Xen.). O argumento de que o piedoso aceita Jesus, mas não um segundo Jesus (qualquer um no presente que se proclame Jesus): “Por que ele e não outro?”

Además, para los griegos aquellas revelaciones tenían que revestir necesariamente un determinado modo de ser, pues existían oráculos que podríamos llamar oficiales (no subjetivos), como la pitonisa, los árboles sagrados, etc. Por eso, cuando la revelación cobra cuerpo en este algo particular y concreto que es el ciudadano corriente, se la considera como algo increíble y falso; el demonio socrático era, en realidad, una modalidad distinta de la que hasta entonces venía rigiendo en la religión griega.” “Sócrates es, de este modo, el héroe que proclama, para desplazar al dios délfico, el principio de que el hombre debe mirar dentro de sí para saber qué es lo verdadero.”

Anito le había tomado animadversión a Sócrates porque éste le había dicho que el hijo de un hombre prestigioso como él no debía consagrarse al oficio de la tenería, sino a una profesión digna de un hombre libre. Anito mismo era curtidor de oficio y, aunque estos trabajos corriesen, por regla general, a cargo de esclavos, no eran, en sí, nada denigrante; la expresión de Sócrates no era justa, por ello; aunque ya hemos visto (supra, p. 50) que este juicio encajaba perfectamente dentro del espíritu y la mentalidad de los griegos. Sócrates añade que ha trabado conocimiento con este hijo de Anito y que no ha descubierto en él ninguna cualidad mala; profetiza, sin embargo, que no se mantendrá fiel a este trabajo servil a que su padre se empeña en sujetarlo. Y como no tiene a su lado ninguna persona razonable que se ocupe de él, se dejará llevar de malas apetencias y llegará muy lejos por los caminos de la ociosidad y la disipación. Jenofonte añade por su cuenta que la predicción de Sócrates se confirmó al pie de la letra, pues el joven de referencia se entregó a la bebida y se pasaba los días y las noches emborrachándose, habiéndose convertido en un hombre completamente indigno. Cosa perfectamente comprensible, ya que un hombre que se considera (con razón o sin ella) apto para llegar a ser algo mejor de lo que es y que se siente descontento en su interior con el estado de cosas dentro del que vive, pero sin poder alcanzar otro mejor, se ve arrastrado por este disgusto consigo mismo a la mediocridad, primero, y luego a la maldad, por el camino que tantas veces arruina a los hombres. La profecía de Sócrates es, por esto, perfectamente natural.”

Anito havia tomado aversão a Sócrates porque este lhe havia dito que o filho de um homem prestigioso como ele não devia se consagrar ao ofício do curtume, mas a uma profissão digna de um homem livre. O próprio Anito era curtidor e, ainda que de uso esses trabalhos corressem a cargo de escravos, essa não era uma vocação degradante em si; a expressão de Sócrates não seria justa; em que pese termos visto também que este juízo encaixava-se perfeitamente no espírito e na mentalidade gregos. Sócrates acrescenta que travou conhecimento com este filho de Anito e que não descobriu nele nenhuma má qualidade; profetiza, entretanto, que não se manterá fiel a este trabalho servil em que seu pai se empenha tanto em sujeitá-lo. E como não tem a seu lado nenhuma pessoa razoável para dele se ocupar, deixar-se-á levar por más apetências e chegará muito longe nos caminhos do ócio e da dissipação. Xenofonte acrescenta que a predição de Sócrates se confirmou ao pé da letra, pois o jovem se entregou ao álcool e passava dia e noite embebedando-se, havendo-se convertido num homem completamente indigno. Coisa perfeitamente compreensível, já que um homem que se considera (com ou sem razão) apto a ser algo melhor do que é e que se sente descontente em seu interior com o estado de coisas no qual vive, sem poder contudo alcançar outro melhor, vê-se arrastado por este desgosto consigo mesmo à mediocridade, primeiro, e logo à maldade, pelo caminho que tantas vezes arruína os homens. A profecia de Sócrates é, portanto, perfeitamente natural.”

Los hijos deben tener la sensación de formar una unidad con sus padres, siendo ésta la primera relación moral inmediata; todo educador debe respetarla, mantenerla pura y desarrollar la sensación de esta unidad.”

Os filhos devem ter a sensação de formar uma unidade com seus pais, sendo esta a primeira relação moral imediata; todo educador deve respeitá-la, mantê-la pura e desenvolver a sensação desta unidade.”

Ahora bien, para referirnos al ejemplo de Sócrates, todo parece indicar que éste, con sus ingerencias, inducía a los jóvenes a un sentimiento de descontento con la situación en que vivían. Es posible que el hijo de Anito no se sintiera, en general, atraído por el trabajo; pero una cosa es esto y otra muy distinta que esta sensación de descontento cobre conciencia de sí misma y se vea confirmada por la autoridad de un hombre como Sócrates.”

Tudo parece indicar que Sócrates, com suas ingerências, induzia os jovens a um sentimento de descontentamento com a situação em que viviam. É possível que o filho de Anito não se sentisse, em geral, atraído pelo trabalho; mas isto é uma coisa, e outra muito distinta que esta sensação de descontentamento cobre consciência de si mesma e se veja confirmada pela autoridade de um homem como Sócrates.”

Dentro de nuestras leyes, el primer punto de la acusación, el referente a la adivinación, sería inadmisible, como se ha visto, por ejemplo, en el caso de Cagliostro; esta clase de actos eran perseguidos en otro tiempo por la Inquisición.”

Dentro de nossas leis, o primeiro ponto da acusação, o referente à adivinhação, seria inadmissível, como já se viu, p.ex., no caso de Cagliostro; esta classe de atos era perseguida em outro tempo pela Inquisição.”

A <ESCLARECIDA> EUROPA DE HEGEL: “Sin embargo, si un profesor desde la cátedra o un predicador desde el púlpito atacase, por ejemplo, a una determinada religión, no cabe duda de que el gobierno se daría por enterado y tendría perfecto derecho a intervenir, por grande que fuese el clamor que su intervención levantara.”

Se um professor de cátedra ou um predicador do púlpito atacasse, p.ex., uma determinada religião, não resta dúvida de que o governo se daria por inteirado e teria o perfeito direito de intervir, por maior que fosse o clamor que sua intervenção gerasse.”

Según las leyes atenienses, el acusado, después de ser declarado culpable por los heliastas, como hoy en Inglaterra ante el tribunal del jurado, tenía derecho a oponer a la pena propuesta por el acusador una contrapropuesta de pena, que representaba una atenuación, sin ser una apelación formal; era ésta, sin duda, una excelente institución del derecho procesal ateniense, que acredita un gran sentido de humanidad. No se trataba de la pena en general, sino de la tasación, de la clase de pena que había de imponerse; el fallo de los jueces había decidido ya que Sócrates era culpable y, por tanto, merecedor de una pena. Ahora bien, el hecho de que se dejara al culpable un margen de libertad para fijar o proponer la pena que consideraba justa, no quiere decir que su propuesta pudiera ser arbitraria, sino, por el contrario, adecuada al delito ya reconocido, bien con el carácter de multa o de pena corporal (Meier y Schönemann, Der Attische Process). El hecho de que el culpable o declarado tal se constituyese en juez de sí mismo implicaba ya de suyo que se sometía al fallo del tribunal y reconocía su culpa. Pues bien, Sócrates se negó a señalar para sí una pena, que habría podido consistir en una multa o en el destierro, lo que le permitía optar entre esta pena o la de muerte, que los acusadores proponían.”

Segundo as leis atenienses, o acusado, depois de ser declarado culpado pelos heliastas, como hoje na Inglaterra perante o tribunal do júri, tinha direito a opor à pena proposta pelo acusador uma contraproposta de pena, que representava uma atenuação, sem ser uma apelação formal; era esta, sem dúvida, uma excelente instituição do direito processual ateniense, que transmite um grande sentimento de humanidade. Não se trata da pena em geral, senão da apreciação da classe de pena que dever-se-ia impor; a sentença dos juízes já havia decidido que Sócrates era culpado e, assim, merecedor de uma pena. O fato de que se deixava ao culpado uma margem de liberdade para fixar ou propor a pena que considerasse justa não quer dizer que sua proposta pudesse ser arbitrária, mas, ao contrário, devia ser adequada ao delito já reconhecido, fosse sob o caráter de multa ou de pena corporal. O fato de que o culpado ou assim declarado se constituísse em juiz de si implicava por si só que se submetia à sentença do tribunal e reconhecia sua culpa. Pois bem: Sócrates se negou a escolher uma pena, que teria consistido ou em multa ou no desterro, o que permitia, na prática, que o réu optasse, inclusive, entre o banimento e a pena de morte, que os acusadores propuseram.”

Enfatuadas casuísticas de H….

Un verdadero Estado no puede tolerar en su seno, por ejemplo, a gentes como los cuáqueros, los anabaptistas, etc., que desconocen y rechazan determinados derechos del Estado, como es el de la defensa de la patria. Esta miserable libertad de pensar y creer lo que a cada cual le parezca mejor no puede admitirse, como tampoco el que cada cual se acoja a la conciencia de su deber.”

Um verdadeiro Estado não pode tolerar em seu seio, p.ex., gentes como os quakers, os anabatistas, etc., que desconhecem e rechaçam determinados direitos do Estado, como é o da defesa da pátria. Esta miserável liberdade de pensar e crer o que a cada qual lhe pareça melhor não se pode admitir, nem tampouco que cada qual se refugie na consciência de seu dever.”

De un hombre como Sócrates no podía esperarse otra actitud que la de marchar hacia la muerte del modo más sereno y más varonil. El relato que Platón nos hace de las bellas escenas de las últimas horas de su maestro, aunque no haya en él, por su contenido, nada de extraordinario, quedará para siempre como la imagen grandiosa y el relato ejemplar de un hecho noble.”

De um homem como Sócrates não se podia esperar outra atitude senão a de marchar em direção à morte do modo mais sereno e varonil. O relato que Platão nos faz das belas cenas das últimas horas de seu mestre, ainda que nada haja nesse conteúdo de extraordinário, ficará para sempre como a imagem grandiosa e o relato exemplar de um fato nobre.”

os heróis aparecem como a violência que infringe a lei.”

Os atenienses se arrependeram, mais tarde, da condenação de Sócrates e castigaram a seus acusadores, a uns com a morte e a outros com o desterro. Pois era uma lei ateniense que quem formulava uma acusação se submetia, se a denúncia resultasse falsa, à mesma pena que em caso contrário sofreria o delinqüente. Este é o último ato do drama.”

Sócrates foi condenado à morte porque descobriu o inconsciente. 2200 anos depois um austríaco fraudulento vai criar uma associação internacional para enganar a civilização dizendo que ele descobriu o inconsciente!

O inocente que se vê condenado é, simplesmente, um néscio; por isso são absurdas e insubstanciais essas tragédias em que se enfrentam tiranos e vítimas inocentes, pois não são senão contingências vazias.”

A consecuencia del proceso y la muerte de Sócrates, el puñado de sus amigos y discípulos huyó de Atenas a Megara; entre ellos, Platón. Euclides, que residía allí, se hizo cargo, en la medida de lo posible, de los fugitivos. (Laercio) Al levantarse el fallo dictado contra Sócrates y castigarse a sus acusadores, parte de los socráticos retornó a Atenas y las cosas recobraron su equilibrio. La influencia de Sócrates fue vastísima y determinante en el mundo del pensamiento; y no hay mérito comparable en un maestro al de lograr tan grande influjo y ejercer tal sugestión.”

Una parte de ellos se mantuvo absolutamente fiel a la manera inmediata de Sócrates, sin pasar de ahí. Tal es el caso de una serie de amigos suyos que, en la medida en que fueron escritores, se contentaron con componer diálogos a la manera socrática, bien registrando con la mayor fidelidad histórica posible los sostenidos por ellos mismos con el maestro o los escuchados a otros, bien elaborando estos diálogos a su modo, pero absteniéndose, por lo demás, de toda clase de investigaciones especulativas y manteniéndose, en lo que a su conducta práctica se refiere, firmes y fieles a los deberes de su clase y situación y llevando, así, una vida tranquila y apacible. El más famoso y destacado, entre ellos, es Jenofonte. Pero hubo muchos otros que se dedicaron a escribir diálogos socráticos. Las fuentes mencionan los nombres de Esquines, algunos de cuyos diálogos han llegado a nosotros, Fedón, Antístenes y otros, entre ellos el de un zapatero llamado Simón ‘en cuya taller solía entrar Sócrates a platicar y que más tarde se dedicó a registrar por escrito sus charlas con el maestro’. Los títulos de sus diálogos, así como los de los otros socráticos que dejaron escritas obras de esta clase, aparecen citados en Diógenes Laercio (II, 122 s., 60 s., 105; VI, 15-18). Sin embargo, estas obras no tienen más que un interés puramente literario”

A verdade e a essência não são o mesmo; a verdade é a essência pensada, enquanto que a essência é o em si simples.” “A consciência de si mesmo se manifesta nestes, [no conhecer e no saber] de uma parte, como o ser para si e, de outra parte, como o ser: uma vez consciente desta diferença, retorna dela à unidade de ambos. Esta unidade, o resultado, é o sabido, o consciente, o verdadeiro.”

Los socráticos que presentan un valor peculiar pueden agruparse, según esto, en 3 escuelas: la primera es la de los megáricos, al frente de la cual se halla Euclides de Megara; la segunda, la de los cirenaicos; la tercera, la de los cínicos. Ya el mismo hecho de que difieran considerablemente entre sí las doctrinas de estas 3 escuelas socráticas indica claramente que Sócrates, maestro e inspirador de las 3, no llegó a tener un sistema positivo.” “El principio de los cirenaicos se desarrolla más tarde, de un modo científico, en el epicureísmo y el de los cínicos es desarrollado por los estoicos.”

Este Euclides, que no debe confundirse con el matemático del mismo nombre, es aquel de quien se cuenta que, reinando una gran tirantez de relaciones entre Atenas y su patria, Megara, en los momentos de mayor hostilidad se deslizaba en la ciudad de Atenas disfrazado de mujer y exponiéndose a ser condenado a muerte, sólo por el gusto de escuchar a Sócrates y estar cerca de él. Parece que este Euclides, pese a su manera de discutir y hasta en sus disputas mismas, era el más pacífico de los hombres. Cuéntase que, en una discusión, su contrincante se excitó tanto, que exclamó, en un arrebato de indignación: ‘¡Que me caiga muerto si no me vengo de ti!’. Y que Euclides replicó, con la mayor tranquilidad del mundo: ‘!Y yo me caiga muerto si no soy capaz de aplacar tu cólera con la dulzura de mis palabras, para que sigas amándome como hasta aquí!’

Se han conservado muchas anécdotas acerca del arte de discutir de estos pensadores, por las cuales vemos que lo que a nosotros nos parecen bromas eran, para ellos, problemas muy serios.”

Algunos de los innumerables giros a que aquellos pensadores se entregaban para embrollar la conciencia en las categorías han llegado hasta nosotros con sus nombres; son, principalmente, los sofismas cuya invención se atribuye a Eubúlides de Mileto, discípulo de Euclides.”

la seriedad alemana destierra todo lo que sean juegos de vocablos como vanos entretenimientos ingeniosos.” Até os anglófonos têm um Joyce, vocês não! Mas o que dizer de quem nunca possuiu nem de longe um Shakespeare?

Para ellos, [os gregos em geral, não só os megáricos] en los casos de antagonismo entre la palabra y la cosa, debía darse preferencia a la palabra; las cosas no expresadas son, en rigor, cosas irracionales, ya que lo racional existe solamente como lenguaje.

En los Elencos sofísticos de Aristóteles encontramos muchos ejemplos de éstos, tomados de los antiguos sofistas y de los erísticos [sinónimo de megáricos], así como las soluciones correspondientes.”

También en Platón encontramos juegos de palabras y frases de doble sentido de éstas, empleados con el fin de ridiculizar a los sofistas y poner de manifiesto en qué nimiedades paraban su atención. Pero los erísticos fueron aún más allá por este camino, llegando incluso a convertirse, como Diodoro, en una especie de bufones de las cortes, por ejemplo en la de los Tolomeos”

“— ¿Quién es eso?

Es Corisco.

¿Pero Corisco no es del género masculino?

Sí.

Eso es del género neutro, de modo que eso no puede ser Corisco” Aristóteles, De soph. elench., cap. 14

En otro lugar, desarrolla Aristóteles el argumento de ‘tienes por padre un perro’, lo que vale tanto como decir que tú mismo eres un perro; argumento que Platón, como veíamos más arriba atribuye a un sofista.” A.k.a., formalmente a mãe pode chamar o filho de ‘filho da puta’, não vemos nenhum óbice a isso (ela continuará íntegra, o filho será reputado mau caráter, etc.).

En la invención de juegos sutiles de éstos fueron verdaderamente inagotables los griegos de aquel tiempo y de una época posterior. Cuando estudiemos los escépticos, veremos cómo se desarrolla en ellos y se eleva a un punto superior el lado dialéctico.”

He aquí otra anécdota que se cuenta de Estilpón, en el mismo sentido. ‘Estaba platicando con Crates, un cínico, e interrumpió la plática para comprar pescado. Crates, su interlocutor, le dijo: ¿Cómo, abandonas el discurso? (en el sentido en que, en la vida corriente, nos reímos o pensamos que es incapaz quien, al parecer, no sabe replicar a lo que se le dice, considerando el discurso como algo tan importante, que se considera mejor contestar algo, lo que sea, que guardar silencio, es decir, dejar sin respuesta una pregunta.) A lo que contestó Estilpón: Nada de eso, no abandono el discurso, sino que te abandono a tí, pues el discurso queda, pero el pescado se vende.’”

yo soy algo mentado, [já mencionado] y no puedo precisarme a mí mismo.”

Si preguntamos: ¿quién está ahí?, la respuesta rezará: yo, todos los yos.”

Tengo ahora tantos años; pero este ahora de que hablo no es solamente éste, sino que son todos los ahoras.”

Ahora tengo 35 años, y ahora vivimos en el año 1805 del nacimiento de Cristo; ambos momentos se determinan solamente entre sí, pero la totalidad aparece indeterminada. Que ahora hayan transcurrido 1805 años desde el nacimiento de Cristo es una verdad que pronto carecerá de sentido; y la determinabilidad del ahora tiene un antes y un después de determinaciones sin principio ni fin.” Tenho a idade de Cristo e vivo agora no ano 2021 de seu nascimento. Mais de 200 anos desde que Hegel dava suas aulas…

Nunca tinha ouvido falar de Estilpo.

En efecto, si hombre y bueno o caballo y carrera fuesen uno y lo mismo, no podría decirse que el pan y la medicina son buenos o que el león y el perro corren” Plutarco

“Pero, ¿acaso algún hombre ha vivido peor a causa de esto? ¿Quién que escuche estas palabras no se dará cuenta de que se trata simplemente de un culto juego de ingenio?” Eu, que me ponho a ler isso!

Los cirenaicos toman su nombre de Aristipo de Cirene, en África, que fue el fundador y jefe de esta escuela.” “Los cirenaicos expresaban con ello su especial subjetividad, y lo mismo hacían los cínicos; ambas escuelas persiguen, por tanto, en el fondo, una y la misma finalidad: la libertad y la independencia del individuo.” “Fue el primer socrático que cobró dinero por sus enseñanzas; fiel a este criterio, había enviado dinero a Sócrates para pagarle lo que había aprendido de él, pero sin que Sócrates lo aceptase.”

En Aristipo [o jovem, discípulo de Sócrates e do primeiro Aristipo], lo más importante es su carácter, su personalidad; los rasgos que de él se han conservado corresponden más bien a su tipo de vida que a sus doctrinas”

Cuando se nos dice que alguien hace del placer su principio, tenemos inmediatamente la impresión de que ese hombre es, en el disfrute del placer, un hombre dependiente y el placer, por tanto, contrario al principio de la libertad. Pero no es así como debemos representarnos ni la escuela cirenaica ni la escuela epicúrea, que mantienen, en conjunto, el mismo principio. Pues, por sí misma, bien podemos afirmar que la determinación del placer es un principio opuesto a la filosofía; pero, en cuanto que se hace de la formación del pensamiento la única condición bajo la que puede alcanzarse el placer, se mantiene a salvo la completa libertad del espíritu, ya que es inseparable de la formación de éste.”

Aristipo gozó, dice de él Diógenes [Laércio], del placer del presente, sin preocuparse de lo que no formaba parte de éste; sabía acomodarse a todas las situaciones, se encontraba bien en todas las circunstancias, lo mismo en las cortes de los reyes que en las más míseras condiciones de vida. Cuéntase que Platón le dijo una vez: sólo tú eres capaz de vestir lo mismo la púrpura que los andrajos. Pasó algún tiempo en la corte de Dionisio, donde gozaba de grandes simpatías, pero dando pruebas de una independencia cada día mayor; por eso Diógenes el Cínico le daba el nombre del ‘perro real’.” HAHAHA

Como una persona que quería confiarle la educación de su hijo encontrara demasiado elevada la suma de 50 dracmas que le pedía por sus enseñanzas y le dijera que con ese dinero podía comprar un esclavo, Aristipo le replicó: Hazlo, y así tendrás 2 esclavos, en vez de 1. Un día, le preguntó Sócrates: ¿de dónde tienes tanto dinero? A lo que replicó Aristipo: ¿y de dónde tienes tú tan poco? A una hetaira que le anunció que iba a tener un hijo de él, le contestó con estas palabras: es tan poco seguro que sea mío, como si, atravesando por un seto [uma cerca] de espinas, aseguraras saber cuál espina te ha picado.”

Habiéndole escupido Dionisio, lo soportó pacientemente y, a quienes le censuraban por ello, les dijo: si los pescadores dejan que les moje el mar para pescar unos cuantos pececillos, ¿cómo no voy a mojarme yo para pescar esta ballena? Como quiera que Dionisio lo invitara a elegir una hetaira entre 3, se quedó con las 3, diciendo que hasta Paris había arrostrado grandes riesgos por elegir de 3 una, pero al llegar al dintel de la casa, las dejó marchar a las 3.”

Se cuenta que llegó a pagar 50 dracmas (cerca de 20 florines) por una perdiz. A alguien que se burlaba de él, le preguntó: ¿no la habrías comprado tú por un óbolo? Sí, le contestó el otro, a lo que replicó Aristipo: pues bien, para mí 50 dracmas valen lo mismo. En una travesía al África, vio que a su esclavo se le hacía demasiado duro cargar con una determinada cantidad de dinero, y le dijo: arroja lo que te sobre y transporta solamente lo que puedas.”

A quienes, dedicándose al cultivo de otras ciencias, descuidaban la filosofía, los comparaba Aristipo a los pretendientes de Penélope en la Odisea, que podían llegar a poseer a Melanto y a las demás criadas, pero que jamás se adueñaron de la reina.”

Entramos con ello en un campo en el que 2 clases de determinaciones constituyen el interés fundamental en torno al cual giran las muchas escuelas socráticas que se forman, con excepción de las de Platón y Aristóteles, y principalmente las de los estoicos, los neoacadémicos, etc. (…) Y surge así la noción del sabio: lo que el sabio hace, lo que el sabio es, etc.”

SÉCULOS JOGADOS FORA: “Esta retórica acerca del sabio como ideal es muy general entre los estoicos, los epicúreos, etc., pero carece de sentido. Pues no se trata del hombre sabio, sino de la sabiduría del universo, de la razón real.” Talvez alguns homens devessem permanecer apenas nos jogos de linguagem!

Entre los cirenaicos de un período posterior hay que citar, en primer lugar, a Teodoro, quien se hizo célebre al negar la existencia de los dioses, lo que le valió el ser desterrado de Atenas. Ahora bien, este dato no tiene, en realidad, mayor interés, ni entraña tampoco ninguna significación especulativa, pues los dioses positivos cuya existencia negaba Teodoro no son tampoco, en cuanto tales, objeto de la razón especulativa.”

La rareza, la novedad o la saciedad del placer engendra en algunos placer, en otros fastidio o malestar. La pobreza y la riqueza no influyen para nada en lo agradable o lo desagradable, pues no vemos que los ricos gocen más o mejor que los pobres. También son indiferentes, en cuanto a ese resultado, la esclavitud y la libertad, la nobleza o falta de nobleza del nacimiento, la fama o la carencia de ella. Sólo al necio le importa vivir, al sabio le es indiferente” Heguesías, espécie de elo perdido entre os cirenaicos, cínicos e estóicos.

El sabio obra solamente en gracia a sí mismo; no considera igualmente digno de él a ningún otro. Por grandes que sean los beneficios que de otros reciba, nunca podrán igualarse a los que a sí mismo se debe.” (Estes trechos são paráfrases de Laércio)

Cuéntase que a Heguesías, que vivía en la ciudad de Alejandría, le fue prohibida la enseñanza por el Tolomeo que a la sazón ocupaba el trono, porque inculcaba a sus oyentes una indiferencia y un fastidio de la vida tan grandes que muchos de ellos se la quitaban.”

La amistad no debe cultivarse solamente por el provecho que pueda reportar, sino en gracia a la benevolencia a que ello conduzca; y, por amor hacia el amigo, deben aceptarse también las cargas y las molestias consiguientes” Aniceris

CÍCERO O REI DO POP: “la doctrina de los cirenaicos decae y se convierte más y más en una doctrina popular. Es éste, pues, el segundo viraje que se advierte en la trayectoria de la escuela cirenaica, ya que el primero consistió en saltar el principio mismo. Surge así un tipo de filosofía moral que más tarde predominará también en Cicerón y en los peripatéticos de su tiempo; no se conserva ya interés alguno en lo tocante a la consecuencia del pensamiento.”

Poco es lo que hay que decir acerca de los cínicos, ya que no imprimieron gran desarrollo a la filosofía ni supieron crear tampoco un sistema de las ciencias; fue más tarde cuando los estoicos se encargaron de elevar sus proposiciones a una disciplina filosófica.”

En este sentido, los cínicos se enfrentan, a primera vista, con los cirenaicos, pues mientras que éstos consideran el sentimiento como principio, aunque ampliado en términos de generalidad y de perfecta libertad en cuanto que tiene que ser determinado por el pensamiento, aquéllos arrancan de la libertad e independencia completas como determinación del hombre. Sin embargo, como esto es, en realidad, la misma indiferencia de la conciencia de sí mismo que Heguesías proclamara como la esencia, tenemos que los extremos del pensamiento cínico y del cirenaico se levantan por obra de su propia consecuencia, convirtiéndose en fases de transición del mismo pensamiento.”

La actitud negativa ante eso es, aquí, lo determinante, y este mismo antagonismo entre los cínicos y los cirenaicos lo veremos manifestarse, más tarde, entre los estoicos y los epicúreos.” “La escuela cínica no reviste importancia científica alguna; constituye solamente un momento histórico que tiene que darse necesariamente en la conciencia de lo general, a saber: el momento que consiste en que la conciencia, en su individualidad, se sepa libre de toda dependencia con respecto a las cosas y al disfrute.”

El primer cínico fue Antístenes, ateniense y amigo de Sócrates. Vivía en Atenas y enseñaba en un gimnasio llamado el Cinosargo; a este pensador se le conocía por el nombre del Simple Perro.” Os cínicos têm alguma fixação pelos cães!

La virtud se basta a sí misma y sólo necesita una cosa: la fuerza de carácter de un Sócrates. El bien es bello y el mal feo. La virtud consiste en obras y no necesita de muchas razones ni de doctrinas. El destino del hombre es llevar una vida virtuosa. El sabio se contenta consigo mismo, pues posee cuanto los demás parecen poseer. Le basta con su propia virtud; tiene por casa el mundo entero. Si no le rodea la fama, esto debe considerarse más bien como un beneficio que como un mal.” De novo a fonte é Laércio

Es, de nuevo, la aburrida retórica acerca del sabio, que más tarde recibirá nuevo incremento, hasta el fastidio, con los estoicos y los epicúreos. En este ideal, en que se trata del destino del sujeto, se considera como el camino hacia su consecución la mayor simplificación posible de sus necesidades.”

Antístenes es todavía una figura noble dentro del campo de la filosofía cínica. Pero no están ya lejos de ella la tosquedad, la vulgaridad de la conducta, el impudor que caracterizarán a los cínicos de una época posterior.”

La indumentaria del cínico era extraordinariamente sobria: un grueso garrote de olivo silvestre, un manteo agujereado y lleno de remiendos sin más ropa debajo y que, por las noches, hacía además de cama, un saco de mendigo para guardar los víveres más indispensables y un vaso para beber agua: tal era, sobre poco más o menos, el atuendo de los cínicos.” Se Laércio erra ou mente, nunca ficaremos sabendo como eram realmente os cínicos…

ya Sócrates considerara como una manifestación de vanidad la buscada pobreza de los cínicos en el vestir. ‘Como Antístenes pusiera al descubierto uno de los agujeros de su manteo, Sócrates le dijo estas palabras: <por el agujero de tu manteo veo tu vanidad.>’

El corte de mi levita se halla determinado por la moda, pero de ello se encarga el sastre; no es misión mía meterme a inventar en esta materia, pues hay, gracias a Dios, otros que lo hagan.”

Se le llamaba ‘el perro’, lo mismo que él había llamado a Aristipo ‘el perro real’, pues a Diógenes le ocurría con los muchachos de la calle lo mismo que a Aristipo con los reyes.”

Sabido es que arrojó para siempre el vaso, cuando vio a un muchacho beber en las manos.”

Este filósofo rondaba por todas partes, viviendo a la ventura: en las calles y plazas de Atenas, en un tonel; ordinariamente, pasaba el tiempo e instalábase a dormir en la Stoa de Júpiter, en Atenas, diciendo que los atenienses le habían construido una magnífica residencia.”

Antístenes y Diógenes vivieron en Atenas, y sólo podían existir allí. Pero, en general, para que haya cultura es necesario que el espíritu se oriente hacia la más grande variedad de necesidades y de modos de satisfacerlas. Las necesidades se han multiplicado mucho en los tiempos modernos, y esto hace que las necesidades generales se dividan en muchas necesidades especiales y en muchos modos especiales de satisfacerlas; esto forma parte también de las actividades del entendimiento, entre las cuales encuentra cabida el lujo.”

Lo único que de Diógenes podemos referir son anécdotas. En un viaje por mar a Egina cayó en poder de los piratas, quienes decidieron venderlo como esclavo en Creta. Preguntado acerca de lo que sabía hacer, contestó: ‘mandar sobre hombres’ y pidió al heraldo que pregonase: ¿quién quiere comprar amo? Lo compró un tal Jeníades de Corinto, cuyos hijos recibieron sus enseñanzas.”

Diógenes estaba, un día, lavando una col [couve] cuando acertó a pasar por delante de él Aristipo, y le gritó a éste: si supieses lavar tú mismo la col, como yo lo hago, no andarías corriendo detrás de los reyes.”

Cuando le daban una paliza, [surra] lo que debía ocurrir con harta frecuencia, a juzgar por las muchas anécdotas que acerca de ello circulaban, se ponía grandes parches sobre las heridas y escribía encima los nombres de los agresores, para exponerlos de este modo a la censura de todos. Cuando los muchachos de la calle le rodeaban y le decían, para irritarlo: ‘tenemos miedo a que nos muerdas’, les replicaba: ‘no tengáis cuidado, pues los perros no comen acelgas.’ En una comida, uno de los comensales se dedicó a arrojarle huesos, como a los perros; entonces, el filósofo se fue hacia él, levantó la pierna y lo meó, como un can.”

Antístenes y Diógenes eran, como hemos visto, hombres de espíritu muy cultivado. Los cínicos que vienen después producen también indignación por sus extremos de desenfado; no son, por lo demás, sino repugnantes mendigos a quienes produce indecible satisfacción irritar a los demás con sus desvergüenzas. No hay para qué tenerlos en cuenta en una historia de la filosofía, y merecen en el pleno sentido de la palabra el nombre de ‘perros’ que en tiempos se dio a esta escuela filosófica, pues el perro, esta bestia desvergonzada, caracteriza plenamente su modo de ser.” Parte talvez mais inútil, mas a mais engraçada do livro!

Era tío suyo, hermano de su madre por línea paterna, aquel famoso Critias, que había mantenido también trato con Sócrates durante largo tiempo y que era, sin duda alguna, el más inteligente, el más espiritual y, por tanto, el más peligroso y el más odiado de los Treinta Tiranos de Atenas. Los antiguos suelen citar el nombre de Critias al lado de los del cirenaico Teodoro y de Diágoras de Melos, entre los de los que negaban a los dioses (…) A un hombre como Platón, nacido en el seno de tan noble familia, no podían faltarle los medios necesarios para su educación. Recibió de los más prestigiosos sofistas de su tiempo una enseñanza que desarrolló en él todas las aptitudes que cumplían a un ateniense. El nombre de Platón lo recibió más tarde, de su maestro; su familia le había dado el de Aristocles.”

Después de ahondar en el estudio de la filosofía, perdió el interés por la poesía y los negocios públicos y los abandonó totalmente para dedicarse por entero a las ciencias. Cumplió con sus deberes militares como ateniense; al igual que Sócrates, se dice que tomó parte en 3campañas.”

La Academia era un bosquecillo o paseo consagrado al héroe Academo, en el cual se levantaba un gimnasio. Pero el verdadero héroe de la Academia acabó siendo Platón, quien desplazó el antiguo significado del nombre de este lugar y oscureció al héroe a quien estaba consagrado, haciendo que pasara a la posteridad bajo la égida y la gloria del suyo propio.”

El tirano de Siracusa era uno de esos hombres mediocres que aunque, en su medianía, aspiren a la gloria y a los honores, no llegan a ser nunca profundos ni son capaces de nada serio, sino que aparentan, simplemente, serlo y carecen de toda firmeza de carácter; un querer y no poder, como esos personajes que la ironía moderna lleva a la escena, que creen ser virtuosos y excelentes y que no son, a la verdad, más que bribones. Una relación como la que Platón se proponía era irrealizable, pues sólo las medianías se dejan guiar por otros, pero, al mismo tiempo que dan pie para la realización de tales planes, los llevan siempre al fracaso.”

Platón abandonó, pues, la corte de Siracusa; sin embargo, después de la separación ambos sintieron la necesidad de volver a verse. Dionisio llamó de nuevo a su corte al filósofo, pues no podía hacerse a la idea de no haber sabido ganarlo por entero para sí; encontraba insoportable, sobre todo, el hecho de que Platón no quisiera abandonar la amistad de Dión. Platón cedió a las instancias tanto de su propia familia y de Dión, como, principalmente, a las de Arquitas y otros pitagóricos de Tarento, a quienes había recurrido Dionisio y que se interesaban por lograr una reconciliación entre el tirano, Dión y Platón; salieron, incluso, garantes de su seguridad y libertad, decidiendo, así, al filósofo a ponerse de nuevo en viaje. § Dionisio no podía soportar ni la presencia ni la ausencia de Platón, y no cabe duda de que la primera le producía embarazo.”

En nuestro tiempo, en estos últimos 30 años, se han redactado también muchas constituciones nuevas; es ésta una tarea fácil de realizar para quien se halle habituado a esta clase de trabajos. Sin embargo, el talento teórico no basta para redactar una constitución viable, pues los que las hacen no son los individuos, sino algo espiritual, algo divino, que se realiza a través de la historia.”

Platón vivió honrado en todas partes, sobre todo en Atenas, hasta el primer año de la 108ª Olimpíada (348 a.C.). Murió el día en que cumplía años, en un banquete de bodas, a los 81 de edad.”

esta filosofía ha sido concebida en cada época de distinto modo y ha sufrido, sobre todo, las ingerencias y tergiversaciones de manos muy torpes en los tiempos modernos, que no han tenido inconveniente en introducir en estos escritos sus propias concepciones, incapaces de captar espiritualmente lo espiritual, o considerando como lo más esencial y más notable de la filosofía platónica lo que, en realidad, no pertenece al campo de la filosofía, sino al modo de pensar o de representarse las cosas; pero, en rigor, es el desconocimiento de la filosofía lo que entorpece la comprensión de la filosofía platónica.” Que ironia, já que Hegel põe Platão abaixo de Aristóteles e não reconhece sua verdadeira grandeza!

Hacer de él algo insuperable, como el punto de vista en que nosotros mismos deberíamos situarnos, es una de las debilidades propias de nuestro tiempo.” Basta substituir debilidades por forças ou qualidades e vemos o quanto H. acertaria em cheio! A roda do tempo não perdoa, e hoje gostaríamos de poder ter ao menos a força de suportar esse pensamento: usar Platão como uma estrela-guia. O pós-modernismo é fraco demais, mas tem, melhor que a época de Hegel, esse arrependimento vivo no lugar da hipocrisia etnocêntrica.

Así como en pedagogía algunos aspiran a educar al hombre para precaverlo contra el mundo, es decir, para que se encierre en un círculo aparte —por ejemplo, en un despacho, o viva idílicamente plantando y cultivando habas—, en el que no sepa nada de lo que pasa en el mundo ni tome conocimiento de él, así también en la filosofía se ha retornado a la fe religiosa y a la filosofía platónica.

Estaría justificado el tratar de retornar a Platón para volver a aprender de él (la idea de la filosofía especulativa); pero es una tontería expresarse en términos tan hermosos, a gusto y antojo del que escribe, acerca de la belleza y la excelencia de estos escritos.”

Sobre todo, las disquisiciones literarias del señor Schleiermacher, [justo as que Luisa Buarque recomendou] los sondeos críticos que se hacen para averiguar si estos o los otros diálogos secundarios son auténticos o apócrifos (pues acerca de los principales apenas dejan lugar a dudas los testimonios de los autores antiguos), son absolutamente superfluos en filosofía y nacen, en realidad, de ese espíritu hipercrítico tan característico de nuestra época.”

DESCONSTRUINDO O MITO DOS <DOIS PLATÕES>: “Para comunicar algo puramente externo no se necesita mucho, pero para transmitir a otro una idea hace falta habilidad, y ésta es siempre algo esotérico; por eso los filósofos no son ni pueden ser nunca simplemente exotéricos. Estas no pasan de ser nociones puramente superficiales.”

La filosofía no es, pues, algo individual, como una obra de arte; y tampoco de ésta puede decirse que lo sea nunca en absoluto, pues también el artista recibe de otros y desarrolla por cuenta propia, al ejercerlas, las aptitudes artísticas. La invención del artista, su inspiración, es el pensamiento de su todo y la inteligente aplicación de los medios con que se encuentra, ya preparados; los motivos directos de inspiración y las verdaderas invenciones pueden ser infinitos.”

La forma externa incluye, en primer lugar, la escenografía y el elemento dramático. Platón sitúa sus diálogos en un ambiente de realidad, en lo tocante al medio en que se desenvuelven y a los personajes que en ellos intervienen, y toma siempre como punto de partida un motivo individual, que reúne a los personajes y da un carácter de verosimilitud muy agradable y abierto a sus coloquios. El personaje principal, en estos diálogos, es Sócrates; entre los demás interlocutores aparecen muchas primeras figuras conocidas de nosotros, tales como Agatón, Zenón, Aristófanes, etc. El autor nos sitúa, además, en un lugar concreto: el Fedro (p. 229 Steph., p. 6 Bekk.) se desarrolla a la sombra de un plátano junto a las claras aguas del Iliso, que Sócrates y Fedro cruzan; otros diálogos tienen por escenario los pórticos de los gimnasios, la Academia, la sala en que se celebra un banquete. Mediante el recurso de no intervenir nunca personalmente, poniendo siempre sus pensamientos en boca de otros personajes, Platón logra suprimir totalmente en sus diálogos lo que pudiera haber en ellos de tesis, de elemento dogmático. Tampoco aparece en los diálogos platónicos un sujeto encargado de narrar, como en la historia de Tucídides o en los poemas de Homero. Jenofonte

aparece, a veces, en persona y, a veces, deja traslucir claramente su intención de justificar por medio de ejemplos la doctrina y la vida de Sócrates. En Platón, por el contrario, todo es absolutamente objetivo y plástico, y le vemos desplegar un gran arte para evitar todo lo que sea puramente expositivo, desplazándolo a veces, incluso, a la tercera o cuarta persona.”

Pero esta urbanidad no debe confundirse con el temor a herir susceptibilidades, sino que lleva consigo, por el contrario, una gran valentía y una gran franqueza, y es esto precisamente lo que constituye el encanto de los diálogos platónicos.”

Ocurre aquí como en el repaso del catecismo: las respuestas están establecidas de antemano, sin el menor margen de sorpresa, pues el autor hace que los personajes contesten como él cree que deben contestar. Y las preguntas suelen estar formuladas en un tono tan perfilado, tan tajante, que sólo pueden contestarse en términos muy simples; y en esto estriba precisamente la grandeza y la belleza de este arte literario del diálogo, que es, al mismo tiempo, lo que lo hace aparecer tan sencillo.”

A época de Hegel não tinha os pré-requisitos para entender a Idéia.

A CRÍTICA QUE VIROU ELOGIO: “Sin embargo, en los conceptos platónicos puros no aparece superada la representación como tal: o bien no se dice que estos conceptos sean su esencia, o no son, para Platón, otra cosa que una representación, y no algo esencial”

El concepto adulto no necesita ya apoyarse en el mito.”

SOBRE O ‘GOVERNO DOS FILÓSOFOS’ (OU RUDIMENTOS DE UMA CIÊNCIA POLÍTICA AINDA NÃO INICIADA EM 2021): “Y Platón pone en boca de Glaucón la siguiente réplica: ‘Has pronunciado, ¡oh Sócrates!, palabras tales y has expresado cosas, que necesariamente debes suponer que una muchedumbre de hombres, y no malos, están dispuestos a arrojar sus mantos y echar mano de la primera arma que tengan a su alcance para marchar en filas cerradas contra tí; y, como no consigas aplacarlos con razones, te aseguro que lo pagarás muy caro.’ (libro V).

Platón proclama aquí, pura y simplemente, la necesidad de unificar la filosofía y el gobierno. Puede considerarse, sin duda, como una gran arrogancia esto de postular que se confíe a los filósofos el gobierno de los Estados, pues una cosa es el terreno de la historia y otra cosa muy distinta el terreno de la filosofía. Es cierto que en la historia debe manifestarse la idea como el poder absoluto; dicho en otras palabras: Dios gobierna el universo. Pero la historia es la idea realizada por la vía natural, no con la conciencia de la idea. Es verdad que se obra con arreglo a los pensamientos generales del derecho, de la moral, de lo grato a Dios; pero no hay que olvidar tampoco que, en sus actos, el sujeto busca también, como tal, la consecución de sus particulares fines. La realización de la idea se lleva a cabo, por tanto, mediante una mezcla de pensamientos y conceptos con fines inmediatos y particulares, de tal modo que esa realización sólo se produce, de una parte, mediante el pensamiento y, de otra parte, a través de las circunstancias, de los actos humanos, en cuanto medios. Con frecuencia, estos medios parecen ser contrarios a la idea, pero esto no perjudica en nada a su realización, pues todos aquellos fines determinados y concretos no son sino los medios empleados para producir la idea, ya que ésta es el poder absoluto. Por tanto, la idea acaba realizándose en el mundo, quiérase o no; pero para ello no hace falta que los gobernantes obren movidos por una idea.

Sin embargo, para poder juzgar el postulado platónico de que los regentes de los pueblos deben ser filósofos hay que tener en cuenta, indudablemente, qué hay que entender por filosofía en sentido platónico, y en general, en el sentido de aquel tiempo. (…) la filosofía platónica es, por tanto, la conciencia de lo verdadero y justo, en y para sí, la conciencia y la vigencia de fines generales dentro del Estado.”

COMO SEMPRE, PORÉM, HEGEL TIRA 10 NOS PROLEGÔMENOS E UM 0 NOS FINALMENTES: “Ahora bien, a lo largo de toda la historia, a partir de las grandes migraciones de los pueblos, en que la religión cristiana se convirtió en la religión universal, no ha habido otra preocupación que la de implantar en la realidad el reino de lo suprasensible, el reino de lo que empezó existiendo solamente para sí, este algo general y verdadero en y para sí, y la de determinar la realidad con arreglo a ello.”

ESCRAVO DA ADMINISTRAÇÃO GERMÂNICA: “Un ejemplo de lo que, en su tiempo, podía hacer un filósofo en el trono lo tenemos en Marco Aurelio; lo único que ha quedado de él en la historia son actos de carácter privado, y no puede decirse que el imperio romano haya ganado nada con el gobierno de este emperador. Federico II, en cambio, ha sido llamado con razón el rey-filósofo.”

Y si se le sacara de la caverna, quedaría cegado por la luz del sol y, deslumbrado con tanta claridad, no podría ver las cosas que llamamos reales y odiaría a quien le hubiese arrastrado hasta la luz, como se odia a quien nos ha arrebatado la verdad, deparándonos en cambio sólo dolor y pena.” Ao invés de mero joguete de uma má consciência (como é levado a crer freqüentes vezes em seus primeiros encontros com o absurdo e o tragicômico, principalmente na infância, adolescência e juventude), o filósofo é o único que vive verdadeiramente. Quantos milhares de seres humanos eu já não conheço com alguma certidão que vivem apenas nas aparências mais foscas?

Hay hombres que gustan de mirar y escuchar, que aman las bellas voces y las formas y colores bellos y todo lo formado por ellos, pero cuyo pensamiento es incapaz de ver y amar lo que hay de bello en la naturaleza.”

¿Qué es la vida para el hombre que, aun reputando las cosas por bellas, no es capaz de captar la belleza misma ni de seguir a quien quiera iniciarle en el conocimiento de ella? ¿Una realidad o un sueño? Fíjate bien. ¿Qué es soñar? ¿No es, ya se duerma o se esté despierto, tomar la imagen de una cosa por la cosa misma?”

La obra iniciada por Sócrates fue llevada a cabo por Platón, quien sólo reconoce como esencial lo general, la idea, lo bueno. Mediante la exposición de sus ideas, Platón puso al descubierto el mundo intelectual, pero sin ver en él un mundo situado más allá de la realidad, en el cielo, en un lugar distinto, sino el mundo real, del mismo modo que Leucipo había acercado lo ideal a la realidad, sin colocarlo—metafísicamente—detrás de la naturaleza. La esencia de la teoría de las ideas ha de buscarse, por tanto, en la concepción de que lo verdadero no es lo que existe para nuestros sentidos, sino que el verdadero y único ser del mundo está en lo determinado de suyo, en lo general en y para sí: el mundo intelectual es, por tanto, lo verdadero, lo digno de ser conocido, lo eterno, lo divino en y para sí. Las diferencias no son esenciales, sino simplemente transitorias; sin embargo, lo que Platón llama absoluto es, al mismo tiempo, como algo único e idéntico consigo mismo, algo concreto de suyo, en cuanto que es un movimiento que retorna a sí mismo y que permanece eternamente cabe sí. Y el amor por las ideas es lo que Platón llama entusiasmo.” Um lugar aqui mesmo, no mundo das aparências, em que os sábios podem conferenciar entre si, sem medo de estarem falando com espectros (solipsistas em alucinação): o termo médio em que os privilegiados realmente se entendem, porque a natureza do saber é Una.

El segundo error con que nos encontramos, en lo tocante a las ideas, consiste, no en situarlas fuera de nuestra conciencia, sino en considerarlas como ideales necesarios para nuestra razón, pero cuyos productos ni tienen realidad ahora, ni pueden llegar a adquirirla nunca.” Aí já depende, meu caro Hegel: do que estamos falando? De simples ‘discussões triviais entre filósofos’ (sobre um mundo-verdade e um mundo das aparências)a – o que é relativamente simples de imaginar que se possa ter cotidianamente, pois muitos são os filósofos, embora sejam minoria, e qualquer filósofo concebe esta distinção bem, ou não seria, por definição, filósofo –; ou do Bem e da Justiça? Porque estes seriam sóis, realmente meras figuras de linguagem, inobteníveis a não ser que estejamos falando de seres muito crédulos e supersticiosos, pasme, maioria deles filósofos!

a Quem está acostumado com a refutação nietzschiana de um mundo-verdade pode ter ficado confuso com este parágrafo – mas alto lá! Um mundo-verdade cristalizado e eterno na acepção chinfrim de frades, é a isto que Nie. objetava! (‘Chega deste Bem, unilateral, estilizado! Para esta concepção ultrapassada, ofereço uma nova discussão, que vá além deste bem e deste mal, mal condicionado por esta visão de bem tão limitada, mal que está prestes a se tornar universal no meio acadêmico ocidental! Só assim é que poderemos recomeçar com coisas sérias! Os idiotas saturaram o nosso meio, o nosso mundo-verdade vivo, precisamos recolher o lixo – são 23:59, mas amanhã é um novo dia!’ – Esta é uma paráfrase bem realista de um Nie. mais direto ainda do que estamos acostumados a ler, se explicando para quem tiver olhos e ouvidos.) Mas o mundo-verdade exclusivo da mentalidade dos filósofos (dos filósofos verdadeiros, palavra tão desvalorizada com o tempo!) nada tem de ossificado e estável – simplesmente porque é orgânico e cambiante enquanto o filósofo vive individualmente e enquanto a raça dos filósofos vive coletivamente, jamais sendo igual a si mesmo – isso! –, um mundo-verdade riacho heraclítico! Uma verdadeira imagem do inferno para o ante-filósofo, um quadro expressionista, tolices e nada mais (estou falando novamente daquele que não tem acesso ao privilégio, o prisioneiro da caverna de Platão). Exemplo: Posso discutir com o Pablo (outro esclarecido) sobre o ser-do-ente e o ser-aí, mas nunca poderemos propor uma síntese da condição humana ou um propósito para a existência – essa faculdade está além de qualquer evento da existência, de qualquer conciliábulo entre os grandes filósofos da História mesmo que se pudessem reunir num auditório além do tempo. De tal encontro nada sairia além do que sói acontecer nas noitadas de bar das gentes mais simples. Mas Hegel imaginou que continha esta sementinha em suas mãos, quanta candura! O girassol escolhido pelo Espírito do Mundo – perfume dos perfumes, essência das essências! ‘Não pedi para nascer no lugar e no tempo certos, mas nasci…’, seria mais ou menos o que ele teria a dizer a respeito de tão imensa (e grata, para ele mesmo) coincidência… O primeiro falastrão europeu a poder dizê-lo, bem como o último!

Parafraseando Górgias, ainda que fosse possível combinar entre alguns entes um propósito para a existência, este acordo simplesmente não seria fechado nem posto em prática! Mas a verdade é que faltam inclusive as condições de possibilidade dessa suposta negociação – mesmo que houvesse um ente em algum ponto capaz de levantar um propósito universal (o que já seria absurdo), ele sequer saberia como formulá-lo em sua mente; e se, mais incrível ainda, houvesse dois desses seres, separados por várias gerações e milhares de quilômetros, e mesmo se eles pudessem conversar fluentemente num mesmo idioma numa representação miraculosa em que coabitariam o mesmo universo, digo, o mesmo cômodo, e poderiam até se tocar, conversar por alguns instantes –– mesmo assim, ainda assim, esses dois seres acabariam apenas gastando saliva, quem sabe brigando feio, indo às vias de fato! Supondo que se concedesse ainda o fato de ambos estarem munidos da idéia perfeita e entrarem em harmonia absoluta entre si, ainda assim eles se esfumariam de sua sala metafísica logo após este evento único da ‘pós-História universal hegeliana’ e não poderiam contar as novas para a humanidade – QUE PENA! Não estava na lista das coisas que as Parcas coseriam, definitivamente… Não, o jogo do filosofar é infinito, e Platão o sabia.

A forma ansiosa do filósofo é como ele se apresenta externamente, no mundo das aparências. O “ser” do filósofo é o anti-ansioso por excelência: ele não quer se apressar a um fim, a conclusões, ele aproveita as raquetadas do jogo! Legislador ou não (de toda forma no capitalismo é impossível), o filósofo sempre foi e sempre será pelo menos o que hoje se convenciona chamar de artista em sua arte do filosofar… É sem dúvida um jogo que se joga a sua maneira, mas essa maneira, essas regras, são idênticas para todo filósofo sério, que joga. E ainda há espaço de sobra para idiossincrasias nesses torneios e nessas justas: Roger Federer, Nadal, Sampras, Rod Laver, Borg, John McEnroe, todos eles tinham suas técnicas e estilos bem diferentes, embora compartilhassem um mesmo fim enquanto dentro da quadra… Como tenista metafísico, Hegel é um menino mimado que perde para o paredão, seu único adversário. Como poderia ele superar Platão só de boca, sem experimentar jogar contra ele? O engraçado é que os piores filósofos foram os únicos que tiveram match points. Todos perderam, entretanto…

É preciso imaginar um jogo de reflexão cansativo, mas em que a massagem poderia nos restituir à partida, sem que jamais abandonássemos o confronto… Seria este o Sísifo contente que Camus figurou?! E mesmo ele passou o jogo inteiro pensando que o principal era definir se desistia ou não…

Falando em existencialistas, esse podia muito bem ser o parágrafo que inspirou Sartre a intitular sua magnum opus: “La opinión [quando, na história da metafísica, a metafísica essencial começa a ficar chata, e o tenista prefere se desconectar do jogo, dar uma viajada, i.e., dar maior peso às aparências] es, por tanto, lo intermedio entre la ignorancia y la ciencia [o impossível] y su contenido una mezcla del ser y la nada.” Chamemos esse tênis espiritual de LIMBOBOL! Seria, para continuar nesta alegoria que acabo de inventar, como se alguém da arquibancada se levantasse e desafiasse um tenista profissional – e para calamidade de todos conseguisse fazer frente a ele, por um set inteiro! Filosofar com opiniões… Uma tarde (Zeitgeist) bem atípica, daquelas de que se poderá dizer: há tempo e lugar para tudo nesse mundo ao menos uma vez…

Pensamento único como lobby único do jogador! Você pode até ter e tentar outros, mas é aquele que o levará mais longe, e entrará para a história como sua marca registrada

el Menón, donde afirma (pp. 81, 84 Steph.; pp. 349, 355-356 Bekk.) que, en rigor, no puede aprenderse nada, sino que el aprender es siempre, simplemente, recordar lo que ya sabíamos, sin que la perplejidad en que la conciencia se ve sea otra cosa que el excitante para ello.”

HEGEL NÃO ENTENDEU QUE A REMINISCÊNCIA É OUTRA FIGURA DE LINGUAGEM PLATÔNICA (de todo modo, não seria tabula rasa, mas tabula funda, assim como a intelecção em Kant): “Esta relación puramente externa, en que el alma aparece como tabula rasa, algo así como el proceso de vida, en que se representa el crecimiento por incorporación de nuevas partículas, es algo muerto y no cuadra a la naturaleza del espíritu, que es subjetividad, unidad, ser cabe sí [Beisich-Sein] y permanencia.”

el aprender es este movimiento, en el que no se incorpora a él nada extraño sino que es su propia esencia la que cobra ser para él o se eleva a su conciencia.”

Claro está que la palabra ‘recuerdo’(*) es, en un sentido, una expresión poco afortunada:¹ concretamente, en el sentido en que alude a la reproducción de una representación que se ha tenido ya en otro tiempo

(*) “Hegel analiza aquí el término Erinnerung, que sí tiene el origen que él le atribuye, [o 2º sentido, após o 1º sentido evidenciado nesta passagem, o de mergulhar em si mesmo] implícito también en el prefijo ‘re’ del término castellano [E.].”

¹ É uma expressão muito afortunada, H.!

² Implicações ‘reminiscência – eterno retorno’. Não existe um Espírito que começou ex nihilo e ainda não se desenvolveu completamente. O mundo já é perfeito e tudo é ‘sabido’ no fenômeno, não importa se no ‘passado’ ou no ‘futuro’, já que o tempo em si não existe (apenas para o indivíduo em questão). Só que o indivíduo não é o filósofo, i.e., é só o recipiente carnal do conhecimento filosófico, objetivo, uno.

Sin embargo, no puede negarse que, en Platón, la palabra ‘recuerdo’ presenta con frecuencia el primero de los dos sentidos, o sea el sentido empírico. Ello se debe a que Platón expone, a veces, por vía de representación y de un modo mítico el verdadero concepto de que la conciencia es, en sí misma, el contenido del saber, por donde se presenta precisamente aquí la confusión entre la representación y el concepto a que nos referíamos antes.”

El esclavo hace, simplemente, que la conciencia brote de su interior, como si se limitara a recordar algo que ya sabía y que había olvidado.

Ahora bien, cuando Platón llama recuerdo a este hecho de que la ciencia brote de la conciencia, va implícito en ello el criterio de que este saber tiene que haber existido realmente, alguna vez, en esta conciencia, es decir, de que la conciencia concreta tiene por contenido este saber no solamente en sí, por su esencia, sino también en cuanto tal conciencia concreta, y no como conciencia general. Pero este momento de lo concreto forma simplemente parte de la representación, y el recuerdo no es pensamiento, pues el recuerdo se refiere al hombre como a un éste sensible, no de un modo general.” Hegel se atém a detalhes técnicos de zero importância. E é surpreendente que leve tão a sério o signo lingüístico nesta ocasião, quando constatamos o que escreveu na Enciclopédia (ver post anterior estrelando Derrida)…

Representa, por tanto, aquel ser en sí del espíritu bajo la forma de un ser antes en el tiempo, como si lo verdadero hubiese existido ya para nosotros en un tiempo anterior. Pero, al mismo tiempo, hay que advertir que Platón no presenta esto como una doctrina filosófica, sino bajo la forma de una leyenda recibida por él de algunos sacerdotes y sacerdotisas, es decir, de gentes que conocen lo que es lo divino.

Este mito se desarrolla de un modo brillante en otros diálogos. Es siempre, evidentemente, el mismo sentido usual del recuerdo, según el cual el espíritu del hombre ha visto en el pasado lo que ahora se revela a su conciencia como algo verdadero, que es en y para sí. Pero, aquí, Platón se esfuerza fundamentalmente en demostrar, mediante esta tesis de la reminiscencia, que el espíritu, el alma, el pensamiento son libres en y para sí; y esto, entre los antiguos y principalmente en la representación platónica, guarda una relación directa con lo que nosotros llamamos la inmortalidad del alma.”

En el Fedro (p. 245 Steph.; p. 38 Bekk.) habla Platón de esto, para demostrar que el eros es una divina locura que nos ha sido dada para nuestra mayor dicha. Trátase de un entusiasmo que entraña una poderosa orientación hacia la idea, tan fuerte que lo domina todo: pero no entusiasmo del pecho y de la sensación, no una intuición, sino una conciencia y un saber de lo ideal.”

Para Platón la inmortalidad del alma se halla directa e indisolublemente relacionada con el hecho de que el alma es, de suyo, [cabe sí!] lo pensante; por donde el pensamiento no es una cualidad del alma, sino su sustancia. Ocurre como con el cuerpo, en que la gravedad no es tampoco una cualidad, sino su sustancia: así como el cuerpo deja de existir si se le quita la gravedad, el alma ya no existe cuando cesa en ella el pensamiento.” “Así, la inmortalidad no tiene, en Platón, el interés que tiene para nosotros desde un punto de vista religioso (…) en él, se halla relacionada más bien con la naturaleza del pensamiento, con esta libertad interior del mismo”

Se parece el alma a una fuerza nacida en dos: en un tronco de alígeros caballos y en un cochero.”

Un alma total tiene a su cuidado todo lo inanimado, hace la ronda en todo el cielo y nace en diversas partes con diversas formas visibles. Cuando está en forma perfecta y alada, marcha por las alturas y gobierna todo el universo; mas cuando se le caen las alas, va atraída hasta que se apodere de ella algo sólido. Ahí pone casa, toma térreo cuerpo que parecerá moverse a sí mismo en virtud de la fuerza del alma; a este conjunto total de alma y cuerpo compacto se le dio el nombre de viviente y recibió el apelativo de mortal.”

HEGEL MUTILA PLATÃO PARA SEUS PROPÓSITOS (no self-service, escolhe apenas o que gosta, não o que seria nutritivo): “Es ésta una gran definición de Dios, una gran idea, que no es, por lo demás, otra cosa sino la definición de los tiempos modernos: la identidad de lo subjetivo y lo objetivo, la inseparabilidad de lo ideal y lo real, es decir, concretamente, del alma y el cuerpo.”

Ahora bien, al caer en este estado, el alma conserva un recuerdo de lo que ha visto, y cuando contempla algo bello, justo, etc., se deja arrebatar por el entusiasmo. Las alas recobran su fuerza, y el alma, sobre todo la del filósofo, se acuerda de su estado anterior, en el que no contempló simplemente algo bello, algo justo, etc., sino la belleza y la justicia misma.”

Pero cuando Platón habla de la ciencia como de un recuerdo, lo hace con la conciencia expresa de que esto no pasa de ser símiles y metáforas; no como los teólogos, quienes tomaban muy en serio la pregunta de si el alma habría tenido una existencia anterior a su nacimiento, y dónde. (…) ni se refiere tampoco a una caída de un estado perfecto, como si el hombre hubiese de considerar esta vida como una prisión, etc., sino que lo que Platón expresa como lo verdadero es que la conciencia es en él mismo, en la razón, la esencia y la vida divinas, que el hombre la contempla y conoce en el pensamiento puro y que este conocimiento es, precisamente, esta misma estancia y este mismo movimiento divinos.”

Lo que en el Fedro aparece nítidamente deslindado como mito y como verdad, no aparece del mismo modo en el Fedón, el famoso diálogo en que Platón hace hablar a Sócrates de la inmortalidad del alma. Siempre se ha considerado como algo verdaderamente admirable el hecho de que Platón anude esta investigación a la historia de la muerte de Sócrates.”

al hombre que va a morir es al que mejor que a nadie le cuadra ocuparse de sí mismo en vez de pensar acerca de lo general, de esta certeza de sí mismo, como de un éste concreto, en vez de ocuparse de la verdad. Por eso, aquí vemos cómo se separan menos que en parte alguna los caminos de la representación y del concepto; sin embargo, la representación con que aquí nos encontramos dista mucho de descender hasta ese nivel de tosquedad en que se representa el alma como una cosa y en que se pregunta, como si se tratara, en efecto, de una cosa, por su duración o su existencia.”

una armonía que escuchamos no es otra cosa que un algo general, un algo simple, formado por la unidad de elementos distintos; pero esta armonía se halla vinculada a una cosa sensible y desaparece con ella, como la música de la lira al desaparecer este instrumento. (…) La armonía sensible presenta, además, distintos grados de afinación y, en cambio, la armonía del alma no revela ninguna diferencia cuantitativa.”

Por lo que se refiere ahora a la educación y formación del alma, es éste un punto que guarda relación con lo anterior. Es necesario, sin embargo, no concebir el idealismo de Platón como un idealismo subjetivo, como aquel idealismo malo que, sin duda, se presenta en los tiempos modernos, como si el hombre no fuese capaz de aprender nada ni fuese determinado exteriormente, sino que todas las representaciones emanasen del sujeto.” H. pensa que está se referindo a Kant, mas não está.

Sobre o conteúdo do parágrafo acima referente unicamente à formação do filósofo em Platão: há um Estado em que essa formação é facilitada, mas esse Estado nunca aconteceu historicamente (e não estamos aqui repetindo Platão, afirmando que até sua Atenas isso não ocorrera – estamos dizendo que nenhum Estado-nação moderno o logrou). A República de Platão é este Estado.

Esta noción, según la cual el saber viene íntegramente de fuera, aparece sostenida en los tiempos modernos por ciertos filósofos empíricos completamente abstractos y toscos, quienes han afirmado que todo lo que el hombre sabe de lo divino lo sabe por obra de la educación y del hábito y que el espíritu no es, por tanto, sino una posibilidad totalmente indeterminada. El punto extremo de esto es la doctrina de la revelación, según la cual todo es infundido desde fuera.” Já aqui H. fala de forma tão áspera que só posso imaginar que se refira aos ingleses e escoceses, e não a Kant, sem sequer dar-se ao trabalho de citar nomes!

AUTOJUSTIFICATIVA DE H. SE DECLARAR UM CALVINISTA: “En la religión protestante, no existe esta tosca noción, por lo menos de este modo abstracto; la fe requiere aquí, esencialmente, el testimonio del espíritu, es decir, que el espíritu subjetivo individual, en y para sí, contenga y establezca de suyo esta determinación, que sólo se le inculca bajo la forma de un algo exteriormente dado.”

DE VOLTA AO VII DA REPÚBLICA: “La razón enseña que en cada cual vive la capacidad inmanente de su alma y el órgano por medio del cual aprende. En efecto, como si el ojo sólo fuese capaz de volverse de las sombras a la luz con todo el cuerpo, así debe volverse el hombre con todo el alma de lo que acaece hacia el ser, hasta que sea capaz de resistirlo y contemplar la suprema claridad del ser.”

El equívoco está en que un contenido no es el verdadero por el mero hecho de que se incorpore a nuestro sentimiento. Por eso, la gran enseñanza de Platón consiste en sostener que el contenido sólo se llena a través del pensamiento, puesto que es lo general, que sólo puede captarse mediante la actividad del pensamiento. Este contenido general es precisamente lo que Platón determina como la idea.” Feuerbach se sentiria devastado caso H. fosse vivo e o rebatesse com este parágrafo.

La otra especie, [la de lo pensado en el alma misma] es aquélla en que el alma parte de una hipótesis y recorre el camino hasta un principio libre de toda hipótesis, sin necesitar de las imágenes como en el primer caso y procediendo únicamente mediante las ideas mismas”

Aquellas figuras que los geómetras dibujan y describen y que se reproducen también ya en su sombra ya en las aguas, las emplean como otras tantas imágenes y tratan de conocer por ellas los originales, que sólo pueden ser vistos por medio de la inteligencia.”

mundo verdade, mundo-vedado.

Acima da ciência baconiana, o axioma; acima do axioma, a ontologia sábia.

Conhecimento que necessite e possa ser provado é um degrau muito inferior quando o assunto é Primeira Filosofia. Quando notamos a importância que os geômetras gregos tinham para Platão, notamos por que a matemática não pode ser considerada uma ciência moderna, embora seja o protótipo para todos os campos empíricos da atualidade. Além das formas e figuras abstratas, entretanto, jaz o que só aqueles capacitados para explorar o mundo-verdade podem acessar. É por isto que a comunicação do filósofo, do saber, não existe, a rigor, com os mortais (aprendizes); eles só podem se comunicar entre si, e quem queira se comunicar com eles deve se elevar. O legado deles é meramente para almas gêmeas, nunca para ‘o populacho’. Eles não enriquecem o mundo, quer dizer, pelo menos não diretamente.

ESCADA DO MUNDO-VERDADE À PURA REPRESENTAÇÃO: “— Comprendo algo, pero no lo bastante. Me parece que quieres afirmar que el conocimiento que de los seres inteligibles se adquiere por la dialéctica es más claro que el que se adquiere por medio de aquellas ciencias para las cuales las hipótesis son principios y están obligadas a valerse de la inteligencia y no de los sentidos, pero, como especulan a partir de supuestos y no se elevan hasta el principio absoluto, parece que no se da en ellas el pensamiento que se daría si se tratase de entes pensados según un principio. Me parece que llamas intelectivo al modo de proceder de la geometría y de las ciencias afines a ella, y de tal modo que ocupa un lugar intermedio entre la razón y la representación.

Has comprendido perfectamente mi pensamiento. Con arreglo a estas 4 distinciones, indicaré ahora cuáles son las 4 maneras de comportarse del alma: el pensamiento comprensivo tiende a lo supremo; la inteligencia a lo segundo; lo tercero se llama fe [onde estaria o método científico moderno no nosso esquema], la última es el saber figurado [la opinión]. Ordénalas según su mayor o menor evidencia, según que sus objetos participen más o menos de la verdad.”

Los antiguos daban a la lógica el nombre de dialéctica, cuya incorporación atribuyen expresamente a Platón los antiguos historiadores de la filosofía. No se trata de una dialéctica como la que vimos más arriba, al tratar de los sofistas, que sirva para embrollar todas las representaciones, sino que esta primera rama de la filosofía platónica es la dialéctica que se mueve a través de conceptos puros”

Engraçado como até agora As Leis não estão nem en passant no escopo das lições de H.! P.S.: E realmente ficaram de fora, como se fosse obra não-canônica!

El Timeo completábase con el Critias en el sentido de que mientras el primero trataba del origen especulativo del hombre y de la naturaleza, el Critias pretendía ofrecer la historia ideal de la formación del hombre, una historia filosófica del género humano, que era lo que aspiraba a ser la historia antigua de los atenienses, tal y como se conservaba entre los egipcios; pero sólo la primera parte de este diálogo ha llegado a nosotros. Si a La República y el Timeo añadimos el Parménides, tenemos en estos diálogos juntos, en realidad, todo el cuerpo de la filosofía platónica.”

PREVENÇÕES CONTRA O NIILISMO (Emergindo do reino das sombras): “Por eso Platón, en su República VII, aconseja que los ciudadanos sólo sean admitidos a la dialéctica a los 30 años cumplidos, ya que alguno podría convertir por su medio en algo ignominioso las cosas bellas escuchadas a los maestros.”

DEPOIS QUE O PUPILO JÁ SE ACOSTUMOU À CLARIDADE: “Lo general se determina, por tanto, como aquello en que se disuelven y se han disuelto ya las contradicciones y, por tanto, como lo concreto de suyo; por donde este levantamiento [suspensão] de las contradicciones es lo afirmativo.”

Esta dialéctica especulativa, que arranca de él, es, por tanto, lo más interesante, pero también lo más difícil en las obras de Platón; es, así, lo que generalmente no se llega a conocer cuando se estudian las obras de este autor.” Especulativo é um nome horrível que está manchado, para um processo tão nobre!

SAPO NO TENNEMANN: “Apenas puede concebirse mayor ausencia de espíritu en un historiador de la filosofía, que el no ver, tratándose de una figura tan gigantesca como ésta, sino lo que concuerde con el modo de ver de quien hace la historia.”

La grandeza verdaderamente especulativa de Platón, aquello por lo que hace época en la historia de la filosofía y, por tanto, en la historia universal, consiste en haber determinado y precisado lo que es la idea: este conocimiento estaba llamado, en efecto, a ser, a la vuelta de algunos siglos, el elemento fundamental en la fermentación de la historia universal y en la nueva estructuración del espíritu humano.”

CONSTRUÇÃO DO MUNDO-VERDADE NO SEIO DO MUNDO DAS APARÊNCIAS: “[Platão,] en general, concibe lo absoluto como la unidad del ser y el no-ser en el devenir, según dice Heráclito, como la unidad de lo uno y lo múltiple. Además, Platón incorpora a la dialéctica objetiva de Heráclito la dialéctica eleática, que consiste en la acción exterior del sujeto encaminada a poner de manifiesto la contradicción, de tal modo que la mutabilidad externa de las cosas es sustituida ahora por su trueque interior en sí mismas, es decir, en sus ideas, que son, aquí, sus categorías.” “Los sofistas limítanse a considerar lo fenoménico, cuya sede es la opinión: también ellos toman, pues, como base evidentemente pensamientos, pero no los pensamientos puros o lo que es en y para sí. § Es éste uno de los motivos que hacen que algunos salgan insatisfechos del estudio de las obras platónicas. Cuando comienza uno a leer uno de estos diálogos, encuentra en esta manera libre de expresarse de Platón bellas escenas naturales, una maravillosa introducción que promete guiarnos a la filosofía —a la más alta de todas, a la filosofía platónica— a través de praderas cubiertas de flores. Descubrimos aquí cosas sublimes, cosa de la que gusta siempre mucho la juventud; pero esta primera impresión no tarda en desaparecer.” Hahaha, estranha coincidência com a crítica que Platão põe na boca de Sócrates sobre o nous de Anaxágoras!

al llegar al campo de lo verdaderamente dialéctico y especulativo, el lector tiene que marchar por ásperos y empinados senderos, dejándose pinchar por las espinas de la metafísica.”

De las más profundas investigaciones dialécticas, Platón pasa de nuevo a las representaciones y las imágenes, a la pintura de escenas en que aparecen dialogando unos cuantos hombres sutiles e ingeniosos: tal, por ejemplo, en el Fedón, modernizado por Mendelssohn y convertido en metafísica wolffiana; el comienzo y el final de este diálogo son hermosísimos, sublimes, mientras que en el cuerpo central impera la dialéctica.”

AH, O AGRIDOCE! “Así, pues, para recorrer los diálogos de Platón tienen que darse estados de espíritu muy heterogéneos y quien se entregue al estudio de ellos debe dar pruebas de una gran independencia de espíritu ante los diversos intereses. Quien lea estos diálogos movido exclusivamente por el interés de la especulación, pasará por alto lo que pasa por ser lo más bello; en cambio, quien proceda tan sólo por el interés de elevarse a lo sublime, por motivos edificantes, etc., omitirá lo especulativo, como algo inadecuado a su interés. Le ocurre a uno como a aquel joven de la Biblia que había hecho esto y lo otro y que preguntaba a Cristo qué debía hacer para seguirle. Pero, cuando el Señor le ordenó: despréndete de tus cosas y entrégalas a los pobres, el joven se retiró triste y cariacontecido, pues no era aquello lo que él había creído que debía hacer. Lo mismo les ha ocurrido a muchos con la filosofía: se han dedicado a estudiar a Fries¹ y Dios sabe a quién más. Sienten el pecho rebosante de lo verdadero, lo bueno y lo bello, querrían conocerlo y poder contemplar lo que debe hacer el hombre; pero de lo que su pecho está rebosante es sólo de buena voluntad.”

¹ Figura hoje completamente desconhecida. A não ser por estudos muito detalhistas, como a crítica de Kaufmann ao desastrado Popper! Esse tal Fries era um anti-semita deplorável, como se vê em https://seclusao.art.blog/2021/08/09/the-hegel-myth-and-its-method-ataque-a-popper-kaufmann-1959/.

cuando Platón habla de la justicia, de lo bello, de lo bueno o de lo verdadero, no muestra sus orígenes; esas ideas no aparecen como una conclusión, sino como una premisa directamente establecida.” Com efeito, Platão é tão à frente de seu tempo que hoje só podemos entendê-lo usando filósofos modernos de prefácio!

los diálogos (…) más difíciles de todos: nos referimos al Sofista, al Filebo y, sobre todo, al Parménides. [e não esqueça do Timeu]” “La condensación de las contradicciones en la unidad y la proclamación de esta unidad no aparecen en el Parménides, el cual llega, por tanto, al igual que aquellos otros diálogos, a un resultado más bien negativo. En cambio, esta unidad aparece proclamada claramente en el Sofista y también en el Filebo. § No obstante, la verdadera dialéctica, tal como queda esbozada, se contiene en el Parménides, la más famosa de las obras maestras de la dialéctica platónica.”

PARMÉNIDES: Observo que tú, al igual que Aristóteles, te ejercitas, platicando, en determinar dónde reside la naturaleza de lo bello, de lo justo, de lo bueno y de cada una de estas ideas. Este intento tuyo es bello y divino. Pero procura extenderte y ejercitarte más aún en estos al parecer inútiles juegos de palabras, como las gentes los llaman, mientras seas aún joven, pues de otro modo se te escapará la verdad.

SÓCRATES: ¿En qué consiste esta clase de ejercicios?

PARMÉNIDES: Me gustó ya de ti el que dijeses antes que no se debía uno detener en el examen de lo sensible y de sus ilusiones, sino fijarse en aquello que sólo capta el pensamiento, lo único que es.”

en el devenir se contienen en inseparable unidad el ser y el no ser; y, sin embargo, aparecen aquí, al mismo tiempo, como cosas distintas, pues el devenir sólo existe cuando lo uno se trueca en lo otro.”

O UM É A LUZ (ONDA E PARTÍCULA): “no devir se contêm em inseparável unidade o ser e não-ser; e, no entanto, aparecem aqui, ao mesmo tempo, como coisas distintas, pois o devir só existe quando o um permuta com o outro.”

Hegel se embaralha metendo Deus no bagulho do Um!

O único espelho do mundo é o mundo mesmo.

Portanto, desça do púlpito e volte ao mundo-verdade verdadeiro!

Perceba o que deixaste para trás na primeira olhada abstrato-panorâmica do cenário!

Platón refuta, de este modo, de una parte lo sensible y, de otra parte, las ideas mismas.”

La primera de estas concepciones es la que más tarde se llamará materialismo, a saber: que lo sustancial no es otra cosa que lo corporal y que sólo tiene realidad lo que puede tocarse con las manos, como los árboles y las piedras.” “Lo segundo contra lo que se manifiesta Platón es la dialéctica de los eléatas y su tesis (…) sólo el ser es; el no ser no es, en absoluto.” H. o diz porque não compreendeu Parmênides.

En el Filebo investiga Platón la naturaleza del placer. El problema principal que aquí se plantea es el de la antítesis entre lo infinito y lo finito, o entre lo ilimitado y lo limitativo.” “Lo infinito es lo carente de forma; la forma libre como actividad es lo finito, que encuentra en lo infinito la materia para realizarse. De este modo, Platón determina el placer de los sentidos como lo ilimitado, que no se determina; sólo la razón es la determinación activa.”

Platón maneja, pues, 4 determinaciones: la 1ª es lo ilimitado, lo indeterminado; la 2ª lo limitado, la medida, la proporción, de que forma parte la sabiduría; la 3ª, la mezcla de las 2 anteriores, el producto; la 4ª, la causa. Ésta es, en sí misma, la unidad de lo distinto, la subjetividad, el poder sobre las contradicciones, lo que tiene la fuerza para soportar las contradicciones dentro de sí; sólo lo espiritual tiene esta fuerza para soportar dentro de sí la contradicción, la suprema antítesis: lo corporal débil perece tan pronto se ve abordado por otro factor más fuerte.” Este é realmente o diálogo mais truncado de ler, dentre os não-matemáticos!

Cuando Platón habla, en estos términos, de lo bello y lo bueno, se trata de ideas concretas; o, mejor dicho, de una idea solamente. Pero, para llegar a estas ideas concretas, hay todavía un gran trecho que recorrer, si arrancamos de abstracciones tales como el ser, el no-ser, la unidad, la pluralidad. Ahora bien, aunque Platón no desarrolle estos pensamientos abstractos, devanando la madeja [o emaranhado] más y más hasta llegar a la belleza, la verdad y la moralidad, ya en el conocimiento de aquellas determinaciones abstractas se contienen, por lo menos, el criterio y la fuente de lo concreto. § El Filebo nos ofrece, pues, esta transición a lo concreto, al exponerse aquí el principio de la sensación, el principio del placer.” Esclarecimentos paupérrimos de sua parte, H.. Aposto que encontrá-los-ei aperfeiçoados nos comentários de minha própria tradução ao Filebo de janeiro do ano passado! Cf. https://seclusao.art.blog/2020/01/07/filebo-ou-dos-prazeres-da-inteligencia-e-do-bem/

Mucho fue lo que Platón tomó de los pitagóricos, aunque no sea posible discernir hoy, exactamente, cuánto pertenece a sus predecesores y cuánto fue puesto por él de su propia cosecha. Ya hubimos de observar que el Timeo es, en rigor, la refundición de una obra compuesta por un pitagórico. Es cierto que algunos intérpretes excesivamente agudos han dicho que este diálogo es sólo un extracto hecho por un pitagórico de una obra más extensa de Platón; pero la primera hipótesis es la más probable. § El Timeo ha sido considerado siempre como el más difícil y oscuro de los diálogos platónicos. Sus dificultades y oscuridades estriban, en parte, en la mescolanza externa, ya observada, del conocer comprensivo y el representarse, y en seguida veremos cómo se mezclan en el diálogo los números pitagóricos” “lo que en seguida llama nuestra atención es que Platón interrumpa varias veces el hilo de su exposición y, a veces, parezca volver atrás y empezar de nuevo por el principio. Esto ha movido a ciertos críticos, por ejemplo al mismo Augusto Wolf y a otros que no saben abordar el problema filosóficamente, a ver en el Timeo un conglomerado y una compilación de fragmentos o de varias obras distintas, compaginadas tan sólo desde un punto de vista externo, o donde aparecen incorporados a la obra platónica muchos elementos extraños.” “Sin embargo, aunque la ilación de la obra no sea muy metódica (y el propio Platón da, de vez en cuando, disculpas al lector por estas complicaciones), hemos de ver, en su conjunto, cómo el desarrollo del tema sigue, aquí, un curso necesario y cuál es el profundo fundamento interior que impone, varias veces, el retorno al punto de partida.”

AFUNDA DO NADA NA TEOLOGIA / A FUNDA NO NADA DA TEOLOGIA (Prepare-se para imergir na floresta amazônica de citações verdes por um tempo)! “Eso de que Dios no conoce la envidia es, evidentemente, un pensamiento grande, bello, verdadero y candoroso.” “El pensamiento platónico, en este punto, raya a mayor altura que la concepción de la mayoría de los pensadores modernos, quienes, al decir que Dios es un Dios abscóndito, un Dios no revelado, del cual, por tanto, no es posible saber nada, atribuyen también a la divinidad el atributo de la envidia.” “Pero esta humildad es un crimen y un pecado contra el Espíritu Santo.”

“‘Como el universo había de ser corpóreo, visible y tangible, y sin fuego no es posible ver nada, ni sin algo sólido, sin tierra, no es posible tocar nada, Dios creó antes de nada el fuego y la tierra.’ Véase de qué modo tan simplista introduce Platón estos extremos de lo sólido y lo animado. ‘Pero dos cosas solas no pueden unirse sin una tercera, sino que tiene que existir un nexo entre ellas que las mantenga en cohesión’—es ésta una de las expresiones puras de Platón—; ‘ahora bien, el más bello de los nexos es aquel que se convierte en suprema unidad a sí mismo y, con él, a lo que mantiene unido.’ Es éste un juicio muy profundo, en el que va implícito el concepto; el nexo es lo subjetivo, lo individual, el poder que trasciende sobre lo otro y se identifica con ello.” Ok, me lembrem depois que nunca mais devo usar H. como guia de leitura novamente! De fato, H. emulará esse estilo por toda sua obra clássica que publicou em vida…

Al convertirse la del centro en la primera y en la última y la última y la primera, a su vez, ambas en centrales, tendremos que todas ellas son necesariamente la misma; ahora bien, si se convierten en la misma, todas ellas serán una.” Ok, hora de ir para o quarto!

Esta dirección de que Platón parte es una conclusión que conocemos de la lógica; se presenta bajo la forma de un silogismo corriente, pero en el que se contiene, por lo menos externamente, toda la racionalidad de la idea.”

HEGELICES & CABALAGENS, CABALICES & HEGELAGENS: “Es ilícito,¹ por tanto, hablar mal de la conclusión y no reconocerla como la forma absoluta suprema;² en cambio, hay razón para rechazar la conclusión intelectiva.³”

¹ E vai fazer o quê, me prender?

² Esse é o tipo de coisa que fazia de H. um priápico de primeira linha!

³ H. sempre refuta (simplesmente alega que é ilícito) tudo aquilo que não pode acoplar a seu sisteminha ESTATAL…

ZZZZZZZ: “Es así como los Padres de la Iglesia descubren en Platón la idea de la Trinidad, que se esfuerzan en captar por medio del pensamiento y en probarla; en realidad, la verdad responde, en Platón, a la misma determinación que la Trinidad. Pero, desde Platón, estas formas permanecieron baldías por espacio de 2 mil años, pues no se incorporaron a la religión cristiana como pensamientos; más aún, se las vio como nociones recibidas sin razón alguna, hasta que en estos últimos tiempos se ha comenzado a comprender que en estas determinaciones se encierra un concepto y que de este modo es posible llegar a conocer la naturaleza y el espíritu.” “y el número 4, que aquí aparece, es un número fundamental en la naturaleza.”

Podríamos, pues, poner de manifiesto en estas representaciones la confusión en que Platón incurre; pero no es eso lo que interesa aquí, sino simplemente hacer ver qué es lo que él reputa como lo verdadero.” Sí, pues lo que interesa acá es refrendar mi punto de vista!

Cuando nosotros decimos: ‘Dios, lo absoluto, es la identidad de lo idéntico y de lo no idéntico’, hay quien pone el grito en el cielo clamando ¡barbarie!, ¡escolasticismo! Gentes que hablan en este tono tan despectivo son capaces de poner por las nubes a Platón; y, sin embargo, éste determina del mismo modo lo verdadero.”

Dios, mezclando lo idéntico y lo otro con la esencia y haciendo de los tres uno, divide de nuevo este todo en partes, en tantas como juzga conveniente.”

Ahora bien, el modo de clasificación de esta subjetividad contiene los famosos números platónicos, cuyos orígenes han de buscarse, sin duda alguna, en los pitagóricos, en torno a los cuales han desplegado grandes esfuerzos los pensadores antiguos y los modernos e incluso el propio Keplero, en su Harmonía mundi, pero sin que nadie llegase a comprenderlos exactamente.” Convenhamos: nem os pitagóricos entendiam a si mesmos, trabalho inútil aqui!

El estudio más a fondo que acerca de él poseemos es el de Böckh, Über die Bildung der Weltseele im Timäos des Platón, que figura en el tomo tercero de las investigaciones de Daub y Creuzer (pp. 66ss ).” NÃO, OBRIGADO.

pasamos por alto, aquí, cómo determina las figuras de los elementos y las combinaciones de los triángulos” Agradecido!

Se ha querido hacer de Platón el santo patrono de los estados de entusiasmo y arrobamiento; pero ello es, como vemos, completamente falso.” Platão atribui as adivinhações e as profecias apenas à parte ‘má’ do organismo, a jocosa, a excretória, particularmente o fígado, na anatomia de seu tempo; daí a fascinação da consulta às vísceras de animais, entre os antigos, e, em todos os tempos, a fascinação pelos padrões aleatórios e gesltálticos (mais propriamente falta de qualquer padrão) das borras do café, etc.

(RE)VOLTANDO À REPÚBLICA: “y reconocía y proclamaba que la naturaleza moral (la libre voluntad en su carácter racional) sólo podía llegar a imponer sus derechos y cobrar realidad dentro de un verdadero pueblo.” O qual ainda não presenciamos na Terra.

Obviamente, aqui começa a exposição a dos erros de H. a olho nu, confundindo eternamente cultura e natureza, principalmente o estado de natureza ou direito natural, concepções arbitrárias e no entanto universais no tempo de H.. Naturalizando (fetichizando, Marx) o Estado jurídico-moderno, imaginando a natureza enquanto oposto da cultura letrada e filistéia exatamente como esse puro arbitrário e negativo pertencente aos primórdios do homem (sempre uma inferência nesses autores, sem qualquer base) que em realidade já vemos hoje como o próprio jogo de forças inútil e paralisante dos Estados-nações. H. serve no máximo como cura de um ultra-romantismo desenvolvido após a leitura descuidada de Rousseau, mas sua Teoria do Estado chega a ser tão fabulosa quanto qualquer outra meta-narrativa antitética do período.

Estamos acostumbrados a partir de la ficción de un estado natural, el cual no es, en realidad, un estado del espíritu, de la voluntad racional, sino de los animales entre sí. Por eso Hobbes observaba, con razón, que el verdadero estado de naturaleza es la guerra de todos contra todos.” Como pode demonstrar tamanha lucidez ao mesmo tempo em que diz que o que vê (um número 4 gigantesco!) é tudo menos aquilo que vê (um 5 indesmentível)?!? Pois é isso que Hegel faz nessa passagem: reconhece que o estado natural é mero folclore, mas dá razão ao folclorista Hobbes! Animais não vivem em guerra; a cadeia alimentar não pode ser comparada ao instituto-cultura humano(a) do conflito organizado. Essa analogia é desastrosa. Nada há de qualitativamente diferente entre o homem pré-histórico e nós. A estrondosa ingenuidade hegeliana se torna mais palpável quando se percebe seus 2 componentes principais: um biologismo rústico aplicado a um humanismo muito mal-concebido e distorcido (excessivamente confiante no Direito, no direito burguês, que é o mesmo que cria a ilusão do indivíduo livre, que ele tanto ataca como concepção desviante da legitimidade coletiva do Estado!), posto que estruturado à imagem e semelhança daquele primeiro, ainda que, nas piruetas sucessivamente negadoras do ‘Espírito’, pareça sua brilhante correção, i.e., o contrário.

Por eso se ha formulado acerca de La República de Platón el juicio de que su autor traza en ella el llamado ideal de una constitución política, que queda luego como un sobrenombre proverbial, en el sentido de que esta concepción no pasa de ser una quimera, que puede, sin duda, pensarse y que sería también, tal como Platón la describe, excelente y verdadera, e incluso realizable, pero sólo a condición de que los hombres fuesen excelentes, como tal vez puedan serlo en la luna, pero no como son los de la tierra, con respecto a los cuales es irrealizable.” Esse juízo de H. é correto: realmente é assim que a República é vista genericamente; e claro está que não pode ser chamado de um tratado político (empírico), muito menos ainda de uma projeção de um ESTADO IDEAL! Esse é, porém, um preconceito entranhado demais para se desfazer a essa altura. Enxergá-lo como um tratado ético do e para o filósofo, sem para isso tocar em nada que seja do Estado, é o mais raro entre nós.

HEGEL MIRAVA NOUTRO ALVO QUANDO ACERTOU COM A DESCRIÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA ATUAIS: “Aunque este tipo de hombre se dé en los monjes o en los cuáqueros o en otras gentes piadosas por el estilo, un puñado de hombres de éstos jamás sumará un pueblo, del mismo modo que los piojos o las plantas parasitarias no pueden existir por sí solos, sino solamente adheridos a un cuerpo orgánico. Si tales gentes constituyeran un pueblo, se acabarían esa mansedumbre de cordero, esa vanidad que no sabe ocuparse más que de la propia persona y del cuidado de ella, teniendo siempre delante la imagen y la conciencia de su propia bondad.”

Por consiguiente, La República de Platón sería una quimera, no porque la humanidad no fuese demasiado buena para ella, sino porque esta bondad de los hombres sería excesivamente mala para ese ideal.” “La superficie de lo moral, la conducta de los hombres, deja mucho que desear, mucho en ella podría ser mejor; los hombres serán siempre viciosos y corrompidos, pero eso no es la idea.” “Lo temporal, lo perecedero, existe, indudablemente, y no cabe duda de que puede ser fuente de grandes problemas y dificultades; pero, a pesar de ello, no se trata de una verdadera realidad, como no lo son tampoco la particularidad del sujeto, sus deseos y sus inclinaciones.”

Por lo que a esta observación se refiere, debe tenerse presente la diferencia que más arriba señalábamos, [incrivelmente parece que não foi uma total perda de tempo toda aquela exposição do Timeu!] al tratar de la filosofía platónica de la naturaleza: el mundo eterno, como el Dios bienaventurado en sí, es la realidad, no en el más allá, no en la otra vida, sino en el mundo presente considerado en su verdad, y no del modo que se ofrece a los sentidos de quienes lo ven, lo escuchan, etc. Si consideramos así el contenido de la idea platónica, veremos que Platón expone, en realidad, la moralidad de los griegos en su modo sustancial, pues es la vida del Estado griego¹ y no otra lo que forma el verdadero contenido de La República de Platón. Platón no es hombre que se pierda en teorías y principios abstractos; su espíritu verdadero sabe reconocer y exponer lo verdadero.”

¹ Só um ligeiro corretivo: a vida dos espartanos, no máximo.

Nadie puede saltar por encima de su tiempo; el espíritu de su tiempo es también su espíritu; pero de lo que se trata es de reconocerlo con arreglo a su contenido.”

Los hombres no permanecen tal y como son, sino que cambian, se hacen de otro modo: y lo mismo acontece con sus constituciones; se trata de saber cuál es la verdadera constitución que se debe dar a un pueblo, como se trata, en otro orden de cosas, de saber cuál es la verdadera ciencia de la matemática u otra cualquiera, y no de si los niños o los muchachos deben poseer ahora esta ciencia, ya que antes de nada es necesario educarlos para que sean capaces de asimilársela.

Así, pues, el pueblo histórico hace surgir siempre la verdadera constitución, la que cuadra a sus necesidades. Con el transcurso del tiempo todo pueblo tiene que someter su constitución vigente a los cambios necesarios para ponerla cada vez más a tono con la verdadera.”

Cuando el en sí, que la constitución le presenta como verdadero, ya no es verdad, cuando son distintos su conciencia o el concepto y su realidad, el espíritu del pueblo se convierte en una esencia desgarrada y dividida. Pueden, entonces, ocurrir 2 cosas: o que el pueblo rompa, con una explosión interior y más poderosa, este derecho que se empeña en seguir rigiendo o que vaya modificando, tranquila y lentamente, el derecho, la ley vigente, cuando dejan de corresponder a la verdadera costumbre, cuando el espíritu se sale ya de sus marcos. O bien que no tenga la inteligencia y la fuerza necesarios para ello, sino que siga ateniéndose a la ley inferior, o que otro pueblo haya alcanzado una constitución superior, haciéndose con ello un pueblo mejor, en cuyo caso aquél dejará de ser un pueblo y tendrá, necesariamente, que sucumbir ante éste.” Torçamos para que o Brasil (um não-povo) seja anexado por um povo melhor! Aqui temos que relativizar qualquer implicação de “destino manifesto” do historicismo hegeliano…

las instituciones desaparecen, se pierden, no se sabe cómo: cada cual se resigna a la suerte de ver cómo se pierden sus derechos. Y el gobierno debe saber cuándo ha llegado ese momento; si, ignorando lo que es la verdad, se aferra a las instituciones temporales, si toma bajo su protección lo que rige de un modo no esencial frente a lo esencial (y lo que esto es va implícito en la idea), llegará un momento en que caerá bajo los embates incontenibles del espíritu, y la desintegración del gobierno hace que se desintegre el propio pueblo: surge un nuevo gobierno, o bien se imponen el gobierno anterior y lo no esencial.”

La determinación que se enfrenta a esta actitud sustancial de los individuos ante la costumbre es la libre voluntad subjetiva de los individuos, la ética, es decir, el que los individuos no obren movidos del respeto y el temor a las instituciones del Estado, de la patria, sino por su propia convicción, adoptando una decisión, después de haber meditado éticamente, y obrando en consecuencia.”

Pues bien, Platón supo captar y concebir el verdadero espíritu de su mundo y desarrollarlo con arreglo al preciso criterio de hacer imposible este nuevo principio en su República. Platón abraza, pues, un punto de vista sustancial, en cuanto toma como base lo sustancial de su tiempo; sin embargo, ese punto de vista sólo es relativamente sustancial, ya que es solamente un punto de vista griego y el principio posterior es conscientemente postergado.” Indefinidamente.

Platón no predica moral; limítase a poner de relieve cómo lo moral arraigado en las costumbres vive y se mueve dentro de sí mismo; pone de manifiesto, por tanto, sus funciones, sus entrañas.”

Enumera 3 estamentos: a) el de los gobernantes, los sabios, los instruidos; b) el de los guerreros; c) el de los que se dedican a satisfacer las necesidades, o sean los agricultores y los artesanos.”

Al primer estamento da también Platón el nombre de los guardianes; son los estadistas, de formación esencialmente filosófica, los depositarios y poseedores de la verdadera ciencia; los guerreros aparecen a su lado como ejercicio [exército?], pero de tal modo que no se separen el estamento civil y el militar, sino que ambos aparezcan unidos, siendo los guardianes los más antiguos.” Raro caso em que um militar se torna algo melhor no futuro, e não o contrário, pois bate continência ao seu superior!

En seguida, Platón pasa a exponer una serie de normas de detalle, algunas de ellas bastante mezquinas y de las que habría sido mejor que hubiese prescindido: así, por ejemplo, establece incluso títulos especiales para el primer estamento, habla de cómo deben comportarse las amas, etc.” Ora, Hegel! Mas este é o espírito grego – o que você queria que ele descrevesse? Comércio exterior? Vida monacal? Também não sei sobre a Prússia dos 1700, mas até para o proto-feminista Platão as amas deveriam ser educadas como qualquer outro cidadão!

DAS QUATRO VIRTUDES

A primeira virtude da República, obviamente: a sabedoria, monopólio da minoria no píncaro da formação estratificada.

La segunda virtud es la valentía, que es, según la define Platón, la firmeza en la afirmación de las opiniones justas y conformes a la ley, sin dejarse llevar de ninguna clase de temores y sin que el fuerte ánimo vacile por las sugestiones de los apetitos o los placeres. Esta virtud es la que corresponde al estamento de los guerreros.” Fecho do Laques, que havia chegado apenas a uma conclusão negativa, no senso hegeliano.

la templenza [ou terceira virtude] (…) es, además, en rigor, la virtud propia del tercer estamento, del que tiene por cometido satisfacer las necesidades materiales y realizar el trabajo necesario para ello, si bien a primera vista no parece ser la virtud propia de este estamento.” “Pues bien, el trabajo es precisamente este momento de la actividad limitada a lo individual, pero que se retrotrae a lo general y tiende a ello. Por tanto, aunque también esta virtud sea general, tiene su campo especial de acción en el tercer estamento, en el cual sólo debe reinar, de momento, la armonía, aun cuando no se manifieste en él la armonía absoluta que los demás estamentos llevan de suyo.”

La cuarta y última virtud es la justicia, en torno a la cual gira todo desde un principio. En el Estado, esta virtud consiste (como honradez) en que cada uno se preocupe solamente de una cosa, que se refiere al Estado, para lo que le haga especialmente apto su naturaleza, de tal modo que cada cual se dedique, no a muchas cosas, sino a las que a él le competen: jóvenes y viejos, muchachos y mujeres, libres y esclavos, artesanos, autoridades y gobernados.” “es ella, la justicia, la que infunde a las otras 3, a la templanza, a la valentía y a la sabiduría la fuerza necesaria para que existan y puedan mantenerse.” Sabedoria não é nada sem valentia. Valentia não é nada sem temperança. E temperança não é nada sem justiça.

De donde se deduce, en segundo lugar, que Platón no entiende por justicia precisamente el derecho de propiedad, como suele entenderse en la jurisprudencia, sino el estado en que el espíritu, en su totalidad, impone su derecho como la existencia de su libertad.”

Donde se deduz, em 2º lugar, que Platão não entende por justiça precisamente o direito de propriedade, como sói se entender na jurisprudência, senão o estado em que o espírito, em sua totalidade, impõe seu direito como a existência de sua liberdade.”

Es cierto que también en él nos encontramos con leyes acerca de la propiedad, de la policía, etc.; ‘pero no vale la pena prescribir leyes acerca de esto a hombres bellos y nobles’. Y, en realidad, ¿cómo descubrir leyes divinas acerca de esto allí donde la materia no contiene en sí más que contingencias?”

No momento em que é preciso começar a ensinar que não se devem cometer homicídios, já não há nobreza e justiça no coração dos homens. No momento em que se codificam as horas de lazer e as vestimentas, já nada há. Nem mesmo merece-se o qualificativo de escravo nessa situação.

¿no se inflama inmediatamente su cólera y no se pone al lado de lo que cree ser justo? Y por más hambre, frío o cualquier otro mal trato que haya de padecer, todo lo padece y no cesa en sus nobles esfuerzos hasta que ha obtenido satisfacción o ha encontrado la muerte, o la razón, siempre presente en nosotros, le ha apaciguado como un pastor tranquiliza a su perro.”

La cólera corresponde al estamento de los valientes defensores del Estado: cuando éstos, para defender la razón del Estado, echan mano de las armas, la cólera asiste a la razón, siempre y cuando que no se halle corrompida por una mala educación.”

Tal es, pues, el modo como Platón presenta la disposición del conjunto; el modo como la desarrolla es, simplemente, un detalle carente de interés.”

¿cómo consigue Platón que cada cual haga su propio ser del asunto que le está destinado y que este asunto se convierta en la actividad y la voluntad morales de los individuos todos; que cada cual abrace, con arreglo a la templanza, el puesto que le corresponde?

Lo fundamental es educar a los individuos para ello. Platón aspira a producir esta costumbre directamente en los individuos y sobre todo en los guardianes, cuya formación es, por tanto, la parte más importante y la base de todo. Estando encomendado a los guardianes precisamente el cuidado de producir esta costumbre mediante la conservación de las leyes, éstas deben preocuparse también, muy especialmente, de la educación de los gobernantes, así como de la de los guerreros. En cambio, al Estado no le preocupa gran cosa lo que ocurra en el estamento de la industria, ‘pues no es ninguna desgracia para el Estado el que los zapateros remendones sean malos y corrompidos y sólo aparenten lo que debieran ser, en realidad’.”

* * *

En aquel tiempo se empezaba ya, en efecto, a tomar en serio lo relacionado con la fe en Júpiter y en las historias homéricas”

En una determinada fase de la formación del hombre son inocuas las fábulas infantiles; pero cuando se trata de hacer de ellas la base de la verdad de lo moral, de tomarlas por leyes actuales —como ocurre en los escritos de los israelitas, en el Antiguo Testamento, en la exterminación de los pueblos como pauta del derecho de gentes, en las innumerables infamias cometidas por David, el hombre de Dios, y en las crueldades que el sacerdocio perpetra y hace valer a través de Samuel contra Saúl—, entonces, ha llegado el momento de reducir esas fábulas al papel de algo pasado, de rebajarlas al nivel de algo puramente histórico.”

Em uma determinada fase da formação do homem são inócuas as fábulas infantis; mas quando se trata de fazer delas a base da verdade do moral, de tomá-las por leis atuais – como ocorre nos escritos dos israelitas, no Antigo Testamento, na exterminação dos povos como pauta do direito das gentes, nas inumeráveis infâmias cometidas por Davi, o homem de Deus, e nas crueldades que o sacerdócio perpetra e faz valer através de Samuel contra Saul –, aí então é chegado o momento de reduzir essas fábulas ao papel de algo passado, de rebaixá-las ao nível de algo puramente histórico.”

Las costumbres no deben ser independientes de las instituciones; es decir, las instituciones no deben dirigirse simplemente a las costumbres por medio de establecimientos educativos, de la religión, etc. Las instituciones deben considerarse como lo primordial, como aquello que hace nacer las costumbres, ya que éstas no son sino el modo como cobran las instituciones una existencia subjetiva. El propio Platón da a entender hasta qué punto espera encontrar contradictores. Y todavía hoy se suele encontrar como defecto suyo el de ser demasiado idealista: sin embargo, si algún defecto cabe encontrarle es, cabalmente, el de no ser lo bastante idealista.” O que Hegel quer dizer é: Platão tem consciência de que nenhum Estado subsiste historicamente desta forma pela eternidade; há um apogeu, e há uma decadência, por mais que se tente preservar os costumes mediante as instituições, e as instituições espelhadas nos costumes.

así, se limita a considerar cuál es la mejor organización del Estado, sin preocuparse en lo más mínimo de la individualidad subjetiva.”

Platón no permite al individuo elegir un estamento, cosa que para nosotros es un postulado inseparable de la libertad. No es, sin embargo, el nacimiento lo que separa entre sí los estamentos y destina a ellos a los individuos: cada cual es examinado por los regentes del Estado, como los más viejos del primer estamento, que son los encargados de educar a los individuos y, según sus dotes y aptitudes naturales, aquéllos se encargan de hacer la selección y clasificación correspondiente, asignando a cada individuo al estamento que, a su juicio, le corresponda. (Rep. III)”

Como no sirves para nada mejor, te dedicarás a la profesión de artesano.” (guardião)

Me dedicaré a estudiar.” (pensamento – e liberdade subjetiva – moderno(a))

SEMPRE ESSA PATACOADA LIBERALÓIDE: “No se nos dice, sin embargo, cómo en el desarrollo de la industria tendrán los hombres un incentivo que los mueva a desplegar sus actividades si se les priva de toda esperanza de llegar a adquirir una propiedad privada, toda vez que el hecho de ser una persona activa y laboriosa lleva ya implícita mi aptitud para adquirir propiedad.”

Por la misma razón, declara Platón abolido, por último, el matrimonio, por ser una unión en que una persona de un sexo se entrega a otra del sexo contrario en permanente vinculación, y ésta a aquélla, incluso al margen de las relaciones puramente naturales. Platón no permite que en su Estado se manifieste la vida familiar—peculiar institución en que la familia es considerada como un todo—, pues la familia no es sino la personalidad ampliada

Platón (…) hace que el Estado arrebate a las madres sus hijos inmediatamente después de nacer, los reúna en un establecimiento especial, los nutra por medio de amas salidas de entre las madres que acaban de dar a luz, y los someta a una educación común, de tal modo que ninguna madre pueda reconocer a su propio hijo.”

La mujer, cuyo destino esencial es la vida de familia, carece aquí de este terreno natural para desenvolverse. Resultado de ello, en La República platónica, es que, al ser abolida la familia y no pertenecer las mujeres a la casa, éstas dejen de ser personas privadas y se vean enteramente equiparadas al hombre como el individuo general dentro del Estado.”

SIM & NÃO: “Lo opuesto al principio platónico es el principio de la libre y consciente voluntad del individuo, principio que más tarde habría de colocarse a la cabeza con Rousseau, y según el cual la libre voluntad del individuo como tal, su afirmación, es algo necesario.”

lo que es bello en lo sensible es precisamente espiritual. Tal es, en efecto, su idea estética, como su idea en general. Así como la esencia y la verdad de lo que se manifiesta es la idea en general, así también la verdad de lo bello en sus manifestaciones es, precisamente, esta idea.”

Pero este algo general no conserva tampoco la forma de la generalidad, sino que lo general es el contenido que tiene como forma el modo sensible; y en esto precisamente estriba la determinación de lo bello. En la ciencia, lo general asume de nuevo la forma de lo general o del concepto; lo bello, en cambio, se presenta como una cosa real o como una representación en forma de lenguaje, qué es el modo en que lo real vive en el espíritu. La naturaleza, la esencia y el contenido de lo bello sólo pueden ser conocidos y enjuiciados por la razón, pues se trata del mismo contenido que tiene la filosofía. Pero, como la razón en lo bello [o a priori] se manifiesta también de un modo real, [no fenômeno] tenemos que también lo bello cae bajo el prisma del conocimiento. [sensibilidade]” Só repisa Kant e Schopenhauer com palavras do seu sistema, ou seja, está correto aqui!

Con lo dicho, queda expuesto el contenido fundamental de la filosofía platónica. El punto de vista de Platón es éste: en primer lugar, aparece la forma fortuita del diálogo, en el que aparecen hablando unos cuantos hombres nobles y libres, sin otro interés que el de la vida espiritual de la teoría; en segundo lugar, a medida que van ahondando en el contenido, descubren los más profundos conceptos y los más bellos pensamientos, como piedras preciosas con que se tropezase, no digamos en un desierto, pero sí, desde luego, en un camino seco y pedregoso; en tercer lugar, no encontraremos aquí ninguna conexión sistemática, aunque todo emane y fluya de un solo interés” Hegel ainda nos dá mais duas etapas, mas elas não nos interessam.

Nos separamos, con esto, de Platón, a quien abandona uno, en verdad, de mala gana. Al pasar a su discípulo Aristóteles nos gana aún más la preocupación de tener que ser demasiado prolijos, pues no en vano se trata de uno de los más ricos y profundos genios científicos que jamás hayan existido: un hombre que nunca ha podido ser igualado.”

Tendremos, por fuerza, que limitarnos a dar una noción general de su filosofía y señalar solamente, de un modo especial, hasta qué punto su filosofía desarrolló y llevó adelante la obra iniciada por el principio platónico, tanto en lo tocante a la profundidad de las ideas como en lo que se refiere a su extensión”

Sin embargo, aunque el sistema de Aristóteles no aparezca como desarrollado en sus partes partiendo del concepto mismo, sino que las partes se presentan las unas al lado de las otras, no cabe duda de que forman una totalidad de filosofía esencialmente especulativa.” E aí está seu maior defeito, que culmina em você.

Una razón para ser prolijo, tratándose de Aristóteles, la tenemos en que ningún otro filósofo ha sido objeto de tanta injusticia por parte de las tradiciones totalmente huérfanas de pensamiento que se mantuvieron al margen de su filosofía y que todavía se hallan a la orden del día hoy, a pesar de haber sido este pensador, durante largos siglos, el maestro de todos los filósofos.” “Y, mientras que a Platón se le lee mucho, el tesoro de la obra aristotélica permaneció poco menos que ignorado a lo largo de los siglos, hasta llegar a los tiempos más recientes, reinando en torno a él los más falsos prejuicios.” Totalmente ao revés! A Escolástica bebeu de Aristóteles; Platão era um anexo turvo para todo um milênio!

Es, por ejemplo, una opinión muy generalizada la de que la filosofía aristotélica y la platónica se enfrentan y oponen la una a la otra, concibiéndose ésta como basada en el idealismo y aquélla, por el contrario, como construida sobre el realismo, el realismo más trillado y trivial.Opinião generalizada corretíssima!

en Aristóteles, el alma es una tabula rasa, que recibe pasivamente sus determinaciones del mundo exterior: la filosofía aristotélica es, por tanto, empirismo, un lockeanismo

A los 17 años de edad, se trasladó Aristóteles a Atenas, donde permaneció por espacio de 20, en contacto con Platón. Tuvo, pues, la más propicia de las ocasiones para poder estudiar la filosofía platónica en sus propias fuentes. No importa que alguien diga que no acertó a entenderla”

Hermias, príncipe independiente, fue sojuzgado por un sátrapa persa, siguiendo la suerte de tantos otros príncipes absolutos y de tantas repúblicas griegas del Asia Menor; y no paró ahí su mala fortuna, pues fue enviado en calidad de prisionero a Jerjes, quien, sin más contemplaciones, lo mandó crucificar. Para no exponerse a una suerte semejante, Aristóteles huyó de aquellas tierras en unión de Pitias, una hija de Hermias, a la que hizo su esposa, refugiándose en Mitilene, donde vivió durante algún tiempo. Erigió a Hermias una estatua en Delfos, cuya inscripción ha llegado a nosotros; de ella se deduce que el desventurado príncipe cayó en poder de los persas por alevosía y a traición.”

Has de saber que he tenido un hijo; y doy gracias a los dioses, no tanto porque me lo hayan dado como porque lo hayan hecho nacer en esta época en que tú vives. Pues confío en que tus cuidados y tu sabiduría harán que sea digno de mí y de su futuro reino.”

en aquella corte, Aristóteles llegó a gozar del más alto de los favores y el respeto de Filipo, el monarca, y Olimpia, su consorte.”

Alejandro, cuando en medio de sus conquistas y hallándose ya muy dentro del Asia, se enteró de que Aristóteles había dado a conocer en obras especulativas (metafísicas) la parte acroamática [¿?] de su filosofía, le envió una carta reconviniéndole por dar a conocer al pueblo vulgar los frutos de los trabajos y las investigaciones de ambos; a lo que Aristóteles replicó que, a pesar de haberlos dado a conocer, esos resultados seguirían tan desconocidos como antes. (Aulo Gelio)”

[¿?] Refere-se ao mito – já comentado na seção sobre Platão – de que haja uma vertente esotérica (de elite, filosófica, propriamente dita) e outra popular ou vulgar de Aristóteles, em que a gente comum pudesse lê-lo e entendê-lo. A acromática seria esta “filosofia” vulgar (exotérica) para iniciantes. Talvez a origem do termo seja a constatação pejorativa de que esses trechos são sem cor e sem vida, inertes, desbotados? Hahaha! (acromatia: aquilo que não tem cor)

Lo que en la educación de este personaje puede ser atribuido a la enseñanza filosófica de Aristóteles es el haber sabido libertar interiormente sus talentos naturales, la peculiar grandeza de las dotes de su espíritu, elevándolas a un plano de completa independencia consciente de sí misma, como lo vemos comprobado mejor que por nada por sus propios fines y sus propios hechos. Alejandro alcanzó, en efecto, esa absoluta certeza de sí mismo que sólo da la intrepidez infinita de pensamiento y la independencia del espíritu con respecto a los planes especiales, pequeños y limitados para remontarse a la finalidad perfectamente general que lo animaba: la ambición de organizar el mundo en una vida y en un intercambio comunes y colectivos, mediante la fundación de Estados sustraídos a la individualidad contingente y fortuita.

Alejandro puso en práctica, de este modo, el plan que ya concibiera su padre sin haber podido llegar a realizarlo: el de colocarse a la cabeza de los griegos para vengar a Europa en el Asia y someter el Asia a Grecia; de tal modo que, así como al comienzo de la historia de Grecia los griegos habían marchado unidos en la guerra contra Troya, esta unión sirviese ahora de final y de remate al verdadero mundo helénico.” Tem certeza que os motivos de Filipe e Alexandre eram tão coletivos e étnicos e, o que é pior, alheios à própria dinastia? Seria único na História do Mundo, efetivamente.

Alejandro vengaba con ello, al propio tiempo, la perfidia y la crueldad cometidas por los persas contra Hermias, el amigo de Aristóteles. Pero, además, el monarca macedonio expandía la cultura griega por las tierras del Asia, en un intento para elevar al plano del mundo griego aquella trama salvaje, puramente negativa y desintegrada de la más alta tosquedad, aquel conjunto de países hundidos en la apatía, la negación y la decadencia.” É bom não FORÇAR tanto, ó tetravô da Antropologia!

Es verdad que las conquistas de Alejandro no quedaron dentro de su familia, de su propia dinastía, pero sí se incorporaron permanentemente a Grecia. Alejandro no instauró un vasto imperio asegurado para su propia familia, pero sí fundó el imperio del pueblo griego sobre el Asia, pues gracias a él la cultura y la ciencia griegas echaron raíces en aquellas tierras. Los reinos griegos del Asia Menor y principalmente Egipto, fueron durante siglos centros de ciencia, y los resultados de esto se extendieron, probablemente, hasta la India y la China.”

Fue el reino sirio, que se extendía hasta muy dentro del Asia, hasta lindar con un reino griego en la Bactriana, el que, gracias a las colonias griegas allí establecidas, hizo llegar hasta el corazón de Asia y hasta la China los pocos conocimientos científicos que se han conservado allí como una tradición, aunque sin procrear. Los chinos son, por ejemplo, tan torpes que no han sido capaces de crear un calendario y parecen ser, de suyo, reacios a todo concepto.”

En el oriente, el nombre de Alejandro tiene todavía hoy un brillo divino, como Ispandro o Dul-k-ar-nein, que quiere decir el hombre de los dos cuernos: no en vano la imagen del Júpiter Ammón es un antiguo héroe oriental. No está excluida, pues, la posibilidad de que los reyes macedonios, haciéndose descender de ciertos linajes de héroes de la antigua India, reivindicasen para sí los derechos de soberanía sobre aquellas tierras, que es lo que explica también la difusión del Dionysos tracio por los parajes de la India.” Isso é mito, H., e você tinha prometido deixar mitografia de fora de sua história espiritual da Filosofia!

SUPERESTIMA ARISTÓTELES A PONTO DE CONCEBÊ-LO COMO MASTERMIND POR TRÁS DAS AÇÕES DE ALEJANDRO: “primero visitó y consultó el oráculo de los amonitas (hoy, Siwa), procediendo luego a destruir el reino persa e incendiando Persépolis, la vieja enemiga de la teología india, para vengarse así de todas las tropelías cometidas por Darío contra los hindúes y sus hermanos de religión.”

todavía hoy adoran los hindúes al Dalai-Lama, y en la concepción de aquellos pueblos no existe tanta distancia entre Dios y el hombre.” Um tanto superficial, mas, sim, prossiga…

no en vano un Demetrio Falereo y otros habrían de ser adorados poco después, en Atenas, como dioses.”

E O QUE O ESPÍRITO DO MUNDO GANHA COM ESSA VINGANÇA GELADA DE ICEBERG ANTÁRTICO? “es lo más probable que los budistas no le interesasen a Alejandro en lo más mínimo; por lo menos, en su expedición india no hay muchos indicios de ello; por otra parte, la destrucción de Persépolis se halla suficientemente justificada como venganza griega por la destrucción de los templos llevada a cabo por Jerjes en su invasión de Grecia, sobre todo en Atenas.”

A DUPLA PERFEITA – DR. JEKYLL AND MR. HYDE? “Lo mismo que en los tiempos modernos conocemos ejemplos de guerreros que en sus campañas piensan en el arte y la ciencia, Alejandro tomó las medidas necesarias para que los nuevos animales y plantas encontrados en el Asia le fuesen enviados a Aristóteles, bien en forma de ejemplares, bien por medio de dibujos y descripciones.”

Después de haber partido Alejandro para su expedición al Asia, Aristóteles regresó a Atenas y se estableció como profesor público en el Liceo, un lugar que Pericles había mandado acondicionar para la instrucción de los reclutas. Este lugar constaba de un templo consagrado a Apolo Liceos y de paseos sombreados por árboles y adornados con fuentes y columnatas.” Tudo isso já foi muito repisado, mas é muito bom reler mesmo assim (piada enviada pelo internauta Heráclito!).

A la muerte de Alejandro, se desencadenó una tormenta que, al parecer, venía formándose contra él desde antes y que sólo el miedo a su protector había impedido que estallase: el filósofo fue acusado y perseguido por el delito de impiedad. Los detalles de esto aparecen relatados de diferente modo según las diversas versiones; entre otros datos, encontramos en las fuentes el de que le fueron imputados, como fundamentos de la acusación, su himno a Hermias y la inscripción colocada en la estatua erigida en honor de este príncipe. [estranho que a inscrição tenha sido preservada, portanto.] Al ver la tormenta que sobre él se cernía, Aristóteles huyó a la ciudad de Calcis, en Eubea, el actual Negroponto, para no dar a los atenienses, según sus propias palabras, ocasión de atentar por 2ª vez contra la filosofía. Allí murió al año siguiente, a los 63 años de edad” Moral da História: todo mecenas fervoroso é eterno enquanto dura.

Diógenes Laercio (V, 21-27) cita un número crecidísimo de obras de Aristóteles, aunque sus títulos no siempre indican las obras a que corresponden y que han llegado a nosotros, ya que los títulos de éstas son, a veces, completamente distintos. Diógenes enumera 445.270 líneas; si contamos 10 mil líneas por alfabeto, esto nos daría 44 alfabetos, pero lo que se ha conservado no pasa de 10, de modo que sólo tenemos una cuarta parte.” Já disse para não dar muito crédito a Laércio?

La suerte de los manuscritos aristotélicos aparece descrita de tal modo, que podría fácilmente llegarse a la conclusión de que es punto menos que imposible el llegar a tener uno de los escritos del Estagirita en un texto auténtico y sin corrupciones.” O Espírito não quis imortalizá-lo como quis a Platão!

Pularei o relato de que foi o dono da primeira biblioteca do mundo, pois toda essa história já está muito detalhada em meu post Hipócrates Obras Completas Vol. I nos prefácios de Littré (https://seclusao.art.blog/2021/04/07/les-oeuvres-completes-dhippocrate-tome-premier-trad-classica-de-littre/).

ARISTOTELISMOS: “Por lo que se refiere a las otras formas de la filosofía aristotélica, vemos, en segundo lugar, que en la época de Cicerón, principalmente bajo el nombre de filosofía peripatética, asume más bien la forma de una filosofía popular proyectada principalmente sobre problemas de historia natural y de moral”

Una tercera forma de la filosofía aristotélica la tenemos en la filosofía altamente especulativa de la época alejandrina, conocida también con los nombres de filosofía neopitagórica o neoplatónica, aunque debería llamarse también, con idéntica razón, filosofía neoaristotélica. Otra acepción fundamental, la cuarta, es la que la expresión filosofía aristotélica cobra en la Edad Media, cuando un conocimiento impreciso hace que sea denominada ‘filosofía aristotélica’ lo que no era, en realidad, sino la filosofía escolástica.”

Al hacerse más conocidas las obras de Aristóteles en el Occidente se formó una quinta filosofía aristotélica opuesta, en parte, a la escolástica: al final de la época del escolasticismo y con la restauración de las ciencias, pues sólo después de la Reforma se remontaron los estudiosos, en rigor, a las fuentes mismas de Aristóteles. La sexta acepción de la filosofía aristotélica la tenemos en las novísimas ideas y concepciones torcidas acerca de ella, tal y como las encontramos, por ejemplo, en Tennemann, intérprete dotado de un espíritu filosófico demasiado pobre para poder penetrar en la filosofía de Aristóteles.” Nesse ritmo, erá que já não chegamos ao nono Aristóteles?

Tiene ante sí la intuición en su integridad y plenitud, y nada pasa por alto, por muy vulgar que ello sea.” Deveríamos criar o termo endução para explicar os casos de indução e dedução (ou endo-ção, de fora) indistintos (raciocínios perfeitos que são ambos e nenhum, não são de dentro nem de fora, apenas são).

Resulta fatigoso, a veces, seguirle en estas simples enumeraciones, que se desarrollan sin ninguna necesidad y en las que la serie de las acepciones o los significados parece concebirse solamente en cuanto a su esencia, que se presenta como común, y no en cuanto a sus determinabilidades, es decir, solamente en lo externo. Sin embargo, esta manera de proceder representa, de una parte, una enumeración lo más completa posible de los momentos de una cosa y, de otra parte, incita al investigador a buscar y encontrar por cuenta propia la necesidad.”

ORA, ORA, SE NÃO É DEUS! “Al enfocar todos los momentos contenidos en la representación, como si formasen una unidad, no prescinde de ninguna determinabilidad, no se atiene primero a una determinación y luego a otra, sino que las afronta todas a un tiempo, mientras que la reflexión intelectiva, que tiene como regla la identidad, sólo puede salir adelante con ella por la sencilla razón de que, al afirmar una determinación, olvida la otra y prescinde de ella.” Infelizmente, ainda que fosse verdade, precisamos de novos deuses e novas verdades…

Y es que el empirismo de Aristóteles es un empirismo total, pues le lleva de nuevo, constantemente, a la especulación; podemos, pues, decir que, como empírico consumado, es, al mismo tiempo, un empírico pensante.” Já vimos esse movimento se consumar umas 300x na História, estou nauseado…

Conceptos como cáscaras vacías del Ser.

Y si se tomase verdaderamente en serio el estudio de la filosofía, nada habría más digno que explicar desde la cátedra las doctrinas de Aristóteles, pues no hay entre los filósofos antiguos ninguno que tanto merezca la pena de ser estudiado como éste.”

Y, así como decimos que es hombre libre aquel que es en gracia a sí mismo y no en gracia a otro, así también podemos decir que la filosofía es la única ciencia libre, ya que es la única que existe en gracia a sí misma, como el conocimiento del conocimiento.”

Su tarea cotidiana versa sobre lo que es, lo mismo que la labor de un profesor es su curso semestral; y aunque para ello recorra toda la masa del mundo de las representaciones, sólo parece buscar lo verdadero en lo particular, sólo parece reconocer una serie de verdades particulares.”

Lo que a Aristóteles le preocupa, fundamentalmente, es descubrir la determinación de lo que es esta sustancia (ousia) [essência, em-si, ser] (Metaf. VII, 1).”

Aristóteles distingue, más de cerca, dos formas fundamentales: la de la potencia y la del acto.” GROSSO MODO, podemos dizer que a fonte de toda a concepção da síntese hegeliana está aqui, conforme destaque no Vol. I: essência e aparência, racional e real, em-si e para-si. Importante frisar que o segundo, embora o fenômeno não seja o principal de Hegel, posto que seu “deus”, por assim dizer, é a Razão, é importantíssimo como esteio da essência compreendida no mundo antigo como enteléquia e hoje como teleologia ou ciência dos fins. Devemos entender o fenômeno nesse mais nobre sentido, em que participa da dialética da enteléquia, para não gerar mais dúvida, como o nível de realidade consumada ou efetiva, ou seja, em que o Espírito exerce toda sua potência, no que Hegel chama de O CONCRETO ELEVADO A CONCEITO (e Aristóteles de substantia, mas ambos são o mesmo); e no que eu chamaria de ‘fenômeno sagrado’, se posso ‘blasfemar’ o vocabulário hegeliano e neologizar à minha maneira e à minha conveniência para facilitar meu trabalho e a compreensão que o leitor deve ter de Hegel ao fim desta excursão.

Curiosamente, Hegel é o acme do Idealismo e seu centro nevrálgico é o concreto ou empírico. Na filosofia subsecutiva, que teve de reparar seus pontos de vista, temos o império da Fenomenologia, em que o centro tem de ser a própria potência ou vontade (a substância pós-moderna), que havia sido menosprezada como provocadora última da realidade. Fazendo uma última simplificação, podemos assinalar a filosofia pós-platônica e pré-marxnietzscheana como excessivamente preocupada com o começo e o fim; e as filosofias DE PLATÃO SOMENTE NA ANTIGUIDADE INTEIRA e de Marx e Nietzsche EM DIANTE como aquelas atentas ao devir. Não preciso, espero, ter de ressalvar que a genealogia e a teleologia continuam sendo tratados dentro da fenomenologia do séc. XX em diante e que o devir já era “conhecido” e tratado até mesmo pelos insofisticados pré-socráticos. O que eu quis dizer é que o eixo de preocupação de primeira plana sofreu uma inversão quase simétrica em termos do que é o objeto da filosofia. Numa sentença, regressamos a Platão e reiniciamos de onde ele havia parado, com alguns conselhos muito úteis achados no caminho do calvário que antecedeu nossa chegada ao deserto chamado fim do milênio. (!!!)

INFINITO É O FENÔMENO (A AÇÃO): “cuando decimos: la esencia, no establecemos todavía con ello la actividad, pues la esencia es solamente el en sí, la potencia, sin forma infinita.”

Por tanto, mientras que lo predominante, en Platón, es el principio afirmativo, la idea, como algo sólo idéntico consigo mismo en lo abstracto, en Aristóteles predomina el momento de la negatividad, pero no como cambio, ni tampoco como la nada, sino como distinción, como determinación, destacado por él en cuanto tal. Este principio de la individuación, no en el sentido de una subjetividad contingente, particular, sino en el sentido de la subjetividad pura, es característico de Aristóteles.” O principium individuationis como o erro do milênio ou, antes, dos últimos três milênios.

El devenir de Heráclito es una determinación certera y esencial; pero el cambio carece todavía de la determinación de la identidad consigo mismo, de la firmeza de la generalidad. El río cambia constantemente, pero se mantiene también perenne y tiene, más aún, una existencia general.¹ De donde se deduce inmediatamente que Aristóteles (Metaf. IV, 3-6) polemiza principalmente contra Heráclito y otros cuando dice que el ser y el no-ser no son uno y lo mismo, fundamentando así aquella famosa tesis de la contradicción de que un hombre no es al mismo tiempo un barco.” Hahaha?!

¹ Quando Nietzsche diz que Heráclito poderia ter enunciado o eterno retorno, o que quer dizer é: faltava-lhe a condição subjetiva para afirmar a figura de linguagem do rio (o eterno, a essência) como aquilo que também se desdobra sobre si mesmo em fenômeno, repetindo-se como aparência e transitoriedade finita (além das águas deste rio, o próprio rio, que no fim de contas é apenas um subterfúgio para se referir ao universo).

Se ve inmediatamente que Aristóteles no comprende el ser o el no-ser puro, esta abstracción que no es, esencialmente, sino la transición de lo uno a lo otro, sino que entiende por lo que es, esencialmente, la sustancia, la idea, la razón, pero al mismo tiempo como fin que mueve.”

TUDO ISSO PARA DIZER <PRESENTE>: “Pero el punto supremo es más bien aquel en que se unen la potencia, la actividad y la entelequia: la sustancia absoluta, que Aristóteles (Metaf. XII, 6-7; IX, 8) determina, en general, diciendo que es lo inmóvil en y para sí, pero que, al mismo tiempo, infunde movimiento y cuya esencia es actividad pura, sin tener materia. Pues la materia como tal es lo pasivo, aquello en que se opera el cambio y que, por tanto, no se identifica simplemente con la actividad pura de esta sustancia.”

PRESENTE ETERNO (Conceito escolástico influenciado por Arist.): “Dios es la sustancia [ponto de encontro] en cuya potencia va también implícito, como algo inseparable, el acto; en ella, la potencia no se distingue de la forma, ya que produce a partir de sí misma sus determinaciones de contenido.” Aristóteles cria que a Idéia de Platão estava situada fora do tempo, portanto do presente, do movimento e da realidade; por isso achava ter reparado Platão. Tão ingênuo quanto parece! Nível de argumentação: “Meu absoluto é melhor que o seu! Crê em Deus-Pai!”.

Debe considerarse como la verdadera esencia, prosigue Aristóteles (Metaf. XII, 7) lo que se mueve en sí mismo, lo que ‘se mueve en círculo; y esto no debe buscarse solamente en la razón pensante [principium cognoscendi], sino también en el hecho’. (…) Como lo igual a sí mismo y como algo visible, esta esencia absoluta es ‘el cielo eterno’; 2 dos modos de representación de lo absoluto son, por tanto, la razón pensante y el cielo eterno.” Formulação superingênua do eterno retorno.

CURIOSA NOTA DE RODAPÉ, DEMONSTRANDO QUE AS AULAS DE HEGEL ERAM PESADAS, INSOSSAS E CONFUSAS, E QUE O FORMATO FINAL DO LIVRO É MAIS LEVE DEVIDO À INTERFERÊNCIA DOS DISCÍPULOS: (*) “Como esta explicación hegeliana del famoso pasaje de Aristóteles tiene en su favor el testimonio de tantas autoridades, el editor no puede seguir aquí, como tantas otras veces en el transcurso de estas Lecciones, la norma establecida por la sociedad de amigos de Hegel a cuyo cargo corre la edición de sus obras, que es la de corregir tácitamente los errores e inexactitudes que hayan podido deslizarse en la exposición del autor. Es evidente, de todos modos, que Aristóteles habla de 3 sustancias: de un mundo sublunar, que mueve el firmamento; del firmamento mismo, como el centro, que es a la par el motor y lo movido, y de Dios, como el motor inmóvil.” Frase original de Hegel, para contrastar: “El cielo es algo movido y es también, al mismo tiempo, algo que mueve. Y siendo, así, lo esférico algo a la par moviente y movido, tiene que haber necesariamente un centro que mueva, pero sea de suyo inmóvil y, al mismo tiempo, eterno y una sustancia y la energíaSuas sentenças não são pontuadas, e vai elencando sinónimos após as conjunções de ligação como se enriquecesse a exposição (por si inócua) acrescentar mais nomes e sinônimos ao que já tinha nome (Deus), e aumentando a barafunda do que é, pois que estas coisas são também outras coisas: enfim, que o primum mobile ou deus aristotélico é também ETERNO (Qual a definição de eternidade? Há algum deus que seja mortal ou limitado?), é também SUBSTÂNCIA (Qual a definição de substância? Por que não é redundante ser Deus e substância ao mesmo tempo?), é também ENERGIA (Qual é a definição de energia? Por que não é redundante ser Deus, substância e energia tudo ao mesmo tempo? No que deus ficaria pior se fosse retirado algum desses sinônimos arbitrários?)!… Uma absoluta perda de tempo – e energia!

Deus como uma rodinha de skate.

Por tanto, según Aristóteles, el concepto, principium cognoscendi, es también el motor, el principium essendi; lo proclama como Dios y señala su relación con la conciencia individual.” Revolucionário – só que não!

Me parece incrível, fabuloso até, que nem Ar. nem H. tenham percebido que só estão reescrevendo Platão sem o mesmo talento literário (ou percebem-no, mas fazem disso, dessa redação tecnicista, seu cínico ganha-pão): “Este sistema dura eternamente. ‘Pero a nosotros [como individuos] sólo por un breve tiempo nos está reservada una residencia en él que es la más excelente que apetecer podamos.’E ainda mais: o “filósofo da ação” (Ar., segundo a introdução de H.) é o mais contemplativo de todos! “el pensamiento es fin último y absoluto para sí mismo.”

El momento fundamental de la filosofía aristotélica consiste, por tanto, en que la energía del pensamiento y lo pensado objetivo sean una y la misma cosa” Ironia: Aristóteles cobra o por quê do Bem, p.ex., de Platão e Leucipo, mas tampouco dá o seu por quê energético. Não que seja um defeito seu; a energia é a mera referência de uma força física, e portanto um não-conceito, filosoficamente falando; o simples infundamentado e inessencial sobre o qual não se deve falar. O que pega mal é a hipocrisia do Estagirita: o parco entendimento dos outros (hipercrítica que exerce sobre o próprio mestre) e a excessiva indulgência em relação a si mesmo (a própria filosofia não é depurada e desenvolvida como seu lado crítico da tradição nos faz pensar). Nesse sentido ele é o pai ancestral de filósofos como Deleuze!

BLÁ, BLÁ, BLÁ… “En nuestro lenguaje, designamos lo absoluto, lo verdadero, como la unidad de lo subjetivo y lo objetivo que, por tanto, no es lo uno ni lo otro, aun siendo ambas cosas a la vez; pues bien, Aristóteles se debatió con estas formas especulativas, que aún hoy siguen siendo las más profundas, y las expresó con la mayor claridad. (…) Unidad es, por tanto, una expresión mala, antifilosófica, y la verdadera filosofía no es el sistema de la identidad, sino que su principio ha de buscarse en una unidad que es actividad, movimiento, repulsión y, en la distinción, algo idéntico a: sí mismo.” Tudo isso nos mostra que, se queremos derrubar Hegel de vez, devemos levar também tudo de aristotélico a pique!

el pensamiento divino tiene necesariamente que pensarse a sí mismo (puesto que es la más excelente de las cosas)”

Último abacate que vou postar. Pularei e eximirei o leitor de qualquer outro trecho degradante desse oceano de obviedades mixurucas!

La primera obra de Aristóteles sobre la materia es la Teoría física o de los principios, en 8 libros. Versa esta obra sobre el concepto de la naturaleza en general, sobre el movimiento y sobre el espacio y el tiempo, como debe de ser.”

Entre las obras relacionadas con la anatomía figuran sus tratados Sobre los órganos motores de los animales y Sobre las partes de los animales. Se refieren a la fisiología las siguientes obras: De la generación de los animales y Sobre el movimiento común de los animales. En seguida, Aristóteles pasa a tratar de la diferencia entre la juventud, y la vejez, entre el sueño y la vigilia y habla de la respiración, de los sueños, de la brevedad y la longitud de la vida, etc., materias todas de las que trata, en parte, de un modo empírico y, en parte, en un sentido más bien especulativo. Finalmente, escribe una Historia de los animales, pero no sólo como una historia natural en general, sino también como un estudio general de los animales, una especie de anatomía anatómico-fisiológica, si se quiere. Se le atribuye, asimismo, una obra de botánica titulada Sobre las plantas.”

Este pensamiento, añade Aristóteles, fue formulado preferentemente por Empédocles, quien presenta los primeros orígenes como un mundo de las más variadas monstruosidades, por ejemplo, animales con forma de toro y cabeza humana, las cuales, sin embargo, no podían conservarse, sino que perecieron todas, porque no estaban destinadas originariamente a perpetuarse, hasta que, por último, fueron reuniéndose los elementos con arreglo a un fin: y así, sin necesidad de recurrir a los fabulosos monstruos de los antiguos, nosotros mismos conocemos una serie de especies animales que se han extinguido por la sencilla razón de que no podían perpetuarse. También la actual filosofía de la naturaleza emplea la expresión de ‘surgir’ (que implica un desarrollo ajeno a todo pensamiento). Es una idea a que puede fácilmente verse conducida la filosofía de la naturaleza la de que los primeros productos de la naturaleza son a manera de intentos, de los cuales sólo pueden prevalecer aquellos que demuestren responder a un fin.”

de una parte, por obra de una filosofía mecánica que basa todo en la presión, el impulso, las combinaciones químicas, las fuerzas, es decir, en relaciones de orden externo, inmanentes sin duda a la naturaleza, pero que no parecen emanar de la naturaleza de los cuerpos, sino que son un aditamento extraño a ella, como el color en un líquido; de otra parte, bajo el influjo de una física teológica que establece como causas los pensamientos de una inteligencia exterior al mundo. Fue la filosofía kantiana la que hizo revivir entre nosotros aquel concepto, por lo menos para lo orgánico, enjuiciando por tanto lo vivo como un fin de sí mismo.” “El hecho de que la época más reciente haya traído de nuevo al recuerdo lo racional acerca de esto no es, pues, otra cosa que la justificación de la idea aristotélica.”

Aristóteles (Física IV, 6-7) pasa a hablar del espacio vacío, antiguo problema, que todavía no ha sido resuelto satisfactoriamente por los físicos de hoy. Si estudiasen a Aristóteles, sabrían a qué atenerse; pero, al parecer, es como si para ellos no existieran en el mundo ni el pensamiento en general ni Aristóteles en particular. ‘El vacío, según la manera corriente de pensar de los hombres, es un espacio en que no existe ningún cuerpo; y, como para ellos lo corpóreo es lo existente, llaman espacio vacío a aquel en que no existe absolutamente nada. La hipótesis de un espacio vacío tiene su razón de ser principalmente de una parte en que se considera el vacío’ —lo negativo de un modo existente— ‘como necesario para el movimiento, ya que los cuerpos no pueden moverse en el espacio lleno’ y, por consiguiente, allí donde se muevan no tiene que haber nada. ‘El otro argumento en favor del vacío se encuentra en la compresión de los cuerpos, en que las partes penetran en los poros vacíos.’

INTUIÇÃO DA LEI DA INÉRCIA: “En efecto, demuestra de una parte que el vacío anula más bien el movimiento y que equivaldría, por consiguiente, a una quietud general: es la total indiferencia con respecto al sentido en que se mueve más o menos algo; en el vacío quedan suprimidas todas las diferencias. Es la pura negación: ni objetos ni diferencias; por tanto, no hay razón alguna para permanecer quietos ni para seguir adelante. Ahora bien, los cuerpos se hallan en movimiento y, además, como cuerpos distintos los unos de los otros: tienen pues una relación positiva y no simplemente una relación con la nada.”

La diferencia de velocidad guarda la misma proporción con la diversidad del peso específico del medio, aire o agua, de tal modo que cuando el medio es la mitad menos denso aumenta la velocidad al doble.”

Por lo que se refiere al otro caso, o sea a la diferencia entre lo pesado y lo ligero, que se aprecia en los cuerpos mismos, tenemos que aquello se mueve más ligeramente que esto a través del mismo espacio; ‘pero esta diferencia se da solamente en el espacio lleno, pues el cuerpo pesado separa más rápidamente lo lleno, gracias a su fuerza’. Esta concepción es absolutamente exacta y va dirigida principalmente contra una serie de representaciones que hacen estragos en nuestra física. Estas representaciones [fenômeno observável] acerca del movimiento igual de lo pesado y lo ligero, como las que se refieren a la gravedad pura, [una] al peso puro, a la materia pura, etc., son una abstracción, como si se tratase de cosas iguales en sí y diferentes solamente por la resistencia casual del aire. [múltipla]¹Aristóteles não tem ‘culpa’ alguma de não conhecer a aceleração da gravidade em uma mesma pressão atmosférica, mas Hegel não deveria ignorar Newton! Lembrando que nesta parte não se procede exatamente à história da filosofia, mas da própria física…

¹ Hegel confunde os reinos da aparência e da essência, como se a essência fosse figurada na própria representação! Mas, apesar do modo oblíquo que elegeu para se expressar, Hegel não colide aqui com o modelo da física experimental (contra o que ele mesmo pensa): o que ele quis dizer é simplesmente que não existe o vácuo perfeito, então, na prática, se um bloco compacto de uma liga metálica muito pesada, digamos, de 1 tonelada, cai retilineamente por um abismo ao lado de uma pessoa de 80kg, por mais que essa pessoa seja maior que o bloco e possua ‘mais superfície’ (sofrendo a resistência do vento oposto em uma área maior que a do bloco), não significa que ambos chegariam ao fim do abismo – que deveria ser profundo o suficiente – simultaneamente (após o fim da aceleração da gravidade e o começo da trajetória em que ambos cairiam a 10m/s, uniformemente), pois a resistência do ar ainda seria maior contra o bloco de metal, mais ‘pesada’, anulando sua massa gravitacional. Um tubo de ensaio em que o vácuo perfeito fosse possível seria contraditório com o célebre modelo das ‘quedas idênticas’ porque aí já nem haveria possibilidade de queda dos corpos, apenas repouso.

Cuando el agua se convierte en aire, gana en extensión; pero la materia sigue siendo la misma, sin que a ella se sume ninguna otra cosa distinta: lo que ocurre es que lo que antes era en potencia lo es ahora en acto.” Também é incrível como o mundo moderno levou tantos séculos para chegar ao mesmo entendimento formal. Dito isto, Arist. continua péssimo metafísico; mas exímio cientista natural!

Aristóteles, por el contrario, concibe esto en un sentido totalmente dinámico, claro está que no con el significado que hoy suele darse a la palabra ‘dinámico’, es decir, como una mayor intensidad o un grado mayor, sino que se refiere a la intensidad certeramente como una posibilidad general.”

O ponto euclidiano como patas de uma aranha em eterno debate descoordenado.

SEMPRE ESBARRAM EM KANT (TEMPO E ESPAÇO SÃO AS MODALIDADES SINE QUA NON DA REPRESENTAÇÃO): “cuando colocan el vacío antes del principio de la generación, esto no es otra cosa que lo quieto, lo igual a sí, es decir, la materia eterna, establecida ya, por tanto, antes de la generación; pues no hacen honor a su palabra cuando dicen que antes de la generación sólo existe la nada.”

Este éter parece ser la materia eterna, pero que no aparece expresado de un modo tan claro, sino que parece detenerse como el cielo en nuestras representaciones: y, en general, es aquí donde empieza a revelarse más y más la yuxtaposición.”

Acerca de esto, hay que hacer notar que, aunque estas determinaciones fundamentales sean muy poco exhaustivas, Aristóteles va, sin embargo, mucho más allá que los modernos, ya que no profesaba este concepto de los elementos que se hace valer en los tiempos actuales, según el cual el elemento, como algo simple, está llamado a permanecer. Ahora bien, semejante determinabilidad simple del ser es una abstracción y no tiene ninguna realidad, ya que entonces no sería susceptible de movimiento ni cambio alguno; el elemento mismo debe tener realidad; está, por tanto, sujeto a disolución como la unidad de lo contrapuesto.”

He ahí por qué se pasan de listos quienes nos reprochan el que incluyamos entre los elementos el agua, el aire, etc. Ni siquiera bajo el nombre de ‘neutralidad’ han llegado los físicos modernos a una generalidad concebida como unidad, como la que Aristóteles atribuye a los elementos; en realidad, el hidrógeno, cuando se combina con una base, no sigue existiendo como tal, según a veces se afirma, dentro de la nueva combinación.” É verdade que o modo descritivo moderno é pobre, mas H. se esforça além do aceitável para encimar Arist. sobre a física moderna, vendo em sua física algo mais do que é.

De hecho, en la Meteorología pasa Aristóteles a estudiar el proceso general de la naturaleza. Pero, en este punto, llegamos con él al límite. Aquí, en el proceso de la naturaleza, la determinación simple como tal —esta manera de la determinación progresiva— deja de regir y pierde todo su interés.” “El fenómeno sensible empieza a cobrar primacía aquí, pues lo empírico presenta precisamente la naturaleza del distinto modo de dispersarse. El fenómeno empírico va escapándose así del pensamiento, el cual sólo registra por doquier el cuño de la toma de posesión, pero sin poder ya penetrarlo por sí mismo, puesto que retrocede del campo de lo ideal, donde aún existían el tiempo, el espacio y el movimiento.”

En cuanto a la contraparte de la filosofía de la naturaleza, o sea la filosofía del espíritu, encontramos señalada también en Aristóteles, en una serie de obras que citaremos, la diferencia entre las diversas ciencias especiales.

En primer lugar, sus 3 libros Sobre el alma estudian la naturaleza general abstracta del alma, principalmente a modo de refutación, aunque tratan también, de un modo más difícil y especulativo, de su naturaleza en sí misma; no de su ser, sino de la determinada manera y posibilidad de su efectividad, en lo que consiste, según Aristóteles, su ser y su esencia.”

Finalmente, nos lega, con su Política, una exposición de las constituciones esenciales de los Estados y de los diversos tipos de constitución, que va examinando por el método empírico” Atingindo, por sinal, péssimos resultados.

De una parte, [hoje,] la cólera, por ejemplo, se considera como un deseo de venganza o como algo por el estilo; de otra parte, como una irritación de la sangre del corazón o del calor dentro del hombre. Aquél es el punto de vista racional, éste el punto de vista material ante la cólera. Es algo así como si, de una parte, se definiese la casa como un abrigo contra el viento, la lluvia y otros accidentes y, de otra parte, como una construcción hecha de madera y de piedras: el primer criterio busca, en efecto, la determinación y la forma, o sea el fin de la cosa; el segundo, su materia y su necesidad.”

El alma es la sustancia como forma del cuerpo orgánico físico, que tiene vida en potencia, pero su sustancia es efectividad, y concretamente, la acción de un cuerpo así [es decir, animado].”

No porque el alma sea la forma se debe preguntar si el alma y el cuerpo forman una unidad, del mismo modo que no se pregunta si forman una unidad la cera y su forma, ni si la materia y sus formas, en general, forman una unidad.”

En efecto, si consideramos el alma y el cuerpo como una unidad, al modo de una casa, formada por una multitud de partes, o como la cosa y sus cualidades, el sujeto y el predicado, etc., seguiremos la senda del materialismo, en que ambos elementos son considerados como cosas. Semejante identidad constituye una determinación completamente abstracta y, por tanto, superficial y vacía, que no puede predicarse, ya que la forma y la materia no tienen el mismo rango de dignidad en lo que al ser se refiere; la identidad verdaderamente digna solo puede concebirse como tal entelequia.

Sólo cabe, pues, preguntarse si la actividad forma una unidad con su órgano; y nuestra idea es, desde luego, que esa pregunta debe ser contestada afirmativamente.”

ROLA UMA BRIGUINHA ENTRE EDITORES, TRADUTORES E DEMAIS ENVOLVIDOS NA EXECUÇÃO DA OBRA ATRAVÉS DAS NOTAS DE RODAPÉ: “El alma es la sustancia, pero sólo en cuanto al concepto; pero esto no es sino la forma sustancial(*) de semejante cuerpo.

(*) El editor se ha creído autorizado a introducir aquí esta traducción, usual entre los escolásticos y recogida por Leibniz (Cfr. Michelet, Examen critique).” HAHAHA!

Por consiguiente, a la pregunta de ¿cuál es la sustancia del ojo?, ¿son acaso los nervios, los humores, las membranas, esa sustancia?, contesta Aristóteles: por el contrario; la visión misma es la sustancia; aquellas materias no son sino un vacuo nombre.”

la vida vegetal es el concepto de lo orgánico.”

Ó! EUREKA! “En efecto, es de todo punto indiferente el que nos encontremos determinados subjetiva u objetivamente” Mas isso Platão já o sabia!

Es cierto que la mónada leibniziana parece ser una representación opuesta a ésta, en cuanto que toda mónada, todo punto de mi dedo, como átomo o individuo, es un universo entero en el que todo se desarrolla dentro de sí mismo, sin relación con otras mónadas.”

Es un falso idealismo el que sostiene que la pasividad y la espontaneidad del espíritu dependen de que la determinabilidad dada sea interior o exterior” “…al modo como lo entiende Fichte, quien considera ya parte suya la chaqueta que viste, por el mero hecho de vestirla, o simplemente por considerarla.” Hahaha!

quien tiene la facultad de oír no siempre oye”

Existen dos palabras para expresar el oír y el resonar, pero no así para expresar el ver; el ver es la actividad del que ve, pero la actividad del color carece de nombre.” Ouvi sem escutar, escutei distintamente suas palavras sem nada ouvir.

En lo corpóreo, por tanto, se contraponen entre sí la materia, como potencia, y la forma externa, como acto; pero el alma es, por el contrario, la potencia general misma, sin materia, porque su esencia es la efectividad.”

RESERVATÓRIO: “El pensamiento se convierte en entendimiento pasivo, es decir, en algo objetivo; y así se aclara ahora hasta qué punto es el nihil est in intellectu, quod non fuerit in sensu el sentido de la filosofía de Aristóteles.” Não pode ser pensado aquilo que não foi sentido Não pode ser pensado aquilo que não foi pensado. Tudo que foi pensado foi sentido, etc., etc.. E implicações com os trechos destacados por Derrida na Enciclopédia.

Es, como se ve, una actitud altamente idealista; a pesar de lo cual hay quienes se empeñan en ver en Aristóteles un pensador empírico.” Duro é pensar que elogiam Fraud tanto tempo depois dizendo a mesma coisa (‘ele é empírico!’).

El término técnico para expresar esto es la conocida tabula rasa, con la que nos encontramos dondequiera que se habla de Aristóteles: Aristóteles quiere decir, según quienes así interpretan su pensamiento, que el espíritu es como una hoja en blanco sobre la cual se escribe acerca de los objetos exteriores, lo que vale tanto como decir que el pensamiento viene de fuera. Pues bien, eso es cabalmente lo contrario de lo que Aristóteles sostiene. La representación, en vez de atenerse al concepto, concibe estos símiles fortuitos como si expresaran la cosa misma. Sin embargo, Aristóteles no pretende, ni mucho menos, que este símil se tome en todo su alcance, al pie de la letra: el entendimiento no es, ni mucho menos, una cosa, ni tiene la pasividad de una tablilla de cera sobre la que se escriba; el entendimiento es la efectividad misma, que no está, como en el caso de la tablilla de cera para escribir, fuera de ella. El símil se limita, por tanto, a indicar que el alma sólo tiene un contenido en cuanto realmente se piense. Cuando dice que el alma es este libro en blanco quiere decir, por tanto, que lo es todo en sí, pero que no es de suyo esta totalidad; lo mismo que, en potencia, un libro lo contiene todo, pero en acto no contiene nada antes de estar escrito. La actividad real, y sólo ella, es lo verdadero”

O termo técnico para expressar isto é a conhecida tabula rasa, com que nos encontramos onde quer se fale de Aristóteles: Aristóteles quer dizer, segundo quem assim interpreta seu pensar, que o espírito é como uma folha em branco sobre a qual se escreve acerca dos objetos exteriores, o que vale tanto quanto dizer que o pensamento vem de fora. Pois bem, isso é cabalmente o contrário do que Aristóteles sustenta. A representação, em vez de se ater ao conceito, concebe estes símiles fortuitos como se expressassem a coisa mesma. Contudo, Aristóteles não pretende, na outra mão, que este símile seja tomado em todo o seu alcance, ao pé da letra: o entendimento não é tampouco uma coisa, nem tem a passividade de uma tabuleta de cera sobre a qual se escreva; o entendimento é a efetividade (realidade) mesma, não está, como no caso da tábua de cera que serve para escrever, fora do real. O símile se limita, portanto, a indicar que a alma só tem um conteúdo enquanto realmente se pensa. Quando diz que a alma é este livro em branco, Aristóteles quer dizer, por conseguinte, que ela é tudo em si, mas que não é para si mesma esta totalidade; o mesmo que, em potência, um livro contém tudo, mas em ato não contém nada antes de estar escrito. A atividade real, e somente ela, é o verdadeiro.”

El séptimo y octavo capítulo se dedican a explicar ciertas tesis de los capítulos cuarto y quinto; comienzan recapitulando las tesis en cuestión y parecen glosas de un comentador. ‘El alma —dice Aristóteles (De anima, III, 8)— es, en cierto modo, todo lo que es. Pues lo que es es una de dos cosas: lo sentido o lo pensado. La ciencia misma es, en cierto modo, lo sabido, y la sensación lo sentido. Ahora bien, estas cosas sabidas y sentidas son o bien ellas mismas o bien las formas. La ciencia y la sensación no son las cosas mismas (la piedra no se halla en el alma), sino su forma; por donde el alma es como la mano. Ésta es el instrumento de los instrumentos: el entendimiento, por su parte, es la forma de las formas, y la sensación la forma de lo sensible.’”

O 7º e o 8º capítulos se dedicam a explicar certas teses dos capítulos 4 e 5; começam recapitulando as teses em questão à guisa de glosa de um comentador. ‘A alma – diz Aristóteles em De Anima, vol. III, c. 8 – é, de certo modo, tudo o que é. Pois o que é é uma de duas coisas: o sentido ou o pensado. A ciência mesma é, de certa forma, o sabido, e a sensação o sentido. Ora, estas coisas sabidas e sentidas são ou bem elas mesmas, ou bem as formas. A ciência e a sensação não são as coisas mesmas (a pedra não se acha na alma), senão sua forma; daí que a alma é como a mão. Esta é o instrumento dos instrumentos: o entendimento, por sua vez, é a FORMA DAS FORMAS, e a sensação a forma do sensível.’

deste modo, Ar. não é realista” Às vezes H. devia apenas citar e calar o bico – assim não tinha chance de falar tanta asneira!

A PONTA DO NARIZ E ARISTÓTELES (ALMA VII): “O entendimento pensa o abstrato como se a conformação do nariz não fosse a conformação do nariz, inseparável da carne, senão algo vazio.”

“‘quem nada sente, nada aprende nem nada entende; se conhece algo, necessariamente tem que conhecê-lo também como representação, pois as representações são como as sensações, só que sem matéria. Pois bem, e em que se distinguem os pensamentos originários das representações? Ou bem não são inclusive os outros pensamentos nenhuma classe de representação, mesmo que sempre impliquem uma representação?’ Como aquilo que segue no livro não responde estas perguntas, isso parece ser mais uma indicação de que estes fragmentos têm origem apenas posterior.”

QUANTA AFETAÇÃO! “Esta identidade do subjetivo e do objetivo, que existe no entendimento ativo, enquanto que as coisas e os estados finitos do espírito são o separado de ambos, já que neles o entendimento só existe em potência, representa o cume mais alto a que pode chegar a especulação, e Aristóteles retorna assim a seus princípios metafísicos, nos quais chamava à razão que se pensa a si mesma o pensamento absoluto, o entendimento divino ou o espírito no plano do absoluto.”

Tres grandes obras éticas se han conservado de Aristóteles: la Ética Nicomaquea, en 10 libros, la Gran Ética, en 2 libros, y la Ética Eudemia, en 7 libros; la última se refiere más bien a las virtudes especiales, mientras que las 2 primeras contienen, preferentemente, investigaciones generales en torno a los principios.

Así como lo mejor que poseemos acerca de los problemas de psicología, hasta estos últimos tiempos, es lo que hemos recibido de Aristóteles, es también excelente lo que nos ha legado acerca de la voluntad real, la libertad, acerca de las determinaciones ulteriores de la imputación, la intención, etc. Lo que ocurre es que hay que imponerse el trabajo de estudiarlo y conocerlo, traduciéndolo a nuestro propio modo de hablar y de pensar, lo que naturalmente no es fácil. También aquí, como en lo físico, procede Aristóteles analizando uno tras otro, del modo más concienzudo y verdadero, los diversos momentos que se dan en la voluntad: el propósito, la resolución, el obrar voluntario o forzado, el obrar por ignorancia, la culpa, la imputabilidad, etc. No hemos de detenernos en este estudio, de carácter más bien psicológico”

Aristóteles no se da por satisfecho con la idea platónica del bien, por ser solamente lo general, sino que plantea el problema de su determinabilidad.” Problema dele.

Cuando el conocimiento es malo o incluso inexistente, pero el corazón, a pesar de ello, se comporta bien, podrá según Aristóteles existir bondad, pero no virtud, ya que falta el fundamento, o sea la razón, sin el que la virtud no puede existir.” Sempre traduzir conhecimento na Ética de Aristóteles como sabedoria no sentido schopenhaueriano, para facilitar. E coração como o verdadeiro ethos contemporâneo. O mito do burro bom (na verdade ele pode ser no máximo inofensivo). Falo em Schopenhauer, porque ambos são concordes neste aspecto. Já eu descartaria a existência de um burro bom, ou dum inteligente mau.

De ahí que Aristóteles, según veíamos, censure a Sócrates por cifrar la virtud exclusivamente en el conocimiento.” Naturalmente, pois não entendeu Sócrates. Aristóteles endeusou (literalmente!) a Razão, mas não entendeu tampouco a razão socrático-platônica: não significa usar o pensamento ou acumular informações. Significa ser sábio. Logicamente, o sábio socrático é virtuoso. Não existe inteligência, para Sócrates, dissociada de caráter! Arist. entende que aquele que possui a ciência filosófica alcançaria como por milagre noções éticas. É muito fácil estereotipar esse entendimento, dizendo que para Sócrates a virtude era uma iluminação individual. Mas esta não é a correta leitura da doutrina platônica. A ocorrência moderna que chamamos de “erudito” que na verdade não passa de velhaco não refuta ‘a ingenuidade socrática’: ele é um erudito, pois que seja, porquanto querem chamá-lo de erudito, ou permitem que se chame a si de erudito; isto não importa para nós. Ele é um hipócrita que nada tem que ver com a figura do sábio. Tampouco pode-se chegar a essa condição por esforço. Daí a força atual que conserva a metáfora da reminiscência em Platão. Outro exemplo: um político maquiavélico é tolo, pois não compreende que tudo é vaidade. No tomo I eu fui mais específico a este respeito.

Por consiguiente, en la virtud, en cuanto ésta tiende a la realización y es atributo del individuo, no puede decirse que sea la razón el principio único, sino que es la inclinación el elemento propulsor, concreto, el que precisamente en lo práctico y en el sujeto tiende a la realización.” Hegel descreve apropriadamente Arist.. O grifo verde se destina a criticar a compreensão aristotélica da moral: ele decompõe a conduta ética em teórica e prática. Sua delimitação ética é sem dúvida a que norteia a disciplina Ética moderna. Porém, isso é um mal, um retrocesso em relação a Platão. Nietzsche foi o primeiro filósofo a apontar tal erro. A virtude é um atributo inato do indivíduo. Não se pode realizar a virtude quando é-se dela carente, daí a ilusão de que alguém dotado da capacidade teórica (todo homem) de ser virtuoso falha na execução (só executa a virtude aquele que nasceu virtuoso e sábio). Ter conhecimento teórico da virtude e não aplicá-lo na prática é o mesmo que dizer que é-se meio-virtuoso, virtuoso incompleto. Ora, ou é-se virtuoso ou não se o é. É redundante falar em virtude não-realizada, por isso Aristóteles discorda de Platão – pois crê que vale a pena falar desse tipo de meia-virtude. A razão é o princípio único, porém não a razão aristotélica. Isso faz com que Aristóteles tenha de recorrer à ‘inclinação’ como elemento propulsor. Essa inclinação é inata à razão corretamente compreendida no platonismo, e não existe tal decomposição em 2 palavras ou conceitos, em que um se subordina aleatoriamente ao outro. Assim, não é que a Ética seja uma disciplina voltada à prática; ela é teórico-prática, uma unidade, desde o início. Mas o homem moderno não enxerga a validade do teórico, preferindo expulsá-lo do campo ético.

aunque se haya censurado como algo muy insuficiente e indeterminado al hecho de que Aristóteles determine la virtud más bien como una diferencia de grado, hay que reconocer que esto es algo que va implícito en la naturaleza misma de la cosa. La virtud, y más que ninguna otra la virtud determinada, entra en una órbita en que ocupa un lugar lo cuantitativo; el pensamiento aquí no permanece ya cabe sí como tal, siendo indeterminado el límite cuantitativo.” Essa definição é satisfatória no mundo dos moralistas e autores de auto-ajuda, no mundo dos comuns e plebeus. Para um filósofo, é um achado muito aquém do desejável.

Aristóteles dábase cuenta, más o menos claramente, de que la sustancia positiva, la necesaria organización y realización del espíritu práctico es el Estado, que es realizado por medio de la actividad subjetiva de tal modo que ésta encuentra en él su determinación. Por eso también Aristóteles ve en la filosofía política toda la filosofía práctica y el fin del Estado como la felicidad general.” De novo, o mesmo erro. Não existe política apenas prática. A ciência política moderna é Aristóteles desenvolvido: é o que temos, mas não é ciência nem um conhecimento sobre política, ainda.

Aunque el supremo bien es el mismo para el individuo que para el Estado en su conjunto, parece que es, desde luego, más grande y más digno el conquistar y conservar ese bien para un Estado; cierto que es ya meritorio el conquistarlo para un individuo, pero es más bello y más divino el hacerlo para todo un pueblo y para Estados enteros. Pues bien, la ciencia práctica aspira a eso y forma, por tanto, en cierto modo, parte de la política.” Ética a Nicômaco, citação que cai como uma luva para Hegel.

Pero quien es incapaz de vivir en sociedad o no necesita de ella por considerarse independiente y superior, sólo puede ser una de 2 cosas: o un animal salvaje o un dios.”

[e]l principio moderno, según el cual la voluntad particular del individuo se erige, como lo absoluto, en el punto de partida; [a revolução francesa] y así, todos contribuyen, por medio de la emisión de sus sufragios, a decidir lo que ha de regir como ley, estableciendo la comunidad sobre estas bases. En Aristóteles, por el contrario, como en Platón, el Estado¹ es el prius, lo sustancial, lo fundamental, pues su fin es el más alto de todos, desde el punto de vista de lo práctico.”²

¹ Essa generalização de H. pode custar muito caro em mal-entendidos: “Estado” significa coisas diferentes para Platão, Aristóteles e para o próprio Hegel.

² O leitor fica tentado a se perguntar: se o princípio moderno é o individual e o princípio antigo é o coletivo, qual deve prevalecer, qual é o melhor? A resposta curta e grossa é: nenhum. Não podemos mais defender uma Teoria do Estado, nem tampouco continuar com os pressupostos do Liberalismo, que institui o Homo oeconomicus atomizado, um inútil político.

Ningún país como Grecia abundaba tanto en múltiples constituciones como en cambios dentro de cada una de ellas en un solo Estado, a pesar de lo cual los griegos no llegaron a conocer en ningún momento ese derecho abstracto de los Estados modernos que aísla al individuo, lo deja hacer como tal y, sin embargo, los mantiene en cohesión a todos como un espíritu invisible, de tal modo que en ninguno se dé ya ni la conciencia ni la actividad con vistas al conjunto, sino que cada cual actúa para el todo, sin saber cómo, tan sólo en la medida en que se le reconoce esencialmente como persona y en que sólo se preocupa de la protección de su individualidad. Es una actividad dividida, de la que cada uno sólo tiene en sus manos un fragmento: del mismo modo que, en una fábrica, nadie forma un todo, sino solamente una parte y no posee las demás habilidades necesarias, ya que solamente algunos determinan la cohesión del conjunto.” Trecho fundamental para a funda(menta)ção do Marxismo.

La libertad burguesa, en este sentido, consiste precisamente en la carencia de lo general, en el principio del aislamiento; pero esta libertad constituye un momento necesario que los antiguos Estados no conocían” É como dizer que Diógenes o Cínico era uma existência necessária – quase uma confissão de mesianismo!

sólo ahora se hace posible la consistencia interior y la indestructible generalidad, real y consolidada en sus partes.” O Estado moderno é realmente muito consistente – como exemplifica muito bem a arbitrariedade racional-legal chamada Israel –; só esperamos que não seja exatamente indestrutível! Felizmente, entretanto, Hegel não perde muitas páginas comentando a Política.

Al otro lado de la filosofía del espíritu se halla la ciencia aristotélica del pensamiento abstracto, la lógica, que aún nos queda por examinar, ciencia venerada por espacio de siglos y de milenios con la misma fuerza con que hoy se la desprecia. Aristóteles está considerado como el padre de la lógica: sus obras sobre esta materia son la fuente y el tratado de los estudios lógicos de todos los tiempos, que no eran, en parte, otra cosa que desarrollos especiales de los principios sentados por el Estagirita, lo que necesariamente hacía de ellos proyecciones secas, opacas, imperfectas y puramente formales; todavía en los tiempos más recientes habría de decir Kant que la lógica era, desde Aristóteles, como la geometría pura desde Euclides, una ciencia acabada que había venido manteniéndose hasta nuestros días sin experimentar el más pequeño mejoramiento científico ni enriquecerse con ninguna aportación nueva.”

Así como en la historia natural se examinan y describen los animales, por ejemplo, el unicornio, el mamut, esta o aquella clase de escarabajos o de moluscos, etc., Aristóteles traza también, en cierto modo, la descripción natural de estas formas espirituales del pensamiento; pero, en estas deducciones de unas cosas a otras, Aristóteles se limita a exponer y precisar el pensamiento en su aplicación finita: su lógica es, por tanto, una historia natural del pensamiento finito.” “hay que reconocer que esta conciencia es verdaderamente admirable, y más admirable aún el desarrollo de esta conciencia; y esta lógica, por tanto, una obra que hace honor en el más alto grado a la profundidad de espíritu de su inventor y a su gran capacidad de abstracción.”

Las categorías, de las que trata la primera de estas 5 obras, son las determinaciones generales, lo que se predica del ser: tanto lo que hoy llamamos conceptos intelectivos como las cualidades simples de las cosas. Podríamos llamar a esto una ontología, una parte de la metafísica; estas determinaciones aparecen también, por tanto, en la metafísica aristotélica.” Diz-se, ademais, que a parte das categorias na Lógica arist. está incompleta.

Los conceptos determinados se predican con unión o sin unión: así por ejemplo, cabe decir: el hombre vence, el buey anda, o bien: el hombre, el buey, vencer, andar.”

As determinações da lógica aristotélicas já foram há muito tempo absorvidas por todos os que filosofam. Quatro noções básicas (abaixo) são o gênero, o geral, o particular e o individual.

El concepto es una realidad lógica y, por tanto, algo en sí puramente pensado, es decir, posible. En el juicio, postula el concepto A como un sujeto real y combina con él a otro algo real, como concepto B; se trata de que B sea el concepto y de que A se halle dotado de ser con respecto a él, pero B es solamente el concepto más general. En el silogismo, trata de imitarse la necesidad: ya en el juicio se contiene la síntesis de un concepto y un deber ser: en el silogismo se trata de dar a esa síntesis la forma de la necesidad, equiparando ambos términos contrapuestos dentro de un tercero como a través del término medio de la razón, por ejemplo en el justo medio de la virtud. La premisa mayor expresa un ser lógico, la menor una posibilidad lógica, pues Cayo es, para la lógica, un algo simplemente posible; la conclusión sirve de lazo de unión entre ambos términos.”

EXPLICAÇÃO CONTIDA NA DEFINIÇÃO DE GÊNERO: “O conceito é uma realidade lógica e, portanto, algo em si puramente pensado, i.e., possível. No juízo, postula-se o conceito A como um sujeito real e se o combina com outro algo real, como conceito B; trata-se de que B seja o conceito e de que A se ache dotado de ser com respeito àquele, mas B é somente o conceito mais geral. No silogismo, trata-se de imitar a necessidade: ao passo que no juízo contém-se a síntese de um conceito e um dever-ser, no silogismo dá-se a tal síntese a forma da necessidade, equiparando ambos os termos contrapostos dentre de um terceiro como através do termo-médio da razão, p.ex. no justo meio da virtude. A premissa maior expressa um ser lógico, a menor uma possibilidade lógica, uma vez que Caio é, para a lógica, um algo simplesmente possível; a conclusão serve de laço de união entre ambos os termos.” Parece muito mais difícil do que é pela explicação.

Há um problema com a Lógica aristotélica quando avaliada por Hegel, pois falta-lhe a noção do Absoluto, presente na lógica hegeliana. Por isso, o “geral” em Ar. é uma determinação “pobre”, aquém do “geral moderno”, ou geral em H. Veja abaixo:

O GERAL: Aquilo que não é nem ser em si (essência, potência, abstrato) sem ser para si (aparência, ato, concreto).

O PARTICULAR: O concreto, partícipe do geral, a aparência que o sujeito pode nomear como momento seu. O predicado determinado-com-referência-a. Poderíamos dizer que se houvesse a reflexão sobre a reflexão nesse processo, seria o Absoluto hegeliano (o ser em e para si); mas aqui não há este desdobrar e retornar a si mesmo da consciência individual, então o processo é incompleto.

O INDIVIDUAL: A aparência pura (fenômeno, representação). O predicado indeterminado. Chamado, em outro tópico do livro, de categoria da substância. Como é mera ação cega, um nível abaixo da concretude, mal é conceito.

Enfim, ‘memorizar’ essas sutilezas a nada leva, senão que o raciocínio filosófico e o pensamento lógico se formam naturalmente no filósofo. O acrescer o tempo todo homônimos só confunde a cabeça dos neófitos.

La segunda obra es la que versa sobre la interpretación

Provavelmente o que hoje ensina-se como RACIOCÍNIO LÓGICO propriamente dito. Proposições, verdade ou falsidade (inferência e juízo do contéudo que se contradiz).

Forman la tercera parte los libros analíticos, que son 2 obras, los primeros y los posteriores: [¿?] tratan con bastante detalle de la prueba y de los silogismos.”

La cuarta obra es la llamada Tópicos, que trata de los lugares (topoi)” “Esta parte de la lógica aristotélica fue desarrollada por Cicerón [¡!] y Giordano Bruno.” “Ahora bien, esto, según Aristóteles, forma parte de la dialéctica, que él llama un instrumento para descubrir proposiciones y conclusiones, partiendo de lo probable.” “Y distingue también los silogismos dialécticos y probatorios de los retóricos y de toda clase de medios de persuasión, incluyendo entre los retóricos la inducción.”

Finalmente, la quinta obra es la llamada Refutaciones sofísticas o De los giros, en la que, en el desarrollo inconsciente del pensamiento en sus categorías, por lo que se refiere a la parte material de las representaciones, cae en constantes contradicciones consigo mismo.” “los que más se distinguieron en el estudio de estas contradicciones fueron los megáricos”

Pues, por muy árida y carente de contenido que pueda parecernos la enumeración de las distintas clases de juicios y silogismos y sus múltiples entrelazamientos y camino poco adecuado para llegar a la verdad, no es posible levantar, por vía de contradicción, otra ciencia frente a ésta. Si, por ejemplo, se considera como una aspiración legítima y digna llegar a conocer, en la entomología erudita, la indecible cantidad de animales que existen, por ejemplo, las 167 especies de cuclillos, diferenciadas a veces solamente por un mechoncito de plumas en la cabeza, una miserable especie nueva de musgo dentro del miserable género musgo, un insecto, una hormiga, una chinche, etc., no cabe duda de que es mucho más importante conocer las diversas modalidades del movimiento del pensar.” Bom ponto, H.! Mas a Lógica aristotélica não deixará de ser chata por isso!

su defecto no consiste, por tanto, en que sean simplemente formas, sino por el contrario en que carecen de forma y en que hay en ellas demasiado contenido.” Em vez de o Estagirita, o Enciclopédico como epíteto!

A pesar de que esta lógica de lo finito es, por naturaleza, muy poco especulativa, no hay más remedio que conocerla, pues la encontramos por todas partes en las relaciones de lo finito. Hay muchas ciencias, conocimientos, etc., que no conocen ni aplican más formas del pensamiento que estas formas del pensar finito, que en realidad constituyen el método general de las ciencias finitas. Las matemáticas, por ejemplo, son un proceso constante de deducciones; y la jurisprudencia consiste en la subsunción de lo particular bajo lo general, en la unión de estos dos aspectos.

Dentro de estas relaciones de determinaciones finitas, el silogismo es indudablemente por la trinidad de sus términos, la totalidad de estas determinaciones, razón por la cual ha sido llamado por Kant (Crítica de la razón pura, p. 261) el silogismo racional” Os doidos entendem-se entre si. H. e K. seriam amissíssimos se contemporâneos, com toda a certeza. Acontece que quando Hegel entrava na idade para filosofar, Kant já era um octogenário.

La lógica de Aristóteles, al igual que toda su filosofía, necesita esencialmente ser sometida a esta refundición, para que la serie de sus determinaciones pueda reducirse a un todo sistemático necesario: no a un todo sistemático en que todas las partes aparecen exactamente clasificadas, sin olvidar ninguna, y colocadas por su orden debido, sino a un todo orgánico vivo, en que cada parte valga como parte y sólo el todo, como tal, tenga verdad.”

Y con lo dicho ponemos fin a nuestro resumen de la filosofía aristotélica, de la que no es fácil por cierto desprenderse, pues cuanto más entra uno en detalles de ella más interesante resulta y más cohesión encuentra uno en los temas.” “Esto hace que no podamos decir gran cosa de los discípulos de Aristóteles, ni de Teofrasto ni de muchos otros (por ejemplo, de Dicearco de Mesina), el más famoso de los cuales fue Estratón de Lampsaco, sucesor de Teofrasto.”

El triunfo celebrado al renacer las ciencias por el hecho de que la filosofía aristotélica fuese desplazada de las escuelas, de las ciencias y principalmente de la teología, como la filosofía sobre la esencia absoluta, tiene este doble aspecto: de una parte, el de que lo que se desplazaba no era tanto la filosofía aristotélica como el principio de la ciencia teológica basado en ella y con arreglo al cual la primera verdad es una verdad dada, revelada, una premisa sentada de una vez por todas, dotada de fuerza y de razón y en torno a la cual se mueven de un lado para otro, solamente de un modo superficial, la razón y el pensamiento.” “Pero otro de los aspectos de este triunfo fue el triunfo de la vulgaridad, que se emancipó del concepto y sacudió el yugo del pensamiento. Antes se hablaba mucho, como sigue hablándose aún hoy, de las sutilezas escolásticas de Aristóteles; cree haberse encontrado en este nombre un derecho para ahorrarse las molestias de la abstracción y huir del concepto, entregándose a las sensaciones de la vista y del oído y a lo que se llama sano sentido común.” “los escarabajos, las especies de aves, se distinguen hoy con la misma sutileza con que en otros tiempos los conceptos y los pensamientos. Si una especie de pájaros tiene el plumaje rojo o verde, tal o cual forma de cola, etc., son sutilezas con las que es más fácil encontrarse hoy que con las distinciones que afectan al pensamiento” Mas pensé bem: se os alemães tivessem se atido à ornitologia não teríamos tido duas guerras mundiais…

El defecto de la filosofía aristotélica estriba en que —después de haberse elevado, por medio de ella, la multiplicidad de los fenómenos al plano del concepto y de haberse descompuesto éste en una serie de conceptos determinados— no se hizo valer la unidad del concepto que la unificaba de un modo absoluto: y esto es precisamente lo que habrán de llevar a cabo los tiempos posteriores.” Tempos posteriores, leia-se: eu.

Pero la unidad como concepto, la unidad general y negativa en sí, el tiempo como tiempo, absolutamente cumplido y en su cumplimiento como unidad, es la conciencia pura de sí mismo.”

Ponemos fin, así, a la primera sección de la filosofía griega para pasar en seguida al segundo período de ella.” “La necesidad inmediata, lo inmediatamente necesario, tiene que contenerse en aquello que la filosofía había llegado a ser con Platón y Aristóteles.”

A FRANÇA COMO O ANTÍDOTO DA SISTEMOFILIA HEGELIANA: “así también, los franceses llaman a lo dogmático systématique y dan el nombre de systéme a aquel conjunto de representaciones en el que todas tienen que emanar consecuentemente de una determinación; y por eso también systématique es, para ellos, sinónimo de unilateral.”

Y si en el estudio de este primer período nos hemos detenido demasiado, podremos recobrar el espacio en el examen del segundo, en el que ya no tenemos para qué extendernos tanto.”

SECCIÓN SEGUNDA:

SEGUNDO PERÍODO: EL DOGMATISMO Y EL ESCEPTICISMO

Dentro del funesto mundo romano, se borra con mano áspera todo lo que había de bello y de noble en la individualidad espiritual. En este estado de divorcio del mundo, en que el hombre se ve empujado a su interior, esfuérzase en buscar por la vía de lo abstracto la unidad y la satisfacción que ya no acierta a encontrar en el mundo. Por eso precisamente el mundo romano es el mundo de la abstracción, en el que se extiende una fría dominación sobre el mundo culto. Las individualidades vivas de los espíritus de los pueblos se ven reprimidas y son asesinadas; un poder extraño viene a pesar, como lo general abstracto, sobre el individuo.”

No cabe duda de que el mundo romano dio vida a un patriotismo formal y a sus virtudes correspondientes, así como a un sistema de derecho muy desarrollado; pero de una muerte así no podía surgir una filosofía especulativa, sino solamente buenos abogados y la moral de un Tácito. Por eso estas filosofías, con excepción del estoicismo, se manifestaron entre los romanos en oposición con su antigua fe supersticiosa; y en general la filosofía pasa a ocupar ahora el lugar de la religión.”

la imperturbabilidad y la igualdad del espíritu consigo mismo, al que nada hace sufrir, ni la alegría ni el dolor, y que no se halla determinado por ningún otro nexo, es el punto de vista común y la meta común de todas estas filosofías”

El fundador de la escuela estoica es un Zenón que no debe confundirse con el de Elea: Zenón, de Cirio, ciudad de la isla de Chipre, que nació alrededor de la 109ª Olimpíada. Su padre era comerciante y en sus viajes comerciales le llevó de Atenas —que era y habría de seguir siendo durante mucho tiempo la sede de la filosofía y de gran número de filósofos— algunos libros, compuestos principalmente por los socráticos, lo que despertó en aquel joven el afán y el amor por la ciencia.”

Zenón visitó en Atenas a varias clases de socráticos, principalmente a Jenócrates, figura de la escuela platónica que había llegado a hacerse muy famoso por el rigor de sus costumbres y por la gran seriedad de su conducta, habiendo sido sometido a pruebas semejantes a las que se vio sometido San Francisco de Asís, saliendo también triunfante de ellas.” “La filosofía estaba considerada entonces como un asunto de la vida, y de la vida en su totalidad; no era una enseñanza que se cursase en tantas o cuantas lecciones, para pasar en seguida, corriendo, a otra materia.” “hasta que por último actuó por cuenta propia como maestro en un pórtico o stoa, decorada con la colección de pinturas de Polígnoto, y de aquí tomó su escuela el nombre de escuela estoica.”

Por su cultivo de la ciencia, hízose más célebre que Cleanto [discípulo de Zenão de Círio] su discípulo Crisipo de Cilicia, que nació en la Ol. 125,1 (280 a.C.), quien vivía también en Atenas y fue seguramente el que más hizo por el desarrollo y la difusión de la filosofía estoica en todos sus aspectos. Le hizo famoso, sobre todo, su lógica y su dialéctica, hasta el punto de que se llegara a decir: si los dioses se dedicasen a la dialéctica, no se valdrían para ello de otra que de la de Crisipo. Sus contemporáneos admiraban también su laboriosidad como escritor; el número de sus obras ascendía en efecto, como indica Diógenes Laercio, a la cifra de 750. Cuéntase de él, en relación con esto, que escribía unas 500 líneas diarias. Sin embargo, la manera de componer sus escritos neutraliza bastante todo lo que tenía de admirable esta laboriosidad como escritor y revela que la mayoría de sus obras eran simples compilaciones o repeticiones. Escribía con frecuencia acerca de los mismos temas; llevaba al papel todo lo que se le ocurría y fue acumulando así una multitud de noticias y testimonios; copiaba a veces libros casi enteros de otros, y alguien llegó a decir, juzgando su obra, que si se le quitara todo lo que en ella pertenecía a otros, apenas quedaría más que el papel en blanco. Claro está que este juicio es bastante exagerado, como lo revelan las muchas citas de los estoicos, en las que Crisipo figura siempre a la cabeza, utilizándose en ellas, de preferencia, sus definiciones y explicaciones. Pero sus obras, de las que Diógenes Laercio trae una copiosa lista, se han perdido en su totalidad para nosotros; podemos, sin embargo, asegurar que desarrolló principalmente la lógica estoica. Si es de lamentar que no se conservasen algunas de sus mejores obras, tal vez sea una suerte que no se conservaran todas; pero, puestos a elegir entre todas o ninguna, nos veríamos en duro trance.” Hahahaha!

TODOS OS DIÓGENES DO MUNDO SÃO FILÓSOFOS GREGOS: “Después de él, se destacó Diógenes de Seleucia, en Babilonia, con quien debió de aprender dialéctica Carneades, el famoso académico. Diógenes es también una figura notable por haber sido enviado como embajador ateniense a Roma en tiempo de Catón el Mayor, en la Ol. 156,2 (156 a.C.), en unión de este mismo Carneades y de Critolao, un pensador peripatético; esta embajada empezó a iniciar a los romanos, en la misma Roma, en los estudios de la filosofía, la dialéctica y la elocuencia griegas, a través de las conferencias explicadas allí por los citados embajadores-filósofos.”

Más tarde, vemos cómo la filosofía estoica pasa a manos de los propios romanos; es decir, se convierte en la filosofía de muchos romanos, pero sin que esta filosofía salga, con ello, ganando mucho como ciencia: por el contrario, con Séneca y los estoicos posteriores, Epicteto y Antonino [Marco Aurélio], pierde en realidad todo su interés especulativo para convertirse en una doctrina más bien retórica y parenética, que no hay por qué incluir en la historia de la filosofía, como no habría por qué incluir en ella tampoco los sermones de nuestros días.”

A base de sus lecciones compuso Arriano las prolijas Dissertationes Epicteteae, que aún poseemos, y el compendio del estoicismo. (Aulo Gélio, Noites Áticas)

Del emperador Marco Aurelio Antonino, que reinó primero (de 161 a 169 d.C.) junto con Lucio Aurelio Vero y luego (de 169 a 180) solo, habiendo conducido la guerra contra los marcomanos, poseemos todavía sus Pensamientos, en 12 libros, en los que se habla continuamente a sí mismo; pero estas meditaciones no tienen ningún carácter especulativo, sino que son simples exhortaciones, por ejemplo, la de que el hombre debe formarse en todas las virtudes.”

Por lo que se refiere a la filosofía de los estoicos, éstos la dividían claramente en 3 partes con las que ya nos encontrábamos anteriormente y que seguirán siendo, en general, las mismas: primero, la lógica; segundo, la física o filosofía de la naturaleza; y, tercero, la ética, la filosofía del espíritu, principalmente desde el punto de vista práctico.”

Su filosofía es panteísmo. Pero toda filosofía es, en rigor, panteísta, ya que pone de manifiesto que el concepto racional existe en el universo.”

Nada acaece en el mundo sin ti, ¡oh demonio!, ni en el polo etéreo del cielo, ni en el mar, fuera de lo que los malos hacen por su propia falta de entendimiento. Pero tú sabes también enderezar lo torcido, ordenar lo desordenado y convertir lo hostil en amistoso. Pues así has sabido armonizarlo todo en unidad, lo bueno y lo malo, de tal modo que sólo existe en todo un concepto (logos), que siempre existe y del que huyen los malos entre los mortales. ¡Desgraciados aquellos que, clamando siempre por la posesión de lo bueno, no comprenden la ley general de Dios ni dan oídos a aquel a quien si escuchasen con la razón les haría llevar una vida buena!” Cleanto apud Estobeu, Éclogas

Heráclito y el estoicismo conciben, pues, certeramente este proceso como un proceso general y eterno. La idea se adocena ya en Cicerón, quien ve falsamente, detrás de este pensamiento, la combustión del universo en el tiempo y el fin del mundo, lo cual tiene ya un sentido completamente distinto.” “para los estoicos todo es devenir.”

La simiente que hace nacer algo racional es ella misma racional. El universo hace brotar la simiente de lo racional y es, por tanto, racional de suyo”

sólo los estoicos de la primera época tenían en su filosofía una parte física; los posteriores desdeñaban totalmente la física para atenerse exclusivamente a la lógica y a la moral.” Movimento correto.

Los estoicos se atienen, pues, a la representación general según la cual todo lo individual se halla encuadrado en un concepto y éste, a su vez, en un concepto general que es el universo mismo.”

Ahora bien, el que unas veces los dioses hagan conocer a los hombres el futuro e intervengan y otras veces se abstengan de ello es una inconsecuencia, es decir, algo incomprensible; pero en esta incomprensibilidad, precisamente, en este elemento irracional, estriba el triunfo del modo religioso usual de concebir. Por eso, toda la superstición de los romanos encontraba en los estoicos sus más firmes patronos; los estoicos toman bajo su tutela y justifican toda la superstición de los romanos.”

La mera representación por sí misma era, según ellos, una figuración, a la que Crisipo daba el nombre de cambio.”

esta retórica en torno al sabio sólo tiene su fundamento en la indeterminabilidad de los criterios, que no permite avanzar hasta llegar a la determinación del contenido.”

la razón se encarga en el hombre de convertir en una obra de arte lo que en el animal sólo es un instinto.”

La virtud es predicada de un modo enérgico, estimulante, edificante; pero no se nos ofrecen las determinaciones necesarias para saber en qué consiste esta ley general de la virtud.”

Un acto bueno que no fuese útil no sería tal acto, ni tendría realidad. Lo inútil en sí de lo bueno es su abstracción, como la negación o la ausencia de la realidad. No sólo se puede, sino que se debe tener la conciencia de la utilidad, pues es verdad que lo bueno sabe siempre, además, ser útil. La utilidad quiere decir simplemente que se abriga una conciencia de los propios actos. Si esta conciencia es censurable, aún lo es en mayor medida saber mucho de la bondad de sus actos y considerarlos menos desde el punto de vista de la necesidad” Tudo derivação da perseguição da Idéia de Platão…

Por tanto, este comportarse-exclusivamente-con-arreglo-a-la-razón entraña, visto más de cerca, la concentración abstracta del hombre dentro de sí mismo, que lleva consigo la conciencia de lo verdadero, renunciando con ello a todo lo que guarde relación con los impulsos inmediatos, las sensaciones, etc.” “satisfacerse en sí mismo y no en algo exteriormente condicionado.” “Los escritos de Séneca y Marco Aurelio contienen mucho de verdad en este sentido, y pueden servir de eficaz punto de apoyo al hombre que no haya sido capaz de remontarse aún a una convicción superior.” “Quien siente apetencia de gloria para después de su muerte no se da cuenta de que cuantos a él puedan recordarle están sujetos también a morir y también los que a ellos les sigan, hasta que toda memoria se borre con estos hombres que, admirándolo, están llamados a desaparecer.” “Es en este criterio de la independencia y la libertad interiores abstractas del carácter mismo donde radica precisamente la fuerza que caracterizaba a los estoicos” “Aquella libertad que los estoicos atribuyen al hombre no carece de relación con otra cosa; se halla más bien supeditado [subordinado] a ella, y en este aspecto reside precisamente la felicidad. Mi independencia no es más que uno de los lados, al que no corresponde, por tanto, por ello sólo, el otro lado, el lado especial de mi existencia.” “el ethos contiene esencialmente mi convicción subjetiva de que lo que hago se halla a tono con las determinaciones racionales de la voluntad, con los deberes generales.” “Los estoicos dicen, en este respecto: sólo debe buscarse la virtud, pues la virtud lleva aparejada siempre, por sí misma, la felicidad. Y esta felicidad es la verdadera, la inconmovible, aunque al hombre pueda ocurrirle cualquier otra desdicha.”

Lo grande de la filosofía estoica es, por tanto, que nada puede hacer flaquear la voluntad si se mantiene firme de este modo, que todo lo que no sea esto se mantiene fuera de ella, ya que ni siquiera el alejamiento del dolor puede ser considerado como un fin. Los estoicos viéronse expuestos a las burlas de las gentes por decir que el dolor no era ningún mal. Claro está que, al decir esto, no querían referirse, ni mucho menos, a los dolores de muelas o a otros dolores físicos por el estilo. El hombre se halla necesariamente expuesto a esta clase de dolores; pero una cosa son estos dolores y otra cosa distinta la desdicha.” “Es, pues, totalmente exacto que los sufrimientos, los dolores, etc., no son ningún mal que pueda venir a perturbar la igualdad conmigo mismo, mi libertad; en cuanto me siento en consonancia conmigo mismo, me hallo por encima de todas esas cosas y, aun cuando las sienta, no abren dentro de mí ninguna separación. Esta unidad interior conmigo mismo, en cuanto sentida, es la felicidad; la cual no se ve destruida ni perturbada por causas de orden exterior.”

Otra contraposición es la que se da dentro de la virtud misma. Por cuanto que se debe tomar como pauta de la conducta la ley general de la razón certera, es como si no existiera, en rigor, ninguna determinación fija; pues todo deber es siempre un contenido particular, aunque se lo pueda concebir bajo una forma general, pero sin que esto modifique para nada el contenido.” “en cuanto que no puede establecerse un criterio último y decisivo acerca de lo que puede llamarse bueno, sino que el principio carece de determinación, la última decisión corresponde al sujeto.” “En efecto, desde Sócrates ya había dejado de ser la instancia inapelable de lo justo en Atenas la costumbre; con los estoicos desaparece, por tanto, toda determinación exterior, y lo decisivo sólo puede situarse en el sujeto como tal, que es de suyo el que en última instancia determina, en cuanto conciencia.”

En efecto, si los estoicos se remontaran sobre el simple concepto del obrar al servicio del fin que es en sí y penetraran en el conocimiento del contenido, no necesitarían expresar esto como un sujeto. La propia conservación racional del hombre es, para ellos, la virtud.” “La realidad moral consiste precisamente en esto, en ser; pues del mismo modo que la naturaleza es un sistema permanente y ente, también lo espiritual tiene que ser eso: un mundo objetivo. Pero a esta realidad no llegaron los estoicos. Y este pensamiento podría expresarse también así: su realidad moral es sólo el modo, un ideal y no una realidad” A.k.a. Platão, principalmente n’O Banquete e no Fédon. Afinal, quem nunca foi queimado dentro dum cavalo de madeira nem cortou a própria jugular a mando do imperador nem tomou de livre e espontânea vontade a cicuta após ser condenado na assembléia ateniense nada pode discorrer sobre essas três consumações: não pode dizer que morrer queimado vivo é em si pior ou melhor do que infligir-se um corte ou tomar veneno, ou mesmo que ser banido de sua polis. O sábio resigna-se ao seu fado, e é só.

debe luchar, en efecto, contra la individualidad de su existencia o ser indiferente a ella, y también contra la consonancia y la falta de consonancia con lo individual, así como ser capaz de renunciar a la felicidad o sentirse libre de ella, suponiendo que la posea; pues de lo que se trata es simplemente de la consonancia consigo mismo como con algo general.” “Ahora bien, si podemos llamar a esta felicidad la felicidad verdadera, para distinguirla de la otra, esto quiere decir solamente una cosa: que la palabra felicidad es poco acertada.” “La tendencia a la felicidad, a los goces espirituales, y las chácharas en torno a las excelencias de los goces de la ciencia y el arte, etc., son, por consiguiente, algo vacuo, pues la cosa misma de que aquí se trata no presenta ya, en efecto, la forma del disfrute o, mejor dicho, supera incluso esa representación.” “La más alta idea de Aristóteles, el pensamiento del pensamiento, se conserva también en el estoicismo, pero de tal modo que aquello no aparece aquí aislado, como parece estarlo en Aristóteles, con otras cosas al lado de ello, sino que es lo único.” “Por tanto, la descripción del ideal, por parte de los estoicos, es una retórica general y, por ello mismo, carente de interés; o solamente es notable en ella lo negativo.”

Vemos proclamada aquí la autonomía y la autocracia del sabio, quien, obligado a seguir tan sólo los dictados de la razón, se declara libre del deber de ajustarse a todas las leyes determinadas que rigen y que no puedan invocar en su apoyo un fundamento racional o parezcan descansar más bien sobre el temor natural o sobre el instinto.” “si a primera vista el incesto, la pederastia, la antropofagia, etc., sólo parecen estar vedadas por el instinto natural del hombre, es lo cierto que tampoco pueden mantenerse ante el foro de la razón.”

H. começa a especular, p.ex., se estaria vivendo estoicamente um estóico que declarasse que é irracional, em que pese de certa forma natural, respeitar a propriedade privada, para polemizar com os apologistas do ideal estóico (já que isso não parece ter importância alguma no estoicismo concreto ou histórico): “Tratar de justificar por medio de un fundamento semejante contenido es, por tanto, confundir el conocimiento de las cosas en detalle con el conocimiento de toda la realidad; es la superficialidad del conocimiento que se niega a reconocer algo por no reconocerlo desde tal o cual punto de vista o en tal o cual aspecto, y única y exclusivamente porque sólo indaga y conoce las razones inmediatas, sin que pueda saber si existen también otros aspectos y otras razones.”

O ETHOS DO ESTOICISMO MADURO OU TARDIO: “Llegan a deducciones basadas en circunstancias, en conexiones, en consecuencias, descubriendo así contradicciones o contraposiciones: así proceden Marco Aurelio y Séneca, con gran ingenio y de un modo edificante.”

soy yo, entonces, quien hago surgir estas razones sabias y buenas. No son las razones mismas la cosa, lo objetivo, sino que son obra de mi libre voluntad, de mi capricho, algo de que me valgo yo para justificar ante mí mismo mis nobles intenciones” Para o sábio, isto faz sentido e é seu mundo – para a maioria massacrante da população, não.

En el propio Séneca encontramos más lastre y hojarasca de reflexiones morales que verdadera solidez: y así, vemos que se le echan en cara, de una parte, sus riquezas y el lujo de su vida, siendo verdad que Nerón le había regalado riquezas inmensas; del mismo modo que, por otra parte, podría reprochársele su discípulo, Nerón, quien también pronunciaba discursos morales, redactados para él por Séneca.

Esta manera de razonar es a veces brillante, como en Séneca: encontramos en él muchas cosas estimulantes y fortalecedoras para el ánimo, ingeniosas antítesis, retórica; pero estos discursos morales nos producen, al mismo tiempo, frío y fastidio. Se siente uno estimulado, pero con frecuencia insatisfecho: muchos de estos razonamientos podrían ser calificados de sofísticos; y, aunque no haya más remedio que reconocer en ellos la sutileza de las distinciones y las opiniones honradas, el fondo del convencimiento resulta siempre un tanto defectuoso.”

CRÍTICA DA CRÍTICA DA RAZÃO PRÁTICA: “En segundo lugar, el punto de vista estoico lleva implícito el principio superior, aunque negativo y formal, de que lo pensado es, simplemente por serlo, un fin y algo bueno, por lo cual en esta forma del pensamiento abstracto, lo mismo que en el principio kantiano del deber, se contiene ya aquello en que el hombre basa y tiene necesariamente que basar el fundamento de su conciencia de sí mismo, de tal modo que no tiene por qué tener en cuenta ni perseguir, de suyo, nada que ofrezca otro contenido, cualquiera que él sea.”

La firmeza formal del espíritu que se abstrae de todo no plantea ante nosotros ninguna evolución de principios objetivos, sino un sujeto que se mantiene en pie en esta inmutabilidad y en esta indiferencia, no ciega, sino querida; y en esto consiste la infinitud de la conciencia de sí mismo.” “La fuerza de la repulsa a la existencia es grande y la energía de esta actitud negativa, sublime.” “Por eso, al desaparecer la existencia política y la realidad moral de Grecia y cuando más tarde tampoco el imperio romano pudo encontrar satisfacción en el presente, este mundo se replegó hacia sí mismo, buscando dentro de sí lo justo y lo moral que había desaparecido ya de la vida general exterior. § Platón proclamó el ideal de una república, es decir, de una vida racional de los hombres dentro del Estado, pues esta vigencia del derecho, la moralidad y la costumbre era, para él, lo fundamental, lo que forma el lado de la realidad de lo racional; y sólo por medio de este estado racional del mundo podía, según él, existir la armonía de lo exterior y lo interior, en este sentido concreto.” Você superestima a esperança platônica de que teríamos o Estado do sábio, que fosse um programa para seguir, ainda que não fosse uma utopia no sentido de Thomas More. Como o próprio H. determinou no lugar certo, tratava-se de uma “Esparta melhorada”, concebível, ao menos, no mundo grego, antes do ocaso completo de Atenas. Ainda assim, não há nada de histórico na República. É realmente muito mais um subterfúgio para imaginar onde e quando um autoeducado sábio poderia viver para sua máxima plenitude, ao lado de outros raros como ele.

TUDO SÃO CASOS ISOLADOS: “En lo tocante a la moral, a la fuerza de la buena voluntad, no es posible leer nada mejor que lo escrito por Marco Aurelio en sus meditaciones acerca de sí mismo. Este hombre reinaba sobre toda la tierra entonces conocida y cultivada, habiéndose comportado también noble y rectamente como particular. Sin embargo, este emperador filosófico no hizo cambiar en lo más mínimo el estado del imperio romano; y su sucesor, hombre de carácter totalmente distinto, no se sentía obligado por nada a poner trabas a un estado tan malo como el que radicaba en su propia maldad y arbitrariedad.”

En la medida en que yo puedo hablar de derecho, debo decir que no he sido capaz de encontrar en el derecho romano nada que guarde alguna relación con el pensamiento, con la filosofía, con el concepto. Podríamos, sí, llamar filósofos a los juristas romanos si entendiéramos por pensamiento lógico la consecuencia intelectiva; pero ésta la encontramos también en el señor Hugo,(*) quien, sin embargo, no creemos que tenga la pretensión de pasar por filósofo.

(*) Hegel se refiere a Gustav von Hugo (1764-1844), jurista alemán que fue el fundador de la escuela histórica del derecho, continuada y desarrollada por Savigny [E.].”

Así como los estoicos no centraban en las necesidades sino en la razón general el principio de los cínicos, según el cual el hombre debía limitarse a la simple naturaleza, Epicuro eleva también al plano del pensamiento el principio de que el placer constituye un fin, buscando lo placentero en un algo general, determinado por el pensamiento. Ahora bien, aunque con ello se asimile la doctrina de los cirenaicos, llevándola a un alto grado de cientificidad, ya de suyo se comprende, desde el momento en que el ser sentido rige como lo verdadero, que con ello se supera de un modo general la necesidad del concepto, todo se dispersa sin ningún interés especulativo y, en realidad, las cosas se degradan hasta el punto de vista del sano sentido común.”

Sus padres eran pobres; su padre, Neocles, era maestro de escuela de aldea y su madre, Querestrata, se dedicaba a las artes de la brujería, es decir, ganaba algún dinero, como muchas mujeres de Tracia y de Tesalia, con fórmulas de encantamiento y hechicería, muy usuales en aquella época. Su padre —y con él Epicuro— emigró con una colonia ateniense a Samos, pero también allí hubo de seguir dedicándose a la enseñanza de los niños, ya que el pedazo de tierra de que disponía para su cultivo no le bastaba para cubrir las necesidades de la familia.” “dedicóse principalmente al estudio de la filosofía de Demócrito. Mantuvo además trato personal con algunos de los filósofos de aquel tiempo, tales como Jenócrates, el platónico, y Teofrasto, el discípulo de Aristóteles. A los 12 años leía en unión de su maestro a Hesíodo, el que lo hace nacer todo del caos, lo cual no dejó de influir seguramente en sus propias concepciones filosóficas. Por lo demás, se llamó siempre un autodidacta, en el sentido de que había producido su filosofía por sí solo, sin ayuda de nadie; pero sin que de ello deba deducirse, en modo alguno, que no siguió las enseñanzas de otros filósofos ni estudió tampoco los escritos de otros pensadores.”

O JARDIM DAS DELÍCIAS ERUDITAS: “Epicuro empezó actuando como profesor de su propia filosofía en Lesbos (Mitilene) y más tarde en Lampsaco, en el Asia Menor, aunque sin llegar a reunir muchos oyentes. Después de haber pasado allí varios años, a los 36 de edad aproximadamente, regresó a Atenas, es decir, al verdadero centro de la filosofía y, al poco tiempo, adquirió un jardín, donde vivía entre sus discípulos, dedicado a la enseñanza.

A pesar de la debilidad de su cuerpo, que le tenía sujeto a un sillón, sin permitirle levantarse de él durante varios años, llevaba un régimen de vida absolutamente regular y de una frugalidad extraordinaria, consagrándose por entero y sin ningún otro negocio ni ocupación alguna al cultivo de la ciencia. El mismo Cicerón, a pesar de lo insulsamente que habla de él, reconoce que era, desde luego, un amigo fiel y cariñoso, y añade que nadie podría negar que era un hombre bueno y dulce, amante del prójimo.”

Probablemente no habrá habido maestro tan querido y venerado por sus discípulos como Epicuro; era tan grande la intimidad de su convivencia, que concibieron el propósito de reunir sus bienes para seguir viviendo en permanente comunidad, como en una especie de Liga pitagórica. Sin embargo, el propio Epicuro les prohibió que lo hiciesen, por entender que ya esto mismo representaba cierta desconfianza en cuanto a su mutua buena voluntad y porque entre quienes abrigaban o podían abrigar recelos de este género era difícil que reinasen la amistad, la unión y la lealtad mutua.

Después de su muerte, sus discípulos veneraron fiel y constantemente su memoria; lucían su imagen por todas partes en anillos y en copas, y era tal la fidelidad que profesaban a las doctrinas de su maestro que se tenía entre ellos por una especie de transgresión el tratar de modificarlas en lo más mínimo (a diferencia de lo que ocurría con los estoicos, que laboraban incesantemente por desarrollar las doctrinas de su fundador), por lo que su escuela era una especie de Estado amurallado en lo tocante a la doctrina.”

la ausencia de pensamiento se ve siempre trastornada por el concepto” Muito do que acontece com o Marxismo, p.ex.

la actividad filosófica de Epicuro consiste precisamente en volverse de espaldas al concepto, que es lo que trastorna y embrolla lo sensible.”

sólo un tal Metrodoro parece que llegó a desarrollar algunos aspectos de ella. Dícese también, en elogio de la filosofía de Epicuro, que este Metrodoro fue el único discípulo del maestro que se pasó al campo de Carneades; fuera de este caso, el epicureísmo sobrepuja a todas las demás filosofías por su sucesión ininterrumpida de doctrina y persistencia, ya que todas las demás desaparecieron o sufrieron interrupciones, mientras que ella se mantuvo constantemente en pie, sin sufrir cambios.”

Los hombres pueden convertirse en castrados, pero los castrados jamás vuelven a ser hombres.” Arcesilao

Epicuro escribió a lo largo de su vida una enorme cantidad de obras, pudiendo considerársele como un autor aún más fecundo que Crisipo, pues aunque éste rivalizó con él como escritor, hay que descontar de su obra lo que tomó de otros. Dícese que el número de sus obras llegó a sumar 300. Estas obras no han llegado a nosotros, y a la verdad que no hay por qué lamentarlo. Lejos de ello, debemos dar gracias a Dios de que no se hayan conservado; los filólogos, por lo menos, habrían pasado grandes fatigas con ellas.

La fuente principal para el conocimiento de Epicuro es todo el libro décimo de Diógenes Laercio; pero, a pesar de la prolijidad con que habla de este pensador, esta fuente no puede ser más vacua; [¡!] evidentemente, la doctrina de Epicuro mismo debe haber sido mejor; conocemos por fortuna lo bastante acerca de él para poder enjuiciarlo en conjunto. Es mucho lo que acerca de la filosofía de Epicuro nos dicen Cicerón, Sexto Empírico y Séneca, y tan certeras son sus exposiciones, que el fragmento de una obra del propio Epicuro descubierta hace algunos años en Herculano y que Orelli ha incluido en su edición napolitana (Epicuri Fragmenta libri II et XI, De natura, illustr. Orellius, Leipzig, 1818) no ha venido en realidad a decirnos nada nuevo”

Por lo que se refiere a la filosofía de Epicuro, no debemos ver en ella, en realidad, la afirmación de un sistema de conceptos, sino, por oposición a ello, la afirmación de un sistema de representaciones

Lo que es en rigor una lógica es lo que Epicuro llama canónica, es decir, el conjunto de cánones en que expone los criterios de la verdad, con vistas a lo teórico, así como las sensaciones en general, y en seguida como las representaciones o anticipaciones

La sensación carece de fundamento, [p]ues no es movida por sí misma, ni aunque sea movida por otro factor, puede quitar ni añadir nada” “Ni una sensación extraña puede enjuiciar a otra extraña, pues debemos tomarlas en cuenta todas. Tampoco el pensamiento puede criticar las sensaciones, pues todo pensamiento depende, a su vez, de la sensación” “Y así, todos los pensamientos han tenido como punto de partida las sensaciones, tanto con arreglo al carácter casual de su nacimiento como en cuanto a la relación, a la semejanza y a la combinación; a lo cual contribuye también algo el pensamiento” “También las figuraciones de la locura o del sueño son verdaderas, puesto que mueven al hombre, y nada que mueve es inexistente.”

lo que veo u oigo, la intuición sensible en general contiene lo que es; todo lo sensiblemente intuido es algo por sí mismo, lo uno no contradice a lo otro, sino que todas estas sensaciones rigen las unas al lado de las otras y son indiferentes entre sí. Para el pensamiento mismo, estas cosas intuidas son la materia y el contenido, en cuanto que aquél se sirve siempre, a su vez, de las imágenes de estas cosas.”

La representación es, en cierto modo, el concepto, la opinión certera, el pensamiento o el pensamiento implícito general; es, en efecto, la reminiscencia de lo que frecuentemente acaece.” “A través de esta repetición, la sensación se convierte en mí en una representación permanente que se corrobora; tal es el firme fundamento de todo lo que tenemos por verdad.”

Toda cosa recibe su evidencia por medio del nombre que primeramente recibe.”

Es aquella anuencia con que nos encontrábamos en los estoicos como el asentimiento que el pensamiento daba a un contenido; sin embargo, el pensamiento que reconoce la cosa como algo suyo y lo incorpora a sí no pasa de ser en los estoicos algo puramente formal. En Epicuro, en cambio, también la unidad de la representación del objeto consigo misma se halla presente en la conciencia como un recuerdo, pero este recuerdo tiene como punto de partida lo sensible; la imagen, la representación, es el asentimiento prestado a una sensación.” “El nombre es ciertamente algo general, pertenece al pensamiento, hace de lo múltiple una cosa simple, es incluso lo más ideal que cabe concebir: pero de tal modo que su significación y su contenido son lo sensible y no deben valer como este algo simple, sino como lo sensible. La cual nos lleva, no al saber, sino a la opinión.” “La opinión es, en efecto, una representación como aplicación de la misma en cuanto ya tenida, es decir, una aplicación del tipo a un objeto presente, que se investiga para ver si la representación de él coincide con él o no.” Opinião como representação fundamentada. Isto é: representação pura é apresentação. Opinião é que é re-presentação. Que são as estrelas, o firmamento? Uma apresentação à qual damos fé em virtude de nossas representações terrenas. Uma quase opinião.

Tales son los puntos fundamentales de la canónica de Epicuro, la pauta general para la verdad; es tan simple que no puede haber nada más simple, pero es también muy abstracta. Son representaciones psicológicas corrientes, justas en su conjunto, pero completamente superficiales; es sencillamente la mecánica de la representación desde el punto de vista de las primeras manifestaciones de la percepción.” Acontece que a filosofia voltará a essa ‘simplicidade’ depois da derrocada do Idealismo universalista.

Hoy hasta los escépticos hablan de los hechos de la conciencia; claro está que lo que ellos nos dicen no va tampoco más allá que la canónica epicúrea que acabamos de exponer.” Céticos: menos céticos que os cínicos; cínicos: mais cínicos que os céticos.

De la superficie de las cosas —dice en primer lugar Epicuro— arranca un constante fluir que la sensación no percibe y que es muy sutil; y ocurre así porque, por razón del cumplimiento opuesto, la cosa misma retiene firmemente durante largo tiempo esta misma ordenación y disposición de los átomos; y el movimiento de estas superficies que se desprenden es extraordinariamente rápido en el aire, ya que no es necesario que lo desprendido tenga una profundidad.”

Epicuro opta por el criterio más fácil y que sigue siendo hoy el criterio usual y corriente de la verdad, en tanto no se ve: el de que lo que nos representamos no se halla en contradicción con lo que vemos u oímos.”

Jamás podría corroborarse la verdad ni la semejanza de las representaciones que llegan a nosotros en imágenes o en sueños o de otro modo cualquiera, si no existiese algo sobre lo que, en cierto modo, proyectamos nuestras percepciones. (…) Por tanto, según Epicuro, el error sólo es un desplazamiento de las imágenes dentro de nosotros mismos, desplazamiento que no nace del movimiento de las sensaciones, sino más bien del hecho de que entorpecemos su acción por medio de un movimiento iniciado dentro de nosotros mismos”

A estos escasos y pobres pasajes, expuestos en parte de un modo oscuro o torpemente extractados por Diógenes Laercio,¹ se reduce la teoría epicúrea del conocimiento; difícilmente podría concebirse otra más pobre.”

¹ Quase um Karnal da época.

en cuanto que Epicuro considera las cosas, según acabamos de ver, como llenas de multitud de átomos, tenemos que el pensamiento es el otro momento además de los átomos, lo vacío, los poros, lo que permite poner un dique a esta riada [enxurrada] de los átomos.” “apartamos la vista de algo, es decir, que interrumpimos precisamente este fluir.” Princípio da individuação e coerência – ou viver tornar-se-ia impossível. Um filósofo do momento presente.

Los átomos, en cuanto tales, deben permanecer indeterminados; pero los atomistas viéronse arrastrados a la inconsecuencia de atribuirles cualidades” Surpreendentemente contemporâneo.

Toda cualidad se halla expuesta a cambio; pero los átomos no cambian. En toda disolución de lo compuesto tiene que haber necesariamente algo que permanezca firme e indisoluble, que no cambie a lo que no es ni de la nada al ser. Este algo inmutable es, por tanto, algunos cuerpos y figuraciones. Las cualidades representan cierta relación de los átomos entre sí.”

Todas las formas específicas, todos los objetos, la luz, el color, etc., e incluso el alma, no son otra cosa que una cierta ordenación de estos átomos. Así lo ha dicho también Locke; y todavía hoy afirma la física que la base de las cosas la forman las moléculas ordenadas de cierto modo dentro del espacio.” Locke só é citado por H. da forma mais detratora!

El pensamiento es en el hombre precisamente lo que los átomos y el vacío son en las cosas, a saber: su interior, es decir, el átomo y el vacío forman parte justo del movimiento del pensar o son para éste como las cosas son en sí. El movimiento del pensar corresponde, pues, a los átomos del alma, de tal modo que en ello se opera al mismo tiempo una interrupción frente a los átomos que afluyen desde el exterior. No puede, por consiguiente, verse en ello nada más que el principio general de lo positivo y lo negativo; esto quiere decir que también el pensamiento lleva consigo un principio negativo, que es el momento de la interrupción. Este fundamento del sistema epicúreo, al seguirse aplicando a las diferencias de las cosas y al desarrollarse, es lo más arbitrario y, por tanto, lo más aburrido que imaginarse pueda.” Falou o filósofo interessantíssimo de ler!

ERRADO NÃO ESTÁ! “Aparte de distintas figuras, los átomos tienen también distinto movimiento, debido concretamente a su gravedad que es su afecto fundamental; pero este movimiento difiere algo, en su dirección, de la línea recta. En efecto, Epicuro les atribuye un movimiento curvilíneo, ya que de otro modo no podrían entrechocarse. Esto hace nacer una serie innumerable de aglutinaciones y conformaciones especiales; y éstas son las cosas.”

La transición a la manifestación concreta de los cuerpos, o bien no aparece para nada en Epicuro, o bien lo que nos dice acerca de ella es de la más extrema pobreza.” Ou bem é inútil perder tempo com o inefável.

A birra-mor de H. com o epicurismo é que seu sistema não pode ser teleologizado! “consecuente con esto, Epicuro se declara inmediatamente en contra de la existencia de un fin último general del universo y de toda relación de fin en general, como, por ejemplo, de la finalidad de lo orgánico en sí mismo, así como también es contrario a las representaciones teleológicas de la sabiduría de un creador del universo, de su gobierno del mundo, etc.; y su actitud en esto no puede ser más lógica consigo misma, ya que en su concepción queda eliminada toda unidad, cualquiera que sea el modo como ésta se represente, ya como fin de la naturaleza en ella misma, ya como un fin que, aun residiendo en otra cosa, se hace valer en la naturaleza; en los estoicos, por el contrario, encontramos este punto de vista teleológico y, además, muy desarrollado.”

inconsecuencia que es la primera y la única de Epicuro y la de todos los empíricos.”

a partir de lo conocido podemos deducir lo desconocido.” Que é o homem?, teria perguntado Drácula. E ele mesmo respondeu, sem aguardar seu estupefato interlocutor, mero humano que não filosofava: É alguém incapaz de seguir Hegel! É alguém que prefere seguir pelas sendas de Epicuro e Kant para conhecer a natureza e aquilo que excede à natureza! E Drácula estava correto em seu juízo sobrenatural, i.e., de semideus que refletia nessas coisas…

Grosso modo, podemos ainda dizer: Hegel é aquele para quem o desconhecido é aquilo que podemos deduzir do conhecido – nenhum descalabro maior!

es en realidad el mismo principio que sigue rigiendo hoy en la ciencia natural común y corriente.” Só bastaria, aliás, mais tato aos físicos quânticos: se não imaginassem demais, deduziriam coisas mais fidedignas e modestas, longe de buracos de minhoca e que-tais…

Se llega, así, a la noción de representaciones, de leyes y fuerzas generales, tales como la electricidad y el magnetismo, las cuales se aplican después a los objetos y actividades no susceptibles de ser directamente percibidos por nosotros. Así, por ejemplo, sabemos de la existencia de los nervios y de su interdependencia con el cerebro; y decimos que las sensaciones, etc., se transmiten desde la punta del dedo, supongamos, hasta el cerebro mismo. (…) La anatomía puede descubrirnos los nervios, pero no su modo de actuar; pues bien, no hay sino representarse éste por analogía con otros fenómenos, por ejemplo, con las vibraciones de una cuerda tensa, equiparando a ellas las vibraciones de los nervios hasta llegar a los centros cerebrales. O como en el conocido fenómeno que se observa, sobre todo, en una serie de bolas de billar colocadas muy juntas las unas a las otras, en que la última de la fila avanza cuando se empuja la primera, mientras que las intermedias, cada una de las cuales impulsa a la que le sigue, parece que apenas se mueven; no hay, pues, sino imaginarse los nervios como formados por bolitas pequeñísimas, invisibles aun a través de la más poderosa lente de aumento, la última de las cuales salta al contacto con ella y toca el alma. Del mismo modo, la luz se concibe como una serie de hilos o rayos, como vibraciones del éter o como bolitas etéreas que chocan las unas con las otras. [¡!]” Espantosamente, H. sabia muito bem no que o epicurismo repercutia em nossa epistemologia atual – mas decidia jogar tudo no lixo, enquanto se trata de hegelianismo decantado de ‘impurezas indesejáveis’. Se soubeste descrever a luz antes do séc. XX, este é um sinal de que acertaste!

Hay que advertir que, en esta clase de explicaciones, Epicuro es expresamente muy liberal, equitativo y tolerante, puesto que dice que las diversas representaciones que se formen en nosotros con relación a los objetos sensibles —todas ellas, por muchas que sean— pueden ser aplicadas a lo que no podemos observar directamente por nosotros mismos; que no puede afirmarse un solo modo como el acertado, sino que puede llegarse al resultado que se busca por muchos caminos.”

El rayo puede explicarse por medio de toda una serie de posibles representaciones, por ejemplo1 por medio del frotamiento y la colisión de las nubes, que producen la figuración del fuego y provocan el rayo.” “Es exactamente el mismo método a que recurren nuestros físicos, todavía hoy, para explicar cómo se produce la chispa eléctrica en las nubes, al chocar entre sí. En efecto, como tanto en el rayo como en la electricidad se observa una chispa, se toma este elemento común como base para llegar a conclusiones acerca de la analogía entre ambos fenómenos, afirmándose que también el rayo es un fenómeno eléctrico. Ahora bien, las nubes no son cuerpos duros, y la humedad, lejos de producir la electricidad, lo que hace es dispersarla; por eso estas chácharas de los físicos de hoy son en realidad tan vacuas como la representación de Epicuro.” Tá bom, Hegel, doutor em física fenomenológica (física do mundo experimental)!

Podemos elegir uno de estos procedimientos y rechazar los otros, sin pararnos a pensar lo que al hombre le es posible conocer y lo que no está al alcance de su conocimiento, empeñándonos, por tanto, en conocer lo imposible.”

Se ha atacado y querido poner en ridículo este método de Epicuro; pero no es por esta razón por lo que hay que avergonzarse de él, ni los físicos modernos tienen derecho a repudiarlo, por otra parte, pues lo que Epicuro dice no desmerece en nada de lo que sostienen los modernos investigadores de la naturaleza. Además, en Epicuro se da la atenuante de que obra con la conciencia limpia, puesto que la ausencia de testimonios de los sentidos le autoriza, según cree, a atenerse a las analogías. Y tampoco, como veíamos, toma la cosa muy en serio, desde el momento en que dice que unos admiten una posibilidad y otros otra: él admira la sutileza de los demás y no trata de imponer a la fuerza la explicación propia; las cosas, nos dice, pueden ocurrir así o de otro modo.”

Ahora bien, si la física consiste o se cree que consiste en atenerse, de una parte, a la experiencia inmediata y, de otra parte, en aquello que no cae dentro de la experiencia directa, en la aplicación de lo primero a base de la analogía con lo que la experiencia no revela, no cabe duda de que Epicuro puede ser considerado, si no como el iniciador, por lo menos como el principal representante de este método, y concretamente como el pensador que sostiene que en ello consiste realmente el conocer.”

El a priori es, en Aristóteles por ejemplo, algo excelente, pero no basta, porque se echa de menos en ello el lado de su articulación y cohesión con la observación y la experiencia.”

Esta reducción de lo particular a lo general es el descubrimiento de las leyes, de las fuerzas naturales, etc. Cabe pues afirmar, sin miedo a equivocarse, que Epicuro es el inventor de la ciencia empírica de la naturaleza, de la psicología empírica. Por oposición a los fines de los estoicos y a los conceptos intelectivos, la experiencia es el presente sensible: de una parte, nos encontramos con la inteligencia abstracta limitada, sin verdad de suyo y, por tanto, sin presente ni realidad de la naturaleza; de otra parte, con este sentido de la naturaleza, más verdadero que aquellas simples hipótesis.

Los mismos efectos producidos en el mundo moderno por la aparición del conocimiento de las leyes de la naturaleza, etc., los produjo la filosofía epicúrea en su tiempo y dentro de su círculo, en tanto iba dirigida contra todo lo que fuese invención fantástica y arbitraria de causas.” “Y el método de Epicuro, sobre todo, iba enderezado, por su tendencia, contra las supersticiones absurdas de la astrología, etc., cuya manera no se apoya tampoco en nada racional”

La filosofía epicúrea dio al traste con todas aquellas creencias supersticiosas en torno al vuelo de las aves en un sentido o en otro, a la significación de la liebre que cruzaba el camino, a la inspección de las entrañas de los animales, a la alegría o la tristeza de las gallinas, etc.” Agora entendo melhor a acusação de ateísmo e heresia a E.!

la física de Epicuro es desde luego contraria a todo esto, ya que se mantiene, en lo tocante a lo finito, dentro del círculo de lo finito, admitiendo solamente causas finitas; pues las mentes ilustradas lo son precisamente por no salirse jamás del campo de lo finito. El entronque con otras cosas finitas, con condiciones que son, a su vez, algo condicionado, se busca y procura encontrarse sin salirse de ese campo”

Para que el hombre pueda librarse de la superstición, Epicuro predica también especialmente la ciencia física, por ser ésta a su juicio la que libra al hombre de todas las opiniones y creencias que más lo inquietan y perturban: de las creencias acerca de los dioses, de sus castigos y, principalmente, de la muerte.”

Sin embargo, mi juicio es, y lo digo en parte contra muchos de mis compatriotas, que los preceptos morales de Epicuro prescriben al hombre, cuando se los examina con cuidado, una conducta sagrada y justa, e incluso triste. Pues, si bien se mira, el placer de Epicuro se reduce a algo muy pequeño y muy pobre, y apenas es posible decir lo mesurado y seco que es. La misma ley que nosotros prescribimos para la virtud es la que él traza para el placer: exige que el placer se ajuste a la naturaleza, y esto reduce el placer a límites muy estrechos. ¿Qué quiere decir esto? Quien llame feliz a una vida podrida, llena de fango y licenciosa, buscará en Epicuro una buena autoridad al servicio de una cosa mala; y cuando, dejándose fascinar por brillantes nombres, se dirija hacia los sitios en que oye elogiar lo agradable, no se entregará precisamente a los placeres que Epicuro predica, sino a los que él mismo apetece. Lo que ocurre es que esos hombres entregados al vicio sólo tratan de encubrir su propia maldad con el manto de la filosofía y de dar a sus libertinajes y desenfrenos un pretexto y una salida. Y así, ni siquiera a la juventud le es lícito tomar vuelos en este sentido mediante el procedimiento de dar un honroso título a lo que no es más que un inadmisible desmadejamiento.” Sêneca, o “honrado adversario”!

No existe, pues, ninguna diferencia esencial entre el tipo de vida del estoico y el del verdadero epicúreo que se ajuste a las normas y a los preceptos de su maestro. § Sin embargo, aunque a primera vista parezca que ya los cirenaicos proclamaban el mismo principio moral que más tarde habían de preconizar los epicúreos, Diógenes Laercio (X, 139, 136-137) se encarga de señalar la diferencia en los siguientes términos:¹ los cirenaicos proponíanse como fin más bien el placer como algo concreto, mientras que Epicuro lo predica como un medio, en cuanto que afirma como placer la ausencia de dolor, sin admitir ningún estado intermedio.” Talvez Nietzsche tenha compreendido mal o epicurismo e o estoicismo. Bom, não é impossível: julgo que compreendeu mal Parmênides, ao não alçá-lo à altura de um Heráclito… Ausência de dor não é um critério nobre, supra-hominídeo.

¹ Finalmente uma contribuição conceitual de Laércio!

Además, los cirenaicos tenían los dolores del cuerpo como peores que los del alma, mientras que el punto de vista de Epicuro era el contrario.” Dor física é bom demais! No pain, no g…

Los dioses existen, y el conocimiento de ellos es evidente; no son, sin embargo, como las gentes suelen creer. El impío, por tanto, no es el que niega los dioses del vulgo, sino quien se empeña en atribuirles las opiniones del vulgo.” Epicuro, um dos fragmentos preservados

Los hombres deben tributar honores a los dioses por razón de la excelencia de su naturaleza y de su dicha, pero no para obtener de ellos nada especial, ni buscando este o el otro beneficio.” Aqui não aceitamos cegos, mancos nem leprosos!

En relación con esto se halla también la circunstancia de que Epicuro asigne a los dioses el espacio vacío, los intersticios del universo como morada, donde no se hallan expuestos, según él, a las lluvias, a los vientos, a la nieve ni a otros accidentes de esta clase”

Epicuro quiere que el hombre se forme una noción exacta de la muerte, para que ésta no turbe su tranquilidad. (…) ‘En seguida, acostúmbrate a pensar que la muerte no debe preocuparnos en lo más mínimo, pues todo lo bueno y lo malo reside en las sensaciones, y la muerte es el despojo de toda sensación. De aquí que el pensamiento certero de que la muerte no nos afecta haga del carácter mortal de la vida una fuente de goce, ya que este pensamiento nos aparta de la infinitud y del ansia de la inmortalidad. Pues nada hay de temible en la vida para quien ha llegado verdaderamente a conocer que el no vivir no tiene nada de temible.’Famoso trecho que, creio, Sartre citou n’O Ser e o Nada e eu cheguei a anotar num papelito que guardava na carteira, coisa de 10 anos atrás – até as chuvas brasilienses esfarelarem o pobre material!

La satisfacción la consideramos como un bien, no simplemente para optar por lo más pequeño, como los cínicos, sino para darnos por contentos, aunque no obtengamos lo mucho: a sabiendas de que quienes logran el mayor disfrute de lo abundante son los que no lo necesitan y que lo natural es fácil de poseer, mientras que lo vacío resulta difícil de adquirir.”

Por tanto, cuando hacemos del placer el fin del hombre, no nos referimos a los placeres orgiásticos, como a veces se entiende falsamente, sino a un estado en que el hombre no sufre padecimientos físicos ni nada que inquiete su espíritu.”

Es preferible ser desgraciado con arreglo a la razón que feliz en contra de ella, pues vale más que el hombre enjuicie certeramente sus actos a que sea favorecido por la suerte.”

Lo que ocurre es que la exposición epicúrea del sabio, en Diógenes Laercio (X, 117-121), tiene un carácter de mayor mansedumbre; el sabio aquí se atiene más a las leyes establecidas, a diferencia del sabio estoico, a quien no se le da un ardite de ellas. El sabio epicúreo es menos terco que el estoico, pues mientras que éste parte del pensamiento de la autarquía, que, negándose, se comporta activamente, los epicúreos, por el contrario, arrancan del pensamiento del ser, que deja mayor margen a la realidad y no proyecta esta actividad hacia el exterior, sino que busca más bien la quietud interior, la cual no se adquiere por el embotamiento, sino por medio de la más alta formación del espíritu.”

El escepticismo representa, en verdad, el levantamiento de las dos unilateralidades que han sido puestas de relieve más arriba; pero este algo negativo sigue siendo negativo en él, y no sabe trocarse en algo afirmativo.”

O ceticismo representa, na verdade, a suspensão das duas unilateralidades que pusemos em relevo acima; só que este algo negativo segue sendo negativo dentro desta escola, e não sabe permutar-se em positivo.”

Frente al dogmatismo estoico y epicúreo, aparece en primer lugar la Nueva Academia, continuación de la Academia platónica, ya que los sucesores de Platón suelen clasificarse en tres grupos: la Academia antigua, la media y la nueva; algunos autores admiten además una cuarta Academia e incluso una quinta.” VIROU PASSEIO!

La fundación de la Academia media se atribuye a Arcesilao, mientras que la nueva gira en torno a los pensamientos de Carneades; pero esta distinción no significa nada.” “El escepticismo incluye a aquellas 2 figuras entre los filósofos escépticos, pero llamándolos los académicos, con lo cual hacen resaltar una distinción con respecto a la pureza del escepticismo que en realidad es puramente formal y quiere decir poco” “Vemos, pues, que en lo tocante a lo positivo Arcesilao no avanza gran cosa en general, y dice lo mismo que los estoicos; lo único que cambia es la forma, en cuanto que Arcesilao llama simplemente bien razonado o verosímil lo que los estoicos expresan como verdad.”

El conocimiento, que es un momento necesario en la formación de los pueblos, aparece así como pecado original y corrupción.”

son aproximadamente las mismas fases con que nos encontramos en Wolff, cuando habla de la representación clara, distinta y adecuada.” Talvez nem valha a pena tocar nesse Wolff. Os neoacadêmicos são fraquíssimos!

Ahora bien, si llevamos este punto de vista de los académicos a sus últimas consecuencias, la conclusión a que llegamos es que sencillamente todo existe sólo para la conciencia, con lo cual desaparece la forma de un ser en general, y también el saber de lo que es, en cuanto forma; lo cual no es otra cosa que el escepticismo.” “El escepticismo corona la concepción de la subjetividad de todo saber, al sustituir en términos generales el ser del saber por la expresión de la apariencia.”

ADOLESCÊNCIA DA FILOSOFIA (OU DO ESPÍRITO EM H.) – GÓRGIAS II: “En todos los tiempos, y todavía hoy, ha sido considerado como el más temible adversario de la filosofía, teniéndolo incluso por invencible, en cuanto el arte que consiste en disolver todo lo determinado, demostrando su nulidad; tal parece, en efecto, como si se lo reputase incontrovertible y como si la diferencia entre las convicciones estribase solamente en saber si el individuo optaba por esta actitud o por una filosofía positiva y dogmática.” “No hay más remedio que reconocer, en verdad, la invencibilidad del escepticismo, aunque sólo desde el punto de vista subjetivo con respecto al individuo, que puede adoptar evidentemente la actitud del hombre que no quiere saber nada de la filosofía y que sólo afirma lo negativo. El escepticismo parece ser, de este modo, algo a lo que uno tiene que rendirse, y tiene uno la sensación de que es inútil tratar de rescatar de esta actitud a quien decide echarse en sus brazos, mientras que los otros pueden aferrarse tranquilamente a su filosofía por la sencilla razón de que se vuelven de espaldas al escepticismo sin querer saber nada de él, en la imposibilidad de hacerle frente para refutarlo.”

Claro está que quien se empeñe en ser simplemente un escéptico jamás se dará por vencido ni se verá reducido a las posiciones de la filosofía positiva,(*) del mismo modo que no es posible echar a andar a quien sufre parálisis de todos sus miembros.

(*) (…) al mismo tiempo, esta expresión, tal como Hegel la emplea, con su doble acepción, no tiene absolutamente nada que ver, por supuesto, con ese positivismo que tantos vuelos está tomando en los últimos tiempos y que, por huir de la necesidad del conocimiento pensante, cae a la postre en los brazos de la revelación y de la simple fe, aunque se adorne con el nombre de pensamiento libre [M.].” Uma nota de rodapé que hoje é supérflua – sim, já sabíamos.

Seria o niilismo apenas um subconjunto do hegelianismo? A exportação lenta e gradualíssima de um mal da intelligentsia ao “povão”? A história desse espraiamento?

BATALHA DO “MAS!” CONTRA O “MAS…”: “La filosofía positiva puede tener la conciencia de que lleva dentro de sí misma la negación del escepticismo, de que éste, por tanto, no se contrapone a ella, ni existe fuera de ella, sino que es simplemente un momento suyo; pero de tal modo que esta filosofía encierra dentro de sí lo negativo en su verdad, cosa que no hace el escepticismo.”

el escepticismo se comporta solamente como un entendimiento abstracto. Desconoce que también esta negación es de suyo un determinado contenido afirmativo, puesto que es, en cuanto negación de la negación, la negatividad referida a sí misma y, más precisamente, la afirmación infinita.”

Hay que distinguir, además, entre el escepticismo antiguo y el nuevo escepticismo; a nosotros aquí sólo nos interesa el primero: sólo él presenta una naturaleza verdadera y profunda, puesto que el nuevo es más bien epicureísmo. [¿?] Así, en estos últimos tiempos, Schulze viene predicando en Gotinga su escepticismo y ha escrito un libro titulado Enesidemo, para de este modo compararse con este escéptico, interpretando además en otras obras el escepticismo contra las doctrinas de Leibniz y Kant.” “Éste y otros autores toman como base de su concepción la creencia de que se debe tener por verdad el ser sensible, lo que la conciencia sensible nos entrega, dudando en cambio de todo lo demás. Lo que opinamos es lo último, los hechos de la conciencia.” Algo me diz que estamos todos em Schulze no momento…

El nuevo escepticismo se dirige solamente contra el pensamiento, contra el concepto y la idea y, por tanto, contra lo filosófico superior; deja, pues, que la realidad de las cosas subsista intacta e indubitada, y afirma solamente que partiendo de ella no es posible deducir nada en cuanto al pensamiento.” Quiçá minha primeira compreensão ao ler a Dialética do EsclarecimentoMuito jovem ainda!

El escepticismo moderno es la subjetividad y la vanidad de la conciencia, evidentemente insuperable, pero no para la ciencia y la verdad, sino solamente para aquélla, para la misma subjetividad.” Não sejais cético; sede ético!

Por tanto, aunque por una parte se diga que la verdad es solamente la convicción de los otros y, de otra parte, se ensalce también la propia convicción, que al igual que aquélla no pasa de ser un ‘solamente’, no hay manera de sacar a este sujeto de lo que es a la par su soberbia y su humildad. Y así, el resultado del escepticismo antiguo es simplemente la subjetividad del saber; pero este resultado descansa sobre la anulación pensante y desarrollada de todo lo que pasa por ser verdadero y válido, haciendo de este modo que todo sea inconstante.”

La duda, sin embargo, no es sino la incerteza, la indecisión, la irresolución, el pensamiento que se opone a algo válido. Dudar, dubitare, viene de duos, 2: es un ir y venir entre dos cosas o varias, ninguna de las cuales acaba de satisfacernos, aunque necesariamente tenemos que decidirnos por la una o por la otra.” “Esto presupone un profundo interés por un contenido y el anhelo espiritual de que este contenido sea consolidado en sí mismo o no lo sea, ya que el espíritu necesita encontrar la quietud de un modo o de otro. Estas dudas no tienen más remedio que ser expresadas por los pensadores finos y sagaces; son, sin embargo, simple vanidad, ganas de torturarse, o bien responden a un desmadejamiento [vertigem, decadência, neste caso] que no conduce a nada.”

CONSUMISMO E CETICISMO ABSOLUTO: Falta de ética

O consumismo é o ceticismo individual levado a modo de produção. Mero deixar-passar hesitante robótico. Hiato indefinido de cultura e humanidade. Recesso da História. Se o momento pode ser procrastinado por meio de simulações, há de haver uma pane da engrenagem de simulação, da matriz simulacional. Do motor que emite todos os simulacros, a simulação das simulações. Há de vir, porém são séculos de filme mudo enquanto isso…

NADA MAIS ANTI-HISTÓRICO DO QUE UMA HISTÓRIA BEM CONTADA! “Los escépticos tratan de demostrar históricamente su actitud y afirman que ya Homero abrazaba el escepticismo, por cuanto que habla de las mismas cosas en sentidos opuestos.”

La historia del llamado escepticismo se inicia de ordinario con Pirrón, a quien se considera como el fundador de esta tendencia, y de él proceden también los nombres de pirronismo y pirronianos.” “Por lo que se refiere a la vida de Pirrón, la contemplamos con el mismo escepticismo que su doctrina, pues lo que acerca de ella sabemos no presenta la menor cohesión y es muy poco seguro.” Hahaha! Pitágoras Segundo…

Finalmente, se cuenta de él que acompañó a Alejandro Magno en su expedición al Asia, donde al parecer se dedicó intensamente al estudio de los magos y los brahmanes. Dícese que Alejandro lo mandó ejecutar por haber exigido la muerte de un sátrapa persa y que perdió la vida de este modo a la edad de 90 años. Suponiendo que todo esto sea cierto y teniendo en cuenta que Alejandro pasó en el Asia unos 12 o 14 años, resultaría que Pirrón emprendió este viaje en el séquito del monarca macedonio cuando contaba 78 años, o incluso más.” “Como Pirrón afirmaba, entre otras cosas, que la realidad de las cosas sensibles no encerraba verdad alguna, se cuenta de él, por ejemplo, que en la calle no se retiraba para dejar pasar a los carruajes, los caballos y demás objetos que venían frente a él y que marchaba directamente contra las paredes, perfectamente convencido de la falta de realidad de las percepciones sensibles, teniendo sus amigos y las gentes que le rodeaban que retirarlo de los peligros en que de este modo se colocaba, con gran riesgo de su vida.” O verdadeiro Pirro seria apenas um ator pornô (seu estoicismo estaria em que desprezaria as dores provocadas pela sífilis!)…

Talvez o maior livro de meta-dados que se pudesse escrever fosse uma biografia de Diógenes Laércio! Fonte: Diog. Laér.

Os maiores rivais dos escépticos eram os assépticos, pois gostavam de ter uma discussão muito limpa!…

para que el escepticismo aparezca con la dignidad propia de la filosofía es necesario que él mismo se desarrolle en su aspecto filosófico; y esto fue, en efecto, lo que hizo Enesidemo.”

6º “EMPÍRICO” ERA CÉTICO, GRANDE TIRADA! “Sexto vivió y enseñó aproximadamente a mediados del siglo II d.C.. (Brucker) Sus obras se dividen en 2 partes: 1) Sus Pyrrhoniae Hypotyposes, en 3 libros, nos ofrecen, en cierto modo, una exposición general del escepticismo en su conjunto; 2) de sus libros Adversus Mathematicos —es decir, contra la ciencia en general y especialmente contra los geómetras, aritméticos, gramáticos, músicos, lógicos, físicos y éticos—, que forman 11 en total, hay 6 dirigidos realmente contra los matemáticos, pues los 5 restantes se dedican a polemizar contra los filósofos.”

Quien busca un objeto tiene o bien que encontrarlo o bien negar que pueda encontrarse, o bien seguir buscándolo. Otro tanto acontece con las investigaciones filosóficas: unos afirman haber encontrado lo verdadero; otros niegan que sea posible llegar a captarlo; los terceros, por fin, perseveran en su búsqueda. Los primeros, tales como Aristóteles, Epicuro, los estoicos y otros, son los llamados dogmáticos; quienes afirman la imposibilidad de llegar a captar la verdad son los académicos; los escépticos siguen buscando. Existen, pues, 3 filosofías: la dogmática, la académica y la escéptica.” Neste conceito Platão é o rei dos céticos, e com Razão!

El escéptico no dogmatiza, sino que se limita a asentir involuntariamente a las afecciones a que se ve forzado por las representaciones; así, por ejemplo, cuando siente calor o frío, no dirá que no parece sentir frío o calor. Si se nos pregunta si el sujeto es tal y como aparece, reconocemos la apariencia, pero no nos ponemos a investigar la cosa aparente, sino solamente el predicado que de lo aparente se dice. Por tanto, el que algo sea dulce sólo lo investigamos con respecto al concepto; pero esto no es lo que aparece, sino lo que se predica de lo aparente. Pero, cuando nos ponemos a investigar directamente sobre lo aparente, no lo hacemos para destruir lo aparente, sino para refutar la precipitación de los dogmáticos.” “Por consiguiente, en todas las tesis escépticas debemos tener presente que no afirmamos en modo alguno que esas tesis sean verdaderas, puesto que decimos que pueden destruirse a sí mismas, puesto que se hallan limitadas por aquello de que se predican.”

É essencial que saibas que a essência não existe!

El principio eficiente del escepticismo es la esperanza de la imperturbabilidad.” É como dar-se por vencedor hoje de todas as tribulações do amanhã. O amanhã já foi, mas que importa ser um perdedor?

Tens que ter um prato de comida preferido, uma banda favorita e, claro, hobbies, ou serás só um vento mau!

Contra el concepto como concepto, es decir, contra el concepto absoluto, no se dirige para nada el escepticismo; el concepto absoluto es más bien su arma, aunque el escepticismo no tenga conciencia de ello.”

Así, pues, aunque el escepticismo se expresa siempre en el sentido de que todo es pura apariencia, los escépticos van más allá que los partidarios del moderno idealismo puramente formal, pues se enfrentan con el contenido y muestran cómo todo contenido es un contenido sentido o un contenido pensado, teniendo por tanto algo contrapuesto. Así, pues, ponen de manifiesto la contradicción que se encierra en el contenido mismo, de tal modo que de todo lo que se predica cabe predicar, al mismo tiempo, lo contrario; tal es lo objetivo del escepticismo en su apariencia, lo que hace que no sea un idealismo subjetivo.”

OS 15 GIROS OU TROPOS DOS CÉTICOS (MANUAL DO MUNDO DAS APARÊNCIAS), OU OS 5 GIROS QUE REALMENTE IMPORTAM.

A) DO SUBJETIVO

1. Nada é, pois reina o múltiplo. Cada animal enxerga diferente dos demais. Protoperspectivismo e as cores para si, jamais em si. (juiz: o animal)

2. Cada indivíduo é diferente dos demais homens. Sentimos sempre singularmente. Nem mesmo o veneno é algo objetivo e universal, pois alguns podem sobreviver ou não sentir os seus efeitos. Nunca houve nem haverá uma só religião sobre a terra. Bem como filosofia(s)… A falha do ceticismo em ser hegemônico provaria a tese! (juiz: o homem)

Não que seja necessário, mas neste ponto H. joga objeções: “Por muy distintos que los sistemas filosóficos puedan ser, jamás serán tan distintos como lo blanco y lo dulce, lo verde y lo áspero”; se fossem tão díspares entre si, não seria possível reuni-los num subcampo do saber e escrever uma História da Filosofia coerente, etc.

3. Os sentidos discordam entre si. A vista engana o tato e vice-versa. (juiz: os sentidos do homem; os vários homens unilaterais na unidade chamada homem, no qual, claro os céticos não acreditam!)

4. O mesmo nunca é o mesmo para o mesmo: um homem recebe algo diferente conforme se movimenta, está em repouso, dorme, está irado, está com medo, está sereno, é jovem, é velho, etc. (juiz: os humores e estados do homem, o homem-no-tempo)

5. O grande é relativo, o pequeno é relativo. Sempre há uma posição em que o grande se torna nanico e o nanico se torna gigantesco. O mesmo para claridade e escuridão. “La contradicción más conocida es la que se refiere a la rotación del sol en torno a la tierra o de la tierra alrededor del sol.” (juiz: o homem-no-espaço)

6. (mais como 1.2) Não há pureza, apenas misturas num devir. (juiz: o ‘suposto’ Um? A própria aparência? Ou antes ‘a relação’)

7. (mais como 4.2) O mesmo não é o mesmo (excluindo a consciência ou o ‘para o mesmo’: areiavidro, etc. A verdade do vinho é ao mesmo tempo a confiança e a completa impotência, conforme se tome 2 goles ou 2 garrafas. (juiz: o objeto, ou a relação, seja de qualidade ou quantidade.)

8. A direita e a esquerda sempre variarão. Não é possível se colocar no lugar do outro. “La relatividad en general lo es en relación con lo que se supone ser absoluto, pues la relación misma es una relación consigo mismo y no con otra cosa.” Traduzindo, tudo é relativo; aliás, até o relativo é relativo. O absoluto existe sob a forma intangível da relatividade ubíqua. Tudo é para si, mas não sabemos o que é para si. (juiz: a relação ou o princípio de causalidade, fechando as 3 categorias kantianas da apercepção imediata: tempo, espaço, causa.)

9. (mais como 4.3) Mesmo que todos os pontos anteriores não existissem, um dia, uma hora, um momento tudo se modifica. O contingente é uma constante, mas a constância em si é contingente. (juiz: homem-no-tempo ou a relação)

10. (mais como 4.4 ou 4.3.2!) A ciência jurídica é diferente em cada ponto da terra e varia sempre no mesmo ponto da terra. Tudo é arbitrariedade e absurdo. Combinação com os pontos 5º, 8º e 9º, para sermos kantianos mais uma vez. (juiz: o homem-no-tempo, o homem-no-espaço, a relação e o princípio de causalidade ao mesmo tempo; grosso modo, os “costumes” enquanto objeto, i.e. a cultura panoramicamente falando.)

Por razón de su simpleza, nosotros no estamos acostumbrados a dar gran importancia a esta manera de proceder [com os 10 primeiros tropos ou giros da razão] ni a atenernos a ella, pero no cabe duda de que son absolutamente certeros en lo que tienen de reacción contra el dogmatismo del sentido común.”

PRÓ-NOME: “Por tanto, el sentido de estos tropos conserva todavía su vigencia. Si se trata de fundamentar por medio de un sentimiento la fe o el derecho, este sentimiento se da en mí, pero siempre puede haber otro que diga: ‘en mí no se da esto’.”

B) DO OBJETIVO

11. As opiniões divergem. Não as ‘opiniões’ (sensações) animais nem as opiniões do simples ‘homem’. Mas as opiniões dos sábios! O argumento poderia ser resumido da forma seguinte: “Se fosse possível um consenso filosófico e uma filosofia universal, este consenso e esta universalidade já teriam sido alcançados.” – espécie de extensão do argumento 2. Implicações, se não se refuta o ponto: Hegel tenta a Síntese Suprema; falha; Nietzsche, a Escola Crítica & os pós-modernos insistem em acusar o erro. Ainda estamos recolhendo os cacos e estilhaços em que a Filosofia Continental se partiu então. De fato só o ceticismo chega a sua meta em cada geração.

12. O axioma da queda no progresso infinito. Cada afirmação necessita um princípio ou axioma; cada princípio ou axioma necessita de uma nova fundação; que necessita de um novo dogma assentador, etc. Um sério inimigo do Idealismo Romântico; mas Kant, p.ex., parece nada sofrer com este tipo de refutação!

13. “Zagallo”: Nenhum juiz é isento para julgar o que quer que seja, pois só ocupa um lugar relativo, e portanto errado de acordo com todo outro juiz. Com efeito é um argumento muito sagaz contra patriotas de última ocasião e/ou numerólogos maníacos! Falando mais sério, significa que nem mesmo se se admitisse em geral que Platão é ‘o filósofo’ e encontrou a Verdade, por exemplo, até isto é recusado pelos céticos.

14. Este argumento é engenhoso porque parece uma refutação cética contra os próprios argumentos 11-12-13: Existe sim este Absoluto do qual derivam todas as causas. Ex: Euclides. Ou seja, é possível aceitar um princípio sem prova. Mas o hic salta é: o cético se beneficiaria da mesma regra. Significa parar de remar e aceitar que tudo é água. A opinião do sábio aplanada, nivelada à opinião vulgar. (Argumento engenhoso, porém já desesperado.)

15. Prova circular. Variante do tropo décimo segundo, mas em que em vez de derivar-se de axioma em axioma em linha reta ao infinito, deriva-se em um círculo vicioso. Situação do viajante no tempo e do destino inalterável: tudo é a causa de tudo, nada é a causa de nada. A e B se sobredeterminam. Aporia. É um infinito-no-finito.

Esses últimos 5 pontos seriam os Elementos ou a Bíblia dos Céticos. Atemporais e independentes de demonstrações no mundo fenomênico.

De modo que os adversários de Sexto Empírico se vêem forçosamente na situação do ladrão que perdeu já antes de empreender sua fuga, pois não conseguem abstrair até que ponto vai a malícia e a antecipação do daimon de seu rival, o captor:

Supondo que o ladrão antecipasse que, na única via que pode usar para fazer a travessia, o amontoado de moitas estranhamente situado sobre a grama ou a estrada na verdade ocultam um insidioso alçapão, e pule para a esquerda ou para a direita, rente ao muro, para tentar atravessar pelo estreito umbral que lhe resta, eis que descobre que o umbral era a verdadeira armadilha, pois aciona uma corrente que o prende ou então uma bigorna que cai do céu em sua cabeça; não que a moita realmente não cobrisse um buraco, mas ela servia apenas para dar confiança ao suposto astuto ladrão e forçá-lo ao xeque-mate (distração antecipada). Uma amarelinha maldosa em que o jogador já perdeu antes de começar.

Para el criticismo, que no conoce en sí alguno, nada absoluto, todo saber sobre lo que es en sí como tal es dogmatismo, cuando en realidad es él el más furioso de los dogmatismos, en cuanto que asegura que el Yo, la unidad de la conciencia de sí mismo, opuesta al ser, es en y para sí y que al margen de ella queda el en sí, como dos factores que no pueden, en absoluto, coincidir.”

O engraçado é que Hegel vê em Kant tudo que nós não vemos: uma repulsão extrema ao Absoluto. Quando o que mais se critica na epistemologia kantiana é seguir se referindo ao que não existe como se existisse! Ou seja: Hegel tacha Kant de radical; nós de carola! Ainda era possível ir além.

Honra al escepticismo el haber llegado a adquirir esta conciencia acerca de lo negativo, concibiendo las formas de lo negativo de este modo determinado.” Em si o ceticismo está correto – era uma piada!! Cof, cof… A evolução final do sofista, o SUPERSOFISTA.

Sexto Empírico, por ejemplo, va repasando de un modo concreto las distintas ciencias con una gran fuerza de abstracción y revelando en todas sus determinaciones los otros aspectos de ellas. Así, se opone a las determinaciones de las matemáticas, y no exteriormente, sino dentro de sí; ataca, por ejemplo (Adv. Math. III, 20-22), la afirmación de quienes sostienen que hay un punto, una línea, un espacio, una superficie, etc.”

SPOILER: Quem é o super-herói que salva o dia? A NEGAÇÃO DA NEGAÇÃO.

Si, no obstante, el escepticismo se atreve a enfrentarse con este algo propiamente especulativo, no podrá atentar contra él en nada; su procedimiento contra lo racional consiste, pues, en general en hacer de ello algo determinado, introduciendo en ello una determinación finita del pensamiento o un concepto de relación al que se atiene, pero que no reside, ni mucho menos, en lo infinito, argumentando luego contra él; es decir, consiste en concebirlo de un modo falso, refutándolo así. O bien arma él mismo a lo infinito con las uñas con que ha de arañarlo.” The dog that bites the hand that feeds.

Hoy hasta lo especulativo se convierte en algo tosco; puede uno atenerse a la palabra y, sin embargo, aparece invertida la cosa, al despojarse a lo especulativo de la identidad de lo determinado.” Convenhamos que não teria graça refutar Max Stirner pela lógica.

Ahora bien, el saber de lo especulativo requiere, además de la disyuntiva, un tercer término; es un tanto esto como lo otro y un ni esto ni lo otro.”

Um todo, ou o Um, não é só Um, embora não seja dois. É que o Um é a negação de si. Neste sentido é que H. prefacia sua história com a estranha terminologia “o Um se (des)dobra”, a consciência, o filosofar, se duplica sobre si mesmo(a). O todo é sempre o todo em relação consigo. A consciência é sempre a consciência de si mesma (consciência x consciência, onde ‘x’ é o terceiro termo ou a ‘relação’ – relação-com-a-consciência é uma contradição ou insuficiência, pois só pode haver relação-com-a-consciência-e-a-consciência, desdobramento ensimesmado). Toda consciência necessariamente se nega, porém necessariamente apenas para se afirmar no fim do processo. “El comprenderse a sí misma de la razón es precisamente el modo como el todo comprende todas sus partes, cuando se lo enfoca en su verdadero sentido especulativo, y sólo en este sentido puede hablarse aquí de esta relación.”

Começam a subir os créditos da segunda parte da trilogia, deixando todos os asistentes decepcionados no escurinho do cinema: “Con esto, creemos haber dicho ya bastante acerca de la esencia científica del escepticismo y con ello hemos puesto fin a la sección segunda de la historia de la filosofía griega.”

El escepticismo pertenece, por tanto, al período de decadencia de la filosofía y del mundo.” A Roma nossa de todos os dias. O Protestantismo da Filosofia procrastina a morte da Filosofia, para o mal de todos… Rola-se a dívida especulativa (duplo sentido desdobrado, arrotado e peidado em si mesmo saindo como suor pelos poros respirados em seqüência)…

FIM DO SEGUNDO VOLUME

DIC:

ajetreo: agitação

bucear: mergulhar

por doquier: por procuração, indiretamente

verbigracia: por exemplo

O PROBLEMA DA ÉTICA DIVINA

Partamos de duas premissas: 1) o homem é burro, isto é, vil demais para criar-se uma ética. 2) o homem é sábio, isto é, virtuoso o bastante para criar-se uma ética. Ponto de vista da religião monoteísta: o homem só pode ser burro demais, do contrário não haveria religiões nem necessidade de religiões. Deus precisa ensinar a ética ao homem, eis o fundamento e o fim último da crença. Porém, se o homem é burro demais para criar-se uma ética, ele também é vil demais para aprender uma ética, incapaz que é de entender os desígnios de deus. Não está à altura de uma ética divina para os homens.

Posto que sabemos o que é ética, ela deve ser atingível. Posto que há religiões, é seguro dizer que via de regra prescinde-se de ética. Posto que há religiões há muito tempo, porém, e sua presença milenar não demonstra a aquisição da virtude pela humanidade como um todo, conclui-se que: poucos notáveis são virtuosos, a maioria é tola. Alguns notáveis assumiram papéis de pregadores, profetas, sacerdotes religiosos. Alguns notáveis seguiram o caminho da autoformação. A grande massa se subdivide igualmente entre os dois caminhos. Muitos crêem-se éticos (sábios) sem sê-lo. Sábios autointitulados, intitulados pela comunidade laica ou sancionados por aqueles que controlam os dogmas espirituais. Se a virtude fosse passível de se ensinar, não só Deus como os sábios ensiná-la-iam.

As gerações da humanidade repetem a proporção entre sábios e tolos. Desde sempre, para sempre. De qualquer modo, apenas uma pimenta para a discussão: não é possível conhecer-se a si mesmo. O sábio não se conhece; vive sempre na berlinda entre uma pretensa sabedoria e a estultícia. O muito burro vive na vaidade, crendo-se sábio. Ao notar esse comportamento dos muito estultos, o sábio aprende que ter certeza sobre sua própria sabedoria é um indício pouco auspicioso. Ele sempre oscila entre considerar-se um hipócrita ou um tolo, não importa como conduza sua vida, e a reputação que obtém entre “os outros homens”. Sua vida é uma comédia, pois só é possível agir com ética inconscientemente. Os autointitulados tolos podem ser considerados uma multitude de coisas: sábios (e portanto suscetíveis de ser tolos debaixo do véu), hipócritas que desejariam o status da sabedoria empregando uma falsa modéstia para enganar os homens, um espírito que conhece suas limitações; mas não muda o fato de que todas essas possibilidades não são dignas de crédito. Não se confia no tolo só porque ele assume sua tolice. E o parâmetro para o sábio, por mais que sábios existam, não é deste mundo. Permanece como mistério insondável da existência. Como num jogo de pega-pega entre a cabeça e a cauda, aporia.

SPEECH AND WRITING ACCORDING TO HEGEL – Derrida, 1971 (in: W.F. Hegel, Critical Assessments, ed. Robert Stern, 1993).

INTRODUCTION TO HEGEL’S SEMIOLOGY

For the moment let us see here the indication or the incitation to recognise that the essential place of semiology is at the centre, not on the margin or as an appendix to Logic.”

metaphysics could only consider the sign as a passage, a place of passage, a passage-way (passerelle) between two moments of presence, the provisional reference from one presence to the other. The passage-way can be lifted.” Suspensa ou levantada, um dos problemas centrais da tradução da terminologia hegeliana para o Português: de preferência deve-se usar suspensão; ao mesmo tempo que um elemento “des-aparece”, isso não implica que ele suma da representação fenomênica ou seja aniquilado para não-mais-voltar. A suspensão mantém o vetor de lift (elevador, idéia de ascensão, subida, erguida, alavancagem) e ao mesmo tempo a noção do objeto da representação que fica em suspenso, i.e., desaparece para depois eventualmente re-aparecer (ascende, mas pode descender na seqüência, após momentos da representação).

time itself is but the referring of presence to itself. As such signification, the sign procedure is, to be sure, the moment of presence lost; but it is a presence lost by the very time that engages it in the movement of its reappropriation.” A suspensão é um momento necessário da dialética hegeliana.

The ‘in view’ designates the theoretical pre-eminence of the gaze, as well as the authority of the final aim, the telos of reappropriation of full presence, the ordination of the theory of signs to the light of parousia.” Parousia (grego): presença, aterrissagem (descida, chegada, retorno no sentido de reapropriação, no sentido mítico de Ulisses voltando à sua casa e também do passageiro que parte em viagem mas retorna, arrive back home, o contrário de arise, erguer-se, levantar-se, partir, que bem podia ser usado no lugar de lift). Ousia, sem par-, é Ser.

It could be shown that this very general necessity governs metaphysics in its essence and in its totality – which is one with its history, and, I would even go so far as to say: with history as such.

We should then expect Hegelianism, which is so generally said to represent the completion of metaphysics, both in the sense of accomplishment and in the sense of end, to give the most systematic and powerful, the most ingathered, ingathering, assembled, assembling form to this metaphysical gesture. We should find a primary index of this in an architectonic reading that aims to locate the place Hegel assigns to the theory of signs in the system. For such an architectonic reading it would doubtless be best to consult here the Encyclopaedia of Philosophical Sciences (1817).”

The theory of signs is inscribed in the 3rd part of the Encyclopaedia, that is in the Philosophy of Mind, following the Science of Logic (Lesser Logic) and the Philosophy of Nature. What does this division answer to? To briefly collect its meaning it is enough that we refer to what Hegel himself says at the end of the Introduction to the Encyclopaedia, § 18: [Os parentêses na citação são de Derrida]

As the whole science, and only the whole, can exhibit what the Idea or system of reason is, it is impossible to give in a preliminary way (or precursorily) a general impression of a philosophy. Nor can a division ( distribution) of philosophy into its parts be intelligible, except in connection with the system. A preliminary division, like the limited conception from which it comes, can only be an anticipation (something anticipated). Here, however, it is premised that the Idea turns out to be the thought which is completely (simply) identical with itself, and not identical simply in the abstract, but also in its action of setting itself over against itself, so as to gain a being of its own, and yet a being in full possession of itself while it is in this other.¹”

¹ Não só em potência, essência (em-si) mas também em ato, aparência (para-si), e conseqüentemente ao mesmo tempo em e para si, unidade sujeito-objeto (consciência em Hegel).

Em seguida H. divide a Filosofia em 3 momentos, esclarecendo que é uma divisão didática e nunca um momento subsiste ):

1. Lógica, o conhecimento da essência isolada, em-si, a Idéia.

2. Filosofia da Natureza, o conhecimento da aparência isolada, para-si, o Outro. (momento provisório da separação sujeito-mundo)

3. Filosofia da Mente (consciência), o conhecimento da descida ou chegada da Idéia ou essência ao se manifestar (do em si que se acopla ao para si, da etapa ou processo consumado descrito acima). Identidade final da diferença (Idéia e Outro no Um).

Grosso modo: ESSÊNCIA CARENTE OUTRO SER (ESSÊNCIA PERFEITA ou O ABSOLUTO).

A Filosofia da Mente pode ser subdividida em 3 momentos:

3.1. A mente subjetiva: abstração da auto-relação, a liberdade absoluta da Idéia consigo mesma (no arbitrário), mas falsa, pois “fora do mundo”.

3.2. A mente objetiva: a abstração da objetividade material do mundo, enquanto algo alheio à Idéia. A liberdade é entendida como necessidade, pura causalidade cega.

3.3 A menta absoluta: a unidade realmente existente, concreta, da consciência como objetividade e idealidade, a liberdade como tal. A “verdade” em sua dinamicidade, como compreendida por Hegel.

Por que o momento 3.1 está negritado acima? Porque Derrida entende a teoria do signo lingüístico como o equivalente a esta etapa. Um “modo” ou “determinação finita”, “transição ou etapa necessária da auto-superação”. Derrida chama o 3.1 ou signo de “transição da transição”. A Idéia auto-suficiente é negada, suprimida pelo Outro (próxima etapa afirmativa).

Derrida subdividirá, ainda, o 3.1, seu objeto de interesse neste texto, em:

3.1.1. O imediato: o Espírito-na-natureza (Naturgeist), o objeto do ponto de vista da Antropologia (do tempo de Hegel, mero modo de expressar a relação de alteridade homem vs. natureza, não a Antropologia científica que estuda a diferença cultural entre culturas ou homens diferentes – está muito mais para ciência exata que para um campo social, pois abarca até a fisiologia humana, como teremos a oportunidade de ver mais abaixo).

3.1.2. O mediato: reflexão no sentido comum. A consciência abstraída, tratando-se como objeto exterior (o objeto do ponto de vista da Fenomenologia da Mente).

3.1.3. Objeto-de-si-mesmo: o objeto do ponto de vista da Psicologia (hegeliana), reconhecendo-se idêntico ao que era outro (reincorporando-se).

Para Derrida, a teoria do signo pertence em sua delimitação, mais precisamente, ao momento da Psicologia (3.1.3), “definida como ciência da Mente determinando a si mesma em si mesma como objeto para si mesma”.

A semiologia, como parte da ciência do objeto para si mesmo, não pertence à ciência da consciência, isto é, à fenomenologia [3.1.2].” “Esta psicologia está divorciada da natureza. Estamos não só referidos aqui a todas as tentativas semiológicas do séc. XVIII, que eram todas psicologizantes, mas referidos, em última instância, a Aristóteles, o patrono que Hegel invoca em sua Psicologia da Mente quando, na Introdução acima, descreve:

Os livros de Aristóteles Da Alma (Peri Psychis) … são por isso e ainda, de longe, o trabalho especulativo de valor mais admirável, talvez o único de valor, neste tópico. A principal meta de uma filosofia da mente só pode ser reintroduzir o conceito no conhecimento-da-mente, o que quer dizer redescobrir a lição destes livros de Aristóteles.

Define Aristóteles, em outro livro:

A palavra falada (ta en tiphoni) é o símbolo de afecções ou estados da alma, e a palavra escrita é o símbolo da palavra falada. Assim como nem todo homem tem a mesma escrita, nem todo homem tem o mesmo som da voz, mas os estados da alma, de que essas expressões são o signo imediato ou primário (semeia protos) são os mesmos para todos, assim como as coisas, de que esses estados são apenas a imagem.”

Mas quando afirmo [Derrida] que é tradicional fazer da semiologia dependente da psicologia, não penso apenas no Hegelianismo do passado, mas no que se revela como além do Hegelianismo, isto é, superação do Hegelianismo, e não só algo derivativo e compreendido no Hegelianismo. Porque essa é uma tradição metafísica, ininterrompida pelas ciências humanas contemporâneas. Nos seus Cursos de Lingüística Geral, Saussure traça duas vezes o plano para uma semiologia geral juridicamente [?] dependente da psicologia.”

A Lingüística é só uma parte da ciência geral da semiologia; as leis descobertas pela semiologia serão aplicáveis à lingüística, e esta última será circunscrita em limites bem-definidos dentro da massa de fatos antropológicos.” Saussure

Uma observação: hoje entendo a Lingüística como uma Semiologia no sentido saussureano, e a lingüística de Saussure como uma subdivisão desta. Isto é, entendo que nunca houve esta expansão desejada por Ferdinand de Saussure.

Hjelmslev, apesar de reconhecer a importância da herança saussureana, levantou a questão da crítica aos pressupostos dessa mesma herança, i.e., criticou a autoridade atribuída à psicologia e o privilégio acordado à ‘substância expressiva’ sonora ou fônica.” Nesse tocante, creio que Saussure ainda siga atual e não procede a crítica hjelmsleviana: a lingüística segue sendo o estudo do signo psíquico, em clara antecipação à consideração de que surdos-mudos aprendem a língua sem prejuízo (o processo mental incorpora a questão da escuta e da fala, não havendo quebra epistemológica dos pressupostos de Saussure).¹ Por outro lado, a fala continua sendo a instância privilegiada em detrimento da escrita, como se vê no princípio da arbitrariedade das mudanças lingüísticas (sobre as quais a literatura não têm nenhum controle, uma vez que a língua se desenvolve organicamente no cotidiano do universo dos falantes totais daquela língua).

¹ Muitos estudantes de lingüística de nosso tempo querem desqualificar Saussure no trecho em que ele se refere ao ‘signo acústico’, porém o sentido mais correto do que ele quis expressar em sua época teria de ser retraduzido nas atuais edições de sua obra clássica como ‘psíquico’ no lugar de acústico, porque se refere a um processo interior, mental.

Veremos como a excelência psíquica e a preeminência fônica andam juntas também em Hegel, por razões que são histórica e essencialmente metafísicas.”

A psicologia estuda as faculdades ou modos gerais da atividade mental enquanto atividade mental – intuição, representação, rememoração, etc., desejos, etc.” H.

A teoria dos signos, consistindo essencialmente numa teoria da fala e da escrita, está contida em duas notas de rodapé bastante extensas de H., notas estas mais longas que os próprios parágrafos aos quais estão subordinadas, no sub-tópico intitulado ‘Imaginação’ [na Enciclopédia]. A Semiologia seria, portanto, um desenvolvimento pertencente à teoria da imaginação, e mais especificamente, à Fantasiologia ou Fantástica¹ [Phantasiology ou Phantastics] hegeliana.”

¹ Ainda não li o original (a Enciclopédia). Talvez Fantasística ou mesmo Phantasística, com ‘ph’, sejam traduções mais acertadas.

O que é imaginação? Representação (Vorstellung) é intuição relembrada-interiorizada (erinnerte). Pertence à inteligência (Intelligenz), que consiste em interiorizar a imediatidade sensível, ‘para apresentar a si mesmo como possuidor da intuição de si mesmo’ (in sich selbst anschauend zu setzen) – para suspender e conservar, no duplo movimento da negação (Aufhebung), a subjetividade pertencente à interioridade,¹ para que seja exteriorizada em si mesma e ‘esteja em si mesma em sua própria exterioridade’ (in ihrer eigenen Ausserlickhkeit in sich zu sein). Na lembrança temos o movimento decisivo da representação em que a inteligência é chamada de volta a si, e está em si mesma em sua exterioridade. Na lembrança o conteúdo da intuição se torna uma imagem – está livre da imediatidade e individualidade a fim de permitir a transição para a representação conceitual objetiva. E a imagem lembrada e interiorizada na memória não é mais uma ‘existência’, i.e., presente, na memória, mas depositada fora da consciência (bewusstlos aufbewahrt), retida numa morada inconsciente. A inteligência pode ser concebida como essa reserva, essa capa escura no fundo da qual as imagens enterradas são escavadas.² Hegel também chama essa instância ou reserva de ‘abismo noturno’ ou ‘abismo inconsciente’.”

¹ O texto em inglês de Derrida traz “inferiority”, inferioridade. Pode ser um jogo semântico de Hegel sobre ascender e baixar, também; mas como está em oposição a exterioridade aqui, acho mais provável que seja só erro de digitação.

² Fuck Freud!

Que a rota que vamos percorrer seja circular e que esse abismo seja em verdade uma pirâmide é um enigma sobre o qual devemos perguntar se ele deve ser suspendido como uma verdade que estava no fundo de um poço e devemos trazer à luz ou então decifrado como inscrição que adorna o monumento.” Os próprios verbos interiorizar e recordar em alemão têm a mesma raiz. Sobre a pergunta retórica de Derrida, veremos que é um pouco dos dois.

A síntese dessa imagem interna com a existência relembrada é ela mesma o conceito de representação: mediante esta síntese o interno agora tem a qualificação para aparecer diante da inteligência e existir propriamente, estar-aí (Dasein)” H. § 454

Esta explicação de H. serve para a memória re-produtiva, passiva, que não cria suas próprias memórias, apenas recebe dados do exterior. É só a primeira etapa da explicação da faculdade da memória.

O que é produzido e exteriorizado no momento seguinte (a segunda etapa da faculdade da memória) e espelhado (simétrico, contrário) é o signo. Ele é emitido pela imaginação produtiva ou criativa. Nossa capacidade de fantasiar, no sentido hegeliano.

Uma existência imaginada é uma imagem existenciada.

O que é internalizado se torna universal para si mesmo, e logo é expelido como intuição concreta (“an affirmation that may appear abusive or unintelligible”, D.) ou coisa. Nesse esquema H. não omite que é tributário de Kant.

Finalmente, notemos que a imaginação transcendental é também o movimento de temporalização que Heidegger repetiu tão admiravelmente em seu Kant e o Problema da Metafísica

A união dos contrários e a semio-poiesis. “Productive imagination is the MittelpunktH.

Ao final do texto vamos finalmente entender o que significam essas aspas!

O signo em si mesmo não é nada.

A imaginação, quando percebida como a agência dessa unificação, é razão (Vernunft), mas só razão formal, porque a matéria ou o tema que encapsula é para a imaginação enquanto (qua) imaginação uma matéria indiferente; ao passo que a razão enquanto (qua) razão determina também o conteúdo com vistas à verdade.” § 457

O signo só é um ponto-médio do caminho para a verdade da consciência (fica a meio caminho), e no entanto ele não é um acidente (arbitrário), no sentido de ser um momento, embora abstrato (nisso, ele é arbitrário), necessário no desenvolvimento da racionalidade e da aparição da verdade.

Por que a verdade independe do, ou melhor, depende da ausência do, signo?”

Por que o signo é só um momento inferior, um conceito metafísico menor?” (Neste sentido talvez o ‘interior’ lá em cima fosse mesmo inferior!)

Por que a verdade não se expressa (em signos)?”

Then ‘Why’ (Pourquoi) here no longer indicates a question about the in-view-of-what? (pour quoi), about the telos or the eschaton of the movement of signification; nor does it indicate a question about an origin: ‘Why?’ taken as ‘because of what?’ ‘Starting with what?’ etc. ‘Why’ is then the still metaphysical name for a question about the metaphysical system that links the sign to the concept and to truth. But this question can break through and penetrate only in freeing itself from even this Why-form, undetermined as it may seem.”

O signo só é o que é hoje no campo do conhecimento porque a metafísica foi encerrada ou arrematada – ele se beneficiou disso.”

O signo é, na definição de Hegel, portanto, a unidade de uma ‘representação independente’ e de uma ‘intuição’. Porém, na identidade da representação e da intuição, algo excepcional sucede: essa intuição não é uma simples intuição, como a intuição em geral. Um ser é dado, uma coisa é apresentada, apresentada para imediata recepção no presente. Exemplo: a cor dum chapéu está-lá para a intuição. Porém, como é indissociável da representação (Vorstellung) essa presença representa, i.e., reapresenta algo que não é em si mesmo, ou não é o mesmo, mesmidade, mas diferença. É colocada (a cor) no lugar de algo outro (etwas anderes vorstellend), um representativo representacional de algo mais (aqui Vorstellung não é só apresentação, é representação no sentido literal, pois indica o papel de mediação). O quê representa? Do quê o significante apresentado à intuição é significante? Como H. determina o representado ou o significado? É claramente uma idealidade contrastada com a real corpo-realidade (ou corporeidade) do significante. H. chama esse significado do signo, o Bedeutung (geralmente traduzido como ‘significação’; eu, por outro lado, prefiro traduzir como content de vouloir-dire).¹”

¹ O conteúdo-significado; seguindo a estranha expressão francesa, o conteúdo do querer-dizer.

Corpo-significante e alma/idealidade-significado

O signo é, pois, uma encarnação.” “Isso segue válido em Saussure e Husserl. Para este último o signo é animado pela intenção de significações como corpo (Körper) tornando-se ou devindo corpo-próprio (Leib) animado por Geist (alma, espírito). Para Husserl a palavra viva é uma espiritualidade corporificada.”

Mas Hegel enfatiza não só a aquisição do corpo-próprio, mas o lado inerte e inanimado, tumba.” Há um trocadilho em grego, usado por Platão, entre soma e sema (corpo e tumba, o corpo é uma prisão da alma).

O corpo do signo é aquele monumento no qual a alma vai ser silenciada e confinada, guardada, mantida, conservada, tornada presente.” pirâmide-embalsamamento-monumento-inscrição

trabalho da morte”

H. usa deliberadamente o signo pirâmide, ou diríamos o símbolo piramidal, para designar ou para significar o signo.” “H. vê no hieróglifo egípcio uma espécie de paralisia da dialética.”

O “algo mais” acima é justamente o negativo. Todas as cores que não são a cor do chapéu. A intuição-do-ausente.

A alma consignada na pirâmide é estrangeira. Se a alma é transposta, transferida, transplantada no monumento-significado, é de outra ordem que a pedra-significante, do intuitivo dado. E essa heterogeneidade é, primeiro, a irredutibilidade da alma e do corpo, do inteligível e sensível, do conceito (idealidade-significado) e do corpo sensível do significante. (representação) H.

Há um abismo ou alteridade intransponível aí. Para H., essa é a distinção entre signo e SÍMBOLO. Um símbolo simboliza naturalmente algo que se lhe assemelha. Um signo é totalmente convencionado, não há ligação natural entre significante e significado.

Essa teoria da natureza arbitrária do signo e essa distinção entre signo e símbolo é retomada em extenso e de modo mais claro na Introdução à primeira seção da Estética (‘Do símbolo em geral’).”

Se ainda havia alguma dúvida de que todo o sistema conceitual que domina a assim chamada revolução da lingüística – quero dizer, a lingüística saussureana – usa como modelo explícito a metafísica, precisamente a metafísica que opõe conceitos entre si, a da semiologia hegeliana, creio que agora essa dúvida não pode mais se colocar.”

A palavra símbolo foi utilizada por vários autores para designar o signo lingüístico, ou mais especificamente o que aqui se chama significante. O princípio da arbitrariedade do signo que acabo de explicitar é totalmente contrário à persistência desse uso. Uma característica do símbolo é que ele nunca é inteiramente arbitrário; não é inócuo, porque há indícios de uma conexão natural entre significante e significado. O símbolo da justiça, um par de balanças, não pode ser substituído impunemente, p.ex., por um tanque.” Saussure

the production of arbitrary signs manifests the freedom of mind.” O telos da Psicologia hegeliana, a aquisição da liberdade.

Na atribuição de significados, portanto, a inteligência manifesta uma liberdade e uma maestria incomparáveis no uso de intuições que não são nunca manifestas nas simbolizações.” H., § 458

Aí vemos concluída a pirâmide de Hegel.” É como se o ‘espaço arquitetônico’ escolhido por H. para representar a aquisição de, por um lado, uma razão vazia (ainda uma razão incompleta) e, por outro, uma liberdade irrestrita pela consciência, em uma de suas etapas, fosse exatamente a parte que cabe deixar oca nas construções, para que a distensão dos metais e outros sólidos não comprometesse todo o esqueleto da construção.

This sign-creating activity may be distinctively named ‘<productive> memory’ (produktive Gedächtnis) (the primarily abstract ‘Mnemosyne’); and since ‘memory’ (Gedächtnis), which in ordinary life is often used as interchangeable and synonymous with ‘remembrance’ (recollection) (Erinnerung), and even with ‘conception’ and ‘imagination’, has always to do with signs only.” (Remark, § 458)

In his fine essay on Proust, G. Deleuze has shown very well that the Remembrance of Things Past was less an exercise of memory than a semiotic activity or experience. You see that Hegel does not distinguish between the two, and that there is here another occasion to underline an affinity between Proust and Hegel.”

ONDE GERALMENTE OS MATEMÁTICOS PARAM DE TENTAR DESAFIAR HEGEL: “É a minha tese [Derrida] a do privilégio do sistema lingüístico – que é fônico – sobre todos os demais sistemas semióticos. Um privilégio, destarte, também da fala sobre a escrita; e da escrita fonética sobre qualquer outro sistema de notação ou qualquer outro tipo de inscrição, em particular os hieróglifos ou a escrita ideográfica. Mas também da escrita fonética perante a escrita matemática formal (qualquer que seja ela), a álgebra, a pasigrafia [uma espécie de Esperanto taquigráfico] e outros projetos de escritura universal do tipo leibniziano (fracassados), sobre o qual Leibniz gabou-se de ‘não necessitar, por princípio, referir-se à voz (vox) ou à palavra’.”

That is if one accepts, and in the measure that one accepts considering Hegelianism as the completion of Western metaphysics, the pre-eminence of the phoni is one with the essence of metaphysics. And thus whatever in certain modern sciences – for example in a certain work of glossematics carried out by Hjelmslev, but this is but one example – scientifically questions this privilege of the vox, both as voice and as word, in some measure trangresses the metaphysical closure itself.”

no signo a intuição sensível-espacial é sublimada temporariamente” Mas o que entra no lugar do espaço ao ser negado é o tempo, que em si é (o lado oculto do) espaço. O signo como temporalização em Heidegger (acima).

a fase mais verdadeira da intuição usada como signo é a existência no tempo (Dasein – o sendo-aí em intuição – in der Zeit: uma fórmula que devemos considerar ao mesmo tempo como dizendo que o tempo é o Dasein do conceito).” “Por que é a da intuição sublimada a sua fase mais verdadeira? Porque o tempo é o espaço sublimado.” O MEIO É A MENSAGEM: É a única forma do corpo (significante) desaparecer conservando-se a si mesmo na forma da idealidade (significado, conceito), ou seja, como outro. “But what is the signifying substance, what glossematicians call the expressive substance, most proper to be thus produced as time itself? It is sound, sound lifted from its naturalness and bound to the mind’s relation with itself, to the psychi as subject for itself and auto-affecting itself – the animated sound, the phonic sound, the voice, the Ton.” O homem é o único animal que vive-no-tempo porque ele fala (e compreende a fala).

The voice is what unites the anthropological naturalness of the (natural) sound with the psychic-semiotic ideality, what consequently joins the Philosophy of Mind to the Philosophy of Nature, and within the Philosophy of Mind joins anthropology to psychology between which, I recall, phenomenology, the science of consciousness, is inscribed.”

This means, in Hegelian language, that it is the essence of time as existence of the concept. But at the same time (so to speak) language, inasmuch as it interiorises and temporalises Dasein as it was in the given of sensible-spatial intuition, elevates existence itself, sublates (relève) it in its truth, at its highest level. It makes the sensible existence pass to representational or intellectual existence, to the existence of the concept. And this transition is precisely the moment of articulation that transforms the sound into voice and noise into language – a theme that would also merit a whole comparison with De Saussure.” O pensamento se materializa e a vida (fenomênica) fica em suspenso. Pode-se dizer que é a versão hegeliana da Idéia de Platão: acima do reino da Representação, no reino da representação, ao mesmo tempo, sem contradição, ou suportando a contradição (um em- como se não fosse em-, e sim num ‘além-tempo’: uma transcendência imanente).

But he contents himself with this systematics or architectonics. He does not fill out the field whose limits and topography he delineates. There are, none the less, indications of the lineaments of such a linguistics. For example, he admits that linguistics must be distinguished into a formal (grammatical) element and a material (lexicological) element.”

Ideality in general is, in Hegelian terms, ‘the negation of the real, which is none the less at the same time conserved, virtually retained (virtualiter erhalten), even if it does not exist’. But ideality as an element of language since the sign is the sublation (relève) of the sensible intuition of the real – has its own sense organs, its own elements of sensibility. Two senses share physical ideality between them: the sense for light and the sense for sound. These two elements have a privilege to which Hegel devotes numerous and splendid analyses in the Encyclopaedia and in the Aesthetics.

In so far as sound is concerned, it is noteworthy that linguistics refers us from psychology to anthropology (psycho-physiology), and that this latter refers us to physics. It is the reverse route of the teleology and movement according to which the Idea is reappropriated to itself as mind by rising from and sublating the nature [en (se) relevant (de) la nature] in which it was lost while being betokened therein. But at the beginning of the Physics light is posited as the first but abstract manifestation, an undifferentiated identity of qualified prime matter. It is through the light that nature refers to itself, manifests itself to itself. As is said in the Aesthetics, ‘light is the first ideality, the first auto-affirmation of nature. In light nature for the first time becomes subjective.’E fez-se Luz, e fez-se o Verbo (a Voz).

Signs, Hegel reflects, are not consumed. And this is to be related to the fact that the signifying matter is for Hegel always sound or light. We should have to ask if there is no other, and even whether audible or visible signs are not in some way eaten or consumed.

In any case, if sight is ideal, hearing, Hegel notes, is even more so; it as it were sublates (relève) sight.” Espaço Tempo. As artes visuais em geral, e os túmulos e inscrições egípcias em particular, negam a negação, tentam paralisar a dialética.

Há uma interseção astuciosa entre consumar (a metafísica) e consumir (a luz e o som) aqui (pois comer, devorar é acabar, completar). Afinal essa construção hegeliana é eterna ou está sofrendo erosão? Derrida encerra o ensaio falando da possibilidade de outra metafísica se – e somente se – alguém for pelo caminho da diferença (e não pelo da indiferença totalizante hegeliana), ou seja, alguma tentativa no sentido do que Hjelmslev empreendeu por volta dos anos 50.

HEGEL & O ESPÍRITO DA MÚSICA (Como que para comprovar que, procurando bem, todos os grandes filósofos, mesmo se odiando e discordando uns dos outros, chegam a conclusões fundamentais em comum – sobre a música, Hegel, Schopenhauer e Nietzsche são o consenso em contínuo – uma faixa de música alemã bastante longa): “since the calm, disinterested contemplation of works of art, far from seeking to suppress objects, lets them subsist as they are and where they are, what is conceived by sight is not the ideal in itself, but on the contrary perseveres in its sensible experience. But the ear, on the contrary, without practically (praktisch) turning to objects, perceives the result of the interior trembling (innern Erzitterns) of the body by which not the calm material figure, but a first ideality coming from the soul is manifested and revealed. As, on the other hand, the negativity in which the vibrant matter (schwingende Materia) enters constitutes a sublation (Aufheben of the spatial state, which sublation is in its turn sublated by the reaction of the body, the exteriorisation of this double negation, the sound (Ton) is an exteriorisation which is in its upsurge annihilated again by its own being-there, and vanishes by itself. By this double negation of exteriority inherent in the principle of sound, sound corresponds to the internal subjectivity in that sonority (Klingen), which of itself already is more ideal than real corporeality, renounces even this ideal existence and thus becomes a mode of expression of pure interiority.”²

¹ Entender sublimação do modo mais físico-químico possível – sem a interferência da hedionda psicanálise! Por isso eu prefiro sempre traduzir sublimação como simples negação quando posso – já que em Hegel a negação é sempre transitória (toda evaporação de matéria sólida é cíclica – cf. o motto marxista mais famoso!).ª De fato quando se diz que o tempo é o espaço sublimado, é o espaço negado, sem mais, nem menos do que isso.

ª Nada obsta o capitalismo (o real mais real) evaporar no ar!

² Aqui de novo o texto traz inferiority: agora estou certo de que era erro tipográfico: há a simetria corporeidade real (espaço puro) – pura interioridade (negação total do espaço).

This decisive concept of vibration, of trembling (Erzittern) as a physical transition from space to time, as sublation of the visible in the audible, the real in the ideal, this teleological concept of sound as a movement of idealisation and of Aufhebung of natural exteriority, is also explicated in the Encyclopaedia in the Physics (§ 300). We must then come back to it if we wish to account for the material part of language, that is lexicology.”

Thus in the linguistic part of semiology Hegel can make the move he advises against in general semiology: he can make of the question of writing an accessory question treated as an appendix, an excursus, a supplement. This move, we know, was made by Plato and Rousseau; it will also be made by De Saussure.”

It is from the province of immediate spatial intuition to which written language proceeds that it takes and produces the signs.” H.

Alphabetic writing is in and for itself the most intelligent’, says Hegel. Inasmuch as it respects, conveys and transcribes the voice as idealisation and movement of mind relating itself to its own interiority, phonetic writing is the most historical element of culture, most open to infinite development. ‘Learning to write an alphabetic writing must be considered a means of infinite culture (unendliche Bildungsmittel).’Um meio de imagem infinito, ‘diz’-nos a língua alemã! Sobre o negrito: de fato nós definimos nossa História pela escrita (mesmo quando esquecemos de definir que é a escrita fonética): antes da escrita, era a pré-História. Resta a pergunta: abriremos mão da cultura, ou ainda viveremos dentro da História? Mesma pergunta, em roupagem diferente, sobre o fim da Metafísica em H..

History as history of mind, the development of the concept as logos, the onto-theological deployment of parousia, is not hindered, limited, interrupted by alphabetical writing, which, on the contrary, inasmuch as it better effaces its own spacing, is the highest, the most sublating mediation.” Através do registro escrito (e amplio: da notação musical) podemos trazer de volta à memória qualquer momento sublime, ou idealidade, negação do real, do espaço ao menos, enquanto sobrevivemos na nossa forma fundamental que é o tempo, e vivenciar o Absoluto (em Hegel). Podemos, em suma, transcender a mundanidade. A pós-modernidade não vem destruindo a cultura, mas apenas jogando no mesmo terreno. Agora entendo por que Jean Baudrillard levanta a hipótese de que essa condição pode durar indefinidamente…

In effect, as everyone knows, and as Hegel recognises with a lucidity very rare in this domain, there is no purely phonetic writing; the alphabetical system we use is not and cannot be completely phonetic. A writing can never be penetrated and sublated completely by the voice. And the non-phonetic functions, the so to speak – silences, of alphabetic writing are not factual accidents or by-products one might hope to eliminate (punctuation, numbers, spacing). Hegel recognises this in passing in a parenthesis he quickly closes, and in which we read, concerning hieroglyphic writing: ‘(and hieroglyphics are used even where there is alphabetic writing, as in our signs for the numbers, the planets, the chemical elements etc.)’.”

Speaking of the hieroglyphic or Chinese writing, Hegel notes (as he does in other texts, notably in the Logic): ‘this feature of hieroglyphic – the analytic designation of representations – which misled Leibniz to regard it as preferable to alphabetic writing is rather in antagonism with the fundamental desideratum of language – the name’.

In assigning limits to universal, that is mute writing, writing not bound to the voice and to natural languages, in assigning limits to the function of the mathematical symbolism and calculus, considered as the work of the formal understanding, Hegel wishes to show that such a reduction of speech would interrupt the movement of Aufhebung, which is the movement of idealisation, of the history of mind and the reappropriation of logos in the presence to itself and infinite parousia. What is most written, most spaced, least vocal and internal in writing is what resists dialectics and history. We then cannot question the Hegelian concept of writing without questioning the whole history of metaphysics. For it is not a question of returning to Leibniz, concerning whom I have endeavoured elsewhere to show that his project remained metaphysical, and is fundamentally accessory to the system on the basis of which Hegel addresses his objections to him.

The writing from which metaphysics is to be questioned in its closure is then not writing such as metaphysics had itself determined it, that is such as our history and our culture enable us to think it, in the most familiar evidence of what is obvious. This writing in which the outside of metaphysics is announced could have, among other names, that of difference.”

THE HEGEL MYTH AND ITS METHOD (ATAQUE A POPPER) – Kaufmann, 1959

Today Marx’s dialectic dominates a large part of the total population of the globe, while Kierkegaard’s has been adapted by some of the most outstanding thinkers of the free world, notably Heidegger and Tillich, Barth and Niebuhr.

Two later revolts against Hegelianism dominate English and American philosophy in the twentieth century: pragmatism and analytic philosophy. William James, though occasionally he attacked Hegel himself, reconstructed Hegel somewhat in the image of his Harvard colleague, Royce, who was then the outstanding American idealist; while Moore, at Cambridge, who was joined by Russell, led the fight against the influence of Bradley and McTaggart.”

One of the few things on which the analysts, pragmatists, and existentialists agree with the dialectical theologians is that Hegel is to be repudiated: their attitude toward Kant, Aristotle, Plato, and the other great philosophers is not at all unanimous even within each movement; but opposition to Hegel is part of the platform of all four, and of the Marxists, too. Oddly, the man whom all these movements take to be so crucially important is but little known to most of their adherents; very few indeed have read as many as 2 of the 4 books that Hegel published.

Hegel is known largely through secondary sources and a few incriminating slogans and generalizations. The resulting myth, however, lacked a comprehensive, documented statement till Karl Popper found a place for it in his widely discussed book, The Open Society and Its Enemies. After it had gone through three impressions in England, a revised one-volume edition was brought out in the United States in 1950, five years after its original appearance.

Forward-looking liberals and even believers in ‘piecemeal social engineering’, like Popper, often distort history, too. And so, alas, did Hegel.”

The calamity in our case is twofold. First, Popper’s treatment contains more misconceptions about Hegel than any other single essay. Secondly, if one agrees with Popper that ‘intellectual honesty is fundamental for everything we cherish’ (p. 253), one should protest against his methods; for although his hatred of totalitarianism is the inspiration and central motif of his book, his methods are unfortunately similar to those of totalitarian ‘scholars’ — and they are spreading in the free world, too.”

Although the mere presence of nineteen pages of notes suggests that his attack on Hegel is based on careful scholarship, Popper ignores the most important works on his subject. This is doubly serious because he is intent on psychologizing the men he attacks: he deals not only with their arguments but also — if not altogether more — with their alleged motives. This practice is as dangerous as it is fashionable, but in some cases there is no outright evidence to the contrary: one can only say that Popper credits all the men he criticizes, except Marx, with the worst possible intentions. (Marx he credits with the best intentions.)

beginning with Dilthey’s pioneering study of 1906 and the subsequent publication of Hegel’s early writings, ample material has been made available concerning the development of his ideas. There is even a two-volume study by Franz Rosenzweig, the friend of Martin Buber, that specifically treats the development of those ideas with which Popper is concerned above all: Hegel und der Staat.

Furthermore, Popper has relied largely on Scribner’s Hegel Selections, a little anthology for students that contains not a single complete work. Like Gilson in The Unity of Philosophical Experience (p. 246), Popper takes over such a gross mistranslation as ‘the State is the march of God through the world’, although the original says merely that it is the way of God with the world that there should be the State, and even this sentence is lacking in the text published by Hegel and comes from one of the editor’s additions to the posthumous edition of The Philosophy of Right — and the editor admitted in his Preface that, though these additions were based on lecture notes, ‘the choice of words’ was sometimes his rather than Hegel’s. ”

The passage on war in Hegel’s Phenomenology of the Spirit, in the section on ‘The Ethical World’, was written when Hegel — a Swabian, not a Prussian — admired Napoleon and was published in 1807, a year after Prussia’s devastating defeat at Jena.Não em subserviência ao império prussiano, como alega Popper.

QUILT QUOTATIONS (COLAGEM OU COLCHA DE ASPAS):Sentences are picked from various contexts, often even out of different books, enclosed by a single set of quotation marks, and separated only by three dots, which are generally taken to indicate no more than the omission of a few words. Plainly, this device can be used to impute to an author views he never held.

Here, for example, is a quilt quotation about war and arson: ‘Do not think that I have come to bring peace on earth; I have not come to bring peace, but a sword… . I came to cast fire upon the earth… . Do you think that I have come to give peace on earth? No, I tell you… . Let him who has no sword sell his mantle and buy one.’ This is scarcely the best way to establish Jesus’ views of war and arson. In the works of some philosophers, too — notably, Nietzsche — only the context can show whether a word is meant literally.”

Popper writes like a district attorney who wants to persuade his audience that Hegel was against God, freedom, and equality — and uses quilt quotations to convince us.

No conception is bandied about more unscrupulously in the history of ideas than ‘Influence’. Popper’s notion of it is so utterly unscientific that one should never guess that he has done important work on logic and on scientific method. At best, it is reducible to post hoc, ergo propter hoc. Thus he speaks of ‘the Hegelian Bergson (p. 256 and n. 66) and assumes, without giving any evidence whatever, that Bergson, Smuts, Alexander, and Whitehead were all interested in Hegel, simply because they were ‘evolutionists’ (p. 225 and n. 6).

His Hegel chapter is studded with quotations from recent German writers, almost all of which are taken from The War Against the West by Kolnai. In this remarkable book Friedrich Gundolf, Werner Jaeger (Harvard), and Max Scheler are pictured as ‘representative of Nazism or at least its general trend and atmosphere’. Kolnai is also under the impression that the men who contributed most ‘to the rise of National Socialism as a creed’ were Nietzsche ‘and Stefan George, less great but, perhaps because of his homosexuality, more directly instrumental in creating the Third Reich’ (…) that the great racist H.S. Chamberlain ‘was a mellow Englishman tainted by noxious German influences’ ; and that Jaspers is a ‘follower’ of Heidegger. It would seem advisable to check the context of any quotations from Kolnai’s book before one uses them, but Kolnai generally gives no references.

Of the goods that man has cherished
Not one is as high as fame;
When the body has long perished
What survives is the great name.

For every Nazi who knew Hegel’s remarks about fame there must have been dozens who knew these lines. Does that prove Schiller a bad man? Or does it show that he was responsible for Nazism?”

he constantly makes common cause with Schopenhauer against the allegedly proto-fascist Hegel, whom he blames even for the Nazis’ racism — evidently unaware that Fries and Schopenhauer, unlike the mature Hegel, were anti-Semites.

Hegel’s earliest essays, which he himself did not publish, show that he started out with violent prejudices against the Jews. (…) When Hegel later became a man of influence, he insisted that the Jews should be granted equal rights because civic rights belong to man because he is a man and not on account of his ethnic origins or his religion.”

It does not follow that Fries influenced the Nazis. [Ele deu idéias proféticas como marcar os judeus com símbolos nas roupas; disse, não muito diferente de Wagner e tantos outros em seu século, que a Judeidade deveria ser exterminada, mas que não tinha nada contra judeus específicos, isto é, homens concretos conhecidos, amigos até…] He was soon forgotten, till, in the twentieth century, Leonard Nelson, a Jewish philosopher, founded a neo-Friesian school that had nothing to do with Fries’s racial prejudices.” As voltas que o mundo (e o espectro político) dá!

Popper, though he has written an important book on Die Logik der Forschung, The Logic of Research, does not find it necessary to check his hunches by research when he is concerned with influences in his Hegel chapter.”

Hegel was rarely cited in the Nazi literature, and, when he was referred to, it was usually by way of disapproval. The Nazis’ official ‘philosopher’, Alfred Rosenberg, mentioned, and denounced, Hegel twice in his best-selling Der Mythus des Zwanzigsten jahrhunderts. [O Mito dos Anos 1920] Originally published in 1930, this book bad reached an edition of 878,000 copies by 1940. In the same book, a whole chapter is devoted to Popper’s beloved Schopenhauer, whom Rosenberg admired greatly.”

Plato, unlike Hegel, was widely read in German schools, and special editions were prepared for Greek classes in the Gymnasium, gathering together allegedly fascist passages. In his introduction to one such selection from the Republic, published by Teubner in the series of Eclogae Graecolatinae, Dr. Holtorf helpfully listed some of his relevant articles on Plato, including one in the Völkischer Beobachter, which was Hitler’s own paper. Instead of compiling a list of the many similar contributions to the Plato literature, it may suffice to mention that Dr. Hans F.K. Günther, from whom the Nazis admittedly received their racial theories, also devoted a whole book to Plato — not to Hegel — as early as 1928. In 1935, a 2nd edition was published.”

Hegel certainly has grievous faults. Among these is his obscure style, but it is dry and unemotional in the extreme. A detailed account of his almost incredibly unemotional style as a lecturer has been given by one of his students, H.G. Hotho, and is quoted in Hermann Glockner’s Hegel (1, 440 ff.), and in Kuno Fischer’s Hegel, too. If ‘hysterical’ means, as Webster says, ‘wildly emotional’, Popper deserves this epithet much more than Hegel.”

the critical and rational methods of science’ could hardly establish Popper’s contention that the philosophy of Jaspers is a ‘gangster’ philosophy (p. 272 ).”

In the name of ‘the critical and rational methods of science’, one must also protest against such emotional ad hominem arguments as that Heidegger’s philosophy must be wrong because he became a Nazi later on (p. 271), or that Haeckel can hardly be taken seriously as a philosopher or scientist. He called himself a free thinker, but his thinking was not sufficiently independent to prevent him from demanding in 1914 <the following fruits of victory …>’ (n. 65).”

Popper’s occasional references to ‘the doctrine of the chosen people’, which he associates with totalitarianism, show little knowledge of the prophets though a great deal of emotion, and his references to Christianity are also based on sentiment rather than the logic of research. He is ‘for’ Christianity, but means by it something that is utterly at variance with the explicit teachings of Paul, the Catholic Church, Luther, and Calvin.” “Julius Streicher, in his violently anti-Semitic paper, Der Stürmer, constantly quoted the Gospel according to St. John.”

These simple sentences have seemed striking to some and have excited hostility — even from people who would not wish to deny some understanding of philosophy, not to speak of religion… . When I have spoken of actuality, one might have inquired, without being told to do so, in what sense I use this expression; after all, I have treated actuality in an elaborate Logic and there distinguished it precisely not only from the accidental, which, of course, has existence, too, but also, in great detail, from being there, existence, and other concepts.” Hegel, na Enciclopédia, sobre o mal-entendido de sua famosa citação “todo racional é real”, aludindo ao conceito de realidade efetiva, sem dúvida…

It would prevent some confusion if Hegel’s term wirklich were translated actual, seeing that he opposed it to potential rather than to unreal or nonexistent.”

Hegel would consider rational the conscience of an opponent of Hitler who recognized his own absolute right to make himself free and to realize his unalienable rights — but not the conscience of a fanatic impelled by personal motives or perhaps by an equally objectionable ideology.

It is no wonder that the Nazis found small comfort in a book that is based on the conviction that ‘the hatred of law, of right made determinate by law, is the shibboleth [estrangeirismo, anomalia, exceção] which reveals, and permits us to recognize infallibly, fanaticism, feeble-mindedness, and the hypocrisy of good intentions, however they may disguise themselves’ (§258 n.).”

Success is not the standard invoked in the Philosophy of Right when Hegel speaks of ‘bad states’.”

Hegel’s philosophy is open to many objections, but to confound it with totalitarianism means to misunderstand it. Ernst Cassirer puts the matter very clearly in The Myth of the State (1946), a book dealing with much the same material as Popper’s, but in a much more scholarly manner. His Hegel chapter ends: ‘Hegel could extol and glorify the state, he could even apotheosize it. There is, however, a clear and unmistakable difference between his idealization of the power of the state and that sort of idolization that is the characteristic of our modern totalitarian systems.’

Hegel, like Augustine, Lessing, and Kant before him and Comte, Marx, Spengler, and Toynbee after him, believed that history has a pattern and made bold to reveal it. All these attempts are controversial in detail and questionable in principle; but a sound critique of Hegel should also take into account his remarkable restraint: he did not attempt to play the prophet and was content to comprehend the past.”

His attitude depends on his religious faith that in the long run, somewhere, somehow freedom will and must triumph: that is Hegel’s ‘historicism’.”

Philosophy of Right (§258). Throughout, he tries to avoid the Scylla of that revolutionary lawlessness that he associates with Fries and the Wartburg festival and the Charybdis of conservative lawlessness that he finds in Von Haller’s Restauration der Staatswissenschaft.”

Hegel’s notion [de que em cada época reinava um povo] was surely suggested to him by the way in which the Romans succeeded the Greeks — and perhaps also the Greeks, the Persians; and the Persians, the Babylonians.” “Hegel’s conception is dated today: we know more than he did about the history of a great number of civilizations. We can no longer reduce world history to a straight line that leads from the Greeks via the Romans to ourselves; nor can we dispose of ancient Asia as ‘The Oriental Realm’ and understand it simply as the background of the Greeks. We are also aware of ambiguities in the conception of a Volk or nation and should not apply such terms to the carriers of Greek or Roman civilization.”

There is no single plan into which all data can be fitted, and Hegel was certainly something of a Procrustes.”

Public opinion contains everything false and everything true, and to find what is true in it is the gift of the great man. Whoever tells his age, and accomplishes, what his age wants and expresses, is the great man of his age.”

from Hegel’s contention that ‘there is an ethical element in war, which should not be considered an absolute evil’ (§324), Popper deduces that Hegel considered war ‘good in itself.’

For in Europe every people is now limited by another and may not, on its part, begin a war against another European people. If one now wants to go beyond Europe, it can only be to America.” Curso de Estética. Interessante. Hegel diz que acabou o material para poesia épica ou epopéias no solo europeu, e que novas histórias só poderiam ser contadas, com base em fatos reais, no Novo Continente, que progrediria…

NOW THE LAND OF THE PAST: “In his lectures on the philosophy of history, Hegel also hailed the United States as ‘the land of the future’. Plainly, he did not believe that world history would culminate in Prussia. His lectures on history do not lead up to a prediction but to the pronouncement: ‘To this point consciousness has come.’

When philosophy paints its grey on grey, a form of life has grown old, and with grey on grey it cannot be rejuvenated, but only comprehended. The owl of Minerva begins its flight only at dusk.”

Quando a filosofia retrata o grisalho, uma forma de vida se tornou velha demais, e o que é reconhecido como grisalho não pode rejuvenescer, só ser compreendido. A coruja de Atena só alça seu vôo na escuridão.”

A análise filosófica sempre chega tarde. O que chegou a conceito já é História, não mais efetividade (ato, presente). Mas é para isso que serve o olhar filosófico: para momentos de crise, não para o auge da civilização. Ressaca da cultura. A coruja é por si só um animal de fábula, velho, astuto, sábio; a coruja de Minerva é o mascote da própria Deusa da Sabedoria e da Justiça, e portanto está a seu serviço, mas também sob sua proteção. Poder-se-ia dizer, com qualquer outro pássaro, que levanta vôo e canta alegre na aurora, mas esse pássaro filósofo não é. Sombra e noite. Retorno à caverna. Liberdade póstuma.

P.S.: Quase toda tradução para português que vejo deixou de me agradar de um tempo pra cá… Por isso resolvi eu mesmo traduzir o trecho.

Antídotos para Popper e que não sejam ao mesmo tempo apologias do Nacionalismo, preceituados por Kaufmann, sob a forma de 2 obras de um mesmo autor (na verdade 1 obra e 1 capítulo):

Hans Kohn, The Idea of Nationalism (1944) / “Nationalism and the Open Society” in: The Twentieth Century (1949). Com certeza a expressão “Open Society” estava de moda!

Popper’s use of ‘tribalism’ and ‘nationalism’ is emotional rather than precise, and he accuses Hegel of both. Even so he must admit that Hegel ‘sometimes attacked the nationalists’ (p. 251).”

Aparentemente, H. contrasta Estado e nação: para ele, nação é a barbárie ‘burocratizada’. Uma não-unidade territorial, a despeito de unitária formalmente. Parece falar de uma terra abandonada por Deus, pelos sabiás e pelas palmeiras, sem aurora, crepuscular, mas também sem filosofia, como o Brasil…

DO TREAD ON US, PLEASE!

The state was to be built from ‘below’, through the sheer enthusiasm of the masses, and the ‘natural’ unity of the Volk was to supersede the stratified order of state and society.”

The Nazis did find some support for their racism in Schopenhauer, with whom Popper constantly makes common cause against Hegel, and in Richard Wagner, who Popper eccentrically insinuates was something of a Hegelian (p. 228) though he was, of course, a devoted disciple of Schopenhauer.”

Popper offers us the epigram: ‘Not <Hegel + Plato>, but <Hegel + Haeckel> is the formula of modern racialism’ (p. 256). Why Haeckel rather than Bernhard Förster, Julius Langbehn, Hofprediger Stöcker, Chamberlain, Gobineau, or Wagner? Why not Plato, about whose reflections on breeding the Nazis’ leading race authority, Dr. Günther, wrote a whole book — and Günther’s tracts on race sold hundreds of thousands of copies in Germany and went through several editions even before 1933? And why Hegel?”

The transubstantiation of Hegelianism into racialism or of Spirit into Blood does not greatly alter the main tendency of Hegelianism’ (p. 256). Perhaps the transubstantiation of God into the Führer does not greatly alter Christianity?”

One can sympathize with G.R.G. Mure when he says that the increasingly violent and ill-informed attacks on Hegel have reached a point in Popper’s Hegel chapter where they become ‘almost meaninglessly silly’. But familiarity with Hegel has waned to the point where reviewers of the original edition of The Open Society and Its Enemies, while expressing reservations about the treatment of Plato and Aristotle, have not generally seen fit to protest against the treatment of Hegel; and on the jacket of the English edition Bertrand Russell [certamente o ‘filósofo’ mais burro de todos os tempos] actually hails the attack on Hegel as ‘deadly’ — for Hegel. Since the publication of the American edition in 1950, John Wild and R.B. Levinson have each published a book to defend Plato against the attacks of Popper and other like-minded critics, and Levinson’s In Defense of Plato goes a long way toward showing up Popper’s methods. But Popper’s 10 chapters on Plato, although unsound, contain many excellent observations, and his book is so full of interesting discussions that no exposé will relegate it to the limbo of forgotten books. The Open Society will be around for a good long while, and that is one reason why its treatment of Hegel deserves a chapter.”

Ironicamente, a citação que fecha o texto é de Popper, comentando sobre Toynbee. Mas, numa daquelas divertidas inversões dialéticas, serve como uma luva para quem deve emitir um juízo sobre A Sociedade Aberta e Seus Inimigos (embora ache que ainda é dar bola demais para Popper):

I consider this a most remarkable and interesting book… . He has much to say that is most stimulating and challenging… . I also agree with many of the political tendencies expressed in his work, and most emphatically with his attack upon modern nationalism and the tribalist and ‘archaist’, i.e., culturally reactionary tendencies, which are connected with it. The reason why, in spite of this, I single out … (this) work in order to charge it with irrationality, is that only when we see the effects of this poison in a work of such merit do we fully appreciate its danger (pp. 435 f.).”

THE DIALECTIC OF THE REAL AND THE PHENOMENOLOGICAL METHOD IN HEGEL – Kojève

The Hegelian method, therefore, is not at all ‘dialectical’: it is purely contemplative and descriptive, or better, phenomenological in Husserl’s sense of the term.”

Conceito & conceito: “Like the Spirit or the Idea, each Concept is hence double and single at the same time; it is both ‘subjective’ and ‘objective’, both real thought of a real entity and a real entity really thought. The real aspect of the Concept is called ‘object’ (Gegenstand), ‘given-Being’ (Sein), ‘entity that exists as a given-Being’ (Seiendes), ‘In-itself’ (Ansich), and so on. (…) [e agora as coisas menos importantes em H.] and occasionally ‘concept’ (Begriff) in the common sense (when Hegel says: nur Begriff).” “in the Truth — Knowledge is purely passive adequation to essential-Reality.”

When all is said and done, the ‘method’ of the Hegelian Scientist consists in having no method or way of thinking peculiar to his Science. The naive man, the vulgar scientist, even the pre-Hegelian philosopher — each in his way opposes himself to the Real and deforms it by opposing, his own means of action and methods of thought to it. The Wise Man, on the contrary, is fully and definitively reconciled with everything that is: he entrusts himself without reserve to Being and opens himself entirely to the Real without resisting it. His role is that of a perfectly flat and indefinitely extended mirror: he does not reflect on the Real; it is the Real that reflects itself on him, is reflected in his consciousness, and is revealed in its own dialectical structure by the discourse of the Wise who describes it without deforming it.

If you please, the Hegelian ‘method’ is purely ‘empirical’ or ‘positivist’: Hegel looks at the Real and describes what he sees, everything that he sees, and nothing but what he sees. In other words, he has the ‘experience’ (Erfahrung) of dialectical Being and the Real, and thus he makes their ‘movement’ pass into his discourse which describes them.”

science is born from the desire to transform the World in relation to Man; its final end is technical application. That is why scientific knowledge is never absolutely passive, nor purely contemplative and descriptive. Scientific experience perturbs the Object because of the active intervention of the Subject, who applies to the Object a method of investigation that is his own and to which nothing in the Object itself corresponds.”

EXPLICAÇÃO DADA AO CHOQUE: “And we can even say that, in a certain way, Hegel was the first to abandon Dialectic as a philosophic method. He was, at least, the first to do so voluntarily and with full knowledge of what he was doing.”

In Aristotle the dialectical method is less apparent than in Plato. But it continues to be applied. It becomes the aporetic method: the solution of the problem results from a discussion (and sometimes from a simple juxtaposition) of all possible opinions — that is, of all opinions that are coherent and do not contradict themselves. And the dialectical method was preserved in this ‘scholastic’ form until our time in both the sciences and philosophy.”

It was in the form of Cartesian meditation that the dialectical method was used by the authors of the great philosophical ‘systems’ of the 17th and 18th centuries: from Descartes to Kant-Fichte-Schelling.”

Thus, Hegel’s Science is ‘dialectical’ only to the extent that the Philosophy which prepared it throughout History has been (implicitly or explicitly) dialectical.”

History is what judges men, their actions and their opinions, and lastly their philosophical opinions as well.”

RIDÍCULA HAGIOGRAFIA: “He can find it all alone, while sitting tranquilly in the shade of those ‘trees’ which taught Socrates nothing, but which teach Hegel many things about themselves and about men.”

In short, Hegel does not need a dialectical method because the truth which he incarnates is the final result of the real or active dialectic of universal History, which his thought is content to reproduce through his discourse.”

Tem de ser um ensaio irônico…

1841: THE WORLD-HISTORIC SPLIT IN WESTERN PHILOSOPHY – Andy Blunden

The 10 years after Hegel’s death were the apogee of Hegelianism. His students, who had lived under the master’s spell during his lifetime, went out and popularised his teachings and translated them into the language of politics – or much more correctly, translated politics into the language of Hegelianism.

In 1841, the establishment deliberatively moved to ‘expunge the dragon’s seed of Hegelian pantheism’ from the minds of Prussian youth. A newly-appointed Minister for Culture mobilised Friedrich Schelling to come to Berlin and do the job. Friedrich Schelling was the second, and in 1841, the only living representative of Classical German Philosophy. The former Professor of Philosopher at Jena after Fichte’s dismissal for heresy, who as a youth had been a close friend of Hegel, had both encouraged Hegel and enlisted his support in his struggle against Fichte.”

Two old friends of younger days, room mates at the Tübingen theological seminary, are after 40 years meeting each other again face to face as opponents; one of them 10 years dead but more alive than ever in his pupils; the other, as the latter say, intellectually dead for 3 decades, but now suddenly claiming for himself the full power and authority of life. Anybody who is sufficiently ‘impartial’ to profess himself equally alien to both, that is, to be no Hegelian, for surely nobody can as yet declare himself on the side of Schelling after the few words he has said – anybody then, who possesses this vaunted advantage of ‘impartiality’ will see in the declaration of Hegel’s death pronounced by Schelling’s appearance in Berlin, the vengeance of the gods for the declaration of Schelling’s death which Hegel himself pronounced in his time” Engels, Schelling on Hegel, December 1841

Old doctors and ecclesiastics, the jubilee of whose matriculation can soon be celebrated feel the long-forgotten student haunting their minds again and are back in college. Judaism and Islam want to see what Christian revelation is all about: German, French, English, Hungarian, Polish, Russian, modern Greek and Turkish, one can hear them all spoken together – then the signal for silence sounds and Schelling mounts the rostrum. [púlpito]”

The audience also included the Russian anarchist, Mikhail Bakunin, and Søren Kierkegaard, who was to be the founder of Existentialism. Schelling’s proposition was that Hegel had confused ‘essence’ and ‘existence’, and what was required was a return to a philosophy of existence. Kierkegaard ridiculed Hegel for ‘reconstructing’ history in retrospect, ‘but history has to be lived forwards, not backwards’. For his part, Engels insisted that the youth and all enemies of the autocracy must rally to the defence of Hegel. He characterised Schelling’s proposition as a ‘philosophy of revelation’, or ‘positivism’ (as opposed to the ‘negative’ standpoint of Reason).

Schelling did not, as it turned out, win much support for his position, but the young Danish theologian Kierkegaard, declaring the bankruptcy of Reason, can be seen as the founder of Existentialism, which is continued through Friedrich Nietzsche, Edmund Husserl, Martin Heidegger and through Heidegger is a significant component of today’s philosophical cloudscape.” Um tanto simplificador, mas ok.

Arthur Schopenhauer, who had taught at the University of Berlin for 24 semesters, and had spoken regularly to an empty lecture hall, next door and at the same hour when Hegel lectured to a large and ever-growing audience, renounced, in May 1825, his career to live as a recluse. In 1844, an obscure Berlin bookseller accepted the manuscript of Schopenhauer’s oft-rejected The World as Will and Idea without remuneration; and this book (…) gained Schopenhauer worldwide recognition”

The emergence of labour as a conscious social force puts a final end to the classical period of bourgeois epistemology. The explosion of 1841 anticipates this explosion and the irreversible sea-change which follows. ‘Nature’ has spoken. For bourgeois philosophy prior to this time, the labouring masses (or what the post-moderns call the ‘sub-altern’ – the ‘congregation’ who get spoken of and to, but have themselves no right to speak) were like Nature, something ‘beyond sensation’, the unconscious.”

The figures who launch the initial attack on Hegel, Feuerbach and Schelling, did not gather around them a substantial and lasting following. John Stuart Mill and Auguste Comte were already well-known by the end of the 1830s, and as it turns out, the principal figures of the first period immediately following 1841 are Mill, Comte and later Herbert Spencer (Positivists), Søren Kierkegaard and Arthur Schopenhauer (the precursors to Existentialism), the Anarchist Mikhail Bakunin and Communists Karl Marx and Frederick Engels.” “Despite the mutual hostility which is a professional prerequisite and despite the political diversity within each camp, we have on the one hand, the ‘sociologists’ Comte, Mill and Spencer, and on the other hand, the ‘psychologists’ Kierkegaard and Schopenhauer.”

The problem is that Comte’s solution (which was probably the dominant one) led to a further shattering of the unity of human labour, with 1,001 ‘specialists’ beavering away in their own little area. Thus, the great synthesis which Hegel achieved, albeit idealistically, was lost on the very people who most needed it.”

[Kierkegaard’s] whole thing about moods is a knife aimed at the whole basis of Logic, [and] ‘Rationalism’” “Kierkegaard goes on to say that Ethics is also not the correct science to deal with sin as ‘Ethics is after all an ideal science, … Ethics bring ideality into reality; on the other hand its movement is not designed to raise reality up into ideality.’ So it is only ‘dogmatics’, i.e. Christian dogma, which is capable of dealing with sin: ‘While psychology is fathoming the real possibility of sin, dogmatics explains original sin, which is the ideal possibility of sin’.”

Schopenhauer’s philosophy is (…) given the name of Voluntarism, seeking to resolve the scepticism of Kant by identifying the thing-in-itself with Will (rather than Ego as with Fichte or Nature as in the earlier Schelling).” “However, within of the secular religious mentality of classical epistemology, this subjective idealism is invariably reactionary in its political implications because it belittles the creative function of labour and promotes the unrestricted action of the rulers.”

Both these tendencies have inspired and attracted the political right, and there is certainly nothing progressive or optimistic about them. Both were religious but non-conformist, Kierkegaard a devout Lutheran at war with the established Church, Schopenhauer a respectable German bourgeois, with a somewhat ‘New Age’ interest in Hinduism.”

The name of Irrationalism which we can attach to Existentialism and Voluntarism and to a certain extent also Pragmatism, should not be taken as a term of abuse.”

The period following the expurgation of Hegelianism in Germany has John Stuart Mill the leading figure of philosophy in Britain and Auguste Comte in France. Both were great synthesisers and reflected the scientific optimism of the bourgeoisie of their time, taking their inspiration from Kant and Hume, seemingly unmoved by either Hegelianism or its condemnation in Germany. Each, however, respond to the changed social conditions of Europe by the promotion of Ethics.” “Jeremy Bentham, renowned for his theories of prison reform, should properly be given credit as originator of Utilitarianism, but it was Mills that systematically elaborated the theory and did so in conjunction with political economy and his theoretical work on the foundations of the British political system.”

Comte was no democrat however. His notion of social organisation imitated the hierarchy and discipline of the Catholic church. From various Enlightenment philosophers he adopted the notion of historical progress, and from Saint-Simon he drew the need for a basic and unifying ‘sociology’ to explain existing social organisations and guide social planning for a better future.” “Both men [Comte & Mill] assisted in promoting women’s suffrage in the wake of the tragic death of the love of their life, and both were advocates of reform of various kinds within their own country.” “In these two ‘progressive’ bourgeois gentlemen, we see in classic form the national characteristics of British and French philosophy: Mill, an ethic based on the laws of the political economy of laissez faire capitalism, Comte, an ethic of the benign dictatorship of Reason based on laws of socio-historical formation of knowledge and belief.”

Human society was long, long ago shattered by the social division of labour, and the transcendence of this rupture is a long drawn out historical struggle. The mystical character of the process follows from the limitations imposed on professional thinkers under conditions where the real contact with Nature, real production and the real satisfaction of natural human needs is unspoken and unconscious because the producing class itself is silent.”

The period of transformation of bourgeois ideology we are looking at is the period, in Britain, from the publication of the People’s Charter in 1838 which continued up to the final Chartist demonstrations in 1848, the same year which saw the popular uprising in Paris in February, bringing down the July Monarchy, the rioting in Vienna which led to the fall of Metternich and the emancipation of the peasantry, the nationalist uprisings in Hungary, the movement for representative government in Germany and the publication of the Communist Manifesto, and leads up to the founding of the First International and The American Civil War in 1863 and the Paris Commune in 1871. The uprisings and revolutions of 1848 are all defeated but all in one way or another see many of their objectives achieved during the period of relative stability and prosperity which followed.”

The Origin of Species is not to be published until 1859, while the science of psychology is still embroiled in mysticism. Helmholtz formulates the law of conservation of energy in 1847 and his work on nerve signals and body heat during the 1850s cut the ground away from vitalism. The sciences of anthropology and sociology begin from this period.”

In a sense, one must give Comte his due: in declaring the end of the period of metaphysical speculation and the beginning of the period of natural scientific investigation with sociology at the centre, he stated with fair accuracy exactly what was taking place.”

British political economy and French social theory have the elements of the puzzle, but they cannot put it all together. The German bourgeoisie has suffered humiliating defeat at the hands of the Junkers, and German Idealism has been debunked.”

Revolutionary socialist ideology also developed in a struggle. Both theoretical anarchism and modern socialism sprung from the dissolution of the Young Hegelians and drew upon the whole of bourgeois culture. The struggle between Anarchism (Bakunin, Proudhon, and others) and Communism (Marx and Engels) was the principal axis of development of the workers’ movement throughout the next two generations including the First International, the Paris Commune and the Russian Revolution.”

WHAT IS LIVING AND WHAT IS DEAD ON HEGEL TODAY? – Howard Kainz, (in: Hegel, The Philosophical System, 1996)

Croce also indulged in a psychoanalytic speculation that Hegel’s 19th-century adversaries – Schopenhauer, Janet, and others – hated him because they saw him as the symbol of philosophy itself, ‘which is without heart and without compassion for the feeble-minded and for the lazy: Philosophy, which is not to be placated with the specious offerings of sentiment and of fancy, nor with the light foods of half-science’.”

A phenomenon that would lead us to believe such a renaissance is in progress is the constant increase of books on Hegel in the last four decades. What are the reasons for this continually growing interest in Hegel? One obvious reason is pragmatic: the necessity for understanding Hegel in order to assess Kierkegaard’s reaction against him, Marx’s and Sartre’s use of Hegelian concepts in developing their own positions, Heidegger’s interpretation of Hegel, and Derrida’s attack on Hegelian ontotheology. A second reason is that in some quarters, interest in Hegel is concomitant with a reaction against analytic philosophy.” “[On the other hand,] Richard Bernstein broaches this third possibility, arguing that analytical philosophers are finding more and more that single and discrete analyses ‘spill over to other issues’ (as happens in Hegel’s analyses), that progress on epistemological issues requires confrontation with metaphysical issues (a requirement Hegel insisted on), that one can’t deal effectively with reference and denotation without getting into ontology (another Hegelian insight), and so forth. A fourth reason, also noted by Bernstein, has to do with developments in philosophy of science that seem to reflect Hegelian themes – e.g., theories about the evolution of scientific paradigms and recognition of the influence of social contexts on scientific theories (Bernstein, 39). A fifth reason has to do with Hegel’s political theory: in 1989, renewed interest in this aspect of his work was generated when Francis Fukuyama published an article in The National Interest, portraying Hegel as a prophet of the triumph of liberalism over communism.”

A few decades ago, [Mortimer] Adler looked to scholastic realism as an anchor of sanity in a philosophical world gone adrift in sectarian rivalry and undisciplined individualism.” “For those still seeking a perennial philosophy but disenchanted with the scholastic model, Hegel may seem an improvement, if not the ultimate answer. For Hegel saw all philosophical schools and systems as the unfolding of one central problematic – the relationship of being to thought – and he also managed to synthesise the ‘transcendental turn’ (Kant’s ‘Copernican revolution’) into his overall schema (something scholastic realism was constitutionally unable to accomplish). The synthesising power of the Hegelian system is of course challenged to the utmost in an intellectual world grown accustomed to evolution, relativity, the demise of monarchical political systems, the decline of the west, and multi-valued logics.”

HISTORICISMO-HISTORIOGRAFIA: “This renewed interest in history may quite conceivably have been brought about by the very pluralism and factionalism of contemporary philosophy, much as a society in times of confusion or anarchy may grope for stability by studying its own history and heritage. Those who seek in the history of philosophy some illumination about contemporary philosophical goings-on will find a kindred spirit in G.W.F. Hegel; for Hegel, perhaps more than any other modern philosopher, emphasised the history of philosophy, and in a very real sense even identified philosophy with its history.”

After all, philosophy, following the example of science, has become extremely specialised and compartmentalised, and in these days of a never-ending ‘knowledge explosion’, who would seriously lay claim to knowing ‘all things’ – the whole universe or even its infinite ‘areas of discourse’? But for one disgruntled underground species of philosophers, those who can’t quite give up that grandiose aspiration, the study of Hegel allows them to do something of this sort, with a certain degree of respectability and without having to put on airs of being geniuses.” “I should re-emphasise that Hegel himself did not claim to ‘know all things’; he claimed only to have uncovered the ‘absolute standpoint’ making possible a balanced, no longer one-sided perspective, on perennial philosophical issues.”

The most serious and most important inducement to study Hegel, in my opinion, is an interest in, and a need for, metaphilosophy.” “For those who understand ‘metaphilosophy’ in the fourth sense [I exposed] – as a study of philosophical discourse – it becomes the study of philosophical discourse about ‘philosophical discourse’.”

One salutary result of the study of Hegel has been a holistic view. One cannot read Hegel seriously and sympathetically without beginning to view the specialisation and prima facie autonomy of various branches of philosophy as unnecessary (ontologically or otherwise) and even counterproductive.”

Hegel had no patience with the idea that the formula ‘one man, one vote would guarantee political self-determination’.” “At a time when Hitler’s election on the basis of the ‘one man, one vote’ is still a fairly recent memory – and when ‘control’ over the federal government by average American working people is often reduced to perilous choices, every few years, between congressional or presidential candidates neither of whom is thought satisfactory – it would be appropriate for us to ask whether there is any more natural way to ensure constant participation by and representation of citizens in a free state. Especially with today’s revolutionary advances in communication technologies, the possibilities of full democratic participation have to be rethought.”

The existence of paradoxes puts to the test our linguistic and logical conventions regarding univocity and non-contradiction, but we should not dismiss them simply on this ground. Dismissing paradox for such a is reason would be analogous to, say, Einstein‘s dismissing the change of mass of subatomic particles at high speeds because it flouted Newtonian physics. It was by going beyond this apparent contradiction that Einstein arrived at new paradoxical insights; analogously, it may just so happen that some philosophical truths are apparent contradictions on the level of ordinary logic, but paradoxical truths nevertheless. When we think of the consensus among physicists, biologists, and chemists on many foundational issues and, by contrast, the lack of consensus – and the many contradictions – among philosophers on every issue, it may not seem unlikely that paradox, which incorporates oppositions and contradictions but also surpasses them, may be the most appropriate mode of expression in philosophy.”

Hegel’s theology is speculative and patristic, rather than biblical or ‘systematic’ in the current theological sense; but it offers intensive examination of many important theological issues. Karl Barth suggests in one place that Hegel is the Thomas Aquinas of Protestantism; and the Catholic theologian Hans Küng devotes a book to a constructive elaboration of Hegel’s Christology. But the conflict between leftist and rightist interpretations of Hegel, begun after his death, is still going strong.”

H.S. Harris suggests that Hegel’s description of his Philosophy of History as a ‘theodicy’ was a ploy to distract attention from the revolutionary social theory of the Phenomenology.”

Let me now balance this account of the positive aspects of Hegelianism with an appraisal of some of Hegel’s more salient deficiencies and errors.”

Marx tried to use Hegel’s dialectical methodology without succumbing to Hegel’s ontology; Kierkegaard in his ‘aesthetic’ works reinterprets or reapplies many ideas from Hegel’s phenomenology. Others exonerate Hegel’s system but consider his dialectic the drawback. I side with the former group. Hegel’s system is obviously patterned after Fichte’s and Schelling’s attempts to build systems and is thus ‘dated’. Although Hegel’s system provides a wealth of insights, it would not be worthwhile to follow in his footsteps by philosophising in sets of intertwining and nested triads.”

For one thing, in line with the Hellenist sentiment of his era, he idolised the Greeks, but he saw fit to characterise the Romans – of the republic and the empire – as essentially a band of robbers who got together and then required strong, practical laws and eventually tyranny to keep them from turning on each other.”

In the Philosophy of History, Hegel not only writes off China as being outside history but refuses to give any serious attention to Russia or the other Slavic countries because they contributed nothing important to (European) history.”

Hegel, like Kant, seemed to think of Negroes as a definitely inferior race. He theorised that although they were stronger and more educable than American Indians, Negroes represented the inharmonious state of ‘natural man’, before humans’ attainment of consciousness of God and their own individuality”

Hegel’s ideas of women similarly reflect ‘scientific’ attitudes that prevailed at the time but would now be considered sexist. For example, in his treatment of the family in the Philosophy of Right, he generalises that women are ruled by feeling, can be educated only by something like osmosis, and should never be put in charge of a state (PR, §166, Zusatz).

Hegel’s praise of war and overall militarism (PR, §324), even though it was tempered by his opposition to nationalism (Hösle 582n), strongly influenced 19th-and-20th-century war ideologies, up to and including Nazism (Hösle 581).”

I am sure that Hegel himself, who insisted strongly on the historical and cultural limitations of any philosophy, would not be a Hegelian now – if by ‘Hegelian’ is meant someone who champions monarchy, systems built out of triads, outdated scientific ideas, and so forth.”

MATHEMATICAL PHYSICS VS PHILOSOPHY: Hegel, Pythagorean triples, Spinors and Clifford Algebras – Daniel Parrochia, 2020.

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Preprint submitted on 20 May 2020

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It is well known that Hegel had a bad opinion of mathematics. Even if, over time, and under the pressure of facts (notably the expansion of differential calculus and Gauss’s arithmetic research) this opinion has changed, it remains that his initial view was negative. This has never been more clearly expressed than in the famous text of the preface to the Phenomenology of Spirit (1807) which takes for example the famous demonstration by Euclid of the Pythagorean theorem.”

Considering this demonstration, Hegel states the following thesis:

1. The process of mathematical proof does not belong to the ob-ject(*); it is a function that takes place outside the matter in hand.

(*) The English word ‘object’ is the translation of the German word Gegenstand, which literally means ‘what is posed in front’. This is why the French translator of the Phenomenology of Spirit B. Bourgeois suggests writing ‘object’ with a hyphen, in order to recall that this word ‘designates the content that the spirit, splitting up inside its primary unity (the soul) opposes objects to itself, to become properly consciousness’. (…)

2. In mathematics, construction and proof contain, no doubt, true propositions, but the content, for Hegel, is ‘false’. (…) <Thus we find negativity of content coming in here too, a negativity which would have to be called falsity, just as much as in the case of the movement of the notion where thoughts that are taken to be fixed pass away and disappear.>¹.”

¹ Tradução minha abaixo.

Assim, encontramos a negatividade do conteúdo sobrevindo nesta proposição, uma negatividade que deverá ser chamada falsidade, bem como no caso do movimento da noção em que pensamentos que são tomados como fixos passam e desaparecem.”

(continuação da tese hegeliana)

3. The real defect of this kind of knowledge affects its process of knowing as much as its material. As to that process, one does not see any necessity in the construction. An external purpose controls it. Concerning the material, it only consists of space and numerical units (das Eins)¹.”

¹ Literalmente “os Uns”. Em alemão a pronúncia é idêntica a “daseins”, vir-a-ser no plural, devires (existências ou seres no sentido mais dinâmico).

4. For all that, philosophy has nothing to do with mathematics. (…) <does not attain to essential opposition or unlikeness; and hence involves no transition of one opposite element into its other, no qualitative, immanent movement, no self-movement.> [H.]

5. (…) <It does not consider, for example, the relation of line to surface, and when it compares the diameter of a circle with its circumference, it runs up against their incommensurability, i.e. a relation in terms of the notion, an infinite element, that escapes mathematical determination.>

6. Even applied mathematics does not take in account true concrete realities.” (Aplica relações conceituais – meramente abstratas – expressas em fórmulas)

7. (…) The abstract or unreal is not [philosophy’s] element and content, but the real, what is self-establishing, has life within itself, existence in its very notion.” (O todo do movimento, do processo, constitui a positividade) “This movement includes, therefore, within it the negative factor as well, the element which would be named falsity if it could be considered one from which we had to abstract. The element that disappears has rather to be looked at as itself essential, not in the sense of being something fixed, that has to be cut off from truth and allowed to lie outside it, heaven knows where” “Appearance is the process of arising into being and passing away again, a process that itself does not arise and does not pass away, but is per se, and constitutes reality and the life-movement of truth. <The truth is thus the bacchanalian revel, where not a member is sober>

A verdade é, assim, o êxtase bacanaliano, em que nenhum membro é sóbrio”

8. In consequence, mathematics cannot be a useful model for philosophy. <It is not difficult to see that the method of propounding a proposition, producing reasons for it and then refuting its opposite by reasons too, is not the form in which truth can appear. (…) Hence it is peculiar to mathematics and must be left to mathematics, which, as already indicated, takes for its principle the relation of quantity, a relation alien to the notion, and gets its material from lifeless space, and the equally lifeless numerical unit.>

9. Generally speaking, Hegel protests against any schematizing formalism. However, it will allow himself to make use of triplicity <now that the triplicity, adopted in the system of Kant… has been raised to its significance as an absolute method> so that true form is thereby set up in its true content, and the conception of science has come to light.”

9. Genericamente falando, H. protesta contra qualquer formalismo esquematizante. E no entanto, esse mesmo formalismo esquematizante facultará a H. o uso da triplicidade <agora que a triplicidade, adotada no sistema de Kant …. foi elevada a sua significância como um método absoluto>, [!] de modo que a forma verdadeira é doravante estabelecida em seu verdadeiro conteúdo, e o conceito de ciência veio à luz.”

Hegel’s criticism against mathematical thought, which was already beginning to meet limits in its time, is no longer in season today (see Larvor 1999, 24). But it has, in fact, never really been admissible.” carece de fundamentação

Some of the Euclid’s proofs of the famous proposition I. 47 in the Elements (see [Euclid 56], 349) are classified as:

1. Proofs by rearrangement (see, for example, Heath’s proof as reported in [Euclid 56], 354-355 or in [Benson 99], 172-173)).

2. Proofs by dissection without rearrangement (like Einstein’s proof (see [Schroeder 12], 3-4)).

3. Proofs using similar triangles (already known in the Antiquity).”

Algumas das provas de Euclides da famosa proposição I.47 nos Elementos são classificadas como:

1. Provas por rearranjo (vd., p.ex., a prova de Heath como relatada em (…) Benson 1999, 172-3).

2. Provas por dissecção sem rearranjo (como a prova de Einstein, vd. Schroeder 1212, 3-4).

3. Provas utilizando triângulos análogos (já conhecidas na Antiguidade).”

In all these proofs, the initial triangle is either divided into other triangles, or inserted into a more complex figure in which it disappears or, let’s say, only occupies an inessential place.”

We know that there are in fact hundreds of proofs of Pythagoras’ theorem, not to say thousands. In his famous book The Pythagorean proposition, Elisha Scoot Loomis presents a collection of 370 proofs, grouped into the 4 following categories: Algebraic (109 proofs), Geometric (255), Quaternionic (4); and those based on mass and velocity, Dynamic (2). This author even asserts that the number of algebraic proofs is limitless – as is also the number of geometric proofs (see Loomis 1968, viii).

For many of these proofs, Hegel’s reasoning does not hold water.”

For example, in a certain number of ‘algebraic’ proofs, the triangle is not dismembered, but multiplied.”

 

As we can see, the theorem can be proved algebraically using 4 copies of a right triangle with sides a; b and c, arranged inside a square with side c (…)

.

.

.

c² = a² + b².

This proof (or similar proof) would have already been known from the Hindu mathematician Bhaskara (12th century) and would not be much different from much older proof, which can be found in the Chinese classic Zhoubi Suanjing (The Arithmetical Classic of the Gnomon and the Circular Paths of Heaven), which gives a reasoning for the (3, 4, 5) triangle. In China, it is called the ‘Gougu theorem’

But we can also make use of certain advances in mathematics, which have occurred since antiquity, for example, differential calculus, moreover known from Hegel.”

The triangle ABC is a right triangle, as shown in the upper part of the diagram, with BC the hypotenuse. At the same time the triangle lengths are measured as shown, with the hypotenuse of length y, the side AC of length x and the side AB of length a, as seen above.

If x is increased by a small amount dx by extending the side AC slightly to D, then y also increases by dy. These form 2 sides of a triangle, CDE, which (with E chosen so CE is perpendicular to the hypotenuse) is a right triangle approximately similar to ABC. Therefore, the ratios of their sides must be the same, that is, dy/dx = x/y.” etc. etc. y² = x² + C . . . “The constant can be deduced from x = 0, then we can pose y = a and obtain the equation: y² = x² + a².

Maybe one would say that this is more of an intuitive proof than a formal one. But it can be made more rigorous if proper limits are used in place of dx and dy.” O que ele não entende é que intuitiva ou formal, ambas são apenas provas matemáticas

In all these demonstrations, the triangle is by no means dismembered and Hegelian criticism does not apply. But we can go even further by showing that in reality, what is in question behind Pythagoras’ statement refers to synthetic physico-mathematical structures much deeper than the simple figure of the triangle, which is only an appearance.”

In fact, what Hegel has not seen – maybe he could not – is that the most important in the Pythagorean formula is not the triangle in itself but the relation between the 3 quantities a; b and c, which constitute what we call now a «triple», and in our case a «Pythagorean triple».”

It is also possible that an intuitive knowledge of Pythagoras’ relationship would be much older than Chinese mathematics, since it could have its roots in ancient Mesopotamia and, beyond, in the Egypt of the pyramids. As Thom has shown, the cuneiform tablet known as Plimpton 322 from Mesopotamia enlists 15 Pythagorean triples and is dated for almost 2000 BCE. The second pyramid of Giza is based on the 3-4-5 triangle quite perfectly and was build before 2500 BCE. <It has also been argued that many megalithic constructions include Pythagorean triples> (see Kocik 2007).”

In a previous work, I quoted a lecture pronounced by Trautman 1990 in Belgium in 1987. This text explained that the Pythagorean equation, in the interpretation of Diophante, enveloped in itself an extraordinarily modern synthetic notion, the notion of spinor.”

But let us remain, for the moment, inside the Euclid’s Elements, even if the existence of Pythagorean triples, that is triples of natural numbers (a; b; c) satisfying:

a² + b² = c²;

has been known, in fact, for thousands of years.”

Spinors: excedem completamente o meu métier, então sequer me darei ao trabalho de insertar imagens!… Só vou continuar citando o que pode ser considerado “história da matemática” e compreensível para nós de humanas!

Though Cartan 1938 described this kind of structure long before, the explicit notion of ‘spinor’ appears in 1931 in Physical Review.”

* * *

So, as it appears, we are very far from the simple geometric characterization of the right triangle, to which Hegel’s understanding was limited.

But we can go further.”

* * *

In conclusion, behind Pythagoras theorem and the demonstration of the right triangle, exists a very deep rational organization with complex synthetic structures like Clifford algebras, rotations in space and spinors. Who could contest that there are here, with those structures, dialectical syntheses (geometric algebra), self-movement and ‘life’ which place mathematics far beyond the (fairly negative) view that Hegel had of it?”

Parrochia é matemático, então ele não entendeu que a “prova” hegeliana não pode ser “provada” matematicamente. O que se pode provar em matemática é conteúdo do campo matemático; o que H. objetava é que provas matemáticas tenham qualquer conotação metafísica; portanto, H. continua com razão nesse tocante (afinal é impossível “desprová-lo” não-metafisicamente). O que Parrochia chama de ‘vida’ é um estereótipo barroco-jornalístico: da perspectiva da filosofia, por mais que suas equações sejam belíssimas, continua não havendo “vida” em sua “dialética geométrica euclidiana/pós-euclidiana”, porque faltou-lhe entender o sentido da expressão viva empregada pelo filósofo alemão. “Negativo” também parece ter sido entendido por ele como “depreciativo”, “o que faz mal, o que é de qualidade baixa”. Não é esse o sentido do negativo em Hegel, mas ele deve ser buscado na lógica aristotélica do princípio de não-contradição, e guarda relação com o que a filosofia posterior denomina de “nada”, “império do niilismo”, etc., sempre em relação com o Ser.

Não sou sequer partidário de Hegel e sua teleologia hoje está morta, mas tenho de defendê-lo quando uma suposta crítica a seus postulados parte de um ponto de vista injusto pré-hegeliano mesmo. A diferença entre o filósofo de primeira linha e o mero “diletante” é que não se deve assumir a priori o significado de uma expressão (vida ou, neste caso, mais detalhadamente no que ele crítica em Hegel como sendo “o trabalho do negativo”) pelo dicionário, o que é outra ingenuidade para-além da crítica a um filósofo que ainda filosofava ‘em sistema’, e só quem leu os filósofos da linguagem do séc. XX e se deu conta da limitação da linguagem para produzir enunciados mais que arbitrários pode entender quão precária é a posição de Parrochia neste artigo (pequeno e ‘grosso’ até para a mídia artigo, em minha opinião).

Não entendo como o autor pode pensar que a matemática do século XXI refuta o texto da Fenomenologia do Espírito (que de qualquer modo já se tornou superável filosoficamente no séc. XIX). Ao pesquisar sobre as relações hegelianas com Pitágoras e as exatas, imaginei que encontraria um artigo de um matemático filósofo (ou vice-versa), mas este artigo resulta inútil aos meus propósitos de entender melhor a “fixação hegeliana” pelo triplete, ou pela tríade, pitagórico e pelo Timeu de Platão, além de seu fetiche pelo número 3 que é cerne em sua dialética (vide afirmação sobre Kant contida no início).

No fim do artigo, quase esquecido do tema da introdução, Parrochia diz que Lakatos “se tornou um hegeliano através da matemática, porém sem os erros de Hegel”. Ora, Lakatos não é um metafísico (filósofo na verdadeira acepção da palavra), apenas um epistemólogos de sua disciplina, i.e., um filósofo da matemática. Ainda assim, outra figura conhecida criticou o alcance de Lakatos, o “ídolo de Parrochia”, com propriedade:

wiki:

Paul Feyerabend argued that Lakatos’s methodology was not a methodology at all, but merely ‘words that sound like the elements of a methodology’. He argued that Lakatos’s methodology was no different in practice from epistemological anarchism, Feyerabend’s own position. He wrote in Science in a Free Society (after Lakatos’s death) that:

Lakatos realized and admitted that the existing standards of rationality, standards of logic included, were too restrictive and would have hindered science had they been applied with determination. He therefore permitted the scientist to violate them (he admits that science is not <rational> in the sense of these standards). However, he demanded that research programmes show certain features in the long run — they must be progressive… I have argued that this demand no longer restricts scientific practice. Any development agrees with it.’

Lakatos and Feyerabend planned to produce a joint work in which Lakatos would develop a rationalist description of science, and Feyerabend would attack it. The correspondence between Lakatos and Feyerabend, where the two discussed the project, has since been reproduced, with commentary, by Matteo Motterlini.”

Em suma, Parrochia usou um “alvo fácil” ou um simples outsider e figura histórica como trampolim para “brilhar em seu campo”, provavelmente para conseguir mais repercussão em seu artigo; mas é sem fundamento que o faz ao buscar (ou apenas ‘maquiar’) uma pseudo-interdisciplinaridade com a filosofia. De todo modo, a sinopse do livro de Parrochia que encontrei não parece de todo mal. Aos interessados, vale a pena se arriscar: https://www.amazon.com.br/Mathematics-Philosophy-Daniel-Parrochia/dp/1786302098.

BIBLIOGRAFIA CITADA NAS PASAGENS:

Benson, The Moment of Proof : Mathematical Epiphanies, Oxford University Press, Oxford, 1999.

Cartan, E., Leçons sur la théorie des spineurs vol. 1 and 2, Hermann, Paris, 1938.

Kocik, J., ‘Clifford Algebras and Euclid’s Parameterization of Pythagorean Triples’, Advances in Applied Clifford Algebras 17 (2007), 71-93.

Larvor, B., ‘Lakatos’s Mathematical Hegelianism’, The Owl of Minerva Vol 31, Issue 1, 23-44, 1999. https://doi.org/10.5840/owl199931119

Loomis, E.S., The Pythagorean Proposition: Its Demonstration Analyzed and Classified and Bibliography of Sources for Data of the Four Kinds of ‘Proofs’ (1940), National Council of Teachers of Mathematics, Washington, DC, 1968.

Schroeder, M.R., Fractals, Chaos, Power Laws: Minutes from an Infinite Paradise, Courier Corporation, New York, 2012.

Thom, A., Megalithic Sites in Britain, Oxford University Press, Oxford, 1967.

Trautman, A., ‘L’échiquier spinoriel’, Bulletin de la Classe des Sciences, Académie Royale de Belgique, 6e série, tome 1, 6-9, 187-194, 1990.